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Olá viajante!

Bora viajar?

Mochilão Peru-Bolívia 15 dias =)

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Queria agradecer imensamente a todas as dicas que os outros mochileiros deram sobre o Peru e a Bolívia as quais com certeza contribuíram, e muito, para o sucesso da minha viagem realizada agora em outubro. Eu pretendo retribuir com o seguinte relato para assim ajudar os próximos mochileiros que resolverem se embrenhar nas belezas e loucuras desses países vizinhos. Eu ainda não terminei mas espero que eu consiga colocar um pouco por dia para assim inspirar quem pretende se aventurar pela nossa América do Sul!

*

Lima

 

A ideia da viagem surgiu em uma conversa que tive com meu irmão Henrique em meados de março. Eu tinha umas milhas para vencer e então eu fiz a proposta: “E ai, vamos viajar?”. Ele não hesitou nem um segundo e ainda emendou: “Quero conhecer Machu Picchu”. Sempre quis conhecer o deserto do Atacama no Chile, mas como tínhamos apenas 15 dias resolvemos colocar a Bolívia no meio – por ser mais barata e mais perto de casa. Pensei que o Chile, com seus vinhos e charmes poderia ser visitado em uma próxima ocasião onde ele seria o único protagonista.

A primeira passagem que compramos foi a volta de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, para São Paulo que custou 20.000 milhas e uma taxa de R$ 350,00 pela Gol. Demorou uns dois meses para conseguimos juntar as 24.000 milhas necessárias para irmos para Lima pela TAM/LAN, também saindo de São Paulo, e no final completamos o que faltava com o programa “Quilômetros de vantagens” dos postos Ipiranga.

 

Então o começo e o fim estavam definidos faltava completar o meio. Sabia que seria bom ter Lima como ponto de partida e depois ir descendo rumo ao Brasil. De volta para casa.

O roteiro definido no final foi: Lima – Cusco – Águas Calientes – Cusco – Puno – Copacabana- La Paz- Uyuni - Sucre – Santa Cruz de La Sierra – São Paulo. Quase todas as passagens e hospedagens nós compramos daqui do Brasil o que foi um erro em alguns momentos e um acerto em outros.

 

Nós levamos 3,5 mil reais distribuídos e 340 dólares em dinheiro vivo que colocamos em 6 pacotes. O Henrique andava com uma doleira e eu colocava mais três pacotes, dois na bota e um em uma cinta embaixo do sutiã. Foi uma ótima estratégia. Eu fui furtada em Barcelona e depois disso prometi que para tirar algo que me pertencia ia ter que arrancar de mim. Eu fui um pouco neurótica, não larguei o dinheiro nem um segundo, mas no final deu certo. Com os passaportes idem. Também levamos RG porque é aceito caso acontecesse alguma coisa. E fizemos um seguro de viagem que não é obrigatório para viajar pela AL, mas mesmo assim achamos melhor. Não levamos cartão nem VTM então se acontecesse algo o plano era pedir asilo na embaixada... rs...

 

Quando chegamos a Lima encontramos um clima agradável e a primeira coisa que fez realmente falta foi uma caneta. O voo da LAN foi sensacional, empresa muito boa, chegamos pontualmente na hora prevista, mas a fila da imigração nos deixou uma hora em pé, principalmente porque resolvemos preencher o formulário de imigração depois de descermos do avião. A imigração é ok, mas é importantíssimo guardar o papel que eles te devolvem do formulário – se possível prendam de alguma forma no passaporte. Pelo menos no Peru te pedem passaporte em todos os lugares assim como esse cartão da imigração. Apesar de aceitar RG eu aconselho a levar o passaporte – menos dor de cabeça. Vimos um dos guardas da fronteira encrencando com um casal de brasileiros.

 

O primeiro contato com o Peru foi com o táxi assim que saímos do guichê. Chegamos perto da meia noite (são duas horas a mais) e a primeira oferta foi 45 dólares para irmos até Miraflores onde ficava nosso hostel. Ficava um pouco longe e eu me arrependi momentaneamente por não ter escolhido um local para ficar mais perto do aeroporto porque nosso voo para Cusco ia sair às 8h30 do dia seguinte. Mas no caminho eu vi que Callao, o distrito que fica na proximidade do aeroporto, era um bairro meio estranho e escuro. Achei que foi uma boa então.

 

Quando saímos um taxista nos abordou que fez por 77 solis e como estávamos cansados e loucos por uma cerveja e não discutimos muito. Realmente o caminho era longo e o Orlando, o motorista, foi um verdadeiro guia contando um pouco da história da capital. O câmbio que fizemos no aeroporto foi de R$ 1 para 1,03 Solis contando com os 3% da taxa de câmbio. Isso já deu uma assustada porque eu contava que o Real valesse mais.

DICA: No decorrer da viagem, percebi que a levar dólar em espécie com certeza é a melhor forma de viajar. Eu já sabia disso, mas deixamos para comprar os dólares bem próximo da viagem (dia 09 de outubro,) que por sua vez era muito próximo do primeiro turno então ele estava bem caro e levamos apenas alguns e o resto em Real. Um erro porque o Real varia muito de cidade para cidade enquanto o dólar é estável. Sem contar que muitas coisas podem ser pagas em dólar e vale a pena porque a cotação que eles usam na conversão é muito alta, cerca de 2,91 Solis para US$1.

 

Lima é uma cidade parecida com algumas capitais do Brasil que ficam no litoral. É grande, com ruas largas e construções históricas e tem mais ou menos 8,5 milhões de habitantes. É dividida em bairros que funcionam como distritos e possuem certa autonomia dentre si. Miraflores , onde ficamos, é um deles. É um lugar bem charmoso, com bons restaurantes e me disseram que tem um sítio arqueológico recém-descoberto bem no meio. O hostel que escolhemos foi o Pariwana (Av. Larco 189, Miraflores) e recomendo. Fica em um casarão histórico, muito confortável e tem cara de hostel mesmo: com cozinha e área de lazer. Infelizmente ficamos muito pouco e não podemos aproveitar. Combinamos com o Orlando para nos buscar as 6h00, queríamos marcar mais tarde, mas ele insistiu que deveríamos chegar duas horas antes.

 

Depois do check-in saímos para dar uma volta e eu me senti segura apesar de ser quase uma da manhã. Paramos em uma pizzaria e pedimos uma Cusqueña deliciosa e razoavelmente gelada. Achei cara: 15 Solis uma garrafa de 600ml.

 

No outro dia acordamos e o Orlando estava lá na porta. Ai quando chegamos ao aeroporto o Henrique deu 70 Solis e ele não disse nada apenas pegou. Acho que na realidade o valor era menor, mas estávamos no começo da viagem e ainda não tínhamos pegado o espírito da coisa e o Henrique é muito tranquilo “deixa para lá”. O lance é que no Peru é assim: eles não devolvem troco e eles vão te enganar com o preço. Mas partindo da máxima que turista nasceu para ser enganado, deixamos quieto. Dá um pouco de medo pegar táxi por lá. Não existe um padrão nem uma identificação e taxímetro – lenda. Comecei a achar que o Brasil era um país organizado. Nada como uma imersão em culturas diferentes.

 

No final eu até agradeci ao Orlando porque o guichê da Star Peru estava o verdadeiro caos e se não tivéssemos chegado duas horas antes com certeza tínhamos perdido o vôo. Nós compramos as passagens pela internet direto do site da Star Peru – custou US$ 85,00. Com as taxas de embarque, IOF... ficou mais ou menos R$ 300,00 na época (o dólar estava R$ 2,50). A companhia é aceitável. O avião era meio velho, mas pelo menos eles davam chá de coca e um salgadinho horrível feito de Abas que até hoje eu não sei o que é. O Henrique achou ‘de boa’ mas ele também não é parâmetro porque para ele TUDO sempre estava bem.

 

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Cusco

 

Tudo que eu contar aqui nesse relato eu ouvi da boca do povo peruano. Não fui atrás de saber se é verdade ou não. Cada um que eu encontrava tinha a sua própria versão dos fatos e eu fiquei realmente curiosa em saber com mais detalhes sobre oImpério Inca que se consolidou quando o nono imperador, o poderoso Pachakutic , que em quéchua, principal língua dos Incas, significa “aquele que move a terra” assumiu o trono. Pachakutic era gigante, tinha dois metros de altura, era sábio, um exímio arquiteto, um poderoso guerreiro e “muy mujerengo” como disse nosso guia. Disseram que ele teve mais de 100 filhos. Subjulgou os outros povos e assim ampliou as fronteiras do império Inca que em seu auge abrangia o Equador, a Colômbia, o Peru, uma parte da Bolívia, Argentina e do Chile. A capital desse vasto território ficava concentrada em Quosquo – o umbigo do mundo. Quando chegamos lá, demos de cara com a primeira das inúmeras estátuas do imperador. O taxista (todo taxista no Peru é um guia) começou o relato: Cusco foi construída em forma de um puma, um dos símbolos do Peru ao lado da serpente e do condor.

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Ao contrário do que eu pensei, o apogeu do Império Inca durou apenas cem anos – de 1430 a 1530 quando os espanhóis chegaram. Na época, o Imperador era Ataw Wallpa que caiu em uma cilada ao ser convidado para um jantar com o conquistador espanhol Franscisco Pizzaro encarregado de tornar a região em um vice-reinado da Espanha. Ali, no meio da Plaza de Armas, a praça central de Cusco, Ataw Wallpa jogou uma bíblia no chão ao ser coagido por um padre a se submeter às regras do Reinado da Espanha e aceitar a religião católica. Ele foi preso no Templo do Sol (La Quoricancha – Templo dourado, em quéchua) e condenado. Antes da sua execução, arrancaram os olhos e a língua diante de todo o povo. O nome para a Plaza das Armas em quéchua significa Choro.

 

Os espanhóis destruíram o Templo e hoje funciona uma igreja, o Convento São Domingos. Quem já foi para a Espanha vai notar a incrível semelhança das construções na praça principal a Plaza das Armas. A opressão corre no sangue do povo até hoje: eles são calados, taciturnos, não sorriem com facilidade. Trabalham de Sol a Sol, segunda a segunda. Os comércios sempre estão abertos mesmo aos domingos. Não vi um peruano fumando ou bebendo. É um povo pobre, sofrido, mas não vi uma prostituta, um boteco e muitos poucos mendigos.

 

Ficamos no Wild Rover em uma das ruas centrais. O taxista cobrou 20 Solis mas foi porque eu negociei ele queria cobrar 30. Tenho certeza que é mais barato ainda porque o site do hostel disse que custava de 5 a 8 Solis do aeroporto até lá. Como o check-in abre só as 14h00 nós resolvemos dar uma volta pela cidade e resolvermos a nossa ida para Machu Picchu. Primeiro fizemos o câmbio em um banco que fica nos arredores da Plaza das Armas e foi a melhor cotação do Peru para Real: 1,04. Se por acaso vocês levarem Real não caiam na besteira de trocar apenas uma parte do dinheiro que nem eu e o Henrique fizemos esperando achar um câmbio melhor. Se achar um valor razoável, troca uma quantia razoável porque vai ser difícil achar um valor mais alto.

Almoçamos em um restaurante na rua mesmo do hostel, comemos um ceviche maravilhoso e tomamos pela primeira vez chicha morada – a bebida típica feita de milho. Estava boa.

 

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Meu plano inicial era fechar com alguma agência de turismo o passeio do Vale Sagrado e depois ficar em Ollantaytambo e pegar o trem para Águas Calientes (AC) . Entramos em umas três agências que cobravam preços similares... mas como tudo no Peru era só chorar um pouco que rolava um desconto.

DICA: Um dos principais erros do meu roteiro foi ter reservado o hostel em Águas Calientes aqui no Brasil. As excursões oferecem a hospedagem inclusa no passeio e geralmente são bem baratas. Não sei se são bons ou não. Uma referência legal de hostel que nos disseram é um que chama Supertramp (o nome é de bom gosto...) que um amigo disse que tem um hambúrguer barato maravilhoso e revigorante para quem desce de MP.

 

 

Então eu descobri que existem vários e vários jeitos de chegar em MP e é engraçado que depois que fomos para lá, encontramos muitas e muitas pessoas que tinham chegado de todas as formas possíveis. O jeito mais cômodo, e claro o mais caro, é pagar a excursão padrão que inclui: translado até Ollantay + passagem de trem até AC + entrada para MP + guia + ônibus para chegar em MP +hospedagem. Custa cerca de US$ 250, mas achamos caro e então ficamos na dúvida.

Quando descemos no aeroporto fomos direto para uma barraquinha da Peru Rail que tinha lá e descobrimos que: 1º as passagens para a noite do dia que queríamos tinham acabado e 2º eles não aceitam dinheiro vivo, apenas cartão. Ou seja, a única coisa que merece ser comprada com antecedência do Brasil é a passagem de trem e foi também a única coisa que não fizemos com antecedência...rs.. mas tudo bem. Clima de festa.

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O trecho da estrada que liga Ollantay até AC é monopolizado por duas companhias férreas: a Perurail, um consórcio de uma empresa chilena com uma inglesa, ou a InkaRail que é peruana e mais em conta. Esse trem é caro e é pago em dólar.

Existem outros jeitos de chegar em MP: pela trilha inca de três dias, pela trilha inca de cinco dias, ir de trem descer na hidroelétrica e subir caminhando, pegar o trem até AC e subir caminhando...o jeito mais barato e mais roots é ir de carro até Santa Teresa, uma cidade que fica do outro lado de MP, em uma viagem que demora cerca de seis horas, depois pegar um ônibus ou um táxi até a hidroelétrica e subir caminhando... O que eu sei com certeza: no meio desse leque de possibilidades explicado em espanhol com o sotaque de “quero passar a perna em vocês”, o Henrique estava de saco cheio querendo cerveja. Ele não reclamava de nada apenas quando passava da hora de beber.

 

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Ai por causa do eminente mau humor da abstinência do meu irmão eu resolvemos cancelar a ida ao Vale Sagrado porque não tinha passagem mesmo para domingo à noite. Resolvermos fazer tudo por conta, fomos na PeruRail (fica na Plaza das Armas e é a única agência que aceita dinheiro vivo) porque não achamos a InkaRail (queríamos ter comprado para ajudar a indústria peruana) e compramos as passagens saindo de Ollantay 12h30 e a volta para terça às 8h30 da manhã porque eram os horários mais em conta. Melhor comprar a ida e a volta de uma só vez - custa mais ‘barato’ e foi US$ 114 para cada um. Achei caro. No final, se não tivéssemos reservado o hostel antes dava para pegar uma das excursões que acho que sairia o mesmo preço. A moça da PeruRail nos deu o nome de uma rua que saia as van de Cusco para Ollantay e custavam 10 solis.

Com tudo resolvido, rumo à cerveja.

 

Quando voltamos para o WildRover aconteceu a primeira coisa chata: eles colocaram a gente em um quarto menor e mais caro. Como era o começo da viagem, eu não reclamei. Mas achei chato eles terem mudado sem avisar e nem pedir permissão. O nosso quarto era de quatro camas e ficava bem no meio da área principal. O Wild Rover é um estilo de hostel que acho que ainda não existe no Brasil. Funciona mais como um party-hostel, na real é uma balada, com quartos ao redor. Não tem cozinha, por exemplo.

 

Eu fui dar uma deitada para descansar um pouco e o Henrique saiu para falar com a namorada. Depois de umas duas horas, eu me arrumei, tomei banho e quando estava saindo o desgraçado me aparece bêbado porque tinha começado o Happy Hour... tava tendo October Fest então tinha um milhão de gringos loucos, fantasiados com roupas ridículas fazendo idiotice, tipo se pendurando e dançando pelados no balcão. O Henrique foi dormir até começar o Happy Hour de novo...e eu fui beber umas com um dos nossos companheiros de quarto, um irlandês que até hoje eu não sei direito o nome. Eu me apresentei, me desculpei porque não falava inglês fazia tempo e ele simplesmente disse: “Tudo bem, eu não sei falar português”. Ele era bem legal.

 

Depois o Henrique acordou, conhecemos dois brasileiros, a Gisele e o Thiago, e resolvemos sair do hostel ver como que funciona a balada em Cusco. Quase todas ficam na Plaza das Armas e fomos ao Mama Africa porque ia ter salsa. Queria escutar música latina. Na verdade, queria achar um lugar onde tocasse música peruana ou onde eu descobrisse como eles festejam. Mas aparentemente os peruanos não saem e todas as baladas são voltadas para estrangeiros. Pelo menos as acessíveis. O Mama Africa estava fechado ainda então ficamos em um bar que fica embaixo chamado Mushrooms enchendo a cara de mojitos. A garçonete era argentina e ficava tirando com a nossa cara porque tínhamos achado muito estranho ela não anotar nada nunca. “Vocês, brasileiros, fazem umas perguntas estranhas. Eu estou anotando tudo de cabeça”. A gente que é estranho.

 

Ai ficamos bêbados e resolvemos tentar entrar em uma balada em um outro hostel e no final das contas saímos andando e fomos parar de novo no Wild Rover... era tipo uma da manhã e o ambiente tinha mudado totalmente. Os gringos malucos e pelados ainda estavam lá, mas estava muito mais animado do que estava. Ficamos lá bebendo e conversando e quando deu umas duas eu resolvi dormir. Estava com muito sono já que a gente tinha praticamente varado a noite anterior.

No meio da noite o Henrique me acorda e diz que o cara embaixo do meu beliche estava vomitando na cama. A coisa mais estranha é que não fedia a vômito. A gente pulou e virou o cara de lado. Não sabíamos se a gente o acordava ou não. Como ele estava razoavelmente melhor, a gente deixou ele lá. No dia seguinte, antes de levantar da cama, eu perguntei para o irlandês se o cara estava bem... e o cara respondeu com uma voz de desenho animado que estava muito bem. Parecia uma voz do South Park. Ele falava tipo 897 fucks por segundo e chamava Kevin. Ele era engraçado.

 

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Eu e o Henrique saímos por ai andando... comemos em um café perto do La Quoricancha que chama La Cholita que foi bem barato. Pedimos até uma torta de limão que custou 5 solis e foi eleita 5 vezes pela Revista Veja como a PIOR torta do mundo. Sério, era simplesmente horrorosa.

Resolvemos esperar pelo Free Walk Tour que estava sendo divulgado no hostel. O Kevin (o gringo que gorfava ) disse que não gostava muito dessas coisas mas que tinha achado tranquilo. Eu e o Henrique ficamos enrolando na Plaza das Armas ao lado daquele bando de gringo, sentados na fonte principal, esperando o guia que na teoria ia chegar a 12h50. Uma hora depois a gente estava quase desistindo quando o guia apareceu com o coletinho verde que nem o folheto dizia. Chamava Richard e a primeira parada foi uma igreja que fica no alto da cidade, e lá fomos nós subir uma escadaria de uns 78713897 degraus que dava canseira só de ver. E aquela altitude de boa. Mas foi tranquilo, um pouco de falta de ar, mas nada que umas folhas de coca não resolvam. Lá de cima, vista sensacional.

 

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Depois fomos andando no meio das ruas, da cidade e paramos em uma loja de instrumentos tipicamente peruanos. Que surpresa chegar na porta e ouvir nada menos que Garota de Ipanema! Tinha um brasileiro lá dando uma palinha para o pessoal. Na nossa vez, o dono da loja tocou várias músicas e explicou sobre cada instrumento. Muito muito interessante. Em um determinado momento, ele pegou uma das violinhas e tocou aquela música “Chorando se foi quem um dia só se viu chorar...”. Eu e o Henrique rimos e ele parou e disse meio bravo: “Essa é uma música peruana e vocês brasileiros pegaram e transformaram em uma lambada!”. Foi mal! A última parada foi em um hostel onde o Richard, o guia, ensinou como que fazia piscosaur e nos deu umas doses de graça.

 

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Voltando para o hostel ainda ficamos um tempo sentado na Praça San Braz onde estava rolando uma feira. Depois resolvemos passar na La Quoricancha para tentar entender um pouco dessa loucura de Inca com Espanhol com Quechua..enfim.. o museu é bem legal mas é triste ver que aquilo era um Templo e hoje em dia é uma igreja. Mas ok. Quando chegamos no hostel, o Henrique ficou na área comum e eu fiquei um tempo no quarto deitada.

 

Então o Kevin, o gringo maluco, entrou comendo um crepe. Ele pediu para as moças da limpeza trocarem os lençóis (que estavam vomitado até aquela hora). Ficamos um tempo de boa e ai ele levantou e começou a vomitar. Ficou gemendo no banheiro, falando uns "Oh my God" e voltou para a cama mas eu ouvi que ele estava sofrendo. Ai eu fui, coloquei a cabeça e perguntei " E ai cara está tudo bem?" e ele só me respondeu: "Claro que não está tudo bem. Eu estou me sentindo como um Tiranossauro Rex". As mãos dele estavam grudadas no peito, ele não conseguia esticar os braços e nem respirar. Começou a gritar pedindo ajuda.

Eu pulei da cama e fui até a recepção. Encontrei o Henrique no meio do caminho, só gesticulei algumas coisas, e ele foi buscar uma água enquanto eu e o recepcionista (um cara muito lesado) tentávamos acalmar o Kevin que não parava de gritar que não era mais um humano.

 

Chegaram algumas meninas de uma clínica com um balão de oxigênio que ajudou o Kevin a respirar melhor. Enquanto isso, o recepcionista nos falou que não existe hospital em Cusco (achei essa informação bem estranha maaas não dúvido) apenas clínicas particulares. Sorte que ele tinha seguro de saúde.

Não vi mais o Kevin mas o amigo dele (que tinha tatuado o próprio rosto na bunda no dia anterior) disse que ele tinha falta de potássio no sangue. E que tinha voltado a ser humano.

No dia seguinte, eu e meu irmão partimos rumo a famosa Águas Calientes.

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De volta a Copa...

 

Quando eu comecei a pesquisar sobre o relato eu achei interessante que a cidade chamasse Copacabana. Achei que eles tinham copiado a nossa ideia.... Quanta presunção!!

 

Depois que eu fiquei sabendo que na verdade, a santa Nossa Senhora de Copacabana é originária da Bolívia e foi levada para o Rio pelos portugueses que resolveram construir uma capelinha para abrigá-la na famosa praia carioca. Fiquei fascinada pela santa... caramba, ela devia ter uma história muito legal. Devia ter aparecido no lago Ttiticaca que nem Nossa Senhora Aparecida!!!

 

Não sei porque eu inventei essa história na minha cabeça porque a verdade foi extremamente decepcionante. Claro que fomos na Basílica da padroeira da Bolívia e sim, é muito bonita. A realidade é que a imagem da santa foi talhada por Francisco Tito Yupanqui, que era de linhagem real inca. Ele esculpiu uma santa semelhante a Nossa Senhora de Lurdes, mas com uma pele morena que nem os habitantes da região e enfeitada com várias pedras preciosas, ouro e prata. O seu manto é trocado de tempos em tempos, assim como suas joias. E ai começaram os milagres na cidade. A santa ficou famosa.

Não tem que pagar nada para entrar na Igreja.

 

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Eu, as duas sergipanas e o Henrique fomos da Basílica para o mercado que tinha perto. Encontramos todos os tipos de coisas estranhas para se vender, inclusive, bebês lhamas mumificados que para os andinos é sinal de sorte. ::hein:

Nós andamos bastante pela cidade, entrando em cada ruela, dando risada e impressionados com a cultura boliviana. Em uma agência de viagem, perguntamos quanto que era o passeio do Salar de Uyuni... uma moça muito mal encarada disse que era 850Bs fora uma taxa que tem que pagar de 150Bs para entrar em uma reserva. Eu sabia que esse preço era exagerado...mas a descoberta da taxa extra para entrar no parque nacional era novidade.

 

Ficamos impressionados, fazendo os cálculos de cabeça de quanto dinheiro ainda tínhamos. As meninas tinham aparecido com uma notícia cruel: para sair da Bolívia de avião é cobrado uma taxa de US$ 24 por pessoa!!! ::ahhhh::

 

Não contávamos MESMO com isso!!!! Fiquei um pouco deprimida, pensando como fui pega tão de surpresa depois de ler tantos e tantos relatos de viagem. Pois é, não importa quanto a gente acha que está preparado, na Bolívia nada é previsto. O país é desorganizado ao extremo. Totalmente maluco. A saída é respirar apenas e curtir. e a partir daquele momento, economizar.

 

Entramos em um barzinho que fica na frente do lago para vermos o pôr-do-Sol na laje. Não lembro se consumimos algo, acho que apenas pedimos a senha do wi-fi ::lol3:: Economia! haha

Sem comentários para o pôr-do-Sol de Copacabana na Bolívia. Sensacional.

 

Como um país pode ser tão caótico e tão lindo???

Estava começando a ficar com saudades de casa....

 

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Combinamos com as irmãs de jantarmos. Elas estavam em La Paz, iriam voltar no dia seguinte assim como nós, e combinamos de nos encontrar no Loki - nosso hostel. Assim poderíamos ir juntos para Uyuni e tentarmos um desconto juntos. Eu tinha comprado as passagens no site aqui no Brasil (http://www.ticketsbolivia.com/) e o nosso ônibus era as 13h30... achei estranho ter comprado para tão tarde...

 

Antes eu e o Henrique tínhamos trocado ainda um pouco de dinheiro com uma chola, em uma das esquinas da rua principal, perto do local onde saem os ônibus. Ficamos felizes porque ela fez a cotação de R$ 1 - 2,65Bs.

Jantamos em um dos restaurantes da rua principal (sim, Copacabana tem apenas uma rua principal...rs...) e dividimos o prato como já tinha virado de praxe para nós dois. E ainda ganhamos um drink horroroso que deu para matar a abstinência de álcool resultado de tantas taxas inesperadas...

 

Adicionamos as meninas do whatsapp e fomos dormir.

 

No outro dia acordamos e fomos na guichê da Trans Titicaca, que para variar, fica em uma das esquinas da rua principal tentar trocar o nosso comprovante de pagamento por uma passagem. (Custa US$ 5.88 esse trecho). A moça disse que não precisava trocar era só estar ali no horário. Detalhe que ninguém pegou a nossa passagem do trecho de Puno para Copacabana, do motorista traficante... então esperamos para ver.

 

A esquina era o centro da suposta rodoviária e tinham outras empresas perto. Eu e o Henrique ficamos nos divertindo vendo as maluquices do povo boliviano.. ali ao lado, onde estavam um milhão de mochileiros gringos esperando um busão ser consertado, uns caras estavam erguendo um luminoso por duas cordas precárias. A chance de dar merda era altíssima mas a santa da cidade é forte...rs.... deu tudo certo.

 

O ônibus atrasou bastante e quando fomos embarcar a moça recolheu o meu comprovante e pronto. Não sei porque, naquele momento, alguma coisa me disse que eu precisava pedir uma cópia. Será que foram os relatos que eu li aqui no mochileiros? A moça respondeu curta e grossa que não tinha como me dar um comprovante. Bom, se lá não tem nem bilhete impresso imagina compras pela internet???!!! Mas eu insisti. Disse que precisava de uma comprovação de que eu tinha comprado a passagem. Ela não arredou o pé.

O Henrique nessa altura já tinha descoberto como funcionava o Bolívia´s way of life... perguntou se podia tirar um xerox e a moça assentiu.

 

O mais maluco dessa confusão toda foi que na metade do caminho, o motorista parou o ônibus e disse que a gente teria que atravessar o lago Titicaca por balsa, que não cabia todo mundo na balsa, então teríamos que descer e entrar em uns barquinhos de pescadores e pagar dois Bs pela travessia. E que na outra margem, ele ia verificar os comprovantes para embarcarmos novamente.

 

Eu e o Henrique caímos na gargalhada ao vermos aquele bando de gringo se espremerem em um barquinho precário para atravessar o lago e esperamos o busão na outra margem. A resposta para as perguntas "Por que não cobram esse valor direto na passagem?!, "Por que eles não avisam que vai essa travessia de balsa na hora que embarcamos?" "Por que a moça não ia nos dar um comprovante sabendo que ia acontecer isso?" ou "Por que não constroem uma ponte para atravessar os 650 metros de lago na estrada principal que liga o Peru a capital do país?" é: porque é a Bolívia.

 

Eu achei que estava expert em Bolívia e achava que tinha vivenciado toda sua desorganização. Até chegar em La Paz.

 

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O mais maluco dessa confusão toda foi que na metade do caminho, o motorista parou o ônibus e disse que a gente teria que atravessar o lago Titicaca por balsa, que não cabia todo mundo na balsa, então teríamos que descer e entrar em uns barquinhos de pescadores e pagar dois Bs pela travessia. E que na outra margem, ele ia verificar os comprovantes para embarcarmos novamente.

Ah vaí! Foi suave. ::lol3::

Agora imagine como é atravessar o Estreito de Tiquina já no escuro? ::mmm:

Mas que dá um medo do busão afundar com todas as nossas coisas dá. ::hein:

Bolívia... Sempre garantia de fortes emoções. ::lol3::

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hahaha sandro foi muito tranquilo!!! mas foi engraçado.. o jeito que eles fazem as coisas acontecer!!!

Não sabia que chamava Estreito de Tiquina!!! Obrigada pela informação!!!!! =)

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La Paz

 

Tenho certeza que outro relatos poderão inspirar mais as pessoas acerca de La Paz do que o meu. Primeiro porque nós ficamos apenas 24 horas lá. Depois, porque de fato, a cidade estava no nosso roteiro apenas para servir de ponte para Uyuni porque as passagens diretamente de Copacabana são bem mais caras. Foi aquela coisa: se está no meio do caminho, por que não?

 

Chegamos em La Paz com as passagens para Uyuni compradas no famigerado Tickets Bolívia. Fomos tá o guichê trocar... e depois de um tempão fuçando nas pastas, a moça achou achou uma passagem e mandou eu tirar xerox. Nessa altura do campeonato eu não achava mais nada estranho. Que nem minha vó dizia "Em terra de sapo, de cócoras com ele". Voltei com o xerox e a moça me entrega: "Essa é a sua passagem".

 

E então eu olhei e o nome estava em coreano. Eu perguntei se ela tinha certeza. Ai ela disse que sim e eu disse que aquele não era meu nome pensando "Eu tenho cara de coreana?" "Não???" ela exclamou assustada e começou a fuçar em inúmeras pastas até achar a nossa - obviamente escrita a mão.

 

Eu olhei e estava com a data errada. "Não é essa data, é para amanhã". E ela: "Não pode ser". Eu saquei o comprovante da internet,ela fez alguns telefonemas, duvidou de mim mais alguns minutos e então ela resolveu: passou corretivo no dia e mudou de 18/10 para 19/10. Simples assim!!!!

 

Era sábado e pegamos um táxi até o Loki e o cara nos disse 10 Bs. A gente aceitou porque no mapa parecia que era realmente longe. Mas foram só duas quadras.

::otemo:: O hostel mudou de lugar, do centro, para perto da rodoviária. E ainda não atualizaram o endereço no site do hostelworld, pelo menos na época que fomos. Tinha acabado de mudar, as paredes estavam sendo grafitadas (uns desenhos muito loucos por sinal) e como tudo acontece por uma razão, o taxista cobrou caro mas nos salvou de ir para outro lugar.

 

O Loki em La Paz é sensacional (Av. Las Americas #120, La Paz, Bolívia). É um prédio de sete andares e no último fica o bar com uma vista insana da cidade.

La Paz, como tentar descrever? Uma cidade pobre, com construções monótonas, casas mal acabadas e montanhas lindíssimas e cobertas de neve em volta. Quando voltei um amigo descreveu como 'O buraco do caos". É isso mesmo, o caos com os andes majestosos em volta. Eu fiquei acho que uns cinco minutos boquiaberta olhando para todos aqueles morros com luzes piscando e uma montanha imensa me olhando. "Estou no topo do mundo", pensei.

 

O Henrique resolveu mandar mensagem para as meninas de Aracaju. Qual a surpresa quando elas disseram que tinham sido SEQUESTRADAS em La Paz? ::ahhhh::

 

Lembra que eu tinha dito que achei estranho ter comprado as passagens de Copa para La Paz às 13h30 apenas? Então, porque esse é o primeiro horário dos ônibus oficiais e os que são vendidos no site. Você consegue ir mais cedo para La Paz mas se for com os ônibus clandestinos que saem de lá da pracinha no meio da cidade e deixam as pessoas e algum cemitério X no centro de La Paz.

 

O problema com as meninas não foi o ônibus propriamente dito. Elas pegaram um táxi até o hostel e, segundo elas, foram abordadas por um "policial" que disse que estavam procurando brasileiras com notas falsas. Lá pelas tantas o cara entrou no táxi que ficou com elas por cerca de duas horas rodando a cidade e levaram todo o dinheiro e a GoPro. Deixaram apenas 80 bs e o cartão para elas voltarem para casa.

 

Lamentamos muito. De verdade. Elas eram gente finíssima.

Mas disseram que não tiveram que pagar nada para sair da Bolívia. Ficamos com um pouco de esperança apesar de termos confirmado a informação no site do consulado boliviano.

Então, naturalmente, eu e o Henrique ficamos com medo de sair à noite. E ficamos no bar do Loki mesmo. Encontramos uns mineiros muito engraçados, super gente fina, e... bebemos como se estivéssemos em um prédio de sete andares, em uma cidade enorme, caótica, curiosa, muito interessante, localizada a 3660 metros de mil metros de altitude.

 

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Outro dia, 20/10: RESSACA! :mrgreen:

Das piores, daquela que consome você. Com um litro de água na mão, o Henrique olhava para mim perguntando como iríamos sobreviver... hahaha

E pior: ainda tínhamos que fazer câmbio afinal o dinheiro estava acabando e Uyuni com certeza não nos ofereceria alternativas boas. As sergipanas ainda nós deixaram com um endereço valioso de uma casa de câmbio perto do Loki que tinha uma cotação legal. Só que não contávamos com uma condição: era domingo.

"Nenhuma casa de câmbio abre hoje" disse a moça da recepção.

 

No entanto, vou repassar a dica: a casa fica na Avenida Illampu na quadra que fica entre as duas Santa Cruz e Sagarnaga em frente a uma loja chamada Tattoo. Dizem que a cotação do dólar é de 1/6.95Bs.

 

Mas tinha que rolar algum câmbio em algum lugar. TINHA.

 

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Então eu arrastei um Henrique de mau humor e reclamão pelas ruas de La Paz, subindo e descendo ladeira, os dois com medo de roubarem todo nosso dinheiro, abrindo o mapa na surdina para não parecer turista demais. Fomos na casa de câmbio e realmente estava fechada. Mas ali por perto tinha várias casas de câmbio então pedimos algumas referências, fuçamos um pouco, vimos dois ou três gringos com máquinas fotográficas imensas sem nenhum receio (destemidos ou sem noção?) e chegamos em uma casa de câmbio que tinha um velhinho muito estranho mas que trocou nosso dinheiro por 1/2,67Bs!!! Vitória!!!! La Paz ficou bem mais colorida depois disso.

 

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Voltamos para o hostel e ficamos.... no bar. Conhecemos um casal gay que o cara tinha pegado uma mega bactéria comendo a comida inclusa no passeio do Down Hill e que tinha ficado três dias no quarto sem poder sair. O companheiro dele disse que insistia para ele ir para o hospital mas que ele ficava dizendo que não queria ir para o hospital na Bolívia (imagino o porquê). No entanto, eles disseram que ligaram para o seguro (o que não deu certo) mas o hostel tinha o telefone de uma clínica (o que deu certo) e veio uma médica atendê-los lá no Loki e cobrou quase nada, alguma coisa tipo 25 dólares! Ela sabia exatamente qual bactéria era e receitou o remédio adequado e cerca de seis horas depois o nosso amigo moribundo já estava querendo beber e fumar a protestos do namorado dele!!!

E o coitado do namorado ainda tinha tido um problema com o dente do siso e foi parar em um hospital para gringos em um lado da Bolívia que disseram que era tipo Miami (mas que ficou fora do nosso alcance) e foram super bem atendidos. Hospital para gringos....

 

Ficamos tomando litros de água até a hora de irmos para a rodoviária. Nosso ônibus era as 19h00.

Resolvemos ir a pé porque como disse antes, era muito perto.

Andamos no meio de uma festa bem comemorativa e desconfiamos que estava acontecendo alguma coisa diferente. Google.

O Loki fica na frente da Praça que foi fundada La Paz no dia... 20/10!

Fomos até a rodoviária em clima de comemoração!

 

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Chegamos na rodo, falamos oi para a moça do balcão de passagens que já era nossa amiga, fomos obedientemente procurar o guichê que vende a taxa de embarque que eu sabia que não estava inclusa (estava me sentido boliviana já tentando ainda ler as placas em quéchua) e esperamos nossa hora de ir para o que nos disseram que parecia o céu: o Salar de Uyuni. Mas o céu não é perto. Ainda faltava 12 horas de viagem em uma estrada de terra com uma gringa vomitando ao nosso lado para chegarmos lá.

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Uyuni

O busão para Uyuni era precário.

Sentamos, pegamos nossas mantinhas empoeiradas e tentamos nos acomodar nas poltronas para aguentar as 12 horas de viagem. Entrou um casal de franceses reclamando e dois brasileiros que nós já tínhamos visto em algum lugar.

O engraçado dessa viagem é que como o roteiro e o tempo em cada cidade é parecido, as pessoas se encontram em várias cidades diferentes. Esses dois nós já tínhamos visto em Cusco, no Wild Rover. Um barbudo e um cara com o boné do Rappa.

Lá pelas tantas entrou um funcionário pedindo os tickets das taxas de embarque (aquelas que pagamos separadamente em outro guichê e que ninguém comenta que existe) e dois japoneses não tinham nem ideia do que o cara estava falando porque ninguém avisa que você precisa pagar a taxa. Demoramos um pouco para sair por causa disso porque os japas não foram os únicos.

 

A viagem em si é no limite entre o de boa e o suportável. O problema é a poeira que entra pelas frestas e vai inundando o ônibus. A estrada é de terra na maior parte do caminho e balança demais. Uma gringa que estava ao nosso lado começou a passar mal... vomitou a viagem inteira. Desesperador.

 

Quando chegamos em Uyuni nós entendemos o que era Uyuni.

 

Assim que abre a porta, você é atacado por pessoas oferecendo passeios com panfletos e acenando na sua cara. Eram 7h00 da manhã de um noite bem mal dormida e eu não consegue entender nada do que está acontecendo. Um te puxa para cá, outro para lá, o Henrique correu para pegar nossas mochilas (esquece que existe papelzinho para pegar as bagagens. Tem que ficar de olho e correr na hora que desembarca) e aquela confusão, todo mundo que nem zumbi, falando falando naquela rapidez que ninguém entende, o bagageiro estava perto do tanque do banheiro e tinha uma gringa com os pés embaixo do ônibus - o mijo do busão começou a escorrer na menina e ela não percebeu. Eu estava tentando avisar ela, um cara abanando um panfleto na minha frente, outro puxando meu braço, o Henrique acenando que tinha conseguido pegar as mochilas, eu tentando avisar a menina, os brasileiros conhecidos estavam perto... conversando com uma das vendedoras, eu consegui avisar a menina finalmente e ela ficou em choque, e no meio da confusão eu só consegui ouvir: "Café forte que nem vocês tomam no Brasil". Eu virei a cabeça na hora. ::mmm:

 

A mulher de uma das agências tinha comprado meu irmão e os dois brasileiros com apenas uma xícara de café (mochileiro se vende por pouco...) e eles já estavam seguindo ela...eu fui correndo junto.

 

A companhia chamava Tiago Tours. Quando entramos tinham vários bilhetes agradecendo os guias e o Tiago - que segundo eles, era brasileiro e morava em San Pablo. Ok.

Era um companhia especializada em brasileiros, tinha bandeira em quase todo canto e canecas com o Fuleco. A moça nos deu café que era, digamos, médio mas de longe o melhor que tomei na viagem. Pelo menos não era aguado.

Chegou um cara para nos explicar a viagem. Conversa para cá, conversa para lá ele disse que o passeio dos três dias, com hospedagem, comida e água, custava 700 bs fora os 150 Bs que vc paga para entrar na reserva nacional. Claro que eu dei uma choradinha, contei que não sabíamos da taxa de embarque, que estávamos sem dinheiro e ele "ligou" para o Tiago que ficou com dó dos seus compatriotas e fez um desconto de 70Bs. Foi 630 Bs então. Fechamos.

 

No carro estava eu, Henrique, o Rafa (o cara do boné do Rappa) e o Caio (o barbudo). Faltava mais dois. Em pouco tempo, entrou um casal de Brasília que o cara achou que encaixava perfeitamente no nosso coche de brasileños. Fechado nossa turminha, nós pagamos 1Bs para entrar no PIOR BANHEIRO QUE EU USEI NA MINHA VIDA e esperamos. Eu, o Henrique e o Rafa andamos pela cidade para comprar comida, achamos uma barraquinha que vendia salgadinho por 1Bs. Compramos água e esperamos.

E esperamos.

E esperamos.

 

Lá pelas 11h00 chegou nosso guia, o Rossando com todos os dentes da frente de ouro. E ai, partiu maior deserto de sal do mundo.

 

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Salar de Uyuni ou de Tunupa

 

O Rossando, o nosso guia, era um cara peculiar. Ele tinha cara de boliviano malandrão, com vários dentes de ouro na boca, e disse que fazia aquele percurso há 15 anos. Depois perguntamos a idade dele e ele não conseguiu responder, fez umas contas malucas nos dedos, e disse que achava que tinha 40 anos. Achava.

 

Ele enrolou um pouco, passou em uma casa aleatória, falou mais um pouco e deixou a gente em uma feirinha que vendia algumas coisas feitas de sal. Eu comprei um imã que está na minha geladeira e eu notei esses dias que está se desmanchando... Já na feirinha eu percebi que nosso grupo era um tanto quanto excêntrico. O Henrique se juntou com o Rafa e os dois começaram tramar uma compra de um vinho de marca duvidosa das cholas e o Caio quase não falava com a gente, só tirando fotos e mais fotos. O casal estava de lua de mel. Ficavam andando com sua GoPro e com o pau de selfie para cima e para baixo.

E o pior, sempre que descíamos do carro, era isso que acontecia: Henrique e Rafa procuravam bebida, o casal tirava fotos com a GoPro e ficavam se amando, o Caio tirava umas 7000 fotos e fumava um cigarro e eu anotava tudo que via.

 

Depois disso, o Rossando deixou a gente no Cemitérios de Trens. É um local onde abandonaram alguns trens de carga e era ok mas ficamos mais tempo que o necessário porque ele foi buscar a nossa comida Deus sabe onde. Daí vimos que o casal tinha escalado o trem com uma velocidade impressionante e descobrimos que eles eram bombeiros.

 

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Foi interessante viajar com brasileiros. Nos relatos que eu li disseram que essa viagem dependia das companhias e do guia. Como compatriotas, nós nos sentimos unidos contra qualquer coisa que podia acontecer. Brasileiro sempre cuida de brasileiro fora do país. E o melhor: podíamos falar português compulsivamente.

 

Rossando voltou com as nossas marmita e entramos no coche, rumo ao Salar.

Ele disse que aquilo tudo era um mar e se você olhar para as montanhas dá para ver a marca da água. Não sei muito bem o que era, não vi a tal da marca, mas posso dizer o que é hoje em dia: alguma coisa bem diferente do que você já viu. É sal a perder de vista. E a vista, não tem um fim.

Estava seco então não rolou aquelas fotos de quando está com aquela lâmina de água que reflete o céu. Mas mesmo assim, é impressionante.

 

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O Rossando explicou: o Salar de Uyuni na verdade chama Salar de Tunupa é a maior planície de sal do mundo, com 10.582 Km² (ele falou o número preciso como se fosse uma enciclopédia) e está a uma altitude de 3.656 metros acima do nível médio do mar. O grande lance do Salar de Tunupa é que tem uma crosta de sal de mais ou menos um metro. Essa crosta, além de ser rica em cobre e lítio, permite que o Salar vire uma planície gigante. Como a área é muito grande, o sol incide diretamente e o nivelamento da superfície é excepcional o Salar é um objeto ideal para calibrar os altímetros de satélites de observação da Terra. Fiquei imaginando aquele lugar visto do espaço.

 

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Eu e o Henrique tínhamos esquecidos os óculos escuros e o cara do Tiago Tours emprestou dois para nós. Disseram que era insuportável ficar sem mas sinceramente.. foi mais tranquilo do que pensei. Fiquei sem alguns momentos. Claro que é mais confortável usar então fica a dica: Protetor e óculos!!!

 

O Rally Dakar teve uma edição em Uyuni em janeiro de 2014 e acho que vai ter esse janeiro tbm que é quando o deserto alaga. O slogan é "nunca antes do Dakar foi no céu". Acho que resume bem a sensação de estar ali.

 

Depois de 700 fotos, hora do almoço.

 

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Decidimos almoçar dentro do Hotel de Sal desativado onde sentamos em uma mesa e comemos pollo com arroz e alguns legumes. Ainda rolou uma banana de sobremesa e uma coca quente. O Rossando disse que era para a gente deixar comida para ele e ficamos na dúvida se ele estava falando sério. Estava muito quente, abafado, uns 30ºC dentro do hotel. Comemos e fomos tirar fotos com as bandeiras... fiquei feliz que tinha duas do Brasil novas.

 

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Depois entramos no coche e fomos para a Ilha do Pescado que é um dos poucos pontos com alta concentração de seres vivos no Salar. É cheia de cactos com até dez metros de altura com mais de 600 anos de idade segundo o Rossando. Não sei o que é verdade ou não mas temos sempre que acreditar no guia.

Custa 30Bs para entrar nessa ilha e ir nos baños mas eu não vi necessidade de ver ainda mais cactos do que estávamos vendo. Então nosso grupo fez o que cada um sempre fazia quando descia do carro. Henrique o o Rafa descobriram que tinha cerveja mas custava 15Bs a long neck então... apenas os gringos estavam tomando. Os latinos americanos, como nós, apenas sentavam na sombra e esperavam.

A gente encontrou os brasileiros da fronteira, que tinham cruzado por Corumbá com as muambas, e ficamos literalmente, chorando de rir.

 

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Depois disso, fomos embora. Andamos mais um pouco e então o Rossando parou o coche e disse: "Tirem suas últimas fotos do Salar porque vocês não irão mais vê-lo". Fiquei surpresa porque achei que o passeio de três dias era todo dentro do Salar. Mas não é. Os outros dias são dentro do Deserto Siloli - que é como chama o deserto do Atacama do lado da Bolívia.

 

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Então, após 6531263 fotos nos despedimos do Salar.

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Deserto Siloli

 

Depois que nos despedimos do Salar, subimos uma montanha muito louca o que permitiu que víssemos as coisas de cima. Era uma visão muito... inusitada. Parecia que estávamos em outro planeta.

Quando chegamos no hostel de sal, umas 18h00, onde passaríamos a noite, o sol estava se pondo. E olha, nos meus 28 anos de existência, foi o pôr do Sol mais grandioso que eu vi na minha vida. Surreal.

 

Como todas as paisagens que eu vi nesse passeio.

Chegamos no hostel, instalações confortáveis, limpas e quentes. O casal ficou com um quarto só para eles, eu e o Henrique ficamos sós tbm. Eu tinha lido tanta coisa ruim dessa viagem, tanto perregue - desde pulgas no colchão até não ter onde tomar banho. Nesse lugar, rolava tomar banho por 10 Bs. Teve um chá da tarde com biscoito e chá. Foi essencial porque a gente tinha acabado com os Cheesitos no carro e estávamos morrendo de fome.E ficamos jogando conversa fora. Depois rolou o jantar, que acho que foi uma sopa, e ficamos bebendo cerveja (a Passeña custava 30 Bs). Lá pela meia noite fomos dormir.

 

No outro dia, saímos umas 7h00 da manhã depois do desayuno rumo ao segundo dia do passeio. O Rossando chegou atrasado com cara de ressaca. Mencionou que não teria bebida no próximo hostel, perguntou se queríamos comprar alguma coisa, olhou para o céu, e afirmou despretensiosamente: hoje vai nevar.

 

AHN???? ::ahhhh::

 

Que nevar o quê? A gente tava no deserto, tava quente!!!

 

Mas por via das dúvidas, compramos duas garrafas de 1,5 de vinho.

Primeiro, paramos em um local onde tinha um trilho de trem com destino ao Chile. Fotos. Rossando xingando o Chile porque roubaram a passagem da Bolívia para o mar. Fotos. Sol estranho do Dragon Ball Z. Fotos. Pedras rochosas feitas de lava do vulcão Uturuncu. Fotos.

Laguna Celeste com os flamingos. Fotos.

 

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Fotos.

 

A laguna é linda, os flamingos são flamingos e nessa hora o vento cortava o rosto da gente. Fazia muito muito muito (e mil vezes muito) frio. A gente não conseguia andar. Almoçamos em um lugar atrás do coche, tremendo, a comida escapando da mão. Foi pollo e macarrão em quantidades bem menores do que no dia anterior - relembrando que tínhamos quatro homens, eu e uma menina que era bombeira comendo. E uma mexerica para cada. Ficamos com fome.

 

Ai andamos cerca de uma hora e meia deserto a dentro. Frio, frio... frio... frio... ::Cold:: e de repente: NEVE.

 

 

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Sim, começou a nevar.

Rossando desgraçado.

Foi a primeira vez que eu vi neve na vida.

 

No deserto.

Na Bolívia.

 

O limpador de para-brisa não funcionava. O Rossando colocou a cabeça para fora e começou a dirigir que nem o Ace Ventura. A gente deu muita risada.

 

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Ficamos tremendo, cada parada era um sacríficio. Paramos em mais uma laguna e também na famosa Árvore de Pedra - que foi moldada devido aos ventos da região. Acho que sentimos na pele esse vento. Ventava tanto, fazia tanto frio, que os passeios foram encurtados. Não demorou muito para pararmos na porta da Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa - o local onde custa 150Bs para entrar. (Lembre-se de guardar o ticket porque eles pedem para sair, no dia seguinte). Depois, chegamos na Laguna Colorada que é incrível mas naquela hora, a única coisa que a gente pensava era nas duas garrafas de vinho.

A sensação térmica era de menos dois.

 

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Chegamos nas nossas instalações às 15h00 quando o previsto era as 18h00. Estava ventando muito.... (já mencionei que estava ventando e frio?? ::mmm: ) Rossando disse que tínhamos que sair às 5h00 do outro dia para pegar os gêiseres pela manhã.

Essa hospedagem era aceitável. Era o mínimo do conforto possível mas parecia limpa levando em consideração que estávamos no meio do deserto.

Jantamos macarrão e sopa e eles ainda nos deram gentilmente mais uma garrafa de vinho (quase choramos de emoção). Ficamos conversando uma boa parte da noite nos lamentando por não ter comprado mais duas (ou trinta) garrafas de vinho. Lá pelas 21h00, vieram e retiraram o gerador!

 

4600 de altitude, -2 graus, escuro. Levemente embriagados, limpos com lenços umedecidos apenas, fomos dormir as duas horas que nos restavam.

 

Dica a fica para quem for fazer o passeio, não esqueçam de colocar na mala: Lenços umedecidos, muita roupas de frio e uma mantinha extra!!!

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Maria estou amando seus relatos e pegando todas as dicas possíveis, vou com meu marido dia 31/01... frio na barriga, mas ficaremos 12 dias só na Bolívia!! Aguardando o resto... ;)

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Muito legal o relato, Maria.

 

Ai meu Deus desse sequestro relâmpago das meninas de Aracaju, hein?

 

E agora? Eu vou sozinha. Vou tentar andar em grupos, pois estou com um frio daqueles na barriga.

 

Estou indo agora dia 15 e suas dicas são de grande valia.

 

Um abraço!

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