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peter tofte

Seguindo Trilhas

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Seguir trilha!!

 

Uma das habilidades mais importantes do excursionismo (trekking) é saber seguir uma trilha.

 

Quem quiser realmente se aventurar sem guia deve saber ler mapa topográfico, orientar-se, saber usar bússola e GPS, etc...Entretanto, manter-se na trilha é importante. Se sair dela, provavelmente vai perder tempo. Pode até se perder. Ou ainda ser obrigado a bater facão, abrindo nova trilha, o que representa um impacto ambiental.

 

Da minha experiência passo alguns macetes que talvez sejam úteis.

 

1) Não siga a trilha cegamente.Cheque com outras referências. Esteja munido, ao menos, com uma das seguintes coisas: mapa topográfico, croquis, way points ou track log (caso tenha GPS). Anote as informações de amigos que já percorreram o mesmo trajeto. Quando não tenho estas informações, especialmente um mapa topográfico, contrato um guia.

2) Ao encontrar alguém na trilha pergunte se está no caminho correto, a distância que falta, referências, se há desvios. Isto não o diminui em nada. Humildade é o caminho da sabedoria.

3) Entretanto preste muita atenção às informações dadas, pois a gente simples do campo tem outro vocabulário, outra maneira de se expressar. Você pode entender algo diferente do que eles querem dizer. Já ouvi gente dizendo “vire a direita” e apontar para a esquerda. Infelizmente nos grotões do Brasil tem gente que não aprendeu certo “esquerda e direita”.

4) A trilha é, sobretudo, um caminho lógico traçado por dezenas de pessoas que passaram antes de você. Estas pessoas jamais vão escolher o caminho mais difícil entre dois pontos a não ser que seja o único possível. Vale a lógica do menor esforço. Assim, para cruzar uma serra, normalmente a trilha vai através de um passe nas montanhas (colado ou selado). Dificilmente vai subir num cume para depois descer. Aparecendo uma elevação no caminho, a trilha normalmente a contorna, seguindo curvas de nível. Se a rota que você segue está se tornando cada vez mais difícil (brejo, mata fechada, subida muito íngreme), suspeite de que saiu do caminho.

5) Saiu da trilha? Tente traçar de volta o mesmo caminho que seguiu desde o ponto que descobriu ter saído da trilha até um lugar que reconheça que, sem dúvida, faz parte da trilha.

6) Recomece daí tentando ver para onde a trilha vai. Especialmente em caminhos de montanha e/ou com muita vegetação, a trilha pode dar um zignau repentino. Podemos seguir em frente sem perceber o erro.

7) Nos trechos mais difíceis para navegação redobre a atenção: exemplos são os lajeados e trilhas que seguem pelos leitos dos rios. A saída e continuação da trilha, às vezes, não é logo no outro lado da laje ou do rio. Outros terrenos difíceis são aqueles com capim elefante. A distância entre uma touceira e outra do capim dá impressão que é uma trilha. Neste caso, do capim elefante, se possível, pegue uma referência, tire a direção com a bússola e siga por ela.

8) Nas paradas para descanso sempre olhe tanto à frente, tentando descobrir por onde segue a trilha (com ajuda de mapa e das referências), como para trás, para saber o caminho de volta. Lembre-se: se não sabe como seguir em frente está desorientado. Se também não sabe voltar, está perdido.

9) Para gravar o caminho de volta vale usar o GPS, tirar fotos na máquina digital, tomar rumos com a bússola e anotar. Não confie nas pegadas deixadas. Vento e chuva rapidamente as apagam. Mas se for seguí-las, conheça antes o rastro deixado por suas botas para não seguir o de outra pessoa!

10) Perceba o padrão do chão pisado na trilha, seja em terra, na vegetação, nas pedras e lajes. Isto vai acostumá-lo com pequenas nuances que o ajudam a descobrir a trilha em terrenos difíceis.

11) Em locais com bifurcações e/ou vários caminhos, paralelos ou não, normalmente é melhor seguir o mais batido e que ruma na direção geral que você segue. Sendo o caso de trilhas paralelas de gado, siga aquela que tiver pegadas de gente, especialmente botas de trilha.

12) Às vezes o que aparenta ser o rumo mais direto na verdade não é o caminho. Pode haver uma grota, brejos e outros obstáculos. Assim não se espante se a trilha aparentemente tomar outra direção. Pode estar apenas contornando alguma dificuldade do terreno. Mas lembre-se: depois de algum tempo a trilha tem que retomar a direção pretendida!!

13) Um famoso e experiente caminhante disse: estar perdido é um estado de espírito. Se você tem habilidades mínimas de navegação e, ao menos, sabe sua posição aproximada, na verdade não está perdido. Apenas saiu da trilha.

14) Se começar a sentir pânico, pare, sente e respire fundo. Não adianta nada seguir neste estado. Só vai piorar as coisas.

15) Respeite as condições meteorológicas. Chuva e neblina dificultam muito a navegação. Melhor acampar e esperar o tempo melhorar. Considere até desistir da caminhada.

16) Se estiver irremediavelmente perdido procure encontrar um riacho ou rio e descer o seu curso. Além de ter água, mais cedo ou tarde encontrará gente. Ou suba num ponto alto acessível que dê para descortinar uma boa vista.

17) Ao planejar uma caminhada procure memorizar as referências mais importantes, os marcos principais do trajeto. Procure também planejar uma rota alternativa de fuga (plano B), um atalho, se algo der errado.

 

Peter

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Legal Peter...

 

Planejamento é sempre importante. Ao menos ter uma idéia de onde se está e o que vai encontrar pela frente na trilha.

E pânico nunca ajuda mesmo, para nada

 

abs

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Valeu Vareja!

 

Talvez outras pessoas possam contribuir neste tópico.

 

Uma das maiores roubadas no trekking é se perder por ter saído da trilha. Se bem que se perder faz parte da aventura!

 

Abs, Peter

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Peter muito bacana o tópico... acho que mais importante é não se aventurar por trilhas pouco usadas sem ter experiência, sem experiência não adianta mapa, gps, astrolábio :D melhor gastar com um guia local do que passar aperto na trilha...

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Michelschon/Vareja:

 

Sim! Trilha deve ser algo gradual. Começar com guia. Depois pegar trilhas fáceis e com o tempo aumentar o grau de dificuldade. A experiência é fundamental!

 

O ideal é sempre ir acompanhado. Boa parte dos meus trekkings faço sozinho mas não é escolha pessoal. É difícil conseguir coincidir datas disponíveis com amigos. E minha mulher não gosta de trilha. Nestes casos o ideal é fazer trilhas frequentadas, que vc sabe que numa eventualidade vai encontrar gente mais cedo ou mais tarde.

 

Fazer sozinho a trilha tb tem lá suas vantagens. A liberdade, o silêncio e a adrenalina. Mas aí é bom ter experiência e assumir todas as consequências de sua escolha!!

 

Abs, peter

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Também recomendo a leitura dos livros do Sérgio Beck* ( http://www.livrosdobeck.com ), em especial o livro Convite à Aventura, que trata de maneira muito didática quase tudo que alguém precisa saber sobre trilhas e acampamentos.

 

 

 

*Sérgio Beck é uma lenda viva do exercurcionismo e montanhismo brasileiro, já teve loja, fabricou mochilas e barracas, foi o primeiro brasileiro a subir uma montanha de 8 mil metros, a montanha Cho Oyo em 1983, sem oxigênio ou equipe de apoio, escrevia a extinta Revista Aventura Já e é pioneiro na publicação de livros sobre esportes de aventura e exercurcionismo.

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É verdade Batata!

 

Não mencionei os livros. É bom aprender pela experiência dos outros.

 

Li dois livrinhos do Beck e todas as revistas Aventura Já. Tem um livro da NOLS que é muito bom (esqueci o nome) e de outro autor nacional. Depois posto aqui estes dados que a esclerose me fez esquecer!

 

Peter

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Eu NUNCA usei gps, e ate dispenso pq nem sei usar tb! prefiro navegar à antiga, de modo artesanal: munido de carta, infos basicas, planejamento, bussola e bom tempo, se possivel. Acredito q td trilheiro deve ter nocoes minimas de geografia e leitura de mapas, ajuda e muito! Gps é apenas complemento de trilha, mas nao imprescindivel. Ele te dá td mastigado e tira o melhor q a trilha tem, a meu ver, q é a navegacao e o bom senso de saber q rumo tomar. Ou seja, o desafio! Alem do mais, se ele quebrar na hora agá, e dai como vc se vira?? Mas claro q isso é opcao pessoal, da mesma forma q contratacao ou nao de guia. Mas trilhar e pegar as manhas de farejo de picadas é como andar de bicicleta; se aprende apenas com experiencia. E experiencia regular. Nao adianta se meter no mato uma vez ao ano. E se perder faz parte, sempre. E como ja disseram aqui, dependendo de onde vc for, va acompanhado e de noticias de seu paradeiro, ja q nem td lugar pega sinal de celular.

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Concordo Jorge. GPS tira a aventura da coisa. Se vc só usa ele, só confia nele, nunca vai aprender orientação e navegação. E se o bicho quebrar, tá ferrado. Costumo levar só em trilhas novas, difíceis, porém só com alguns way points (não tarck log), que só uso para emergência. E quando levo, dificilmente ligo ele. Normalmente deixo em casa devido ao peso (aparelho + pilhas sobressalentes, já que ele devora carga de baterias).

 

Também tem o prazer de seguir a trilha e descobrir os caminhos. Vc se sente meio índio rastreador quando adquire a experiência.

 

peter

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