Olá viajante!
Bora viajar?
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Bom dia, pessoal
Vou deixar aqui a travessia que fiz nesse último final de semana pela ponta da Joatinga até Laranjeiras. De inicio, um amigo iria comigo mas, na Sexta mesmo acabou desistindo. Eu não iria deixar para lá, já havia pesquisado vários infos do local e peguei várias dicas do tópico do Valdinei, que podem acreditar, está minuciosamente detalhado sem erros e com ele, ficou fácil as localizações a-travessia-da-ponta-da-joatinga-t33398.html. Decidi que iria mesmo que sozinha. No final do dia, um conhecido decidiu se aventurar e também ir, creio que ele se arrependeu muito depois, conforme eu vou mencionar mais para a frente no relato. Final da tarde, e nada de passagens para Parati, resolvi que iria diretamente na Rodoviária do Tiete e ver o que poderia ser feito. Assim que o Roberto chegou, compramos as passagens para Ubatuba e tentariamos fazer outras baldiações, pois para Parati só as 15:00hs do Sábado. Pegamos o bus das 22:00hs e chegamos em Ubatuba por volta de 02:40hs e esperamos na rodoviária o primeiro bus para a divisa entre Ubatuba e Parati (Picinguara Divisa) ele passou 4:40hs e nos deixou na divisa (cachoeira da escada) as 5:40hs. As 6:00hs o ônibus para Parati chegava e avistavamos um amanhcer que parecia promissor, embora a previsão do tempo tenha desanimado. Chegamos em Parati as 7:20hs e agora era procurar quem nos levasse para a Praia do Engenho. Falamos com 3 barqueiros e todos cobraram na faixa de 150,00 a 200,00 e a gente não tinha grana para isso não. Logo, um grupo que iria para o Pouso do Cajaiba apareceu e aproveitamos para dividir a despesa embora não fosse caminho. Tudo acertado, partimos para a praia do Engenho onde o barqueiro não conhecia muito bem, porém, chegou direitinho (barco Passione 24 9256-3058).
Chegamos na praia do Engenho as 9:24hs e começamos a subida, owww subidinha miserável viu, ingreme demais e eu sou muito fraca para subidas, canso fácil. Passamos pela ponta do Cajaíba e sempre com o receio de ter pego algum desvio mas, as 11:40hs avistamos a Praia Grande. Maravilhosa, areia grossa e vermelha mas, as ondas estavam muito fortes, a beleza da praia é sem igual. Não havia ninguém, toda aquela extensão de areia só para nós, muito bacana mesmo. Almoçamos, furamos dois cocos que estavam de bobeira por ali e seguimos para a trilha no final da praia. A próxima praia seria a Praia de Itaoca, onde têm pedras enormes na areia, muito amistosa e também vazia. Seguimos para a próxima, Calheus. Essa não gostei não, há vila de pescadores é mais intensa e esgoto segue para o Mar, muitos barcos na praia e não curti muito não. Seguimos em direção a Praia de Ipanema, passamos por algumas bicas e uma cachoeira, como a água estava convidativa, entrei para um mergulho rápido em seguida, começou uma garozinha gostosa, fina e que não atrapalhou em nada, o dia continuava claro, embora já fosse mais de 16:00hs. Seguimos para a Praia do Pouso, no caminho, encontramos uma entrada para a esquerda e decidimos ver onde daria. No final, há uma gruta com espaço suficiente para 3 barracas e ainda dá para bivakar fácil, a Rocha impede a chuva e é um ótimo abrigo. Decidimos dormir por ali mesmo. Depois de montadas as barracas, apaguei totalmente e só acordei no dia seguinte as 6:00hs. Partimos em seguida para o Pouso assim que arrumamos todas as coisas. Subimos a encosta e de volta a trilha, mais 5 min estavamos na praia, estavamos economizando grana então, não queriamos pagar camping, e naquela praia acredito que só pagando. Nessa praia, cheguei primeiro e tive qe esperar o Roberto que já dava sinais que estava desistindo, ritmo mais lento e tal. Após sua chegada, partimos em direção a Praia de Martim de Sá... Com uma hora de subida, você chega ao topo da montanha e consegue tirar fotos bem bacanas, essa trilha foi a mais gostosa dentre todas do percurso, parece um bosque e o clima é super agradavel. Mais alguns minutos, eis que surge a praia Martim de Sá, particularmente, a Praia mais linda do percurso na minha opinião. Bom, o Roberto ainda estava bem atras então, decidi tomar um café local com Broa de milho, fresquinha acabada de sair do forno
. Hummm, uma delicia. Acabei de tomar o café, eis que surge o Roberto dizendo que queria ir em um ritmo mais lento e queria "socializar" com os nativos, resumindo, estava desistindo mesmo
. Eu não iria desistir aqui, mergulhei na praia por alguns minutos e estava muito bom, águas calmas e com extensão de areia no mar, bom pra mim que não sei nadar. Estava muito bom, queria ficar mais porém, a travessia tinha que ser concluida. Me despedi do Roberto e parti sozinha para continuar a travessia.
Agora seguindo meu ritmo, passei pelo saco das Anchovas e confesso que deu vontade de ficar por ali um bom tempo, lugar lindo demais. Mal sabia o perrengue que iria passar em seguida
. Segui a trilha seguindo as infos mas, havia uma bifurcação e acabei pegando subindo na trilha mais batida, acabou que não era essa mas, só fui descobrir bem depois. O povo da praia de Martim, disse que haviam Duas árvores gigantes caidas no caminho e que dificultava o acesso a trilha que ficou escondida, eu descobri como uma informação a mais confunde a cabeça da gente. Segui a trilha, subi, subi e subi até que entrei em um caminho que a trilha simplesmente sumiu. Continuei e logo avistei um caminho em mata mais fechada e comecei a ficar na dúvida se estava certo. Subi mais e passei por uma gruta com estrutura para abrigar caçadores, havia até panela de pressão, bica de água improvisada com canos e mesa de madeira feita com galhos. Bom, ao lado havia uma subida ingreme, decidi subir e ver o que tinha por lá e se era o caminho, a trilha estava bem batida até aparecer a primeira árvore tombada. Olhei, circulei e consegui passar, a trilha estava mais para baixo o que já me deixou mais receosa ainda, por que estava ainda mais fechada, porém, pisada. Segui, logo uma outra árvore ainda maior, consegui cruzar e não encontrava a trilha de jeito nenhum, decidi subir e ver se ela aparecia e nada, desci e também nada... Putz, me perdi!... E eu ainda estava sem telefone, era pedir para acontecer M**** né? Decidi voltar para não ter que ficar perdida por ali, achei o caminho e decidi que iria até a praia de Martin e pegaria um barco até a próxima praia, eu é que não iria querer me perder naquela mata sozinha e sem telefone. Mais a idéia de voltar me entristecia, sem contar o tempo que perdi nesse vai e volta. Bom, quando fui descendo a trilha levei um tremendo susto que de branca eu devo ter ficado amarela, ouvi um barulho na mata e não era os muitos Lagartos que fogem do nada na trilha e sim um barulho mais alto como de pego de surpresa. Parei, olhei, tentei localizar e não vi nada, ai que veio o barulho mais trash ainda, como um respirar arfado alto, meio pausado... Nossa, ai eu pirei, só faltava ser uma Onça, ou uma Jaguatirica, ou até uma Jaguatironça... Peguei o maior galho que vi e saquei a faca que já estava no meu bolso desde o inicio da trilha e apertei o passo. Sempre olhando para tras, seja o que for, ficou onde estava.
Mais adiante, avistei aquela bifurcação que havia visto no inicio e achei ser a errada, bom, decidi ir ver e em algum lugar aquela trilha iria dar. E não é que depois de 1 hora de caminhada eu descobri que essa sim era a trilha certa??.. Eu estava exausta, toda arranhada e com aquela sensação de ter falhado ao ter perdido tanto tempo. Enfim, só não iria desistir. E fui em ritmo mais lento sentido Praia de Cairuçu, passei pela praia e segui sentido Ponta Negra, como eu já não tinha mais relógio (usavamos o celular do Roberto para saber os horários), eu não sabia se estava perto de anoitecer ou não, sei que perguntei na primeira casa que vi sentido Cairuçu e já eram 16:30hs. Continuei, enchia o cantil sempre que passava por água e caminhei, as pernas doiam e estava com fome, so estava com aquele café da manhã e algumas bolachas no estômago. Fui seguindo devagar, ai eu vi que iria escurecer mesmo e decidi encontrar um local para acampar, a idéia inicial era chegar até a Gruta Toca da Onça que o Divanei mencionou no relato dele mas, como eu passei por várias bifurcações, ainda tinha dúvidas se estava mesmo no caminho certo, depois de ter errado, fiquei com um P*** receio de errar novamente e perder mais tempo e energias. Encontrei outra bifurcação e enfim, decidi descansar as pernas e na manhã seguinte seguir a trilha. Montei a barraca no espaço que tinha e como deu para ser montada, foi uma noite muito mal dormida. Cochilava e acordava a todo momento e meu dedão do pé direito doia muito, tomei um Dorflex e melhorou um pouco, já estava sem água e amanhã eu precisava achar água urgentemente.
Quando começou a clarear, levantei e arrumei tudo. Segui pela trilha confiante de que estava certa, e realmente estava. Percebi isso quando passei por uma bica de agua e finalmente bebi e bebi muita água
. Em seguida, eis que surge a gruta... No estado que eu estava ontem, maiiii nunca que eu iria conseguir chegar ali antes de anoitecer, foi uma boa parar lá atras mesmo. Visto que estava na trilha certa, a confiança foi redobrada aumentei o ritmo. Agora era a descida sentido a Praia de Ponta Negra, uma descida interminavel, quem faz a trilha ao inverso deve sofrer pacas com a subida, sério, parecia que não iria acabar nunca aquela descida. E desce, desce e desce mais... Cheguei em Ponta Negra as 9:13hs e não curti essa praia não, haviam redes em toda a praia, na certa, os pescadores estavam se preparado para sair. Foi aqui que eu vi um monte de criança, correndo para lá e pra cá. Decidi seguir para Galhetas, 15 minutos estava em Galhetas, uma praia cheia de pedras mas, como o dia estava lindo demais, consegui tirar fotos ótimas sem contar um monte de Gaivotas que estavam sobrevoando as pedras.
Segui até o final e peguei uma encosta não muito ingreme e em alguns minutos estava na Praia da Antiguinhos, mais alguns minutos voltando na trilha, estava na praia de Antigos. Mais uma vez, estava só na praia... Tudo aquilo só pra mim, a praia é lindissima... Águas calmas e uma vista de cair o queixo. Fiquei um tempo por lá curtindo, dai pensei que ficar sozinha por ali poderia nao ser uma boa caso aparecesse alguém, então, decidi seguir. Sobe mais uma vez, depois de uns 30 minutos, no topo do morro eu conseguia ver a praia do sono em toda sua extensão. A descida é complicadinha, escorrega mas, consegui chegar na praia do sono sem dificuldades. Caminhei pela praia, sentei e olhei o mar por um tempo mas, sinceramente, não foi uma praia que curti não. Já havia sido convidada para ir para o Sono anteriormente e nunca dava para eu ir, finalmente, consegui o Sono e não achei grande coisa. Prefiro a Praia dos Antigos, com certeza ali do ladinho. Meu pé doia, minhas costas reclamavam e eu ainda tinha que subir o último morro para ir para Laranjeiras. Não sei que horas era nesse momento mas, cheguei no ponto de ônibus as 14:10hs. Em meio a olhares estranhos pra mim, afinal, estava um caco e toda arranhada, suja e etc... Tentei dar um jeitinho mas, banho é banho né rss. Desci em Parati e fui direto ao banco, estava com pouca grana e não sabia se a rodoviária aceitaria cartão. Quando cheguei a má noticia, bus para São Paulo só as 23:10hs... Nossa, não era nem 16:00hs ainda... Resolvi esperar para ver se haveria alguma desistência no bus das 16:40hs e não tive sorte. O jeito então foi trocar a passagem para Taubaté no bus das 17:00hs e de Taubaté eu peguei o bus para São Paulo. Foi uma correria mas, consegui chegar em casa antes das 02:00hs da manhã. Nem preciso dizer que dormi um bocado nos ônibus, e minhas costas me matavam... Ahhh saudade dos meus 20 anos, meu corpo recuperava-se muito mais depressa rssss.
Bom, essa foi a travessia da Ponta da Joatinga, e foi excelente... Assim que possivel, vou postar algumas fotos aqui... Prometo!!
Dias da travessia: 17/12 (noite) a 20/12.
Trajeto: Cais de Parati; Praia do Engenho; Ponta da Cajaiba; Praia Grande; Itaóca; Calheus; Ipanema; Praia do Pouso; Martim de Sá; Cairuçu; Ponta Negra; Galhetas; Antiguinhos; Antigos; Sono; Laranjeiras.
Editado por Visitante