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Mike Weiss

Indo ao Mundo, a segunda volta. 7 anos na estrada.

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Eis que todo mundo faz várias perguntas, dá voltas mas quer mesmo saber como se faz para pagar uma viagem de volta ao mundo. E eis que muitos sites e blogs enrolam, enrolam mais um pouco e acabam dizendo que “não existe fórmula mágica” nem dizem quanto gastaram.

 

Prometo que nesta página você vai ver números que poderá usar na SUA viagem, mas antes disso você vai querer ler algumas ideias sobre as duas principais commodities de um viajante: dinheiro e tempo.

 

Escrevem blablabla demais sobre o assunto… “que cada um tem as suas necessidades e os seus gastos, por isso vai a verba vai depender do seu estilo de viagem , da velocidade e do tempo que tem para viajar”. Ora, isso é o que você já leu em todos os outros blogs por aí e eu não preciso repetir, não é?

 

Eu levei um bom tempo para compreender a relação complicada que existe entre o tempo e o dinheiro na vida de um viajante… Já dizia a canção… “Cause it’s a bittersweet symphony this life, trying to make ends meet, you’re a slave to money then you die…“

 

São tantas as tentações e ostentações, que para nós da classe média é realmente complicado resistir à escravidão do carnê de prestações do carro, da casa própria e até daquela viagem de compras para Nova Iorque. O problema é que estas necessidades e até algumas coisas fúteis que lá no fundo compramos porque acreditamos merecer (afinal trabalhamos tanto) acabam nos dando a ilusão de que isso é a felicidade. Passamos a acreditar que Minha casa = Minha VIDA, quando a definição mais apropriada poderia ser Minha casa = Minha DÍVIDA. Seria cômico se não fosse trágico!

 

Não confunda. Não estou questionando a necessidade e o conforto da casa própria (afinal eu escolhi ter a minha, mesmo não morando nela) ou trazendo à tona a velha questão “dinheiro compra felicidade?”. Acredito que todos nós já ultrapassamos este tipo de questão! EU acredito que dinheiro facilita a vida sim, mas felicidade é algo muito mais amplo, geralmente constituída por amor, saúde, paz e liberdade.

 

O problema é que quanto mais associamos o dinheiro e objetos à felicidade plena, mais acreditamos que é de dinheiro que precisamos para viver de verdade… ficamos escravos dos objetos que temos que pagar, quando na verdade estamos pagando com algo muito mais valioso, pagamos muitas futilidades e necessidades com a nossa liberdade! (e há quem pague também com a saúde, paz e até amor).

 

Enquanto isso o tempo passa, e nos convencemos de que somos pobres demais para comprar a nossa própria liberdade… que engano grotesco!

 

É exatamente aqui que eu queria chegar. Acredito que muitas pessoas esqueceram-se de buscar o equilíbrio dessa equação entre dinheiro e liberdade, porque vivemos numa sociedade com muitas pessoas pobres. Os que não são pobres financeiramente, são pobres de tempo e vice-versa… acho triste que a nossa liberdade e tempo sejam tão inflacionados por nós mesmos!

 

Tenha atenção: cada um prioriza e precifica a sua própria liberdade da maneira que quer. Muita gente acredita que longas viagens internacionais são privilégios de milionários, “bichos-grilo” ou estudantes sustentados pelos pais… é só mais um ledo engano, e fico feliz por ter compreendido ainda cedo que isto não é verdade. Posso garantir para vocês que um mês de viagem desfrutando das diferentes culturas, pessoas e lugares de qualquer país do mundo pode ser tão ou mais barato quanto “comprar” o estilo de vida da classe média brasileira por trinta dias. O problema é querer ambos ao mesmo tempo: viajar e ter o estilo de vida da classe média brasileira custará o dobro e será chato de doer… é questão de preferência pessoal, mas acredito que deixar alguns confortos de lado faz com que você fique muito mais exposto aos valores e culturas de um povo desconhecido – e isso é muito interessante!

 

Mas agora dizem existir uma solução inovadora para os viajantes… está na moda se autodenominar “Nômade Digital”. Escreve aí: aparecerão (já apareceram) ainda mais blogs “altruístas” ensinando na maior boa vontade(?!) como ser um Nômade Digital e como a vida sendo um deles é legal e interessante quando sabe-se manter a disciplina do trabalho na estrada.

 

Respeito, mas acho piada… porque as ideias da maioria desse pessoal não correspondem aos fatos! Exceto raríssimas exceções, não passam de pessoas querendo o seu tempo e a sua audiência transformada em patrocínio para pagar a viagem deles… a ideia é boa (porque vende) mas já é batida. Lá fora deu certo e fundaram até uma “Universidade para Digital Nomads”… tsc tsc tsc

 

Não é nenhuma novidade que a internet possibilita o trabalho online em qualquer lugar do planeta. E penso que também não é nenhuma novidade que a imensa maioria dos viajantes que consideram-se nômades digitais são viajantes que juntaram dinheiro ANTES de cair na estrada.

 

Poucos, uma parte bem pequena deles consegue financiar 100% da vida de viajante com trabalhos online enquanto viajam. Eu disse poucos, não disse que é impossível. A verdade que deve ser sublinhada é que ser um nômade digital requer paciência, muita dedicação prévia a viagem, disciplina e até uma dose grande de “estar no lugar certo fazendo a coisa certa para o público certo”, praticamente um alinhamento estelar que pode ser tão intenso e fugaz quanto uma viagem de férias de dez dias. É bonito demais quem consegue isso de uma forma genuína, duradoura e com integridade… mas não se iluda, ser o tal nômade digital propriamente dito não será a panaceia de todos os seus problemas, e a longo prazo é mais complicado do que você imagina.

 

Outra vertente quase que oposta, também levanta a minha sobrancelha… é a turma do “Alegria Alegria” ou do “vou cair na estrada amanhã, sem planejamento e sem dinheiro, isso que é aventura de verdade”... "vou fazer como os milhares de argentinos que estão espalhados viajando por aí fazendo malabarismo e artesanato".

 

Na música tropicalista com palavras copiadas de Jean-Paul Sartre até parece tentadora a ideia de sair por aí sem lenço, sem documento sob o sol de Dezembro… No mundo em que nós vivemos agora, o tal viajante sem identidade não embarcaria num ônibus interestadual. Ah é, ele pode pegar carona… mas só até a fronteira!

 

E olha, essa conversa sobre viajar sem dinheiro dá “pano pra manga”, não quero me estender nesse assunto. Só quero deixar registrado para você, viajante, que é preciso o mínimo de planejamento, alguns vistos podem ser necessários e que viver por aí fazendo dinheiro na estrada pode ser uma função limitadoramente dura, e isso acaba restringindo demais as experiências, tirando o foco da viagem em si, pois a função principal pode passar a ser a mera sobrevivência... é uma questão pessoal, ponto.

 

Então você me pergunta qual é a boa… e não, eu não caio em lugar comum dizendo que cada um tem a sua forma de ganhar e gastar dinheiro. Que os viajantes são diferentes, todos nós sabemos. Mas também sabemos que às vezes é preciso ter a segurança de um número guia, uma projeção, uma luz para saber se vai dar ou não, e é por isso que passo a expor os números que eu tenho da minha RTW e que tentei atualizar para 2014 e que postarei em outros posts "ao vivo" o que tenho gastado nessa nova volta.

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BILHETE RTW ONEWORLD 16 VOOS EM 5 CONTINENTES: R$ 12.000,00

 

PASSAPORTE, FOTOS, VACINAS E VISTOS TIRADOS NO BRASIL: R$ 1000,00

 

SEGURO DE VIAGEM DE UM ANO: R$ 2400,00 (não deixe de fazer o seguro se estiver em países como EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Japão).

 

GASTO MÉDIO MENSAL NA ESTRADA: R$ 2400,00 *média dos gastos considerando 1/4 da viagem em países desenvolvidos, utilizando albergues e couch surfing e fazendo atividades turísticas de forma moderada.

 

TOTAL DE GASTOS SEM LUXOS NEM GRANDES DESCONFORTOS DURANTE UM ANO: R$ 44.200,00.

 

Simples assim. Indiferente da forma como você vai conseguir este dinheiro, se economizando do seu salário, com trabalhos na estrada ou na internet… é isso que você precisa para fazer uma viagem de um ano.

 

Ah, mas você não vai comprar bilhete de volta ao mundo, vai viajar mais lentamente entre os países mais baratos? Melhor ainda! hehehe

Outra dica fácil e sem complicações que eu sempre dou e costuma funcionar é ir ao hostelworld.com e achar o albergue mais barato (com quarto compartilhado, claro) do país onde irá ficar, multiplique o valor da diária deste albergue por 60 e terá noção do quanto irá gastar num mês naquele local.

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Na imagem, o traço em VERMELHO representa a primeira viagem de volta ao mundo, com o bilhete RTW Oneworld.

Estão pintados de AMARELO os países que visitei antes de começar a segunda volta ao mundo, ou seja, antes de Fevereiro de 2014.

O traço em AZUL representa o roteiro da segunda viagem de volta ao mundo, iniciando em Blantyre no Malawi (onde eu estava trabalhando) até a Costa Rica, onde estou agora, em Outubro de 2014.

 

Ainda estou trabalhando no roteiro da segunda viagem de volta ao mundo... imagino continuar subindo pela América Central, visitar Cuba e alguns países do Caribe e seguir rumando ao Alaska... para depois cruzar para a Europa, possivelmente norte da África, Oriente Médio, os Stãos e Ásia... aceito sugestões e discussões sobre o roteiro!!! ::otemo::

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É claro que a viagem começa muito antes do primeiro passo...

 

A preparação foi longa... e culminou no dia 28 de Fevereiro de 2014 em Blantyre no Malaui (onde eu estava trabalhando para uma empresa brasileira).

Eu e um grupo selecionado de amigos fizemos a primeira perda do Indo ao Mundo juntos... fomos ao Lago Malaui e ficamos na Ilha de Domwe, com direito a praia particular, sem acesso à energia elétrica e muito menos ao telefone e internet... um verdadeiro privilégio encontrar lugares assim hoje em dia. Não poderia ter começado melhor!

 

Quatro dias depois eu já estava seguindo rumo ao norte. Peguei um ônibus para Lilongwe, capital do Malaui, de onde pegaria um outro ônibus de 32 horas para Dar es Salaam na Tanzania... mas o ônibus para Dar quebrou e foi cancelado. O resultado foi que passei mais de 50 horas conectando pequenas vans até chegar a Dar es Salaam... só quem andou numa van africana é que sabe o aperto que é... um coloca os ombros para trás e outro coloca os ombros para frente, os pés fazem guerra por espaço no chão e a poltrona da van é claro que não reclina, o calor e o sol incomodam e fazem parte da experiência... 50 horas!

 

Em Dar es Salaam fiquei num hotel barato e segui para explorar o centro da cidade... nada demais, praças, museus, o porto, muita sujeira e comércio. Dar é uma esquina do mundo... ali estão os africanos, árabes e todos estrangeiros num só caldeirão - fervendo!

 

No outro dia segui para a Stone Town em Zanzibar... indescritível perder-se pelos seus caminhos labirínticos, ser seduzido pelo cheiro dos temperos, pela alegria das crianças brincando nas ruas, pela arquitetura decadente ou pelos frutos do mar expostos na feira noturna... Stone Town é dramática e possui uma beleza podre, impossível não ficar boquiaberto com as suas histórias e o seu comércio. Mas Zanzibar não é só Stone Town... a ilha possui praias incríveis, excelentes hostels, excelente snorkelling, muita comida boa e festa... foi na praia de Paje que passei uma semana tirando férias da loucura que foi o início da trip.

 

De Stone Town voei num monomotor para Dar onde conectei para um vôo da low cost Fastjet para o aeroporto de Kilimanjaro no norte da Tanzania, preferi ficar na vila de Moshi onde tudo é mais calmo e tranquilo (e claro, de onde pode-se avistar o majestoso Monte Kilimanjaro). Não, eu não subi o Kilimanjaro por várias razões... primeiro porque o custo do trekking é superior a 1000 USD, dinheiro que eu viria a usar para fazer os safaris e o trekking no Parque dos Vulcões em Ruanda... mas esse é papo para o próximo post. Até lá.

 

Obrigado por me acompanharem, abração!!!

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adorei!!!!muito objetivo....pergunta??vou ir para a NZ em março de 2015,minha primeira viagem internacional,vou ficar na ilha norte,por 17 dias,qual lugat não posso deixar de visitar?

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bela introdução !!

tb estou sempre me questionando sobre essas liberdades relativas que temos....

boas viagens !!

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Obrigado João, Márcio, Aline e Pedrada!

 

Aline, em 17 dias você consegue ver muita coisa da ilha do norte... (tá, eu prefiro a ilha do sul... se vc tiver tempo de mudar, pensa no caso)

Na ilha do Norte eu visitaria Auckland (onde vc vai pousar), Rotorua... que é muito legal pelas águas termais e poços coloridos... o parque Tongariro (perto de Wellington) e se gosta de vinho não deixe de passar por Gisborne. Va também ao lago Taupo... que é bonito e tranquilo. Se o tempo ainda não estiver muito frio vá para Bay of Islands no extremo norte.

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