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Karen M.

ÁFRICA DO SUL E SUAZILÂNDIA - de Joanesbugo a Cape Town em 39 dias - março/abril 2018

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[continuando...]

PARTE 1 - Joanesburgo

09.03.2018

Embarcamos em Guarulhos as 17h30. Voamos com a South African Airways com passagens compradas em promoção na black friday. Pagamos R$ 1.961,28 indo por Joanesburgo (direto) e voltando por Cape Town (escala em JNB). A promoção era de R$1.500, mas demoramos cerca de 1h pra conseguir fechar e perdemos o valor do voo de volta... :( 

*detalhe: compramos as passagens direto pelo site da SAA e tinha possibilidade de já solicitar refeição especial e escolhi a vegetariana. a parte legal da refeição especial é que antes de começarem a servir todo mundo eles te procuram e trazem sua comida! quem é gulosa fica feliz! :) 

10.03.2018

Chegamos em Joanesburgo bem cedo (o voo direto dura cerca de 9 horas). No aeroporto trocamos alguns reais (sim, li aqui no fórum sobre pessoas que levaram reais e valeu a pena trocar direto por rands e resolvi arriscar. com o dólar alto, decidi levar apenas metade da grana em dólares e a outra metade em reais) maaaas a cotação não foi tão boa quanto li em diversos relatos e blogs, aproximadamente 1,00 real > 3,20 rands, principalmente pelas taxas e comissões cobradas em todos os bancos (não só no do aeroporto). Compramos também o chip da Vodacom que foi configurado na loja e já saiu funcionando normalmente!

Em Joanesburgo ficamos num apê do airbnb em Maboneng, bairro em revitalização, com barzinhos, restaurantes e galerias de arte. Apesar de TODAS as recomendações serem pra não ficarmos hospedadas lá, não nos arrependemos em nenhum momento! ok, talvez nos primeiros 5min chegando ao bairro, pois parecia um local bem ermo e abandonado. Uma vez instaladas, caminhamos até a Fox St e toda a percepção mudou!

Neste dia fomos até o Carlton Centre, também conhecido como Top of Africa, o prédio mais alto do continente africano, com 50 andares e 222,5 metros de altura. O último andar tem um mirante com vista de 360º da cidade. É meio difícil encontrar a entrada e o elevador, que ficam no subsolo do shopping e não é muito bem sinalizado, mas nada como perguntar a direção umas 300 vezes pras pessoas pra achar...

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vista do Carlton Centre...

Procuramos também ir ao mercado para providenciar adaptador pra tomada (não adianta tentar levar porque a tomada é bem estranha, fora de qualquer padrão, mas em alguns lugares por onde passamos o plug era igual ao nosso!), algumas coisas de café da manhã e cerveja, mas nos supermercados só vendem vinhos. Ainda apreensivas, pois todo mundo falava pra gente não andar pelas ruas (!!), passamos pela Gandhi Square, perguntando nos comércios onde poderíamos comprar cerveja (acho que parecíamos umas alcoólatras desesperadas). Em uma lojinha de lanches a atendente tentou explicar pra gente onde ficava a Liquor Store mais perto, mas como era uma caminhada meio longa ela resolveu acompanhar a gente até lá! Largou a loja e foi correndinho com a gente até o local.. :D Felizes e abastecidas, voltamos pro bairro, almoçamos e ficamos de bobeira descansando para sair a noite para uma cervejinha inocente.

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almoço no Pata Pata em Maboneng

 

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Maboneng no início da noite...

 

*Primeiro contato com os ubers no país: o aplicativo funciona na maior parte do tempo bem, com uma certa dificuldade de ajustar o ponto de encontro e os motoristas tendem a não se deslocar até você (aparentemente por rixa com taxistas), o que em um lugar onde os locais insistem a todo tempo que não é seguro andar na rua gera certo desconforto, mas todo o trânsito do primeiro dia foi feito de uber e sem grandes problemas.

11 a 15.03.2018

A maioria das pessoas que vai à África do Sul apenas passa por Joanesburgo, pois é o aeroporto de chegada. Nós percebemos que a cidade tinha muito a nos ensinar e ela nos ensinou!

No dia 11, domingo, ficamos apenas aproveitando o bairro, que abre as portas do Markets on Main, feira semanal com muita comida boa, arte e música e toda a rua fica repleta de artistas e artesanatos e a atmosfera é fantástica.

Sobre o Markets: as coisas não são baratas pois não é um mercadinho simples de rua e sim tem artes e coisas muito legais e locais, porém é importante levar uma grana principalmente se quiser pechinchar!

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markets on main

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bar rooftop do hostel curiocity

No dia 12 compramos o ticket do Sightseeing (aquele ônibus turistão hop-on hop-off de 2 andares) para explorarmos melhor a cidade, o que foi uma ótima opção para visitar alguns locais importantes que são bem distantes uns dos outros.

Nossa primeira parada foi no Apartheid Museum. A visita é indispensável para quem quer conhecer mais sobre a triste história deste regime de segregação racial. Mas, cara!, como este lugar te absorve! Ficamos mais de 4h lá e podíamos ter ficado mais, mas queríamos conhecer também o Constitution Hill. Chegamos lá a tempo da última visita guiada às 16h e foi bem bacana! O lugar é cheio de história e simbolismos! Muito legal mesmo e me surpreendeu bastante! (sugiro a quem for aguardar a visita guiada, pois faz toda a diferença. vi depois no site que existem diversos tipos de tours guiados, até um noturno!) Pena que não deu tempo de conhecer a Women's Jail que fica no mesmo complexo...

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Dia 13 fomos de Gautrain (trem moderno e rápido que faz a conexão entre a cidade de Johannesburg e o aeroporto OR Tambo International Airport – não muito barato, mas queríamos testar) até Sandton na Nelson Mandela Square, que basicamente é a praça de um shopping com uma estátua do Mandela no meio, mas que vale a visita vista a importância desta personalidade para o país (como não somos nem um pouco fãs de shopping, o Mandelão e umas fontes de piso na praça foram as únicas atrações do local). Nossa intenção este dia era fazer um free walking tour em Braamfontein, mas por algum motivo que ninguém soube nos explicar os passeios tinham sido cancelados, mas normalmente eles saem da Park Station em 3 horários diários, 10h30 / 13h00 e 15h30.

Mais tarde fomos à cervejaria Mad Giant. O lugar estava bem paradão (leia-se deserto) por ser dia de semana e no horário entre almoço e happy hour, mas valeu a visita. Fizemos um tour para conhecer o processo de fabricação (normalmente tem que agendar pelo site, mas estava tão vazio que conseguimos assim que chegamos) e a mulher que nos acompanhou foi bem atenciosa, porém achamos o tour meio xoxo (talvez por gostar mais de saborear do que entender tão a fundo – acho que para quem fabrica cerveja artesanal em casa deve ser muito mais legal, por exemplo, pois dá pra perguntar bastante coisa técnica e tirar muitas dúvidas). Além disso, tivemos um desconforto com o pedido das cervejas porque algumas que estavam no cardápio não estavam disponíveis e o preço pareceu mudar depois que fechamos a conta. Além das porções de comida serem mais conceito do que sabor: pratos caros e vazios... Mas as cervejas eram boas e o garçom que nos atendeu fez toda a diferença!

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Dia 14 contratamos um tour para o Cradle of Humankind & Sterkfontein Caves. O tour não é barato, mas o lugar é meio longe, cerca de 1h30 de Joanesburgo e não é recomendado ir de uber pela dificuldade de voltar, então foi o meio que encontramos para ir. O “Berço da Humanidade” é um sítio paleoantropológico declarado Património Mundial pela UNESCO em 1999, ocupando atualmente 47.000 hectares e contém um complexo de cavernas calcárias, local de descoberta dos primeiros fósseis de hominídeos já encontrados. Saímos do apê umas 9h e retornamos por volta das 15h. Almoçamos pelo bairro. Bebemos pelo bairro.

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Dia 15 foi dia de deixar o apê em Maboneng pra trás e ir conhecer Soweto, o famoso distrito de Joanesburgo e um dos principais símbolos da história da África do Sul e do Apartheid, reduto de resistência e luta da população negra. Hoje fala-se em cerca de 4 milhões de habitantes no Soweto. Lá fizemos um passeio de bike que partiu do Lebo’s Backpackers (deixamos nossas mochilas no próprio hostel). Fizemos o passeio de 4 horas que é bem legal e passa desde a parte mais estruturada de Soweto, onde moram até algumas celebridades locais até as partes mais pobres, onde não há nem tratamento de esgoto disponível. A desigualdade é impressionante. Passamos também pelo memorial Hector Pieterson, marco da revolta estudantil de 1976, onde o jovem morador de Soweto foi morto em um confronto com a polícia durante o período do Apartheid. O tour segue pela famosa Vilakazi Street, a única rua do mundo que já foi moradia de dois vencedores do Prêmio Nobel: Nelson Mandela e o arcebispo Desmond Tutu. Hoje em dia é possível visitar a Mandela House, mas com o passeio de bike só paramos em frente por alguns minutos (essa foi a única decepção, pois estávamos com a expectativa de entrar no local). O passeio finaliza com um almoço bem saboroso em frente ao Lebo’s e uma cerimônia para provarmos a “cerveja” local. Esse momento foi meio bizarro porque todo mundo que estava no passeio se acomoda em círculo e eu quis porque quis sentar num banco moldado num tronco e convenci tanto a Camila quanto um brasileiro que conhecemos e quando começaram a servir a cerveja, numa cuia compartilhada (!!!), percebemos que seríamos os últimos a provar... :/ não deixem de provar! faz parte! é rude levantar e ir embora ou apenas cheirar a cerveja e passar adiante (sim, algumas pessoas fizeram isso!)

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Saindo de Soweto fomos de uber para Mildrand, cidade próxima a Joanesburgo, de onde sairia no dia seguinte bem cedo nosso overland tour. Lá ficamos no Belvedere Estate pela praticidade, pois é o hotel da Nomad, empresa que contratamos o overland. Relaxamos com uma cerveja à beira da piscina, jantamos e dormimos cedo, ansiosas para o dia seguinte. Durante o jantar conhecemos o Frank e o Tank, motorista e o guia do tour, que se sentaram para comer com a gente e já sentimos uma conexão bacana. Mais cedo, durante o passeio de bike, sem saber passamos em frente à casa do Frank, que mora no Soweto e tem um baita orgulho disso! :D

**Saldo de Joanesburgo**

Onde ficar: Definitivamente Maboneng se assim como eu você gosta de se misturar e sentir o local onde está. E preferencialmente na Fox St. ou bem próxima a ela. É lá que tudo acontece! Andamos a pé pelo bairro todos os dias, inclusive à noite (procuramos não voltar pro apê tarde, mas ficamos na rua até umas 21h um dia..) e não tivemos nenhum problema! Dica para quem viaja acompanhado: a diária do airbnb saiu mais barato do que 2 camas no disputado Hostel Curiocity, então valeu muito a pena! (de quebra voltando pro apê uma noite, fizemos amizade com moradores do prédio que estavam tomando cerveja no quintal e rendeu uma noite de deliciosa conversa e risadas até a madrugada)

Onde comer: Market on Main tem muitas opções e tudo parecia muito bom (só funciona aos domingos); Pata Pata tem um curry vegetariano divino (Camila comeu um peixe que estava muito bom também, segundo ela); Little Addis Café, comida etíope que dispensa comentários (só o aroma em frente ao restaurante já mata!); Eat Your Heart Out para café da manhã (salivei agora só de lembrar!). Fato: os restaurantes na Fox St. não são baratos!

E a cerveja? Bom, o bar do hostel Curiocity é um lugar bem legal e animado para uma cervejinha no final da tarde. Eles têm um rooftop perto dali que parece rolar umas baladinhas e tals (foto acima), fomos um dia no fim de tarde e estava bem morto ainda e não ficamos muito. Tem um cinema na Fox com promoção de happy hour durante a semana também, se me lembro, 2 cervejas pelo preço de 1 para tomar em mesão na calçada. No bairro não é muito difícil escolher um lugar bacana para parar e tomar uma a qualquer dia! Para cervejas especiais com certeza a Mad Giant e no Market on Main tem bastante opção também: provamos 2 Fraser’s Folly, uma IPA e uma Stout. Belas pancadas! *e tudo bem gelado até agora! :D

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Que legal esse roteiro @Karen M.!

Eu fui pra África do Sul nov/dez de 2018 e fiquei 3 semanas e achei incrível o país! Devido ao tempo curto, acabei focando no Kruger e Rota Panorâmica + Garden Route e Cidade do Cabo.

Aliás, quando comecei a pesquisar também fiquei doido pra fazer a Otter Trail mas como você comentou, é super concorrido e já não havia vagas quando pesquisei! Então o jeito foi me contentar com o trecho do Tsitsikamma até a cachoeira que já foi incrível!

Também queria ter feito as trilhas na Drakensberg mas tive que deixar para uma outra oportunidade!

Parabéns pela viagem e força pra continuar o relato! 😃

 

 

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@José Luiz Gonzalez  o país é mesmo incrível e extremamente rico de paisagens e cultura!! 

Quanto à otter trail, pra vc ter uma ideia, a primeira reserva que fiz foi no começo de julho de 2017 e tinha reservado para final de maio, que era a única data disponível.. mesmo assim continuei acompanhando o site e em agosto abriram umas datas (acredito que de desistências ou pessoas que reservaram mas não pagaram a taxa) e consegui mudar para abril, que a temperatura estaria mais quente. 

A África do Sul tem diversos parques nacionais incríveis e vários outros com trilhas semelhantes à otter trail, mas não tão populares.

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[continuando...]

PARTE 2 - Overland de Joanesburgo ao Oceano Índico

*Sobre o overland: optamos por fechar este tour pela dificuldade de resolver a logística de safáris sendo que nenhuma de nós dirige e alugar um carro para ir por conta própria não era uma opção. Curti bastante esta forma de viajar, os grandes deslocamentos fazem parte da viagem, o caminhão passa a ser nossa “casa”, algumas refeições são feitas na beira da estrada e você fica acabada, mas vale a pena! Seria ainda melhor se o grupo todo tivesse se conectado melhor, pois como escolhemos uma data de saída com tradutor alemão, das 18 pessoas no tour, 15 eram alemães (como tem muitos alemães viajando pela África, algumas empresas de overland oferecem tradutores em alguns tours, mas o tour em si é conduzido em inglês como em qualquer outra data; só que a probabilidade de ter mais alemães nestes é maior; e no nosso tinha! não que isso seja um problema, mas no nosso caso a maioria deles não estava nem um pouco interessada em se misturar... pena!)

16.03.2018

Acordamos cedo para o café da manhã, incluso na diária. Pouco antes das 7h o caminhão já estava se posicionando em frente à recepção do hotel. Frank e Tank ajudam todos a guardar as mochilas nos lockers individuais nos fundos do caminhão, e conferem a parte burocrática do tour. Tank explica a todos alguns itens importantes sobre o que esperar e responsabilidades em grupo, além de dicas para a convivência durante toda a viagem. Hora de partir!

Viajamos algumas horas em direção à Nkambeni Safari Camp, reserva particular ao lado do Kruger National Park. No caminho paramos para almoçar em um shopping e comprar água para os próximos dias (no tour estão inclusas a maioria das refeições – café da manhã, almoço e jantar – mas de resto fica tudo por nossa conta, incluindo bebidas; então a equipe já orienta a gente a comprar água, fruta, snacks e cerveja ou vinho conforme formos parando em alguns locais.. no caminhão há 1 cooler que é para os alimentos que eles compram e um isopor grande para uso dos passageiros, que são responsáveis por mantê-lo limpo e com gelo).

Um imprevisto tirou o Tank da nossa equipe e o novo guia, George, deveria nos encontrar já no camping.

Chegamos ao camping no meio da tarde e, para quem optou por acampar (nós!), começa a aula de como montar a barraca. De cara parece difícil montar aquele treco de lona pesado, mas com alguma colaboração demos conta de tudo! Exploramos um pouco o Nkambeni Safari Camp, que tem desde suítes bem confortáveis ao espaço para camping, com instalações muito boas. Este dia choveu bastante e o jantar que deveria ser preparado em torno da fogueira foi transferido para o restaurante do hotel, por conta do tour.

*detalhe que havia 2 banheiros comunitários: um deles com paredes e instalações comuns e outro com chuveiros e cabines com nada mais do que uma cortina baixa e cercas elétricas te separando do Kruger! Nem perdi tempo com o primeiro! :D

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   Instalações Nkambeni Safari Camp

 

17.03.2018

Levantamos bem cedo para um dia inteiro de safári naqueles carros típicos, 4x4, com as laterais todas abertas. 6h da manhã era o horário de partida da recepção.

O dia foi emocionante! Mesmo não sendo o melhor tempo, pois ainda estava um pouco úmido e ventava bastante, a cada animal avistado todos se empolgavam! (pausa: o vento é realmente sofrível nos safáris em carro aberto! é necessário ir bem agasalhado, em camadas para quando no meio do dia estiver mais calor, e com algo para proteger a cabeça e principalmente os ouvidos do vento)

O primeiro impala ninguém esquece! Digo... depois de ver um bando a cada meia hora a gente até esquece e nem pede mais pra parar o carro... mas é muito legal mesmo assim!

Neste primeiro dia foram vários impalas, alguns kudus, elefantes, girafas, 5 wild dogs (falo 5 porque são bastante difíceis de serem avistados.. pra ter uma ideia, a motorista do nosso carro disse que passa 2 a 3 meses sem avistar nenhum!), hienas mordedoras de pneus, crocodilo, macacos e muitas aves.

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A noite tivemos nosso primeiro braai, típico churrasco africano em volta da fogueira, com opções vegetarianas deliciosas para algumas pessoas que solicitaram, incluindo eu! (*avisando na hora da reserva do tour eles se programam para cardápios especiais). Como o primeiro jantar foi descaracterizado e embaixo de bastante chuva, as apresentações pessoais ficaram para esta 2ª noite! Após o jantar todos contaram um pouco sobre de onde vinham e como foram parar ali.

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George, nosso guia e cozinheiro de mão cheia!

 

18.03.2018

Novamente acordamos antes do sol nascer, o que é rotina durante o overland. Após o café da manhã partimos no caminhão para a Panorama Route. Muitos que vão por conta dispensam este trecho, mas foi um ponto alto da viagem! As paisagens são desconcertantes! Acabamos curtindo muito mais os Three Rondavels e Bourke’s Luck Potholes do que a God’s Window, talvez porque nesta última parada estava meio lotado e pessoas disputando qualquer canto para foto...

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Almoçamos sanduíches na beira da estrada e voltamos para o camping para curtir a piscina. Jantar em volta da fogueira e dormir cedo para mais um dia madrugando..

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George e Niqy preparando o almoço

 

19.03.2018

Partimos cedo, mas antes recebemos visitantes ilustres no café da manhã: elefantes bem perto do acampamento! Fomos todos pegos tão de surpresa que ninguém tirou foto! Ficamos apenas abestados com aquelas visitas de despedida.

Já na estrada, entramos novamente no Kruger Park em direção ao sul, para sair pelo Crocodile Bridge Gate e seguir rumo a Suazilândia. Com o dia ensolarado, o game drive no caminhão foi bem animado apesar de só poder circular nas estradas principais.

Muitos elefantes, impalas (again!), rinocerontes (são impressionantes!), zebras (tãããão simpáticas!), girafas, búfalos bem de longe, babuínos, e quase no final, quase impossível de enxergar, leões! Incrível que havia alguns carros parados na estrada onde aparentemente não tinha nada e o Frank afirmou com toda certeza “felinos!” Lógico que todos no caminhão enlouqueceram e lá ficamos parados mais de meia hora tentando enxergar alguma coisa.. muitos carros já tinham desistidos e nós também já estávamos quase indo, quando alguém se movimenta bem longe e finalmente conseguimos enxergar.. :D

Mais alguns animais e aves e saímos do parque.

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Cruzamos a fronteira da Suazilândia algumas horas depois sem nenhum problema para quase no final da tarde chegar ao Mlilwane Wildlife Sanctuary. Como chegamos em cima da hora de partida para o Sundowner Drive que havíamos reservado (não estava no pacote da nomad), a equipe ficou no acampamento montando nossas barracas e lá fomos pra mais algumas horas de saculejo. O dia foi puxado e estávamos cansadas, mas ao nos instalarmos no carro, nosso motorista se apresentou e disse algo mágico: “estão inclusas 2 bebidas por pessoa e vocês podem escolher entre água, refrigerante ou CERVEJA”. Eu e Camila não contivemos um gritinho de felicidade e todos riram. O guia iria perguntar o que cada um queria para arrumar o isopor com as bebidas e, começando por mim: “what would be your first drink?” “beer!” “and the other one?” “beer!” :D

Aqui o safari foi meio diferente, pois o santuário, a fim de manter um melhor controle sobre os animais, divide-os em sessões.

Elefantes, rinos, hipopótamos, cerveja, elefantes...

Entrando na sessão onde estavam os felinos, chegamos a um ponto em que avistamos 1 carro parado e várias leoas deitadas na estrada. Novo momento de empolgação, pois estes estavam bem perto, mas nosso motorista quis dar a volta para que tivéssemos uma melhor visão. Só que encontramos um elefante que não saía do meio da estrada. Esperamos um pouco e a inquietação crescendo quando o motorista engata a ré e acelera pra voltar aonde tínhamos visto os leões. E não foi qualquer rézinha não, o cara meteu o pé em estrada de terra e sacudiu todo mundo!

Quando chegamos de volta ao local, elas já tinham saído da estrada. Avistamos apenas uma cabeça no meio da vegetação alta e ficamos por lá observando. De repente, uma a uma vão se levantando e começam a andar, 2 leoas e 2 leões jovens! Praticamente do lado do carro! Andando preguiçosamente e a gente acompanhando! Impressionante!

O guia diz que temos que partir, mas antes ainda fomos presenteados com o por do sol mais espetacular que já vi!

Voltamos para o camping. Neste local não havia luz elétrica, mas ainda assim as instalações eram ótimas, o banheiro super grande à luz de lamparinas e banho quente garantido!

A noite mais um jantar delicioso ouvindo sobre a história da Suazilândia sob um céu estralado inacreditável!

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20.03.2018

Acordamos cedo (mais uma vez! Camila nem queria ir!) para uma Nature Walk no santuário. O passeio é interessante e se dá na sessão onde não há felinos (meio óbvio... mas.... ufa!). Fiquei o tempo todo só querendo me deparar com uma girafa mas “só” rolou uns gnus assustados.. Voltamos, tomamos café da manhã, desmontamos as barracas e bóra pro caminhão. É tempo de praia!!!

Chegando a Greater St Lucia, em KwaZulu-Natal, o caminhão parou em uma praia para termos nosso primeiro contato com o oceano índico. Tímidos, alguns tiraram os sapatos e colocaram os pezinhos na água. Mas eis que chega um ônibus de estudantes e as garotas todas empolgadésimas correm gritando em direção ao mar e entram com roupa e tudo! Deram um baile na gente... saindo da praia algumas meninas passaram pela gente e vieram nos abraçar. Maior barato a empolgação!

Em St. Lucia ficamos todos hospedados em uma pousada, inclusive quem optou por acampar, que foram instalados em apartamentos de 2 suítes. Ok, dividimos o apê com um casal alemão bem legal! A pousada tinha lavanderia e por um preço um pouco salgado aproveitamos para lavar nossas roupas.

A cidade é bem miúda e simpática, parecendo alguma cidade de veraneio meio “topzera”.

O jantar foi braai no quintal da pousada, onde tivemos uma aula de zulu, 1 das 11 línguas oficiais da África do Sul, que garantiu boas risadas! Tivemos também uma apresentação de dança africana, meio lance pra turista ver, mas nos divertimos também, principalmente quando o grupo escolheu alguns de nós para dançarmos junto, e eu fui escolhida.... (quem me conhece sabe: eu não danço! e se eu tento só saem uns movimentos bizarros descoordenados.. mas acho que atendi bem à expectativa...)

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21.03.2018

Madrugamos e os 4x4 do último safári que faríamos já nos esperavam em frente à pousada. Era antes das 6h e íamos pegar estrada. No 4x4. Aberto. Frio pra cacete! Tinham cobertores no carro, mas ainda assim não foi o maior dos confortos.

Valeu super a pena quando chegamos no Hluhulwe-Imfolozi Game Reserve, um dos últimos redutos de rinocerontes, que desempenha um papel fundamental na preservação destes animais ameaçados de extinção. Esta reserva é linda e a paisagem é completamente diferente do Kruger Park, com montanhas e vales de tirar o fôlego.

Fomos presenteadas com mais uma grande leva de impalas, girafas, búfalos bem de perto, rinocerontes, e o ponto alto do dia (pelo menos pra mim): pumbas!!! :D Rolou uns leõeszinhos de longe também, mas eu já estava feliz porque eu tinha visto o pumba!

O almoço foi por nossa conta e escolhemos o Ocean Basquet para irmos com nossa nova amiga Claire e duas irmãs alemãs bem gente boa, a Nina e a Steffi. Tinham Brazilian Caipirinhas no cardápio e todas encararam!

A tarde fizemos um cruzeiro pelo estuário de St. Lucia para avistar hipopótamos e crocodilos. Não tão especial quanto eu esperava, acabei ficando meio entediada, mas acho que principalmente porque já estava cansada de tanto vento na cabeça...

Após o jantar, George e Niqy, nosso guia e a tradutora do tour, convidaram todos para acompanha-los a um bar local, o Fisherman's Restaurant and Bar. O bizarro é que ao entrar o lugar era uma peixaria e o bar rolava nos fundos. Bastante gente se juntou e a noite foi muito divertida e especial! E resultou uma ressaca boa na manhã seguinte...

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22.03.2018

Não acordamos tão cedo dessa vez mas a ressaca fez ser mais sofrível que nos dias de safári... :/

Último café da manhã com o grupo e hora de partir rumo a Durban.

Chegamos embaixo de chuva e fomos almoçar em um restaurante de surfistas na orla, o Surf Riders Food Shack. A comida não empolgou...

Depois do almoço pegamos nossas coisas no caminhão e fomos para o nosso hostel em Durban, o Curiocity. Bem bacanudo em um prédio antigo restaurado. Ficamos em um quarto privativo que era gigante e com decoração bem estilosa.

Precisávamos trocar dinheiro e perguntamos na recepção do hostel onde seria o lugar mais perto que ainda estaria aberto. Eles foram super solícitos e até ligaram para um banco para confirmar e nos passaram a direção. Mais uma vez: não era seguro andar até lá e pegamos novamente um uber para o que poderia ter sido uma caminhada de 10 minutos. :/

A noite nos encontramos com o grupo do overland para um jantar de despedida. A nossa viagem com eles terminava ali. Muitos seguiriam na rota completa de 21 dias até Cape Town, apenas nós, a Claire e mais um casal de alemães fizeram apenas a primeira etapa do tour.

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Jantar de despedida

**Saldo Overland Tour**

Achei uma ótima forma de viajar longas distâncias, aliando custo-benefício com experiências incríveis. O período do nosso tour foi relativamente curto, mas não me arrependi de ter escolhido acampar ao invés de ficar em acomodações (ok, não foi bem uma escolha, pois no começo queríamos – leia-se a Camila queria – ficar em acomodações, mas o orçamento da viagem foi apertando e.....). A barraca é boa e espaçosa e como éramos poucas pessoas acampando, conseguimos inclusive 2 colchonetes cada.

Prepare-se para muitas horas no caminhão. No dia mais longo, que saímos do Kruger para a Suazilândia, foram mais de 11h, mas em um dia repleto de acontecimentos emocionantes e paisagens maravilhosas. E nunca, em hipótese alguma, chame o caminhão de ônibus! isso vai ofender a equipe ;) 

A alimentação é bem boa também! Nada sofisticado, café da manhã com frutas, cereais, pães com geléia e etc. O almoço precisa ser uma refeição prática para não tomar muito tempo da viagem, então normalmente são sanduíches e saladas. Já o jantar... esse sim é especial! Deliciosas refeições repletas de sabor e de conversas em grupo.

Sobre a empresa Nomad Tours, pesquisamos muito antes de optar por ela, mas como é uma das maiores empresas no ramo, a facilidade de encontrar relatos tanto de brasileiros quanto estrangeiros que viajaram com ela é grande e, apesar de algumas críticas negativas, os elogios sempre venceram e recomendo bastante a quem se interessar por esse tipo de viagem. A empresa tem sede em Cape Town e muitas opções de rotas, inclusive contam com atendimento em português. Ao indicar pelo site o interesse no tour, logo a Fernanda entrou em contato conosco e seguiu todo o processo, tirando dúvidas e agilizando o pagamento, que é bem prático também. O nosso roteiro foi esse aqui:  Kruger and Swaziland - South 2018

E se a lembrança boa ficou, isso se deve em muito à equipe que conduziu nosso tour: Frank, George e Niqy! Muitos créditos a eles e nossa eterna gratidão por todas as conversas e trocas de experiências! ♥️

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[continuando...]

PARTE 3 - KwaZulu-Natal a Eastern Cape

23.03.2018

Dia de explorar Durban.

Acordamos com tranquilidade e tomamos café da manhã no hostel, incluso na diária, que era simples, mas gostoso.. Suco, café, chá, torradas com geléia e salada de frutas com granola e iogurte.

Nas minhas pesquisas li que em Durban tinha o Victoria Street Market, o melhor lugar para se encontrar souvenires baratos e quinquilharias em geral. Eu que adoro um camelódromo não hesitei. Fomos para lá logo após o café.

Passamos o resto da manhã comprando lembrancinhas pra família, artesanato para casa, temperos do Joe. Existem algumas lojas de temperos no mercado, mas o Joe’s Corner Shop é uma experiência por si só. O cara fica ali misturando e criando diferentes curries e oferecendo para provarmos. Passamos alguns minutos provando, escolhendo e conversando com ele. No final ganhamos até um livreto de receitas e um cartão com o telefone pra fazer pedidos no futuro, pois como diz a placa na frente da loja “you ring we bring to any part of the world”.

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Temperos do Joe

Compras feitas, partimos para um almoço de despedida com a Claire.

Durban é a 3ª maior cidade da África do Sul e é também a maior população indiana do mundo fora da Índia, influência que se percebe na cultura, religião e gastronomia. E foi lá que surgiu uma invenção fantástica que estava na nossa lista de obsessões que perseguiríamos nestas férias: o bunny chow! A origem deste prato é um pouco controversa, mas trata-se de um curry cremoso com legumes, carne ou frango, servido dentro de um pão escavado. Mas não como sanduíche, é tipo metade de um pão de forma como se formasse uma cumbuca com a delícia lá dentro!

Guiadas por este honroso motivo, marcamos com a Claire num restaurante chamado CaneCutters, que a Camila descobriu ser o melhor bunny chow de Durban! Foi uma delícia e atendeu às expectativas.

Depois do almoço andamos um pouco pelo bairro até uma galeria de arte lá perto, tomamos um café e fomos até o Kwa Muhle Museum que queríamos conhecer por contar a história do país e da cidade tanto durante o Apartheid como durante o processo de libertação e desenvolvimento. A entrada é gratuita e o museu não é tão grande, mas como chegamos depois das 16h não tivemos muito tempo para explorar, além de estarem em manutenção e não ter luz em algumas salas.. mas o lugar pareceu ser bem legal! Inclusive tinha uma exibição sobre a história do HIV no mundo e principalmente no continente africano, com documentários chocantes sobre as taxas de estupros e violência contra a mulher.

Como o dia estava meio feio e chuvoso, desistimos de ir conhecer a orla e apenas voltamos andando para o hostel, cansadas de toda essa estória de não poder andar nas ruas. Nos perdemos um pouco, ainda mais porque evitávamos ficar olhando o celular, mas no final deu tudo certo.

À noite ficamos no bar do hostel, animadinho e com staff super gente boa. Como não servem comida por lá, um dos rapazes nos ajudou a escolher algo para comer e fez o pedido pra gente para entregarem lá.

Fomos dormir umas 22h.. ou tentar pelo menos.. O problema é que tinha algum evento acontecendo lá perto, com discursos e pessoas empolgadas gritando que transformou nossa noite em tortura.

24.03.2018

Acordamos cedo pois hoje iniciaríamos nossa viagem com o Baz Bus.

Tomamos café da manhã e ao passar na recepção pro checkout perguntamos sobre o “evento” da noite passada. Acontece que aparentemente existe uma igreja na rua dos fundos e o que ouvimos a noite inteira era um culto religioso. Pra ter uma ideia: quando acordamos umas 5h30 ainda estava rolando o culto...

Enfim, ficamos aguardando a van vir nos pegar para seguirmos pra Coffee Bay.

Umas 7 e poucos eles passaram.. descemos e conhecemos o motorista que nos instalou na van. Ele confere se todo mundo que irá partir de Durban já está lá, pergunta para onde estamos indo e pronto! Neste trecho, como o movimento de mochileiros é menor, as mochilas foram todas na primeira fileira de bancos atrás do motorista. Éramos apenas a gente e mais um casal de surfistas.

A viagem segue tranquila ora pela costa ora pelo interior com algumas paisagens bem bonitas. Paramos em Umzumbe para pegar mais uma passageira bem em um hostel que gostaríamos de ter ficado e cortamos do roteiro com dor no coração, o Mantis and Moon Backpackers Lodge. Eu desci para usar o banheiro e até me tranquilizei com o corte, o hostel nem animou tanto assim ao vivo... ainda mais depois de saber da canadense que subiu na van que não tinha achado nada de especial lá...

Seguimos e paramos novamente apenas para o outro casal descer em Port Shepstone e para um almoço na beira da estrada até chegarmos, por volta das 14h no posto Shell Garage em Mthatha. Para ir a Coffee Bay, é necessário contratar um transfer adicional com o próprio hostel, pois o baz bus não segue até lá. (meio salgado, o transfer custa 90 rands por pessoa por trecho)

O transfer do Coffee Shack já estava lá nos aguardando, mas na lista deles ainda tinham mais 2 caras que ainda não tinham chegado. O motorista tentou falar com eles algumas vezes e parecia que estavam a caminho, mas nunca chegaram. E para nosso azar, nesta espera de quase 2h, perdemos um dia inteiro de solzão na estrada.

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Chegamos em Coffee Bay com o tempo fechando por volta das 17h30. Fizemos checkin e fomos conhecer nosso quarto. Algo de chocante quando descobrimos que tínhamos que cruzar um rio para chegar lá. No bloco principal do hostel há apenas quartos coletivos. Os privativos ficam todos do outro lado do rio, que não é muito fundo, mas se mostrou desafiador com a mochila gigante nas costas e tentando nos equilibrar em cima das pedras escorregadias. (depois nos acostumamos simplesmente a meter o pé na água: mais fácil e mais seguro!)

O quarto é bem interessante, pois a construção segue o padrão circular típico dos nativos com o teto pontudo feito de folhagens, chamada rondavel. Deixamos tudo no quarto e fomos conhecer melhor o hostel e pegar o welcome drink cortesia a que tínhamos direito. Fomos até o bar e tinham 2 caras jogando sinuca. O barman perguntou o que queríamos, apesar de acharmos meio óbvio depois de 1 dia quase inteiro na estrada: BEER! Mas daí os caras que estavam na sinuca soltam uma risada e falam “todo mundo chega aqui com sede e pede água”, no que Camila maravilhosamente respondeu “é assim que matamos sede!” :D

Para o jantar, você verifica o menu do dia e se inscreve. Há sempre uma opção para vegetarianos e a refeição custa R75.

Voltamos para o quarto para pegarmos nossas coisas para tomar banho. O banheiro coletivo é super bom, mas ao voltarmos do banho eis que tinha algo na nossa cama: fezes de algum bicho. Como o teto é de folhagens e a iluminação é bem fraca, simplesmente não dava pra enxergar nada!

Fomos pra recepção para reclamar e quando contamos o que havíamos encontrado, a recepcionista na maior naturalidade perguntou “mas a sujeira estava seca ou molhada?” não entendemos o que ela queria saber, mas acabamos respondendo “acho que estava molhada! fomos tomar banho e não tinha nada, voltamos e tinha!” Daí com a mesma naturalidade da primeira pergunta ela fala “oh, it’s a gecko!” Eu e Camila nos olhamos “que porra é um gecko??” e a gente perguntava pra mulher e ela “you know... a gecko!” Bom, ficamos um tempinho lá conversando com a mulher, mas o máximo que conseguimos foi ela oferecer pra trocar a roupa de cama, mesmo a gente explicando que a sujeira estava no cobertor... finalizamos a conversa (ainda sem saber o que era um gecko) arriscando perguntar se o bicho tava lá e ia continuar lá dentro com a gente.. a recepcionista só falou que sim e que não faria nenhum mal... quando conseguimos conectar na internet viemos a descobrir que o gecko era... lagartixa! ::putz:: ::lol3::

Jantamos e fomos deitar, apenas com medo da próxima sujeira cair na nossa cara...

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Nosso quarto, digo, do gecko....

25.03.2018

Qual a primeira coisa que fazemos ao acordar? Abrir os olhos e levantar...?... Claro que não! Procurar vestígios de gecko na cama! E pro nosso desconforto psicológico tinha sujeira no travesseiro...

Superado o desagrado matinal, fomos tomar café (não incluso) e tentar agendar o passeio pro Hole in the Wall que queríamos tanto fazer. O hostel tem uma série de atividades diárias, mas este passeio específico tinha sido no dia anterior. Tínhamos 2 opções: ir por conta própria (mas é claro que falaram que não era seguro e já tinham rolado assaltos na trilha, principalmente sendo 2 mulheres não recomendavam irmos sozinhas, além de que a trilha de 3 horas era apenas pra ir e com o hostel a van buscava na volta) ou contratar um guia, que ia sair bem mais caro e ainda com o dia chuvoso também não achavam uma boa ideia.. acabamos desistindo de ir lá pois estava parecendo muita insistência da nossa parte e todos falando que o clima não estava bom e tals..

Optamos pela atividade do hostel daquele dia que era o Mpuzi Cliffs and Caves. Me parecia uma ótima ideia! Camila foi na onda.. mesmo sabendo do próprio medo de altura, “cliffs” não lhe soou ameaçador nem nada.. O passeio passa por um pequeno vilarejo Xhosa, onde algumas crianças acenam e segue subindo por paisagens bem bonitas até que chegamos num abismo! Sério! Eu teria até ido, mas não sou muito parâmetro de bom senso nesta horas... e quando você tem que descer um paredão sem enxergar nenhuma barreira física que te impeça de chegar na caverna em 2 milésimos de segundo em forma de patê qualquer um dá uma gelada. E Camila gelou, digo, congelou!

“Talvez pelo tempo estar chuvoso e antes do passeio ter rolado uma indefinição por parte dos guias do hostel quanto a segurança de fazer ou não esse passeio com esse tempo (por ter chovido e o caminho poder estar meio escorregadiço) já comecei com uma tensão. Não sou uma pessoa em forma porém no hostel o passeio era anunciado como uma coisa para todos os tipos de pessoas independente do físico. Por causa da chuva, tivemos que fazer o caminho que cruzava um rio andando por umas pedras (de novo, se vc não está acostumado aumenta um pouco a dificuldade) e como eu estava de bota que ainda seria usada não queria enfiar o pé na água direto mas os guias me ajudaram. Depois do rio, é uma subida meio íngreme e de novo escorregadia por causa da chuva.

Quando chegamos aonde de fato começaria a descida para a tal caverna, eu que já sabia ter algum medo de altura simplesmente fiquei petrificada quando percebi onde estava e como seria o caminho. Se você tem medo de altura, esse passeio não é uma boa ideia. Apesar do guia se oferecer pra me ajudar, eu não conseguia me mexer e apenas consegui me sentar onde estava. Na volta pegamos chuva o que aumentou a dificuldade de cruzar o rio de volta, mas acabei desencanando e enfiando o pé na água, o que tornou tudo mais fácil.” – impressões descritas pela própria

O passeio deveria ser algo agradável e apreciado pra nós duas e não estava sendo bem isso, então resolvemos parar por ali e esperar o grupo descer até a caverna e voltar... Podemos ter até perdido a caverna, mas a vista dali de cima já fez o passeio valer a pena! Seriam servidos sanduíches durante o passeio, mas como começou a chover meio forte, voltamos pela trilha rapidamente até onde a van estava nos aguardando e fomos levados de volta pro hostel pra almoçar por lá..

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A tarde relaxamos por lá, agendamos nossa tão esperada aula de surf pra manhã seguinte e fomos dar um rolê pela praia.

Alerta: na praia e do lado de fora do hostel como um todo (leia-se no rio que tínhamos que cruzar pra ir pros quartos também) ficam algumas mulheres e crianças tentando vender bijuterias que podem ser bem insistentes e em alguns momentos até ameaçadoras. Diga não desde o começo! Se você deixar qualquer dúvida no ar se vai querer comprar algo elas vão te perseguir pra sempre! Bom, se quiser comprar algo, simplesmente compre.. a biju não é das mais baratas e no começo realmente pensamos em comprar pra ajudar aquelas pessoas, mas a insistência que se seguiu ficou tão desagradável que desistimos...

Jantamos novamente no próprio hostel, tomamos uma cervejinha e ficamos conversando um pouco com uma alemã muito gente boa que tínhamos conhecido na trilha da manhã.

26.03.2018

Acordamos cedo e comemos uma maçã que tínhamos pra ir pra nossa aula de surf!

Eu tinha lido em blogs que Coffee Bay seria o melhor lugar para fazer aulas de surf por um simples motivo: aulas de 2 horas com prancha e wetsuit por 60 rands. Algo que mesmo com a cotação péssima que vínhamos pegando ficava em menos de 20 reais!!! Por isso as aulas sempre estão lotadas e é até difícil conseguir agendar (nós queríamos ter feito na tarde anterior e não rolou)

Então, lá fomos nós. O instrutor Jonny se apresentou e apresentou o auxiliar dele (não lembro o nome), entregou as roupas para vestirmos (que treco desagradável isso! aquela roupa molhada e gelada grudando em vc!) pegamos a prancha e seguimos numa curta trilha até a praia. Daí começa a aula na areia. O resto do pessoal que estava nesta aula já tinha alguma experiência e foram direto pro mar. Daí eles ficaram só com nós 2! Temos que ouvir algumas dicas de segurança e treinar todos os movimentos no seco. Só iremos pro mar depois que estivermos fazendo tudo certinho aqui, já que no mar a dificuldade aumenta. Até esta parte da aula, que não é o objetivo principal de alguém que quer “surfar”, foi bem legal porque eles foram muito atenciosos até que conseguíssemos fazer os movimentos corretos!

Entramos no mar até um pouco acima da cintura e seguimos no treinamento. Primeiro eles seguram a nossa prancha até a onda chegar e ajudam a gente a pegar embalo, pra facilitar e não precisarmos remar desesperadamente logo de cara. Depois de algumas vezes mostrando o conceito a gente fica livre pra escolher a onda que quiser e remar sozinha! Ou mais ou menos isso... pq as vezes o Jonny me via na empolgação me posicionando pra uma onda maior e gritava “not this one!”

Resumo: as 2 horas passam como se fossem 10 minutos! Eu consegui ficar em pé na prancha por 2 vezes por menos de meio segundo! (da primeira vez que consegui subir comemorei como a maior vitória da vida e logo olhei pra trás pra ver se o Jonny tinha visto pra ficar orgulhoso – ele não se conformava que eu fazia tudo certo mas não ficava em pé – e.... ele tava de costas L) Cada vez que encontrava Camila no raso pra voltar pro mar e as duas cuspindo um monte de água, completamente descabeladas, a gente só se olhava e gargalhava!

Definitivamente a coisa mais divertida que fizemos! E que salvou a falida estadia com chuva e cocô de gecko e ameaça das artesãs (e outros detalhezinhos desagradáveis) em Coffee Bay...

Depois da aula só tomamos um banho rápido, pegamos nossas coisas, tomamos café da manhã e já estava na hora do transfer de volta para o posto em Mthatha para dali seguirmos de baz bus para nossa próxima parada: Chintsa!

Chegamos no Buccaneers Lodge & Backpackers por volta das 17h e se a extrema “rusticidade” do Coffee Sack não tinha causado a melhor das impressões, nós nos sentimos chegando ao paraíso. Depois de 2 noites sem enxergar o que tinha no teto do quarto e sendo constantemente bombardeada pelas amigas lagartixas, chegamos na suíte do Buccaneers com suas paredes branquinhas, muita luz natural e uma varanda privativa com vista espetacular pra praia! O nosso quarto ficava num bloco que tinha acabado de ser construído, inclusive nem tinham fotos do quarto quando reservamos, fomos só na confiança mesmo!

Exploramos um pouco a área, tomamos um banho e fomos pro bar. Existem alguns jogos lá pra empréstimos, como baralho, jenga e ficamos jogando até o jantar, que é servido no restaurante do hostel e estava bastante gostoso.

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Chintsa...

27.03.2018

Levantei cedo pra ver o sol nascer na varanda. O dia amanheceu lindo e prometia praia! Hoje seria nosso dia de preguiça!

Tomamos café da manhã no restaurante do hostel (também não estava incluso, mas tinha uma salada de frutas com iogurte e granolas gigante, deliciosa e bem barata que foi minha opção todos os dias) e partimos pra praia.

A praia de Chintsa é linda e deserta! Caminhamos, mergulhamos e ficamos tomando sol.

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Voltamos no início da tarde pra comer algo no hostel e ficar aproveitando um pouco da piscina também, tomando algumas cervejinhas.

Antes de ir jantar, passamos na recepção para nos informar sobre algumas coisas que queríamos fazer.

Eu tinha lido sobre o Pink Bicycle Project, no qual poderíamos passar a manhã ajudando a cuidar de crianças carentes em uma pré-escola local. A recepcionista do hostel ligou na escola pra agendar nossa visita e nos deu a notícia “amanhã será o último dia de aula antes do feriado de páscoa e eles estarão bem ocupados na caça aos ovinhos” e quando eu já ia ficando meio triste, ela complementou “e eles estarão esperando ansiosamente por vocês!” :D

Camila estava pilhada pra fazer o quad biking e mais alguns telefonemas depois agendamos para o período da tarde. Pronto!

O dia seguinte prometia muitas emoções!

28.03.2018

Acordamos, tomamos nosso café, passamos na recepção para pegarmos a direção da escola e pé na estrada.

A pouco menos de 2km do hostel ficava a Acacia Tree Nursery School e chegamos lá por volta das 9h.

A Acacia foi aberta em 2009 com o intuito de oferecer educação pré-escolar para as crianças das comunidades próximas. Atualmente atendem mais de 20 crianças, oferecendo um ambiente sadio, seguro e acessível para estas crianças de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza.

Fomos recepcionadas pela responsável pelo lugar (não entendemos muito o nome dela, mas as crianças chamam-na de Mamma V.) que nos apresentou a ajudante e uma garota que estava lá há 1 ano voluntariamente. As crianças logo entraram na casa entre tímidas e desconfiadas, mas assim que estendemos a mão pra dar um high five e começamos a perguntar os nomes, todas cercaram a gente.

Todos então formam uma roda para de mãos dadas cantar e agradecer por mais um dia, pela natureza, pelo sol e pelas visitantes. Eu que já estava com um nó na garganta desde quando as crianças começaram a chegar, não contive umas lágrimas discretas. (sou chorona mesmo)

A manhã toda foi muito emocionante! Brincamos com eles, ajudamos na caça aos ovos (cozidos e pintados, que depois viraram lanche), assistimos teatro e conversamos com a Mamma V. que nos contou sobre a sofrida realidade de algumas daquelas crianças. Ao meio-dia as crianças voltam pra casa e nós nos despedimos também.

A única exigência desta participação no dia a dia da creche é que no final façamos uma doação de 100 rands por pessoa para auxiliar nas despesas do lugar (que se mantém basicamente de doações). E foi uma pena sabermos que eles recebem aproximadamente apenas 1 pessoa por mês por intermédio do hostel (ficaram surpresas de receber eu e a Camila ao mesmo tempo).

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Voltamos pro hostel caminhando em silêncio (eu ainda bem mexida e reflexiva com a experiência). Chegamos a tempo de almoçar rapidamente e partir pro quad biking, que seria feito em uma reserva próxima dali. O guia vem buscar a gente num 4x4 e nos leva até a reserva. Chegando lá vemos umas zebras soltas e descobrimos que circularemos por área onde os animais ficam soltos.

O passeio foi bem legal, por algumas trilhas que para nós que não temos experiência foi bem emocionante e desafiador (tem umas horas que dá um medo de cair e derrubar aquele trambolho em cima de vc mesma!). Tem duração de mais ou menos 1 hora e o guia leva a gente de volta.

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O hostel tinha uma atividade de vôlei com vinho (cortesia), que é mais pra promover uma interação entre os hóspedes e é até divertida mas mais por mérito da equipe do hostel, porque não havia ninguém além de nós. Camila curte jogar volêi e participou, eu curto tomar vinho, e fiquei sentada na grama...

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Também jantamos no próprio hostel nesse dia (aparentemente todo mundo janta por lá porque estava bem cheio)

29.03.2018

Aproveitamos mais uma manhã de descanso e relaxamento no hostel, aproveitamos para lavar algumas roupas, fazer check out e no final da tarde partiríamos para Port Elizabeth.

O baz bus passaria as 17h e umas 16h já estávamos na sala da recepção, guardando as roupas limpas na mochila e olhando algumas lembranças na lojinha de produtos locais do hostel quando o motorista da van ligou lá pedindo que nos avisassem que estava 1 hora atrasado. Ok, ficamos assistindo tv. Só que conforme o tempo ia passando, nada da van e a cada 1h o motorista ligava dizendo que iria se atrasar mais. O pessoal do hostel nos garantiu que isso era bem incomum de acontecer e por volta das 19h40 ele chegou. Aparentemente havia obra na rodovia que estava prejudicando bem o trânsito.

Estávamos um pouco tensas, pois a viagem até Port Elizabeth tinha previsão de durar cerca de 5 horas, mas o motorista garantiu que todos seriam entregues e ele iria se responsabilizar por avisar nas hospedagens que chegaríamos tarde.

Chegamos em PE umas 00h30 e apesar do inconveniente e do cansaço da viagem, só agradecemos ao motorista pelo profissionalismo e tranquilidade de entregar todos os passageiros nas suas hospedagens (inclusive discutiu durante vários minutos ao telefone com um hotel que se negava a receber uma mulher que viajava conosco devido à hora e só partiu depois de tudo resolvido).

E destaque pra recepção mais amorosa de toda a viagem: chegando na Conifer Beach House, pensão que ficaríamos em PE, a Jill, uma senhorinha mega simpática dona da pensão estava de camisola na porta esperando a gente!

Nos levou rapidamente ao nosso quarto e falou que nos apresentaria o local na manhã seguinte porque devíamos estar cansadas. Antes de se despedir, perguntou que horas queríamos o café da manhã.

30.03.2018

A fofura continua! Acordamos e fomos tomar café. Tudo preparado pela Jill e uma ajudante: suco, café, frutas, pães.. Jil pergunta se aceitamos ovos benedict que ela estava preparando e fez uma versão vegetariana deliciosa pra mim!

Após o café fomos até um supermercado para comprar comida para a trilha (PE seria a última cidade grande antes da trilha e nos programamos para comprar o que precisaríamos lá). Voltamos para deixar tudo na pensão e paramos pra conversar um pouco com a Jill.

Tinha anotado alguns lugares que queria ir, como a Donkin Reserve, Castle Hill e o South End Museum, mas não contávamos com o fato de que seria Sexta-feira Santa e tudo estaria fechado. Fomos então passear na orla e estava rolando um evento com shows, barraquinhas de comidas e artesanatos locais e outras coisas e ficamos passeando por lá.

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No final da tarde fomos no BeerShack para comer alguma coisa e tomar uma cerveja. O lugar é bacaninha mas o atendimento deixa muito a desejar! Pessoal extremamente antipático (quando chegamos não tiveram o mínimo interesse em acomodar a gente num lugar legal, pedimos pra trocar de mesa diversas vezes e nos falavam que não tinha outra, mas quando chegava gente no bar, eles acomodavam nas mesas boas) e atendiam somente umas mesas mais cheias. Tínhamos também a indicação do Beer Yard, mas precisava pegar um uber e não queríamos gastar.. ficamos por lá mesmo e tomamos algumas boas cervejas pelo menos. E o pôr do sol visto do deck compensou o estresse!

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Voltamos a pé para a pensão.

31.03.2018

Baz bus passou logo cedo para nos levar ao próximo destino: Jeffrey’s Bay.

Chegamos lá por volta das 8h30 e como o checkin não estava liberado, deixamos as mochilas na recepção e fomos dar uma volta. Fomos até a praia e até as ruas dos outlets. Depois de umas comprinhas voltamos ao hostel para o checkin. Ficamos no Island Vibe pois víamos muitas indicações. O hostel até que é legal, mas nada de mais.. Os quartos privativos ficam em uma propriedade separada e são bem espaçosos, com uma hidromassagem ao lado da cama (é meio bizarro) e uma varanda bem grande, mas de uso comum entre todas as suítes.

Largamos tudo lá e fomos almoçar no Ninas Real Food, restaurante bem bonitinho e com um pad thai gostoso e barato. Detalhe: não existe uber na cidade e a oferta de táxi é quase inexistente, então o hostel ofereceu levar a gente de van por 50 rands.

Após o almoço fomos até a praia dos supertubes e ficamos admirando.. voltamos a pé pro hostel e como o dia estava bem feioso e semi frio, resolvemos relaxar na nossa pequena piscina particular, a hidromassagem. Jantamos uma pizza no bar do hostel, que fica bem animado a noite.

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01.04.2018

Dia de seguir viagem para a Storms River, nossa base para a tão esperada otter trail. Ficamos no Tube‘n Axe Backpackers, muito bem recomendado e com uma estrutura legal para curtir a região.

Ficamos em um quarto privado que se parece uma pequena cabana no meio do mato, com varandinha na frente. Simples e gostosa, mas com um chuveiro bem fraco e que ficava alternando entre escalda-banho e água gelada.

Queríamos aproveitar que estávamos em uma área repleta de atividades junto à natureza, mas procuramos alguma atividade mais relaxante já que os próximos dias seriam intensos, e acabamos escolhendo fazer o Blackwater Tubing que era oferecido pelo próprio hostel e foi bem divertido (apesar de não tão relaxante quando percebemos que tinha que fazer uma trilha até o local de início carregando umas boias gigantes e pesadas). A atividade durou boa parte da tarde.

A noite ficamos pelo hostel, jantamos conversando com outros hóspedes e conhecemos a Maria, brasileira meio doidinha bem gente boa que também estava viajando com o baz bus, mas no sentido contrário ao nosso. Nos recolhemos meio cedo para nos organizarmos, arrumar a mochila e separar o que levaríamos pra trilha e o que deixaríamos no hostel. Quando fizemos a reserva já confirmamos se eles tinham um local para deixarmos nossas tralhas para levar apenas o indispensável para a trilha, procurando deixar as mochilas o mais leve possível.

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tudo separado....

Tudo pronto e arrumado, tentei em vão uma noite de sono tranquila......

**Saldo Wild Coast**

A região é bem pouco turística e uma oportunidade única de imersão na cultura sul africana. Foi nesta região que nasceu Nelson Mandela e onde ele foi sepultado. Também concentra grande parte da população Xhosa (do sonoro idioma fácil de reconhecer pelo estalar de língua e impossível de reproduzir). Tem centenas de quilômetros de praias maravilhosas e selvagens (como o próprio nome diz) e é banhado pelo Oceano Índico, com mar de temperaturas muito mais agradáveis que na região do cabo, por exemplo.

Quanto à Coffee Bay, rolou um desencanto, pois nossa expectativa era beeeeem alta principalmente vinculada à conhecer o hole in the wall que não se concretizou.. além do clima não estar dos melhores (e pra mim isso muda completamente a impressão que temos de um lugar). Ainda assim, guardamos boas recordações pois surfamos na á-f-r-i-c-a!!!

Para quem está com um roteiro mais folgado pelo país, com certeza é uma área incrível para se explorar!

Ouvimos algumas pessoas falarem de Bulungula como se fosse o paraíso intocado na terra (duas meninas em coffee bay estavam lá para acessarem essa outra região).. parece que dá para chegar lá através de uma trilha meio longa a partir de coffee bay e se hospedar com nativos. Fica a dica para quem gosta de se aventurar! ;) 

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    • Por Tadeu Pereira
      Trilha das Sete Praias - Ubatuba - SP 
      Praias: Lagoinha, Oeste, Peres, Bonete, Grande do Bonete, Deserta, Cedro, Fortaleza.
      Dificuldade: Fácil
      Distância: 8,9 km
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato desta trilha fantástica situada na região de Ubatuba, litoral Norte de São Paulo onde iniciamos na Praia da Lagoinha que fica a aproximadamente 29 Km do centro da cidade e finalizamos na praia da Fortaleza 27 Km do centro de Ubatuba. A trilha é de nível fácil com poucos lugares de subida e com belas paisagens. Todas as praias contém água potável em nascentes que ficam no início das praias e existem alguns bares nas praias porém como fomos em baixa temporadas a maioria estava fechada.
       
      Partida - 06/06/19 - Ida 12:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$38,00 - Caraguatatuba x  Praia da Lagoinha-> Ônibus R$3,80
           Partimos do terminal rodoviário do Tietê em São Paulo Capital de onde combinamos com o motorista do aplicativo BlablaCar para sairmos ao 12:30pm. Saímos no horário marcado e fomos em 5 pessoas no carro, pois já havia uma pessoa fazendo o trajeto também. Viagem tranquila e segura de duas horas e meia de duração até chegarmos a Caraguatatuba já no litoral onde descemos na rodoviária e lá mesmo pegamos um ônibus do transporte público com sentido a Ubatuba e depois de aproximadamente 35 minutos descemos no ponto próximo ao supermercado Garotão. O ponto de ônibus fica na praia da Lagoinha e é onde se inicia a trilha das sete praias. Após descer no ponto é só caminhar poucos metros até a entrada do condomínio mais a frente e se informar com algum dos seguranças da entrada do condomínio onde fica a entrada da trilha que eles já estão acostumados a informar as pessoas que querem fazer a trilha.    

           A trilha fica do lado esquerdo da praia da Lagoinha logo após um rio que corta a praia desaguando no mar, mas como chegamos com a maré já alta não conseguimos caminhar pela praia e atravessar o rio para começar a trilha. Com ajuda de um haitiano que encontramos na praia, o simpático Jean Pierre, nos informou onde seria o começo da trilha dando a volta para iniciar na entrada de um condomínio. Nos informou também onde teria um mercado mais próximo, o Mercado Garotão. Como entramos na praia não sabíamos da situação da maré cheia impossibilitando a travessia, então com a ajuda do haitiano conseguimos voltar e passar no mercado  para comprarmos algumas coisas para passar a primeira noite e começar a trilha.
        
            Iniciamos a trilha já quase anoitecendo por volta de umas 17:00pm. Saímos do mercado e bem de frente atravessando a rodovia já se vê a entrada do condomínio Recanto da Lagoinha onde caminhamos poucos metros e logo após a guarita da entrada viramos na primeira rua a direita, a Rua Sabiá e caminhamos até uma outra guarita onde se inicia a trilha em uma entrada a esquerda que contém uma placa de área de preservação ambiental ao lado de uma cerca do próprio condomínio. 



           Como a claridade estava ficando cada vez menor, passamos pela Praia do Oeste no escuro e caminhamos até a segunda praia, a Praia do Peres onde foi o nosso primeiro camping. Armamos acampamento já no escuro em um pier de pescadores que contém um gramado e um grande barracão de frente para o mar. Conversando com alguns pescadores que ali estavam fomos informados que logo de manhã um senhor que cuidava do local iria nos expulsar dali. Pensamos em caminhar mais adiante na terceira praia mas decidimos ficar e acampar por ali mesmo e apostar que o senhor não nos dê uma bronca muito grande de manhã por termos acampado ali rs. 




        
          

            Acordamos por volta das 8:00am e quando estava saindo da barraca para lavar o rosto em uma queda de água doce próximo dali lá estava o senhorzinho que nos informaram que iria ficar zangado por causa das nossas barracas. Resolvi dar bom dia pra quebrar o gelo mas não obtive sucesso. Então acordamos fizemos um café rápido no fogareiro a gás desmontamos nossas barracas e seguimos para a próxima praia da trilha, a Praia do Bonete ou Bonetinho como é chamada pelos locais.






       


       
         
           Ficamos um dia na Praia do Bonete, havia uma bica com água potável geladinha localizada no começo da praia. A praia do Bonete tem areias claras e águas cristalinas muito convidativa a um belo banho de mar. Armamos nossas barracas bem no meio da praia em um banco de areia mais alta debaixo de algumas árvores. Nesta praia havia algumas placas proibindo a entrada e camping pois a área seria propriedade particular. Decidimos acampar na praia mesmo e não entramos mais a dentro da mata.


            Acordamos por volta das 8:00am e desmontamos rápido as barracas, tomamos um belo café da manhã a beira mar e ficamos um tempo contemplando a praia até partirmos para a próxima praia, a Praia Grande do Bonete. Caminhamos até a ponta da praia onde existe uma placa amarela com informações aos turistas. Iniciamos a trilha e alguns minutos depois já tínhamos um lindo visual da Praia Grande do Bonete. A trilha levou uns 15 a 20 minutos e logo estávamos na Praia Grande do Bonete. 
        




           Chegamos e logo vimos que bem no começo da praia havia uma bica de água potável geladinha. Caminhamos um pouco e decidimos acampar quase que no começo da praia mesmo, do lado que não tem casas na beira da praia. Armamos nossas barracas na praia debaixo de algumas árvores e de frente para o mar. Fizemos uma fogueira para o almoço e janta e ficamos neste local por três dias.
       


            No primeiro dia conseguimos finalmente entrar no mar, conseguimos também tomar banho em um bolsão de água doce que tem atrás das pedras no começo da trilha e fizemos um belo jantar vegano pra fechar o dia com chave de ouro.  

           No segunda dia acordamos um pouco mais tarde, colocamos as barracas pra tomar um pouco de sol, tomamos um belo café e fomos caminhar até a outra ponta da praia que olhando de longe parecia que tinha um movimento de pessoas por la. Caminhamos até lá e descobrimos que havia alguns bares abertos onde tomamos uma bela de uma gelada e carregamos nossos telefones. Retornamos ao camping e pegamos duas mochilas vazias e dois de nós retornamos a trilha até o Mercado Garotão para comprar umas geladas e alguns petiscos. Fomos e voltamos em menos de duas horas e passamos o dia neste paraíso. 

       


           No terceiro dia na Praia Grande do Bonete acordamos por volta das 9:00am, tomamos café, entramos nas águas geladas daquele mar lindo de águas cristalinas iluminado por um lindo sol que contrastava com o céu inteiramente azul. Logo depois, dois de nós como combinado anteriormente, retornaram a trilha até o ponto de ônibus para aguardar mais um integrante da nossa trupe. E como iríamos passar perto do mercado já aproveitamos e compramos algumas bebidinhas, petiscos, um bom repelente, que foi para não faltar mais nada até o final da trilha. Recomendo o repelente de creme, pois o de spray não faz efeito nenhum para os mosquitos de lá hahahaha. Compramos um óleo ou essência de citronela que seria de colocar em lampiões para espantar o mosquito, mas ao invés de colocarmos em lampiões nós colocamos no nosso próprio corpo e deu muito certo ahuahauha!  
       

           Este dia foi um dos mais divertidos, com mais um integrante fizemos um grande rango, bebemos algumas cervejas, bebemos algumas biritas e tomamos também o único, o verdadeiro, o legítimo, o melhor de todos, the best, o Drink do Gato. Um drink elaborado por um dos integrantes da trupe e que se tornou o sucesso durante toda trilha ahahuahuauah inclusive para alguns caiçaras. Mais informações só chamar que posso passar os ingredientes e a forma secreta de se fazer. Poucos conseguem tomar! Drink do gato! Pra vocÊ aprender! kkkkkkkkkkkkkkkkkk Não conseguimos imagens do drink pois as condições não eram favoráveis no momento após a ingestão do mesmo kkkkkkk. Ha alguns rumores de que alguns dos integrantes corriam loucamente na noite em direção do mar tentando loucamente se banhar nas águas "quentes" da praia hahauahuahua iluminado por uma lua fantástica. O integrante ainda tentava persuadir os outros a entrarem no mar com dizeres: "Gente vemmmm, ta quentinha, a água ta quentinha! Vemmmm gente! Uhuuuullll!" Hauhauhuhuah Foi sensacional!     --> Drink do gato! Pra você aprender! kkkk 


           Acordamos e mantemos o protocolo. Barracas ao sol, acender a fogueira, café forte pra acordar, ficamos algumas horas por ali aproveitando o lindo sol que fazia no dia, tomamos um belo banho de mar e logo partimos para próxima praia. A trilha fica no final da praia em um muro de pedras com algumas placas indicando o lado correto. Foi umas das partes um pouco pesadas desta trilha, talvez por causa do peso que estávamos levando, em alguns lugares a trilha se tornava um pouco ingrime dificultando um pouco nosso ritmo. Em alguns trechos também se abriam clareiras mostrando um lindo visual.  
       

        
       
       
       
          A próxima praia que nos aguardava na verdade seriam duas em uma.  A Praia Deserta fica junto com a Praia do Cedro e são divididas por algumas pedras, mas muito fácil de se atravessar por elas. Ou pra quem não gosta de se aventurar em pedras, existe uma trilha que passa por de trás delas muito rápida e segura também. 











       



            Armamos nossas barracas na primeira praia, a Praia Deserta. Ficamos bem de frente para o mar do lado da placa da trilha das sete praias. O lugar é cheio de árvores e tem ótimas áreas para camping selvagem e proibido, como diz nas placas que encontramos novamente na praia. Acredito que não tivemos problemas com isso por causa da baixa temporada, pois a trilha é muito movimentada na alta temporada e a fiscalização talvez seja mais rigorosa. 
          










           Ficamos por dois dias nestas praias, a segunda praia, a Praia do Cedro contém uma área de camping e um bar que ambos estavam fechados por causa da baixa temporada. Existe também uma bica d'água encanada bastante gelada que tanto usamos para tomar banho quanto para beber. A praia é pequena mas encantadora pela beleza.  



           Após dois dias fantásticos nessas praias infelizmente com muita tristeza que caminhamos para a última praia da trilha. Desmontamos nossas barracas, retiramos todo o lixo, fizemos um café forte, arrumamos as mochilas e partimos para Praia da Fortaleza. Mas antes ainda tinha mais um lugar muito lindo pra conhecer, o Pontão da Fortaleza. Um lugar surreal e único que fica um pouco antes de chegar na praia da Fortaleza virando a esquerda na própria trilha.


          












           Chegamos por volta das 16:00am no Pontão da Fortaleza com um tempo de trilha de aproximadamente uma hora por causa do peso das mochilas, pois em alguns trechos da trilha o caminho se torna um pouco mais ingrime dificultando um pouco a trilha. Ficamos no Pontão por quase duas horas contemplando a beleza do lugar. Até cogitamos acampar por la mesmo, mas acabamos decidindo retornar a trilha e finalizar a Trilha das Sete Praias na Praia da Fortaleza.
       
           Andamos por alguns minutos nas areias da praia até entrarmos em umas das ruas onde se vê uma igreja. Caminhamos nesta rua e na bifurcação viramos a esquerda e caminhamos até o bar do Zé Mineiro onde fechamos nossa trilha e nosso dia com uma bela cerveja gelada.
      Retorno - 12/06/19 - Retorno 13:30pm - São Paulo x Caraguatatuba -> BlablaCar R$40,00 - Praia da Fortaleza x Praia da Sununga-> Ônibus R$3,80
           Na própria praia da Fortaleza existe um ponto de ônibus indo tanto para Ubatuba quanto para Caraguatatuba. Aguardamos por alguns minutos e pegamos um ônibus sentido Ubatuba pelo valor de R$3,80 e descemos no ponto dos postos de gasolina. Este é o ponto mais próximo da praia da Sununga e da Praia do Lázaro. Ficamos por lá mais quatro dias no Camping Sununga e depois encontramos um BlablaCar por R$40,00 pra cada que nos levou até São Paulo e finalizamos assim mais um Mochilão pelo litoral norte de São Paulo. 
      Vlw Mochileiros! Gratidão.  ❤️ 
       
       
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    • Por brunocsl
      Por Lid Costa
      Cape Town é uma cidade super vibrante e cheia de passeios legais pra gente fazer. É difícil planejar um roteiro diante de tantas opções, né? Por isso, no post de hoje vou te contar o que fazer em Cape Town em 4 dias, roteiro com o essencial para aproveitar bem sua visita a cidade!
      Cape Town (ou Cidade do Cabo) é a segunda cidade mais populosa da África do Sul (Joanesburgo é a primeira). É também a capital legislativa do país e fica localizada no sul. De Joanesburgo até lá são em média 90 minutos de avião. Para percorrer o trajeto de carro, são mais ou menos 1.400 km.
      Continue a leitura em https://partiuviajarblog.com.br/o-que-fazer-em-cape-town-em-4-dias/

    • Por brunocsl
      Por Lid Costa

      África do Sul, visitar ou não visitar? Sem sombra de dúvidas a resposta é: visitar! Se você estiver planejando uma viagem para lá vai precisar saber das minhas dicas de viagem para a África do Sul, um dos países mais encantadores que eu já visitei!
      #1 Visto
      Brasileiros NÃO precisam solicitar visto para viajar a turismo, se a permanência for de até 90 dias. Basta levar o passaporte válido (aconselhável que ele tenha 3 meses de validade a partir da data de entrada) e com, pelo menos, 2 páginas em branco.
      Continue a leitura em https://partiuviajarblog.com.br/dicas-de-viagem-para-a-africa-do-sul/

    • Por divanei
      EXPEDIÇÃO VALE DO ITINGUÇU
       
                Foi numa tarde quente e chuvosa de verão que eles surgiram. Nove homens desembocam de supetão na extraordinária e turística CACHOEIRA DO PARAÍSO, nos domínios da JURÉIA. Toda a ação é assistida por uma multidão que fica perplexa, sem se darem conta do que está acontecendo. Um burburinho toma conta do lugar, homens, mulheres, crianças e velhos tentam entender de onde surgiram aqueles extraterrestres de coletes, perneiras, capacetes e mochilas estanques com equipamentos de escalada a tira colo. Os salva-vidas do parque ficam paralisados, sem ação, só fazem acompanhar com os olhos um a um dos exploradores descerem a escadinha de madeira e depositarem suas mochilas ás margens do grande POÇO VERDE e se atirarem na água, nadando para o outro lado até se posicionarem embaixo da queda da cachoeira. Nada disso havia sido combinado e o grupo foi tomado por um sentimento avassalador de satisfação e conquista e ao se juntarem, se abraçaram e comemoraram juntos, como jamais haviam comemorado antes e o aniversariante do dia não se conteve e escondidamente deixou escapar umas lagrimas em meio àquela enxurrada de emoções e agradeceu por estar vivo para apreciar aquele momento único.
       
      (Uma das Grandes Quedas do Itinguçu, no centro da Mata Atlântica, quase 2 dias da civilização)    
          Já fazia muito tempo que eu deslumbrei a possibilidade de explorar às nascentes do Rio Itinguçu, o rio conhecido por abrigar a fenomenal CACHOEIRA DO PARAÍSO, uma das maiores atrações do entorno da Reserva Ecológica Juréia-Itatins nos domínios de Peruíbe, mas foi procurando um caminho para chegar ao cume da serra que descobri uma possível passagem que poderia nos levar a montar uma expedição que pudesse descer aquele vale selvagem e desconhecido.
       
                Por incrível que pareça, esse projeto foi parar em um canto esquecido do meu computador após tomarmos ciência de um pico selvagem e deslumbrante que servia como guardião das nascentes do rio, então deixamos de lado a aventura aquática e nos embrenhamos no meio da floresta até alcançarmos o cume perdido do Morro das Três Pontas. A expedição ao cume do pico Careca foi um sucesso e a partir daquela conquista, estabelecemos também um caminho viável para um dia tirarmos o Vale do Itinguçu do anonimato.
       
           (Cume Motchaka-Morro das Três Pontas)    
                Eu já estava propenso a me enfiar em outros vales, quando parte do nosso grupo insistiu que a gente deveria pôr fim à novela do Vale do Paraíso, que era como vínhamos chamando aquele vale perdido até então,no feriado do Carnaval. Num primeiro momento dei uma titubeada por achar a logística partindo da cidade de Itariri muito complicada por ser um município perdido no Vale do Ribeira e sem transportes regulares partindo do interior Paulista ou mesmo da capital e quando os caras botaram os planos sobre a mesa , foi aí que me dei conta que a logística era mesmo uma grande merda: Teríamos que dirigir com nossos carros até lá na véspera do grande feriado e depois de tentarmos atravessar o vale, ainda teríamos que retornar para resgatar os veículos que ficariam aonde o Judas cagou nas botas.
       
                Bom, como não sou explorador de arregar pra coisa nenhuma e sabedor de que se não fosse agora perderia a chance de escrever também meu nome na história, dei uma garibada no velho NIVA 4X4 , apanhei o Vinícius e o Alexandre no centro de Sumaré e rumamos para a cidadezinha de Itariri que fica a uns 300 km de casa, mas antes paramos no meio do caminho para dar uma carona para o Gersinho, que era um dos que estavam na expedição ao Morro das Três pontas. A outra metade do grupo, todos da região metropolitana de São Paulo decidiram sair só na manhã do sábado e nos encontrar na cidadezinha antes do meio dia.
       
               Ao chegarmos à primeira entrada de Itariri, viramos para a direita e fomos rumo ao bairro da Igrejinha, sempre seguindo paralelos ao Rio Azeite e, ao atravessarmos a grande ponte, nos mantivemos a esquerda e ao chegarmos a um ponto de ônibus, alguns metros depois, deveríamos também continuar nos mantendo a esquerda, mas nosso navegador bobeou e fez com que pegássemos o caminho errado e fossemos nos perder no meio do nada, numa estrada sem saída em meio a escuridão daquela madrugada quente. Já passava das 4 da manhã, eu estava tombando de tanto sono e não houve nada que fizesse com que a gente voltasse para o nosso rumo, então encontramos um motoqueiro fantasma e ele nos guiou para fora do labirinto e nos deixou novamente depois da grande ponte do Rio Azeite e logo à frente um boteco abandonado, com uma grande cobertura, nos serviu de hotel pelo resto da noite e o tal QUIOSQUE DO BURRO acabou por se tornar uma escolha bem inteligente.
       
                Quando o dia clareou, o Vinícius já fez logo um pampeiro para que a gente levantasse. Me levantei, mas não deixei de protestar porque pensava em dormir até um pouco mais tarde e mesmo ainda com muito sono, dar de cara logo cedo com aquele rio espetacular, já faz com que o nosso humor se eleve rapidamente. A parte paulistana do grupo já nos sinalizou que só chegaria perto das 11 da manhã, então aproveitamos o tempo ocioso e voltamos até o centro de Itariri para um café reforçado e quando o bucho encheu, voltamos para perto do Quiosque do Burro, junto à uma ponte pênsil e lá ficamos até que que o resto do grupo se juntasse a nós.
       
                Antes do meio dia os meninos paulistanos aparecerem e é sempre um grande prazer rever esse bando de malucos vindos de todos os cantos da cidade e de outros municípios vizinhos. Silvester Natan, Daniel Trovo, VGN Vagner, Paulo Potenza e Rafael Soares, todos com uma alegria irradiante e felizes por estarem ali prestes a darem início a mais uma Expedição Selvagem, sem a certeza do rumo que aquela brincadeira tomaria, sem saber se aquela loucura chegaria bem ao seu final, mas todo mundo consciente de que cada um estaria por conta e risco, sabedores dos perigos que tal empreita envolveria.
       
               Com o dia claro, não tivemos problemas para encontrarmos a fazenda de bananas que procurávamos e seria nosso ponto de partida, a mesma propriedade do qual havíamos conquistado o cume do Morro das Três Pontas no ano passado, que por sorte, acabamos virando amigos do administrador que já havia nos dado o aval, deixando a gente estacionar nossos veículos na casa dele.
       
                Essa expedição tinha uma característica diferente das outras, desta vez teríamos que subir uma montanha com um desnível enorme para depois tentarmos navegar varando mato no peito até encontrarmos a nascente do RIO ITINGUÇU. Já conhecíamos o caminho até o topo da montanha, mas ainda discutíamos se era melhor varar mato em linha reta e ganhar precioso terreno ou tentar seguir por uma antiga trilha de caçadores e palmiteiros, que bordejaria o rio da Usina dos Ingleses, uma ruina perdida no meio da selva. Lá pelas 13 horas jogamos às mochilas às costas e partimos, mas me chamou a atenção o excesso de equipamentos que alguns carregavam, claro que eu já sabia qual era a intenção deles, mas me mantive sereno, já que essa foi uma discussão que eu havia perdido.
       
                Abandonando a casa do administrador, seguimos enfrente pela estradinha que ia ganhando altura aos poucos. O grupo se dividiu em dois e a pernada inicial foi servindo para botar os papos em dia, até que vinte minutos depois somos obrigados a abandonar a estrada em uma curva e adentrar para a esquerda, numa antiga estrada que hoje não passa de uma trilha erodida e interditada pelo matagal. Esse caminho servia para dar acesso ao bananal nas cabeceiras da fazenda, mas pela dificuldade de acesso, toda a plantação foi abandonada. Quinze minutos de caminhada, talvez menos, ouvimos um grito do grupo que vinha logo atrás. O Rafael estava passando mal e precisava descansar um pouco. Também pudera, a temperatura beira os 38 graus e até os mais magrelos já ameaçavam sucumbir diante daquele calor dos infernos. Logo o Rafael retomou seu caminho, mas não foi muito longe, caiu novamente prostrado, botando os bofes para fora. O Potenza deu-lhe um remédio e fomos caminhando lentamente, tentando fazer com que ele chegasse vivo até o casebre abandonado onde pensávamos que conseguiríamos um pouco de água. A chegada ao barraco caindo aos pedaços nos remete às boas lembranças de expedições antigas, mas água mesmo somente em uma garrafa grande deixada por algum caçador que logo foi despejada sem dó sobre a moringa do Rafael, que tinha anunciado a sua desistência da Travessia Expedicionária. Ficamos na choupana velha, vendo se seria necessário alguém acompanhar o nosso amigo de volta para a civilização, mas de repente o Rafa sacou lá do fundo da sua alma um último suspiro de vida e desistiu da sua desistência, preferia morrer na subida da serra do que se ver fora daquela expedição e correr o risco de nunca mais ter outra oportunidade e se a frase é mais do que batida, também seria mais do que oportuna: O SOFRIMENTO É PASSAGENRO, MAS DESISTIR É PARA SEMPRE!
       
               
                Com o Rafa aparentemente recuperado, largamos aquela habitação decrépita e partimos para o pé da montanha, atravessamos o bananal no peito, nos guiando pelo faro e pelo nosso GPS, até vermos que havia chegado a hora de deixarmos o conforto das bananas docinhas e nos enfiarmos de vez no meio da floresta espinhuda. O rio era audível do nosso lado direito, mas a vegetação não nos deixava avançar e o Rafael já começava a querer tombar de novo, aliás, todo o grupo cozinhava os miolos naquele calor escaldante. Todo mundo parecia implorar para que o rio chegasse logo, mas ao invés de água, toma barranco na fuça. A paciência acabou, mandamos o traklog para PQP e seguimos nosso instinto de sobrevivência até água e quando lá chegamos, não teve um que não tenha se atirado de cabeça nos poços de águas translucidas e alguns quase morreram de tanto beber e o moribundo do Rafael se atirou no leito do rio e lá ficou até que seu corpo absorvesse metade da água do córrego na tentativa de se restabelecer novamente.
       
                A tarde já ia lá pela sua metade e aquela dúvida inicial se seria melhor seguir pelo mato ou bordejando o rio, acabara de ser desfeita. Com o Rafa ainda meia boca, seria muito mais seguro ir tocando por dentro da água ou pela margem do rio, sempre subindo as pirambeiras que iam surgindo. Portanto, pela água começamos a pular pedras e atravessar pequenos poços e cachoeirinhas bucólicas e isso deixava todo mundo feliz por termos nos livrado do calor intenso. Sabíamos que aquele rio nos levaria direto para a grande cachoeira dos Ingleses e consequentemente para o alto da serra, mas ao chegarmos a uma bifurcação de rio, os caras que estavam seguindo o caminho pelo GPS, comeram bola, e ao invés de pegarmos o rio da direita, pegamos o da esquerda, talvez hipnotizados pela bela cachoeira que se apresentou à frente. Como subir a cachoeira era tarefa árdua e vendo que o caminho não era aquele e que estávamos no rio errado, aferimos nosso azimute e tentamos voltar para o vale correto, mas a gente começou a subir barranco atrás de barranco e cada vez mais parecíamos estarmos fora da rota, até que os navegadores decidiram pegar uma linha reta até o outro rio e ao invés de subirmos, começamos a descer. Perder altitude foi uma péssima ideia, foi um tempo perdido e eu morrendo de sono por ter dirigido a noite toda e não ter dormido, achei aquela navegação um furo n’água.
       
                Quando cansamos de andar para o lado errado, finalmente encontramos terreno aberto, mas longe de ser um caminho mais tranquilo porque aí começou a tocar de vez para o rio e ao chegar no seu leito tocamos para cima até interceptarmos a antiga CACHOIRA DA USINA DOS INGLESES, uma ruina do século passado que foi engolida pela floresta. A chegada à essa cachoeira é uma grande festa e as mochilas foram largadas ao chão e todo mundo se atirou para debaixo da queda no intuito de baixar de vez a temperatura do corpo, mas como não é possível ser feliz para sempre, logo já estávamos de volta a nossa labuta de tentar conquistar aquela montanha ainda hoje.
       
            ( Cachoeira Usina Velha dos Inglêses)
                 A continuação do caminho é escalando ao lado da cachoeira, adentrando embaixo de uma espécie de gruta cavada na rocha e já saindo para esquerda e logo interceptando uma antiga trilha de caçadores.. A subida estava dura, o Rafael parava a cada 15 minutos e pelo andar da carruagem eu já estava vendo que daria o último suspiro e pediria para ser enterrado ali mesmo. A cada parada do Rafa, o grupo também era obrigado a cessar a caminhada e eu já procurava uma árvore para dormir por alguns míseros minutos, mas foi em um momento específico que todo mundo acordou de vez: ao passar por um buraco no chão, o grupo mais à frente despertou a ira de um vespeiro e não deu nem tempo para mais nada quando alguém gritou a palavra mágica: “CORRE, ABELHA “. O Rafael que já era uma múmia a vagar pela floresta, deu meia volta junto com o Vagner e despinguelou barranco à baixo na trilha e eu peguei carona no vácuo deles. O resto do grupo correu para cima e mesmo assim o Vinícius foi alvejado duas vezes. Quando tudo parecia se acalmar, o grupo que correu para baixo tentou se juntar ao grupo do alto e foi nessa que também fui atingido. Uma ferroada certeira bem na mão esquerda, que imediatamente ameaçou cair do meu braço de tanta dor. A dor é tão grande que nem a picada de jararaca que tomei anos atrás se compara. Por sorte o Vagner, já esperto de outros carnavais, me deu logo um antialérgico para acalmar minha ansiedade.
       
               A tarde já quase que agonizava e nada da gente encontrar água e nem um lugar descente para acampar. Nos enfiamos por dentro de uma parede rochosa, denunciando que estávamos muito perto da saída do vale. Eu estava com tanto sono que nem sabia mais que rumo tomar, só deixava minhas pernas me levar aonde meu cérebro achava que estava seguro. O Rafa insistia em continuar em pé e a todo momento alguém tentava persuadi-lo a não desistir de vez, até que sem termos outra opção, apontamos nosso nariz de volta para o grande rio e nos escorregamos na sua parede íngreme até novamente chegar as suas águas, aonde um poço esverdeado, junto a uma cachoeira Afunilada nos deu as boas-vindas. O lugar era lindo, mas imprestável para acampar por ser um vale rochoso e sem árvores aonde pudéssemos montar nossas redes. Eu já estava com vontade de sentar e dormir encostado em qualquer lugar, até que alguém deu a ideia de apanharmos água e voltarmos a subir até um selado onde havíamos passado na descida para o rio e sem perder tempo nos dirigimos para lá e cada qual escolheu sua árvore favorita para montar sua casa de mato. Diz a lenda que alguns ainda voltaram ao rio para tomar um belo banho no poção esverdeado, eu particularmente, caguei e andei para o banho, montei minha rede e me joguei para dentro aonde morri por umas 2 horas e só acordei porque o Alexandre teve dó da minha pessoa e me trouxe um prato de comida, porque se dependesse de mim, não iria nem jantar.
       
               (Cahoeira  AFunilada)
                Doze horas de sono tem o poder de transformar um moribundo em outra pessoa. Acordei renovado, com energia suficiente para arrastar toda uma floresta no peito até o litoral e mesmo o Rafael que no dia anterior agonizou, já estava um touro bravo. Vagarosamente, desmontamos nosso acampamento e partimos. Retornamos ao alto da serra junto a parede rochosa e localizamos novamente o rabo da trilha que nos tiraria de dentro do “VALE V” e nos jogaria num mundo novo, de descobertas e encantamento, um mundo talvez trilhado por ninguém, apertem os cintos, a AVENTURA SELVAGEM vai começar.
       
                 Logo cedo é hora de subir montanha e quando o terreno começou a se estabilizar, passamos por um córrego, esse ainda, afluente do rio da Usina dos Ingleses. Estamos num grande planalto e teremos que atravessá-lo por dois ou três quilômetros até que interceptemos de vez o grande Rio Itinguçu, bem na sua nascente, mas até lá chegarmos vamos comer o pão que o diabo amassou.
                Para aquela expedição, havíamos traçado um caminho usando as curvas de nível no mapa, mesmo porque é um mundo de florestas fechadas onde é impossível saber a real localização da nascente do Itinguçu apenas pelas imagens de satélite. Andaríamos por mais de 2 km até termos certeza absoluta que  estávamos mesmo descendo o leito do rio. É , tudo isso parece obviu , mas na verdade não passa de uma grande ilusão e uma vez ali, parece que o mundo gira de  tal forma que ninguém mais sabe para que lugar seguir, por isso a importância do GPS para nos dar um rumo, uma direção.
       
               (início do Rio Itinguçu)
                O terreno estabilizou de vez e é impressionante o numero de pequenos córregos que vão correndo para todas as direções, portanto seria quase impossível se apegar a um deles na tentativa que eles desaguassem no rio que procurávamos. Nessa condição os nossos navegadores tiveram que não desgrudar mais os olhos do GPS. O avanço é lento, emperrado por uma vegetação fechada e com terreno encharcado. Outros tantos pequenos córregos são cruzados, mas nenhum seguia para o nosso destino e muito provavelmente seriam abastecedores de algum afluente do Itinguçu que possivelmente ira interceptá-lo mais a baixo, Passado mais de hora, a gente se deparou com uma grande nascente, um grande buraco de onde a água brotava e tomava a direção exata do grande Vale do Itinguçu e foi aí que a gente começou a desconfiar que por uma grande sorte, havíamos finalmente achado a verdadeira nascente do rio.
                Aquela nascente foi ganhando outras vertentes de água e foi crescendo e quando ficou com mais ou menos um metro de largura, tivemos a certeza de que nossa navegação havia sido um grande sucesso, então não perdemos mais tempo com o GPS e tratamos logo de nos jogarmos  de corpo e alma naquele corpo d’água. O rio foi crescendo, se alargando e quando pensávamos que nossas vidas seriam facilitadas, os homens que iam à frente foram surpreendidos por um Lamaçal de respeito, inclusive Daniel Troco e Vagner quase foram sugados para a entranha da terra, atolando seus corpos até na linha da cintura e outros que vinham atrás também tiveram o mesmo destino.

       
                As águas do córrego a cada curva ficavam mais cristalinas e o seu leito, antes barrento, começava a ganhar uma camada de pedregulho. Alargou-se de tal maneira que poços profundos já eram cruzados com a água acima da linha da cintura e quando chegamos a uma prainha formada por pedrinhas, paramos para um descanso e para morder alguma coisa. Sentados ali, naquele lugar lindo, em meio a uma das florestas mais espetaculares do mundo, há quase dois dias longe da civilização mais próxima, logo nos chama a atenção uma frutinha muito familiar, na verdade o chão estava qualhado delas: Quando alguém balbuciou dizendo que se tratava de JABUTICABAS, dei uma desdenhada antes de cair a ficha totalmente. Aquilo era realmente incrível porque se existe uma fruta que é símbolo do Estado e até do Brasil, essa seria a jabuticaba, mas eu em quase 25 anos de andanças pela Mata Atlântica jamais havia visto um pé selvagem desta fruta, já me deparei até com onças, mas jabuticaba era a primeira vez. Bom, a fruta estava ali, espalhada por toda a prainha, mas onde estaria o pé? Procurei pelo pequeno arbusto em meio às grandes e frondosas árvores e nada encontrei, até que do outro lado do rio, uma árvore de tronco esbranquiçado e de uns 15 metros de altura se curvava sobre nossas cabeças. Encontrar aquela raridade no Vale do Itinguçu foi mesmo uma grande honra e essa travessia iria nos mostrar que é igual a jabuticaba selvagem, só existe na Mata Atlântica e destinada a poucos.

               (Jabuticabas Selvagens)
                Retomamos a travessia, mas agora já sabedores de que os grandes desníveis não tardariam em se apresentar e logo quando o rio de pedrinhas se transformou em um rio de leito de rochas gigantes, as primeiras quedas já surgiram pelo caminho e para felicidade geral do grupo, uma delas nos chamou a atenção pelo tamanho do poço de águas esverdeadas e essa foi a deixa para todo mundo se jogar de vez e lavar a alma naquele dia ensolarado de verão. O poço fez a alegria da galera, o banho renovou os ânimos, lavou a lama e já nos mostrou um pouco do que nos esperava pela frente. O rio afunilou por um momento e logo apareceu uma cachoeira de tamanho considerado e aí foi hora de pararmos para estudar o terreno.
       
                Antes de expedição começar houve um embate sobre levar ou não cordas para fazer a descida das grandes cachoeiras. Eu e outra parte do grupo achávamos totalmente desnecessário carregar um material pesado para esse tipo de travessia selvagem, ainda sabendo que a possibilidade de pegarmos lugares intransponíveis seria praticamente nenhum, mas uma outra parte do grupo achou que seria viável e muito bem vindo para um treinamento específico, então parte da equipe acabou por carregar esse peso extra. Pois bem, ao nos depararmos com essa cachoeira, parte do grupo se preparou para montar as cordas e a outra parte se enfiou no vara-mato e ficou combinado de todos nos encontrarmos no patamar mais abaixo, no pé da cachoeira. Como imaginávamos, a passagem pela floresta, perdendo altura, foi rápida e tranquila, mesmo a gente tendo que nos pendurarmos numa parede coberta por vegetação solta e depois tendo que descer escorregando por outro barranco até ganharmos o leito do rio.Descemos e ficamos apreciar a galera fazer um bonito rapel ao lado da queda e quando todos estavam unidos novamente, partimos novamente por dentro do rio.
       
                
               (Primeira Grande queda do Itinguçu)
                Por dentro da corredeira o avanço é lento, mas muito prazeroso já que o calor estava de matar. O rio vai perdendo altura até que se joga novamente num abismo em forma de garganta e novamente o Vinícius, o Alexandre, o Gersinho e o Natan abrem mão do equipo para o rapel, enquanto os outros já encontram uma passagem pelo lado direito entre as árvores e em poucos minutos estávamos todos na entrada da garganta de pedras pretas e que logo ganhou o nome de CACHOEIRA DO CÂNION DO ÉBANO. Mais uma vez a gente assistiu de camarote a galera se pendurar nas cordas e ir baixando vagarosamente até caírem no leito do rio. Apesar desse procedimento tomar um tempo , a gente não estava muito preocupado com isso não, já que chegamos a uma conclusão que poderíamos estar com um tempo de sobra e poderíamos nos dar ao luxo de curtir cada parada.
       
               
               (Cachoeira do Cânyons do Ébano)
                Enrolada a corda e guardado os equipamentos, a descida continuou, mas não deu nem tempo da corda escorrer a água e já foi novamente retirada da mochila para fazer a descida de mais uma cachoeira aonde um grande poço na sua base convidava todo mundo para outro mergulho. Mais uma vez parte do grupo se aventurou pela descida sem corda, na verdade, somente eu, o Troco e o Vagner atravessamos a correnteza à beira da queda para tentar descer. O Vagner desceu um barranco pulando de uns três metros, se valendo de um patamar mais abaixo, mas eu não tive confiança de ariscar o salto porque se o tal patamar escondido na vegetação não parasse meu corpo, com certeza eu iria despencar no vazio e achei melhor tomar outro rumo. O Trovo passou pendurado numa rampa igualmente perigosa e foi se junta ao Vagner na base do poço. Retornei para junto do resto da galera e quando estava tentando procurar uma passagem mais segura pela direita, os caras me convenceram a descer pela corda. Nunca tive problemas com rapéis à beira de cachoeiras, pelo contrário, o fato de eu ter passado anos da minha vida me dedicando a descida de dezenas de quedas, fez com que esse tipo de atividade perdesse a graça e se tornasse uma coisa comum, mas confesso que até foi interessante me jogar novamente corda à baixo e deixar meu corpo cair dentro daquele poço incrível e sair nadando até sua margem.

      Quando todo mundo se juntou ao pé da cachoeira, partimos novamente, agora nos enfiando em mais um vale estreito e cada um vai desescalando como pode e logo mais a baixo, alguém chama atenção para uma cachoeira que despenca de afluente do lado direito do rio e para lá nos dirigimos, escalando alguns pequenos matacões até nos depararmos com uma parede negra de onde uma água limpíssima despencava de num véu incrível e a coloração da rocha já fez alguém batiza-la de CACHOEIRA NEGRA.  Aproveitamos a parada para comer alguma coisa e para nos refrescarmos, mas foi uma parada rápida porque ainda sabíamos que teríamos que vencer mais uma grande queda até a hora de acamparmos
       
        (Cachoeira Negra)
                Outras pequenas quedas são cruzadas, alguns poços atravessados, barrancos desescalados até chegarmos às bordas da maior cachoeira da travessia. Não era uma cachoeira gigante, nos moldes das que estávamos acostumados a encontrar nessas expedições, muito porque já sabíamos que esse rio não seria um rio com desníveis abruptos e abismos colossais, mas era uma cachoeira muito cênica e os meninos que carregavam as cordas e vinham aprimorando suas técnicas, não perderam tempo e já instalaram o rapel do seu lado direito, enquanto o grupo sertanista, como o Trovo chamou em tom de brincadeira, se enfiou  mato à dento do lado direito e em poucos minutos já estavam apreciando a movimentação dos canyonistas, sentados confortavelmente sobre uma grande rocha e ali ficaram, comendo “pipoca com manteiga” e assistindo a ação bem sucedida do grupo radical e para marcar esse ponto importante dessa EXPEDIÇÃO SELVAGEM, vou me dar ao direito de batizar essa cachoeira e o nome acho que não poderia ser outro, uma homenagem a esse rio incrível , que nasce no meio do nada e vai crescendo, ganhando corpo até se transformar nessa espetacular CACHOEIRA DO ITINGUÇU.
       
         ( Cachoeira do Itinguçu)
                O dia quase que já havia findado e o sol já se preparava pra se deitar ao oeste e então decidimos que já era chegada a hora da gente achar um lugar para acampar. Conseguir localizar um lugar descente e que possa abrigar nove exploradores não é tarefa das mais fáceis quando se está imerso dentro de uma vale com paredes rochosas dos dois lados e é preciso achar algo antes de escurecer. Todos estão cansados e loucos para descansar o esqueleto porque foi um dia de aventuras intensas, mas a cada passo dado e sem encontrar nada, a preocupação vai aumentando e até a euforia vai diminuindo consideravelmente. Um afluente quase seco faz com que a gente opte por um desvio e foi aí que o batedor que ia à frente vislumbrou um patamar acima, quase plano, com árvores grossas e espaçadas e não tivemos mais dúvidas, jogamos nossas mochilas ao chão e demos por encerrado mais um dia de explorações.
       
        ( Segundo Camping)
                Cada qual foi cuidar de montar seu abrigo e quem for mais esperto vai conseguir ficar com as melhores árvores, uns se dão bem, outros como eu, são obrigados a dormir pendurados a um passo da ribanceira. Montada minha rede, instalado o meu toldo, me livro das roupas molhadas e vou cuidar da janta, porque apesar de ter sido um dia duro e intenso, me sinto muito bem disposto. A janta não vai ser um banquete porque optei em vir o mais leve possível e apenas cozinho um pouco de arroz, frito umas fatias de bacon, pico um pedaço de pimenta dedo de moça, abro uma lata de sardinha, jogo um queijo ralado no arroz, dissolvo um suco de laranja numa garrafa pet e isso é o bastante para deixar a minha alma alegre pelo resto da noite. Antes das oito  já me atiro para dentro da minha cama de mato, fecho o mosquiteiro e apago completamente. Acordo lá pelas cinco da manhã descansado e bem disposto e como ainda está escuro, fico envolto nos meus pensamentos e logo me lembro de que hoje acordei um ano mais velho e me sinto feliz de, aos 48 anos ainda estar ativo, podendo desfrutar de uma vida de aventuras.
       
                Lentamente vamos desmontando nosso acampamento e enquanto a água não ferve para preparar um café, resolvo instalar a capsula de registro das travessias selvagens, mas ao invés de uma capsula bem elaborada, desta vez apenas improvisei com uma garrafinha de suco de uva porque não queria me dar ao trabalho de carregar peso algum que não fosse o essencial para minha sobrevivência naquela expedição. A galera realmente acordou diferente nessa manhã de 12 de fevereiro, estavam parecendo mais leve, todo mundo mais animados, acho que já prevendo que seria um dia tranquilo, um dia dedicado ao divertimento e ao laser, já que a pior parte parecia ter ficado para trás.
       
           ( Capsula do tempo)
              
                 A nossa travessia é retomada voltando de novo ao rio, mas por ainda ser muito sedo, vamos evitando entrar na água, só que o esforço de ficar quebrando mato no peito já faz com que parte do grupo proteste com os batedores que logo são obrigados a tomarem outro rumo e voltarem  para o rio, fazendo com que o grupo seja obrigado a se pendurar num barranco alto, tendo que se jogar encima de um arbusto e fazer uma queda controlada até mais abaixo. O dia já começa quente e o melhor caminho é mesmo por dentro da água, deslizando entre suas correntezas, saltando nas suas piscinas naturais.
       
               O rio vai sendo cruzado de um lado para o outro, grandes pedras são escaladas ou apenas desescaladas. Quando os obstáculos parecerem intransponíveis  é hora de avançar pelo mato e quando era preciso, um pedaço de corda era jogado e nele nos pendurávamos como dava e descíamos de volta para o rio. Algumas ilhas vão surgindo no nosso caminho, fazendo com que o rio se divida em vários, mas logo voltava a virar um só quando os rios se juntavam mais abaixo. Quando apareciam aqueles poços incríveis era hora de parar e desfrutar das suas águas incrivelmente cristalinas, era hora de se jogar, era a hora do divertimento, do lazer. Os mais eufóricos se jogavam de cima de grandes pedras em saltos espetaculares, outros só faziam passar vergonha com seus saltos pífios.

       
                Pelo caminho uma infinidade de pequenas cachoeirinhas é transposta, vales, corredeiras vão ficando para trás e antes do meio dia, como havíamos previsto, chegamos a um grande poço de onde uma CACHOEIRA    se espalhava de um lado a outro do rio, formando um grande tobogã natural, hora de jogar as mochilas ao chão para um descanso mais demorado e comer algo porque o lugar é mesmo especial. Aquele lugar era mesmo incrível, de uma transparência única. Sentei-me sobre uma grande rocha para poder me aquecer um pouco, já que eu mesmo havia me atirado de cabeça naquele grande poço. Fiquei ali parado, inerte, assistindo parte do grupo despencar cachoeira abaixo, escorregando na grande rampa. Estávamos ali, imersos em um lugar onde, muito provavelmente, nunca ninguém esteve antes e aqueles homens, alguns com a metade da minha idade, mais pareciam crianças descendo no escorregador do parquinho, felizes da vida e imersos num mundo só deles, sem se preocuparem com coisa nenhuma, apenas a desfrutar de uma vida simples e de desapego. A galera parecia não querer ir mais embora, mas depois de descerem de trenzinho mais uma vez, tomaram ciência de que aquela expedição teria que terminar ainda hoje e para guardar uma boa lembrança daquele lugar, nos reunimos para uma foto histórica no coração selvagem da Serra do Mar Paulista, como a fazer um brinde pela vida e pela oportunidade de estarmos mais uma vez juntos em mais uma travessia memorável.

       
                Depois da cachoeira do grande escorregador, pegamos uma sequencia onde o rio afunilavam nos obrigando a descermos por dentro das corredeiras e sempre tendo que cuidar para não sermos levados ao desescalarmos por dentro da água e assim foi o ritmo por mais de uma hora até tropeçarmos em outro grande poço com uma pequena cachoeirinha que despencava num refluxo de águas azuis, onde mais uma vez fizemos uma parada para recreação, regados a muitos pulos e mergulhos. Na sequencia ainda passamos por incontáveis outros poços aonde nos jogávamos de cima das pedras e nadávamos para o outro lado, sempre nos divertindo muito até que chegamos a uma grande rampa d’água, uma cachoeira inclinada, que desaguava em outro poço fenomenal e ali paramos para mais uma descanso, para apreciar uns petiscos e esperar que a galera das cordas se divertisse tentando descer mais esse corpo d’água. Verdade mesmo que somente o Vinícius e o Natan acabaram por se envolver nesse rapel, porque o Alexandre e o Gersinho preferiram ficar à beira do poço degustando uma calabresa com limão e depois tiveram que ouvir poucas e boas porque o Vinícius teria quase se lascado na torrente de água e eles não estavam lá pra ajudar, mas não demorou muito e logo as coisas se acertaram.


       
                Lá pelas 14 horas começou a chover e estávamos sempre atentos para não sermos pegos por alguma possível cabeça d’água. A chuva veio, mas o tempo continuava quente e agradável e o rio continuava com a mesma transparência de sempre. A travessia continuava muito animada e tranquila e o terreno só se complicou um pouco quando chegamos a um grande desnível de onde despencava uma pequena cachoeira em um afluente do lado esquerdo do rio. Descemos por um desnível considerável e logo nos jogamos de cima de mais uma cachoeirinha e passado esse trecho enfrentamos uma sequencia de corredeiras mais violentas onde íamos nos jogando por dentro delas e deixando a força da água nos adiantar o caminho.
       
                No nosso localizador por satélite observamos logo que o final da travessia não estava muito longe, mas ao transpor mais um imenso poço de águas cristalinas nos deparamos com um amontoado de rochas e alguns que esperavam moleza no final, fizeram uma cara de desanimo.  Foi aí que demos um pulo certeiro. Ao tentarmos varar mato pela esquerda nos deparamos surpreendentemente com uma trilha larga, aberta e bem consolidada. A trilha corria perpendicular ao rio e logo achei que ela poderia se perder em alguma localidade rural, mas o Rafael insistiu que deveríamos ir por ela, já que ele mesmo era exímio conhecedor ali daquela região. Seguimos então por ela e logo passamos por um afluente, onde o atravessamos e subimos o barranco do outro lado e em mais uns 10 minutos tropeçamos numa bifurcação e o Rafael reconheceu o lugar e nos indicou que deveríamos pegar para a direita que logo chegaríamos à Cachoeira do Paraíso.
       
                Bastou alguns minutos mais de caminhada e já avistamos a placa que indicava que deveríamos virar à direita e ao fazermos isso, já demos de cara com a cachoeira e seu grande poço de águas esverdeadas. Já fazia maios de 20 anos que eu não botava meus pés nessa CACHOEIRA DO PARAÍSO e sinceramente, nem me lembrava de que o poço era tão grandioso. Quando adentramos naquele lugar, que estava lotado de turistas, fomos recebidos com um enorme espanto pela multidão que se aglomerava naquela grande atração . Não sei o que houve naquela tarde de segunda-feira feira de carnaval porque surpreendentemente nosso grupo pareceu estar tão extasiado com o final daquela travessia que ninguém disse nada e como um zumbi, um a um foi caindo no poço e nadando para o patamar aos pés da cachoeira. Pior ainda foi a cara dos guarda-vidas do Parque Estadual, que só nos olhavam sem entender o que estava acontecendo. Quando todo o grupo se juntou, fomos tomados por uma sensação inigualável de sucesso, de dever cumprido. Havíamos proposto realizar uma travessia inédita, desbravar um grande rio a partir da sua nascente e agora estávamos todos ali, havíamos cumprido o planejado. Estávamos eufóricos, extasiados, inebriados pela conquista, nos abraçamos e celebramos o sucesso da empreitada.
       
         ( Cachoeira do Paraíso)
               Depois daquela cena memorável, varias pessoas ficaram nos perguntando o que estava acontecendo e de onde vínhamos com aqueles trajes de astronautas. Desconversamos, muito porque já percebemos que os salva-vidas ganharam a nossa movimentação e avisaram a portaria  pelo rádio que algo estranho estava acontecendo. Juntamos-nos para uma ultima foto do grupo enfrente a cachoeira, apanhamos nossas mochilas e saímos vazados de lá.
       
                Bom, agora havia chegado a hora de enfrentarmos a fiscalização do Parque Estadual do Itinguçu, parque esse que foi meio que desmembrado da reserva Ecológica da Jureia, justamente para poder permitir que o cidadão pudesse frequentá-lo, mas que jamais entenderiam se falássemos que vínhamos da nascente do rio, três dias atrás, mesmo assim teríamos que enfrentar esse problema. Quando o grupo chegou à portaria não demorou muito para um dos controladores de acesso encurralar o Natan na parede. Perguntou que horas havíamos entrado, se estávamos nos aventurando mais acima da cachoeira do Paraíso e o Natan já deu um “migué” dizendo que havíamos chegado bem cedo e já foi picando a mula sem dar maiores satisfações e assim foi seguido pelo resto do grupo, que mal olhou na cara dos guardinhas e  ganhamos rapidamente a rua e sem nem olhar para trás, continuamos caminhado até  sair das vistas de quem quer que seja.
       
                Ficamos sabendo que o único ônibus que poderia nos levar de volta à civilização só partiria depois das oito da noite, então resolvemos caminhar uns 3 ou 4 km até uma bifurcação de onde tentaríamos outro ônibus ou uma carona para nos levar até Peruíbe, mas quando lá chegamos, descobrimos que talvez não houvesse ônibus algum, já que o rio que corta a estrada estava cheio. Mesmo chovendo, não Havia alternativa, senão tentarmos chegar ao vilarejo do Guaraú caminhando por umas três horas ou mais. Sem termos o que fazer, lá fomos nós, um pé à frente do outro até que logo à frente nos deparamos com a cheia do rio que inundou uns 200 metros de estrada e chegamos bem a tempo de presenciarmos um caiçara que incorporou a mãe d’água e foi morar com sua motoca no fundo da inundação. Depois desse trecho passamos por um camping e por sorte, uma conhecida do Potenza estava por lá “excursionando” e não demorou nadinha para o menino passar um óleo de peroba na cara e ir lá descolar uma carona numa Van, mediante a um pagamento simbólico.
       
                O veículo nos deixou numa pracinha do Guaraú, que fica bem ao pé do morro de mesmo nome e o que nos restava agora era termos paciência até que o ônibus que partiria para Peruíbe chegasse. A chuva não dava trégua e mesmo assim a festa de carnaval corria solta no vilarejo, onde um trio elétrico fazia a alegria da multidão de foliões que, possivelmente com a cara cheio de pinga, não estavam nem aí com a “molhasseira” dos infernos. A noite já ia caindo e nada do tal ônibus chegar. Estávamos todos molhados e com frio e ficamos ali, numa marquise de uma lanchonete, assistindo ao show de horrores dos “cú de pinga” dançando carnaval e quando um dos nossos (Alexandre), depois de tomar uma latinha de cerveja, resolveu descer na boquinha da garrafa, decidimos que era hora de fazermos algo pela gente e que nos tirasse daquele antro de perdição.
       
                Quando uma Kombi encostou enfrente a lanchonete do outro lado da avenida, vislumbramos a possibilidade de conseguirmos um transporte para Peruíbe e para isso destacamos para essa missão, nosso enviado especial para assuntos logístico, o xavecador mor, VGN Vagner e esse foi o  maior erro que cometemos nessa expedição. O Vagner voltou dizendo que havia conseguido um carreto para Peruíbe por meros “cinco conto”, mas que o nosso motorista parecia estar um pouco alterado. Quando lá chegamos com nossas cargueiras, nos deparamos com uma Kombi toda zuada, sem bancos e com um “rippie maconheiro” , com o rabo cheio de fumo. Bom, é aquele negócio, já que está no inferno abraça logo o capeta, mas essa frase talvez não fosse muito adequada para o que ia se seguir.
       
                A chuva havia aumentado ainda mais e rapidamente nos jogamos com mochila e tudo para dentro da Kombosa e cada um se ajeitou como pode e como deu. O motorista e seu ajudante ainda tiveram tempo de dar um sorriso amarelo, quando viram nove homens e suas cargueiras adentrarem no veículo. Deu a partida no bagulho e logo que se livrou dos foliões que desfilavam atrás de nós, ganhou a estradinha escura que leva ao alto do Morro do Guaraú. O barulho era ensurdecedor, parecia que o carburador iria explodir a qualquer momento, mas mesmo assim estávamos contentes porque finalmente parecia que sairíamos daquela travessia, porque já tinha gente comparando aquela expedição com a Caverna do dragão.
                O rippie acelerou, esgoelou, a Kombi tremeu, balançou e foi subindo aos trancos e barrancos e nós tentávamos ajudar com a força do pensamento, mas quando faltava menos de 1 km para chegar ao alto da serra, o trambolho morreu de vez e ficou atravessada na diagonal, no meio da pista e não houve nada que o rip pudesse fazer para que ela voltasse a pegar, inclusive nem o freio ele conseguia acionar direito, fazendo com que a gente quase caísse na ribanceira. Ficamos todos ali, sem saber o que fazer e só esperando a hora que um carro viria para estraçalhar a Kombi com a gente dentro e a cada freada dos veículos na escuridão, nossos corações pareciam que saltaria pela boca. Ninguém disse uma palavra, eu olhava para os caras e só via  olhos arregalados e o safado do rippie também não dizia coisa com coisa e quando alguém resolveu tomar uma atitude dizendo que iria sair para sinalizar e abriu a porta da perua, uma avalanche de mochilas e caras cagados, se jogaram para fora da Kombi naquela noite escura e chuvosa e essa foi a ultima vez que ouvimos falar do o tal rippie porque não quisemos nem saber o que houve com  ele e com aquele veículo do satanás.
       
                Tendo nos livrado do rippie para salvar nossas vidas, caminhamos até o alto da serrinha e lá nos amontoamos embaixo de um ponto de ônibus mequetrefe e esperamos até que um ônibus nos apanhasse e evitasse que morrêssemos de frio e nos levasse direto para a rodoviária de Peruíbe e chegando lá, embarcamos imediatamente para Itariri. Já passava das dez da noite e ali na minúscula cidade, nos despedimos da galera paulistana, que conseguiram um taxi para poder resgatar o carro na fazenda de bananas, enquanto eu, o Alexandre, o Vinícius e o Gersinho resolvemos dormir num hotelzinho e voltar para casa somente na terça feira, já que não queríamos dirigir a noite por quase 300 km até a região de Campinas.
                
                E essa foi mais uma EXPEDIÇÃO, até então inédita na Serra do Mar Paulista, uma aventura que marca mais um pioneirismo em um dos mais exuberantes lugares do mundo, uma travessia de descobrimento, encantamento, regada a amizade, companheirismo e determinação, uma aventura em busca de conhecimento, de aprendizado, mas antes de tudo, um brinde a vida e ao desapego porque a simplicidade sempre nos bastou. Fomos em busca do novo, do diferente, de um mundo selvagem, nos embrenhamos na selva para escaparmos das mesmices de sempre e voltamos de lá extasiados pela descoberta, porque em matéria de AVENTURA, essa SERRA nunca decepciona .

       
                                                                             Divanei Goes de Paula - Fevereiro/2018
       
               
               
       


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