Olá viajante!
Bora viajar?
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Oi, galera.
Finalmente estou tendo tempo para escrever sobre meu primeiro mochilão. Viajei para o Peru, a Bolívia, o Chile e a Argentina de 26/12/2011 a 24/01/2012.
Esta é uma forma de agradecer aos relatos que me ajudaram muito.
26 de dezembro - Lima
Cheguei em Lima no dia 26/12, 2a feira, logo após o Natal. Peguei um táxi e disse apenas: "Miraflores. Preciso de um hostel." (pois não falo nada de espanhol). Para minha sorte, os peruanos entendem português e não tive muitos problemas com isso. Foi uma experiência meio que assustadora andar de táxi perto do aeroporto. O trânsito é caótico e os motoristas cortam uns aos outros gritando. O percurso não é bonito, mas pude ver o oceano Pacífico. A corrida custou quase nada apesar da distância percorrida. Por fim, estava eu em Miraflores, sem falar espanhol, sem reserva, sem companhia, sem noção da onde ir. O motorista tinha me indicado, entretanto, um hostel, o Flying Dogs - http://flyingdogperu.com/ - calle diez canseco, n. 117. Era confortável o suficiente pra mim, bem localizado, com locker no quarto, bom café da manhã incluído e paguei apenas 30 soles por uma cama num dormitório para 4 pessoas que estava vazio na primeira noite. Desacoplei a mini-mochila com documentos e fui explorar a cidade com minha inseparável moneybelt (que só saia de perto de mim quando eu ia tomar banho). Sentei numa lanchonete (não lembro mais o nome, mas há várias na plaza ao fim da rua do hostel) com a missão de tomar Inca Kola e Pisco. A Inca Kola era MUITO doce, a Pisco MUITO ardente. Aliás, no Peru, tudo tinha sabor BEM acentuado. Sai então para conhecer os arredores. Foi então que quebrei meu preconceito contra o Perú. As praças de Miraflores são lindas e algumas têm Wi-Fi. As ruas são limpíssimas. Como era um dia depois do Natal, havia presépios e decorações por toda a cidade. Miraflores, além dos peruanos e das flores, também é habitada por gatos. Felinos em todos os cantos. Nessa plaza, onde há uma igreja com a imagem de Miguel Arcanjo, há um guichê que vende um city tour. Não lembro quanto paguei, mas foi muito barato. Foi legal pois ele percorre muitos locais. Depois, pude voltar aos que me interessaram a pé. Cuidado com o andar de cima do ônibus, pois ele é alto e alguns galhos podem bater na sua cabeça. Se você estiver acompanhado, vá a Plaza dos Enamorados. É linda e bem em frente ao oceano. Eu estava sozinho então fui experimentar o ceviche mesmo, peixe crú... MUITO apimentado. Como eu estava meio detonado da viagem, fui beber umas Cusquenas (detalhe que eu não bebo, mas estava ali pra experiência novas) que por sinal era MUITO amarga. Fiquei ali bebendo e assistindo TV em espanhol até o sono chegar.
27 de dezembro - Lima
Acordei cedo e fui tomar o tal do chá de coca. Aprovado! Mas não espere ter onda com ele (rs).
Peguei um táxi até as proximidades do Palácio da Justiça (não dá para chegar até lá andando). De lá fui seguindo o mapa que peguei no hostel. Conheci a Plaza San Martin, a Plaza principal deles (que não lembro mais o nome), o Palácio do Governo, entre outros. Se você gosta de bater perna como eu, vai conseguir fazer tudo isso andando. De volta ao hostel, caminhei pela avenida Arequipa e descobri que Lima é uma cidade com todas as vantagens de uma capital: farmácias, supermercados, etc. mas com preços bem mais em conta. Pela tarde, após quase morrer com o tempero apimentado do almoço, fui conhecer algumas outras plazas de Miraflores. Já de noite, me arrumei para conhecer uma atração deles chamada Fontes Mágicas. Assim que desci do táxi, o motorista não arrancou e ficou esperando eu voltar pois já sabia não havia funcionamento na 3a feira. Imbecil!
Ele perguntou se eu queria voltar e ignorei ele completamente. Usei um pouco de lógica e atravessei a rua para pegar o trânsito em sentido contrário. Vi um aglomerado de pessoas. Um ponto de ônibus! Na verdade, eram mini-ônibus que vem com o "trocador" gritando e chamando passageiros como nas vans do Rio de Janeiro. Elas vêm com o nome dos locais onde passam escrito. Assim, decidi saber como era. Paguei apenas 2 soles para voltar ao quarteirão do hostel. Yeah!
Quer dizer: "Si!". Andando pela plaza, descobri uma rua muito movimentada com várias casas que são uma mistura de disco e restaurante. Para minha surpresa, ouvi em uma delas "Ai se eu te pego!". Aff. Lembrei de uma dica de uma colega de trabalho e fui conhecer a Puente de los Suspiros no Barranco, fora de Miraflores, no Barranco. Desci do táxi numa plaza toda iluminada por pisca-pisca, afinal o ano novo estava chegando, e segui até a ponte. O local é lindo, mas é mais gastronômico que pra zoação. No fim da ponte, do lado esquerdo, há um bar lounge chamado "Picas" que toca música eletrônica e era o único cheio. Não entrei na Picas antes que me zoem!
(rs) Resolvi experimentar o famoso Pisco sour em um restaurante vegetariano dentro do vagão de um trem. Aprovado o de maracujá, morango, o tradicional de limão... Isso aproveitando um showzinho de música ao vivo dentro do vagão. Já de volta ao hostel, experimentei a cerveja Franca na companhia de um felino de pêlo laranja que lembrava o Garfield na versão Perú. Na hora de dormir, já havia três australianos no meu quarto que depois do Perú iriam a São Paulo e ao Rio. Ficamos pela madrugada falando em inglês e trocando dicas de viagem.
28 de dezembro - Lima
Acordei cedo com os roncos de um dos australianos. Ninguém merece...
Já estava satisfeito de Lima. Comprei em Miraflores mesmo, numa plaza perto do hostel, minhas passagens rumo à Nazca pela Cruz del Sur. Peguei um táxi até a rodoviária que era limpíssima. Como viajei na cama leito, tive acesso à area vip da rodoviária com chá, água, café e internet liberados. Eles não te avisam que existe essa sala. Descobri sem querer. A viagem até Nazca tem muitas paisagens que contrastam do árido ao mar. Vale a pena ir na janela se conseguir. Oito horas depois, já de noite, cheguei em Nazca sem reserva pra variar.
Ainda dentro da rodoviária, pude ver um letreiro escrito "ALEGRIA". Lembrei, então, de um dos depoimentos que li no Mochileiros sobre o hotel dizendo que valia muito a pena. Resolvi arriscar. Para minha surpresa, consegui um quarto com cama de casal, chuveiro de água quente, ar condicionado, tv a cabo, com café da manhã e piscina incluídos por apenas R$50 (que diga-se de passagem foi a hospedagem mais cara que paguei em todo o mochilão - rs). Jantei na lanchonete bem em frente. A comida é boa, barata e dá para dois. A dica é o arroz chaufa deles, um arroz com um monte de coisas misturadas. Tomei um guaraná cor laranja de 500 ml por 1,20 sole que achei melhor que a Inca Kola.
:'>
Fui dormir pois ainda não tinha fechado pacote nenhum para o dia seguinte.
29 de dezembro - Nasca
Acordei cedo e tomei meu café da manhã ao lado da piscina do hotel. Ao invés do nosso pãozinho, eles comem uma broa meio solada que é horrível.
Com o mapa fornecido pelo hotel, fui explorar a cidade. Não espere muito. Nazca não se parece nada com Lima. Chegue na cidade com pesos trocados. Do lado do hotel mesmo, há uma agência onde contratei o vôo sobre as linhas de Nazca para a manhã por US$100 (doláres mesmo: em custo/benefício esse foi o passeio mais caro de todo o mochilão) e o Cemitério de Chauchilla para a tarde por S$30 ou S$50 (foi em soles mesmo). Voltei para o hotel e fui curtir a piscina sozinho. Use protetor para o corpo e MUITO protetor labial porque lá é muito árido. Como eu já tinha lido que algumas pessoas passam mal no vôo, resolvi fazer um jejum. Um carro (incluído no pacote) me levou até o aeroporto. Voei pelas Alas Peruanas. No mesmo vôo que eu havia três colombianos que estavam fazendo de tudo para pegar o local da frente no avião. Quando fomos chamados para o avião, o piloto perguntou pra mim da onde eu era. Quando falei que era do Brasil, viramos amigos de infância! (rs) Ele tinha morado em São Paulo por anos. Me colocou na cabine do piloto e ele mesmo tirou fotos pra mim. Nem precisa dizer que um colombiano teve que ir pra trás para dar lugar pra mim
. O vôo dura uns 30 minutos. Aos 20 minutos, eu comecei a passar mal
e já segurei o saco na frente. Só não vomitei porque o estômago estava vazio.
Na descida, dei uma grana pra uma cerveja pro piloto e fui esperar a carona de volta no estacionamento. Há uma feirinha lá atrás que vende camisas e chaveiro com símbolos de Nazca bem baratos. O sol estava me fritando. Na volta, comprei minhas passagens para Arequipa para o mesmo dia de noite. Ao entrar no hotel, fui direto pra recepção para pedir mais uma diária. A recepcionista disse que eu não poderia permanecer no quarto que eu estava, pois ele estava reservado. Eu expliquei então para ela que eu sairia de noite e ela disse que eu não precisaria gastar dinheiro com isso e abriu uma sala com várias mochilas e disse que eu poderia deixar minha bagagem até eu partir sem pagar nada.
Fica a dica! De tarde, esperei o carro que ia me levar até Chauchilla. Fomos eu, o motorista e dois holandeses, Audrey e Pete. O cemitério é bem afastado da cidade num lugar plano e desértico no meio do nada. Tem uma casinha com 2 múmias para você ver e depois há uma trilha de pedras para percorrer por entre os túmulos abertos. O guia conta a estória local. Do nada, veio um vento sinistro e eu e os holandeses ficamos lembrando de cenas de filme de terror.
De volta a cidade, achei um @botequim
, longe de uma café bar, mas com internet para eu dar sinal de vida em casa. De noite, peguei meu ônibus rumo à Arequipa, mas não pude dormir, porque o cara da frente estava roncando. Odeio gente que ronca! 
30 de dezembro - Arequipa
Chegando em Arequipa, no desembarque, a gerente, ao descobrir que eu era brasileiro, me perguntou o que significava "Ai se eu te pego".
Expliquei gestualmente e ela foi embora
.
Na rodoviária, fui abordado por várias pessoas. Uma menina me falou "Pirwa" e lembrei que tinha lido isso no Mochileiros. Fui com ela até uma agência dentro da rodoviária mesmo e aproveitei para ver os pacotes. Foi aí que tive a brilhante (?) idéia de passar o Reveillon no fundo do Canyon del Colca. Como eu estava viajando sozinho, não tinha ninguém lá pra me dizer que eu estava surtando.
Eu que nunca fiz trekking em minha vida, fechei um pacote de 3 dias por US$130 (dólares mesmo, mas incluindo guia, camas para dormir na duas noites e café da manhã, almoço e jantar em todos os dias). Não achei caro em comparação ao que paguei (ou perdi) sobrevoando as linhas de Nasca. O combinado pela agência era pagar S$50 (soles) pela diária de um matrimonial no Pirwa Hostel - http://www.pirwahostelscusco.com/hostel-arequipa.html com táxi incluído até o local. O táxi estava caindo aos pedaços
, mas chegou lá. Chegando ao hostel, me disseram que custava S$60 (soles)! Falei que não era esse o combinado e ameacei ir embora.
Então a recepcionista reclamando liberou. O quarto era suficiente pra mim com tv a cabo, mas com chuveiro de água gelada ou escaldante. Não tinha meio termo!
Com o mapa conseguido no próprio hostel, fui explorar a cidade. O trânsito é caótico, mas todos os motoristas obedecem aos sinais. Há taxis de muitas cores, mas com S$4 (soles) dava para ir para qualquer lugar. Então comecei uma peregrinação (literalmente) e fui conhecer algumas das igrejas locais. Passei pela plaza principal que é muito linda. A arquitetura da cidade é muito bonita. Visitei a catedral por S$20 (soles), mas sem a propina da guia que é a praticamente obrigatória. A guia era simpática e entusiasmada. Esse passeio vale a pena para quem gosta de viajar ao antigo. Eu que não sou chegado gostei bastante. É possível ir até a torre da catedral. A vista é linda, mas o nevado estava coberto pelas nuvens. De lá, seguindo conselhos lidos no Mochileiros, fui até o Monastério de Santa Catalina. Deve ter custado entre S$20-30 (soles). Ele é praticamente um bairro. Não deixam tirar fotos! Mas como eu não entendo espanhol mesmo...
Preferi uma visita não guiada e foi bem melhor. Pude ficar o tempo que quis e subir por onde deu na telha. Levei uns 45 minutos percorrendo ele todo. Acho que com um guia eu teria levado mais. Vale a pena conhecer. Passeie um pouco mais e fui a um supermercado. Comprei várias frutas que eu não conhecia e uns suprimentos para a viagem. Esse supermercado fica em frente a plaza e tem bons preços. Por fim, voltei cedo para o hostel, pois a van me pegaria às 3 horas da manhã para o meu primeiro trekking.