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Olá viajante!

Bora viajar?

Relato de quem cai da moto no meio de uma uma viagem ao Ushuaia

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Como se nada tivesse acontecido volto a postar aqui depois desses meses todos, principalmente em respeito a todos que estavam me acompanhando por aqui e tambem por causa da comida de rabo que o Danilo meu filho me deu por ter parado de postar sem dar satisfação alguma aos seguidores do http://motoerutasumapaixao.blogspot.com, Club XT 660 e do Mochileiros.

A todos voces eu peço desculpas e espero que eu tenha argumentos para justificar tamanha falta de respeito...

Vou fazer o possivel para descrever a viagem até onde foi possivel ir e o motivo de ter parado de postar, e como se nada tivesse acontecido tambem vou postar as fotos e dicas dos lugares onde passei até que eu chegue no final antecipado da viagem, porem só vou falar do motivo que me fez abortar a viagem mais para frente, então leiam até o final ai sim quem sabe voces entenderão o motivo porque parei de postar.

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[t1]General Roca[/t1]

Resolvi seguir a dica do Oscar e passar a noite em general Roca no hotel que eles ficaram na noite anterior, porem ainda faltava uns 250 km. para chegar e o sol apesar de ser mais 4:00 h.parecia meio dia e o calor era insuportável, enrolei o cabo e autonomia da Moto era suficiente para chegar até a cidade sem precisar parar e foi o que fiz, sem descer da Moto até chegar. Cheguei em general Roca por volta das sete da noite, porem o sol ainda batia forte no céu, fui direto ao hotel na rua principal da cidade, bem próximo do centro. Deixei a Moto no estacionamento e subi correndo para o apartamento para tomar um banho bem gelado, eu havia percorrido cerca de 650 km por estradas escaldantes, minha camiseta por baixo da jaqueta estava encharcada de suor. Tente imaginar o perfume que a jaqueta vai ficando ao longo do caminho...depois do banho me sentia muito descansado e apesar do sol que ainda pairava naquele horário, mais de 830h.,sai para conhecer a cidade que fiquei sabendo ali que se tratava da capital da Maçã.

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[t1]São Carlos de Bariloche, logo ali.[/t1]

Dormi bem, tanto é que acordei bem cedo, e minha intenção era sair bem de madrugada porem o pessoal do hotel sumiu, não tinha ninguém na recepção para abrir o portão do estacionamento. Então deixei tudo pronto na Moto, fiz a revisão diária, atei as mochilas e depois disso aproveitei o "WI-FI" da recepção liguei meu notebook e enquanto esperava fiz uma pré reserva no hostel Marcopolo inn de Bariloche, cidade que eu pretendia ficar pelo menos dois dias.

Já era mais de 5:30h. e nada de chegar o pessoal do hotel, resolvi não me stressar e sai para fazer uma caminhada pela cidade e valeu a pena ver aquela pequena cidade porem muito rica, acordar. Fiquei imaginando na imensidão no nosso planeta terra, as vezes a gente viaja kilometros e kilometros sem se quer ver uma viva alma e derrepente aparecem essas cidades praticamente no meio do nada, e com uma vida tão normal e agitada como a nossa "guardado as proporções é claro". é assim no Brasil, nos confins da Argentina também, e deve ser assim no Planeta todo.Outra coisa que me deixou encasquetado e se for como estou pensando, não sei porque ainda não copiamos, É o modelo de agricultura daqui, veja bem que sou um leigo em agricultura e posso estar falando besteira. Por ex. Essa cidade é um oases no meio do deserto e mesmo sendo no centro do deserto é considerada a capital da maçã e da pêra e imagino que essas frutas nessecitam de agua e como é que essa agua chega até as plantações? só pode ser por irrigação imagino, por se tratar de estar no centro do deserto apesar de saber que essa região desértica é cortada por grandes rios, tais como o Limay, Colorado, e Rio Negro que inclusive da o nome aqui ao estado. Comparando com o nosso nordeste que temos as bacias do rio Parnaiba e a do rio São Francisco a riqueza da agricultura do nosso nordeste ainda é pequena comparada ao que tenho visto aqui no meio desse deserto.

Voltando ao que interessa quando cheguei no hotel o café já estava sendo servido, café simples puro como eu gosto e duas media luna. Paguei minha diária, liguei a moto e pé na estrada.Nesses cinquenta kilometros que separa Grl. Roca de Neuquen, são as plantações de maçã, pêra, pêssego que dão o ar da paisagem, Logo que passo pela cidade de Cipollete entro numa avenida que eu poderia compara la a marginal Tiete a diferença é que la não há um rio a margem da avenida e a outra diferença é que na marginal não tem farol e aqui pude contar mais de quarenta faróis nessa avenida e peguei o horário do rush, transito infernal no meio da Patagónia, coisa que não imaginava nem em sonho, apesar de saber que iria passar por grandes centros tais a esse de Neuquen, mesmo assim fiquei surpreso.Depois que passei por Neuquem comecei a perceber as mudanças geográficas da região a viagem começou a ficar emocionante as curvas da pré cordilheira parece que vinham me receber de braços e almas abertas uma curva mais linda que outra o dia estava lindo o vento me acompanhava porem nada que tirasse o encanto de pilotar novamente pela aquelas Rutas ao pé da Cordilheira dos Andes.Senti ali naquele momento que a minha verdadeira viagem estava começando e uma felicidade invadiu a solidão de dentro do meu capacete, uma sensação de liberdade, é como se a natureza o homem a maquina e a Ruta se fundissem num só sentimento.E é nesse momento que justifica tantos meses de preparação, tantas noites mal dormidas e de sonhos acordado. Uma pena não poder expressar esse sentimento para meus familiares, meus amigos e todos aqueles que ficaram torcendo por mim, porque se eu pudesse assim fazer eles entenderiam com outros olhos o porque dessas viagens, que nós motociclistas fazemos, tão só, dentro dos nossos capacetes.

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Uma sexta feira magica, um dia perfeito, o asfalto da Ruta impecável e a Moto cada dia mais companheira. Era assim que eu estava me sentindo naquela tarde, faltava poucos kilometros para chegar em Bariroche acabei de passar pela confluência traful e um pouco emocionado por seguir por esse pequeno trecho da Lendária Ruta 40 e já na minha cabeça fazendo planos para que num futuro próximo na volta do Ushuaia eu subiria por toda a Ruta 40 e imaginando o que diz a lenda a respeito dessa Ruta " Diz a lenda que quem sobe por toda a Ruta 40, vive um ano a mais" e naqueles instantes que eu pilotava minha Moto por ali, já até computava em minha vida um ano a mais, pois estava planejado que o meu retorno seria por toda a Ruta 40.

 

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[t1]San Carlos de Bariloche[/t1]

 

O lago Nahuel Huapi veio me dar boas vindas, me acompanhou dali da Ruta, até o centro da cidade, e apesar das boas vindas do lago,e não sei se pela época do ano, não me simpatizei com a cidade de Bariloche, fui até o hostel marcopolo inn, que eu havia feito uma consulta de reserva durante a madrugada la ainda em General Roca, preenchi minha ficha, fui conhecer o quarto comunitário e todo o hostel, porem não havia estacionamento para a Moto, pensei bem, pedi desculpas a Verónica recepcionista do hostal mas resolvi não ficar. Eu até poderia dormir na praça, mas minha companheira, a moto, tinha que ficar guardada.

Foi então que me lembrei da dica do Oscar Milantoni e esposa, que me falaram para hospedar me em Villa de la Angostura, inclusive eles me deram o endereço e o nome da pousada , E como não gostei de Bariloche não pensei duas vezes e rumei para villa de la Angostura a 80 km. dali, no outro lado do lago Nahuel Huapi, Bariloche, monte Tronador os chocolates, iriam ficar para uma outra ocasião e se possivel no inverno pois era assim que eu imaginava Bariloche, inverno e muita neve.

Percebe-se o tanto que gostei de Barilche, que se quer tirei uma foto da cidade.

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[t1]Villa La Angostura[/t1]

Como ainda não era muito tarde fiz o retorno até a Ruta 231, caminho sinuoso e muito bonito, afrouxei o cabo e fui apreciando a paisagem o máximo que eu pude, só fiquei com a pulga atraz da orelha quando acendeu a luz de reserva do combustível e ainda faltava 60 km, para chegar na Villa, Sai tão decepcionado de Bariloche que me esqueci de abastecer a Moto, Não era ainda cinco da tarde quando cheguei, e antes de procurar a pousada fui logo no único posto de combustíveis da Villa. A minha primeira impressão do lugar foi ótima, era exatamente como imaginei que fosse. A pousada Las Rocas que o Oscar me indicou era bem na entrada da cidade tudo muito proximo ao pequeno centro.A pousada é linda, aconchegante, um chalé todo de madeira , um cheirinho maravilhoso que vinha do fogão a lenha do restaurante da pousada, na hora já imaginei e reservei uma truta rosa pescada ali num lago próximo e feita especialmente para comemorar no jantar daquela noite, o final da primeira metade daquela viagem que até ali foi excepcional.Não poderia deixar de falar que o frio veio dar o ar da graça, creio que aquele foi o dia mais frio de toda a minha vida, guardei a Moto nos fundos da pousada e subi para um banho merecido e quente, na tipica banheira Argentina.Tomei meu banho,coloquei todas as blusas que eu levei e sai para conhecer a Villa, talvez por causa do frio e também por ser sexta feira as ruas do centro que na verdade a rua principal é uma só, estava muito movimentada, os cafés, las panaderias que são um requinte a parte, as sorveterias e por inclivel que pareça, um frio de congelar os dedos e as sorveterias todas lotadas, pelo menos quem toma sorvete por ali pode tomar com calma que ele não derrete e por falar em sorvete não poderia voltar da Argentina e não falar dos sorvetes em todo o pais os sorvetes são muito bons, mas os daqui da Villa são especialmente melhores principalmente o de "dulce de leche" e um maravilhoso, sabor zabaione a base de vinho branco, sem palavras para descrever o sabor e cremosidade dos sorvetes daqui, vários restaurantes na rua principal e nos arredores, interessante que mesmo os restaurantes mais modesto as mesas são muito bem postas, toalhas brancas, copos de agua, vinho branco, vinho tinto, talheres muito bem escolhidos, porem quanto ao cardápio posso falar muito pouco pois foram raras as vezes que almocei ou jantei em restaurantes nessa viagem, meu primeiro jantar seria naquele noite no restaurante da pousada Las Rocas, que eu já tinha deixado reservado uma truta rosa pescada recentemente num lago próximo dali, pelo menos assim foi o que garantiu o chef proprietario do restaurante.

 

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To curtindo...aguardando a continuação!

 

Realmente, General Roca a Neuquen tem um transito infernal...hehehe

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[t1]truta deliciosa[/t1]

Acordei bem cedo descansado e ansioso, afinal o dia prometia. Gostei tanto da villa que resolvi ficar por aqui mais um dia, vou aproveitar o dia para conhecer a Ruta dos sete lagos e ir almoçar a Parrilla em são Martin de los Andes e por falar em almoço, não poderia deixar de falar do jantar de ontem, que foi aqui no restaurante da pousada, O pequeno e agradável restaurante, rústico e típico da Patagónia e com um cardápio voltado com as mais simples receitas . fogão a lenha e cozinha aberta de frente para o salão, da minha mesa ouvia os estalos da madeira que queimava, e eu podia sentir o aroma dos temperos. o Romulo que era o Garçon, o chefe e também o proprietario, me ofereceu de cortesia uma taça de vinho enquanto aguardava a truta que já estava por vir, fiz um esforço muito grande para recusar o vinho, porque na verdade minha vontade era tomar uma garrafa toda ou até mais que uma," para mim a chegada até aqui era motivo para muitas comemorações" porem eu já havia prometido um mês antes que não beberia, era o meu segredo, com o grande aventureiro Danilão, meu filho.ainda hoje bebo toda e qualquer bebida desde que ela seja somente agua. A truta a mais simples e mais deliciosa que já esperimentei, guarnecida com uma omelete de ervas frescas apanhadas pela manha na pequena horta da pousada e já que dispensei o vinho, brindei com a melhor agua da Argentina, que na minha opinião era a "Villavicencio" e a sobremesa também simples e deliciosa a principio achei redundante a sugestão do Romulo que era pudim de leite, com Dulce de leche, pensei comigo, pudim de leite com doce de leite deve ser uma bomba, mas quando ele me trouxe aquela porção de pudim e do lado uma colherada do típico doce de leite Argentino me deliciei com tudo,que, quase lambi o prato de sobremesa. Percebi nos olhos do Romulo a satisfação dele por ter me visto gostar tanto de tudo que me foi servido naquela noite e como só havia eu e mais um casal no restaurante naquela noite ele se sentou do meu lado e apesar da nítida timidez dele e da minha, conversamos sobre nossas paixões, a minha, viagens de moto e a dele, a rústica cozinha da patagónia, paixãoes essa que dividíamos muito bem, afinal apesar de não ser mais um chef de cozinha ainda amo, panelas, frigideiras, cardápios e as receitas. e ele como eu,também um grande moto viajante que num momento mais oportuno eu conto a historia das viagens dele.

 

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