Planejar uma viagem não é tarefa fácil. Especialmente morando no Nordeste do país, longe dos grandes aeroportos internacionais, o que aumenta o custo de uma visitinha rápida bem ali aos países hermanos. Por isso decidi escrever esse meu relato para ajudar principalmente aqueles que querem se aventurar pela primeira vez numa viagem internacional. Não é a primeira viagem que faço para Buenos Aires, muito menos o primeiro mochilão, por isso mesmo fui me adaptando a fazer trips desse tipo, encontrando maneiras de me divertir, conhecer pessoas e culturas, gastando pouco por isso. Então, vamos lá.
Para começar, desta vez eu não fui sozinho. Dois amigos que nunca tinham ido para fora do Brasil foram entusiasmados pelas minhas histórias e convencidos de embarcarem comigo. Primeiro a viagem seria para Lima, Peru. Queria muito conhecer esse país. Mas comprei no impulso (o que nem sempre é bom ser feito), e depois buscando mais informações, vi que a data escolhida não era boa para estar lá, por causa das chuvas. Provavelmente eu poderia não ver Machu Picchu com o mal tempo. No dia seguinte, liguei para meu amigo Higor, que havia comprado comigo e decidimos cancelar a viagem (sem custos) e fazer outra compra. Desta vez para Montevidéu, o que propiciaria uma passada em Buenos Aires, que ele desejava conhecer. (TAM – R$ 1.457,60, com taxas inclusas). Nossa amiga Eliete também comprou a sua no dia seguinte.
Agora era hora de traçar nosso roteiro. Tive três meses para planejar tudo. Viajaríamos no dia 18 de fevereiro e voltaríamos no dia 28, para São Luís, onde vivemos. Ah, antes disso, a TAM mudou os horários do voo para outro muito escroto. Mas como temos o direito de trocar pelo que acharmos melhor, optei por um voo em que ficássemos menos tempo em conexão na ida. Melhor. Ficamos apenas 4 horas esperando. Antes ficaríamos 9h. Bobeei em não ter trocado no voo de volta. Tivemos que ficar no aeroporto por doze horas e dormimos no chão do saguão. Os voos para São Luís são muito ruins. Isso já aconteceu comigo outras vezes. Resultado, costelas doendo durante uns dois dias.
Nesse roteiro, vou falando do nosso planejamento ao tempo que as coisas foram acontecendo, para não se perder a informação. Creio que assim ficará mais fácil o entendimento. A seleção dos hostel foi feita pelo Booking, depois de ler muitos comentários no TripAdvisor. A Eliete estava meio receosa de se hospedar em hostel e quartos compartilhados. Mas depois da minha insistente opinião ela acabou optando em ficar conosco, mas em quartos femininos. As passagens de translado entre os países também foi comprado com antecedência. Segue, então, o roteiro dia a dia.
18/02 – São Luís – São Paulo – Montevidéu
19/02 – Montevidéu – Buenos Aires
20/02 – Buenos Aires
21/02 – Buenos Aires
22/02 – Buenos Aires
23/02 – Buenos Aires
24/02 – Buenos Aires – Colonia del Sacramento – Montevidéu
25/02 – Montevidéu
26/02 – Montevidéu – Punta del Este
27/02 – Punta del Este – São Paulo
28/02 – São Paulo – São Luís
1º DIA – Cadê o dinheiro que estava aqui?
Pegamos o voo às 3h39 de São Luís e chegamos por volta das 8h em Guarulhos para a conexão. O pouso foi um tormento para mim. Dias antes tinha atacado minha rinite alérgica. Daí minha face estava ainda meio congestionada. Resultado, a pressão do avião no pouso me causou uma fortíssima dor ocular, parecia que estavam furando meu olho esquerdo. Uma dor quase insuportável que só parou quando o avião aterrissou. Fiquei com uma leve dor de cabeça por pelo menos meia hora. Depois de algum tempo, estava novo em folha.
Como é voo internacional, retiramos as malas e despachamos novamente no check-in específico lá no primeiro piso. O voo para Montevidéu sai do novo Terminal 3. Ainda tínhamos algumas horas de espera. E bem aí acontece algo, ou melhor, deixa de acontecer algo que vai tornar minha viagem mais muxoxa. Eu havia sacado dinheiro em São Luís para deixar algumas contas pagas que venceriam durante a viagem. O que sobrou não daria para sobreviver nos 10 dias fora de casa. Infelizmente o banco limita a gente sacar uma determinada quantia em dinheiro. Teria que retirar dinheiro em Guarulhos no dia seguinte. Mas empolgado nas conversas e ainda meio preocupado com as dor de cabeça, receoso que ocorresse novamente no outro voo, acabei esquecendo de fazer o saque. Ai, que burro. Dá zero pra ele. Muita raiva nessa hora. Quando lembrei já estava em Montevidéu. Teria que economizar e fazer compras no cartão. O que eu não estava muito a fim, por causa do IOF. Menos mal que no Uruguai as compras feitas com cartão ele devolvem um imposto, o IVA, que é mais do se paga pelo IOF. Daí compensa.
O avião decolou às 12h50. No pouso, a pressão nos olhos novamente, mas um pouco mais leve do que a primeira vez. Descemos e fomos direto para a imigração. Uma fila longa. Gastamos ali acho que meia hora. Sem muitas perguntas como acontece na Europa. Passaporte carimbado, fomos pegar as bagagens. No aeroporto fizemos nosso primeiro cambio. A pior cotação é do aeroporto (como em qualquer país), por isso trocamos o suficiente para sair dali e pagar a primeira diária do hostel e fazer uma refeição. Trocamos juntos R$ 700 o que nos rendeu $ 4.668,55 (pesos uruguayos). Essa empresa (Global), nos deu um cartão de 15% para a próxima troca em agências da empresa. Acabamos não usando por um descuido nosso.
Para sair do aeroporto, decidimos ir de ônibus urbano, que passa em frente ao aeroporto. Antes, peguei meu primeiro mapa uruguayo. Mapas são tudo de bom. Já havia baixado em casa um aplicativo com mapa do país (Maps.me), que funciona sem off-line, apesar da VIVO ter me dado o roaming internacional sem eu ter solicitado (Depois conto essa história). A tarifa dessa linha do aeroporto para o Centro foi $ 51 pesos, o que dá mais ou menos R$ 7,60. Guarde sempre consigo esse bilhete que sai da maquininha dos ônibus, pois existem fiscais que podem te surpreender no meio do caminho e te mandar descer se não tê-los em mão.
Em pouco menos de meia hora estávamos no Centro. Um brasileiro que morava lá e estava no ônibus nos indicou a melhor parada para descer. Descobrimos que deveríamos ter descido um ponto antes, por isso caminhamos de volta uns quatro quarteirões. Minha amiga não gostou muito. Já estávamos cansados da viagem. Mas finalmente chegamos ao Hostel Caballo Loco (US$ 18, a diária), que recomendo bastante. Tem uma avaliação minha no booking e uma mais completa no TripAdvisor. Depois de deixar as malas nos quartos, fomos procurar um local para comer. Comemos ali próximo, no restaurante Loco de Asar, que nos cobrou o olho da cara. $ 380 + $ 80 (bebida) (R$ 63,00). Mas não tínhamos mais forças para procurar algo mais em conta. Bem, comer no Uruguai não é algo barato. Menos ainda quando esquecemos de sacar dinheiro no banco.
Saciados, decidimos aproveitar o resto do sol daquela noite para conhecer o Centro antigo de Montevidéu. Foi um passeio rápido até a Plaza Independencia depois voltamos para o hostel, pois iria chover. Antes, compramos água para passar a noite e o dia seguinte. Não lemos o rótulo direito e acabamos comprando água com gás. Fazer o quê? Beber. Jogar fora é que não podíamos.
Dia 2 – Centro de Montevidéu e Viagem para Buenos Aires.
Tomamos o café delicioso do hostel. (Dica para economizar no lanche). Aproveitei para pegar uma fruta do café do hostel e fazer um sanduíche para comer na rua. Saímos com o mapa na mão e a pé chegamos novamente à Plaza Independencia, passamos por pontos turísticos famosos da Ciudad Vieja: Teatro Solis, Puerta de la Ciudadela, Catedral, e fomos até a Plaza Zabala. Deixamos os museus para conhecer na volta de Buenos Aires. Almoçamos num pequeno restaurante chamado Tupique. Estava cheio de autóctones. Por isso decidimos ficar ali. Sinal de comida boa e barata. Pagamos $ 130 pesos cada por milanesas y papas fritas ou purê. Ainda nos deram pãezinhos e um docinho de creme que não recordo o nome. Depois voltamos para o hostel nos preparar para Buenos Aires.
Pegamos próximo ao hostel o ônibus CA1 para o Terminal Tres Cruces. A tarifa é $ 19 pesos e o terminal é o ponto final do ônibus. A rodoviária da cidade tem até um shopping dentro. De lá partem os ônibus do Buquebus que nos levam até o terminal de ferry boat na cidade de Colonia del Sacramento. (Vamos conhecer essa cidade na volta). Compramos as passagens do Buquebus no site ainda no Brasil. A ida custou R$ 90 mais ou menos, sem o IOF. Esse era um horário bom e barato. Mais barato só pela manhã bem cedo ou de madrugada. Saindo as 15h30, tivemos tempo de aproveitar a manhã em Montevidéu. Já que só teríamos mais dois dias lá quando retornássemos de Buenos Aires. Importante: mesmo que tenha impressos os bilhetes, terá de fazer o check-in na rodoviária. Eles darão o formulário de imigração. Guarde-o como se fosse sua vida. Aliás, é sempre bom guardar qualquer pedaço de papel que te dão. Até notas fiscais. Faço isso para fazer as contas depois e recordar o que fiz na viagem. Pegamos a estrada (sem buracos, lisa como tapete).
A viagem duraria umas 2h30 até Colonia del Sacramento. Consegui dormir um pouco, mas no meio do caminho o ônibus deu prego. O motorista avisou que o barco só sairia quando a gente chegasse. Já havia comunicado a empresa para enviar outro veículo. Segundo ele demoraria um pouco mais de uma hora, já que tínhamos percorrido metade do trajeto. Mas para nossa sorte ele chegou em meia horinha.
Conseguimos chegar antes das 19h no Buquebus. Enfrentamos a fila chata e demorada da imigração. Sim, vamos cruzar o Rio del Plata para outro país. Passaporte é carimbado e aquele formulário também. Pode usar a identidade, como no aeroporto. Compramos a passagem para um barco não tão rápido. Demoraria 3h para chegar à Argentina. Trocamos nossos reais pelos pesos argentinos para pagar o táxi e fazer nossa refeição no primeiro dia em Buenos Aires. A agência é da mesma empresa que trocamos lá no aeroporto. Depois que nos tocamos que poderíamos ter usado o cartãozinho dos 15%. O agência só funciona enquanto o barco estiver atracado. Depois só abrirá quando chegar ao outro país. Lá dentro tem um free shop. Ficamos do lado de fora do barco, vendo o rio e o por do sol. Com o frio e um pouco de tontura porque começou a balançar muito, descemos para área das poltronas e dormimos um pouco. Já no terminal do Buquebus na Argentina, fomos pegar nossas bagagens que demorou muuuito para chegar à esteira.
Na saída escolhemos um táxi que nos cobrou $ 170 pesos argentinos para nos levar até o Hostel Milhouse. Cuidado com taxistas portenhos. São uns malandrinhos. Mas como já havia feito intercâmbio por ali, sabia das artimanhas. Pagamos o taxista ainda no meio do caminho. Durante o trajeto ele fez um pequeno truque de trocar a cédula nova por uma rasgada. “Essa cédula esta rasgada. Tem outra?”. Eu disse: “Cara, eu te dei uma cédula nova, que acabei de pegar no banco. Eu não vou trocar”. Ele se fez de desentendido, e insistiu. Mas vendo que não ia colar, disse que estava só alertando a gente para evitar pegar essas cédulas porque o povo não aceita”. Em menos de 5 minutos havíamos chegado ao hostel. No caminho inverso, quando voltamos para o Uruguay pagamos ao taxista uns 70 pesos, menos da metade que o safadinho nos cobrou. Vale lembrar que há também o truque da troca de 100 pesos por notas de 10 pesos, porque são parecidas. Tu dá 100, eles trocam sem tu perceberes e diz que tu destes 10. Aí você inocente dá outra nota de 100 e pega a de 10. Menos 90 pesos no seu bolso.
No hostel, descobrimos que o cartão de crédito não havia faturado todas as diárias. Apenas a primeira. Como estava com pouca grana, tivemos que pagar as diárias com cartão de crédito. O hostel ainda nos cobrou 4% sobre o valor porque iria ser no cartão. Fora o IOF e taxa de câmbio que seriam cobrados pelo banco. Mas tudo bem. Já estávamos ali mesmo. Pagamos ($ 83,00 dólares por 5 diárias). Havia uma festa no hostel. Queríamos aproveitar.
Antes, subimos, deixamos as coisas nos quartos. O meu estava muito bagunçado. Tinha uns garotos americanos, jovens de uns 18 anos que deixaram uma montanha de roupas espalhadas pelo quarto. Até dinheiro tinha espalhado pelo chão. Descemos e fomos jantar num restaurante próximo (La Continental). Comemos pasta ($ 60,00 pesos argentinos). Tentamos aproveitar a festinha, mas ela havia terminado quando voltamos. Era um esquenta para noite portenha, que só começa lá pelas 2h. Os meninos estavam empolgados com o dia seguinte. Preferimos dormir.
Próximo post: PARTE 2 - Eu devia ter colocado um guarda-sol na mala.
Perdoem meus erros ortográficos, se os encontrar. Não tenho saco para ficar revisando.
PARTE 1 - Uruguai e Argentina
Planejar uma viagem não é tarefa fácil. Especialmente morando no Nordeste do país, longe dos grandes aeroportos internacionais, o que aumenta o custo de uma visitinha rápida bem ali aos países hermanos. Por isso decidi escrever esse meu relato para ajudar principalmente aqueles que querem se aventurar pela primeira vez numa viagem internacional. Não é a primeira viagem que faço para Buenos Aires, muito menos o primeiro mochilão, por isso mesmo fui me adaptando a fazer trips desse tipo, encontrando maneiras de me divertir, conhecer pessoas e culturas, gastando pouco por isso. Então, vamos lá.
Para começar, desta vez eu não fui sozinho. Dois amigos que nunca tinham ido para fora do Brasil foram entusiasmados pelas minhas histórias e convencidos de embarcarem comigo. Primeiro a viagem seria para Lima, Peru. Queria muito conhecer esse país. Mas comprei no impulso (o que nem sempre é bom ser feito), e depois buscando mais informações, vi que a data escolhida não era boa para estar lá, por causa das chuvas. Provavelmente eu poderia não ver Machu Picchu com o mal tempo. No dia seguinte, liguei para meu amigo Higor, que havia comprado comigo e decidimos cancelar a viagem (sem custos) e fazer outra compra. Desta vez para Montevidéu, o que propiciaria uma passada em Buenos Aires, que ele desejava conhecer. (TAM – R$ 1.457,60, com taxas inclusas). Nossa amiga Eliete também comprou a sua no dia seguinte.
Agora era hora de traçar nosso roteiro. Tive três meses para planejar tudo. Viajaríamos no dia 18 de fevereiro e voltaríamos no dia 28, para São Luís, onde vivemos. Ah, antes disso, a TAM mudou os horários do voo para outro muito escroto. Mas como temos o direito de trocar pelo que acharmos melhor, optei por um voo em que ficássemos menos tempo em conexão na ida. Melhor. Ficamos apenas 4 horas esperando. Antes ficaríamos 9h. Bobeei em não ter trocado no voo de volta. Tivemos que ficar no aeroporto por doze horas e dormimos no chão do saguão. Os voos para São Luís são muito ruins. Isso já aconteceu comigo outras vezes. Resultado, costelas doendo durante uns dois dias.
Nesse roteiro, vou falando do nosso planejamento ao tempo que as coisas foram acontecendo, para não se perder a informação. Creio que assim ficará mais fácil o entendimento. A seleção dos hostel foi feita pelo Booking, depois de ler muitos comentários no TripAdvisor. A Eliete estava meio receosa de se hospedar em hostel e quartos compartilhados. Mas depois da minha insistente opinião ela acabou optando em ficar conosco, mas em quartos femininos. As passagens de translado entre os países também foi comprado com antecedência. Segue, então, o roteiro dia a dia.
18/02 – São Luís – São Paulo – Montevidéu
19/02 – Montevidéu – Buenos Aires
20/02 – Buenos Aires
21/02 – Buenos Aires
22/02 – Buenos Aires
23/02 – Buenos Aires
24/02 – Buenos Aires – Colonia del Sacramento – Montevidéu
25/02 – Montevidéu
26/02 – Montevidéu – Punta del Este
27/02 – Punta del Este – São Paulo
28/02 – São Paulo – São Luís
1º DIA – Cadê o dinheiro que estava aqui?
Pegamos o voo às 3h39 de São Luís e chegamos por volta das 8h em Guarulhos para a conexão. O pouso foi um tormento para mim. Dias antes tinha atacado minha rinite alérgica. Daí minha face estava ainda meio congestionada. Resultado, a pressão do avião no pouso me causou uma fortíssima dor ocular, parecia que estavam furando meu olho esquerdo. Uma dor quase insuportável que só parou quando o avião aterrissou.
Fiquei com uma leve dor de cabeça por pelo menos meia hora. Depois de algum tempo, estava novo em folha.
Como é voo internacional, retiramos as malas e despachamos novamente no check-in específico lá no primeiro piso. O voo para Montevidéu sai do novo Terminal 3. Ainda tínhamos algumas horas de espera. E bem aí acontece algo, ou melhor, deixa de acontecer algo que vai tornar minha viagem mais muxoxa. Eu havia sacado dinheiro em São Luís para deixar algumas contas pagas que venceriam durante a viagem. O que sobrou não daria para sobreviver nos 10 dias fora de casa. Infelizmente o banco limita a gente sacar uma determinada quantia em dinheiro. Teria que retirar dinheiro em Guarulhos no dia seguinte. Mas empolgado nas conversas e ainda meio preocupado com as dor de cabeça, receoso que ocorresse novamente no outro voo, acabei esquecendo de fazer o saque. Ai, que burro. Dá zero pra ele. Muita raiva nessa hora.
Quando lembrei já estava em Montevidéu. Teria que economizar e fazer compras no cartão. O que eu não estava muito a fim, por causa do IOF. Menos mal que no Uruguai as compras feitas com cartão ele devolvem um imposto, o IVA, que é mais do se paga pelo IOF. Daí compensa.
O avião decolou às 12h50. No pouso, a pressão nos olhos novamente, mas um pouco mais leve do que a primeira vez. Descemos e fomos direto para a imigração. Uma fila longa. Gastamos ali acho que meia hora. Sem muitas perguntas como acontece na Europa. Passaporte carimbado, fomos pegar as bagagens. No aeroporto fizemos nosso primeiro cambio. A pior cotação é do aeroporto (como em qualquer país), por isso trocamos o suficiente para sair dali e pagar a primeira diária do hostel e fazer uma refeição. Trocamos juntos R$ 700 o que nos rendeu $ 4.668,55 (pesos uruguayos). Essa empresa (Global), nos deu um cartão de 15% para a próxima troca em agências da empresa. Acabamos não usando por um descuido nosso.
Para sair do aeroporto, decidimos ir de ônibus urbano, que passa em frente ao aeroporto. Antes, peguei meu primeiro mapa uruguayo. Mapas são tudo de bom. Já havia baixado em casa um aplicativo com mapa do país (Maps.me), que funciona sem off-line, apesar da VIVO ter me dado o roaming internacional sem eu ter solicitado (Depois conto essa história). A tarifa dessa linha do aeroporto para o Centro foi $ 51 pesos, o que dá mais ou menos R$ 7,60. Guarde sempre consigo esse bilhete que sai da maquininha dos ônibus, pois existem fiscais que podem te surpreender no meio do caminho e te mandar descer se não tê-los em mão.
Em pouco menos de meia hora estávamos no Centro. Um brasileiro que morava lá e estava no ônibus nos indicou a melhor parada para descer. Descobrimos que deveríamos ter descido um ponto antes, por isso caminhamos de volta uns quatro quarteirões. Minha amiga não gostou muito. Já estávamos cansados da viagem. Mas finalmente chegamos ao Hostel Caballo Loco (US$ 18, a diária), que recomendo bastante. Tem uma avaliação minha no booking e uma mais completa no TripAdvisor. Depois de deixar as malas nos quartos, fomos procurar um local para comer. Comemos ali próximo, no restaurante Loco de Asar, que nos cobrou o olho da cara. $ 380 + $ 80 (bebida) (R$ 63,00). Mas não tínhamos mais forças para procurar algo mais em conta. Bem, comer no Uruguai não é algo barato. Menos ainda quando esquecemos de sacar dinheiro no banco.
Saciados, decidimos aproveitar o resto do sol daquela noite para conhecer o Centro antigo de Montevidéu. Foi um passeio rápido até a Plaza Independencia depois voltamos para o hostel, pois iria chover. Antes, compramos água para passar a noite e o dia seguinte. Não lemos o rótulo direito e acabamos comprando água com gás. Fazer o quê? Beber. Jogar fora é que não podíamos.
Dia 2 – Centro de Montevidéu e Viagem para Buenos Aires.
Tomamos o café delicioso do hostel. (Dica para economizar no lanche). Aproveitei para pegar uma fruta do café do hostel e fazer um sanduíche para comer na rua. Saímos com o mapa na mão e a pé chegamos novamente à Plaza Independencia, passamos por pontos turísticos famosos da Ciudad Vieja: Teatro Solis, Puerta de la Ciudadela, Catedral, e fomos até a Plaza Zabala. Deixamos os museus para conhecer na volta de Buenos Aires. Almoçamos num pequeno restaurante chamado Tupique. Estava cheio de autóctones. Por isso decidimos ficar ali. Sinal de comida boa e barata. Pagamos $ 130 pesos cada por milanesas y papas fritas ou purê. Ainda nos deram pãezinhos e um docinho de creme que não recordo o nome. Depois voltamos para o hostel nos preparar para Buenos Aires.
Pegamos próximo ao hostel o ônibus CA1 para o Terminal Tres Cruces. A tarifa é $ 19 pesos e o terminal é o ponto final do ônibus. A rodoviária da cidade tem até um shopping dentro. De lá partem os ônibus do Buquebus que nos levam até o terminal de ferry boat na cidade de Colonia del Sacramento. (Vamos conhecer essa cidade na volta). Compramos as passagens do Buquebus no site ainda no Brasil. A ida custou R$ 90 mais ou menos, sem o IOF. Esse era um horário bom e barato. Mais barato só pela manhã bem cedo ou de madrugada. Saindo as 15h30, tivemos tempo de aproveitar a manhã em Montevidéu. Já que só teríamos mais dois dias lá quando retornássemos de Buenos Aires. Importante: mesmo que tenha impressos os bilhetes, terá de fazer o check-in na rodoviária. Eles darão o formulário de imigração. Guarde-o como se fosse sua vida. Aliás, é sempre bom guardar qualquer pedaço de papel que te dão. Até notas fiscais. Faço isso para fazer as contas depois e recordar o que fiz na viagem. Pegamos a estrada (sem buracos, lisa como tapete).
A viagem duraria umas 2h30 até Colonia del Sacramento. Consegui dormir um pouco, mas no meio do caminho o ônibus deu prego. O motorista avisou que o barco só sairia quando a gente chegasse. Já havia comunicado a empresa para enviar outro veículo. Segundo ele demoraria um pouco mais de uma hora, já que tínhamos percorrido metade do trajeto. Mas para nossa sorte ele chegou em meia horinha.
Conseguimos chegar antes das 19h no Buquebus. Enfrentamos a fila chata e demorada da imigração. Sim, vamos cruzar o Rio del Plata para outro país. Passaporte é carimbado e aquele formulário também. Pode usar a identidade, como no aeroporto. Compramos a passagem para um barco não tão rápido. Demoraria 3h para chegar à Argentina. Trocamos nossos reais pelos pesos argentinos para pagar o táxi e fazer nossa refeição no primeiro dia em Buenos Aires. A agência é da mesma empresa que trocamos lá no aeroporto. Depois que nos tocamos que poderíamos ter usado o cartãozinho dos 15%. O agência só funciona enquanto o barco estiver atracado. Depois só abrirá quando chegar ao outro país. Lá dentro tem um free shop. Ficamos do lado de fora do barco, vendo o rio e o por do sol. Com o frio e um pouco de tontura porque começou a balançar muito, descemos para área das poltronas e dormimos um pouco. Já no terminal do Buquebus na Argentina, fomos pegar nossas bagagens que demorou muuuito para chegar à esteira.
Na saída escolhemos um táxi que nos cobrou $ 170 pesos argentinos para nos levar até o Hostel Milhouse. Cuidado com taxistas portenhos. São uns malandrinhos. Mas como já havia feito intercâmbio por ali, sabia das artimanhas. Pagamos o taxista ainda no meio do caminho. Durante o trajeto ele fez um pequeno truque de trocar a cédula nova por uma rasgada. “Essa cédula esta rasgada. Tem outra?”. Eu disse: “Cara, eu te dei uma cédula nova, que acabei de pegar no banco. Eu não vou trocar”. Ele se fez de desentendido, e insistiu. Mas vendo que não ia colar, disse que estava só alertando a gente para evitar pegar essas cédulas porque o povo não aceita”. Em menos de 5 minutos havíamos chegado ao hostel. No caminho inverso, quando voltamos para o Uruguay pagamos ao taxista uns 70 pesos, menos da metade que o safadinho nos cobrou. Vale lembrar que há também o truque da troca de 100 pesos por notas de 10 pesos, porque são parecidas. Tu dá 100, eles trocam sem tu perceberes e diz que tu destes 10. Aí você inocente dá outra nota de 100 e pega a de 10. Menos 90 pesos no seu bolso.
No hostel, descobrimos que o cartão de crédito não havia faturado todas as diárias. Apenas a primeira. Como estava com pouca grana, tivemos que pagar as diárias com cartão de crédito. O hostel ainda nos cobrou 4% sobre o valor porque iria ser no cartão. Fora o IOF e taxa de câmbio que seriam cobrados pelo banco. Mas tudo bem. Já estávamos ali mesmo. Pagamos ($ 83,00 dólares por 5 diárias). Havia uma festa no hostel. Queríamos aproveitar.
Antes, subimos, deixamos as coisas nos quartos. O meu estava muito bagunçado. Tinha uns garotos americanos, jovens de uns 18 anos que deixaram uma montanha de roupas espalhadas pelo quarto. Até dinheiro tinha espalhado pelo chão. Descemos e fomos jantar num restaurante próximo (La Continental). Comemos pasta ($ 60,00 pesos argentinos). Tentamos aproveitar a festinha, mas ela havia terminado quando voltamos. Era um esquenta para noite portenha, que só começa lá pelas 2h. Os meninos estavam empolgados com o dia seguinte. Preferimos dormir.
Próximo post: PARTE 2 - Eu devia ter colocado um guarda-sol na mala.
Perdoem meus erros ortográficos, se os encontrar. Não tenho saco para ficar revisando.
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