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D FABIANO

Carretera Austral:Sonho realizado em 2019

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Em Janeiro de 2019 realizei um sonho de mais de uma década.Percorrer toda a Carreteira Austral,mas gostaria no maior estilo aventureiro. Parando de povoado em povoado, sentindo muito frio,conhecendo muitos europeus que vivem na região, pois foi desbravada por eles. 

Como demorei muito e adoeci fui agora antes que terminem o asfaltamento e construam hidrelétricas, o que vai tornar uma região comum do mundo.Mas,ainda existia aventuras como mostrarei no relato abaixo,de uma viagem feita em cerca de 40 dias,com muitas paradas.

20190206_143211.jpg

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Ilha Grande de Chiloé-Início 

Sai de Santiago nas férias de janeiro,antes das "oficiais" do país que são a partir de 20 de janeiro,sendo que a ditadura fascista de Pinochet,inspirador dos coxinhas,acabou com os direitos trabalhistas no país que hoje tem apenas 4 feriados obrigatórios,quando tudo,mas tudo mesmo,fecha e mais 15 dias hábeis durante o ano,normalmente no período de 20.01 a 10,02,separados pelas empresas que tudo podem aqui e os trabalhadores só podem dizer SIM ou SIM,SENHOR!

Porém,como fui antes e a Carretera é longe,não encontrei muita gente(era a intenção) e comecei pela ilha da magia.Chiloé tem ligação por ferry a Chaitén desde sua ponta,cidadezinha sem graça mesmo no verão chamada Quellon.Na véspera fui a capital,Castro,"despedir-me"da civilização,pois a partir desse ponto saberia que entraria em um caminho praticamente sem nada,excetuando-se a capital da XI Region o Region de Aisén.

A passagem do ferry pode-se comprar pela net,mas é totalmente desnecessário em baixa temporada,pois o ferry leva mais de 1000 pessoas, é um navio parecido com o ferry Salvador-Itaparica,só que ainda maior.

Naviera austral Jacaf.jpg

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O começo da carretera norte -Chaitén

A carretera começa antes em Puerto Montt está o km 0,logo após o shopping.Fiz esse trajeto em2014,ao lago Tagua Tagua.É muito bonito e tem um por do sol maravilhoso ,que encantou a minha Lulu na época,porém logo o caminho termina e vem travessia de balsa.Demora e só anda 50 km e mais uma balsa.Totalizam 3,há um ônibus que faz a linha e demora 8h de tanto navegar.Para se ter uma ideia,esse ultimo trecho que não conheço entre Caleta Puelche e Hornopirén demora mais de 3h de navegação.Por isso,resolvi tomar o ferri Quellon-Chaiten quefaz vai e volta com as condições do mar,e costuma atrasar,mas é melhor.Neste dia atrasou 2h,ficamos eu e uns 20 europeus que falavam línguas terríveis esperando em uma sala da Naviera Austral.Chegou o ferry,imediatamente houve o desembarque ,limpeza e,o que mais demora,o embarque de todos os caminhões.Saimos já eram umas 21.30h,começava a anoitecer.A travessia dura3h,então lá por 1.30h chegamos.Há que esperar os caminhões saírem outra vez,eles tem prioridade,pois o serviço é para eles e aí sim,pude pisar na vila arrasada pelo vulcão Chaiten em 2009.

Era madrugada,o dono da pousada em que fiquei disse para eu pegar um ônibus dos funcionários do ferry que faria o trajeto,pois o porto fica afastado do centrinho,e chegando ao escritório da naviera,perguntar aonde ficava o endereço.Pensava em fazer isso,mas para a minha surpresa,ele resolveu ir esperar no porto.Que bom!Cheguei mais cedo,como sempre digo,falar español fluente é fundamental nessas horas.Ficamos conversando,eu,ele e sua senhora,até umas 4h da manhã.

No outro dia,o sol não apareceu ficando o tempo nublado.Na véspera tinha descoberto que há 2 passeios na vila,um ao vulcão,que é subida por um caminho pesado,o outro ir ao Parque Pulmalin,uma reserva natural,que deve ser muito bonito com o temo bom.Os dois são realizados pelo Nico,um suíço que vive em Chile há anos e fala alemão,por isso os clientes dele são sobretudos europeus.O Nico veio na hora marcada e fui com ele e um monte de europeu ao parque descobrir sua beleza.Só havia uma francesa que falava espanhol,passei a tarde com ela.

A noite saímos para jantar,na cidadezinha tud sem graça,mal conseguimos um lugar aberto para jantar.No outro dia,fez sol,onibus até la Junta,próxima parada,sai as tardes,então pela manhã fui caminhando ver o porto aonde cheguei e tentar avistar golfinhos que o Nico disse aparecerem por ali,acabou não vendo nenhum.As 3h,após o almoço fui a parada do ônibus que era a hora de despedir-me de Chaiten e seguir.

Praia de Chaitén.jpg

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La Junta

A vila deve ter uns 3000 habitantes,pensava ter mais, porém tem toda infraestrutura para visitar os arredores como o lago Rosselot,para quem tem intenção de pescar ou fazer caminhada em seus arredores. Para mim que tinha interesse apenas em conhecer, não há táxis, nem agência, nada.Tive que ir a parada do micro ônibus que era dia dele,buses Becker só vai 2 vezes por semana e volta também 2 vezes,e seguir.

Até aqui encontrei uma estrada perfeita e nova.Mas chegando a cidade,começam trechos em asfaltamento, para no próximo tramo de La Junta até o Parque Quelat tornar-se totalmente rupir,ao de estava conservada a natureza.

20190123_125045.jpg

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Puyuhuapy

Aqui é perto de La Junta,um povoado de 1000 pessoas, mas com atrações turísticas. Na própria vila há as termas de Puyuhuapy,cruza-se o lago com um barquinho,muito frequentadas por europeus de 3 idade e esse lago formado pelo braço do Rio de mesmo nome.

Antes de chegar a cidade há o lago Risopatron,paraíso de pesca de trutas arco íris.Porém o mais visitado é o parque Nacional Quelat há 20 km da vila com o Ventisquero Colgante (foto),trilhas para caminhadas que levam há vários moradores,fiz 2 são fáceis, áreas de acampamentos e muito frio.Os animais selvagens são abundantes e as flores de clima frio também. Para se ter uma ideia,fazia temperatura de 5 graus, imaginem no inverno,quando a neve cai.

Mirador 200m.jpg

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Coyhaique

São mais de 200 km entre o parque e a capital de Aisen,Coyhaique,começando a estrada em ripio até o cruzamento de Puerto Chacabuco,uma pequena cidade que servia de base a Navimag,mas não existe mais tal ferry,então não quis conhece-la.

A viagem para a capital de Aisen é muito ruim,sobretudo em um bus Velho e lotado. São as péssimas condições de transporte da Carreterra Austral. Passa se pela estrada que dá no aeroporto de Balmaceda,localizado a 50 km de Coyhaique, esse com locomoção mais fácil,recomendável para quem quer conhecer só o Sul,parte principal da estrada,que começa aqui.

Vou destacar o Lugar que fiquei.Como marxista,não cito o capitalismo seja lá de qual tamanho for,mas esse é especial. Cheguei as 23h de uma noite, sendo que a minha reserva estava para o outro dia.Motivo que não gosto de reservar nada,mas tinha certo a dificuldade de hospedagem na cidade, motivo que deixo esse alerta aqui.Em toda Carreterra é difícil hospedagem aqui e em Chaiten,devido ao péssimo transporte. Havia conversado pela net com uma pessoa que me deu o endereço e disse estar a me esperar no utro dia. Só que pensava que eu chegaria do Sul,onde o transporte é mais fácil, vim do Norte,em Becker,a pior empresa do país.A pequena casa estava lotada, a senhora esperava-me no outro dia.Que aconteceu? Fui embora? Não, me colocou no quarto da filha dela, o que não vou esquecer jamais. 

No outro dia sai a conhecer a cidade, tudo fecha para o almoço como na vizinha Argentina. Não sabia, mas a região foi colonizada por argentinos. Fui a museus nesse dia,sendo o principal o museu regional que conta a historia dos primeiros habitantes de Aisen que chegaram para criar ovelhas devido ao clima daqui.

No dia seguinte, descansei pela manhã, pois a tarde teria city tour.Feito em uma van que sai de uma praça,é interessante, mas o melhor estava para a noite. Sábado é dia de festa e,claro,no verão patagonico também. Lotada de europeus, gostei das louras presentes lá. 

Domingo, fui a outro lago, passeio muito bonito, porém o tempo nada ajudou e temperatura perto de 0,outra vez.Na segunda era hora de continuar, desta vez com outra empresa de micro ônibus, a buses San Carlos que me levaria a Cochrane, que conto no próximo post.A partirde Cerro Castillo a estrada era totalmente em ripio. 

Monumento al ovejero.jpg

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Cochrane

Pequena cidade de umas 5000 pessoas, mas com estrutura. Há tudo aqui, sendo o ponto de desenvolvimento mais ão Sul da Carreterra. A estrada é asfaltada até o ponto culminante da Patagonia,o Parque Nacional Cerro Castillo e depois segue em ripio,mas dizem que será toda asfaltada, hoje, não sei como está. 

Aqui se vê os campos de gelo Norte e um pedaço do Sul,o que atrai europeus. Chegando a cidade em um dia quente,devia ser uma tarde de 15 graus,peguei um táxi na rodoviária e pedi um hotel.O cara levou me a um lugar que não fico, quarto compartilhado, então fui a pé até a esquina e ali conheci a Sra Trulli, descendente de alemães, uma senhora separada do marido com os filhos casados que aluga quartos no verão. É uma hospedagem sensacional, só não tem café, mas a senhora faz cada passeio de tirar o fôlego pela região. Ali conheci a finlandesa que,falo dela,em outro relato,dessa vez sobre Andorra.

Como fica na Rua principal, praticamente em frente está o supermercado e,em cima,um bom restaurante. Caminhando mais um pouquinho chega se a praça,aonde está o banco e o câmbio. Aproveite aqui,pois não há mais no que há da Carreterra até Villa O Higgins.

A Sra Truly,esse é o nome dela,levou me um dia a conhecer um belíssimo glaciar, que está localizado a alguns km da cidade. Muito frio lá,chegando a cair chuva congelada, mas a região é gelada mesmo.Segundo a Sra,ela só vai lá no verão quando recebe os turistas, pois a partir de abril, as ruas ficam com 20 cm de neve.

20190129_143528.jpg

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Tortel

Cidade sobre passarelas, única no continente não sei no mundo.Ou seja, povoado longínquo e pouco conhecido, mesmo em Santiago, imaginem no Brasil,construindo em um penhasco, aonde há muitas escadas. 

A beira mar também é sobre passarelas, é uma entrada de baía,o que protege de ondas fortes. Passei 2 dias aqui,um dia maravilhoso,andei pelas passarelas, no outro,debaixo de chuva e com temperatura perto de zero, fui andar de barco pelo braço da baía,que dá no Campo de Hielo Norte,um lugar sensacional. Não há muito mais a fazer na vila de 3000 pessoas. Tinha que esperar a outra manhã, pois as 8h,é o único horário de micro ônibus para chegar antes das 10h na balsa a Villa O Higgins,conto no próximo post. 

 

Barcos tipicos de Tortel.jpg

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Villa O Higgins 

Lugar de difícil acesso aonde termina a Carreterra Austral após percorrer mais de 1000 km.De beleza sem igual, daqui é fácil ir ao Campo de Hielo  Sul,é só tomar um barco.

Hospedagem cara e difícil, lugar quase não tem habitantes, mas durante o verão enche de europeus que querem fazer caminhada e conhecer a vegetação abundante que cresce nas encostas de toda a Carreterra, sendo este seu último ponto.

Chegar é uma luta, como já citei acima,só há um horário de balsa para ir e outro para voltar,10h e 15h.Portanto, há de ver o horário na temporada, pois muda constantemente. Daqui Chile se divide pelo gelo acaba a região de Aisen e somente o que resta da era glacial até chegarmos a XII region ,a de Magallanes,inacessível por terra, a não ser pela Argentina. 

Glaciar Jorge Montt.jpg

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Também quero muito fazer esta viagem. Vou esperar a continuação. Como são os deslocamentos, quanto à dificuldade? E as distâncias entre um ponto e outro, são longas? Fizeste todo o percurso de 1240 km?

Roteiro pouco conhecido dos brasileiros, então você trouxe à luz nos dando opções para o futuro. Realmente uma viagem de sonho. Obrigado!

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