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Olá viajante!

Bora viajar?

Mochilão do Deserto – Córdoba, Salta, Uyuni y Atacama (e redondezas)

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Muita, muita estrada. Esse pode ser o resumo desse mochilão com o roteiro que escolhi.

Estradas espetaculares, com vulcões, montanhas, desertos, picos nevados, tem para todos os gostos nesses trajetos entre Argentina-Bolívia-Chile.

Iniciei a viagem por Córdoba por ter conseguido uma promoção da Gol (R$ 470 desde SP, já com taxas) e por um motivo especial que conto abaixo. Fui acompanhada da Sabrina, uma amiga que conheci aqui mesmo no mochileiros.com, em uma viagem há alguns anos atrás.

 

O roteiro, todo feito via terrestre, foi o seguinte:

Córdoba – Salta – Humauaca – La Quiaca (ARG)

Villazón – Tupiza – Uyuni (BOL)

S. P. Atacama (CH)

e voltando por Atacama, Salta e Córdoba.

A viagem foi feita em set/2013, durou 17 dias e custou R$ 3.300, inclusas passagens.

 

Córdoba

O ingrato único horário do voo da Gol chega às 3 da manhã na cidade. Eu tinha reservado por email o hostel Babilônia http://www.babiloniahostel.com/, e quando chegamos lá, não tinham nossa reserva ... Tivemos que dormir somente essa noite e logo cedo já fazer o check out, porque não tinha mais vagas. Uma pena, porque gostei do hostel, do ambiente, do staff, da localização. Recomendo (mas façam uma reserva de verdade!). Pagamos 75 pesos no quarto espaçoso com 6 camas.

No primeiro dia, fizemos um reconhecimento do terreno. Fomos ao centro da cidade, que fica a algumas quadras de distância do hostel. Comemos as primeiras empanadas e os primeiros alfajores de muitos.

No centro, trocamos dinheiro na melhor cotação que já encontrei, 1 real = 2,70 pesos http://www.transatlantica.com.ar/cambio/index.php.

Vimos as igrejas, as universidades, as praças. Tudo bem pertinho, pode-se conhecer o "essencial" da cidade a pé em uma tarde.

Fizemos check-out do hostel Babilonia e lá mesmo aproveitamos para comprar passagem para Salta no dia seguinte (já havia pesquisado preços e horários no plataforma10.com).

Achamos outro hostel pertinho dali, The One. Apesar de também ser perto do centro, fica em uma avenida barulhenta, os quartos são pequenos, atulhados e quentes. Não recomendo. Pagamos 70 pesos no quarto com 6 camas.

 

À noite, o motivo pelo qual fui para Córdoba: concierto de rock!

Quando vi que ia ter o show dessa banda argentina que gosto, não tive dúvidas, arrumei a data da viagem para poder ir. O show era do Ciro y los Persas (ex Los Piojos), totalmente na moda agora, esgotado e cheio de molecada. Me diverti horrores pulando e cantando sozinha no meio dos pibes, tomando Quilmes de litrão para aliviar o calor absurdo que fazia.

 

Trilha sonora da trip: Tan Solo, Los Piojos

 

Depois do show, voltei pro hostel, encontrei minha amiga e ainda fomos tentar pegar a noite e os boliches cordobeses.

Fomos para a região do centro, que, como típica cidade universitária, tinha várias casas noturnas, muita gente pelas ruas se esquentando pras baladas ... mas nenhuma balada realmente acontecendo. Como em toda a Argentina, a noite realmente bomba lá pelas 2, 3 da manhã.

Passamos Paseo Buen Pastor, uma construção bonita que é uma igreja, uma escola e à noite vira barzinho louge e balada (?), muita gente fica por lá se reunindo. Tentei comprar uma long neck no kiosko e, surpresa! Não se pode vender depois da meia noite, nem tomar nas ruas. Difícil essa noite cordobesa!

Depois de várias voltas paramos no Maria Maria, um restaurante-balada que estava mais animado. Do lado tinha também o Petalas del Sol, rock nacional, música ao vivo, parecia bom. Mas já era umas 3 da manhã e o cara da porta falou que "está enchendo", desistimos.

No dia seguinte fomos tentar ir para alguma das várias cidadezinhas ao redor de Córdoba. Acordamos tarde, fomos para o terminalzinho de bus que fica no centro (pertinho, tem um terminal maior que fica mais longe).

Chegando lá, descobrimos que não tem tantos horários de bus assim, ou que as cidades mais legais demoram um pouco. Fica a dica: ao tentar ir para as outras cidades, programe-se no horário de ir e voltar!

Escolhemos aleatoriamente o próximo bus para uma das cidades que pareciam legais: Villa Carlos Paz, famoso balneário de verão. Só que, duh, não era verão. A cidade estava completamente vazia e desanimada. Demos uma volta pelo centrinho e pelo lago que supostamente fica cheio durante o verão. Sem muito mais que fazer, fomos comer em um dos restaurantes na beira do lago. A Sabrina almoçou uma parrilla e eu, uma garrafa de vinho branco geladinho :)

Lá pelo fim da tarde, quando o dono gentilmente nos expulsou ao fechar o restaurante (o vinho incentivou discussões existenciais longas...), resolvemos voltar pra 'casa'. O lago já estava mais cheio de gente, adolescentes se reunindo, casais, gente passeando com o cachorro, realmente deve ser bastante agradável no verão.

A noite foi dedicada à longa viagem Córdoba-Salta. Compramos um assento semicama no Flecha Bus por $458 que na viagem de 11 horas foi bastante confortável. Passou filme, serviu lanchinho e tinha café liberado na máquina (melhor que a Gol, rsrs). Saímos de Córdoba às 21h e chegamos logo pela manhã em Salta.

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Menina do céu, como foi que voês conseguiram fazer essa viagem com apenas R$3300,00?????????????????????????? ::essa::

Acabei de voltar de um giro pela Argentina e Chile, incluindo Puerto Iguazu, Córdoba, Mendoza, Santiago e San Pedro de Atacama, tudo de Bus, mas gastei (exatos) U$$2000,00 ou quase R$5200,00!!! Veja meu Blog com a aventura abaixo:

https://viagemefotografia.wordpress.com/2013/09/29/1-aventura-mochilando-pela-america-do-sul-de-onibus/

Onde foi que eu errei no meu planejamento??? ::putz::

Passei por alguns "perrengues", mas tive algum conforto em alguns ônibus e em alguns albergues, mas você conseguiu gastar menos vendo mais coisas que eu. Pode me dar uma ajuda sobre isso? É que com a greve dos bancos meu trabalho ficará emperrado por mais uns 3 meses, e acho que vou voltar ao mochilão.

Grande abraço e parabéns pelo relato, e pela incrível economia de uma mochileira profissional....rsssss ::otemo::

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Exato... to fazendo a minha 'previsão' de gastos pro mochilão de 30 dias e tá beirando os R$5k também (isso porque coloquei R$1k pra emergências, que normalmente são convertidos em cervejas, mas enfim... kkkk). Quero entender o segredo financeiro! =)

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Nossa, até achei q essa viagem saiu bem cara, por conta do tanto de bus q peguei ...

Mas meu planejamento mochileiro econômico geralmente segue o seguinte: despesas gerais = R$ 50/dia (varia de país, claro); hostel, na média R$ 35. Somo a isso os gastos maiores, que já sei mais ou menos os preços (tours, transportes caros), sempre arredondando pra cima, pra ter uma previsão do custo total. Dessa vez eu dei muita sorte na cotação da moeda na Argentina, mas em compensação, no Chile ficou mais caro do que eu esperava.

E não foi uma trip cheia de comprinhas e baladas, que geralmente é onde os gastos saem do controle.

Pra vocês terem uma noção melhor, segue meu planejamento em excel (não sei mexer nisso direito, não reparem, tá muito feio hehe)

mochilaododeserto.xls

  • 3 semanas depois...
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Tour Uyuni

Logo pela manhã, fomos procurar uma agência para fazer o passeio do Salar de Uyuni. Eu tinha uma lista de agências recomendadas aqui no Mochileiros, e por sorte, elas ficam praticamente uma do lado da outra. Mesmo não sendo alta temporada, estava tudo aberto logo cedinho e cheio de turistas. Pesquisamos algumas e decidimos pela que nos pareceu mais simpática: Coquesa Tours. O tour saiu por 600bol, depois daquele chorinho básico (e depois descobrimos que o pessoal que estava com a gente pagou 700!) Ao contrário dos relatos de terror que leio por aqui, o serviço que pegamos foi perfeito. Carro ótimo, motorista muito profissional, comida e alojamentos bons (na medida do possível pro passeio, claro.) Recomendo com força.

O tour saía 10:30 e foi só o tempo de buscar nossas malas e fazer comprinhas. Comprei água, chocolates, uns regalitos bolivianos e um pacote de bolachinhas de nata no mercado, por um preço ridículo tipo 5bol. Ah, passei também no lugar pra carimbar meu passaporte com a saída da Bolívia, fica pertinho, na mesma rua das agências.

 

Uyuni 1 dia

Na hora marcada fomos pra agência formar nosso tour: Uma família de peruanos com pais e filha, além de nós três.

O nosso motorista-guia-cozinheiro era um rapaz típico boliviano, sério, fechado, mas bastante bonzinho e solícito.

A primeira parada do passeio é pertinho de Uyuni (dava até pra ir a pé, aliás), o Cementério de Trenes. As carcaças de trem enferrujadas dão algumas fotos bem bonitas, mas nada de mais. Logo depois passamos em um vilarejozinho em que um senhor nos explica o processo de extração de sal, que como tudo por lá, é absurdamente precário e mal-remunerado. Lá tem alguns artesanatos simpáticos e baratos. Continuamos nosso passeio no meio do sal, parando nos montes de sal empilhado, em um lugar que o guia faz um buraco para vermos a água embaixo da camada de sal e por fim, almoço! Paramos em um museu do lado da ilhazinha com as bandeiras, e enquanto ficamos tirando fotos, o guia vai aprontar nosso almoço. O primeiro almoço foi dentro do museu, com salada, carne de lhama (quem comeu teve dúvidas sobre o animal), quinoa e coca, bem gostosinho. Depois do almoço ainda paramos no meio do sal para tirar aquelas fotos clássicas e por fim, a Isla do Pescado. Lá temos que pagar 30 bol para subir e temos um tempo pra caminhar. Eu subi e andei a ilha toda (com esforço, diga-se), o visual é bonito lá de cima.

A última parada antes de encerramos o dia é para ver o pôr do sol .... gostei muito de poder ver o pôr do sol no meio do sal, as formações de sal no chão ficam muito legais e a luz deu pra fazer umas fotos lindas. Por fim, umas 7, 8 horas chegamos no nosso alojamento. O primeiro dia era em um hotel de sal incrível, tudo feito de sal, camas, mesas e cadeiras, e estava vazio, só para nós. Muito legal mesmo o lugar. Tivemos um tempo pra tomar banho (eu fui a última, sobrou só um restinho de água :-/) e logo apareceu um chá com biscoitinhos de preparação para a janta. Tomamos chá e ficamos conversando, e logo apareceu uma sopa (ah, e nem fazia tanto frio, nesse primeiro dia todo eu fiquei só de camiseta). Todo mundo pensou que a sopa fosse a janta mas ainda teve comida de verdade, rsrs. Fomos dormir totalmente confortáveis e bem alimentados :)

 

 

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Uyuni 2 dia

Acordamos uma hora boa e tomamos o desayuno (gostoso) para logo sair. O guia Carlitos (ninguém sabia o nome dele, ficou sendo Carlitos sei lá porque...) nos deu a opção de ir em uma tal Caverna Universo, que ficava lá perto, ou seguir o caminho normal que os outros tours faziam, que supostamente não tinha nada de mais para ver. Resolvemos ir nas Cavernas que ele tinha dito serem incríveis, mas, chegando lá... bem sem graça. Era só uma caverna pequena feita por algas de milhões (?) de anos atrás e algumas tumbas. Ah, e tivemos que pagar 20 bol. por isso. Esse 2 dia é bem puxado, muito tempo no carro, com poucas paradas e com a altitude aumentando. Fui na frente do carro pra botar um som. O nosso guia era meio quietão, mas depois foi até se soltando e brincando com a gente. Eu sou aquela típica turista mala curiosa que faz perguntas sobre política, sistema educacional, sistema carcerário etc. do país. Ele me contava tudo com vários elogios pro governo, dizendo que o Evo Morales ia fazer tal coisa, que não ia aceitar exploração das empresas estrangeiras, e por um momento, vendo aqueles lugares lindos durante todo o dia, eu realmente pensei “uau, a Bolívia é o país do futuro!”.

Depois de algumas paradas, eu já estava explodindo de vontade de ir ao banheiro (sim, isso é um problema lá...) paramos para almoçar na Laguna algumacoisa. Não tem banheiro, então tem que ser escondido, ao natural. Todos os carros param lá pro almoço, e temos um tempo pra confraternizar com os outros tours e fazer uma caminhadinha. A comida nesse dia foi macarrão, carne de avestruz (há duvidas sobre o animal²), salada e coca, comendo no carro mesmo.

Depois do almoço andamos bastante e temos algumas paradas. O Carlitos gostava de fazer uns caminhos alternativos longe dos outros carros, e pudemos ver a importância de um bom carro e um bom condutor. Passamos por umas pedras, uns caminhos com gelo e umas partes bem tensas. Paramos na Laguna dos Flamingos, onde tem um parador com lanchonete, no Deserto de Siloli e na Laguna Hedionda (nesses dois últimos estava um p*** vento, mal saímos do carro). Ao entrar na Reserva Nacional, temos que pagar 150bol. Nesse dia a altitude aumenta bastante e eu senti um pouco de dor de cabeça. No fim da tarde, o guia nos perguntou se preferíamos ir aos geisers agora ou logo cedinho, mas aí teríamos que acordar 4 da manhã no frio. Eu já tinha ouvido falar que nessa noite o frio e a altitude são pesados, e todos concordaram em ir agora. Conseguimos chegar nos geisers no finzinho da tarde e descemos pra ver as pedras expelindo água e vapor. Foi só uma caminhadinha do carro até os geisers, mas pareceu uma aventura! Muito vento, muito frio, e todo mundo apanhando pra caminhar com a altitude. A senhora peruana até passou um pouco mal pra voltar, que era uma subidinha. Saindo dos geisers o caminho era bem difícil, com umas partes cheias de gelo ou gelo derretido, até que passamos por um buraco com tipo 1 metro de água e... o carro deu pau. Parou totalmente e não queria andar mais. Por sorte, tinha outros 2 carros perto e eles pararam pra nos ajudar. Eu saí do carro pra tirar uma foto do perrengue clássico e mal consegui ficar 1 minuto fora, muito frio e vento. Os guias ficaram lá consertando a rebimboca da parafuseta e, com muito custo, conseguimos andar de novo. Puxei as palmas e um “viva Carlitos!”, mas ele estava meio tenso com a situação. Nosso grupo, por sorte, era tranquilíssimo e estavam todos bem calmos e de boa, durante todo o passeio. Andamos só mais um tempinho e chegamos no alojamento. Nessa noite a hospedagem era um lugar bem tosco, com gente de mais alguns tours e um quarto para todos nós juntos. Não tinha água e o banheiro era um buraco bizarro no chão ::essa::

Demos um tempinho e logo fomos jantar, com direito a uma garrafa de vinho. Chamamos o Carlitos (a essa altura já sabíamos que o nome dele era Beymar, mas enfim) pra tomar e comemorar com a gente e depois da janta, meio alegrinhos, fomos fechar a noite: mergulho nas águas termais! O alojamento era do lado de uma piscina de águas quentinhas, e ignoramos os 5 graus negativos que faziam lá fora pra tomar um banho agradável.

Confesso que pra chegar até a piscina de shortinho e top foi o frio foi dureza, mas entrando lá, muito delícia! Água quentinha, relaxante, com uma galera conversando e brincando e tomando vinho, perfeito pra encerrar a noite... Ficamos um tempão e na hora de sair, eu passei mal. Saí da água e imediatamente caiu minha pressão, quase apaguei. Voltei pro alojamento escorada na amiga peruana, mas depois fiquei bem. Nessa noite ninguém conseguiu dormir direito, sei lá se pela altitude, mas pelo menos eu não passei nenhum frio e dormi contente com meu banho improvisado.

 

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Uyuni 3 dia

Levantei muito cedo e fui ver o sol nascer na beira do lago na frente da casa .... estava frio, mas nada insuportável. (Aliás, já tinha uma galera de outros tours nadando nas águas termais). Fomos tomar o último desayuno, com direito a pipoca, iogurte e panquecas! Logo saímos pro fim da viagem... tínhamos que estar na divisa com o Chile às 10:30h. Fizemos uma parada no Deserto de Dali e depois na Laguna Verde, onde já podemos ver o vulcão Licancabur que tem um lado na Bolívia e outro no Chile.

E afinal chegamos na divisa, hora de despedir dos nossos novos amigos e da Bolívia.

Gostei demais desse passeio. Passamos por lugares lindos e diferentes, mas fiquei feliz principalmente por ter acabado com a péssima impressão que eu tinha do país (ok que quando eu fui da primeira vez eu era só uma aprendiz de mochileira, cair sozinha em La Paz é dureza). Todas as pessoas com quem tive contato eram humildes, simpáticas e prestativas, todos os serviços funcionaram bem e só tenho boas lembranças dessa experiência.

Segui caminho pro Atacama com uma leve dor no coração de não participar desse restinho de Uyuni.

 

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Trilha sonora para o deserto.

Editado por Visitante

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Ta ficando bom este relato.........Parabens!!!

 

Este Mochilao ta na minha lista............

 

No aguardo do restante...............

  • 3 semanas depois...
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Oii, eu adorei essa trip!

Eu vi o relato ja faz uma semana e estou me programando para fazer o mesmo roteiro a partir de Salta, com a diferença que depois do passeio pelo Salar pretendo ir à La Paz, de onde pego o voo de volta ao Brasil.

Mas aí tenho um problema: farei esse roteiro em Fevereiro, que é verão, e me disseram que podem ser cancelados todos os passeios em Salta e em Uyuni se houver chuvas fortes nesses dias. Vcs acham que o risco é alto?

Obrigada! Beijoss

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Oi,

pelo que falaram no tour do Salar, algumas regiões ficam alagadas nesse período e não dá pra passar, mas acho que não chega a cancelar o passeio ... mas tem aquela vantagem de ver o Salar alagado e o céu refletido, deve ser espetacular tbm.

Quanto à Salta, sinceramente, não ouvi falar nada sobre chover muito ... acredito que por lá não tenha muito problema com chuva não, na verdade só o que ouvi foi sobre ter pouquíssimos dias de chuva por ano.

 

Desculpem a enrolação para terminar o relatinho! Fim do ano é aquela correria, mais qualquer dúvida que alguém tiver sobre o resto do trajeto, só perguntar aqui.

Abraços!

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Oi Clarissa, nesse exato momento estou em San Pedro de Atacama, indo amanhã para Salta. Meu roteiro foi contrário ao seu, mas a parte do Salar foi bem parecida, tirando pelo carro quebrado, achei fantástico. Vou aproveitar bastante essas dicas sobre Salta! Valeu...

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Oi Wagner, valeu pelo comentário, bom estar ajudando! Afinal, minhas viagens também são todas feitas na pesquisa mochileiros.com... Aproveite muito esse lugar espetacular!

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Continuando...

 

UYUNI - ATACAMA

O ônibus já estava nos esperando, logo embarcamos.

Eu já tinha registrado o passaporte em um posto da polícia em Uyuni, mas a Sabrina que estava só com identidade ainda teve que fazer o trâmite de fronteira e pagar (não lembro quanto, uns 50 bol).

A viagem até chegar a San Pedro é bem rápida e tranquila, deve demorar aprox. 1 hora. Chegamos lá meio dia e logo fomos procurar o hostel. Eu tinha reservado pelo hostelworld.com o hostel Backpackers, eu sabia que a cidade ia estar cheia porque era semana da pátria no Chile. O hostel é um pouco longe do centrinho, mas dá para ir andando. É legalzinho, tem uma varanda cheia de mesas e redes, vista para o vulcão ... mas meio pequeno, confuso e desorganizado. Pagamos u$ 23 no quarto com 4 camas, e sinceramente, não recomendo. Acredito que tenham outros melhores e mais perto...

Depois de resolver as coisas no hostel, fomos almoçar e procurar o tour. Os restaurantes em San Pedro são todos meio caros, mas muito bons, rola um menu com entrada + prato principal + postre, entre 5 e 7 mil pesos. Comemos e logo fomos correr atrás do tour.

Fechamos logo com a primeira que vimos, agência Incanorth (Calle Toconao), pagamos 70.000 pelos quatro passeios clássicos: Valle de la luna, Geisers del Tatio, Lagunas Altiplanicas e Lagunas Cejar. A agência foi OK, nada excepcionalmente bom ou ruim.

Corremos para fazer ainda no mesmo dia o passeio do Valle de la Luna, que foi legal, mas um p*** vento e pó por todos os lados. Ver o pôr do sol lá é espetacular, dá pra fazer umas fotos lindonas :)

Mas voltando pro hostel depois do passeio... sem uma gota d'água! Depois dos dias em Uyuni, e desse passeio no lugar mais seco do universo, imaginem o meu estado. Quis chorar em ter que dormir imunda mais um dia...

*observação mulherzinha: meninas, não deixem de levar lencinho úmido, cremes, hidratantes e loções para o rosto, cabelo, mãos ... (eu levo sempre aqueles potinhos de amostra grátis). Mas o fato é que não vai importar, você vai acabar ficando um lixo, com cabelo embaraçado, as roupas imundas, o tênis fedido, passando mal por algum motivo ... deserto não é para os fracos.

 

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ATACAMA DIA 2

Nesse dia tivemos que acordar tipo as 4:30 porque era dia do passeio nos Geisers del Tatio. Depois de dormir mal (por causa da altitude), acordamos sem nem uma gota de água pra lavar o rosto ... pensa numa pessoa mal-humorada. Eu esperava o tour buscar a gente no frio da madrugada como quem espera o busão lotado pra ir trabalhar numa segundona chuvosa.

Por sorte, na van estava mais quente e o trajeto foi agradável de ver as estrelas do Atacama virando dia...

Chegamos nos geisers quase amanhecendo pra ver os jatos de água quente saindo do buraco. Pensa num frio. Mas num frio insuportável do ca****. Por causa da altitude (+ de 4 mil metros) e da hora, o guia disse que a temperatura era de uns -5 graus. Os geises são lindos e interessantes e tal, mas depois de dar algumas voltas, tirar algumas fotos, eu arreguei. Tive que ir sentar dentro da van porque, sem exagero, achei que não tivesse mais pé. Eu estava de roupa normal, calça de moletom, tênis e duas meias, e não sentia minhas extremidades. Tomamos um café com chocolate quente, biscoitinhos, sanduíches e etc. e depois do que pareceu para mim uma eternidade, fomos embora para a piscina térmica. Já devia ser umas 9 horas, o sol já tinha saído e o frio estava menos pior. Tinha várias pessoas na piscina e eu só sentei na beirada, tirei o tênis e coloquei os pezinhos na água. Fiquei lá um bom tempo e foi bem gostoso, deu pra reanimar meu corpo.

Na volta passamos no povoado de Machuca, uma cidade meio fantasma, uma parada técnica para os turistas comerem churrasquinho de lhama. É um lugar interessante, mas é bem minúsculo e não tem muito para ver. Pra variar, ventava absurdos e mal dava pra andar sem engolir quilos de areia...

Nesse dia a tarde era livre, então aproveitamos para dar uma volta na cidade. No hostel recebemos um papel com descontos para alguns lugares, fomos em um restaurante bastante bom na Cl. Caracoles. Tierra Natural. Tinha umas coisas mais light, e com o papel do hostel a gente ganhava um postre :)

Compramos souvenirs (coca e pisco !) e compramos comida (aliás, lá é muito ruim para comprar comida ... poucos mercados com pouca coisa, e as frutas são caras...). E No resto desse dia ficamos de boa no hostel. Usar internet, mandar lavar roupas (1.500 pesos o kg), finalmente tomar banho!...

 

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ATACAMA DIA 3

Pela manhã, fomos no tour das Lagunas Altiplânicas. No caminho paramos no povoado de Socaire para tomar um café, bem pobrinho. As Lagunas Miscanti e Miñiques ficam a uma altitude bem grande também, e o caminho estava todo cheio de neve... por sorte, estava com sol e sem vento. Muito frio e um pouco de dificuldade para caminhar, mas muito lindo. Gostei bastante desse passeio, todo o trajeto é bonito.

 

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Ah, em alguns passeios é preciso pagar a entrada, que varia de 2 a 5 mil pesos. Estudantes pagam meia, e o nosso guia malandrão simplesmente olhou pra nossa cara e falou "son estudiantes. pagam meia." Com uma piscadinha :wink:

Fomos ainda na Reserva dos Flamingos, lugar que não achei muita graça. Deitei numa murada e tirei um cochilinho sob o sol :) Na volta passamos pela cidadezinha de Toconao, onde tem uma igreja muito pitoresca e algumas tiendas de artesanatos.

Tivemos pouco tempo para almoço entre um tour e outro esse dia, e eu corri pra buscar o rango em um restaurante que ouvi falar bem: Delícias del Carmem. Paguei 6 mil em um frango com quinua e batatas, realmente delicioso e gigante. Dava sem dúvida pra duas pessoas, sobrou pra minha janta. Super recomendo.

O passeio da tarde era na Laguna Cejar. Como sempre, fazia um puta frio e ventava muito. As meninas chilenas que estavam com a gente foram corajosas e entraram na Laguna para ver como era boiar na água com sal ... e ficaram com o corpo inteiro esbranquiçado. (algumas agências levam galões de água para limpar o povo, a nossa não tinha :-/

Depois da parada, passamos no Ojos del Salar, dois buracos de água doce. As meninas não tiveram coragem de entrar pra tirar o sal, tamanho foi o trauma com o frio da Laguna... Eu também preferi continuar enrolada e coberta com luvas e capuz... rsrs

E por fim, o grand finale do tour: Laguna Tebinquiche, com direito a puesta del sol e drinks de Pisco.

A Laguna fica emoldurada pelos vários vulcões da região, e com o pôr do sol, fica uma paisagem realmente linda. Até arrisquei entrar até o joelho na água, já que era rasinha.

Ficamos lá um tempinho assistindo o pôr do sol, tomando pisco sour, comendo batatinhas e conversando ... deu pra ficar um poquito borrachita, foi bem gostoso para fechar nossos passeios no Atacama.

Um dia antes a Sabrina e eu já tínhamos resolvido cortar um dia da nossa estada na cidade. Tudo era caro demais para nosso orçamento, os dias não estavam colaborando (o tempo todo frio, vento e areia voando, mal dava pra andar pela cidade), além do que estávamos cansadas do perrengue. A Sabrina estava meio doente desde que caiu numa laguna em Uyuni tentando tirar fotos, e eu estava dormindo mal e com o nariz sangrando o tempo todo por causa da altitude. Resolvemos no hostel (com 24h de antecedência cancelaram a reserva e devolveram o pagamento de boa), compramos passagens de volta e encerramos nossa passagem pelo deserto.

 

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ATACAMA - SALTA - CÓRDOBA

Compramos a passagem Atacama - Salta pela Andesmar (agência na Calle Licancabur) por 30.000 pesos, viagem de 10 horas. O bus sai as 9:30, esse trecho só é feito durante o dia e sai todos os dias, exceto aos sábados.

Uy, muito tempo dentro do busão. Sorte que o bus é confortável, tem filminho e lanchinho (aliás, nota 10 pra todos os ônibus dessa viagem!). E a viagem toda é espetacular. Saímos do Chile e seguimos o Paso Jama, com as montanhas e vulcões cobertos de neve, passamos por tempestades de areia loucas em que não se via nada na frente ...

Fazemos uma parada na alfândega onde tem que descer todas as mochilas e não pode ter nada perecível, é chata e demora bastante (mas tem banheiro, yay!)

Já na Argentina, passamos por trechos lindos da estrada totalmente sinuosa, voltamos a ver um verdinho, chuva, neblina e uma velha conhecida, estrada de Purmamarca, já perto do destino. Uma parada na rodoviária de Jujuy (a cidade realmente parece ser feinha...) e lá pelas 8 da noite, finalmente, Salta!

Decidimos continuar viagem, só por preguiça de ter que procurar hostel, carregar mochilas, e estava chovendo ... compramos pra Cordóba um bus para as 23h, que chegava lá as longuíssimas 1 da tarde, por $ 445.

Aproveitamos o tempo para comer e usar a internet. Perto do terminal existem algumas padarias (medialunas calientitas, que saudade! Comprei várias pra viagem), uns restaurantes (empanadas, te extraño!) e um posto de gasolina com loja de conveniência, onde compramos uns chocolates pra poder usar o wifi :)

Quando deu a hora, de novo nós para bus... apaguei e acordei lá pelas nove da manhã, com alguém me dando o desayuno básico do bus (geralmente um pacotinho com chá, café e leite em pó, um alfajor e biscoitos).

Passamos o resto da manhã cruzando a estrada com paisagem absolutamente vazia, sem uma árvore, uma montanha ao longe... e algum filme ruim sempre rolando na TV. Paradas em cidades de nomes lindos tipo Tucumán, Santiago del Estero, um rockinho no mp3 e finalmente, de volta ao ponto inicial! Córdoba nos recebe com sol, tempo agradável nem-tão-frio, nem-tão-quente e uma cotação mágica de 1 real = 3 pesos. Argentina, te quiero!

 

 

Um sonzinho pra acompanhar as longas horas de bus...

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