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Joinville a Ushuaia de carro [2014-02 Uruguai, Patagônia Argentina e Chilena]
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Dia 01 - 01/02/2014 – Joinville a Chuy • Quilometragem do dia: 1.126 • Quilometragem acumulada da viagem: 1.126 • Gasto aproximado do dia em reais: R$ 946,80 Com tudo planejado e com
33 dias viajando de carro pela Patagônia argentina e chilena
Período de viagem: 01 fevereiro a 05 de março de 2014
Preparação
Roteiro
Há um tempo, meu namorado e eu lemos um relato do Roy Rudnick, autor do livro Mundo Por Terra em conjunto com Michelle Weiss. O relato descrevia a sua viagem de moto em 1999 a Ushuaia (http://www.mundoporterra.com.br/outras-aventuras/1999-2000-ushuaia-a-rota-do-fim-do-mundo-roy-rudnick/). A partir daí começamos a nos imaginar refazendo o percurso ao extremo sul da América.
Já tínhamos ouvido falar sobre as muitas belezas da Patagônia, mas elas até então pareciam bem distantes. E o que mais nos preocupava era como ir, pois não tínhamos um veículo 4x4. Em um bate-papo dos autores do livro Mundo Por Terra numa livraria em Joinville, perguntamos se era possível irmos pra Ushuaia com um carro popular e a resposta foi bem positiva. E para completar, pouco tempo depois vi uma reportagem de uma viagem muito parecida saindo de uma cidade próxima feita de Fusca (http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2012/09/quatro-amigos-vao-ate-cidade-mais-ao-sul-do-mundo-bordo-de-um-fusca.html).
Depois disso, começamos a estruturar nosso próprio roteiro, pesquisar o que precisaríamos, ler muitos blogs e relatos aqui do Mochileiros.com. E conforme encontramos informações mais dúvidas também surgiam.
Por isso, aqui neste post, seguem informações, planejamento e relato para ajudar quem tem como destino a cidade de Ushuaia ou mesmo a Patagônia.
Nosso objetivo inicial era de Joinville ir para Ushuaia pela Ruta 40, oeste da Argentina, e pela Carretera Austral, no Chile, e retornar pela Ruta 3, litoral argentino. Mas, ficamos com muitas dúvidas a respeito do tempo que levaríamos, pois eu tinha apenas 32 dias de férias. Então decidimos fazer o trajeto contrário, porque pelo litoral a distância até Ushuaia era menor e, por estarmos descansados, conseguiríamos fazer uma maior quilometragem diariamente.
Tínhamos em mente visitar, além de Ushuaia, a Península Valdés, Parque Nacional Torres del Paine, Parque Nacional Los Glaciares em El Calafate e El Chaltén, Cueva de las Manos no Vale do rio Pinturas, Capillas de Mármol, Parque Nacional Queulat, Parque Nacional los Arrayanes e o Museu Municipal Ernesto Bachmann em Villa El Chocón.
Depois de muita pesquisa e análise da quilometragem fizemos um roteiro para 32 dias:
Tínhamos a possibilidade de ficarmos mais dois dias viajando, mas preferimos deixar esse tempo disponível para alguma eventualidade.
Nossa viagem teve o seguinte trajeto:
Fonte: http://www.goprotravelling.com/trip/a4458b0764e4fb27ecf120558edcc5f1
[t3]Bagagem[/t3]
Documentos necessários
Além do roteiro tínhamos muito que organizar. Por ser uma viagem internacional precisávamos prestar atenção à documentação. Levamos para a viagem:
http://www.dpf.gov.br/servicos/passaporte/requerer-passaporte/requerer-passaporte)
• CNH – Carteira Nacional de Habilitação: Levamos nossa carteira de motorista nacional apesar de existir uma carteira de habilitação internacional chamada PID (Permissão Internacional para Dirigir). Se diz ser necessária para entrar no Chile, porém este documento não é cobrado. Mais informações sobre o PID em: http://www.denatran.gov.br/informativos/20070611_permissao_internacional.htm.
• CRLV - Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo: A documentação do veículo precisa estar no nome do condutor/motorista principal. Caso não esteja é necessário uma autorização do proprietário do veículo registrada em cartório e com firma reconhecida em cada consulado dos países visitados. Pelo que pesquisamos este processo é bem trabalhoso. Não precisamos dele porque o carro estava no nome do condutor.
• Seguro Carta Verde: seguro obrigatório para entrada no Uruguai e na Argentina. É necessário que o seguro cubra as datas em que o veículo vai ficar em território argentino e uruguaio. Para a nossa carta verde pagamos R$ 270,00 na HDI Seguros para o período de 31/01/2014 a 07/03/2014. Ela cobria também o território chileno, apesar de não ser obrigatório.
Além destes documentos, levamos RG, CPF, Comprovante de residência brasileira... que não foram necessários durante a viagem. E por segurança, fizemos cópias dos documentos que tínhamos e salvamos em uma pasta online.
Precisamos apresentar nossos documentos somente nas aduanas (Passaporte, CNH, CRLV e Carta Verde), reserva de hotel (normalmente passaporte) e quando fomos parados pela polícia nas barreiras fitossanitárias. E não tivemos nenhum contratempo.
Itens obrigatórios
Vimos também que alguns itens, além dos que já estamos acostumados a ter, eram obrigatórios no carro:
• Triângulo adicional: na Argentina são obrigatórios dois triângulos. Conseguimos o segundo triângulo emprestado.
• Cadenas: são as correntes que vão nos pneus, em caso de neve. Como viajamos somente no verão não precisamos delas.
Não é necessário ter lençol branco, kit de primeiros socorros e outros equipamentos que se comenta ser necessário para entrar nesses países. Lemos muitos relatos de tentativas de extorsão pela polícia, principalmente argentina, usando do argumento de que o visitante não continha todos os itens obrigatórios. E através de uma sugestão daqui do Mochileiros.com estudamos bem as obrigações no trânsito.
Felizmente nenhum item nos foi solicitado e não tivemos nenhum problema ou indisposição com a polícia. E de modo geral fomos muito bem tratados durante toda a visita.
Bagagem
Os demais itens que levamos foram basicamente itens pessoais como roupas, materiais para acampamento e comida.
Nem tudo o que levamos, nós usamos. Principalmente roupas, nós conseguimos aproveitar o uso porque conseguíamos lavá-las nos hotéis e hostels que ficamos.
Segue abaixo a lista da nossa bagagem por categoria.
ELETRÔNICO
Importante: Levamos várias baterias extras (porque não sabíamos qual o periodicidade que recarregaríamos as baterias), pendrives e HDs externos (para backups das fotos).
• Carregador de notebook
• Mouse
• Pilha AA
• Câmera digital Sony TX20
• Carregador e cabo da câmera
• Bateria extra
• Cartão de memória extra
• Câmera digital Sony DSC W320
• Carregador da câmera
• Cabo USB da câmera
• Tripé
• Câmera GoPro
• Carregador da câmera
• Bateria extra
• Adaptador cartão SD
• Acessórios
• Tripé grande
• GPS Garmim
• Cabo do GPS
• Pilhas extras GPS normais
• Pilhas recarregáveis GPS
• Carregador de pilhas GPS
• Adaptador veicular USB
• Celular
• Carregador de celular
• Bateria extra do celular e cabo
• HD externo e cabo USB
• Pendrive
• Inversor 12V para 110V
• Suporte automotivo para GPS/Celular
• Cabo de rede
VESTUÁRIO
Eu levei muitas roupas de frio, mas não usei todas. Basicamente usei uma segunda pele não tão quente, um fleece grosso e um corta-vento. É importante ter um bom corta-vento, porque o vento patagônico tem uma força surpreendente.
• Blusa manga comprida
• Blusa segunda pele
• Blusa de lã/fleece
• Jaqueta impermeável/Corta-vento
• Casaco sobretudo
• Cachecol/lenço
• Calção/Bermuda/Shorts
• Calça segunda pele
• Calça legging
• Calça jeans
• Calça impermeável
• Chinelo
• Tênis
• Bota de caminhada
• Bota de montaria
• Meia grossa e fina
• Calcinha/Cueca e Sutiã
• Roupa de banho (biquini/sunga)
• Pijama
• Luva (segunda pele e lã)
• Chapéu/Boné/Touca
• Óculos de leitura
• Óculos de sol
• Relógio
HIGIENE
Como o tempo é muito seco em boa parte da Patagônia argentina usamos muito hidratante e protetor solar.
• Cotonete
• Creme hidratante corporal e facial
• Desodorante
• Escova de cabelo/pente
• Escova de dente e pasta, fio dental e flúor
• Espelho
• Gel fixador
• Lenço umedecido
• Papel higiênico
• Protetor solar corporal, facial e labial
• Repelente
• Sabonete
• Shampoo, Condicionador e Shampoo seco
• Talco
• Toalha de banho e rosto
LAVANDERIA
Levamos alguns itens para podermos lavar nossas roupas, o que foi muito útil.
• Escova
• Sabão líquido
MATERIAL DE CAMPING
• Apito
• Barraca
• Bastão de caminhada
• Binóculo
• Bússola
• Camelback e Cantil
• Canivete multiuso
• Capa de chuva para a mochila
• Capa para chuva
• Clorin
• Cobertor térmico aluminizado
• Cobertor
• Combustível
• Cordas multiuso
• Fita adesiva (silvertape)
• Impermeabilizante de barraca
• Isolante térmico
• Lanterna de cabeça
• Lanterna de mão e pilhas
• Lona plástica
• Mochila cargueira e de ataque
• Pano para limpar a barraca
• Prendedores de roupa
• Saco de dormir
• Sacos plásticos
• Termômetro
• Tesoura
COZINHA
• Caixa térmica
• Copos ou canecas
• Detergente e esponja para a louça
• Faca e afiador
• Espiriteira
• Fogareiro e gás
• Fósforos, isqueiro e pederneira
• Garrafa térmica
• Guardanapos
• Panelas
• Pote plástico com tampa
• Pratos
• Talheres
OUTROS
• Caixas organizadoras (plástico e papelão)
• Dicionário espanhol
• Mapas
CARRO
Levamos um galão para gasolina, porque sabíamos que poderíamos sofrer com a falta de postos ou de combustível. Felizmente não tivemos nenhum aperto para usarmos a gasolina do galão.
• Cambão
• Ferramentas
• Galão para gasolina e Mangueira
• Triângulo extra
MEDICAMENTOS
Levamos alguns medicamentos que consideramos importantes. Usamos bastante analgésico e tomamos vitamina C no início da viagem para manter a imunidade alta.
• Analgésico Neosaldina e Resfenol
• Antialérgico
• Antiespasmódico (para cólica)
• Bala de gengibre (para enjoos em viagens de carro/cinetose)
• Band Aid
• Bepantol
• Cataflan
• Colírio
• Comprimidos para náusea e vômitos - Dramin
• Descongestionante nasal
• Hidrafix (desidratação, prevenção de perdas de água e sais minerais)
• Hipoglós
• Mertiolate
• Nexcare Fita Protetora para os pés
• Sal de frutas
• Vitamina C – Cebion
ALIMENTOS
É proibido passar pelas aduanas ou pelas barreiras fitossanitárias com comida fresca como frutas, verduras, carnes e laticínios. Mas é possível levar bastante comida, desde que seja industrializada e esteja lacrada.
Levamos comida pré-cozida (Vapza http://www.vapza.com.br/), macarrão, molhos prontos, queijo ralado tipo parmesão, sopas instantâneas, polenta, sucos de caixa, latas de milho, atum e legumes, biscoitos, torradas, farinha láctea, leite em pó, café, chá, sucrilhos, achocolatado... e até erva pro chimarrão.
Como estávamos de carro, conseguimos levar muita coisa, desde travesseiro a refrigerante 2 litros que ganhamos em Pelotas-RS.
Levando bastante comida conseguimos economizar nas refeições, que não eram baratas.
[t3]Orçamento[/t3]
Estimativa da viagem
Tendo em vista que andaríamos mais de 11 mil km com pedágios, visitaríamos parques, dormiríamos vários dias em hotéis e outros em campings, atravessaríamos o Mar De La Plata para Buenos Aires e o Estreito de Magalhães e faríamos algumas refeições em restaurantes, estimamos a viagem dessa forma:
Já imaginávamos que a viagem custaria menos que o orçamento inicial. Porém queríamos estar prevenidos.
No fim, gastamos menos que 75% do orçado.
Gasolina estava bastante barata na Argentina, conseguimos não abastecer no Uruguai, em que a gasolina é cara, e abastecemos o mínimo possível no Chile. Além disso, conseguimos ótimos câmbios.
Mesmo fazendo o Big Ice em El Calafate, o valor gasto com passeios foi muito menor do orçado, porque a entrada da maioria dos parques era gratuita ou barata. Praticamente não fizemos passeios com agências, o que barateia bastante a viagem.
O único gasto que tivemos além do imaginado foi com a hospedagem. Gastamos mais de 50% do que havíamos previsto.
No fim da viagem os gastos foram os seguintes:
Azul: Gastamos menos do que planejado
Amarelo: Gastamos praticamente o mesmo valor
Vermelho: Gastamos a mais do que o planejado
Câmbio
Tínhamos pensado inicialmente em levar a maioria do dinheiro em cartões pré-pagos (Visa Travel Money - www.visa.com.br/site/pessoas/cartoes/pre-pago/visa-travel-money), porém um mês antes da viagem o governo brasileiro aumentou a alíquota do IOF dos cartões e cheques pré-pagos de 0,38% para 6,38%, igual a do cartão de crédito.
Então decidimos levar cartões de débito e crédito somente para uma eventualidade, porque não queríamos pagar o IOF.
Como o câmbio influenciaria nos números da viagem e sabíamos que a cotação era muito melhor fora do que nas casas de câmbio do Brasil, deixamos pra trocar a maior parte do valor durante a viagem.
A melhor cotação que encontramos em Joinville – SC foi na MultiMoney (www.lojamultimoney.com.br), em que pagamos:
• Peso chileno 0,0050647 reais
• Peso uruguaio 0,1287 reais
Trocando dinheiro pela viagem, as médias das cotações conseguimos foram:
• Peso chileno 0,005158 reais
• Peso uruguaio 0,1190 reais
O peso argentino tinha uma cotação muito boa, principalmente em Buenos Aires.
A troca de peso chileno não foi tão fácil. Trocamos dinheiro em Puerto Natales e em Coyhaique. Em Puerto Natales, por ser turística, foi fácil encontrar um lugar para trocar dinheiro. Mas, em Coyhaique, mesmo sendo uma cidade grande, demoramos a achar um lugar que aceitasse reais.
Apesar de algumas dificuldades que tivemos pra o câmbio, valeu a pena trocarmos o dinheiro pelo caminho. No decorrer do relato, falo um pouco mais a respeito dos câmbios realizados.
A seguir, relato da viagem. Espero que gostem
Editado por Koslinsky