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  1. Salve salve mochileiros! Segue o relato com algumas dicas para fazer uma bela trilha onde irão encontrar algumas maravilhosas cachoeiras, belas paisagens e uma natureza fantástica bem perto da cidade de São Paulo e de baixíssimo custo. Ida - 10/09/18 - 05h00min - São Paulo x Rio Grande da Serra x Paranapiacaba - Metrô e Trem R$4,00 - Ônibus R$6,90 Partindo de São Paulo do bairro Perdizes Zona Oeste, peguei o Metrô na estação Vila Madalena (linha verde) até a estação Paraíso (linha Verde x Azul) para baldear para a linha vermelha seguindo até a estação Sé (linha Azul x Vermelha) onde peguei para a estação Brás (linha Vermelha), para finalmente pegar o Trem da CPTM sentido Rio Grande da Serra que foi nossa primeira parada. O trajeto todo até a primeira parada teve uma duração de aproximadamente 1h30min . Chegando na estação de Rio Grande da Serra, após sair pelas catracas atravessamos a linha do trem e viramos para a direita na rua e depois viramos na primeira rua a esquerda onde tem um ponto de ônibus que leva tanto para a vila de Paranapiacaba quanto para a entrada da trilha que fica a poucos quilômetros de Rio Grande da Serra. O ônibus é do transporte público então é só esperar alguns minutos que logo encosta um. Mas antes de pegar o busão nós aproveitamos e fizemos umas comprinhas nos mercados e padarias que encontramos por ali ao lado do ponto de ônibus, nada de mais, somente alguns pães, água, presunto, queijo e chocolates, pois nossas mochilas não poderiam ficar pesadas para fazer a trilha. Comprados nossos alimentos seguimos para o ponto e em alguns minutos o ônibus chegou. Conversei com motorista antes e pedi para o que nos deixasse na entrada da trilha da Cachoeira da Fumaça e minutos depois la estávamos na entrada da trilha. Na entrada existe uma porteira de madeira, é só dar a volta e atravessar e seguir reto por esta estrada passando por baixo dos fios das torres de energia elétrica onde existe um barulho da energia correndo pelos fios bem sinistro mas sem perigo nenhum. Passando esses fios ai sim inicia a trilha com muita lama em alguns trechos então o cuidado tem que ser maior para não acontecer possíveis quedas. O inicio da trilha é de nível fácil, a única dificuldade mesmo é a lama intensa, mas aconselho a retirarem os sapatos e irem descalços, assim você não os suja para a volta e ainda sente a incrível energia que a natureza irá colocar nos seu corpo entrando pelos seus pés. É fantástico! A primeira parada na trilha foi em uma prainha de água cristalina com uma pequena queda de água, um ótimo lugar para se refrescar e tomar um pouco de sol, ficamos por alguns minutos ali vendo vários girinos e peixinhos nadando naquela água cristalina. Depois de contemplar aquele primeiro paraíso seguimos a diante. A trilha começa a ficar bem fechada mata a dentro, em alguns trechos ela irá cruzar o rio tendo que continuar a trilha do outro lado. Após andar pouco mais de 20 minutos chegamos em um ponto muito legal, a segunda parada da trilha foi em um ponto onde se consegue ver cidades litorâneas como Cubatão, Santos, São Vicente. Um lugar de uma imensidão grandiosa da natureza contrastando a mata e a cidade, ótimo lugar para tirar belas fotos. Seguindo a trilha mais a frente por alguns minutos já começamos a ouvir o barulho de água caindo, chegando perto do rio nos deparamos com uma grande queda de água, uma cachoeira linda, com um grande volume de água caindo. Ficamos algumas horas nesse local perplexos com a grandeza de detalhes que a natureza estava nos proporcionando. O banho de cachoeira é quase obrigatório e é de lavar a alma! Fizemos nossa terceira parada e nosso café da manha ali naquele paraíso. Seguindo o curso do rio encontramos a trilha novamente, andamos mais alguns minutos pela mata, mas sempre do lado do rio, foi quando um clareira se abriu na nossa frente nos mostrando aquela imensidão grandiosa da natureza novamente e o rio que estávamos seguindo se transformando em uma queda fantástica, a Cachoeira da Fumaça. Estava ali o nosso destino, uma cachoeira majestosa com uma delicada e ao mesmo tempo brusca queda de água que deixava o lugar com uma sonoridade única. Ficamos horas nesse lugar e ainda demos a sorte de não encontrar muitas pessoas, pois fomos logo depois do feriado de 7 de Setembro numa segundona braba hehehehe. Vantagens de quem tem folga na segunda rs. Foi um momento muito lindo ver aquela enorme cachoeira, aquelas montanhas rodeadas de matas verdes por todo canto e ainda contrastando com o mar ao fundo, sinceramente não estava nos nossos humildes planos toda aquela beleza de uma vez só! Mas a natureza ainda nos proporcionou uma ótima visão desta mesma cachoeira só que de frente. Encontramos alguns caras que estavam acampando por ali perto que nos indicou o caminho. Descemos pelo lado esquerdo da cachoeira por uma trilha bem escorregadia e medonha que levava de frente da cachoeira. Levamos alguns bons minutos descendo essa trilha pois foi de nível médio para difícil. A trilha estava muito escorregadia e de altura considerável então foi meio tenso a descida com as mochilas, mas conseguimos descer depois de alguns minutos e todo o esforço valeu muito a pena. A vista da Cachoeira da Fumaça de frente é de uma beleza ímpar. Algumas horas se passaram com a gente ali paralisados com tanta beleza, contemplamos aquela maravilha até o último momento, foi quando uma névoa cobriu todo lugar deixando a visibilidade muito ruim. Decidimos ir em embora pois estava ficando sem visibilidade por causa da neblina e não gostaríamos de pegar a trilha escura. Por volta das 16:30 arrumamos nossas mochilas e partimos para o retorno. Fizemos exatamente a trilha que viemos e foi bem rápido e tranquila. Volta - 10/09/18 - 16h30min - Paranapiacaba x Rio Grande da Serra x São Paulo - Ônibus R$6,90 - Metrô e Trem R$4,00 Chegando na rodovia do lado direito tem um ponto de ônibus, então é só caminhar até ele e aguardar pelo ônibus que em alguns minutos irá passar, e foi o que aconteceu, em menos de 20 minutos pegamos o ônibus de volta pra Rio Grande da Serra e finalizamos mais uma fantástica trilha bate e volta com cachoeiras e paisagens maravilhosas bem pertinho de São Paulo. Gratidão! Espero ter ajudado em algumas dicas e fico a disposição para qualquer dúvida. Vlw Instagram: https://www.instagram.com/tadeuasp/ Facebook: https://www.facebook.com/tadeuasp
  2. Rogerio K C

    Paranapiacaba - SP

    Estava vendo esta página da Veja e gostaria de saber se alguém recentemente foi a Paranapiacaba e se recomenda. Será que há alguma interdição do parque por causa da febre amarela? O que gostei deste destino foi o fato de ser de fácil acesso para quem é de São Paulo (só pega metrô, trem e um ônibus).
  3. Trilha feita em 03/04/2015. Álbum com todas as fotos estão em: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/ParanapiacabaCircuitoDasCachoeirasDoValeDaMorte?authuser=0&feat=directlink Eram 10:15 de uma bela manhã de outono qdo lá estava eu, saltando do trem na Estação de Rio Grande da Serra para mais uma pernada, dessa vez não exploratória, mas sim para fins de ter registros fotográficos digitais de algumas cachoeiras que eu já estivera 11 anos atrás, mais precisamente em 2004. Naquela época, a máquina que dispunha ainda era daquelas analógicas. A logística inicial era chegar aqui 2 horas antes, mas infelizmente o despertador falhou e eu só fui acordar 2 horas depois, saindo de casa por volta das 9h00, qdo o programado era sair até as 7h00. Tinha planejado fazer essas cachoeiras desde Fevereiro desse ano. Para essa trilha, convidei algumas pessoas com algumas semanas de antecedência, mas como nenhuma delas mostrou interesse em me acompanhar (inclusive não dando resposta alguma), acabei deixando para lá e optei por ir solo mesmo, infelizmente.... Chegando ao tradicional ponto do busão para Paranapiacaba, es que encontro a mesma cheio de gente, mas felizmente a maioria estava indo para a vila inglesa de Paranapiacaba. As 10:45 salto em frente ao inicio da trilha para a tradicional cachoeira da fumaça, trilha essa que já foi palco de várias outras pernadas exploratórias nos últimos 10 anos e que outrora já foi uma larga estrada de terra, mas que ficou reduzido a uma reles trilha estreita. Após ajeitar a mochila e fazer os alongamentos básicos de praxe, dou inicio a pernada propriamente dito as 10:50, logo de cara tendo que meter os pés no mini-lago permanente que existe bem no começo da trilha, por conta da mesma estar em um vale e por passar um córrego ali. Por isso nem calço as botas e vou de chinelo mesmo, calçando as botas mais para frente. Enquanto terminava de ajeitar a mochila, um grupo grande (de cerca de 12 pessoas que desceram junto comigo) passaram por mim e eu logo vi que iriam me atrasar. Dito e feito, os alcancei num piscar de olhos, mas tive que seguir no ritmo deles até chegar à uma enorme área de charco (o tal pântano), para só então conseguir ultrapassa-los. Isso porque, estavam em ritmo de tartaruga manca com muletas. Assim que cheguei, passei rapidamente na frente deles e disparei na frente, enquanto dava boas risadas por conta das meninas gritando por terem mergulhado seus tênis na lama, literalmente.... Trecho erodito da trilha A medida que ia me distanciando deles, o silêncio da mata voltou a ser a minha cia, nessa pernada que realizei totalmente solo. Após passar pelo Pântano, a trilha logo mergulha no frescor da mata me livrando do sol forte. Após passar por um grande trecho erodito da trilha, chego ao primeiro riacho, afluente do rio principal, onde quase dou adeus ao conforto da bota seca, se não tivesse visto um banco de areia a esquerda que tornou possível saltar de um lado para o outro sem molhar as botas. Ufa, ainda bem! Após o trecho de travessia de rio, a trilha passa por uma bifurcação em "T" (onde o caminho a seguir é para a direita), mais uma área de charco e depois passa a acompanhar o rio à direita até chegar ao mirante. Passo por uma mega piscina natural do rio e um descampado que cabe pelo menos umas 3 barracas. Água não é problema nessa trilha, pois a trilha passa por vários bicas e pequenos afluentes do rio e como estava com 1 litro de gatorade + 1 de suco natural na mochila, nem paro para coletar água. Mega piscina natural, onde tb há descampados Como não tem chovido nos últimos dias, a trilha estava bem menos enlameada e com isso pude desenvolver um bom ritmo, principalmente para recuperar um pouco o atraso lá do começo por conta do grupo grande. Uns 30 minutos desde a rodovia, chego ao 1º mirante, onde faço uma rápida parada para beber algo e também para ver o incêndio nos tanques lá em Santos. Dali era possível ver de longe as labaredas e a imensa cortina preta de fumaça poluindo o já poluído céu de Cubatão. Sempre achei um absurdo esses tanques de gasolina do lado de um ambiente natural e selvagem, como a serra do mar. Vista de Cubatão As 11:30, após atravessar o rio, passo por um descampado plano para 3 ou 4 barracas e ao lado da 1ºqueda significativa do Rio, uma bela cachoeira com uma piscina natural, onde havia um grupo de 4 pessoas curtindo o local e que cumprimento cordialmente. Por ter perdido cerca de 20 minutos lá atrás, nem paro na cachoeira e continuo em frente, aproveitando alguns rabichos de trilha que cortam caminho e que me livram do tédio de ter que caminhar entre as pedras do rio. 1ºCachoeira 10 minutos desde a mirante, vejo uma entrada de uma trilha bem demarcada a direita, que não existira até meados de 3 anos atrás. Antigamente, assim que se passava pela 1º cachoeira, o restante da pernada era pelo leito do rio até chegar ao topo da cachoeira da fumaça. Alto da Cachoeira dos Grampos, com o morro do careca em destaque, a frente Piscina natural do Rio vermelho, que se encontra com o rio da cachoeira da fumaça próximo ao portal Vou seguindo pela trilha bem demarcada que segue margeando o rio a direita e que termina bem próximo ao topo da cachoeira, o que ajudou a acelerar bastante os passos do que ir pelo rio. As 11:50, com cerca de 1 hora de caminhada desde a rodovia (meu normal sem atrasos é de 40 a 50 minutos), finalmente chego a famosa cachoeira da fumaça, onde para minha surpresa (ainda mais pelo horário -quase meio dia e feriado sem chuva) só havia meia duzia de gato pingado na cachoeira. Imaginei que por ser feriadão e com sol, estaria lotado. Mirante da cachoeira da Fumaça, detalhe para o incêndio nos tanques de gasolina em Cubatão Topo da Cachu da fumaça, vista do alto de um morro Descampado próximo a cachoeira da fumaça Como meu objetivo não era ali (e por conta dessa cachoeira já ter sido palco de várias outras pernadas que fiz na região nos últimos 10 anos), nem paro e logo pego uma trilha a esquerda do topo dela e inicio a íngreme descida serra abaixo pela sua encosta esquerda em direção ao conhecido vale da Morte, onde se encontram as cachoeiras da Garganta do Diabo e várias outras. A descida nesse trecho inicial é bem tranquila e 15 minutos depois já estava na base da cachoeira da fumaça, que foi merecedora de alguns cliques, é claro. Vale a pena descer até sua base para contempla-la. Descendo pela trilha Vista lateral da Cachu da fumaça Após os cliques, atravesso o rio e pego a continuação da trilha em direção as outras quedas do rio, como as cachus do funil, Poço da fumaça, Portal e Garganta do Diabo. Já havia passado do meio-dia e não poderia perder muito tempo, para não comprometer o retorno e ter que voltar no escuro, embora tenha trazido lanternas para isso.Do outro lado do rio, encontro a continuação da trilha que dá acesso as outras cachoeiras em patamares inferiores a da fumaça. Vista de uma das 2 grandes quedas da cachu A cachoeira, vista por baixo São quedas menores em relação a fumaça, mas que são compensadas por belas poções naturais. As 12:05, chego a uma nova queda do rio, que por não saber o nome, batizei de cachoeira poço da fumaça. É uma bela cachoeira com cerca de 10 metros de queda. Mas chegar ali não foi fácil, pois depois que saí da base da cachu da fumaça, a trilha vira uma pirambeira daquelas, onde qualquer descuido, significaria despencar morro abaixo até o rio. Nos trechos mais complicados, existe cordas que se mostraram extremamente útil, principalmente se você estiver passando por aqui com mochila cargueira ou voltando de noite, por exemplo (antigamente não tinha). Cachoeira poço da fumaça Piscina natural da cachu Um outro grupo que estava na base da fumaça (no momento que passei por lá) tb estavam descendo, mas pareciam não saber o onde estava a continuação da trilha e estavam descendo pelo rio a esquerda, enquanto eu atravessei em linha reta até a outra margem e desci pela trilha que segue a direita. Cheguei na base da cachoeira e eles ainda estavam lá em cima procurando o caminho. Dei uns gritos e apontei para onde estava a trilha que desce. Já na poço da fumaça havia um casal e mais um carinha apenas. Parei rapidamente para tirar fotos e logo retomei a pernada em direção da segunda queda, a cachoeira do Funil. Rio da Cachoeira do vale Trecho pirambeiro com uma corda E da-lhe pirambeira dos infernos novamente, essa eu tive que descer na base da desescalaminhada, literalmente. Assim como a outra, também havia uma corda instalada que novamente foi bem útil. Mesmo assim, tive que tirar a mochila das costas em alguns trechos, por cautela. Mesmo com as cordas, foi um pouco tenso descer ali, pois a trilha estava um pouco escorregadia e os poucos pontos de apoio não eram confiáveis. Passado esses trechos, chego na base da 2ºcachoeira, onde não havia ninguém. Dono absoluto do lugar, fiz uma parada para um lanche e relaxar os músculos, que estavam meio trêmulos devido aos trechos tensos que exigiu bastante dos músculos da perna de tão ruim que estava. Só se salvou o fato da trilha ser bem demarcada, não ter bifurcações e agora ter cordas fixas que ajudaram bastante nos trechos mais pirambeiros. Cachoeira do Funil Os 2 trechos são curtos, mas perde-se muito tempo ali. Claro que tudo isso pode ser facilmente evitado pegando uma trilha-atalho que sai lá do topo da cachoeira da fumaça e desce direto por dentro da mata e cai quase ao lado do Portal. Ela corta um belo caminho, evitando todos esses perrengues. Em cerca de 15 a 30 minutos vc chega ao Portal. A outra trilha que desce até a base da cachoeira da fumaça e vai pela margem do rio é só para quem quer ver a cachoeira da fumaça por baixo e quiser passar pelas outras cachoeiras do rio. Por isso, se quiser chegar mais rápido ao Portal e as cachoeiras do Vale da Morte a partir do topo da cachu da fumaça, desça pela trilha atalho que sai dos descampados lá do topo da cachoeira. Ela é bem fácil de achar. Assim, economiza-se pelo menos 40 minutos de caminhada e a descida é bem mais tranquila. Fica a sua escolha! Após o breve descanço, retomo a pernada, agora em direção ao Portal, onde os 3 grandes rios da cachoeira do vale, grampos e fumaça, se encontram. Depois da 2º cachoeira, há mais um trecho complicado de descida, onde encontro mais uma corda fixa amarrada, dessa vez sobre uma grande rocha. Como estava sozinho, os cuidados tem que ser em dobro para evitar acidentes, pois um resgate num lugar desses é bem complicado e em meio de vales, sinal de celular praticamente inexiste. Fim da descida do rio da cachoeira da fumaça, detalhe para a corda no rochedo Bifurcação onde os rios vermelho (da cachoeira dos grampos) e da fumaça se encontram). É exatamente nesse ponto que as 2 trilhas-atalho terminam Pouco antes de chegar ao portal, encontro com 3 trilheiros que estavam fazendo a travessia da ferradura, vindos do Poço de Cristal e cachoeira do vale e que perguntaram da trilha que sobe até a cachu da fumaça. Indiquei as 2 opções de trilhas à eles. A trilha atalho que vai direto ou a trilha que passa pelas cachoeiras, mais bonita, porém mais demorada e com trechos ruins. Eles optaram pela trilha atalho e após mostrar onde estava a entrada, me despeço deles e retomo minha caminhada. No portal, além do encontro dos 3 grandes rios, há tb uma cachoeira conhecida como a Cachoeira do Portal, onde chego as 13:00hs. Cachu do Portal A partir de agora, os 3 grandes rios viram um só e a partir desse ponto, inicia-se o Rio da Onça, rio esse que desce furiosamente, formando várias outras cachoeiras serra abaixo. Ali é praticamente o coração do Vale da morte. Um vale que fica na base do Morro do careca e encravado em meio a vários outros morros. Após contornar os enormes rochedos, passando por pequenas grutas em meio dos rochedos, inicio a descida do Rio da Onça. A partir dali são cerca de 30 a 40 minutos de caminhada até a Cachoeira da Garganta do Diabo. Inicio do Rio da Onça No Rio da Onça (trecho entre o Portal e a Garganta do Diabo) Vou descendo o rio sem grandes dificuldades, já que o trecho mais íngreme entre a cachu da fumaça e o Portal ficou para trás. E depois de pular pedra aqui, ali, acolá, finalmente chego à cachoeira da Garganta do Diabo as 13:43, com exatas 3 horas de caminhada desde a rodovia para o merecido descanço. Mas não sem antes contemplar a bela cachoeira, que realmente parece uma garganta de tão estreita e profunda que é. O rio afunila e despenca em meio a um enorme paredão estreito que é de impressionar. Cachoeira garganta do Diabo visto por cima De frente Descampado ao lado da cachu Ao lado da cachoeira, há descampados protegidos e planos no meio da mata para cerca de 4 a 5 barracas do tipo "iglu" e que havia vestígios de acampamento recente, inclusive. Como não havia nínguem, fui dono absoluto do lugar. Depois da contemplação da cachu, almocei e fiquei cerca de 40 minutos a toa ali. Até pensei em seguir mais para frente, mas com o horário avançado (Já havia passado das 14h30 e o céu estava com cara de chuva), resolvi abortar o resto da caminhada até a cachoeira do Tobogan e do Poção. A garganta Bem profundo As 14:40 dou adeus a cachoeira e inicio a caminhada de volta que transcorreu sem grandes problemas. Ao contrário da ida, na volta optei por subir pelo atalho que vai direto até o topo da cachu da fumaça. A ideia era essa até notar uma trilha nova que começa exatamente no cruzamento entre 2 rios (da fumaça e dos grampos), que me despertou a curiosidade em explora-la e ver aonde iria dar. Então, abandono a trilha principal em favor dessa trilha nova. As 15:20, inicio a subida da mesma que logo de cara se mostrou uma pirambeira daquelas, com vários lances de escalaminhada, onde o auxílio das mãos foram constantemente necessários para impulso nos troncos e pedras. Cachoeira do rio vermelho Mesma foto, com zoom A subida é árdua, o que me fez parar algumas vezes para recuperar o fôlego. E da-lhe escalaminhada, mesmo sabendo que é curta, parecia não ter fim. 25 minutos desde o portal, a trilha nivela e logo chego a bifurcação onde a trilha nova encontra com a antiga bem no final dela, terminando nos descampados do alto da cachu da fumaça. Ambas as trilhas sobem o mesmo morro em caminhos diferentes. Trecho pirambeiro da trilha nova com uma corda A antiga achei melhor por estar mais larga e batida, embora tenha alguns trechos de trepa-pedra, onde é necessário até tirar a mochila e jogar para cima, para facilitar a escalada por alguns trechos eroditos, estreitos e de pedras. Na trilha nova, não encontrei nenhum trecho assim e em alguns trechos havia até cordas para auxílio, porém ela é um pouco mais estreita que a outra. De volta ao topo da cachu da fumaça, dou um tempo ali para relaxar os músculos das pernas e aproveito para comer algo e molhar a goela seca. As 16:30 inicio o caminho de volta, chegando a rodovia por volta das 17:25 a tempo de pegar o busão das 17:30 de volta para a estação de trem e depois o trem de volta para Sampa, chegando em casa pouco depois das 19:00h, cansado, mas feliz. Mesmo 12 anos depois de ter posto os pés pela primeira vez nessa região e de ter explorado trilha por trilha cada fim de semana nessa parte fora da vila de Paranapiacaba, ainda me surpreendo como essa região da serra ainda reserva tantos lugares e cachus escondidas, prontos para serem descobertos. Tudo isso a menos de 50 km duma das maiores cidades da América do sul. As melhores e mais bonitas cachoeiras e belezas naturais de mata virgem e selvagem você só encontra nas entranhas da serra do mar. ---------- Algumas infos, principalmente para os iniciantes em trilhas na serra do mar: -> A cachoeira da Garganta do Diabo está a mais ou menos 3 a 4 horas de caminhada a partir da Rodovia, contando com algumas paradas para descanço e lanche, dependendo do seu ritmo ou do grupo. A trilha até a cachoeira da Fumaça é bem tranquila, mas a partir do Portal, não há mais trilha e a caminhada é feita pelo leito do rio. Você só reencontrará a trilha na Garganta do Diabo. Já a Cachoeira da Fumaça leva-se em torno de 1 hora em ritmo médio da rodovia até lá. A maioria das pessoas costuma ir somente até a Fumaça. -> Se não quiser passar pela base da cachoeira da fumaça, além das outras 2 cachoeiras logo abaixo dela, desça pela trilha atalho que sai dos descampados do topo da cachoeira da fumaça a direita. Ela desce direto e termina próximo ao Portal. De lá, segue-se por mais ou menos 40 minutos até a Garganta do Diabo. Muito cuidado no trecho de rio, pois há várias fendas entre as rochas. Utilize calçados adequados, como bota de trilha por exemplo. -> No trecho entre o Portal e a Garganta do Diabo, há 2 descampados que cabem apenas 1 barraca do tipo "iglu" que podem ser utilizados em caso de emergência ou para o caso de você ter começado tarde a trilha e estar chegando ali a noite. Uma delas está localizado em uma gruta do lado esquerdo do Rio e a outra um pouco mais abaixo, do lado direito do rio. -> Também é possível chegar na Garganta e em outras cachoeiras mais abaixo a partir da trilha da Cachoeira do Vale e Poço de Cristal. Porém, a distancia até lá é maior. O caminho mais rápido é pela trilha da cachoeira da fumaça. A partir da Garganta do Diabo não me recordo se há descampados planos para montar barraca. Por ser relativamente perto, eu montaria acampamento na Garganta e desceria o resto só de mochila de ataque, se livrando do peso da cargueira. -> Se for fazer apenas batevolta, comece a trilha no máximo até as 9h00, afim de chegar na Garganta por volta do meio dia e ainda ter tempo para ir as outras 2 cachoeiras logo abaixo que são relativamente próximas a da Garganta (não dá nem 1 hora de caminhada, dependendo do seu ritmo) -> Se for acampar, traga o seu lixo de volta, mantenha o local limpo, seja consciente para que o local não seja fechado, como ocorreu nas trilhas de Paranapiacaba. Ali, segundo fiquei sabendo, os motivos eram porque tinha gente se perdendo e a quantidade enorme de lixo que muitos deixavam nas areas de acampamento, assim como nas cachoeiras também. -> Não faça fogueiras em hipótese alguma, pois um descuido e você pode começar um incêndio de grandes proporções na mata. Se for esquentar comida, utilize fogareiros. -> Se não tiver experiência suficiente em caminhadas por trechos de rios e nem farejo de trilha, vá com alguém mais experiente e ganhe conhecimento com essa pessoa. -> Repelente e protetor solar são itens indispensáveis, principalmente o repelente, pois na Serra do mar há muitos borrachudos que picam até por dentro da roupa, se encontrarem qualquer abertura. -> Mesmo se não for acampar, leve sempre lanternas com pilhas reserva para não correr o risco de ser pego pelo cair da noite antes de chegar no final. Na Floresta, escurece mais cedo do que na cidade. Atente-se a esses detalhes.
  4. Richard Couto

    Onde Acampar em Paranapiacaba?

    Eae gente, deixa eu perguntar, alguém que acampou recentemente em Paranapiacaba ou conhece algum camping lá? Li umas matérias na internet que falaram que estava proibido, porém são matérias muito antigas, alguém sabe me dizer como está a situação lá? Valeu ! ^^
  5. Bom dia a todos, Estou para realizar a trilha da Cachoeira da Fumaça em Paranapiacaba passando pela Garganta do Diabo e o Lago Cristal. Lendo vários relatos me deparei com grande quantia de comentários a respeito de assaltos na trilha, e muita gente frequentando-a sem preocupações com seus lixos e fazendo baderna (Farofeiros). Gostaria de informações atualizadas sobre esta situação e também sobre a situação do local e das trilhas. Outra coisa que me chamou a atenção foi referente a proibição da realização das trilhas e da permanência no local estando sujeito a multa. Gostaria de saber se esta informação ainda procede e se existe algum risco referente a isso e entre outros quando for realizar a trilha. OBS: Nunca realizei essa trilha antes! (Abaixo imagem sobre comentário referente a proibição) Agradeço a todos desde já!
  6. Informações relevantes de extrema impotancia atualizadas e detalhadas para fazer suas Trilhas e Travessias na região de Paranapiacaba. Não se baseie em informações antigas para fazer suas aventuras. Consulte previsão do tempo....mesmo sendo local propenso a mudança de clima. E se prepare pois se está ruim, pode piorar caso não tenha as habilidades necessárias... Essas informações a seguir servem apenas para ressaltar alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração. Apesar de conter informações atualizadas e precisas não o considere como um guia oficial. Travessia Raiz da Serra Paranapiacaba ate Cubatão Não se arrisque caso não tenha experiência....o risco é real...não é como acampar no quintal da vovó.... Já fizemos diversas investidas na região de Paranapiacaba e arredores......trilhas, travessias.....Até alguns circuitos que atravessa o vale todo, ja descemos pirambeiras e subimos no mesmo dia isso entrando na trilha logo ao amanhecer....pausas em lugares fantásticos....Não consegui colocar fotos nesse primeiro momento pelo celular não carregou......estarei colocando fotos e detalhando... Devido aos deslizamentos e outras erosões as trilhas estão em níveis acima do moderado....pesado de dificuldade superior mesmo com falta de chuva... Vivendo e aprendendo....estamos aqui para trocar experiências e aberto a aprender sempre..... Trilha Poço Formoso Acesso restrito, está em condições acima do moderado..... Um amigo e eu descemos ao Poço na sexta-feira 28/07/2017 decidimos descer um pouco mais tarde e a trilha está ruim bastante esburacada, pedras soltas, troncos e locais com certo perigo devido aos deslizamentos e erosões mas possível a descida... Em certo ponto ja tem até uma trilha opcional para cortar um ponto de deslizamento....Até da pra passar ainda mas com cuidado para não cair..... A vista e sensacional grande vista geral de grande parte do Vale, da pra ver algumas pontes e túneis do antigo e desativado sistema funicular......em certos pontos abertos e possível ver torres de transmissão que seguem vale abaixo.... Em um ponto da trilha tem um buraco com deslizamento onde o Matheus Camaleão caiu na volta do Poço...por fim a dor veio só depois pq estava com sangue quente mas sem novidades.....nada mais grave por sorte ele se segurou e não caiu barranco abaixo.... Percebemos que o Poço Formoso esta com fluxo muito abaixo do nivel de agua....inclusive no meio da trilha existe pontos de passagem de água....o primeiro ainda tem água descendo.....porém o segundo está seco só nas rochas.... Certo ponto da trilha tambem tem bastante água descendo... Praticamente dentro da trilha na Mata fechada meu irmão o Nê ligou achei muito estranho ter sinal e o celular tocar......Mas não consegui atender e retornei a ligação via vídeo.... Para nossa surpresa funcionou e começamos a descer a trilha por uns 300 metros ou mais ate a segunda torre onde perdemos o contato após a tentativa de mostrar o trem subindo a serra.....porém qualidade e movimentos não ajudaram muito..... Seguindo trilha abaixo....... Na chegada ao Poço Formoso encontramos um tipo de roedor de tamanho razoável na Mata a direita, mas acabou se afastando...na volta sentimos um cheiro forte provavelmente de algum animal muito próximo e tratamos de andar logo nesse ponto..... Chegamos no final do dia tranquilo e prontos para próxima.... Vamos ver se nas próximas o Luis Nê e o Caio Jacaré tomam coragem e participam da aventura...ou vai virar lenda!?!?! O meu primo Renato Gordo e o Bruno Supla talvez entrarão nas próximas barcas...De repente o João irmão do Jacaré também topa a trekking...Não queria falar no pezinho do Jacaré que está com uma torção duvidosa......mas tudo bem!!!!!ele ate comentou depois de fazer uma travessia ate o litoral....!!!! ------------------------------------------------------------------ obs...essa parte abaixo inseri depois 13 de agosto. Infelizmente muitas trilhas e tal na regiao que não tem fiscalização e muito menos segurança alguma aos trilheiros..... Muitos vao na sorte e risco.....e outra a prefeitura de Santo André que deve ser responsável pela região não investe....Local muito abandonado principalmente em dias de semana.....mesmo indo algumas excursões......tipo alguns poucos ônibus....tem uns que dizem "MORAR" na região e aparenta índole e perfil duvidoso devido vícios em drogas e postura não apropriada.....Não digo pessoas humildes de baixo poder aquisitivo e roupas mais usadas..Mas tb....em que lugar não tem??.......por outro lado existe sim pessoas trabalhadoras e corretas que merecem tudo respeito....Não se pode generalizar por causa de meia dúzia..... (o paraíso pode virar um inverno) Digo...pode ser que pela condiçao do tempo....por se perder na mata ou até pior ser assaltado....Até o pior pode acontecer....se é que me entende....em qualquer lugar estamos sujeitos a tudo......então não dá pra dar bombeira.......Até pq já fiquei sabendo de assaltos na região de Cubatão na trilha para lagoa azul.....Um local que tenho vontade de visitar........vai saber um monte de doido por aí.....ouvi dizer ate história de um cara que mora na região que bateu na mãe.....imagina vc encontrar um desse.....pensa ae o cara bate na mãe.....o que ele pode fazer com "alguém" que ele não conhece? NÃO ESTOU FALANDO DENTRO DA VILA DE PARANAPIACABA E SIM DE SUAS MATAS AOS ARREDORES QUE PODE SER PERIGOSO.......ISSO DEVIDO ALGUMAS VEZES QUE ME METI NA MATA NA MAIORIA DAS VEZES SOZINHO....Ate porque adoro ir à Vila e ficar de bombeira andando por todo lado e conhecendo cada vez mais..a culinária não é das melhores...mas encontra coisa boa......é um lugar que vale muito a pena ir.....Estou direito na região e conheço bastante.....recomendo visita no museu ferroviário e até passeio de trem...fique atento nos detalhes......Bom passeio.... Não aconteceu nada comigo e só um desabafo.....Um desconforto....que bateu.......uma maneira de ver as coisas......Pode ser que depois eu vejo por outro ângulo e edito....escrevo mais ou até apago tudo isso....... ------------------------------------------------------------------ Falando um pouco sobre outras trilhas na região.... A Trilha para cachoeira escondida está boa em nível moderado....mes passado fizemos 2 vezes lembro também que na segunda vez choveu no dia e estava tendo convenção das bruxas e magos....porém trilha com acesso restrito... Pedra Lisa acesso proibido...nem é bom ir. Local de perigo...As pessoas têm escorregado da pedra e aí já era porque é muito alto não tem como sobreviver.... Poço das Moças acesso proibido... Cachoeira da fumaça acesso proibido..não tenho certeza de como está a situação. Cachoeira da barragem.... Pedra Furada... Acesso restrito não significa proibido.... Ainda assim alguns aventureiros não autorizados fazem essas trilhas atualmente proibidas tornando-se um passeio clandestino... Para chegar em algumas trilhas é preciso passar por guaritas sendo mais restrito o acesso. Por outro lado existem trilhas opcionais que podem ser percorridas tranquilamente.. Semana Passada fomos ao festival de inverno.....o estacionamento estava em um espaço a 5 km da entrada da vila na parte de cima.....o valor do estacionamento estava em 40 reais e você descia de ônibus tipo fretado....Mais a fila era grande tipo mais 800 pessoas em fila única.....Na volta do festival mais uma vez o Camaleão e eu não tivemos coragem de esperar e fomos na pernada até o estacionamento.....5 km pra fechar até o estacionamento.....sorte que sempre estou preparado e usamos as lanternas de cabeça.....Mas valeu a pena a aventura...Não tem jeito ou vai e racha....ou senta e chora!!! E é isso!!!! Agradeço ao Camaleão pela coragem, disposição e bravura em nossa expedição!!! Preparação/ equipamentos.....autorização de acesso em locais restritos e melhores épocas... o que levar na mochila? Mochila adequada (carqueira ou mochila estanque impermeável) Documentos de identidade Barraca/ saco de dormir/ abrigo Manta térmica... Cantil de água. (2 litros por pessoa...mesmo sendo possível encher o cantil.....recomendado clorin para purificação da água coletada) Pederneira/ fósforo/ isqueiro facão/ canivete suíço inox (pode ser muito útil) GPS/ rádio comunicador/ celular. Bússola (sabe usa-la?) Repelente de insetos/ Protetor solar. Alimentos Roupas reservas e bota impermeável Sacos plásticos extras Capa de chuva Lanternas bastão e de cabeça (pilhas reserva e extras) Equipamento de rapel Remédios de uso particular Kit de primeiros socorros Claro que vai depender da dimensão da sua aventura. Lembre-se de fazer o descarte consciente do lixo produzido em local apropriado. Muitas vezes recolhemos o lixo dos outros em preservação do meio ambiente....pense nisso e ajude a preservar a natureza..... Será ressaltado e abordados assuntos relacionados. O intuito é orientar para não entrar em furada...Até pq ninguém quer dormir no meio da mata atlântica sem prévio aviso e passar a noite perdido despreparado sem equipamentos apropriados.. o que levar no kit de primeiros socorros? descritivo do kit...e seus níveis...
  7. Salve galera!! Aqui vai a minha edição de como foi a trilha para a Cachoeira Anubis em Paranapiacaba. O ideal é acordar bem cedo, pois a trilha é longa e não muito trivial. Não há muitas demarcações na descida pelo rio, portanto é fácil de se perder. Há alguns trechos de escalaminhada também. Na sequência mostrarei o Lago Azul e Cachoeira Paraiso em Cubatão. Realmente é um paraíso, é muito bonito. O acesso é pelos dutos que se avista pela Rodovia Anchieta. Por último a Cachoeira Porteira Preta em Salesópolis, um lugar bem simples, mas de fácil acesso. Segue o link do youtube abaixo:
  8. Após o meu retorno para São Paulo e me acostumando com a vida rotineira de casa-trabalho-casa e vendo prédios para todos os lados, resolvi com mais 04 amigos fazer a trilha da Ferradura, na cidade de Paranapiacaba, que fica a 50 km do centro de São Paulo. Uma das cachoeiras da trilha A trilha tem um grau de dificuldade que poderia falar que é difícil, o caminho não tem nenhuma conservação e pela quantidade de pessoas que frequentam o lugar nos finais de semana a situação acaba ficando bem precária, em boa parte do tempo a trilha fica nas pedras, isso acaba gerando um cansaço maior por ter que ficar subindo e descendo em lugares escorregadios, tem que tomar cuidado para não escorregar e se machucar, é tanta gente fazendo que nem precisa de guia, é praticamente seguir o fluxo, infelizmente o lugar acaba traindo pessoas que não conseguem entender a importância de respeitar a natureza, é normal ver lixo pelo caminho, pessoas fazendo churrasco e som ligado em volume alto, isso tira um pouco da magia do lugar, a sugestão que eu dou é seguindo em frente, quanto mais longe do começo das cachoeiras, melhor. Começo do trilha Para quem vai no meio de semana, da para fazer sozinho sem guia, nas arvores a fitas amarelas indicando o caminho correto, e recomendo usar o google maps, ele consegue te ajudar e muito, abaixo vou colocar uma foto da trilha. Vamos agora a um simples relato para tirar suas dúvidas: - Como chegar? Bom, acabamos decidindo ir de carro e coloquei no google maps para ir ate um lugar chamado Cefelqui, que me parece que é um pesqueiro hehehe, ali na frente tem um bom gramado onde você poderá deixar o carro de graça, a trilha começa a menos de 500 metros dali, pela Rodovia Deputado Antonio Adib Chammas, posteriormente descobri que o local tem estacionamento no valor de R$15,00 a diária, porem como chegamos antes das 08h, ainda não estava aberto. A outra forma para chegar em Paranapiacaba, que um amigo nosso fez, foi ir de transporte público, ele pegou a Linha Turquesa da CPTM, ate a estação de trens Rio Grande da Serra, ali na frente da estação, sai o ônibus para Santo André (Paranapiacaba), ai só pedir para o motorista para te deixar no começo da trilha, não tem erro. Como fomos em um domingo, eram dezenas de pessoas fazendo esse trajeto, na volta é só retornar no sentido oposto do qual você veio e esperar passar o ônibus para Rio Grande da Serra. Mapa da trilha da ferradura. - Onde comer? Essa não tem erro, em nenhum lugar hehehe, a trilha não possui nenhuma infraestrutura, esteja preparado, leve água suficiente para um dia, comida, frutas, só cuidado para não exagerar e ficar com uma mochila muito pesada, ne?! hehe - Consigo acampar? Sim, é possível acampar durante a trilha, caso queira isso, é recomendado ir na sexta feira a noite, assim você terá mais espaço para escolher, mas se você procura sossego e um contato maior com a natureza, o lugar não é para você, a quantidade de pessoas, o barulho das músicas, churrascos e bebedeiras quebram um pouco do encanto do lugar. A trilha vai descendo entre as montanhas por essas pedras lisas e escorregadias. Cuidado! - O lugar é perigoso? Olha, confesso que nunca fui fã de trilhas próximos a grandes cidades, você acaba escutando muitos relatos de assaltos e coisas parecidas, como a trilha é totalmente largada, não há nenhum controle e presença por parte do Governo, então é meio que normal muitas pessoas irem com facões na cintura ou mochila para caso seja necessário, mas como fomos em um Domingo e tinha tanta gente que era difícil de acontecer algo, mas é bom tomar um pouco de precaução. Uma das cachoeiras da trilha Qual o grau de dificuldade da trilha? Olha, eu já fiz bastante trilha na minha vida, nessa eu achei de moderado para difícil, mais pro difícil do que moderado hahaha. A questão como falei antes é que por não ter nenhum tipo de preservação, algumas partes são bem difíceis de avançar, exigindo um esforço maior, e boa parte da trilha é por pedras lisas, então é normal ter que descer e subir nelas, isso gera um esforço e cuidado maior. Começamos a trilha por volta das 08 horas da manhã e só fomos termina-la as 17:30h, claro que paramos para entrar na água, tirar fotos e comer. Acredito que andamos em torno de 15/17 km. Já que erramos em algumas partes. Bom, acho que essas dicas acima já irão te ajudar a chegar lá, não se esqueçam de levar outra troca de roupa, uma meia e chinelo, pois provavelmente terão que passar por poças de água, tente evitar o máximo possível, pé molhado em trilha nunca é agradável, eu consegui ate o finalzinho, ate que chegou em uma parte que não teve jeito, tive que afundar meu pé na água hehehe. Espero que vocês tenham gostado e qualquer dúvida estou a disposição. E sigam meu instagram @followtheportuga com muitas fotos das minhas viagens e meu facebook Follow the Portuga. Leve sacolas plásticas para guardar seu lixo, respeite a natureza. Follow me
  9. Olá, galera do Mochileiros! Estou postando esta trip que fizemos no último dia 10/07, muito cansativa, porém, igualmente compensadora!! Ao todo, foram cerca de 22km de caminhada. Confiram o relato, a seguir! --------------------------------------------- http://rotamassa.blogspot.com/2011/07/pedra-grande-de-quatinga-paranapiacaba.html Após algum tempo sem retornar à pacata região de Paranapiacaba, programamos, desta vez, um roteiro um pouco mais pesado - na verdade, muito mais pesado... Saindo de Paranapiacaba e seguindo por 10km, pela antiga Estrada de Taquarussú, passando pelo vilarejo de mesmo nome, avista-se, no horizonte, um enorme granito, de aproximadamente 100m de altura, preso no topo de uma alta montanha, 1120m acima do nível do mar. Esta é a Pedra Grande de Quatinga, já no distrito homônimo de Mogi das Cruzes, mostrando-se imponente em meio à Serra do Mar paulista, de onde se pode avistar a baixada Santista, e mesmo, o centro de Mogi, a 35km dalí. O caminho é longo - pouco mais que 10km -, em estrada de terra batida que abrange quase todo o percurso, sendo os últimos 2,5km caminhos difíceis e íngremes, inacessíveis a qualquer tipo de veículo. Nosso guia prático de bolso Chegamos à vila inglesa por volta das 9h30, o lugar parecia vazio, ao contrário da última vez, porém, havia seguranças controlando as entradas das trilhas próximas dalí, o que me fez presumir que, em instantes, o chamado Expresso Turístico, da CPTM, daria as caras por lá, trazendo assim, os turistas do dia. Passamos no centrinho da vila para comer algo e nos preparar para o árduo caminho que nos esperava. Tiramos nossas últimas dúvidas com moradores locais, a respeito de nosso destino - Pedra Grande - e assim, seguimos até a estrada de Taquarussú, aproveitando ainda para passar no pátio ferroviário aberto e tirar algumas fotos em frente aos dois 'Locobreques' - antigas locomotivas á vapor, de fabricação inglesa, que operavam no sistema funicular, atualmente, desativado - que estavam alí, jogados aos líquens. Galera... da esquerda para a direita: Ariel, eu, Finazzi e Thiago Enfim, às 10h30, deixamos Paranapiacaba e adentramos a antiga Estrada de Taquarussú. Este caminho, apesar de pouco divulgado, é ponto de partida para várias trilhas, que dão acesso a cachoeiras, ruinas e outros atrativos ainda pouco explorados e que, por não fazerem parte do município de Santo André, têm acesso livre, sem exigência de acompanhamento de monitores. No 'portal' da Estrada de Taquarussú... Ariel, Finazzi, Thiago e Gabriel Em 3,3km de caminhada pela estrada, chegamos ao vilarejo de Taquarussí, fundado por imigrantes italianos, no final do século IX. Um lugar de extrema simplicidade, porém, de rara beleza arquitetônica, presente em suas casas e na capela de Santa Luzia. Havia também, um lago cuja água apresentava uma coloração verde-azul descomunal - só foi uma pena não ser permitido nadar, apesar de o nosso mapa ter dado um bom mergulho alí, nos rendendo um bom susto! hawuhawu Ariel indignado com o incidente hawuwhwu Nosso mapa de bolso tomando Sol, após ter dado um mergulho no lago Adiante, andando por mais 3,5km, passariamos no Pesqueiro Truta das Pedrinhas para pedir maiores informações sobre a região. Mas fomos surpreendidos, no meio do caminho, por um riacho de águas cristalinas e calmas, que, não fosse a friaca do Inverno, teria nos convencido a permanecer alí mesmo, dando mergulhos e nos refrescando! Ao chegarmos ao pesqueiro, fomos atendidos pelo dono, que, junto a um grupo de amigos que estavam a passar o dia alí, nos deu algumas dicas sobre o trecho final. Analisamos tudo o que eles haviam dito e vimos que batia perfeitamente com o nosso mapa. Os agradecemos e seguimos em frente. A partir do ponto de onde já podiamos avistar a imponente pedra, começava o trecho mais difícil e cansativo do roteiro, onde a estrada dava lugar a uma longa subida por um caminho onde dutos de água estouraram, formando um verdadeiro tobogã, onde todo cuidado para não escorregar era em vão! Este caminho nos deixava na entrada da trilha, à direita, ao lado de uma propriedade privada. Pedra Grande de Quatinga, finalmente à vista! Tudo ia bem, só estava faltando uma coisinha até agora: a gente se perder! E essa hora chegou, quando passamos direto pela entradinha da trilha, sem notá-la, andando adiante, por cerca de 10min, até avistarmos, novamente, a grande pedra, no alto da montanha, porém, ... lá atrás...! Dez minutos após passar a entrada da trilha para o cume da Pedra Grande Voltamos e entramos na picada, que nos conduziu ao topo da Pedra Grande. Apesar de faltar apenas 1km agora, este era o trecho mais complicado, uma vez que, finalmente, começariamos a subir, de fato, a montanha. A trilha era inconfundível e sem bifurcações, porém, havia trechos em que a inclinação passava de 65º, o que nos obrigou a escalaminhar ladeiras e a carimbar nossas bundas, diversas vezes! Foi nessa parte, também, que nossa resistência seria colocada à prova, já que cometemos a grande gafe de não levarmos suprimentos o suficiente - aqui, nossa água e comida acabaram, de vez, nos deixando sedentos e famintos para o resto do dia, o que nos fez correr contra o tempo e a desidratação. Entrada da trilha da Pedra Grande Aleluiamente, após longas 3h30 de caminhada pela estrada e 40 estonteantes minutos de escalaminhada e escalada pela picada, vencemos a majestosa Pedra Grande de Quatinga! Estávamos, agora, a 1120m de altitude, e, pudemos descansar e vislumbrar a fascinante panorâmica de quase 360º. Da pedra, era possível observar o centro de Mogi das Cruzes, Paranapiacaba, e o grande desnível da Serra do Mar - só não era possível ver o mar devido a uma cerração! Olhando para Sudeste Vista para Nordeste Pico Itaguacira, a Leste, 30m mais alto que a Pedra Grande Vista para Sudoeste, atrás destas elevações, está a Baixada Santista. Em dias de melhor visibilidade, é possível avistá-la Permanecemos no cume por cerca de 1h, e já era tempo de voltarmos, pois o relógio indicava 16h30, e teriamos que alcançar a estrada até antes de escurecer totalmente. Estávamos cansados, sem água e sem alimento, e ainda teriaamos mais de 10km pela frente, até chegarmos de volta a Paranapiacaba... #fuuu!!! Descida da montanha, na volta Descemos às pressas, carimbando nossas bundas novamente, mas conseguimos atingir a estrada de Taquarussú em cerca de 1h. Enfim, veio a noite, mas seguimos sem problemas, pois estávamos em Lua-cheia, o que nos garantiu iluminação natural durante todo o percurso. A sede e o cansaço nos deixava cada vez mais debilitados ... foram inúmeras vezes as que tivemos que parar em meio à estrada e recompor nossas energias, quase que não surtindo efeito algum... Foi assim até chegarmos á vila inglesa, que, apesar de pequena, pelo nosso desespero em chegar ao centrinho e comprarmos algo para tomar e comer, mais parecia uma metrópole sem fim, onde cada metro se convertia em quilômetro... Eis que se materializou, frente a nós, o famoso Bar da Zilda, que, como um templo, veio a nos salvar! *---* Recuperados, subimos à parte alta da vila e nos dirigimos ao ponto para pegar o ônibus para Rio Grande da Serra, de onde sairia o trem de volta a Sampa! >> Back home! o/ Detalhes da Trip Como chegar: a Pedra Grande de Quatinga está localizado em um local de fácil acesso, distante 10km de Paranapiacaba. Basta Seguir pela Estrada de Taquarussú por cerca de 6,5km até o Pesqueiro Truta das Pedrinhas e virar à direita, seguindo o caminho, ignorando as entradas, até a bifurcação, onde se deve seguir à direita, pelo caminho dos dutos. Seguindo por cerca de 200m, á direita, está a entrada da trilha, que é um caminho único, que chega ao cume da Pedra Grande. Quanto custa: CPTM(Luz/Brás - R. G. da Serra) - R$2,90; EMTU(R. G. da Serra - Paranapiacaba) - R$2,80 Importante: é importante que se leve muita água consigo, pois no caminho, há pouquíssima civilização e o percurso todo, de 22km - ida e volta - leva, no mínimo, 6h, em rítmo de caminhada moderado.
  10. O título do tópico já diz tudo o que vocês precisam saber. É um vídeo antigo, pois eu fiz a viagem em 01/01/2017, mas só fui descobrir hoje que há um subfórum para vídeos no Mochileiros.com. Eu ouvi falar da Funicular de Paranapiacaba pela primeira vez em 2013, mas nunca tive a chance de ir com amigos. Na virada deste ano, peguei quatro dias seguidos de folga (uma bênção para quem trabalha numa loja) e percebi que, embora não fosse tempo o bastante para uma viagem longa de bicicleta (meu tipo favorito de viagem), seria a oportunidade ideal para conhecer a famosa e, supostamente, perigosa Funicular de Paranapiacaba. Decidi ir sozinho porque, de uns anos para cá, eu adquiri um gosto muito forte por viajar em paz. Eis o vídeo (recomendo que ativem as legendas para ler meus comentários cheios de sabedoria... SQN): Infelizmente, tanto o celular quanto a câmera estavam cheios/sem bateria na reta final da trilha, portanto, há um timeskip para o dia seguinte no final do vídeo, quando eu já havia caminhado todo o trajeto de Cubatão até Diadema através da Rodovia dos Imigrantes. A caminhada de 18 horas seguidas no 1º dia de subida foi uma das melhores experiências que eu tive (eu gosto muito de andar e a Serra do Mar tem algumas das paisagens mais fantásticas que tive o prazer de ver), mas as bolhas nos meus pés me atrasaram um pouco e eu manquei mais do que um cachorro perneta.
  11. thiago.oliveira

    Paranapiacaba

    Bom dia, mochileiros! Como todos mochileiros e não mochileiros paulistas conhecem ou já ouviram falar sobre Paranapiacaba, vou limitar somente a uma duvida, eu e meus amigos tinhamos costume de trilhar em Paranapiacaba, mas isso em 2014, depois disso paramos de nos falar e agora estamos querendo trilhar lá, qualquer trilhazinha pequena só para ter o contato com a natureza, porém ouvi falar que agora é necessário de monitores para entrar em qualquer trilhar, alguns de vocês podem me dizer se confere essa informação? Desculpe alongar haha. Se mais alguém quiser ir, estamos dispostos a novas pessoas no grupo, porque sempre alguém desiste...
  12. lunetss

    PARANAPIACABA

    Alguém sabe me dizer como é acampar em Paranapiacaba, se tá tranquilo de fiscalização ambiental ou assalto? Queria arrumar um pico bem lá pra cima da Serra
  13. Data: 17/12/2011 – Local: Rio Grande da Serra – Cachoeira da Fumaça. Integrantes: Bárbara – Jefferson – Leliane– Renata–Patrícia – Valéria. Mês de Dezembro, o clima natalino toma conta dos lares, o espírito de união fica mais forte e a única coisa que aumenta neste mero mortal é na sede por aventura e perrengues, que natal o quê? Eu quero é aventura!. A trip da Cachoeira da Fumaça não é digamos “um perrengue”, podemos chama lá de uma trip light, ‘’para iniciantes’’. Porém o visu é um dos mais fantásticos da Serra do Mar e vale a pena a qualquer aventureiro, trekking , trilheiro, ou termo q preferir, a dar uma chegada até este pico. A trilha se inicia um pouco antes do ponto após a Empresa Solvay, sentido Paranapiacaba. Após descer no ponto pós Solvay, basta andar alguns metros de volta (Sentido R.G da Serra) até a visualização de uma picada à esquerda. Pois bem, após a entrar na picada mencionada, é só seguir em frente. A trilha em seu início tem trechos de lamaçal, e brejo, alguns locais podem cobrir o seu pé facilmente , em épocas de chuva, passar por esta região será uma árdua tarefa, seu pé ficará encharcado logo no princípio da trip, comprometendo seus pés (cuidado onde pisa!). Depois de transpassar o trecho mais crítico e alagado, a mata começa a se fechar e o puro clima da mata atlântica da o ar de paz e harmonia. A trilha se fecha um pouco e há uma parte onde é uma “vala”, causada pela erosão e constantes chuvas na região, esta vala faz parte de boa parte da trilha e é preferível q a pessoa esteja com um calçado apropriado, a não ser que queira levar vários escorregões. Trecho da trilha que requer atenção, para não torcer o pé, ou cair. Após a travessia de tal trecho, notamos uma bifurcação “a única” que eu notei nesta trilha, devido a informações já levantadas anteriormente, seguimos á picada p/ direita q logo nos levou a um grande “lago”, que estava todo barrento devido ao pessoal que estava nadando no local e se divertia em meio ao calor escaldante de nosso verão, fazendo com que a terra por baixo do lago, tornasse a água turva e barrenta, de qualquer maneira, é um belo lugar, inclusive com pontos p/ acampamento! Lago sentido Cachoeira da Fumaça. Para continuar a trilha que leva a Fumaça, basta seguir a trilha localizada na parte esquerda e que margeia o rio no sentido em que o mesmo corre. Seguindo a trilha, haverá descidas, subidas, tudo muito fácil. Até a chegada no mirante que se localizada em uma picada à esquerda com vista p/ Cubatão e direi por passagem que a vista é fantástica!!! Retornando à trilha logo após o mirante, trombamos de frente a uma descida brusca com certa de uns 30 mts, terreno escorregadio que requer atenção aos menos experientes. Descida concluída e é só atravessar o rio e seguir a trilha que margeia o rio sentido litoral e a menos de 20 mts surge uma cachoeira q facilmente é transpassada. Alguns metros á frente e logo podemos ver um pequeno riacho que se encontra ao rio principal, se seguir por este riacho poderá apreciar a cachoeira “escondida” da fumaça, sendo que a outra “cachoeira escondida” pertence à trilha do “Lago de Cristal”. Mirante p/ Cubatão. Primeira Cachoeira. Cachoeira escondida vista do topo para baixo (escalada fácil até o topo). Cachoeira escondida localizada, e bora continuar descendo o rio sentido ao ponto alto de nossa tranquila caminhada, daí p/ frente é só descer pelo próprio rio e ir pisando nas pedras,local lindo para várias fotos. O rio faz uma leve curva à esquerda e foi neste ponto que notei uma trilha pela encosta oposta (margem esquerda do rio sentido litoral), Logo imaginei q seria um mirante, e estava certo! Subi rapidamente a encosta junto as minhas parceiras de trilha e podemos ver a bela cachoeira da fumaça por cima e com uma galera considerável que se banhava no laguinho enquanto outros desciam a cachoeira de rapel e ainda outros que faziam seus lanches! Trecho final sentido Cachoeira da Fumaça. Cachoeira da Fumaça vista por cima. Descemos rapidamente do mirante e em minutos estávamos fazendo amizades e conhecendo o lugar. Logo quando chegamos fomos nos enturmando com a galera que lá estava, até o momento em que um novo amigo nos convidou p/ rapelar na fumaça, eu e a Renatinha não pensamos duas vezes. Sensação indescritível!!! O Chiquinho é a pessoa responsável por dar aulas de rapel em Mauá, senhor simpático e cheio de energia, disposto a nos ensinar de bom grado as técnicas que ele conhece. Rapel. Enfim, escalada, banho no lago, novas amizades, rapel e risadas tornaram o nosso Sábado de Dezembro perfeito! Pena que no domingão estava exausto e não tive pique para encarar o perrengue junto aos nossos amigos Gabriel, Massa e Soto que também aproveitaram demais em sua trip. Oportunidades de novas empreitadas não faltarão tenho certeza! No mais, é isso ai pessoal, forte abraço a todos. Trekking forever!
  14. Diferente do que aparenta ser, e do que muitos pensam, o Vale da Morte não tem esse nome por ter acabado com a vida de muitos que se aventuraram por suas fendas estreitas e perigosas. O nome, como um estigma, vem sido mencionado com veemência desde a década de 80, quando o Pioneirismo do Polo Industrial chegou no Brasil e se instalou na parte baixa da Serra do Mar, mais precisamente em Cubatão, produzindo fumaças tóxicas, colorindo e aromatizando o ar com uma névoa permanente, densa e venenosa, pairando naquele lugar. Com isso, a fauna e flora local ia sendo trucidada pelo desmatamento desenfreado, que abriu uma gigantesca clareira na floresta, para posteriormente, fincarem raiz na Baixada. Com tanta poluição, não demoraria muito a aparição das doenças que, quando começaram a aparecer, causaram espanto com a gravidade do problema: "em seis meses, no período de Outubro de 1981 à Abril de 82, nasceram 1868 crianças: 37 estavam mortas; outras cinco apresentavam um terrível quadro de desenvolvimento defeituoso do sistema nervoso; três nasceram com anencefalia (ausência de cérebro) e duas tinham um bloqueio na estrutura das células nervosas que ligam o cérebro ao resto do corpo através da espinhal dorsal (fechamento do tubo neural)." Dentre tudo isso, e outros agravantes, a ONU deu à Cubatão o título de cidade mais poluída do mundo. E com essa repercussão mundial passou a ser chamada de Vale da Morte. Pois havia ali uma mortandade horrenda do meio ambiente. Travessia pelo Vale da Morte (Rio da Onça) Confesso que sempre tive muita vontade de fazer esse roteiro. Coragem, respeito e admiração não faltavam da minha parte, mas por diversos motivos tive que adiar essa travessia por dois anos. Quando eu queria, não encontrava companhia disponível, ou corajosa o bastante para tal feito, quando aparecia alguém indo, e me convidava, era eu quem estava enrolado com as datas e acabava não podendo ir. Isso me dava nos nervos. Teve vezes de chegar a arrumar meus aparatos na mochila e querer encarar o desafio sozinho, mas quando chegava a hora, eu via que o mais sensato era eu admitir que não tinha peito para ir sozinho, e que o certo era esparar minha vez chegar e ir acompanhado, pois estar num lugar como aqueles e não ter alguém que te socorra de imediato, caso precise, pode ser fatal. O Vale da Morte não admite erros. Vinte e dois de Janeiro de 2016 foi a data de início que, por algum motivo, fui escolhido para atravessar a "Rainha da Serra." Para meu espanto, eu estava calmo, sem anseios, sem medos e sem aquela vontade louca de estar lá (diferente das vezes que não pude ir). Creio que estar indo com pessoas experientes, que já haviam percorrido o Vale mais de duas vezes, me passava confiança. Mas quando deu 21h do mesmo dia, e eu chegava na estação Brás da CPTM, junto ao Paulo, percebi que teríamos uma tarefa árdua pela frente. Eu pensava que seríamos um grupo de 8 pessoas, no máximo, mas quando chegaram todos, fechamos ali um grupo de 11 aventureiros e seguimos até a Estação de Rio Grande da Serra, onde encontramos o Prince, e completamos nosso clã com 12 membros. Dentre todos, eu conhecia apenas o Loures e o Paulo, mas como não sou antissocial, logo estaria entrosado com todos. Já na estação de RGS, esperamos o ônibus que leva à Paranapiacaba por muito tempo. Tempo suficiente para irmos atrás de táxis para para nos levar até o ponto de partida da caminhada. Conseguimos 3 carros, e rapidinho já dávamos os primeiros passos na Estrada do Gasoduto, e pouco depois entrávamos na picada à esquerda. Trilha que leva ao Lago Cristal. Seguimos entre prosa e risos, escorregando, tropeçando e atolando os pés no lamaçal que é aquela via. Mas não era coisa de outro mundo. Pra mim, só tive problemas com 30 minutos de caminhada, que foi quando minha lanterna de cabeça falhou, foi à óbito e nunca mais voltou, rs. Conclusão: tive que seguir na rabeira de quem tinha luz o suficiente, já que a lanterna reserva que eu tinha na mochila também falhava Deu 01:30 a.m. Foi quando pisamos nossos pés no entorno do Lago Cristal à procura de um lugar para o primeiro pernoite. Coisa que não foi difícil, pois todas as áreas de acampamento dali estavam vazias. O que é um caso raríssimo (mais raro do que a lua de sangue). Nos dividimos em duas áreas diferentes, pois a que comportava todas as redes e barracas estava dominada por muita lama. Assim encerramos a primeira etapa. Sábado, 23 de Janeiro, de 2016 Aos gritos de Booom diaaa, do Vinicius, levantamos e preparamos o café da manhã, ajeitamos as tralhas e demos início a caminhada do dia às 9h. Descemos sem novidades, sem dificuldades a parte do Rio Solvay até a Cachoeira Escondida, mas quase não houve pausa para fotos, só a olhamos de longe, demos bom dia e seguimos rs. A parte do trepa pedra sempre é ruim de se avançar, tem que ter cautela pra que ninguém se machuque, e com um grupo numeroso, esse tempo se estende. Chegamos local que o Portal do Vale se apresenta de forma única, linda e sem igual, da mesma forma de sempre: entre a neblina e o céu cinzento de todas as manhãs da Serra. O peso que vinha nas mochilas, junto ao esforço físico, ia fazendo as energias minarem, e a fome não tardou a aparecer. Quando chegamos na junção tríplice dos Rios Solvay, Vermelho e Areias, passamos com calma pela Cachoeira do Portal, e em sua base, onde começa o Rio da Onça, paramos para um lanchinho, um descanso, fotos e tibuns para alguns. Quando decidimos continuar, levamos pouco mais de uma hora até o ponto mais conhecido do Vale da Morte: A Garganta do Diabo, onde o rio se estreita dentre dois paredões de aproximadamente 10 metros de altura, o que transforma o lugar num cenário sem igual, e até recreativo. Pois é da parte mais alta desses paredões que os mais corajosos saltam, fazendo um mergulho recheado de adrenalina a flor da pele. Essa era a vontade de alguns do grupo, mas como estávamos com um pouquinho de atraso, foi melhor não arriscar, rs. Antes de chegar ali, outro grupo nos alcançou, e nas honrarias e cumprimentos, perguntaram o que faríamos, explicamos que desceríamos até Cubatão, completando a Travessia. Se espantaram, e até perguntaram: As meninas também vão? Sim, elas também vão - foi a resposta. O Espanto e admiração se estampou e imediato no rosto deles. "Corajosas, hein. Eu estudo esse trajeto a muito tempo, e estou vendo a melhor hora para fazer isso. Parabéns aí, e bom rolê pra vocês" - disse um deles. Depois disso nos separamos, e eles seguiram num ritmo mais rápido. Foi nessa hora que algumas das meninas começavam a entender a dimensão do que estavam prestes a realizar ali. Com isso veio a preocupação, mas aquelas meninas não estavam nem um pouco dispostas a desistir. Cada rosto trazia o desejo pela aventura.Isso era claro. Quando chegamos na "Goela do Tinhoso," foi avisado que a partir dali, começaríamos a ter maior dificuldade para transpor cada obstáculo. E isso foi confirmado no ponto de escalaminhada que o lado direito do rio oferece como meio de passagem àqueles que pretendem seguir em frente. Os "caras" que estavam na frente, subiram assim que chegamos. E isso foi bom, pois sem a jogada tática de ter alguns homens na parte de cima, puxando as meninas através das mãos e cordas, e o restante dos homens na parte de baixo, dando sustentação aos pés e pernas para que as meninas pudessem subir, não haveria progresso. Mesmo assim, houve situações em que duas das meninas, por se estabilizarem com as pernas entre abertas nas rochas se colocavam, sem querer, como pêndulos a balançar de um lado para o outro, prestes a cair, mas saíram intactas daquela "prova de fogo". Aliás, teve um dos momentos em que, ao agarrar a mão do Loures na tentativa de subir, a Kelly jogou todo o peso de seu corpo para trás e quase despenca piramba abaixo. O que causaria um estrago e tanto, pois eu estava logo abaixo fazendo apoio à ela. Fizemos um novo tempo de parada para descanso, contemplação e fotos, e continuamos. Até então, tudo estava indo de vento em popa, a felicidade era dominante entre todos, e os mais experientes sabiam que a partir dali começaria a brincadeira de gente grande. Começava, ali, a maior prova dinâmica que poderíamos passar, e saber se estávamos aptos a superar a nós mesmos e contribuir com solidariedade e companheirismo uns aos outros, agindo no coletivo e deixando o individualismo de lado. Até me lembro de ter dito: "quem quiser desistir, esse é o momento! Por que agora o bicho pega." E foi isso que aconteceu! O bicho pegou a partir desse ponto. O Loures, em comentário discreto, me pediu para que eu tivesse paciência, e que seria uma das travessias mais difíceis que teríamos. Não pela grandiosidade, quantidade e dificuldade dos obstáculos, mas, sim, pelo caminhar da alcateia, que teria que ser a mais tática possível, caso quiséssemos sair vivos dali. Saímos com o "peito aberto à balas," seguindo o último vestígio de trilha que há naquele trecho do vale. Passamos pela via que trás de volta quem pula na Garganta do Diabo e sai da correnteza antes dela formar a próxima queda dágua: a Cachoeira do Anúbis. Descemos um pouco mais, varando mato pela direita. Vendo o quanto nos adiantamos, questionei se não passaríamos na Cachoeira do Anúbis, que fica logo na sequência da Garganta, o Prince afirmou, respondendo que não. Então seguimos os passos do Loures, que liderava a aventura abrindo o caminho com fortes golpes de facão, que só pelo tamanho e peso não fazia muito esforço para tal finalidade. rs. Mais dificuldades apareciam pelo caminho, sorrisos se extinguiam como chama de vela acesa sob o vento forte soprando ao ar livre, o suor escorria pela testa, se fazia nascente nas costas, encharcando camisetas e eliminando as energias que teimavam em sustentar o peso daquela árdua atividade. Um poção aqui, outro poção acu lá, nos afastávamos do rio, e voltávamos a acompanhá-lo. Um detalhe que, vez ou outra, martelava minha cabeça era o fato de estarmos em desacordo com os ponteiros. As vezes eu perguntava, á quem já fez aquela travessia, se tinha como terminar em tempo com o combinado, e a resposta era sempre a mesma: sim. Chegamos no topo da Cachoeira do Poção, a mais bonita da travessia (minha opinião), nem tão cansados, mas paramos por um tempo suficiente para que todos tirassem fotos na quantidade que quisessem, se alimentassem, e se renovassem para a nova etapa, que sem sabermos, que iria judiar de quem estivesse menos preparados. A única coisa que ouvi dizer, foi: a subida que contorna a cachoeira, e te coloca de volta no rio, é íngreme. Mas não imaginava tanto. Devido ao grande número de "trilheiros" que ali passam, agora já há um caminho certo a seguir. Noutrora, quando o Loures esteve por lá com outros amigos, tiveram que meter os peitos morro acima. Aliás, voltando à subida íngreme, que morro é aquele? Meu Deus. Deviria se chamar: Morro do quase morro. rsrs. Enquanto subíamos, vagarosamente em direção à crista, atentos com as armadilhas naturais, e quase colocando a língua no queixo por conta do esforço feito, a enorme cachoeira que desce a escarpa direita do Poção ia ficando lá embaixo, cada vez mais longe, parecendo uma pequena queda, diferente do que realmente é. Grande e grandiosa, charmosa. O ritmo foi o mais lento possível, pois as cargueiras começavam a cobrar um preço alto por terem sido preenchidas com tantos trambolhos. As meninas sofriam cada vez mais, o pedido de ajuda era evidente no olhar de cada uma, que mesmo sem forças, não fugiriam à luta. Nem todos tem a mesma paciência de Jó, e aos poucos notava-se que o excesso de gentileza, que passaria mais segurança à elas e manteria o psicológico mais resistente, ia sendo deixado de lado por alguns homens do grupo. Quando chegamos na parte mais alta da crista, quase 1h depois, os cinco minutinhos de descanso se estenderam por 15 min, mais ou menos. Era hora de se preparar, já que depois de uma grande subida existe uma descida infernal, onde santos não ajudam, e diabos te empurram, seria tenso e demorado o avanço por lá. Começamos a descer num ritmo mais lento do que se possa imaginar. Nos separando em três grupos em alguns momentos, pois as meninas tem aquela dificuldade de "tacar o foda-se," e se jogar sem medo nos obstáculos mais fáceis (pelo menos pra nós "H") que aparecem. Em determinado momento, vendo que o atraso era enorme, e que não sairia disso, paramos, Loures, Luciana e Eu, para esperar o povo de não aparecia, e solicitamos que seguissem em frente, Potenza, Natan e o Adriano (o Primo), na tentativa de sondar terreno e ver se haveria local com espaço suficiente para que pudéssemos passar a noite, razoavelmente bem. Já que o próximo ponto de acampamento seria na base da Cachoeira do Pé de Limão. Eles continuaram a descer pelo caminho de água (agora seco) que estávamos, se desvencilhando de cipós, driblando os espinhos e formigueiros, e atentos com pedras soltas até encontrar o Rio novamente. Mas no meio de tanta destreza, num grupo numérico, dificilmente alguém sairia ileso de alguma armadilha. E nesse caso, foi eu. Não sei se parado a esperar, ou esbarrando na vegetação, formigas tocandira subiram em mim, sem que eu nem percebesse. E como se fosse um comando sincronizado, começaram a picar meu pescoço e minhas costas. De imediato já fui jogando a mochila no chão, tirei a camiseta e comecei a bater com ela por toda parte do corpo. Acabei sendo "picado" 5 vezes (4 nas costas e 1 no pescoço). Fiquei com calombos beeem salientes no alvo das mordidas, e uma ardência, uma dor insuportável no local. O Potenza sabe que não sou de chorumelas, frescuras e afins. Só olhou meu rosto transtornado de dor e já fazia ideia do quanto eu estava sofrendo. Passados uns 40 minutos, e a gente ainda esperando o povo, volta o Primo, respondendo aos meus silvos de apito e vindo de encontro até a gente. Afirmou que não havia local para acamparmos, e subiu direto até onde estavam as menias para ver no quê poderia ajudar. Acabou trazendo mochilas. A procura de abrigo Com todos na margem esquerda do Rio, ao pé de uma linda cachoeira com a queda separada por uma rocha, os mais experientes já sabiam que teríamos uma noite de cão. Não havia mais tempo hábil para avançar e encontrar algum lugar que comportasse o grupo, muito menos faríamos essa busca durante a noite. Como um bom líder de grupo faz, Loures saiu com o facão na mão, e eu o acompanhando, a procura por algo que fosse menos horrível para nós. Rodamos todo o entorno, dos dois lados do rio, e o que encontrávamos erma apenas pirambas atrás de pirambas, impossível de estabelecer uma estada noturna. Quando voltamos, a rapaziada já estava a "abrir/limpar" uma espécie de clareira pra que pudéssemos armar acampamento por ali, mesmo sendo difícil. Na insistência de achar algo melhor, seguimos uns 80 metros rio acima, Prince e Eu, até esbarrar com a Cach do Pé de Limão, onde consegui ver uma área plana e mais aberta na margem oposta, apontei ao Prince, e enquanto ele foi averiguar, eu continuei escalaminhado as rochas inclinadas e escorregadias um pouco mais acima, mas nada encontrei. Na verdade, encontrei um sarna pra me coçar. Quando fui tentar descer, não achei fendas para apoiar os pés e as mãos. Desci escorregando sem parar, com um medo da "preula" de me arrebentar no patamar abaixo. Por isso, enquanto eu descia igual um caminhão sem freio, assobiava igual um louco, na intenção de que o Prince visse onde eu iria cair, e se algo acontecesse, ele saberia saberia onde me encontrar. Menos mal que só foi um susto (o menor da travessia). Quando voltamos de junto ao grupo, mencionamos o achado, e julgamos que não compensaria retroceder com toda galera para lá, já que isso nos tomaria mais de uma hora. Com toda aquela situação de perrengue, ao lembrar dos perrengues que passou sozinho nessa mesma travessia, um dos nossos não conteve o choro compulsivo. Assim diz o Potenza - que me contou com surpresa. Com boa parte do espaço já aberto, começamos a armar as redes e dividir os "cantos" para quem iria bivacar. A ideia foi a seguinte: como as meninas estavam bem debilitadas, com esgotamento batendo às portas, preferimos deixá-las descansar/dormir, nas redes, com o máximo de conforto que poderíamos arranjar naquela noite, enquanto os homens se ajeitariam no chão mesmo, onde desse. Foram armadas 5 redes, 3 espaços no chão foram o suficiente para acomodar o restante do pessoal. Não foi fácil. A Kelly jurava de pés juntos que não dormiria numa rede daquelas, que seria inseguro, que iria cair, coisa e tal. Ficou de pé um tempão, passando frio, se distraindo com o "conversê" entre as meninas, e na hora que decidiu deitar, a profecia se cumpriu. Vira daqui, mexe dali... ploft! Kelly ao chão. Levou um tombo de cima da rede e quase sai rolando ladeira abaixo rsrs. Sorte a dela, que Prince pernoitou numa rede que estava "vaga," fez chazinhos e afins para esquentá-la enquanto tremia de frio. O que se sucedeu depois disso eu não sei dizer, pois o corpo precisava descansar, já tínhamos terminado o jantar, então me acomodei num cantinho, "plano", duma rocha, de onde o Loures rolou duas vezes durante a madrugada, e Eu tive que segurá-lo para não sair rolando na piramba. Na outra extremidade das redes se acomodaram o Primo e o Natan. Já o Potenza, que ficou batendo cabeça de um lado pro outro, acabou sendo largado a passar a noite numa parte que a primeira vista era um tanto que escrota, mas na hora H se mostrou com um solo bem fofo, e por sorte, ele fez seu bivak ali mesmo. Onde jura ter escutado uma cobra passando do lado do seu rosto, fazendo aquele característico barulho com a língua, e a viu um pouco distante quando acendeu a luz da lanterna. Na manhã seguinte todos acordaram sãos e salvos. Demoramos demaaais para tomar café, recolher acampamento e darmos partida na caminhada do dia. Era mais de nove horas quando atravessamos o rio até a outra margem, pois continuaríamos pela mata, onde já se notava que o aquele domingo não seria fácil! Obstáculos de monte, encostas a subir na base da unha, pouco espaço para que um ajudasse o outro a prosseguir. Tava F***. Em um determinado momento tivemos que ganhar altitude para contornar duas rochas, altas, que afunilavam o rio e não nos dava passagem. A solução foi tocar pra cima. E isso trouxe problemas. O grupo seguia alinhado, com o Potenza na frente, num terreno extremamente íngreme e sem firmamento algum. "Degraus" não existiam, achar qualquer espaço plano que coubesse o pé era como ganhar na loteria, a vegetação era escassa, raízes expostas também, à nossa esquerda o morro descia escarpado até encontrar a marginal rochosa que acompanha o barulhento rio. Qualquer queda dali poderia dar merda. E quase deu. Cada curto espaço do terreno inclinado que passava um membro do grupo ia sendo rapidamente desgastado pelo pisoteio, deixando pequenos apoios quase inexistentes, insustentáveis. Numa parte elevada a isso tudo, eu estava oferecendo ajuda, entrelaçando as mãos e punhos, puxando quem precisava. E foi nessa hora, antes de se firmar na minha mão, ao tentar puxar uma fina raiz fincada na terra, e impulsionar o pé direito em um pequeno apoio gasto, a Thays despencou rápido, ralando toda parte frontal do corpo no barranco, tentando se prender, se agarrar em algo firme, mas não tinha, e o peso do corpo somado com o peso da mochila fazia ela descer mais rápido ainda. Por sorte, ela se lembrou de manter as pernas abertas, e foi aí que ela conseguiu parar, presa numa árvore. Eu, não sei como (por instinto), de imediato, desci a ribanceira correndo quase no mesmo tempo que ela, e quando ela parou, eu travei seu pé com o meu, dando apoio para que ela não descesse mais. Foi um susto e tanto. Enquanto a gente aguardava ajuda para nos tirarem de lá, alguns tentavam subir ainda mais, e com tanta agitação, foi inevitável começar a rolar pedras em nossa direção, ora passando perto, as vezes mais afastadas, mas teve uma que foi certeira no meu joelho. A pancada trouxe uma dor dor cara***, e fez com que me debruçasse sobre a Thays, mas num flash de consciência, me lembrei que eu estava ali para dar apoio a uma mulher que rolou precipício abaixo. Então eu tive que me mante forte. Recobrei minhas forças até o Loures e o Prince chegarem lá embaixo para ajudar removê-la. Mas, antes disso o rebuliço continuava lá encima, e outra pedra rolou, porém, bem maior e mais veloz. Nossa sorte foi que ela quicou e passou sobre nós, por que se acertasse na cabeça de um dos dois, se não matasse, com certeza deixaria desacordado. Aí sim a merda estaria feita. Passado o susto, O Loures retomou a liderança da jornada e decidiu que teríamos que nos afastar mais do rio para fugir do perigo eminente, e subir a crista até o topo pra depois voltar a descer numa parte onde pudéssemos estar mais seguros. Subimos, subimos e subimos, passando por mais um caminho enfestado de espinhos, até dar no topo do morro. Era evidente que o peso da travessia estava sendo cobrado a cada passo dado, pois algumas meninas estavam esgotadas. Paramos naquele topo, onde havia uma área plana que serviu para alguém, ou algum grupo num passado não tão distante. Roupas abandonadas foram o rastro deixados para trás. Começamos outra descida fervorosa em direção a um afluente que, visivelmente, era detentor de algumas grandes quedas. Tivemos que buscar os meios mais favoráveis para seguir, mas parecia que algo conspirava contra o nosso grupo. Em determinado momento, ao vencer um simples barranco, um patamar baixo, tivemos que fazer corrente humana (Adriano, Loures e Eu) para que os últimos pudessem passar em um lugar que oferecia uma queda de uns 3 mts de altura. Nada fatalmente tão perigoso, apenas o suficiente para causar uma situação nada fácil de ser superada. Passado por isso, atingimos outra descida forte, com caminho mais vantajoso de ser traçado, e fomos seguindo por ali. Hora caindo, hora nos divertindo com as palhaçadas, mas sem andando em um ritmo vagaroso. Grandes pausas eram feitas para reagrupar o povo. Quando atingimos o rio novamente, aproveitamos para fazer um merecido almoço, em uma parte ampla e plana do rio da onça. Ali o tempo foi gasto à vontade, muitos de nós achando que o pior já havia ficado para trás. Particularmente, eu só me preocupava cem findar a travessia no mesmo dia, e de preferência, no início da noite (no máximo). Tanto é que eu sempre perguntava para quem já havia feito o percurso, e a confirmação era satisfatória. TENSÃO Continuamos a pular pedra sobre pedra, sem serpenteando pelas poucas curvas que surgiam. A alegria vinha a tona, pois os "poções" da reta final da travessia se aproximavam, e "neles" teríamos umas das partes mais esperadas de todo o trajeto: cada um ser levado pela leve correnteza que transita por aqueles poções. Alguns estreavam suas bolsas, e sacos, estanque, doidinhos para boiar, poucos se arriscariam a ir nadando, e os demais usavam colete salva vidas. Me lembro dos que foram na frente: Natan, Adriano, Potenza, Vinícius e Prince. O restante, inclusive eu, se preparando e criando coragem, ficaram para trás. A Thays Marques foi uma das primeiras (se não a primeira)mulheres a pular. Ela disse que sabia nadar muito bem, e na confiança soltou a mochila estanque. Só que o poção fazia uma divisão de águas. Uma parte corria em direção favorável, dando continuidade ao rio, já a outra parte, mais forte, fazia um refluxo (tipo um redemoinho) levando água com muita força ao canto do piscinão. E foi nesse canto que o refluxo encurralou a Thays. Ela lutava tentando sair de lá, dava muitas braçadas, mas não saia do mesmo lugar. Até que, de repente, ela perdeu as forças, sentiu cãibras, e afundou. Quando emergiu novamente, já cuspindo água, conseguiu gritar o nome do Natan (que nada muito bem). De imediato ele pulou para prestar socorro, e enquanto ele tentava segurá-la de uma maneira firme para tirá-la de lá, o desespero ia ganhando a cena, ela afundava e puxava ele junto. E o risco da tragédia só aumentava. Foi aí, nesse momento que pulou o Loures para dar um suporte e afastar o risco dos dois se afogarem. Mas, como tinha tudo para dar errado, o Loures também começou a ter cãibras, teve que se afastar dos dois para não agravar a situação. A Kelly entrou em estado de choque (paralisou), não conseguia se mover para nada, e Eu só enxergava o colete que estava no corpo dela. Eu puxava, tentava arrancar, aos gritos: dá o colete, dá o colete. E ela, travada, com o olhar fixo no nada só conseguia perguntar: vai precisar? E Eu gritava de novo:dá o colete. No final do Poção o pessoal do outro grupo não conseguia ver o que estava acontecendo, pois havia uma rocha lhes tapando a visão. E sem entender muito bem, quando eu gritava, assobiava, e sinalizava chamando eles com urgência, vinham devagar. Sem presa nenhuma. Enquanto isso a Thays já tinha afundado três vezes, engoliu bastante água, estava pálida, lábios roxo, e quase sem forças. Quando o Prince chegou por cima da rocha e viu o que acontecia, pulo de cabeça na água, e por baixo, já foi por trás da Thays, a segurou e ergueu com um braço, fazendo ela respirar melhor. Eu, sem saber nadar, não tinha condições de mergulhar em auxilio à nossa colega, só pude chegar até a beira do piscinão e dar a mão ao Loures, e depois ao Prince, junto com a Thays, para saírem daquele pesadelo. Uffaa, essa foi por pouco, e foi um susto e tanto. Demorou para o grupo se restabelecer psicologicamente. Era nítido que o risco de morte foi grande, e que isso havia desestruturado alguns dos nossos. Mas, como era pra ser, seguimos. E muita coisa ainda estava por vir, sem que ninguém esperasse. Prosseguimos, analisando a prova de fogo que tínhamos passado, e dando graças a Deus por nada de pior ter acontecido. Pois a dona Morte deferiu seus golpes de foice, mas todos foram em vão. Ainda bem. A SEPARAÇÃO "A batalha pela vida" nos tomou um tempo enorme. Alguns ainda tinham esperança de finalizar a travessia no mesmo dia. Eu já estava entregando os pontos em relação a isso. Era óbvio que não conseguiríamos. Ao chegar numa última cachoeira (a pedra em nossos sapatos), já eram quase 20h, do horário de verão, e faltava muito chão pela frente. O Prince desceu essa cachoeira para analisar a situação e ver se seri uma boa ideia passar com o grupo pelo mesmo caminho (e não era). Mas não tinha como o Prince voltar, muito menos submeter o grupo a tal proeza em meio ao crepúsculo. O Potenza tentou seguir por esse mesmo caminho, mas, não conseguia avançar, nem retroceder. Teve de ser resgatado pelo Vinícius, por que estava correndo perigo. Por conta da dificuldade do obstáculo, ficou decido que o Prince continuaria pelo rio, e todo o restante do grupo iria varar mato até nos encontrarmos mais adiante. Foi um erro. Enfrentamos uma dificuldade descomunal para ganhar altitude sobre uma rocha, toda molhada, que nos servia como o único caminho existente daquele lado do rio. Sobe um, puxa o outro, sobe outro, puxa o próximo, e assim por diante. Estávamos crentes de que a perda de tempo era grande ali, mas não sabíamos que perderíamos muito mais tempo nas próximas dezenas de metros. O caminho estava muito fechado, e quem estava indo na frente (Loures), teve que trabalhar feito gente grande. E ele se mostrava incansável, devastando o que tinha pelo caminho, com a gana de querer nos tirar dali o quanto antes. Mas o trecho era perigoso, beira de penhasco, com valas terminavam no fundo do vale. Metade do grupo não tinha lanterna, umas pifaram, outros não trouxeram. E isso só atrapalhava no progresso. Pois precisávamos Jogar luz nas árvores para que o Prince acompanhasse a altitude e a direção em que estávamos. Entre toda dificuldade que tínhamos, gastamos exatas 3 horas para cruzar um trecho que, talvez, não tivesse 300 metros. E ao chegar no rio novamente... Cadê o Prince??? Começava ali uma preocupação que castigava. No ponto mais aberto do rio, amplo e apropriado para estarmos todos juntos novamente, nosso amigo não estava lá. Um trio dos nossos subiu, às escuras, por um tempo o contra fluxo do rio, mas retornaram sem boas notícias. Ele havia fica mais atrás de nós. Por se tratar de um cara que é bastante experiente, conhecedor da região, e de técnicas que lhe manteriam vivo até a luz do dia seguinte chegar, optamos por dar continuidade ao plano de irmos até a Estação Raiz da Serra, e passarmos a noite por lá. Já que não havia a menor possibilidade de terminar o que faltava, quase 5km, naquela mesma noite. Já eram 22h20. Já em terreno mais aberto, e próximo da baixada, conseguimos sinal de celular para avisar os familiares que estávamos todos bem, e que por motivo de atraso teríamos que passar mais uma noite na mata. Nos vimos rumo ao glorioso final dessa travessia quando, no início da madrugada, arrastávamos nos carcaças pelo tortuoso do Rio Mogi em seu trecho final. Aquela parte, cheia de pedras arredondadas, e soltas, que quando são pisadas fazem o favor de te desequilibrar. Isso se não for ao chão. Esse foi um das partes mais cansativas. Já tínhamos um acumulo de desgastes e situações vindas dos dois dias que se passaram. A cada 10 minutos caminhados, um dos nossos deitava nalguma ilhota do rio, com mochila nas costas mesmo, e desabava para poder descansar. A Kelly, alem de estar com a maior parte dos ombros queimados, estava fazendo tudo isso usando tênis sem meias. Resultado? A constante umidade nos pés, e o atrito entre dedos e as pontas do interior dos calçados, lhe causou um problemão: a perca de duas unhas dos dedos dos pés. Isso lhe incomodava tanto, trazia uma dor incessante, que a garota não aguentava mais. Andava com o braço dado ao meu, se apoiando para não cair, e a cada 10 minutos ela perguntava se estávamos chegando. A resposta, claro, era uma tentativa animadora de afagar seu sofrimento. Mas tudo que lhe dissessem seria em vão. Em determinado momento, em um surto de fraqueza psicológica, ela começou a gritar, chorando e dizendo que estávamos enganando ela, e que ela já não aguentava mais, coisa e tal. Foi difícil. Se não fossemos, o Loures e Eu, conversar com calma, acalentar com toda paciência do mundo, seria mais penoso continuar. Demos graças à Deus quando vimos que a água do rio já não cobria apenas nossos tornozelos, e sim as nossas cinturas. Um sinal de que já era hora de abandonar o leito penetrando a mata da margem esquerda e chegar na antiga, e abandonada, Estação Raiz da Serra. Um lugar sujo, depredado e fedorento que nos veio como um palácio para passarmos a noite. Pronto, estávamos satisfeitos! Ops, nem tanto... Cadê o Prince??? O certo, seria encontrá-lo por lá. Já que estava sozinho, e em terreno aparentemente mais transitável que o nosso, teria uma vantagem sobre nós. A não ser que algum empecilho pudesse ter atrasado ele pelo caminho. Lógico que a preocupação reinou sobre todos. Onde será que estava aquele cara??? Mesmo estando preparado para enfrentar e aguentar uma noite a mais, coisas acontecem. Né? O tempo foi passando, e nada do Prince aparecer. O cansaço dominou geral, e todos foram sendo derrotados pelo sono, largados no chão, ou, pendurados em suas redes. A esperança derradeira era que ele tivesse avançado, alem dali, seguido até a rodoviária de Cubatão para passar a noite por lá. Às 03h30 da madruga, ouço passos quebrarem os azulejos soltos pelo chão. Era a Thays perambulando pra lá e pra cá. Ao levantar para ver o que causava aquele barulhão, ela me perguntou: - Vgn, você vai embora que horas ? - o quanto antes. - respondi. - nós, Kelly e Eu, estamos indo embora agora. Não quer vir com a gente ? - vou sim! só me deem um tempinho para recolher minhas coisas, e nós já vamos. Foi uma das melhores coisas que eu poderia fazer naquele momento. Além de ter compromissos inadiáveis na segunda feira, as duas estavam dispostas a saírem dali, ainda na madrugada, sem saber o caminho. E ainda faltavam uns 3 km’s até o ponto de ônibus. Poderia dar merda. Já com minhas coisas arrumadas na mochila, acordei o Loures, que roncava feito um Javali, e avisei que estaria acompanhando as meninas. Ele fez sinal afirmativo e achou bom que as duas não fossem sozinhas. Pisamos nossos pés para fora daquele casebre bem na hora que descia um trem pelo sistema CREMALHEIRA. Nos escondemos por trás de outra casinha trancada com correntes e cadeados, esperamos por uns 15 minutos até acabar o vai e vem de alguns funcionários da empresa, e saímos assim que a “barra estava limpa.” Claro que foi um caminho que parecia não ter fim. Andar entre os trilhos, tropeçando nos dormentes e pedras, não é nada animador. Chegamos no ponto de ônibus já com a luz do dia, embarcamos sem demora, e em poucos minutos já estávamos desembarcando no Terminal Rodoviário de Cubatão. E enquanto esperávamos nosso coletivo chegar, chegam umas mensagens do Prince, afirmando que estava bem, e já havia chegado em casa. O Prince passou um dos piores perrengues quando nos separamos... ...enquanto seguíamos varando mato morro acima, Ele tentava seguir pela água, mas tinha muita dificuldade. Estava sem facão, sem corda e sem lanterna, tinha em mãos apenas o celular com a bateria em 4% (que esgotou rápido), e uma faca de punho. Por pouco tempo ele conseguiu nos acompanhar, olhando os fachos de luz que jogávamos no fundo do vale. Mas quando se deparou com poções e gargantas intransponíveis, ainda mais em período noturno, teve que varar mato, escalar a ribanceira e tentar seguir nosso rastro. Como não conseguiu, traçou seu próprio caminho, e acabou indo além de onde estávamos. Passou por áreas pantanosas, com capins que cobriam sua altura, terrenos encharcados, o risco de dar de frente com algum animal peçonhento ou de grande porte. Mas, entre toda essa situação, ele acabou por sair da mata e entrar na empresa de Container’s que fica ao lado direito do Rio Mogi, e foi o mais sorrateiro possível para que os guardas não o vissem circulando lá dentro. Saiu o mais rápido que pode, e seguiu direto para Cubatão. Pernoitou nos bancos da Rodoviária e conseguiu pegar o primeiro ônibus que deu partida com direção á São Paulo. Só depois de toda essa explicação (que foi compartilhada entre os demais, via SMS), todos puderam respirar mais aliviados e seguir com a consciência em paz, agradecendo a Deus por terem saído “sãos e salvos.” Participantes: Thays Marques, Thais Santana, Kelly Almeida, Vanessa Traceur, Luciana Lopes, Eduardo Loures, Vinicius MZK, Marcos Piccoli Prince, Silvester Natan, Adriano, Paulo Potenza, e Eu (Vgn Vagner)
  15. Participantes: Diego Lopes e Vgn Vagner Introdução Após termos completado o Circuito Ferradura Da Fumaça (Trilha Das 7 Cachoeiras), no trem de volta pra casa o Diego já me mostrava fotos da "prainha" do Rio Mogi. Não tem como ficar indiferente a um cenário tão magnifico quanto aquele, a vontade de estar presente a beleza impar do lugar floresceu instantâneamente, e ali mesmo no trem foi marcado para o dia 01/05/2013, uma investida ao Rio Mogi. Para tal feito resolvemos chamar dois de nossos Brother's de trilha (Gleison e Abimael). Horário e local de encontro marcados... lá vamos nós. O relato Como por prevenção decidimos burlar a possível fiscalização ali presente a partir das 08:00h. Então combinamos de pegar cada um, o primeiro trem em funcionamento na CPTM às 04:00 AM. Eu segui meu itinerário depois de ter ligado pro Diego, confirmando estar acordado. Tudo seguiu tranquilo até a Estação Rio Grande da Serra, onde cheguei às 05:40am e Diego no trem seguinte. Já fizemos então os contatos com nossos brother's, e para nossa surpresa: OS MANO TAVAM DURMINDO...KKKK (ou seja, perderam o rolê). Dai então fomos ao ponto de ônibus que vai até Paranapiacaba, aguardamos um bom tempo e já com o dia rescem clareado, o motorista fazia valer a espera. Entremos na trilha exatamente às 06:50am sem dificuldades. A única mística seria para os supersticiosos, um gato morto em início de decompisição aos primeiros 5 metros de trilha (sem problemas, avançamos). Logo no começo da pernada se tem um vista ótima para admiradores: As montanhas em forte declive formando o vale que corre o Rio Mogi e seus afluentes. Torres elétricas e o Sistema Funicular junto a baixa neblina e o barulho dos trens da Cremalheira compõem a vista que se tem do Mirante. A investida se dá sempre em descida. Após uns 15min. encontramos um CARA sozinho refletindo e curtindo o lugar. Conversas a parte, seguimos nosso rumo e ele o dele, dizendo que ficaria n a 1° quedinha com um poço ali perto. Continuamos, e após passar por 2 riozinhos que desciam da encosta e uma bifurcação à esquerda, percebemos que estávamos no rumo errado, pois avistei uma fita amarrada na arvore (trilha das fitas). Voltando, vimos que já haviam se passado 4 arvores com as fitas. O certo seria pegar a primeira a esquerda, quase um entroncamento no sentido oposto. Dai pra frente sempre seguindo na direção da descida visualizando as torres de alta tensão. No contato direto são duas torres. Na primeira, só pega a esquerda se quiser ir ao POÇO FORMOSO. Caso contrario siga a trilha até encontrar a 2° torre e passar por baixo dela como se estivesse voltando, que logo uma curva acentuada te coloca sentido Cubatão novamente. Andando em trilha semi aberta, hora muito fechada com mato até o ombro e deslizamentos cobrindo o caminho. Com um bom tempo de percurso chegamos ao barulho de um rio que corre forte a nossa direita, onde está a 1° PEDRA DO PULO, com um lago de água cristalina e seus aproximados 2mts de profundidade. Fizemos uma merecida pausa para lanches, descanso e tibuns. Em meio as rochas encontrei um caranguejo de uns 10cm tomando conta do lugar..rs obs.: POÇO TEM APROXIMADAMENTE 2mts DE PROFUNDIDADE E SOLO DE AREIA QUE NÃO É FIRME. CUIDADO! Sessão de fotos, ok e energias recarregadas demos continuidade por trilha localizada à uns 30mts do outrolado do rio, fazendo com que ele corresse a nossa esquerda a partir dali. Essa trilha margeia a encosta nos deixando claro que, qualquer descuido toma róla. A caminhada se distancia várias vezes deixando o som das águas longe, e quando ficamos no mesmo nível que o rio e ele bem próximo de nós uns 40 minutos depois, foi só olhar a esquerda e se deslumbrar com o espetáculo principal da travessia: A PRAINHA. Lugar que me deixa sem palavras pra explicar tamanha beleza. A Prainha... ...uma area onde o Rio Mogi dá uma pausa, formando um poço com 2mts e água esverdeada abraçando uma rocha de cortes diagonal que parecem ser talhados a mão. Quando se mergulha nessa água e abre os olhos, você consegue avistar cada detalhe submerso. *uma das melhores sensações que já tive, foi estar naquele lugar. Pra continuar após 1h de curtição seguimos. Daí por diante não há trilha, então iniciasse a pressão psicológica, por estarmos cansados, com mochila, a maior parte pela frente e tendo que escolher onde pisar dentro d'água. O cenário continua maravilhoso, com vários poços de cor esverdiada e as montanhas da Serra enclinando em nossa direção formando o vale da morte. Eu passei a entender nesse passeio, o por quê do nome do Rio da Onça (várias e várias pegadas dos felinos nas margens do rio). Tinhamos que ziguezaguear o rio para poder atravessar algumas piscinas naturais, e quando deixamos a 2° PEDRA DO PULO para trás, já podiamos ver bem longe uma das empresas Petroquimicas de Cubatão e o Pátio de Container's. Ao andar por esse percurso, passamos por pequenas ilhas que dividiam o encontro dos rios e uma galeria fluvial á esquerda. Logo aparecia do mesmo lado uma area como uma grama baixa e de um verde bem vivo (ali foi nossa saida), sendo que não tinha como seguir pelo rio, pq o mesmo já se torna visivelmente fundo e bem largo. Atravessamos esse gramado, pulamos cerca de arame farpado, varamos um pouco de mato e por fim chegamos a uma linha de trens desativada com vários vagões sendo consumidos pela ferrugem. Prosseguimos (tiramos fotos), até chegarmos na Casa das bombas do Rio Mogi, ver lá de cima da ponte que corre os trilhos uma linda queda d'água formada pela represa da casa das bombas e avistar de longe 2 homens vindo do mato em nossa direção. Imediatamente Diego sacou o facão da mochila pra nos os assegurar de maiores problemas, e para cômica surpresa, os 2 estavam bêbados e com uniformes de uma empresa...rsrs Mesmo assim rolou uma conversa, perguntamos sobre o ônibus que nos levaria a rodoviária de Cubatão. Antes do fim da conversa, um dos dois, o mias embreagado tentou dar um bote na mão do Diego, dizendo que queria ver o facão melhor. Diego já estava arisco, e com o "pulo do gato" se esquivou fácil fácilm deixando o manguaça no vácuo..kkk. Seguimos a rua de paralelepípedo até o ponto (bom tempo de espera). A rodoviária de Cubatão é pequena e aparenta estar largada ao descaso. Fomos ao banheiro nos trocar, depois compramos as passagens pra 1h mais tarde com destino a Jabaquara-SP. Aproveitamos pra tomar um cafezinho (parecia ter sido feito a uns três dias atrás) com leite no único MUKIFO que tinha ali, e ao fazer o pedido a balconista solta: NÃO ACREDITO, VOU TER QUE ESQUENTAR LEITE DE NOVO. Aff, essa foi a pior! Enquanto ela tagarelava com as amigas clientes, pedimos duas vezes (sem resposta) um pão com manteiga, mais desistimos. Fim de rolê!!! Seguimos pra Sampa, descansando no Bus e depois Metro. *cada um pra sua casa matutando o próximo rolê. Qq dúvida, estarei à disposição. Abraço.
  16. Augusto Casa Tática

    Primeira funicular - Paranapiacaba/Cubatão

    Prezados, esse é resumo de quem seguiu os restos da antiga Funicular até chegar em Cubatão! Surgiu o convite em um grupo do whattsapp e como já estava na intenção de fazer essa trip em 2015 não pensei duas vezes. Não conhecia ninguém do grupo, mas algo me dizia que era só gente boa. Afinal quem não gosta de trilha ou é ruim da cabeça ou doente do pé! Nos encontramos na estação Brás da CPTM e pegamos o trem sentido a Rio Grande da Serra e lá um ônibus para Paranapiacaba! Nosso grupo era composto por 10 pessoas 3 mulheres e 7 homens, todos com muito entusiasmo e curiosidade aguçada para realizar essa trilha tão famosa! Essa trilha dá uma sensação de estar em um filme do Indiana Jones, tudo virou ruína e está tomado pela vegetação nativa da Serra do Mar. Duração: 26 horas aproximadamente (entramos sexta pela manhã e saímos sábado a tarde) Sentido: Cubatão Pontes que passei em pé: 02 - primeira e a segunda Pontes que passei agachado: 02 - terceira e quarta (A primeira ponte a transpor é uma das mais conservadas, ainda se tem um falsa sensação de segurança, mas tendencia é piorar conforme se aproxima do litoral. Eu não senti confiança em passar mais pontes, mas alguns mais corajosos no grupo preferiam transpor as pontes a tentar os desvios, as vezes por cima outras por baixo). A grande maioria está bem degrada e avançado estado de corrosão, uma hora ela vai desmanchar e pode ser na sua vez portanto não se arrisque! Fauna e flora: Avistamos muitas cobras, mas felizmente antes de pisarmos ou incomoda-las de alguma maneira. Aparentemente pelo pouco que conheço não eram peçonhentas, mas evitar o contato com esses animais é o mais correto a se fazer. Aranhas de vários tamanhos e cores bem no meio da trilha fique atento para não enroscar o rosto em uma teia grande! Em uma situação todos abaixaram para não destruir uma teia enorme no meio da trilha com uma aranha das grandes! Encontramos goiabas, limão bravo e abacate na trilha todos em perfeito estado para consumo, mas se você não tem conhecimento de alimentos silvestres não coma nada! Em 50% do trajeto a trilha é bem fechada com muitos galhos e espinhos, calça e camisa de manga comprida são os mais adequados. Repelente também é essencial! Clima: Fomos no outono portanto durante o dia o clima é agradável a mata é fechada e o sol não castiga tanto, mas boné ou bandana e protetor solar são importantes! Na Serra do mar é muito fácil o clima mudar repentinamente e chover a qualquer momento, felizmente não choveu, mas levar capa de chuva e manter sua troca de roupas seca são importantes! Pontos de água: Há vários pontos de água pelo caminho, mas já adentre a trilha abastecido, o clima úmido desidrata bastante, eu transpiro muito e acabo consumindo muita água. Pontos para pernoitar: Existem vários túneis durante o trajeto, perfeitos para pernoitar, atente a direção da corrente de ar para colocar a entrada da sua barraca. Fogueira: Fizemos uma fogueira dentro do túnel para pernoitar só verifique a direção da corrente de ar para posicionar a entrada das barracas para não entrar muita fumaça. Porque a fogueira? O fato de que ter uma fogueira acesa por perto lhe dará uma sensação de conforto e segurança, sempre após deixar o local verificar se o fogo está 100% apagado! O que levar para pernoitar: - Barraca - Saco de dormir - Isolante térmico - Lanterna (de mão ou de cabeça) - Cantil ou reservatório de água (Tipo Camelback) - Squeeze - Facão (Pelo menos duas pessoas com facão (não vá batendo o facão em todo o trajeto, apenas nas áreas em que o mato fechou muito, além de preservar o ambiente você não se desgasta tanto fisicamente) - Clorin (Pastilhas que purificam a água exitem vários pontos para pegar água no caminho, mas alguns são de origem duvidosa) - Fogareiro (Não precisa cada um levar seu fogareiro, combinem entre os amigos para dividir quem leva o que) - Panela pequena - Talher e utensílios de camping - Canivete - Caneca plastica ou de alumínio - Capa de chuva - Luvas podem ser importantes - Bandana ou boné (Na mata fechada ajuda a não ficar com um ninho de aranhas preso no cabelo ou um monte de formigas) - Repelente - Lenço umedecido - Papel higiênico - Fósforos - Alimento de preparo rápido: macarrão instantâneo/enlatados/frutas secas/barras de cerais/paio/café solúvel/sopas rápidas/pão etc. (lanche/almoço/lanche/jantar/desjejum/lanche) - Calça de tecido leve e secagem rápida/camiseta manga curta ou comprida/blusa de frio leve/uma muda de roupa/meias - Um mini kit primeiros socorros e remédios que você use - Não tem sinal de celular em grande parte do trajeto um HT é um item de segurança! - Óculos escuros (opcional) - Sacola plástica para o lixo - Barbante ou alguma cordinha fina e resistente de nylon Obs. Essa lista é apenas uma sugestão, você pode aperfeiçoa-la ou retirar itens que não considere essencial para sua trip de 24 horas! Cuidados: Não encontramos com ninguém suspeito no trajeto, mas na quarta ponte uma dupla (dois homens) passaram por nós, eram mochileiros também. Já vi caçadores em Paranapiacaba e já me relataram a presença dos mesmo além de marginais na região, portanto se manter alerta é muito importante! Obs: Alugamos um Van para levar a gente até uma estação de metrô em sampa saiu R$40,00 por pessoa! Espero ter contribuído com algum detalhe importante, existem vários relatos muito mais completos, mas fiz questão de compartilhar com vocês! Agradecimento a todos amigos que fiz nessa trip fantástica: Hugo, Ingrid, Peter, Alemão, Francisco, Kaue, Leonardo, Lhais, Amanda! Imagens: Hugo
  17. Sobre o antigo sistema Funicular Funicular significa "sistema de transporte em que a tração do veículo é proporcionada por cabos acionados por motor estacionário, e frequentemente se utiliza para vencer uma grande diferença de nível". A SPR (São Paulo Railway), foi a empresa que construiu e operou todo o primeiro sistema, composto por 5 casas de máquinas, 11 túneis e 16 pontes. Inaugurado em 16 de Fevereiro de 1867, teve funcionamento centenário. Tendo que ser desativada em 1982, após um incêndio datado de 14 de Janeiro de 1981, sendo sucedida por outras empresas até 1994. Inicialmente o sistema era para transporte de café entre as cidades de Jundiaí e o porto de Santos. Hoje o primeiro sistema já não opera mais, fazendo parte do Museu Tecnológico Ferroviário do Funicular, mantida pela Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. Há uma linha paralela atualmente ativa, que opera com um sistema mais avançado, chamado Cremalheira-aderência, inaugurada em 1.974 sob o comando da concessionária MRS Logística S.A. Relato No início de quando me interessei por trilhas, mergulhei de cabeça nessa história de me envolver com os grupos, ler relatos, me aventurar, coisa e tal. Procurava companhia já fazia meses, e nada de encontrar. Mais continuava entretido no fórum, lendo, e foi em um desses relatos que me empolguei com toda aquela narrativa que excita qualquer novato. Eu lía e re-lía várias vezes a ponto de ficar afiado pra encarar esse desafio quando surgisse a oportunidade, ela demorou a chegar, coisa de um ano depois. Time escalado, e lá vamos nós ao "ataque inverso". Por que inverso? Porque os relatos que se tem por aqui, ditam que há uma necessidade de (acampar num dos túneis) pernoitar uma noite para essa travessia, e que é preferêncialmente entrar pela Vila de Paranapiacaba durante a noite para não ser vistos pelos guardas e ter que dar meia volta. Nós fizemos o oposto: entramos por Cubatão, na Rod. Conego Domênico Rangoni às 09:00h, sem nos preocupar com guardas e realizamos a travessia em 1 dia (8h entre pernadas e pausas). obs.: só fizemos em 1 dia porque era isso que tinhamos como tempo disponível e um dos integrantes do grupo já havia feito o mesmo trajeto. Lembrando que, se não calcular o tempo certo, pode-se correr o risco de ficar pelo caminho no escuro da mata e atravessar os trilhos nas alturas sem visibilidade, aumentando o risco de vida. Atenção hein! Pois a neblina baixa cedo em Paranapiacaba. Pegamos a Van na estação do Metro Jabaquara por volta de 07:45h sentido Cubatão, no valor de R$25,00 por pessoa, e a danada demorou para sair. Bom para o Thiago, que foi conhecer o Habbib's da região...kkk. O trânsito na Rodovia dos Imigrantes estava livre, e logo chegamos ao viaduto da Rod. Conego Domênico, também conhecida como Piaçaguera-Guaruja. Uma referência da trilha que leva aos trilhos da Funicular. Alí já está o término da travessia para quem desce da Vila e chega ao pátio de manobras dos trens da MRS Logística S.A. Sendo aquele local, área privada e tombada como patrimônio, não demoramos muito por ali, há um certo aglomerado de casas nos arredores, e a fama de Cubatão não é das melhores quando o assunto é segurança. Pegamos logo a trilha, que de início achei meia confusa de se "navegar" , por haver várias picadas para todas as direções. Mais bastou achar os cabos de aço estirados no chão e segui-los. Pois esse é o caminho. O cenário aguça a imaginação logo no começo da caminhada, onde a serra foi rasgada para se ter o "planalto" onde subiram e desceram vários trens construindo parte da história do Brasil, e que hoje, resta apenas uma linha férrea abandonada por décadas. E a tanto tempo inativo, todo o sistema ganhou ornamentação natural, deixando tudo o que vemos com uma imagem histórica e/ou envelhecida. A ponte que foi ao chão, ainda tem sua metade suspensa e é tomada pela vegetação, tem lá sua beleza individual e acesso restrito. Nos primeiros km's passamos por lugares sensacionais, contornanos a primeira ponte e alguns túneis que oferecem a escuridão como desafio mesmo sob a luz do dia. O incerto te rodeia a todo instante, pois se não tens uma lanterna em mãos, não se sabe onde vai pisar, pode ser em um buraco, como pode ser em uma cobra. O negócio fica tenso. Eu já estava ficando intediado de tanto desviar de pontes e varar túneis sem adição de alguma emoção por menor que fosse. O que mais me instigava a estar alí, seria o desafio das pontes, que até então não me surpreendiam vistas ao longe. Mais não tardou muito, e na 4° ponte eu tive minha coragem posta à prova. A ponte mais extensa de todo o percurso, conhecida como Ponte Mãe, tem sua estrutura bem, mais beeeem comprometida mesmo, e é parcialmente tomada pela vegetação, só dificultar o caminho. A cena que se vê não é das mais animadoras, pois faz você temer cada passo que será dado em cima daqueles trilhos comidos pela ferrugem, e as madeiras (dormentes) podres esfarelando abaixo de você. A cena assusta hehehe. E quem disse que deu coragem de encarar tranquilamente? ainda mais indo de pé. Deu um medo da porraaa kkk, e olha que eu não tenho medo de altura hein. Em ordem e com espaço de um para o outro, seguiram: Diego e Rene (atravessando em pê), Eu, Thiago, Diogo e Terry (com medo, engatinhando nos trilhos como quem não sabe ficar de pé kkk). Tudo muito tenso e cansativo, pois estávamos expostos ao sol forte, mais na verdade, era a adrenalina que fazia o suor escorrer pelo rosto a cada metro avançando. Não é tarefa fácil, você seguir nas alturas, sem segurança, e ainda ficar vendo alguns trilhos balançando e os dormentes (madeiras), que te suportam caírem enquanto você. E pra dar mais emoção, Diego logo anuncia: tem uma cobra aqui (na metada da travessia), mais na verdade eram três cobras enroladas nos ferros. Eu me aprecei pra ver e consegui visualizar apenas duas delas descendo lentamente as barras de ferro sem obstruir nosso caminho. Ainda bem rsrs. Pois seria complicado se estivessem no mesmo nível que a gente, tão alto... aff. Superamos o 1° desafio creio que uns 20 minutos, porém com segurança e do jeito que cada um se sentiu melhor. Sem pressa, na calma. Novos km's percorridos sob o sol forte, calor de rachar. Nossa água (1L cada), acabou rápido. O bom é que temos pontos dágua pelo caminho, que dizem não ser confiáveis devido a contaminação de alguns rios locais, só que não dava para continuar sem se refrescar. Então tomamos da água corrente de alguns desses pontos assim mesmo. Eu já estava satisfeito com a superação inicial, até me arrisquei a seguir em pé sobre os trilhos da próxima ponte em diante. E assim foi também com Diogo, menos para Terry e Thiago que realizaram todas as travessias engatinhando nos trilhos. Dou meus parabéns a eles por encararem isso, mesmo tendo medo de altura. Conforme subiamos o declive da Serra do Mar, conversavamos sobre toda a engenharia ali empregada, as dificuldades para a construção dos túneis em uma época que não havia tantas "máquinas que fazem tudo" como hoje em dia, e como seria assistir tudo isso em funcionamento. "em 1.861 foi instalado um acampamento no alto da Serra do mar, que chegou a abrigar 5.000 homens para realizar a construção de toda a linha com seus 11 túneis e 16 pontes". Próximo ao meio de todo o trajeto já avistamos as primeiras caixas dágua que abasteciam as casas das máquinas, a primeira e segunda de cinco delas, estão inacessíveis devido ao mato ter tomado conta, engolindo quase que por completo esses patamares. O 3° Patamar já é maior, mais visível, porém tem "armadilhas" no solo dificultando o acesso. São valas profundas onde se fazia algum tipo de manutenção nos trens, então é complicado se arriscar e cair num buraco desses. Andando um bom tempo depois dali, alcançamos a "cereja do bolo" desse rolê: o 4° Patamar. eita lugar fantástico. E eu pensando que já teria visto tudo o que queria ver nessa aventura (coitado). O 4° Patamar é a principal e maior casa de máquinas, com grandes engrenagens, turbinas, painéis e alavancas que geravam toda força para catracar as composições cargueiras entra o planalto de Paranapiacaba e a Baixada Santista. Localizada abaixo da ponte mais alta e bem conservada de todas (Grota funda), e que termina invadindo o morro por um túnel, o patamar merece admiração em todos os detalhes, pois o lugar te leva a outro plano, outra realidade, como se você estive estrelando em filme que retrata a antiguidade férrea de algum faroeste americano. O enorme morro a nossa direita é muito íngrime e antecede o Vale do Rio Quilombo, e tem sua vegetação seca e rasteira com rochas em destaque, que fazem lembrar de paisagens internacionais (tipo: Texas, Yugoslávia, Islováquia né Diego? kkkkkkk). E abaixo de nós, um afluente de pequenas quedas que deságuam no vale do lindo Rio Mogi. Foi naquela paisagem rica em história que registramos as melhores e mais ousadas fotos. Ainda bem que deu tempo, por que assim que decidimos prosseguir, caiu um forte neblina permitindo enxergar apenas uns 15 mts a nossa frente, no máximo. Faltava pouco mais de 1h entre as poucas pontes e túneis que restam pra alcançarmos o quinto e último patamar e finalizar nosso passeio. O frio já abraçava a Vila quando saimos da trilha. Então fomos tomar aquele cafézinho e chocolate quente para aquecer antes de pegar o Bus para Rio Gde da Serra e seguir rumo a house...rs. Na Van, indo embora, ouvindo that's my way - Edi Rock part. Seu Jorge, a emoção me abraçou forte, mais tão forte, me trazendo um misto de alegria, satisfação, superação e gratidão pelas companhias e a presença divina, que não resisti, e chorei, chorei bastante enquanto eu recordava de tudo que vive naquele (01/09/2013), domingo abençoado. Só tenho a agradecer. that's my way and I go esse é meu caminho e nele eu vou! eu gosto de pensar que a luz do sol vai iluminar o meu amanhecer, mais se no manhã, o sol não surgir, por trás da nuvem cinza tudo vai mudar, chuva passará e o tempo vai abrir. A luz de um novo dia sempre vai estar Pra clarear você, pra iluminar você Pra proteger, pra inspirar e alimentar você. fim. obs.: com muita calma, realizamos em quase 8h de pernada. Se interessou em ir pra lá? estude bem seus medos e as dificuldades que é estar lá, pois é proibido (lei Federal) transitar em linha férrea. Colha o que puder de infos antes de ir e dê preferência de ir com quem já visitou antes. itens indispensáveis: 1 _ confiança em Deus; 2 _ não ter medo de altura; 3 _ luvas (evita ferimentos e Tétano); 4 _ lanternas (túneis escuros); 5 _ lanche rápido; 6 _ 2L de água; 7 _ boas companhias, rsrs. boa sorte! Agradeço a Deus pela minha proteção e de meus companheiros. valeu a pena!! abraço.
  18. Rubens Medeiros

    Vale da Morte - Paranapiacaba

    Olá pessoal, sou novo no mochileiros e estou planejando me aventurar pelo vale da morte, já pesquisei sobre a rota aqui mesmo e consegui absorver bastante informação, a questão é,que, será minha primeira jornada, escolhi o local por ser "desafiador" e próximo a são paulo, porém não tenho equipamentos, não sei com o que me alimentar, nem tenho companheiros para a trilha. Ainda estou passeando bastante pelo fórum para colher informações mas a medida que vou lendo os posts absorvo muita informação e acabo ficando confuso com tudo, pretendo fazer a trilha em 11/12/15, por isso criei esse tópico para filtrar melhor as opiniões, então lá vai: 1) O que levar para me alimentar? 2) Posso encarar a trilha sozinho? 3) Para primeira trilha, quais equipamentos básicos devo ter? Lembrando que estou visando também custo beneficio. 4) Como não deixar dejetos no ambiente? 5) Tem algo mais que eu deva me perguntar antes de partir? Conto com a ajuda de vocês.
  19. Trip realizada nos dias 29 e 30 de Setembro de 2012 Com:: Thiago Furtado e Fernanda F. / Funiculeiros Confira a galeria de fotos completa desta trip! "Desconhecido e temido, o Vale, finalmente vencido..." As inúmeras vezes em que pisei nos caminhos da região também conhecida como Serra do Meio, remota, compreendida entre Santo André e Cubatão, se resumiram a bate-e-voltas os quais agora posso considerar como exploratórios "picados", mas que por isso me permitiu situar de maneira interessante parte de uma expedição maior por aquelas bandas. Isto mesmo, ainda havia muito a ser desbravado por mim, fato já esperado, uma vez que estamos nos referindo ao Rio da Onça, sinuoso, que rasga a encosta serrana impiedosamente, até dar de encontro com o famigerado Rio Mogi, já em seu trecho mais brando, na planície, resultando assim numa magnífica e desafiadora travessia, conhecida por muitos como "Vale da Morte", com água em abundância em suas corredeiras e abismos, contrariando sua irmã árida californiana. O Vale Não é mito que esta é considerada pelos locais e por praticamente qualquer um que tenta desbravar os caminhos das matas de Rio Grande da Serra, Paranapiacaba e Cubatão como a travessia mais complicada, arriscada, desafiadora, e proporcionalmente bela e emocionante daquela região da Serra do Mar, mas não por isso seu sugestivo nome nasceu de seus obstáculos ou de acidentes e tragédias que hora ou outra vieram a ocorrer em seus cânions vertiginosos. Originalmente, o apelido "Vale da Morte" estava relacionado à tamanha devastação decorrente da atividade petroquímica desenfreada e não regulamentada desenvolvida no município de Cubatão, no sopé da Serra do Mar, que assim sendo, transformou boa parte da área referente ao Vale do Rio Mogi e também o Vale do Rio da Onça, o atual "Vale da Morte" em questão, num imenso corredor de natureza morta, um cenário em época quase apocalíptico que, felizmente, veio a se recuperar de forma surpreendente ao longo das décadas que se passaram. O plano Diversas investidas pela região me renderam certo conhecimento dos possíveis caminhos e variantes, no entanto, várias datas furadas devido a condições climáticas desfavoráveis ou mesmo compromissos extraordinários acabaram por engavetar esta travessia por tempo indefinido. Assim, fiquei sem pisar nas trilhas da Serra do Meio durante um hiato de quase um ano, até tomar conhecimento, por meio dos amigos Maycon E. e Tiago Furtado, de que os Funiculeiros (grupo de trilheiros do qual participam, originado em Paranapiacaba, que realiza incursões pela Serra do Mar e outras regiões e que busca manter viva a memória do trecho ferroviário abandonado da antiga São Paulo Railway, que outrora ligou Paranapiacaba a Cubatão, utilizando um sistema funicular para vencer o grande desnível serrano) também estavam traçando planos de realizar a descida da serra pelo Vale, e para esta fui convidado de antemão. Sem pensar uma segunda vez, acatei o convite de imediato, pois era o ponta-pé que me faltava para, finalmente, encarar o "suprassumo" das trilhas daquela extensão natural! A data fora marcada, com certa antecedência, para o final de Setembro daquele ano, e ainda viriam algumas tripzinhas básicas antes da aclamada data, tais como minha segunda travessia do Vale do Rio Mogi, a investida ao Vale do Rio Sorocaba e a escalaminhada da Cachoeira dos Pretos, todas realizadas com uma estratégica segunda intenção de treinar para o que poderia me aguardar naquele fim de mês. Chegadas as vésperas do "dia-D", a euforia era grande entre os membros Funiculeiros e os não-membros na rede social. Havia uma espécie de tensão, muitas vezes, atenuada ou confundida com empolgações e expectativas, afinal, apesar de alguns ali, como Hassan, Fabrício e Paulinho, já terem vencido a travessia antes, uma grande parcela do pessoal não tinha sequer ouvido falar sobre tal região. Mas mesmo os mais conhecedores do Vale eram afetados por uma sutil insegurança, afinal, é uma região em constante formação, sujeita às ações do tempo, da água, do crescimento e do desaparecimento da vegetação local, enfim, na natureza nada é fixo, e esta é uma das principais lições para qualquer um que se disponha a encará-la. Pouco a pouco, cada um foi se despedindo e se desligando da rede, afinal, já faltavam poucas horas para que todo aquele pessoal se jogasse, enfim, em meio à Mata Atlântica da Serra do Mar Paulista. A partida Psicológica, física e tecnicamente preparado, despertei-me às quase 5h daquela tímida manhã de Sábado e logo resolvi os últimos detalhes antes de me jogar pelas ainda escuras ruas de meu emergente bairro periférico. Um trajeto de ao menos uma hora, envolvendo ônibus e metrô, me separava do Furtado e de sua então parceira Fernanda, com os quais havia combinado de iniciarmos a trilha separados do restante do pessoal, que pretendia pisar na mata apenas no meio da tarde. Estava um tanto empolgado, já que planejamos iniciar a jornada por um caminho o qual ainda não havia tido oportunidade de conhecer, ou seja, desceríamos o Rio das Pedras, pelas quedas da Cachoeira da Fumaça, para acessar o "Portal", local de encontro entre este rio, o da Solvay e o Vermelho, e início definitivo, por consequência, do Rio da Onça. Como já pude relatar, já tive acesso ao início do Vale da Morte em meados de Novembro de 2011, quando desci aquele rio até um pouco depois da profunda Garganta do Diabo, mas naquela ocasião, o acesso ao tal rio teria sido feito pelo Rio da Solvay. Às 6h10, devido a um pequeno atraso de minha parte , recebi um SMS do Furtado, alegando que tanto ele quanto a Fernanda já estavam no local combinado, a plataforma onde estaciona o trem da Linha 10-Turquesa, com sentido a Rio Grande da Serra, na Estação Brás, da CPTM. Felizmente, eu também já estava me dirigindo à plataforma, pois havia acabado de desembarcar do trem do Metro e feito a transferência para a ala da CPTM. Alguns poucos minutos depois, conseguimos nos encontrar e embarcamos no primeiro trem a vir a partir daquele momento. Após uma rápida, mas bem conversada viagem a bordo daquele confortável trem de fabricação espanhola, datado da década de 1970, chegamos à estação final da linha, Rio Grande da Serra, às 7h da manhã. Sem muita pressa, caminhamos em direção ao ponto de ônibus da EMTU, onde embarcamos, após algum tempo de espera, no coletivo da linha 424TRO-Paranapiacaba, que nos deixou numa solitária parada em meio à Rodovia SP-122, estrada que conecta Rio Grande da Serra a Paranapiacaba. Por sorte, a pretendida "Trilha da Cachoeira da Fumaça" teria seu acesso logo ao lado daquela parada. Parece estratégico?! TRILHA DA FUMAÇA (AMARELO) / PONTO DE ÔNIBUS 100 APÓS A ENTRADA DA TRILHA / R. G. DA SERRA A NOROESTE E PARANAPIACABA A LESTE Mata adentro De forma ágil, mas descompromissada, avançávamos por aquele trecho inicial da Trilha da Cachoeira da Fumaça, também conhecido como "Trilha dos Tênis" devido aos diversos calçados pendurados em torres e antenas os quais o caminho, sempre empoçado e alagadiço, costura. De forma quase despercebida, o caminho ia se tornando cada vez mais "arrebentado", estreito e encharcado. Minha sorte é que, desta vez, contava com minha recém inaugurada bota tática, que poderia, talvez, me garantir alguma sequidão em meus pés. Bem, não foi o que aconteceu, fui pego por uma poça de água barrenta, com quase 30 centímetros de profundidade, que praticamente atolou meu pé direito ali. Beleza, o "perrengue" acabara de começar, mas bora nessa! Em pouco mais de meia-hora de caminhada pelo trecho inicial quase pantanoso da trilha, o cenário já começava a mudar. A partir deste ponto, a trilha parecia se misturar organicamente com grandes lajeados rochosos que margeavam o leito por enquanto raso do Rio das Pedras - sim, já estávamos nele! -, chegando a até mesmo nos forçar a cruzarmos o rio de um lado para outro, sempre nos atendo às pedras de diferentes tamanhos que compunham seu fundo. Passamos pelo primeiro marco de referência, a Prainha da Fumaça, que tem seu nome justo devido a um vasto banco de areia que neste local acolhe as águas calmas e cristalinas do rio. A partir deste ponto, optamos por ignorar a trilha e seguir somente pela água, que já naquele horário, encontrava-se irresistível! E assim fomos, com água até a altura dos nossos joelhos, enfrentando uma série de obstáculos que, eventualmente, resultavam em inesperados "banhos forçados pela gravidade". A Cachoeira da Fumaça Já estávamos a quase uma hora e meia longe da "civilização" quando, finalmente, pudemos avistar o que parecia ser o fim daquela aparentemente interminável pulação de pedras fluviais. Pois, era! Ali, logo à frente, estava o mirante referente à cabeceira da Cachoeira da Fumaça. Saltamos pelos últimos metros daquele curso d'água e logo fomos prestigiados pela impressionante vista que agora tínhamos daquele topo de serra. De lá, podíamos avistar perfeitamente o caminho que nos aguardava, bem como toda a região metropolitana da Baixada Santista, em segundo plano, e por fim, quase se perdendo no horizonte, Oceano Atlântico! Eu, Furtado e Fernanda arranjamos um local propício para sentarmos e comermos algo, pois já eram 9h30 e havíamos vencido a primeira parte da travessia. O clima de tranquilidade daquele lugar só pairou sobre nós quando um numeroso grupo de escoteiros deixou o local do qual compartilhávamos naquele momento, e seguiu em nossa frente, para também descer a cachoeira. Portanto, fizemos mais alguma hora ali e jogamos papo fora, até que o grupo se distanciasse o bastante para que iniciássemos nossa descida tranquilamente e sem farofa desnecessária. Uma hora depois, decidimos que era tempo de darmos continuidade à pernada. Arrumamos nossas mochilas e subimos uma ladeira à esquerda do rio, de onde uma trilha íngreme se projeta em direção ao fundo do vale e desce vertiginosamente a encosta serrana, sempre paralela às quedas d'água, audíveis a todo momento, hora á nossa direita, hora à nossa esquerda. Não nos preocupamos nem um pouco quanto ao horário, pois dispúnhamos do restante da manhã e de todo o período da tarde para chegarmos apenas até o cânion da Garganta do Diabo, onde faríamos nossa pernoite. Sendo assim, paramos em cada uma das sete principais quedas que compõem a Cachoeira da Fumaça, todas acompanhadas de refrescantes e cristalinas piscinas naturais formadas a partir de suas bases. Em algumas de nossas paradas, acabávamos alcançando os escoteiros que estavam à nossa frente, mas nem por isso a contemplação e a curtição do local ficava comprometida. A todo instante, era possível avistar o Rio da Solvay à nossa frente, nos aguardando cada vez mais próximo de nós, e acima dele, o majestoso Morro do Careca se impunha sobre toda aquela paisagem exuberante! Alcançando o "Portal" Mergulhando de queda em queda, nos vimos, às 16h30, no encontro dos rios das Pedras, da Solvay e Vermelho, local também conhecido como Portal do Vale da Morte e início definitivo do Rio da Onça. Novamente, nos deparamos com o numeroso grupo que, praticamente, desceu a Cachoeira da Fumaça conosco. Porém, estes não prosseguiriam pelo mesmo rumo nosso, pois retornariam para a estrada pelo Rio da Solvay, enquanto nós seguiriamos no sentido oposto, descendo o rio até a Garganta do Diabo. Ficamos durante algum tempo no Portal, onde finalmente preparamos um prato um pouco mais decente - miojo -, em uma humilde panela trazida pelo Furtado. Bem, refeições teríamos de sobra, pois todos nós estávamos bem munidos quanto a isto. Após o breve pit-stop, demos seguimento à nossa descida de rio, agora descendo ligeiramente as pedras maiores do Rio da Onça, e não demorou muito para encontrarmos um pessoal que estava acampando encima de uma rocha um pouco mais plana na beira do rio. Inesperadamente, fui reconhecido por um deles, Renan Prado, até então, amigo de rede social, que disse estarem la para atacar a Garganta do Diabo no dia seguinte :'> . Conversamos com seu pessoal por mais alguns minutos, mas nos despedimos em seguida, pois o Sol já apresentava sinais de que queria nos deixar na mão, e quando isso acontece num lugar como onde estávamos, é bom ficar esperto! A Garganta do Diabo São menos de 600 metros de água, rocha e areia que separam o Portal da Garganta do Diabo, um trecho relativamente curto, mas que ainda assim é vencido em pouco mais de meia-hora. A Garganta do Diabo, finalmente alcançada, é um grande abismo cavado pela força das águas em meio à rocha maciça, deve ter algo em torno de 50 metros de profundidade. O rio é tragado repentinamente, retomando seu curso no fundo desta fenda, após uma queda d'água vertical . É impressionante observar como a natureza flui de forma tão espontânea e ao mesmo tempo artística. Objetivo do dia cumprido? Não necessariamente... Pernoite na Garganta Já eram 18h passadas, e aparentemente, havíamos chegado ao nosso destino. Mas precisávamos, ainda, nos estabelecer nalgum local para pernoitarmos. Felizmente, na encosta que se ergue à direita do cânion, há uma precária trilha que corta uma clareira ampla, frequentemente usada como ponto de camping. Para alcançarmos a tal trilha, tivemos que escalar uma parede de rocha à direita do poço que antecede a queda da Garganta, onde agora existe uma corda amarrada, o que facilitou bastante nossa ascensão Caminhamos pela trilha durante menos de 5 minutos e, ao depararmos com a tal clareira, ainda sob os últimos resquícios de claridade do dia, sacamos nossas lonas e cordas e improvisamos um quase luxuoso abrigo com capacidade para nós três. Em seguida, eu e o Furtado fomos em busca de água para o jantar e para nosso suprimento naquela noite, água esta que só foi possível coletar num poço abaixo da Garganta, o mesmo onde encerrei meu último bate-e-volta ao Vale, no ano anterior. Ao retornarmos, com apenas uma pequena parte da água que havíamos coletado, pois o acidentado caminho de volta nos rendeu alguns tombos, dá pra adivinhar com quem nos deparamos? Claro, toda a galera prometida para a trip acabara de chegar também! Um a um surgia da trilha e logo se acomodava como podiam ali naquela clareira que agora se tornava cada vez menor e disputada. Felizmente, todos conseguiram se ajeitar, uns em redes, outros em abrigos improvisados, outros em barracas. Ainda tinham uns mais loucos que decidiram, àquela hora, saltar no poço da Garganta - sim, é possível esta façanha! - , a partir de uma laje na encosta rochosa, de onde se tinha fácil acesso da clareira, quase dois segundos no ar até se espatifarem na gélida água! Conforme a calmaria da noite abraçava a todos, a fome também vinha de brinde e como nossa busca por água havia sido quase um fracasso, relutamos em repetir a mesma peregrinação em busca do dito líquido, sob o risco de voltarmos, novamente, com as mãos abanando. Mas eis que uma ideia brilhante veio à tona - afinal, agora contávamos com várias cacholas pensando ao mesmo tempo - , a de "pescar água" no poço da Garganta, no mesmo local onde alguns saltaram minutos atrás. Com isso, estávamos prontos para preparamos nossa merecida janta! Satisfeitos, fomos, aos poucos, nos recolhendo em nossos abrigos. Fui um dos primeiros a apagar, ao som harmônico de Bob Dylan, que naquela ocasião, combinava perfeitamente com o clima local. Despertar no Vale Passada uma noite até bem dormida por mim, pois mesmo com a friaca de 7º C naquela madrugada, estava protegido com um saco de dormir feito em alumínio, usado geralmente em situações emergenciais. Alguns poucos que iam acordando, gritavam para que os próximos acordassem tambem, pois já eram 6h da manhã, e o céu já se mostrava ligeiramente claro. "Pescamos" um pouco mais de água para lavarmos nossas panelas, fiz algumas fotos da área de acampamento e da Garganta ao amanhecer, na tal "plataforma de saltos", e perto das 7h, partimos para encarar o que o Vale tinha a nos presentear naquele dia. Em poucos minutos, chegamos ao poço após a Garganta, onde eu e o Furtado havíamos estado no dia anterior, mas o ignoramos e demos seguimento à trip.De fato, a Garganta do Diabo é apenas uma amostra quase grátis do que se segue adiante. O primeiro desafio era vencer uma encosta rochosa quase sem agarras, escorregadia, que beirava uma corredeira erodida pelas turbulentas águas deste trecho do rio. Em alguns trechos, uma porção de vegetação nos garantia certa firmeza ao avançarmos, no entanto, sempre era preciso prestar atenção em certos troncos e galhos que estavam tomados por formigas. Vencido o escorregadio trecho na rocha e um pequeno paredão onde valeu uma quase escalada, passávamos pela Cachoeira do Véu, na forma de cascata, não muito alta, mas com sua beleza única! Fizemos a primeira transposição do leito do rio naquele dia, pois na margem direita já se mostrava impraticável qualquer tentativa de avanço. Rapel Uma vez na margem oposta, escalaminhamos a encosta, desta vez, coberta por rica vegetação densa, onde beiramos o cânion por aproximadamente 100 metros - inclusive, passando despercebidamente pelo incrível "Poção do Vale da Morte", uma cratera onde despencam duas enormes quedas d'água, formando uma enorme piscina natural em seu interior - , até um ponto onde preferimos retornar ao fundo do vale, por onde julgamos que nosso avanço seria mais eficiente, mesmo que, para tal, tivéssemos que descer dois lances verticais do paredão, na corda! E assim, com o auxílio do Hassan, que também havia trazido todo o aparato de rapel, um a um, fomos "aterrizando", novamente, no leito pedregoso do rio. Todo o procedimento nos custou quase 2 horas da travessia, mas ainda assim, não poderíamos considerá-lo nem a melhor opção ou a pior, visto que não sabíamos o que poderia nos aguardar caso optássemos por continuar pela encosta do morro. No mais, todo este tempo foi uma boa oportunidade para que eu pudesse me enturmnar de vez com o grupo. Enquanto aguardava minha vez de descer, trocava assuntos com Maycon, Kátia e mais uma galera que estava conosco a respeito de profissões relacionadas á área industrial e aeronáutica (tudo a haver!). Pé de Limão Dando continuidade à caminhada, agora pelo leito do Rio da Onça, novamente, avançamos de pedra em pedra, de poço em poço, num ritmo desimpedido, e em menos de 20 minutos de fácil pulação de rochas, chegamos ao patamar superior da Cachoeira do Pé de Limão, que foi facilmente identificada por mim pela sua sua queda de 15 metros de altura seguida de um grande maciço rochoso a partir de sua base, que se estendia até um patamar mais abaixo, onde o curso do rio mudava sua direção bruscamente para a esquerda. A descida desta cachoeira foi feita, inicialmente, pela direita, onde havia uma ladeira não muito íngreme que permitia fácil acesso à sua base. Uma vez na base da cachoeira, transpusemos cautelosamente a correnteza, a fim de alcançarmos a margem esquerda novamente, e assim, prosseguirmos pela encosta, que agora, se mostrava um pouco mais generosa que antes. Mais mato, mais ladeiras, mais poços, mais cachoeiras E assim avançávamos por aquele vertiginoso cânion em meio à Serra do Mar, enfrentando obstáculo por obstáculo, usando cordas quando requisitados pela natureza, ou simplesmente saltando, escalaminhando, escalando, nadando, varando mato no peito e no braço. Haviam partes em que cada um seguia pelo caminho que mais achava conveniente, haviam outras em que nos era oferecido apenas uma ou duas alternativas. E assim avançamos vale abaixo, por mais quase 3 horas, até que atingimos a confluência do Rio da Onça com um grande afluente seu à sua esquerda, do qual desconheço o nome, e que encontra seu "irmão maior" na forma nada mais elegante que a de uma enorme cascata. Mas espere... ainda estávamos no topo de um imenso bloco basáltico, que só nos apontava uma única direção: para baixo, 30 metros quase verticais! Obviamente, a corda se fez necessária novamente, mas de maneira não tão sofisticada quanto antes, devido à inclinação do paredão, que permitia o não uso dos demais equipamentos de rapel. Cuidadosamente, vencíamos os lances íngremes e limosos daquele grande pedaço de rocha, que outrora nos separava do patamar onde os dois rios finalmente se encontravam. O encontro dos dois rios formava uma piscina natural onde em sua margem sul havia um banco de rochas e areia, no qual pretendíamos descansar e almoçar. :'> Finalmente alcançado o patamar inferior, ainda era preciso transpor, novamente, o rio, para que chegássemos a um ponto mais seguro e amplo para todos. Devido à considerável profundidade deste trecho do rio, tivemos que transportar nossas mochilas em nossas cabeças, com água na altura do peito. Felizmente, todos conseguiram atravessar com êxito e nenhuma mochila foi "estreada" ! Cada um se acomodou como podia nas inúmeras pedras que formavam aquela bela margem de rio, e enquanto o almoço não ficava pronto, alguns curtiam as duas cachoeiras presentes ali, uma pertencente ao Rio da Onça e outra ao seu afluente. Rapidamente, preparei meu miojo e logo me vi por satisfeito. Às 15h30, recolhemos nossos pertences e demos continuidade à trip, mais uma vez, vencendo lagos, poços, cachoeiras menores, alguns barrancos e encostas. Podemos dizer que a partir da grande confluência, a travessia passa a ser mais leve, porém, conforme os obstáculos naturais subsequentes iam se tornando cada vez menores e menos desafiadores, estes eram cada vez mais monótonos, o que tornava este trecho final um tanto quanto enjoativo, ao meu ver, talvez até mesmo, devido à própria ausência dos desafios maiores. Pelo fato de o rio agora portar-se mais brando e com declividade visivelmente menor, os poços passavam a ser cada vez mais intransponíveis dada sua profundidade - alguns chegavam a não dar pé, nos obrigando a contorná-los pelas beiradas. Reta final, a conquista do Vale Às 16h30, finalmente, abandonávamos o Rio da Onça e, com ele, o Vale da Morte, na confluência deste com o principal rio da região, o Mogi. Naquela hora, eramos cativados uma inexplicável sensação de missão cumprida e de vitória, afinal, acabávamos de vencer o que muitos consideram como a travessia mais difícil da Serra do Mar! Sendo assim, com todos reunidos, não pudemos deixar de registrar este momento na forma de nostálgicas fotos de todos os guerreiros que sobreviveram a mais esta grande trip. De volta à civilização Não bastante, ainda tínhamos ao menos uma hora e meia pela frente, seguindo pelo leito raso e tranquilo do Rio Mogi até a altura da Estação Raiz da Serra, onde o abandonamos em favor de uma picada em sua margem esquerda que nos deixaria em frente à tal estação e de cara nos trilhos do Sistema Cremalheira, da MRS Logística. Já eram 18h e o breu já tomava conta de toda a paisagem. Acompanhamos a estradinha de serviço do pátio ferroviário por uns 3 km, até interceptarmos o viaduto referente á Rod. Domênico Rangoni (vulga Piaçaguera-Guarujá), onde ao lado deste situa-se a humilde casa da Dona Anésia, antiga residente da região, e que já foi importunada pela concessionária da ferrovia, pois seu lar, construído bem antes de a área ter sido concedida, estaria, agora, dentro de uma área de serviços. É cada uma... Por fim, antes de tocarmos rumo a São Paulo, passamos na casa da simpática senhora, que é amiga de longa data de muitos membros do grupo, e que nos acolheu alegremente. Realmente, era possível me sentir em casa naquele lugar :'> . Um clima amistoso e bem aconchegante. Às 21h, nos despedimos e seguimos para o ponto de ônibus localizado na rotatória da Usiminas, já bem próxima dali. Era tarde, e os ônibus já estavam escassos, mas mesmo assim, tivemos sorte de conseguirmos chegar à rodoviária de Santos, onde embarcamos no veículo da Viação Cometa que seguiria para São Paulo. Não se pode negar que o Vale merece todo o respeito que tem. Este mostra-se exuberante, mas igualmente feroz. Trata-se, sem dúvidas, de uma das mais belas obras de arte, rabiscada, pintada e esculpida de forma singular pelas forças naturais das quais nós, meros humanos, podemos não mais que pertencer. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ IMPORTANTE: - A Travessia do Vale da Morte é considerada de grande dificuldade, mesmo para trekkers mais experientes. Apresentam-se, ao longo de praticamente todo o trajeto, paredões, encostas, mata fechada, trechos acidentados no leito do rio, com grandes blocos de pedra a serem vencidos, ladeiras íngremes e escorregadias, cachoeiras e poços naturais. Não é recomendada a realização desta e de outras trilhas e travessias que envolvam trechos feitos em rios em épocas chuvosas, pois há grande risco de ocorrer o fenômeno chamado "cabeça d'água", caracterizado pelo aumento repentino da vazão e do nível das águas. - Em épocas propícias, as águas do Rio da Onça são límpidas, potáveis e propícias para banho, mergulho. - É sempre recomendável o uso de calçados e roupas adequadas para lidar com trechos feitos no rio e nas encostas. Cordas e equipamentos para pernoite, mesmo que emergenciais, são itens praticamente indispensáveis. INFORMAÇÕES ADICIONAIS Seguem abaixo as tabelas com os horários, itinerários e tarifas das linhas de trem e ônibus utilizadas no trajeto: LINHA 10 - TURQUESA (CPTM) Imagem original Site oficial da CPTM LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL 424TRO / RIO GRANDE DA SERRA - PARANAPIACABA (EMTU/RIBEIRÃO PIRES) link original LINHA DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAL CUBATÃO (USIMINAS) - SANTOS (EMTU/PIRACICABANA) Link original LINHA DE ÔNIBUS RODOVIÁRIO SANTOS - SÃO PAULO (JABAQUARA) (VIAÇÃO COMETA) Site oficial da Viação Cometa
  20. Após muito ouvir sobre esse destino épico entre os trilheiros roots do Brasil, decidi vivenciar a tão famigerada Trilha Funicular de Paranapiacaba/Cubatão. Acompanhado de mais seis colegas, que encontrei aqui no Mochileiros.com, embarcamos nessa aventura no último dia 20 de junho de 2015 (sábado), com pernoite no local e retorno no domingo (21). De posse de uma filmadora hd, uma GoPro Hero Black 3, uma câmera fotográfica compacta e até mesmo o celular, quando todas as baterias acabaram, e fiz alguns takes e comentários nos moldes de videorreportagem amadora. Depois editei e decidi compartilhar com os amigos, em forma de contribuição àqueles que pretendem enfrentar este desafio! Talvez tenha ficado um tanto quanto extensa e a edição 'meia boca', mas para quem se interessa pelo destino o tempo e a qualidade da edição do vídeo é o que menos vai importar. Espero que gostem!! Funicular: Perigo no Ar Altitude, instabilidade, ausência e precariedade de apoio, alto risco e presença de animais peçonhentos fazem desta trilha, que tem uma extensão aproximada de 15 quilômetros, ser uma das mais perigosas do país. Com nível hard de travessia, a Funicular de Paranapiacaba proporciona, àqueles que se atrevem a transpor suas antigas e deterioradas pontes, algumas com mais de 70 metros de altura, dois dias de muita adrenalina diante o perigo de morte evidente e a vivência histórica e cultural da mais antiga estrada de ferro do Estado, construída há 148 anos para escoar a produção cafeeira do país. A funicular de Paranapiacaba está para os trilheiros roots do Brasil, assim como o Everest está para os principais alpinistas do planeta. Esta foi mais uma vitória a ser comemorada e compartilhada com os colegas do Mochileiros.com.
  21. vstefaneli

    Cubatão > Paranapiacaba

    Salve galera, aí vai meu mini-relato sobre a trilha que acabei de terminar. Li vários relatos antes de ir, mas gostei especialmente do que o Vgn Vagner escreveu, por conta do rápido tempo de subida (subida pois se iniciou na baixada em Cubatão). O tempo estava ótimo e as 6:30 da matina já estava abordo de uma van descendo sentido Cubatão. A van era de um português engraçado, e custou R$ 25. Dá pra descer de ônibus, porém, além de ser mais lento ele sai de hora em hora (cheia), pelo que o motorista comentou. A dica aqui se for de van é: peça pra descer na Av. Nove de Abril, pois todos os ônibus que vão ao bairro do Quilombo (onde se dá o acesso a trilha) passam por lá. Eu não sabia e desci na rodoviária mesmo e acabei indo a pé até esta avenida. Pelo que vi no Google, tem opções de ônibus: 913, 914 e 945: https://www.google.com/maps/dir/-23.8850533,-46.4205717/Rod.+C%C3%B4nego+Dom%C3%AAnico+Rangoni/@-23.8690012,-46.4331095,13z/data=!3m1!4b1!4m12!4m11!1m0!1m5!1m1!1s0x94ce103c84d18441:0x413f98a107fb7d7f!2m2!1d-46.37358!2d-23.852902!2m2!7e2!8j1431845340!3e3 Vou tentar atualizar o post com um mapa mostrando o acesso à trilha, pois não encontrei informações sobre onde era a entrada. Mas, resumindo, você tem que passar por baixo do viaduto da Rod. Cônego Domênico, andando ao lado do trilho (alguns guardinhas olharam, mas ninguém disse nada . Chegando numa casinha de madeira, uma senhorinha simpática disse que a trilha começava seguindo uma vala que corre logo abaixo de sua casa. Realmente há várias picadas no local, e peguei a errada, subindo muito... até encontrar um senhor que caçava no mato e me indicou o percurso correto: bem mais abaixo. Localizado o primeiro sinal das ruínas com trilhos e cabos mais ou menos nesta região: {http://wikimapia.org/#lang=pt&lat=-23.845414&lon=-46.370115&z=19&m=b} iniciei a trilha, as 8:15 am. Com receio de que escurecesse durante o trajeto apertei o passo. E acabei apertando demais, pois ao meio dia atingi o 4º patamar, onde almocei aproveitando a magia e calma daquele lugar. Cerca de uma hora depois avistei uma escada à esquerda que descia aos trilhos ativos de cremalheira-aderência. Desci, mas logo voltei, pois ouvi apitos de trêm e pessoas falando. Apesar de já ter praticamente terminado a travessia gostaria de continuar sem nenhum problema. Voltei na trilha e segui adiante numa picada um pouco mais fechada porém bem demarcada. Esta trilha leva até a parte de trás do museu de Paranapiacaba. Foi muito legal, pois quando visitei o museu muitos anos atrás, lembro que tive vontade de acessar os trilhos mas não era permitido (e não é ) Me mantive a direita e peguei uma escada de acesso antes da estação de energia. Ela me levou ao centrinho da vila, onde já rolava o agito (se não me engano) por causa do festival de inverno. E fui saudado ao som do Raul enquanto descansava da aventura. E me despeço com o som que tava tocando: Hoje é domingo Missa e praia Céu de anil Tem sangue no jornal Bandeiras na Avenida Zil Lá por detrás Da triste linda Zona Sul Vai tudo muito bem Formigas que trafegam Sem porque E da janela desses quartos De pensão eu como vetor Tranquilo eu tento Uma transmutação Oh! Oh! Oh! Seu Moço Do Disco Voador Me leve com você Pra onde você for Oh! Oh! Oh! Seu Moço! Mas não me deixe aqui Enquanto eu sei que tem Tanta estrela por aí Enquanto eu sei que tem Tanta estrela por aí Enquanto eu sei que tem Tanta estrela por aí
  22. Vinícius Mzk

    Travessia do Vale da Morte

    TRAVESSIA DO VALE DA MORTE JANEIRO DE 2015 Vídeo da travessia: Ao final, algumas dicas do que levar e comentários do que levei. A minha primeira visita ao Vale do Rio da Onça, popularmente conhecido como Vale da Morte, foi no final de outubro de 2014. Naquela época, por falta de companhia e excesso de ansiedade depois de ver o vale a partir do ponto de confluência dos rios Vermelho, Pedra e Solvay numa outra ocasião, acabei indo sozinho e a experiência foi, digamos, estranha. Sempre que voltava a pensar nos dias que passei sozinho naquele vale me vinha um misto de sentimentos que me deixavam muito confuso. O Sol radiante, as águas cristalinas e os contornos dos morros verdes da Serra do Mar - era tudo incrivelmente belo e convidativo, salvo se você decidisse se deslocar por meio de toda essa beleza. É como o Diabo que te tenta a cometer um pecado pra depois te jogar nas profundezas do Inferno. Ali me deparei com um tipo de terreno hostil, com correntezas que com um passo errado te levaria pra uma queda d’água de 4 a 5 metros, vegetação agressiva que destruiu minhas mãos sem a proteção de um par de luvas e muita piramba com o solo macio, forrado de matéria orgânica que cedia a qualquer toque. Os preparativos para essa mais recente travessia começaram há mais de 2 meses, quando conheci o Eduardo Loures, Bruno Dias Conde e o Luciano Lourenço. Eu falava em retornar ao Vale, porém com mais pessoas, e o Eduardo comentava que o retorno já estava programado para janeiro de 2015. Depois disso, conversa vai, conversa vem, o assunto começou a ficar muito esparso pela internet (Facebook) e começavam a surgir muitos trilheiros interessados na descida do Rio da Onça. Com o intuito de organizar melhor as conversas, criei o evento na rede social e deixei que a organização se desse de forma democrática - sugeria roteiros, horários e outras coisas e pedia a opinião dos que pretendiam participar, mas parece que esse povo tem uma dificuldade em se expressar. A maioria nem sequer digitou uma palavra para sinalizar qualquer coisa. Alguns, de última hora, anunciaram suas desistências e outros não se deram o trabalho de dar satisfação nenhuma. No final, de 22 confirmados, compareceram com o intuito de encarar o desafio apenas 6 pessoas: Loures, Bruno, Luciano, Masgrau, Thunder e eu. Além desses, o Kamal, que estava apenas de passagem, mas foi convencido pelo Luciano a nos acompanhar apenas com a roupa do corpo e uma sacola de loja de shopping, se juntou ao grupo, somando 7 pessoas que rumaram juntas da Estação Brás até o início da trilha. Bom, como se nota, vou aproveitar a oportunidade pra fazer um relato misto, visto que não escrevi um para a travessia que fiz sozinho ano passado. O plano inicial era acampar no topo da Cachoeira da Fumaça e, no dia seguinte, descer as sete quedas para posteriormente adentrar no Vale. Infelizmente um grupo de muitas pessoas que estavam a nossa frente também estavam se dirigindo para a referida cachoeira, então, a fim de evitar muvuca e desentendimentos desnecessários, mudamos o plano e decidimos acampar nas proximidades do Lago Cristal, do qual também é possível ter acesso ao Vale por um caminho igualmente agradável. Acordado o novo plano, iniciamos a caminhada já em meio a uma leve garoa, suficiente para em poucos minutos nos deixar quase todos encharcados. Alguns tentaram tomar providências para se protegerem da umidade, mas não sei se ajudou muito. O Eduardo costuma andar todo à prova d’água, sempre, com calça e jaqueta impermeável. O Bruno se enfiou dentro de uma saco de lixo e o Kamal deu sorte: ele que não havia trazido praticamente nada, ganhou uma capa de chuva descartável de uns caras que estavam ali colocando placas de sinalização para uma corrida que seria promovida no dia seguinte. Caminhamos por cerca de 45 minutos até cruzarmos com uma clareira. Não haviam árvores boas para pendurar as redes, então, apesar de passar da meia noite, continuamos em direção ao Lago Cristal, onde possivelmente encontraríamos um lugar melhor para montarmos acampamento. Aqui o rio faz uma curva bastante acentuada, de forma que temos que cruzá-lo duas vezes para continuar a trilha, indo para a margem esquerda, atravessando uma ponta de terra e depois para a margem direita novamente. Logo nas primeiras vezes em que nos deparamos com o rio nessa trilha já havíamos percebido que o nível estava mais alto. Estivemos ali há pouco tempo e a altura da água tinha pelo menos o dobro da outra vez. Ocorre que, ao iniciarmos a primeira travessia para a margem esquerda, enquanto ajudávamos um ao outro a se equilibrar por conta da forte correnteza, repentinamente o rio começou a subir muito mais rápido. Era uma CABEÇA D’ÁGUA! Rapidamente nos deslocamos para a ponta de terra e analisamos a possibilidade em continuar em frente, visto que onde estávamos seria impossível ter qualquer noite de descanso digno. Mal havia espaço para nos acomodarmos no chão, quem dirá armar redes. Entramos na água, miramos as lanternas que sobraram para o outro lado do rio e nada da continuação da trilha. Minha headlamp já estava fraca, a lanterna do Bruno só era melhor que nada e o Eduardo havia perdido a lanterna mais potente dele alguns minutos atrás. O rio continuou ganhando força. Pedras grandes da altura do peito estavam sendo cobertas pela água e o Thunder continuava dentro do rio buscando a continuação da trilha. Mesmo se encontrássemos a vereda, seria complicado atravessar o rio como ele estava. Resolvemos aguardar na ponta de terra até que o nível da água diminuísse um pouco. Ficamos jogando conversa fora, alimentando a esperança, a última que morre, na expectativa de que o as águas se acalmassem ainda naquela noite. Não demorou para percebemos que isso demoraria muito tempo. O Eduardo é sempre inquieto, fica andando de um lado pro outro o tempo todo e se não tem espaço pra andar ele escala, cava um buraco ou abre uma picada com seu facão, mas não fica parado. O Bruno deu a ideia de subirmos uma piramba ao lado para ganharmos altura e não correr o risco de sermos levados pelo rio mais tarde. Juntou o útil ao agradável e terminamos a noite lá em cima, a uns 3 metros de altura de onde o rio estava levando tudo que encontrava pela frente. O Bruno, que pelo visto já está dominando as técnicas de sobrevivência avançadas com maestria, dormiu bem, sem passar frio ou sofrer com os insetos que rasgaram minha pele a noite toda. O Luciano e o Kamal se enfiaram dentro de um mosquiteiro e se cobriram com um plástico. O Rafael Masgrau e eu nos cobrimos como pudemos. Ele pegou até o saco de dormir e eu me cobri com um saco plástico e depois com a capa de chuva da mochila. No meio da noite acordei com uma tremedeira danada. Não enxergava nada e estava com muito frio. Acho que era princípio de hipotermia. Imediatamente peguei meu kit de primeiros socorros com a ajuda da lanterna do Bruno, um daqueles que todo site de atividades outdoors dão extrema importância, mas que ninguém leva pro mato. Tinha um adesivo que poderia ser dividido em dois e que, em contato com o ar, esquentava de forma a auxiliar na recuperação da temperatura do corpo. Colei-os de baixo dos braços e comecei a fazer uns exercícios toscos pra aquecer o corpo. Troquei a roupa que estava encharcada por uma seca e prometi nunca mais dormir de roupa molhada. Felizmente me recuperei e voltei a me enfiar na capa de chuva da minha mochila que estava usando para me proteger do vento e da chuva. Foi uma noite horrível, mas que sirva de lição para as próximas. A luz começa a ofuscar os olhos, mas o sentido que alerta a hora de acordar é a audição. As cigarras não perdoam e nos primeiros raios do Sol elas tratam de acordar qualquer um do mais pesado sono. Bom, na verdade foi só eu que acordei e comecei a falar sozinho até que os outros foram acordando, um a um. Tive uma noite miserável e espero nunca mais passar por isso. Subestimei o frio e acabei sofrendo um bocado, mas o dia se mostrava promissor e logo fui me arrumando para sair daquele barranco onde nos enfiamos para fugir das correntezas furiosas que a chuva trouxe no dia passado. Logo percebemos que haviam pessoas acampadas lá embaixo, na clareira que ignoramos na noite passada. Era uma lona azul já conhecida. Era o Eduardo que havia voltado para lá e havia montado sua rede e dormido como um rei em plena guerra (falei que ele não aguenta ficar parado por muito tempo). Notei que o Thunder também não estava entre nós, então deduzi que ele deve ter se deslocado pra outro lugar a fim de se acomodar melhor e foi isso mesmo. “Desmontamos o acampamento”, tomamos um café rápido, comemoramos o aniversário do Bruno que ficou mais velho nessa semana e ficamos uma hora discutindo o rumo dessa aventura - iríamos voltar para nossas casas e ficaríamos contemplando os temporais previstos para aquele final de semana ou continuaríamos arriscando nossas vidas nesse vale que é um dos mais difíceis da região para se transpor, depois de sermos quase engolidos por uma tromba d’água e dormidos na pior condição que eu já estive em toda a minha vida e em meio à previsão de tempo totalmente desfavorável. O caminho de volta era tão fácil e a insegurança de alguns, inclusive a minha, tornava o retorno tão atrativo. A luz permeava as folhas úmidas da floresta enquanto uma rala neblina bloqueava a visão do outro lado. O céu estava aberto em uma parte e algumas nuvens prometiam mais chuva a qualquer momento e eu não duvidava nem um pouco que se chegássemos no fundo do vale um dragão de águas violentas iria nos devorar e triturar nossos ossos em poucos minutos de chuva. Depois de muito debater o bom senso reinou - tinha um pouco de Sol, então continuaríamos a travessia! Voltando a caminhada, em poucas passadas chegamos ao Lago Cristal que não fazia juz ao nome naquele dia. Estava barrento, com a água completamente turva. Sem mais delongas, continuamos. Nesse trecho ainda há uma trilha batida de fácil navegação. As cachoeiras começam a surgir pelo caminho, indicando uma inclinação maior do terreno e junto a trilha batida vai desaparecendo, dando lugar a caminhos de pedras, rastros de deslizamento dos dias anteriores e pequenos afluentes que em dias mais secos desaparecem. O terreno se torna bastante acidentado, mas ainda de fácil deslocamento. Passamos pela Queda das Andorinhas onde apenas notamos sua presença e continuamos em frente - a pausa estava prevista apenas para depois da Garganta. Até o “Portal do Vale” passamos por diversos poços que em épocas de tempo ameno são cristalinos e ótimos para um banho, mas estavam turvos e com águas ligeiramente mais volumosas em razão da precipitação do dia anterior. Algo em torno de 50cm a mais que da última vez que estive ali. A título de comparação, postarei duas fotos do mesmo local, mas em dias diferentes para que possam verificar que não estou exagerando. Vamos vencendo as correntezas e os obstáculos ajudando um ao outro e às 09h12 chegamos ao “Portal do Vale da Morte”, um monólito do qual é possível ter uma boa visão do início do Vale até os primeiros e maiores cânios do Rio da Onça. A partir desse ponto o nível de dificuldade sobe por tratar-se de um local onde três rios se juntam para formar um maior, que corta a Serra do Mar até o Rio Mogi, próximo a cidade de Cubatão, cavando diversos buracos nos enormes blocos de rocha pelo caminho em forma de cachoeiras e cânions. Continuamos pela margem aparentemente menos exposta e vamos cruzando o rio conforme a necessidade, sempre ajudando um ao outro para que ninguém seja levado pela correnteza ou sofra um acidente. Mais uma hora de pulação de pedras e chegamos à “Garganta do Diabo”, um cânion gigantesco que em época de tempo bom é possível pular de uma altura de uns 10 metros para seu interior e depois subir de volta pela encosta ou continuar descendo pela água se você for muito maluco. Após atingir o início do cânion, é necessário escalar uma rocha do lado direito, após a qual surge uma vereda que da acesso a uma clareira boa para acampamento e ao topo da encosta do vale de onde é possível mergulhar em seu interior. Como a chuva do dia anterior foi muito forte e havia grande possibilidade de a água ter levado troncos e galhos de árvore para o interior do vale, colocando em risco a integridade daqueles que pulassem para lá, resolvemos que não era uma boa ideia saltar dali naquele dia e ficamos apenas contemplando sua beleza e imponência. Depois de tirar umas fotos e fazer umas filmagens, lamentamos a quantidade de lixo abandonada ali e continuamos a caminhar sempre pra baixo, perdendo altura, sempre acompanhando o fluxo do rio. Alcançamos uma grande queda d’água após a Garganta do Tinhoso onde nos deparamos, mais uma vez, com um cânion cabuloso que começa com os paredões laterais com inclinação de uns 30˚ e ficam mais inclinados até que depois de nada mais que uns 10 metros seguindo as correntezas, que viram para a esquerda, ficam super inclinados e impossíveis de serem transpostos beirando o rio. Aqui nos separamos em dois grupos e nos deslocamos cada um de um jeito diferente. Uns foram até onde era possível pela rocha que beirava o rio, agarrando-se nas agarras disponíveis até que a inclinação não permitisse mais seguir em frente, apenas subir para cima para depois entrar no mato. Outros, incluindo eu, voltaram um pouco até o mato e se embrenharam novamente para continuar por cima, sem perder os outros de vista. A trilha segue até uma pequena cachoeira a qual acessamos utilizando corda. Ancorei numa árvore aparentemente firme, coisa difícil por estas bandas, e desci uma rocha de uns 4 metros de altura e cheia de limo, tornando-a super escorregadia. Anda-se mais poucos metros, após o rapel de pobre, e chegamos ao “Panelão”, famosa Cachoeira do Anubis. Trata-se de um buraco com uns 15 metros de diâmetro esculpido na rocha onde desaguam duas cachoeiras lindíssimas e imponentes. Parada obrigatória para apreciar essa obra da natureza. Há relatos de pessoas que descem desescalando as paredes pelo lado direito, mas sem cargueiras. Então fomos pela caminho “tradicional”, jogamos nossas cargueiras para o lado esquerdo do rio, atravessamos a correnteza com cuidado e ajuda pra não ser levado pro Panelão e virar sopa de gente moída e iniciamos a subida de uma piramba - a primeira de muitas - para contornar aquele enorme poço. A subida foi mais tranquila que da outra vez que ali estive. A vegetação estava mais firme, porém a umidade deixada pela chuva da noite anterior tornou o solo muito escorregadio, tornando árdua a subida para alguns. Na medida em que se ganha altura, aumentam a quantidade de cipós que se enrolam em qualquer ponta sobrando nas mochilas e dificultam ainda mais a subida. Alcançado o cume do morro a visão recompensa. Nesse dia a neblima já ameaçava bloquear qualquer tentativa de contemplar o litoral, mas ainda pudemos dar uma bisbilhotada no mar e no emaranhado de rios que iam em sua direção. Como a subida foi longa, nos acomodamos em meio ao mato denso daquele lugar e retomamos o fôlego para a descida. A partir daqui começam a surgir os malditos vegetais cheios de espinhos que destriuiram minhas mãos da outra vez. Cheguei em casa com as mãos parecendo dois pãezinhos de tão inchadas, pois não havia levado luva. Desta vez me equipei com uma luva de couro e fui agarrando em qualquer coisa que servisse de apoio para não sair rolando o barranco abaixo e terminar, possivelmente, jogado de um penhasco para o além. Na descida, interceptamos um afluente e o seguimos até alcançar o rio novamente. Esse trecho pode ser um pouco complicado de ser vencido se a água estiver muito forte. Pode-se varar mato por mais um tempo até contorná-lo ou ir pulando de pedra em pedra, com muito cuidado, pelo lado esquerdo, como fizemos. O progresso pela água não dura muito mais que 30 metros de deslocamento e temos que alcançar o lado direito do rio para voltar a varar mato pelas encostas super inclinadas e com o solo traiçoeiro que cede com muita facilidade, por isso qualquer coisa ao alcance das mãos são bem vindas para não deslizarmos piramba abaixo e causar um acidente. Galhos, troncos caídos, bromélias - era tudo agarra naquela hora. Na medida do possível, sempre tentávamos retornar ao rio e varar menos mato, mas não tardava a termos que nos embrenhar novamente na mata. A essas horas o Bruno aponta para o céu e me lembra da previsão de tempo. Sim, ainda não havia chovido naquele dia, mas tudo indicava que não faltava muito. Tivemos o dia inteiro de Sol com algumas nuvens nos agraciando com uma boa sombra, mas as nuvens começaram a adquirir aquela tonalidade cinzenta que os trilheiros adoram. Além disso, já era quase 15:00 e ainda não tínhamos arrumado um bom local para acampar. O plano era chegarmos a Cachoeira do Pé de Limão e nas proximidades dessa queda montar o acampamento, porém acabamos desviando o caminho e passamos batido por esta pequena e bela cachoeira. Da outra vez lembro de ter tomado um café na sua base que lembra uma prainha, com areia fina e poucas pedras, diferente de qualquer outro lugar naquele vale. Infelizmente não vou saber dar as coordenadas para acessá-la. Como a situação não estava muito boa em termos de tempo, apesar de ainda termos algumas horas de luz, o Eduardo, o Bruno e eu entramos no “modo emergência” e aceleramos o passo, rasgando o mato das encostas, subindo e descendo barrancos até perder de vista os outros participantes. Em meia hora cruzamos com mais um afluente e logo ao seu lado uma área plana, grande o suficiente para acomodar muitas barracas e redes, mas que estava com o solo barrento, dificultando um pouco a vida dos que iriam dormir no chão. Perfeito! Tínhamos água próximo e um local plano para acampar, com árvores com copas generosas para nos proteger da chuva. Gritamos um tanto para sinalizar onde estávamos e esperamos mais alguns minutos até que o restante nos alcançasse e iniciamos a montagem dos nossos lares daquela noite. Eu ainda tenho uma dificuldade danada em armar a minha rede. Apesar de ter aprendido uns nós muito bons, ela ficou horrível e depois de uma ajuda do Bruno fiquei extremamente confortável. Montei o toldo de forma que um dos lados ficasse mais alto, possibilitando que eu cozinhasse debaixo com mais conforto. Segui a dica de um amigo e levei linha de pesca para algumas coisas e é uma boa ideia. Só não ficou bom pra suportar o toldo, mas pra amarrar suas pontas ficou ótimo. Não absorve água e é mais leve. Acampamento armado, tratei de tomar um banho no afluente ao lado que contava com uma pequena cachoeira e iniciei o preparo da janta. Como não sou desses de fazer miojo, todo o processo demora uns 30 minutos ,ao invés de 3, e acabo carregando uns 2Kg a mais, mas eu não fico sem uma boa alimentação no final do dia de jeito nenhum. Até levo dois pacotes de miojo em todas as trilhas que faço, mas para uma situação emergencial. Cozinhei uma batata com arroz e fritei duas calabresas com muita cebola e alho. Nada muito original, mas era comida e deu pra encher o bucho. Logo após a janta cai pra dentro da rede, me enfiei dentro do saco de dormir pra me esconder dos mosquitos e tirar o sono que não pude na noite passada. Na manhã seguinte, acordei muito cedo ao som das cigarras, novamente, mas todos os outros já estavam de pé fazendo seus cafés da manhã ou desmontando suas redes. Eram 6:00, mas pra quem foi dormir antes das 20:00 era um bom horário. Passei frio novamente. A parte que deixei mais alta do toldo permitia que todo o vento gelado passasse por mim levando o calor do meu corpo. Mais um aprendizado aqui. Tirando isso a noite foi boa. Fiz um suco de limão com a água gelada da cachoeira do tributário ao lado e adocei com mel. Me alimentei, escovei os dentes e às 08:10, depois de muita enrolação, voltamos a caminhar rumo ao Rio Mogi. Parece que está virando costume nosso enrolar muito após acordarmos. O Eduardo e eu sabíamos que não faltava muito e que esse dia seria mais “light”, mas deixamos que o restante descobrisse por conta própria. O terreno fica visivelmente mais plano e ganhamos metros com muito mais facilidade. Se no dia anterior tínhamos que transpor uma cachoeira de 5 a 10 metros a cada 10 metros de deslocamento, nesse dia conseguíamos caminhar uns 30 a 50 metros sem que um penhasco nos interrompesse, apenas algumas pequenas quedas de até 3 a 4 metros de altura. Não foram mais que 30 minutos de caminhada e, ao escalarmos uma pedra para transpor um cânion e entrar na mata, de repente o Eduardo volta gritando “RECUA! RECUA!”. Na hora me lembrei da vez em que nos deparamos com uma jararaca na Trilha do Sistema Funicular e o Luciano ameaçou mexer com o bixo e eu, cabaço que sou, tratei de me distanciar o máximo que pude com medo da peçonhenta vir nos atacar. Não deu outra - era uma jararaca e das mais grandes. O Thunder tirou ótimas fotos da criatura e poderão notar que essa era das grandes. Passado o susto, resolvemos nos desviar do caminho, pois ela insistiu em permanecer no lugar. Acho que até ela estava convencida de que era grande demais pra míseros sete mateiros ameaçarem seu território. Às 08:45 cruzamos com uma sequência de duas cachus de um tributário do Rio da Onça bem gostosas e fizemos a primeira pausa pra nos refrescarmos. Com um poço raso e cristalino alguns molharam o corpo, já que o Sol prometia nos condenar com muitos cânceres naquele dia que a mídia burra e manipuladora anunciou tempestades. Ainda bem que somos todos revoltados e não acreditamos nesse tipo de bobagem. A partir daqui começamos a nos deparar com vários poços, todos com a água ainda turva, mas que me pouparam de fazer tanto esforço quanto os outros - aproveitei minha mais recente aquisição, uma mochila estanque, e fui me jogando de poço em poço a deixava que a correnteza me levasse. Foi ótimo, além do frescor da água, podia assistir aos meus amigos pularem sobre as pedras e transporem os obstáculos da forma mais desgastante. O Luciano, que não estava com uma mochila impermeável, mas que era pequena suficiente para ele não se importar em molhá-la, me acompanhou e também veio com a ajuda das correntezas que naquele trecho se tornam mais brandas. Enfim, às 09:15 chegamos em um dos poços mais legais. Uma super piscina natural com direito a hidromassagem e um pequeno escorregador. Ao avistar suas águas, os mais acelerados Bruno e Eduardo jogaram suas cargueiras e saltaram nas águas marrons daquele lugar que é um marco desta travessia. Um daqueles lugares em que todos concordam que valeu a pena todo o esforço, os machucados, as picadas e o risco que assumimos ao entrarmos na trilha a dois dias atrás. Os mais sossegados logo repararam na presença de uma pequena cobra que, assustada com nossa presença, também saltou no poço e fugiu dali sem causar muito alvoroço. Ficamos uns 40 minutos nesse poço nos deliciando com suas águas. Tiramos muitas fotos e filmei muito. Subimos em pedras pra pular na água. O Luciano sempre com mais destreza que nós pra saltar na água. e retomamos a caminhada, pois eu sabia muito bem que ainda haviam três cânions um pouco mais complicados pela frente e depois uma longa caminhada pelo Rio Mogi até Cubatão. Em dois ou três minutos de caminhada chegamos ao próximo cânion. Aqui, se o rio estiver baixo, é possível atravessar tranquilamente de pé, erguendo a mochila no alto e caminhando pelo lado direito. Desta vez, porém, a água estava bem alta e, tirando o Luciano e eu que estávamos à vontade dentro da água, o restante teve que erguer bem alto suas cargueiras para se pouparem de carregar uma mochila encharcada pelo resto da travessia até Cubatão, com as águas até o pescoço dos mais baixinhos. Sem muitas dificuldade e depois de todos emergidos daquele poço com uns 1,60m de profundidade em sua parte mais funda, mais cinco minutos de caminhada e nos deparamos com mais um vale de rochas com águas caudalosas, o qual tentamos subir pela inclinação da direita, mas fomos interrompidos por um pequeno penhasco que terminava no meio de uma correnteza furiosa, então nos alinhamos novamente cruzando o rio e jogamos nossas mochilas de um em um até o outro lado do rio para depois atravessarmos e continuar a caminhada pelo outro lado. Vamos seguindo, o Luciano e eu boiando sempre que possível para economizar energia e o restante pelo caminho das pedras, passamos por mais algumas rochas verticais que emparedam o rio, mas sem muita dificuldade em transpô-las, até que às 10:40 chegamos a um lugar muito bonito. Trata-se de uma rocha plana que forma um bico e divide o rio em duas cachoeiras, novamente cercado por dois pendores inclinados e escorregadios. Abaixo dessa rocha plana há outra rocha plana que forma um pico para a direita, dando acesso, se você não tiver medo de pular de uma pedra pra outra com um liquidificador logo abaixo, a um pequeno platô, após o qual é possível descer com o uso de uma corda que até a data em que estivemos lá estava amarrada, estratégicamente, em uma pequena árvore, em péssimas condições. Aqui nos dividimos novamente. Eu fiquei olhando para aquele lugar tentando me lembrar de como eu havia vencido esse trecho da outra vez, e quando vi a ponta virando para a direita me lembrei que eu havia jogado minha mochila pra baixo e depois pulado para a pedra de baixo e depois pulado o vão acima do liquidificador que dava acesso à corda e, consequentemente, ao restante do caminho para a casa. Relatei minha experiência para o Eduardo e então ele topou seguir o mesmo caminho, enquanto o Thunder e o Bruno já estavam se pendurando no declive do lado direito para chegar a algum lugar plano depois daquele cânion. O Luciano e o Rafael vieram conosco, mas aquele desistiu pra poupar os joelhos. O Rafael até pulou pra baixo sem dificuldades. Era o mais alto da turma e foi moleza pra ele, mas depois que ele viu as correntezas cavarem as pedras debaixo do vão entre a ponta de uma rocha para a continuação da trilha do outro lado, acabou retornando e optando pelo caminho da “escalada horizontal”. Aqui, realmente, a correnteza não estava fraca. Até agora eu não entendi direito como o Eduardo consegui entrar no meio daquele monte de água pra ajudar os outros a descerem suas mochilas, sem ser levado rio abaixo. Vencidas as dificuldades dessa parte, com a ajuda da corda descemos uma altura de 3 metros e continuamos...e paramos novamente. Logo em seguida temos mais uma fenda erodida pelas correntezas que não dava acesso a qualquer barranco que pudéssemos subir para desvia-la. Essa é a mais funda. Há três pedras que formam uma escadinha e depois um poço estreito que, no seu início tem cerca de 2 metros de profundidade. Não é muito fundo, mas pra quem está de bota e uma cargueira pesada, acaba tornando uma tarefa um pouco mais complicada. Quando estive sozinho, coloquei a capa de chuva na minha mochila e a cobri com um saco de lixo de 100L e a joguei na esperança de que ela fosse flutuar. Na verdade eu sabia que ela flutuaria, pois é uma questão de física básica. Se o saco tem 100L e 100L de água pesa 100Kg e minha mochila não passava dos 16Kg, é claro que a força de empuxo não permitiria que a dita cuja afundasse. Então orientei o restante a fazer o mesmo. Emprestei a capa de chuva que havia levado para o Eduardo que estava sem e assim fomos. Joguei a minha na água e fui nadando atrás. Depois desse grande cânion, o restante é tudo plano. Quando digo plano, entende-se que o terreno não tem inclinação maior que 15˚, não quer dizer que o terreno seja liso, sem pedras. Muito pelo contrário. É pedra o caminho todo e aqui elas se tornam menores e mais chatas. Às 11:00 chegamos a última cachoeira onde o Luciano tratou de se banhar novamente e o Kamal deve ter tomado uns 28 banhos seguidos, enquanto o restante preparava algo pra comer, pois já era hora do almoço, coisa que dificilmente temos quando estamos trilhando por aí. Geralmente só preparamos algo na janta. O resto do dia é na base de barra de cereal, amendoim, biscoitos e frutas. Como ainda tinhamos tempo, resolvemos juntar tudo que havia sobrado e o Eduardo preparou um miojo e depois um pouco de arroz. Eu fiz um café e comi com umas bolachas que sobraram. Depois de uma longa pausa de uma hora e meia, retornamos ao caminho até o Rio Mogi que se encontrava logo a frente, não mais que 15 minutos de caminhada. Chegando ao Rio Mogi, algumas pequenas celebrações e já vou acelerando o povo porque, embora tivéssemos bastante tempo, depois de uma hora e meia parados fazendo nada, acabou ficando um pouco tarde e o caminho era longo. Joguei minha mochila na água, providenciei um bastão para me auxiliar na caminhada dentro daquele rio cheio de pedras redondas, pequenas e lisas e fui seguindo em frente. Reparamos que nas margens do rio havia muito mato derrubado. Nos dias anteriores, o rio estava a pelo menos 1,50 metro a mais de altura. Havia arrastado muita coisa e mais uma vez percebemos o perigo de se embrenhar nesses lugares em dias de chuva. Aqui o caminho, na minha opinão, é chato. O Rio Mogi, nessa altura, se torna um rio monótono, sem nenhum atrativo em especial. Sem falar do visual apocaliptico dos contêineres abandonados na sua margem direita somado ao som crescente das estações do pátio de manobras da ferrovia MRS que sinalizam que estamos nos aproximando da civilização, embora não na forma como gostaríamos. Vamos caminhando e o Eduardo insistia em encontrar uma suposta trilha que dava acesso a um sítio, mas da outra vez que fizemos isso tivemos que varar muito mato e não houve economia de tempo, então insisti que continuássemos pelo rio, pois sabia que em pouco tempo estaríamos bem ao lado de uma estação de manutenção de trens, dando acesso a uma estrada de terra que nos levaria a onde queríamos. Depois de uma hora e meia de caminhada por esse rio, já com o som dos trens ao nosso lado, viramos para a esquerda e cruzamos com um tributáirio do Mogi que da acesso à antiga estação Raiz da Serra, onde pude me trocar para roupas limpas e secas, já que eu ainda teria que retornar para Campinas, e o restante se deliciou com um pé de jacas logo ao lado. Aqui é possível seguir a estrada de terra e ir de ônibus para Cubatão, conforme narro a seguir, ou subir o trilho da ferrovia cremalheira até Paranapiacaba, percurso que não sei quanto tempo deve gastar, mas não deve ser mais que 3 horas. Às 14:55 retomamos a caminhada em direção ao ponto de ônibus que ainda estava bastante longe, mas eu há um atalho que descobri da outra vez e nos aproveitamos dele para cortar um longo caminho por aquela estrada de terra sem graça. Logo após o pátio de manobras, a uns 10 minutos de caminhada, há uma bica d’agua muito boa em frente a um quilombo. Da outra vez que estive ali eu me esqueci de pegar água no rio e passei uma sede danada, então me sentei do lado da bica para me recuperar do calor que fazia naquele dia, quando um senhor veio ao meu encontro e começou todo aquele interrogatório que todo trilheiro pós trilha está acostumado. Expliquei a ele a situação e ele se admirou com o fato de eu ter descido a Serra sozinho. Então o sr. Francisco, nome do sujeito, começou a contar suas histórias de mateiro e eu fui só escutando e comparando com minha experiência, pois desconfiado que sou, queria cruzar as informações pra ver se aquilo tudo não passava de conversa de pescador. Até que os relatos não eram tão surreais, mas como o tempo tava curto e eu queria zarpar dali logo, peguei minha mochila e me despedi do simpático senhor que no dia seguinte pretendia passear pelo Rio Mogi. Foi aí que ele me convidou para passar por dentro da propriedade e me orientou que eu cortaria um bom caminho, segundo ele mais de 2Km de caminhada. Eu não pensei duas vezes. Apontei para o portão e perguntei “é por aqui mesmo?” e já fui adentrando com medo de que ele mudasse de ideia. Dessa vez, como eu estava acompanhado de mais pessoas, foi mais fácil chamar a atenção do sr. Francisco que, mais uma vez, veio “trocar ideias” com agente. Ele se lembrou de mim da outra vez, mas isso não foi suficiente para ele não repetir todos os relatos novamente para os demais que não estavam comigo na minha primeira travessia do Vale. Conversamos, conversamos, deixei ele conversar só mais um pouco, pois o plano era cortar caminho por sua propriedade novamente. Então depois de 15 minutos de muita conversa, peço permissão para cortar caminho e é claro que ele não ia negar tamanha gentileza para um bando de trilheiro com cara de acabado. Atravessamos o quilombo, interceptamos um trilho abandonado e, em meia hora, chegamos ao ponto de ônibus que nos levaria ao centro de Cubatão. Queríamos a linha 2 que vai direto à rodoviária, porém um outro coletivo passou antes e, como não queríamos esperar, pegamos esse mesmo e paramos a umas 5 ou 6 quadras da rodoviária. Às 17:10 pegamos o ônibus para São Paulo/Jabaquara e damos por concluída a nossa aventura. Há, certamente, uma infinidade de vales na Serra do Mar tão belos e desafiadores quanto o Vale do Rio da Onça, contudo, por ter o acesso facilitado pela disponibilidade de coletivos que transitam pelas diversas trilhas que dão acesso ao mesmo, embora este aspecto se torne um contra em algumas situações, este vale se torna uma excelente opção aos que buscam alguns dias selvagens cercado de muitas cachoeiras e com dificuldade elevada. A menos que a pessoa tenha muita experiência com trilhas e orientação em mata fechada, é altamente desaconselhado se embrenhar nessas pirambas sozinho, pois a qualquer momento pode-se perceber o risco de algum acidente - deslizamentos, terreno extremamente acidentado, travessia de rio com correntezas fortes, animais peçonhentos etc. No mais, qualquer informação que tenha faltado é só me deixar uma mensagem que procuro ajudar. Abaixo, deixo dicas de equipamento a serem levados e comento o que levei: - Cargueira - tratando-se de uma trilha que acompanha o curso de um Rio e, muitas vezes, requer seja atravessado por dentro do mesmo, a mochila deve ser preferencialmente à prova d’água. Isso irá facilitar muito no deslocamento e protegerá todo o equipamento que extará exposto às intempéries da Serra do Mar. Se não tiver uma mochila estanque, leve ao menos um saco de lixo grande suficiente para colocar a mochila dentro para fazê-la boiar nos trechos com água. Caso o planejamento seja completar a travessia em um dia, o que é possível, é claro que deverá se optar por uma mochila menor condizente com a logística de uma trilha de um dia; - Alimentação - algo muito pessoal. No meu caso, lelo frutas (maçã, pera e laranja), cenoura, barras de cereal e nozes ou amendoim sem sal para comer de 2 em duas horas e na janta preparo arroz, frito calabresa com alho e cebola e, conheço o local e sei que da pra levar mais peso, complemento com batata, cenoura, pimentão ou brócolis. Sempre levo dois pacotes de miojo para um situação emergencial na qual eu precise de algo rápido e prático; - Sistema de abrigo - altamente desaconselhado acampar com barraca. Há pouquíssimos locais planos e os que existem são cheios de pedras. Para o Vale da Morte deve-se considerar uma rede e um plástico/lona de uns 3mX3m. É leve, possibilita dormir num local mais alto e protegerá de possíveis elevações do nível do rio. Não é necessário o uso de mosquiteiros. No meu caso, coloquei calça, meia por cima desta, camisa de manga longa e me cobri com um saco de dormir e não tive problemas com inseto na noite em que dormi na rede. Recomendo levar duas cordas de 4 a 5 metros com 5 a 6mm de espessura para amarrar a rede e linha de pesca para amarrar as pontas do toldo; - Calçado - depois de alguns “river trekkings”, percebi que botas com cano mais alto e impermeáveis mais atrapalham que ajudam. Seguram muita água e tornam-se pesadas, dificultando o deslocamento. Desta vez optei por um tênis de trilha com pouco acolchoado e solado voltado pra terrenos acidentados. Como foi importado da China e seu acabamento não ajuda, ficou bem destruído ao final da travessia, mas deu pra notar que optar por tênis é uma boa em trilhas com muita água; - Hidratação - ao longo de todo o percurso pode-se encontrar água de boa qualidade para beber, mas se chover ela pode tornar-se um pouco sedimentada. No meu caso apenas um cantil de 700mL bastou para a travessia inteira, embora eu sempre leve uma garrafa maior para colher água e utilizar no acampamento de noite; - Outros: - 10 metros de corda é o suficiente para transpor os trechos em que passamos, mas sempre levo 20 metros por precaução; - Saco de lixo de 100L a 200L é sempre bem vindo, pois pode virar um poncho improvisado e também proteger a mochila em trechos com muita água, além de não pesar quase nada.
  23. Trilhas na Serra do Mar via Paranapiacaba Além da bela Vila "Inglesa" de Paranapiacaba, este local dispõe de inumeras Trilhas, Mirantes, Rios e é claro Cachoeiras. As Trilhas mais conhecidas na região e a Trilha da Pedra Lisa e a do Poço das Moças, locais de rara beleza, porém há muito mais. Comecei minhas aventuras pela região em 1980, e desde então não parei mais, sempre há novidades novos caminhos, muita história. E o que é melhor, sempre e possível armar nossas barracas. Havendo interesse, estou a disposição para aprofundarmos no assunto, e com certeza vcs vão descobrir um ótimo local para Caminhadas.
  24. Vídeo: http://youtu.be/LLiFSM1lCwE O planejamento desta trip foi precário, além de que em todas as hipóteses que imaginávamos alguma coisa poderia dar errado. Minha intenção inicial era de ir ao Mirante de Paranapiacaba para ali acampar e conhecer esse ponto de fácil acesso e já muito conhecido pelos trilheiros da região para, no dia seguinte, retornar a Paranapiacaba e caminhar em direção a Quatinga. No meio da estrada em direção a este distrito, à sua direita, adentraríamos numa trilha conhecida como Trilha do Rio Anhangabaú ou Trilha dos Carvoeiros de forma que em algum lugar, depois de uns 4,5Km de sobe e desce em meio a mata, interceptaríamos o Rio Quilombo para, só então, iniciarmos sua descida seguindo seu curso. Já na Estação Rio Grande da Serra ficamos preocupados se nosso plano daria certo, tendo em vista a grande quantidade de jovens educados e que se comportavam de forma extremamente agradável que nos acompanhava desde SP até Paranapiacaba. Combinamos que se o outro grupo de cerca de 15 pessoas fosse em direção ao Mirante, nó iríamos em direção a Quatinga e vice-versa. Pra minha tristeza, esses seres iluminados por algum tipo de erva mágica com folha de cinco pontas caminharam em direção a Quatinga, então teríamos que ir na outra direção. A trilha até o Mirante de Paranapiacaba é super fácil, mas seu início não é diferente das demais da região. Deve-se contratar um guia credenciado ou driblar a fiscalização que barra a entrada dos desavisados. No nosso caso, como chegamos em Paranapiacaba por volta das 23h da sexta-feira, não foi um problema. A essa hora os fiscais já estão em suas casas dormindo ou fazendo qualquer outra coisa porque ficaram dormindo o dia inteiro na viatura da empresa. Após atravessar a ponte localizada no centro do vilarejo, vire para a direita e mantenha-se nessa direção até chegar a uma rua cheia de botecos, na qual deverá subir para a esquerda e, se for cauteloso como nós fomos, ao chegar no posto da PM, passe por sua frente e continue sempre caminhando para cima. Depois de não mais que 5 minutos passará em frente a uma casa com uma clareira, a qual eu deduzir ser um dos postos onde os fiscais ficam de dia e, como as luzes do interior estavam acesas, tentamos não fazer barulho e logo a frente pegamos a "trilha" sentido suleste. Coloquei em aspas porque, na verdade, é uma rua, se não me engano conhecida pelo nome de Rua Bela Vista, que dava acesso aos veículos que levava o pessoal que trabalhava nas instalações em cima do morro. Em 40 minutos de caminhada a partir da chegada em Paranapiacaba, chegamos a uma bica d’água e coletamos um pouco do líquido para usarmos durante a noite e no café da manhã do dia seguinte. É bom pegar uma quantidade boa, pois o próximo ponto d’água fica a uma hora de caminhada depois do Mirante. Mais 15 minutos e passamos pela Pedra do Índio. Não entendi o porquê deste nome e nem ficamos muito tempo pensando nisso. Estava muito escuro e queríamos chegar ao mirante logo para achar um lugar bom pra acomodarmos nossos corpos não muito cansados. Aos 10 minutos da meia noite, chegamos ao mirante. Demos uma bisbilhotada no lugar, nenhuma onça ou animal peçonhento. O visual é interessante, com as luzes de Cubatão dando graça ao lugar, mas nada de surreal. Logo percebi uma laje de concreto um pouco mais elevada e não pensei duas vezes: aqui será minha cama! Bivacar está virando um hábito nas trilhas e isso me agrada bastante, até porque não preciso esquentar a cabeça com armação de barraca ou amarração de rede e depois desmontar tudo. É só deitar e dormir e, se tiver risco de chuva, é só amarrar um plástico por cima e está tudo certo. Tentei conversar com os demais integrantes da trip, o Bruno, sua esposa Jaque e o Luciano, para no dia seguinte voltarmos e fazermos a travessia do Rio Quilombo, mas estes dois últimos opinaram que ir a um lugar pra depois voltar não era legal, então ficou acertado que seguiríamos em frente em direção ao Poço das Moças no dia seguinte, já que eu não queria arriscar minha vida debatendo com uma mulher e um cara maior que eu no alto de um morro inóspito. Minha noite foi ótima. Antes de cair no sono, mesmo, fiquei apreciando o céu estrelado daquela noite e tentei analisar o comportamento de uma nuvem ao leste que ameaçava pairar sob nós e possivelmente nos molhar de noite, mas nada disso aconteceu. Dormi muito bem e acordei apenas umas 2 vezes por causa de algum barulho, provavemente o chupa-cabras, e pra cobrir minha cara que estava sendo ameaçada por mosquitos. Os outros trilheiros não sei se tiveram um sono tão bom, principalmente a Jaque que dormiu em cima da mochila de um jeito totalmente inovador. Não foi possível ver um nascer do Sol tão espetacular pelo fato de haver muitas árvores que encobriam a visão ao leste, mas o por do Sol deve ser bem legal de se contemplar ali. Comemos algumas frutas e partimos sem muita demora, pois não havia um acampamento para desmontar. Embora eu não tenha percebido um lugar bom para montar barraca, principalmente as que não são auto-portáteis, existem vigas de ferro encravadas no chão onde é possível pendurar redes e andando um pouco sentido sudeste do mirante, logo se depara com algumas clareiras ótimas para camping. A descida até o Poço das Moças é muito tranquila, também. Há muitas bifurcações, mas ou vai dar em alguma clareira boa pra acampar, ou vai continuar descendo até o Poço. Alguns caminhos podem desviar da Pedra Lisa, o que não é legal, pois é um lugar bem gostoso e um bom local pra colher água pro resto da caminhada. Não vou saber dizer exatamente quais caminhos pegar, mas é sempre pelo lado esquerdo. A Pedra Lisa é um grande bloco rochoso, a uma hora de caminhada do Mirante, no qual o curso d’água passa por cima e que abre uma janela para o Vale do Rio Quilombo, dando uma visão legal lá de baixo, além de ter uma queda d’água muito boa para um banho. Aqui fizemos um lanche e descansamos bastante, cerca de uma hora até as 10h da manhã. Comemos o abacaxi que a Jaque trouxe - acho que virou um costume do casal trazer frutas exóticas para a trilha, da outra vez foi um melão - e depois de algumas filmagens e fotos, seguimos pelo lado esquerdo do curso das águas que escorriam pela Pedra Lisa. Depois de mais uma hora e meia de caminhada, às 11h30, chego no Poço das Moças. Não havia ninguém e tratei logo de abandonar minha mochila e perneiras para dar um mergulho. Fiquei surpreso com a profundidade rasa do Poço. Mesmo pessoas que não sabem nadar podem se divertir sem problema nenhum. Apenas no meio do Poço que as águas ficam um pouco mais profundas, algo não mais que uns 2,5m no dia em que estivemos lá - deu pra notar que em outras épocas o Poço atingia níveis mais elevados, em torno de 1,5 a mais. O lugar conta com uma pedra lisa que forma um tipo de escorregador e é muito legal, perdi a conta de quantas vezes escorreguei nessa pedra e os outros trilheiros gostaram muito, também. Há algum tempo atrás havia uma árvore com uma corda pendurada da qual era possível executar saltos para o Poço, mas esta árvore cedeu e esta tombada na água atualmente - uma pena. Esse local é tão incrível que botou em cheque nossos planos de uma grande travessia. Começamos a cogitar ficar ali mesmo e voltar no dia seguinte para Paranapiacaba de tão bom que estava o lugar. Depois de algum tempo chegaram mais algumas pessoas, mas nada que comprometesse a tranquilidade do lugar. Nadamos muito, tomamos um lanche mais reforçado e curtimos o Poço até às 13:37 resolvemos que dessa vez iríamos prosseguir em frente até o Rio Mogi para, no dia seguinte, subí-lo e retornar a Paranapiacaba onde terminaríamos nossa grande travessia circular, mas já ficou combinado de voltarmos ao Poço das Moças em outra ocasião para ficarmos de boa lá, fazendo nada, jogando conversa fora. Logo após o Poço, atravessamos o rio para sua margem esquerda de onde parte uma vereda e caminhando mais uns 500m dali por uma trilha bem plana e bem batida chegamos a uma represa onde é possível chegar de carro e é uma verdadeira farofada. Muito lixo e barulho. Por isso alguns que ali chegam se arriscam nos 500m de trilha para chegar ao Poço das Moças, mas são poucos pelo que notamos. Se ficar na praia do lado de um isopor cheio de cerveja e guloseimas industrializadas só observando o movimento já é uma chatice sem fim, imagine fazer isso numa pequena represa suja e barulhenta. Vai entender esse povo. Eu até fiquei com vontade de pular no poço usando uma corda pendurada estrategicamente em uma árvore, mas deixei essa tarefa para o Luciano e só registrei seu salto ornamental para não perdermos muito tempo ali e continuarmos a caminhada rumo ao Rio Mogi, visto que ainda tinhamos mais de 10Km de chão num Sol de queimar os neurônios e depois teríamos que decidir entre varar 3 a 4Km de mato até o rio ou caminhar mais do que isso, só que no asfalto. O calor estava de matar e era inversamente proporcional ao prazer em ficar nadando naquelas águas geladas do Poço das Moças, mas precisávamos caminhar - e rápido! Então fomos. Não deu nem 30 minutos a partir da represa e já tinhamos que providenciar uma parada. Sombra que é bom, nada! Tentei motivar o pessoal a continuar sob a justificativa de que caminhar de noite no mato seria muito pior, mas não deu muito certo. O Bruno e eu entramos no mato à esquerda da estrada de terra e estudamos a possibilidade em acessar um riacho que corria a uns 15 metros da estrada. Chamamos os outros dois e combinamos de ficar ali até que o Sol abaixasse um pouco, mesmo sabendo das incertezas que nos aguardavam pela frente. Ficamos deitados na água abaixando a temperatura do corpo. O Bruno e eu ficamos especulando novas hipóteses e lamentando em como as coisas não estavam indo muito bem naquele trecho, até que chegou a hora de levantarmos e partirmos, uma hora depois. O Luciano não queria de jeito nenhum voltar a caminhar pela estrada e bateu o pé que o deslocamento não seria prejudicado significativamente se fossemos pelo rio, mas logo percebemos que se seguíssemos pela água, não chegaríamos no final daquela estrada nunca. Saímos do rio e então continuamos a caminhada. Eu fui na frente na expectativa de encontrar algo que me animasse, uma cachoeira, um trilha em direção ao Rio Mogi, qualquer coisa, e depois de 35 minutos caminhando sem sinal dos outros integrantes, me deparei com uma barraquinha onde uma simpática moça vendia bebidas enlatadas e algumas guloseimas. Comecei a conversar com a moça com o intuito de colher mais informações do lugar, mas ela me explicou que não morava ali a muito tempo e que não tinha noção das trilhas que eu estava mencionando. Ela ficou curiosa com toda essa coisa de andar por dias no mato e ficou me perguntando se eu não tinha medo, se eu andava armado e toda aquela coisa de gente que não tem noção nenhuma de como é essa vida. Depois de um tempo chega seu irmão de moto e estaciona ao nosso lado e começa o mesmo interrogatório que sua irmã fizera. Expliquei de novo e eles se animaram com o fato da região ser rica em trilhas e disseram que ficaram com vontade de fazer algumas. Mais de 20 minutos esperando e visualizo o resto do pessoal chegando ao meu encontro, mas param para conversar com um cara de uma caminhonete. Logo pensei "carona!" e não deu outra. Subiram pra cima da caçamba da caminhonete e vieram em minha direção. Eu, coitado, fiquei igual um tonto balançando os braços com medo de eles não me verem e passarem reto sem me resgatarem, mas felizmente pararam e eu também pude aproveitar essa carona mais que bem vinda a essas horas. Me despedi rapidamente da moça e de seu irmão que não me lembro os nomes e fui embora daquele lugar. Logo após subir no veículo, a notícia ruim: o casal Dias Conde decidiu que iriam embora. É isso que da não planejar direito as coisas. Acabei colocando eles nessa caminhada cheia de incertezas e acabaram esgotando suas energias, fazendo com que tivéssemos duas baixas no segundo dia. Espero que eu não tenha traumatizado a Jaque, já que ela está começando a fazer trilhas e tem muita aptidão, só que pegamos um dia muito quente e ninguém conhecia aquela região, nem eu que os convidei. A única coisa que tínhamos era um mapa e um GPS com algumas trilhas da região. Suficientes para não nos perdermos e nos planejarmos melhor conforme as distâncias que teríamos que percorrer, mas isso não adiantou muita coisa. Chegamos na rodovia às 17h15 e confirmada as baixas, nos despedimos da Jaque e do Bruno e o Luciano e eu fomos em direção ao início da trilha do Sistema Funicular, a qual eu sabia que se iniciava em baixo de um viaduto. O plano era subir pelo Rio Mogi, mas era certo que não conseguiríamos tal façanha com o tempo que nos restava, ainda mais tendo o relato de amigos muito mais experientes em mãos contando que fizeram em dois dias a subida e com a campainha do Luciano que, embora seja um corajoso trilheiro, não estava fisicamente bem pra me acompanhar numa caminhada mais rápida, o que acabou se confirmando no dia seguinte. Caminhamos por cerca de 5 minutos e aproveitamos que um daqueles caminhão de guincho que parou no acostamento para pedir uma carona. Tendo dois assentos vagos no caminhão e dois caminhantes estragados pedindo ajuda, só um cara muito ruim pra negar, então, mais uma vez, subimos pra cabine do caminhão e ganhamos mais uns 3Km de rodovia e, logo quando avistei o viaduto onde se iniciaria a trilha do Sistema Funicular, pedi para que nos deixasse lá. Foi tudo tão rápido que nem conversamos muito ou dei qualquer explicação do que estávamos fazendo. Ele deve estar se perguntando até agora o que dois caras acabados e fedidos foram fazer debaixo de um viaduto. Mas tudo bem, às vezes é bom um pouco de mistério na vida das pessoas. Apesar de já ter feito a trilha do Sistema Funicular, essa parte inicial era nova pra mim. Estava preocupado com o tempo e queria chegar na casinha onde dormimos da outra vez enquanto ainda estava claro, então acelerei o passo e toda vez que perdia o Luciano de vista o esperava um pouco. O início da trilha é horrível. Não há nada de visualmente agradável e a quantidade de mosquitos devido a proximidade com algumas casas e cachorros é enorme. Num certo momento, o Luciano quis parar para fazer uma gambiarra em seus sapatos que já deveriam ter sido aposentados e tivemos que fazer uma pausa. Se andando os mosquitos já me atacavam furiosamente, parado a coisa começou a ficar insuportável. Acelerei o Luciano para que terminasse logo enquanto eu andava em círculos para evitar ficar totalmente parado, mas não ajudou muito. Quando ele terminou eu andei o mais rápido que pude pra sair dali logo. Às 18:37 cheguei até uma cachoeira - um curso d’água que corre sobre um grande bloco rochoso - e tratei logo de tomar um banho antes que escurecesse. Enquanto eu estava lá, estirado naquela rocha com a água escorrendo e levando todo o calor daquele Sol maldito que me torrou o dia todo, o Luciano chega e interrompe minha meditação. Terminei o banho antes do Luciano e me troquei e peguei 2,5L de água para cozinhar e tomar durante o resto do dia e parti na frente para já começar a limpar a casinha, já que meu plano era dormir no chão novamente, e iniciar a janta. O local estava relativamente limpo, mas o chão estava um pouco úmido. Nem liguei, tirei um pouco da sujeira que se acumulou no chão e fiz a janta sem muita inspiração. O Luciano já havia se deitado de tão cansado e tive que acordá-lo para jantar. Devidamente alimentados, montei um varal pra pendurar a roupa suja e me deitei naquele chão de cimento queimado, esperando que ele sugasse todo o calor que eu estava sentindo. MUITO CALOR! Não adiantou muita coisa. Mesmo dormindo sem isolante térmico em contato direto com o chão de cimento, minha noite foi horrível por conta do calor, mosquitos e os roncos do Luciano que eu achei que haviam melhorado porque na noite anterior eu não os ouvi, mas nessa noite eles voltaram com tudo! Acordei às 07:00 estragado devido a noite mal dormida, nem tomei café da manhã e já estava determinado a terminar aquela trilha logo, sem muita enrolação. Da outra vez saímos para a caminhada às 10h, mas o calor estava mais brando e o tempo levemente nublado. Desta vez, como eu já conseguia visualizar por entre as folhas da mata o céu azul, deduzi que o Sol acabaria com nossas vidas nos incinerando em cima de alguma das pontes se demorássemos muito ali, então acelerei o Luciano para que fossemos logo e evitar a pior parte do dia. Eram 8 da manhã e já adentramos a mata para retornar a Paranapiacaba. A partir daquele ponto a trilha se torna mais interessante. Começam a surgir os túneis, as pontes e a vista de cima das pontes é incrível. É uma trilha que realmente vale a pena repetí-la. O nível de dificuldade já é mais complicado aqui. Numa escala de 0 a dez, eu diria que é um 6. Apesar de mais fechada que outras trilhas por aí, tem um caminho certo a se seguir. Se tiver medo de passar pelas pontes, a maioria é possível desviar pela direita e andar por cima das pontes não é a coisa mais perigosa do Universo, mas é preciso atenção e paciêcnia. Desta vez, como não havia a presença de ninguém que realmente conhecesse essa trilha, tinhamos que decidir no início de cada ponte por qual lado iríamos, agregando um toque de aventura a mais. Eu dava preferência pelo lado direito, visto que o lado esquerdo fica mais exposto à brisa que vem do litoral, corroendo mais as estruturas da ponte, mas em uma ou outra ponte era evidente que deveríamos ir pelo lado esquerdo devido à presença de grandes arbustos no caminho da direita. Como da outra vez nos deparamos com duas cobras nessa trilha - uma caninana e a outra jararaca - fiquei atento ao chão e aos troncos pelo caminho para não pisar em uma, apesar de estar com minhas perneiras tabajara. Vai que essas perneiras não servem pra nada. É um daqueles equipos que você não sabe se funciona e não quer nem saber, mas usa por pura superstição. Achei que a trilha estava muito fechada desta vez, talvez em razão das fortes chuvas das últimas semanas que derrubaram muitos cipós e galhos no meio do caminho. Muitas vezes eu perdia o caminho e me enfiava no mato no sentido que era único. Notei que dessa vez haviam muitos moranguinhos silvestres, o que foi ótimo, pois me poupou de ficar parando o tempo todo pra comer minha coisas. Da outra vez eu comi só um punhado porque o Eduardo ia na frente comendo tudo e eu quase não senti o gosto dessa delícia. No início da caminhada eu sempre perdia o Luciano de vista, então começava a gritar seu nome para ver mais ou menos onde ele estava e o esperava. Depois de caminhados ⅔ da trilha, acelerei o passo e fui na frente para, novamente, adiantar o banho e a troca de roupas pra ir embora. Quando estava quase chegando no fim, notei uma movimentação na casinha de vidro que fica mais elevada que as demais. Eram três fiscais. Voltei um pouco, olhei para os lados. De um lado uma subida absurdamente íngrime e com certeza os fiscais notariam minha presença se eu subisse ali. Do outro lado era uma piramba que provavelmente ia dar no Rio Mogi depois de muita descida e meu cronograma ficaria totalmente prejudicado. Foi aí que um dos fiscais saiu pra fora e acenou em minha direção, me chamando para se aproximar. Puts, agora ferrou. Já comecei a imaginar um monte de desculpas furadas - será que falo que um helicóptero me abandonou lá e eu estava procurando uma saída ou que sou um alienígena e estou em uma missão secreta para registrar a história deste planeta para arquivar na biblioteca dos Lanternas Verdes. Quando cheguei próximo da casinha de vidro, um dos fiscais, sorridente, me perguntou: "tava difícil a trilha?" e então eu o respondi com uma cara de coitado completamente esgotado: "sim, muito!". O cara se mostrou super gente boa e ainda me perguntou se eu sabia como sair dali. Apesar de saber, respondi que não sabia, pois pensei que se ele soubesse que eu já estivera ali antes, a multa poderia dobrar. Então ele me indicou o lado, perguntou se eu estava sozinho e eu respondi positivamente - vai que ele está fingindo, mas na verdade só quer que eu confesse o crime e entregue os comparsas - e se despediu. Então eu fui na direção de um córrego onde nos limpamos da outra vez, tomei um banho e esperei o Luciano por uns 40 minutos, no meio do mato e bem quieto, pois bem do lado estava tendo um churrasco cheio de gente e eu não queria ser pego pelos moradores naquele lugar. O Luciano tomou um banho bem rápido e fomos em direção ao ponto de ônibus que nos levaria até a Estação Rio Grande da Serra. Já eram 16:50 e meu plano era pegar o ônibus para voltar às 16:00. Se eu estivesse sozinho teria conseguido com folga, mas esse pequeno atraso não incomodou em nada. Ao chegarmos no ponto de ônibus, começa aqueles estresses da vida urbana. Havia uma fila gigante. Parece que estava tendo algum evento em Paranapiacaba, como todos os outros finais de semana que ali estive, e muitas pessoas estavam aguardando o transporte público para retornarem a suas casas. Esperamos por 25 minutos até surgir um ônibus que, por ser mais caro que o outro, espantou alguns passageiros, dando oportunidade para nós que estávamos atrás na fila. Em 20 minutos chegamos em RGS e corremos para pegar o trem que nos levaria de volta à São Paulo. Assim termina mais um final de semana de muitas incertezas, mas que no final deu tudo certo pelo menos pro Luciano e para mim, e fica a lição de que devemos planejar melhor essas coisas pra não estragar o final de semana dos outros convidados. As trilhas até o Mirante e depois para o Rio Quilombo são super fáceis e acessíveis, devendo-se tomar cuidado apenas com os joelhos nas descidas, flexionando os bem e se possível com o auxílio de um bastão. A caminhada foi longa, mas as caronas nos ajudaram muito. O retorno a Paranapiacaba pelo Rio Mogi ficará para uma próxima oportunidade. Qualque dúvida é só dar um toque que tento ajudar. Obrigado pela leitura e até a próxima! Link para minha página no Facebook: http://www.facebook.com/PerieratPerierat
  25. Intro: Na primeira quinzena do mês de setembro, pouco depois de ter realizado a travessia mais fantástica e satisfatória da minha vida (até então). Já marcavamos para o dia 06/10/2013 uma investida nas cachoeiras Paraíso e Lago Azul, que se encontram na gigantesca parede verde que circunda Cubatão. Encheriamos dois carros pra esse feito com os mesmos (nove) trilheiros de costume das últimas vezes. A observação nesse seria que, nenhum desses membros conheciam ou já se quer trilharam por essas bandas. Mais tudo bem, isso era o de menos, sendo que tinhamos infos o suficiente pra se arriscar na exploratória. O que não contavamos, era que fizesse sol durante quase o mês todo e na semana do evento chuvesse diariamente parando apenas no sábado pra trazer aquela frente fria que espanta a coragem dos que pensam em ir pro meio do mato passar frio. Brrruuuuuhhhh... Só que a gente não é assim!! hehe Cancelamos o evento pra Cubatão por causa do tempo chuvoso que ainda estaria por lá no domingo, então transferimos o evento à Paranapiacaba e começamos a discutir sobre qual seria o roteiro. Mais a essa hora, dos nove participantes restaram apenas três pra manter o assunto e fechamos a conversa com essa confirmação. Na manhã seguinte, antes de pegar a condução fiz o velho ritual de mandar SMS e fazer uma ligação aos envolvidos pra que eu não dê viagem perdida. Um respondendo já está de bom tamanho.E assim foi. relato: Era 07:40h quando desci na estação de Rio Grande da Serra, e pra minha surpresa meu brother Diego estava no mesmo trem que eu. Bom que não gerou esperas. Fomos até a padoca comprar uns pãozinho, tomar um pingado e ir pro ponto pegar o bus. Foi alí no coletivo mesmo é definimos nosso roteiro: Subir o Morro do Careca, seguir por trilha + rio até a Cachoeira dos grampos e finalizar na Cachoeira da Fumaça. E como sempre, o melhor é não seguir script, fizemos diferente. Saltamos do buzão 08:15h bem na entrada da lamacenta trilha que leva até o Rio das areias (cach da fumaça), onde sairiamos mais tarde. Anossa jornada começou mesmo na vizinha trilha dos tênis, uma larga estrada e pantanoza devido as valas cavadas pelos pneus dos jeeps 4x4 que passam se aventurando por alí, e pra vencer essas cavidades é preciso pular várias vezes na esperança de manter os pés secos. Num pulo desses alguém deve ter deixado cair os $9,00 que achei ainda úmidos perto de uma poça. O dia surpreendeu, pois eu fui preparado pra frio e chuva, mais o tempo abriu com sol e fez render nosso dia. O "pula pula" acabou quando tomamos a esquerda sentido Lago Cristal. Quando chemamos no rio que forma o mesmo, tocamos pra trilha das torres, onde noutrora tentamos sem sucesso subir o Morro do Careca. Mais dessa vez foi diferente, estavamos mais concentrados e determinados. Logo depois do primeiro desmoronamento ficamos atento a direção desejada, porém já sabiamos que seria tarefa árdua, e foi. Escolhemos a parte menos fechada da mata e começamos a rasgar na raça o emaranhado de cipós e galhos espinhentos que tinham pela frente. Tinhamaos apenas o bom senso voltado pra direção do nosso objetivo, algumas vezes a mata fechava um pouco nos forçando a desviar, e isso nos deixava meio confuzos a ponto de pensar: vamos conseguir ou não vamos!? vamos desistir ou não vamos!?. Mais nós somos "madeira dilei" poha, sabiamos que estavamos ali pra passar por qualquer sofrimento... tipo > missão dada é missão cumprida. E numa segunda tentativa, não conseguir achar o caminnho não tão difícil assim seria como uma nova derrota. Continuamos descendo forte, pois sabiamos que no vale passaria um rio, o rio que forma a Cachoeira Escondida e que a partir dali teriamos que ficar atentos pra subir. Chegamos num afluente e decidimos descer em seu fluxo, se não achessemos a trilha pelo menos sairiamos no topo da cachu. Fomos até a junção com o rio principal, e nessa junção paramos pra tomar um cafezinho reforçado, com aquele Ovomaltine quentinho e um "misto selvagem" que só o Diego sabe fazer... kkk. Pra nossa supresa, depois de umas meia hora de pausa, avistei um pouco a frente uma mini cachoeira com a trilha que procuravamos bem ao lado...uol, poxa vida hein. É uma subida bem curta, porém puxada (sem bifurcações). Já no alto do morro todo o esforço foi recompensado. De lá temos uma visão quase completa dos atrativos locais: Cach Encantada, Cach dos Grampos, Cach da Fumaça em destaque, com a sequência das demais cachus descendo sentido ao Vale da Morte, as pontes da linha férrea desativada do antigo sistema funicular paralelo a linha ativa dos trens da MRS LOGÍSTICA e também uma visão parcial da cidade de Cubatão. Por causa do tempo que perdemos varando mato antes de subir, achavamos que essa seria a única tarefa realizada do dia. Só que lá de cima as cachoeiras instigavam nossa vontade de visita-las, e ainda era 12:30h quando pegamos a trilha pra voltar, cedo demais. Então vamos explorar caminhos que não conhecemos. Atingido um dos nossos objetivos, seguimos o fluxo novamente até chegar no topo da Cachoeira escondida (visão linda), onde logo de cara já nos preocupava de que jeito desceriamos os paredões laterais. Lá embaixo na base tinham um grupo de +ou- 10 pessoas aproveitando a queda dàgua e quebra assistindo nossa desescalaminhada. Dois deles (Carlos Jr. e ....esqueci o nome, rs), se prontificaram a ajudar quando estavamos na metade, auxiliando o melhor caminho por onde descer e nos livrando das mochilas, (coisa que não adiantou muito), joguei a minha e ela passou direto rolando chão abaixo. •um deles: tem alguma coisa de quebrar? •eu: não, só um tablet, um Notebook e a câmera fotográfica. kkkk *brincadeirinha, não teria lógica em levar tantos aparatos tecnológicos pro mato, né? Paramos pra conversar um pouco, agradecemos, clicamos umas fotos e fomos passando pela cach encantada, lago cristal e rio vermelho, onde também a acompanhamos o fluxo da água num trajeto bem sinuoso, que no primeiro contato parece ser fácil de vencer, cobre apenas os tornozelos, ora se represa em fundas piscinas naturais com a parte mais rasa na altura da cintura e é nessa hora que exige cada vez mais força das pernas, isso me rendeu algumas cãibras na parte posterior das coxas. "Pensamos que seria mais suave, mais quanto pior é, melhor fica". Cerca de 1h depois já alcançamos por cima a cach dos grampos e como um guardião da serra local o Morro do Careca se faz gigante neste ângulo. Fiz uma breve descida pelo quanto esquerdo até onde se vê que é seguro, porque teimar em descer sem nenhuma corda ou qualquer equipo de segurança poderia causar no mínimo descuido, um acidente fatal. Me contive. A única intensão a partir dalí era trilhar até a cach da fumaça, e o caminho que pensavamos dar diretamente lá, ainda passou pela cach das tartaruguinhas, que particularmente achei muito bonita. Mais uma vez seguimos as águas até encontrar com o rio das areias e vê-lo despencando serra abaixo em mais um topo de cachoeira (Fumaça), dando o prazer de estar alí e avistar de seu mirante, um cenário que se enquadra perfeito à situação. Como se trata de um lugar que "batemos cartão", a parada não durou mais do que 15 minutos (o vento gelado foi um dos motivos da pausa ser tão breve rsrs), e também por não ter muito tempo pra ficar na mata sem lanternas, já que escurece rápido e a neblina é rotineira no lugar. O rítmo foi suave na hora da partida, com direito até a "show pirotecnico" (kkk...) no café da tarde num descampando perto da Cach Pequena da Fumaça. Essa última parada foi fundamental pra recuperar as energias e eliminar alguns pesos da mochila. Meu brinde do dia, além dos $9,00 que achei na ida, ooohhh sorte rsrs, foi também uma camiseta novinha que achei caida no chão quando voltavamos já na reta final da trilha. Não pensei duas vezes... é minha hehe. Às 17:30h saímos no acostamento do asfalto que nos serviu de vestiário, pois sabendo que grande parte dessa jornada seria dentre as águas, levei uma calça, um par de meias e um par de tênis reserva pra ir embora sequinho. hehehe. Enfrentar 3h de condução e cansados como estávamos, até em casa com roupas molhadas ninguém merece. fim. Bom, essa por enquanto foi uma das voltas mais completas que já dei pela região. Foram 8 cachoeiras e 1 topo de morro alcansados com vista panorâmica de todo esse percurso que nos aventuramos, e Graças a Deus correu tudo bem. abraços.
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