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SERRA DA CHAPADA: Travessia Baependi x Alagoa-MG

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                                                                                            A Travessia da Serra da Chapada

 

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          O tempo estava muito bom quando embarcamos na rodoviária de Campinas com destino à Caxambuno sul de Minas.  Estávamos no feriado da páscoa e por isso mesmo nosso ônibus sofreu um atraso de meia hora e só acabou partindo lá pelas 10:30 da noite.  Enquanto o ônibus deslizava suave pela rodovia D. Pedro I, eu tentava sem sucesso dormir um pouco, maldito ar condicionado o jeito foi tirar com muito custo, minha blusa do fundo da mochila. Depois de serpentear por várias cidades do Sul de Minas, finalmente, às 03 da manhã, chegamos à Caxambu. Pequena cidade mineira que faz parte do circuito de estâncias hidrominerais, mas o nosso destino era realmente a cidade de Baependi, uns cinco quilômetros à frente e como o ônibus para lá só sairia às 06 da manhã, tratamos logo de aproveitar o tempo de espera para tirarmos uma soneca e para isto bastou apenas esticar o isolante ali mesmo no chão da rodoviária, e como uns mendigos, escançar o esqueleto.

          Antes das 06 estávamos de novo de pé. Para confirmar o horário do ônibus, perguntei a uma senhora que estava no ponto com uma mala enorme. A mulher não sabia do horário, mas nos contou quase toda sua vida e depois do longo papo, eu ainda a ajudei a colocar sua mala no carro da sua filha que havia vindo buscá-la . A mulher ainda pediu para que sua filha nos levasse até Baependi, coisa que recusamos, não queríamos incomodar, além disso, nosso transporte acabara de chegar e em pouco mais de 20 minutos nos deixou no destino pretendido. 

          Baependi é uma pequena cidade, talvez solitária em outros dias, mas neste feriado da semana santa, estava cheia de jovens que voltavam das festividades religiosas. Nossa intenção era chegar até o Bairro da Vargem, e de lá subir a Serra da Careta até o Pico do Chapéu, atravessar a Serra da chapada e alcançar a Serra do Papagaio e consequentemente o próprio Pico do Papagaio, a 50 km e três dias de Vargem. Depois desceríamos do pico até a cidade de Aiuruoca e de lá de volta para casa, mas nessa travessia descobriríamos que querer não é poder e os acontecimentos do destino se encarregaria de mudar nossa rota.

          Foi na minúscula rodoviária que descobrimos que o bairro da vargem ficava a mais de 40 km de Baependi, e para piorar não havia ônibus para lá por causa do feriado, e mesmo em dias comum, só existe um horário por dia. O jeito era tentar uma carona, mas soubemos que seria quase impossível conseguir uma, pois o local é muito isolado e quase ninguém vai para aquelas bandas. Fomos aconselhados a ir até o povoado de São Pedro, distante 18 km e de lá conseguir que alguém nos levasse até o bairro da vargem. Durante a caminhada à São Pedro havia a possibilidade de conseguirmos a tal carona, pois ônibus para lá também não havia. Diante da situação o jeito foi pôr os pés na estrada, e em pouco mais de dez minutos já deixávamos para trás as últimas casas da cidade e adentramos na área rural. Sobre nossas cabeças sobrevoavam os papagaios que davam nome a tal serra que iríamos tentar cruzar no final da nossa travessia. 

          Caminhávamos em ritmo forte. Parávamos apenas para de vez em quando apreciar a paisagem. Vimos também um filhote de uma cobra coral desfilando com desenvoltura no meio da estrada e notamos ainda que seria mais fácil sermos sequestrado por um disco voador, do que conseguirmos uma carona naquela estrada, perdida naquele fim de mundo. Depois de quase três horas de caminhada e com o sol já nos castigando os miolos, resolvemos tomar um banho em uma pequena lagoa de águas limpas que encontramos à beira da estrada. Depois de um banho gelado e de devorar alguns doces, voltamos a caminhar. Subirmos uma estrada muito íngreme, encontramos um dos poucos moradores de alguns sítios à beira do caminho. Perguntamos a ele se a vila de São Pedro estava muito longe. E ele como bom mineiro nos respondeu. “É logo ali”. Levamos mais uma hora e meia para chegar na única mercearia da vila, onde tomamos uma Coca-Cola de um litro, aliás, a garrafa ainda era de vidro, coisa que não existe mais em São Paulo. 

          São Pedro é um minúsculo povoado, com meia dúzia de casas. Vive atualmente do artesanato de bambu, pois com a crise da Parmalat, praticamente a pecuária se extinguiu. Percebemos que carona seria quase impossível, tentamos então conseguir um carro para nos levar até vargem. No povoado só tinham dois fusquinhas, e assim mesmo um não estava disponível, pois estava servindo a comunidade, que tentavam consertar os canos de água que descem da montanha e abastecem as casas. Seu Antônio, o dono do outro fusca nos disse que estava sem gasolina. Comecei a perceber que não seria fácil chegar ao pé da montanha. Foi quando der repente apareceu mais um carro na localidade, mais um fusquinha, é claro. Explicamos a situação para o dono do carro, e ele disse que não podia nos levar, pois tinha que levar sua filha na festa da cidade. Mas se prontificou a ceder um pouco de gasolina para que seu Antônio nos levasse. Empurramos o velho carro do seu Antônio para fora da garagem, pois não queria pegar. Chamar aquele carro de velho é ofender os velhos. O carro é daqueles que você bate uma porta e cai a outra, o assoalho é todo furado, pneu aparecendo o arame, e por aí vai. Colocamos o combustível e seguimos viagem, mas não para vargem e sim para um sítio no pé do Pico do chapéu. Estávamos seguindo a dica de um caboclo que encontramos no caminho. A estrada era horrível, subidas intermináveis e buracos que quase engoliam o carro. Mas o velho fusca não decepcionou, subiu parecendo um jipe. E foi assim que às duas horas da tarde chegamos finalmente ao pé da montanha. Agradecemos ao seu Antônio e pegamos logo a trilha. Passamos por um sítio, aonde tomamos uma água fresca, pegamos algumas informações e seguimos em frente.

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          Olhando de baixo, parecia ser fácil chegar ao topo da montanha. Como na natureza as aparências sempre enganam, o que lá de baixo parecia cerrado, na verdade era uma densa floresta, que tivemos que rasgar no peito. E quando lá chegamos, descobrimos que teríamos que escalar. Cansados, ralados, picados por insetos e arranhados pelos arbustos, agora teríamos que nos pendurar naquele paredão com aquelas mochilas pesadas nas costas. Como não adiantava nada ficar lamentando, tomamos um pouco de água, abastecemos nossos cantis e feito aranhas nos agarramos à parede e fomos escalando em livre, puxando mato, trepando em pedras escorregadias e nos enfiando em fendas perigosas. A temperatura começou a baixar depressa, a neblina começou a fechar o topo da montanha, não podíamos nos demorar muito pois poderíamos acabar ficando presos e teríamos que dormir ali mesmo. Nos apressamos e chegamos logo ao lado de uma solitária formação rochosa, que provavelmente seria o nariz da grande carranca. Em mais dez minutos emergimos ao topo do Pico do chapéu, ponto culminante ali da Serra da Careta com mais ou menos 2030 m de altitude

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          O topo é bem plano, mas o terreno é meio irregular, por isso demoramos um pouco para achar um local bom para acampar. Montamos nossa barraca e tratamos logo de preparar o jantar. Que aliás, não passou de uma mera sopa, enriquecida com um pedaço de língua de porco, já que o Luís fez o favor de tomar toda água do seu cantil, sobrando assim só a água do meu. Foi por isso que optei pela sopa, além de nos alimentar, podia também nos reidratar. E enquanto nossa sopa cozinhava, aproveitei para vestir minha blusa e também para dar uma olhada no meu mapa e já ir tentado adivinhar o caminho que pegaríamos no dia seguinte. Antes das sete da noite eu já tinha me recolhido em meu saco de dormir, foi um dia longo e cansativo e no outro dia teríamos que acordar bem cedo.

          “Divanei, Divanei, nós vamos cair no abismo, cara “. Com esta frase fui acordado de madrugada pelo Luís, o sujeito estava sonhando e falava dormindo. Voltei a dormir. “Divanei, tem alguma coisa mexendo aí fora “. Desta vez o indivíduo não estava dormindo. Por isso fiquei meio puto. O que ele queria que eu fizesse? Queria que eu me levantasse dali e fosse ver se era uma onça, um urso ou lobisomem rondando nossa barraca? Disse para ele voltar a dormir, pois era só o vento fazendo barulho na barraca e nas panelas.

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          Às cinco da manhã já estávamos de pé, e enquanto esperávamos o sol nascer, tratamos logo de desmontarmos a barraca e arrumarmos as mochilas, pois sabíamos que estávamos umas quatro horas atrasados e tínhamos que tirarmos a diferença apertando nosso passo na trilha. O dia clareou e avistamos de cima da montanha, todos os vales ao redor encobertos por nuvens. Uma visão espetacular, que faz valer qualquer esforço. Quando se está no topo de uma montanha você se sente o dono do seu próprio destino. Parece que somos invencíveis, inatingíveis, deuses de nós mesmo.

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          Nosso próximo passo era descer o pico do chapéu e encontrar a trilha no vale, a trilha que teríamos pego se tivéssemos vindo por Vargem, mas mesmo antes de começar a descer, ouvi uma proposta que me deixou totalmente surpreso. “Divanei, vamos voltar “ Eu sabia que não seria fácil terminar aquela travessia porque estávamos com uma descrição muito rústica e tosca da trilha, mas desistir antes mesmo antes de ter tentado, não fazia parte dos meus planos. Fiquei imaginando qual seria o medo do Luís. Talvez ficar perdido naquele mar de montanhas, talvez não ter forças para terminar a caminhada. São apenas suposições, pois é difícil saber o que se passa na cabeça de alguém numa hora dessa, mesmo sabendo que o meu companheiro de aventuras ainda era debutante na arte de enfrentar desafios incertos.

          Consegui convence-lo a seguir em frente. Descemos o vale e adentramos na mata, encontramos o riacho descrito, aproveitamos para matar a sede e comer alguma coisa. A trilha estava confusa, as vezes não levava a lugar algum, tivemos que usar muito a intuição de trilheiros para podermos sair dali. Ao saírmos da mata uma coisa não nos agradou muito, havia baixado uma neblina na serra e não avistávamos mais nada, se já estava difícil navegar, agora com a neblina seria quase impossível. Por não ser mais um principiante em trilhas, deduzi que ela passaria logo, e assim que o sol esquentasse ela desapareceria. Acertei na mosca, em meia hora já podíamos avistar toda a beleza do Pico do Chapéu, que havíamos deixado para trás. Depois de subir até uma montanha próxima, pudemos avistar toda a extensão da Serra da Chapada, por onde teríamos que seguir durante todo o dia. A navegação continuava complicada, caminhávamos por dedução, as vezes sem termos certeza se estávamos no caminho certo. Mas era só dar uma olhada no mapa, corrigir a direção e continuar seguindo em frente, navegando, mesmo que às escuras.

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          A possível chuva, o vento, a neblina, os pequenos córregos a serem transpostos, aquela dorzinha nas pernas, a preocupação em achar água para o jantar, o local ideal para o acampamento. É impressionante como as preocupações nos lugares selvagens são tão diferentes das preocupações que temos aqui nas cidades. Na natureza nos sentimos menos fúteis, é lá que conseguimos exercitar nossos sentidos por inteiro. Sentimos os cheiros, prestamos atenção no sol e na lua, escutamos o barulho dos pássaros e da água correndo sobre as pedras, é lá que nossas mãos tocam a terra, é lá que sentimos o gosto pela vida, é lá que resgatamos a essência da liberdade, perdida há muito tempo.

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          A nossa jornada continuou. Perde-se aqui, acha-se ali, até tropeçarmos no fabuloso Rio Piracicaba. Não, esse rio não tem nada a ver com aquele famoso rio, daquela famosa música. Esse rio é de águas cristalinas, exuberante, nasce aqui no alto da serra e desce montanha abaixo em cachoeiras gigantescas. Antes de chegarmos nas cachoeiras paramos em suas margens para comermos algo. Sentamos em frente a um rancho, que parece ter sido construído ali apenas para indicar que o lugar tem um dono, que por sinal deve morar a quilômetros dali.

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          A habitação é rústica, feita de madeira, passa um ar de simplicidade, ao lado da casa despenca uma pequena cachoeirinha e nossa trilha seguiu o leito do rio e em vinte minutos alcançamos a Cachoeira do Estoco. Uma queda d’água com uns 100 metros de desnível. E em mais dez minutos chegamos à espetacular Cachoeira do Juju, que despenca quase em queda livre de uma altura de 130 metros. É de lá da cachoeira que também se avista o gigantesco Morro Bicudo, que contornamos sem perceber sua real altura. Tomamos um belo banho de alguns segundos na cachoeira do Juju, a água estava um pouco fria. Voltamos a confusa trilha e para variar nos perdemos de novo, mas também logo achamos o caminho. Claro que para isso foi preciso cruzar mais um mato no peito. Vencido esse pequeno sacrifício, nosso próximo objetivo era encontrar uma trilha, cuja única descrição que tínhamos era a de seguir para sudeste depois que atravessássemos a mata. E assim fizemos, seguimos para sudeste sem desgrudar o olho da bússola, e depois de meia hora morro a cima, encontramos a tal trilha. Comemorávamos em silêncio cada vez que achávamos o caminho certo. Nossa trilha adentrou na mata cerrada e seguiu plana e gostosa de ser trilhada.

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          Enquanto caminhávamos alegres, uma tempestade caiu sobre nossas cabeças. Saímos da mata e avistamos um pequeno sítio em um vale a beira de uma pequena cachoeira. Casa de madeira, chão de terra batida, fogão à lenha, sem energia elétrica ou qualquer outro aparelho que lembre modernidade. Em volta da casa um pequeno estábulo, uma plantação de milho e alguns bois e cabritos. Não há estradas para se chegar até aqui e as distâncias se contam em dias, dias de caminhada. Encontramos aqui dona Maria e seu sobrinho, um menino de cinco anos. Ao chegarmos à casa fomos recebidos com um balde de café para cada um, o que veio bem a calhar, pois estávamos bem molhados. Ficamos sabendo que o marido de dona Maria estava sendo operado da próstata e por este motivo não se encontrava ali. Dona Maria, 65 anos, fala pouco, nota se uma vergonha em seu rosto, talvez pelo total isolamento. Ela nos disse que morre de medo de ficar ali sozinha. Medo de que? Perguntei eu. “ Medo das onças ” respondeu ela. Ela ainda nos contou que são frequentes os ataques de onças aos cabritos e bezerros. Enquanto eu tentava decifrar mais uma vez o confuso mapa, um dos cabritos, que infelizmente a onça não comeu, teimava em tentar comer a minha mochila. Assim que cessou a chuva, nos despedimos da dona Maria e voltamos à trilha. 

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          Atravessamos o riacho no fundo do vale e começamos a subir pela íngreme trilha, que em quinze minutos nos deixou no topo. Meia hora depois chegamos ao mirante, aonde pudemos avistar todo o vale do rio Santo Agostinho. Tínhamos informação de uma trilha perpendicular à trilha principal e realmente a encontramos. Era uma trilha quase toda coberta pela vegetação rasteira, que parecia não levar a lugar algum. Seguimos até uma cerca de arame, conforme a descrição do roteiro. Pulamos o arame e descemos até o vale e demos de cara com o rancho abandonado, o tal Rancho do Rio do Charco. O rancho foi construído para servir de apoio aos viajantes a cavalo que passavam raramente por ali cruzando a serra. Foi ali que encontramos um homem a cavalo, que estava pescando nas águas do riacho. Ele nos levou até o encontro do Rio do Charco com o Rio Santo Agostinho, onde obrigatoriamente teríamos de cruzar e retomar a trilha do outro lado. O rio estava muito cheio devido as fortes chuvas que caiu na parte da manhã. Tentei cruza-lo em vários pontos, mas sem obter qualquer sucesso.

 

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          Já passava das 02 horas da tarde e nada de achar uma solução para o nosso problema. Foi quando decidi me arriscar e saltar de uma margem para outra, aproveitando uma língua de rocha que se estendia até a metade do rio. O máximo que podia me acontecer era cair na água e ser arrastado pela correnteza, ou quebrar a perna no tronco solto do outro lado do rio. Tomei distância e saltei. Foi um pulo certeiro, mal molhei minhas botas. Quando me preparava para ajudar o Luís a fazer a travessia, ouvi uma frase, que foi dita alto e em bom som. “Divanei, eu quero voltar “. Era o próprio Luís, com uma cara de medo e apreensão, com os olhos esbugalhados, meio que perdido do tempo e no espaço, sem saber o que estaria fazendo ali. Havíamos chegados até ali com muita dificuldade, cansados, estávamos muito, mas desistir quando iríamos cruzar a melhor parte da trilha era de doer. Minha vontade era de seguir em frente, mas percebi que seria impossível. O cara já estava psicologicamente abalado, perdera o tesão pela trilha. Arrastá-lo comigo seria perigoso. A melhor decisão seria mesmo voltar, a montanha está ali a milhões de anos e não iria a lugar algum, haveria uma nova oportunidade no futuro e arriscar a vida de alguém apenas para satisfazer seu próprio ego seria desumano. 

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          Desolado, chateado e um pouco decepcionado, voltamos a encontrar a tal estradinha que seguiria para o sul, rumo a Cidade de Alagoa. Quando digo estrada, é só jeito de falar, pois se trata de uma mera trilha um pouco mais larga e que há vários anos não recebe nenhum veículo, e mal consegue dar passagem à cavalos. Fomos seguindo nossa viagem pelos altos e baixos da serra, cruzando pequenas matas e pequenos riachos de águas transparentes. O lugar era bonito, mas como eu estava um pouco desanimado por ter abandonado a trilha, pouco curti. O que eu queria naquele momento era arrumar um lugar para tomar um banho e comer uma comida quente.

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          Finalmente, depois de penosa caminhada de quase 05 horas chegamos ao vale que dava acesso a cidadezinha, e em alguns minutos chegamos ao nosso destino. Alugamos um quarto em uma pensão e comemos uma maravilhosa comida mineira. Dormimos como poucas vezes havíamos dormidos em nossas vidas. 

          Alagoa é uma minúscula cidade, praticamente um vilarejo. Meia dúzia de ruas e não mais que isso. Seu nome vem de uma grande lagoa que existia tempos atrás no alto da cidade e que hoje também não existe mais. Em volta, vária montanhas dão um charme todo especial ao lugar, mas sem dúvida alguma sua maior atração é sua gente. Povo hospitaleiro, cordial, e que tratam as pessoas de fora como se fossem da sua própria família. Poucos foram os lugares por onde passei, nas viagens que já fiz, e que eu encontrei seres humanos tão fabulosos e maravilhosos. Se eu tivesse passado por estas serras distantes e beleza nenhuma tivesse encontrado, só o contato com estes últimos representantes da verdadeira espécie humana, a viagem já teria valido a pena.

 

          Acordamos pela manhã renovados, e fomos logo tentar saber o horário do ônibus para Itamonte, cidade a 40 km de Alagoa. Descobrimos que neste lugar distante de tudo só existe ônibus uma vez por dia, e hoje, domingo, ele sairia as 13:30 horas. O jeito foi dar uma volta na cidade atrás de outro meio de transporte. Depois de andarmos muito por quase dois minutos, chegamos na saída da cidade, ou entrada, e conseguimos uma carona até a cidade de Itamonte.

 

          A estrada que liga as duas cidades é de terra e toda esburacada, e o trajeto leva mais de duas horas. No caminho descobrimos que o senhor que nos deu a carona, morava em Cajamar, perto da capital paulista. Acho que por ter ido com a nossa cara ele nos ofereceu mais uma carona até São Paulo. E depois de umas cinco horas de viagem adentramos na quarta maior cidade do mundo. Ele nos deixou em frente à rodoviária, local aonde embarcamos direto para Sumaré, de volta para casa.

 

          Desci na rodovia Anhanguera, que fica a 2 km de casa, e enquanto caminhava ia pensando em tudo que havíamos passado. Eu não estava mais frustrado, havia aprendido uma lição, saber desistir na hora certa não era sinal de fracasso, mas sim uma virtude. Aprendi a respeitar o limite dos outros, aprendi que não se pode decidir tudo sozinho e que a opinião dos outros também conta, afinal de contas, como já disse, a trilha sempre vai estar lá e sempre haverá uma nova oportunidade.

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                                      Divanei Goes de Paula- abril/2004

OBS: Um mês depois voltei para tentar concluir a travessia por toda a Serra do Papagaio, atravessei o Rio do charco e subimos ao espigão da Serra, mas ao chegarmos ao Retiro dos Pedros fomos apanhados pelo mal tempo e sem enchergar um palmo à frente do nariz , ficamos vagando sem rumo na serração e fomos obrigados a navegar com bússola até que um dia e meio depois atingímos o próprio PICO DO PAPAGAIO, mas na sua parte inferior, aonde encontramos uma trilha que nos devolveu à civilização , no Vale do Matutu. Hoje cruzar essas serras tornou-se brincadeirinha de criança, novas tecnologias, mapas de satélites, cartas modernas e gps ao alcanse de todos.

 

 

 

 

 

 

 

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Não sei como esta linda travessia, talvez uma das mais completas da região sudeste ainda não se tornou popular.Muita gente conhece,mas poucas pessoas realmente a fizeram. Segue algumas fotos que só agora consegui digitalizar, quem sabe alguem se anima.

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Graaande Divanei!

Mais uma vez um relato seu foi muito importante no planejamento de uma travessia:

Travessia da Serra do Papagaio - Minas Gerais

 

Muito obrigado meu querido.

 

E isto:

"A possível chuva, o vento , a neblina , os pequenos córregos a serem transpostos , aque-

la dorsinha nas pernas , a preocupação em achar água para o jantar , o local ideal para

o acampamento . É impressionante como as preucupacões nos lugares selvagens são tào

diferentes das preocupações que temos aqui nas cidades . Na natureza nos sentimos me-

nos fúteis , é lá que conseguimos exercitar nossos sentidos por inteiro . Sentimos os chei-

ros , prestamos atenção no sol e na lua , escutamos o barulho dos pássaros e da água

correndo sobre as pedras , é lá que nossas mãos tocam a terra , é lá que sentimos o gosto

pela vida , é lá que resgatamos a essência da liberdade , perdida a muito tempo."

Foi muito singelo e verdadeiro.

 

::cool:::'> Abraço.

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Uma curiosidade...

Veja como este rancho pelo qual você passou em 2004...

 

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Se encontra hoje:

 

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CARACA ::carai:: !!

pow tava olhando a fotinha do divanei do rancho e tava pensando caraca onde é que tava este rancho que não vimos? ai veio sandrão com a resposta !! destruição total em 6 anos ::quilpish:: !!!!!!!!!

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CARACA ::carai:: !!

pow tava olhando a fotinha do divanei do rancho e tava pensando caraca onde é que tava este rancho que não vimos? ai veio sandrão com a resposta !! destruição total em 6 anos ::quilpish:: !!!!!!!!!

 

Desconsiderando o fato de que a maior parte da casa foi desmontada pela ação humana me lembrou “O Mundo Sem Nós” Bruno.

 

[mostrar-esconder][picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20101022161104.jpg 223 334 ][t1]O mundo sem nós - Alan Weisman[/t1]

 

Qualquer um cuja mente seja açodada por um mínimo de imaginação já conjeturou um mundo sem seres humanos. O que aconteceria se nós, humanos - cuja passagem pelo planeta Terra ocupa um ínfimo espaço no calendário global - simplesmente desaparecêssemos? Que catástrofes adviriam desta ausência? E que benefícios? É este o pano de fundo do livro “O Mundo Sem Nós” (The World Without Us), do jornalista Alan Weisman (veja aqui o site do livro).

 

Weisman traça um cenário aterrador sobre a influência daninha que o homem exerce sobre o planeta. Em suas 382 páginas, o livro deixa claro que, longe de ser o provedor que se imagina, o homem tem colaborado para o envenenamento contínuo de sua casa e, extinto, apenas interromperia este processo, fazendo com que a natureza, pouco a pouco, voltasse a ocupar os espaços da qual foi expulsa pelo “progresso”.

 

Diante da nefasta ação humana sobre o meio ambiente, há quem defenda que os seres-humanos tomem a iniciativa de deixar em paz a natureza. É o caso do “Movimento de Extinção Humana Voluntária” (VEHMT), que pretende suprimir a raça humana ao, voluntariamente, deixar de procriar, permitindo à biosfera terrestre retornar à boa saúde. Pode parecer maluquice, mas o movimento é sério e, diante da destruição que proporcionamos, tem fundamento. “Fazer tornar a Terra ao seu esplendor natural e encerrar o sofrimento inútil da humanidade são pensamentos positivos”, afirma o VEHMT.

 

Boa parte do livro se dedica a explicar o que aconteceria com o mundo caso os seres humanos fossem extintos. A partir de entrevistas com zoólogos, biólogos, engenheiros e paleontólogos, Weisman mostra que pouca coisa resistiria à ação do tempo e das forças da natureza, e revela como nosso “lixo tecnológico” continuará envenenando o meio ambiente nos milhões de anos vindouros.

 

Com uma narrativa recheada por pesquisas de campo, Weissman explica como nossa imensa infra-estrutura irá entrar em colapso e, finalmente, desaparecer juntamente com qualquer vestígio de nossa presença no planeta; como nossos artefatos do dia a dia se transformarão em fósseis; como canos e fios de cobre serão transformados em veios minerais; porque algumas de nossas construções poderão ser os últimos vestígios de arquitetura e como o plástico, as esculturas de bronze, as ondas de rádio e algumas moléculas criadas pelo homem poderão ser os últimos sinais de nossa presença no universo.

 

Em “O mundo sem nós”, descobrimos como as selvas de asfalto serão substituídas por selvas verdes em meios às cidades em ruínas; como as fazendas tratadas de forma orgânica ou química irão se transformar em áreas selvagens; como bilhões de pássaros surgirão e baratas sucumbirão sem nossa presença. Em lugares esquecidos ou abandonados pelos humanos (como um pequeno fragmento das florestas primevas da Europa, uma zona desmilitarizada entre as Coréias e Chernobyl), Weisman revela a tremenda capacidade de recuperação de nosso planeta.

 

Sem a presença humana, em dois dias o metrô de Nova Iorque seria inundado devido à paralisação do bombeamento de água. Sete dias depois, a reserva de emergência dos geradores a diesel que mantém em funcionamento o resfriamento de usinas nucleares chegaria ao fim. Passado um ano, um bilhão de pássaros deixaria de ser abatidos quando as luzes de sinalização das torres de rádio e comunicação apagassem e parassem de interferir em seu sistema de orientação. Dez anos depois de o homem desaparecer, o teto de celeiro com um buraco de meio metro quadrado, que já estava vazando na década anterior, já teria desaparecido há tempos. Passados cem anos, populações de pequenos predadores, guaxinins, doninhas e raposas diminuiriam graças à competição com um legado humano: s imensamente bem-sucedidos e ferozes gatos domésticos. Em mais 200 anos, as grandes pontes teriam desabado e barragens em todo o mundo destruídas. Cidades localizadas na foz de rios teriam sido destroçadas. Depois de alguns milhares de anos, qualquer parede de pedra que ainda estivesse de pé no hemisfério norte finalmente cederia ao frio.

 

Seriam necessários 35 mil anos para que o chumbo depositado durante a “era das chaminés” finalmente fosse removido do solo (para o Cadmium serão necessários 75 mil anos). Pelo menos 100 mil anos depois da Terra ter se livrado de nós, o gás carbônico (CO2) terá voltado a níveis pré-humanos. O plástico, que tão orgulhosamente ostentamos em embalagens e produtos de todos os gêneros, precisará de pelo menos 100 mil anos para ser devorado por micróbios. Milhões de anos terão se passado antes de nossa presença física ter sido totalmente apagada. Esculturas de bronze ainda serão reconhecíveis em 10,2 milhões de anos. Ainda assim a vida na terra continuará em formas que jamais sonhamos pelos próximos bilhões de anos, até que nosso pequeno planeta seja queimado por um sol agonizante que, ao se expandir, englobará os planetas que o circundam (o que deve ocorrer daqui há cerca de cinco bilhões de anos). Ainda assim, o legado humano permanecerá para sempre em nossos programas de rádio e TV, cujas ondas, fragmentadas, ainda estarão viajando pelo universo.

 

O mundo sem nós

 

1 dia - Combustível fóssil continuará alimentando usinas (em sua maior parte, automatizadas) por algumas horas. Também em algumas horas, a energia elétrica começará a entrar em colapso. Praticamente todas as usinas dependentes de combustível fóssil irão desligar.

2 dias - Após 48 horas, os reatores de usinas nucleares entrarão em modo de segurança automaticamente. Turbinas de todos os tipos começarão a falhas devido a falta de lubrificação. Apenas áreas dotadas de energia provida por hidrelétricas ou energia solar contarão com eletricidade.

3 dias - Metrôs que precisam operar com sistemas de bombeamento de água estariam inundados em menos de 36 horas.

10 dias - Comida começaria a apodrecer nas prateleiras de supermercados e nos refrigeradores. Enquanto houver água derretida proveniente de refrigeradores e comida deixada à vista, os animais de estimação permanecerão nas proximidades de suas casas. Logo, no entanto, eles terão de procurar alimento em outros lugares. Àqueles que conseguirem sair de casa irão competir pela sobrevivência. Cães e gatos criados por meio de manipulação genética não encontrarão um nicho neste competitivo ambiente e estarão entre os primeiros a perecer. Por exemplo, as pernas curtas e boca pequena de bulldogs e terriers serão problemas para estas raças. Animais aprisionados em zoológicos morrerão de fome e sede.

6 meses - Pequenas formas de vida selvagem não vistas com freqüência em meio à civilização – coiotes, gatos selvagens, lobos, veados etc – começarão a habitar os subúrbios das cidades. Os ratos já terão consumido nossos suprimentos estocados e começarão a deixar as áreas urbanas rumo às áreas selvagens.

1 ano - Plantas começarão a brotar em meio a rachaduras no asfalto de estradas, ruas, passeios e construções. As últimas áreas com eletricidade cederão espaço a escuridão.

Barragens começarão a transbordar e se romper. Incêndios causados por raios terão destruído grandes áreas urbanas e selvagens. Várias espécies de animais terão avançado sobre as cidades.

5 anos - A flora terá coberto a maioria das áreas urbanas com grama e árvores. Estradas serão cobertas por vegetação e, devido a falta de manutenção, desaparecerão.

20 anos - As ruínas de Prypiat, na Ucrânia, abandonadas em 1986 após o desastre de Chernobyl, têm sido usadas como exemplo para demonstrar a decadência de áreas urbanas abandonadas após 20 anos sem a presença humana. Apesar dos altos níveis de radiação, muitas populações de animais, além de uma vasta flora, têm florescido nestas áreas.

25 anos - O mar terá avançado sobre algumas áreas urbanas como Londres e Amsterdã, que são mantidas secas graças à engenharia. Janelas em prédios altos terão sido destruídas devido ao ciclo de frio e calor e devido à falta de manutenção nos seladores. Devido à falta de ajustes, satélites começarão a cair de volta à Terra.

40 anos - Muitas construções de madeira terão se incendiado, apodrecido, ou consumidas por cupins. Árvores e vinhas terão se infiltrado e crescido em meio ao que restasse das construções de alvenaria, já bastante enfraquecidas pela ação dos elementos.

50 anos - Estruturas de metal começarão a mostrar sinais de negligência. A pintura, que normalmente protege estas estruturas, já não existirá, expondo o metal aos elementos e permitindo a corrosão.

75 anos - Muitos dos 600 milhões de automóveis que se espalham pelo globo terão sido reduzidos a escombros irreconhecíveis. Alguns veículos localizados em áreas de clima mais ceco não terão sofrido o efeito da corrosão de forma tão flagrante e ainda serão reconhecíveis.

100 anos - Grandes pontes terão desabado devido à corrosão dos cabos de suporte. Muitas estruturas construídas pelo homem terão desabado em um período de 100 a 10 mil anos.

150 anos - Muitas estradas e metrôs começarão a desabar sobre túneis inundados. Edifícios terão sido totalmente tomados por plantas, criando uma paisagem selvagem em um ecossistema vertical. Descendentes dos cães domésticos terão cruzado com lobos.

200 anos - Grandes estruturas como o Empire State Building e a Torre Eifel terão desabado devido à ação da corrosão, das plantas e da água que terá desestabilizado suas fundações. Todos os livros e vídeos terão desaparecido sob a força do mofo.

500 anos - Itens feitos com concreto começarão a ruir devido à expansão das barras de ferro que os reforçam.

1000 anos - A maioria das cidades modernas terão sido destruídas e/ou cobertas pelas florestas. Os amontoados de escombros se transformarão em montanhas e colinas. Rios voltarão as suas margens originais. Haverá poucas evidências de que uma civilização humana tenha existido a Terra. Certas estruturas feitas de tijolos de pedra ou concreto, como as Pirâmides do Egito ainda estarão de pé com danos mínimos.

10.000 - anos As construções de concreto cederão devido à erosão e aos efeitos cumulativos da ação sísmica.

Neste período, qualquer evidência substancial da humanidade terá desaparecido. Apenas algumas coisas ainda permanecerão, como os pedestais de granito ou concreto sólidos da Estátua da Liberdade. As Pirâmides de Gizé ainda estarão de pé, embora bastante enterradas na areia do deserto. Porções do Grande Muro da China também permanecerão visíveis. As faces do Monte Rushmore ainda estarão reconhecíveis por centenas de milhares de anos. Nossos ossos, escombros, plástico e poliestireno (isopores) poderão ser os últimos sinais da humanidade.

 

Alan Weisman é autor de cinco livros, incluindo “O mundo sem nós”. Seu trabalho já apareceu na Harpers, New York Times Magazine, Los Angeles Times Magazine, Discover, Atlantic Monthly, Condé Nast Traveler, Orion e Mother Jones. Weisman tem um programa na National Public Radio e na Public Radio International e é produtor sênior da Homelands Productions, organização jornalística que produz séries independentes de documentários para a rádio pública. Ele leciona jornalismo internacional na University of Arizona.

 

:arrow:Fonte: Escrevinhamentos

 

Este livro inspirou muitos outros ensaios com esta temática, inclusive um documentário "O Mundo Sem Ninguém" e o filme “Eu Sou a Lenda” com o Will Smith.

 

Leiam mais sobre o assunto na Scientific American Brasil:

http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/uma_terra_sem_humanos.html

 

Abraços. ::otemo::[/picturethis][/mostrar-esconder]

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Sandro,

Na segunda vez que passei por lá tive o imenso prazer de dormir no rancho. Chovia desgraçadamente e os habitantes nos convidaram para passar a noite lá. O senhor , dono da casa estava se recuperando de uma operação na próstata. Acenderam uma fogueira dentro da cozinha para que pudessemos secar as nossas roupas. As pessoas que encontrei por la, naquela região, me fazem ainda hoje choarar de saudades. veja a foto com meu primo, junto a cozinha :

20101023200131.jpg

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Gostaria de saber se tem alguma restrição à essa travessia ultimamente, autorizações e tal.

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    • Por Carlosfuca
      Após trabalhar no feriado de carnaval, assim que chegou quinta-feira estava eu partindo rumo a uma bela caminhada pelo Sul de Minas, na Serra da Mantiqueira, no total foram nove dias de pura diversão, tranquilidade e paz rural. Fiz meu planejamento ao meu modo, mas no decorrer do périplo eu soube que alguns trechos fazem parte do Caminho dos Anjos, e eu estava o fazendo ao contrario. Bom, como eu já havia visitado e me encantado por Aiuruoca, decidi começar por lá novamente e conhecer a Cachoeira do Batuque. Segue um relato!
      27/02/2020 - 06/03/2020 - Roteiro:
      Dia 1: Ônibus de São Thomé das Letras até Aiuruoca. Caminhada do centro de Aiuruoca até a Cachoeira do Batuque. Pernoite no Abrigo do Batuque R$40,00 (Distância 6km)
      Dia 2: Abrigo Batuque em Aiuruoca até o centro de Alagoa. Pernoite na Pousada Pica-Pau R$50,00 – (Caminhada de 25km)
      Dia 3: Cachoeira Zé Pena + Corredeira de Itaoca até a Pousada Casarão R$90,00 com café e refeição (Caminhada de 20km)
      Dia 4: Pico do Santo Agostinho ou Pico do Garrafão – altitude 2380 metros (Caminhada de 20km) Pernoite Pousada Casarão R$90,00
      Dia 5: Cachoeira do Facão e Cachoeira do Veloso – (Caminhada 7km) – Pernoite Pousada Casarão R$90,00
      Dia 6: Cachoeira Ingá e Camping do Formigão Amarelo – Pernoite R$20,00 – (Distância 19km)
      Dia 7: Cachoeira do Escorrega (Caminhada 19km) – Pernoite Chalé Formigão Amarelo R$20,00
      Dia 8: Descanso no Formigão Amarelo – diária R$20,00
      Dia 9: Ônibus para Itamonte centro (R$6,00)
      Dia1
      Mapa Aiuruoca até Batuque: https://goo.gl/maps/TFtxScMJkXp2hHoC8
      Atrasado pra pegar o ônibus das 07h30, saí praticamente correndo em direção ao ponto e cheguei no exato momento em que o ônibus passava, só deu tempo de tirar a mochila das costas e subir os degraus. Não deu 30 minutos e uma vontade horrível tomou conta de mim, com aquele sacolejo todo, de repente, eu queria era urinar, foi aí que tive que me concentrar até chegar a Cruzília, quase uma hora de puro desespero. Também me vem um latão sem banheiro e eu estava sem jeito de pedir pra parar na estrada, até esperei alguma deixa, mas depois de sobradinho ninguém mais desceu ou subiu. Umas 08h50 pensei em descer de vez e ir andando até Cruzília, mas sabia que ia melar a viagem já desde o inicio, pois a previsão em Cruzília era de chegar 09h10 e as 09h20 já saia um ônibus para Aiuruoca pela viação Sandra.
      Contudo, aguentei e a minha chegada em Aiuruoca transcorreu perfeitamente. Logo quando desembarquei, me pus a almoçar no mesmo self service de outrora, o Restaurante Central. Além de comida boa é com preço justo. R$16,00. Vale a pena! Com isso, foi só seguir caminhada até a Cachoeira do Batuque, essa cachoeira eu não havia visitado das duas vezes em que estive em Aiuruoca e nesta ocasião eu fui direto e somente pra ela, no que diz respeito a minha passagem em Aiuruoca.
      Vou contar pra vocês que a previsão do tempo não estava nada boa para se fazer caminhadas, os dias estavam chuvosos e não costumo dizer que é um dia ruim, até porque chuva é sempre bem vinda, uma dádiva, uma benção. Por isso eu disse que só não era apropriado para as andanças, mas “era o que tinha pra hoje” e assim se fez. O jeito foi proteger o que não podia molhar e bora walking and singing in the rain...
      Segui sentido Vale do Matutu, ou seja, pela rua à esquerda da Igreja Matriz até encontrar a estrada de chão batido e após 5km, virei à direita, no local tem placas indicando o Vale do Matutu e as pousadas, mais alguns metros adiante e tomei à direita novamente pra chegar até o Abrigo Batuque. Fui bem recepcionado e mesmo na chuva eu parti pra Cachoeira do Batuque, distante uns 30 minutos do abrigo. De cara, após passar uma porteira, começa uma subida num morro, daí se encontra uma via mais demarcada e com 10 minutos se encontra a placa indicando o início da trilha mais fechada até as quedas. Foram mais 15 minutos de caminho autoguiado até se chegar na imensa, surpreendente e bela Cachoeira do Batuque!
      Devido à chuva não fiquei mais que 30 minutos por ali, e voltei pro abrigo. Bom, já devo adiantar que é mais que indicado se hospedar no Abrigo Batuque.

      Cachoeira do Batuque - fev/2020
            
      Legenda1: acesso ao Abrigo Batuque        -------      Legenda2:    subir o morro ida cachu
       
            
      Legenda1: virar à esquerda            --------            Legenda2:  inicio da trilha, esquerda
      Dia 2
      Mapa Batuque até Alagoa: https://goo.gl/maps/2SLAZXdBBcTpb2S28
      Acordei cedinho, com tempo nublado e uma garoa fina, aquele aspecto do dia que não dá vontade de nada fazer. No entanto, eu tinha o anseio de caminhar, de pegar estrada, parecia um remédio que tinha que tomar na hora exata, mas sem hora marcada. Bom, eu ainda estava com uma “carga” pronta pra ser despejada a cada passo dado.
      O dia prometia o trajeto mais longo do meu planejamento, seriam pelo menos 25km do Batuque até o centro de Alagoa. Assim, ainda com o sorriso na boca comecei a pernada. Voltei, como se tivesse indo pro centro de Aiuruoca, às 06h25, mas logo tomei uma curva acentuada para a direita. As placas indicavam as distâncias até cada bairro/povoado. Neste momento nem reparei muito e nem tirei uma foto, depois de 5 minutos eu pensei comigo que deveria ter tirado uma foto só pra ter uma referência a mais.
      Em todo esse trajeto eu tive o Rio Aiuruoca como testemunha, ele sabe que com uns 14km eu tive que abandonar de vez a ideia de andar com tênis e usei um chinelo. Liberdade para meus pés, pois o calçado anterior estava apertado, após certo tempo de uso (meses) e não laceou, uma pena. E com o tênis molhado agravou mais a situação, ainda acho que demorei bastante pra trocar.
      Passaram-se poucos carros por mim, a estrada em muitos trechos estava em condições difíceis de percorrer com carro. Bom, foi chuva por vários dias, e nesta ocasião não tinha sido diferente. Mesmo assim a paisagem se fazia bonita em certos trechos, no Povoado Tamanduá eu parei no mercadinho pra abastecer de alimentos, fiz meu lanche e depois segui novamente. Já tinha se passado das 9h.
      O meu ritmo era de boa, até porque os trechos de lama não permitiam uma velocidade maior. Nesse momento eu ainda tentava evitar me “sujar” muito. Ao chegar no Bairro Nogueira, fiz mais uma parada. Na verdade eu não estava cansado e não se tem tantas subidas nem descidas íngremes e logo me acostumei com a chuva no corpo.
      Após atravessar o bairro de Campina, que se mostrou um lugar bem bonito, diga-se de passagem, eu pausei de novo. Sempre parando num abrigo ou ponto de ônibus e dessa vez do lado de uma placa que indicava 5km pra chegar em Alagoa. Opa, quase lá!
      12h10 eu já estava numa subida, uma lotação escolar subindo também encalhou bem na minha frente, a motorista abandonou por ali e continuou a pé até seu destino, o qual eu não sabia, mas o carro estava vazio, não tinha estudantes. A ideia de tirar o chinelo nas lamas mais profundas foi ganhando força até que uma hora já tava descalço direto mesmo, porém sempre prestando atenção por onde pisava.
      Passei o bairro Ouro Fala e ao chegar no centro, depois das 13h, procurei a Pousada Pica Pau, ao tocar a campainha uma senhora me atendeu, me apresentei e assim fechei a pernoite. Corri pra um banho, pois eu estava todo enlameado e andava assim na cidade e todos me olhavam, estranho rs.
      Após uma boa ducha, fui almoçar de fato no restaurante ao lado da pousada, chama-se Restaurante Pica Pau. Agora, imagina uma comida saborosa... muito bom mesmo e era self service por R$15,00. Pra esse dia só descanso...
      Dia 3
      Mapa Alagoa até Zé pena: https://goo.gl/maps/SMueaH63SD1Tm1nH9
      Mapa Zé Pena até Itaoca: https://goo.gl/maps/cSD1eh2ZtxPKpT2CA
      Mapa Itaoca até Casarão: https://goo.gl/maps/4uBVk6PySQD5BfHQ9
      Mais um dia nublado, mas despertei empolgado ainda, além da expectativa de chegar a Pousada Casarão, eu teria duas cachoeiras para visitar, a do Zé Pena e a Corredeira Itaoca. Com isso, daria em torno de 20km de caminhada.
      Voltei mais pro centrinho até dobrar na rua Jose F. Ribeiro, já em estrada de chão, (barro e lama rs), prossegui mais uma andança. Nesse dia eu já comecei a andar descalço logo de cara, já não ia ficar me preocupando muito. Até a Cachoeira do Zé Pena seriam 5,7km e uma bifurcação à esquerda. Na estrada eu passava por muitos pastos e o silêncio imperava, só os pássaros cantavam. Ainda sem muitas subidas nem descidas.
      Eita Rio Aiuruoca que baita companhia, com 3km veio a bifurcação e tomei o caminho da esquerda, tem até uma placa e no fundo se avista mais um povoado. Assim, com mais 2km eu estava próximo da cachoeira. O acesso fica atrás de uma casa, tem uma ruazinha de acesso, nesse dia estava bem lamaceira mesmo. Ainda bem que tinha uns trabalhadores e pude perguntar o caminho. Já digo que o acesso até a cachoeira tava bem dificultoso, a grama do pasto alta, muita lama e pouca sinalização, mas quando avistei a placa “welcome”, atravessei o curso d’água e na outra margem consegui chegar na queda. Como a correnteza tava bem forte devido as chuvas, só contemplei, comi meu lanche em pé mesmo, fotos e voltei.
            
      Legenda1: atravessar o leito do rio                 --------------------------      Legenda2:       Cachoeira Zé Pena
      O mesmo caminho, mas agora eu ia virar a primeira esquerda pra seguir até a Corredeira Itaoca e passar bem pelo povoado mesmo. Lugar muito simpático, não parei pra prosear mas acenava cumprimentando. Cada vez mais lama e cada vez mais rural. A chuva vinha intermitente. Os passos eram lentos e olhos atentos! Depois de 5km na mesma estrada, virei à esquerda pra já estar na rua da corredeira Itaoca, a corredeira é bem visível!
           
      Legenda1: Panorama Corredeira Itaoca          -----------------------        Legenda2:   Araucárias no caminho
      Faltavam mais uns 8km até a pousada casarão, mas ainda uma parte hard me aguardava, uma subida de 1km pra chegar até a estrada principal que liga Alagoa até Itamonte (LMG-881), muita cautela para atravessar, um pouco de dificuldade pois parecia que não andava, pisei num grampo e sorte que não furou profundo a sola do pé. Ali pensei, O que eu tô fazendo aqui? Haha. As vezes bate esse pensamento, mas é bom, imagina se fosse tudo flores?
      Ao vencer esse trecho que considerei difícil, saí na estrada e de cara um mercadinho, fiz umas compras e mais uns 6km até pousada, só que agora com asfalto e chuva também!
      Têm placas indicativas pra se chegar na pousada Casarão, e de lei que lá cheguei bem sujo, mesmo assim fui muito bem recepcionado pelo Joãozinho e sua família. Ali eu iria permanecer por 3 dias super agradáveis onde deu o tom da magia e tranquilidade dessa viagem.
      Após batermos um papo, fui me ajeitar, pois mais tarde já tinha janta! Na pousada Casarão eles fazem com que os hospedes se sintam em casa. Vale muito a pena passar por lá, seja qual tipo de viagem for a sua, o lugar tem uma ótima estrutura e chalés família, casal, etc. Bom, confira nas redes e verás.  
      Dia 4
      Mapa pico google: https://goo.gl/maps/YUXWA61rnJwAMX8G8
      Após um sono muito confortável, acordei com uma sensação ótima pra se iniciar o dia. Eu havia marcado o café da manhã as 07h com a dona Ana, e assim pude me fortalecer pra subir o Pico do Santo Agostinho ou Pico do Garrafão, que tem no seu cume 2380 metros de altitude. O céu permanecia nublado, mas não se tinha mais chuvas. O café da manhã é muito bem servido e contem, é claro, o famoso queijo parmesão artesanal de Alagoa, no dia anterior o Joãozinho havia me mostrado parte da produção e me encantei, uma pena que dessa vez eu não ia comprar pois ia pesar demais na minha mochila, senão ia trazer umas peças comigo.
      A jornada do dia seria o ponto alto da minha caminhada, alto em todos os sentidos. Muito eu esperava por esse momento e assim me pus a caminhar rumo ao Parque Estadual Serra do Papagaio. Após passar alguns sítios e chegar numa igreja, logo tomei à direita e a subida já se mostrou acentuada e constante. E era isso mesmo, já dizia o ditado quem tá na chuva é pra se molhar. No meu caso só fui presenciar chuva na volta da trilha.
      Foram quase 7km até a porteira que marca o inicio da trilha, ou seja, dali não se passa mais carro. Eu estava acompanhando um mapa wikiloc e em certo ponto me confundi um pouco depois de adentrar a porteira, mas a dica é: a trilha sobe sentido oposto ao de uma casa bonita e é subindo o morro beirando uma cerca.
           
      Legenda1: à direita e inicio aclive           ---------------------           Legenda2:    à esquerda pro pico
           
      Legenda1: pico santo agostinho encoberto                          ---------------------------           Legenda2: primeiro morro vencido
      Após vencer esse morro e com algumas paradas para recompor o fôlego, cheguei na placa indicando “Vale do Garrafão”, um pouco mais de subida até se estabilizar, foi um trecho de quase 3km, a trilha super tranquila de se guiar. Eu sempre atento aos passos pra não pisar em nada que não deveria. O visual estava neblinado o tempo todo, só por um momento que pude visualizar à minha direita o Pico do Papagaio, mas ainda foi pouco perante todo potencial de visual que aquela região tem. Logo adiante, e quase chegando na parte final da trilha, consigo visualizar o Pico do Santo Agostinho, mas rapidamente a neblina o cobriu novamente. Nesse último trecho a trilha se faz por uma mata fechada pra depois abrir nos campos de altitude.
      Eis que após 3h30min de caminhada, cheguei no grande topo do Pico do Santo Agostinho (ou Pico do Garrafão). Lá no alto andarilhei, vi todas as possibilidades de visual (neblina) e também as possibilidades de acampamento, realmente é muito bacana o espaço pra acampar lá no topo. Legal de lembrar sempre de manter uma preservação e seguir uma boa conduta em meio a natureza.
      A única coisa que me incomodava era o meu tênis! Complicado mesmo, e fazia tempo que não passava por isso. Se não fosse tal incomodo minha volta seria bem mais tranquila, no entanto tive que fazer diversas paradas e andar todo torto rs. Contudo, com 3h de trilha eu estava de volta na Pousada Casarão, de lei aquele merecido descanso!
            
      Legenda1-  inicio vale do garrafão 2,7k                                           -----------------------------------            Legenda2- visu do Pico Papagaio
                 
      Pico Santo Agostinho ou Pico do Garrafão
               
      Dia 5
      Mapa Cachoeira do Facão: https://goo.gl/maps/cpZ7gTBPjtbSGWXX8
      Já é Março, nesse dia acordei um pouquinho mais tarde, no planejamento inicial eu havia deixado pra ir até as principais cachoeiras do bairro quilombo, mas resolvi alterar e fazer um pouco mais light, afinal de contas eu fiquei bem satisfeito com o rolê até então. Por isso o novo plano era ir até a Cachoeira do Facão e depois a Cachoeira do Veloso, passei também pela Cachoeira Boa Vista, que fica bem no acesso ao Bairro do Engenho, porém a trilha se mostrou bem fechada, eu tava light rs. Andei uns 7km ao todo.
      Conforme os dias iam se passando o tempo ia abrindo de pouco em pouco, A Cachoeira do Facão que era chamada de Cachoeira da Usina antes, fica a 3km da Pousada Casarão e é só pegar a estrada sentido Alagoa e virar no Bairro Companhia. Ao descer a rua, tem uma placa indicando a trilha no meio do pasto. Trilha demarcada e depois vem um trecho íngreme, tem até umas cordas de apoio em momentos mais críticos, mas no geral é uma trilha curta e tranquila.
           
      Legenda 1 - entrada trilha cachoeira facão                  -----                     Legenda 2 - entrada trilha cachoeira facão
           
      Legenda 1 - Cachoeira do Facão por cima           -----------------                Legenda 2 - cachoeira facão por baixo

      Queda bonita, Cachoeira do Facão
      A outra cachoeira era a do Veloso, pra ir eu tive que voltar a pousada e seguir por mais uns 500 metros e pronto, à direita tem uma trilhinha e então segui pelo leito do rio pra se chegar na queda mais acima, parece ser meio fechado, mas é tranquilo. E do lado da pousada!
           
      Legenda 1: trilha saindo da estrada           --------------                     Legenda 2: Uma Queda, Cachoeira Veloso
      Dia 6
      Mapa Casarão até Formigão: https://goo.gl/maps/kPbxhpotyVD4RfBy8
      Minha última manhã na Pousada Casarão, mais um café da manhã farto e ainda pude fazer um lanche para a caminhada do dia. O destino era o Camping Formigão Amarelo em Itamonte e dar uma passada antes na Cachoeira Ingá, no bairro Quilombo. Bom, a queda eu só vi de panorama mesmo. Segui a estrada e agora com fone de ouvido eu entrei numa brisa muito dez, pus minha playlist pra funcionar e assim fiz uma caminhada agradável por demais. Veja bem, Minas Gerais ajuda também, muitas montanhas ao redor, o clima rural ameno, respirando aquele ar puro por dias já. Eis um cara mais uma vez transformado pela caminhada, eu mesmo. Com 1 hora e 30 minutos de caminhada, uma rapaz me ofereceu uma carona. Aceitei e assim pude bater um bom papo até chegar ao camping formigão amarelo, foi mais uns 10km de estrada, que ora era asfaltada ora de terra ainda. Quando começou a descida de serra eu fiquei atento e ao passar o Mercadinho do Bairro Cachoeira, veio o portão do camping, pedi pra descer e já me despedi, poxa adiantou um bom lado!
      Bati palmas e ninguém me atendia, o portão tava aberto e então adentrei pra ver se a recepção era mais pra baixo. O camping apesar de bem estruturado estava com ar de que não tinha ninguém ali por um tempo, voltei pro portão e lá tem um chalé bem do lado, vi que tinha umas roupas e resolvi chamar novamente. Daí então apareceu uma senhora e disse que estava hospedada lá e que os proprietários estavam viajando. De prontidão ela disse que ia pegar o número do whats app deles e me passou também a senha do wifi.
      Logo entrei em contato, e demonstrei interesse de pousar no chalé de baixo, que era rústico de madeira. A diária era de R$20,00. Só fui checar se estava aberto e sim, estava. Confirmado e então era só eu entregar o dinheiro no centro de Itamonte, pois lá eles têm uma funcionária numa lan house. Chamei a senhora novamente, mas acho que ela não me ouviu, então resolvi descer.
      Só deixei as coisas, relaxei um pouco e com um tempo de sobra, fui ver como era o acesso a Cachoeira da Conquista, e não estava muito a fim de fazer trilhas longas, pois estava de chinelo, não queria usar aquele tênis mais nunca rs. Quando fui sair o portão estava trancado, ou seja, a senhora saiu e nem percebeu que eu estava por lá. Arrumei um jeito de sair e segui rumo ao bairro da conquista. Descendo à direita do camping, logo virei à esquerda e segui numa boa em mais um povoado rural. Muita tranquilidade por sinal, muitos pastos e aos poucos a vista da Serra da Mantiqueira ficava mais linda. Nessa tarde o tempo já estava ensolarado. Andei por uns 40 minutos e logo percebi que não tinha nada de sinalização da Cachoeira da Conquista. Enfim, conforme o mapa que eu tava mostrava de fato o começo de um leito do rio, mas de acordo com algumas informações que colhi teria mais uns 40 minutos de trilhas. É, realmente não dava naquele momento. Uma pena!
      Andei mais um pouquinho subindo mais só pra ver se não tinha alguma placa mais acima e do nada me deparo com uma moça na beira da estrada, sentada e ouvia um som. Era a mesma senhora que me atendeu no camping, que coincidência. Ela estava rezando ali e logo voltei pra não atrapalhar! Assim, foi essa breve caminhada pelo bairro. Passei no mercadinho do bairro Cachoeirinha e fiz um rango/ lanche para aquela tarde! Na paz. Nesse dia eu devo ter andando uns 10km.
      Dia 7
      Mapa Formigão até Cachoeira Escorrega: https://goo.gl/maps/FqbvfZNNWn9mDKnJ9
      Mais uma manhã que eu acordo extremamente bem, e realmente apesar da boa disposição eu fiz mais uma mudança no roteiro, a intenção era ir para a grande Cachoeira da Fragaria, porém de ida e volta daria uns 40km e mesmo que conseguisse alguma carona ainda ficaria muito para caminhar. Então resolvi ir para a Cachoeira do Escorrega, distante menos de 10km do camping e assim peguei estrada, bem de manhã.
      Sentido Itamonte eu segui por uns 5,5 km, até que avistei a placa Usina dos Bragas, então tomei à direita rumo ao Bairro do Morro Grande. Mais 600 metros fiz uma curva à direita de novo e então em 2km eu estava próximo da Cachoeira do Escorrega, já perto da cachoeira tem uma placa indicativa. Se for de carro cobra-se estacionamento, coisa de R$5,00.
      Com uma água bem gelada, que não tive coragem de testar o tobogã natural, o lugar guarda sua beleza. São varias quedas para poder refrescar num dia de calor, ali parece que costuma lotar nos finais de semana. Bati umas fotos, comi meu lanche e fiquei numa boa ali! Paz maior não existe, o sol já era bem presente no dia. A caminhada foi sensacional! Vale muito a pena.
      Caminhada do dia: ida e volta uns 20km.
            
      Legenda 1 - indo pra Cachu Escorrega, direita                 ------------            Legenda 2 - Usina dos Braga
           
      Legenda 1 - esquerda, poucos metros       ----------------------       Legenda 2 - primeira corredeira

      Cachoeira do Escorrega - Itamonte - MG
      Dia 8 e Dia 9
      Tirei o dia pra descansar já que o camping era propicio para isso. Recomendo o Camping Formigão Amarelo, eles contam com algumas atividades como tirolesa no próprio local, tem uma cozinha comunitária, churrasqueira, banheiros com chuveiros quentes e preço bom! Esta a 13km do centro de Itamonte.
      Na minha estadia, pude refletir na pura tranquilidade, por ora comecei a relembrar a leitura de Walden ao visualizar o chalé de madeira, só que em meio aos eucaliptos o bosque.
            
      No centro de Itamonte eu ia embarcar no ônibus para São Lourenço e depois, para Três Corações (passou por Cachoeira do Carmo, Jesuania, Lambari, Cambuquira). E, por fim, embarquei num ônibus para São Thomé das Letras. Tomei ciência de um ônibus que ia até o centro de Itamonte, horário único, as 07h, a um custo de R$6,00. Esse ônibus sai de Alagoa as 06h e volta às 15h. Fica aí a dica. (o preço de Alagoa até Itamonte eu não sei). É bom até pra mim, pois quem sabe logo poderá ter outros passeios por essa região que tanto me agrada!
      Faltou com certeza a Cachoeira da Fragária, mas ainda darei um jeito de visita-la e emendando com outro pico.
      Assim é Pé de Natureza! Até a próxima!
    • Por divanei
      PEDRA DO CARMO
       
                Anos atrás, procurando por montanhas selvagens, me deparei com essa Pedra. Era um domo abaulado se destacando na paisagem, com um cume pedregoso, um monólito perdido na área rural entre Joanópolis e Piracaia, na verdade, muito mais perdido em lugar nenhum do que pertencente a alguma dessas cidades. Minhas pesquisas me levaram a um sit onde diziam que há muito tempo não se podia colocar os pés no cume porque os fazendeiros da região haviam fechado a passagem e colocado restrições para acessar a pedra, não queriam forasteiros andando por suas terras. Essa fazenda ficaria a não mais de 2 km da Pedra do Carmo e seria mesmo uma ótima opção, um caminho rápido, sem muitas bifurcações e sem o perigo de nos perdermos nas florestas de eucaliptos que por lá existem.

                Bom, se as restrições existiam, então era preciso encontrar um outro caminho, um trajeto viável partindo de outra fazenda que não tivesse tais restrições, ou fazer o mais radical, traçar um caminho varando mato e fugir dessas burocracias cretinas. Quem olha pelo mapa de satélite logo vê que se trata de uma cadeia de montanha, quase uma parede que sobe abruptamente pelo lado sul da pedra, seria uma subida quase escalando, mas me pareceu a única maneira de subir essa montanha sem levantar muitas suspeitas, teoricamente poderia ser viável, mas não havia garantia que também não seríamos barrados pelo sul, então apenas tracei a rota no mapa e lá deixei, perdido no limbo do meu computador até que um dia meu equipamento deu pau e esse arquivo também se perdeu para sempre e nunca mais nem me lembrei dessa tal pedra.
                Estava de bobeira em casa, quando numa segunda feira, véspera do feriado da Revolução Paulista, o Alexandre me manda uma mensagem perguntando se eu conhecia a Pedra do Carmo, nas cercanias de Piracaia. Pensei, pensei e logo me veio à mente a figura daquela formação rochosa, mas imediatamente já respondi que até havia ouvido falar, mas por hora achava que ainda se mantinha a tal restrição. Foi quando o Alexandre me soprou que haveria um caminho vindo do Norte, 5 ou 6 km varando um reflorestamento de eucaliptos e alguma mata nativa e dizendo que se eu quisesse ir, passava na minha casa na manhã seguinte. Bom, não estava fazendo nada e como ele deu o aval para levar minha filha Julia e o Jairo, logo confirmei presença, ainda mais por ser inverno e sem nenhuma previsão de chuva.
                Antes das 8 da manhã o Alexandre já buzinou no portão nos chamando para a aventura e logo pegamos a estrada para Joanópolis, já que o caminho mais perto do início da trilha seria pela cidadezinha e antes da 11 da manhã já lá estávamos lá, tomando café numa padaria e tirando fotos com lobisomens, já que o município se intitula a capital deles e para onde você vai os encontra para todos os lados.

                Do centro de Joanópolis sabíamos que deveríamos nos dirigir para sua mais famosa atração depois dos lobisomens, deveríamos ir direto para a CACHOEIRA DOS PRETOS, uma queda d’água gigante com 154 metros de altura, mas longe de ser a maior do Estado, como alardeiam as agências de turismo, querendo angariar alguns desavisados e desinformados. Muito porque é fácil ver que não são 154 metros em queda livre e sim em alguns degraus, mas quem olha de longe mal percebe isso, o que acaba dando um efeito belíssimo. Rodamos pouco mais de 15 km até a cachoeira e seguimos enfrente, buscando o caminho de quem vai para São Francisco Xavier ou mesmo Monte Verde, mas agora em estrada de terra. Andamos cerca de uns 8 km , mas não conseguimos encontrar a tal entrada da fazenda onde pretendíamos partir. Ao passar por um nativo, perguntamos como faríamos para acessar a Pedra e ele nos disse que deveríamos andar mais uns 2 km. Por mais 2 km andamos e quando vimos que não iríamos dar em lugar nenhum que pudesse nos levar até o local pretendido, ligamos o gps para constatar que já havíamos passado da entrada e mais uma vez provamos que nativos não conhecem nem a bunda deles. Retornamos e agora nos guiando pelo gps, localizamos a entradinha, que para quem vem da Cachoeira fica à direita, uns 7 km de estrada de terra. Adentramos por essa estradinha e rodamos uns 400 metros até interceptar uma sede de fazenda do nosso lado direito, mas é 50 metros antes da sede, do lado esquerdo, e é  entrando por uma porteira de arame, para dentro da floresta de eucalipto que está a nossa "trilha".

                Vendo que havia um rádio ligado na fazenda, batemos para tentar a autorização e quem sabe guardar o carro, mas eu mesmo queria era entrar sem dar satisfação, vai que o dono já diz logo um NÃO. Mas pôr sorte não apareceu ninguém, então resolvemos estacionar o carro na beira da estrada, num recuo 50 metros depois da sede da fazenda, pegamos nossas mochilinhas com água, lanche e equipamentos essenciais e de sobrevivência, passamos pela cerca de arame que já estava aberta mesmo e caímos na capoeira, longe das vistas de qualquer pessoa.

                Estamos agora andando por estradinhas estreitas no meio de eucaliptos e vamos subindo suavemente até que uma curva para a esquerda fica um pouco mais íngreme e ao final de meia hora de caminhada, pouco mais de 1300 metros dá uma arrefecida e desce por uns dois minutinhos, mas logo volta para a ascendência, não muita coisa, mas suficiente para que minha filha Julia e o Jairo fiquem um pouco para trás. Eu e o Alexandre, macacos velho que somos, vamos dosando a passada, de tal forma que possamos papear e contar histórias e botar a conversa em dia. Passamos ao lado de uma área aberta pela nossa direita, onde um sítio domina a paisagem, mas sem o perigo de sermos vistos porque a casa está um pouco longe do caminho, mas logo acima somos flagrados por um nativo encostado numa moto e aí pensei que a casa tinha caído para a gente muito antes do esperado.
                Cumprimentamos o nativo, que devolveu a gentiliza. Perguntamos sobre o caminho para a Pedra do Carmo: _” Oia moço, aqui ceis num chega em Pedra do Carmo não, o máximo ceis vai sair na Pedra do Medo “Fiquei com vontade de rir, mas me segurei. Há tá, pensei que era possível chegar por aqui, mas então como a gente faz para chegar nessa tal Pedra do Medo? –“Ceis vai reto e vira à esquerda, sai da fazenda e sobe na direção do Medo” Agradecemos como se tivéssemos compreendido o recado, seguimos enfrente e ao saímos da visão do “cai pa trás” da fazenda, viramos à direita rumo a Pedra do Carmo, caímos na quiçaça e fomos acompanhando o caminho no gps. Estava claro que o matuto não sabia nada de nada ou estava surpreso de alguém querer ir no Carmo por aquele caminho, sendo que nos disse que por ali não tinha trilha e poderíamos nos perder, mas ficamos felizes de termos dado um perdido no nativo, só assim poderíamos chegar no cume sem sermos incomodados.
                
      Seguimos enfrente, mas sempre tentando ignorar as bifurcações, tanto pela esquerda, quando pela direita. Verdade mesmo que aquilo é um grande labirinto e sem o gps até poderíamos chegar, mas não sem antes tomar uns perdidos. O caminho é sempre subindo, as vezes um pouco mais, outras vezes um pouco menos. Em alguns momentos o que era uma estradinha bem estreita acaba dando lugar para uma trilha e por vezes até é preciso ir varando algum mato e o caminho que até então segui na direção sul–sudoeste, vai se dirigindo para oeste e quase 4 km depois de iniciarmos na fazenda, tropeçamos numa cerca de arame, uma cerquinha mixuruca, mas que tivemos que pular por cima até que no fundo de um vale um grande tronco de araucária nos deteve por um instante.

                A tendência é pular o tronco e seguir em frente, buscando um rabo de trilha, mas esse não é o caminho. Exatamente no tronco é preciso virar a esquerda e vara uma linha de mata até interceptar o que parece uma estrada larga e desimpedida, mas que na verdade não passa de uma espécie de asseiro de uma antiga linha de transmissão, aliás, se subíssemos por ela, meio que voltando encontraríamos uma grande torre, mas aí estaríamos fora do nosso objetivo. Então ao encontrar esse asseiro, passe reto por ele e continue meio que descendo para sudoeste e logo a frente vai começar a descer sem dó, em um caminho até escorregadio por uns 400 metros até interceptar uma estradinha que cruza o caminho e que é preciso virar radicalmente para a esquerda e ir subindo, passando por uma grande rocha e uns 400 metros depois da bifurcação, curvamos para a direita no enfiando numa trilha mais fechada, começa aí a subida derradeira para a Pedra, estamos a 500 metros do cume.

                No início a trilhinha é meio confusa, mas é só prestar bem atenção, um olhar mais apurado e perceber que é só seguir em frente, quase reto até que ela se abre numa área que seria possível até acampar, mas mais à frente desembocamos numa área melhora ainda, onde uma parede rochosa nos alegra a alma, finalmente encostamos de vez na pedra e já começamos a nos arrepender de não termos trazido nossas barraquinhas para acampar.

                Estamos agora a 1.340 metros de altitude e já percorremos uns 5 km de caminhada e vamos começar a subida rochosa até o cume. A trilha entra novamente na matinha, mas ainda é meio apagada por isso é preciso ter em mente que devemos sempre estarmos colados a rocha do nosso lado esquerdo. Vamos na ascendência tentando saber qual o local exato de abandonar a trilha e subir a pedra, mas logo a frente uma rampa, localizada por uma pedra meio quadrada nos chama para o estirão final. Vamos escalaminhado, sentindo o maravilhoso gosto de estar com os pés grudados na rocha nua e crua e esse é o momento que tanto esperamos, foi para isso que viemos. Vamos nos curvando à direita até que o caminho é bem óbvio.

                Do nosso lado esquerdo, ao longe a grande cidade de São José dos Campos e todo o Vale do Paraíba e atrás de nós já despontam a cadeia de montanha de Monte Verde, com o Chapéu do Bispo e o selado dominando as grandes altitudes da região. Chegamos na parte em que a pedra é mais plana, mas o cume ainda está mais à frente, sendo necessário cruzar um pouco de mato rasteiro, subir um degrau a atingir de vez de vez seu topo, finalmente na PEDRA DO CARMO com seus 1.433 metros de altitude, talvez um pouco mais, talvez um pouco menos, mas foi o que marcou o GPS.

                Estamos à beira de um abismo gigante, mesmo que não seja possível perceber isso por ser um topo abaulado, mas as fotos tiradas com o drone do Alexandre não nos deixam dúvidas e ainda é possível comprovar isso olhando para a estradinha lá embaixo, na parte sul da pedra, é uma cadeia de montanha realmente impressionante. A oeste também temos uma vista bonita de outro cume proeminente e seus paredões abruptos.

               
               
                Gastamos cerca de 3 horas de caminhada, uma pernada gostosa e descompromissada, em uma montanha que parece não receber gente há muito tempo, não existe nenhum lixo e nem vestígio de que esteja sendo frequentada. Finalmente podemos estar em paz em uma montanha, já que ultimamente as altitudes veem sendo atacadas por arruaceiros sem nenhum compromisso com o montanhismo, aproveitamos o tempinho fresco para tomar um sol, fazer um lanche e jogar conversa fora. O Alexandre botou o drone para voar e lá ficamos por umas duas horas, apenas nos dedicando ao ofício de não fazer nada até que descobrimos que não é possível ser feliz para sempre, botamos as mochilas nas costas e retornamos para o mundo dos homens, porque o feriado acabou e era preciso voltar a ser escravos do sistema.

                A volta foi rápida, sem mais percalços. Quando chegamos de volta na sede da fazenda encontramos os donos por lá, mas não nos disseram nada, então apanhamos nosso veículo e saímos vazados e para nossa infelicidade, pegamos um caminho errado e fomos nos perder numa estrada sem saída e tivemos que retornar, mas depois de reencontrarmos a Cachoeira dos Pretos, pegamos o asfalto e uma 3 horas depois já estávamos estacionados em casa, num canto qualquer perdidos na periferia de Sumaré-SP e o Alexandre foi se perder para o lado de Americana, onde se esconde  há um bom tempo.
                
                O mundo do montanhismo vem passando por uma mudança, estamos vivendo um tempo sombrio, que jamais pensávamos que poderíamos passar. O modismo, causado pelo acesso a informação, tem levado cada vez mais gente para as montanhas e o que poderia ser uma ótima notícia, democratizando o acesso de todos ao mundo selvagem e mais humano, acabou por se tornar um grande problema, levando também os indivíduos toscos que resolveram levar para os cumes os seus costumes cretinos e devastador. Mas também acho que isso não tem mais volta e é preciso que se distribua essa gente, que estão entulhando sempre os mesmos lugares, por sorte ainda podemos contar com lugares mais reservados como a PEDRA DO CARMO e outras montanhas mais selvagens, lugares que essa gente ainda vai demorar muito tempo para descobrir e pelo menos por enquanto, ainda serão nossos refúgios de paz e sossego.

                                                                                                           DIVANEI – JULHO/2019
       


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