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Olá viajante!

Bora viajar?

Uzbequistão Abril 2014: No coração da Rota da Seda

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Deixo aqui meu relato sobre a viagem que fiz neste mês para o Uzbequistão. Aviso desde já que não se trata de uma viagem exatamente mochileira, viajei através de uma agência de viagens uzbeque, mas o esquema é completamente diferente dos pacotes CVC da vida; nada de grandes grupos, guia apressado, que só quer saber de te levar em lojinhas onde eles ganham comissão. O meu "grupo" de viagem era eu e um francês na faixa dos 60 anos, chamado Patrick, que vive na Grécia. Nós dois, mais o motorista (um uzbeque muito gente fina chamado Anwar) formamos uma equipe, então nos deslocamentos (feitos de carro, e não de van ou ônibus), parávamos onde tínhamos vontade, por quanto tempo quiséssemos. Estivemos em Tashkent (capital do país, onde se iniciou a viagem), Samarkand, Bukhara e Khiva, nessa ordem. Fiquei encantado com a riquíssima cultura do país e com a simpatia e hospitalidade dos uzbeques, apesar do país ser considerado um estado policialesco (realmente, para entrar e sair do país é uma burocracia absurda, mas falarei disso mais adiante), e o melhor de tudo é que, apesar de ser um país majoritariamente islâmico, praticamente inexiste fanatismo religioso por lá: nas maiores cidades existem igrejas católicas, evangélicas e até mesmo sinagogas. Isso é possível porque o islamismo lá praticado tem forte influência do zoroastrianismo, religião predominante na Ásia Central antes do advento do Islã, bem como do sufismo, uma variante mais mística e tolerante do islamismo. Vi pouquíssimos mochileiros por lá, primeiramente porque não é dos países mais baratos para se visitar, e segundo porque o governo local não vê com bons olhos viajantes independentes por lá; apesar de tudo, é perfeitamente possível fazer um mochilão, conforme pode ser visto no link a seguir (um blog mantido por um casal de viajantes independentes, que esteve lá por conta própria):

 

http://quatrocantosdomundo.wordpress.com/2011/08/02/as-excentricidades-de-uma-ex-republica-sovietica-chamada-uzbequistao

 

Agora, a respeito das formalidades de entrada no Uzbequistão: brasileiros precisam de visto, porém não há representação diplomática no Brasil; mas não é tão difícil quanto se parece. Caso procure na internet, a informação é que se deve tirar o visto em trânsito, em algum país que tenha embaixada do Uzbequistão, mas não é verdade. No caso dos brasileiros, pode-se pagar pelo visto na entrada do país, mas antes é necessário obter uma carta convite de uma agência de turismo local (recomendo a Advantour, extremamente eficiente e com funcionários muito atenciosos); responde-se a um formulário com cerca de 17 perguntas, escaneia-se o comprovante de passagem de ida e volta (fui pela Turkish Airlines, o jeito mais fácil a partir do Brasil, com conexão em Istanbul) e envia-se por e-mail, tanto o questionário respondido quanto o comprovante de passagem, mais cópia escaneada do passaporte. Depois de mais ou menos duas semanas, a carta convite é enviada por e-mail; ela deve ser impressa e levada na viagem (vai servir como comprovante de que você pegará o visto na entrada do país). Mesmo para quem mora em algum país que tenha embaixada uzbeque, é necessário apresentar a carta convite na embaixada. Na chegada ao aeroporto internacional de Tashkent, antes de passar pelos oficiais da imigração, dirija-se ao balcão escrito VISA, para comprar seu visto (que custa atualmente 60 dólares), eles imprimem o visto no passaporte e só depois disso passa-se pela imigração. Até aí, nada tão complicado. O problema vem logo depois: não há uma seção "Nada a declarar" na alfândega local, todos precisam declarar o quanto têm em espécie ou títulos, e caso possua algum bem de valor, também deve ser declarado. Vc recebe duas cópias de um formulário, preenche as duas exatamente da mesma forma e a alfândega fica com uma das cópias; a outra fica com o viajante. Em hipótese alguma perca este formulário, senão a multa é absurda, podendo até acarretar prisão se o oficial estiver sem paciência (o que não é raro ocorrer). Abaixo segue foto desse formulário:

 

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Além desse formulário, também deve-se guardar os comprovantes de hospedagens de todos os hotéis em que se hospedar (em inglês, registration slip). Todos os hotéis providenciam esses comprovantes na hora do checkout, mas caso esqueçam lembre-os, porque caso falte algum deles, os problemas na hora de sair do país serão grandes. Abaixo, foto de alguns desses comprovantes:

 

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Logo mais escreverei o relato da viagem propriamente dito, aos poucos.

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Oi Juliana. Minha principal motivação era conhecer um país que há pouco mais de vinte anos era vedado a estrangeiros (só após a independência, em 1991, é que foi permitida a entrada de turistas no Uzbequistão), com um rico patrimônio histórico e arquitetônico e que assistiu à invasão de muitos conquistadores, de Alexandre, o Grande a Stalin, passando por Genghis Khan e Tamerlão (bem, esse último era uzbeque mesmo, não invasor, mas conquistou muitas terras); sem contar que tenho uma atração pela região da Ásia Central e também pelo Cáucaso (ainda estou planejando minha viagem à Geórgia, Armênia e Azerbaijão). Quanto aos custos, vou colocar em dólares, para facilitar as contas:

 

-Passagem aérea SP-Tashkent-SP pela Turkish Airlines (com conexão em Istanbul tanto na ida quanto na volta): USD 2324;

-Pacote padrão, com roteiro Tashkent-Samarkand-Bukhara-Khiva, incluindo hospedagem (com café da manhã apenas), deslocamentos, motorista, guias locais, entradas nas atrações turísticas e passagem aérea Urgench-Tashkent: USD 965;

-Taxa de emissão do visto: USD 60;

-Despesas Gerais, de 5 a 12 de abril (alimentação, taxas de permissão para fotografias (sim, em vários lugares é cobrada uma taxa para se poder fotografar), presentes para a família): USD 200

-Total: USD 3549 (3550 para arredondar).

 

Dica: não troque todo o dinheiro de uma vez, senão vai ficar com uma imensidão de notas que não servem para nada fora do país: eu mesmo voltei ao Brasil com 39 mil sum, obviamente em 39 notas de 1000 sum; tive que distribuir para várias pessoas, já que nem na Turquia consegui trocar.

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É bem caro mesmo pra uma viagem curta né? Mas quem sabe um dia... no livro da volta ao mundo do Zeca Camargo (nem recomendo, li por curiosidade de viajante) ele conta o caos da burocracia do Uzbequistão... chega a ser engraçado. E eles viajavam com tralhas de filmagem e ainda foram pela Uzbekistan airlines... que dó, rs.

 

Valeu por compartilhar um relato tão diferente! :)

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Sábado, 12 de abril: Último dia para valer da viagem (se não contar as 3 primeiras horas do domingo que passei no aeroporto de Tashkent, esperando o voo de volta), esperamos a chegada da guia local, marcada para as 9:00h. Um pouco antes da hora marcada, apareceu Sayda, uma senhora de meia-idade bastante falante e simpática, e partimos para o tour. Como disse anteriormente, a parte velha (ou seja, a parte turística) de Khiva é considerada um museu a céu aberto, tamanha a concentração de monumentos arquitetônicos. Ela nos mostrou inicialmente o mapa do que já foi a Rota da Seda, e fiquei surpreso ao constatar que a tal rota não era uma única linha, tinha várias ramificações, passando por lugares como Cazaquistão, Pérsia, Afeganistão, Rússia, etc. Passamos por um dos símbolos da cidade, o Minarete Inacabado (era para ter sido o maior minarete do mundo, mas desistiram na metade do projeto), bem como no mirante localizado em uma madrassah (para se ter uma visão panorâmica da cidade), no antigo palácio do rei de Khorezm (pronuncia-se Rorézm, este nome ainda hoje designa a província onde se situa Khiva, mas a capital é Urgench, cidade bastante moderna e com mais de 200 mil habitantes, a 35km de Khiva), Mesquita Juma (uma das mais antigas do Uzbequistão), e finalizamos próximos do nosso hotel, com o maravilhoso minarete Islam Khoja. Às 15:00h, tínhamos terminado o tour e fiquei depois disso andando a esmo pela cidade, pois sairíamos por volta das 19:00h do hotel, em direção ao aeroporto de Urgench. Aproveitei esse tempo para comprar algumas lembrancinhas e acessar a internet no centro de atendimento ao turista. Quando chegou a hora, pegamos a estrada até Urgench para voarmos novamente para Tashkent, num voo da Uzbekistan Airways. Li aqui na net que essa companhia é considerada uma das piores do mundo e constantei que tal fama realmente é justificada: um avião caindo aos pedaços, cujos bancos reclinavam para a frente completamente se não havia ninguém sentado neles, e que balançou bastante durante a 1 hora e meia de voo. Chegamos no terminal doméstico de Tashkent, e já tinha um motorista nos esperando para nos levar ao terminal internacional (não ficam juntos; dá uns 10 minutos de carro de um terminal a outro) e, lá chegando, passamos novamente pela absurda burocracia uzbeque para podermos sair do país. Passamos pelo raio-X três vezes: para entrarmos no aeroporto, na alfândega (onde deixamos o formulário de declaração, mas tivemos que preencher outro mesmo assim) e finalmente para podermos entrar nos portões de embarque. Às 3:05h o avião decolou em direção a Istanbul. Após umas 5 horas de voo, chegamos e me despedi de Patrick e fiquei aguardando as 3 horas e meia restantes para retornar ao Brasil. Abaixo, seguem fotos de Khiva:

 

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Mapa mostrando o que era a Rota da Seda.

 

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Minarete Inacabado; juntamente com o minarete Islam Khoja, são os maiores símbolos de Khiva.

 

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Um dos quatro portões de entrada para a cidade velha de Khiva.

 

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Vista panorâmica de Khiva a partir do mirante.

 

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Já que se está na Rota da Seda, tem que ter seda! Casulos de bicho da seda.

 

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Mesquita Juma, uma das mais antigas do país.

 

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O magnífico minarete Islam Khoja.

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Juliana, eu também li esse livro; o Zeca Camargo conta que quando eles saíram da Índia em direção ao Uzbequistão, o funcionário da companhia aérea só permitiria a entrada deles no avião se pagassem uma "contribuição" para ele, e em dinheiro vivo; quando argumentaram que ia demorar uma meia hora para levantarem o montante em espécie e que perderiam o voo, o cidadão respondeu, na cara dura, que o avião só decolaria quando ele mandasse. Bem típico...

  • 2 semanas depois...
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Marcos, quando vi seu relato a primeira coisa que pensei foi: "UZBEQUISTÃO?" ::essa::

Mas quando li seu relato vc mudou minha linha de pensamento, é um lugar no mínimo interessante para se conhecer e bonito também.

Parabéns pelo seu relato, está muito bacana!

  • 1 ano depois...
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Para o visto é pedido foto? Muito obrigada pela materia incrivel, estou com viagem marcada para lá e suas informações são uteis demais.

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Oi Anna, no processo para obtenção do visto me pediram foto tamanho passaporte, tirei e levei, mas no fim não foi necessário. Mas, por via das dúvidas, é melhor tirar.

  • 5 meses depois...
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Oi Marcos com muita alegria li até as vírgulas do seu relato.rsrsrs. Irei ao Uzbequistão, Turcomenistão e Tajiquistao dia 14 de abril próximo e, como faço em todas minhas viagens, estou confeccionando o "meu guia", por isto garimpo todas informações que consigo e as suas são muito boas e seguramente las utilizarei. Dos 3 países o Uzbe é o que mais me entusiasma. Você já leu Nas Fronteiras do Isla"? Tem vários capítulos sobre o país, só consegui o livro num sebo mas valeu. A cerca do Turcomenistão e Tajiquistao não consegui livro nenhum. Você se refere ao seu desejo de conhecer o Cáucaso - Armênia, Geórgia e Azerbaijão, fiz esta viagem em maio do ano passado e foi a melhor até hoje. Baku no Azerbaijao foi a cereja do doce. Muito obrigada e uma mochila de Abraços.

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Oi Berenice, que bom que vc vai visitar a Ásia Central, uma das regiões que eu considero entre as mais fascinantes do mundo. Não li esse livro, mas ouvi falar dele; agora quero muito conhecer o Tajiquistão, o "estranho no ninho" da Ásia Central (enquanto Uzbequistão, Turcomenistão, Cazaquistão e Quirguízia são países etnicamente relacionados aos turcos, o Tajiquistão é persa, assim como Irã e Afeganistão). Você está indo por conta própria ou excursão? Se for por conta própria, vale ressaltar que Uzbequistão e Tajiquistão são países com problemas diplomáticos, e não é raro a fronteira terrestre entre esses dois países fechar. No Youtube vc consegue achar vários vídeos (em inglês) sobre esses países, como por exemplo:

 

 

 

 

 

Quanto ao Cáucaso, eu visitei apenas a Geórgia, um país que eu gostei demais. Infelizmente, Armênia e Azerbaijão ainda vai demorar um pouco para eu visitar.

  • 9 meses depois...
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Boa tarde,

 

Meu camarada eu estou pensando em fazer um roteiro de uns 30-40 dias pelos "stans" (menos Tajiquistão).

Pelo que eu percebi você ficou 7 dias "líquidos" no Uzbequistão (contando que no primeiro dia vc nada fez). Achou o tempo suficiente, dá para comprimir um pouco mais ou é melhor estender? Caso haja mais coisas imperdíveis ainda conseguiria chegara até uns 8-9 dias (efetivos).

Minha ideia seria vir pelo Cazaquistão e sair pelo Turcomenistão... Será que rola?

 

Quanto aos gastos: Do momento em que você pisou no país até o embarque de volta, incluindo tudo, saiu por quando mais ou menos em Dólares?

 

Outra coisa: Ví que vc fez tudo com tour... Dá para fazer sozinho as coisas?

 

Obrigado

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