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Silnei

San Blas - Perguntas e Respostas

Posts Recomendados

Texto: Claudia Severo / Mochila Brasil

Fotos: Silnei Laise / Mochila Brasil

 

San Blás é aquele tipo de destino que quando você descobre não quer contar pra ninguém. Medo de que acabem com tudo, que transformem em mais um refúgio para milionários ou produto de turismo de massa.

 

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Caribe. Areia branca, coqueiros, água cristalina (que com a luz do sol lhe mostra todos os tons azúis e verdes da Faber-castell 48 cores ou das palhetas do Photoshop com todas as suas variantes)…

 

Não bastasse a indescritível beleza, suas mais de 365 micro ilhas estão relativamente próximas à costa do Panamá, preservadas e sob a tutela da nação indígena mais organizada politicamente do continente americano, os Kuna: seguramente os guardiões do talvez “último paraíso (mochileiro) das Américas”.

 

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Descobrimos San Blás conversando com outros mochileiros durante nossa jornada de 3 meses pela América Central (dezembro de 2007 a março de 2008). Os brasileiros que chegam às terras panamenhas costumam visitar Bocas del Toro, o Canal do Panamá e as regiões de serra e vulcões, também deslumbrantes mas as ilhas ah… são insuperáveis!

 

Ao chegar no Brasil, pesquisamos no Google sobre o destino. Resultado: Não há material jornalístico (na editoria de turismo ou não) em língua portuguesa falando de San Blás.

 

Portanto prepare-se porque você não só vai conhecer um dos lugares mais lindos do mundo, como vai encontrar ricas cultura e história, de um povo símbolo de legitimidade e resistência, que é guardião de San Blás (ou Kuna Yala, nome oficial da Comarca). Bem, mas apesar desse “escudo”, é bom correr, pois a estrada de terra com paredões de barro de quase 90 graus por onde passamos somente com bons 4x4 e motorista, já está sendo construída.

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A comarca Kuna Yala (Terra Kuna, na língua Kuna) tem uma área de 3.206 Km² e mais de 365 ilhas, 36 delas habitadas. Estão em 373Km da costa caribenha do Panamá e em parte do território colombiano (em ambos os países em terra e mar).

 

A capital da comarca é El Porvenir, onde há um pequeno aeroporto e alguma estrutura. Alguns viajantes ficam hospedados ali, nós preferimos seguir para Cartí Yandub, de onde partimos pra conhecer pedacinhos do paraíso.

 

Integração

 

Hospedados em uma cabana de uma família Kuna, pé na areia, paredes de bambú, telhado de palha… à luz de lampião, dormimos em redes, tomamos banho de canequinha (com todo o cuidado pra economizar a escassa água) e “encaramos” um banheiro pra lá de “alternativo” (pouco ecológico e nada confortável).

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Na ilha só há um ponto coletivo com luz (captada por uma pequena placa de energia solar), que é aceso somente à noite. Alí, ao ar livre tomamos café e jantamos peixe, arroz e salada preparados pelos índios. Nos almoços o prato é mesmo, mas geralmente são servidos fora da ilha, pois todos partem dalí para outras ilhotas, as realmente paradisíacas. E sim, eles levam o almoço até você! Às refeições todos os viajantes se integram e se integram mais ainda quando regados de uma cervejinha! Pois é, há cerveja gelada (US$ 1 – muito barato se pensarmos no sufoco pra essa bebida chegar ali e ser mantida ao menos fria), água mineral (US$ 1) e alguns produtos de primeira necessidade pra vender em espécies de armazéns, montados nas próprias cabanas das famílias. É uma forma de incrementar a renda local, tendo em vista que o turismo é a maior receita de San Blás.

 

 

As ilhas

 

Como nosso papel é tentar passar pra você, entre outras coisas o que é bom e ruim (pra não entrar em “furadas”) dos lugares, tentaremos falar das principais ilhas em que estivemos, das que mergulhamos, comemos coco, conversamos com nativos, acompanhamos o preparo de uma refeição, compramos pão quentinho (!), bebemos água de coco (enquanto os nativos bebiam Pepsi) e, pasmem, na mais bela delas ficamos sozinhos!!!

 

O setor Cartí é o mais atrativo para os visitantes por abrigar diversas pequenas ilhas e corais. Pra se ter idéia somente no chamado Cayos Limón são mais de 30 pequenas ilhas, entre elas:

 

Isla Aguja

Seguramente a primeira bela surpresa do arquipélago. Toda beleza cênica local, mais um banheirinho com vaso sanitário e o melhor: a opção de se hospedar ali! Noite indescrítivel e, se tiver a companhia de outros viajantes imagine se aquilo não vira festa à altura das do filme “A praia”?!

 

Por US$ 10 a noite em rede fornecida pelo local ou espaço para sua barraca (deve levá-la) você certamente terá uma das experiências de viagem mais inesquecíveis de sua vida.

 

 

Isla Del diablo

A beleza continua com o adicional “conheça mais os Kunas”. Sim, ali com uma família super simpática acompanhamos o preparo de um almoço relâmpago: Pesca o peixe no mar, rala o coco, pica a banana, corta o limão, bota a panela na fogueirinha e lá está um autêntico prato Kuna. Dá pra ter boa conversa e conhecer um pouquinho do modo de vida deles.

 

Isla Perro

Unanimidade entre os questionados, a Perro é a mais linda ilha por onde estivemos. É cinematográfica e ali tivemos a sorte grande de ficarmos sós (mais a família local que seguia seu tranquilíssimo ritmo de vida enquanto nos extasiavamos com tanta beleza).

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Um barco naufragado (barco hundido, em espanhol) está entre as ilhas Diablo e Perro. Alguns viajantes vão até ele com o snorkel e muito fôlego. Nenhum volta arrependido, o lugar é abrigo de inúmeras e belíssimas espécies de peixes.

 

O aluguel do snorkel custa US$ 3.

 

Isla Pelicano

Pequena. É aquele tipo de ilha encontrada em livro didático infantil. Parece um desenho: uma porção de terra (no caso areia branquinha), cercada de água com um monte de coqueiros super verdes e carregados da fruta.

 

Locomoção e alimentação

 

Uma canoa de madeira com motor leva os turistas às ilhas. Os índios voltam à ilha “central” (no nosso caso a Cartí Yandub) e dela trazem o almoço para você esteja em que ilha estiver. Claro que há de se ter bom censo e, se há vários viajantes, saber onde a maioria estará, senão não existe logística Kuna (ou outra) que dê certo.

 

Só o trajeto de uma ilha a outra é espetacular. Várias micro ilhas lindas, verdadeiros caprichos como a que tem um coqueiro só ou a Hormiga que tem apenas uma cabana Kuna.

 

O viajante com um pouco mais de tempo e com US$ 10 a mais no bolso, pode tentar se aventurar também pelas “Cayos Holandesas”. Conjunto de ilhas duas horas adiante dali. Infelizmente tem épocas do ano em que há muito vento e mar muitíssimo agitado (foi o nosso caso, em fevereiro, nem tudo é perfeito!) então, resolvemos parar em ilhas no meio do caminho. Nenhum arrependimento!!!

 

Dicas

No barco, se não quiser “beber” muita água salgada, sente de costas à direção pra onde o barco vai. Sim, a repórter míope protegeu a lente de contato seguindo a dica do senhor Arquímedes (uma espécie de prefeito da “nossa ilha”).

 

Levar uma câmera fotográfica subaquática pra lá é bem interessante. Outra coisa, acondicione muito bem em sacos plásticos o que levará no passeio às ilhas, pois é um verdadeiro “caldo”.

 

Também é legal levar para o passeio, barrinhas de cereal e/ou frutas e água mineral. Os dois primeiros itens é melhor levar do continente, pois dificilmente encontrará à venda em Cartí Yandub.

 

Nós, mortos de fome conseguimos comprar pão quentinho em uma ilha à caminho das Cayo Holandesas - mais surpreendente do que achar pão quente na padaria aqui perto de casa!!!

 

Além das ilhas, visitar o pequeno museu local é interessante. Você vai conhecer um pouco mais da cultura Kuna e pode comprar bonitos artesanatos em madeira, palha, cerâmica ou as molas, vendidas em todas as partes. A entrada do museu custa US$ 2 por pessoa.

 

 

Como chegar e onde ficar

 

Via Colômbia por mar

Já que a idéia de ir por terra naufragou, por que não tentar ir por mar? Pois bem, tentamos. Seriam 5 dias de viagem entre Cartagena e San Blás. Passamos dois dias na cidade colombiana tentando encontrar o serviço ou a carona (esqueça) mas todas as tentativas fracassaram. Sim, porque este não é um "passeio convencional"; vez ou outra viajantes de barco aportam por alí rumo ao norte ou ao sul, utilizando a cidade como base e para angariarem fundos para seguir viagem oferecem o "serviço".

Há vantagens e desvantagens em optar pela viagem de barco. Conhecer novas pessoas e navegar pelo lindíssimo mar caribenho não é nada mal; já a desvantagem (para quem está com o tempo curto) é "perder" os 5 dias e se acostumar aos mareios.

Cogitamos ir com o barco Stahlratte, o único que nos pareceu confiável e atraente. Qualquer criança que olhe para o barco holandês de 1903, imagina que seja um navio pirata!!! Segundo seu capitão, um alemão, desde fevereiro de 2006 ele traslada mochileiros entre Cartagena e San Blás.

É preciso ficar atento às datas de partida de Cartagena. O custo médio por pessoa da viagem é de US$ 350 . Eles também fazem viagens para Cuba e Jamaica. Taí a dica pra quem tem um pouco mais de tempo e dinheiro.

Mais informações no: http://www.stahlratte.org" onclick="window.open(this.href);return false;

 

 

Via Colômbia (ao Panamá)

Chegamos na Cidade do Panamá através de um vôo de 40 minutos de Cartagena, Colômbia, pela Copa Airlines. A companhia aérea panamenha ofereceu a passagem mais barata: cerca de US$ 400 por pessoa somente ida. Sim, absurdo preço para um vôo tão curto, os impostos na Colômbia são exorbitantes o que duplicam o preço anunciado. Vale lembrar que passagens ida e volta custam menos.

Outra opção pode ser ir pela colombiana Aires. Pouca coisa mais cara que a Copa e com avião muito menor, preferimos "prestigiar" um Embraer e voamos pela Copa. Melhor que ir pelos aires não?!

Você também pode encontrar vôos da Aero República, filial colombiana da Copa Airlines que a comprou em 2006.

 

A idéia inicial da viagem era seguir por terra de São Paulo até a Guatemala, mas infelizmente não há estradas que liguem a América do Sul à América Central. A região de fronteira entre Colômbia e Panamá abriga a Selva de Darién, uma das mais perigosas florestas do mundo, não só por eventuais ações de guerrilhas, mas por ter sua natureza intocada (ainda que, algumas regiões da Província de Darién estejam ameaçadas pelo desmatamento).

 

Via Brasil (ao Panamá)

Quem tem planos de conhecer toda a América Central ou queira ir somente ao Panamá (o que já vale o investimento) e está sem tempo de percorrer longos trajetos em ônibus como fizemos, deve voar do Brasil direto para Cidade do Panamá. Pela Copa, a passagem ida e volta custa cerca de US$ 1000. Somente ida cerca de US$ 580.

- Sites das companhias aéreas: Copa Airlines ( http://www.copaair.com" onclick="window.open(this.href);return false; ); Aires ( http://www.aires.aero" onclick="window.open(this.href);return false; ).

 

VISTO - Brasileiros com passaporte válido (atente para que ele não venha a expirar dentro de menos de 7 meses) não precisam de visto para entrarem no Panamá nem em outros países da América Central, exceto Belize (mais informações sobre viagens pela América Central, nas próximas edições).

 

De Ciudad de Panamá à San Blás

Pouco se falava sobre San Blás durante a viagem, mas quando isso acontecia era algo como “vou de qualquer maneira, só não sei como”. Pois bem, caminhando pelo Casco Viejo da Ciudad de Panamá, na Plaza de Francia, (matéria pra outra edição) onde estão alguns kunas, sobretudo mulheres vendendo artesanato e molas, perguntamos se elas poderiam nos ajudar com informações de como ir à San Blás. Tímidas mas super prestativas truncadamente iam nos dando as coordenadas.

 

Como tínhamos idéia de ir em ônibus e sem agência, a conversa foi se prolongando e... Sim, é possível ir em ônibus (Ciudad de Panamá - Charco-Cartí) conforme elas nos explicavam, mas até um ponto de asfalto; no mais, era esperar ao “Deus dará” um 4x4 passar e nos dar uma carona (quase impossível) ou oferecer o serviço. Absolutamente “furada”. Esqueça.

 

Eis que aparece Arnoldo Bonilla (também Kuna, genro do senhor Arquímedes, o “prefeito” da Cartí Yandub) quem nos oferece o serviço completo da Cabañas Cartí: transporte ida e volta, hospedagem, refeições e passeios nas ilhas! O que mais queriamos? Ir imediatamente!!!

 

Ficou pra manhã seguinte: US$ 20 por pessoa, para ir; US$ 20 por pessoa para voltar, mais US$ 30 por dia (hospedagem na cabana, banheiro compartilhado, banho de canequinha, café da manhã, almoço e jantar e o passeio. Geralmente a ordem básica de visitas às ilhas é: Aguja, Diablo e Perro então reserve pelo menos 5 dias para estar em San Blás).

 

Pechinche! Você pode (como nós) observar que não é muito fácil tentar montar alguma estrutura ali, que é difícil levar produtos para as ilhas, que cada turista (se não consciente) é uma “ameaça” ao frágil local e decidir não pedir desconto. Mas se na hora do perrengue o hábito de pechinchar aflorar…você conseguirá. Dois viajantes chilenos com quem cruzamos diversas vezes durante a viagem conseguiram baixar a diária para US$ 20 por pessoa.

 

Cabañas Cartí:

Telefones: 507 6697-1193 e 507 6733-6309.

E-mail: [email protected] (Falar com o senhor Arquímedes).

 

 

Outra opção é ficar hospedado na Ilha Aguja: US$ 10 a diária por pessoa em rede fornecida pelo local ou por pessoa em barraca de camping (deve levá-la). Leve também alimentos para preparar no local. O preço dos passeios deve ser negociado, mas não costuma sair menos de US$ 10 por pessoa. (Falar com o senhor Luiz Barnett: 507 6697-6603 e 507 6654-6277 ou com Tony Harrington 507 6699-6953 e 507 6709-2834)

 

Para quem está com o orçamento mais folgado, bem mais folgado, uma opção de hospedagem é o Uaguinega Dolphin Cabañas (http://www.uaguinega.com/index-0.html" onclick="window.open(this.href);return false;) que fica na ilha Achutupu.

 

+ Na internet:

 

http://www.congresogeneralkuna.org/" onclick="window.open(this.href);return false; - (em espanhol).

http://es.geocities.com/kunayarki/" onclick="window.open(this.href);return false; - Notícias Kunas (em espanhol).

http://www.uni-lueneburg.de/fb3/suk/akp" onclick="window.open(this.href);return false; ... dex_s.html - Informações sobre a língua Kuna (em espanhol, inglês e alemão).

http://www.kammuigar.es.vg" onclick="window.open(this.href);return false; – informações sobre danças e tradições Kuna (em espanhol).

http://deleonkantule.tripod.com/introesp.html" onclick="window.open(this.href);return false; - site do artista Kuna, Oswaldo DeLeón Kantule. Lindas obras e um pouco do universo Kuna na arte (em espanhol e inglês).

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Texto: Claudia Severo / Mochila Brasil

 

Tudo produzido por elas é primoroso. Um exemplo disso são as “molas”: tecidos com bordados sobrepostos de desenhos geométricos, sobretudo da fauna e flora, mas também antropomórficos e mitológicos, super coloridos e que são um incremento na renda das famílias.

 

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Mola, em língua Kuna, significa roupa e faz parte do vestuário das mulheres Kunas desde bebês, quando são vestidas com “batinhas” de mola. Perto dos 7 anos começam a usar saia juntamente com blusas de mola.

 

Também em seus primeiros meses de vida elas têm o nariz perfurado para receber uma argola de ouro (o ritual é chamado “Ico-inna”, Festa da Agulha).

Pulseiras e tornozeleiras de miçangas e colares de moedas fazem parte do belo traje típico da mulher Kuna, verdadeiro símbolo de sua cultura.

 

Durante os 20 primeiros anos de independência do Panamá (da Espanha em 1821; da Colômbia em 1903) os Kuna tiveram vários problemas com os governos nacionais. Um marco ocorreu em 21 de abril de 1921, quando um movimento de ocidentalização das mulheres, via força policial, entre outros abusos queria que o traje típico fosse extinto.

 

Coragem

Neste mesmo ano, uma delas escapou da localidade de Narganá seguindo até o Rio Azúcar. Em represália, a polícia manteve encarcerados seus filhos e genro. No local havia um congresso indígena que não deixou a mulher partir e em nome da comunidade uma mensagem foi enviada à polícia dizendo que não fossem buscá-la. Não respeitado o “aviso”, três policiais indígenas e três policiais coloniais (chamados assim pelos Kunas, na época, os não indígenas) vão ao Rio Azúcar, onde começa uma batalha na qual morrem três moradores do povoado. Dois policiais indígenas e outros foram feridos com machados enquanto tentavam fugir em uma canoa. Os corpos dos policiais ficaram amarrados a um pau encravado na areia, até que seus familiares fossem recolhê-los.

 

A tensão durou até 1925. Os governos de então já se preocupavam com o suposto movimento independentista entre os indígenas e solicitaram ajuda aos EUA, que enviaram ao Panamá a missionária Anne Coope e o explorador Richard Oglesby Marsh. O norte-americano foi o impulsionador da “independência”. Quando em janeiro de 1925 encontrou o conflito entre policiais e indígenas, Marsh pediu a intervenção de militares norte-americanos à “Zona do Canal” (Canal do Panamá – matéria pra outra edição) para que exercessem um protetorado e redigiu a “Declaração de Independência e Direitos Humanos do Povo Tule e Darién”. O explorador obteve apoio do embaixador norte-americano quem ajudou o governo panamenho a firmar um acordo de paz com os kunas.

 

A chamada “Revolução Kuna” que ocorreu em 1925 foi decisiva. Bravamente criaram a República de Tule, o que os separadou do comando panamenho por apenas alguns dias. Após o tratado de paz o governo do Panamá se compromete a proteger os costumes Kuna, que aceitam o desenvolvimento do sistema educacional oficial do país nas ilhas.

 

As negociações que puseram fim ao conflito armado foram o primeiro passo para estabelecer a autonomia Kuna, manter vivos seus costumes e garantir seu espaço territorial. Uma pequena minoria ímpar entre os grupos indígenas da América Latina.

 

Somente em 1953 seu território foi definido. A Comarca Kuna Yala também faz parte do Corredor Biológico Mesoamericano, que contem vários ecosistemas marinhos, costeiros e terrestres vulneráveis e uma abundante diversidade biológica.

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Silnei, quanto ficou o custo total da aventura em San Blás? Fiquei interessado p/ encarar uma aventura dessa em janeiro. Abraços.

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Oi Akeshi,

 

É que nós não fomos apenas para San Blas. Nós saimos de São Paulo e fomos até Cartagena na Colômbia por Terra, de lá até Panamá City de avião e novamente por Terra do Panamá até a Guatemala.

 

Indo direto daqui do Brasil pra lá sai mais barato, pois a passagem de avião de Cartagena na Colômbia em promoção e comprado com antecedência ainda por cima sai USD 426.74 . Destes US$ 426, US$ 180 são só de taxas da Colômbia! Só compensa se vc quiser mesmo conhecer o trajeto como foi nosso caso.

 

 

Indo direto do Brasil pra lá, o mais caro é a passagem aérea. Fiz uma pesquisa aqui agora para uma passagem ida e volta São Paulo - Panamá City na Copa Airlines ( http://www.copaair.com) :

 

Saida 03 de janeiro de 2009 as 03:40 e volta 31 de janeiro de 2009 as 11:34 , a passagem saiu USD 1,040.98 com todas as taxas. Esse preço pode variar em quase 100% para mais dependendo da data e até mesmo da hora. Comprar em cima da hora é furadíssima.

 

Então a grande dica é comprar com antecedência e quando aparece o resultado das datas que vc sugeriu, lá no site da Copa Airlines, embaixo delas tem as opções "next day e Previous day". Você vai navegando até chegar no menor preço possível.

 

Com a cotação do dolar de hoje por exemplo: 1 dólar = 1,56 reais, a passagem ida e volta ficaria = R$ 1.623

 

Pela TACA airlines ( www.taca.com )

US$ 987.00. 3 paradas /vôos.

 

Pela AVIANCA ( www.avianca.com )

US$1,006.39

 

 

Hotel ou albergue em Panamá City

Hotel Bella Vista

Hotel simples que fica no bairro de Bella Vista que está relativamente no proximo de tudo

U$ 35 diaria para casal quarto simples com ar condicionado e TV a cabo

 

Mamallena Hostel

http://www.mamallena.com/

US 10 dormitório

 

Uma balada na Calle Uruguay em Panamá City, onde ficam concentrados os bares e danceterias

US$ 50 a noite

 

Corrida de taxi pelos principais pontos da cidade:

US$ 3

 

Em San Blas o preço por diária varia:

U$ 10 a diária, com sua barraca e mantimentos por sua conta na isla Aguja por exemplo ( Paraíso na Terra com banheiro masculino e feminino :lol::lol: ). Você pode fazer uma compra no supermercado Rey em Panamá City ( http://www.smrey.com) e levar para os dias que for ficar nas ilhas isoladas.

 

U$ 20 a US 35 a diária na isla de Carti Yandup

Dormindo nas ocas dos indios com café, almoço e janta e transporte de barco entre as ilhas incluso

 

Transporte de Panamá City até San Blas com carro 4x4 = US20

 

Cerveja e Agua Mineral = US 1

 

 

É mais ou menos isso. Tudo depende do tempo que vai ficar. Recomendo no mínimo uns 4 dias nas ilhas.

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Cara, curti muito a suas dicas... Eu e uns amigos estamos pensando em ir para o Panamá em janeiro e gostaria de tirar algumas dúvidas.

 

Você recomendou gastarmos 4 dias no mínimo nas ilhas, quanto tempo você indica na cidade do panamá, existem outras cidades que vale a pena conhecer?

 

Quanto tempo gasta da cidade do panamá até San Blas? Esses 4 dias você considera saindo da cidade e voltando? Ou exclusivamente no local?

 

Você deu duas opções de hospedagem nas ilhas, uma na Aguja por 10 dólares ou o pacote da Carti Cabanas. Qual você considera melhor opção? Se fosse por conta própria para Aguja como seria o transporte entre as ilhas?

 

Na sua viagem, cada dia você dormia em uma ilha diferente?

 

Por enquanto são essas dúvidas, de toda forma, valeu por esse post, o lugar parece realmente maravilhoso.

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Olá Pedro,

 

Se você estiver com tempo corrido 2 a 3 dias para cidade do Panamá está bom. Visite o Casco Viejo, Panamá Vieja e o Canal do Panamá pelo menos.

 

Em San Blas são pelo menos 365 ilhas, uns dizem que são mais de 400 e cada ilha é de uma família de índios Kuna. Existem as ilhas que poderíamos chamar de centrais, onde tem escolas e postos de saúde. Chegamos em uma destas, a Carti Yamdup e ficamos hospedados em uma oca. De lá os índios te levam pra passear nas micro ilhas dos seus vizinhos. A Aguja por exemplo é menor que um campo de Futebol, com muitos coqueiros e com um banheiro de tijolos e cimento. A ilha maior onde ficamos em uma oca, não tem banheiro que possa ser chamado de normal e maioria das ilhas não possuem banheiro, você caga no mato mesmo literalmente :lol::lol::lol: . Acampar na Isla Aguja custa U$10 se você tiver uma barraca. Mas não é exatamente um camping entende? Você tem que tratar direto com o dono da ilha que é um indio Kuna. :mrgreen: Visite pelo menos a Isla Aguja, Isla Perro, Isla del Diablo e Isla Pelicano e 4 dias quando estiver lá você vai achar pouco.

 

O transporte é feito pelos indios mesmo. São canoas de madeira com motor. A Carti Cabanas é uma vila com umas 15 ocas nesta ilha Central, a Carti Yamdup. Ficamos hospedados lá e passamos uma noite na Aguja. Se você quiser ir direto pra Aguja, a única maneira é tentar contatar o dono pelo telefone que passei ai e ver se ele organiza pra vc o transporte da Cidade do Panamá até lá.

 

Outra maneira de chegar em San Blas é pegando um avião no AeroClube da Cidade do Panamá até El Porvenir que é a Capital da Provincia Kuna Yala. (Comparando com o Brasil, a província de Kuna Yala seria como um estado do país onde quem manda são os índios). O preço deste vôo é de US$ 60 dolares por pessoa, mas não é feito por linhas aereas, você tem que negociar lá com os donos dos aviões. Lá tem até pousadas, só que são mas mais caras, cerca de US$ 180 dolares por pessoa.

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A idéia é fazer mochilão mesmo, sem muito luxo. Pelo que eu entendi, o esquema é negociar tudo de uma vez só, transporte, alimentação, do jeito que você pela conveniência. Você não me respondeu, mas você passou uma noite em cada ilha? Ou todos nessa ilha Carti alguma coisa e apenas 1 na aguja? Você calcula 1 dia por ilha? Quanto tempo é da Cidade do Panamá até San Blas (parte terrestre)?

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Passei 1 dia na Isla Perro, 1 na El Diablo, 1 na Pelicano e voltava a tarde pra Carti Yamdup e 1 dia e uma noite na Aguja.

 

Enfim, lá você vai negociar tudo com os índios, eles podem até te deixar numa ilha deserta só pra você e seus amigos, mas ai é questão de negociação e tudo por sua conta e risco, pois não são empresas, são ilhas de famílias indígenas.

 

De Panamá City pra lá é 1 hora de asfalto e de 2 a 4 de terra, vai depender se a estrada está seca ou não. A parte de terra estava começando a ser asfaltada agora no começo do ano, só uns 100 metros de asfalto ainda e pouca gente trabalhando. Se asfaltaram tudo, o que eu acho difícil, as 4 horas de barro viram 30 minutos de asfalto.

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