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Relato de Viagem RTW / (Volta ao mundo)


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Opa, a viagem foi boa d+!

Nem consegui fazer tudo o que queria, faltaram dias, principalmente na Nova Zelandia. Menos mal, agora tenho motivos pra voltar lá!!!!

 

Que legal a foto do elefante sair na revista, vai ver eles pegaram aqui do fórum e esqueceram de lhe dar os créditos, rsrs.

 

E o pc, já tá funcionando? Conseguiu exorcisá-lo ou só comprando um novo?´

 

Outra rtw??? Q massa, daqui a pouco vc já tá fazendo elas de olhos fechados!!!

 

Continuo acompanhando o relato e, vamos ver, quando estiver fazendo o roteiro da próxima dá um tok!!!

 

Abraço.

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Faaaaaala brother, tudo bem ?

 

NZelândia é assim mesmo, o país é pequeno mas tem tanta coisa pra fazer que o tempo passa muito rápido. Por isso que eu disse que países como Tailândia e NZelândia valem uma viagem apenas pra eles, muita coisa pra ver e fazer.

 

Coincidência a foto do elefante, né ? Quisera eu um dia poder tirar uma foto daquelas ! rsrs Mas foi outra matéria, outra foto, outro fotógrafo, só o elefante era o mesmo. Até estranhei ter saído uma matéria dessas no Brasil porque as revistas de mergulho daqui competem com as revistas brasucas de viagem e turismo quando o assunto é (falta de) originalidade.

 

Pois é meu caro, troquei de exorcista (acho que o último ficou com medo) e o micro finalmente vai ser consertado, esse novo exorcista já levou o pc e estou na espera. Falei com ele esses dias e perguntei se rolou uma sessão de exorcismo igual aquela do filme “Constantine”, ele disse que quase, mas formatou tudo antes... rsrs

 

Com o micro exorcizado vai dar pra terminar o relato finalmente. Nada muito certo mas já estou desenhando o roteiro de uma possível RTW, tá um sufoco encaixar o roteiro que eu quero no preço que eu procuro (o preço da RTW tem que equivaler mais ou menos ao de uma mochilada pela Europa, mas eu tomo isso apenas como um benchmark, nada de neura ou perseguição à todo custo afinal tem tantas variáveis envolvidas que fica dificil ter uma noção muito certa da coisa), vamos ver se vai dar certo mas com ou sem RTW eu quero muito voltar para a África esse ano.

 

Abraço,

 

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  • 2 semanas depois...
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Olá!

Agora concordo plenamente contigo. NZ vale uma viagem apenas para ela, já a Tailândia não posso dizer ainda por que ainda não conheço, mas vou levar em consideração a sua afirmação de que também vale uma viagem só pra ela.

 

E o PC, tudo certo já??? Achou o exorcista perito no demo que assolava ele??? Espero que sim.

 

E a sua nova rtw? No caminho certo? Conseguiu encaixar o roteiro no preço que procura?

 

T+

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Fala brother, beleza ?

 

Pois é, ocorreu um problema serissimo na familia e agora não sei se a RTW rola esse ano ou não. Tanto é que até parei de pesquisar, ficou em stand by por enquanto mas em breve tenho que decidir porque o tempo urge e se demorar demais embola o meio de campo. De certo mesmo só um bate-e-volta rápido em Miami para passar o carnaval e dá uma aliviada na cabeça pq as 2 últimas semanas foram complicadas.

 

O micro foi exorcizado !!!! Achei um outro exorcista mais corajoso (o outro amarelou...) que levou o PC e vai me devolver zerado da Silva (foi esse o acordo), vamos ver se vai dá certo, arrumando ele eu volto pro relato.

 

Abraço

 

Virunga

 

PS.: Boas novas, o exorcista II ligou nesse exato momento e acho que agora sai ! Hoje voltarei a ficar com micro em casa de novo, demorou mas saiu !

 

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  • 1 mês depois...
  • Membros

Oi Pessoal, tudo bem ?

 

Não tinha me ligado que havia mais de 3 meses que eu não atualizava meu relato devido a uma série de coisas, o que significa que o último trecho relatado da trip foi no distante ano passado, que cosa triste !

 

Foi mal moçada e praqueles corajosos que acompanham desde o começo eu prometo terminar o relato (já falei o que acho de relatos e blogs que ficam pelo meio, né ?), só não sei muito bem quando mas tá próximo, ainda mais agora com meu micro devidamente exorcizado.

 

Ok, chega de papo e simbora pra Bora, mora !

 

Spread it. Turn it up !

 

Boracay é uma badalada ilhota em forma de joystick famosa por abrigar uma das praias mais bonitas do mundo (pausa para arrumar a garganta) e uma noitada bastante agitada.

 

Apesar de uma certa decepção com o que eu encontrei na minha passagem por lá, não havia motivo para desânimo afinal chato mesmo é passar finais de semana em Brasília. Com o tempo, além do visual bonito e os preços convidativos, eu descobri alguns lugares bacanas entre as centenas de estabelecimentos comerciais sendo mais da metade só de comida.

 

Falando nisso percebi também que ali tinha restaurantes muito bons mesmo eu passando longe de freqüentar o clube da pança e não curtir muito essas viadagens de alta gastronomia (já falei o que eu acho desses tais foodies, né ?). Pra mim, 93,17% de quem curte é formada de gente pobre metida a rica - algo tipicamente brasileiro - aquele povo que come ovo cozido a vida toda mas insiste em arrotar caviar Beluga ou trufas brancas.

 

Assim como em alguns lugares praianos de veraneio, os restaurantes em Boracay exibiam os peixes teoricamente frescos que foram pescados teoricamente no mesmo dia e que ficavam expostos sobre mesas onde o cliente podia escolher o que quisesse comer, eram verdadeiros buffets a céu aberto.

 

Eu não encarei os tais suspeitos buffets, preferi as cervejas locais San Miguel enquanto assistia mais um por do sol daqueles. Repararam no nome espanhol “San Miguel” da cerveja local, né ? Um nome de cerveja assim num país asiático mostra bem o quão singular o país é.

 

Mesmo sendo baixa temporada ainda havia alguma coisa acontecendo, tédio em lugares tropicais de veraneio dificilmente rola, desde que não esteja chovendo, e se fosse para eu escolher um lugar para passar tédio ao invés de férias eu iria para...sei lá...pro Canadá talvez ?

 

Também havia desencanado daquela hipótese maluca e precipitada de antecipar minha ida para a Tailândia, sabia que se insistisse nisso iria me meter numa bela enrascada e perder um tempão entre deslocamentos que eu não estava nem um pouco a fim de encarar e já que é assim, preferi deixar pra lá e tentar curtir um pouco do lugar onde eu estava. Como falei antes, esse negócio de perder um precioso tempo trocando de lugares à toda hora eu deixo para quem quer conhecer a Europa toda em um único mês. Ou menos.

 

O negócio é dar tempo ao tempo, às vezes a primeira impressão sobre um determinado lugar não é das melhores mas quem sabe depois a coisa melhora um pouco ?

 

Aproveitando o gancho, vejam só o que aconteceu comigo nesse último carnaval. Xiii, pode sentar que lá vem mais conversa fiada. E tirem as crianças da sala !!

 

Aproveitando uma tarifa condizente com a minha realidade (leia-se baixa renda) que apareceu aqui no sertão (Brasilia), nesse carnaval fiz um bate-e-volta rápido para Miami.

 

Cheguei lá no sábado à noite com direito a atraso de três horas no aeroporto e chovendo a cântaros (pobre viajando tem disso, a lei de Murphy sempre dá um jeito de ir junto na mochila) mas tudo bem, só o fato de poder ir para um lugar legal e inédito longe do carnaval brasuca já estava bom demais.

 

Geralmente o dia da chegada e/ou saída numa viagem é praticamente perdido, mas num puro golpe de sorte naquela mesma noite eu conheci quase uma dúzia de beldades americanas numa tacada só, todas num warming up pré-balada durante um pitstop numa lotada lanchonete que vendia o “melhor hamburger de Miami” segundo a propaganda de jornais e revistas pendurados em quadros na parede. O que um jabá bem feito não faz, né ?

 

Sempre tem uns bobos que caem, esse que vos fala, por exemplo. Eu caí em Miami com o tal “melhor hamburger de Miami” e em Los Angeles com o “melhor hotdog de LA”. Mas aqui entre nós, eu só caio nessas furadas para vocês não caírem... :wink:

 

PQP, estou em Miami !!!! Se continuar assim eu não volto mais pro Brasil !”, pensei comigo mesmo, afinal não tinha nem meia hora que tinha chegado e já tomei banho de chuva, cruzei com uma fauna humana maluca, alto astral e vi um monte de carrões maneiríssimos.

 

Me senti no paraíso e olha que eu nem tinha ido a praia ainda, pra falar a verdade nem sabia pra que lado ela ficava...a velha história do GPS interno inexistente. E o melhor de tudo, conheci aquele grupo de estudantes jovens, gatas e extremamente simpáticas, rolou até um convite para conhecer a capital daquele país pois uma das jovens beldades era de lá.

 

Já falei que tô longe de tá com essa bola mas um prenúncio de viagem desses tava bom demais, só me restou lembrar daquela música :

 

Now I'm feelin´ so fly like a G6

Like a G6, Like a G6

Now I'm feelin´ so fly like a G6

 

Tá bom, chega. O médico pediu para não contrariar então nada de abusar.

 

Mas como alegria de pobre dura pouco, no dia seguinte saí pronto para explorar a famosa South Beach, domingão de sol com praia cheia, mar azul e os bares bombando logo cedo e qual não foi a minha surpresa quando eu cruzei com uma rave em que parecia que a bicharada toda do mundo estava presente, só tinha bicha rica e bicha velha também.

 

Até ali não sabia o que estava acontecendo mas de longe dava pra ver que era uma estrutura gigante da onde vinha uma música (muito boa, por sinal) com volume alto bombando nas caixas de som no meio da praia.

 

Atraído pelo som bacana caminhei até a areia para ver qual era da muvuca e quando cheguei lá tinha palco coberto, música, dançarinos fantasiados rebolando, centenas de marmanjos marombados com trejeitos suspeitos e tudo isso ficava dentro de um cercado gigante. Pois é, aquilo ali nada mais era do que um curral dançante pra [email protected]

 

Era uma típica “festa estranha com gente esquisita” mas antes dos mais maldosos pensarem alguma coisa...não, não me lembrei das forças aéreas de Kadafi. Não, não tenho o telefone do Kadafi e para finalizar não, não imaginei o que as forças aéreas de Kadafi despejariam ali caso sobrevoassem a área. E sim, deixem os padeiros distraídos (*) se divertirem afinal o sol nasceu pra todos ! Mas que tem pai que é cego...

 

Se a Cindy Lauper aparecesse por lá poderia cantar aquele sucesso dela mas teria que mudar a letra da música para algo como “gays just wanna have fun”. Tinha boiola de tudo quanto era tipo, cor, idade, raça, credo e tamanho, até japinha. Efeito da radiação em Fukushima ? Não creio pois a tragédia que chacoalhou, literalmente, a Terra do Sol Nascente ocorreu depois do carnaval.

 

Tudo bem que “cada um que tome conta do seu buraco”, como diria o Ozônio, mas me senti lesado, enganado e desapontado e cogitei seriamente em voltar pra casa na mesma hora quando disse em alto e bom som para quem quisesse e não quisesse ouvir : “Peraí, meu destino era Miami Beach e não Miami Bicha !!!!!”

 

Passado o choque inicial era hora de me mandar dali e aproveitando que já estava na areia da praia mesmo e com o bonito e convidativo oceano escancarado logo ali na frente eu pensei seriamente em me atirar no mar e tentar chegar em alguma ilha caribenha à nado mas depois de considerar meus dotes de navegação sabia que se fizesse isso com o intuito de chegar em Cuba ou alguma outra ilha paradisíaca do Caribe era bem provável que eu terminaria, sei lá, na África ou quem sabe na Europa pois senso direção não é o meu forte, já que é assim essa hipótese estava temporariamente descartada. Além do mais eu estava sem pés-de-pato (nadadeiras). E o passaporte iria molhar na travessia... :wink:

 

Se pelo menos houvesse algum navio daqueles de cruzeiros que fazem curtas viagens de bate-e-volta para o Caribe eu poderia tentar pegar uma carona com eles, sei lá, iria atrás à nado mesmo, o negócio era sair dali.

 

Outra alternativa que me veio à cabeça seria tentar pegar o primeiro vôo para Nova Iorque (tô louco para voltar praquela cidade para explorar um pouco mais e comprar uns ternos. Metido, eu ? Não, econômico mesmo) porém...de novo...nada de decisões precipitadas, pela época do ano acho que o clima na Grande Maçã estaria bem frio e eu de bermuda e havaianas no Central Park não iria pegar bem.

 

Como desgraça pouca em Miami é bobagem (falei que pobre viajando é uma coisa mesmo...) assim que percebi que minhas alternativas estavam sendo aniquiladas pela cruel realidade dos fatos, tinha que procurar outro lugar e sair fora daquela área com um evento rolando para homo viadus, dei meia volta e me mandei dali o mais rápido possível.

 

Escolhi uma direção e comecei a caminhar até encontrar um lugar teoricamente mais calmo, sentei na mureta da promenade (calçadão em gringuês) bem em frente à Ocean Drive, a avenida da praia, para pensar um pouco e tentar achar outras alternativas mais cabíveis, deixar a poeira baixar afinal era o meu primeiro dia na cidade e ainda estava me familiarizando com o lugar mas de repente do nada começa uma aglomeração de boiolas bem ao meu lado ! "Meu d´s, será que estão me perseguindo !?!? Xô Murphy !"

 

Tudo bem que o lugar estava cheio por ser tratar de um domingão de sol num lugar turístico mas querer se apoderar da praia toda já é demais e se não bastasse tudo isso a galera afetada que chegou ali eram todos brasucas. Eu cheguei a pensar que era tudo gaúcho ou são paulino mas na verdade eram todos cariocas.

 

“Isso não pode estar acontecendo”, pensei comigo, “Onde é que fui amarrar meu passaporte ?!?!”. ::putz::

 

E não dava para sair porque a festa estava terminando, a galera indo embora e nisso formou um verdadeiro tsunami de marombados de mãos-dadas, roupas estranhas e outras esquisitices.

 

De repente me veio à cabeça uma reportagem antiga que saiu no Fantástico relatando a realidade afetada de Miami e na entrevista com um brasuca alegre, o cara disse pro repórter que “a diferença é que os pobres quando se aposentam vão pra fila do INSS e nós vimos pra cá (Miami)”. Tá explicado, falei que só tinha bicha rica e bastante bicha velha, né ? Mas não era só brasuca não, era uma fauna internacional.

 

Como eu não assisto muito TV aberta não saberia reconhecer mas acho que metade dos galãs globais, integrantes de BBB podiam estar ali enquanto a outra metade devia estar espalhada pelo Brasil curtindo o carnaval e desfilando nas escolas de samba enquanto esperavam o baile do Gala Gay.

 

Mas como nada está tão ruim que não possa piorar, de repente começou um agarra-agarra entre um dos casais cariocas depilados e marombados (Credo !! Aqui não tem policia não ? Cadê a carrocinha ?) que mais pareciam lutadores de jiu-jitsu afinal esse negócio de macho agarrando macho é coisa de quem freqüenta essas academias de lutas de marombados pitboiolas mas na boa, cada um na sua, (eu particularmente só agarro mulher) e um deles parecia estar passando mal por ter cheirado cocaína na festa (perceberam o nível ?) mas mesmo assim pediu para o parceiro conseguir mais.

 

Os papos dos outros estavam numa baixaria de fazer corar a mais depravada das atrizes pornôs e creio que até a Marta Suplicy ficaria sem graça; obviamente eu jamais ousaria replicar aqui afinal esse é um relato de família num site muito bem freqüentado.

 

Sem querer generalizar e/ou polemizar, promiscuidade pouca ali era bobagem, baita baixaria. Agora entendi porque quando começou esse papo de AIDS batizaram um certo grupo como sendo grupo de risco mas hoje em dia até corinthiano sabe que não tem mais essa de grupo de risco, o que tem é comportamento de risco.

 

Nessas eu, já quase com ânsia de vômito, respeitosamente me afastei afinal sou seguidor de carteirinha da premissa “os incomodados que se mudem” mas o bando de moçoiolos-alegres com pais cegos ou míopes não entendeu ou não gostou quando fiz menção de ir embora e um mais desgarrado quis dar piti e o seu namorado/parceiro/companheiro/cara metade/amante tomou as dores, se sentiu ofendido, sei lá o que se passa na cabeça desses padeiros distraídos, e pensei “tá bom, agora só falta essa boiolada querer cantar e dançar Loca Loca Loca da Shakira”.

 

Nisso começou um inicio de alvoroço naquela convenção de boiolas, ficaram apontando pra mim, entraram em polvorosa e eu que já tinha me levantado pra ir embora tive que encarar aquele bando de marmanjos musculosos afeminados muito bem nascidos mas mal educados, mimados e provavelmente criados pelas avós em apartamentos de luxo e caprichando no inglês para não perceberem que eu era brasuca disse, respeitosamente, algo que apertando a tecla SAP sairia mais ou menos assim : “Segura a tua onda aí rapaziada senão eu vou ligar para os seus pais, isso se vocês tiverem um, e dizer o que as gazelas deles andam aprontando por aqui em Miami”.

 

Pra quê ? Me olharam com cara de espanto, como se eles se importassem, virou uma baita zona de marombados afetados e antes de começarem mais um round de viadagem explicita eu saí fora abrindo meu caminho no meio de uma multidão de boiolas porque só para NÃO ajudar a tal da festa na praia tinha acabado de vez e a galera alegre estava saindo num verdadeiro arrastão !

 

"Eu joguei pedra na cruz, só pode ser !!!! PQP, que saudades do Brasil !!! Será que tem vôo de volta pra lá ainda hoje ?" E eu achando que ruim mesmo é carnaval. Cada uma que me acontece...

 

Mas nada de decisões precipitadas, por mais puto (desculpem o trocadilho) que eu tenha ficado ali no momento, nos dias seguintes a coisa mudou de figura, o “Serengueti da Flórida” acalmou (Miami não é nenhum Serengueti mas a bicharada anda à solta e faz parte da paisagem, só que lá tem muita gazela Thompson e em Miami, ah, deixa pra lá...) e eu pude curtir a cidade, muito bacana por sinal, sem mais sustos.

 

Se no domingão o dia não tinha sido nada bom, os outros foram muito bons e na minha última noite antes de pegar o caminho da roça, digo, do sertão, enquanto me escondia de uma leve chuva espremido debaixo da cobertura de um bar que ficava num complexo bem legal que era um misto hotel/club/restaurante/disco/bar (vendia até caipirinha) e era muito bem freqüentado cheeeeeeeeio de brotas, locais e turistas, fiquei conversando com uma gringaiada gente finíssima, todo(a)s americano(a)s que quando souberam que eu era brasileiro me disseram que em Jackson Hole (nem sei onde fica e com esse nome...sei não...espero que não tenha nada a ver com o Ozônio. Descobri depois que era uma cidade, estação de ski, algo assim. Ufa, que susto ! Também, depois daquele domingo eu fiquei traumatizado...) estava cheio de brasucas - também não entendi nada e ninguém soube me explicar o porquê - e papo vai papo vem conheci uma linda ruiva de típicos olhos azuis faiscantes de NY moradora da região de Times Square que se engraçou comigo (já falei que não tô com essa bola toda mas enfim...) e acabou me convidando para uma festa privê na cobertura do hotel bem na frente da praia que além da música, da galera (a amiga dela que eu conheci já na festa batia um bolão também, mas tinha o biotipo latino, era morena de franja, cabelo comprido e um baita corpaço. Ao contrário da ruiva ela morava em Miami), da vibe do lugar ainda tinha um visual que vou te contar. Quando falo que cada uma que me acontece...

 

Viram ? Nada de decisões precipitadas sobre um lugar onde acabamos de chegar, tem que dar tempo ao tempo, às vezes dá certo.

 

Se eu voltaria para Miami ? COM CERTEZA, talvez com um pouco mais de pesquisa prévia para evitar cruzar com certos tipos de eventos, principalmente se for um GEPAD (Grande Encontro de Padeiros Distraídos) mas tirando o trecho Serengueyti (Serengayti) tem muita coisa legal ali, isso pra não falar do mulherio, gringas com tempero, molejo, corpo, sensualidade e simpatia latinas (o melhor dos dois mundos) e a maioria é tudo bilíngüe.

 

Agora se eu voltaria à Boracay ? Sem chance, não rolou uma química legal e quando acontece isso é melhor deixar pra lá, simples assim. Eu particularmente não gostei mas longe de fazer um manifesto contra Boracay ou outra baboseira do tipo. E olha que não tenho trauma contra lugares turísticos senão não adoraria lugares como...sei lá...a super turística Koh Phi Phi, por exemplo.

 

Mas que eu volto pras Filipinas, isso sim.

 

Falando nela, que tal voltarmos com a nossa programação normal ? Podem chamar as crianças de volta, não tem mais histórias com padeiros distraídos na próxima parte do relato.

 

Enquanto isso em baby Phuket,

 

O clima até que segurou um pouco, a maior parte do dia tinha sol mas estava um tanto instável sujeito à pancadas fortes de chuva e trovoadas à noite. Numa das noites eu fui dormir cedo e qual não foi a minha surpresa quando chegando na acomodação caiu um temporal que faria Noé molhar as calças de medo, prenúncio da temporada de furacões que assolam o país causando caos e tragédia.

 

Depois desse verdadeiro dilúvio eu entendi o cenário cataclísmico com o qual me deparei na primeira vez em que vi aquela praia que depois apelidei de “The Walking Dead Beach”. Ufa, menos mal, nada de testes nucleares por ali mas é melhor não avisar os americanos.

 

Dias depois peguei outro pé d´água daqueles de boas-vindas da época das monções no meu último dia na Ásia, já em Bangkok, e fiquei literalmente ilhado pensando como diabos eu sairia dali pois meu vôo estava marcado praquela noite. Seria nadando ? Na-na-ni-na-never, se uma daquelas correntezas nas ruas de Bangkok me pegasse de jeito é bem provável que eu iria sair pra lá de Bagdá. Literalmente.

 

O fato de Boracay já ter sido considerada uma das mais belas praias do mundo a torna figurinha fácil nos álbuns de lua de mel de japoneses e coreanos. Ela também é bastante freqüentada por muitos turistas de fim de semana vindos de Manila e obviamente isso a transformou num destino famoso e que trouxe a reboque um crescimento desordenado mas que atende à todos os bolsos e gostos, aquele cenário de lugar de veraneio com direito a parasailing, cadeiras com guarda-sol, banana-boat, jet skis, agências de mergulho, discos, bares, clubs e hotéis nababescos cujas piscinas possuem tantas cascatas que chegam a competir e até superar o número de quedas d´águas na bacia amazônica, mas obviamente as Filipinas não vivem apenas da sua ilha mais famosa, o país tem muita coisa para visitar e eu mal encostei a ponta do iceberg.

 

As Filipinas compreendem mais de 7.000 ilhas com no mínimo 3.000 delas desabitadas, sua história sofreu enorme influência de asiáticos, europeus e americanos criando uma rica e bela salada cultural.

 

Antes da chegada dos colonizadores espanhóis (poderia ser pior, vai que fossem portugueses...Humn, pensando bem não poderia ser pior, se fossem colonizadores lusitanos daria empate técnico), as Filipinas já eram grandes parceiras comerciais de chineses e japoneses. Depois vieram os espanhóis com suas igrejas e cidades muradas até os filipinos botarem eles pra correr depois de mais de 300 anos sob sua influência.

 

Aí vieram os americanos que trouxeram um certo desenvolvimento, um novo idioma muito mais útil e ainda juntaram forças para lutar na Segunda Guerra Mundial. Além do idioma a influência americana também aparece em forma de lanchonetes fast food encontradas aos montes em todo lugar, algumas servindo até arroz “asiaticamente" (sic!) - adoro neologismos - empacotados em porções extremamente bem feitas e interessantes, principalmente para um fast food.

 

Quem já rodou um pouco pela Ásia sabe da delicadeza deles em empacotar certos produtos, nem dá vontade de comer porque dá pena desfazer as embalagens.

 

Aproveitando o gancho, tem um mercado de rua em Bangkok (que novidade !!!! Mercado de rua na Ásia...) que fica à umas duas quadras da Khao San onde rola umas guloseimas em forma de biscoitos embalados em saquinhos plásticos que é uma verdadeira obra de arte, fica um vácuo e dão um laço todo elaborado para prender a boca do plástico que nem origami fica tão bonito. E as simpáticas tiazinhas embalam na hora bem na frente do cliente, o biscoito vem quentinho.

 

Bom demais, agora você junta esse biscoito, o mais gostoso do mundo, com o tal suco de larangelina ou laranjelina (laranja + tangerina) - as duas grafias estão corretas - mais gostoso do mundo e a banana pancake também mais gostosa do mundo e já viu no que vai dar, né ? Dieta pras favas, ainda bem que não preciso.

 

E tudo isso nas ruas de Bangkok bem pertinho de um lindo templo com pagoda dourada (que novidade parte 2 !!!! Lindo templo com pagoda dourada na Ásia...).

 

Antes que dê fome, melhor voltar pras Filipinas.

 

O nome Filipinas veio em homenagem ao espanhol Rei Felipe II, mais um monarca espanhol que governava o país em seus áureos tempos em que a Espanha dividia com Portugal os descobrimentos mundo afora. Pois é, se até Espanha e Portugal (hoje periferias da Europa) foram potências um dia por que o Brasil não pode vir a ser ? Tudo bem que é mais fácil os dinossauros ressuscitarem mas vai que daqui a uns 2.000 anos o Brasil não vingue ? Se tem gente que acredita em gnomo... Mas enfim, é tudo uma questão de referência, quando a gente começa viajar percebemos que mesmo aqui sendo muito ruim (já melhorou bastante) ainda é zilhões de vezes melhor do que muito lugar por ai.

 

O país tem muita história também, como se já não bastasse possuir metade do contingente de católicos no continente, foi nas Filipinas que um tal de Fernão de Magalhães, o portuga líder da primeira expedição de volta ao mundo da história, foi morto um mês após ter aportado naquelas terras há uns quinhentos anos atrás por uma lança envenenada bem no meio da fuça durante uma batalha entre tribos rivais em uma ilha nos arredores de Cebu. Ponto para os guerreiros filipinos.

 

Expedição esta patrocinada pelo rei da Espanha (quando eu falo que gringo viaja com grana do governo há séculos...) e que tinha como objetivo principal achar uma passagem para o Oriente e dar um balão no Tratado de Tordesilhas (indiretamente tem o lance de provar que a terra é redonda mas ai seria demais pro portuga, Aristóteles já tinha descoberto isso olhando a sombra da terra na lua, mas a expedição confirmou o que os mais esclarecidos já sabiam, a terra é redonda).

 

Como o assunto aqui é volta ao mundo (RTW) e só tem gente inteligente lendo esse relato, vou aproveitar para explorar um pouco mais este assunto, historicamente falando.

 

Magalhães planejou e comandou a primeira expedição volta ao mundo mas acabou dando uma de montanhista, i.e., não conseguiu terminar o percurso, morreu no meio do caminho mas recebeu o crédito e ficou famoso. Apesar de português ele fez a expedição bancado pelo governo da Espanha, o que equivaleria na época ao Maradona jogar uma Copa do Mundo pela Seleção Canarinho, vai vendo o furdúncio.

 

Assim como no caso de montanhistas que não completam suas jornadas “só o cume interessa” (sempre no bom sentido, é claro), o fato do navegador portuga não ter completado a circunavegação do globo não chegou a tirar o mérito da aventura e da viagem, e nem podia. Se com todas as ferramentas a um clique de distância que temos hoje em dia planejar uma viagem ao mundo dá um certo trabalho, imaginem naquela época ?

 

Como as especiarias naquela época equivaleriam ao petróleo hoje em dia então era algo que valia a pena correr atrás, velejar era um ótimo negócio. Apesar de ter pago com a vida, não só a dele mas as de muitos outros marujos também, o resultado foi bem satisfatório. A expedição ficou conhecida como a primeira a dar a volta ao globo e apesar de todas as intempéries e mortes pelo caminho ainda gerou uma receita bastante considerável : mais de 20 toneladas de especiarias do Oriente que pagaram toda a expedição e ainda rendeu um troco para a Espanha. E olha que ainda tiveram que se desfazer de muita coisa senão a única caravela com menos de vinte marujos sobreviventes das cinco caravelas que partiram com quase 250 marujos não conseguiria terminar a epopéia.

 

Magalhães na verdade realizou duas meias-voltas ao mundo em épocas e direções diferentes, o que pra mim não se caracteriza uma volta ao mundo, desculpem os mais chatos. Volta ao mundo é você sair de casa, escolher um lado, rodar o globo sempre numa mesma direção e voltar para casa pela outra, simples assim.

 

Mas e daí ? Dar a volta ao mundo ou não o que mais vale mesmo é a atitude e coragem de partir para explorar lugares nunca antes navegados, certo ?

 

Na verdade dura e crua dos fatos, o primeiro indivíduo a realizar uma volta ao mundo completa foi o seu escravo asiático Henrique mas como é escravo e pobre não levou a fama, coitado. Pobre só sifu mesmo, parece prego, nasceu pra tomar na cabeça. Como se não bastasse ele ainda não ganhou a alforria a que tinha direito, conforme prometido.

 

Os créditos ficaram todos pro Magalhães que teve seus méritos também, além da atitude e das dificuldades da época ainda teve que enfrentar vários entreveros traduzidos sob a forma de revoltas, fome, doença, motim, traições e rebeliões durante a difícil travessia. Foi ele que achou o caminho das pedras e batizou o Estreito de Magalhães, trecho famoso entre navegadores que fica sul da América do Sul, e vencido esse labirinto entre o Atlântico e o Pacifico acabou encontrando o caminho para o Oceano Pacifico e como sua travessia nesse oceano foi bastante tranqüila, batizou-o de “Pacifico.” Criativo o cidadão. Pacifico, né ? Aham...sei. Fala isso pro Japão.

 

Ainda bem que Magalhães era português porque se fosse espanhol batizaria de “Oceano Trãnqüiiiilo”. Nossa, mais uma dessas e o médico manda suspender o relato mesmo ele sempre dizendo para não contrariar...

 

Mas o mais incrível mesmo foi como o portuga morreu, ainda mais alguém experiente em combate como ele. Tomado pela empáfia européia do “vamos mostrar como nós europeus guerreamos” decidiu ajudar um líder de uma tribo filipina enquanto queria fincar a bandeira espanhola no país, o que um outro líder “da oposição” não estava nem um pouco a fim de se rebaixar para o petulante português explorador europeu.

 

Juntou cerca de 60 homens certo de que seu poderio militar formado por canhões e mosquetes era muito superior ao armamento dos selvagens com seus arcos e flechas e partiu pro ataque. Pois é, um bando de selvagens defendendo a sua terra contra um exército forte cheio de armas modernas, já viram esse filme antes ?

 

Praqueles que estão chegando agora vale lembrar que não estou me referindo ao chato filme AVATAR (poderiam rebatizá-lo como EVITAR) mas sim para a última batalha do Fernão de Magalhães numa longiqua ilha das Filipinas durante a primeira expedição de volta ao mundo...

 

Tudo levava a crer numa vitória fácil do poderio militar contra um bando de selvagens só que Magalhães não contava que havia um recife de corais que fez com que os navios ficassem muito afastados do alvo e os tiros de canhão e dos mosquetes não atingissem os selvagens na praia !!!!!!!!!!!!

 

Após terminado o “ataque” (ou seria “pescaria” ? )que obviamente não deu em nada (imagino a chuva de balas de canhão e tiros de mosquete caindo...na água ! Teria saído daí a inspiração para pesca com bombas muito comum na Ásia e que além de detonar os peixes ainda detonam os recifes ? Cartas para redação...), a luta teve que ser no mano e mano e como tinha mais de mil nativos contra um punhado de europeus o resultado final todo mundo sabe, os arcos e flechas de um monte de selvagens fizeram a festa. Ou acabaram com ela, você escolhe.

 

“Mas que vacilo besta, como é que pode ?” - Alguém pode estar se perguntando.

 

Simples, o capitão Magalhães era português...

 

Galera, o trecho de Miami acabou tomando mais espaço do que o esperado, sendo assim vou separar este texto em dois para não ficar ainda (mais) cansativo pra ler. Na próxima parte darei uma geral rápida na história bizarra um pouco mais recente das Filipinas e aí a gente começa o longo caminho de volta para casa.

 

Até lá,

 

Aquele abraço,

 

Virunga

 

(*) padeiro distraído = queima-rosca

 

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Oi pessoal,

 

Bora para mais um trecho da trip (prometo pela milionésima vez que tá acabando...) pois estou na véspera das férias e só para NÃO variar o bicho pegou no trabalho e melou alguns planos, mas surgiram outros. Volto nisso depois.

 

Pois é, além de suas belezas naturais as Filipinas também tem suas digitais numa parte importante da história, pelo menos praqueles que curtem viagens exploratórias e voltas ao mundo.

 

Salvo o fato de ser católico, este país-arquipélago (o segundo maior do mundo) é um verdadeiro resumo do sudoca asiático com suas belas praias, cultura diversa, vulcões, transportes engraçados e coloridos, povo simpático e hospitaleiro, montanhas, tribos, praias para surf e mergulho, noitadas, boa cerveja além de ser um lugar barato, afinal isso aqui é Ásia. Ah, e tem algumas garotas bonitas também, não é porque eu não cruzei com muitas delas que elas não existem, né ?

 

É um pouco fora de mão por ser um arquipélago e não dividir fronteiras com outros países, isso somado ao fato de ser o único país católico daquela região, o que aumenta ainda a surpresa e a singularidade do lugar (para falar a verdade ainda acho que fora de mão mesmo é Viracopos...). Essa distância ajuda também a manter longe as hordas de viajantes que invadem o resto do sudeste asiático, aquela galera que gosta de bradar em alto e bom som que só curte destinos off the beaten track.

 

Aham, sei... Papinho furado de gringos e aventureiros de meia-tigela que reclamam de tudo, não têm jogo de cintura pra nada afinal vivem dentro de uma bolha onde tudo funciona e quando experimentam um pouco do mundo real querem voltar correndo para debaixo da saia da mãe ou da segurança de seus países ricos, pois não agüentam ficar muito tempo longe da zona de conforto apesar de defenderem o contrário dizendo que querem descobrir o novo, interagir, viver como os nativos, conhecer os costumes locais, absorver a cultura do lugar, etc. Acho que absorver mesmo só se for a cerveja mas tudo bem, cerveja local também é cultura, né ? Saúde...Salud...Sainté...Saravá...Oops, escapou ! Melhor parar por aqui senão amanhã é ressaca na certa.

 

Assim como a Índia, as Filipinas são grandes exportadoras de mão de obra barata (eufemismo para tráfico de pseudo-escravos), inclusive o francês com quem dividi o barco algumas vezes procurando os butandings tinha uma empresa que fazia esse meio-de-campo entre estes neo-escravos e empregadores estrangeiros.

 

Falando em Índia, não percebi nenhuma influência dela nas Filipinas, digo isso porque para um país que sofreu influência de vários povos distintos de diferentes partes do globo (Europa, Ásia e States) e sabendo que os indianos se espalharam pelo mundo como praga em forma de mão de obra barata (mas não chegaram com força no Brasil e nem precisava pois na nossa política repleta de “vossas excelências” tá cheia de gente com o mesmo approach), fiquei surpreso por não ter uma colônia indiana no país mas faço questão de frisar que passei pouco tempo e visitei apenas partes especificas do pais e como já deu pra notar o país tem uma enormidade de lugares, um verdadeiro caleidoscópio cheio de opções das mais diversas.

 

Enfim, se tem um lugar nas Filipinas com grande influência indiana eu não vi e nem a minha bota percebeu, porque se tivesse notado ela teria dado um sinal de alerta.

 

Mas como tudo tem dois lados, as Filipinas sofrem bastante com as intempéries da Natureza e vira e mexe o país é assolado por tudo quando é tipo de catástrofe natural como deslizamentos, erupções, enchentes, furacões e mais o diabo a quatro.

 

Assim como o Brasil o país das ilhas sofre de corrupção endêmica e obviamente isso reflete negativamente nas condições de vida de seu simpático povo bastante sofrido. Sua história política também é bastante conturbada com regimes extremamente corruptos escancarados (não me perguntem se tem filial do PT ou algum escritório de representação de outro tupiniquim ali mas acho que nem precisa, né ?) cujo dinheiro sujo servia entre outras coisas para comprar prédios inteiros em Manhattan e contribuir para coleções de sapatos da primeira-dama para matar de inveja até a Carrie Bradshaw, afinal 3.000 pares de sapatos não é para qualquer uma. Até recém-nascido sabe que mulher é exagerada mas Imelda Marcos meteu o pé na jaca, ou melhor dizendo, meteu o sapato na jaca !

 

Mas essa figura folclórica, ex-miss tem muita história pra contar, reza a lenda que quando os boring Beatles foram se apresentar no país ela convidou-os para um café da manhã e eles não compareceram, o que gerou uma revolta entre o povo que botou intragável banda inglesa pra correr. Mais uns pontos para os filipinos e olha que dessa vez não rolou lança envenenada no rosto pra expulsar o gringo. Concordo, aí já seria demais.

 

Enquanto sua mulher colecionava sapatos, seu marido Ferdinando Marcos, notório ditador corrupto, enchia os bolsos com a corrupção fazendo frente aos políticos brasileiros quando o assunto é roubalheira escancarada, nepotismo, desvio de recursos públicos e outras especialidades brasucas. Com um currículo desses Ferdinando Marcos deve ser um herói entre os nossos políticos, um verdadeiro benchmark da corrupção matando nossos políticos de inveja, mas esses últimos não param de se esforçar para bater o benchmark em forma de ditador filipino.

 

Foram milhões de dólares desviados, jóias, dinheiro, propriedades em Manhattan e até, pasmem, uma bisonha tentativa de implementar animais africanos numa ilha tropical no sudoeste asiático !! É sério !

 

Ferdinando teve a cara de pau de colocar algumas espécies de animais africanos como impalas, zebras, girafas (girafas ? Nas Filipinas ?!) numa verdadeira Arca de Noé tropical e mandou tudo para as Filipinas criando uma ilha particular para safári. Ai se a moda pega.

 

Claro que esse experimento maluco não podia dar certo, o clima e todo o resto é muito diferente e alguns resultados esquisitos dessa bisonha experiência começou a aparecer : zebras ficaram menores do que o normal, mais violentas e houve casos de infanticidio de zebra (?!?!?!) onde muitos rebentos recém-nascidos eram mortos pelos seus pais com coices. Alguns dizem que esta mudança genética deveu-se a falta de predadores. Surreal a coisa.

 

Agora vem cá, imaginem uma praia paradisíaca com mar azul, areia fina, coqueiros num lado e girafas no outro. Nossa, mas nem em Zanzibar tem isso ! Me ajuda aí, né ?

 

Reza a lenda que o motivo principal de tal experimento foi saciar a vontade do filho do casal maluco tinha em atirar em animais grandes. Bem que poderiam ter mandado o filho para fazer um estágio aqui em Brasília lá pros lados do Congresso Nacional, alvo para treinar não iria faltar.

 

Na próxima vez que eu visitar as Filipinas – sim, esse é um lugar para visitar mais vezes – quem sabe eu dê uma passada nessa tal ilha e depois falo pra vocês. Dentre muitas coisas que ficaram de fora para visitar naquele país (quase tudo, convenhamos...) tem uma região em especial pros lados de Palawan e adjacências. Pura coincidência a tal ilha para safári fica ali perto mas tem muita coisa linda naquela parte do país e de um jeito muito legal pulando de ilha em ilha e viajando de “banca” . O que, vocês não se lembram o que é uma “banca” filipina ? Ahn...humn...tipo assim...não espalhem mas nem eu me lembrava o que era mas a “banca” filipina nada mais é do que aquele barco típico do país.

 

Tem um tour bacana que passa justamente praquelas bandas que eu quero visitar numa outra oportunidade. Mais um dos muitos motivos para voltar praquele país, ainda mais agora que inauguraram um vôo que vai direto pra cara do gol, assim fica fácil, porque se locomover nas Filipinas eu achei muito enrolado, muito chá de aeroporto.

 

Deixando a futurologia de lado, sempre achei que era a Tailândia uma espécie de Brasil asiático, incrível potencial mas sofre do mal do rato de laboratório : corre corre corre e não sai do lugar mas como as Filipinas também sofrem do mesmo mal, vou colocar ela no balaio também, mas bem lá pra trás porque a Tailândia tá mais avançada.

 

Agora que já dei uma geral bem rápida do país, vamos terminar logo Boracay porque senão a gente não sai daqui.

 

O tempo passou e finalmente chegou o dia de partir, minhas férias estavam também chegando ao fim então já era hora de começar o longo caminho de volta para casa.

 

Quando eu fiz o check-out a simpática tiazinha me perguntou se eu voltaria no ano seguinte, desconversei, emendei com um sorriso amarelo e falei que voltaria um dia para explorar o resto do país. “Mas Boracay, nem pensar”. Pensei comigo mesmo.

 

Aquele último sabia que ia ser cansativo e tinha que estar no pique para enfrentar um monte de transporte em direção ao meu destino final, uma das cidades que disputa a primeira colocação na minha lista de favoritas : BANGKOK !!!!

 

Peguei o triciclo tipico em direção à marina, depois um barco, depois um triciclo ainda menor para chegar no aeroporto que ficava ali pertinho. Chegando lá, PQP, que zorra ! “Tô em casa”, pensei.

 

Mas nada de stress afinal isso aqui é férias. Rapidinho me livrei da encheção da segurança de aeroportos. Muito chato, acho que quem inventou essa pentelhação joga no mesmo time do corno que inventou o callcenter, o templo do gerundismo, da perda de tempo e da facilidade em deixar um cliente mais órfão e mais bravo do que já estava.

 

Falando em segurança de aeroportos acho que as Filipinas comem bola, um pais que volta e meia é alvo de terroristas separatistas não pode ter aeroporto com máquina de RAIO-X quebrada, isso quando tinha.

 

Quando eu entrei na sala não tive outra opção senão rir daquilo tudo. Um calor infernal, muita gente esperando e aquela bagunça que faria o bunker Cumbica (com tanto concreto não se pode chamar aquilo de aeroporto, tá mais para um bunker anti-nuclear) parecer um Heathrow da vida.

 

Tava uma verdadeira anti-sala do inferno, e eu que pensava que o aeroporto de Dhaka era meia-boca. Que saudades de Congonhas e suas dublê de locutoras de voz estridente anunciando dez vezes a mesma coisa “devido ao reposicionamento da aeronave, bla bla bla”, “de acordo com as normas da ANAC bla bla bla” (quem quer saber isso ?) ou ainda as trocentas “última chamada para o vôo bla bla bla” o que faz a gente se perguntar : “quantas últimas chamadas cada vôo tem ?” E não terminou, pior do que isso tudo junto é quando replicam os anúncios num inglês a la Joel Santana e Caco Antibes... Meu d´s, coitados dos ouvidos. Será que fizeram estágio com as aeromoças (rarearam as gatinhas, mas o sotaque continua) da Webjeg ?

 

Como eu tinha chegado muito cedo, ia ter que dar um jeito de me mandar dali e nessas percebi que tinha um vôo saindo para Manila muito em breve (o meu vôo estava marcado para duas horas depois !) Respirei fundo o abafado ar quente, caprichei no sorriso Colgate e com aquele caminhado de matar de inveja ao Ace Ventura, fui falar com a simpática atendente para ver se ela poderia me ajudar a sair dali voando. Literalmente.

 

Papo vai, sorriso vem, ela digitou alguma coisa no computador e... BINGO ! Mas eu tinha que ser rápido pois o vôo sairia em poucos minutos. Rapidinho fiz o check-in, peguei o cartão de embarque escrito a mão mesmo, numa caligrafia de convite de casamento, e fui pro avião, um valente turbo-hélice.

 

Depois de uma espera mínima, portas fechadas e lá fomos nós. O avião percorreu a pista, venceu a gravidade e a partir dali foi puro deleite, a paisagem lá de cima era linda. Acho que foi um dos vôos mais bonitos que já fiz na vida, aquele mar lindo das Filipinas pontuados por ilhas minúsculas aqui e ali, sol e céu de brigadeiro. E tão importante e benvindo quanto, nada de turbulência !

 

Me fez lembrar até aquela volta que os pilotos fazem/faziam quando o avião se aproxima de bonita, cara e super valorizada Fernando de Noronha, vale a pena a volta a mais mesmo eu me sentindo mais seguro e bem mais a vontade para aproveitar um visual assim com os dois pés no chão mesmo, mas num vôo panorâmico e bonito como este tá valendo...

 

Só sei que eu colei na janela e fui assim até pousarmos em Manila.

 

Chegando lá, o mesmo chá de aeroporto de sempre mas pelo menos em Manila o aeroporto tinha muito mais estrutura, obviamente. nem dá pra comparar Mas mesmo assim foi bem chato e tedioso ficar esperando a hora de partir sem ter nada pra fazer. Mas e daí, tava viajando e é isso que importa. Quem não quiser encarar certas coisas que acontecem quando viajamos que fique em casa sentado vendo a vida passar e se lamentando.

 

Depois de várias horas naquela contradição de “fazer nada”, finalmente chegou a hora de partir, mas não antes de levar uma bela mordida no bolso com a maldita taxa de embarque.

 

Após a facada que doeu no bolso uma hora dessas bastante ráquitico, em estado terminal e já pedindo arrego, mais espera só que no salão de embarque. O aeroporto é até ajeitado mesmo com aquela impressão de casa/apartamento sem mobilia. Sobra espaço e faltam coisas para preencher o vazio (nossa, parece papo de auto-ajuda, credo !) e assim ajudar a matar o tempo. Sem querer querendo eu vi umas fotos no laptop de uma garota com pinta de francesa e percebi que o photoshop realmente ajudou bastante a realçar os butandings porque aquela cor d´água na praia dos butandings eu não vi, mas que as fotos ficaram legais isso sim.

 

Depois ainda deu tempo de ver um senhor desdobrando seu tapete, se ajoelhar e fazer suas preces em direção a Meca. A mina não se fez de rogada e tirou um monte de fotos, nem disfarçou. Só faltou pedir pro tiozinho fazer uma pose melhor, ficar com o rosto mais tempo próximo ao chão e mudar o tapete de direção porque a iluminação ali não era a ideal para o momento kodak. Nessa hora pensei se ela não era brasileira porque vai ser viajante sem noção assim lá nas Filipinas.

 

Como já era bem tarde, fiquei pensando se daria tempo de pegar o último buzun em Bangkok para a famosa Khao San Road (Estrada do Calção ?), o ghetto dos mochileiros e ponto de encontro obrigatório no sudoca asiático.

 

O comandante acelerou fundo o Airbus 319 que subiu sem titubear, eu vi as luzes de Manila desaparecendo lá embaixo e como diria o Exterminador do Futuro japonês :

 

“SAYONARA, BABY”

 

Trêiz horashhh e tal (como diria meu amigo carioca) depois voando sobre um breu total, já ciente que não daria tempo de pegar o último buzun, pousamos na Tailândia e após o desembarque e aquela caminhada no gigante aeroporto tailandês, lá estava eu louco por um banho e um rango tailandês depois de um dia cheio mas antes mesmo de passar pela imigração o cenário já estava formado :

 

Madrugada no aeroporto de Bangkok num verdadeiro comitê internacional com gente de três continentes distintos divididos entre 7 africanos (4 homens e três mulheres) vestidos com roupas extravagantemente coloridas, um tailandês sonolento, mau-humorado ("pô, me acordar a esta hora para pegar carimbo nos formulários sobre febre amarela ? Tá achando que eu tô aqui pra quê, pra trabalhar ? Eu heim, tá me estranhando ? Tô ensaiando para ser funcionário público, não tá vendo a inutilidade, a má vontade e os carimbos ?!?!"), bastante desconfiado (coloca um asiático na frente de 7 africanos vestidos com roupas extravagantemente coloridas para ver o que acontece) e se borrando de medo ao mesmo tempo em que se escondia atrás de uma ineficaz máscara anti-gripe suína e de um balcão do “controle de saúde” (viajar com passaporte brasileiro tem desses micos. Mas também ganha três meses de visto...) e um brasileiro em fim de férias que estava cansado, com fome, atrasado para pegar o último ônibus do aeroporto de Bangkok (mas ainda com esperanças para pegar o último ônibus que saia do aeroporto) e que passou o dia todo entre conexões, aeroportos e ainda perdendo um tempão numa fila fora de hora e com o “deixa que eu chuto” travel mode on na força máxima, cometeu a besteira de ter mais um daqueles ataques de riso que sempre aparece numa hora pouco recomendável, vocês não vão querer perder essa história, vão ?

 

Fiquem ligados que eu demoro mas eu volto..

 

Valeu pela companhia,

 

Abraço,

 

PS: Moçada, falando em "demoro mas eu volto", o relato vai ficar parado de novo, as férias estão aí e com elas novos horizontes e lugares a ser descobertos e/ou revisitados, money allowing. Com jeito, planejamento, bom senso e uma boa pesquisa dá, basta querer. E nada de comprar um ticket RTW ridicularmente caro (se bem que me parece que um deles baixou as taxas, já tava dando bandeira que metiam a mão. Pega mal, né ?). Fico boquiaberto quando vejo que alguns gastam o equivalente a um apê para viajar RTW mesmo que seja por um periodo longo de tempo. E não estou me referindo a quem viaja e fica bem instalado em hotés bacanas e comendo em restaurantes caros ou daqueles velejadore$ e overlander$ de carrõe$ importados sentados na grana, tô falando de mochileiros e couchsurfers.

 

Mas o que importam é que soltaram as amarras e partiram e como já disse e repito, tem muitas variáveis para colocar nessa conta de custos. Não dá para colocar num tubo de ensaio e sair um número, palavra de quem já está com a mochila pronta e que em menos de 24 horas vai partir para a sua quarta trip de circunavegação do globo, popularmente conhecida como volta ao mundo. Tá bom, minto. Nem comecei a arrumar a mochila ainda mas em 15 minutos eu arrumo ela. :wink:

 

Desta vez partirei para uma RTW no sentido horário (leste) afinal eu preciso recuperar os dias perdidos nas viagens anteriores quando fiz no sentido anti-horário (oeste) e nessas perdi dias inteiros que ficaram depositados na conta da tal linha do tempo. Tá na hora de recuperá-los, então vou seguir a rotação da terra e "ganharei" um dia a mais para recompor pelo menos um dos dias perdidos das RTW´s anteriores !!! Mas ainda tô em débito.

 

BRINCADEIRA !!!!

 

Tô brincando, viu ? A vida não é facil assim para tirar férias, escolher um lado e viajar volta ao mundo. Entre alguns motivos pessoais longe de serem legais, como desta vez a Europa e Oceania ficaram pra escanteio pois estava sem saco, sem dindin, sem a minima vontade e sem tempo de tirar mais um visto para a Austrália com sua SPH porque, de novo, a pontual Lady Murphy resolveu me fazer mais uma visita no trabalho nas vésperas das minhas férias.

 

E do jeito que eu faço meus giros pelo globo, geralmente com um ou outro vôo a mais e uns dois, dois e meio mil dólares a menos (comentei algo sobre bom senso e planejamento, né ?), se fosse passar pela pela Oceania aí sim eu precisaria viajar no sentido anti-horário para ficar mais barato por causa da parada numa ilha do pacifico (longa história, pelo menos no ano passado foi assim) e, mais importante, eu queria deixar os States pro final porque preciso comprar uns ternos (quem vê pensa que tô podendo. Já falei que não sou metido nem rico, sou econômico mesmo !) então quis viajar nesse sentido. Tá bom...tá bom, eu confesso, vai que os termômetros na NZelândia (Queenstown) estivessem alguns graus abaixo do razoável para quem mora no sertão (leia-se Brasilia) e colocar as praias de Koh Phi Phi e Aruba numa mesma trip, com África e NY, era motivo mais do que suficiente pra fazer eu seguir por esse caminho. Ah, será que aquele hotelzão em Singapura com um piscinão suspenso aceita mochileiros ? :wink:

 

Quanto a Europa, bem, faz parte do "cortar da própria carne", não dá pra ter tudo nesta vida, eu também não gostei muito dos preços dos vôos bem como no tempo perdido nesses deslocamentos e as cidades que eu planejava ir, Roma e Istambul, apesar de belas, históricas e muito antigas, fontes com reputação irrepreensível e com informações fidedignas constataram que se tais cidades não desapareceram até o presente momento ainda tem enormes chances de ficarem por mais alguns milhares de anos dando sopa.

 

Após feitos os ajustes necessários, o roteiro ficou mais ou menos assim lembrando que alguns lugares são só para conexão (pra mim tudo bem, eu já conheço mesmo) o que deixa a trip mais enxuta e com menos tempo perdido entre os insuportáveis vôos e aeroportos. A rota está sujeita a alterações no decorrer do período, preferencialmente sem chuvas nem trovoadas.

 

20110421111843.gif

 

Mas isso nem importa, o que importa é que vou para África e RTW com África, nossa, fica dificil bater.

 

Até a volta !! Hey, olha aí mais um trocadilho.

 

 

 

 

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  • 4 semanas depois...
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Virunga!

Parabéns pela trip!

Roteiro muito interessante e relatos bastante descritivos.

Tenho planejado minha RTW para 2012 com um roteiro parecido com o teu.

Inclui, certamente, Sudeste Asiático (Tailândia, Filipinas e Camboja), Índia e China (Transmongoliana e Transiberiana), passando pelo Norte da Europa, antes do retorno.

Antes de Filipinas pensei em incluir Hawai. Avaliarei custos e outros.

No sudeste asiático pretendo passar a maior parte do tempo. Teus relatos são inspiradores sobre a Ásia. Como trabalho com Aquicultura/piscicutura, pretendo incluir algum estágio de vivência em um dos três países do roteiro (sudeste asiático). Próximo ao Delta do Mekong, talvez. Conhecer algo mais da gastronomia feita com peixes e frutos do mar seria muito interessante por esses lados!

Não sei se 1 ano será suficiente e estou tentando economizar o máximo para estender esse tempo...

Terias algumas dicas, como: De onde partir ou qual direção seguir, neste roteiro, para que fique viável?

Valeu pelas dicas nos relatos!

Parabéns!

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  • 2 semanas depois...
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Oi Apa, tudo bem ?

 

Desculpe a demora em dar um retorno, cheguei de férias agora e fui praticamente do aeroporto direto pro trabalho e por isso não respondi antes.

 

Legal saber que vc tá curtindo o relato, tá arrastado mas vou ver se no próximo post eu já termino ele. Ia fazer um wrap-up mas perdi o texto. Se eu encontra-lo ou escrever de novo eu coloco aqui. Não tá muito certo mas talvez eu faça um relato rápido dessa última trip que eu fiz sem ticket RTW e achei bastante jogo também, achei mais fácil do que pensava.

 

Então quer dizer que vc vai partir para uma RTW ? Parabéns pela decisão e atitude.

 

Interessante que você é o terceiro caso que eu vejo de alguém que vai dar uma RTW com foco na Ásia, muito bacana mesmo, vai curtir de montão e o seu bolso também.

 

Eu não sei se ajuda mas conheci um casal na África que trabalhava no mesmo ramo que o seu e eles estavam fazendo um trabalho no Malawi nesta área através de uma ONG, infelizmente eu não peguei o nome mas acho que você poderia tentar achar algo assim, só que na Ásia.

 

Sobre a gastronomia, aconselho a fazer um curso na Tailândia, com certeza deve ter um que se encaixe no que você tá procurando e, obviamente, você pode experimentar as delicias da culinária asiática enquanto estiver por la não apenas saboreando mas observando como eles cozinham, vai ser um prato cheio (desculpe o trocadilho !).

 

De onde partir, qual a direção a seguir, bem, isso varia muito e tem bastante coisa a considerar. Um bom começo seria você se inteirar sobre a melhor época para evitar furadas devido ao clima, hoje em dia isto é bem difícil precisar mas seria umas você atentar pra isso também, nem que seja um conhecimento básico.

 

O roteiro é algo bastante pessoal e depende também pra onde você quer ir, o que pretende ver e fazer. Eu gostei de viajar sem o ticket RTW mas no meu caso o roteiro foi "simples", não tinha Europa e nem Oceania.

 

Para você ter uma idéia, de Bangkok para NYC eu paguei 1000 dolares mas creio que se fosse no sentido inverso poderia sair mais barato (eu viajei no sentido leste desta vez).

 

E outra, quando você ainda está na fase embrionária do planejamento você acha altas barbadas mas na hora de fechar negócio a coisa complica. Eu paguei o preço que estava disposto a pagar (eu já vinha flertando há um tempo) e tive sorte porque consegui achar na data que eu queria e comprei com pouca antecedência, foi meio que na sorte mas não é bom contar sempre com ela porque ela pode te deixar na mão, às vezes. E mais, tem todo um lance de vistos que eu consegui me safar, mas de novo contei com a sorte. Dependendo da rota eu não iria conseguir ou teria que pagar muito mais caro.

 

No seu caso que pretende passar pelo Hawaii, se for sair da Ásia tente ver algo com a CONTINENTAL, ela voa das Filipinas pros States e se você olhar com atenção vai poder fazer conexão num paraíso chamado MICRONESIA. Vai ter que procurar muito porque essa região é extremamente cara para visitar em função não só da distância mas da escassez de transporte, acho que só tem esta cia aérea voando praqueles lados e todas as outras que tentaram acabaram desistindo, uma pena porque sem competição eles cobram o que bem entender.

 

Acho que pra começar é isso, se quiser alinhavar mais detalhes dá um toque.

 

Bom planejamento

 

VIRUNGA

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  • 1 mês depois...
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E aí pessoal, tudo bem ?

 

Eu não vou dizer que detesto relatos não concluidos e blogs/sites que não são atualizados porque isso vocês já sabem.

 

Também não vou dizer que, mesmo tendo ficado muito mais longo do que a encomenda e que de lá pra cá já rolaram mais duas incríveis RTW´s, eu vou terminar esse relato porque isso vocês também já sabem.

 

Last but not least, não vou nem comentar que esse texto vai ficar longo porque, ah, isso vocês também já estão carecas de saber.

 

Chega de papo furado e bora logo para mais um trecho da saga. Com vocês mais uma parte do infindável relato RTW.

 

Are you ready ? LET´S GET IT ON !

 

Convencido de que não iria conseguir pegar o último airport bus e assim teria que morrer com a grana no taxi-rosa (em Bangkok alguns taxis vêm na cor rosa-espalhafatoso, deve ter sido por sugestão dos ladyboys), sabia que não adiantava correr então caminhei lentamente pelos longos corredores de um dos meus aeroportos favoritos por tudo o que representa. O outro é o de Johannesburgo, porta de entrada do continente mais fascinante do planeta. Tá bom, mais um, podem pôr o de NY (esse nem tanto pelo aeroporto) nessa lista também.

 

Assim como suas cias aéreas, os aeroportos da Ásia disputam entre si para ver qual é o melhor, mais bonito e o mais moderno. Apesar de passar longe das plumas e paetês de seus primos de continente como os aeroportos de Kuala Lumpur, Hong Kong, Beijing (esse eu não vi muito bem, estava atrasado – que novidade ! - e cheguei lá botando os bofes pra fora e quase perdi o vôo. Tem certas coisas na vida que nunca mudam) e o bonito mas um tanto supervalorizado Changi de Singapura, o aeroporto de Bangkok é grande, bonito, espaçoso, moderno, fácil de manejar, tem lojas bacanas, é bem sinalizado (não tem como se perder, palavra de um expert. Em aeroportos ? Não, em se perder mesmo), possui uma arquitetura imponente e mesmo com tudo isto ainda prima pela simplicidade e, melhor, não tem aqueles assustadores trens que se não tomar cuidado podem se transformar nas lendárias sereias que te levam para o caminho da perdição.

 

Nesse caso em especifico dos aeroportos, o caminho da perdição se traduz na forma de corredores com quilômetros de extensão em que os atrasados passageiros (tô aqui !!!) têm que percorrer para alcançar um entre algumas centenas de portões de embarque que ficam localizados pra lá de onde Judas perdeu as cuecas (as botas e as meias ele perdeu bem antes), resultando em perdas de conexão e muita dor de cabeça. Pelo tamanho e opulência de certos aeroportos por aí, se não tiver trem para fazer a interligação entre os terminais o passageiro tá perdido e mal pago.

 

Falando em aeroportos, depois que o simpático aeroporto de Lima ficou em primeiro e o o bunker Cumbica ficou em terceiro num ranking de 2011 dos melhores aeroportos da América do Sul eu só tenho duas singelas palavrinhas a dizer :

 

- IRMÃOS, OREMOS !

 

Mas antes de chegar na imigração eu ainda tinha que fazer um stopover no balcão de controle de saúde (aprendi isso da pior maneira possível na minha primeira visita àquele país) para mostrar a carteira de vacinação contra febre amarela, pré-requisito básico para quem viaja com passaporte da República das Bananas (que me perdoem os ufanistas míopes. E os primatas), mas mesmo assim eu ainda acho o passaporte brasuca um dos melhores do mundo para se viajar.

 

Chegando no balcão do tal controle de saúde qual não foi minha surpresa ao me deparar com uma pequena aglomeração de pessoas ali. “Oba !”, pensei, “hoje não serei o único a pagar mico”. Vou te contar, às vezes dá até vergonha encarar uma situação assim pois passa a impressão de ser um viajante com alguma doença contagiosa ou originário de um país que não atende as mínimas condições de saúde e que corre o risco de levar doença para um outro país, um hospedeiro de algo ruim, sei lá, e pagar um mico desses num país como a Tailândia é de lascar. Se fosse em algum país do primeiro mundo já pega mal, imaginem numa Tailândia da vida?

 

Mas sussu, faz parte da experiência, além do mais o que eu não faço para dar uma passada no Reino de Sião de vez em quando ? Passando longe das aberrações Patpong e Phuket tá bom demais.

 

A muvuca ali próxima ao balcão estava pra lá de movimentada, um vuco-vuco que como diria um amigo do trabalho : “tem algo errado que não está certo”. A gente ganha pouco mas se diverte.

 

Quando me aproximei dos “companheiros de pagação de mico” percebi que a coisa estava como minha conta bancária em fim de férias (e durante o resto do ano também) : trágica se não fosse cômica.

 

O assustado atendente se escondia atrás do balcão e de uma máscara anti-gripe suína enquanto entregava os formulários para os recém-chegados portadores de passaportes de países micados.

 

Com a cara amassada de quem tinha sido acordado há pouco (eu fico assim também, principalmente antes do café. Mas não durmo durante o expediente, né ?), o tailandês estava bastante impaciente e reclamava de tudo. Como morador de Brasília eu já estou calejado com prestação de serviços de má qualidade feito por funcionários incompetentes, incapazes, acomodados, mal educados e babacas, ie, funcionários públicos em sua maioria, mas o carinha ali estava numa má vontade de (não) dá dó !!!!

 

“O que é isso companheiro, não quer trabalhar para ficar encostado durante o expediente então você está no lugar errado ! Mude-se para o Brasil e arrume um emprego no setor público que você vai se sentir em casa”.

 

(NR.: com exceção dos corinthianos motoristas de tuk-tuk na região da Khao San Road e um ou outro wannabe esperto, o povo tailandês é gente boníssima, inclusive já estive nesta mesma situação e nesse mesmíssimo balcão de controle de saúde em “n” oportunidades e fui muito bem tratado, neste dia foi um fato isolado que não deve ser generalizado).

 

Quer povo genuinamente bacana ? Vá para Fiji. Ou Botswana.

 

Peguei o formulário que foi atirado bruscamente em minha direção pelo clone de funcionário público e antes de começar a preencher percebi que um dos meus “companheiros de sofrimento da madrugada” soltava uma tosse de vez em quando.

 

Ah, esqueci de falar do grupo : todos africanos mas não sei dizer exatamente de qual região, estavam com vestimentas coloridas da África Oriental mas falavam aquele inglês da África Austral, fluentemente mas bastante carregado no sotaque.

 

“Maldito ar condicionado”, resmungou um deles, e mandou mais um “cof cof” bem próximo do assustado atendente que arregalou seus asiáticos olhos semi-abertos (ou seriam semi-fechados ?).

 

Os africanos conversavam entre si num outro idioma e mesmo depois de um vôo longo o humor deles estava bem...como posso dizer...africano, mas sem algazarra, gritaria ou fazendo balbúrdia, apenas tirando o maior sarro daquela situação inusitada e rindo da desgraça própria (deles) e alheia (a minha).

Seria esse o motivo do pavor do atendente lembrando que naquela época a gripe-suina estava assombrando todo mundo no mundo todo ?

 

Fui despertado dos meus prognósticos pensamentos por mais um “cof cof” do cidadão ali perto e mais uma vez o atendente quase teve um treco.

 

A turma era relativamente numerosa e assim como eu estava ficando sem paciência porque esse processo de preenchimento de formulário e carimbo não demora quase nada, mas daquela vez com o povo da ala baixa renda do mundo representados por sete africanos e um sul americano cansado e com fome tomando dura de atendente com má vontade danada eu achei que estava demorando demais, principalmente quando o cara insistiu para eu preencher uns dados que nunca vi mais gordo, no que rabisquei qualquer coisa porque queria ir embora logo.

 

Para (não) ajudar o cara ainda era bem marcha lenta, agora não sei se ele era assim desde nascença ou porque tinha acabado de acordar. “Eu heim, até parece que estou de volta à Brasília porque ali lentidão nos serviços é a ordem”.

 

Nada dava certo e nem o cara sabia direito o que queria e nessas meu sangue começou a pulsar com mais força dentro das veias e confesso que fiquei bastante tentado a dizer :

 

“Ô meu, escuta aqui, será que vou ter que pular aí dentro e mostrar como se trabalha ? Acelera Airton, agiliza isso aí peloamordeBuda ! Não é porque eu estou de férias que deixei de ser paulista apressado, né ? PQP, isso aqui é Bangkok ou é a Bahia ?!”

 

Quer deixar um paulista puto ? Seja lerdo.

 

Como naquela madrugada desgraça-pouca-no-balcão-de-controle-de-saúde-no-aeroporto-de-Bangkok é bobagem, somava-se a tudo isso a voz do atendente que quando falava parecia a Britney Spears quando dubla, digo, canta. Pra quem não sabe ou não se lembra é só tapar a ponta do nariz e tentar falar que o som sai parecido.

 

Mas eu ainda prefiro ver pelo lado positivo, poderia ser muito pior, vai que o cara falasse com aquele sotaque me-irrita-que-eu-gosto (pra fazê-lo é muito simples, basta arrastar o “S”. Só peço o favor e o cuidado de não tentar quando eu estiver nas imediações !!! rsrs Só sei que eu me divirto com essa galera...). Aí meus caros, não tem jeito, correria o risco de apelar de novo para o poeta Mano Brown :

 

Se eu tombo esse fulano

Não tem pá,

Não tem pum,

Vou ter que assinar

Um cento e vinte e um

 

Mas por incrível que pareça este não foi o maior dos problemas na chegada em Bangkok, o que aconteceu é que quando eu notei aquele cenário formado pelo medo do atendente mais a impaciência dos recém-chegados e tudo isso embalado pela trilha sonora do mr Cof Cof eu não consegui me segurar e tive um daqueles ataques de riso que sempre aparecem na hora mais inadequada, inapropriada e indecente possível.

 

O pior é que tô ficando craque nisso, inclusive tive um ataque desses no ano passado em Londres na perna européia de outra RTW durante um free tour onde eu recebi lições de história ao vivo e à cores em que aprendi muito mais do que na época dos bancos de escola (desde aquele dia o Green Park deixou de ser mais um belo, verde e bem cuidado parque londrino para se tornar num belo, verde e bem cuidado parque londrino com muita história), provando mais uma vez que viajar é a melhor faculdade que existe. Traveling and learning.

 

E aqui entre nós, vocês não acham que eu viajo para o exterior para visitar museu de cera, né ?

 

Então, naquele passeio numa ensolarada tarde em Londres eu me deparei e fiquei observando estupefato uma mini troca de guarda na frente da casa daquele monarca que queria ser absorvente e que hoje é sogro de uma baita gata.

 

Esqueci o nome do lugar, fica mais ou menos ao lado do bastante sem graça Palácio de Buckingham, acho que é Clarence House. O lance ocorreu meio na sorte porque eu nem sabia que rolava aquilo ali e vendo aquela centenária cena com os soldadinhos de chumbo eu não pude me conter e caí na gargalhada (pobre viajando é uma coisa mesmo...) e a coisa piorou quando uma criancinha bateu sem querer numa corrente e os soldadinhos com pinta de playmobil gigante deram uma encarada daquelas e aí... ah, melhor deixar pra lá.

 

Pensem numa cena bizarra. Agora multipliquem por um milhão. Multiplicaram ? Peguem o resultado e elevem a um milhão, quatrocentos e vinte e nove mil. Conseguiram ? Então, tá longe ainda.

 

Mas tradição é tradição, só sei que com o ataque de riso tive que sair dali rapidinho porque senão ia sobrar pro meu lado. Se quase sobrou pra criancinha, imaginem o que não iria sobrar pra mim ?

 

Aproveitando para abrir uma brecha aqui :

 

Naquela mesma trip do fatídico, digamos, “incidente” eu tive várias experiências legais, já havia caminhado bastante num dia enevoado pela muralha da China, presenciado uma pesca com pássaros cormorões no belíssimo sudeste da China (isso mesmo, pescaria com pássaros !), admirado o skyline de Hong Kong; passeado na famigerada calçada da fama em Los Angeles; curtido um visual incrível diretamente do meu fale com vista para um mar azul super turquesa numa ilha do pacifico (Samoa); me perdido em Veneza; corrido, à pé, mais do que o Sebastian Vettel pilotando um carro de fórmula um para não ser pisoteado em Amsterdam e ainda quase perdi um vôo na saída da NZelândia por causa da linha do tempo. Isso tudo fora o resto.

 

Alguma dúvida de que além de ser a mais ambiciosa e a que apresenta o melhor custo beneficio (desde que não caia na armadilha e gaste no ticket o mesmo preço da viagem toda), uma viagem volta ao mundo é pura magia ?

 

E agora estava eu ali, pagando mico num na frente de um portão de Londres .

 

Pronto, vou fechar a brecha aberta e juntar com o resto. Adiante.

 

De volta a madrugada no aeroporto de Bangkok, o atendente ficou mais puto ainda com o meu ataque de riso e começou a encrespar comigo; preenche isso, preenche aquilo, esqueceu esse ponto aqui e por ai vai.

 

Eu calmamente afaguei meu cocuruto, respirei fundo, contei até cem e já que estava no inferno o negócio era abraçar o capeta então preenchi sem maiores delongas quando meu ataque de riso dava uma trégua, algo bastante improvável.

 

E como o dito cujo foi acordado no meio da madrugada e estava puto da vida (que culpa tenho eu ?) não seria eu para arrumar confusão porque se quando cheguei num lugar até bonito – as praias, mas isso é óbvio afinal é no Caribe - mas muito chato como Aruba eu não perdi as estribeiras, o que dizer de um lugar bacana como a Tailândia ? Sussu total.

 

Entendo que o cara estava fazendo o trabalho dele mesmo contra vontade mas tudo tem limite. Dá pra perceber quando neguinho embaça mesmo, tava na cara (de sono) que a impaciência não tinha nada a ver com a tosse do mr Cof Cof, era pura implicância com os africanos e que acabou sobrando pra mim. Coloca um asiático sonolento na frente de um monte de africanos com roupas coloridas, adicione uma dose de um cara que passou o dia todo viajando e que sabe-se lá o porquê teve um ataque de riso numa hora pouco conveniente, misture por alguns minutos e sirva à (contra) gosto num balcão do aeroporto de Bangkok e... voilá, o palco está armado.

 

Eu até que levei de boa, o que anabolizou o ataque de riso que acabou se contagiando entre todos ali para desespero do atendente, pois mesmo com todo o perrengue eu estava chegando num dos meus países favoritos e é sempre bom voltar pra um lugar que a gente gosta, mas se o cara continuasse enchendo o saco eu tava quase mandando ele praquele lugar...não, não esse que vocês estão pensando, não sou tão simpático assim quando estou sem paciência, aquele cidadão clone de funcionário público merecia ser mandado para, deixa eu ver, Austrália e sua SPH ?

 

Não, aí seria sacanagem com os aussies pois apesar de eu não achar o país deles lá essas coisas mesmo estando sempre bem colocado e no pódio dos países que apresentam a melhor qualidade de vida do mundo (também, com renda per capita acima de 40 mil doletas se isso não trouxer felicidade e qualidade de vida certamente manda fazer sob medida), os aussies são muito legais e os coitados já têm que aturar a brasucada na forma de (desculpem a redundância) burras e calipígias patricinhas deslumbretes (“Pô, esse país é iraaaaaado!”) além da penca de surfistas-merrequeiros-metidos-a-Kelly-Slater (“ae mermão, Bondi Beach é o que há, tá bombando, altas ooondas...alucinaaaante...dãããã”. E isso num dia com meio metro e vento maral fechando tudo). tsc tsc tsc

 

Então o negócio seria baixar o nível e mandá-lo talvez, sei lá, pra Índia !? E nem adiantava implorar pela aquela minha bota emprestada.

 

Aquela situação já tinha dado no saco de todos ali, tanto é que até o “Juninho” se impacientou e chegou pra ver o que estava acontecendo. Aí meus amigos, nossa, all hell breaks loose e quando vi a cara do a uma hora dessas promovido a “coitado” atendente, eu que estava tentando controlar o tal ataque de riso não acreditei e soltei uma gargalhada daquelas.

 

Quem é o “Juninho” ? O apelido que eu dei para um africano que de tão grande e forte era capaz de botar o Anderson Silva para correr pra debaixo da saia da mãe antes mesmo de entrar no Octagon.

 

“Quem tem c# tem medo” e o atendente quando viu o tamanho da encrenca que teria que enfrentar quase não teve um, mas dois trecos !

 

A partir dali foi risada pra todo lado, inclusive do atendente que tinha acordado de vez.

 

E não é que deu certo ? No fim tudo acabou bem, o cara liberou todo mundo e eu não tive que substituir o ataque de riso para o “deixa que eu chuto” mode on. Agradeci e dei linha rapidinho dali antes que ele mudasse de idéia.

 

Pois é, além de ser o melhor remédio rir pode ser a melhor solução também. Pena que a minha gerente gostosa não pensa assim. E olha que eu capricho quando vou pedir alguma coisa.

 

Fui para a imigração que numa hora dessas estava sem fila e rapidamente me livrei dessa parte, andei alguns “quilômetros” até chegar a esteira (a bagagem sempre sai na última) onde minha mochila aguardava por mim sozinha da Silva, a coitada deve ter rodado tanto naquela esteira que saiu tonta.

 

Como eu já conheço aquele aeroporto de cor e salteado, saí e fui arrumar um transporte bom e barato. A primeira tentativa não foi nada feliz, a moça do balcão me ofereceu um preço ridículo no que eu prontamente ri da cara dela e respondi em alto e bom som “eu preciso apenas de um carro, minha senhora, não de uma van inteira pra mim, qualé ? Segura o tchan !”

 

Ela entendeu o recado e nessas eu arrumei um taxi pré-pago. Entrando no carro o motorista quis subir o preço e eu que não tava com muito saco para ouvir besteira; resignado mas nem um pouco surpreso afinal taxista é taxista em qualquer lugar do mundo e deve fazer parte de um ciclo de reencarnações que, desconsiderando a ordem, além de taxista ainda tem corinthiano, flanelinha, político brasileiro e indiano; fuzilei ele e sua excelentíssima mãe apenas com um olhar e antes mesmo de me acomodar no carro já fui saindo quando o cara praticamente me segurou e pediu pra ficar.

 

Peralá, o dia todo viajando e eu ainda tinha que lidar com dublê de corinthiano nesse lado do mundo ? Eu estava com o voucher na mão então era só sair e entrar num outro carro, simples assim. O cara viu que eu ia fazer isso, pediu desculpas, falou que estava tudo bem e fomos embora. E olha que nem era tanta grana assim mas eu vou pelo principio. Pois é, vida de mochileiro é complicada às vezes mas alguém precisa viajar, né ?

 

O trânsito aquela hora da madrugada estava tranqüilo e depois de um tempo já estávamos cortando aquelas verdadeiras rodovias suspensas que inventaram para aliviar um pouco o trânsito da capital tailandesa, acho até que conseguiram porque continuam construindo mais delas. Manjam o minhocão em Sampa ? Então, nada a ver, em Bangkok eles aparecem na forma de estradas suspensas com quilômetros e quilômetros de extensão. O visual é feio demais mas é bastante eficiente porque o trânsito flui que é uma beleza, mas isso tem um custo, além da feiúra ainda paga-se um pedágio para poder circular por elas.

 

Circulando por essas rodovias suspensas dá pra se ter uma boa noção da cidade olhando ela por cima, uma mistura de arranha-céus modernos, templos e prédios bem detonados. Perto desses últimos, aquele prédio “lindio” de Sampa apelidado de “treme-treme” parece o Burj Al Arab.

 

Apesar de suja, caótica, decrépita em alguns pontos e às vezes conseguir ser mais feia do que a minha querida Sampa eu ADORO Bangkok (quer cidade bonita então vá para Paris), a cidade é super full on e sempre tem algo acontecendo, coisas de cidade grande. Se não tomar cuidado ela te engole, é pegar ou largar. Assim como Sampa, o que ela tem de feia tem de impactante, não dá para ficar indiferente a aquilo tudo, goste ou não.

 

Desci perto do lugar onde eu sempre costumo ficar, não é na Khao San Road afinal não é porque sou um mochileiro assalariado e brasileiro que tenho que ser tapado também, ficar na Khao San nem pensar, o negócio é tentar algo nas imediações mas meu conselho é ficar ali se você faz parte da turma da mochila ou do viajante econômico, se não for é melhor procurar outra freguesia e fazer incursões apenas para dar uma olhada na famosa rua. E nada de ficar muito longe porque a localização é uma mão na roda, algumas das melhores e mais famosas atrações da cidade estão a uma caminhada de distância.

 

Eu fico a cerca de uma quadra e meia dali e o trajeto caminhando é tão legal que toda vez é como se fosse a primeira. Tudo bem que quando tento cortar o caminho por uma espécie de conjunto de construções incluindo um ou outro templo eu me perco (já comentei sobre o GPS inexistente) mas isso não é nenhuma novidade afinal se tem alguém perdido nesse mundo esse alguém sou eu.

 

Falando nisso, pelo andar da carruagem acho que não sou só eu o perdido, dá uma olhada na presidente Dilma e me fala se hoje em dia tem alguma pessoa mais perdida, porém bem paga, do que ela.

 

Aquela hora não dava pra cortar caminho pelo templo então fui caminhando tranquilamente por um trajeto que eu já conheço faz tempo e que eu simplesmente ADORO. Vou passando por bares, restaurantes, tuk-tuks, lojas, barracas, camelôs, gatas mochileiras (é o que não falta no sudoca asiático), comida de rua e senhoras com suas caixas de isopor onde obviamente eu tenho que fazer um pitstop básico e comprar um suco de laranja, aquele mais gostoso do mundo. Quanto a banana-pancake (aquela também mais gostosa do mundo) vai ter que esperar eu jantar primeiro, mas ela não me escapa.

 

Esse caminho me leva a uma ruazinha onde com certo sacrifício passa um carro apenas e onde está localizado o hotel BrBB (“r” para “relativamente”) em que eu faço questão de me hospedar por ser bem...digamos assim... “Bangkok” mesmo. Manjam aquele hotel do filme “a praia” onde o “mochileiro” di´Caprio ficou quando chegou em Bangkok ? Então, nada a ver. Mas também é bem simples e além de ter uma certa personalidade é melhor, mais limpo e mais seguro. Tem preço justo e com atendentes simpáticos e prestativos, não preciso mais do que isso.

 

Nada de decoração invocada, luzes, design, arquitetura incrementada, conceitos modernosos e outras viadagens, isso eu deixo para Bali. Ou Ubud.

 

Banheiros compartilhados (sempre limpos, por sinal), ventilador de teto (acho que tem quarto com ar condicionado) e chuveiro frio, algo que você vai pedir de joelhos quando encarar o clima de Bangkok. Falando nisso, nesta minha última vez eu bati o recorde de banhos num dia só, depois do décimo primeiro eu parei de contar. O último recorde tinha sido no Vietnam.

 

Cheguei, fiz o check-in, pedi aquele desconto básico e um quarto num andar baixo (não tem elevador), tomei meu banho e saí pra rua atrás de algo pra comer. O restaurante do hotel é bem bom por sinal mas eu só uso ele pro café da manhã, na frente tem um hotel também bacana (o restaurante porque os quartos que eu vi na minha antepenúltima visita praquelas bandas eram ruins demais, presídio total, caixa de concreto e fica escuro o dia todo, nem dá pra saber se é dia ou noite) com direito a música lounge e sempre tem uma ou mais gringas lendo um livro e tomando um shake (ou cerveja, dependendo da hora), mas depois de ter passado o dia todo matando o tempo entre aeroportos, saguões, fila, avião, barcos, taxistas, imigração, etc eu queria esticar as pernas um pouco, andar pelo tal caminho de/para meu hotel que eu gosto tanto e tentar achar um lugar mais movimentado àquela hora da madrugada, o que não seria difícil afinal a Khao San Road fica ali pertinho.

 

Fiz o caminho inverso curtindo tudo aquilo mais uma vez e getting in the groove da Tailândia com mochileiros do mundo todo, altas gatas inclusive. Tem uns doidos também mas o que não falta é gente meio doidona na região da Khao San Road, sem stress. Baita muvuca mesmo e apesar de ter sempre muito gringo curtindo seu esporte favorito (leia-se enchendo a cara e fazendo bar-hopping o dia (e a noite) toda), eu nunca vi muita confusão ali, entenda confusão como brigas, polícia, tráfico, desfile de fuzis, pagode, axé, gente chata empurrando pulseirinha do Senhor do Bonfim, passeata de maconheiros, “pega-ladrão” e outras brasilianices do gênero.

 

Chegando na esquina me deparei com uma cena não muito agradável, Bangkok tá longe de ser uma cidade limpa e nos sacos de lixo próximos a um restaurante havia uma família inteira de ratazanas gigantes maiores do que aqueles cachorros de boiola, qual é mesmo a raça, poodle ? Não, poodle é cachorro boiola e não cachorro DE boiola. Ah, lembrei, pitbul. Por que cachorro de boiola ? Ué, dá um check nos tipos que geralmente são os donos desses cachorros, tudo lutador de jiu-jitsu e esse negócio de macho ficar agarrando macho eu já falei o que acho, certo ? Toca pra Miami.

 

Atravessei a rua e continuei andando até achar um restaurante bacana com música ambiente mais bacana ainda (a comida é boa e tem preços razoáveis mas a breja é uma paulada) e comi a comida dos justos.

 

Satisfeito, depois fui dar uma volta básica na Khao San Road mas a muvuca já tinha terminado, o que se via era um monte de barracas amarradas depois de mais um dia bastante cheio, incrível como aquela rua é movimentada. Inacreditável como gira grana ali e nessas a Tailândia enche o bolso e consegue atrair muitos turistas, seja turista em resorts caros, mochileiros viajando no budget ou infelizmente os execráveis turistas sexuais enquanto o Brasil, com exceção desses últimos que continuam vindo em grande número, parece querer eles longe.

 

Eta paisinho, uma vez pobre sempre pobre mas fala baixo senão os ufanistas buzinam. Deve ser tudo petista ou essa gente de ONG patrocinada pelo Governo. Atenção : ONG patrocinada pelo Governo !!!! Falando em ONG, daqui a pouco vão criar a ONG da Maconha, isso se já não tiver (se não tiver não se preocupem porque quem quiser abrir o STF garante).

 

Não sei muito bem como e quando começou essa “febre” da Khao San Road mas já está nos holofotes dos mochileiros há bastante tempo assim como a bela Cusco e a decadente Freak Street no Nepal, isso se ainda existir porque quando estive lá não vi muita coisa.

 

Não deixem meu médico (lembrando que o mesmo medico disse para não contrariar) ouvir o que vou dizer mas a Khao San Road parece uma espécie de Times Square pra mochileiros, eu não me arrisco a dizer onde bomba mais, guardada as devidas proporções, é claro. E obviamente a Times Square é bem mais organizada, limpa, não tem som alto e tá cheia de brasileiros, esse que vos escreve inclusive. Nada é perfeito.

 

Já a lendária Khao San é uma zona só com cartazes, luzes (baita poluição visual, imagino o Kassab ali...), bares e restaurantes com música alta (parece haver uma competição pra ver quem faz mais barulho), mesinhas nas ruas, às vezes só cadeiras mesmo porque o espaço é bastante disputado - mas democrático - com neguinho vendendo cervejas e aqueles baldes com uma bebida que até hoje não consegui identificar, parece uma mistura de gasolina, redbul, coca cola e muito gelo.

 

E no meio disso tudo dá-lhe barracas de camelô. Para agradar todo mundo rola uma espécie de rodízio entre as barracas, claro que não todas, mas todo mundo sempre consegue um jeito de armar a barraca (no bom sentido, é claro) ali e vender seus produtos. Se procurar com atenção tem bastante coisa legal e as lojas escondidas pelas barracas do camelódromo mais famoso do sudoca asiático escondem produtos de qualidade.

 

Peça falsificada é mato, pirataria pura mas who gives a f#ck ? Eu que não sou. E pelo visto os gringos também não, haja vista a volúpia com que eles fazem suas compras. Passam o rodo, impossível chegar lá e não comprar alguma coisa mas tem que segurar a onda (e a carteira) porque tem coisa boa em outras regiões da cidade por preços muito mais camaradas, inclusive nas ruas paralelas, o negócio é ir entrando nos corredores apertados e se perder nas ruelas espremidas cheias de lojinhas escondidas ótimas para conseguir os melhores preços.

 

A dica é barganhar sempre, se bem que acho que já foi mais fácil barganhar na Khao San Road, eles sabem que se você não comprar vem um outro e compra. A Tailândia tem muito disso pois o fluxo de turistas é bastante intenso. Somado a isso o fato de que a Tailândia é o único país no sudoca asiático que nunca foi colonizado e isto de certa forma é refletido na atitude do povo que não precisa se curvar a quem vem de fora. Muito bonito na teoria mas na prática o dindim sempre fala mais alto, se for em dólar e euro então... Mas o baht em grandes quantidades costuma ser muito bem aceito.

 

A fauna humana então nem se fala e o mulherio, PQP, meus d´s ! A cada caminhada eu me apaixono umas trocentas vezes. É muito legal ver o fluxo de mochileiros, sempre tem gente chegando e saindo carregando suas mochilas, o frenesi e a muvuca são intensos mas vou falar, às vezes cansa um pouco e acho que umas duas ou no máximo três noites por ali já deu no saco. Pois é, devo estar ficando velho mas quem não está ?

 

Rola muita babaquice também, todo mundo fazendo o possível pra chamar atenção e aí tá a parte chata, pelo menos é o que eu acho (tô falando que tô ficando velho..rs). Parece carnaval, neguinho despiroca mesmo e os babacas se esbaldam.

 

Qualquer coisinha é motivo de aglomeração, quanto mais ridículo melhor. Tô falando que é um carnaval mas enfim, não adianta eu falar, a pessoa tem que ir pra ver e tirar suas próprias conclusões.

 

Neguinho também aproveita que está longe de casa, que tudo é barato e sai tocando o terror. Acho que nas minhas primeiras vezes lá (ainda nesse século, que fique bem claro) tinham mais israelenses mas eles ainda continuam batendo cartão em grandes grupos e é um pessoal bastante festeiro e gente finíssima.

 

Eles têm um “quê” de brasuca/latino que facilita bastante a interação (e olhando com atenção dá até pra achar umas gatinhas israelenses também, mas precisa de muuuuuuita atenção), mas a maioria esmagadora do pessoal ali é formada de europeus e outros gringos no geral que estão no meio de uma expedição etílica mundo afora, geralmente de/para a Oceania, explorando o mundo fora da bolha dourada a que são acostumados, melhor aproveitar bem pois como o mundo gira creio que para as próximas gerações essa boiada está bem comprometida, tem muito país rico e desenvolvido passando ou prestes a passar o pires e não estou me referindo apenas a periferia da Europa como Portugal e Espanha. Eu disse países ricos e desenvolvidos. Neguinho vai ter que apertar o cinto mais cedo ou mais tarde porque a conta vai chegar.

 

Pessoal, vou ficando por aqui mas vocês já sabem, depois eu volto para dar mais uma pincelada rápida em Bangkok e, quem sabe, finalizar a trip. O que vier primeiro.

 

Grande abraço e valeu mais uma vez pela companhia e paciência.

 

Virunga

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  • 1 ano depois...

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