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  1. O título do tópico já diz tudo o que vocês precisam saber. É um vídeo antigo, pois eu fiz a viagem em 01/01/2017, mas só fui descobrir hoje que há um subfórum para vídeos no Mochileiros.com. Eu ouvi falar da Funicular de Paranapiacaba pela primeira vez em 2013, mas nunca tive a chance de ir com amigos. Na virada deste ano, peguei quatro dias seguidos de folga (uma bênção para quem trabalha numa loja) e percebi que, embora não fosse tempo o bastante para uma viagem longa de bicicleta (meu tipo favorito de viagem), seria a oportunidade ideal para conhecer a famosa e, supostamente, perigosa Funicular de Paranapiacaba. Decidi ir sozinho porque, de uns anos para cá, eu adquiri um gosto muito forte por viajar em paz. Eis o vídeo (recomendo que ativem as legendas para ler meus comentários cheios de sabedoria... SQN): Infelizmente, tanto o celular quanto a câmera estavam cheios/sem bateria na reta final da trilha, portanto, há um timeskip para o dia seguinte no final do vídeo, quando eu já havia caminhado todo o trajeto de Cubatão até Diadema através da Rodovia dos Imigrantes. A caminhada de 18 horas seguidas no 1º dia de subida foi uma das melhores experiências que eu tive (eu gosto muito de andar e a Serra do Mar tem algumas das paisagens mais fantásticas que tive o prazer de ver), mas as bolhas nos meus pés me atrasaram um pouco e eu manquei mais do que um cachorro perneta.
  2. Prezados, esse é resumo de quem seguiu os restos da antiga Funicular até chegar em Cubatão! Surgiu o convite em um grupo do whattsapp e como já estava na intenção de fazer essa trip em 2015 não pensei duas vezes. Não conhecia ninguém do grupo, mas algo me dizia que era só gente boa. Afinal quem não gosta de trilha ou é ruim da cabeça ou doente do pé! Nos encontramos na estação Brás da CPTM e pegamos o trem sentido a Rio Grande da Serra e lá um ônibus para Paranapiacaba! Nosso grupo era composto por 10 pessoas 3 mulheres e 7 homens, todos com muito entusiasmo e curiosidade aguçada para realizar essa trilha tão famosa! Essa trilha dá uma sensação de estar em um filme do Indiana Jones, tudo virou ruína e está tomado pela vegetação nativa da Serra do Mar. Duração: 26 horas aproximadamente (entramos sexta pela manhã e saímos sábado a tarde) Sentido: Cubatão Pontes que passei em pé: 02 - primeira e a segunda Pontes que passei agachado: 02 - terceira e quarta (A primeira ponte a transpor é uma das mais conservadas, ainda se tem um falsa sensação de segurança, mas tendencia é piorar conforme se aproxima do litoral. Eu não senti confiança em passar mais pontes, mas alguns mais corajosos no grupo preferiam transpor as pontes a tentar os desvios, as vezes por cima outras por baixo). A grande maioria está bem degrada e avançado estado de corrosão, uma hora ela vai desmanchar e pode ser na sua vez portanto não se arrisque! Fauna e flora: Avistamos muitas cobras, mas felizmente antes de pisarmos ou incomoda-las de alguma maneira. Aparentemente pelo pouco que conheço não eram peçonhentas, mas evitar o contato com esses animais é o mais correto a se fazer. Aranhas de vários tamanhos e cores bem no meio da trilha fique atento para não enroscar o rosto em uma teia grande! Em uma situação todos abaixaram para não destruir uma teia enorme no meio da trilha com uma aranha das grandes! Encontramos goiabas, limão bravo e abacate na trilha todos em perfeito estado para consumo, mas se você não tem conhecimento de alimentos silvestres não coma nada! Em 50% do trajeto a trilha é bem fechada com muitos galhos e espinhos, calça e camisa de manga comprida são os mais adequados. Repelente também é essencial! Clima: Fomos no outono portanto durante o dia o clima é agradável a mata é fechada e o sol não castiga tanto, mas boné ou bandana e protetor solar são importantes! Na Serra do mar é muito fácil o clima mudar repentinamente e chover a qualquer momento, felizmente não choveu, mas levar capa de chuva e manter sua troca de roupas seca são importantes! Pontos de água: Há vários pontos de água pelo caminho, mas já adentre a trilha abastecido, o clima úmido desidrata bastante, eu transpiro muito e acabo consumindo muita água. Pontos para pernoitar: Existem vários túneis durante o trajeto, perfeitos para pernoitar, atente a direção da corrente de ar para colocar a entrada da sua barraca. Fogueira: Fizemos uma fogueira dentro do túnel para pernoitar só verifique a direção da corrente de ar para posicionar a entrada das barracas para não entrar muita fumaça. Porque a fogueira? O fato de que ter uma fogueira acesa por perto lhe dará uma sensação de conforto e segurança, sempre após deixar o local verificar se o fogo está 100% apagado! O que levar para pernoitar: - Barraca - Saco de dormir - Isolante térmico - Lanterna (de mão ou de cabeça) - Cantil ou reservatório de água (Tipo Camelback) - Squeeze - Facão (Pelo menos duas pessoas com facão (não vá batendo o facão em todo o trajeto, apenas nas áreas em que o mato fechou muito, além de preservar o ambiente você não se desgasta tanto fisicamente) - Clorin (Pastilhas que purificam a água exitem vários pontos para pegar água no caminho, mas alguns são de origem duvidosa) - Fogareiro (Não precisa cada um levar seu fogareiro, combinem entre os amigos para dividir quem leva o que) - Panela pequena - Talher e utensílios de camping - Canivete - Caneca plastica ou de alumínio - Capa de chuva - Luvas podem ser importantes - Bandana ou boné (Na mata fechada ajuda a não ficar com um ninho de aranhas preso no cabelo ou um monte de formigas) - Repelente - Lenço umedecido - Papel higiênico - Fósforos - Alimento de preparo rápido: macarrão instantâneo/enlatados/frutas secas/barras de cerais/paio/café solúvel/sopas rápidas/pão etc. (lanche/almoço/lanche/jantar/desjejum/lanche) - Calça de tecido leve e secagem rápida/camiseta manga curta ou comprida/blusa de frio leve/uma muda de roupa/meias - Um mini kit primeiros socorros e remédios que você use - Não tem sinal de celular em grande parte do trajeto um HT é um item de segurança! - Óculos escuros (opcional) - Sacola plástica para o lixo - Barbante ou alguma cordinha fina e resistente de nylon Obs. Essa lista é apenas uma sugestão, você pode aperfeiçoa-la ou retirar itens que não considere essencial para sua trip de 24 horas! Cuidados: Não encontramos com ninguém suspeito no trajeto, mas na quarta ponte uma dupla (dois homens) passaram por nós, eram mochileiros também. Já vi caçadores em Paranapiacaba e já me relataram a presença dos mesmo além de marginais na região, portanto se manter alerta é muito importante! Obs: Alugamos um Van para levar a gente até uma estação de metrô em sampa saiu R$40,00 por pessoa! Espero ter contribuído com algum detalhe importante, existem vários relatos muito mais completos, mas fiz questão de compartilhar com vocês! Agradecimento a todos amigos que fiz nessa trip fantástica: Hugo, Ingrid, Peter, Alemão, Francisco, Kaue, Leonardo, Lhais, Amanda! Imagens: Hugo
  3. Após muito ouvir sobre esse destino épico entre os trilheiros roots do Brasil, decidi vivenciar a tão famigerada Trilha Funicular de Paranapiacaba/Cubatão. Acompanhado de mais seis colegas, que encontrei aqui no Mochileiros.com, embarcamos nessa aventura no último dia 20 de junho de 2015 (sábado), com pernoite no local e retorno no domingo (21). De posse de uma filmadora hd, uma GoPro Hero Black 3, uma câmera fotográfica compacta e até mesmo o celular, quando todas as baterias acabaram, e fiz alguns takes e comentários nos moldes de videorreportagem amadora. Depois editei e decidi compartilhar com os amigos, em forma de contribuição àqueles que pretendem enfrentar este desafio! Talvez tenha ficado um tanto quanto extensa e a edição 'meia boca', mas para quem se interessa pelo destino o tempo e a qualidade da edição do vídeo é o que menos vai importar. Espero que gostem!! Funicular: Perigo no Ar Altitude, instabilidade, ausência e precariedade de apoio, alto risco e presença de animais peçonhentos fazem desta trilha, que tem uma extensão aproximada de 15 quilômetros, ser uma das mais perigosas do país. Com nível hard de travessia, a Funicular de Paranapiacaba proporciona, àqueles que se atrevem a transpor suas antigas e deterioradas pontes, algumas com mais de 70 metros de altura, dois dias de muita adrenalina diante o perigo de morte evidente e a vivência histórica e cultural da mais antiga estrada de ferro do Estado, construída há 148 anos para escoar a produção cafeeira do país. A funicular de Paranapiacaba está para os trilheiros roots do Brasil, assim como o Everest está para os principais alpinistas do planeta. Esta foi mais uma vitória a ser comemorada e compartilhada com os colegas do Mochileiros.com.
  4. Vídeo: http://youtu.be/LLiFSM1lCwE O planejamento desta trip foi precário, além de que em todas as hipóteses que imaginávamos alguma coisa poderia dar errado. Minha intenção inicial era de ir ao Mirante de Paranapiacaba para ali acampar e conhecer esse ponto de fácil acesso e já muito conhecido pelos trilheiros da região para, no dia seguinte, retornar a Paranapiacaba e caminhar em direção a Quatinga. No meio da estrada em direção a este distrito, à sua direita, adentraríamos numa trilha conhecida como Trilha do Rio Anhangabaú ou Trilha dos Carvoeiros de forma que em algum lugar, depois de uns 4,5Km de sobe e desce em meio a mata, interceptaríamos o Rio Quilombo para, só então, iniciarmos sua descida seguindo seu curso. Já na Estação Rio Grande da Serra ficamos preocupados se nosso plano daria certo, tendo em vista a grande quantidade de jovens educados e que se comportavam de forma extremamente agradável que nos acompanhava desde SP até Paranapiacaba. Combinamos que se o outro grupo de cerca de 15 pessoas fosse em direção ao Mirante, nó iríamos em direção a Quatinga e vice-versa. Pra minha tristeza, esses seres iluminados por algum tipo de erva mágica com folha de cinco pontas caminharam em direção a Quatinga, então teríamos que ir na outra direção. A trilha até o Mirante de Paranapiacaba é super fácil, mas seu início não é diferente das demais da região. Deve-se contratar um guia credenciado ou driblar a fiscalização que barra a entrada dos desavisados. No nosso caso, como chegamos em Paranapiacaba por volta das 23h da sexta-feira, não foi um problema. A essa hora os fiscais já estão em suas casas dormindo ou fazendo qualquer outra coisa porque ficaram dormindo o dia inteiro na viatura da empresa. Após atravessar a ponte localizada no centro do vilarejo, vire para a direita e mantenha-se nessa direção até chegar a uma rua cheia de botecos, na qual deverá subir para a esquerda e, se for cauteloso como nós fomos, ao chegar no posto da PM, passe por sua frente e continue sempre caminhando para cima. Depois de não mais que 5 minutos passará em frente a uma casa com uma clareira, a qual eu deduzir ser um dos postos onde os fiscais ficam de dia e, como as luzes do interior estavam acesas, tentamos não fazer barulho e logo a frente pegamos a "trilha" sentido suleste. Coloquei em aspas porque, na verdade, é uma rua, se não me engano conhecida pelo nome de Rua Bela Vista, que dava acesso aos veículos que levava o pessoal que trabalhava nas instalações em cima do morro. Em 40 minutos de caminhada a partir da chegada em Paranapiacaba, chegamos a uma bica d’água e coletamos um pouco do líquido para usarmos durante a noite e no café da manhã do dia seguinte. É bom pegar uma quantidade boa, pois o próximo ponto d’água fica a uma hora de caminhada depois do Mirante. Mais 15 minutos e passamos pela Pedra do Índio. Não entendi o porquê deste nome e nem ficamos muito tempo pensando nisso. Estava muito escuro e queríamos chegar ao mirante logo para achar um lugar bom pra acomodarmos nossos corpos não muito cansados. Aos 10 minutos da meia noite, chegamos ao mirante. Demos uma bisbilhotada no lugar, nenhuma onça ou animal peçonhento. O visual é interessante, com as luzes de Cubatão dando graça ao lugar, mas nada de surreal. Logo percebi uma laje de concreto um pouco mais elevada e não pensei duas vezes: aqui será minha cama! Bivacar está virando um hábito nas trilhas e isso me agrada bastante, até porque não preciso esquentar a cabeça com armação de barraca ou amarração de rede e depois desmontar tudo. É só deitar e dormir e, se tiver risco de chuva, é só amarrar um plástico por cima e está tudo certo. Tentei conversar com os demais integrantes da trip, o Bruno, sua esposa Jaque e o Luciano, para no dia seguinte voltarmos e fazermos a travessia do Rio Quilombo, mas estes dois últimos opinaram que ir a um lugar pra depois voltar não era legal, então ficou acertado que seguiríamos em frente em direção ao Poço das Moças no dia seguinte, já que eu não queria arriscar minha vida debatendo com uma mulher e um cara maior que eu no alto de um morro inóspito. Minha noite foi ótima. Antes de cair no sono, mesmo, fiquei apreciando o céu estrelado daquela noite e tentei analisar o comportamento de uma nuvem ao leste que ameaçava pairar sob nós e possivelmente nos molhar de noite, mas nada disso aconteceu. Dormi muito bem e acordei apenas umas 2 vezes por causa de algum barulho, provavemente o chupa-cabras, e pra cobrir minha cara que estava sendo ameaçada por mosquitos. Os outros trilheiros não sei se tiveram um sono tão bom, principalmente a Jaque que dormiu em cima da mochila de um jeito totalmente inovador. Não foi possível ver um nascer do Sol tão espetacular pelo fato de haver muitas árvores que encobriam a visão ao leste, mas o por do Sol deve ser bem legal de se contemplar ali. Comemos algumas frutas e partimos sem muita demora, pois não havia um acampamento para desmontar. Embora eu não tenha percebido um lugar bom para montar barraca, principalmente as que não são auto-portáteis, existem vigas de ferro encravadas no chão onde é possível pendurar redes e andando um pouco sentido sudeste do mirante, logo se depara com algumas clareiras ótimas para camping. A descida até o Poço das Moças é muito tranquila, também. Há muitas bifurcações, mas ou vai dar em alguma clareira boa pra acampar, ou vai continuar descendo até o Poço. Alguns caminhos podem desviar da Pedra Lisa, o que não é legal, pois é um lugar bem gostoso e um bom local pra colher água pro resto da caminhada. Não vou saber dizer exatamente quais caminhos pegar, mas é sempre pelo lado esquerdo. A Pedra Lisa é um grande bloco rochoso, a uma hora de caminhada do Mirante, no qual o curso d’água passa por cima e que abre uma janela para o Vale do Rio Quilombo, dando uma visão legal lá de baixo, além de ter uma queda d’água muito boa para um banho. Aqui fizemos um lanche e descansamos bastante, cerca de uma hora até as 10h da manhã. Comemos o abacaxi que a Jaque trouxe - acho que virou um costume do casal trazer frutas exóticas para a trilha, da outra vez foi um melão - e depois de algumas filmagens e fotos, seguimos pelo lado esquerdo do curso das águas que escorriam pela Pedra Lisa. Depois de mais uma hora e meia de caminhada, às 11h30, chego no Poço das Moças. Não havia ninguém e tratei logo de abandonar minha mochila e perneiras para dar um mergulho. Fiquei surpreso com a profundidade rasa do Poço. Mesmo pessoas que não sabem nadar podem se divertir sem problema nenhum. Apenas no meio do Poço que as águas ficam um pouco mais profundas, algo não mais que uns 2,5m no dia em que estivemos lá - deu pra notar que em outras épocas o Poço atingia níveis mais elevados, em torno de 1,5 a mais. O lugar conta com uma pedra lisa que forma um tipo de escorregador e é muito legal, perdi a conta de quantas vezes escorreguei nessa pedra e os outros trilheiros gostaram muito, também. Há algum tempo atrás havia uma árvore com uma corda pendurada da qual era possível executar saltos para o Poço, mas esta árvore cedeu e esta tombada na água atualmente - uma pena. Esse local é tão incrível que botou em cheque nossos planos de uma grande travessia. Começamos a cogitar ficar ali mesmo e voltar no dia seguinte para Paranapiacaba de tão bom que estava o lugar. Depois de algum tempo chegaram mais algumas pessoas, mas nada que comprometesse a tranquilidade do lugar. Nadamos muito, tomamos um lanche mais reforçado e curtimos o Poço até às 13:37 resolvemos que dessa vez iríamos prosseguir em frente até o Rio Mogi para, no dia seguinte, subí-lo e retornar a Paranapiacaba onde terminaríamos nossa grande travessia circular, mas já ficou combinado de voltarmos ao Poço das Moças em outra ocasião para ficarmos de boa lá, fazendo nada, jogando conversa fora. Logo após o Poço, atravessamos o rio para sua margem esquerda de onde parte uma vereda e caminhando mais uns 500m dali por uma trilha bem plana e bem batida chegamos a uma represa onde é possível chegar de carro e é uma verdadeira farofada. Muito lixo e barulho. Por isso alguns que ali chegam se arriscam nos 500m de trilha para chegar ao Poço das Moças, mas são poucos pelo que notamos. Se ficar na praia do lado de um isopor cheio de cerveja e guloseimas industrializadas só observando o movimento já é uma chatice sem fim, imagine fazer isso numa pequena represa suja e barulhenta. Vai entender esse povo. Eu até fiquei com vontade de pular no poço usando uma corda pendurada estrategicamente em uma árvore, mas deixei essa tarefa para o Luciano e só registrei seu salto ornamental para não perdermos muito tempo ali e continuarmos a caminhada rumo ao Rio Mogi, visto que ainda tinhamos mais de 10Km de chão num Sol de queimar os neurônios e depois teríamos que decidir entre varar 3 a 4Km de mato até o rio ou caminhar mais do que isso, só que no asfalto. O calor estava de matar e era inversamente proporcional ao prazer em ficar nadando naquelas águas geladas do Poço das Moças, mas precisávamos caminhar - e rápido! Então fomos. Não deu nem 30 minutos a partir da represa e já tinhamos que providenciar uma parada. Sombra que é bom, nada! Tentei motivar o pessoal a continuar sob a justificativa de que caminhar de noite no mato seria muito pior, mas não deu muito certo. O Bruno e eu entramos no mato à esquerda da estrada de terra e estudamos a possibilidade em acessar um riacho que corria a uns 15 metros da estrada. Chamamos os outros dois e combinamos de ficar ali até que o Sol abaixasse um pouco, mesmo sabendo das incertezas que nos aguardavam pela frente. Ficamos deitados na água abaixando a temperatura do corpo. O Bruno e eu ficamos especulando novas hipóteses e lamentando em como as coisas não estavam indo muito bem naquele trecho, até que chegou a hora de levantarmos e partirmos, uma hora depois. O Luciano não queria de jeito nenhum voltar a caminhar pela estrada e bateu o pé que o deslocamento não seria prejudicado significativamente se fossemos pelo rio, mas logo percebemos que se seguíssemos pela água, não chegaríamos no final daquela estrada nunca. Saímos do rio e então continuamos a caminhada. Eu fui na frente na expectativa de encontrar algo que me animasse, uma cachoeira, um trilha em direção ao Rio Mogi, qualquer coisa, e depois de 35 minutos caminhando sem sinal dos outros integrantes, me deparei com uma barraquinha onde uma simpática moça vendia bebidas enlatadas e algumas guloseimas. Comecei a conversar com a moça com o intuito de colher mais informações do lugar, mas ela me explicou que não morava ali a muito tempo e que não tinha noção das trilhas que eu estava mencionando. Ela ficou curiosa com toda essa coisa de andar por dias no mato e ficou me perguntando se eu não tinha medo, se eu andava armado e toda aquela coisa de gente que não tem noção nenhuma de como é essa vida. Depois de um tempo chega seu irmão de moto e estaciona ao nosso lado e começa o mesmo interrogatório que sua irmã fizera. Expliquei de novo e eles se animaram com o fato da região ser rica em trilhas e disseram que ficaram com vontade de fazer algumas. Mais de 20 minutos esperando e visualizo o resto do pessoal chegando ao meu encontro, mas param para conversar com um cara de uma caminhonete. Logo pensei "carona!" e não deu outra. Subiram pra cima da caçamba da caminhonete e vieram em minha direção. Eu, coitado, fiquei igual um tonto balançando os braços com medo de eles não me verem e passarem reto sem me resgatarem, mas felizmente pararam e eu também pude aproveitar essa carona mais que bem vinda a essas horas. Me despedi rapidamente da moça e de seu irmão que não me lembro os nomes e fui embora daquele lugar. Logo após subir no veículo, a notícia ruim: o casal Dias Conde decidiu que iriam embora. É isso que da não planejar direito as coisas. Acabei colocando eles nessa caminhada cheia de incertezas e acabaram esgotando suas energias, fazendo com que tivéssemos duas baixas no segundo dia. Espero que eu não tenha traumatizado a Jaque, já que ela está começando a fazer trilhas e tem muita aptidão, só que pegamos um dia muito quente e ninguém conhecia aquela região, nem eu que os convidei. A única coisa que tínhamos era um mapa e um GPS com algumas trilhas da região. Suficientes para não nos perdermos e nos planejarmos melhor conforme as distâncias que teríamos que percorrer, mas isso não adiantou muita coisa. Chegamos na rodovia às 17h15 e confirmada as baixas, nos despedimos da Jaque e do Bruno e o Luciano e eu fomos em direção ao início da trilha do Sistema Funicular, a qual eu sabia que se iniciava em baixo de um viaduto. O plano era subir pelo Rio Mogi, mas era certo que não conseguiríamos tal façanha com o tempo que nos restava, ainda mais tendo o relato de amigos muito mais experientes em mãos contando que fizeram em dois dias a subida e com a campainha do Luciano que, embora seja um corajoso trilheiro, não estava fisicamente bem pra me acompanhar numa caminhada mais rápida, o que acabou se confirmando no dia seguinte. Caminhamos por cerca de 5 minutos e aproveitamos que um daqueles caminhão de guincho que parou no acostamento para pedir uma carona. Tendo dois assentos vagos no caminhão e dois caminhantes estragados pedindo ajuda, só um cara muito ruim pra negar, então, mais uma vez, subimos pra cabine do caminhão e ganhamos mais uns 3Km de rodovia e, logo quando avistei o viaduto onde se iniciaria a trilha do Sistema Funicular, pedi para que nos deixasse lá. Foi tudo tão rápido que nem conversamos muito ou dei qualquer explicação do que estávamos fazendo. Ele deve estar se perguntando até agora o que dois caras acabados e fedidos foram fazer debaixo de um viaduto. Mas tudo bem, às vezes é bom um pouco de mistério na vida das pessoas. Apesar de já ter feito a trilha do Sistema Funicular, essa parte inicial era nova pra mim. Estava preocupado com o tempo e queria chegar na casinha onde dormimos da outra vez enquanto ainda estava claro, então acelerei o passo e toda vez que perdia o Luciano de vista o esperava um pouco. O início da trilha é horrível. Não há nada de visualmente agradável e a quantidade de mosquitos devido a proximidade com algumas casas e cachorros é enorme. Num certo momento, o Luciano quis parar para fazer uma gambiarra em seus sapatos que já deveriam ter sido aposentados e tivemos que fazer uma pausa. Se andando os mosquitos já me atacavam furiosamente, parado a coisa começou a ficar insuportável. Acelerei o Luciano para que terminasse logo enquanto eu andava em círculos para evitar ficar totalmente parado, mas não ajudou muito. Quando ele terminou eu andei o mais rápido que pude pra sair dali logo. Às 18:37 cheguei até uma cachoeira - um curso d’água que corre sobre um grande bloco rochoso - e tratei logo de tomar um banho antes que escurecesse. Enquanto eu estava lá, estirado naquela rocha com a água escorrendo e levando todo o calor daquele Sol maldito que me torrou o dia todo, o Luciano chega e interrompe minha meditação. Terminei o banho antes do Luciano e me troquei e peguei 2,5L de água para cozinhar e tomar durante o resto do dia e parti na frente para já começar a limpar a casinha, já que meu plano era dormir no chão novamente, e iniciar a janta. O local estava relativamente limpo, mas o chão estava um pouco úmido. Nem liguei, tirei um pouco da sujeira que se acumulou no chão e fiz a janta sem muita inspiração. O Luciano já havia se deitado de tão cansado e tive que acordá-lo para jantar. Devidamente alimentados, montei um varal pra pendurar a roupa suja e me deitei naquele chão de cimento queimado, esperando que ele sugasse todo o calor que eu estava sentindo. MUITO CALOR! Não adiantou muita coisa. Mesmo dormindo sem isolante térmico em contato direto com o chão de cimento, minha noite foi horrível por conta do calor, mosquitos e os roncos do Luciano que eu achei que haviam melhorado porque na noite anterior eu não os ouvi, mas nessa noite eles voltaram com tudo! Acordei às 07:00 estragado devido a noite mal dormida, nem tomei café da manhã e já estava determinado a terminar aquela trilha logo, sem muita enrolação. Da outra vez saímos para a caminhada às 10h, mas o calor estava mais brando e o tempo levemente nublado. Desta vez, como eu já conseguia visualizar por entre as folhas da mata o céu azul, deduzi que o Sol acabaria com nossas vidas nos incinerando em cima de alguma das pontes se demorássemos muito ali, então acelerei o Luciano para que fossemos logo e evitar a pior parte do dia. Eram 8 da manhã e já adentramos a mata para retornar a Paranapiacaba. A partir daquele ponto a trilha se torna mais interessante. Começam a surgir os túneis, as pontes e a vista de cima das pontes é incrível. É uma trilha que realmente vale a pena repetí-la. O nível de dificuldade já é mais complicado aqui. Numa escala de 0 a dez, eu diria que é um 6. Apesar de mais fechada que outras trilhas por aí, tem um caminho certo a se seguir. Se tiver medo de passar pelas pontes, a maioria é possível desviar pela direita e andar por cima das pontes não é a coisa mais perigosa do Universo, mas é preciso atenção e paciêcnia. Desta vez, como não havia a presença de ninguém que realmente conhecesse essa trilha, tinhamos que decidir no início de cada ponte por qual lado iríamos, agregando um toque de aventura a mais. Eu dava preferência pelo lado direito, visto que o lado esquerdo fica mais exposto à brisa que vem do litoral, corroendo mais as estruturas da ponte, mas em uma ou outra ponte era evidente que deveríamos ir pelo lado esquerdo devido à presença de grandes arbustos no caminho da direita. Como da outra vez nos deparamos com duas cobras nessa trilha - uma caninana e a outra jararaca - fiquei atento ao chão e aos troncos pelo caminho para não pisar em uma, apesar de estar com minhas perneiras tabajara. Vai que essas perneiras não servem pra nada. É um daqueles equipos que você não sabe se funciona e não quer nem saber, mas usa por pura superstição. Achei que a trilha estava muito fechada desta vez, talvez em razão das fortes chuvas das últimas semanas que derrubaram muitos cipós e galhos no meio do caminho. Muitas vezes eu perdia o caminho e me enfiava no mato no sentido que era único. Notei que dessa vez haviam muitos moranguinhos silvestres, o que foi ótimo, pois me poupou de ficar parando o tempo todo pra comer minha coisas. Da outra vez eu comi só um punhado porque o Eduardo ia na frente comendo tudo e eu quase não senti o gosto dessa delícia. No início da caminhada eu sempre perdia o Luciano de vista, então começava a gritar seu nome para ver mais ou menos onde ele estava e o esperava. Depois de caminhados ⅔ da trilha, acelerei o passo e fui na frente para, novamente, adiantar o banho e a troca de roupas pra ir embora. Quando estava quase chegando no fim, notei uma movimentação na casinha de vidro que fica mais elevada que as demais. Eram três fiscais. Voltei um pouco, olhei para os lados. De um lado uma subida absurdamente íngrime e com certeza os fiscais notariam minha presença se eu subisse ali. Do outro lado era uma piramba que provavelmente ia dar no Rio Mogi depois de muita descida e meu cronograma ficaria totalmente prejudicado. Foi aí que um dos fiscais saiu pra fora e acenou em minha direção, me chamando para se aproximar. Puts, agora ferrou. Já comecei a imaginar um monte de desculpas furadas - será que falo que um helicóptero me abandonou lá e eu estava procurando uma saída ou que sou um alienígena e estou em uma missão secreta para registrar a história deste planeta para arquivar na biblioteca dos Lanternas Verdes. Quando cheguei próximo da casinha de vidro, um dos fiscais, sorridente, me perguntou: "tava difícil a trilha?" e então eu o respondi com uma cara de coitado completamente esgotado: "sim, muito!". O cara se mostrou super gente boa e ainda me perguntou se eu sabia como sair dali. Apesar de saber, respondi que não sabia, pois pensei que se ele soubesse que eu já estivera ali antes, a multa poderia dobrar. Então ele me indicou o lado, perguntou se eu estava sozinho e eu respondi positivamente - vai que ele está fingindo, mas na verdade só quer que eu confesse o crime e entregue os comparsas - e se despediu. Então eu fui na direção de um córrego onde nos limpamos da outra vez, tomei um banho e esperei o Luciano por uns 40 minutos, no meio do mato e bem quieto, pois bem do lado estava tendo um churrasco cheio de gente e eu não queria ser pego pelos moradores naquele lugar. O Luciano tomou um banho bem rápido e fomos em direção ao ponto de ônibus que nos levaria até a Estação Rio Grande da Serra. Já eram 16:50 e meu plano era pegar o ônibus para voltar às 16:00. Se eu estivesse sozinho teria conseguido com folga, mas esse pequeno atraso não incomodou em nada. Ao chegarmos no ponto de ônibus, começa aqueles estresses da vida urbana. Havia uma fila gigante. Parece que estava tendo algum evento em Paranapiacaba, como todos os outros finais de semana que ali estive, e muitas pessoas estavam aguardando o transporte público para retornarem a suas casas. Esperamos por 25 minutos até surgir um ônibus que, por ser mais caro que o outro, espantou alguns passageiros, dando oportunidade para nós que estávamos atrás na fila. Em 20 minutos chegamos em RGS e corremos para pegar o trem que nos levaria de volta à São Paulo. Assim termina mais um final de semana de muitas incertezas, mas que no final deu tudo certo pelo menos pro Luciano e para mim, e fica a lição de que devemos planejar melhor essas coisas pra não estragar o final de semana dos outros convidados. As trilhas até o Mirante e depois para o Rio Quilombo são super fáceis e acessíveis, devendo-se tomar cuidado apenas com os joelhos nas descidas, flexionando os bem e se possível com o auxílio de um bastão. A caminhada foi longa, mas as caronas nos ajudaram muito. O retorno a Paranapiacaba pelo Rio Mogi ficará para uma próxima oportunidade. Qualque dúvida é só dar um toque que tento ajudar. Obrigado pela leitura e até a próxima! Link para minha página no Facebook: http://www.facebook.com/PerieratPerierat
  5. Trip realizada de 29/12/2011 a 01/01/2012 Por: Gabriel Medina, Jefferson Zanandrea, Kássio Massa e Renata Aguiar Galeria completa de fotos Atenção, este texto não é recomendado para pessoas normais! Há alguns meses tentávamos traçar um roteiro bacana para finalizar o ano, a fim de unir bom visual de alguma queima de fogos por aí e o nosso tão aconchegante clima natureba, em meio à exuberante mata atlântica paulista. A princípio, a ideia - que foi apenas engavetada - era subir ao majestoso Pico do Corcovado, em Ubatuba-SP, com seus 1100m, e alí mesmo, assistir toda a queima de fogos que aconteceria lá embaixo, na muvucada civilização, retornando à base na manhã seguinte. Porém, após alguns inconvenientes que puseram em cheque esta trip, terminamos por alterá-la completamente, transformando-a num duplo perrengue, que se resumiria à descida da Serra do Mar, por trilha, rumo à Baixada Santista e acampamento numa praia deserta, chamada Prainha Preta, vizinha à semi-badalada Prainha Branca, localizada entre Guarujá e Bertioga. Por motivos de trabalho, a trip deveria ser concluída no dia 01/01/2012. O planejamento De fato, existem vários meios de se descer a Serra do Mar, a pé, dos quais já haviamos testado dois (as descidas pelo Vale do Rio Mogi e pela antiga e abandonada ferrovia Funicular da São Paulo Railway). Consequentemente, nos restavam algumas rotas ainda não realizadas, como por exemplo, a rota do Rio Itapanhaú, ou mesmo, a clássica rota do Vale do Rio Quilombo, que tem como pontos altos da pernada a traiçoeira Pedra Lisa e o magnífico Poço das Moças, culminando nos limites entre Cubatão e Santos, após caminhada árdua de 15km. Obviamente, o Vale do Quilombo estava mais ao nosso alcance que qualquer outra travessia, portanto, o escolhemos para esta trip, visto que é uma das travessias mais rápidas da região, podendo ser concluída em 6h. Me dei ao esforço de coletar infos sobre o caminho que, atualmente, encontra-se interditado, aberto apenas para grupos acompanhados por guias e monitores ambientais - um absurdo - e que, portanto, exigiria que a adentrássemos em algum horário em que a guarita estivesse fechada, para que não fôssemos frustrantemente impedidos de seguir rumo. Resolvemos então, marcar o encontro do grupo para Quinta-feira, às 22h, na Estação Rio Grande da Serra para que pudéssemos iniciar a trilha ainda à noite, acampando pouco após a guarita, e concluí-la por volta das 12h do dia seguinte, Sexta. Sem atrasos significativos, eu e o Gabriel nos encontramos com o Jefferson e a Renata, na plataforma da estação, e nos dirigimos ao ponto de ônibus aonde o coletivo rumo a Paranapiacaba chegou sem nenhuma enrolação! Apesar do horário, encontramos um numeroso grupo de jovens que rumavam ao Camping Simplão de Tudo, nos arredores de Taquarussu, vilarejo vizinho de Paranapiacaba. Durante todo o trajeto, tivemos uma breve conversa sobre a trip, em que parte do grupo demonstrou incertezas referentes às condições da trilha e insatisfações diante do longo trecho, de 10km, que teríamos que percorrer em estrada de terra interminável, durante a travessia. Sendo assim, foi cogitada a possibilidade de descermos a serra por alguma que já tenhamos feito antes, e o concenso geral do grupo fez por voltar à tona a ideia de refazer a histórica Travessia do Funicular, a mesma que realizei no final de Agosto do mesmo ano! Em busca do Funicular Pois bem, após 20min, às 22h45, nosso ônibus estacionou no bucólico e silencioso estacionamento da vila inglesa, onde nos despedimos dos jovens e fomos em direção ao mirante do Vale do Rio Mogi, uma humilde plataforma de madeira que, a cada visita minha ao local, encontra-se com menos degraus! Alí, ainda encontramos mais turistas que aproveitavam aquela fria noite para apreciar o vasto visual de todo o vale e da cidade de Cubatão, ao fundo. Às 23h, tomamos o início da Trilha do Rio Mogi, de onde sai, aos seus primeiros 30m, uma bifurcação parcialmente fechada pela mata, que nos levou às margens da ferrovia ativa operada pela MRS, conhecida como "Sistema Cremalheira" - por utilizar equipamentos especiais de tração na via chamados de cremalheira-aderência, que possibilitam as pesadas locomotivas subirem e descerem o grande declive da Serra do Mar com segurança. Neste ponto, é recomendada atenção, pois para atingir o leito do Funicular, é preciso atravessar a via da Cremalheira, seguí-la por uns 200m e subir por uma antiga canaleta de escoamento de água, evitando ser visto pela segurança presente no local, pois é lei federal a proibição de se caminhar em ferrovias. Sendo assim, tratamos de desligar nossas lanternas e andamos ligeiramente pela via, chegando ao leito do Funicular sem qualquer imprevisto, às 23h20. Sucesso! Daqui, bastou seguirmos os precários trilhos até chegarmos ao 5º túnel, onde instalamos nossas barracas em sua entrada, às 0h, a fim de conseguir burlar a friaca daquela noite e pegar num quase impossível sono. Pés nos trilhos Após uma loga e mal dormida noite, às 5h30, levantamos o acampamento, recolhemos as tralhas e seguimos adiante. Atravessamos o 5º túnel, caracterizado pelas suas janelas laterais, de onde é possível ter vista parcial para o outro lado do vale. Este túnel antecede o temido abismo da Grota Funda, cortado pelo 14º Viaduto do sistema Funicular - com 60m de altura, o mais alto de todos - e por um outro viaduto pertencente à Cremalheira, bem mais abaixo. Não hesitamos e o transpomos sem muitas dificuldades - como na outra vez o fiz pelos trilhos da direita, desta vez, optei pelos da esquerda, para ter um melhor visual da cachoeira da Grota Funda. Nesta hora, tivemos um encontro com dois rapazes que também seguiam pelos leitos da dita ferrovia, porém, faziam a transporição da ponte de forma não recomendada: pelos dormentes podres e frágeis. Atingindo terra firme, notamos os primeiros raios do Sol refletidos na serra ao fundo, ocasionando um cenário digno de bem enquadradas fotos! Passamos brevemente pelo 4º Patamar, onde pudemos conferir todo o maquinário que um dia movimentou os cabos de aço responsáveis por tracionar os Locobreques - locomotivas especialmente fabricadas para rodarem no Funicular Serra Nova - que circularam alí, trazendo e levando povos e especiarias, e promovendo o progresso do Estado de São Paulo. Às 7h30, demos continuidade à pernada, retornando à via e seguindo-a por mais túneis e pontes horrendas e precárias e pelo 3º Patamar, que nos serviu como mais um dos trocentos possíveis mirantes do percurso. Uma das pontes, a 11ª, estava com seus trilhos parcialmente soltos, o que nos fez cogitar em contorná-la pela trilha que saia à sua direita. Porém, resolvemos nos arriscar e atravessá-la, desde que, para isto, fossemos um por vez, para evitar sobrepeso na estrutura. A "Ponte Mãe" Após quase 6h de trilhos, chegamos ao 4º Viaduto, também conhecido como "Ponte Mãe", por ser o mais extenso do sistema, com mais de 200m! Esta ponte é temida por muitos, em razão de seu estado calamitoso e por estar muito coberta pela mata densa e espinhenta. No geral, os aventureiros costumam contorná-la por uma trilha em "S" que costura a ponte até culminar em sua extremidade oposta. Porém, mais uma vez, decidimos fazê-la por cima, nem que para isto, fossem necessárias habilidades no manuseio de facões. Logo nos primeiros metros, notei um galho enroscado em minha calça, na perna direita. Não era possível removê-lo com as mãos, pois o mesmo era totalmente envolvido por espinhos. Me ví preso a quase 30m de altura! Numa tentativa desafiadora de me livrar deste, tratei de me equilibrar com o pé esquerdo no estreito trilho e, simplesmente, dei um ligeiro chute no ar com o direito, até que, finalmente, o bendito se desprendeu e eu pude retomar meu rumo. Nos aproximávamos da metade da ponte e outro emaranhado de mata espinhenta nos impedia de seguir por este lado - o esquerdo - da mesma, nos obrigando a passar para os trilhos da direita, nos fazendo valer de um humilde hístimo metálico paralelo aos dormentes, pertencente à estrutura da ponte, aparentemente mais resistente que qualquer outra estrutura a mais presente alí. Pois bem, o Jefferson foi o primeiro, seguido por mim. A Renata e o Gabriel vinham pouco atrás e, portanto, os esperamos para instruí-los a como proceder. Inesperadamente, a Renata deu um salto para trás, um tanto assustada pelo que acabara de ver: uma serpente, mais tarde identificada pelo nosso amigo do fórum Mochileiros.com, Gabriel "Mochileiro Peregrino" como sendo uma Caninana - não peçonhenta, porém, agressiva e ágil. Esta passou totalmente despercebida por mim e pelo Jefferson, enquanto nos atentávamos somente a atravessar a precária estrutura da ponte, que já tomava totalmente nossas atenções! Com cuidado redobrado e todos já nos trilhos da direita, terminamos de transpor a Ponte Mãe, desta forma extremamente inusitada e perigosa! A pernada final A partir da Ponte Mãe, a travessia suaviza. Já não é mais necessário transpor mais nenhuma ponte, pois há trilha fácil que as contorna. Restavam-nos apenas mais 2h de caminhada para que atingíssemos o pátio de manobras da MRS, já em Cubatão. Atravessamos o Tunel 11, ou "Túnel Pai", o mais extenso, com 240m, paramos na cachoeira referente ao 2º Viaduto, o que não resistiu ao abandono e as ações do clima e desabou há anos, e assim, às 15h10, finalizamos a travessia histórica pela ferrovia que construiu o país, durante um século! Uma vez no pátio de manobras da MRS, bastou atravessar alguns trilhos e seguir rumo ao ponto de ônibus localizado na rotatória frente à Usiminas (antiga Cospia). Fim de trip? Diferente de qualquer travessia que fizemos até então, nossa trip ainda teria continuidade! Tomamos o coletivo da EMTU rumo ao Guarujá, onde descemos em seu ponto final, um terminal urbano, chamado de Ferry Boat Plaza, bem estruturado e que serve de ponto de entrada da cidade, também, para quem vem por balsa, a partir de Santos. Deste local, é possível ter vista privilegiada de toda a baía de Santos e de parte do porto. Com sorte, conseguimos flagrar em enorme cargueiro passando a poucos metros de nós! Às 16h20, embarcamos na linha 930, um coletivo, também da EMTU, que seguia para Riviera de São Lourenço, passando por Bertioga. Nosso objetivo era pegar a balsa gratuita em Bertioga que, contraditoriamente, nos deixaria, novamente, no Guarujá, porém, em sua outra extremidade, a mais de 40km do Ferry Boat Plaza. Em Bertioga, nos adiantamos e adquirimos nossas passagens para o retorno a Mogi das Cruzes, que seria na manhã de Domingo, às 8h. Logo ao lado do pier da balsa, já no lado do Guarujá, inicia-se a trilha sussa à Prainha Branca. Porém, nossa exaustão decorrente da travessia não nos fazia concordar com a facilidade desta trilha, totalmente pavimentada e de baixa declividade! Mesmo sendo, às 18h, já nos deparávamos com a muvuca característica de fim de ano, que pairava naquela comumente bucólica praia. É interessante notar as diferentes tribos presentes alí, gente de todos os tipos e gostos. Paramos num pequeno bar, onde aproveitamos para encher nossas panças, finalmente, após um longo dia de precária alimentação, resumida em apenas morangos silvestres e barrinhas de cereais. Apesar do clima, nosso point não seria a Branca, mas sim, uma praia vizinha a esta, pois não é permitido camping alí, por questões diversas. Então, às 22h, nos despedimos dos amigos do Jefferson, com quem nos encontramos e que também estavam a passar o Reveillon na região, e fomos direto à trilha que nos deixou, às 22h30, na deserta Prainha Preta. Para nossa surpresa, já havia algumas barracas instaladas no local. Armamos as nossas barracas e pegamos logo num profundo sono, junto à brisa vinda do mar! Um novo perrengue: a fuga da virada Acordei às 6h, com o Gabriel tentando sair da barraca para obter algumas fotos do amanhecer que podíamos presenciar naquele momento. A praia é marcada por um apêndice rochoso que salta 4m acima do nível do mar, e pela tonalidade ligeiramente escura de suas areias. Nosso dia se resumiu a apreciar a paisagem bucólica do lugar, o mar incansável de se observar e a papos dos mais diversos. O Gabriel, com um pouco mais de pique, decidiu seguir uma trilha que o levaria à Praia do Camburizinho, onde o elemento marcante é uma lagoa formada pelo curso de um rio que deságua alí. Enfim, o bom tempo que se mostrava diante de nós sofreu uma mudança brusca quando, as 18h, ocorreram os primeiros pingos de chuva que, em poucos minutos, se tornaram um grande e interminável dilúvio, que persistiu até altas horas, nos deixando presos em nossas barracas, sem muito o que fazer. Numa tentativa frustrada de quebrar a lentidão do tempo, que tardava a passar, jogávamos conversa fora, abordando temas que variavam desde a nossa própria trip a assuntos relacionados a games ou computação gráfica (minha área de atuação profissional). Enquanto a chuva não cessava, decidíamos também como procederíamos na ocasião, tentando entrar num consenso sobre a viabilidade de desarmarmos o camping e irmos à civilizada Prainha Branca, ainda naquela noite, para podermos assistir à tão esperada queima de fogos, ou se seria melhor permanecermos alí até que a chuva enfraquecesse ou parasse de vez, desde que não se extendesse para além das 5h da manhã seguinte, pois teríamos que chegar a Bertioga até as 8h para tomar nosso ônibus. Porém, notamos que o riozinho que corria próximo à nossa área de acampamento havia subido seu nível drasticamente, atingindo nossas barracas! Nossa decisão imediata foi abandonar o local. Desmontamos tudo, pusémos nossas bagagens nas costas e rumamos pela trilha em direção à Prainha Branca, às exatas 0h - isso mesmo, passamos a virada do ano no meio de uma trilha! Finalmentes Após perdemos todo o espetáculo da queima de fogos e com a chuva já tímida, atingimos o solo da Branca, às 0h30, onde tratamos de nos aconchegar na areia da mesma. Eu, por vez, decidi procurar algum restaurante para jantar e mandei ver com uma porção de fritas e outra de frango empanado! Reencontrei o pessoal num outro quiosque, às 3h, onde permanecemos moscando - flagrando um cara extremamente chapado derrubando tudo à sua frente, sem sequer conseguir se manter em pé - até que, às 5h30, partimos rumo à balsa para Bertioga. Chegamos ao outro lado, em Bertioga, às 6h10, onde passamos numa padaria que acabava de abrir as portas, naquela manhã de Domingo e compramos alguns salgados e água, e paramos numa praça às margens do cais para as últimas fotos da trip, enquanto nosso ônibus não chegava. Dadas pontuais 8h, nos vimos dentro do veículo que não demorou a partir rumo a Mogi das Cruzes, onde chegamos às 9h20 e tomamos o trem da CPTM, que por sua vez, nos deixou no centro de São Paulo. Daqui, cada um seguiu sua jornada final para casa, com muita história para contar e a garantia de que 2012 foi estreado com não um, mas dois perrengues que, pela insanidade, tornaram-se dignos de serem relembrados por muito tempo!
  6. Iae pessoal! Beleza? Finalmente, depois de meses de angustia e pesquisas sobre as formas de realizar a travessia da funicular, conseguimos a proeza e fomos fundo, literalmente! ------------------------------------------------------------------------------------------------------ Relato com todas as fotos neste link: http://rotamassa.blogspot.com/2011/08/trip-realizada-nos-dias-27-28-e-29-de.html Trip realizada nos dias 27, 28 e 29 de Agosto de 2011 Por: Gabriel Medina, Kássio Maeda e Leandro Furquim Ao longo da segunda metade do século XVIII, o Brasil vivia os momentos áureos de suas ferrovias, em decorrência do rápido crescimento econômico e comércio com outros países. A ferrovia ainda marca, quase que diretamente, o início definitivo da empreitada industrial brasileira, possibilitando ainda, um melhor fluxo de pessoas entre as diversas regiões. São Paulo, como sendo um grande pólo econômico, possuindo um dos mais importantes portos da América Latina, era ponto estratégico de entrada e saída de mercadorias em território nacional, e uma conexão ferroviária fazia-se primordial para abastecer tal demanda. E assim foi feito, quando, em 1867, uma empresa britânica denominada São Paulo Railway ergueu, em plena Serra do Mar paulista, uma ferrovia do tipo funicular, até que em 1890, devido ao aumento da demanda, um novo sistema do mesmo tipo teve de ser erguido, também pelos ingleses. Este Ultimo foi denominado Serra Nova e possuia ao todo, 5 patamares para a troca dos cabos, e 12km de extensão. Em 1974, é inaugurado o novo sistema ferroviário para vencer o desnível da Serra do Mar, que desta vez, utiliza o sistema cremalheira-aderência. Hoje, o Sistema Cremalheira é operado pela MRS e corre em paralelo ao antigo funicular. Após a implantação da Cremalheira em Paranapiacaba, a Funicular, por ter se tornado obsoleta, fora reduzindo suas viagens, dando cada vez menos atenção ao transporte de cargas, até que, finalmente, foi desativada, na década de 80, em decorrência de um incêndio que destruiu a estação de Paranapiacaba. Passados mais de 20 anos desde sua desativação, a estrada de ferro encontra-se castigada pela ação do tempo e do clima serrano local. As 16 pontes constituintes do percurso estão apodrecendo aos poucos, sendo que uma já foi abaixo. A mata cresceu e cobriu parcialmente as vias, formando assim, cenários fascinantes, porém, extremamente perigosos! Assim que tomei conhecimento da existência desta relíquia histórica, coloquei-a no centro de minhas ganâncias como trilheiro. Jamais iria me contentar em não realizar a travessia da funicular. Passei mais de 2 meses lendo relatos, vendo fotos, videos e recorrendo diretamente a quem já havia se aventurado por aquelas bandas - e agradeço a todos os que se dispuseram a compartilhar suas experiências na funicular, através de relatos, mapas, etc -, até que tomei a devida coragem - confesso que estava dividido em querer e não querer fazer esta trilha, levando-se em conta, os altos riscos de vida - e fui-me a comprar os preparativos da trilha. Como o acesso à Funicular é proibido, a mesma deve ser adentrada com certa cautela, e preferencialmente à noite, pois as chances de ser visto diminuem... mas havia um outro jeito de atingir a Funicular - jeito este que haviamos estudando já ha algum tempo -, sem que corrêssemos o risco de sermos vistos: varando mato encosta abaixo, à partir da bifurcação da Estrada da Bela Vista com o início da Trilha do Mirante, até chegar à trilha de manutenção, que segue em paralelo à ferrovia, terminando na ponte da Grota Funda. Parece simples, mas nos rendeu bons tombos e quase 3 horas de cannyoning! Caímos em Paranapiacaba, às 22h30, todos receosos e, ao mesmo tempo, ansiosos e empolgados, e fomos em direção à Estrada da Bela Vista, de onde sai uma trilha que nos levaria até o Mirante da Grota Funda, onde iriamos descansar nesta primeira noite. O local parecia ser perfeito, não fosse a gélida brisa que sobre nós pairava, impedindo qualquer mergulho em nossos pensamentos. Decidimos então, procurar algum outro local para passar a noite, até o amanhecer, e nos lembramos que, logo no início da trilha do mirante - exatamente no ponto escolhido para a descida da encosta, a qual seria realizada ao amanhecer -, havia 3 bancos de madeira, em bom estado, um belo convite para o restante do tempo de sono que nos restava. Logo nos primeiros sinais de claridade no céu, recolhemos nossas coisas e nos preparamos para dar início definitivo ao vara-mato que nos aguardava encosta abaixo - quase 500m de descida! Nosso vara-mato Leandro portava consigo um facão, por isso foi na frente, seguido por mim e pelo Gabriel. O segredo era apenas seguir entre Oeste e Noroeste, sempre descendo a encosta, até atingir a trilha de manutenção. Mas mesmo parecendo fácil e com as habilidades formidáveis do Leandro, em burlar caminhos aparentemente impossíveis, acabamos indo muito para Oeste, e fomos parar num vale, por onde corria um riacho, afluente do Rio Mogi. A princípio, este rio também nos conduziria à trilha, porém, o mesmo tinha declividade alta e possuía algumas quedas bruscas, nos obrigando a recorrer à corda, a qual havíamos comprado para esta expedição. Já estávamos descendo há mais de 4 horas, quando, finalmente, surge à nossa esquerda, a esperada trilha - uffa! -, bastando seguí-la adiante para se chegar à Grota Funda. Chegando à trilha Ponte numero 15 Sistema Cremalheira, da MRS, sentido Cubatão No final da trilha, havia uma escada sinuosa, que nos conduzia até o 'túnel com janelas' o qual antecedia a temida ponte da Grota Funda, a mais alta de toda a Funicular. Logo abaixo desta, uma outra ponte correspondia ao Sistema Cremalheira da MRS, em pleno funcionamento. Paramos um pouco no túnel para nos reabastecer e descansar um pouco. Acesso ao túnel Recuperados, era hora de enfrentar o perigo de cara, pois à nossa frente, se estendia a majestosa e enferrujada ponte da Grota Funda. A atravessamos sem maiores problemas e demos continuidade ao percurso. É indescritível a adrenalina que toma conta da gente lá no alto, o perigo é constante e os únicos pontos de apoio confiáveis são os finos trilhos, pois os dormentes estão se quebrando! O abismo da Grota Funda tem quase 60m de profundidade Neste lado da ponte, está localizado o quarto patamar da Serra Nova, onde paramos para vislumbrar o engenhoso maquinário que um dia, movimentou pesados trens pela serra. Seguindo adiante, nos deparamos com um túnel onde eram necessários alguns cuidados para não cair nas valas que alí haviam. Daqui em diante, as cenas praticamente se repetiam, se resumindo a pontes velhas e estragadas, trechos de trilho em terra firme e túneis, sendo que algumas das pontes estavam intransponíveis, tanto por condições estruturais quanto pela vegetação que costumava tomar conta de parte delas, o que nos obrigava a contorná-las através de caminhos alternativos. Não durou muito para que nosso suprimento liquido - 1 garrafa de 2L e 5 de 500mL - se esgotasse, mas o Leandro decidiu arriscar-se e abastecer todas as garrafas em um riacho, embaixo de uma das pontes - o cara é meio louco mesmo, mas devemos muito a essa coragem dele! Ao longo da trilha, encontramos algumas mexericas, que apesar de extremamente azedas, as comemos com muito gosto - mas só desta vez! hawuhwau Ponte 13 Caminho alternativo para desviar da mata fechada Passadas mais algumas pontes e túneis, a noite já estava próxima, quando nos deparamos com a mais extensa ponte, o viaduto de número 4, também conhecido por Ponte Mãe. Como o mesmo aparentava estar em razoáveis condições, optamos por atravessá-lo, sem darmos conta de que, após a metade do mesmo, uma densa vegetação o cobrira, nos obrigando a voltar e contorná-lo pelo caminho alternativo, logo ao lado. Segundo relatos, a maioria dos desbravadores da funicular a completam em dois dias, logo, minha ideia era de ao escurecer, procurarmos algum lugar para nos abrigar e alí passar a segunda noite. Porém, o até então corajoso e forte Leandro se mostrou fragilizado emocionalmente, ao afirmar que sua família não sabia de seu paradeiro, e que não conseguia estabelecer contato pelo celular, devido à falta de cobertura da rede. Portanto, minha ideia fora logo rejeitada, pois ele queria, a qualquer custo, terminar a trilha ainda naquela noite, o que, racionalmente falando, seria algo inviável! Após uma breve discussão, verifiquei que meu aparelho estava dando cobertura e o emprestei para que conseguisse contatar sua família. O Gabriel, logo, também fora tomado por uma espécie de desespero, que o fez lamentar-se em ter incentivado a realização desta travessia e se questionar se deveríamos mesmo ter nos arriscado em fazer esta trilha. Entre nós três, eu estava mais debilitado fisicamente, pois havia perdido muita água - transpiro com muita facilidade -, mas estava emocionalmente equilibrado. Tentei manter certa calma no grupo, alegando que uma noite passada na trilha estava dentro do tempo normalmente cumprido por quem realiza a Funicular. Novamente propus que passássemos a noite em algum abrigo na própria trilha, quando me lembrei do Túnel Pai, que se localizava logo adiante, e assim, todos concordaram e então, às 20h, nos instalamos no interior do Túnel. Ainda sob lamentações a respeito da decisão de fazer a Funicular, tentei, novamente, dispersar a tensão no grupo, oferecendo-lhes minha câmera para que olhassem as fotos da viagem. Logo após, preparamos nosso lanche pré-sono e então, nos deitamos sobre uma plataforma de madeira - espaçosa até - e nos embalamos em nossas embaraçadas mentes! Não habituados com aquela improvisada cama, frequentemente acordávamos. Numa dessas, eu decidi dar um passeio pelos arredores do local e tirar algumas fotos. A Ponte Mãe fica logo atrás desta densa vegetação Já eram 5h da manhã, quando finalmente nos despertamos para enfrentar os últimos quase 3km de trilhos. Recolhemos nossas bagagens e caminhamos até o final do túnel, onde, logo em seguida, havia o Viaduto 3, o qual foi facilmente desviado, através de uma picada à esquerda. O Túnel Pai, onde dormimos, é o maior da ferrovia, e tem quase 250m de comprimento Valas na segunda casa de máquinas Mais à frente, uma cascata ligeiramente escorregadia tentava nos impedir de continuar, mas também fora facilmente transposta, bastando pisar com cautela sobre as rochas envoltas pelo véu úmido cristalino. Neste mesmo local, podia-se ver a segunda ponte, que há tempos, havia ruido! A partir deste ponto, a trilha passa a ser cada vez mais plana e o mormaço toma conta do clima local! A última ponte fora contornada, e agora, bastava que seguíssemos pelo leito da ferrovia, já sem os trilhos e cabos - provavelmente foram roubados - até sairmos na linha ativa da MRS. Daqui, tinhamos que seguir pelos trilhos até uma saída à direita, que nos deixaria no ponto de ônibus para Santos. Mesmo debilitados, conseguimos a proeza do enfrentar mais 3h de volta para Home! Primeiro viaduto da Funicular Serra Nova Mini-perigo Viaduto da Rod Piaçaguera-Guarujá De onde viemos: ao fundo, Rod. Piaçaguera-Guarujá Cubatão Pátio de manobras da MRS, em Cubatão Ponto de ônibus em frente ao Cosipa(atual Usiminas) Esta, sem dúvidas, foi uma das maiores e mais espetaculares aventuras de toda a minha vida, pois, além dos riscos reais de vida, atravessando pontes, varando mato e rios, a viagem fora marcada, principalmente, por um jogo de sensações e emoções, e também, pelo forte cooperativismo entre os membros da equipe! A Funicular de Paranapiacaba estará para sempre em minhas memórias, assim como se eternizou na história! IMPORTANTE: - O acesso à Funicular é, atualmente, proibido, por motivos óbvios, e por estar em área pertencente à MRS. Portanto, o acesso a ela(e a travessia como um todo) fica por conta e risco de quem o fizer. O acesso mais praticado se dá pela Picada Raiz da Serra - também conhecida como Trilha do Vale do Rio Mogi -, que começa no estacionamento da vila, sendo que, após cerca de 20m, é preciso adentrar a esquerda para sair nas vias da Cremalheira (MRS). Siga a via por uns 200m, atravesse-a e suba pela vala de escoamento, até chegar aos trilhos do antigo Funicular. O cuidado que se deve tomar é com os trens que descem e sobem a serra, e com os guardas que vigiam este trecho da via. RECOMENDA-SE que o acesso à Funicular seja feito apenas durante a noite! Ressalto que é contra a lei prejudicar o tráfego ferroviário, seja qual for o motivo, o infrator está sujeito à penalidades legais. - Esta trilha não é recomendada para pessoas que tenham aversão à altura e problemas relacionados ao equilíbrio e à coordenação motora. As pontes costumam ser muito altas e encontram-se em precárias condições estrutrais. Em caso de acidentes nas pontes ou quedas, o resgate é praticamente impossível! - A descida pela encosta da serra foi uma decisão estritamente nossa, sendo que o acesso tradicionalmente feito é a partir da Trilha do Vale do Rio Mogi. A descida da encosta até a Funicular NÃO É POR TRILHA, e sim, por mato e rio extremamente íngremes, e só foi possível com o uso de uma corda de 25m, própria para tal prática! Caso não conte com tais equipamentos, JAMAIS DESÇA ENCOSTAS E RIOS COMO ESSES, opte pelo acesso a partir da Trilha do Rio Mogi, bem mais seguro! - O percurso da Funicular, com aproximadamente 11km de extensão, conta com alguns riachos onde é possível coletar água potável, mas mesmo assim, é importante que CADA caminhante leve água(e alimento) o suficiente para a TRILHA TODA(no mínimo 4L de água), uma vez que nem todos os riachos são confiáveis, e alguns estão poluídos. Lembrando que a maioria dos riachos acessíveis se encontram somente após a ponte mãe, ou seja, no final da travessia... evite ingestão de açúcares... - A questão do peso é extremamente delicada. Deve-se evitar carregar muito peso, não ultrapassar 15kg de bagagem, uma vez que as pontes, sempre em mau estado, não contam com pontos de apoio, exigindo que o caminhante se equilibre sobre dois estreitos trilhos enferrujados, pois os dormentes - ONDE ELES AINDA EXISTEM - estão em sua maioria podres e provavelmente não aguentarão o peso de uma pessoa. NEM TODAS as pontes são contornáveis por caminhos alternativos, por sorte, as piores, mais para o final da trilha, podem ser contornadas, mas é exaustivo. - Ao todo, a ferrovia conta com 5 patamares, onde estão as casas de máquina da Funicular. Estes são os melhores locais para acampamento, porém, evite o 1º Patamar, pois é frequentado por pessoas de má índole e existe o risco de ser assaltado alí. Os dois melhores túneis para se acampar são o primeiro e o Túnel Pai, logo após à Ponte Mãe. Vale qualquer medida para se manter isolado ao máximo do meio externo, enquanto estiver dormindo, há um grande número de borrachudos(transmissores da Oncocercose, ou "cegueira do rio", que como o próprio nome sugere, é uma parasitose que causa cegueira permanente) e há possibilidade de haver outros insetos e até animais peçonhentos. Recomenda-se um bom repelente a ser usado durante toda a travessia. - A duração desta travessia costuma ser de 1 a 2 dias, então leve suprimento o suficiente para isto! NÃO FAÇA A TRAVESSIA DA FUNICULAR SEM ESTUDÁ-LA AO MÁXIMO, EM TODOS OS SEUS DETALHES MÍNIMOS: pontes, patamares, pontos seguros para descanço e acampamento, fauna, flora, relevo, clima local, percurso, túneis, e os RISCOS!
  7. Trip feita nos dias 29 e 30 de Janeiro. Logo quando conheci o mochileiros.com, li o relato dessa travessia. Vi as fotos e logo coloquei ela como um objetivo pessoal. Mata fechada, pontes perigosas, risco de ser pego pelos seguranças... Hahah Uma trip bem diferente. Demorou cerca de uns 5 meses para eu achar um grupo que fosse em alguma data que encaixasse na minha agenda. Do grupo (que tinha umas 20 pessoas), eu "conhecia" umas 3 de uma festa a fantasia que fui no ano passado. Mais isso não foi problema, galera muito gente boa e acolhedora. Bom, ponto de encontro inicial era na estação da Luz, no ultimo vagão da linha 1 sentido Rio Grande da Serra, Cheguei lá em cima da hora, pois fiquei ensaiando o dia inteiro com a banda e acabei perdendo a hora (Na verdade fomos para o bar e me esqueci da hora hahah). Não fiquei nem 10 minutos quando a galera resolveu partir. Chegamos a Rio Grande da Serra e ficamos em uma padaria esperando um pessoal que ainda estava chegando. De lá pegamos um busão com destino a Paranapiacaba. De Rio Grande ate Paranapiacaba foram uns 15 minutos. Viagem bem tranqüila. Já em Paranapiacaba, encontramos com mais um pessoal (cerca de 10 pessoas) que havia passado à tarde lá visitando os museus da região. Todos prontos, hora de dividir os grupos e começar a caminhada. Enquanto nos separavam, os 2 Funiculeiros(guias) iam dando algumas instruções do tipo; certa hora tinha que apagar as lanternas, se viesse trem teríamos que nos jogar no canteiro para não ser visto pelo maquinista, que podia haver cobras e talz no caminho. Tudo isso nos deixou mais empolgados ainda! Bom, pelo menos eu fiquei. hahaha Grupos separados, bora descer a trilha. Fiquei no segundo grupo e ficamos uns 5 minutos esperando o primeiro grupo descer. O começo foi bem devagar, uma descida bem íngreme com alguns pontos onde você tinha que sentar para poder descer. Alguns escorregões depois e chegamos próximo a linha do trem. Ficamos sentados por uns 5 minutos em uma daquelas escadas que servem pra escoar água dos morros(realmente esqueci o nome desse negocio) esperando o grupo 1 se distanciar mais e também para ver se não passava nenhum trem. Pelo o que os guias falaram, se algum maquinista visse a gente eles passariam um radio para a guarita e ai viriam vários seguranças atrás da gente! [align=center] Primeiro grupo na trilha. Lan tomou um rola na primeira parte. Se machucou toda.[/align] Depois de 5 minutos descemos ate a linha e começamos a caminhar por ela. Era uma descida tranqüila mais num ri timo rápido, pois não queríamos ser pegos. Ai não sei quanto tempo de descida foi, mais depois de uma ponte pegamos uma trilha a direita. Ai veio a pior parte da noite, uma bela de uma subida! haha Tinha hora que parecia STEP.. haha Mais tiramos de letra, pessoal aguentou bem o ri timo. Mais algum tempo de subida e chegamos ao lugar onde iríamos acampar. É um lugar cheio de maquinas, caldeiras e embaixo de uma ponte. Lugar meio sinistro, mais muito legal! [align=center] Caldeira e ao fundo a ponte.[/align] Mal chegamos e a galera já foi se arrumando, arrumando espaço pra barraca e depois começaram os preparativos do churras. Eu realmente duvidei que rolaria um churras lá, mais a galera mandou braza. Churras sensacional, regado a catuaba, vinho e suco. Ahh.. e também era comemoração do Marcelo lá, gente boissima!! Muitas risadas e o cansaço foi aparecendo. Alguns se retiraram cedo e outros (tipo eu) só umas 5 da matina. [align=center] Marcelo, aniversariante e churrasqueiro. As barracas montadas. Thx Lan por me ceder a sua! hahah[/align] Logo de madrugada (eram umas 6hrs) já começou a barulheira para todo mundo acordar e levantar acampamento. Cerca de 8 horas de trilha nos esperavam ainda, porem tinha um detalhe: Choveu de madrugada. Segundo os guias, as pontes estavam em estado precário e pra ajudar elas tinham lodo onde teríamos que passar. Ou seja, ponte podre e escorregadia. Fizemos uma breve reunião para ver continuávamos ou retornávamos. A maioria votou em continuar, porém era muito arriscado, então todos concordaram em voltar e tentar em uma próxima vez. Segurança em primeiro lugar né. Acampamento desmontado, bora camelar de volta a Paranapiacaba. Demos uma pequena volta e chegamos à ponte onde dormimos embaixo. Conforme íamos chegando à ponte fomos vendo o que nos esperava. Uma ponte totalmente podre, caindo aos pedaços, cheio de ferrugem e com as medeiras que dava ate medo de pisar nelas. Bom, nem pensamos e começamos a fazer a travessia. Cada um ia do jeito que achava mais seguro. Alguns sentados, outros ajoelhados, outros com as duas mãos nos trilhos e indo com um pé de cada vez... Alguns com mais dificuldade outros com menos, mais todos muito corajosos. [align=center] O que nos esperava. Não seria facil. Essa tinha 50m de altura.[/align] Passamos pela primeira e ai descobrimos que ainda faltavam mais duas! hahaha E pra ajudar mais ainda, as próximas duas eram piores do que a primeira porem mais curtas. Depois da primeira, andamos uns 10 minutos e já chegamos à segunda. Novamente nem pensamos e já fomos atravessando. O sol já estava de rachar, eu não estava mais suado e sim molhado. A cada olhada para baixo, parecia que tinham jogado um balde em cima de mim de tanto suor que escorria do meu rosto. Passamos a segunda ponte com as mesmas dificuldades da primeira e partimos para a terceira. [align=center] Galera atravessando.[/align] A terceira estava em um estado deplorável. hahah Bem podre mesmo. Enquanto atravessávamos encontramos outro grupo que estava indo para a primeira ponte que passamos para fazer rapel. A ultima ponte, apesar de ser a pior, foi a que vencemos mais rápido. Não sei ser era a vontade de tomar uma cerveja que nos dava coragem! hahaha [align=center] Eu e Lan se prepadando pra encarar a ponte.[/align] Apos vencermos a ultima ponte seguimos para Paranapiacaba. Acredito que tenha sido uns 30/40 minutos de caminhada seguindo a linha do trem. No final da trilha ainda tivemos que pegar uma subidinha com uma mata muito fechada. Nessa hora já devia ser próximo ao meio dia. O sol tava queimando demais. [align=center] Speto, Lan e Elvis comemorando o final das pontes.[/align] Ao lado do final da trilha havia uma cachoeira e ai o grupo se dividiu novamente. Alguns queriam ir para lá e outros ir pro bar (adivinha pra onde eu fui? hahah).Chegando ao bar, eu todo suado, fedido e cansado não quis nem saber e logo fui pedindo uma gelada. E foi assim que terminou essa trip. Varias garrafas depois fomos embora para pegar o busão para voltar a Rio Grande da Serra e pegar o trem para Sampa. [align=center] No buteco comemorando. Dominamos o lugar! Esperando o trenzão para voltar para casa.[/align] Resumo da viagem: Muita adrenalina na hora de ir, churras da hora durante e muita coragem e superação na volta. Essa trilha misturou vários tipos de emoção em apenas 1 dia e meio. Sensacional. A galera também, nem se fala. Espírito de mochileiro, amizade, companheirismo e comprometimento em preservar a mata.
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