"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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- Como sempre faço em minhas viagens internacionais, começo a me programar com seis meses de antecedência. Como já fazia quatro anos desde que fui ao casamento de minha filha em Frankfurt (Alemanha) e nunca mais a vi depois disso, pois a mesma mora e trabalha lá, eu e minha esposa, Sílvia, resolvemos mais uma vez arrumar as malas e viajar novamente. O objetivo final seria ficar uns quatro dias com minha filha Aline em Frankfurt, mas por que não aproveitar a estadia na Europa para conhecer mais um país? Como já tínhamos visitado Lisboa duas vezes e Frankfurt também, resolvemos incluir Sevilha e Córdoba (Espanha) no nosso roteiro.
- A primeira coisa a fazer foi a mais difícil (e onerosa), comprar as passagens de ida e volta de Belém a Lisboa e vice-versa, pela TAP. Pagamos cada um 3.000 reais por cada trecho. Há quatro anos atrás custou a metade do preço. Esse avião faz voo direto de Belém à Lisboa às terças, quintas e domingos, retornando nos mesmos dias. Para isso foi necessário também comprar as passagens pela LATAM, de Manaus (onde residimos) até Belém, ida e volta, também,
- Também compramos com antecedência as passagens de Lisboa/Sevilha/Lisboa pelo ônibus da Flixbus, que liga toda a Europa e é muito mais barato do que os trens e aviões, além de bastante confortáveis, com wifi à bordo. E as passagens ida e volta Sevilha/Córdoba/Sevilha, de trem-bala.
- Ao longo dos meses fomos comprando Euros, de modo que viajamos com cerca de 2300 Euros e ainda sobrou 1.600 Euros.
- Também emitimos os certificados de vacinas Covid 19, em espanhol, inglês e português ( que nunca nos pediram em lugar nenhum) e também o Seguro viagem para nós dois, pelo Cartão MasterCard (que também ninguém pediu em nenhuma imigração). Também não nos pediram comprovante de dinheiro, nem voucher dos hotéis.
- A primeira imigração foi em Lisboa/Portugal, onde chegamos às 11.30h local, 5h a mais do que Brasília/DF. Saímos de Belém/PA às 23.30h. Passagem tranquila pela PF, onde carimbaram nossos passaportes e não exigiram mais nada, a não ser as identidades.
- Em Lisboa a mesma coisa: fila enorme, mas foi rápido. Só nos perguntaram o que iríamos fazer em Lisboa, em seguida carimbaram nossos passaportes, mais nada!
DIA 18 DE OUTUBRO DE 2022 – 3ª FEIRA – BELÉM À LISBOA
- Pegamos o voo da LATAM em Manaus, com destino a Belém, às 11.40h. Chegou às 14.45h. Como tínhamos bastante tempo até o voo da TAP às 23.30h, deixamos nossas malas de mão e mochilas, no bagageiro do aeroporto. Pegamos um uber e rumamos para o shopping mais próximo do aeroporto, “Bosque Grão Pará" (15 min), onde almoçamos e ficamos “fazendo hora”.
Já de noite pegamos um uber de volta e retornamos ao aeroporto. Como já tínhamos feito o checkin eletrônico e tínhamos o código no celular, fomos para o local de embarque, onde esperamos até abrir às 22h. O aeroporto de Belém/PA (Val de Cans) é muito pequeno, com poucos bancos para sentar e pouquíssimos locais para lanchar, além de muito caros.
Passamos pela PF tranquilamente, apesar da imensa fila, pois com a abertura de todos os aeroportos, muitos aproveitaram para viajar, apesar da subida repentina das passagens aéreas. O avião saiu lotado, ninguém com máscara, difícil dormir com as choradeiras das crianças a noite toda. Por volta de 1h da manhã serviram o jantar, pra falar a verdade, estava muito bom, quentinho e apetitoso. Foi um voo tranquilo, com pouca turbulência.
DIA 19 DE OUTUBRO DE 2022 – 4ª FEIRA – LISBOA (PORTUGAL)
- Chegamos em Lisboa, com nossos relógios marcando 6.30h, mais com o fuso horário de mais 5h, adiantamos nossos relógios para às 11.30h.
Como estávamos só com as bagagens de mão e mochilas não precisamos recolher as malas na esteira, que é uma grande perda de tempo, além do risco de extravio.
Ficamos uns 40 min na fila de imigração, que era imensa, pois tinha chegado outro voo nessa mesma hora e a imigração é uma só. Até que foi rápido, só nos pediram os passaportes e perguntaram o que queríamos fazer em Lisboa. Mais nada!
Deixei minha mulher no saguão e subi até o 2º piso até a loja da Vodafone, onde comprei dois chip para celular, a 20 Euros cada, com validade para 30 dias e funciona em toda a Europa. Eles mesmo colocaram e já saímos conectados do aeroporto Humberto Delgado. No primeiro piso também tem uma loja da Vodafone, mas fica muito congestionada e como eu já tinha experiência, era a terceira vez em Lisboa, não perdi tempo e fui direto para a outra loja, onde só tinha uma pessoa sendo atendida.
Não quisemos pegar o metrô, já que tem uma estação no próprio aeroporto, porque ainda teríamos de comprar os bilhetes nas máquinas e como já era hora do almoço, não quisemos enfrentar o rush. Saímos pelo portão do 2º piso, pois no primeiro só param táxis e depois de atravessar a rua pegamos um uber numa praça em frente, só aí eles são permitidos de pegar os passageiros. Essa praça tem um nome peculiar, (acho que é "Flash Love") . Nota: os táxis de Portugal só aceitam descontos em cartão, nada de cash de nenhuma maneira, assim evitam roubos. Então os que forem pegar uber em Portugal habilitem a função de desconto em cartão de crédito.
Meia hora depois chegamos no hotel Silk, onde nos hospedamos pela segunda vez. Não é um hotel bonito, mas as habitações são confortáveis, com frigobar e com direito ao café da manhã e wifi grátis, além de ser bem localizada, perto de três estações do metrô, de três linhas diferentes. Basta andar de 5 a 10 minutos, dependendo qual a estação que você queira, dependendo do seu destino.
Depois do chekin do hotel, guardamos nossas coisas, tomamos banho e saímos para almoçar (ou jantar). Fomos caminhando até a estação São Sebastião, compramos os bilhetes do metrô, com validade para cinco dias, podendo ser recarregados. Nessa hora não tinha muita gente, então foi fácil usar as máquinas eletrônicas. Pode-se pagar com cash ou moedas.
Dali fomos até a estação Oriente, que já conhecíamos e entramos no shopping Vasco da Gama (bairro Praça das Nações), onde almoçamos. Comida boa e barata.
Depois disso, descemos ao subsolo, onde funciona um supermercado gigantesco, que vende de tudo, o Supermercado Continental. Compramos água, refrigerante, pães, queijo e frutas e em seguida pegamos o metrô para o hotel, guardamos tudo no frigobar e não saímos mais. Estávamos cansados da viagem mal dormida e também fazia frio. A temperatura estava em 18º C.
DIA 20 DE OUTUBRO DE 2022 – 5ª FEIRA – NAZARÉ
- De manhã cedo pegamos o metrô até a estação do Oriente, onde embarcamos no ônibus da Flixbus, que liga todo o país, rumo à Nazaré. Eu já havia comprado com antecedência através do aplicativo da Flixbus. Saiu às 10.30h e chegamos às 12h.
Nazaré é um pequeno município, muito bonito e famoso por suas ondas gigantes, onde são disputados os campeonatos mundiais de surf. O tempo estava muito fechado, frio e com uma pequena garoa e com isso nós dois ficamos gripados e com tosse. Fomos andando desde o terminal rodoviário até a orla da praia, até pararmos no restaurante”Adega Oceano”, onde almoçamos, junto com outro casal de brasileiros, do Ceará, que encontramos por lá.
Depois do almoço fomos caminhando até um promontório, onde fica um teleférico, que liga até o alto dele, donde se pode avistar toda Nazaré embaixo e observar, do outro lado, perto de um farol, as ondas gigantescas, embora ainda não estivessem no seu auge, que acontece no final de novembro.
Valeu pelo lindo passeio, tem de ter disposição para caminhar depois do teleférico até alcançar o farol, são cerca de 2 Km entre subidas e descidas.
A vista é magnífica. De um lado a cidade e a praia calma e do outro as gigantescas ondas, que não param, todo tempo em movimento.
-Antes de pegar o caminho, asfaltado, não circulam carros, há uma pequena praça, onde os ambulantes e pequenas lojas vendem de tudo, desde souvenir aos doces e lanches rápidos. Há também a igreja de N. Sra de Nazaré.
DIA 21 DE OUTUBRO DE 2022 – 6ª FEIRA – SANTUÁRIO DE FÁTIMA
- De novo pegamos o ônibus da Flixbus na Estação Oriente, rumo à Fátima. Dessa vez comprei as passagens um dia antes, na própria loja da Flixbus, que funciona também na Estação Oriente. Saímos às 8h e chegamos às 9.30h. Não visitamos a cidade. Do terminal rodoviário, fomos caminhando cerca de 30 minutos até chegar ao imenso santuário. É uma praça enorme e no final fica uma capela e uma basílica, onde assistimos parte de uma missa.
Choveu um pouco, mas não impedia dos fiéis pagarem suas promessas, percorrendo toda a praça, de joelhos, às vezes apoiados por amigos ou parentes. Apesar do mal tempo, a praça estava lotada. A maioria de turistas. O ruim foi a volta, pois marquei a volta para às 14h.
O terminal rodoviário não oferece abrigo e não tem bancos para se sentar, apenas um pequeno escritório, onde só entram os funcionários, de modo que andamos mais um pouco, entramos numa lanchonete e ficamos de bobeira, até chegar a hora de pegar o ônibus. Em Fátima, não se tem nada para fazer ou ver, além do próprio Santuário. Pouca ou nenhuma atenção aos turistas ou aos fiéis. Decepção total!
Retornamos ao hotel, depois de novamente entrarmos no shopping Vasco da Gama para almoçar e novamente passar no Supermercado Continente, para comprar alguma coisa para a viagem de amanhã à Sevilha (Espanha).
DIA 22 DE OUTUBRO DE 2022- SÁBADO – SEVILHA (ESPANHA)
- Pegamos um uber até a Estação Oriente, onde pegamos um ônibus filiado à Flixbus, o Monbus (cores amarela e marrom), às 8h.
Ao meio dia, parou durantes 40 min num restaurante na beira da estrada, onde todos são obrigados a descer. Aproveitamos para almoçar.
Logo depois o ônibus saiu, fez algumas paradas, demorando mais no município de Faro, onde há o último aeroporto no sul de Portugal. Depois atravessou a fronteira Portugal/Espanha, um viaduto sobre o rio que divide os dois países, onde aguardou alguns momentos. Fiquei meio apreensivo, esperando algum agente nos pedir algum documento, mas não entrou ninguém. Em seguida o ônibus seguiu, foi fazendo algumas paradas ao longo do percurso para entrar ou sair passageiro demorando um pouco mais e chegou ao imenso terminal rodoviário de Sevilha às 17h. Importante marcar o nº da parada, para o possível retorno por esse terminal. O nosso foi o último da plataforma, o de nº 42.
Desembarcamos, pegamos um uber e 10 min depois estávamos em frente ao nosso hotel Petit Palace, muito bem localizado, próximo de todas as atrações turísticas, pra onde fomos a pé, nenhuma vez pegamos qualquer transporte. Esse hotel fica no centro histórico de Sevilha, é um pouco caro, não tem café da manhã grátis, em compensação o visual é bonito, tem wifi grátis, ótima habitação e vista para as ruas próximas. Ficamos no 3º andar. São seis e possui elevador. Fazia frio, cerca de 13º C e só anoitecia às 20h.
- Depois de acomodados, saímos para jantar, procuramos vários restaurantes próximos, são vários, mas nenhum menu nos agradava ou estava muito cheio de turistas. Enfim achamos um mais simples e jantamos rabada de boi, com batatas cozidas. Não quisemos arriscar pedir algo que não conhecíamos.
- Voltamos para o hotel, ligamos a TV e fomos dormir.
DIA 23 DE OUTUBRO DE 2022 – DOMINGO – SEVILHA (ESPANHA)
- Nossa gripe continuava, por isso eu e minha mulher fizemos uso da Azitromicina, que eu tinha levado de Manaus, além de mais alguns remédios, justamente para essas ocasiões. Aos poucos a tosse foi cedendo, somente alguma coriza, nada que nos atrapalhasse. Amanheceu um dia bonito de sol, então aproveitamos para conhecer as principais atrações dessa linda cidade, à beira do rio Guadalquivir. Fomos caminhando em direção à belíssima Praça de Espanha.
A Praça de Espanha é o mais belo e conhecido ponto turístico, pois além de ser gratuito se pode assistir shows de “flamenco”, com dançarinas dançando sobre pequenas tábuas de madeira com seus sapatos de salto, enquanto outras cantam e se revezam, sempre acompanhadas com violão. Como toda apresentação gratuita eles recebem o que o pessoal acha que deve dar, ao final de cada show.
- Dali fomos até a arena, onde antigamente havia touradas, mas estava fechada no momento e não pudemos visitar.
- Seguimos então para o rio Guadalquivir, onde admiramos a “Torre de Oro”, local onde supostamente saíram as naus de Cristóvão Colombo rumo ao novo mundo.
Que cidade linda!!!!!
- Visitamos a Catedral de Sevilha só por fora, não quisemos entrar, além de muito caro a entrada, os locais mais bonitos para se visitar, que é no piso mais alto, não dava tempo, porque já estava anoitecendo e eles tem hora para encerrar.
Hoje só paramos para jantar, num pequeno restaurante, próximo do rio, onde aí sim, tinha salada, arroz, frango e batatas. Não foi muito caro, mas também nada barato. Uma cerveja pequena custa 15 reais (já convertidos), porque a maioria da Europa usa o Euro. À noite voltou a esfriar, voltamos para o hotel e não saímos mais.
DIA 24 DE OUTUBRO DE 2022- 2ª FEIRA – CÓRDOBA (ESPANHA)
- De manhã cedo, ainda estava escuro, seria umas 6h, pedimos um uber, na porta do hotel, para irmos até a estação de trens (comboios) Santa Justa, de onde partem os trens ligando toda a Espanha, como Madrid, Málaga, Barcelona, Granada e também Córdoba, que era o nosso destino. É uma estação enorme, com inúmeras plataformas, lanchonetes, bancos, banheiros, toda coberta. Parece a Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Existem letreiros espalhados por toda a estação anunciando a saída e chegada dos trens, além de indicar a plataforma de acesso. Impossível se perder. Nós já tínhamos comprado os bilhetes (bem baratos), com antecedência, antes mesmo de começar a viagem. Fizemos um lanche rápido na própria estação e descemos a plataforma para aguardar o trem-bala, que chegou pontualmente às 8h.
- Chegamos em Córdoba às 10h, apesar da velocidade de 140 Km/h, pois não era um expresso (mais caro). Foi parando em várias estações.
- O dia estava bonito, com sol, resolvemos caminhar até o nosso objetivo, que era a Mesquita/Catedral de Córdoba, anteriormente fundada pelos muçulmanos, quando dominavam toda a Península Ibérica.
-Hoje a Mesquita é uma patrimônio histórico da humanidade. Fomos andando seguindo o GPS do celular e cerca de meia hora já estávamos no lugar. Procuramos a entrada, pagamos 5 Euros cada um e visitamos a imensa Mesquita. Ainda bem que tinha poucos turistas, que não atrapalhavam nossa tomada de fotos.
Difícil descrever a beleza de sua arquitetura, com suas abóbadas pintadas de laranja e amarelo, teto incrivelmente alto.
Praticamente junto, como uma continuação, fica a igreja cristã, toda branca e fortemente iluminada, contrastando demais com a mesquita anexa.
Vale lembrar que toda mesquita é rodeada de fortes muros altos e largos, pois era uma fortaleza. Nesse lugar fica o bairro judeu, com suas ruas estreitas e muito parecidas, com bastantes souvenirs e lembranças, tudo voltado aos turistas. Bairro tranquilo, limpo, com suas casas todas pintadas de branco, com algum toque azul ou amarelo. Os poucos restaurantes e lanchonetes ficam tão cheios de turistas, que é quase impossível encontrar um lugar para sentar ou até pedir alguma coisa.
- Saindo dali, nos dirigimos à “Ponte Romana”, a poucos metros, sobre o rio Guadalquivir, o mesmo que passa em Sevilha. O rio aqui, no momento, estava muito baixo, perdendo um pouco de sua beleza, mas compensou pela magnífica ponte, supostamente edificada pelos antigos romanos, quando dominavam essa parte do mundo. Toda pintada em amarelo ocre, é visitada por locais e turistas, havendo até um pequeno engarrafamento para transitar de uma ponta à outra, numa extensão de mais ou menos 100m.
Numa das extremidades, de frente à Mesquita, fica uma torre bem alta, também amarela, que pode ser visitada e de onde se pode admirar, do alto, a maior parte do bairro judeu e mais além a própria cidade de Córdoba, que aliás é muito bonita, arborizada, prédios modernos, muitas linhas de ônibus, muitas lojas, farmácias, lanchonetes e restaurantes.
Almoçamos num deles, já na saída da Mesquita que custou o “olho da cara”. Pedimos um bacalhau na plancha pra dois. Qual a nossa surpresa quando nos serviram só uma posta, com umas três batatas cozidas e o preço….lá nas alturas. Ficamos com a sensação de termos sido lesados. Dali fomos caminhando rumo à estação do trem, que estava previsto para às 18h. Por que tanto tempo? Eu contava visitar outro marco histórico próximo dali: o Alcazar dos Reis Católicos Fernão de Aragão e Isabel de Castela, havendo, inclusive, em seus magníficos jardins, uma réplica de suas estátuas em tamanho natural, com seu encontro com Cristóvão Colombo, quando lhes foi pedir apoio para sua expedição às Índias, seguindo pelo Oriente. Infelizmente não me atentei que nas 2a feiras fica fechado. Decepção total, ainda bem que eu não tinha comprado anteriormente. Como estava fazendo muito sol e estava calor, fomos caminhando bem devagar para fazer hora e fomos admirando a beleza da cidade, parando aqui e ali em algum banco de seus inúmeros jardins e praças.
- Enfim chegamos à estação, também muito grande e coberta, com muitas lanchonetes e outras lojas, além de seus letreiros, tipo, aeroporto, que mostra a chegada e saída dos diversos trens, com horário e plataforma, de modo que não há erro. Eu também já havia comprado de antemão as passagens de ida e volta, pois os preços tendem a subir, assim como as passagens de avião.
A fiscalização é feita por agentes, que percorrem todo o trem verificando a passagem. Engraçado que só na volta apareceu um fiscal. Na ida, nada! Carimbaram o nosso e foram adiante. O trem corria a 140/h. Como não era um trem direto (mais caro, mais veloz e menos tempo), foi parando em todas as estações, umas dez, até chegar finalmente em Sevilha, às 20h. Pedimos um uber e saltamos um pouco antes do hotel para podermos jantar.
DIA 25 DE OUTUBRO DE 2022 – 3ª FEIRA – ÚLTIMO DIA EM SEVILHA (ESPANHA)
- Depois do café da manhã, lavamos nossa roupa suja numa lavanderia automática, bem próxima do hotel. Guardamos tudo e saímos para andar a esmo pela cidade. Existem três pontes principais sobre o rio Guadalquivir, que aliás, é muito bonito, com suas águas verdes e límpidas. Como não é rio de montanha, ele flui lentamente, emprestando sua beleza à cidade. Resolvemos atravessar a ponte principal, que fica no meio e fomos conhecer o “outro lado da cidade”, chamada de Triana.
É um lugar totalmente voltado para o turismo em matéria de comes e bebes. Não tem o charme de Sevilha. Só se vê gente estrangeira, sentada nos diversos bares e restaurantes espalhados dos dois lados da avenida principal, que começa logo do outro lado da ponte, que deve ter mais ou menos 1,5 Km de extensão. De todos os lados que se olha é uma parada para tirar foto.
Apesar de estar fazendo um pouco de frio, a cidade estava entupida de turistas. Caminhamos um pouco nessa avenida, procurando um lugar para almoçar ou somente tomar uma cerveja ou um vinho, mas todos os lugares estavam cheios, a maioria das cadeiras ficam nas calçadas. Resolvemos voltar e caminhar ao longo do rio desse lado e atravessar a outra ponte mais adiante, cerca de uns 4 Km. Caminhamos devagar, aproveitando para tirar mais fotos. Depois de 1h de caminhada, chegamos à outra ponte e atravessamos de volta para o centro histórico.
Chegamos até à Torre de Oro, um dos marcos principais da cidade (daí partiram as naus de Colombo rumo ao Novo Mundo). Próximo existe uma réplica de uma nau, que é aberta à visitações, mediante uma pequena quantia. Como achamos que não valia a pena, prosseguimos junto à orla. Fomos caminhando então em direção ao hotel, mas resolvemos almoçar no caminho. Já seriam umas 16h.
- Daí resolvemos visitar as “Setas de Sevilha”, já começava a escurecer. Fui até às bilheterias, mas desistimos de conhecer por causa do preço elevado: 30 Euros para duas pessoas (150 reais). Muita roubalheira.
Fomos caminhando até o hotel, paramos num mercado próximo. Fizemos umas compras e fomos para o hotel fazer as malas para a viagem de amanhã.
DIA 26 DE OUTUBRO – 4ª FEIRA – SEVILHA/LISBOA/FRANKFURT
- Fizemos o checkout no hotel Petit Palace bem cedo. Ainda estava escuro. Pedimos um uber e fomos para a rodoviária, distante uns 10 min apenas, ficamos com receio de arrastar malas, não tinha ninguém nas ruas. No salão principal (os ônibus param no subsolo), tomamos café e ficamos olhando os letreiros das saídas dos ônibus. Como no dia em que chegamos eu tinha perguntado ao motorista qual plataforma para Lisboa o ônibus saía, ele mesmo confirmou que era a mesma de chegada. A de nº 42, isto é, a última. É comum as pessoas ficarem desorientadas quanto às saídas dos ônibus. Nas plataformas de onde partem não há nenhum funcionário ou balcão de informações, tampouco lanchonetes. Se fizerem essa viagem fiquem atentos para o nº da plataforma onde o ônibus para e pergunte ao motorista (não tem trocador), de onde o mesmo parte, geralmente sendo do mesmo lugar. Pegamos o ônibus da mesma empresa, o Monbus, que saiu às 7.30h, chegando em Lisboa às 16h.
- Pegamos um uber até o aeroporto, fizemos o checkin (já tínhamos o QR CODE), mas nos fizeram despachar as malas de mão, porque acharam que estavam fora da medida, apesar de virmos outros entrando com malas maiores do que as nossas. Isso só nos atrasou em Frankfurt, porque tivemos que esperar as malas na esteira e com medo de um extravio. Até que foi rápido e nada foi perdido.
- Nosso avião saiu às 18.30h e chegamos em Frankfurt às 22h (1h a mais do que em Portugal).
- Minha filha Aline e o marido Sebastian nos esperavam. Pegamos o carro e 40 min depois chegávamos até à casa deles, que fica no 3º andar de um condomínio de apartamentos. Lugar bastantes amplo e agradável. Fazia frio em Frankfurt, 9º C. Já o Inverno estava chegando. Fizemos um grande lanche de frios e fomos dormir depois de um banho reconfortante. Nesse dia dormiu conosco, o cachorrinho de estimação deles, o Olly, que é muito carinhoso. Ele tem a própria caminha, mas nesse dia foi feita uma exceção. Olly, que só tem três meses, é da ração Poodle.
DIA 27 DE OUTUBRO DE 2022 – 5ª FEIRA – FRANKFURT – CASTELO HERTZ - DE MANHÃ
- Depois do café nós quatro (+ o Olly) pegamos o carro e fomos em direção ao Castelo Hertz, umas 2h pela autobahn, estrada de alta rodagem, quase sem curvas, com quatro faixas de excelente asfalto, além de ser toda bem sinalizada, cuja quilometragem mínima é de 100 Km/h. Paramos na metade do trajeto em um posto de combustível para abastecer e fazer um lanche na loja de conveniência. Passamos por alguns lugarejos ao longo do trajeto. O dia estava frio, mas sem nuvens, com um sol bonito.
- Chegamos até o estacionamento, onde os carros e ônibus turísticos estacionam. Paga-se uma pequena quantia para ajudar na manutenção do estacionamento, guardas e trilha até o castelo.
Essa trilha é cercada de árvores, tendo um pequeno riacho ao lado. É bem bonita e um pouco cansativa, além de ser escorregadia e leva-se bem uns 50 min andando desde o estacionamento até o castelo. Conforme vamos andando, também se vai subindo, pois a trilha não é reta, contorna uma montanha.
No seu cume, fica o magnífico castelo Hertz. A visitação ao seu interior é paga. Optamos em não entrar e só visitar por fora, pois de todo lado a vista é maravilhosa. Tem banheiro público e também um pequeno quiosque, onde se vende tira-gosto, refrigerantes e lembranças (souvenir) do castelo.
- Ficamos ao todo, cerca de 3h, daí voltamos para o estacionamento, desta vez mais tranquilo, porque era descida.
DIA 27 DE OUTUBRO DE 2022 – 5ª FEIRA – FRANKFURT – KOBLENZ - À TARDE
- A cidade de Koblenz (1h desde o Castelo Hertz) fica localizada na confluência dos rios Reno e Mosela. Possui um pequeno centro histórico, que já foi comprimido pelo modernismo dos grandes edifícios, o que não impacta na beleza da cidade.
O maior atrativo da cidade é a margem do rio Reno, onde funcionam vários quiosques, restaurantes, e tem um teleférico que passa sobre o rio e no alto há um castelo aberto à visitação.
Almoçamos num shopping e em seguida nos dirigimos ao teleférico e depois de uns 10 min de subida estávamos diante do imenso castelo, o Festung Ehrenbreitstein, que é uma grande fortaleza, com o museu de antiguidades, além de exposições especiais e memoriais de guerra.
- Andamos pelas redondezas e do alto de um mirante tiramos várias fotos da cidade abaixo, cuja beleza se destacava mais ainda pelo anoitecer. Como na Europa o entardecer é um pouco mais tarde, às 20h ainda estava escurecendo. Descemos e fomos jantar num dos vários restaurantes ao longo das margens do rio Reno. Comida fabulosa, mas paga-se bem caro por isso.- Retornamos então para casa e já fazia frio. Fizemos um pequeno lanche e fomos dormir, com o Olly aos nossos pés. Nessa época do ano (final do outono, quase chegando o inverno), as folhas ficam amareladas e avermelhadas, cobrindo o chão, como um tapete multicolorido, ao cair das árvores. Pela primeira vez na vida vi uma macieira e por ser tão comum, as frutas morrem nas árvores sem ninguém recolher…
DIA 28 DE OUTUBRO DE 2022 – 6ª FEIRA – BAD NAUHEIM
- Bad Nauheim é uma cidade no estado federal de Hesse, na Alemanha, e dista cerca de 40 min de Frankfurt. Bad Nauheim é uma estância termal famosa pelas suas nascentes de água salgada, que são utilizadas no tratamento de doenças do sistema cardiovascular e nervoso, em banhos “efervescentes”.
- É famosa também porque o famoso Rei do Rock, Elvis Presley, passou uma temporada de 17 meses, quando serviu nas forças armadas americanas de 1958 à 1960. A cidade de Bad Nauheim acabou virando local de referência para os fãs de Elvis na Europa. Ele primeiro ficou em um hotel de luxo, mas depois alugou uma casa na cidade, que hoje é ocupada por um morador local, que a comprou. Então a visitação é só externa. A coincidência é que sem sabermos, estacionamos o carro bem defronte da sua ex-casa.No centro da cidade, reencontramos os pais do Sebastian, cujo pai nasceu nessa cidade. Depois dos cumprimentos, caminhamos devagar pelos parque e pelo centro da pequena cidade, onde almoçamos num restaurante típico italiano. Retornamos para casa já ao entardecer. Foi um dia muito agradável e cada vez mais o frio ia aumentando.
DIA 29 DE OUTUBRO DE 2022 – SÁBADO – CENTRO DE FRANKFURT
- Depois do café caminhamos mais ou menos 30 min, desde casa, até chegarmos a uma estação, onde pegamos um trem de superfície e daí a 40 min estávamos no centro de Frankfurt.
Apesar de já termos ido lá no ano de 2019, quando Aline se casou, foi uma grande satisfação rever esse lugar mágico, que foi quase todo destruído na 2ª GM e depois foi reconstruído, de acordo como era originalmente. Passeamos muito, fizemos lanche e compramos várias lembranças para presentear os amigos e parentes.
DIA 30 DE OUTUBRO DE 2022 – DOMINGO – ÚLTIMO DIA EM FRANKFURT
- Depois do café levamos o Olly ao centro de treinamento de cães, onde todos os domingos o Olly participa de vários exercícios. Todos os cães são acompanhados pelos donos, separados pelo tamanho e idade, onde aprendem vários comandos, tais como parar, andar, deitar, rolar, etc, além de passarem num circuito com vários obstáculos. No final, isso dura 1h, todos ganham petiscos de seus donos.
DIA 30 DE OUTUBRO DE 2022 – DOMINGO – AEROPORTO DE FRANKFURT
- Sebastian e Aline nos levaram em seu carro até o aeroporto de Frankfurt, uns 50 min, mais ou menos. Nos ajudaram a identificar no letreiro, o portão da TAP do qual sairia nosso voo para Lisboa/Portugal. Nos despedimos no saguão, já que teríamos de passar pela segurança e seguir até o nosso portão que era o de nr 32. Ainda bem que o pouco do inglês que eu sei me ajudou muito. O aeroporto é enorme e não conseguíamos achar o tal portão. Tive de pedir ajuda a um funcionário (em inglês) onde ficava o nosso portão. Ele nos indicou um elevador e dentro dele estava identificado por andar os nr dos portões.
- Depois de muito andar, chegamos ao bendito portão e já tinha bastante gente esperando e nós chegamos com 2h de antecedência. Quase chegando a hora de embarque, veio o aviso em alemão e depois em inglês que nosso voo sairia do portão 29. Foi aquela correria para chegar e formar as filas. - NOTA: idosos NÃO TEM PRIORIDADE! Só deficientes e pessoas com crianças de colo. Entrei na de deficiente e comecei a mancar. A funcionária nos deixou passar e assim fomos uns dos primeiros a entrar no avião, que sempre, como de costume, fica congestionado o corredor de gente procurando os seus lugares ou lugar para colocar as malas. Dessa vez fui esperto e entramos com as duas malas de mão e as mochilas. O avião decolou às 16h e às 17.30h estávamos pousando em Lisboa.
Ficamos hospedados no hotel Ibis Parque das Nações, onde ficamos na primeira vez que fomos à Europa. É caro, mas como seria por duas noites, resolvemos nos hospedar num lugar esplêndido, perto do shopping Vasco da Gama e bem perto do aeroporto, 15 min de uber.
- Depois de nos alojarmos fomos direto ao shopping Vasco da Gama a pé, 10 min no máximo. Fizemos um lanche e compras no andar térreo, onde fica o Mercado Continental. Voltamos para o hotel.
DIA 31 DE OUTUBRO DE 2022 – 2ª FEIRA – LISBOA
- Depois do excelente café da manhã no hotel Ibis, pegamos o metro na Estação Oriente e descemos no na estação Terreiro do Paço, onde começa a famosa rua Augusta.
Almoçamos num dos vários restaurantes da redondeza.
- Depois fomos caminhando a esmo até chegar ao Miradouro Santa Luzia, de onde se tem uma bela vista da cidade lá embaixo.
Optamos por descer de bonde, já que nosso bilhete de metro também podia ser usado nesse tipo de transporte.
- Como já conhecíamos todos os principais pontos turísticos, quando visitamos a primeira vez em Lisboa, ficamos só andando, “fazendo hora” antes de voltar ao hotel.
De novo desembarcamos na Estação Oriente e fomos a pé para o hotel, a tempo de ver a “vitória” do presidente Lula.
DIA 1º DE NOVEMBRO DE 2022 – ÚLTIMO DIA EM LISBOA E NA EUROPA
- Como nosso voo para Belém/PA seria à noite, fizemos o chekout no hotel às 13h, deixamos as malas no saguão e fomos almoçar no shopping Vasco da Gama.
Por volta das 16h pegamos as malas, pedimos um uber e fomos para o aeroporto. Depois de passarmos pela segurança, que é bem rápida, apesar das filas imensas, fomos para o nosso portão de embarque. Já tinha fila se formando, o voo sairia às 17.30h.
- a surpresa foi encontrar na mesma fila a cantora Gretchen e seu marido, que aliás se mostraram muito simpáticos com todos, inclusive permitindo tirar fotos com eles. Claro que estavam na fila de 1ª classe! Em Lisboa também não tem prioridade para idosos, semelhante à Frankfurt. Tem de ser esperto!
- O voo saiu pontualmente às 17.30h, comandado por uma mulher piloto. A janta foi excelente. Como esse avião era muito grande e estava muito pesado pelos passageiros e carga, foi forçado a fazer uma escala numa das ilhas dos Açores, a Ilha do Sal, para reabastecer. Isso foi por volta das 23h. Só decolamos às 23.50h, sem maiores problemas até chegarmos a Belém, onde de novo todos passaram pela imigração para carimbar a entrada no Brasil, nos passaportes.
- Pegamos um voo da GOL às 5h, depois de fazermos uma conexão em Brasília, chegamos em Manaus às 11h. Pegamos um uber e retornamos ao nosso lar.
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- "Depois de uma viagem, você nunca mais será o mesmo. Sempre haverá uma mudança, nem que seja de forma subconsciente no seu modo de agir".
- "Tenha histórias para contar, não coisas para mostrar!"
- "No meio do caminho tinha uma pedra enorme... escalei e segui em frente."
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Editado por Humberto Antonio Siqueira