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Hiportermia - Conceitos, Prevenção e Tratamento

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FONTE: Webventure

http://www.webventure.com.br/montanhism ... 1674?pag=3

 

Por Dr. Clemar Corrêa, especial para o Webventure

 

 

Hipotermia é definida quando a temperatura central do corpo humano cai abaixo de 35o C. Vale dizer que essa temperatura central, em condições normais, é similar ao valor medido na axila. No entanto, após exercícios extenuantes, por exemplo, a diferença entre essas temperaturas pode atingir mais de 3o C. Assim, os médicos usam termômetros especiais nas vítimas acometidas desse problema.

 

A hipotermia pode ser atingida rapidamente, por exemplo na imersão em água gelada ou no contato direto com neve e gelo, ou lentamente, quando da exposição do atleta a temperaturas ambientais frias, se agravando muito quando há vento, umidade ou chuva.

 

O corpo humano tem um mecanismo próprio de controle da sua temperatura, chamado Mecanismo Termorregulador. Ele envolve centros e vias nervosas e químicas no cérebro, medula espinal e nervos por todo o corpo, além de receptores especiais de temperatura. Nossa temperatura central deve ser mantida rigorosamente entre 36,5o C e 37,5o C. Além desse limite inferior surgem vários sintomas, desde arrepios e tremores, até a morte.

 

Quando as terminações nervosas detectam uma queda na temperatura, além da sensação subjetiva de frio e arrepios, surge uma vasoconstrição (diminuição do calibre) dos vasos sangüíneos principalmente da pele. Por isso a pele fica fria. Essa é a resposta inicial do corpo, no sentido de diminuir a perda de calor, mantendo a temperatura corporal interna. Quando essa vacoconstrição não é eficiente para evitar a queda da temperatura, surgem os tremores.

 

Os tremores são contrações involuntárias dos músculos esqueléticos, contração essa que gera calor. Se a exposição ao frio ambiental é prolongada, os tremores diminuem ou cessam, surgem alterações mentais e diminue a performance motora. Progressivamente há um colapso do mecanismo termorregulador, inclusive com vasodilatação na pele e conseqüente perda de calor para o exterior. Assim, fecha-se um ciclo vicioso e o atleta começa a diminuir seu nível de consciência (fica prostrado, sonolento, torporoso), as funções vitais se alteram (principalmente freqüência cardíaca, respiratória e pressão arterial), até a morte. No decorrer desses eventos, podem surgir lesões pelo frio, principalmente nas extremidades (mãos, pés, nariz, orelha e lábios), das quais a mais grave é o congelamento.

 

A hipotermia acomete militares, navegadores oceânicos, equipes de resgate, caçadores, esportistas, aventureiros e moradores de rua em áreas urbanas e rurais, que podem sucumbir ao relento (o que acontece infelizmente com muitos indigentes nas cidades brasileiras). É também um problema em grandes catástrofes como inundações e terremotos.

 

Os efeitos do frio intenso sobre a performance humana têm várias passagens na história militar e foi um grande inimigo natural em famosas batalhas da História. Há relatos de que Alexandre, o Grande, foi resgatado certa vez em estado comatoso por hipotermia, ocorrendo o mesmo com soldados romanos atravessando os Alpes. Estima-se que Aníbal perdeu aproximadamente 20.000 de seus 46.000 soldados no ano 218 a. C., no norte da Itália. Napoleão perdeu igualmente boa parte de seu exército pela ação do frio e relata-se que muitos dos soldados sobreviveram se protegendo com "carcaças" de cavalos mortos. Na Primeira Guerra Mundial, os aliados tiveram cerca de 235.000 baixas relacionadas ao frio europeu intenso. Na Segunda Grande Guerra, americanos e alemães tiveram cerca de 190.000 soldados lesados seriamente pelo frio. Na Guerra da Coréia, cerca de 10 % dos soldados americanos mortos sucumbiram pelo frio.

 

Nas últimas décadas, são inúmeras as descrições de ocorrências fatais por hipotermia nos mais diversos esportes. O atleta de esportes de aventura comumente se defronta com temperaturas ambientais muito baixas. Principalmente em modalidades como caminhadas, travessias polares, escaladas e esportes aquáticos (vela, canoagem e mergulho por exemplo). Mesmo nos grandes ralies internacionais, há casos de hipotermia (no Rally Granada - Dakar, por exemplo, no deserto, os competidores enfrentam temperaturas diurnas em torno de 45 - 50o C e horas depois, à noite, níveis próximos de 0o C).

 

No Brasil, são raros os locais e épocas do ano onde a temperatura ambiental é negativa. Mesmo assim, algumas modalidades esportivas podem levar à hipotermia em nosso meio, entre elas as corridas (triatlon, maratonas, race adventures, etc.), canoagem, trekking, escaladas, entre outras.

 

Vejamos abaixo quais são os principais sinais e sintomas de cada tipo de hipotermia:

 

Leve (35 a 33ºC):

Sensação de frio, tremor, diminuição da atividade motora (letargia ou prostração), espasmos musculares, alteração da marcha (o atleta parece perder parte do equilíbrio ao caminhar). A pele fica fria, as extremidades (ponta dos dedos, lábios, nariz, orelhas) mostram tonalidade cinzenta ou cianótica (levemente arroxeada). A vítima mostra sinais de confusão mental. Nessa fase, o diagnóstico de hipotermia muitas vezes nem é lembrado, pois o quadro pode sugerir uma exaustão física ou um distúrbio hidro-eletrolítico (desequilíbrio envolvendo hidratação e "sais minerais")

 

Moderada (33 a 30ºC):

Os tremores tendem a ir desaparecendo. O atleta começa a ficar muito prostrado, sonolento, quase inconsciente. Há mudança do humor (irritabilidade, agressividade, depressão). Algumas vezes pode ocorrer inclusive euforia e perda da auto-crítica. Tudo isso confunde quem examina pois pode parecer que o atleta "deu uma melhorada", mas na realidade está piorando gravemente Fica desorientado, com rigidez muscular, alterações da fala e da memória. A freqüência cardíaca fica mais lenta ou irregular.

 

Grave (menos de 30ºC):

O atleta fica inconsciente e imóvel. As pupilas tendem a dilatar e a freqüência cardíaca e respiratória são quase imperceptíveis. A manipulação do atleta deve ser muito delicada, pois do contrário, podem ser desencadeadas arritmias cardíacas graves. Se não for controlada a situação, a morte é inevitável. Detalhe: a vítima em hipotermia grave tem uma depressão tão importante da consciência, da respiração e dos batimentos cardíacos que pode parecer estar morta. Tanto assim que é importante reaquecer o paciente e tentar manobras de ressuscitação intensas antes de dar o diagnóstico de morte.

 

Formas de prevenção e tratamento

A prevenção, nos esportes de aventura é essencial e envolve alguns ítens:

 

É primordial que o atleta conheça a topografia e clima do local de sua performance. Além da temperatura, o vento, a umidade, a chuva e a ausência de sol podem ser perigosos. O vento é tão importante que há tabelas já elaboradas relacionando sua velocidade com o resfriamento da temperatura corporal, mesmo quando o clima é ameno e há sol. Esse é um dos motivos pelos quais a indústria de vestuário para esportes de aventura tem crescido tanto. Os anoraks e windbrakers , de Gore - Tex, Triple Point e Climaway, entre outros tecidos, são proteções importantes contra a ação da chuva e do vento. Obviamente, as luvas, gorros, meias e botas são também essenciais.

 

Alguns Kits de Primeiros Socorros, além de fósforos e isqueiros, possuem lençóis aluminizados (isolante térmico) e pequenos pacotes com preparados químicos, que quando manipulados, geram calor, sem fogo (usados principalmente para aquecimento de extremidades com perigo de congelamento)

 

· Nos esportes outdoor são importantes as barracas e tendas, os abrigos naturais e a preparação de fogueiras e bivacs em caráter de urgência, por exemplo, na proximidade de tempestades de gelo, neve ou vendavais.

 

· A aclimatação do organismo, que dependendo do local pode exigir um período de mais de 10 dias. A condição física e atlética, neste ítem, é importante.

 

· A alimentação e hidratação adequadas durante a atividade esportiva são obviamente fundamentais.

 

As roupas molhadas devem ser trocadas por secas e "quentes"

Dependendo da condição atlética, o atleta pode ser estimulado a exercitar-se para produzir calor (calor endógeno), no início da hipotermia leve.

 

A ingestão de alimentos quentes também ajuda muito na manutenção do calor corporal.

 

O tratamento da hipotermia inclui, inicialmente:

 

Afastar o atleta do frio, isolando-o o melhor possível.

 

Otimização das roupas que conservam o calor

 

Massagens vigorosas

 

Ingestão de alimentos e líquidos quentes

 

Banhos quentes

 

Aproximar o atleta de fontes de calor, como fogueira, radiação solar e lâmpadas.

 

 

Nos graus mais acentuados da hipotermia, o tratamento médico deve ser urgente, envolvendo:

 

Repouso, nas fases mais avançadas da hipotermia

 

Aquecimento da vítima com bolsas quentes, cobertores térmicos, lâmpadas

 

Infusão endovenosa de soros aquecidos

 

"Lavagem" gástrica e intestinal com líquidos aquecidos

 

Inalação de oxigênio aquecido e umidificado

 

 

Nos casos mais graves, manobras cirúrgicas são indicadas:

"Lavagem" pleural (as pleuras são membranas que envolvem os pulmões) e peritoneal (dentro do abdômen) com líquidos aquecidos

 

Aquecimento do sangue com circulação extracorpórea (o sangue é circulado fora do organismo em máquinas especiais e recolocado no paciente)

 

Assim, finalizando, este texto mostrou resumidamente as noções que o atleta de esportes de aventura deve ter sobre hipotermia. Essa situação é mais uma daquelas que podem lenta e sutilmente levar o atleta a um grave risco de vida, e quando detectadas a tempo, podem ser tratadas com certa facilidade.

 

Obviamente, o frio intenso traz inúmeras outras lesões que não foram abordadas neste texto, como as "queimaduras" pelo frio, os congelamentos de extremidades do corpo, os "resfriados e gripes" e afecções da garganta e pulmões.

 

Leia mais sobre hipotermia

Advanced Trauma Life Support

American College of Surgeons

Chicago, 1993

 

Hypotermia

Intensive and Critical Care Digest

Sheehy TW, Navary RM. 1985

 

Advanced Cardiac Life Support

American Heart Association

Texas, 1997

 

Essentials of Exercise Physiology

McArdle, Katch, Katch

Pennsylvania, 1994

 

Medicine for Mountaineering and Other Wilderness Activities

Wilkerson, JA

California, 1992

 

Manual de Medicina Deportiva

Comisión Médica del Comite Olímpico Internacional

Calgary, Alberta, Canadá

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  • Membros
hehe, ta vendo, a tecnica do sleeping teria funcionado, quer dizer, hipoteticamente, teria q descolar duas minazinha pra fazer o sanduba de gente pra garantir, pq se dependesse dos caba o maluco tinha rodado do mesmo jeito. ::hahaha::

 

Xaliba,

 

Não adianta querer consertar com esse papo de sanduíche com minazinhas .... kkkkkkkkkk

  • 11 meses depois...
Postado
  • Membros

Hipotermia (Hipo = baixo termia = temperatura) isso significa q é a baixa temperatura corporal (abaixo de 35ºC) isso pode acontecer por vários fatores....medicação..doenças..ambiente...a hipotermia pode levar a problemas graves como a falta de oxigênio...geralmente em hospitais após um procedimento cirúrgicos os pacientes tem muita hipotermia pois as drogas usadas fazem vasoconstricção...para isso são usados soros aquecidos e medicações para reverter este quadro... ::hein:

  • 3 meses depois...
Postado
  • Membros

Salve amigos !!!

 

Vou relatar 2 breves momentos em que me deparei com essa "Senhora" , "prima" da morte ...

Por uma questão de ironia ou não , as últimas 2 brabonas mesmo que encarei foram em Ilha Grande, quando fui no carnaval e depois Páscoa, ambas em 2007 .

 

A coisa foi mais ou menos assim na primeira :

Eu estava voltando de barco , e como metido que sou, fui logo pra frente da embarcação, no meu último dia do paraíso .

Assim que me sentei , por estar ao lado de amigos, avisei que iria tirar um cochilo e que depois iria pra trás .

Cara , o problema é que quando me deitei o vento soprava quentinho e bem agradável .

Como alguns sabem , quando dormimos , o corpo "desliga" alguma funções, e uma delas que ele "religa" em caso de emergência , é justamente o "termosensor" .

 

A única coisa que me lembro quando acordei é que o corpo doía e eu estava inerte, me tremendo feito cachorro sarnento.

O choque era tanto que eu nem consegui falar ou gritar por socorro . E isso a uns 5 metros de todos ( que já estavam na cabine a uma altura dessas) . Por sorte , além de rezar muito , procurei me contrair, joguei minha mochila pra cima de mim, até que meu corpo condensasse algum calor .

 

Sob o mesmo tremor , consegui chegar até a cabine, meio cambaleante devido as ondas, e meio que me joguei dentro da cabine . Eu cai logo encima de cordas e por sorte , alguem me recolheu e botou sentado lá dentro .

A segunda vez , a chuva caiu voltando de Saveiro de Lopes Mendes e o frio que bateu foi intenso .

Chegando todo molhado no píer , lembro-me só d equando pisei na areia , meu corpo "travou" .

Era um mixto de queda de pressão com cansaço e súbita inversão de temperatura .

 

Fiquei acuado em uma parede que nao tinha cobertura encima, mas que pelo menos do vento me protegeu por alguns minutos.

A chuva continuou a "comer" e eu ainda precisava vencer o caminho até o camping, que dava uns 400 ou mts . Eu estava no píer e ia até o Cantinho da Ilha . Foi tenso ::hein: ...

 

Lembro que assim que cheguei no camping, a primeira coisa que fiz foi ir pro banheiro, tirar todas as roupas e jogar uma água por cima , que estava fria pela falta de luz repentina, mas menos gelada que a da chuva.

 

E dai pra frente NUNCA MAIS passei a dar mole pro frio hehehee.

  • 1 ano depois...
Postado
  • Membros

Olá Pessoal!

 

 

Bacana a reportagem. Só a vi aqui hoje...

 

Algumas considerações minhas acerca do tema HIPOTERMIA, baseadas na experiência prática de campo e treinamentos realizados, complementando e corrigindo alguns aspectos abordados:

 

Aqui no Paraná, em especial na Serra do Ibitiraquire (Pico Paraná) infelizmente têm sido comuns os casos de hipotermia e, basicamente, na grande maioria dos casos (se não a sua totalidade) apenas por falta do pessoal observar o básico quanto à vestimentas e alimentação adequadas. Nesta temporada (que ainda não findou) tivemos ao menos dois casos. Num deles, um grupo de jovens subiram em direção ao PP somente com roupas leves, com intenção de fazer "um ataquezinho" e foram colhidos perto do cume por uma abrupta alteração metereológica (fato comum nas montanhas) com forte chuva e frio. Despreparados, sem abrigo (barracas, toldo, lona plástica) ou roupas apropriadas (anorak, etc), se viram em situação difícil, especialmente depois que uma garota do grupo torceu o pé e obrigou-os a reduzir o ritmo de descida, "travando" logo em seguida, ficando todo o grupo ainda mais exposto aos efeitos das intempéries. Não preciso dizer que a garota em questão, em razão das condições fisiológicas (desgaste físico + exposição abrupta ao frio) somadas ao trauma sofrido, começou a apresentar sintomas de hipotermia e a situação só não se complicou mais porque o grupo conseguiu acionar por celular o serviço de emergência e um dos rapazes conseguiu descer rápído na frente para guiar o resgate até a vítima.

 

O mecanismo "termoregulador" citado na matéria que originou este tópico é composto por 2 processos orgânicos, destinados a manter a temperatura central do corpo humano equilibrada em 37ºC: produção de calor (termogênese) e a sua dissipação (termólise). A termogênese depende da reserva de calorias e do oxigênio necessários para a metabolização das reservas de energia, diminuindo em pessoas fisicamente exauridas, com falta de oxigênio (situações de alta montanha - acima de 4000m) ou vítimas de trauma. Já a termólise depende do biotipo, vestimentas e condições ambientais (temperatura, vento, umidade) e também é acelerada em situações de traumatismos diversos. O desequilíbrio, seja, o excesso de perda de calor (termólise) ou a falta de produção (termogênese) levam à hipotermia.

 

PREVENÇÃO

 

É o melhor a se fazer. Aqui se atacam paralelamente dois aspectos - justamente ligados aos 2 processos orgânicos citados acima: a alimentação adequada (combustível para a termogênese) e a proteção/isolamento (vestimentas, abrigos, etc) - visando permitir o controle da termólise.

 

Um organismo combalido, seja por um trauma (acidente) ou enfraquecido após um grande esforço físico, como o que geralmente ocorre ao subirmos uma montanha, costuma ter mais dificuldade para gerar calor, por isso é necessário contar sempre com uma boa fonte de energia extra. Nada de levar apenas bolacha, sanduíche e comidas frias para a montanha. Uma comida quente com carboidratos, gorduras e proteínas é essencial para a reposição enérgética e vai ajudar o organismo a se manter aquecido. Ao ingerir alimentos calóricos estamos favorecendo o processo de termogênese, ajudando nosso corpo a produzir calor. Deixe para fazer regime em outras ocasiões, nunca durante o período em que será submetido a grandes esforços físicos - salvo se você é atleta profissional de alta performance e está com seu organismo acostumado às circunstâncias climáticas e de privação a serem experimentadas.

 

Lembro que, mesmo tendo sido desmentido por estudos médicos o fato de que perdemos muito calor pela cabeça, pescoço e extremidades, protegê-los do frio, da umidade e do vento costuma ser muito eficiente para prevenir e mesmo tratar uma hipotermia. Ter à disposição um casaco corta-vento impermeável (anorak), um gorro, um cachecol/pescoceira e luvas, bem como roupas sobressalentes secas e quentes é fundamental na mochila de qualquer excursionista e muita gente vem esquecendo disso, especialmente quando vai passear na montanha. Sem estes recursos de proteção, numa situação extrema poderá ocorrer a perda demasiada de calor do corpo para o ambiente por falta de isolamento térmico, desequilibrando assim o mecanismo termoregulador e levando à hipotermia.

 

 

O QUE FAZER E O QUE NÃO FAZER...

 

Se a situação já se deteriorou a ponto de gerar uma vítima de hipotermia, geralmente a aguda (tipo mais comum nos esportes de aventura e também a mais perigosa - em que temperatura do organismo cai rapidamente, em minutos), a primeira providência é abrigá-la do frio e da umidade, retirando as roupas molhadas da chuva ou úmidas de suor, secar rapidamente a pele e vesti-la novamente com roupas secas e quentes, enrolando-a em um cobertor de emergência (ou, em sua ausência, num pedaço de plástico ou nylon) e de imediato fazê-la repousar, deitada. Buscar socorro imediato a partir disso é o mais indicado. Adicionalmente a vítima pode ser enrolada em cobertores e/ou no saco de dormir (caso disponíveis), colocando-se junto ao corpo garrafas pet com água quente - em especial junto às axilas, tórax e pernas. Isso irá diminuir a perda de calor. Outra providência importante é fornecer à vítima bebida e/ou alimento quente quando possível. Contrariamente ao que se ouve, deve-se evitar massagear ou esfregar a vítima ou fornecer-lhe álcool, pois estas atitudes podem desviar a circulação do sangue dos órgãos centrais, vitais à sobrevivência, comprometendo ainda mais a situação. Exercícios físicos supostamente usados para estimular a produção de calor são igualmente desaconselhados pelo mesmo motivo.

 

 

É isso. Não é um tratado para esgotar o assunto, mas se observados esses cuidados na prevenção dificilmente haverá exposição aos fatores de risco, reduzindo as probabilidades de ocorrência da hipotermia.

 

Abraço!

Postado
  • Membros

Fiz ano passado um curso de primeiros socorros em areas remotas da Wilderness Medical Associates de 80h, eh o curso de areas remotas digamos mais casca grossa do mercado.

 

Um detalhe passado eh que em caso gravissimo de hipotermia, o esquentamento deve vir de dentro para fora, nao se deve colocar nenhuma fonte externa de calor junto ao corpo e a ventilacao artificial (boca-a-boca) seria uma forma de colocar calor para dentro estando preferencialmente em uma sala pouco aquecida, tipo um abrigo de montanha. Inclusive nesse caso um cobertor nao aqueceria a pessoa pois ela ja nao consegue produzir quase calor algum. Mas essa eh uma situacao que nao eh recomendada a nao ser como ultimo recurso, tipo, nao da tempo do socorro chegar, eh melhor tentar isso do que deixar a pessoa morrer... mas enfim... Basicamente nessa situacao o aquecimento externo acabaria por matar o paciente. Eu mesmo nao tenho conhecimento para discutir, apenas estou repassando o peixe como comprei.

 

ha razoavel divergencia entre cursos... dificil dizer qual o mais correto, em geral eh mais confiavel o que esta mais atualizado com o que se passa...

Postado
  • Membros

Grande Xaliba!

 

 

Eu também não sou profissional e não tenho subsídios técnicos para discutir o assunto. O que sei vem de algumas participações em cursos de socorro com os Bombeiros/SIATE e de APH orientado a atividades outdoor realizados há cerca de 2 anos e, há muito tempo, quando militar, de cursos de socorro e resgate na Escola de Saúde do Exército, mas sempre estudo um pouco desses assuntos e procuro me manter atualizado...

 

Realmente. Num caso de hipotermia severa (provavelmente com temperatura corporal interna abaixo de 25°C e com pessoa exausta e/ou traumatizada e já imóvel/inconsciente), como o que você descreveu, a conduta mais recomendada a realizar no local do ocorrido é o reaquecimento interno por meio do fornecimento de ar aquecido. Isso até poder transportar o paciente a um centro médico capaz de atendê-lo eficientemente e um reaquecimento externo, além de ser ineficiente (falência circulatória), poderia colocar o paciente em risco devido a modificações na distribuição do volume sanguíneo (fibrilação, acidose, hipovolemia).

 

Existem 3 "estágios" de gravidade para a hipotermia e cada um exige abordagens diferentes. A conduta que descrevi no outro post se aplica na maioria dos casos ocorrentes no Brasil, onde não temos condições climáticas tão extremas (neve e gelo, por exemplo) e por conta disso a hipotermia seria de um grau leve, onde o organismo do paciente ainda produz calor e os métodos de reaquecimento externo ativos surtem efeitos sem grandes riscos.

 

Abraços!

Postado
  • Membros

Pois eh bro, um detalhe que acho q vale a pena comentar,

 

Estive recentemente numa serie de estudo para tirar carta de habilitacao pra embarcacoes, fiz as provas pra arrais, mestre e capitao amador da marinha. Os procedimentos de primeiros socorros que eles pediam na prova sao coisas meio antigas, que ja nao sao ensinadas pelos cursos de primeiros socorros que eu fiz - que foram alguns - faz tempo. Nao sei se eh apenas a prova que nao esta atualizada ou se a marinha ainda ensina dessa forma. Um tanto antiquado e desatualizado, fiquei meio perplexo. Fico me perguntando no bombeiro e no exercito como seria...

 

abratz

Postado
  • Membros

Olá Xaliba!

 

 

Então, eu sempre tenho isso em mente. Os cursos e palestras dos Bombeiros que tenho visto são muito atualizados, pessoal sempre preocupado com novos conceitos e muita experiência prática adquirida/discutida. No Exército as coisas eram realmente mais "antiquadas", mesmo assim nunca vi ninguém padecer na época em que lá passei, e olha que lá os casos de hipotermia eram frequentes, especialmente devido à conjugação de fatores desfavoráveis a que éramos submetidos: tipo de exercícios + condições metereológicas + roupas inadequadas + alimentação inadequada... ::Cold::::Cold::::Cold::

 

Abraço!

  • 4 meses depois...
Postado
  • Membros
Olá Pessoal!

 

 

Bacana a reportagem. Só a vi aqui hoje...

 

Algumas considerações minhas acerca do tema HIPOTERMIA, baseadas na experiência prática de campo e treinamentos realizados, complementando e corrigindo alguns aspectos abordados:

 

Aqui no Paraná, em especial na Serra do Ibitiraquire (Pico Paraná) infelizmente têm sido comuns os casos de hipotermia e, basicamente, na grande maioria dos casos (se não a sua totalidade) apenas por falta do pessoal observar o básico quanto à vestimentas e alimentação adequadas. Nesta temporada (que ainda não findou) tivemos ao menos dois casos. Num deles, um grupo de jovens subiram em direção ao PP somente com roupas leves, com intenção de fazer "um ataquezinho" e foram colhidos perto do cume por uma abrupta alteração metereológica (fato comum nas montanhas) com forte chuva e frio. Despreparados, sem abrigo (barracas, toldo, lona plástica) ou roupas apropriadas (anorak, etc), se viram em situação difícil, especialmente depois que uma garota do grupo torceu o pé e obrigou-os a reduzir o ritmo de descida, "travando" logo em seguida, ficando todo o grupo ainda mais exposto aos efeitos das intempéries. Não preciso dizer que a garota em questão, em razão das condições fisiológicas (desgaste físico + exposição abrupta ao frio) somadas ao trauma sofrido, começou a apresentar sintomas de hipotermia e a situação só não se complicou mais porque o grupo conseguiu acionar por celular o serviço de emergência e um dos rapazes conseguiu descer rápído na frente para guiar o resgate até a vítima.

 

O mecanismo "termoregulador" citado na matéria que originou este tópico é composto por 2 processos orgânicos, destinados a manter a temperatura central do corpo humano equilibrada em 37ºC: produção de calor (termogênese) e a sua dissipação (termólise). A termogênese depende da reserva de calorias e do oxigênio necessários para a metabolização das reservas de energia, diminuindo em pessoas fisicamente exauridas, com falta de oxigênio (situações de alta montanha - acima de 4000m) ou vítimas de trauma. Já a termólise depende do biotipo, vestimentas e condições ambientais (temperatura, vento, umidade) e também é acelerada em situações de traumatismos diversos. O desequilíbrio, seja, o excesso de perda de calor (termólise) ou a falta de produção (termogênese) levam à hipotermia.

 

PREVENÇÃO

 

É o melhor a se fazer. Aqui se atacam paralelamente dois aspectos - justamente ligados aos 2 processos orgânicos citados acima: a alimentação adequada (combustível para a termogênese) e a proteção/isolamento (vestimentas, abrigos, etc) - visando permitir o controle da termólise.

 

Um organismo combalido, seja por um trauma (acidente) ou enfraquecido após um grande esforço físico, como o que geralmente ocorre ao subirmos uma montanha, costuma ter mais dificuldade para gerar calor, por isso é necessário contar sempre com uma boa fonte de energia extra. Nada de levar apenas bolacha, sanduíche e comidas frias para a montanha. Uma comida quente com carboidratos, gorduras e proteínas é essencial para a reposição enérgética e vai ajudar o organismo a se manter aquecido. Ao ingerir alimentos calóricos estamos favorecendo o processo de termogênese, ajudando nosso corpo a produzir calor. Deixe para fazer regime em outras ocasiões, nunca durante o período em que será submetido a grandes esforços físicos - salvo se você é atleta profissional de alta performance e está com seu organismo acostumado às circunstâncias climáticas e de privação a serem experimentadas.

 

Lembro que, mesmo tendo sido desmentido por estudos médicos o fato de que perdemos muito calor pela cabeça, pescoço e extremidades, protegê-los do frio, da umidade e do vento costuma ser muito eficiente para prevenir e mesmo tratar uma hipotermia. Ter à disposição um casaco corta-vento impermeável (anorak), um gorro, um cachecol/pescoceira e luvas, bem como roupas sobressalentes secas e quentes é fundamental na mochila de qualquer excursionista e muita gente vem esquecendo disso, especialmente quando vai passear na montanha. Sem estes recursos de proteção, numa situação extrema poderá ocorrer a perda demasiada de calor do corpo para o ambiente por falta de isolamento térmico, desequilibrando assim o mecanismo termoregulador e levando à hipotermia.

 

 

O QUE FAZER E O QUE NÃO FAZER...

 

Se a situação já se deteriorou a ponto de gerar uma vítima de hipotermia, geralmente a aguda (tipo mais comum nos esportes de aventura e também a mais perigosa - em que temperatura do organismo cai rapidamente, em minutos), a primeira providência é abrigá-la do frio e da umidade, retirando as roupas molhadas da chuva ou úmidas de suor, secar rapidamente a pele e vesti-la novamente com roupas secas e quentes, enrolando-a em um cobertor de emergência (ou, em sua ausência, num pedaço de plástico ou nylon) e de imediato fazê-la repousar, deitada. Buscar socorro imediato a partir disso é o mais indicado. Adicionalmente a vítima pode ser enrolada em cobertores e/ou no saco de dormir (caso disponíveis), colocando-se junto ao corpo garrafas pet com água quente - em especial junto às axilas, tórax e pernas. Isso irá diminuir a perda de calor. Outra providência importante é fornecer à vítima bebida e/ou alimento quente quando possível. Contrariamente ao que se ouve, deve-se evitar massagear ou esfregar a vítima ou fornecer-lhe álcool, pois estas atitudes podem desviar a circulação do sangue dos órgãos centrais, vitais à sobrevivência, comprometendo ainda mais a situação. Exercícios físicos supostamente usados para estimular a produção de calor são igualmente desaconselhados pelo mesmo motivo.

 

 

É isso. Não é um tratado para esgotar o assunto, mas se observados esses cuidados na prevenção dificilmente haverá exposição aos fatores de risco, reduzindo as probabilidades de ocorrência da hipotermia.

 

Abraço!

Ate me emocionei ao ver o colega postando sobre os jovens, pois nessa ocasiao, eu estava com meu grupo fazendo o PP, e na volta, na metade do caminho, encontramos esse grupo de jovens subindo, estavam totalmente despreparados, vestindo calças jeans e agasalhos de moletom, ficamos extremamente preucupados, pois a situaçao naquele dia estava realmente complicada, muito frio (julho) e chuva a todo instante, eles ainda disseram que pretendiam pernoitar no local, ai bateu nosso desespero, eles nao portavam sequer uma mochila, forçamos eles a descer conosco, porem nao quiseram, entao deixamos com eles uma lona grande, a qual tinhamos usado, e agua, eles prosseguiram, no outro dia ouvimos a noticia na radio, felizmente estavam bem, no posto tio doca haviam comentado que a menina que estava com hiportermia nao piorou por que se enrolou em uma lona, agradecemos realmente a Deus nesse instante, e vimos o quanto e importante sair preparados, roupas a mais, porem sem medo de passar um sufoco que é a hipotermia.

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