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Guaxinim Amigo

Apendicectomia: fazer ou não fazer?

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Apendicectomia é a retirada do apêndice, parte do intestino grosso que se localiza na parte inferior direita do abdome. Quando inflamado provoca apendicite.

 

Astronautas e cientistas que trabalham em estações climatológicas nas regiões polares costumam fazer apendicectomia preventiva, ou seja, retiram o apêndice mesmo antes dele apresentar qualquer problema. Isto se deve ao fato de que, no espaço ou durante tempestades de neve (inverno polar) as chances de resgate e socorro em tempo hábil são nulas.

 

Para aqueles que praticam esportes como escalada, montanhismo de alta montanha bem como atividades cujo resgate pode ser demorado ou muito difícil, quando não impossível, a retirada preventiva do apêndice pode ser uma medida interessante, essencial em alguns casos.

 

Vamos levar em consideração que uma vez instalado o quadro infeccioso, tanto a dor (quase insuportável) quanto o estado clínico do indivíduo (febre, mal estar) impossibilitam o esforço e até mesmo a simples caminhada.

 

Aqueles que como eu já tiveram apendicite aguda sabem que o único caminho é a cirurgia no menor tempo possível, a fim de se evitar complicações que podem levar o indivíduo ao óbito.

 

Quando eu fui operado (apendicectomia) meu apêndice estava inflamado, eu tinha chegado de Belo Horizonte MG um dia antes. Comecei a sentir dores por volta de meio dia e aproximadamente as 21:00 hs estava na sala de cirugia.

 

Naquela semana outros 2 pacientes tiveram o mesmo problema mas infelizmente o quadro pós operatório não foi dos melhores e ele vieram a falecer. Quem me disse isto foi o próprio cirurgião quando fui retirar os pontos, na verdade eles não faleceram por conta da cirurgia mas sim por conta de peritonite provocada pela supuração e perfuração do peritônio provocada pela apendicite.

 

Os dois pacientes que faleceram residiam na área rural e ao invés de procurarem socorro imediato, se automedicaram com analgésicos que mascararam a gravidade do quadro, pois provavelmente a sensação de dor diminuiu mas a infecção progrediu.

 

O uso de analgésicos em casos de dor abdominal pronunciada deve SEMPRE ser acompanhado por assistência médica no menor prazo possível!

 

É bastante conhecida entre os alpinistas a gravidade de uma fratura ou mesmo torção de tornozelo em determinadas altitudes ou pontos de escalada, não propriamente pelo ferimento, mas pela dificuldade de locomoção do indivíduo, além das dificuldades óbvias de acesso e socorro. Entretanto, na grande maioria dos casos, a fratura ou torção por si só não representa risco de morte imediata para o sujeito.

 

O mesmo não se pode dizer de uma apendicite aguda. A cada hora que passa a infecção vai aumentando, a temperatura sobe, a respiração fica difícil. É ilusão e de grande temeridade achar que apendicite regride sem cirurgia, isto pode ser fatal. Em alguns locais do planeta só se encontra médicos e salas de cirurgia esterilizadas nas capitais dos países visitados. Em um veleiro no meio do Atlântico, mormente fora das rotas comerciais dos transatlânticos, como proceder? No alto de uma montanha ou no meio da selva, o que fazer?

 

Não seria mais prudente fazer uma apendicectomia preventiva para aqueles que praticam tais atividades desportivas?

 

Fica aqui o questionamento.

 

Valeu!

 

::carai::

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Paulo,

 

A atividade não desencadeia o processo inflamatório. O problema levantado pelo bichinho aí é que a apendicite é um inflamação aguda, isso quer dizer pode ocorrer de uma hora pra outra, e que evoluiu rapidamente para uma situação mais grave que é a peritonite. A dor é realmente grande e pode incapacitar a pessoa de andar. O tratamento hoje em dia é cirurgico e considerado um procedimento de urgência sendo realizado no mesmo dia.

 

A gente costuma brincar que a única função do apendice é inflamar.

 

Então a questão é essa: Eu faço uma cirurgia preventiva e acabo com a probabilidade de ter uma apendicite ou deixo como está e corro o risco da mesma ocorrer enquanto eu tiver em um local de difícil acesso?

 

Eu me lembro bem de uma dor forte que tive no meu 2° dia na Europa e que eu só pensava: " Graças a Deus, não é do lado direito (lado que fica o apendice)" Isso porque eu nem estava em local deserto, mas iria acabar com a minha viagem.

 

É uma discussão boa essa. Se não operar é um risco, se operar também é um risco (toda cirurgia corre risco de infecção)

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Não entendi.

 

Como atividades de montanha/selva podem desencadear a apendicite?

 

Abraços

 

Atividades de montanha não desencadeiam apendicite! Uma apendicite pode surgir após ingestão de grãos ou sementes tais como milho, sementes de melancia, pipocas ou sementes de pepino. É um processo lento e assintomático em princípio. Isto quer dizer que um indivíduo pode pegar um avião com uma mera irritação no apêndice no Rio de Janeiro (Bra) e ao desembarcar em Sidney (Aus) já estar com início de infecção, que se traduz em sensação de desconforto gástrico que antecede a dor e a febre.

 

Me sinto mais a vontade para comentar sobre os sintomas porque eu já tive apendicite, felizmente em casa.

 

Creio que uma vez que a cirurgia de retirada do apêndice seja feita de forma eletiva, isto é, não emergencial (sem inflamação), o paciente pode receber alta em média dois dias após a cirurgia, isto se não houver qualquer outra complicação que, geralmente, não costuma ocorrer nestes casos.

 

Todo procedimento invasivo tem seus riscos e mesmo uma cirurgia eletiva para retirada do apêndice apresenta riscos, entretanto normais e perfeitamente administráveis em um centro cirúrgico devidamente equipado, sendo estes riscos inerentes a qualquer outro procedimento cirúrgico eletivo.

 

Apendicite aguda somente se resolve com cirurgia, não adianta tomar antibióticos para combater a infecção pura e simplesmente. Os antibióticos são ministrados no pós operatório; sem o quadro infeccioso o risco de peritonite é quase inexistente observando-se as boas técnicas cirúrgicas.

 

Deste modo, a fim de se evitar uma surpresa desagradável talvez a apendicectomia preventiva seja uma boa medida, repita-se, para aqueles que são adeptos de esportes radicais ou extremos onde o resgate e o socorro sejam difíceis ou quase impossíveis em curto prazo.

 

::carai::

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Já deixo claro que o que eu vou escrever aqui é minha opinião pessoal antes que me joguem pedras tá rsrsrs

 

É claro como você mesmo disse que toda cirurgia tem seus riscos. E é também verdade que em uma apendicectomia eletiva (ou seja, aquela que você foi no médico, pediu pra fazer e marcou pra daqui a um mês, ou seja não é uma situação de doença) tem riscos bastante pequenos. Mas mesmo pequeno tem que se levar em conta que você está se submetendo a um risco para prevenir uma doença que você teria boas chances de passar a vida inteira sem nunca ter.

 

Por outro lado, apendicite não é uma coisa que mate em poucas hora. Mesmo numa situação de aventura exemplo, escalando uma montanha, você tem algum compenheiro que pode voltar pra pedir socorro, pode ter algum tipo de sinalizador de emergência, pode avisar na entrada do parque quando vai voltar, pode ter um rádio de comunicação, enfim... Se você se propõe a se meter numa dessas sem pensar em nada disso, ter uma apendicite é a última das suas preocupações!

 

Por esses motivos uma apendicectomia profilática não é algo que eu faria nem que recomendaria pra ninguém.

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A Letícia, no comentário acima de sua autoria, já tinha dito que esta seria uma boa discussão! ::otemo::

 

A Samantha e a Letícia embelezam e melhoram qualitativamente este tópico.

 

Samantha: ninguém com um mínimo de bom senso irá "jogar pedras" em outra pessoa somente pelo fato dela não estar disposta a fazer uma cirurgia eletiva que, ao meu ver, longe está de ser desnecessária para quem faz escaladas em alta montanha, navega solitariamente ou faz trekking de incursão profunda na selva.

 

Reconheço que para aqueles que viajam para destinos urbanos ou locais com rápido deslocamento para regiões menos inóspitas não é preciso se preocupar com os riscos de uma apendicite.

 

Nos demais casos, especialmente em atividades ou destinos onde o socorro pode ser sobremaneira afetado por razões de clima, altitude e extensão territorial, tenha a certeza de que os riscos de óbito de uma apendicectomia eletiva são infinitamente menores do que um apêndice supurado sem possibilidade de socorro imediato, até pelas complicações que podem advir de um diagnóstico errado ou pós operatórias.

 

Um curandeiro Massai pode diagnosticar apendicite aguda corretamente enquanto um médico do Suriname pode imaginar que o quadro infeccioso de apendicite se trata de mera infecção intestinal......

 

Pense nisto!

 

::carai::

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Me perdoem os médicos..e profissionais da área.... mas de Hipócrates pra cá...essa ciência não evoluiu muito ...ou quase nada..o que evoluiu foi a eletrônica....tirar algo que nascemos e que não se sabe para que serve é se julgar além do criador. Me perdoem...é insano!!!!

 

ah...ainda bem que não entendo disso...e nunca tirei nada do meu corpo porque doeu...rs... senão ontem teria tirado dois fígados 3 rins 4 pulmões..os 3 corações exagerei na corrida... ::lol4::

 

Me perdoem a brincadeira...mas ninguém morre de véspera.....e estamos engatinhando no conhecimento ao "sistema" que é o corpo humano...

 

 

Com respeito...

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