A Usina Hidrelétrica Itatinga, que fica localizada nos limites de Mogi das Cruzes e Bertioga-SP, capta as águas do Rio Itatinga através da barragem e mantem nos dias de hoje um funcionamento centenário gerando 15.000 kilowatts diários de energia elétrica para a baixada santista desde sua inauguração, em 10/10/1910. Data esta em que os ingleses terminaram suas obras iniciadas em 1902.
A Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), é quem está responsável por toda operação do sistema que envolve a usina, restringindo qualquer acesso às imediações, incluindo a linha férrea funicular que desce até a Vila em Bertioga.
Relato
Com antecedência próxima de um mês, já programavamos entre nobres guerreiros que, possivelmente aceitariam o convite oferecendo boa companhia aos integrantes do grupo, que totalizou 7 desde o início da prosa. Chegada a noite de véspera, chovia horrores pondo nossas pretenções à risco de cancelamento.
Numa noite mal dormida, às 04:00am acordei com o forte barulho castigando o telhado, mais como grande teimoso e perrengueiro que sou, não desitiria assim tão fácil, e na hora prevista acordei pra me preparar para o itinerário. O engraçado foi que, o primeiro pensamento que me veio na mente foi o trecho de uma música do grupo São Nunca (Rap)...
Já tô com o plano elaborado, eu e mais dois soldados
treinados pro combate, nada pode dar errado,
era um dia nublado e o vento já previa: sucumbiria aquele que não fosse preparado
só com a cara e a coragem, e poucos do meu lado,
isso gera uma escolha: controle ou seja controlado/
e não manipulo a receita, por isso fui descoberto,
mais não me rendo, por que semore acreditei no certo...
Na hora de abrir a porta de casa e partir rumo ao desconhecido por esses caçadores de aventura, passei a entender melhor o porquê do pensamento que veio a coincidir mais tarde. Começavam a chegar messagens de abortagem da missão (cada q ual com seu motivo), e já no ponto de encontro o grupo se resumia a três (eu e mais dois soldados...). Abimael, Diego e Eu.
O feriado prolongado e chuvoso de Corpus Christis, em 30/5/2013, não animou muitos a descer a Rod. Dom Paulo Rolim Loireiro, SP-98, e isso fez com que chegassemos fácil à "balança" e ouvir uma história triste, contada por Sr. João por trás do balcão enquanto meus comparças mantinham o tradição do café com leite antes de trilhar.
História triste
Em um passado não muito distante, ali mesmo naquele ponto de partida de muitas pernadas de trilheiros, caçadores e palmiteiros, chegava em uma Brasilia branca (sim, aquela que está lá até hoje), um morador de Biritiba-Mirim, onde vivia sozinho, sem parentes e sem ninguém.
Mal se sabe o que ia na cabeça daquele jovem homem, aparentanto seus 45 anos e cheio de prosa a compartilhar com os moradores que o recepcionaram no barzinho local. Conversas iam e vinham, enquanto pouco consumo se tinha no balcão. De repente, como de costume de muitos que deixam seus carros ali e partem, esse homem seguiu rumo à mata pra supostamente, retornar em breve. Mais não foi assim. No cair da tarde, comecinho de noite, os moradores já fechariam seus estabelecimentos e perceberam que o dono da Brasilia branca ainda não tinha voltado. O carro estava destravado e a chave no contato.
Na manhã seguinte o veículo permanecia no mesmo lugar, sem sinal de retorno de quem o deixara ali. Passaram 1, 2, 3, 4 dias e nada dele aparecer. Mais no quinto dia chega a notícia de que o homem que saiu sem despedidas, fora encontrado, pendurado com uma corda estrangulando seu pescoço sobre o rio Biritiba. Como esse homem não tinha parentes próximos, o carro permaneceu ali, pra depois ser furtado os componentes de mais importância, restando somente pouco mais que a carroceria a ser corroida pela ferrugem.
Continuando...
Partimos pro asfalto, e em pouco tempo ganhamos a mata como cenário para ad próximas horas. As infos que tinhamos eram: o ponto cardeal entre leste e sul como objetivo.
A caminhada se tem numa larga estrada que serviu como via de transporte da empresa que ali, na fazenda local realizava extrações. Logo depois de suave, quase imperceptível subida, deixamos de andar na notável estradam, pra adentrar, já em seu "final" a trilha que se mostra em direção sudeste, nosso destino. Sem maiores, agora em caminho estreito seguimos tranquilos até chegarmos na caixa d'água, onde fizemos nossa pausa, regada a lanches e Ovomaltine quentinho pra aquecer nossa fria manhã. Batizei o lugar com um simples, o "Paraiso dos Pinheiros", por que se trata de um vasto bosque de pinheiros, com o chão forrado por fios avermelhados que caem de suas copas, deixando a trilha fofa e colorada.
Logo que saimos dali, surgiu água como obstáculo, que sobressaimos por duas árvores tombadas de uma margem à outra, com altura não muito baixa, bem escorregadias e com pregos cravados facilitando a aderência. São 4 desses obstáculo a vencer no decorrer da trilha, um deles com estrutura condenada, mais foi fácil passar.
Um novo cenário aparece, e esse eu batizei de "paraiso dos cipós", pois são muitas as árvores de tamanhos diferentes deixando cair até tocar o solo, seus vários e vários cipós que se assemelhando aos Dread Locks da cultura Rastafari (imaginem árvores com Dread...rsrs). Não demora muita pra aparecer o "paraiso das Bromélias", com o chão repleto delas, serpenteando o trajeto final da trilha plana. Um barranco bem inclinado é o trecho final, vencido em uns 5 ou 10 minutinhos mais ou menos, ele já nos deixa bem na "cara do gol".
Abimael, se equilibrando sobre a mureta que retém a água do Itatinga, deixando transbordar uns 7 ou 10cm d'água na barragem. Foi o primeiro a atravessar. Do outro lado fica a casinha dos funcionários que vigiam a usina, e foi bem na minha vez que um deles apareceu. Na maior cara de pau, eu perguntei se poderiamos permanecer ali, tirar umas fotos e conhecer mais o local (eu sabia que não), ele disse que não era possível, que se o encarregado dele pegasse poderia lhe dar "justa causa", que semana passada tiveram problemas com visitantes, coisa e tal. Mais o convenci a nos deixar por pouco tempo registrar o lugar, ele só disse pra não descermos até a Garganta do gigante, o nosso objetivo.
Teimosos como somos, descemos até o topo da cachu pra admirar o visual fantástico que se tem com o litoral de Bertioga ao fundo, montanhas emoldurando as laterais formando o vale que desce o rio depois de despencar do penhasco que estavamos e seguir seu sinuoso trajeto.
Uma hora e meia vivendo o espetáculo, lá da janela casinha faziam sinal pra que voltassemos. Saímos em retirada, pois da baixada subiam muitas núvens em velocidade rápida ameaçando chover. Demos uma explorada nos arredores procurando por uma outra vista da cachu e também a descida da linha férrea, quando olhavamos uma passagem d'água pela tubulação da usina, logo atrás de nós vhinha lucas. Entendemos o recado e partimos.
Pé pra volta, o nevoeiro nos alcançou já nos primeiros passos na piramba. Escureceu como se fosse perto das 18:30h, mais não trouxe confusão sobre qual direção tomar, e a neblina ainda foi gentil, nos permitindo enxergar uns 10mts a frente e acompanhando todo nosso percurso. Estava presente também, na pausa que demos na caixa d'água pro chocolate quente da tarde e merecido descanço de 40 minutos.
Particularmente, fechei com chave de ouro, me impressionei quando passamos pelo bosque de pinheiros e vi, a neblina baixando pra beijar o solo avermelhado e as árvores subindo e sumindo no nevoeiro como se não tivessem fim. Difícil explicar, só vivendo a cena pra saber.
Na saída da mata tivemos nossa última pausa, onde comemos maçã, descansamos e findamos nosso rolê 20 minutos depois seguindo rumo ao km77. Dali foi mais um café c/ leite, Sr. João perguntar sobre o passeio, trocamos de roupas e partimos pro leste. Zona Leste.
obs.: essa trilha deixou um gostinho de quero mais. Então em breve, quem sabe não subiremos o Itatinga pra chegar à base da Garganta, que deve ter um visu de tirar o folego.
Usina do rio Itatinga
Um pouco de história
A Usina Hidrelétrica Itatinga, que fica localizada nos limites de Mogi das Cruzes e Bertioga-SP, capta as águas do Rio Itatinga através da barragem e mantem nos dias de hoje um funcionamento centenário gerando 15.000 kilowatts diários de energia elétrica para a baixada santista desde sua inauguração, em 10/10/1910. Data esta em que os ingleses terminaram suas obras iniciadas em 1902.
A Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), é quem está responsável por toda operação do sistema que envolve a usina, restringindo qualquer acesso às imediações, incluindo a linha férrea funicular que desce até a Vila em Bertioga.
Relato
Com antecedência próxima de um mês, já programavamos entre nobres guerreiros que, possivelmente aceitariam o convite oferecendo boa companhia aos integrantes do grupo, que totalizou 7 desde o início da prosa. Chegada a noite de véspera, chovia horrores pondo nossas pretenções à risco de cancelamento.
Numa noite mal dormida, às 04:00am acordei com o forte barulho castigando o telhado, mais como grande teimoso e perrengueiro que sou, não desitiria assim tão fácil, e na hora prevista acordei pra me preparar para o itinerário. O engraçado foi que, o primeiro pensamento que me veio na mente foi o trecho de uma música do grupo São Nunca (Rap)...
Já tô com o plano elaborado, eu e mais dois soldados
treinados pro combate, nada pode dar errado,
era um dia nublado e o vento já previa: sucumbiria aquele que não fosse preparado
só com a cara e a coragem, e poucos do meu lado,
isso gera uma escolha: controle ou seja controlado/
e não manipulo a receita, por isso fui descoberto,
mais não me rendo, por que semore acreditei no certo...
Na hora de abrir a porta de casa e partir rumo ao desconhecido por esses caçadores de aventura, passei a entender melhor o porquê do pensamento que veio a coincidir mais tarde. Começavam a chegar messagens de abortagem da missão (cada q ual com seu motivo), e já no ponto de encontro o grupo se resumia a três (eu e mais dois soldados...). Abimael, Diego e Eu.
O feriado prolongado e chuvoso de Corpus Christis, em 30/5/2013, não animou muitos a descer a Rod. Dom Paulo Rolim Loireiro, SP-98, e isso fez com que chegassemos fácil à "balança" e ouvir uma história triste, contada por Sr. João por trás do balcão enquanto meus comparças mantinham o tradição do café com leite antes de trilhar.
História triste
Em um passado não muito distante, ali mesmo naquele ponto de partida de muitas pernadas de trilheiros, caçadores e palmiteiros, chegava em uma Brasilia branca (sim, aquela que está lá até hoje), um morador de Biritiba-Mirim, onde vivia sozinho, sem parentes e sem ninguém.
Mal se sabe o que ia na cabeça daquele jovem homem, aparentanto seus 45 anos e cheio de prosa a compartilhar com os moradores que o recepcionaram no barzinho local. Conversas iam e vinham, enquanto pouco consumo se tinha no balcão. De repente, como de costume de muitos que deixam seus carros ali e partem, esse homem seguiu rumo à mata pra supostamente, retornar em breve. Mais não foi assim. No cair da tarde, comecinho de noite, os moradores já fechariam seus estabelecimentos e perceberam que o dono da Brasilia branca ainda não tinha voltado. O carro estava destravado e a chave no contato.
Na manhã seguinte o veículo permanecia no mesmo lugar, sem sinal de retorno de quem o deixara ali. Passaram 1, 2, 3, 4 dias e nada dele aparecer. Mais no quinto dia chega a notícia de que o homem que saiu sem despedidas, fora encontrado, pendurado com uma corda estrangulando seu pescoço sobre o rio Biritiba. Como esse homem não tinha parentes próximos, o carro permaneceu ali, pra depois ser furtado os componentes de mais importância, restando somente pouco mais que a carroceria a ser corroida pela ferrugem.
Continuando...
Partimos pro asfalto, e em pouco tempo ganhamos a mata como cenário para ad próximas horas. As infos que tinhamos eram: o ponto cardeal entre leste e sul como objetivo.
A caminhada se tem numa larga estrada que serviu como via de transporte da empresa que ali, na fazenda local realizava extrações. Logo depois de suave, quase imperceptível subida, deixamos de andar na notável estradam, pra adentrar, já em seu "final" a trilha que se mostra em direção sudeste, nosso destino. Sem maiores, agora em caminho estreito seguimos tranquilos até chegarmos na caixa d'água, onde fizemos nossa pausa, regada a lanches e Ovomaltine quentinho pra aquecer nossa fria manhã. Batizei o lugar com um simples, o "Paraiso dos Pinheiros", por que se trata de um vasto bosque de pinheiros, com o chão forrado por fios avermelhados que caem de suas copas, deixando a trilha fofa e colorada.
Logo que saimos dali, surgiu água como obstáculo, que sobressaimos por duas árvores tombadas de uma margem à outra, com altura não muito baixa, bem escorregadias e com pregos cravados facilitando a aderência. São 4 desses obstáculo a vencer no decorrer da trilha, um deles com estrutura condenada, mais foi fácil passar.
Um novo cenário aparece, e esse eu batizei de "paraiso dos cipós", pois são muitas as árvores de tamanhos diferentes deixando cair até tocar o solo, seus vários e vários cipós que se assemelhando aos Dread Locks da cultura Rastafari (imaginem árvores com Dread...rsrs). Não demora muita pra aparecer o "paraiso das Bromélias", com o chão repleto delas, serpenteando o trajeto final da trilha plana. Um barranco bem inclinado é o trecho final, vencido em uns 5 ou 10 minutinhos mais ou menos, ele já nos deixa bem na "cara do gol".
Abimael, se equilibrando sobre a mureta que retém a água do Itatinga, deixando transbordar uns 7 ou 10cm d'água na barragem. Foi o primeiro a atravessar. Do outro lado fica a casinha dos funcionários que vigiam a usina, e foi bem na minha vez que um deles apareceu. Na maior cara de pau, eu perguntei se poderiamos permanecer ali, tirar umas fotos e conhecer mais o local (eu sabia que não), ele disse que não era possível, que se o encarregado dele pegasse poderia lhe dar "justa causa", que semana passada tiveram problemas com visitantes, coisa e tal. Mais o convenci a nos deixar por pouco tempo registrar o lugar, ele só disse pra não descermos até a Garganta do gigante, o nosso objetivo.
Teimosos como somos, descemos até o topo da cachu pra admirar o visual fantástico que se tem com o litoral de Bertioga ao fundo, montanhas emoldurando as laterais formando o vale que desce o rio depois de despencar do penhasco que estavamos e seguir seu sinuoso trajeto.
Uma hora e meia vivendo o espetáculo, lá da janela casinha faziam sinal pra que voltassemos. Saímos em retirada, pois da baixada subiam muitas núvens em velocidade rápida ameaçando chover. Demos uma explorada nos arredores procurando por uma outra vista da cachu e também a descida da linha férrea, quando olhavamos uma passagem d'água pela tubulação da usina, logo atrás de nós vhinha lucas. Entendemos o recado e partimos.
Pé pra volta, o nevoeiro nos alcançou já nos primeiros passos na piramba. Escureceu como se fosse perto das 18:30h, mais não trouxe confusão sobre qual direção tomar, e a neblina ainda foi gentil, nos permitindo enxergar uns 10mts a frente e acompanhando todo nosso percurso. Estava presente também, na pausa que demos na caixa d'água pro chocolate quente da tarde e merecido descanço de 40 minutos.
Particularmente, fechei com chave de ouro, me impressionei quando passamos pelo bosque de pinheiros e vi, a neblina baixando pra beijar o solo avermelhado e as árvores subindo e sumindo no nevoeiro como se não tivessem fim. Difícil explicar, só vivendo a cena pra saber.
Na saída da mata tivemos nossa última pausa, onde comemos maçã, descansamos e findamos nosso rolê 20 minutos depois seguindo rumo ao km77. Dali foi mais um café c/ leite, Sr. João perguntar sobre o passeio, trocamos de roupas e partimos pro leste. Zona Leste.
obs.: essa trilha deixou um gostinho de quero mais. Então em breve, quem sabe não subiremos o Itatinga pra chegar à base da Garganta, que deve ter um visu de tirar o folego.
Abraço!!!
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