"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Fala aí galera
Bom, aqui começa o relato da minha última trip pela Europa, baseado principalmente no Leste Europeu.
As fotos estão publicadas no http://celsojtsukase.multiply.com/photos
Quem me acompanhou neste trip foi o Eugenio, um brother que conheci numa viagem a muitos anos atrás e sempre que possível a gente faz umas viagens por aí.
Legendas:
E - Euro
Zl - Zloty ( moeda polonesa - ver a cotação do dia)
CZ - Coroa ou Czacs (moeda Tcheca - ver a cotação do dia)
06/09 - o início
Pegamos o vôo São Paulo/Paris pela Air France as 16:30 hs (horário de Brasília), chegando em Paris por volta de 06:00 hs (horário europeu) do dia 07/09. Tivemos que correr, pois a conexão Paris/Berlin ia sair as 09:00 hs, e quem conhece o aeroporto Charles de Gaulle, sabe do que estou falando, pois o aeroporto é enoooormeeee, saímos correndo para o portão correto, muita fila, ainda bem que o vôo atrasou. O valor da passagem aérea SãoPaulo/Paris/Berlin e Berlin/Paris/São Paulo custou aproximadamente R$ 2500,00.
07/09 - Berlin - a chegada
Cheguei em Berlin por volta de 11:00 hs da manhã no aeroporto Tegel. Tem um o ônibus ( E 2,20) que vai diretamente para a AlexanderPlatz no centro da cidade. De lá pegamos o S-bahn para a estação XXXXX onde ficava o albergue SunFlowers que a gente tinha reservado.
As redes de tranporte coletivo são todas interligadas em Berlin, então pude usar o ticket do ônibus no S-bahn, não esquecendo de validar o ticket antes de entrar no ônibus/trem. O ticket vale por 2 horas. S-bahn é o trem de superfície e U-bahn é o metrô.
Este lance de validar o ticket eu já havia lido bastante, e da primeira vez que estive na Alemanha em 1998 eu já havia observado que não existem catracas nas estações de trens/metro e não tem cobrador nos ônibus, porém todos compram seu ticket e validam direitinho. Você pode comprar o ticket nas máquinas automáticas e raras vezes tem algum guichê que vende. Claro que existem alguns metidos a besta que se vangloriam de ter tomado o trem sem ticket, mas se é pego pelo fiscal está ferrado. É multa na certa e não tem nada de que não entede a língua e tal.
Chegamos no albergue SunFlowers, custou E 22,50 por dia, sem café. Custo um pouco mais caro pois pegamos um quarto pra 2 pessoas, sabe como é, estamos ficando velhos e um pouco de sossego faz bem. A internet custava E 0,50 por 10 minutos. Mas pra quem tinha laptop, tinha wi-fi de graça no albergue inteiro.
Largamos as coisa no albergue, e saímos pra um rolê. Andamos um quarteirão e que sorte, chegamos sem querer na East Side Gallery, uma galeria a céu aberto onde ainda está a mais bem conservada e maior parte do que restou do muro de Berlin ! Isso a 5 minutos do albergue. Muitas fotos, claro que quebrei um pedaço do muro de Berlin, foi a mais barato e mais preciosa recordação que trouxe de lá ! Só de imaginar o quanto de história tem naquele pedaço de pedra, é de arrepiar...
De lá continuamos andando, beirando o Rio Spree, que corta a cidade inteira e chegamos na AlexanderPlatz.
Lá encontrei a salvação para me alimentar, o MacDonald´s !! 1 chesseburguer custa
E 1,00 e 1 big mac custa E 3,90. Peçam sempre refrigerante pequeno, pois o refil é gratis hahahahaha.
Na AlexanderPlatz fica a famosa torre de TV da RDA. Lá pertinho também fica a Rathaus, a prefeitura de Berlin. Andando um pouco mais fica a Catedral de Berlin, nossa, uma coisa enorme e bonita. Muitas fotos nestes locais.
De lá voltamos a pé para o albergue, aí fui descobrindo que o albergue fica na parte onde era a parte oriental de Berlin, dá pra perceber na arquitetura dos prédios uma semelhança entre todos.
Pra jantar, pizza ! Comprei também umas bolachas no supermercado, pois o café da manhã no albergue custava E 3,00.
08/09 - Berlin - rolê pela cidade
Nossa, que dificuldade pra levantar. Coloquei o despertador pra me acordar as 09:00 hs (horário europeu), o que equivalia a 04:00 hs no horário de Brasília, esse é o famoso Jet-leg, o corpo fica detonado mesmo, tem que pegar no tranco para conseguir levantar.
Pegamos o S-bahn ( E 2,20) até a estação Charlottenburg. De lá tem que fazer uma pequena caminhada até os Palácios de Charlottenburg, bem bacana, vale a visita com mais tempo, pois lá se encontra o Museu Egipcio. Como o tempo estava meio apertado, não deu pra visitar.
De lá caminhamos até a Coluna da Vitória, famoso no clip do U2 da música Stay, onde o Bono Vox fica em cima da estátua da coluna. Lá sempre ocorrerem também os shows e os eventos da cidade. Dá pra subir até perto da estátua, tem trocentos degraus, a entrada custa E 3,50. Vale a vista lá de cima.
Seguindo a avenida 17 de Junho, passamos pelo Tiergarten, um parque enorme e pelo Zoo de Berlin.
Esta avenida termina no famoso Portão de Brandenburgo e ao seu lado fica o Reichtag, o parlamento alemão.
Vale muito pegar a fila e visitar o Reichtag, imperdível, lá tem uma vista fantástica da cidade, e sem falar que aquela cúpula de vidro é sensacional. As fotos da guerra que estão expostas lá dentro também valem a pena ver.
Do portão de Brandengurgo continua a Under Den Liden, uma das avenidas mais famosas de Berlin, com muitas lojas e movimento. Numa rua paralela, fica o monumento aos judeus, meio esquisito, mas vale a visita.
De lá seguimos caminhando até o Topografy des Terror, um museu a céu aberto, junto a outro pedaço do muro de Berlin, onde mostra a história do muro, fotos nazistas, etc. Entrada gratuita.
Seguimos caminhando até o Checkpoint Charlie, onde ficava exatamente o posto de controle do que e quem podia sair/entrar na parte oriental da cidade. Ainda existe uma casa simbolizando este posto. Lá também fica o museu Checkpoint Charlie, a entrada custa E 7,50 e é obrigatório deixar suas coisas no locker - E 2,00. Achei bem caro esse museu, e seu acervo é até interessante, mas não vale o valor não.
Lá também comi o primeiro de muitos kebaps - aqui no Brasil conhecido como churrasquinho grego, aquela carne que fica girando num espeto o vão cortando os pedaços servindo num pão, pois é, lá tem isso, mas na sua maioria quem faz são os turcos, e lá é um lanche normal, todos comem. Na média em Berlin custa E 2,50. Comi vários, e estou vivo ainda, por isso recomendo.
De lá seguimos caminhando de volta ao albergue, com paradas para compra de lembranças e muuuiiitttass fotos.
No albergue, claro, cerveja. Na média custa uns E 2,00.
09/09 - Berlin - day trip para Potsdam
Saímos do albergue para um day-trip, que é simplesmente ir a uma cidade nas redondezas e passar o dia lá.
Tomamos o trem ( E 2,80) com destino a Potsdam, fica a aproximadamente 2 horas de trem de Berlin.
Potsdam era a cidade onde os reis antigamente passavam as férias, por isso tem tantos palácios e castelos lá.
O palácio mais famoso é o Sanssouci, lembra bastante o palácio de Versalhes em Paris, na verdade aquilo hoje é um parque composto de vários palácios todos abertos a visitação.
Dá pra fazer tudo a pé, ir da estação de trem até o parque e voltar tranquilamente.
Na volta, o menu do jantar foi kebap pra variar.
10/09 - Saída de Berlin com destino a Dresden
Saímos do albergue logo pela manhã, direto para a estação central ( Hauptbahnhop) onde compramos passagem para Dresden ( E 25,00).
A viagem demorou aproximadamente 2 horas.
Chegamos em Dresden um pouco depois da hora do almoço e fomos direto ao albergue Lollis - E 16,00 por dia, sem café. Porém eles disponibilizam de manhã café, chá, manteiga, geléia, você só tem que simplesmente comprar seu pão que o resto é de graça. Lá tem uma cozinha bem equipada também, tudo a disposição, nem precisa falar que isso me fez economizar bons euros. Mas também cansei de comer macarrão hahahahah. O albergue é bem bacana, o pessoal lá dá bastante dica de passeios e bons descontos em bares e restaurantes
O metro de superfície custa E 2,10, dá direito a usar qualquer meio de transporte por 1 hora.
Largamos as coisa no albergue e saímos caminhando. Os pontos turísticos ficam na beira do rio Elba, onde tem várias igrejas, museus, palácios, etc. Muito legal, tirei várias fotos da hora lá.
De volta ao albergue, botei minhas práticas culinárias pra funcionar e fiz um belo macarrão.
Desta vez não conseguimos pegar um quarto só pra nós, dividimos o quarto com mais 4 pessoas, mas os caras eram gente boa, todos alemães que estavam estudando lá, foi legal pra aprender um pouco mais sobre a cultura deles.
11/09 - Konigstein e Rathen
Vi umas fotos no albergue e fiquei interessado em conhecer Konigstein, uma castelo no alto de uma montanha, muito bem conservado.
Pegamos o trem ( E 10,50 - ida e volta) direto para Konigstein, e chegando lá realmente pude comprovar que o que as fotos lá no albergue mostravam.
O castelo é simplesmente fantástico, foi um dos pontos altos da viagem, parecia aquelas coisas de filme mesmo, paredões pra todos os lados, portões de ferro, calabouços, sem falar na vista maravilhosa de cima do castelo de toda a região.
Pra chegar no castelo, da estação de trem sai um ônibus ( E 5,00 ida/volta) que vai até a porta do castelo. Pra entrar no castelo custa E 4,00. Lá tem um elevador que vai até a parte mais alta, onde tem uma vista 360º da região inteira.
Eu tirava fotos de tudo lá, nunca tinha visto nada igual. As casas que haviam dentro da fortaleza hoje viraram museus e restaurantes.
Eu ficava andando pra cima e pra baixo vendo tudo o que era possível. Valeu muito a pena ir lá.
Saindo de lá, tomamos o ônibus de volta a estação de trem, e pegando o trem de volta pra Dresden, dá pra descer em Rathen e visitar um parque com várias formações rochosas bem interessantes.
A entrada neste parque é grátis, vale bastante a pena pois a gente sobe uma escadaria desgraçada, mas a vista de cima dos rochedos compensa bastante, bem bacana lá. Lembra bastante o Grand Canyon. Tem bastante local pra fazer trilha.
De volta a Dresden, dá lhe macarronada. Muito bom pra variar, modéstia a parte hehehehe.
Conheci 2 brasileiros no albergue neste dia, os caras estavam estudando lá.
12/09 - Destino a Praga
Pegamos o trem logo pela manhã, de Dresden à Praga dá umas 3 horas de viagem, e a paisagem é fantástica, pois o trilho do trem vai beirando o Rio Elba. Esta passagem custou E 26,30.
Chegamos em Praga, nossa, bem louco estar num país onde não se entende nada que está escrito nas ruas e não se entende nada que se fala nas ruas. Alemão ainda vai, pois eu estudei aqui em Sampa, mas Tcheco, putz, sem chance. Isso sem falar que voltou aquela coisa chata de ter que trocar dinheiro, pois a Rep. Tcheca não adotou o euro ainda.
Pegamos o metrô (CZ 36,00) com destino ao albergue Travellers Dlowa Hostel. A diária saiu por CZ 490,00, quarto para 3 pessoas, com café da manhã muito bom por sinal.
Largamos as coisas no albergue e saímos para caminhar. Pegamos antes um mapa no albergue, todo albergue tem isso.
Praga é pra simplesmente caminhar pelas vielas, cruzar a Charles Bridge ( lotaaaaada de turistas) subir as ruas e chegar no castelo de Praga, onde se tem uma vista maravilhosa da cidade. Muitas igrejas e palácios, bem coisa do leste europeu mesmo. Sorte que o tempo estava bom, muito sol. Muitos brasileiros também, vira e mexe ouvia umas palavras conhecidas.
A cerveja tcheca também é muito famosa e boa, e comprovei, putz, depois de andar praticamente a cidade inteira caiu muito bem !
13/09 - Kutna Hora
Saímos logo cedo com destino a Kutna Hora, o trem custou CZ 175 (ida e volta), a viagem dura umas 2 horas.
A maior atração de Kutna Hora é o Ossuário, uma igreja toda decorada internamente com ossos humanos, tem ossos de mais de 4000 pessoas lá. É simplesmente sinistro ! Nunca tinha visto nada igual. Esta igreja fica a uns 20 minutos caminhando da estação de trem de Kutna Hora, é só seguir as placas. Pra entrar no Ossuário custa CZ 40,00. O ossuário é pequeno, mas é de outro mundo, vale muito a pena a visita.
Na cidade também tem outras igrejas, tem uma no centro enorme, dá pra ir a pé, demora uns 40 minutos.
Voltamos para Praga no final do dia, passei no supermercado pra comprar umas tranqueiras pra comer e voltamos pro albergue.
14/09 - Rodando em Praga
Domingão, resolvi ficar de boa, dormir até mais tarde, caminhar tranquilamente por Praga. Aproveitei pra fazer umas compras, lembrancinhas e tal. Dia de turista normal....
15/09 - Karsltejn
Último dia em Praga, tinha que enrolar o dia inteiro, pois só ia pegar o trem tarde da noite com destino a Cracóvia.
Resolvemos então visitar um castelo próximo a Praga, em uma cidade chamada Karlstejn. O trem pra lá custou CZ 64,00, 1hora de viagem.
Estava um frio desgraçado, garoando pra caramba, um tempo horrível, pode ter algo pior ? Sim, pode sim, como era segunda-feira, o maldito castelo estava fechado !! Sim, fechado....que droga, demos de cara na porta...mas deu pra tirar boas fotos, o castelo é muito louco por fora.
Voltamos a Praga e tivemos um baita chá de estação de trem, pois o trem para Cracóvia só iria sair as 23:00 hs, O trem custou CZ 725,00. Cansei de comer pão com qualquer coisa, tive que gastar todas as Coroas Tchecas, pois só lá dá pra usar......
16/09 - Cracóvia - frio e garoa....
Após uma noite muito mal dormida no trem, chegamos em Cracóvia. Chegamos muito cedo, nada estava aberto ainda, tentamos sair andando mas estava garoando e frio, esperamos as lojas abrirem para arrumar um mapa. Porém não adiantou muito, pois saímos na direção errada e demos uma baita volta na chuva até chegar no albergue. Isso sem falar na coisa chata de ter que trocar dinheiro de novo.
Ficamos no albergue Premiun Hostel, a diária custou ZL 45,00 sem café. Hostel muito bom, apenas 4 camas no quarto com banheiro dentro, calefação ( aliás, todos os albergues tem), uma ótima cozinha, e 1 computador com internet grátis.
Como estava frio, garoando, a cama era muito boa, fiquei o resto do dia dormindo, pois estava muito cansado e não tava afim de encarar o frio. Só saímos pra comer uma pizza, e aproveitei pra passar no mercado e comprar comida pra fazer na janta. Comida entenda-se macarrão com alguma coisa heheheheh. Fiz uma bela macarronada, com direito a queijo ralado que um cara que estava no meu quarto me deu....
17/09 - Cracóvia - continua o frio e garoa...
Como já tinha pegado as manhas de usar as cozinhas dos albergues, este era a mesma coisa, tinha água quente, café e chá de graça aos hóspedes, eu só tinha que comprar o pão e alguma coisa, eu tinha comprado um requeijão, mas não resisti e acabei "pegando emprestado" a Nutella de alguém que tinha guardado na geladeira... crianças não façam isso....
Como estava um tempo horrível ainda, resolvemos ir a Wieliczka, onde se localiza a famosa Mina de Sal.
Pra ir lá tem que pegar um ônibus de linha que sai da frente do shopping, é onde se localiza a estação de trem e de ônibus, não tem como errar. O ônibus custou ZL 5,00. Até então, só tinha pego trem e metrô, onde é mais fácil se localizar e comprar o ticket, mas no ônibus não tem cobrador que nem aqui, só uma máquina onde você coloca as moedas, até aí beleza, mas e pra entender o que está escrito em polonês ? cassilda, ainda bem que uma mulher viu nossa cara de perdido e nos ajudou a comprar o ticket. É uma sensação estranha estar em um lugar e não entender nada que está escrito na rua nem nada que o pessoal fala....
A viagem até a mina demora uns 40 minutos, o ônibus te deixa quase na entrada.
A entrada custou ZL 58,00, na verdade custava ZL 48,00, mas tinha que pagar mais ZL 10,00 para poder tirar fotos.... e pegamos o guia polonês, era mais barato, o guia que falava inglês custava uns ZL 10,00 a mais....vai entender....putz, mas aguentar o guia falando polonês também foi punk, boiei o tempo todo, e não dá pra fazer a visita sem guia..... então, resumindo tudo, na boa, não curti muito não, a gente desce um escadão e chega nas minas, e lá embaixo tem muitas estátuas feitas de sal e um enorme salão, onde tem uma igreja, tudo feito de sal. É bem bacana, impressionante, mas é bem aqueles passeios "pega-turista" .....mas fazer o que né, ir até lá e não ir na mina, não dá né....
Voltamos no final do dia, o frio e a garoa continuava, cheguei no albergue, e botei minhas práticas culinárias pra funcionar, fiz um belo macarrão, desta vez incrementado com salsicha !!
18/09 - Cracóvia - adivinha ! frio e garoa....
Este era uns dos dias que eu mais esperava, pois era o dia reservado para Auschwitz.....pra quem não sabe, Auschwitz foi o maior campo de concentração nazista que existiu, e hoje é um museu onde conta a história de muitas pessoas que morreram lá e que sirva de lição pra nunca mais acontecer algo parecido no mundo.
Pra ir até Auschwitz tem um ônibus que sai da estação de ônibus no shopping, vai direto pra lá e custou ZL 16,00.
Pra entrar no museu Auschwitz é de graça, e você pode pegar uma visita guiada. Mas não é tão necessário um guia, pois em todos os prédio, que agora viraram museus, tem placas explicando a história de cada prédio, o que eram, como funcionavam....para respeitar as vítimas, não era permitido fotos dentro dos prédio...a câmara de gás e os fornos são horripilantes.
Auschwitz era um dos campos, existia outro chamado Auschwitz 2, também conhecido como Bikernau. De Auschwitz tem um ônibus ( de graça) que vai até o Bikernau de hora em hora.
Eu gostei muito mais do Bikernau que Auschwitz, porque Bikernau está mais natural, lá é possível visitar onde as vítimas dormiam, como era quando eles chegavam, isso sem falar no que foi destruído com o final da guerra.
O clima lá realmente é muito pesado, o tempo todo eu pensava como foi possível alguém fazer aquilo ? Tá louco viu....
Valeu muito a visita, gostei muito, recomendo.
Voltamos a Cracóvia, tem um ônibus que sai de dentro de Auschwitz, custou ZL 10,00.
Chegando no albergue, adivinha o que foi a janta ? ahhh claro, macarrão com salsicha !!
19/09 - Cracóvia - claro né, frio e garoa....
Último dia em Cracóvia, então tinha que fazer turismo na cidade, pois até então só tinha ido a lugares fora da cidade.
Visitamos a praça central, onde tem uma igreja enorme. Lá também tem uma feirinha onde dá pra comprar lembranças.
Como toda cidade do leste europeu, tem um rio e do lado do rio tem um castelo. O castelo é bem bonito, mas naquele frio e garoa ficava horrível hahahahaha....lá também tem uma caverna onde dizem que habitava um dragão, por isso o mascote da cidade é um dragão....coisa pra pegar turista.
Como não aguentava mais o frio e a garoa, voltamos ao albergue e ficamos enrolando, pois à noite iríamos pegar o trem com destino a Vienna. O bom de ficar enrolando no albergue é que lá era quentinho, e tinha café, chá e internet grátis, quer coisa melhor ?
Pegamos o trem para Vienna, que custou ZL 214,83 no final da noite.
20/09 - Vienna - adivinha, frio e garoa....
Chegamos em Vienna logo cedo, por volta de 07:00 hs, pegamos o trem-cama,mas é impossível dormir naquele barulho e movimento.
Ah, aqui voltou o euro, então facilitou bastante, pegamos o S-bahn que custou E 2,20, pra melhorar a máquina que vende bilhete tinha explicação em inglês, show de bola !
Chegamos no albergue Jugendgastehaus, custou E 21,00 a diária, com café da manhã, muito bom por sinal. Infelizmente não tinha cozinha, não pude fazer macarrão desta vez.
Neste albergue tinha aquela coisa chata de horário de check-in, que era a partir das 13:00 hs, então largamos as coisas lá e saímos andando. Lá fora frio, pelo menos tinha parado a garoa.
Com um mapa é fácil andar em Vienna, mas o albergue é meio longe de tudo, andamos bastante pra chegar no centro.
No centro é aquela coisa, palácios e mais palácios, museus e mais museus. Tava ficando de saco cheio já. A única coisa de diferente foi a ópera.
Pra comer, pra variar, McDonalds, inacreditável, E 1,00 um chesse-burguer ! Isso sem falar no refil de refrigerante livre !
Voltamos no final da tarde, e como tava frio pra caramba, comi um lanche num posto de conveniência lá perto e capotei na cama.
21/09 - Bratislava
Domingão, pelo menos não estava garoando, resolvemos fazer um day-trip para Bratislava, capital da Eslováquia.
De Vienna é só pegar um ônibus, custou E 22,00 ida/volta, ele sai ao lado de uma estação de metrô. Tem ônibus a cada 2 horas aproximadamente.
São apenas 2 horas até lá, o ônibus te deixa bem ao lado do Castelo e bem na entrada da cidade velha.
Chegando lá, subimos direto ao castelo, estava todo em reforma, mas lá de cima tem um vista maravilhosa do rio e da cidade. De lá dá pra ver bem a arquitetura comunista, com prédios quadradões, um bem ao lado do outro.
Saindo do castelo andamos pelo centro antigo e pra nossa surpresa estava havendo um desfile militar na cidade, com demonstração de tanques, carros e aviões, bem legal. E no centro da cidade havia apresentações de danças típicas.
Gostei muito de Bratislava, um cidade pequena, comparando com Vienna, neste ano ainda não estão aceitando euros, mas pelo que parece ano que vem vão começar a aceitar. Aí sim o turismo vai explodir neste país, que ainda tem muito a ser descoberto. Valeu pelo aperitivo de conhecer esta capital.
Voltamos de lá no final da tarde, desta vez o jantar foi num shopping, tinha muita opção de comida lá, ou era burger king, pizza, comida chinesa e mais comida chinesa....acabei comendo comida chinesa mesmo.
22/09 - Budapest
Saímos do albergue bem cedo, íamos fazer um day-trip para Budapest, capital da Hungria. De Vienna, são 3 horas de ida. O primeiro ônibus sai as 07:15 hs de Vienna. O próximo é somente as 11:00 hs. O ônibus custou E 30,00
Chegamos em Budapest, nem troquei dinheiro, é, infelizmente lá também ainda não aceitam euros.
Arrumamos um mapa e saímos caminhando em direção ao rio.
A cidade é padrão do Leste Europeu, um rio, um castelo, uma cidade antiga, bom, mas cada uma tem uma particularidade... Budapest tem o Parlamento bem ao lado do rio, bem bonito, e o castelo é super bem conservado. Vários palácios ao lado do castelo viraram museus, se tiver bastante tempo vale a pena visitar.
Andamos bastante pela cidade antiga, passamos pelo mercadão, como não tinha trocado dinheiro nem comprei nada.
Voltamos a rodoviaria e pegamos o ônibus de volta a Vienna no final do dia.
23/09 - Salzburg
Saímos de Vienna de manhã, agora com destino a Salzburg. De Vienna dá umas 3 horas de trem, custou E 80 ida/volta.
A viagem foi tranquila, a paisagem é muito bonita. Salzburg fica quase na divisa com a Alemanha, tanto que pelos costumes já dá pra pegar um pouco da cultura alemã.
Chegamos em Salzburg umas 13:00 hs, fomos direto ao albergue YOHO, fica a apenas 2 quarteirões da estação de trem, a diária custou E 17,00 sem café da manhã nem cozinha pra cozinhar, que droga.
Largamos as coisas no albergue e saímos pra caminhar, pra variar tem um rio, e um castelo bem no alto do morro.
Subimos no castelo, claro que tem que pagar, a entrada custou E 7,00, a vista lá de cima é fantástica, uma visão 360º da cidade. Vale a pena pagar.
Pra nossa sorte, estava rolando uma festa da igreja na cidade, uma mini-oktoberfest, com apresentações de danças típicas, bandas de música, comidas típicas, com preços bem mais baixos, ainda bem hehehehe.
Voltamos pro albergue, estava tão cansado que nem jantei, cama direto.
24/09 - Werfen
Este foi um dos dias mais legais da viagem, pegamos o trem ( E 6,00) para uma cidade chamada Werfen, fica a apenas 1:30 hs de Salzburg, onde é possível visitar as famosas Cavernas de Gelo.
Chegando em Werfen, outra surpresa, bem ao lado da estação, tem um castelo muito bem conservado, imponente em cima de um morro. Decidimos visitá-lo depois das cavernas.
Da estação de trem pega-se um ônibus ( E 4,80 ida/volta) que sobe o morro até onde sai o teleférico.
O teleférico mais a entrada das cavernas custou E 17,00.
Do teleférico tem que andar mais uns 5 minutos por umas trilhas bem no alto da montanha e chegamos na boca da caverna. A vista daí já é maravilhosa, os alpes bem na nossa frente e uma caverna bem no meio da montanha. Fantástico.
Na entrada da caverna é obrigado a pegar um guia, ele vai dando explicações e a história da caverna.
Na entrada diz que é proibido tirar fotos, mas lá dentro tava todo mundo tirando, então resolvi tirar também.
Meu, lá dentro é frio pra kcete, parece que estamos dentro de um geladeira literalmente, mas as esculturas naturais de gelo são indescritíveis. O guia vai iluminando as esculturas, uma mais louca que a outra. Tudo natural.
A visita demora umas 2 horas, vale muito a pena mesmo.
Descendo da caverna fomos visitar o castelo, tem que pagar E 7,50 pra entrar, sinceramente, não valeu muito não, pois a parte liberada para visita é muito pequena.
Voltamos para Salzburg bem tarde, jantei no Mac Donalds pra variar e capotei na cama.
25/09 - Finish....
Bom, último dia, fizemos uma via sacra de trens e aviões.
Saímos de Salzburg umas 12:00 hs, chegamos em Vienna umas 15:00 hs. De Vienna pegamos o trem para o aeroporto ( E 9,00). Chegamos lá umas 17:00, chá de cadeira até as 21:00 hs quando pegamos o vôo para Berlin. Chegamos em Berlin umas 23:00 hs, aí chá de cadeira de novo até as 07:00 hs, quando pegamos o vôo pra Paris e de lá o vôo pra São Paulo....ah, tomei banho sim, meia boca mas tomei...
Bom, aqui encerra a trip, valeu muito a pena, pois sempre quis conhecer o Leste Europeu, tirando o frio e garoa que atrapalharam bastante, de resto foi tudo ok.
Quem quiser mais dicas é só postar aqui. Tenho mapas e guias que peguei lá, além de preços de outras coisas.
Abraços
Celso
Editado por Visitante