Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Olá viajante!

Bora viajar?

Viagem de 42 dias, 15.500 km de Biz por 5 países gastando R$3.000,00

Postado
  • Membros

Olá pessoal, neste post vou relatar diariamente como foi meu "mochilão" de Biz por 5 países, uma viagem baseada em acampamentos e tentando gastar o minimo possivel.

Trailer do DVD Passeando pela América II - Civilizações pré-colombianas

Esta foi minha quarta viagem neste estilo, tenho elas relatadas em meu Blog:

http://www.passeandopelaamerica.blogspot.com.br

Tenho alguns videos em meu canal no Youtube:

https://www.youtube.com/user/spygtba/videos?view=0&sort=dd&shelf_id=0

e no meu perfil do Facebook:

https://www.facebook.com/media/set/?set=vb.100002296216808&type=2

 

Em breve estará disponível um DVD triplo com mais de 5 horas de vídeo desta aventura.

 

 

 

1º dia.

Dia 7 de dezembro de 2016

 

WP_20161207_06_41_50_Raw_LI.jpg

Já estava um pouquinho rodada.

 

Trabalhei até as 5:00 da manhã, trabalho no terceiro turno, tinha que mudar meu fuso horário rápido, pois ia começar a dormir por volta das 20:00 todo dia e também precisava aproveitar cada segundo das minhas férias, então cheguei em casa, tomei um banho, fiz um café bem forte e fui pra estrada, saí eram umas 6:30, tinha que fazer 622 km pra fazer.

WP_20161207_11_50_00_Raw_LI.jpg

Portal de Porto União-SC

 

 

WP_20161207_11_14_47_Raw_LI.jpg

Portal de Irineópolis-SC

 

Esta viagem eu tinha estabelecido que seria feita numa velocidade entre 80 e 90 km/h para minimizar o gasto com gasolina, uma vez que andando entre 90 e 100 km/h a Biz consome 25% a mais de gasolina e o custo estimado de gasolina pra viagem era de R$1500,00, 25% disto é R$375,00, sem contar que eu aproveitaria muito mais as paisagens e teria muito mais tempo de reação em caso de imprevisto na estrada. Fui seguindo pela rota traçada em meu planejamento, não tinha dormido na noite anterior, mas também não estava com sono, lá pelas 10:00 horas parei para comer alguns dos chocolates que eu tinha feito e pelas 13:00 horas o sono começou a bater, parei em um mercado e tomei um energético, já sabia que ia precisar disso.

 

WP_20161207_13_08_08_Raw_LI.jpg

Igreja de General Carneiro-PR

 

 

Parei em um posto de combustíveis perto de Palmas, depois de subir uma serra e fui no banheiro, lá um caminhoneiro que eu tinha passado na serra me perguntou se a Biz era mexida, falei que não, acho que o caminhoneiro não botava fé na "bichinha", mas passar por ele carregada em uma serra mudou a opinião dele.

 

WP_20161207_14_07_07_Raw_LI.jpg

Usina eólica de Palmas-PR

 

Tirei poucas fotos pelo caminho, já era conhecido de outra viagem, então rendeu a viagem e cheguei em Perola do Oeste ainda com sol, fui até a casa do Edson Binsfeld, que me esperava já com a moto dele montada e uma carne pronta pra ir pro fogo, pouco depois chegou o Valdomiro, amigo do Edson e companheiro de outras viagens dele, e mais alguns amigos dele, ficamos por ali papeando e comendo até quase meia noite.

Editado por Visitante

  • Respostas 104
  • Visualizações 376.2k
  • Criado
  • Última resposta

Usuários Mais Ativos no Tópico

Most Popular Posts

  • 37º dia Dia 12 de janeiro de 2017     Quando acordei ainda chovia, continuei deitado, estava quentinho. Fiquei por mais de uma hora lá esperando a chuva passar, enquanto isso ia comendo e olhan

  • thiago gentil
    thiago gentil

    Véio top demais da conta!   Sua moto é uma 125cc?   Tenho uma Factor 125cc.. tô bolando o plano pra ir até Ushuaia em breve!

  • 12º dia 17 de dezembro de 2016 Trajeto do dia.   Depois de uma boa noite de sono em um lugar pra lá de sinistro voltei pra estrada. Tinha mais de 200 km de estradas de chão para percorrer e um b

Featured Replies

Postado
  • Membros

show !

altamente inspirador .

A Esperança não murcha, ela não cansa,

Também como ela não sucumbe a Crença,

Vão-se sonhos nas asas da Descrença,

Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Augusto dos Anjos.

  • 2 semanas depois...
Postado
  • Autor
  • Membros

24º dia de Chachapoyas a Revash 200 km

24º dia

29 de dezembro de 2016

vigesimo%2Bquarto.jpg

Trajeto do dia

 

Levantei cedo, pois queria visita 3 lugares hoje, a moça das informações turísticas falou que dava pra visitar um lugar por dia e pelas distancias eu não acreditei. Com 200 km rodados eu poderia visitar as 3 que eram: Sarcófagos de Karijia, Fortaleza Kuelap e os Mausoléus Revash.

Do acampamento segui para a estrada da qual eu tinha vindo no dia anterior para acessar a carretera 8C, no inicio uma pista simples asfaltada sem a faixa central, achei que fosse mão única, mas logo veio um carro ao meu encontro. Depois de uns 5 km deixei o asfalto para seguir por uma estrada de chão que sobe a montanha. Logo no início da subida vi que teria que ter muito cuidado, como choveu a noite inteira o chão estava liso e pra piorar eu tinha do meu lado direito um precipício, então fui devagar, andei por uns 10 km até chegar em cima da montanha e já com uma estrada um pouco melhor eu rodei mais 15 km até chegar perto dos Sarcófagos de Karijia. Deixei a moto em uma estradinha que cortava uma plantação e continuei a pé pela estrada cheia de lama e merda de vaca, tinha um quilômetro para descer e um desnível de 200 metros.

Os sarcófagos de Karijia são da cultura Chachapoyas e foram encontrados em 1985 em uma encosta rochosa a 24 metros de altura em uma parede vertical. Os sarcófagos contém múmias que foram depositadas sentadas e junto a elas cerâmicas e alguns tipos de cereais. Eram 7 sarcófagos, mas um deles caiu em um terremoto em 1928. Eles eram unidos lateralmente e ao cair o sarcófago deixou uma abertura em seus vizinhos, pelo qual os arqueólogos puderam estudar o conteúdo sem precisar abrir eles e também fazer a datação. Desde o estudo eles permanecem intactos e a datação determinou que eles estão ali desde o ano 1460 d.C.

No local também existem ossos de outros corpos, do qual não encontrei informações, provavelmente bem mais recente que os sarcófagos. Visita feita era hora de voltar, eram 10 horas da manhã e sol junto com a umidade deixavam o lugar muito quente, tinha que subir dos 2.820 metros de altitude até os 3.000 metros, onde tinha deixado a moto, por uma trilha cheia de degraus e depois a estrada cheia de estrume. Fui subindo e parando para descansar, o que levei 15 minutos para descer levei quase uma hora para subir.

 

WP_20161230_09_33_40_Raw_LI.jpg

WP_20161230_09_35_49_Raw_LI.jpg

 

WP_20161230_09_44_10_Raw_LI.jpg

WP_20161230_09_45_25_Raw_LI.jpg

WP_20161230_10_20_34_Raw_LI.jpg

Cheguei na moto e quando estava chegando na vila que dá acesso ao sítio um moça no meio da rua me fazia sinal para parar e disse que eu tinha que fazer o registro e pagar 5 soles pela visita. Como passei por lá antes das 9 ela não estava lá. Paguei e segui para a fortaleza de Kuelap. No caminho de volta peguei uma estrada errada e achei um caminho muito melhor do que o que usei para chegar e ainda mais perto em 6 km e que não foi indicado pela atendente em Chachapoyas.

Voltei ao asfalto e segui pela estradinha de uma via só que segue o rio Utcubamba em um serpenteado que torna a condução ao gostosa, pois são infinitas curva, e perigosa, pois se errar em uma curva é certo q queda no rio que em alguns lugares esta a mais de 10 metros do nível da rua e não tem qualquer tipo de proteção. Segui por esta estrada até o meio dia e parei para almoçar em um restaurante a 30 km da fortaleza. Me informei ali sobre o melhor caminho a tomar e me deram duas opções: Ir por uma estrada boa por um percurso de 35 km que é a via de quase todos que vão até lá ou seguir por outra estrada pouco conhecida e em piores condições com 11 km de extensão. Qual eu escolhi? Certamente a menos utilizada, além de mais perto mais aventura. Segui então até uma vila onde peguei uma estradinha de chão que sobe a montanha, inicialmente uma estrada boa e nos últimos 4 km era uma estrada recém aberta e pouco movimentada, fazia dias que ninguém passava por ela, não tinha marcas de carro no chão, no último km apenas a máquina que abriu a estrada tinha passado. A estrada acabou no meio de um pasto e eu podia ver logo acima a fortaleza, uns 1000 metros dali morro acima. Deixei a moto e fui subindo pelo meio do pasto até chegar a um hostel e em mais 10 minutos eu cheguei na fortaleza. Ao chegar na entrada me foi pedido o ingresso que eu deveria ter comprado na entrada certa para a fortaleza. Expliquei que não tinha entrado pelo lugar convencional e que descer lá pra comprar ia ser muito cansativo, a altitude de 3000 metros já torna as subidas mais sofridas. Ele então pediu pelo rádio um ingresso que consegui pela metade do preço com minha carteirinha da faculdade e que eu deveria pegar na saída. Já eram 16:30 horas e a fortaleza fecharia as 17. Entrei e ao localizar um grupo com guia comecei a seguir com certa distancia para poder ouvir o que o cara contava sobre o lugar.

A fortaleza da cultura Chachapoya começou a ser construída no seculo XI e seu abandono se deu após a chegada dos espanhóis na metade do século XVI. Com 600 metros de comprimento por 100 de largura e com muralhas que em alguns pontos chegam a 19 metros de altura, serviu como centro religioso, administrativo e de moradia. A fortaleza tem construções feitas em pedra e em sua maioria de forma circular, sendo que tem algumas construções retangulares que evidenciam a presença Inca provavelmente no final do século XV. A fortaleza tinha 3 entradas e todas elas são estreita de forma a permitir apenas uma pessoa por vez, dificultando a entrada em caso de ataques. Em seu interior existem mais de 500 construções circulares divididas em dois níveis que mostra que a cidade tinha uma divisão social, onde o nível mais alto era reservado à alta sociedade e onde também estão localizadas as áreas religiosas da fortaleza. Diferentemente de Machu Picchu este sítio permanece com as árvores e nelas muitas espécies de bromélias, pouca coisa foi restaurada, apenas abertas trilhas entre as ruínas e instaladas placas orientativas.

Se eu fosse discorrer sobre toda a história desta fortaleza certamente teria muito texto aqui, mas certamente o farei no livro.

 

WP_20161230_14_13_28_Raw_LI.jpg

Lugar onde deixei a moto.

 

Abaixo uma sequência de fotos da Fortaleza Kuelap.

 

IMG_1191.JPG

IMG_1192.JPG

IMG_1195.JPG

IMG_1197.JPG

IMG_1203.JPG

IMG_1204.JPG

IMG_1206.JPG

IMG_1207.JPG

IMG_1219.JPG

IMG_1221.JPG

IMG_1223.JPG

IMG_1224.JPG

IMG_1227.JPG

IMG_1229.JPG

IMG_1233.JPG

IMG_1234.JPG

IMG_1238.JPG

IMG_1239.JPG

IMG_1240.JPG

IMG_1242.JPG

IMG_1245.JPG

IMG_1247.JPG

IMG_1248.JPG

IMG_1249.JPG

IMG_1254.JPG

IMG_1255.JPG

WP_20161230_15_19_07_Raw_LI.jpg

WP_20161230_15_21_33_Raw_LI.jpg

Após a visita parei nas barraquinhas de lembranças, comprei algumas e parei em uma barraquinha que vende comidas típicas, comi algumas coisas alí: Batata doce frita, tipo Ruffles, Batata doce assada, batata recheada com ovo e um tipo de massa de trigo frita.

WP_20161230_18_14_33_Raw_LI.jpg

Entopiu de barro.

 

WP_20161230_17_50_41_Raw_LI.jpg

Monolíto as margens da ruta 8C.

 

Voltei para a moto e desci toda aquela estrada que em função de uma chuva que caiu enquanto eu estava na fortaleza deixou a estrada lisa e exigia que pilotasse com muito cuidado. Cheguei no asfalto já perto da noite, mas segui até Yerba Buena, entrei onde indicava o caminho para Revash sabendo que teria que acampar em algum lugar no escuro, pois teria que sair da parte povoada para isso, fui subindo uma estradinha de chão pela montanha e uma meia hora depois de já estar escuro eu vi uma placa indicando a entrada para Revash, uma estradinha já com grama em parte dela e que era apenas caminho de pessoas e animais. Resolvi acampar ali, à vista de todos que passavam pela outra estrada. Como eu estava no interior, uns 15 km da cidade mais próxima não me preocupei com segurança, afinal de contas não deve ter muita gente ruim morando no interior. Montei a barraca com garoa e durante a noite toda intercalou entre garoa e chuva.

 

WP_20161231_05_57_52_Raw_LI.jpg

Ao amanhecer.

 

Quilometragem do dia: 200 km

Quilometragem acumulada: 8095 km

Postado
  • Autor
  • Membros

25º dia de Yerba Buena a Cajamarca 260 km

25º dia

Dia 31 de dezembro de 2016

 

 

 

VIGESIMO%2BQUINTO%2BDIA.jpg

Trajeto do dia.

 

Choveu um fininho durante toda a noite, pelas 4 horas da manhã ouço pessoas passando na rua e comentando que alguém tinha deixado um triciclo ali, se referindo a minha moto. Realmente não parecia que tinha barraca ali. Acordei com a lona da barraca no meu rosto, tinha quebrado uma vareta e já era a terceira vez que quebrava durante esta viagem. Eu tinha um pequeno espaço dentro da barraca que estava com uns 30 centimetros de altura. Eu não podia sair da barraca pra arrumar no escuro e a noite, então continuei assim mesmo até amanhecer. Outras pessoas também passaram pela barraca tocando vacas e permaneceram na esquina por quase uma hora conversando. Era a última vez que eu utilizaria aquela barraca, as varetas já estavam se desmanchando. Teria que comprar outra em alguma cidade grande neste dia.

 

IMG_1259.JPG

Ao amanhecer desmontei a barraca e guardei tudo, já não chovia mais, apenas uma neblina no alto das montanhas. Fui informado de que o caminho para percorrer à pé demoraria 25 minutos até os mausoléus, a placa indicava 3,5 km, só por isso já dava pra saber que não teria como fazer em 25 minutos, além de que eu estava a 2.300 metros de altitude e os mausoléus a 2.800 metros, um desnível de 500 metros significaria que teria que subir muito morro até chegar lá. Iniciei a subida as 7:45, por meio a trilhas em meio a uma mata baixa e com muito capim ao longo da trilha. Este capim estava molhado e conforme eu progredia na trilha ia molhando a calça. Fui acompanhando as indicações de placas até achar uma que indicava que faltava 1 km, vi uma choupana ao pé da encosta rochosa da montanha a uns 500 metros de onde eu estava e uma trilha mais marcada que segui paralela a encosta rochosa, pensei que teria que seguir em frente para depois fazer uma curva e voltar até a choupana, segui na trilha e depois de pouco mais de 1 km vi que não estava no caminho certo. Já cansado tive que voltar até até a placa nela seguiria morro acima uma trilha que parecia não ser usada a tempos, subi por ela e então cheguei a choupana que é um mirante para o vale e para os mausoléus. Levei 2 horas e 15 minutos para chegar lá. Descansei um pouco, não tinha ninguém lá. Um portão impedia o acesso aos mausoléus. Olhei bem para as trilhas abaixo a procura de alguém subindo e não vi ninguém, então pulei a cerca e fui até os primeiros mausoléus, na única casinha que consegui ver dentro ainda tinha uma costela e alguns ossos de dedos. Tinha como subir e acessar os outros mausoléus, mas era arriscado e não quis arriscar, estava sozinho e se caio e fico vivo poderia demorar muito para alguém me encontrar. Os mausoléus Revash são da cultura Chachapoyas e imitam as casa que este povo habitava.

Pulei a cerca novamente e iniciei a descida. Me perdi novamente quase no fim da trilha, andei quase 1 km e tive que voltar até achar a saída.

 

Abaixo fotos dos Mausoléus Revash

IMG_1276.JPG

IMG_1283.JPG

IMG_1277.JPG

IMG_1279.JPG

IMG_1280.JPG

WP_20161231_09_10_40_Raw_LI.jpg

WP_20161231_09_02_28_Raw_LI.jpg

Voltei para o asfalto e logo estava em Leymebamba, procurei um posto lá e achei apenas um cara que vendia gasolina em casa, enchi o tanque e perguntei quanto tempo levaria para chegar até Cajamarca, que estava a 200 km de lá. O cara me falou: "De 4 a 5 horas." Pensei que ele só poderia estar brincando, mas fui para a estrada e logo descobri que não estava bricando. A estrada é asfaltada, porém tem pouco mais de 3 metros de largura e sobe e desce montanhas com infinitas curvas, uma seguida da outra, e não tem como andar rápido. A paisagem é bela, muitos vales, montanhas e fazendinhas típicas peruanas e milhares de lombadas, a cada vilinha tinha pelos menos duas e em todas elas batia o fundo da moto, são lombadas altas e curtas. Peguei um trecho de montanha que tinha chovido muito na noite anterior e tinha barro na pista em alguns pontos, o que tornava ainda mais perigosa a condução por aquelas estradas estreitas e cheias de curvas. Perto das 13 horas parei no meio da montanha e um restaurantezinho e comi uma sopa de pato. Estava morto de fome pela caminhada de mais de 3 horas.

Segui por mais alguns quilômetros e um cara com um triciclo na beira da rua me faz sinal para parar. Parei para ver o que ele queria. Queria saber se eu teria remendo para câmara, tinha furado o pneu dianteiro e ele estava desmontando com chave de fenda, falei que não tinha remendo, mas poderia emprestar a espátula, mesmo assim levou mais de meia hora pra desmontar o pneu. Enquanto fiquei lá esperando ele desmontar o pneu um colega dele ficou fazendo sinal para outros motociclistas e carros pararem e ninguém parava. Perguntei se era comum ninguém parar e ele disse que sim. Me pareceu que lá é cada um por sí e Deus por todos. Como não podia fazer mais nada, segui.

Abaixo fotos do caminho entre Leymebamba e Cajamarca

WP_20161231_11_58_29_Raw_LI.jpg

WP_20161231_12_40_38_Raw_LI.jpg

WP_20161231_15_23_29_Raw_LI.jpg

WP_20161231_15_22_49_Raw_LI.jpg

WP_20161231_13_47_51_Raw_LI.jpg

Na descida para a cidade de Balsas a vegetação já muda para semi-desértica e o calor aumenta, desce-se cerca de 1000 metros de altitude para cruzar um rio e logo sobe-se novamente. Como toda tarde sempre chove esta não foi diferente, ela me acompanhou até perto de Banos del Inca parei para esquentar as mãos algumas vezes, pois eu ja não sentia os dedos.

Chegando na cidade tive o primeiro grande susto da viagem. Depois de uma reta em uma descida havia uma curva para a esquerda com guardrail, vim freiando com os dois freios, como sempre faço, e quando começo a fazer a curva o pneu dianteiro escapou devido a areia na pista, a pista estava seca. Imediatamente solto o freio e seguro com o pé no chão, estava a uns 50 km/h, a moto volta, mas tenho que freiar novamente, pois estou indo pro guardrail. Neste momento milhões de coisas passam pela cabeça, lembrei da última viagem onde o colega quebrou a perna em um tombo besta em um guardrail, me passou também a queda e o que poderia acontecer ao bater no guardrail, são frações de segundo mas que o cérebro da gente trás a toma milhares de informações e realiza milhões de cálculo para nos tirar de uma situação de risco. Ao freiar novamente acontece o mesmo, o pneu dianteiro escorrega moto começa a tombar para a esquerda e mais uma vez seguro com o pé e ela volta e consigo então fazer a curva. Pela velocidade que eu estava e a distância do guardrail se eu chegasse a bater nele já seria devagar e não machucaria muito, mas para a moto certamente seria o fim da viagem. Depois deste susto segui com mais cuidado.

Cheguei em Cajamarca já ao anoitecer, comprei umas frutas e fui procurar um hotel, fazia uma semana que eu não tomava banho e era passagem de ano, eu merecia um conforto. Fiquei no primeiro que parei, custou 30 soles, R$30,00, quarto com cama de casal, banheiro no quarto, TV de 42" e limpo.

Depois de tudo certo no hotel fui comprar a barraca, pois sabia que no dia seguinte estaria tudo fechado. Em um hipermercado achei uma barraca por R$39,00, comprei mais algumas bolachas para os dias seguintes e voltei para o hotel, deixei a moto a 3 quadras do hotel em um estacionamento e fui debaixo de garoa para o hotel. Fui dormir antes da virada.

Quilometragem do dia: 260 km

Quilometragem acumulada: 8355 km

Postado
  • Autor
  • Membros

26º dia

Dia 01 de janeiro de 2017

VIGESIMO%2Bsexto%2BDIA.jpg

Trajeto do dia

 

Saí do hotel as 8 horas e mesmo sabendo que o acesso as Ventanillas de Otuzco estaria fechado eu fui até lá. Ficava a 15 km de onde eu estava. Passei por Banhos del Inca novamente e segui por uma estradinha de lama até chegar a estrada de acesso as ventanillas. Não pude entrar no sítio, mas pude ver da rua, não podia ir embora sem ir lá ver.

As Ventanillas de Otuzco são um cemitério da cultura Cajamarca que habitou a região entre os séculos III e VIII e estão a 2.850 metros de altitude. Seus mortos eram depositados nestas "janelas", algumas com até 10 metros de profundidade e outras interligadas. Os mortos eram primeiro enterrados na terra e posteriormente depositados neste local, servindo como um ossário e possivel lugar de veneração dos mortos.

Chovia ainda e segui para tentar chegar ao Canion del Pato ainda naquele dia. Em meu roteiro tinha uns 120 km de estradas de chão para passar e a chuva possivelmente dificultaria o meu progresso neste tipo de terreno.

WP_20170101_09_14_39_Raw_LI.jpg

Ventanillas de Otuzco

 

Continuei então pela ruta 3N por um caminho agora não tão sinuoso eu podia manter uma velocidade um pouco maior, uma vez que p visual desta região já não é assim tão bonito. Perto das 15 horas eu estava na laguna Suasacocha, tinha uma grande festividade lá e muitas pessoas pela rua, também muita gente "emborrachada" (bebada), passei devagar olhando, mas não parei. Segui para Huamachuco, onde teriam 2 sítios para visitar, eram eles Markahuamachuco eWiracochapampa. Chegando lá me informei na delegacia como chegar em Wiracochapampa, que era mais perto, e então segui pra lá. Cheguei lá já passava das 16 horas, estacionei a moto e o guarda que controla a entrada de pessoas lá veio a meu encontro para saber de onde eu vinha, expliquei de onde vinha e ele se ofereceu para me guiar sem custo algum pelas ruínas. Aceitei e seguimos, ele um grande apreciador da história do povo dele me mostrou cada um dos lugares das ruínas explicando a funcionalidade e detalhes construtivos. Percebia-se que ele contava tudo aquilo com muito prazer e orgulho. Me senti privilegiado por ter ele como guia, uma vez que não era a função dele. Andamos por quase uma hora pelo sítio, que tinha poucos visitantes.

Wiracochapampa foi um centro adminstrativo da cultura Huari e foi construído sob planejamento de arquitetos que levaram em conta o local sofrer com chuvas intensas durante o verão e desenvolveram sistemas de drenagem que ainda hoje funcionam, considerando que foi construída entre os séculos VII e VIII. A construição mede 583x566 metros, cercada com muros que tinha 5 metros de altura e em seu interior vários edifícios, foi uma sede governamental e sacerdotal onde viviam com seus servidores e trabalhadores e a população vivia aos arredores nos campos e pequenas vilas. O local foi ocupado até o século XV, em ocupações esporádicas e também mostra traços da ocupação Inca.

 

WP_20170101_14_38_20_Raw.jpg

Laguna Sausacocha

 

Abaixo fotos de Wiracochapampa

WP_20170101_15_29_02_Raw_LI.jpg

WP_20170101_15_56_28_Raw_LI.jpg

WP_20170101_15_56_32_Raw.jpg

WP_20170101_16_23_14_Raw_LI.jpg

Já passava das 17 quando saí de Wiracochapampa e não iria ficar mais um dia pra ir até Markawuamachuco, fui pra estrada pra rodar até onde desse e chegar o mais perto possível do canion. Huamachuco já estava a 3.000 metros de altitude e eu ainda teria que cruzar uma cordilheira. Fui subindo e começou a garoar novamente e o frio a aumentar, meu único problema era com as mãos, minhas luvas não são impermeáveis nem muito boas para o frio. No top da cordilheira começou uma neve ralinha e o sol já se recolhia, neste momento comecei a me preocupar, eu não tinha as calças que tinha perdido e acampar naquela altitude e com aquele frio não ia ser possível decidi tocar até chegar a uma altitude e temperatura melhor. Cheguei em Shorey eram umas 20 horas, parei em uma delegacia para me informar com os policias a respeito do caminho que tinha traçado, a partir dali seria estrada de chão. O policial que me atendeu não conhecia bem a região, então ligou para um colega que conhecia as estradas por onde eu passaria e perguntou qual era o estado destas estradas, fui desaconselhado a seguir por elas e sim descer a cordilheira até Trujillo para então acessar o canion a partir da carretera Panamericana, isto acrecentaria uns 200 km, porém de asfalto o que em tempo não acrescentaria. Voltei então para a estrada, era apenas seguir em frente para chegar em Trujillo. Andei uns 50 km procurando lugar pra acampar e no escuro, não achava nada legal até achar uma ruazinha que ia para um montanha, entrei nela e vi que ninguem passava por ela a tempos, achei um lugar plano e montei a barraca lá mesmo. Estava a 3.300 metros de altitude e já não estava tão frio.

IMG_1289.JPG

IMG_1290.JPG

Esta cara estava em uma montanha perto de uma cidade que não lembro o nome.

WP_20170101_17_53_31_Raw_LI.jpg

No alto da cordilheira com chuva e frio. Foi osso.

WP_20170101_18_01_19_Raw_LI.jpg

WP_20170102_07_34_33_Raw_LI.jpg

Local do camping pela manhã.

 

Quilometragem do dia: 270 km

Quilometragem acumulada: 8625 km

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

Account

Navigation

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.