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Mike Weiss

Indo ao Mundo, a segunda volta. 7 anos na estrada.

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Quem disse que viajar é moleza?

 

 

Mochila nas costas, pula no moto-taxi e coloca o capacete fedido na cabeça... partiu Lago Kivu na fronteira com o Congo!

 

Continuando o relato, logo depois de visitar os gorilas de montanha (experiência indescritível), eu segui para uns dias numa das regiões mais conturbadas do mundo - a fronteira do Congo com Ruanda. Carros da ONU e de diversas ONGs passam em alta velocidade e com os vidros fechados por entre a multidão... sinal de que a região ainda está longe de ser pacífica. Aliás, recomendo fortemente que assistam ao documentário Virunga - http://virungamovie.com a fotografia e a sensibilidade do filme é de cair o queixo – assista!

 

Foram alguns dias descansando a beira do bonito e interessante lago Kivo, que emite gás metano que acabou ceifando (na época, misteriosamente) a vida de vários banhistas locais. Hoje Rwanda já aproveita o gás para produção de energia.

 

Após quatro anos de trabalho na África, eu estava prestes a me despedir do continente que me conquistou por ser o pedaço de terra mais inexplorado, selvagem e propício a aventuras de verdade!

 

Embarquei para Blantyre com conexão em Adis Abeba, juntei os meus trapos e segui para o vôo SA222 que me levou de Johanesburgo para o Brasil... e emocionado escrevi a minha despedida:

 

Hoje não terei um pôr do sol africano.

E apesar de eu mesmo ter escolhido por isso, a verdade é que o coração fica apertado. Apertado porque a dimensão do tempo aqui é diferente... não foram só quatro anos e dois meses, foi uma vida inteira.

Lembro como se fosse hoje o dia da minha chegada em Moçambique... eu era um menino assustado. Sim, assustado como todos chegam aqui... reaprendendo o sentido da palavra paciência, reaprendendo o que é pobreza (afinal pobreza de verdade é um estado de espírito mais comum fora da África do que por aqui), reaprendendo a me expressar, reaprendendo a dirigir (atire a primeira pedra quem nunca confundiu a mão de direção), reaprendendo a amizade...

A África nos ensina e nos amadurece muito, e ao mesmo tempo nos faz criança novamente... porque todas as certezas previamente adquiridas não passam de suposições... assim como na vida, aqui tudo é incerto, e essas incertezas nos ensinam a humildade.

E a definição da palavra humildade não poderia ser mais apropriada: “O termo humildade vem de húmus, palavra de origem latina que quer dizer terra fértil, rica em nutrientes e preparada para receber a semente. É a qualidade das pessoas que procuram se manter ao nível dos outros. A Humildade é considerada pela maioria das pessoas como a a virtude que dá o sentimento exato do nosso bom senso ao nos avaliarmos em relação às outras pessoas”.

Por isso Mãe África, obrigado pela lição de humildade. Deixo teu solo fértil certo de que aprendi muito mais do que ensinei. Vou embora com uma felicidade agridoce, vou já com nostalgia do teu por do sol que não terei hoje.

 

Kanimambo, Zikomo Kwambiri África.

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Após deixar a África, comecei a longa viagem pelo Brasil... não faria sentido "pular" o meu próprio país numa viagem dessa magnitude!

Eu pensava que conhecia muito do nosso país antes de começar esta viagem... ledo engano!

 

Que iniciem as viagens pelo país verde e amarelo!

 

 

É interessante como viajar mexe com a nossa cabeça e até com a nossa idade.

 

Basta cair na estrada para que um mundo de novidades descortinem-se diante dos nossos olhos. O que era rotina deixa de ser... a cadência muda, abandonamos nossos costumes e às vezes temos até que mudar o nosso modo de falar.

 

O aprendizado passa a ser a rotina diária. O reaprender é a palavra de ordem.

 

Passei dias inesquecíveis com a minha avó de 83 anos no sul da Bahia. Sabe aqueles dias que viram fotos de porta-retratos? Pois é... desses mesmos. E foi viajando com ela que notei o quanto viajar apaga as nossas certezas que reinam tão absolutas no nosso inconsciente. Notava que na cabeça tão experiente da minha avó apareciam diversos pontos de interrogação... dúvidas que aparecem somente quando questionamos o nosso próprio conhecimento, quando baixamos a cabeça e aceitamos que não basta ver algo na televisão para conhecê-la, porque é necessário senti-la... viajar é um exercício enorme de humildade.

 

Esta viagem não foi especial só porque me fez lembrar da minha infância, quando viajávamos juntos para visitar a família na Serra Gaúcha, mas principalmente porque notei que até uma senhora do alto das suas oito décadas de vida volta a questionar e volta a comportar-se como uma criança de 5 anos, cheia de “comos e porquês”.

 

E é por isso que sempre afirmo que viajar rejuvenesce... gosto até de exagerar e dizer que a viagem traz a infância de volta. A alma fica limpa para absorver novas ideias, novos sabores, novas pessoas e novos conceitos. O reaprendizado é obrigatório e a readaptação é uma constante.

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esta vida é uma viagem

pena eu estar

só de passagem.

Paulo Leminski - Poeta Curitibano

 

Depois dos dias de descanso no sul da Bahia (Trancoso foi um dos lugares que mais me surpreendeu... pelos altos preços e pela qualidade também), voltei para a Serra do RS onde está parte da minha família... e comecei a rumar norte! Direção que está estagnada na minha bússola!

 

Resolvi pendências em Balneário Camboriú, visitei amigos do coração, bares e museus da sempre velha e boa Curitiba... segui numa romaria de "visita aos amigos" no interior do Paraná em Campo Mourão e Londrina, de onde parti para Bonito no Mato Grosso do Sul.

 

Vamos combinar que turismo no Brasil é caro! Bonito tem lugares incríveis... a flutuação do Rio da Prata é mesmo imperdível e única, mas o precinho... uma facada! Em Bonito fiz o primeiro Couch Surfing desta viagem, aproveitei os bares, as cachaças, os chocolates com frutas regionais... fiz trilhas, tomei banho de cachoeiras... BONITO É BONITO E PONTO!

 

Segui para a Paulicéia Desvairada para ver amigos, comer sushi e aproveitar a vida na cidade grande... foi pouco tempo e o suficiente. Segui para São José dos Campos (sim, para visitar mais amigos) e para conhecer a Embraer. O museu da Embraer foi um tanto decepcionante... enfim... segui viagem para o Rio, Niterói, Paraty, Trindade - dias de amigos, bar e praia, um clichê brasileiro!

 

Era hora de seguir para BH... já passaram-se mais de 100 dias na estrada e eu ainda estava no sudeste!!! Em Minas revi amigos de longa data e fiz amigos para longa data... me surpreendi com Inhotim, um museu absolutamente incrível... Destaque arrepiante para a sala Janet Cardiff com 40 caixas de som. Certamente um dos lugares mais interessantes de todo o nosso país!

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A viagem continuou para Ouro Preto, Brasília (sim, eu gosto de Brasília), Chapada dos Veadeiros para recarregar as baterias e o Jalapão...

 

A história deste post começa no Tocantins, o estado mais novo e talvez mais desconhecido do nosso país. É quase no coração do Brasil que está o Jalapão... a impressão é de estar em algum lugar na savana africana, mas a vegetação do Parque Estadual é uma mistura de caatinga e cerrado.

 

Imagine um lugar agreste, de sol impiedoso, casas de adobe e rostos sofridos porém ternos...

O Jalapão é a hipérbole do contraste! Do estéril cerrado desabrocham flores vívidas como a luz que queima a pele, do fundo da terra surgem cascatas e saltos de águas azuis e frias. Estas mesmas águas formam fervedouros, que são oásis cercados por flores e bananeiras, com um largo poço de água azul transparente onde a água cria o fenômeno da ressurgência, impossibilitando os banhistas de afundarem em suas águas... a sensação é única e até um tanto estranha!

 

Não bastasse o cenário das águas, o plano de fundo é extasiante. Grandes chapadas e formações rochosas multicor parecem terem saído direto da tela de um pintor surrealista... porque o cenário das dunas do Jalapão não é nada menos do que surreal e indescritível. A mescla das dunas douradas de mais de trinta metros com a vegetação verde e as chapadas parece ser um oásis invertido.

 

Junte neste caldeirão uma pitada de aventura, uma seleção de pessoas interessantes e apaixonadas pela vida e pronto... o Jalapão entra na lista dos lugares mais interessantes e absurdos que já vi por aí!

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show mike!!

eu sempre digo, as vezes ficamos querendo abraçar o mundo e o que esta a nossa volta passa despercebido.... sempre bom relativizar nossos parâmetros, rever nosso conceitos e se livrar dos preconceitos!!! os interiores desse brasilzão tem muito que nos revelar !!

força ai, boa sorte e feliz 2015 !!

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Valeu Pedrada!

 

É, notei que muita gente no Brasil está focada em ir para lugares exóticos fora do país porque "dá mais status"... mas cada um com as suas ideias, certo?

A minha ideia foi viajar com tempo pelo meu próprio país, e fui muito feliz na escolha... foi um excelente início para a RTW!

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Perfeito! Trabalhei há algum tempo atrás com cooperativas de artesanato do Jalapão e depois disso é um dos lugares que estão na minha lista "dentro de casa"... Depois desse seu relato emocionante então... Acho que vou colocar no topo da lista! O Brasil é incrível, pena que nosso turismo doméstico seja por vezes tão caro... Já passou pelo no Norte?

Abraços, que vc tenha experiências magníficas nessa nova jornada!

Va (diretamente da China).

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Fantástico, Mike!

O Jalapão é meu sonho desde 2000 e bolinha! Mas como mencionou no caso de Bonito, o Jalapão tb é mto caro! Uma vez, planejei uma trip saindo de BSB para Jalapão (talvez antes visitaria Terra Ronca e Chapada dos Veadeiros), Chapada das Mesas e pegaria o trem da Vale para São Luís. Quase caí pra trás qdo vi que queriam me cobrar R$500 por dia na Chapada das Mesas. Quem sabe um dia compro um 4x4 e faço isso tudo?! Aí incluiria as Serras das Confusões e da Capivara. Nussa! Show!

Abraço,

jaumz

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