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Viagem de Motor-home pela Europa: Espanha, Andorra, França, Itália e Suiça - 16 dias.


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Olá, Pessoal!

 

Viajei agora em setembro/11 por várias cidades da Europa com motor-home. E quero descrever aqui parte deste passeio para que incentive outros tantos a tentarem fazer a mesma coisa. Não só pela aventura em sí, mas pelo baixo custo e liberdade que este tipo de viagem proporciona.

 

Aluguei um motor-home pela internet na cidade de Madri. Peguei um para até 4 pessoas, fomos em três: eu, minha esposa e minha filha. Compacto e facílimo de dirigir. Foi minha primeira vez na Europa e, também, em dirigir um motor-home. Olha, tudo tranquilo, super simples mesmo! Após as explanações referentes à manutenção do veículo foi só sentar no banco do motorista e dirigir.

 

Minha programação foi para 16 dias de viagem com o motor-home. O valor do aluguel por dia foi de 105 Euros. Com quilometragem livre, seguro total com franquia de 600 Euros, todos os acessórios de cozinha, roupa de cama, TV c/CD, 2 tubos de gás, líquido para depósito de "água negra" e Toca CD. O motor-home tinha água quente na pia de cozinha e no banheiro. Támbém tinha calefação e ar-condicionado (somente com o veículo ligado).

 

Rotina do motor-home:

- Manter cheio o depósito de água. Serve para a pia de cozinha e banho. Aonde tiver uma mangueira dando sopa, aproveita!

- Esvaziar o depósito de água servida. Local aonde fica armazenado a água da pia de cozinha e banho. Aonde encontrar local apropriado faz o deságue.

- Esvaziar o depósito de "água negra". Local da meleca mesmo...hehehe Mas, é hermético. Nem toca a mão. Pega o depósito de uns 20l e o esvazia em local apropriado, lava ele, recoloca a medida do líquido diluente e repõe o depósito de volta ao lugar.

 

Na Europa existem muitos, mas muitos campings e locais para realizar essa rotina de manutenção do motor-home. No primeiro dia já fica craque! Basta dar uma olhada no painel que indica o volume de cada depósito e realizar a tarefa, se necessário. Eu sempre fazia todo dia logo cedo, antes de sair de viagem. Assim, mantinha sempre o carro em condições de uso. Quanto mais usar a estrutura da casa (motor-home), mais frequente será esta manutenção. Eu levava em torno de 15 minutos para fazê-la, sem pressa.

 

Cidades que visitei: Madri, Zaragoza, Andorra Velha (Andorra), Barcelona, Perpingnan, Montepellier, Marselha, Toulon, Saint-Tropez, Nice, Cannes, Montecarlo, San Remo, Gênova, Pisa, Florença, Roma, Veneza, Lucerna, Interlaken, Berna, Paris, Bourdeaux e de volta a Madri.

 

Ufa! Claro, que por vários locais tivemos que passar voando. Não deu muito tempo para algumas coisa. Nada de ficar sentado tomando um café ou sorvete. O ritmo foi meio de gincana. Horário para tudo, mas numa boa... O nosso projeto básico furou em vários pontos. Decidimos muito na hora o que iríamos fazer no dia, se iríamos ficar mais ou seguiríamos adiante. Cortamos muita coisa, mas aproveitamos muito! Demos uma bela "pincelada" pela Europa.

 

O grande cuidado ao se viajar com o motor-home é a noção contínua quanto a sua dimensão. Ele é tão fácil de dirigir e te coloca numa posição priveligiada diante dos outros veículos, que muitas vezes se esquece que ele é maior que nosso caror de passeio. Daí, pode dar alguma arranhada, por descuido. No mais, dá para andar por tudo e estacionar tal qual um carro pequeno estaciona, desde que não acampe, ou seja, que não puxe as panelas e cadeiras para fora e faça um pequenique numa zona urbana de qualquer uma cidade. Bom senso, serve para tudo! Ah, boa educação e bons modos são um excelente atributo inputado ao passaporte...hehehe

 

Não esqueça que estará viajando pela Europa. Estradas excelentes, tanto as pedagiadas, quanto as não pedagiadas. O pedágio é caro. Escolha as estradas não pedagiadas que te trará economia e mais prazer em dirigir. Passará por vilas e lugarejos maravilhosos. As pessoas por lá são mais frias. Porém, mais sérias. Exigem de sí e dos demais uma postura que mantenha o convívio coletivo em alto padrão. Os serviços oferecidos são de primeira, principalmente, o transporte público.

 

É um prazer imenso poder dirigir livremente pelo interior daqueles países. São paisagens diferentes da nossa. Destaco todos, mas o interior do sul da França, Toscana na Itália e a Suiça... Bah! Que coisa linda! De avião ou viajando à noite, não terá essa experiência. No nosso caso, tínhamos aonde dormir, ir ao banheiro e dormir aonde e quando queríamos! Ficávamos cansados, parávamos e fazíamos uma bela janta regada somente com produtos nacionas: vinhos e queijos da Espanha, França, Itália ou Suiça...hehehehe

 

O que levar:

- Um bom GPS

- Um mapa sempre ajuda. É mais gostoso de ver para aonde quer ir do que ver numa telinha de Smartfone. Eu não levei..hehehe

- A carteira internacional. Nada mais do a sua carteira de motorista impressa em várias línguas. É fácil e custa uns R$ 35,00 em qualquer escritório do Detran.

- Roupa depende da época. Mas, levamos pouca, para atender o frio e o calor. Qualquer coisa compra lá, faz parte do passeio as lojas mesmo...hehehe

- Remédios. Melhor levar daqui. Pois, alguns lá somente com receita.

- Uma bandeirinha ou chaverinho para a moxila, do Brasil. É legal ver algumas reações quando nos reconhecem como brasileiros. Mas, vamos cuidar para manter o nível... Nada de pagar mico...hehehe

- Um excelente espírito de aventura, para manter a viagem sempre em alto astral! Sabe-se que viajar também cansa, não é?! Quando a coisa tiver pipocando tire férias das férias, não faça nada...hehehe

- Máquina fotográfica.

 

Se alguém quiser maiores detalhes sobre a viagem em sí (cidades, passeios, etc.) ou mesmo quanto a parte árdua (planejamento, horários, etc.) me envie um e-mail para [email protected] que darei retorno, com imenso prazer.

 

Abraços!

 

Ramos.

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Olá!

 

Estimulado por outros colegas como o Facos e Stephan, decidi descrever minha aventura aqui também... Espero que sirva para desmitificar o uso do motor-home como opção em viagens. É, na minha opinião, a forma mais barata e ágil de se viajar.

 

Bem...

 

Eu estava meio cansado, precisando de férias, quando decidi que faria algo diferente. Pensei numa viagem. Mas, que fosse algo diferente daquilo tudo que já tinha feito até então. Já havia feito várias viagens de carro pela américa latina e Brasil. Sempre mantinha um sonho de um dia pilotar um motor-home... Tentei várias vezes aqui no Brasil, mas a coisa sempre era oferecida com venda casada, ou seja, somente alugam o motor-home com o motorista junto... Daí, a graça toda vai por terra...hehehe Pensei em comprar um... Bah, uma dificuldade... Desisti! Daí comecei a ler alguns relatos aqui desses colegas e vi uma possibilidade...

 

Comecei sózinho com essa idéia absurda aos olhos de muitos... Convidei a família... Fizeram cara feia, mas ficaram pensativos...Afinal o apelo de poder viajar pela Europa, faz pensar...hehehe Estavam assustados com a idéia do motor-home...

 

Minha idéia sempre foi agendar a viagem para setembro, havia dois feriados neste mês aqui para nós do RS. Assim, não seria tão difícil escapar dos compromissos. Escolhi este mês também por ser mais tranquilo de forma geral, sem muita gente para onde eu queria ir e, certamente, tudo seria mais em conta.

 

Encontrei passagens baratas, em promoção. Elas eram o primeiro passo para eu poder ir. Fui até uma agência para me darem uma mão, não que fosse necessário, mas me repassariam alguns detalhes referente a viagem que seriam importantes, como: seguro de viagem, vacinas, vistos, o que levar, o que usar, sugestão de roteiro, dias festivos, o que visitar...etc... Isto, sem cobra mais nada. Pois, seriam apenas sugestões. Não queria que me planejassem a viagem... Se recompensariam pelas passagens e aluguéis que eu fosse adquirir através deles...

 

Bah, nos enrolamos e perdi as passagens... Fui catar na internet novamente. Mais uma vez tive sorte e consegui outras com um pouco mais de acréscimo. Mas, tudo bem!

 

Bem, nesta altura a família já estava trabalhando junto. Minha esposa e eu pesquisávamos as cidades, roteiro, distâncias e atividades em cada local que desejávamos passar. Tínhamos que locar o motor-home.

 

Por questões de logística, decidimos pegar o motor-home ou em Portugal ou Espanha, para que fosse mais fácil, quanto à lingua. Para resolver situações críticas, se viessem a existir...

 

As passagens que eu havia conseguido e, já comprado, ida e volta, era para Madri. Também, decidimos pegar e devolver o motor-home no mesmo local por ser mais barato e poder resolver qualquer problema, pessoalmente. Assim, nosso passeio seria uma volta pela Europa. Naquele roteiro que expus acima.

 

Pesquisei na internet por diversas empresas que atendiam Madri, então. E me decidi pela a Eurovan 2000. Depois de muito e-mail trocado com esta empresa. Tirei todas as dúvidas que eu tinha e me dei por satisfeito. Tirei o coro do Sr. Jesus e da Sra. Esther, proprietários desta empresa... hehehe Tinha a opção de alugar um para 5 pessoas a 120 Euros, mas aluguei um motor-home para 4 pessoas por 105 Euros a diária. Ele era mais curto no comprimento e pensei que me ajudaria na pilotagem dentro das cidades... Neste valor estava tudo incluído: roupa de cama, mesa, banho, 2 botijões de gás, líquido para depósito de água negra, TV/DVD, seguro total e quilometragem livre. Além disto tudo, consegui com eles o translado do aeroporto ida e volta. A franquia ficou em 600 Euros. Bah! Maravilha... Só faltava dar certo...hehehe Contratei!!!

 

Dia de viajar... Ansiosíssimo!! Não sei se por medo ou por querer começar a aventura.

 

Chegamos a Madri, naquele aeroporto enorme (2o. maior da Europa), fiquei na torcida para encontrar o colega que nos levaria à empresa locadora... Chegamos à saída e lá estava um rapaz sorridente, com a camisa da seleção brasileira de futebol com um cartaz com nossos nomes, em mãos... Foi a glória...hehehe Ufa! Desta vez não levei balão! Sim, eu já estava preparado para tomar alguma atitude quanto a isto... Pois, a locação que fiz foi por minha conta sem nenhuma operadora daqui do Brasil. È que a gente está acostumado a levar prejuízo... mesmo... Bah! Isto um dia tem que acabar! Só de ver aquela maravilha de aeroporto, já começava a ficar animado por um lado e constrangido por outro... Sabia que as coias por lá iam funcionar conforme o combinado. Mas, fiquei triste por saber que aqui não temos nada parecido...

 

A atitude da locadora nos dispor um rapaz que é um brasileiro radicado lá, para nos conduzir e ajudar na explanação sobre o uso do motor-home, foi maravilhosa! O rapaz trabalha na empresa que constrói os motor-home para a locadora. Ou seja, a locadora também constroi motor-home. Isto contou pontos para minha decisão. No site deles existem vídeos e relatos também. (www.eurovan2000.com).

 

Chagamos na empresa, fomos recebidos pelos proprietários, tratamos das questões burocráticas. Nos indicaram vários pontos de interesse em Madri e nos locais onde pretendíamos ir, também. Depois, foram expor os detalhes do motor-home. Blz... Até sugiro que filmem esta parte ou anotem. Mas, existem manuais que acompanham. NOs deram dois guias de camping e turismo na Europa e em seguida partimos...

 

Olha, que coisa de louco... É muito fácil dirigir um motor-home. Ele era mecânica Fiat-Ducato. Sentei, liguei ele e saí dirigindo numa boa... Único e o principal conselho: NÃO SE ESQUEÇA DAS DIMENSÕES DO MOTOR-HOME ENQUANTO DIRIGE! Eu e os colegas de relato, já tiramos algumas casquinhas...hehehe

 

Esse mesmo pessoal nos levou a um shopping que ficava em frente, chamado Xanadu. Para podermos abastecer a despensa do motor-home e comer alguma coisa. Tentei até comprar um chip para o meu SmartFone para poder usar por lá para acesso de internet. Mas, não deu certo... Eu iria pipocar em diversos países e não daria certo, para este curto espaço de tempo. Bem, contava com os campings e redes wi-fi disponíveis, então.

 

Eu levei tudo no SmartFone: mapas, GPS, contatos, guias de cidades, etc. Me failitou muito. Mesmo quando estávamos a pé, usava os mapas e o GPS com opção de conduzir pedestres e rapidinho encontrávamos as coisas, inclusive os pontos de interesse.

 

Compramos algumas coisas neste Shopping. Visitamos a pista de esqui coberta que tem lá... uma loucura!!! Para os amantes deste esporte como eu... Olha só havia visto uma parecida num programa de TV, era em Dubai. Quase fomos experimentar... Mas, nosso tempo era contado... fica para a próxima!

 

Por sugestão, fomos comer uns bocaditos e Tapas. Não pensem que era uma sessão de esbofeteio...hehehe Nada disto. Os bocaditos são típicos de lá, são pequenos sanduíches com vários tipos de queijos e temperos, já as Tapas é a entrada ou acompanhamento da bebida. Muito gostoso! Claro que bebemos uma senhora jarra de chopp para acompanhar... sem alcool! É lá tem chopp sem alcool...

 

Montados no motor-home e já se achando... Programamos o GPS para o centro de Madri, para podermos conhecê-la melhor. Lá, passeamos pela Gran Via e arredores, mas não estava prático... resolvemos estacionar e apelar pela nossa velha forma de turismo em local desconhecido. Fomos em busca dos ônibus de turismo tipo "City Tour". É maneira mais conveniente e eficiente de se conhecer algum lugar. Pode subir descer, mudar de linha e não pagar nada a mais por isto. Com audio-guia em português. Ele passa por todos os pontos turísticos da cidade. Quando tem interesse de ver mais de perto, desce e visita o local. Geralmente, se recebe descontos nesses locais por ser usuário do ônibus. Beleza!

 

Nesse momento, a maior dificuldade foi de encontrar um local para estacionar. Queríamos estar próximo ao metrô, para voltarmos ao centro e pegar o ônibus de turismo. O motor-home apesar de não possuir restrições quanto a estacionar ele é meio grandinho... Tem que pelear um pouco mais para achar uma vaga. Mas, nada que incomode.

 

Sigo adiante...

 

Abraço!

 

Dé Ramos.

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Fala Dé Ramos,

 

Lendo os relatos do Stephan do Facos e agora o seu, acho que fiz uma boa escolha.

 

Estou indo em Julho/12 para Barcelona, lá eu pego o MH rodo uns 20 dias e entrego em Roma, já paguei 50% do MH e comprei as passagens, agora estou comecando a montar um roteir, nada muito corrido tentando conhecer as pequenas cidades do trajeto, por mim tentaria evitar os grandes centros,rsrsrs.

 

Você usou qual programa no GPS, estou pensando em baixar os mapas do IGO8, será que vai bem?

 

Dá para escolher a opcão de estrada secundária sem pedagio?

 

abs

 

João

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E aí, João!

 

Que maravilha... A idéia a incentivar o maior número de pessoas para fazer esse tipo de viagem. Vai começar muito bem. Barcelona é uma cidade eclética e muito legal. Não perca o show das águas que ocorrem no domingo no Palácio das Artes.

 

Vai ser alta temporada... Fica meio agitado nesta época. Não se sentirá sózinho...hehehe

 

Bem, qualquer coisa em que eu puder te ajudar quanto ao roteiro, me pergunta... Teve muitas coisas que eu gostaria de ter feito, mas não tive tempo. Ficou para a próxima...

 

Eu preferi, depois de muita pesquisa e leitura sobre GPS na Europa, o TomTom. E não me arrependo! Comprei na AppStore da Apple. Pois, tenho um Iphone... Queria tirar o sangue deste aparelho, para ele se justificar...hehehe Foi bom tê-lo no Iphone porque podia também usá-lo com opção pedestre. Ajudou muito nas andanças... Outra coisa da TomTom foi ter vindo juntamente os radares de toda a Europa. Aonde eu andava ele me apontava a localização deles, nas rodovias e nos centros urbanos.

 

Nunca me botou no "mato"... Só tem que ficar ligado que o GPS não pergunta o tipo de veículo que estará conduzinhdo. Assim, na Europa, como tem muitas cidades com ruas muito estreitas, pode passar por lugares meio complicados. Se perceber que isso vai ocorrer, pede para que calcule uma rota alternativa.

 

Quando pedia rota sem pedágio, nos levava pelas rodovias que passam pelos vilarejos e lugares mais bonitos do que a própria Autopista. O passeio fica mais agrádável... Estradas boas também. Muitas vezes segue em paralelo a autopista.

 

Nos grandes centros... Dirigia como vivesse lá...

 

Baixei outros programas (gratuítos), para ter maior segurança: mapas da Europa, guias de cidades, roteiros, etc. Tudo no Iphone. Só não peguei um chip lá para a internet no aparelho, porque iria ficar pipocando por países... Não daria certo. Usava a wi-fi aonde encontrava. Através deste aparelho eu consegui trabalhar e me conectar com escritório também.

 

Vou continuar o relato com fotos... Dá uma lida...

 

Abraço!

 

Dé.

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Olá,

 

Seguindo o relato...

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205154313.jpg 500 377.215189873 Legenda da Foto]Aeroporto de Barajas - Terminal 4 - Madri (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205154313.jpg 500 377.215189873 Legenda da Foto]Shopping Xanadu - Pista de Esqui coberta - Madri (ES).[/picturethis]

 

Dé.

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[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111206092742.png 500 374.481327801 Legenda da Foto]Shopping Xanadu - Pista de Esqui coberta - Madri (ES).[/picturethis]

 

Passeamos por toda a Madri: Porta do Sol, Gran Via, Plaza Maior, Plaza Espanha, Palácio Real, parques, fontes, prédios com uma arquitetura maravilhosa, arcos, estádio do Real Madri, “museo del jamon”, torres, Plaza de toros, etc. Durante o dia e depois a noite também. Pois, sabem como é, uma coisa vista com a luz do dia é uma visão, mas a noite, com a iluminação artificial e proposital... Bah! Que coisa linda, que efeitos... Ao final, podres de cansaço, descemos do ônibus, localizamos uma estação do metro e voltamos até aonde havíamos deixado o motor-home estacionado. Com uma sensação e pensamento apreensivos:

_ Será que o carro vai estar ainda lá, intacto?

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111206094447.png 500 308.035714286 Legenda da Foto]Palácio Nacional das Armas – Madri (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111206094556.png 500 311.659192825 Legenda da Foto]Ônibus de Turismo – Madri (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111206094721.png 500 306.722689076 Legenda da Foto]Puerta de Alcalá – Madri (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205155850.png 500 374.639769452 Legenda da Foto]Palácio Real - Madri (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205160407.png 500 374.277456647 Legenda da Foto]Centro – Puerta Del Sol – Madri (ES).[/picturethis]

 

Às vezes a gente se sabota, querendo que algo de ruim aconteça para perder a notoriedade do momento que estamos vivendo, quando está tudo muito bom e dando tudo certo... Sai pra lá “Zica”! Calma, pensa... Vai estar tudo bem... Seguindo a pé, à noite, olhando para tudo quanto é lado. Chegamos ao carro. Beleza! Estava tudo certo. E para comentar, o medo que estávamos sentindo era por força do próprio hábito. Não estamos acostumados e nem temos noção do que é estar num lugar cheio de movimentos e pessoas estranhas por todos os lados e não estarmos correndo nenhum tipo perigo ou risco. Em Madri é possível isto. Sentir-se seguro e poder curtir a cidade seja de dia ou de noite.

 

Tínhamos que dormir então. Havíamos selecionado, pela internet, um estacionamento gratuito em Madri. Com o endereço e as coordenadas em mãos, programamos o GPS e nos fomos até ele. É mais tranqüilo programar o GPS por coordenadas ou foto. Apesar de que algumas vezes, as coordenadas informadas, são aferidas por um aparelho não muito preciso, fornecendo a localização aproximada. Ou por usar apenas dois dígitos na parte dos segundos ou por erro da falta de calibragem. Isto nos obriga a vasculhar nas redondezas do destino. Dá nada... vai que dá! Chegando ao estacionamento lá pelas onze e picos da noite. Um ermo só. Havia outro motor-home e mais alguns poucos carros estacionados. Chegamos a passar por ele e não parar por não acreditar que fosse o estacionamento de fato. Imaginando que as coordenadas estivessem imprecisas. Olhamos em frente, havia um mini-shopping e nada de movimento na rua.

_ Ai, ai... E agora? E a esposa, sussurrou. Aqui não dá para ficar. Eu acho muito perigoso e arriscado. Respondi:

_ Mas, é tarde e pelo que vimos por aqui não há violência e nem assaltos. Vamos fazer o seguinte: vamos até o mini-shopping fazer um lanche e voltamos. Se ainda sentirmos que não dá, vamos adiante.

 

Fomos fazer o tal lanche e procurar internet. Estávamos cansados e a nossa sensação de horário ainda estava como estando no Brasil. Para nós eram apenas 18hs. Chegamos lá, tudo fechado. Exceto uma pequena lanchonete que servia “quebabes”. Pois olha, antes que ela fechasse e nós ficássemos apenas no “que se babe”, fizemos o pedido. Comendo, ali por perto, noutra mesa, conversavam e riam dois casais de jovens, sem preocupação alguma, apesar da hora. Percebemos com isto, que a coisa era tranqüila mesmo. Decidimos pernoitar ali naquele estacionamento, no motor-home. Tomamos um banho relaxante e nos aprontamos para dormir. Curioso é que nunca tínhamos vivenciado a experiência de estar num motor-home, mas estávamos nos dando bem. Sabendo manusear as coisas e podendo usar o banheiro, principalmente. Apertadinho para tomar banho, com uma cortininha que parecia ser auto-adesiva ao corpo. Quem já tomou banho onde a proteção para o box do chuveiro é uma cortina plástica, sabe do que estou falando. Até isto, achamos curioso. Com alarmes ligados tanto o do carro, quanto o da casa (Sensor de movimento) e precauções de segurança tomadas... Que ronquem os tambores! Bueno, o certo é que dormimos bem até a manhã seguinte. Exceto por alguns sons ou barulhos ao redor, minha esposa ficou meio acordada e meio dormindo durante esta noite.

 

Segue...

 

Dé.

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Logo cedo, levantei e fui fazer as tarefas de manutenção contínua, do veículo. Fui reposicionar o veículo junto a uma vala existente neste estacionamento e realizar a primeira sessão “descarrego”. Não pensem que fazemos parte de uma seita ou algo assim. Nada contra, talvez nada a favor, também. Mas enfim... Diante das explicações por nós recebidas durante o treinamento para o manuseio do veículo, houve um capítulo que se referiu a essa necessidade, a de se retirar a água suja residual do banho e das pias e, às vezes, quando a coisa ficar obscura e mal cheirosa ao recinto, realizar o esvaziamento do depósito de “água negra”. É isto mesmo que está pensando... É esse o apelido simpático, para aquela “caca” toda. Uns 20 Kg de meleca. Ahrrrrggg! Dá nada... Vai que dá! Esta parte da tarefa completa, referente aos depósitos, não é diária, somente quando enche ou se acende uma luzinha no painel, específico a ela. Mas, se você mesmo perceber que a coisa tá pegando, deverá esvaziar e limpar este depósito, também. Olha, no momento da execução desta parte da tarefa de limpeza dos depósitos, você jura e promete que não vai mais fazer nada que encha este recipiente novamente. Está bem, a coisa não é tão braba assim... A retirada e a colocação deste depósito específico são de forma hermética. Não se toca em nada indesejável. Mas, quando vai iniciar este procedimento sugiro chamar todos os anjinhos que estiverem à volta. Pois a sessão “descarrego negra” vai começar... hehehe. É bem simples mesmo, sem problema nenhum! Só se certifica que o vaso está fechado na parte que fica aparente ao banheiro dentro do carro, com a alavanca travada. Vai até a porta do lado externo do veículo, onde se localiza este depósito, pega o recipiente e se dirige ao local do despacho propriamente dito. Basta retirar a tampa, derramar o conteúdo, passar água até ficar limpinho, repor o produto que dilui as “mazelas” e recolocar o depósito no local. Feito! Prontinho para encher ele novamente. Os campings ou estacionamentos, geralmente, possuem locais próprios para a execução das duas partes dessa tarefa: esvaziar o depósito de água servida (banho e pia) e esvaziar o depósito de água negra (caca).

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205160633.png 500 370.919881306 Legenda da Foto]Repondo água limpa no depósito – Camping - Paris.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205160845.png 500 373.156342183 Legenda da Foto]Tulha (porta maior) e Depósito detritos (porta menor).[/picturethis]

 

Tomamos café da manhã “in loco”, se acostumando com a nova rotina e a nova casa e nos dirigimos a Andorra, passando antes por Zaragozza, que é a quinta maior cidade da Espanha. Somente após termos falado com a nossa cicerone VIP, a “Lady” GPS, logicamente. Essa moça nos passou uma enorme segurança. Tínhamos mais tempo para curtir a viagem, do que as outras que fizemos sem esse auxílio. Apesar de sabermos que os pedágios seriam algo misterioso e caro durante nosso trajeto, decidimos iniciar por uma autopista. Elas são sinalizadas com placas azuis em toda a Europa e são pedagiadas. E a cobrança é feita pelo mesmo tipo de sistema, normalmente. Você entra na via e de “cara” aparece aquelas casinhas que não te deixam dúvidas de que irá “marchar” com os “pila”. Aproximamo-nos das casinhas, entramos numa das cancelas, e não havia ninguém para exercitar o nosso portunhol. Ou seja, ou entendíamos a máquina que tomava conta do processo ou nem sei... Atrás de nós já estava formando fila... Nós estando montados num carrinho discreto e pequeno nem seríamos notados, deixe que esperem, fazer o que?! Para encurtar a estória, na pressão do momento, me lembrei de um comentário de um conhecido que tinha viajado para a Itália e me comentou o sistema dos pedágios de lá:

 

_ Olha, que curioso o sistema de pedágio que conheci. Você entra na rodovia e vai até a máquina que fica numa das casinhas

de passagem, aperta no botão e ela te emite um bilhete com a data e hora. Abre-se a cancela e você segue. Você vai pagar somente quando sair desta rodovia, e o valor será proporcional ao trecho percorrido. Além disto, eles medem o tempo que levou para cobrir o trecho. Assim saberão a sua velocidade. Bem, além do pedágio poderá ter que pagar uma multinha

também...hehehe Maravilhas do primeiro mundo! Fácil e sem pardais.

 

Pela análise visual e de minha memória, vi que o sistema deveria ser o mesmo. Só que, desgraçadamente, havia quatros botões: dois verdes e dois vermelhos. Calma nesta hora... Pensa! Vai que dá! Descobri rapidamente que o verde emitiria o ticket-recibo para eu seguir e o vermelho era para falar com alguém para auxílio. A esta altura do campeonato, já estava desconsiderando a necessidade de ajuda. Mas que tal?! Porém, os pares de botões verdes e vermelhos estavam posicionados em alturas diferentes, um mais para cima e um mais para baixo. Claro que era para atender a caminhões os mais altos e para atender veículos pequenos, os mais abaixo. Bah! Eu estava no meio termo, não tinha a altura de caminhão e era mais alto do que veículo pequeno. Pedalando para alcançar um dos botões verdes, através da janela do motor-home, consegui atingir o meu objetivo, dando uma dedada naquele botãozinho. Vale considerar um braço que ficou meio “roxinho” depois, de tanto esfregar ele na janela. Aleluia irmãos! Eu parecia Moisés vendo o mar se abrir a frente... A cancela se levantou e nos liberou a passagem. Peguei o bilhete, engatei primeira e me fui “a la cria”...hehehe Desse eu havia escapado. Ainda bem que a bandeirinha do Brasil, que eu fiz questão de colocar no motor-home, estava na parte da frente do carro. Senão, ia “pagar um mico” em nome de nossa nação. Mas, não levei nenhuma buzina por causa desta demora. Atitude compreensiva... É outro nível. Exemplo para ser seguido por nós. Olha, pareceu uma eternidade aqueles três minutos diante daquela máquina.

 

Recompostos, viajando, maravilhados com as imagens diferentes das quais estávamos acostumados. Aquele solo meio árido, com pequenos montes e vales aonde havia plantações. Vez ou outra, de repente, surgia uma ruína ou até mesmo um castelo ou forte numa encosta ou num monte mais ao alto. Íamos tirando foto em movimento mesmo. A empolgação e a vontade de registrar o momento eram muito grandes. Chegamos à metade do caminho a Andorra, que era Zaragozza, num piscar de olhos. A estrada com três pistas em cada um dos sentidos e asfalto excelente. O motor-home seguia no limite da velocidade permitida de 120 km/h. Contando é de assustar, essa velocidade. Mas, vale lembrar de que a estrada permitia e nos dava segurança para andar desta forma. Se não fosse assim, certamente, aquela voz da “consciência”, que senta ao nosso lado no banco do co-piloto, quando estamos dirigindo, já teria me feito reduzir... hehehe. Na cidade de Zaragozza tivemos que sair da autopista. Decidimos ir ao super, para complementar a dispensa. Terror a vista! Apareceram aquelas casamatas típicas do pedágio à nossa frente, novamente. Numa delas havia um símbolo indicava haver gente para atender. Foi a eleita, lógico. O atendente pediu o bilhete e repassou o valor de 16 euros. Sem demonstrar que estava prestes a sofrer um enfarto, peguei o dinheiro e lhe paguei. Estava confirmado o que havia lido na internet a respeito dos altos preços de pedágio na Europa. Entramos enfim em Zaragozza a capital do reino de Aragão. Uma cidade grande, mas com facilidade encontramos um supermercado. Consegui estacionar o carro e fomos às compras. Minha filha decidiu ficar no carro para dar uma geral e arrumar as roupas de forma mais eficiente ao nosso uso nas novas condições e espaço.

 

Entramos naquele universo que parecia um supermercado, mas tinham algumas coisas que eram muito diferentes para nós. A maneira de eles organizarem e venderem os hortifrutigranjeiros eram peculiares: a apresentação, as variedades diferentes e o uso da balança ser manuseada pelo cliente foram inusitados. Assimilamos rapidamente tudo aquilo. Tínhamos que consumir o menor tempo naquela tarefa e seguir viagem, para se aproveitar mais no destino seguinte. No meio daqueles corredores, a minha esposa me sugeriu que eu fosse pegar um carrinho para facilitar com as compras. Dirigi-me até a entrada novamente, provável nicho desses bichinhos rodantes, quando fui pegar um, percebi que ele estava indócil. Não queria seguir comigo. Olhei melhor e percebi que estavam todos presos por cadeados e correntes. Pensei e me afastei um pouco... Enquanto olhava em volta, notei que cobravam para o uso do carrinho. Não tinha como evitar o pensamento:

_ Bah! Onde fica o balcão da locadora desses autos? Vou olhar e ver se pego o básico. Será que tem pedágio essa estrada?

_ Quer saber, é pouca coisa, vou segurando na mão mesmo!

 

Pão duro que dói na alma... hehehe. Não conseguia acreditar naquilo. Os loucos donos do estabelecimento, ao invés de estimularem o cliente a comprar mais, dando-lhe o conforto básico, cobram pelo serviço. Fiquei tão indignado que fui ao encontro da esposa loja adentro, que nem vi umas cestinhas dando sopa por ali. Com acesso grátis. Por elas, eles não cobravam... hehehehe Demorei um pouco para encontrar a companheira. Estava com o rosto escondido atrás das coisas que levava em seus braços. Repensei no carrinho... Dá nada, vamos que dá! Havia esquecido que estava no supermercado com a esposa. Compra-se um pouquinho a mais do que o necessário... hehehe A lista era pequena, mas chegamos ao caixa chutando alguns pacotes por falta de braços. Só compramos produtos de primeira. Imagina o óleo de oliva virgem espanhol?! Coisa de louco! Quase peguei o galão de 20 litros, que tinham por lá. Pensei ser um pouco de exagero de minha parte e o troquei por de 1 litro. Mas, fiquei em dúvida... Hehehe Durante a espera na fila do caixa percebíamos que o pessoal era ecologicamente correto. Todos traziam suas sacolas de casa e não usavam as sacolas plásticas que estavam sobre o balcão. Não iríamos poder fazer o mesmo, teríamos que usar as sacolinhas. Não havendo ninguém para empacotar, comecei a me posicionar para a execução. Logo já fui avisado do preço unitário, tão logo peguei a primeira sacola. Enlouqueci e quase me esqueci que não estava em casa e que deveria cumprir as regras do local. Sutilmente, deixei a esposa pagando a conta e fui fazendo o transporte das compras, levando-as nos próprios braços mesmo, para o motor-home que se localizava perto da porta de saída. Na primeira viagem, convidei minha filha para dispor de mais braços. Fiasco a parte e risadas que durariam a próxima etapa da viagem, passamos a régua, fechamos a conta e fomos em frente.

 

Ainda meio zonzo com o preço do pedágio pago anteriormente, seguimos as orientações obtidas nas leituras “internéticas”. Optamos por estradas nacionais e não mais pelas autopistas. Assim, poderíamos vivenciar melhor a região e economizaríamos em pedágios. Levaríamos mais tempo, passando por dentro das cidades e povoados, mas veríamos mais de perto a cultura e o costume do povo local. Pedimos novamente auxílio para o nosso GPS e, desta vez, para que se evitassem as estradas com pedágios. Seguindo nesta nova opção, a estrada continuava boa, às vezes pista dupla nos dois sentidos. Havia mais curvas e parecia ter maior movimento. Principalmente de Autocaravanas (motor-home para os espanhóis). Opa! Pareceu-nos que tínhamos dado um tiro certo. Curiosamente ou logicamente essa nova rota seguia quase que em paralelo à autopista. Coisa que também observávamos rodando na autopista. Tentamos por diversas vezes sair dela para pegar esta outra via, mas não era possível. Pelas estradas de toda a Europa, quando você entra na autopista não tem saída, exceto através das casamatas de cobrança do pedágio. As rodovias são todas ladeadas por “guard rails” ou muretas. Em alguns lugares específicos, existem portões trancados a chave. Esses portões, permitem apenas a entrada em propriedades particulares à beira da autopista. Impressionante!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205161116.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Autopista Madri a Zaragozza (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205162259.png 500 375 Legenda da Foto]Castelo – Forte ao largo da autopista.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205162133.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Fortificação – Pirineus - Andorra.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205162506.png 500 375 Legenda da Foto]Andorra Velha - Andorra.[/picturethis]

 

Por onde andamos, na Europa, a paisagem, o estilo do povo, construções e a apresentação das coisas no geral mudam repentinamente. Mesmo, tendo andado por poucos quilômetros. Eles fazem questão de manter os seus hábitos e costumes regionais próprios. Dificilmente se mesclam com a cultura vizinha, exceto por alguns detalhes. Percebemos isto claramente quando estávamos chegando a Andorra. Claro que estávamos saindo de uma região baixa e nos aproximando de uma cordilheira, os Pirineus. Por si só, obrigaria a mudança repentina do visual. Mas, no geral, sempre chamava a nossa atenção para esse fato. Esta cordilheira faz quase a total divisa entre a França e Espanha, incluindo Andorra. Ali, onde estávamos chegando, tudo era mais florido, havia mais jardins. As casas apresentavam flores em suas varandas e para-peitos. Muito bonito mesmo! Entramos na cidade-capital Andorra Velha. Ela é um grande “free-shop” a céu aberto, com várias lojas. Além de ser e manter uma bela estação de esqui, também. Aliás, as estações de esqui da Espanha e França, localizadas nos Pirineus merecem a atenção dos amantes deste esporte. Sempre a primeira tarefa ao se chegar a algum lugar de motor-home é achar um local para estacionar o “bichinho”. Pedimos ajuda novamente, uma mãozinha ao GPS, além também de uma guarda de trânsito loura e de olhos azuis, que nos indicaram uma ótima solução. Estacionado o veículo... As mulheres se foram às compras e eu em busca de internet. Chegava a hora de ver como as coisas estavam no escritório. Pura bucha! Combinamos aonde iríamos nos encontrar e nos separamos a partir dali. Encontrei uma internet e um bom pretexto para degustar mais um tipo de cerveja sem álcool. Tive que ir num bar e comprar uma cerveja, para ter direito ao acesso à internet. Valeu à pena. Consegui fazer o que eu necessitava, bebericando a cerveja e vislumbrando uma vista das montanhas ao redor. Esplendoroso! Não fossem os “pepinos” que tive de resolver durante o meu contato com o escritório... Estaria 100% perfeito! Passado algumas horas, o pequeno grupo se encontrou novamente conforme o combinado. Passei meu celular para as moças, tiraram algumas fotos com ele pelos arredores, entraram na internet novamente, aproveitando que estávamos ainda próximo aquele bar. Conversaram com os seus contatos e enviaram as fotos da onde estavam naquele momento. Que coisa! A tecnologia muitas vezes atrapalha e afasta as pessoas, as isola em certos momentos. Mas, neste caso e outros, ela é muito legal e prestativa. Tenho esse conceito mesmo sendo da área de informática. Vale comentar que esse telefone, além de possibilitar tudo isso, permitiu eu acessar computadores à distância para resolver algumas questões. Apenas usando alguns aplicativos específicos para isto, instalados nele. O próprio GPS que usamos durante a viagem, mapas de cidades, descrições de lugares, roteiros, etc. também estavam instalados nesse mesmo Smartfone. A única coisa que esse aparelho celular não fez durante a viagem foi realizar ou receber chamadas. Com um chip de um plano do Brasil instalado nele, o serviço de deslocamento cobrado seria impagável. Além do mais, tínhamos outros recursos para nos comunicar usando a internet via wi-fi. Particularmente o programa do GPS, foi muito prático estar instalado no celular, fácil de carregar. Por muitas vezes usamos ele como orientador de rota para pedestre. Localizávamos rapidinho algum lugar, quando estávamos andando a pé, pelas cidades.

 

Quando se anda de motor-home, se tem uma liberdade inigualável. Segue, pára e volta quando se quer. A dificuldade, às vezes, é de encontrar um estacionamento, por causa de suas dimensões mais avantajadas do que um carro de passeio normal. As ruas em muitas cidades da Europa são estreitas demais para esse tipo de veículo. Mas, nada que impeça de se chegar ao destino que se deseja, basta tomar cuidado ao passar por elas. Tecnicamente falando, não há proibição alguma ao conduzir motor-home dentro das cidades. É permitido que se estacione como se fosse um veículo pequeno, desde que não acampe, ou seja, que não faça uma das “sessões descarrego” ou abra toldos, cadeiras e mesas não sendo em lugar especial para isto. Se o veículo estiver fechado de forma normal, poderá até dormir por ali mesmo, se quiser. Por lá, motor-home é que nem capim. O seu uso é muito difundido. Vimos muitas lojas de venda desses veículos, de acessórios em geral, muitos campings e estacionamentos específicos para tratar e receber esse pessoal que é usuário. Por toda a Europa, diga-se de passagem. Claro, é uma coisa lógica, o pessoal se aposenta, o valor de um veículo como esses é acessível por lá e, por fim, possuem uma vasta opção de destinos também acessíveis e próximos, independentemente, do país de origem. Você acaba vendo a cada dez veículos numa rodovia, sendo pelo menos três deles motor-homes. Numa situação de visitante de primeira viagem é mais sensato buscar um camping para passar a noite. É melhor, é mais cômodo. Não falo, necessariamente, por questões de segurança, mais pela comodidade quanto ao banheiro e a chance de se relacionar com outras pessoas também. Trocar experiências. Apesar de que o europeu é mais fechado. Não vamos pensando que encontraremos pessoas como nós brasileiros, que dá um pouco de conversa e já estão prontos para fazer uma janta ou festa. São mais recatados. Mas, são campistas afinal, mais maleáveis do que o europeu normal. Antes de qualquer coisa, são sempre educados, às vezes ríspidos para nosso padrão, mas educados. Num camping, poderá usar suas instalações: luz, internet, ducha, banheiro, piscinas, etc. Alguns são, realmente, muito bonitos de alto padrão e outros nem tanto. Todos são limpos, dávamos maior consideração aos banheiros. Pensa que quanto menos usar o seu próprio banheiro, menos fará as “sessões descarrego”, lógico. Mas, o não uso do banheiro do motor-home não pode ser uma coisa proibitiva. Senão, perde a praticidade de se andar ou estar na própria casa. Tem que se levar em consideração o conforto e asseio pessoal, também. Em resumo, manter-se tranqüilo, quando tiver que fazer o deságüe, se faz... Nos campings sempre tem os locais para esvaziar os depósitos de detritos e encher o depósito de água limpa, às vezes eles tem até água potável para isto. Mas, siga consumindo para beber a água mineral comprada. Ou melhor, beba só produto nacional para dar um apoio aos locais: vinhos espanhóis, franceses, italianos e/ou alemães. Não se esquece de experimentar as cervejas também, inclusive as que possuem sucos de frutas em sua composição. São produtos baratos e bons. Claro! hehehe

 

Outra opção de estacionar o motor-home para passar a noite é você parar nos locais de descanso que existem em todas as estradas. É o local aonde param os caminhoneiros. Não existem postos de combustíveis imensos com uma estrutura absurda, como aqui no Brasil. Mas, também se encontra estacionamento junto aos postos de combustíveis. Como tudo na vida, se pagar, terá melhor serviço, ou seja, se estiver na autopista esses locais são melhores equipados. Possuem banheiros, para tomar banho, inclusive. Além de mesas para se fazer refeições. Também têm estrutura para atender o motor-home, com local para a descarga dos detritos. Sempre que visualizar nas placas o desenho do motor-home tipo RV com um triângulo (seta) apontado para baixo, significa que ali se aceita estacionar motor-home e que possui estrutura para deságüe.

 

A forma de estruturar como se farão essas paradas vai muito de encontro de como está sua programação para a viagem, no geral. Se tiver bastante tempo, acho uma boa curtir o local que se visita e a estrutura de um camping, próximo a ele. Alguns campings são um verdadeiro SPA, com piscina, sauna, lagos e muito arborizados. Se não tem muito tempo, como no nosso caso, tem que pensar em ser eficiente e economizar, mas sempre mantendo a qualidade do pouso. Às vezes optávamos por um camping por causa da internet e às vezes usávamos a criatividade... Entrávamos na autopista, encontrávamos logo adiante um local para estacionamento, que poderia estar junto ao posto de combustível ou não. Nesses casos, usávamos a estrutura do próprio motor-home. Como sempre, fazíamos uma bela janta regada a vinho, cerveja e maravilhosos queijos. Tomávamos banho e dormíamos numa boa. No outro dia, cumpria-se a rotina do motor-home nas sessões obrigatórias, que não levava mais do que 15 minutos. Às vezes ficava difícil, nesses lugares, o abastecimento com água. Quando ela estava à disposição, raramente, poderia ser cobrada. Dependeria do estabelecimento ou local em questão. Se houvesse essa cobrança, tantávamos abastecer o veículo de combustível e verificávamos se próximo à bomba existia uma mangueira de água “dando sopa” por ali. Pedíamos licença e enchíamos o reservatório de água. Quando íamos pagar pelo combustível, passávamos na lojinha para repor os sucos, água mineral e “besterinhas” para se comer durante a viagem. Terminado isto, seguíamos por mais uns quilômetros até achar a próxima cancela, pagávamos o pedágio proporcional e voltávamos para as rodovias não pedagiadas. Nunca iria se gastar neste pedágio o que gastaríamos num camping, para somente passar a noite. Nessa operação nunca se gastou mais do que2 Euros. Foi sempre uma boa opção. Às vezes não havia outra...hehehe Por mais campings que existam na Europa com variados preços, eles tem hora para fechar e receber novos visitantes. Se passar desse horário ou dorme do lado de fora ou procura outra solução. Isto ocorreu muitas vezes conosco. Aproveitávamos até o último suspiro do dia...hehehe Dá nada... Vai que dá!

 

Aqui vale alguns comentários a respeito dos postos de combustíveis, quanto ao abastecimento pela Europa. Raramente, você encontra alguém para te atender, seja no abastecimento propriamente dito ou para cobrar a fatura. Na saída de Madri ainda havia sido auxiliado por um atendente, mas não percebi que a coisa era do jeito “você mesmo que se selvice”. Na Espanha as coisas são ligeiramente próximas ao nosso costume, mas são europeus. Na primeira vez que me deparei à situação de não haver ninguém por perto para me auxiliar, deu um friozinho na barriga. Ai, ai... Lá vou eu sofrer como da outra vez lá no pedágio... Mais um mico a ser pago. Dá nada... Vai que dá! Olhei ao redor mais uma vez para ver se não havia, realmente, alguém para me ajudar. Nada, nenhuma alma. Bem, fui por comparação: maquina de pedágio, bilheteria do metrô... Humm... Fui olhar a máquina mais de perto. Na máquina, primeiro se paga e depois abastece. Podia pagar com cartão de débito ou com notas de euro. Para certas situações eu levei um cartão de débito daqui do Brasil da bandeira Visa. Nele você deposita (carrega) certo valor em Euros e usa na viagem normalmente, diferente do cartão de crédito. Consegue-se ele facilmente numa agência de viagem e é bem aceito pelos estabelecimentos. Nessas máquinas dependendo do país, às vezes conseguia pagar com esse cartão, mas às vezes tinha que pagar com dinheiro mesmo. Satisfeito a exigência da máquina, me dirigi até a bomba e abasteci o veículo com o valor previamente pago. Vale lembrar que nesses postos o combustível era mais barato do que os que tinham alguém para receber o pagamento. Sim, porque não ajudam no abastecimento e nem na limpeza de pára-brisa ou outro serviço de que estamos acostumados a receber em postos de combustíveis aqui no Brasil. É “você que se selvice mesmo”... hehehe

 

Pois é, ainda não havíamos encontrado um lugar para dormir em Andorra. Além do GPS, também tínhamos uns guias de turismo e locais de campings na Europa, que recebemos da empresa que nos locou o motor-home. Pegamos algumas coordenadas e fomos à busca. Olhávamos no guia se o camping era pago ou não e se tinha os locais para descarte dos detritos, além da proximidade da onde estávamos no momento. Testamos uns dois e não gostamos. Claro que durante as idas e vindas estávamos passeando pela cidade e região, também era turismo. Mas, começamos a ficar cansados e com fome. Apelamos para a nossa “Lady”, para ver as suas sugestões. Levou-nos para um estacionamento, no alto de um morro. Em Andorra Velha é só morro mesmo...hehehe Estava com poucos veículos estacionados e tudo num enorme silencio. Sem vigia, somente alguns paquímetros espalhados. Bah! Dá nada... Vamos ver se é que dá! Estacionamos e os paquímetros não queriam me dar bola. Pensei e deixei assim, para resolver na amanhã seguinte. Se aparecesse alguém eu pagaria a ele, então. Estabelecidos no local, com uma vista do alto e parcial da cidade. Ali mesmo fizemos nossa primeira e gostosa janta no motor-home. Beleza! Banho tomado e satisfeitos fomos dormir. Naquele friozinho das montanhas, quase tivemos que ligar a calefação. Mas, o calor humano falou mais forte, “bombado” pela exalação da cerveja que tomamos no acompanhamento à ceia. “Bien cedito, no mas...” fui para o descarte e rotina básica do veículo. Olhei, olhei, conversei com alguns motoqueiros que chegaram para estacionar os carros e iniciarem suas trilhas de moto a partir dali. Perguntei sobre o pagamento do estacionamento e responderam que ele é cobrado de fato, somente durante a época de esqui. Bah, beleza! Sai dali e fui a um posto de combustível abastecer o veículo, novamente. Em Andorra, tudo era sem imposto, inclusive o diesel. Procurei um posto que me fornecesse água também, para o depósito. Segui na peregrinação até encontrar um que fornecesse água também.

 

Rapidamente localizei um estabelecimento que tinha de tudo. Quando fui pagar a fatura, deparei no caixa com uma grata surpresa, o pessoal falava português. Nesta altura eu já falava quase todos os idiomas com os meus braços e mãos. Só no aceno...hehehe Quase fiz o mesmo para me entenderem em português...hehehe Força do hábito. Resultado da imersão cultural intensiva...hehehe Eu havia lido que existiam algumas colônias de portugueses espalhados pela Europa, a exemplo, Andorra e até mesmo na Suíça. Mas, na hora me passou batido até eu ouvir o som da nossa língua, estando naquele local. O curioso é que o cliente era português de Portugal e a atendente era uma brasileira. A atendente quando nos reconheceu sendo brasileiros ficou muito animada e saudosa de sua terra natal. Conversamos, em pouco tempo a moça contou-nos a sua vida e o porquê estava vivendo ali, aonde já tinha família constituída, inclusive. Deu-nos uns brindes do patrocinador do posto de combustível, nos despedimos dela e voltamos ao carro para seguir viagem. Quando ao lado do motor-home, estava parado um carro todo enfeitado para casamento, era um Rolls Royce de um hotel chic da cidade. Valeu a foto. Partimos.

 

Antes de abandonar Andorra Velha, ficamos rodando mais um pouco pelas suas ruas e morros, para apreciar o capricho e cuidado com os jardins, casas e hotéis. Durante esse passeio de despedida decidimos que iríamos atravessar os Pirineus até França e de lá iríamos seguir para Barcelona, destino já planejado anteriormente. Para isto, tínhamos que pagar pedágio. Este, já na entrada. Pois, havia um túnel que justificava a cobrança. Olha, a estrada valeu os 11 Euros que pagamos. Montanha por todo o lado e a estrada serpenteava durante a descida. Muito bonito mesmo. Já estávamos nos preparando para conhecer os Alpes, através desta visão. Foi uma prévia. Nem nos incomodaram os minutos perdidos num engarrafamento durante parte da descida, formada logo antes da aduana da saída de Andorra, por conta do cenário que enchia nossos olhos. Quando chegou nossa vez de passar pela aduana deu aquele pavor que se sente nesses casos. Talvez, justificado pela arrogância de nossos policias, pelo uso da farda. Houve o engarrafamento, porque o pessoal diminuía muito a velocidade para apenas passar diante dos policiais, nada de mais. Claro, que tinham alguns veículos com a bagagem aberta, sendo vistoriada, pois, todos estavam saindo de uma zona franca, além de estar entrando noutro país. No mais, sem problema algum. Nós com placas da Espanha e bandeirinha do Brasil na dianteira. Os policiais sérios, mas com postura ao nível de sua posição, nada mais. Comportamento exemplar e digno. Na pista de sentido contrário, também havia fila. Mas, esta porque, na França era feriado e o pessoal veio fazer umas comprinhas no final de semana, em Andorra.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205163105.png 500 375.331564987 Legenda da Foto]Estrada pelos Pirineus - França.[/picturethis]

 

Estávamos naquela estrada maravilhosa. Porém, diminuindo a sua largura cada vez mais, por conta da própria montanha. Olhávamos-nos e lembrávamos de que estávamos com um veículo meio fora de bitola para aquela situação. Dá nada... Vamos seguir, que dá! Não tínhamos como fazer a curva e voltar mesmo... De jeito nenhum... hehehe Íamos descendo aquelas encostas e vendo as casinhas lá embaixo. Exatamente como aquelas cenas de histórias infantis ou de fadas. Pequenas vilas com telhados diversos numa paisagem verde e florida. Tinha que me cuidar para não perder o rumo da estrada. Dali a pouco a paisagem escureceu e um som estrondoso ao nosso redor. Olhamos para o lado e vimos um grande incêndio na floresta, sendo controlado por bombeiros, por terra e ar. Eram helicópteros de toda e qualquer cor, por todos os lados. Traziam água e areia para sufocar aquele incêndio nos Pirineus. Um reboliço só. Mesmo assim seguimos sem maiores problemas, sem atrasos.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205163344.png 500 377.659574468 Legenda da Foto]Vila Francesa na divisa com a Espanha.[/picturethis]

 

Pela mesma estrada, já na parte do vale, mais plana, íamos passando por vilinhas muito bonitas. Era o meio rural do sul da França. Que qualidade de vida viver naquela região... Havia plantações e vinhedos também. Logo mais adiante, os Pirineus iam se desmanchando em grandes coxilhas que davam graça à paisagem, com um toque diferente. Formavam-se vales imensos, muito bonitos de se ver ao longe, até a vista não alcançar mais. Numa dessas tentativas de querer parar para observar aquela paisagem estonteante, o intrépido motorista arriscou uma manobra para estacionar o motor-home num belvedere existente à beira da estrada. Crunch! Crac... Ops! Alguma coisa bateu em nós, pensei. Apesar de eu ter que apurar o passo para sair da estrada e estacionar, mesmo não havendo mais ninguém passando por ali naquele momento. Estacionei e fui ver o que havia ocorrido. Rapidamente localizei o estrago. Eu não tinha me dado conta do tamanho do veículo naquela manobra e fiz a curva mais fechada do que o necessário e raspei numa das setas que apontavam locais e direções, num totem de trânsito. P...que... iu! Para encurtar o relato: simplesmente fiz um furo na capucina (No motor-home tipo RV existe uma cama de casal sob a cabine do motorista) seguido de um arranhão que se estendeu até quando pegou a janela basculante superior traseira, e a quebrou toda em pedaços. Esta basculante era a ventilação da cama superior do beliche na lateral do carro. A partir daquele momento, imagina como ventilou esse local onde estava o beliche...hehehe Que M...! O que poderia ser feito?! Começava aí a insurgência para um “piti” daqueles. Fiquei muito mal. Imaginando que o passeio tinha acabado por ali mesmo. Aos meus olhos, eu tinha arrebentado inteiro o carro da empresa de locação. Tremendamente irritado, seguimos viagem. Muito mais devagar, para colocar a cabeça em ordem.

 

Seguindo o roteiro e a condução do GPS, conforme o pedido: sem pedágios. Notei que cada vez mais a estrada se estreitava nesse trecho também, havendo casos de ter que dar ré e se reposicionar na pista para dar passagem. A região continuava bela, mas o humor não melhorava. De repente, tivemos que passar por baixo de um viaduto antiqüíssimo e em arco:

_ Bah! Pára, pára... Vai bater em cima! Alguém gritou...

 

Pedi auxílio à co-pilota, para que descesse do carro e me conduzisse durante a passagem. Ufa! Deu certo, passamos. Olha, se não fosse o fato ocorrido anteriormente, estaríamos rolando de rir. Mas, eu continuava muito mal... Me afundando na culpa de ter causado aquele acidente e ter estragado o carro. De nada adiantava tentar me acalmar, naquele momento. Com essa atitude, se sugeria mais problemas à frente... Mesmo com aquele cenário romântico daquela região: bosques, vilarejos, corredeiras seguindo a estrada, muitas flores e pequenos restaurantes que habitavam alguns lugares ímpares de se estar... Eu não conseguia me animar. Vez ou outra existia certo tráfego de carros em ambos os sentidos. Isto quando existiam os dois sentidos na estrada...hehehe Dito e feito! Pois não é que a bruxa estava solta?! Num certo momento, já ligado ao máximo quanto ao tamanho do carro para não mais esquecer, mas ainda abalado, tive que me espremer, espremer para não bater em um carro que vinha no outro sentido. Não adiantou. Raspei o motor-home no “guard rail” lateral. Olha, deu vontade de chorar nesta hora. Parei o carro e fui olhar o que tinha resultado daquela manobra: uma pequena marca de arranhão que passava pela porta de entrada da casa e ia até o pára-lama da roda traseira. O fato é que não houve grande efeito ou alteração no próprio carro. Mas, para mim eu tinha arrebentado o lado direito do carro, todinho. Bah! Estava muito mal mesmo e fiquei pior... E não tinha o que se fazer por ali, para tentar remediar a situação. Ou apenas dar um tempo para retomar o senso. Tínhamos que seguir. Era sábado. A janela arrebentada anteriormente deixou o carro violável. Pensa, Pensa... Tenho que resolver! Não restou outra opção além de me focar, para chegarmos à Barcelona o quanto antes. Poderia aproveitar o final do dia na tentativa de encontrar uma oficina para trocar a janela. Eu tinha que fazer isto! Nervoso, muito abalado, com pressa e com dois sinistros ocorridos em menos de trinta minutos, nas costas... Eu não deveria mais dirigir até me acalmar. Não houve voluntários... Então, pau na mula... Vamos seguir.

 

Por outro lado, que menina viajada essa nossa cicerone, a “Lady GPS”. Poxa! Conhecia todos os becos por ali também. Bastava dizer a ela se queria um percurso mais rápido ou mais econômico evitando pedágios ou não, que calculava ligeirinho uma rota para seguirmos viagem. E se eu errasse a rota em algum ponto, não dava cinco segundos que ela recalculava e me fazia voltar à rota correta, planejada anteriormente. Os lugares, pelos quais o GPS nos fez passar, não tenho nenhuma reclamação a fazer. Só tecia agradecimentos ao programa de GPS pelo qual optei. Era tudo o que eu esperava dele. Proporcionou-nos passar e ver aqueles cenários maravilhosos. Cousa de louco!

 

Brincadeiras à parte. Comecei a pedir ajuda aos céus naquele momento, para me auxiliar a conduzir com segurança o carro e chegarmos a tempo e intactos à Barcelona. Na viagem ia parando para ajeitar a janela basculante quebrada. Ventava muito para dentro. E de fato, o céu começava dar sinais de esperança motivando a mudança de comportamento. Pois, numa dessas paradas achei uma bolinha plástica do Mickey, lembrei-me de nossa cachorrinha que tinha ficado no Brasil. Trouxe-a de presente para ela. Um pequeninho sinal. Mais adiante a comprovação veio mais contundente. Pedido feito e atendido. Por mais absurdo que possa parecer, foi justamente no momento em que tivemos que ficar parados, por uns 20 minutos, por conta de um acidente grave a nossa frente, com uso de helicóptero para socorro da vítima, inclusive, que eu me dei por conta da pequenez dos meus sinistros anteriores. Afinal era só material. Estávamos todos bem. Agradeci e redirecionei o meu pedido, feito aos céus, para que desse tudo certo com aquela pessoa que estava sendo atendida e comecei a me concentrar no que iria fazer para resolver a questão da janela quebrada, com mais calma e clareza. A sua troca era um fator crucial para nós, por questão da segurança e da comodidade. Começamos a agir a partir daquele momento, enquanto aguardávamos a liberação da rodovia. Fomos pegando alguns telefones que estavam ao nosso alcance do seguro veicular e da locadora. Preparando-nos para quando chegássemos à Barcelona tomar alguma atitude prática para resolver a questão. Apesar dos pesares, já estávamos bem perto, faltava pouco para chegar.

 

Portunhol mais afiado, já em Barcelona. Fui localizar um telefone público ou um posto de combustível. Encontrei um estabelecimento que mantinha um telefone público, rapidamente, ao largo da rodovia em que estávamos. Ao falar com o balconista, percebi que ele se esforçava mais do o normal para me entender. Bah! Estou tão nervoso que não consigo me comunicar. Lembrei-me que estava na Catalunha. O idioma deles é diferente do espanhol. Eles falam o espanhol, lógico. Mas, valorizam por demais, o seu próprio idioma catalão. Então, se fazem um pouco de desentendidos, principalmente, com estrangeiros. Mas, me atendeu muito bem. Explicou-me como deveria usar o telefone. Pois olha, algo básico, bastou colocar moedas de euro, discar o número e falar... Ainda um pouco nervoso, este processo me pareceu relativamente complexo...hehehe

 

Fui falar com o proprietário da locadora que havia me passado o seu celular particular... Talvez ele torcesse para eu não usar esse recurso. Ele não contava com minha astúcia...hehehe Que nada! Se mostrou extremamente preocupado e atencioso. Perguntou-me se não seria possível eu seguir daquela forma, com a janela mesmo estando quebrada. Na tentativa de eu não me envolver com a manutenção do carro. Insisti, esclarecendo melhor a situação e a necessidade da substituição da janela. Ressaltou que era sábado e que a maioria do comércio já estava por fechar. Estávamos próximo das 20hs, horário de fechamento. Na Espanha eles têm a “siesta” (horário que se dorme depois do almoço), começam a trabalhar depois das 15hs ou 16hs estendendo-se até as 20hs. Isto nos favoreceu naquele momento. Mas, assim mesmo, era um sábado... E sábado é da mesma forma no mundo inteiro, apenas parte do comércio poderia estar aberto, imaginei. Seguia ao telefone, alimentando-o com mais moedas. O senhor do outro lado da linha me sugeriu que voltasse a ligar para ele depois de 30 minutos. Ele tentaria localizar uma empresa que estivesse aberta e pudesse me atender. Fiquei na maior torcida e imaginando que seria possível. Pois, em Barcelona existem mais empresas de motor-home do que em Madri. Mas, tinha que aguardar... Voltei ao carro e fui contar as possíveis boas novas.

 

Liguei novamente e recebi a bela notícia de que havia encontrado uma empresa para reparar a janela do motor-home. Que coisa! O céu demonstrou toda a sua força e compaixão, novamente. Durante essa fala, a maior dificuldade foi para entender o endereço. Pela necessidade dele ser correto, tivemos que soletrar ao telefone. Bah! Nessa hora o idioma estrangeiro ficou complicado. Meu nível de estresse já estava pelas cabeças. Consegui anotar e repetir a ele para confirmar. Agradeci ao senhor pelo seu préstimo, me despedi e fomos tentar achar o local. Tentei programar o GPS, mas com aquela descrição do endereço ficou muito difícil. Olha depois de me bater de um lado para outro nos arredores de Barcelona, parei o carro e interpelei um grupo de pessoas que estavam entrando num outro carro. Perguntei onde ficava o hospital naquela localidade. Tinha como certo que era próximo ao hospital daquela cidade satélite, depois de tanto vagar e me certificar ao telefone com a tal empresa, a sua correta localização. Mais uma vez os céus conspiraram a nosso favor. A divindade baixou naquelas pessoas. Eles perguntaram aonde de fato, queríamos ir. Descrevi o endereço. Sugeriram que os seguíssemos. Levariam-nos até a rua aonde se localiza a tal empresa... Chegamos lá! Rapidamente mudaram de direção e seguiram o seu caminho acenando e apontando a direção que deveríamos seguir. Acenamos de volta em sinal de agradecimento e felicidade. Bah! Deu certo. Encontramos a empresa finalmente. Olhei para o relógio, eram 19:30hs. Tinha que dar tempo. Já na entrada me reconheceram. Pois, eu havia ligado para eles umas duas vezes para confirmar o endereço e/ou pedir as coordenadas do seu endereço. Olharam a janela e concluíram pela sua substituição, tudo muito rápido. Conduziram-me para o setor de acessórios e apresentaram o valor de uma janela nova: 340 euros. O dobro do que o senhor de Madri tinha comentado. Imaginei que estariam me passando a perna. Pedi para ligar para Madri, para eu falar com o dono do motor-home e me certificar melhor do que eu estava fazendo. Eu não tinha muita escolha a não ser que aguardasse até segunda-feira. Não poderia fazer isto, tínhamos que seguir viagem, o nosso roteiro já estava atrasado. E talvez o preço correto da janela fosse aquele mesmo. Dúvida cruel! Sem contar que o pessoal falava muito rápido, misturando o idioma espanhol com o catalão. Iam explicando e relembrando que em 12 minutos iriam fechar a empresa. Durante a conversa com o senhor de Madri, ele sempre muito gentil, me acalmou e sugeriu que eu aceitasse e pagasse aquele valor, que depois conversaríamos no meu retorno a Madri. Enquanto isto, ele acionaria o seguro para reaver o dinheiro a partir da nota fiscal. Parei com a neura e aceitei a compra. Repassei o telefone à atendente e entre eles resolveram e combinaram a parte burocrática e fiscal. Neste meio tempo já tinham me avisado que faltavam 7 minutos para fecharem a empresa. Bah! Que pressão! Mesmo já tendo decidido comprar a nova janela e o rapaz da manutenção providenciando a substituição, havia pressão... Pensei na possibilidade de pararem no meio do serviço de reparo, caso o relógio apontasse 20hs e ainda não tivessem concluído. Para minha surpresa, a substituição da janela não levou nem 4 minutos. Putz! Quem sabe, sabe...hehehe Cartão de crédito em mãos, apresentei-o ao caixa, paguei e me despedi antes que fechassem a empresa conosco lá dentro. Então, partimos para conhecer e encontrar um estacionamento em Barcelona.

 

Mais aliviado naquele momento, apesar da culpa de ter causado um gasto não previsto, que ficou me corroendo por dentro. Que coisa chata! Rodando e olhando melhor ao nosso redor, não gostávamos muito do que víamos. Achamos Barcelona meio caída, pelo menos na região por onde estávamos passando. Pensávamos afinal que se justificava por se tratar de uma senhora que possui em torno de dois mil anos de idade. Por isto só, já merecia nosso respeito. Só por curiosidade, Barcelona é mais antiga do que Roma. Escolhemos um estacionamento simples, mas que ficava perto do centro. Assim, na manhã seguinte poderíamos sair à procura do ônibus de turismo e encontrá-lo mais facilmente. O estacionamento tinha um belo apelo a seu favor, tínhamos como vista a torre Agbar. Bem, tomamos um banho e fomos dar uma volta nos arredores. Antes disto, logicamente consultei os oráculos - GPS, para averiguar as atrações próximas de nós e descobri que uma das atrações que desejávamos ver era possível ir partindo a pé dali. Era a basílica da Sagrada Família, idealizada e projetada por Antonio Gaudi. Ao caminhar, e o fato de ser noite, a cidade começava a se mostrar mais organizada e muito mais bonita. Percebemos também que era segura. Muitos jovens caminhando e os bares, pelas ruas, cheios de apreciadores de cerveja e vinho. Todos numa infindável “Charla” de boteco.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205163753.png 375.796178344 500 Legenda da Foto]Basílica Sagrada Família - Madri (ES).[/picturethis]

 

A formação das quadras e ruas de Barcelona, em alguns bairros, é típica de lá. Elas não são quadradas propriamente ditas, são chanfradas em suas pontas. Assim, o entroncamento fica mais amplo, dando uma maior visibilidade e certo charme. Chegamos à basílica. Estupenda! Muito bonita mesmo. Um trabalho de paciência. Para ser franco, acho que o Gaudi brincava com crianças na beira da praia de areia fina. Acho que todos já tiveram a experiência de fazer castelos de areia... É mais ou menos isto. Só que numa dimensão e riqueza de detalhes absurdamente maior. Além de incorporar a idéia de partes do esqueleto humano em seus pilares de sustentação. Fator que demonstra o sofrimento do homem. Nós, sempre que possível, gostamos de ver esses lugares turísticos à noite e, também, ao dia. Pois a visão e apreciação muda muito numa situação e outra. E acho que várias pessoas têm o mesmo gosto. Esses lugares sempre estão repletos de turistas em qualquer horário, exceto nos primeiros horários da manhã. As excursões demoram um pouco mais para se deslocar e começam a chegar a partir das 9:30hs. Satisfeitos, retornamos ao motor-home, jantamos e fomos dormir.

 

Cedo da manhã seguinte, acordado, comecei a rotina. Porém, fui poupado da peleia com os depósitos. Estávamos num estacionamento simples, sem nada mais a oferecer do que a própria vaga. Não querendo mais perder tempo por ali e não querendo investir caro por quase nenhum serviço disponível, exceto o vigia. Decidimos nos dirigir em direção à mesma igreja que tínhamos visitado na noite anterior. Bem perto dali, havia bons lugares para estacionar na rua mesmo. Sabíamos que não existia restrições quanto a isto, mesmo sendo um motor-home. Estacionamos. Já tínhamos localizado um dos pontos de parada do ônibus de turismo. Compramos os bilhetes e iniciamos o nosso dia.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205164047.png 500 375 Legenda da Foto]Plaza de Toros - Última Tourada em Barcelona – Set/11.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205164308.png 500 375.730994152 Legenda da Foto]Palácio das Artes – Barcelona (ES).[/picturethis]

 

Este ônibus possuía três linhas: região histórica, portuária e a nova Barcelona. Passamos por vários pontos turísticos que vale ressaltar: basílica da Sagrada Família, antigo palácio real, bairros nobres, centro financeiro e suas avenidas, futebol clube Barcelona, zona central, as Ramplas – centro de compras, Praça Espanha, Praça de Touros, Instituto Nacional de Belas Artes – Maravilhoso, fundação Juan Miró, parque olímpico, Museu Picasso, parque Guell, Casa Bartllo, a casa Milá (La Pedreira), monumento a Cristóvão Colombo, porto, aquário, praias, feira de artesanato (mouro e catalão – é bem diferente) e shoppings. Ufa! Não dá para acreditar, mas conseguimos passar voando por esses lugares todos. Claro, que em alguns locais descemos do ônibus e fomos curtir a atração de perto. Especialmente, no Instituto Nacional de Belas Artes que fica junto à Praça Espanha. Ambas as atrações são de “cair o queixo”. O conjunto arquitetônico, os chafarizes e o parque em si... Muito bonito mesmo! As obras expostas no instituto também não ficaram a desejar. Havia obras famosíssimas de diversos períodos: era romana, idade média, moderna e contemporânea. E não podíamos esquecer de que estávamos junto ao mediterrâneo, península Ibérica, já pensou?! Quanta história ao nosso redor... Apesar de termos a notícia que o passeio se estendia até a noite, repassando os pontos mais famosos e que haveria um show de luzes e águas dançantes na Praça Espanha, eu já estava “botando água”. Mas, sabe como é... Tem que se aproveitar até a última dobradura do ingresso. Fizemos o passeio noturno também. Nesta altura do campeonato já estávamos achando Barcelona a mais eclética, a mais interessante para se retornar numa outra oportunidade, para um passeio mais na calma, aproveitando a sua gastronomia mediterrânea, também. Estávamos podres! Andando de ônibus, já estávamos piscando o olho. De vez em quando, me lembrava do que tinha que resolver na próxima segunda-feira junto ao escritório, da janela quebrada e do carro arranhado. Bah! Estresse tolo! Para piorar, vinha uma impressão de receio, quanto ao carro ter ficado estacionado numa das ruas próximas à Sagrada Família. Calma! Vamos lá... Vamos ver no que dá. Terminado o passeio fomos de encontro ao carro.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205164521.png 376.116071429 500 Legenda da Foto]Aquário - Barcelona (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205164805.png 369.803063457 500 Legenda da Foto]Ramplas – Barcelona (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205165006.png 370.410367171 500 Legenda da Foto]Cais - Barcelona (ES).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205165207.png 371.490280778 500 Legenda da Foto]Centro - Barcelona (ES).[/picturethis]

 

Antes, passamos numa quitanda, para comprar umas baguetes, queijos e frutas, para o nosso jantar. Nessas nossas empreitadas diárias não sobra muito tempo para almoçar. Ficamos a base de água e lanchinho rápido. Por um lado é mais econômico e, por outro, não se perde tempo. Ritmo de gincana... Chegando mais perto do carro, estava mais ansioso. Dei a volta no motor-home e “pimba”! Encontrei o que não queria: uma janela lateral quebrada, por alguma tentativa de se querer entrar no veículo. P...que partiu! Pensei comigo mesmo:

_ Credo em cruis... @$#%#¨%[email protected][email protected]#

_ Será possível que a coisa está ficando cada vez mais difícil assim, novamente? Será uma provação?

 

Deu vontade de sentar e chorar que nem criança, ali mesmo na sarjeta, novamente. Nessas horas, por mais maduro que seja o que se quer, realmente, é um colinho. E eu já vinha num agravante progressivo: escritório, janela quebrada - já substituída e os danos na estrutura externa do carro por conta dos arranhões. E sabendo que teria que sentar com o proprietário para discutir a entrega do veículo e, certamente, isto me custaria mais algum dinheiro que eu não tinha previsto gastar. Somando, agora, esse novo sinistro. Isto tudo me deixou muito apreensivo e inseguro em prosseguir com a viagem. Uma situação delicadíssima! Bem, não sabendo o que fazer claramente, subimos no motor-home e seguimos em direção a Praça Espanha, aonde ocorreria o espetáculo de luz e água. Íamos conversando durante o caminho sobre o ocorrido. Cansados e com a falta de sensibilidade para aquele momento crítico... Puf! Eclodiu a encrenca. O mau-humor tomou conta, brigamos, estacionei o carro e pedi para ficar sozinho. Seria melhor assim, pois já estávamos nos chamando por nomes de santos e outras “cousas” mais...hehehe Sabem que quando a coisa fica assim o melhor é apartar o povo. Assistimos aquela maravilha toda de espetáculo, separados sem podermos compartilhar mutuamente. Ai, ai... Dá nada... Estávamos apenas no terceiro dia de viagem... Vai que dá!

 

Reunidos novamente dentro do motor-home fomos localizar outro estacionamento, com o auxílio primoroso do GPS. Que mão na roda! Naquela situação e perdido sem saber para onde ir, seria uma tragédia dantesca... Esse novo estacionamento tinha banheiros e local para a “sessão descarrego”. Beleza pura! Já estava na hora desta missa novamente. Ao conversar com o atendente, tivemos uma dificuldade que nunca havia enfrentado antes. Simplesmente, não conseguia me fazer entender. Tentava o espanhol e nada. Tentava o inglês, piorava a situação. Sei lá se era o meu cansaço ou minha situação psicológica daquele momento. A coisa estava difícil. Até que consegui, após um resgate de uma vida passada talvez, um espanhol digno de se ouvir. Fiz-me, finalmente, entender. Consegui até acesso à internet, mesmo já sendo tarde. Que tal?! Fui tomar um banho num local mais espaçoso e sem consumir a água do motor-home. Queria “lavar a alma”. O legal do banho é que a cada cinco segundos tinha que apertar o botão para sair mais água... hehehehe Olha, não é fácil. A alma foi lavada a conta gotas. O jeito é aprender a rir de si mesmo, nessas horas... hehehe É a grande sacada para qualquer momento medonho, realmente! Voltei ao carro, comi ligeiramente alguma coisa e berço. Estaríamos de partida à França na manhã seguinte.

 

Antes de partirmos decidi entrar em contato com o proprietário da locadora do motor-home e comentar com ele, o novo fato ocorrido. Prontamente ele se mostrou solícito e, severamente, prático. Eu estava necessitando deste tipo de chacoalhão. E vale a pena transpor a conversa para ver que as pessoas por lá são severas às vezes, mas também sensíveis. Não tentam tirar vantagem numa hora crítica. Apenas são justos. Claro que existem exceções. Ele me disse:

_ Sr. Ramos estás correndo algum risco com a janela que arrombaram. Ela está totalmente rompida como a outra?

_ Respondi: _ Não. Somente foi quebrado um canto. O pedaço arrancado, quebrado, o encontrei e está comigo. É possível ser colado, creio eu.

_ Sr. Ramos gostaria que eu tratasse novamente com a mesma empresa ou outra, para a substituição desta janela, em questão?

_ Respondi: _ Não sei. Sinceramente, não sei. Estou receoso por tudo isto que ocorreu e preocupado com a integridade da minha família e do próprio veículo também.

 

Passou-se dois segundos que parecia uma hora completa. Certamente, ele uma pessoa já acostumada com esses ocasionais sinistros por que passam seus veículos locados, percebeu minha insegurança com relação a um problema corriqueiro e que, para ele, facílimo de resolver em sua fábrica. E me respondeu:

_ Sr. Ramos façamos o seguinte, então. Não se preocupe mais com esses ocorridos. É uma coisa simples para eu resolver aqui. São coisas que acontecessem e não deve mais pensar nisto. Conversaremos sem qualquer agravo quando voltar. Não se preocupe. Apenas siga com seu passeio e aproveite ao máximo, com sua família. Siga em frente!

 

Poxa, essas palavras foram um banho de confiança, para renovar os ânimos. Agradeci a atenção e me despedi sem mais delongas. Realmente, repassei o olhar pelo carro novamente e o vi diferente desta vez. Não eram problemas difíceis de resolver. Retomei a objetividade e praticidade novamente, como alicerce. Fiz a cerimônia da “sessão descarrego”. Estando espiritualmente também, já descarregado. As pazes feitas com a família. Tomamos um bom café. Seguimos viagem... Levando somente as maravilhosas lembranças desta cidade. Teve o gostinho de quero mais...

 

Estávamos fora do cronograma. Ficamos mais tempo em Barcelona do que o planejado. Teríamos que acelerar. Sabíamos que as estradas não pedagiadas eram mais lentas, mas por outro lado, muito mais interessantes. Depois de 200 Km rodados, passando por belas paisagens, rios, trens de alta velocidade, boa estrada e muitas plantações de uvas, chegamos a Perpignan. Estávamos novamente na França. Nosso francês é nulo. E de pronto, tínhamos que ir a um supermercado repor a despensa. Logo ao passar por uma rótula, na entrada da cidade, avistamos um. Estacionamos e fomos à guerra da comunicação. Gestos para lá, gesticulações para cá e alguns balbucios, conseguimos encontrar e pegar o que queríamos. Coisas básicas: muito queijo, vinho e cerveja nacionais. Fazer o que, né?! Tínhamos que dar uma força para o povo local. Uma coisa que nos chamou a atenção foi a disposição física dos produtos dentro do estabelecimento. A parte central, uma grande área, somente destinado a frutas e verduras, pareciam estar numa foto para divulgação. Todas elas regadas a spray de água, borrifados quase que constantemente. E as “porcarias” dos empacotados e enlatados todos ficavam em gôndolas à volta, sem muita distinção. Que coisa! É outro nível. Valorizam muito a alimentação saudável. Coisas para se imitar mais consistentemente.

 

Fomos ao caixa. Mesmo tratamento dado, quanto ao carrinho e as sacolas plásticas, do super anterior. Não preciso repetir...hehehe O sofrimento continuou. Aprendemos que as cestinhas eles liberavam. Só restava a fase de transporte até o carro. Ah! Para isto, já estávamos munidos de nossas próprias sacolas plásticas para algum imprevisto. Desta vez, o pior foi falar com a caixa para pagar com o cartão de crédito... Jesus! Nada de português, nada de espanhol, nada de inglês... Bem, a moça percebeu que ou ela se esforçava um pouquinho mais para nos entender, ou ela não receberia o pagamento. Apesar de eles serem meio rudes nessas horas, também estávamos práticos para enfrentar este tipo de ocorrência. Sempre nos mantivemos muito educados, sem exceção, afinal, além de nós mesmos, estávamos representando um país – o Brasil. Mas, endurecíamos quando se percebia que era capricho de europeu. Claro, que nos entendiam quando falávamos o português, espanhol ou inglês, mas eles queriam o francês. Imaginem a quantidade de pessoas que encontramos viajando de motor-home para cima e para baixo, muitos do leste europeu. Idiomas muito mais difíceis de interagir. Logicamente, enfrentavam algo parecido, mas continuavam seguindo... Nós, também! Claro que, quanto maior a cidade desses países e estando mais próxima à capital, mais fácil a comunicação em outro idioma, que não o próprio. Ás vezes parecia que estávamos na Torre de Babel, mesmo assim, nos comunicando. Feito! Resolvido esse pequeníssimo problema.

 

Voltamos ao estacionamento e verificamos que ficou repleto de motor-home, ali parados. Uéi?! Era meio-dia e todos estacionaram para descansar e fazer o seu almoço ali mesmo. Mas que tal?! Se eles podiam, nós também. E sem pagar um mico...hehehe. Somente reposicionei o carro, para ficar numa posição mais agradável. Quando parei o carro, após esta manobra, olhei em frente e vi uma loja de reparos e acessórios para motor-home. Não resisti e fui até lá, após o almoço. Ao me dirigir a pé em direção à loja descobri outra peculiaridade dos europeus, por aqui também ocorre, pelo menos na cidade onde moro, botei o pé na calçada para atravessar a rua, mesmo sendo numa rótula, todos os carros pararam de repente. Senti-me um rei, dono da situação. Claro, que tinham os apressadinhos, nem tudo foi cem por cento. Mas, chamou a atenção mesmo eu tendo esse costume por aqui. Ao chegar à loja, que mudança de tratamento. Fácil, fácil, a comunicação. Com certo esforço entendiam até mesmo o português. Claro, as línguas dos países por que passamos bebem da mesma fonte: o Latim. Se era fácil para nós entendermos eles, até certo ponto, também teria que ser para eles. Fiz a cotação da janela e era mais ou menos o mesmo valor que havia pago pela outra, em Barcelona. Perguntei sobre a possibilidade de se colar. Aí, o francês deu uma de malandro para cima de mim, para minha surpresa e decepção. Quis dar uma de vendedor esperto. Disse que não seria possível e que poderia prejudicar o próprio nicho da janela. Pedi licença e me retirei. Definitivamente, me decidi em encontrar uma cola e reposicionar o pedaço que foi quebrado, na janela. Pegamos a estrada novamente.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205165522.png 500 375 Legenda da Foto]Divisa sul da Espanha e França – Muito Motor-home.[/picturethis]

 

Mais videiras, mais oliveiras, castelos, fazendas e muito motor-home indo e vindo. Estávamos atravessando uma zona rural produtora de frutas e muito vinho. Muito bonita essa região do sul da França, junto ao Mediterrâneo. Não resistimos e paramos para comprar um vinho artesanal. Antecipando o comentário de quando o degustamos, o resultado foi uma bela porcaria! Acho que o produtor era, por demais, artesanal... hehehe Ou nos vendeu gato por lebre. Lá se foram 6 Euros, pelo ralo. Depois daquela investida do atendente daquela loja. Começamos a desconfiar da pureza dos franceses.

Passamos por muitos vilarejos, alguns antigos, outros mais modernos. Muito charmosos.

 

O que chamou mesmo a nossa atenção foi a arquitetura. Muito parecida com a nossa. Sejam nossas casas na praia ou na cidade, são muito parecidas. Até mesmo os cemitérios são construídos da mesma forma e modelos. Eles não possuem casarões que demonstram a soberba do dono. Independentemente disto, são todas muito parecidas, não importando essa distinção, como o é aqui no Brasil. Por aqui os mais abastados fazem questão de criarem bairros próprios, com seus casarões.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205165911.png 500 373.724489796 Legenda da Foto]Videiras – Sul da França.[/picturethis]

 

Seguindo a nossa rota, antes de chegar a Marseille, nossa meta para passar a noite, atravessamos por Montepellier. Neste trajeto, seguindo a rodovia não pedagiada é possível passar ao lado de um forte e cidade medieval, que fica junto a uma salina. Muito curioso. Pois, ele ainda é habitado, ou seja, dentro dos grandes muros estão as casas que já passaram por algumas reformas, mas internamente totalmente ocupado por moradores. Fiquei imaginando a forma em que se vivia naqueles tempos, cidades ladeadas por grandes muralhas restringia muito o tráfego de pessoas e próprio comércio. Sem bem que hoje está pior, temos grades ao redor de nossa própria casa ao invés, apenas, ao redor da cidade. Além disto, haviam muitos barcos moradia, atracados no canal que passa ao largo dessas muralhas. Logicamente, hoje a cidade se expandiu além desses muros, mas mantendo esse monumento integrado ao cotidiano urbano, naturalmente.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205170122.png 500 376.470588235 Legenda da Foto]Forte/Vila “Aigues-Mortes” (Águas Mortas).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205170320.png 500 377.941176471 Legenda da Foto]Cidade Interna ao forte.[/picturethis]

 

Ao chegarmos à Marseille, já de noite, fomos visitar a Basílica Notre-Dame de la Garde, que fica num monte com vista para toda a cidade. O acesso à igreja estava fechado. Só restou curtir o visual ao entardecer, ficando até a noite. Esta cidade é muito bonita. Apesar de ser portuária, resguarda o ar de um local interessante de se viver. O visual das falésias que circundam essa região é deslumbrante.

 

Com a fome apertando pensamos em experimentar a pizza desta cidade. Tem a fama de ser a melhor, mesmo comparada à da Itália. Tendo na história, como sendo uma das primeiras cidades a terem o hábito de fazer esse prato, no continente. Encontramos um restaurante próximo ao cais. Visual de cinema. Falando nisto, esta cidade já foi base para alguns filmes, um deles é o “Carga Explosiva III”. Mostra pouca coisa, mas os primeiros momentos deste filme foram rodados por lá. Estávamos sentados com vista para os barcos e para o forte que fica bem próximo dali. Todo iluminado, causando um efeito fantástico. Quanto à pizza, muito boa. Mas, era uma pizza. Nada de tão especial assim. Mesmo insistindo com o pessoal do restaurante, em inglês, não sabiam ou não conheciam a história que lhe contamos a respeito deste prato em relação a sua cidade.

Ficamos curtindo por ali mais algum tempo após o jantar. Retomamos a rotina em busca de um estacionamento. Aqui, o nosso cicerone (GPS), nos pregou uma peça. Nada que manchasse sua conduta excelente em nossa viagem. Como não há uma indicação ao GPS do tipo de veículo, esse quesito não era nunca levado em consideração. Sabíamos e, confrontávamos na prática, do formato e largura das ruas em muitas cidades por onde iríamos passar. Eram, em muitos lugares, ruelas muito estreitas. Mal passava um carro pequeno. Quem dera um motor-home. Como de costume, marcávamos onde estávamos e pedíamos a sugestão ao GPS, de um estacionamento ou camping, próximos daquele local. Respondia-nos prontamente e nós, seguíamos a rumo. Sobe morro, desce morro, vira à direita, vira à esquerda e as coisas iam se apertando para o motor-home. Chegou a um ponto que não havia mais como voltar, somente seguir em frente. Estávamos sob um monte aonde tinham casas muito bonitas e uma vista panorâmica, cinematográfica. Ao passar por uma delas, um morador estava recolhendo o seu lixo, paramos e perguntamos se havia alguma saída. Não sabia falar além do francês... hehehehe Calma, coragem... Vai que dá! Havia um sussurro ao fundo, vindo do banco a minha direita: “... Aonde vai nos levar? Volta, volta...”. Não tinha como voltar. A única coisa a fazer era curtir a paisagem: as casas, os jardins e a estrada estreita por onde seguíamos. Já estávamos com os retrovisores externos recolhidos e assim mesmo, as folhagens existentes roçavam o veículo. Ainda bem que não eram os muros... hehehe Pelo lado positivo, se verificava que andar de motor-home ficava cada vez mais versátil. Estávamos conseguindo fazer peripécias com ele. Apesar da dificuldade, seguíamos as instruções do GPS. Até que... Aleluia irmãos!!! Saímos daquele “brete” e localizamos o estacionamento. Ai, ai... Estava fechado. Puf! Apelamos para os guias de turismo e campings que havíamos recebido da locadora. Apontei as coordenadas no GPS, marquei um novo destino. Este local ficava nos arredores de Marseille, a uns 20 km da onde estávamos. Quando o GPS gritou: “... Você chegou ao seu destino...”. Olhamos a nossa volta e não vimos nada que pudesse parecer com estacionamento ou camping. Ai, ai... Sabe como é... Neste momento, coloca uma marcha lenta e deixa a intuição te levar. Pois, a coisa fica meio estranha mesmo. Ainda mais você num cansaço só... Fomos até um ponto e, na intuição, decidimos voltar. Pegamos uma rua diferente na volta a partir de um entroncamento. E... Pimba! Na mosca! Encontramos o bendito. Escondidinho numa praça repleta de árvores, distante uns 200m do local aonde marcavam as coordenadas. Isto é outra coisa que estávamos começando a aprender.

 

A maioria das vezes, as coordenadas, vem com a parte dos segundos com apenas dois dígitos ao invés de três. Isto pode fazer diferença. Ou, o aparelho que a aferiu, poderia estar descalibrado, sem precisão nenhuma. Quando programar o seu GPS por coordenadas, e não achar, vasculha ao redor, que poderá estar por ali, bem próximo, ou o estabelecimento não existe mais...

Enfim, o estacionamento que encontramos era gratuito. Maravilha! Tinha tudo para que fosse feito a manutenção do motor-home no dia seguinte. Um detalhe... As vagas estavam todas tomadas... Tchan! Apelamos para o jeitinho: posicionei o veículo de uma forma que coubesse no local e que não atrapalhasse ninguém, se outro quisesse movimentar o seu carro. Não fiquei numa posição excelente de estacionamento. Tudo bem! No outro dia logo cedo sairíamos. Tinha que dar certo... E deu! Na manhã seguinte, fiz a rotina básica em 15 minutos cravados. Quando fui embarcar no motor-home e preparar para seguir, veio andando em minha direção uma senhora dizendo algumas coisas em francês. Não entendi nada. Estava chateada com alguma coisa. Tentei me expor em seu caminho, para dar a possibilidade de ela falar comigo ou algo assim. Mas, muito rapidamente, ela entrou por uma porta que dava acesso ao escritório daquele local. Chamei e nada... Apesar de eu ser mau entendedor e mau leitor de francês, consegui me certificar novamente, através de uma placa na entrada, que o estacionamento era livre. Bem, embarquei e fui saindo bem devagar para que desse tempo de me atacarem, caso houvesse algo a ser feito... Aí percebi o que estava ocorrendo. Estávamos estacionados exatamente no ponto aonde, provavelmente, esta senhora usava para deixar o seu carro. Pois, o carro, estava colado em nosso motor-home. Pedi desculpas mentalmente, pelo pequeno incômodo causado, e fomos à luta estradeira.

 

Agora estávamos entrando numa região que trazia uma lembrança lúdica, mesmo que de propaganda. Muito ouvíamos falar dela, seja por filmes ou músicas que ressaltam as belezas dos lugares, neste ponto do Mar Mediterrâneo: Toulon, Saint-tropez, Cannes, Nice e Mônaco. A famosa “Côte d´Azur” ou Riviera Francesa. Seguindo, mas já na Itália, também temos: San Remo e Gênova. Foi um prazer imenso dirigir por esta estrada. O visual é magnífico. A cor da água, as montanhas e as típicas casas e edificações em suas encostas, podem até provocar o término do filme da máquina digital, de tantos pontos existentes para se fotografar... hehe Lembrou-me a estrada Rio-Santos. Já, a parte arquitetônica, de Búzios. Claro que cada qual na sua proposta de clima, vegetação e disposição das coisas. Não dá para comparar quanto à riqueza versus pobreza ou glamour versus desorganização. Mas, muita similaridade, apesar da diferença de nível.

 

Antes de irmos a Toulon, decidimos ir dar uma espiada em Cassis. Um local que a maioria dos turistas não freqüenta. Valeu a pena! Pequena, mas muito charmosa. Neste local, misturava-se a montanha rochosa e arborizada com plantações de uva e vista para o mar. Muito louco e bonito ao mesmo tempo. Num minuto estava passando por pequenas vilas e noutro passando por pequenos sítios com as plantações de uva. A qualidade de vida ali deveria ser muito ruim... hehehe Vale lembrar de que, a todo momento, concorríamos com muitos outros motor-home na estrada.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205170551.png 500 376.080691643 Legenda da Foto]Vinhas – Cassis (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205170743.png 500 376.436781609 Legenda da Foto]Balneário – Cassis (FR).[/picturethis]

 

Ao chegar a Toulon já percebemos a sofisticação e mudança de ares. Claro, que durante toda a viagem estávamos cansados de tanto ver carros de grandes marcas: BMW, Audi, Mercedes, Porsche, Ferrari, Lamborguini, etc. Mas, a partir daquele ponto, parecia a coisa mais natural estar dirigindo um desses. Que raiva... Ô probreza! Hehehehe. Esses lugares faziam jus aos carros. É tudo muito bonito, limpo e organizado. Outra coisa interessante foi perceber que o trem seguia o litoral também, em paralelo à rodovia em que estávamos. Quem opta por esse tipo de transporte, se dá bem também, consegue curtir quase o mesmo visual, de quem está na rodovia.

 

O pessoal de lá adora andar de bicicleta, correr, etc... Fazer algum tipo de esporte é coisa básica, por lá. Ao lado da maioria das rodovias e dentro das cidades também, havia sempre pistas para ciclismo e corrida. Inseridas naquele visual para inspirar e esquecer o cansaço da prática. O caminho era bem eclético seja na parte rural ou urbana, misturando o moderno com o antigo, mantendo sempre o requinte. Ficava estampada esta mistura, quando em vez, surgia um Chateau entre as colinas e árvores ao largo remetendo a imagem à Idade Média. Que coisa! Nós tínhamos pressa e não conseguíamos seguir. Havia muita coisa por olhar. Deu dor no pescoço de tanto girar a cabeça para todos os lados e tentar curtir tudo, mesmo que de relance. Mas, ficou na promessa, o retorno com uma visita mais extensa a todos esses lugares. Até porque, tínhamos curiosidade em ir ao interior do sul da França, partindo do Mediterrâneo, para apreciar melhor as vinhas e Chateaus. Curtir um passeio e degustação de vinhos e frutas. Ficou assinalada para uma próxima viagem até lá.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205171018.png 500 374.371859296 Legenda da Foto]Ciclovia –Estrada do Mar – França.[/picturethis]

 

Ansiosos para chegar a Saint-Tropez, para conhecer a tão badalada e falada cidade. Povoada por casas de pessoas importantes e artistas de todo o mundo. Devem existir recantos escondidos e particulares para esse pessoal. Pois, para a maioria restam poucas praias ao seu redor. Muito intenso o uso de barcos, iates e veleiros nesta região também. Ressalto a palavra IATE. Alguns eram um exagero. Uma extravagância. Vinham munidos de: helicópteros, Jet-sky, botes variados e decks enormes. Sem falar na quantidade de integrantes da tripulação, para fazer funcionar os “bixinho”. Portavam bandeiras de diversos países do mundo. Alguns com símbolo de coroa estampado como detalhe. Quem tem muito dinheiro, tem que ter aonde e em que gastar, não é mesmo?! Algo tão caro que cobice a necessidade de se economizar uns trocados, para poder comprar um brinquedinho desses. No mais, a cidade era mais liberal, mesmo sendo concentrada nas ruas onde estavam instaladas as grandes marcas e grifes de vestuário, mundiais. Claro, que deveria ser outra distração aos “pobres” ricos que circulam por lá.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205171218.png 500 376.050420168 Legenda da Foto]Cais - Saint-Tropez (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205171420.png 500 376.237623762 Legenda da Foto]Praça – Saint-Tropez (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205171612.png 500 374.509803922 Legenda da Foto]Praia - TopLess – Saint-Tropez (FR).[/picturethis]

 

Desse ponto em diante, também começamos a perceber uma invasão de vespas. Não se trata de insetos... hehe Apenas aquelas pequenas e ágeis motonetas. Elas são uma solução óbvia para quem quer se deslocar rapidamente por aquelas cidades e locais. Outros veículos versáteis, de sucesso, são: o Smart, Mini Cooper e o Fiat Cinquecento, que atingem o mesmo propósito, praticamente. São fáceis de dirigir e também de estacionar, naqueles lugares minúsculos e de ruas estreitas, quase maioria por lá, falando-se em trânsito. Com veículos como o motor-home é plenamente possível de passar por essas ruas também, algumas vezes com mais ou menos dificuldade. Raramente não dá pé. Para estacionar, num caso de ir visitar um monumento, museu, etc. é pura loteria. Às vezes se consegue facilmente, às vezes é necessário ir um pouco mais adiante até encontrar um local compatível com suas dimensões. Tudo beleza, tranqüilo! Enfrentamos situações adversas por falta de espaço ao motor-home. Em minha opinião, volto a usar ele como transporte e estadia. Sempre ele apresenta mais vantagens do que desvantagens. Sob diversos aspectos.

 

Não resistimos e estacionamos o motor-home a beira-mar. Queria muito tomar um banho de mar. Fazia um dia com céu de brigadeiro. Rapidamente fui avisado, por membros de nossa tripulação, de que não tinha a indumentária necessária para o ato em si. Não fez parte do guarda-roupa para esta viagem. Então, tá! Fazer o que?! Decidi ir caminhar pela praia um pouco. E... Uéi! Olhei para praia e não vi areia. Estranho para mim. Lá algumas das praias têm pedrinhas no lugar da areia. Usam algum calçado ou chinelo para se banhar ou caminhar até um local onde curtirá aquela água azul e pegar um sol. Não rolou a caminhada também. Ficamos por ali andando na calçada mesmo, um pouquinho mais, para esticar as pernas. Não demorou muito e surgiu uma visão estonteante, outra e mais outra... Não parou mais. As mulheres, quase sem exceção, de topless. Mas, que tal?! Eu meio que constrangido diante de minha esposa e filha, disfarçadamente dava uma espiada. Lógico! Pois, se fosse uma praia de “sungaless”, certamente, também, fariam o mesmo que eu...hehehehe Sem o menor pudor, as moças, até as mais velhas senhoras, estavam esbanjando-se ao sol. Verdadeira “Fúria de Tetas” ou seria de Titãs... Sei lá...hehehe Pegamos umas pedrinhas para a lembrança, batemos algumas fotos das beldades, e seguimos.

 

Quanto mais andávamos pela costa em direção a Cannes, verificávamos alguns hábitos e costumes ligeiramente curiosos. Por exemplo, aonde havia alguma faixa de praia com areia, mais próximo da concentração urbana, o local era tomado por vestiários particulares e, também, por guarda-sóis e cadeiras. Todos arrumados como para um desfile militar. Separados por blocos de cores e modelos, distinguiam seus proprietários.

 

Em Cannes, vimos que ainda restava algum espaço para sofisticação. Os carros, as ruas, os prédios, a arborização, as esculturas, jardins, os cassinos e os hotéis, pareciam “casinha de bonecas”. Pelas ruas, havia alguns enfeites imitando balas gigantes, onde no papel tinha estampado a bandeira de algum país. Para a nossa surpresa, encontramos a do Brasil. Isto quer dizer que começamos a fazer parte de um novo círculo, dentre os países de primeiro mundo. E é fato, notávamos que muitos tentavam falar ou entender o português, geralmente, em lojas ou restaurantes. Claro! Na tentativa de agradar o cliente. É um início importante de mudança da visão dessas pessoas. E sempre que tínhamos oportunidade, frisávamos de que o Brasil era muito mais do que o carnaval. Belo, grande, eclético e afável. Mas, não tolo... Para que se mantivesse além do interesse, o respeito!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205171842.png 500 370.762711864 Legenda da Foto]Hotel Carlton - Cannes (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205172036.png 500 380.341880342 Legenda da Foto]Praia de Cannes (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205172211.png 500 374.449339207 Legenda da Foto]Praia de Cannes (FR).[/picturethis]

 

Nice também uma maravilha de lugar. Quanto filme já se fez por lá... O cais do porto, as suas encostas são únicas. Pontilhadas por prédios e casas, com arquitetura muito própria de lá. Só vendo e sentindo o espírito local. De certa forma, mistura-se ao estilo italiano de ser. É uma mescla. A sofisticação é diferente aqui. Sabe aquela parede descascada que enfeita um restaurante ou uma loja requintada?! É mais ou menos esse o espírito, mas em grande escala. Tudo muitíssimo bem conservado.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205172401.png 500 376.453488372 Legenda da Foto]Cais - Nice (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205172547.png 500 390.14084507 Legenda da Foto]Encosta – Nice (FR).[/picturethis]

 

Durante parte do trajeto, andamos poucos quilômetros e vimos muito. E a distância entre esses lugares famosos e chiques são muito pequenas. Seria maravilhoso poder viver lá. Tendo tudo isto à disposição e a uma curta distância... Uma soberba! E todos esses lugares com algum atrativo especial próprio, com um apelo grandioso. Saint-Tropez pela calmaria e despojo – onde se encontram muitas residências de famosos de diversas áreas; Cannes pelo seu festival de cinema; Mônaco pelo Grande Prêmio de Fórmula Um; San Remo pelo seu festival de música. Assim, todas, mesmo que muito próximas, conseguiram seu próprio destaque no cenário mundial. Fomentando sua economia através do turismo. Digno de ser imitado. Só temos que aprender a manter a qualidade.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205172736.png 500 379.008746356 Legenda da Foto]Cais - Villefranche-sur-mer (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205172948.png 500 376.068376068 Legenda da Foto]Trilhos de trem - Villefranche-sur-mer (FR).[/picturethis]

 

Nessas viagens, sempre ocorrem coisas inusitadas e coincidências, justamente para que possamos contar no retorno esses “causos”. Em Mônaco estava havendo uma recepção no palácio do príncipe. E advinha quem estava na fila dos carros que espreitavam a chegada ao palácio?! Nós mesmos. Com o nosso motor-home...hehehe Na boa! Eu me fiz de rogado e fui seguindo, pensando em tirar um foto bem de perto, de preferência da “ família real” completa. Mas, que nada... Logo um policial educado, me indicou que eu mudasse de direção, sem me dar chance de argumentar. Sem querer pagar um “mico”, fomos saindo. Mas, não perdemos a foto... Do palácio apenas... hehehe Passeando pela cidade voltamos até ali mais umas duas vezes. Sem querer atrapalhar em nada, e nem provocar um agravo diplomático. É que o local é pequeno, realmente. Assim, fui tentar localizar por onde passa o circuito do grande prêmio de fórmula um, especificamente, a curva do cassino e o túnel. Locais clássicos da corrida. Achei! Tocando a música mentalmente, da Globo, para o Airton, numa velocidade de Rubinho: “...tchan, tchan, tchan.....tchan, tchan, tchan...”. Percorri indo e vindo esse trajeto. Eu estava lá...hehehehe Está registrado! Hehehe.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205173217.png 500 379.710144928 Legenda da Foto]Castelo do Príncipe – Mônaco (MC).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205173358.png 500 377.167630058 Legenda da Foto]Curva do Cassino – Mônaco (MC).[/picturethis]

 

Outro local que eu desejava ter podido ir era as estradas mais para o interior de Montecarlo. Existem estradas sinuosas e estreitas. Aonde a esposa do príncipe, Grace Kelly, se acidentou e morreu. Não que eu quisesse o mesmo fim, mas acredito pelo que pesquisei, o lugar é muito bonito para se conhecer. Nelas também foi filmado um dos filmes do James Bond. Simplesmente, não tínhamos tempo. Tínhamos que seguir em frente. Ficou anotado para a próxima viagem, também.

Entramos na Itália por San Remo, clássica cidade italiana. Fomos recebidos desta vez, por um “enxame de Vespas” muito maior do que o anterior. Um absurdo! Essas pequenas motos é a opção massiva, como meio de transporte. Já estava escurecendo e começávamos a pensar em parar para jantarmos dignamente mais uma vez, naquela noite. Como sempre, estávamos além da hora do fechamento dos campings. Nunca chegou a ser um problema para nós. Só reduzia consideravelmente as nossas opções. Fomos em busca de um local para passar a noite. O idioma era outro agora. Nem por isto a dificuldade diminuiu. Também não dominamos o italiano. Apesar de que os italianos entendiam bem mais os nossos gestos...hehehe “Prego!”. Até parecem pássaros em pleno vôo, quando falam... Gesticulam e movimentam os braços como ninguém.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205173548.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Cotidiano - San Remo (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205173746.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Estufas nas encostas – Riva Ligure (IT).[/picturethis]

 

Entre, duas ou três tentativas encontramos um camping que nos atenderia naquele horário. Optamos por camping, por necessitarmos de internet naquela noite. Fomos recebidos pelo proprietário e atendente deste camping. Ele veio todo doce e “meloso”, vendo a possibilidade de faturar mais um cliente naquela altura do dia. A forma com que nos abordou foi muito curiosa. Simpático ao extremo. Quando a oferta é muito grande, se desconfia... Seu esforço era tamanho que comentou ser conhecedor do Grêmio e do Internacional, quando disse a ele que morava próximo a Porto Alegre. Não sou fanático por futebol. Mas, que ele vai além fronteiras, vai. Entendíamo-nos através de todo e qualquer idioma possível e imaginável. Estava me sentindo um poliglota. Claro que a maioria das frases eram sustentadas pelos gestos de ambos. O português é inteligível para eles também, da mesma forma que o idioma italiano para nós. Quando se fala usando termos da língua clássica, basicamente, se entende muito bem pelos dois lados. Os termos clássicos, geralmente, coincidem nas línguas procedentes do latim.

 

Conversamos mais um pouco sobre generalidades, combinamos o preço e acertamos ficar. Insisti que necessitava da internet, para trabalhar. Ele aceitou. Pediu-me um documento para ter como depósito de segurança e eu o forneci. Contrato informal, meramente. Costume de todos os campings por onde passamos, quando não pagávamos na entrada.

 

Fui tomar um banho, aproveitando o banheiro do camping e depois dar uma relaxada. O local era muito bom, era bem asseado. Um belo lugar para se passar alguns dias junto ao Mediterrâneo. Jantamos e fui trabalhar um pouco, na internet... O nosso horário de parada coincidia com o meio da tarde aqui no Brasil. Eu conseguia ainda tratar de questões em horário comercial, no meu trabalho. Passaram-se umas duas horas desde que havíamos chegado ali. E de repente... A internet não acessou mais... Fui falar com o italiano para saber o que havia ocorrido. Informou-me que o tempo era apenas de duas horas. Eu havia frisado a ele anteriormente, que a internet era fator crucial, para termos decidido ficar por ali. Insisti com ele. Ele apenas me respondeu que teria sido um presente e nada mais, a concessão do acesso à internet. Na mesma hora, me subiu o sangue... Eu insisti com ele. Neste momento, foram por terra, as condolências e os bons tratos. Na tentativa de finalizar aquela situação, pedi que me cobrasse pelo uso, desde que me liberasse novamente a internet para eu trabalhar. O italiano, também exaltado, meio constrangido, sem falar mais nada, liberou o uso ilimitado desta vez sem cobrar a mais por isto. Nos demos boa noite e deixamos assim... Já haviam me dito que os italianos não eram fáceis. Eu estava provando na prática. Para grande parte dos europeus, ocorre de serem muito rudes ou até grosseiros, muitas vezes sem razão alguma. Deve ser hábito. O jeito é ser altivo com eles no mesmo tom. Assim, “baixam a bola” e retomam os bons tratos e comportamento respeitoso. Foi o que fiz.

 

No dia seguinte, me levantei e fui tratar da rotina. Ansioso, queria encontrar o italiano e tentar esclarecer as coisas. Não queria deixar uma imagem ruim de minha parte. Não demorou muito e eu o vi. Conversamos como se nada tivesse ocorrido anteriormente. Beleza! Confesso que me senti muito mal com aquela situação por um bom tempo. Paguei o valor acertado. Retomei o documento que ficou em garantia. Agradeci a ele, e mesmo tendo razão, me desculpei pelo mal entendido. E, seguimos viagem.

 

No caminho à Gênova, ao sairmos deste lugarejo onde passamos a noite, próximo a San Remo, haviam muitas, mas muitas estufas nas encostas daqueles morros. Eram usadas para a produção de hortaliças e frutas. Muitíssimo curioso e grandioso pela quantidade e pela extensão delas. Coisas que temos que aprender por aqui também. Lá, nos pareceu, que nada os impede. Se precisarem de estradas constroem. Se precisarem de viadutos ou pontes, constroem. Se precisarem de meios de transporte mais eficientes para atender bem o cidadão, os constroem. Se precisarem de espaço, o fazem. Se não há terra plana aonde vivem para plantar, plantam nas encostas usando técnicas para alta produtividade. E assim, por diante... É bárbaro! Acho que deveríamos ter esse raciocínio também. Principalmente, no tocante a realizar as coisas com mais qualidade, para durarem e servirem o seu propósito por muito tempo. Coisas grandiosas, que chamem a atenção e, por esta causa, impulsione outras tantas, não por soberba, mas pela qualidade e tempo de duração servil da própria obra... Dá para aliar a arte e a beleza de composição a essas construções. Incrementado a ela, o turismo de visitação, mais um benefício de resultado prático e pátrio... Entenda que nosso passeio por àquelas bandas, foi para visitar construções e locais com uma idade bem elevada: cidades, castelos, ruínas e museus, mas que ainda perduram. Por aqui, quando vamos fazer uma praça, uma estrada, uma ponte, etc. baseamos apenas no objetivo de que funcione, não importando se por alguns dias ou meses. Inaugura-se a obra e se transfere o problema para o futuro, próximo. Isto é deprimente! Senti-me muito frustrado nessas situações, ao comparar nossas estradas, a infra-estrutura, os meios de transporte (metrô, trens de carga, trens de passageiros, trens de alta velocidade, ônibus, etc.), pedágios, controle de velocidade, sinalização, policiamento, violência, assistência geral ao cidadão... Ah! Mas eles não têm o calor do nosso povo... É verdade! Embora, de uma forma ou outra, está se destruindo essa bela característica que possuímos, também. Estamos ficando com medo, sem esperança e amargurados. O desmando e a violência imperam. Parece não haver saída para nossas carências e problemas que estamos enfrentando em nosso Brasil, dado a conjuntura política e comportamento social habituais. Seguindo nesta linha de raciocínio e na tentativa de expor uma solução queria insistir em alguns pontos, fugindo um pouco do relato da viagem, que considero básicos, para atingir desenvolvimento e qualidade plenos, enquanto povo de uma nação. Retrocederia um pouco à velha forma para educar um cidadão, como ponto de partida. Recobrando algumas coisas como: respeito e valores morais. O que é certo, é certo... Não meio certo. Demandaria revitalizar bons exemplos de vida... Educação! Se apontarmos para a corrupção, mantenha-se digno sempre, dê bons exemplos, jamais aceite nem mesmo pequenos favores que facilitem em algum processo ou questão que possua na sua pessoal rotina. Ou seja, não corrompa e não se deixe corromper! Creio que, mesmo com certa morosidade e animosidade, é possível mudar se fizermos isto. Um dos motivos que decidi relatar minha viagem foi para estimular outros a irem conhecer lugares no primeiro mundo também. Terem o mesmo tipo de experiência que eu, através da vivência prática, comparar e trazer na bagagem as boas e positivas coisas, para mudarmos o enfoque por aqui. Creio que assim, jovens e outros em geral, conhecendo e rodando o mundo, fariam diferença no construir um Brasil melhor. Num tempo muito menor do que aquele alavancado pelo empirismo, ou seja, aprender o certo pela experiência do sofrimento. Sejamos mais capazes e inteligentes do que isto. Referente a comportamento, o que é bom e correto, se copia.

 

Vamos continuar a viajar então?!

 

Passamos por Gênova, voando. É uma bela cidade também. Possui universidade e porto, que agregam à sua economia. Não deixamos de observar esta parte da costa e o mar, principalmente, a forma com que usufruem e dependem dele. Desde as concentrações de pequenos pescadores com seus minúsculos barcos até o porto repleto de enormes navios cargueiros e de turismo. Curiosamente, ao passarmos por ali, nos pareceu que íamos entrar dentro de um transatlântico atracado, tamanha a proximidade que chegamos dele, ao fazermos uma determinada curva. Tudo se misturava: a rodovia em que estávamos, as vias urbanas e o porto. Coisa de louco...

 

A organização junto à areia permanecia, quanto aos guarda-sóis e vestiários. Porém, já não havia mais tantas mulheres fazendo uso do topless, ou melhor, o não uso... hehehehe A montanha escarpada chegando até o mar, a vista do alto... Lembravam as fotos que por ventura vi em algum calendário, na minha infância. Trazia-me uma presumida nostalgia estar bem perto àquelas paisagens, de tirar o fôlego. Conforme o hábito, mesmo estando noutro país, víamos vários castelos e fortes ao curso de nosso caminho. A arquitetura já havia se modificado ligeiramente. Agora existiam casarões ou pequenos prédios de três ou quatro andares, com grandes janelas decorando suas fachadas. Estilo típico italiano. E o que era engraçado, às vezes, é que se via de um prédio ao outro, um varal com roupas estendidas ao sol passando por sobre a rua. Vimos isto numa rua principal chegando ao centro de San Remo, também. Os verdadeiros cortiços estão ainda por lá, contrastando com a modernidade de alguns prédios bem próximos. Esse senso de organização do visual das cidades, digamos que de gosto duvidoso, é inevitável com o progresso batendo à porta. O conceito e o jeito latino muitas vezes se impõem, e vai brotando os “puxadinhos” por todo lado, não tem jeito... Podíamos não ter herdado este costume por aqui...

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205173952.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Praia - Savona - Arredores de Gênova (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205174129.png 500 376.811594203 Legenda da Foto]Cais e centro - Savona – Arredores de Gênova (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205174303.png 500 375 Legenda da Foto]Varal - Gênova (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205174451.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Gênova (IT).[/picturethis]

 

Não durou muito, nosso ensolarado segundo dia de passeio, contornando a costa do Mediterrâneo. Logo fomos avisados pelo GPS comandante, de que iríamos mudar de ares ao sinalizar um contorno à esquerda com direção a nordeste. Bem, tínhamos optado por estradas sem pedágio... Seguimos o comando. Queríamos chegar a Pisa logo, principalmente, porque queríamos estar em Florença antes do entardecer. Pelo menos planejávamos isto. Em nossos cálculos estávamos quase dois dias atrasados, em relação ao nosso roteiro original. Mas, seguíamos sem remorsos ou arrependimentos por isto. A nova estrada que seguimos, também foi maravilhosa. Era estrada de serra, muito íngreme, de curvas bem fechadas, um sobe e desce contínuo. O visual diferente também valeu pena. Eu já sentia o gosto em dirigir por ali, como sendo uma prévia de quando fôssemos atravessar os Alpes da Suíça para a França, dias mais tarde. Na verdade, estávamos bem próximos dos Alpes, apenas 300 km deles, na divisa da Itália, França e Suiça. Ponto onde fica o Mont Blanc. Este lugar também foi para a lista, para uma próxima viagem. A lista já estava ficando bem grande... Bah!

 

Incrível como as cidades italianas que possuem um rio ao meio, são parecidas. Principalmente, na região da Toscana.

Ao chegarmos a Pisa, percebemos o mesmo. As pontes e os casarios ao largo do rio formam uma cena muito pitoresca e igual a de outras cidades. A minha favorita, por este cenário compondo com um por do sol, é Florença. Mas enfim, fomos até a torre, passeamos pelas lojinhas dali e não escapamos da foto padrão... A tentativa de montar uma ilusão de ótica ao parecer que estávamos sustentando a torre. Outros preferiam registrar a quantidade de pessoas nesta tentativa, ao invés de fazer o mesmo. Muito engraçado... Por ali, além disto, não tinha muito que se fazer. Não entramos nem na igreja e nem subimos na torre. Compramos umas lembrancinhas, juntamente de uma colher de coleção. Ah! Sim... Trouxemos uma colher dessas, para coleção, de cada lugar importante que passamos. Retornamos ao motor-home, estacionado a uns 200m da torre, para seguir viagem até Florença.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205174720.png 500 375.757575758 Legenda da Foto]Rio Arno - Pisa (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205174855.png 500 385.989010989 Legenda da Foto]Catedral e Torre de Pisa (IT).[/picturethis]

 

Pela nossa frente, muitos vinhedos e plantações de frutas cercados por álamos, que davam um charme todo especial àquela paisagem. Toda propriedade parecia uma espécie de floricultura de exposição. Tudo arrumadinho: a estrada, os canteiros, as vinhas, as frutas e uma casa construída de pedras para dar o requinte final. Essa região do norte da Itália até Roma que conhecemos, é muito linda! É tão charmosa quanto às regiões rurais da França e Espanha. Mas, incrível como através de detalhes muito sutis, elas se diferenciam entre si. O mais incrível é que todas elas possuem um fácil acesso a transporte, por mais remota que seja. Não andei em nenhum momento, por esses lugares, em estrada que não fosse asfaltada. Além das estradas, também existe o acesso aos modernos trens, de carga ou os de alta velocidade. Outra coisa para se copiar de lá e colar por aqui.

 

Florença, já havia visto através de propaganda ou filmes rodados nesta cidade. Mas, quando chegamos lá, ao entardecer, estava próprio para se enquadrar uma foto. Foi de arrancar suspiros. Florença merece nota 10. Vale a pena ficar alguns dias por lá. Estava com pressa e queria alcançar o topo de um monte, que possui um mirante, para conseguir uma bela foto da ponte ”Vecchio” sobre o rio Arno, aproveitando aquela luz. Corre, corre... Vai que dá! Vamos lá GPS, acelera... Chegamos, estacionamos facilmente, ufa! Corremos para tirar a foto. Puf! Sinal de bateria fraco. Mas que coisa! Parecia brincadeira de mal gosto... Tiramos algumas fotos e a máquina fotográfica se desligou completamente. Bem, o jeito era curtir a paisagem e bater o restante das fotos com os olhos, guardando-as na memória... Opa! Lembrei do celular com câmera. Salvamos a pátria! Mais ou menos, né?! A câmera do celular não é lá essas coisas. Mas, fazer o que?!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205175044.png 500 375 Legenda da Foto]Ponte e Torre do Palácio Vecchio - Florença (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205175234.png 500 379.008746356 Legenda da Foto]Davi símbolo de Florença (IT) (Michelangelo).[/picturethis]elo).

 

Nesse local tinha muita gente fazendo o mesmo. Curtindo o por do sol ao som de alguns performistas clássicos, barrocos e outros de música instrumental moderna. O som estava muito bom além de eclético. Queríamos ficar ali a noite toda. Mas, estávamos com fome e cansados novamente... Preferimos a luta, para achar um lugar e passar aquela noite. Fomos retornando ao centro e vimos uma placa de camping, que continha o símbolo clássico que sinalizava estacionamento para motor-home e local para deságüe. Paramos para ver. Muito bom! A atendente falava o português fluentemente, havia morado em Recife por algum tempo. Percebi que ela mudou completamente o seu comportamento ao falar comigo. O fato de sermos brasileiros nos propiciava situações interessantes. Pena que o preço somente para passar a noite ficou muito alto. Decidimos seguir adiante. Próxima parada foi escolhida por sugestão do catálogo de campings. Tentávamos primeiramente com ele, por nos dar uma idéia do lugar, do preço e a sua composição de oferta. Programamos as coordenadas e nos fomos. Após alguns quilômetros adiante, decidimos parar e dar uma volta pelo coração da cidade, a pé, antes de seguir. Como disse antes, vale a pena passar uns dois ou três dias inteiros em Florença. Jantar na Piazza Della Signoria, saborear um “gelato” ou passear pelas suas ruelas para descobrir os encantos de estar numa cidade onde passaram e viveram importantes nomes das artes e arquitetura. Descobrimos por acaso um labirinto dentro de um forte repleto de lugares muito legais, museus e restaurantes. Parecido com o “pelourinho” de Salvador. Caminhamos por sobre a ponte “Vecchio” e fomos ao palácio que leva o mesmo nome. Mesmo a noite, ele estava aberto para visitação. Cansados, decidimos que iríamos ficar na cidade durante a manhã seguinte, para podermos visitar os demais lugares. E voltamos a seguir o trajeto que tínhamos traçado no GPS, anteriormente. Depois de algum tempo o nosso cicerone nos indicava para entrar numa cancela escura, entrada de uma propriedade, para seguir adiante. Ficamos céticos. Mas, preferimos confiar novamente. Entramos e seguimos por uma estrada de chão batido, muito estreita. A escuridão nos remetia a pensamentos absurdos. Mas, mesmo assim, seguimos em frente. A seguir, nos deparamos com um palacete. Curioso! A meia luz e na penumbra, estacionei o carro. Tentei encontrar alguém e nada. Decidi dar meia volta e sair dali o quanto antes. Os pensamentos estimulados por aquela cena nos faziam lembrar de algum filme de terror... Quando comecei a manobrar o carro, olhei mais ao fundo e avistei outros motor-homes parados no pátio que ficava atrás do palacete. Opa! Tem chance... Os pensamentos obscuros se afastaram e fui com o próprio carro até mais próximo. Havíamos encontrado o que procurávamos... Pimba! Estacionei, já tendo afastado aqueles pensamentos ruins, me dirigi a pé até o palacete novamente, para ver se encontrava algum atendente. Esperando não me deparar com um vampiro... hehehehe Entrei pelos fundos. Meu Deus! Que coisa surpreendente e encantadora o visual pelo interior daquele lugar. Os detalhes do piso em seus mosaicos, das paredes com mármore “Carrara” e do teto eram fabulosos, para tudo aquilo ser apenas um camping. Descobri que, além disto, era um albergue (Hostel). Que coisa hein?! Imagine o que se passa despercebido da gente... Quantos lugares iguais a este devem existir e que não conheceremos... Além de tudo isto à nossa vista, tinha internet e o valor era bem razoável. Ficamos, que dúvida?! Estacionei, engatei a luz para alimentar o motor-home. Tomamos banho e saboreamos uma bela janta regada a vinho e queijo. Nacionais, é claro! Tudo para economizar... hehehe

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205175500.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Praça em frente ao Palácio Vecchio - Florença (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205175645.png 500 378.65497076 Legenda da Foto]Camping Ostello Europa Villa Camerata – Florença (IT).[/picturethis]

 

Na manhã seguinte, teve “sessão descarrego” completa. Sim, inclusive a limpeza do depósito de “água negra”. Todos estavam animados. Aproveitei e os chamei para uma demonstração geral dos trabalhos. Desta vez descobrimos a existência, no banheiro do carro, de um pote com sachezinhos para combater o odor deste depósito. Uma maravilha! Além do líquido usado para o desmanche dos sólidos. Esses saches são o complemento da manutenção, com certeza... Pronto! Mais ou menos uns trinta minutos depois, já estávamos no centro de Florença novamente para completar nosso passeio. Fomos basicamente visitar a Basílica Santa Maria Del Fiore ou Duomo, pela beleza arquitetônica. Toda recoberta em mármore verde, rosa e branco. E depois a basílica Santa Croce onde estão sepultados vários renomados como: Rossini, Michelangelo, Ghibert, Machiavelli, Dante e Galileo. Inclusive guarda uma preservada veste de São Francisco de Assis. Ao se caminhar por aquelas ruas, a cada esquina encontravam-se obras de arte ou casas que foram moradias de alguns gênios da humanidade. Também as vitrines de lojas de grifes famosas ou de confeitarias com obras de arte em chocolate. Assim podíamos ir curtindo na pernada, sem reclamações de cansaço. Pois, desta vez, tínhamos estacionado o carro longe do centro, por falta de local adequado. Íamos passando por aquelas ruas estreitas que pareciam túneis, ladeadas por casarões antigos e históricos, que quase nos remetiam à sensação de estar vivendo na idade média, não fosse aquele mar de gente ao nosso redor por onde andávamos. Era tanta gente falando tantos idiomas diferentes que parecia um zunido só. De vez em quando não se escapava de ouvir também um ou outro brasileiro falando. O curioso é que quando nós brasileiros nos encontramos no estrangeiro, eventualmente, evitamos demonstrar que notamos a presença um do outro. Toda aquela brasilidade receptiva, expansiva e simpática some, simplesmente. Ficamos soberbos, subimos no salto. Talvez pensando em o que faz uma criatura dessas por aqui?! Não sei dizer se isso também ocorre com os outros povos. Mas, enfim. Vamos seguir o passeio. Estamos atrasados e temos que achar o caminho a Roma com ou sem boca... Para darmos conta do nosso roteiro.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205175844.png 500 376.436781609 Legenda da Foto]Rua de Florença (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205180025.png 500 376.790830946 Legenda da Foto]Fila para a Basílica Santa Maria Del Fiore ou Duomo – Florença (IT).[/picturethis]

 

De volta ao motor-home, calibramos o aparelho de GPS para Roma. Desta vez optamos ir por rodovia pedagiada, mais rápida. Estávamos muito atrasados. Que coisa, né?! De férias e só pensando e calculando tempo. Que luta! É, mas não dá nada, pobre é assim mesmo, tem que aproveitar o que dá no menor tempo possível, até o sumo... Vai que dá! hehehehe

O caminho até Roma é algo de cinema. Aquelas propriedades espalhadas por planícies e colinas, tudo organizado como um jardim chama muito a atenção de quem passa pela rodovia ou de trem. Algumas delas tinham como enfeite principal um pequeno e charmoso castelo outras aqueles imensos casarões antigos. Não tem como evitar o comentário. Dá vontade de parar em cada uma delas, para bebericar um vinho, comer um queijo com pão e falar um pouco sobre os costumes e a vida daquela região. Assim, fomos seguindo. Por vezes, também, brotavam pequenos vilarejos medievais ao nosso redor. É uma visão inusitada, principalmente, depois de ter assistido a tantos filmes na “sessão da tarde”, que mostravam essas cidades ou castelos, contadas numa aventura.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205180214.png 500 374.26035503 Legenda da Foto]Oliveiras - Zona rural ao largo da Autopista até Roma (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205180358.png 500 376.10619469 Legenda da Foto]Castelo – Zona rural ao largo da Autopista até Roma (IT).[/picturethis]

 

Com muita pressa de chegar e localizar um lugar para montarmos nosso “QG” em Roma. Vínhamos parando e perguntando por algum camping ou estacionamento, que ficasse bem localizado. Preferencialmente, próximo ao centro e com transporte fácil. Olha, a dificuldade para se obter alguma informação dos italianos, é bárbara. Demonstram uma má vontade e uma rispidez que chega à beira da má educação mesmo. Desistimos de insistir nisto e voltamos à velha fórmula. Apenas, queríamos ganhar algum tempo, mas estava ocorrendo o contrário. Nossa primeira opção foi pelo catálogo que indicava um estacionamento próximo à rodovia em que estávamos. E era gratuito. Andamos alguns quilômetros, chegamos ao local e não rolou. Muito feio aquele lugar. Seguimos para a próxima opção. Que bárbaro, que belo... Encontramos um camping perfeito. Baratíssimo. Havia local para manutenção do carro, próximo a supermercado e próximo a ponto de ônibus ou trem. Era o que necessitávamos. Só não possuía banheiros. Mas afinal, estávamos num motor-home. Sem problemas...

 

Era meio da tarde ou um pouco mais, quando acabamos de nos instalar após voltarmos do supermercado. Compramos os mantimentos necessários para passar o tempo que ficaríamos na cidade. A nossa surpresa foi ver que o valor dos vinhos, era absurdamente barato. Além da frutas e queijos, também. Claro, que às vezes esquecíamos que se pagava em euros. Dá nada... Vamos comer bem! Neste super, havia tonéis aonde se abasteciam de vinho as próprias garrafas a um preço irrisório. Lembrei-me que o mesmo ocorria na Espanha, mas lá, com o óleo de oliva.

 

Prontos para o início do passeio compramos os passes do trem, no quiosque do próprio camping, aonde recebemos todas as informações necessárias para se deslocar pela cidade e, também, algumas sugestões para turismo além de cuidados a serem tomados ao se andar por lá. Roma tem certa fama de assaltos e pequenos roubos aos turistas, mas nada ocorreu conosco enquanto permanecemos lá. Deve ser pela quantidade de imigrantes que circulam por toda parte: indianos, árabes, africanos, chineses e outros mais. Dirigimos-nos ao ponto do trem. Estávamos indo ao centro, para fazer um reconhecimento geral e aproveitar para visitar o Vaticano naquele final de tarde. O trem que pegamos era meio caído perto de outros que já havíamos visto ou outros que atendiam a outros bairros de Roma. Mas, seguimos sem maiores problemas. Na Europa, grande parte dos meios de transporte não tem cobrador, ou seja, você possui o bilhete e você mesmo faz a validação em aparelhos que estão dentro do veículo. Se quiser viajar de graça, pode. Mas, não é o correto! Eventualmente, podem surgir fiscais exigindo os bilhetes válidos para aquela viagem. Não cabe o mico, não é mesmo?! Porém, muitos desses imigrantes viajavam sem bilhetes.

 

Chegamos ao final do ponto, e nos deparamos com a imensa estação central de trens e metrô de Roma. Que loucura! Se já não estivéssemos calejados de enfrentar a multidão, fácil, fácil, nos perderíamos. Ao se chegar a esse tipo de lugar, grandes e com muita gente, tire uma foto ou grave na sua memória um local específico: restaurante, loja ou nome de rua, para depois saber voltar e saber onde está ou onde fica a saída... hehe Fomos logo ao balcão de informações para pegar um mapa da cidade e suas atrações. Tivemos certa dificuldade em nos livrar de cambistas e vendedores de pacotes de turismo que circulavam por ali. Preferimos comprar no balcão, sempre! Pelo burburinho parecia uma Meca... De posse do mapa da cidade e do mapa do metro, traçamos nossa rota até o Vaticano. Até chegar ao ponto correto da linha de metro que iria ao Vaticano, andamos um bocado dentro daquela estação gigante. Fomos descendo e descendo até chegar ao ponto que iríamos embarcar. Antes, tivemos que passar pelas máquinas e comprar os bilhetes, mas já estávamos craques neste quesito, também. O melhor é dominar essas questões básicas o mais rápido possível, para que não tomem muito tempo a cada vez. Esta demora ou o próprio embaraço pode chamar a atenção de alguém que esteja à espreita para cometer algum assalto ou roubo. Tem que se estar sempre muito ligado! Ademais, para não ser um alvo tenha como hábito usar roupas leves e normais, calçados confortáveis, pouco dinheiro ou espalhado pelos integrantes do grupo dentro de pochetes internas à calça, uma mochila com muita água, lanches e um belo bom humor para fazer todos os passeios programados ao dia. Pronto!

 

Quando saímos à superfície novamente depois de termos viajado de metrô por algum tempo, nos deparamos com uma Roma diferente, mais organizada, charmosa e limpa. Fomos caminhando por algumas quadras até chegar à bifurcação aonde daria para a esquerda a Basílica de São Pedro e para a direita para o museu do Vaticano. Fomos até a praça para ver se ainda dava tempo para visitar a basílica. Incrivelmente, era gratuita a entrada. Seguimos até que... Problema! O atendente de terno preto impediu que minha filha entrasse para visitar a igreja. Ela estava usando um short que na visão do guarda, estaria curto de mais. Geralmente, não se permite entrar de short ou de ombros a mostra em igrejas ou locais religiosos na Europa, principalmente, na Itália. Ela e mais algumas pessoas ficaram de fora. Entramos no intuito de averiguar que tal era o monumento, para que planejássemos um retorno no dia seguinte. Enquanto isto, minha esposa observava que algumas pessoas usavam lenços amarrados na cintura para cobrir o short. Ela decidiu voltar para comprar um, nas tendas que existiam próximas dali e eu fiquei tirando algumas fotos pelo interior da basílica e vislumbrando aquela maravilha de ostentação de poder gigantesco, concentrados num só lugar. Como demoraram muito para voltar, decidi sair. Elas não haviam mais conseguido entrar porque o horário havia se encerrado. Bem, tínhamos que voltar no dia seguinte para ver aquilo tudo com mais calma. Aproveitando o cair da noite, ficamos por ali mesmo para observar como ficariam a Praça de São Pedro e Basílica todos iluminados, para apreciar os efeitos. Depois de algumas fotos e querendo aproveitar mais um pouco decidimos nos dirigir até a Fontana Di Trevi. Com o mesmo interesse de vê-la à noite também. Dito e feito! Um show! O local estava lotado e todos disputavam um cantinho cumprir a tarefa de jogar uma moedinha pelo ombro e, juntamente, fazer um pedido. Uma festa! A quantidade de solteiros nesta tarefa era um absurdo... Haja cotovelos!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205180641.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Frente da Basílica de São Pedro - Vaticano (VT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205180820.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Interior da Basílica de São Pedro - Vaticano (VT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205181012.png 500 374.390243902 Legenda da Foto]Arredores do centro de Roma (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205181202.png 376.453488372 500 Legenda da Foto]Fontana di Trevi – Roma (IT).[/picturethis]

 

Manhã seguinte, já com energias renovadas. Tomamos um bom café e iniciamos as tarefas daquele dia. Voltamos ao centro, localizamos o ônibus do City Tour, embarcamos e seguimos até o Coliseu. Lá nos deparamos com uma fila que dava quase a volta completa naquele estádio. Bah! Eu estava a ponto de desistir da visita, mas fui convencido do contrário, com um simples argumento: “...viemos até aqui e não entrar. Não dá para querer...”. Olha, até que foi bem rápido, estávamos na sombra e nos divertíamos com outros brasileiros que também estavam nesta fila. Valeu a pena mesmo, ter entrado e conhecido o seu interior!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205181359.png 500 377.192982456 Legenda da Foto]Monumento a Vittorio Emanuelle II - Roma (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205181540.png 500 378.299120235 Legenda da Foto]Fórum Romano, ao fundo o Coliseu – Roma (IT).[/picturethis]

 

Depois fomos conhecer o grande Palatino e Fórum Romano, que ficam em frente ao Coliseu. Mas, naquele sol a pico... Já não estávamos mais agüentando. Literalmente, estávamos pedindo água. Setembro a 34º de temperatura. Mesmo assim, depois de termos saciado a sede, não conseguimos recuperar o fôlego e caminhar por todo o Fórum e arredores. Ficamos mirando do alto do Palatino... E só! Voltamos ao ônibus para ver as demais atrações: Piazza de Spagna, Pantheon, Arco di Constantino, etc... E, novamente, o Vaticano. Bem, Roma é por si só uma atração. Aonde estiver, basta observar ao redor que algo ali é datado e é muito antigo. Então, passear descompromissadamente seja de ônibus, trem ou até mesmo a pé é uma ótima opção. Muitas coisas estão pichadas e sem o devido cuidado, como percebemos noutros locais e cidades. Uma pena esse descuido com a preservação. Mas, assim mesmo, Roma merece ser revisitada.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205181835.png 500 375 Legenda da Foto]Arco de Constantino e Coliseu - Roma (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205182128.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Coliseu – Roma (IT).[/picturethis]

 

No meio da tarde, descemos do ônibus e fomos visitar novamente o Vaticano. Desta vez estávamos munidos de lenços e roupas mais adequadas às exigências para a visita do local. Queríamos antes da Basílica, ir conhecer a Capela Sistina e ver a grande obra de Michelangelo. Para isto, tivemos que ir visitar o museu do Vaticano. Eu já estava quase farto de tanto ver estátua de homem pelado... Mas, fazer o que?! Fomos conhecer o tal museu. Meu Deus do céu! Um absurdo! Sem dúvida, de todos os museus que já visitei esse superou a todos. Não somente pela quantidade de objetos e a sua beleza, mas pelo estado de preservação em que todos se encontravam. Realmente, tenho que tirar o chapéu para a igreja católica. Foram sábios em acumular e preservar a história desta forma, acumulando obras de arte durante o seu trajeto. Que belo investimento! Mas, devemos lembrar que não pertencem à humanidade, pertence à igreja romana. Se assim mesmo, todas as obras não bastassem para justificar a visita, havia o próprio local onde elas estavam expostas, a decoração dos pisos com mármores e mosaicos, as paredes com pinturas clássicas de várias épocas ou com tapeçarias lindíssimas... Ainda restava o teto ou colunas espalhadas pelo recinto, que emolduravam a tudo num conjunto decorativo para fazer inveja a qualquer monarca de qualquer época e de qualquer nação. Impressionante! E é muito grande. Já tinha até me esquecido da Capela Sistina, que era o nosso objetivo inicial quando nos deparamos com alguns “homens de preto”, iguais aos do dia anterior quando barraram minha filha, insistindo a todos, sem exceção, naquela multidão de pessoas, para que fizessem silêncio absoluto. Afinal estávamos por adentrar a Capela Sistina e teriam todos de se comportar dignamente, para a contemplação daquele lugar. Foi um festival de “psit” e pedidos de silêncio durante todo o instante que ficamos por ali. Parecia um coral. Ali, quase tudo estava coberto com chapas de acrílico para não ser tocado diretamente: portas, mármores e algumas paredes. A capela era do tamanho de um espaço de uma igreja de médio porte, mas com tanta gente aglomerada ali, parecia bem menor. Olhamos tudo rapidamente e saímos. Descendo por um corredor, numa banca que vendia livros das obras expostas, observei a figura central da obra de Michelangelo no teto da capela (O dedo do homem tocando o dedo de Deus). Dei-me conta de que não a havia visto, pessoalmente. Perguntei a atendente onde ficava aquela figura afinal... Ela me sugeriu voltar e olhar ao centro do teto da capela. Caramba! Nada a ver, durante anos pensei que esta figura predominasse num domo especial, e que estivesse completamente isolada e destacada de qualquer outra figuração. Que nada... Voltando até a capela, percebi que estava bem ao centro mesmo. Porém, não parecia tão esplendorosa quanto às fotos que havia visto em livros. Senti certo desgosto. Tudo bem! O teto era bem alto mesmo, não dava para ver tão focado. Ok! Vamos dizer que não foi propaganda enganosa. A figura estava lá. Mas, comecei a pensar de como a propaganda e a maneira de como nos são apresentadas determinadas coisas, influenciam as nossas mentes e mexem com o nosso aspecto lúdico. Nesse atributo, vejo que nós brasileiros não somos muito bons na divulgação da nossa: cultura, arte, uso e costumes. Somos muitos simplistas ou disformes. Se compararmos, temos muitas coisas tão boas quanto... Ou até melhores, em vários aspectos. Falta-nos um pouco mais de auto-estima e noção do que pode ser importante.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205182327.png 500 375 Legenda da Foto]Museu do Vaticano (VT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205182510.png 500 370.689655172 Legenda da Foto]Museu do Vaticano (VT).[/picturethis]

 

Saímos do museu, extasiados! Alguns passos após a saída, nos demos por conta que estávamos na porta da basílica sem a necessidade de voltar ao portão de acesso. Veja só, naquele calor, as meninas estavam de short. Mas, preparadas para a eventualidade de terem que trocar de roupa. Como no museu, que era pago, não se exigia nada quanto à indumentária, passaram despercebidas. E assim continuaram vestidas, até o final. E outras tantas pessoas, também fora daquela exigência, rodavam por lá. Foi falta de bom senso no dia anterior, a atitude daquele guarda. Com isto, nos provocaram a possibilidade de ter conhecido a maravilha que era o museu do Vaticano. Grazie Mille! Queríamos tanto que nossa filha vislumbrasse aquela igreja por dentro e, ficamos mais tempo no museu do que imaginávamos que não nos demos conta do horário para adentrar na cripta, que fica abaixo da própria igreja com entrada junto ao altar mor. Apenas ficamos dando de abanos às pessoas que passavam abaixo, pelos respiros existentes. Valeu assim mesmo. Tudo não dá! Que pena...

 

Novamente hora de levantar acampamento. O nosso projeto inicial era passar por Assis, San Marino, Pádua, Bologna e Verona. Porém, todos queriam passar mais tempo em Paris. Cortamos esses lugares dos nossos planos e decidimos ir diretamente a Veneza. Já tínhamos cortado tanta coisa mesmo, que optamos por voltar pela rodovia pedagiada, perdendo os encantos do interior e gastando em pedágio. Um desperdício! Mas assim, não correríamos o risco de perder algumas atrações na Suiça, por causa da falta de tempo. E disto eu não queria abrir mão. Saímos rapidinho de Roma e encaramos a estrada até Veneza. Voltamos pela mesma rodovia por um bom tempo, sem grandes variações. Até que chegamos à cidade quase submersa. Conseguimos uma boa sugestão num posto de combustível, para que ficássemos estacionados logo após ter passado a ponte principal de acesso à cidade. O local era pago e sem infra-estrutura. Dá nada... Estávamos de motor-home. Vamos que dá!

O nosso cuidado na Itália era intenso, quanto a assaltos e pequenos roubos. Sempre presente em nossa mente. Não queria mais ter contato com experiências que já tínhamos vivenciado no início da viajem. Até aquele momento as coisas estavam indo muito bem, sem maiores problemas. Ponto para a Itália. Já no estacionamento e, mesmo que, um pouco apreensivos, isto era normal a cada novo local que chegávamos, fomos localizar um ponto de transporte para o centro da cidade. Ou melhor, para a ilha de Murano. Queríamos aproveitar o final de tarde e comprar alguns cristais, deixando o dia seguinte para o centro e Praça de São Marco. Junto ao estacionamento, conseguimos comprar os passes do ônibus municipal, por via fluvial, lógico. O barco fez duas paradas e na última delas tivemos que trocar de embarcação, por que iríamos à ilha de Murano, atendida por outra linha. No trajeto, eu ia observando ao longe uma ilha completamente isolada, mas com edificações diferentes e com certo requinte. Pensei que era Murano, que nada... Era a ilha cemitério... hehehe A desculpa foi por eu estar sem o mapa da região, somente com o GPS, que no barco funcionou bem, apesar de se perder de vez em quando conforme o balanço e direção do barco.

 

Os cristais que vimos e todas as opções em que eles eram fabricados... Nossa, era um exagero de cores e requinte. Para a nossa tristeza, os preços eram proibitivos. Rapidamente, nos demos conta da invasão chinesa que está havendo por lá. Quem tiver condições e querer encarar um cristal de Murano, pode ter certeza de que é original, bastando ver o preço. Os artigos chineses são uma caricatura dos originais e muito baratos. Bem, como eu já havia comprado uma janela de acrílico para o motor-home e ainda tendo que resolver outras questões de fibra, pendentes e, sendo eu, o maior incentivador de ir a Murano, “baixei a bola” e não quis mais comprar os cristais de lá. Continuamos a passear e se maravilhar com aquilo tudo. E só!

 

Na volta, fizemos nova troca de barco. Agora queríamos ir ao centro e pelo Grande Canal, para podermos ver a suntuosidade desta cidade. De vez em quando, sentíamos um cheirinho sem vergonha ao navegar, mas nada de mais. Creio que fique mais forte dependendo da época de vazantes. Íamos passeando pela tão falada Veneza e seus canais. Ao longe e bem perto víamos as famosas gôndolas. Pena que nem todos os gondoleiros se davam o respeito de estar vestidos a caráter. Assim, vira “chinelagem” e picaretagem! Péssima impressão! Minha esposa que queria fazer o passeio de gôndola, não via nada disto. Barcos para cima e para baixo naquele grande canal: gôndolas, barcos taxis, barcos ônibus (Vaporeto), lanchas e iates. Vimos até um transatlântico passando mais ao longe, cheinho de mãozinhas dando abano. Imagine duas mil mãozinhas enfileiradas dando tchau... hehehe Uma cena inesquecível. Opa! A coisa começou a se agitar durante o trajeto. Nosso barco (Vaporeto) teve que ceder de um lado para uma manifestação dos comerciários sindicalizados de Veneza, com alto-falantes e pirotecnia típica dessas manifestações. E mais adiante, para um cortejo que seguia o barco dos jovens recém casados. Estes, fazendo a maior festa, enquanto que os outros fazendo a maior manifestação. E nós, ali no meio daquilo tudo, extasiados com as cenas inusitadas ao nosso redor. Só viajando mesmo para ver tanta coisa assim. Trancado em casa, olhando TV não se compara a experiência vivida. Em seguida estávamos passando pela famosa ponte de Rialto. Uma pena também! Como a maioria das casas que ladeavam o grande canal, estava mal cuidada, toda pichada. Não entendíamos como podiam deixar tamanho patrimônio se deteriorar tanto. Claro, não éramos nós que tínhamos que pagar a conta da restauração. Além do que, sabendo que mais cedo ou mais tarde a cidade poderia, realmente, ficar totalmente inundada tornando impraticável a possibilidade de moradia por ali. Uma pena mesmo! Pensando melhor, de certa forma, nós e tantos outros, contribuímos para que se mantenha aquele patrimônio sim, pagamos para estar lá. Isto foi nos desanimando com Veneza. Enfim, desembarcamos no ponto que dá acesso a Praça de São Marco. Local consagrado pelos grandes Dodges - comandantes e nobres daquela época, quando Veneza ainda era independente. Incursionamos por algumas ruelas para que encontrássemos uma máscara típica de lá. Passamos pela Ponte dos Suspiros e decidimos voltar ao motor-home. E pior, sem o desejo de voltar no outro dia. Estávamos de partida para a Suíça.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205182649.png 500 376.436781609 Legenda da Foto]Grande Canal - Ponte Rialto ao fundo - Veneza (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205182820.png 500 377.906976744 Legenda da Foto]Praça São Marco – Veneza (IT).[/picturethis]

 

Jantamos muito bem novamente. Dormimos e na manhã seguinte, ao lado de vários outros motor-homes naquele estacionamento, tomamos nosso café. Neste momento, percebi que sem a infra-estrutura necessária, alguns de nossos vizinhos despejavam o depósito de água suja ali mesmo. Sem pudor! Com fedor! Aí o bonitão pensou em fazer o mesmo. Bem feito! Não demorou muito e outra pessoa de outro motor-home veio me chamar à atenção, por eu estar fazendo aquilo, daquela forma e naquele local. Não quis nem me justificar. Afinal eu e os demais estávamos totalmente errados. Pedi desculpas, como se adiantasse alguma coisa... E sai pisoteando dentro da água., para me livrar daquela situação. Afinal estava eu em Veneza ou não?! Não seria justamente a nossa casa que não estaria rodeada de água, não é mesmo?! hehehe Olha, paguei o mico da viagem. Se serve de conselho: jamais se deve seguir alguém que esteja fazendo algo de errado. É pura bobagem! Vai se dar mal e deve se dar mal mesmo...hehehe Saímos bem devagarzinho para não respingar mais água em ninguém.

 

Eu estava muito ansioso. Era a parte da viagem que eu mais aguardava. Apesar de termos novamente cortado mais algumas cidades do nosso roteiro original: Milão, Turim e o passo pelo Mont Blanc. A Suíça e suas famosas estradas em forma de serpente nos aguardavam. Pelas imagens que eu havia coletado na internet, eram muito bonitas mesmo. Antes passaríamos por outra região magnífica da Itália como recompensa, a região do vinho. Passaríamos por Trento e Bréscia, seguindo até Stelvio. A estrada que eu fazia questão de percorrer está localizada entre Stelvio, Davos e Lucerna. Mas, antes podíamos curtir um visual de montanhas, castelos e vinhedos ao nosso redor. Durou pouco a alegria... Em nossa viagem, começava a chover pela primeira vez. Putz! Ma que cosa! Até ali, vínhamos com um sol e temperatura escaldantes. Calma... Não dá nada... Vai que dá!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205183008.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Montanhas Dolomitas - Vinhas - Região do Vinho - Trento (IT).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205183149.png 500 378.260869565 Legenda da Foto]Montanhas Dolomitas - Vinhas – Região do Vinho – Trento (IT).[/picturethis]

 

Neste trecho presenciamos uma nova invasão alemã à Itália. Sim! Não tinha nada a ver com a segunda guerra mundial. A forma agora era supremacia financeira mesmo e, não, bélica. Incrível a quantidade desse pessoal nessa região. Eram mais de setenta por cento dos carros que trafegavam por ali. Vinham eles em carros de passeio ou em motor-homes, que tracionavam barcos, jetskis, bicicletas ou motos. Impressionante! Claro, era lógico, pois estávamos já bem próximos da Alemanha. Impressionava assim mesmo. Chegamos a parar num posto de combustível com um centro de conveniências para observar mais de perto e abastecer o veículo e a nós antes de entrar nos preços “salgados” da Suíça. Tenho que fazer um comentário: os europeus do leste, em geral, mas em especial aos alemães, vestem-se muito mal... Bah! E os cabelos das mulheres mais velhas então, nossa mãe! Olha, não é por falta de dinheiro que não se ajeitam. Bem, os norte-americanos e outros também não fogem à regra. Se bem que, não tenho conhecimento da opinião contrária. Então, deixamos que cada um faça como bem quiser...

 

Após tomarmos o caminho que seguia para Stelvio, paramos novamente para comprar algumas frutas: maças, ameixas e uvas na beira da estrada. Ficamos surpresos com as quitandas montadas por ali. Até esse ponto da nossa viagem somente tínhamos visto isto na França, quando rodávamos pelas estradas do interior. Bem, estamos novamente rodando pelo interior, só que da Itália desta vez. Então, é normal. Outra coisa que observamos na França e, também, na Itália foi a presença de prostitutas em alguns entroncamentos da entrada ou saída de algumas cidades. Todas bem arrumadas e maquiadas. Junto a elas havia sempre uma cadeira ou, até mesmo, uma poltrona para poderem se sentar e aguardar o próximo cliente. O que é a natureza... Não tem pátria...

 

Seguindo montanha a cima e a chuva cada vez mais forte. E mesmo vários veículos sendo mais lentos à frente, ninguém sequer experimentava uma ultrapassagem. Todos ali tranqüilos e quietinhos, cada qual no seu lugar da imensa fila de carros que subia, para evitar, de toda forma, o pior. Eu cada vez mais ansioso, repetia o planejamento com o GPS para ter certeza de que estávamos indo pela estrada certa. Aquela que eu queria estar. Na pequena cidade de Stelvio, não resisti e fui a um hotel confirmar a direção correta da estrada tão famosa. Olha, nem eles mesmos sabiam. Eu falava que era uma estrada dentre as cinco mais belas do mundo e o pessoal não demonstrava muita reação. Mas, quando falei que a estrada era completamente em zig-zag, me entenderam. Deve ser porque são grandes tomadores de cerveja e só entendem esse idioma do zig-zag mesmo. A atendente do hotel só disse para que eu me cuidasse. Daí, percebi que era a estrada certa. Pelas fotos que havia visto dela, a coisa era cruel. “Bonitinha, mas ordinária!”. Nos fomos a ela então... Subíamos e a chuva cada vez mais intensa. E o estranho é que já estávamos querendo puxar os casacos das malas ou ligar a calefação do motor-home. Andamos por uns dez quilômetros adiante e parei novamente num outro hotel. Sim, essa região é uma maravilha, as paisagens são de tontear. É cheia de pousadas e hotéis por toda a parte da montanha. Pois ali, neste local, iniciavam-se os famosos Alpes. Desta vez, conversei com um norte-americano que sabia o que eu estava procurando. Conhecia o lugar. Avisou-me que estaria nevando naquele ponto, o que dificultaria a minha condução. Vale lembrar que pela manhã estávamos em Veneza naquele calorão. Quando eu falei que estava em um motor-home, até a atendente que mal falava o inglês, foi veemente em dizer que não deveria seguir por ali nessas condições. Pôxa! Com essa agora, além da chuva, agora neve. Bem, agradeci e voltei ao carro para ver o que iríamos fazer a partir desta notícia. Nem insisti em seguir, porque seria voto vencido. Não seria lógico colocar todos em risco. Não daria pé! Fui “falar” com a colega que entende tudo de estrada: a “GPS teen” e decidir por outro caminho... Cada vez que tentava programar nova rota para Lucerna havia uma pergunta se eu desejaria evitar balsa ou não. Eu verificava os mapas da região e só havia lagos, mas não que necessitasse atravessá-los, ainda mais de balsa. Fiquei meio desconfiado. A esta altura, já tínhamos cortado outras cidades de nosso roteiro: Zurique e Davos, pois estava chovendo mesmo, não daria para vê-las muito bem. Programei com direção a Interlaken, mesma coisa, anunciava a bendita balsa. Seguimos assim mesmo para ver no que daria. Iríamos passar em Saint Moritz, Luzerna e Berna antes, para pelo menos conhecê-las de passagem, rapidamente. E “dale” chuva!

 

Saint Moritz, é uma famosa e cara estação de esqui nos Alpes suíços. É charmosa e encantadora. Principalmente, pela arquitetura típica e a existência do lago rodeado de montanhas, que juntos formam uma paisagem muito bela. Após termos passado por ela seguimos em direção de Luzerna. O caminho é como se estivesse passeando num grande jardim com casas decoradas, pátios floridos e ao fundo os Alpes cobertos de neve. Apesar da chuva que não nos abandonava, estávamos extasiados com tanta beleza ao redor. Incluindo os lagos, pelos quais íamos passando. Esses lagos possuem uma cor azul turquesa que parece até uma jóia. Ficava imaginando como seria aquilo tudo com a presença do sol. Mesmo assim, já me sentia recompensado de alguma maneira. E “dale” chuva!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205183353.png 500 378.082191781 Legenda da Foto]Saint Moritz - Suíça.[/picturethis]

 

Antes de chegarmos a Luzerna a coisa se complicou um pouco, num trecho do caminho tentamos seguir conforme a programação do GPS, mas a estrada estava fechada por uma cancela que trancava a passagem, simplesmente. Sem nem uma viva alma para explicar o que estava ocorrendo, ficamos meio indecisos no que fazer. Creio que este tipo de ocorrência seja já de hábito por lá. É fechada a estrada ou caminho, por motivos óbvios e todos respeitam e já sabem como proceder. Acham outra solução e seguem. Se é que existe esta possibilidade, em alguns casos. Pois, no inverno a coisa deve ficar bem difícil. De certa forma, vínhamos circundando aquele ponto onde tivemos que desistir de percorrer, pelo risco e a existência de neve na pista. Mas, em algum ponto teríamos que atravessar a montanha e talvez fosse ali, este, o ponto. A estrada que deveríamos seguir, conforme o aparelho de GPS era uma subida, e do outro lado dessa cancela havia também outros carros parados. Todos eles cobertos de neve, denunciando o motivo de a estrada estar fechada. Vimos algumas pessoas descerem dos carros do outro lado da cancela, na tentativa de abri-la para poderem passar e sair dali. Não ficamos presenciando aquilo. Estavam forçando a barra para abrira-la. Demos meia volta e fomos encontrar outra saída. Lá também o pessoal se irrita com algumas coisas e parte para a quebradeira, mas é outro nível... hehehe Estávamos parados diante de um posto de combustível pensando no que fazer e verificando as possibilidades junto ao GPS. De repente, vem um daqueles carros que estava lá parado no outro lado da cancela, cheio de neve por sobre o capo, e entra no posto para abastecer. Não me contive e fui falar com aquela pessoa, na chuva mesmo. Perguntei a ele o que havia ocorrido e como poderíamos fazer para seguir até Luzerna. Era um suíço – italiano. Muito comum essas misturas por lá. O suíço com italiano, Frances, alemão ou austríaco. Essa pessoa me surpreendeu muito pela sua presteza e simpatia, certamente pelo seu lado suíço. Pois, pelo lado italiano não podia ser. Convidou-me a segui-lo. Ele estava indo a Davos, agora por um caminho alternativo. E quando, chagássemos ao ponto de se dirigir a Luzerna ele nos avisaria. Que dúvida, grudamos na cola daquela camionete Audi e fomos. Abandonei um pouco o GPS e confiei no nosso novo condutor. Não andamos muito para descobrirmos o que significava a tão insistente balsa, que surgia em cada planejamento até Luzerna e Interlaken, no GPS. Após termos que mudar de caminho. Chegamos a um trem de comboio que nos levaria para fazer a travessia da montanha, através de um túnel com 22 km de extensão. Aí pensei, quando é que teríamos uma experiência desta, não estando viajando de carro ou motor-home?! Quanta coisa já tínhamos visto e presenciado até aquele momento. Coisas inesquecíveis e inenarráveis! Não há foto e relato que sejam suficientes para poder demonstrar a experiência que tivemos. Por isto insistimos, para que todos façam o mesmo. Tenham coragem! É muito melhor do que ficar preso numa sala assistindo TV. É algo acessível e, plenamente, possível de se executar. Pode dar alguns contratempos, mas todos contornáveis. Só servem para florir a estória a ser contada no retorno. Dá nada... Vai que dá! São recordações para compartilhar e lembrar pelo resto da vida. Principalmente, quando estivermos bem velhinhos... hehehe

 

Passamos aquele túnel, uma sensação muito louca estar dentro de um carro sob um trem dentro de um túnel, por um longo tempo. Haja fobia! Luz para que te quero... Após sairmos do túnel e do trem, andamos por mais alguns quilômetros quando começou a escurecer e aumentar o fluxo de carros. Perdemos de vista nosso parceiro condutor, não víamos mais aquela camionete. O GPS estava ali firme e até ali estava correto, incluindo a passagem pela “balsa”. Ficamos meio tristes. Afinal queríamos agradecer a gentileza prestada por aquela pessoa. À frente vimos um carro num posto de combustível, igual ao daquele parceiro. Paramos e era ele nos aguardando para dar as próximas dicas. Que bárbaro! Ainda existem pessoas que nos deixam de “queixo caído” pela tamanha demonstração de solidariedade. Bah! Não sabíamos como agradecer, mas o fizemos da melhor maneira possível e partimos em direção a Luzerna. Já estava noite... Achamos melhor pararmos o mais próximo possível dali. Até porque, viajar a noite, tira a possibilidade de se conhecer por onde se passa e, naquela chuva, não seria mais aconselhável também. Nosso hábito sempre foi de somente seguir quando não havia outra maneira ou quando estivéssemos dentro de alguma cidade e Desejássemos vê-la no ambiente noturno.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205183602.png 500 378 Legenda da Foto]Trem - Travessia dos Alpes - Davos - Suíça.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205183819.png 500 377.906976744 Legenda da Foto]Alpes - Região Rural - Luzerna - Suíça.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205183953.png 500 375 Legenda da Foto]Alpes - Região Rural - Luzerna - Suíça.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205184327.png 500 377.551020408 Legenda da Foto]Alpes - Região Rural - Luzerna - Suíça.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205184449.png 500 373.546511628 Legenda da Foto]Alpes - Região Rural - Luzerna - Suíça.[/picturethis]

 

Cada vez mais confiante na nossa maquininha que era balizada pelos catálogos, quando procurávamos algum camping e/ou estacionamento, que já estávamos bem práticos neste atributo. Além do GPS e de catálogos de turismo sugiro levar um mapa. É muito bom abrir um mapa em maior tamanho, do que olhar numa telinha de computador ou, no meu caso, num SmartFone. Ainda sou da geração passada, fazer o que?! Localizamos rapidamente uma opção, mas como de costume, já tinha passado o horário de recepção do camping. Bueno, entrei no camping assim mesmo. Fui até a recepção, estava com porta destrancada, mas não havia ninguém para atender. Somente um cartaz do horário de funcionamento. E tudo na língua fácil deles, que para nós, apesar de minha esposa ser descendente de alemães e minha filha ter tido aulas de alemão, era um bicho muito estranho. Decidi arriscar, mesmo que sujeito a pagar mais um mico. Estacionei de uma forma para não atrapalhar ninguém e fiquei andando um pouco para lá e para cá, para ver se chamava a atenção de alguém. Consegui! Logo veio uma pessoa que se dizia o atendente do camping que, gentilmente, me deu um pito por eu ter estacionado numa vaga que estava reservada. Nós dois sabíamos que àquela hora não chegaria mais ninguém, exceto nós... hehehe Justificada a nossa atitude, com o complemento de que sairíamos bem cedo no dia seguinte, resolveu-se o problema, sem demora. Pediu-me apenas um documento para a caução e pronto! Era tarde, mas era cedo para nós, pudemos curtir mais um jantar daqueles, feitos no próprio motor-home, regados a queijo e cerveja, desta vez. Na manhã seguinte fui ao escritório e lá estava uma senhora simpaticíssima e que já estava ciente do meu caso. Foi tudo muito rápido. Fiz a “sessão descarrego”, tomamos café e seguimos.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205184645.png 500 371.559633028 Legenda da Foto]Ponte Coberta - Luzerna - Suíça.[/picturethis]

 

Chegando a Luzerna não foi diferente nossa visão. Uma cidade maior em relação aos vilarejos que havíamos passado anteriormente, mas mantinha a mesma beleza e capricho tanto nas casas, quanto nos prédios e praças da cidade. Por ela, apenas demos uma volta de reconhecimento, passando pela famosa ponte de madeira com telhado. Vimos algumas lojas, de passagem, que vendiam chocolates e relógios e seguimos nosso caminho a Interlaken. Olha, não chegamos a comprar muitas coisas na Suíça, os preços são bem mais altos do que no restante dos lugares que já havíamos passado. Nós nos abastecíamos de chocolate, queijos e vinhos nos supermercados mesmo. Eles tinham as mesmas marcas e variedades de que gostamos.

Em Interlaken paramos para passear um pouco a pé e fazer um contato mais íntimo com o povo suíço. Sempre muito educados e simpáticos, superam os franceses e italianos de longe, neste ponto. Esta pequena cidade também é muito bonita. Bah! Falar assim de qualquer parte da Suíça, é pura redundância. Mas... Sejamos redundantes o quanto necessário for. Desta cidade parte um trem que vai até a montanha mais alta da Europa onde fica o famoso castelo de gelo. Este foi mais um corte no nosso roteiro original. Apesar de que com o tempo chuvoso que estava fazendo não nos deixou muito tristes. A cidade é repleta de turistas da mesma forma que vimos nos demais locais por onde tínhamos passado, por toda a viagem. Chamava a atenção à quantidade de lojas gerenciadas por chineses. Perdia um pouco a graça. Mas enfim, sinal dos novos tempos. Na Suíça também existe uma grande colônia de portugueses. Lembrei-me novamente disto quando estive numa das lojas procurando uma daquelas colheres para enfeite – de coleção, e falando em inglês perguntei a uma moça se havia para vender, esse tipo de souvenir ali. Imediatamente a moça me respondeu, em português, se queria para enfeite ou para uso de cozinha. Bah! Levei um baque e demorei a responder. Está certo de que o meu inglês não é dos melhores, mas como é que ela descobriu que eu falava português?! Solucionei o mistério quando ela me comentou de que muitos brasileiros passam por ali e que tínhamos um jeito típico, que se destacava. Curioso! É verdade de que os brasileiros estão invadindo o mundo também. Todos já demonstram certo respeito e interesse em nos atender. Sabem que de alguma forma gastaremos o nosso suado dinheirinho com eles. Sinal dos novos tempos, também... Em toda a viagem não me senti constrangido. Tinha esse receio por ter ouvido muitas estórias de brasileiros que viajaram para a Europa e que reclamavam de preconceito ou desdém. Sinceramente, não sentimos nada disto em momento algum. Muito pelo contrário. Muitas vezes demonstravam um esforço em querer nos atender e falar o português. Esta cidade, por curiosidade, está junto ao canal que liga dois grandes lagos da Suíça. E ele passa bem ao meio. É impressionantemente! Integrado às casas e construções, dá um toque a mais na própria beleza do lugar. Bem, compramos uns chocolates, canivetes e algumas lembrancinhas mais e seguimos nossa rota até Berna.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205184916.png 500 375.370919881 Legenda da Foto]Canal - Interlaken – Suíça.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205185114.png 500 374.269005848 Legenda da Foto]Centro – Interlaken – Suíça.[/picturethis]

 

Nesses locais, também é redundante falar na organização e distribuição de residências, prédios e, principalmente, os meios de transporte. É impressionante a visão que eles têm a esse respeito. Sempre a visão é o próprio cidadão. Disponibilizam todo e qualquer meio para que as pessoas se locomovam de forma fácil e ágil, quando têm necessidade, com muito conforto. Os trens e ônibus urbanos são de alta qualidade além de eficientes. Outra coisa que é muito incentivada por toda a Europa é o uso da bicicleta. E, realmente, ela está incorporada massivamente. Em Berna chegamos ver até um grande grupo de pessoas fazendo uso daquelas “SegWay”, que se parece com um patinete, mas com rodas laterais e que se movimenta com o jogo de corpo, mesmo que debaixo de chuva. A somar a tudo isto existe a tentativa de difundir o uso de carros elétricos. Nesta cidade, a rua mistura, em muitos pontos, os carros com os trens. Foi uma coisa inusitada para nós que não estávamos acostumados, dirigir competindo com trens pelas ruas. E pelas andanças de reconhecimento desta cidade, descobrimos, para a nossa surpresa, um pequeno grupo de casebres logo após a universidade em relação ao centro. Uéi?! Por lá também vimos favela, mesmo que diminuta. Eram casebres de dois metros por três, mas também mantinham certa organização e padrão. Que coisa interessante... Achamos que aquilo era uma opção excêntrica de vida. Aquilo não cabia e não combinava com tudo que estava ao redor. Já tínhamos visto cortiços na França e na Itália. Por lá tudo bem, se aceitava mais naturalmente, mas por ali, não compreendemos. Estamos até agora intrigados.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205185307.png 500 374.639769452 Legenda da Foto]Trem - Centro - Berna - Suíça.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205185454.png 500 371.757925072 Legenda da Foto]SegWay - Centro – Berna – Suíça.[/picturethis]

 

Estávamos de saída da Suíça. Tão sonhada e esperada visita. Estávamos satisfeitos ao ponto de incluí-la na lista das revisitas de uma próxima viajem. Acho que juntamente, considerando Alemanha e Áustria. Nossa direção agora era a tão esperada, por minha esposa, Paris. A cidade das luzes. Tão logo saímos da Suíça em direção à França. Fomos recebidos com um duplo arco-íris e o sol. Bah! Pensei que havia nuvens somente sobre a Suíça mesmo. Pois, foi somente lá que presenciamos chuva e mau tempo. Que coisa! Acredito que tenha relação com a topografia de lá. E que a melhor época seja o alto do verão para se ter garantia de sol. Voltamos às plantações de frutas, combinadas agora com milho e outras forragens. Era uma França ligeiramente diferente daquela que vimos ao sul. Permaneceu a presença da arquitetura e do estilo dos vilarejos. Novamente optamos por estradas vicinais, para economizarmos nos pedágios e conhecer um pouco mais o interior da França. Passamos por algumas regiões montanhosas muito bonitas na altura de Bonnal e Gourgeon.

 

Quando estávamos chegando a Dijon, por onde passamos voando, sem parar para pelo menos dar uma volta na cidade, o motor-home fez um barulho estranho. Parecia ter furado o cano de descarga. Fazia um barulho típico deste problema. Parei, tentei olhar por baixo e não vi nada. Como não tinha afetado nada na condução do carro aparentemente, seguimos viagem com aquele barulho chato. Visualizei o painel e nada. Apenas a mesma luzinha que se mantinha ligada desde a nossa partida. Quando subíamos algum morro, notava que perdia a potência, mas seguia sem maiores problemas. Pensei em ligar para a locadora, mas resolvi aguardar por mais um tempo. Atento quanto ao estado do veículo continuávamos seguindo em direção a Paris. Queríamos chegar lá ainda cedo, localizar um lugar e aproveitar o entardecer por lá.

 

Passamos por Bayel, aonde fabricam cristais e próximo dali também Champanhe. Em Troyes, que possui parques temáticos. Em Essoyes, era o ateliê de Renoir. Íamos passando por aqueles vilarejos e curiosamente não víamos pessoas. Eram habitados, mas não aparecia ninguém. Seja ao redor das casas, na rua ou mesmo nas plantações trabalhando. Tinha movimento, mas não se via ninguém. Curioso mesmo. Por este lugar, avistamos até uma usina nuclear enorme. Seria este o motivo!? Estavam todos mortos, eram cidades fantasmas... Claro que não, havia animais nos campos por todo o lado... hehehe

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205185650.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Vila próxima de Essoyes (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205185840.png 500 375 Legenda da Foto]Proximidades de Essoyes (FR).[/picturethis]

 

Quando fomos à busca de um lugar para ficar optamos por um gratuito que ficava junto a Eurodisney. Fomos até lá conferir, estava no nosso caminho... Não rolou! Era um pátio de um posto de combustível. Às vezes os catálogos pregam algumas peças também. Deu para ver mais ou menos o que era a Eurodisney. Em minha opinião, pelo que pude ver, é como um BetoCarrero melhorado, maior. Mas, tudo bem! Não era o nosso foco mesmo. Seguimos em direção a zona central de Paris. Lá, havia outra opção.

 

Chegamos à cidade pela parte onde ficam situados os prédios de empresas, uma zona de negócios. E fomos circundando a cidade. Tal qual ocorria com as demais grandes cidades por onde havíamos passado. Eles transformam seu trânsito, construindo anéis viários, que circundam as cidades, literalmente. Facilita muito isto. Basta entender o esquema. Se bem que com o GPS, não traz receio algum, para quem dirige por esses lugares. Desta forma, já estávamos passeando. Sempre se aproveita tudo. Mesmo a partir da fase da busca por um local para se ficar. Já tínhamos visto o rio Sena e os diferentes tipos de arquitetura dos locais: a parte moderna e a charmosa. Avistamos a parte do Sena, onde ficam os barcos moradia. Muito interessante! Tem neguinho que gosta de viver mareado por lá... hehehe Tudo bem organizado. Nessas grandes cidades eles têm uma técnica de se colocar grandes painéis em alguns pontos ou é para atacar o barulho da rodovia, ou esconder locais que não desejam que sejam vistos, ou ainda para que não distraia quem passa por ali conduzindo algum tipo veículo. Isto é bom! Havia visto desses painéis no Rio de Janeiro colocados na rodovia que sai do Galeão em direção ao centro da cidade. O objetivo lá era para esconder parte da favela e tentar inibir assaltos na própria rodovia (arrastões). Putz! Que decadência! Que diferença de concepção e finalidade! Temos que melhorar isto aqui no Brasil. Não é possível! Essa maldita e injusta distribuição de renda em nosso país resulta neste caos. Isto provoca uma seqüência de mazelas que parecem ser incuráveis. Parece que estamos aguardando uma guerra civil para tomar-se uma atitude digna e definitiva, na tentativa de se erradicar a pobreza de uma vez por todas. Vamos Brasil... Vai que dá!!

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205190043.png 500 376.470588235 Legenda da Foto]Centro Financeiro - Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205190209.png 500 375.730994152 Legenda da Foto]Barcos Moradia – Rio Sena – Paris (FR).[/picturethis]

 

Para alegria de nossa nação, naquele momento... Encontramos um camping às margens do Sena no bairro Bois de Boulogne. O camping tem o mesmo nome do próprio bairro onde fica. Muito bom! Muito caro também. Mas, pela localização e pelo que oferecia, estava ótimo! Enquanto a minha esposa e filha cuidavam do trâmite burocrático na recepção do camping eu fui ao encontro de um bom local para estacionar o motor-home. Geralmente, procuro uma vaga que fique próximo à saída do camping e próximo dos banheiros. Encontrei uma ideal tendo essas características. Liguei o carro à luz do camping, coloquei-o no nível após ter encontrado alguns tijolos e pedras, que estavam por ali dando sopa, e as usei como apoio sob as rodas. Tudo pronto! Todos, perfumados e arrumados pegamos o ônibus que serve o camping, exclusivamente, em direção ao centro. Durante o trajeto decidimos nosso destino de passeio. A decisão foi pegar o metrô e irmos até a Galeria Lafayette fazer ou tentar fazer compras. Claro que para sofrer um pouco com a sofisticação e preços que não nos pertence... hehehehe Linda! Uma obra de arte por si só. Os preços e artigos que existiam lá eram proibitivos. Foi bonito de ver o mar de chineses fazendo fila na entrada das lojas de grifes famosas. Incrível a quantidade de sacolas que cada marido chinês empunhava. Engraçado e até paradoxal: os chineses fabricam e enchem o mundo com porcarias, mas estavam torrando altas somas em artigos de extremo luxo. É, sinal dos novos tempos, dos novos ricos orientais. Dá nada... Estávamos em Paris, já pensou?! Terminamos a visita à galeria, atravessamos a rua e compramos o queríamos na loja em frente, onde os preços eram bem mais atrativos.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205190349.png 500 376.770538244 Legenda da Foto]Camping Bois de Boulogne- Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205190542.png 375.56561086 500 Legenda da Foto]Galeria Lafayette – Paris (FR).[/picturethis]

 

Após, fomos a pé caminhar um pouco até a Academia Nacional de Música. Uma construção muito bonita também. A esta altura já estávamos inseridos na vida dos parisienses. E seguimos caminhando passando pelo Olympia, Igreja Santa Madalena, restaurante Maxim´s, Praça Concórdia (fontes e obelisco) e avenida Champs-Élysées... Ufa! Ali fizemos uma paradinha para comer um crepe e tomar uma água. Dá um cansaço, mas é a melhor forma de se conhecer esses locais com um tempinho para a apreciação. Principalmente, se o tempo de estada é curto. Seguimos caminhando pela avenida até o Arco do Triunfo. Pena estar meio nublado naquele momento. Queríamos pegar o por do sol diante do arco. Passamos também pelo Grand Palais com o seu majestoso teto de vidro, pelas lojas de grifes famosas e pelo Lido. Quando estávamos quase diante do Arco do Triunfo estava noite e queríamos ir até ele, bem próximo. Mas, a quantidade de carros que passavam, por ser estar num entroncamento de várias avenidas, causou-nos uma grande dificuldade para atravessarmos até lá. Ufa! Conseguimos e saímos vivos da empreitada. Bah! Ao chegar do outro lado percebemos que o correto seria termos entrado num túnel subterrâneo que daria o acesso até o arco, em segurança. Pensamos que fosse entrada do metrô. “Choses dans la vie!”. Estávamos em dúvida se subiríamos nele ou não. Na dúvida, sempre vamos! Que show! Ficamos lá em cima, por mais de uma hora. Vislumbrando a Paris de noite. E com uma vista privilegiada para a Torre Eiffel com seus efeitos de luzes. Eu não queria mais ir embora dali. Mas, cansados, cedemos, e voltamos a nossa casa-móvel.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205190758.png 500 374.631268437 Legenda da Foto]Praça Concórdia - Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205190934.png 500 373.177842566 Legenda da Foto]Champs-Élysées – Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205191120.png 500 379.056047198 Legenda da Foto]Arco do Triunfo - Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205191254.png 500 377.192982456 Legenda da Foto]Torre Eiffel – Paris (FR).[/picturethis]

 

Manhã seguinte, visita à Torre Eiffel. Sem comentários... Só digo que tem que subir até o topo mesmo. Nada de vertigens nesta hora. A vista é fantástica! De 360º. De lá se consegue visualizar todos os pontos turísticos como se estivesse visualizando um mapa, só que em tamanho real. Depois de descermos da torre, logo em frente a ela pegamos o ônibus de turismo, como se sabe, de hábito, e seguimos o roteiro pelos principais pontos da cidade: museu do Louvre, a catedral Notre Dame, Praça Vendôme, Praça da Bastilha e as belas e famosas pontes sobre o rio Sena. Quando estávamos dentro do museu do Louvre ocorreu um fato curioso, por sorte já tínhamos visto tudo o que desejávamos ver por lá, incluindo a Mona Lisa. Iniciou-se um corre-corre de guardas e homens de preto, que assustou. Aos gritos diziam que todos deveriam desocupar as salas de exposição. Iam tocando o pessoal feito gado. E xingamento se entende em qualquer língua. Tentei perguntar o que estava ocorrendo para um dos “MIBs”, nem bola... Simplesmente, esvaziaram grande parte das salas, permanecendo um povo no saguão de entrada. Creio que ocorreu alguma coisa no sistema de alarme e segurança do museu e os guardas entraram em polvorosa. Bem, estávamos de saída mesmo... hehehe Acho que estavam filmando a “Pantera cor de Rosa”. Que sorte! Ta vendo, nem tudo é azar, nem tudo dá errado... Sempre dá certo... Vai que dá! Mas, continuo dizendo que o museu do Vaticano é mais bonito e grandioso! Inclusive no Louvre existem muitas obras cedidas pelo Vaticano, em exposição. Só para ver o poder e quantidade de obras sob posse da igreja católica. Impossível não pensar no que são velados a nós, meros mortais. O que deve existir de coisas maravilhosas guardadas a sete chaves... Nesse museu creio ter descoberto o motivo das francesas gostarem de fazer topless. Acho que se baseiam nos quadros que retratam a Bastilha e outros, onde mostram muitas mulheres empunhando a bandeira da França com os seios à mostra. Ou isto, ou são mais liberais mesmo... hehehe. Com o tempo cada vez mais curto, muitos lugares tiveram que ser incluídos na lista da revisita: Sacre-Coeur, Conciergerie, Palais Royal, Place des Vosges, Saint-Chapelle, Jardim de Luxemburgo, passeio de barco pelo rio Sena, Collège des Bernadins, parque André Critroen, Jardim de Monet, Sorbonne, igreja Saint Louis en lle. Não deu tudo que planejamos... Final de festa!! Já estávamos no espírito da volta para casa... Abandonando o friozinho parisiense, presente já nesta época do ano.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205191447.png 500 375.722543353 Legenda da Foto]Base Torre Eiffel - Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205191608.png 500 374.639769452 Legenda da Foto]Vista Parcial – Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205191736.png 500 374.639769452 Legenda da Foto]Museu do Louvre - Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205191922.png 500 377.521613833 Legenda da Foto]Ao fundo à esquerda a Ópera de Paris (FR).[/picturethis]

 

Jantamos em meio a um sentimento de fadiga, mas achando que o bom mesmo, seria mais uns seis meses de passeio... hehehe Dormimos e na manhã seguinte estávamos prontos para partir. Não sem antes visitarmos o palácio de Versailles. Indicado por muitos. Ele fica afastado alguns quilômetros de Paris. Como tínhamos condução própria, isso não era problema. Nessas questões, dávamos de “lavada” na parte logística, referente às outras formas ou opções de se fazer turismo. Nosso ir e vir sempre foi muito fácil, confortável e rápido. A visita a este palácio, também é um ponto que não pode ser deixado de lado. Teria valido a pena somente pelo salão dos espelhos. Uma soberba! Não chegamos a ver toda a extensão dos jardins e recantos de Maria Antonieta. Porém, nos aprofundamos na história sobre este local através dos “radinhos” que forneciam aos visitantes, em português. A visita normal deve durar em torno de um dia. Mas, tínhamos que iniciar nosso retorno a Madri. Eu estava ansioso para resolver a questão dos estragos do veículo e ainda mais o problema do barulho que surgira há pouco.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205192107.png 500 376.093294461 Legenda da Foto]Salão de Cristal - Palácio de Versailles - Paris (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205192245.png 500 378.223495702 Legenda da Foto]Jardins do Palácio de Versailles – Paris (FR).[/picturethis]

 

Programação da volta era passar por Bordeaux, antes por Bourges e Limoges. Em Bourges havia uma igreja aonde muita gente vinha em romaria. Nós demos uma volta pela cidade, na tentativa de encontrar uma oficina da Fiat para dar uma olhada no carro. O barulho vinha aumentando e eu já tinha mudado a idéia de que era problema com o cano de descarga. Achava agora que fosse em algum dos bicos injetores. A potência do carro tinha decaído muito e estava preocupante continuar daquele jeito. Parecia que o carro sentiu que estávamos terminando o passeio e começou a “arriar as pernas”. Nosso planejamento era chegar na sexta-feira (23/11) no inicio da tarde em Madri, para termos tempo de discutir o necessário sobre os estragos, com o pessoal da locadora. Mas, a coisa estava ficando difícil, não estava rendendo muito na estrada. E a cada tentativa de localizar uma autorizada Fiat, pelas cidades que passávamos, perdia-se muito tempo. Simplesmente, o pessoal não sabia onde existia uma oficina para indicar ou quando achávamos uma concessionária, vinham com desculpas absurdas para não pegar aquele “abacaxi”. Era sexta-feira e nós em viagem, o carro sendo da Espanha, preferiam indicar a próxima cidade ou oficina. Isto aqui no Brasil, não ocorreria. Certamente se encontraria uma boa alma para ajudar ou dar alguma opinião. Ponto para nós, neste quesito! Aleluia irmãos!!! Hehehe

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205192421.png 500 376.453488372 Legenda da Foto]Centro - Bourges (FR).[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205192600.png 500 377.581120944 Legenda da Foto]Pirineus ao norte - Arredores de Burgos (ES).[/picturethis]

 

Vamos, vamos... Vai que dá!!! Era a única coisa que nos restava... Torcer! Com mais fervor desta vez... Com a esperança de chegar a Madri, ainda naquele mesmo dia. Nosso vôo para o Brasil era na manhã seguinte. Entre um suspiro e outro, vínhamos observando a paisagem desta região que era um pouco diferente. Bela também! O que começava a nos chamar a atenção era o pessoal que estava realizando o caminho de Santiago. Vimos muitos andantes por esta região. Bah! Queria muito fazer um desses caminhos a Santiago de Compostela. Não desta vez! Não queria imaginar a possibilidade de ficar a pé naquela hora.

Antes de entrar em território espanhol novamente, mais pelo sopro dos ventos, do que pela força do motor, passamos por Biarritz, litoral atlântico e famoso balneário da França. Porta de entrada ao país basco. Sim, isto mesmo! Região da Espanha em contínuo conflito para a sua independência. Muita luta motivada pelo grupo de extremistas: ETA. Eta ferro... É nóis na fita! Só faltavam mais uns 500 km. Pertinho... E o carro, puf, puf... Mas, seguindo. Acho que por força mental positiva a partir deste momento...

 

Ao atravessar a fronteira, a mudança da topografia e de tudo, mudou muito. Um susto repentino. Estávamos atravessando os Pirineus novamente, só que ao norte desta vez. A região voltou a ficar árida e a arquitetura mudou completamente. As cidades eram diferentes, de forma mais desorganizada. Mas, continuava existindo qualidade. A primeira língua usada por esta região também não é o espanhol e, sim o a língua Basca. Uma mistura muito louca e diferente. Não tivemos muito tempo e contato com essa região. Nossa meta continuava sendo Madri.

 

Deixamos Bilbao e Pamplona para outra vez também. As cidades e vilarejos que passávamos eram daquela época medieval, guardando todo o ar daqueles tempos. Bem preservados e com moradores bem acomodados naquela terra árida. Com boas estradas e fluxo contínuo de veículos. Além dos trens ao largo da rodovia. Estávamos retornando, dentro da Espanha, por rodovias excelentes. Recém prontas. Por isto, ainda não estavam cobrando pedágio. Diferentemente, daqui... hehehe Assim, decidimos seguir por elas.

 

Deixamos Burgos para trás também. Poucos quilômetros percorridos, muitos castelos a nossa vista. Queríamos muito visitar Segóvia, para conhecermos o famoso aqueduto. Também ficou para trás. Faltava agora uns 200 km até Madri. A torcida e apreensão aumentavam. Já estava ficando tarde. Apesar de que na Espanha tem-se o hábito de se fazer a cesta. Tínhamos isto a nosso favor. Porém, era sexta-feira. Ai, ai... Será que vai dá?! O carro vai agüentar! A cada colina ou pequeno morro que tínhamos que seguir, o carro ficava muito lento. Tínhamos sempre que ceder lugar para os demais veículos que ali transitavam. Inclusive caminhões. Se bem que os caminhões de hoje em dia, trafegam com velocidades semelhantes a de carro pequeno.

 

Não acreditei quando chegamos a Madri. Um pequeno detalhe... Não sabia mais aonde tinha colocado as coordenadas da locadora para seguirmos facilmente até ela. Bah! Brincadeira não?! E eu não tinha internet naquele momento e com muita pressa de chegar a tempo de resolver tudo naquele mesmo dia. Meu Deus! Colocamos o endereço, mas não deu certo. Apenas perdemos tempo. Aí, lembrei de colocar o destino através de um ponto de interesse que era aquele shopping da pista de esqui. Eu lembrava o nome dele: Xanadu. Bingo! Localizamos no GPS o endereço exato da locadora. Já no caminho, já era tarde... Acreditávamos que estaria tudo fechado. Tínhamos ficado com uma chave do portão além do telefone do proprietário. Eu queria e, fiz de tudo, para que houvesse condições de resolver diretamente com ele, com tempo para isto. Não queria ter o trabalho de localizar um atendente àquela hora. Ninguém estando na empresa, forçaria alguém a ter que voltar para me atender. Ninguém teria tanta motivação para isto. Era sexta-feira, sabe como é?! Em qualquer lugar do mundo o pessoal fica alterado, não tem jeito... Mais uma vez o céu se abriu a nosso favor. Encontramos o proprietário no sentido inverso ao nosso a cem metros da empresa. Aleluia irmãos!

 

Reconheceu-nos, lógico! E prontamente deu meia volta e foi nos receber. Que pessoa! Percebeu que eu estava meio ansioso e não tão à vontade... Perguntou como tinha sido a viagem, a experiência e os causos... Propositalmente, fez de conta que não lembrava muito bem dos problemas. Impressionantemente, para me acalmar. Eu não resisti e comecei a relatar e apontar no carro o que havia ocorrido, mostrando as janelas e os arranhões na fibra. Falei do problema do motor. E ele mantinha-se quieto, somente ouvindo... Perguntou se iríamos pernoitar ali no pátio da locadora e a que horas seria o vôo na manhã seguinte, para combinar como fariam o nosso translado até o aeroporto. Depois nos mostrou como poderíamos usar as instalações para fazer a manutenção do motor-home, se fosse necessário, para aquela noite. Deu-nos o segredo do alarme da empresa e a chave. Ou seja, primeiro quis resolver todos os nossos problemas e dúvidas que poderíamos ter naquele momento, para somente depois, calmamente, nos convidar para acompanhá-lo até o escritório e conversarmos sobre os custos para cobrir os estragos. Bah! Comecei a suar... Sabe-se que quando a esmola é demais o santo desconfia... Durante toda a conversa não insistiu nem mesmo no seu direito de receber o carro limpo, que era uma das cláusulas do contrato. Por certo, teríamos que pagar pela limpeza. Continuávamos conversando calmamente... Diante de tudo exposto ambos sabíamos que havia a possibilidade de se acionar o seguro. Mas, não era uma saída interessante para nenhum de nós. Ele por ser sócio de uma empresa que construía motor-home, poderia repará-lo a baixo custo. E eu por ter que pagar a franquia, que era um valor bem maior do que total previsto para o conserto. Então, ele me fez a proposta de me devolver a metade do valor que eu havia desembolsado pela janela substituída em Barcelona, e daria tudo por acertado. Ele estava motivado em fazer isto, por não ter havido custos, pela não solicitação da substituição do motor-home, no local aonde apresentou inicialmente o problema mecânico. Tínhamos o direito de pedir isto. Digamos que saiu barato, para ambas as partes. Dei-me por satisfeito e muitíssimo agradecido à locadora e a seu proprietário. Combinamos então, o horário para que na manhã seguinte fossemos levados ao aeroporto e nos despedimos.

 

Já bem mais tranqüilo, tomamos um banho e fomos às compras no shopping Xanadu. Por lá mesmo, jantamos numa churrascaria onde o proprietário era um brasileiro. Satisfeitos, após algumas compras mais, voltamos para arrumar as malas. Esta hora é triste! Mas necessária... Acabou o passeio.

 

Bem cedo, três horas antes do horário marcado para vôo, chegou aquele colega brasileiro para nos levar ao aeroporto. Conversamos, contamos nossas experiências, nos distraímos um pouco e fomos ao aeroporto de Barajas. Mais, uma gentileza do pessoal da locadora. Que coisa boa, ser bem tratado, não é?! Chegando ao aeroporto com bastante tempo, fomos fazer o check-in. Olha, o aeroporto é enorme. Levamos uns 20 minutos para sair do estacionamento, pegar o metrô interno e ir até o balcão da aduana. Passamos por ela sem maiores problemas. Ainda tínhamos praticamente duas horas e meia para o embarque. Na fila do check-in, por mais alguns minutos. Andou rápido, era bem cedo, não tinha muita gente. Chegamos ao balcão da atendente, apresentamos os bilhetes, enquanto desmanchávamos uma mala que havia ultrapassado o peso, ali mesmo, fazendo uma pequena transfusão de roupas para algumas sacolas de mão. Para completar o mico... A moça nos avisou que nosso embarque não estava garantido, que estaríamos numa lista de espera. Ocorrera “overbooking”. Bah! De pronto, enlouqueci. Enchi a moça de argumentos e disparates. Imagina?!$%¨#@!#$# Eu havia comprado essas passagens três meses antes da data daquele embarque, com acento marcado e tudo mais. Como poderia ocorrer aquilo?! Não adiantou nada eu sapatear na frente daquele balcão. Ela me contra-argumentou dizendo apenas que isto está previsto no código internacional de vôo. Cachorrada, isto sim!! Olha, não sei se estava furioso ou medroso com a situação. Na segunda-feira seguinte todos nós tínhamos nossos compromissos, na volta para o Brasil. Não teve jeito, tivemos que despachar as malas e ficar na torcida...$%¨%#@!

 

Nesse meio tempo, fomos até o balcão específico, para receber a devolução do imposto IVA, que fica ali no aeroporto mesmo. Isto é feito em dois lances: primeiro vai ao guichê do governo com esse propósito, basta ver a sinalização, para o formulário ser carimbado; depois vai direto ao guichê de pagamento ou reembolso. Todos devem se atentar para saber como fazer isto. O percentual para a devolução pode variar de estabelecimento para estabelecimento, e deve ser conversado sobre isto com o atendente do local em questão. Após a sua compra, solicite o preenchimento de um formulário específico que dará direito à devolução do imposto IVA. O formulário ou o procedimento para tal chama-se “Tax Free”. Sem o formulário preenchido pelo estabelecimento, não adianta nem tentar conseguir a devolução. O percentual de devolução em relação ao valor da compra gira em torno de dezoito por cento. Vale muito à pena! Peça o formulário preenchido a cada estabelecimento em que seja possível se fazer isto, mesmo que demore um pouquinho mais. Poderá considerar que sempre estará comprando com um desconto de praticamente vinte por cento. Muito bom! Pegamos nosso dinheiro nesse guichê de reembolso. Sim, pagam em espécie. Depois fomos “chorar as pitangas”, junto ao balcão da companhia aérea.

 

O relógio começou a andar mais rápido e estava quase na hora do embarque. Nesta altura dos acontecimentos, já havia muitos outros brasileiros na mesma situação do que a nossa. Todos nós indignados junto ao balcão da companhia. Pedíamos explicação e nada. Somente nos indicavam que devíamos aguardar após todos embarcarem, para ver se restariam alguns lugares naquele vôo. Claro que somente se marca o assento, propriamente dito, no check-in. Mas, também, a companhia aérea não poderia ter vendido passagens a mais. A jogada é a seguinte: eles vendem antecipadamente lugares em vários vôos por preços promocionais, nosso caso e dos demais em fila de espera, daí como nem todos os vôos viajam lotados eles vendem no balcão a preço cheio novas passagens, mas já com lugares marcados, se houver procura. Se todos aparecerem para

embarque, a coisa pipoca desse jeito... Mas, calma... Vai que dá!!

 

Chegou a hora, todos enfileirados. Muitos até chorando, literalmente. Ou porque perderiam o emprego ou porque haviam deixado as suas crianças em espera. Uma loucura! Escândalo era a palavra de ordem. O senhor espanhol que organizava a fila para o embarque dizia: “...calma, já estou acostumado com isto. Trabalho aqui a mais de 20 anos...”. E todos em coro: “... mas é o senhor que está perdendo o vôo. Ou fala por que tem para onde voltar hoje à noite?...”. Bah! Uma loucura total. Que experiência maluca. Entraram todos os da fila, a bordo! Ainda assim, chegavam alguns retardatários. Pena que não quebraram a perna na correria que vinham. Assim perderiam o vôo e abriria chance para nós. Que barbaridade! Brincadeirinha... hehehehe O tumulto estava formado em torno daquele senhor engraçadinho. O interessante é que todos, por mais resoluto que pareça, nessas horas, despenca do salto e roda a baiana como todo mundo. Entraram a bordo, também os retardatários! Enfim, vamos à lista de espera. Parecia uma divulgação do resultado da “mega sena”. Não rolou! Sobramos nós e mais um bando de brasileiros desesperados. Tinha “neguinho” ali que já estava dormindo a dois dias no aeroporto, com esposa e filhos. Neste caso, a criatura havia perdido o seu vôo. Então, tava pagando por seus pecados. Não adianta, tem que chegar cedo no aeroporto para o embarque, para não correr este tipo de risco. Voltamos ao “overbooking”, então. Mandaram-nos seguir dali do portão ao balcão da companhia novamente. Pernas para que te quero... Nessas horas, a coisa fica feia, muito feia mesmo. O ser humano demonstra totalmente o seu egoísmo. É cada um por si e seja o que Deus quiser... Até tentei formar um bloco, para termos mais força junto à companhia, que nada... Ninguém deu a mínima. Corre, corre... Tenho que chegar à frente, se o negócio é disputa. Deixei mulher e filha para trás e me virei em pernas...

 

Segundo a chegar ao balcão. Porém, minha atendente era uma “plasta”. Enquanto ao lado eu presenciava o pessoal resolvendo o seu problema. Minha “colega de trabalho” não seguia adiante e, sempre, tinha a necessidade de perguntar alguma coisa a algum colega, para poder seguir. Bah! Será que está estagiando e eu fui o premiado?! Jesus! Tentava ser simpático com a moça para não deixá-la mais nervosa ainda, do que já estava. Mas, o pessoal em volta começou a perceber aquele desastre de atendente começaram a rir e fazer piadas. Sabe como somos quando estamos em grupo. Os brasileiros tiram sarro mesmo, não querem nem saber. Desta forma, o atendente que estava ao lado deu uma força para a moça... Assim, conseguimos receber a remarcação das passagens para o dia seguinte no mesmo horário. Apesar de que a única possibilidade para o nosso destino, com três pessoas para viajar, era fazendo algumas escalas pelo Brasil. Sairíamos de Madri a Fortaleza, depois Recife, depois Rio de Janeiro e, por fim, Porto Alegre. Ufa!! Se tudo desse certo seriam apenas 24 horas de duração essa ponte aérea. Depois disto tudo, já na segunda-feira pela manhã, quando chegássemos a Porto Alegre, ainda tínhamos que pegar o carro e viajar por mais duas horas até a nossa cidade. Mas garantimos nossa volta. Ai, ai... Já estava tendo um surto e querendo tirar férias novamente. Após essa notícia, ainda ficou uma dúvida quanto à passagem de minha filha. Mas, a mesma atendente nos garantiu que não daria problema algum e eu poderia seguir sem receios. Só com essa frase dita por ela, eu já comecei a tremer na mesma hora.

 

Atenção senhores passageiros... Que estão procedendo com a remarcação de suas passagens... Atenção! Disse uma voz ao fundo. Antes de nos despachar do balcão vieram com uma boa noticia, que eu e os demais aguardávamos... É procedimento também. A remarcação de passagens por “overbooking” segue algumas normas de direitos aos passageiros, por incrível que possa parecer. Neste caso, vôo internacional, com mais de seis horas de espera, tínhamos o direito a hospedagem, translado, alimentação e, também, a um reembolso financeiro por danos causados. Opa! A coisa começou a melhorar... Mas, para isto... Teríamos que ir a outro balcão e entrar noutra fila, para receber novas instruções a esse respeito. Fomos até lá, após um tempinho a mais, recebemos o “voucher” do hotel e mais os cartões que dariam direito de sacar, em espécie, os valores de reembolso num caixa automático, inclusive os do próprio aeroporto. Olha, o valor deste reembolso foi proporcional a setenta por cento do valor de cada passagem que havíamos comprado para esta viagem. Então, estava valendo o sacrifício. Além disto, teríamos mais meio dia e uma noite em Madri. E já tínhamos planos... Mas antes, sacamos o dinheiro, fomos pegar as malas para não correr o risco de serem perdidas, mesmo com a insistência deles que iriam ser recolocadas em nosso vôo do dia seguinte. Sabe como é... Essas malas têm vida própria. Não dá para deixá-las sozinhas e abandonadas por aí. Após, nos dirigimos até a saída do aeroporto para pegar a “van” que nos levaria ao hotel.

 

Maravilha, hotel quatro estrelas, excelente! Demos entrada, pegamos as senhas de internet e subimos ao nosso quarto para tomarmos um banho... Fomos chamados pela portaria, dizendo que o almoço estaria sendo servido e estavam nos aguardando. Que maravilha!!! Eram três da tarde e nós morrendo de fome... No restaurante do hotel encontramos vários daqueles que estavam conosco anteriormente, no aeroporto, naquela batalha cruel. Enquanto almoçávamos, jogamos um pouco de conversa fora com aquele pessoal, relatando as experiências quanto ao problema. Depois saímos em direção ao metrô que ficava perto dali, queríamos ir ao centro de Madri, para fazer compras. Claro! Estávamos podendo... Com o dinheiro extra que surgiu e com mais tempo a favor... hehehe

 

Chegamos à estação “Porta do Sol”, centro de Madri. Impressionante a quantidade de gente que estava por ali. Realmente, o pessoal de lá sai de casa para passear e curtir a cidade. Havia shows de rua a cada esquina. Uma coisa eletrizante! Ficamos por lá passeando e comprando até o cair da noite. Voltamos ao hotel, jantamos e dormimos cedo para estarmos bem e podermos enfrentar a maratona que iria começar no dia seguinte.

 

Cedinho, tomamos café e fomos pegar a “van” para irmos para o aeroporto novamente. Foi tudo muito tranqüilo, desta vez o check-in não iria nos apresentar surpresas. Tínhamos os bilhetes com acentos marcados e garantidos por eles mesmos. A não ser que a companhia quisesse tomar mais prejuízo conosco. Sim, porque, fazendo as contas, nos pagaram para viajar a Madri, descontado a questão de que chegaríamos um dia atrasados em casa. Depois de um tempo passeando pelo “Duty Free” do aeroporto, nos dirigimos ao portão de embarque... O melhor disto, desta vez, embarcamos realmente.

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205192804.png 500 376.811594203 Legenda da Foto]Topografia e Solo da Espanha.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205192939.png 500 376.453488372 Legenda da Foto]Estreito de Gibraltar – Ceuta (ES) África e Tarifa (ES) Europa.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205193103.png 500 375.362318841 Legenda da Foto]Deserto Sahara Ocidental.[/picturethis]

 

[picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20111205193220.png 500 375.722543353 Legenda da Foto]Fortaleza (CE) – Brasil.[/picturethis]

 

Apesar de todo o cansaço da volta, com as escalas e outros detalhes... Fizemos uma boa viagem. Chegamos ilesos, com a mala cheia de lembranças e coisas maravilhosas para compartilhar com todos que nos aguardavam.

 

Que fique aqui o alimento combustível, para que se repita esta experiência. Ou para que se embarque numa próxima viagem... Vai que dá!!!

 

 

Depois colocarei o mapa da viagem...

 

Abraço!

 

Dé Ramos.

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Olá Dé,

 

Bela viagem a de vcs!!!

Estamos programando a nossa para abril e maio/2012. Praticamente o mesmo roteiro, só que iniciaremos a nossa em Barcelona, e desceremos de Andorra para Carcassonne, e na Itália, passaremos por Torino, Mont Blanc, seguindo até o sul da Alemanha, Áustria, Polônia, República Tcheca, voltando para Alemanha (Munique), onde entregaremos o MH.

Uma pergunta, vc conseguiu entrar em Mônaco com o MH, ou é melhor deixá-lo num camping e fazer tudo de trem e à pé?

Quando tiver mais alguma dúvida, posso te contatar?

Abs,

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