Olá viajante!
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Fuganti 8 posts
Como minha mulher foi para a Escócia, encomendei-lhe uma Lightwave T0 Trek.
O Ogum havia recomendado a marca. Um dos sonhos de consumo dele é a Lightwave T0 Ultra XT (considerada uma das 10 melhores barracas do mundo pelo Cris Townsend). Porém o objeto de desejo dele custa 350 Libras Esterlinas. A minha, sem o material top de linha e sem o vestíbulo estendido tinha custo de 165 Libras e cabia no meu bolso. O vestíbulo estendido (XT) tb é ideal para clima bem rigoroso dos países nórdicos e para a Patagônia (vc tem mais espaço para cozinhar quando o bicho tá pegando do lado de fora).
Descobri que a principal diferença de peso, entre os modelos trek e ultra, está nas varetas, nos espeques e cordas. A redução significa quase uma Libra por grama economizada (diferença de 160 gramas). O material da ultra é o Nylon 6.6, muito resistente e leve, mas o material da Trek é o silnylon, também excelente.
É uma barraca tipo Túnel, 4 estações, solo, para 1,5 pessoas (um adulto e uma criança – eu considerei isto na hora de comprar), ou dois adultos muito enamorados. Tem teto e sobreteto e pesa apenas 1.610 gramas (pouco para uma 4 estações).
É projetada para clima frio. Vc nota que o sobreteto vai até quase o chão ou toca o chão. O teto tem pouca tela de mesh. Apenas o suficiente para promover uma ventilação que tire a condensação. Ambos (teto e sobreteto) são feitos de silnylon, um material levíssimo, impermeável e muito resistente.
O acabamento é excelente. Cada detalhe é pensado para a resistência da barraca frente a ventos fortes. A Lightwave é uma pequena firma inglesa fundada por uma alpinista que faz barracas de grande reputação.
O primeiro uso foi final de semana passado no topo do Pico das Almas (Rio de Contas/BA), a 1.958 metros. São Pedro exagerou no teste. Ventos com rajadas de 40 a 60 Km por hora. Nuvens passando a toda (fiquei dentro das nuvens) e garoa. Devido ao pequeno espaço disponível para armar a barraca, no pico (muito empedrado) não coloquei a barraca na posição ideal diante do vento (a traseira deve ficar alinhada com o vento, no máximo 30º de diferença). Para piorar, pouco antes de escurecer, o vento mudou de E-SE para SE-S e ficou mais forte, o que me obrigou a reposicionar a barraca. A túnel é muito estável se estiver bem ancorada e alinhada com o vento. As pedras não permitiam alinhar bem com o vento. Fiquei uns 45º com o vento. Nas rajadas mais fortes, a barraca chacoalhava toda, e panejava. No meio da noite tive que botar um protetor auricular para poder dormir, tal o barulho que fazia o panejar. Mas dormi tranqüilo porque sabia que a barraca agüentaria.
Levei 1 X 0 para montar a barraca. Mas era a 1ª vez e estou mal acostumado (só tinha barracas de um só teto, bem mais fáceis de armar).
Passei uns cordoletes para prender a barraca melhor. Velcros bem posicionados ligam direto a fixação do cordolete às varetas de alumínio, assegurando grande resistência estrutural.
Os espeques são impressionantes. Nunca vi igual. Leves, de alumínio, mas formando uma estaca quadrada. No solo pedregoso sentava a bota em cima para vencer a resistência das pedras e ela conseguia entrar sem dobrar. Vá fazer isto com um espeque normal!!!
Achei que nesta época do ano, outubro, no interior da Bahia, mesmo a quase 2.000 m, não sentiria frio dentro de uma tenda 4 estações. Levei apenas um saco de dormir microlite 600 da Curtlo, com temperatura de conforto de . No início da noite foi dormir com uma camisa de algodão e cueca. Durante a noite a temperatura caiu para 10 a 12 º C (sem considerar o fator vento). Tive de vestir calças e agasalho. Dentro ficou entre 14-15º C. Imaginem se estivesse com uma 3 estações. Passaria o maior perrengue de frio, pois elas são muito ventiladas.
O vestíbulo, embora não muito espaçoso, permite cozinhar tranqüilo com um fogareiro a gás. Para um de benzina acho temerário. A altura, cerca de 1 metro, é maravilhosa. Eu tenho 1,85 e sentei com conforto, sem ficar acocorado.
O cumprimento foi o exato para me esticar. Porém com o farfalhar da barraca diante do vento, a dianteira da tenda (onde fica a porta) tocava na minha cabeça, durante o sono, de cumprido. De lado, sem problema. Ela é espaçosa e permite guardar dentro a mochila e outras coisas. No vestíbulo, só deixei o material de cozinha e as botas. De manhã cedo, o que ficou fora no vestíbulo, estava todo recoberto por uma areia bem fina, que foi arrastada pelo vento.
O silnylon (não sei se porque é novo), permite que a areia fina grude nele mais facilmente que o nylon normal.
Embora eu a tenha comprado para os Andes e Patagônia, dá para usá-la aqui, especialmente em travessias nas montanhas. Não presta muito para praias e calor, a não ser que vc não tenha mosquitos e possa deixar o vestíbulo e a porta abertos.
Para montanhas, o ideal é que vc tenha espaço para alinhá-la com o vento. Neste sentido, uma geodésica, bem mais pesada, leva vantagem. Vc não tem tanta preocupação quanto a posição (só não deixar a porta diante do vento) e usa menos espeques (com a t0 são 12 espeques).
Próximas férias, na Patagônia, espero poder passar-lhes novas boas impressões. As primeiras foram excelentes.
Das 4 barracas que até hj possuí (uma T&R, uma Lafuma e uma Doite) esta é, disparada, a melhor.
Peter