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Marcos H. O. Souza

Uzbequistão Abril 2014: No coração da Rota da Seda

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Que demais, país tão diferente.

Pq escolheu ir pra lá? Algum motivo específico? Eu achei que o único turista que tinha pisado lá tinha sido o Zeca Camargo na sua volta ao mundo, hahauaha!

 

E depois que terminar, vc pode nos dar ideia de custos?

:)

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Oi Juliana. Minha principal motivação era conhecer um país que há pouco mais de vinte anos era vedado a estrangeiros (só após a independência, em 1991, é que foi permitida a entrada de turistas no Uzbequistão), com um rico patrimônio histórico e arquitetônico e que assistiu à invasão de muitos conquistadores, de Alexandre, o Grande a Stalin, passando por Genghis Khan e Tamerlão (bem, esse último era uzbeque mesmo, não invasor, mas conquistou muitas terras); sem contar que tenho uma atração pela região da Ásia Central e também pelo Cáucaso (ainda estou planejando minha viagem à Geórgia, Armênia e Azerbaijão). Quanto aos custos, vou colocar em dólares, para facilitar as contas:

 

-Passagem aérea SP-Tashkent-SP pela Turkish Airlines (com conexão em Istanbul tanto na ida quanto na volta): USD 2324;

-Pacote padrão, com roteiro Tashkent-Samarkand-Bukhara-Khiva, incluindo hospedagem (com café da manhã apenas), deslocamentos, motorista, guias locais, entradas nas atrações turísticas e passagem aérea Urgench-Tashkent: USD 965;

-Taxa de emissão do visto: USD 60;

-Despesas Gerais, de 5 a 12 de abril (alimentação, taxas de permissão para fotografias (sim, em vários lugares é cobrada uma taxa para se poder fotografar), presentes para a família): USD 200

-Total: USD 3549 (3550 para arredondar).

 

Dica: não troque todo o dinheiro de uma vez, senão vai ficar com uma imensidão de notas que não servem para nada fora do país: eu mesmo voltei ao Brasil com 39 mil sum, obviamente em 39 notas de 1000 sum; tive que distribuir para várias pessoas, já que nem na Turquia consegui trocar.

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É bem caro mesmo pra uma viagem curta né? Mas quem sabe um dia... no livro da volta ao mundo do Zeca Camargo (nem recomendo, li por curiosidade de viajante) ele conta o caos da burocracia do Uzbequistão... chega a ser engraçado. E eles viajavam com tralhas de filmagem e ainda foram pela Uzbekistan airlines... que dó, rs.

 

Valeu por compartilhar um relato tão diferente! :)

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Sábado, 12 de abril: Último dia para valer da viagem (se não contar as 3 primeiras horas do domingo que passei no aeroporto de Tashkent, esperando o voo de volta), esperamos a chegada da guia local, marcada para as 9:00h. Um pouco antes da hora marcada, apareceu Sayda, uma senhora de meia-idade bastante falante e simpática, e partimos para o tour. Como disse anteriormente, a parte velha (ou seja, a parte turística) de Khiva é considerada um museu a céu aberto, tamanha a concentração de monumentos arquitetônicos. Ela nos mostrou inicialmente o mapa do que já foi a Rota da Seda, e fiquei surpreso ao constatar que a tal rota não era uma única linha, tinha várias ramificações, passando por lugares como Cazaquistão, Pérsia, Afeganistão, Rússia, etc. Passamos por um dos símbolos da cidade, o Minarete Inacabado (era para ter sido o maior minarete do mundo, mas desistiram na metade do projeto), bem como no mirante localizado em uma madrassah (para se ter uma visão panorâmica da cidade), no antigo palácio do rei de Khorezm (pronuncia-se Rorézm, este nome ainda hoje designa a província onde se situa Khiva, mas a capital é Urgench, cidade bastante moderna e com mais de 200 mil habitantes, a 35km de Khiva), Mesquita Juma (uma das mais antigas do Uzbequistão), e finalizamos próximos do nosso hotel, com o maravilhoso minarete Islam Khoja. Às 15:00h, tínhamos terminado o tour e fiquei depois disso andando a esmo pela cidade, pois sairíamos por volta das 19:00h do hotel, em direção ao aeroporto de Urgench. Aproveitei esse tempo para comprar algumas lembrancinhas e acessar a internet no centro de atendimento ao turista. Quando chegou a hora, pegamos a estrada até Urgench para voarmos novamente para Tashkent, num voo da Uzbekistan Airways. Li aqui na net que essa companhia é considerada uma das piores do mundo e constantei que tal fama realmente é justificada: um avião caindo aos pedaços, cujos bancos reclinavam para a frente completamente se não havia ninguém sentado neles, e que balançou bastante durante a 1 hora e meia de voo. Chegamos no terminal doméstico de Tashkent, e já tinha um motorista nos esperando para nos levar ao terminal internacional (não ficam juntos; dá uns 10 minutos de carro de um terminal a outro) e, lá chegando, passamos novamente pela absurda burocracia uzbeque para podermos sair do país. Passamos pelo raio-X três vezes: para entrarmos no aeroporto, na alfândega (onde deixamos o formulário de declaração, mas tivemos que preencher outro mesmo assim) e finalmente para podermos entrar nos portões de embarque. Às 3:05h o avião decolou em direção a Istanbul. Após umas 5 horas de voo, chegamos e me despedi de Patrick e fiquei aguardando as 3 horas e meia restantes para retornar ao Brasil. Abaixo, seguem fotos de Khiva:

 

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Mapa mostrando o que era a Rota da Seda.

 

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Minarete Inacabado; juntamente com o minarete Islam Khoja, são os maiores símbolos de Khiva.

 

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Um dos quatro portões de entrada para a cidade velha de Khiva.

 

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Vista panorâmica de Khiva a partir do mirante.

 

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Já que se está na Rota da Seda, tem que ter seda! Casulos de bicho da seda.

 

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Mesquita Juma, uma das mais antigas do país.

 

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O magnífico minarete Islam Khoja.

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Juliana, eu também li esse livro; o Zeca Camargo conta que quando eles saíram da Índia em direção ao Uzbequistão, o funcionário da companhia aérea só permitiria a entrada deles no avião se pagassem uma "contribuição" para ele, e em dinheiro vivo; quando argumentaram que ia demorar uma meia hora para levantarem o montante em espécie e que perderiam o voo, o cidadão respondeu, na cara dura, que o avião só decolaria quando ele mandasse. Bem típico...

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Marcos, quando vi seu relato a primeira coisa que pensei foi: "UZBEQUISTÃO?" ::essa::

Mas quando li seu relato vc mudou minha linha de pensamento, é um lugar no mínimo interessante para se conhecer e bonito também.

Parabéns pelo seu relato, está muito bacana!

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Curti muito o seu relato.

Sou louco por países pouco conhecidos e pela rica cultura que não temos acesso ou quando temos de forma deturpada pela imprensa.

 

Belas fotos.

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Para o visto é pedido foto? Muito obrigada pela materia incrivel, estou com viagem marcada para lá e suas informações são uteis demais.

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Oi Marcos com muita alegria li até as vírgulas do seu relato.rsrsrs. Irei ao Uzbequistão, Turcomenistão e Tajiquistao dia 14 de abril próximo e, como faço em todas minhas viagens, estou confeccionando o "meu guia", por isto garimpo todas informações que consigo e as suas são muito boas e seguramente las utilizarei. Dos 3 países o Uzbe é o que mais me entusiasma. Você já leu Nas Fronteiras do Isla"? Tem vários capítulos sobre o país, só consegui o livro num sebo mas valeu. A cerca do Turcomenistão e Tajiquistao não consegui livro nenhum. Você se refere ao seu desejo de conhecer o Cáucaso - Armênia, Geórgia e Azerbaijão, fiz esta viagem em maio do ano passado e foi a melhor até hoje. Baku no Azerbaijao foi a cereja do doce. Muito obrigada e uma mochila de Abraços.

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