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Vanilsa Potira

Trekking na Serra Grande – Cantá – Roraima – Brasil

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Olá pessoal, tudo bem? Aqui estou eu novamente divulgando mais uma atração da natureza de Roraima para os aventureiros e praticantes de trilha. Agora, descrevo o trekking que eu e um grupo de treze amigos mochileiros amantes de aventuras e da natureza fizemos na Serra Grande, um lugar cheio de mistérios e belezas naturais que oferece vegetação de floresta primária, diversidade de cachoeiras e piscinas naturais na trilha. Durante a sua subida, contempla-se a floresta exuberante, variedade de fauna e flora. Enfim, um local propício para quem busca desafios e aventuras em meio a uma floresta tropical e bem próximo da cidade, pois ao longe é possível avistar as cidades de Boa Vista e de Mucajaí.

 

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Localizada no município do Cantá, a Serra Grande está distante aproximadamente 50 km de Boa Vista, capital do Estado de Roraima. Para chegar até o local é necessário se deslocar pela BR-401, pela RR-206 e pela Vicinal do Rio Branco até chegar ao sítio de Seu Onédio, às margens de um refrescante Igarapé. Esse local foi a base de apoio para nós, onde chegamos no dia 16 de Maio passado, sexta-feira à noite, para pernoitarmos e iniciar a subida a partir das 6 horas da manhã do dia seguinte.

 

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Paulino, um dos mochileiros que fez o trekking comigo no Monte Roraima no carnaval deste ano, foi o guia dessa trip, pois ele já subiu inúmeras vezes a serra. Quando chegamos, ele nos apresentou ao casal dono do sítio e depois jantamos uma deliciosa galinha caipira, além de ovos caipiras fritos! Pela janta pagamos R$ 130,00 para seu Onédio. Em seguida, este nos deu orientações de locais para atar nossas redes e, depois, Paulino nos informou acerca do percurso da trilha e o tempo que levaremos para subir, que podia durar em média umas três horas, dependendo do número de interrupções durante a caminhada.

 

Após as informações iniciais dividimos entre nós o peso dos nossos mantimentos para não sobrecarregar ninguém. Como resolvemos passar dois dias na serra, levamos alimentos de fácil preparo como carnes e linguiças secas, biscoitos, pães, comidas e bebidas instantâneas. Levamos também equipamentos como barracas, redes, cordas e lonas e outros utensílios necessários para um camping selvagem.

 

No dia seguinte, por volta das 5h30min da manhã estávamos todos de pé e logo, após um rápido café, iniciamos a caminhada que seguiu por áreas planas na base da serra, sem nenhum nível de dificuldade que se mostrou como um aquecimento para a musculatura (risos). Depois de mais ou menos uns 20 minutos caminhando, a parte plana da Serra Grande foi ficando para trás e começaram as inclinações que dificultaram a caminhada. Aliás, a subida tem graus de dificuldade variados.

 

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Encontramos uma trilha bastante íngreme, em que tivemos que caminhar e saltar sobre troncos, pedras, cruzar riachos e outros obstáculos naturais que exigem atenção redobrada para que se evitem acidentes. Os braços e as mãos passaram a ser mais exigidos e a solidariedade entre nós foi cada vez mais necessária, principalmente ao saltar sobre a pedras.

 

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Quase três horas depois, começamos a vislumbrar o Rio Branco do alto da serra. No percurso visualizamos também formações geológicas com rochas sedimentares e vulcânicas, diversos tipos de orquídeas e bromélias, atravessamos piscinas naturais, cachoeiras e uma flora intocada.

 

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Existem diversas espécies de animais que vivem na serra, dentre estes, estão as onças, queixadas, quatis, diversas espécies de pássaros, etc. Não encontramos nenhum deles no caminho de ida. Mas, confesso que fiquei morrendo de medo de esbarrarmos com uma onça (risos).

 

Durante a caminhada, suamos bastante e a cada riacho que encontrávamos sempre parávamos para dar um mergulho. A água limpa e cristalina, além de saciar nossa sede (que tivemos o cuidado de tratar com hipoclorito de sódio), refrescou e aliviou nosso cansaço e recompensou as horas de subida. Com várias paradas para descanso, levamos quase cinco horas para chegar no local do acampamento.

 

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A Serra Grande tem 923 metros de altura mas, por questões de segurança, os visitantes montam acampamento acima da principal cachoeira do lugar, a Excalibur, que fica a 500 metros do pé da serra. Nesse local, já tem um acampamento montado de forma improvisada e vários utensílios de cozinha. Achei legal, pois os visitantes já podem contar uma área de acampamento para apoio e permanência e assim não ter que carregar tanto peso.

 

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Chegamos no referido local próximo do meio-dia e depois de montar acampamento, fomos preparar o almoço com carne seca assada e arroz. Estávamos famintos! A subida foi bastante cansativa, mas valeu a pena cada esforço e sacrifício para escalar as enormes rochas, as paradas para o descanso forma essenciais para a contemplação da beleza infinita da serra. Após o almoço, alguns foram tomar banho no riacho, na cachoeira (que não estava tão caudalosa), fazer fotos ou tirar uma soneca.

 

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No final da tarde, preparamos uma sopa, e depois andamos alguns metros acima, sobre uma rocha gigante, para contemplar a paisagem e as curvas do Rio Branco (o principal rio que banha vários municípios de Roraima, inclusive a capital, Boa Vista). Desse ponto, no final da tarde, sentamos nas pedras e esperamos um espetáculo da natureza: o pôr-do-sol. Mas, nesse dia, não tivemos sorte, pois havia muitas nuvens no céu. Porém, desse lugar, o reflexo dos poucos raios solares no Rio Branco e o verde da mata nativa nos deram um belo retrato. Imaginem se tivéssemos visto o Sol se pôr!!.

 

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Então, após a janta, voltamos para o ponto supracitado, fizemos uma fogueira e passamos parte da noite ao redor da fogueira. Henrique (este também estava comigo no trekking ao Monte Roraima) levou o violão e cantamos várias músicas enquanto aguardávamos a chegada da lua, que também não apareceu (risos) devido ter muitas nuvens no céu. Foi muito agradável ficar ali contemplando a noite e o papo entre os amigos nos intervalos de cada música, o que fez com que interagíssemos um com outro e firmando nossa amizade que iniciou-se na excursão ao Monte Roraima, no carnaval deste ano. Mas, o vento estava muito forte e frio naquele ponto e a fogueira não foi o suficiente para nos aquecer, assim, antes de meia-noite, resolvemos voltar para o acampamento e dormir.

 

No dia seguinte, resolvemos descer a serra após o almoço. Depois do café da manhã, fizemos uma breve caminhada para conhecer outros pontos de acampamento na serra. Ao voltarmos, fomos para o mesmo local da noite anterior e fizéssemos várias sessões de fotos.

 

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Depois voltamos para fazer o almoço e desmontar acampamento para iniciarmos a descida. Levamos cerca de três horas para descer a Serra Grande. E, no final, encontramos um jabuti caminhando na trilha. Lindo! Claro que deixamos ele seguir seu caminho (risos).

 

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Ressalto, ainda, que trouxemos o lixo que produzimos no acampamento e também o que encontramos pelo caminho. Ficamos um pouco indignados com aqueles viajantes que descartaram seus lixos na trilha. Acreditamos que aqueles que curtem cada passo de uma trilha para contemplar a natureza não desejam encontrá-la poluída. Assim, desejamos sempre encontrar a Serra Grande linda e limpa!

 

Eu, particularmente, gostei muito da trilha. Ela é desafiadora tanto para os viajantes mais experientes assim como para os menos experientes em trilhas. É preciso preparo físico e outros cuidados para que a expedição na serra não se torne mais difícil ainda. Mas, nosso grupo existem pessoas saudáveis e fortes, como Dona Ana e Dona Francisca, duas senhoras que estão na melhor idade que realizaram a escalada no mesmo nível que os demais. Ana, também compôs a turma que fez o trekking ao Monte Roraima, e Francisca é mãe da minha amiga Angélica, que também estava na excursão citada. Vale lembrar que todos nós, com exceção do Paulino, subimos pela primeira vez essa serra.

 

Além da boa disposição, uma das principais recomendações é levar apenas o necessário, para evitar carregar muito peso, o que pode atrapalhar durante a caminhada. Outro cuidado é com os animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões, pode-se levar um contraveneno (específico pessoa). Para quem pretende dormir na serra, são recomendados mochila apropriada, saco de dormir e isolante térmico, barraca de camping ou rede, lanterna, protetor solar, repelente, tênis resistentes e adequados para a escala, sandálias, cantil, hipoclorito de sódio e material de higiene pessoal. Reforço a necessidade de acompanhamento de alguém que conheça o local e os atalhos porque a trilha não é bem marcada e há riscos de se perder e de acidentes graves.

 

Assim, finalizo o relato de mais uma trilha com a intenção de contribuir com informações para aqueles que gostariam de conhecer a Serra Grande. É possível fazer a caminhada em um dia, tipo bate e volta. Mas, acredito que para isto é necessário ter boas condições físicas e um pouco mais de experiência. Paulino, por exemplo, leva cerca de uma hora para subir a serra. Nosso grupo levou quase cinco horas, porque houve compreensão com aqueles que seguiram no seu próprio ritmo. E para quem curte, bivaque é uma boa opção, pois existem várias árvores próximas que servem de apoio.

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Muito legal, Vanilsa, você continuar divulgando as trilhas da sua região. E que ótimo que a amizade que nasceu no Monte Roraima está rendendo, não é? Infelizmente temos bem poucas postagens de relatos da região norte aqui no fórum e a sua contribuição é sempre muito bem-vinda.

Abs

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Vanilsa parabéns seu relato, esta maravilhoso, igual a esse pedaço de chão

que é uma grande maravilha...nosso lugar...nossa terra .Fiquei encantado com tamanha beleza,

fiquei muito feliz de dividir esse momento de aventura e felicidade,sou grato a DEUS, por me proporcionar dividir esses momento com vocês AMIGOS MOCHILEIROS

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::otemo:: Lindas a fotos... morei anos ai no Estado, subi o Monte Roraima, porém nunca fui à Serra grande, mas agora não vou deixar de ir quando visitar Roraima. Muito boa sua iniciativa. Parabéns.

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Muito bom o relato,... confesso q ia escrever o meu relato... subi em Março só eu e um amigo meu e acampamos no topo da Serra mesmo. Fiquei indignado com a quantidade de lixo na trilha, talvez pela cultura de trekking ainda nao ser tão difundida aqui pelas bandas da regiao norte(sou de manaus) e ainda se encontra muito lixo em nossas trilhas. Td lixo q eu e meu amigo prdouzimos foi trazido de volta e inclusive algum pouco do lixo da trilha. Com relação a água. tivemos bastante dificuldade, pois havia 3 meses q nao chovia na regiao e so fomos abastecer os cantis já proximos ao cume. Inclusive o riacho caudaloso, proximo aquela Samauma estava td seco!!!

Mas sem mais, é uma aventura única e bastante exigente. A trilha é td íngreme e diversos pontos de mini escaladas. confesso q a noite houve certo receio com relação a Dona Onça, heheh pois no topo o lugar de acampamento é todo cercado por mato. Mas vale muito a pena quem estiver andando por esses lugares.

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