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Argentina, Patagônia argentina e Uruguai (Jan/Fev.2012) 31 dias sozinho
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Vou escrever esse relato aos poucos enquanto ainda lembro dos detalhes da viagem que fiz em Fevereiro deste ano (2012) para a Argentina/Uruguai.
Eu pesquisei bastante aqui no site sobre as viagens para estes locais e, por recomendação de um amigo meu que voltou da Argentina no dia em que viajei para lá, usei o Guia do Viajante Independente na América do Sul, afinal, fiz o mochilão todo sozinho. O trajeto escolhido foi: Rio de Janeiro - Mendoza - Bariloche - El Chaltén - El Calafate - Ushuaia - Buenos Aires - Rosario - Punta del Este - Montevideo - Rio de Janeiro.
Por não querer fazer longas conexões nem perder tanto tempo, resolvi optar por fazer todos os vôos diretos e pegar alguns ônibus noturnos.
Buenos Aires/Mendoza:
Dia 1 - Meu vôo para a Argentina saiu do Galeão de manhã cedo, aterrisando em Buenos Aires por volta das 9h30/10h. Como eu tava sem peso nenhum, troquei na Global Exchange em frente ao free shop, troquei pouco dinheiro, um erro! A cotação foi horrível, algo próximo a 2 pesos para 1 real. Saindo da área do free shop, encontrei um amigo meu que estava voltando para o Rio de Janeiro no aeroporto de Ezeiza mesmo, ele me alertou sobre notas falsas e conseguimos trocar uma nota de 100 pesos falsa que ele recebeu num taxi em BsAs e não tinha conseguido passar adiante. Compramos logo dois lanches completos no McDonalds do aeroporto (uns 35/40 pesos cada) e a mulher nem olhou direito a nota, logo, cuidado com as notas altas que os taxistas passam.
Ele fez o check in e foi pra área de embarque e eu, que tinha comprado o ticket da Tienda del Manuel Leon para Puerto Madero ($60), fui ver aonde saia o tal ônibus. Próximo ao local de saída do ônibus, tinha o banco de la Nacion, fui lá averiguar qual era o câmbio e vi que estava 2,5 para 1 (que raiva de ter trocado afobado na Global Exchange, ainda bem que tinha trocado pouco dinheiro, só para pagar o ônibus a puerto madero). Enfim, a gente vai aprendendo né. Como troquei no banco la nacion do aeroporto, peguei o onibus direto para Puerto Madero para atravessar a Praça e chegar no terminal de onibus Retiro.
Comprei a passagem antecipada aqui no Brasil por uns $425, só que os ônibus saem a partir das 18h. Fiquei lá de 12h às 18h30 comendo alfajor e lutando contra o sono do remédio que tinha tomada pra voar até que peguei o ônibus da Cata Internacional para Mendoza.
Grata surpresa, tinham me falado que era bom viajar de ônibus pela Argentina, mas fiquei impressionado, banco de couro, cadeira única, serviço de bordo com ótimas refeições, filmes, excelente opção! Depois de 13h cheguei em Mendoza e fui para o Hostel Campo Base. Uma amiga minha que estava em Córdoba fazendo intercâmbio foi conhecer Mendoza comigo e me encontrou lá no hostel, negociamos com os caras da recepção pq no site constava uma promoção de dois passeios e três noites (ganhava uma noite a mais de graça). Logo, no final das contas, ficamos num quarto pra 8 com ar condicionado por $50 a diária.
Dia 2 - Como não tinhamos nada para fazer naquele dia, fomos conhecer as cinco plazas da cidade. Formam um quadrado com a Plaza San Martin, a principal e maior, no meio. Muito legal ver a tranquilidade que é Mendoza. Ia ter Boca x River no estádio das Malvinas naquele dia, às 14h já tinham torcedores na rua cantando e pulando, mas mesmo assim a cidade estava calma. Depois de conhecer as plazas, voltamos para o albergue para jantar e fomos num bar/restaurante próximo tomar uma cerveja e dormir cedo pq no dia seguinte iamos para o parque Aconcágua.
Dia 3 - No dia seguinte cedo acordamos em cima da hora, a sorte é que o nosso hostel era o primeiro que o ônibus ia passar e que separamos nossas roupas nas mochilas antes de dormir! Pegamos o que conseguiamos carregar na mão do café da manhã e rumamos rumo ao tour. Fomos parando ao longo do caminho por Potrerillos, Uspalatta, Puente del Inca, até chegar no Parque Aconcágua. A primeira parada na estrada já mostrava o que ia ser o passeio, depois em Potrerrilos com o lago azul deu mais água na boca. Uspalatta foi a parada seguinte onde provei o melhor alfajor da viagem - Entre Dos. Paramos também em um local que no inverno vira estação de esqui, era o restaurante do almoço do tour, mas levamos nossa própria comida pq custava $70 o almoço. Legal também foi parar na Puente del Inca onde tem uns souvenirs legais pra comprar, fora a história do local que é muito legal também.
Finalmente, chegamos ao Aconcágua que é magnífico. Sentimos o vento do interior da Argentina pela primeira vez, mas o dia estava lindo e nada podia ter sido mais bonito. Uma pena que fizemos apenas a trilha menor de 1h, se não me engano. Poderia ficar no parque o dia todo. Saimos do parque e voltamos para o restaurante pro pessoal almoçar. Depois, com o pessoal do hostel, fomos para um irish pub e conhecemos um dinamarquês legal que passou o Carnaval aqui no Rio, duas paraguaias, alguns chilenos e pessoas de vários locais. Pessoal bem interessante, mas ficamos pouco tempo pq iamos pro Wine Bike Tour no dia seguinte. Só que ao chegarmos no quarto teve um incomodo que classifico como: Brasil x França - a guerra fria.
Ao chegarmos no quarto, tinha um casal de franceses que queria desligar o ar condicionado pq fazia muito barulho, só que a janela do quarto não abre, logo, imagine duas triliches e uma beliche com oito pessoas respirando num calor da porra (verão seco argentino) sem correr um vento! E tentamos conversar, levamos o cara da recepção que achou um absurdo tbm e disse pra gente esperar eles dormirem e ligarmos. Só que a mulher não entendia isso, reclamou pra caramba nos xingando em francês achando que não entendiamos nada e reclamando de quartos compartilhados, vai pra um privativo, porra, eu hein!
No final, não teve Zidane que ganhasse e trocamos de cama com eles pq estávamos no canto oposto do ar e dormimos ao lado do ar (que era barulhento, mas gelava que era uma beleza) que permaneceu ligado até sairmos de manhã pro Wine Bike Tour .
Dia 4 - No Wine Bike Tour do dia seguinte, acordamos na hora e fomos no nosso ônibus, sempre os primeiros a serem pegos (parecia que só nós contratávamos os passeios no albergue). Fomos à primeira vinícola num dia nublado que ameaçava chover a qualquer momento, o que era ruim porque iamos estar de bicicleta na estrada. Ao descermos da van, fomos recebidos por Matthew que nos apresentou a vinícola. Muito simpático, mostrou como é feito o vinho em uma bodega artesanal e de família. Após mostrar tudo, até a mulher que colocava os rótulos nas garrafas e quase deixou cair uma delas ao fazer isso, fomos degustar vinhos. Ele explicou como degustar vinho e provamos três deles, ótimos vinhos. Acabei comprando um vinho branco e um azeite artesanal. Ao sair de lá, hora de pegar as bicicletas e ir para a segunda bodega pela estrada. Era um percurso de 15 minutos no acostamento de uma estrada, muito legal ir assim, só que fomos acompanhar um casal que não teve muita sorte, o garoto acabou passando mal no acostamento (pelo vinho, eu acho, botou tudo pra fora) e foi socorrido pela nossa van, acabei sendo o último a chegar pq tava indo no ritmo dele e a namorada preocupada na porta junto com a minha amiga.
Chegando lá vimos como é uma bodega moderna, é um contraste incrível com a artesanal. Todos os processos são diferentes, parece que tá fazendo outra bebida! Conhecemos as instalações e fomos para a degustação, ótimos vinhos também, provei o melhor vinho da minha vida - um Vistandes carbenet sauvignon de 2005 - que não comprei pq minha amiga disse que nos shoppings era mais barato (e não encontrei no shopping, fiquei fulo da vida). Depois de algumas fotos, rumamos para a última bodega do dia, a maior das três, mas não gostamos muito não. Era meio que um restaurante e só queriam vender vinho, apesar de muito bons, cada um podia escolher uma taça só dos diversos vinhos, acabei escolhendo um e minha amiga outro, e trocamos as taças na metade. Como não iamos comprar nada, tiramos umas fotos lá fora no vinhedo. Voltamos ao albergue e fomos para o shopping pq minha amiga queria comprar chocolate en rama e os de Mendoza são os melhores.
Choveu nessa noite e ficamos no albergue, até pq ela ia embora cedo no dia seguinte.
Dia 5 - Após o retorno da minha amiga para Córdoba, como estava sozinho, resolvi conhecer o parque principal da cidade, só que o conceito de parques dele é bem errôneo, o negócio era enorme, demorei umas 4 horas naquilo lá, mas foi uma ótima volta. Peguei um mapa e sai andando pela rua até chegar no portal dele, depois fui na Universidad de Cuyo, que é a federal deles lá. Dei uma volta pelo campus e segui estrada à frente até onde é o zoológico. Só que não acho muita graça em zôos, logo, peguei minha câmera e tirei umas fotos dos animais pela grade do lado de fora e segui pro Cerro de la Glória, ao lado do zôológico. É um cerrinho que fica 1000 m acima do nível do mar, rapidinho vc sobe e consegue ver o Cristo Redentor deles. É um marco histórico pq tem a escultura da guerra de independencia da Argentina. Lá eu encontrei o melhor guia turístico da viagem, o guardinha do monumento. Ele explicou que tem pessoas que vão lá só para correr e cospem no pé do monumento, fatos inusitados de lá e explicou para uma família a história do monumento e que muita gente não sabe o que significa. Muito legal, foram uns 20min explicando pra família a verdadeira história e eu ao lado escutando tudo com eles.
Depois pedi orientação para saber como ia ao Estádio das Malvinas (onde teve Boca x River) e desci o Cerro para lá. Dá pra chegar bem perto, nas entradas das arquibancadas. Depois fui para o parque tentar achar o tal lago para voltar para o albergue, impressionante como andei andei andei e não achava. Até que achei um parque de diversões onde uma senhora simpática me orientou como chegar, vi a fonte e o rosedal que fica no lago, muito legal e tranquilo, mas fiquei pouco tempo pq a bateria da máquina descarregou e tava morrendo de fome depois de andar tanto, fora que tava muito quente. Tomei um gelato no parque e voltei para o albergue.
Pela noite, fui comer um pancho na esquina e resolvi conhecer a Plaza San Martin a noite. Fui andando depois de comer até o final do minicentro deles e vi que a praça a noite fica muito bonita iluminada e com feirinhas. Voltei ao albergue e fui pegar a máquina, tirei as fotos que pude e fiquei rodando a praça por mais de 1h e retornei para o albergue porque ia para Bariloche no dia seguinte.
Dia 6 - Fiquei no albergue até metade da tarde e fui pra rodoviária de tax ($10) umas 18h pra pegar o ônibus das 20h45. Embarquei na hora prevista e fui apreensivo porque tinha o jogo de volta do Flamengo pela pré libertadores, lutando contra o sono do remédio pra saber o resultado do jogo, quando soube, cai num sono pesado no meu cobertor e travesseiro da Andesmar (transporte executivo igual ao da Cata, ótima escolha).
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