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Um mochileiro no Caminho de Santiago - 33dias de SJPP na França até Finisterre na Espanha c/gastos


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Hola,

 

Para quem não me conhece, me chamo Rafael, tenho 35 anos, sou de São Paulo e tem um ano e meio que moro em Itatiba-SP. Adoro fazer fazer trilhas, subir montanhas, acampar, conhecer culturas, fazer amizades e ouvir histórias mundo afora.

 

Vou escrever aqui como foi meu Caminho e com isso, reviver um pouco o sonho que tive quando era adolescente e realizei agora entre Maio e Junho de 2012.

 

Desde moleque sempre acampei, depois fui crescendo e viajando com meus próprios pés e mochila e os sonhos foram surgindo: Machu Picchu e Caminho de Santiago. O primeiro foi realizado a poucos anos, o segundo precisava de mais tempo e dinheiro, mas muitas coincidências fizeram eu seguir para o Caminho ou simplesmente Camino em 2012: fiquei desempregado, e com dinheiro e tempo disponíveis.

 

Passagens compradas em meados de março para 28 de abril e começa a preparação para o Caminho.

 

O sites das associações da Acacs e do Brasil foram muito úteis.

Inclusive uma lista de emails no google e um grupo no Facebook.

Link das associações:http://www.santiago.org.br e http://www.caminhodesantiago.org.br

 

A minha credencia retirei em Sampa na Acacs-sp. A do RJ também envia por correio (Inês muito simpática) e no site deles tem uma lista de pessoas que estão partindo e suas respectivas datas (muito útil). Ambas realizam palestras gratuitas, eu não fui mas, me recomendaram. No google você acha vários relatos, alguns muitos cansativos, por isso resolvi não anotar muitas coisas. Deixa para a próxima ida :)

 

Preparo Físico

Sobre o preparo físico, desde o começo sempre achei que não existe uma treino específico para caminhar 30 dias seguidos e realmente, acho que não tem. Claro, não ser sedentário é muito importante. Faça com um ou dois meses antes da viagem, caminhadas em diferentes tipos de trilhas (montanhas, pedras, lama, subidas e descidas) com a mochila cheia com as coisas que vai levar no Caminho. Vá aumentando a distancia e a dificuldade conforme seu condicionamento. Lembre-se que o normal no Caminho é andar entre 15-25km. Eu treino na academia, sempre faço trilhas e mesmo assim senti o esforço no começo.

 

Depois o corpo foi acostumando, mesmo assim apareceram bolhas, perna e pés inchados e um pouco de cansaço. A única coisa que não senti, foram dores nos joelhos. Nos primeiros dias vai ser normal dores nos ombros, no corpo, nada que um dorflex e um salonpas não resolva. Depois de 4 dias as dores passaram. Unica coisa que percebi foram os pés, de manhã ao levantar, parecia que dava um choque e dava para perceber um pouco o inchaço. Se você respeitar seu corpo, da metade para o fim, caminhar 25km vai ser tranquilo.

 

Sempre considere uns dois a três dias na sua programação, pois você pode precisar parar para descansar o corpo, como aconteceu comigo apartir do 14ºdia, explico mais para frente.

 

O Peso

O peso da mochila é muito importante, pois você vai carrega-la por vários dias. Eu levei quase 14kg, depois de 10 dias, ela estava pesando 10/11kg. Algumas coisas postei para o Correio de Santiago e outras deixei na casa da minha amiga em Madrid.

Para postar coisas para o correio de Santiago de Compostela é simples, vá a qualquer agencia de Correio (eu fui em Pamplona) compre uma caixa e coloque seu nome e entre parenteses Lista de Peregrinos, fiz tambem um seguro de 50 euros. Não custou 10 euros. Eu retirei 40 dias depois. Perfeito.

 

O que levei:

Mochila Arcteryx bora 80 - Pesa 3kg, porem é bem confortável. Quem não está acostumado com trilhas não recomendo. um peso a menos. Não esqueça a capa da mochila.

Saco de Dormir Nautika Micron X Lite - pesa menos de 500g. Recomendo

Camisa e calça segunda pele - levei porque meu saco de dormir era bem fino. usei varias vezes

Papete Timberland - achei que ia poder caminhar com ela, só usei no descanso, na próxima vez substituirei por um par de chinelos que são mais leves

Fleece 50 Quechua - Levei pensando no frio do Pirineus. só usei lá. Dispensável pelo correio ou leve um velho e deixe no abrigo em Pamplona.

Anorak Hi tec - Levei como abrigo para chuva e frio. Se saiu bem, porem é bem pesado, quase 1kg. Na próxima levo um fleece mais grosso e uma capa de chuva simples.

Meias: Levei 5 pares. dois para usar, dois de reserva em caso de dois dias de chuva e um para dormir. Acho que da para diminuir para 3 pares. Não peguei muita chuva. Sempre usava um par limpo para dormir.

Cuecas: 2

Bermuda de caminhada (tipo de futebol): 2

Camisetas de dryfit: 3

Calças bermuda tactel: 2

Perneiras quechua: 1 (não peguei chuva forte, dispensável)

Boné+gorro+lenço de cabeça+toalha secagem rápida+toalha de fralda pequena= 1 de cada

Headlamp Guepardo+ Câmera Canon+Carregador de Pilhas+Ipod (Levei um tablet para ir escrevendo o diário, porém deixei em Madrid, pois quase todos albergues existem internet)+sensor climático Guepardo+ óculos de sol

Botas Nômade (Vento)

Remédios que recomendo (que usei): Dorflex, Antigripal, Voltaren(anti-inflamatório), Pomada Anti-inflamatória, Salonpas, Pó antisséptico, Agulha, linha e álcool, Nebacetin

Outras coisas que eu levei: Canivete, Tomada tipo benjamin, repelente(não usei), polaramine(não usei), pregadores, sabão em pedra(comprei la),papel higiênico

 

Planejamento

Sobre mapas, planejamento e o percurso, depende de cada um. Eu só levei uma planilha fornecida da Associação com anotações de albergues e distancias entre os povoados(está em anexo aqui abaixo). Você pode caminhar de 5, 10 ,15 a 40km por dia. Se for de 20 a 25, voce vai levar 32 dias e se for de 25 a 30, provavelmente em 27. Esse site é muito bom para planejar:http://www.urcamino.com/

Normalmente caminhava de 20 a 25, só por uma vez caminhei 44km, mas foi por falta de opção. Eu escolhi ficar em albergues municipais(5 a 10euros) e você tem opção de ficar em albergues privados que normalmente são de 10 a 15 euros ou de Igrejas que são por donativos.Os privados são bons para você reservar, então pode acordar um pouco mais tarde, caminhar mais tranquilo e chegar com sua cama garantida. Ah, também é bom para quem quer mandar a mochila por automóvel. Os das Igrejas e Monastérios é bom para quem tem pouco dinheiro e quer conhecer mais pessoas, pois há jantares coletivos. Os municipais também são bons, há bastante interatividade, você vai acompanhar as mesmas pessoas por vários dias. Um guia que vi, que é pequeno e bem descritivo é um da Michelin, acho que só tem na Espanha, inclusive tem um espaço para os carimbos.

 

 

Gastos

Os gastos nunca serão os mesmos, mas serve de parâmetro. Eu não ligo em compartilhar quartos(não fiquei em nenhum hotel sozinho), fazer comida nos albergues, comi fora poucas vezes, tomei vinho e cerveja, houve alguns imprevistos e na próxima serei mais econômico.

 

A planilha e os mapas estão anexados no final deste post.

 

*Obs: Na planilha de gastos está incluso alguns imprevistos como: Pagamento extra de passagem e seguro viagem devido a remarcação + lembrando que no Cebreiro me furtaram 300 euros + compras de roupas em Madrid no final do Caminho

 

http://Comida

Todos os povoados que tem refúgio tem restaurantes os que não tem, no refúgio faz. O menu do peregrino (são dois pratos+pão+água e vinho) custam de 9 a 15 euros. A maioria cobra 10 euros. Eu optava em fazer compra no supermercado, comprava o jantar, o lanche do dia seguinte e as vezes o desayuno(café da manhã), saia por 6 a 8 euros. Em duas pessoas, sai mais barato ainda. Eu gostava de ficar em cidades com supermercados e albergues com cozinha. Muitas vezes dividíamos o jantar com mais pessoas. Ah, sempre comprava o vinho, na Espanha é muito barato e bom.

 

 

Outros comentários e dicas

* O seguro viagem é obrigatório para entrar na Europa e eu precisei. Muito importante. http://www.mondialtravel.com.br

* Conheci peregrinos que quando machucados, faziam o trajeto de Ônibus. é uma opção para quem tem pouco tempo.

* Um horário bom para começar a caminhar são entre 6 e 7h. Se for primavera verão, recomendo até sair mais cedo por causa do calor.

* Se molhar as botas ou tênis, coloque jornal para ajudar a secar

* Bastão de caminhada ajuda a poupar seus joelhos em trechos com declive

* Na Espanha vende um adesivo chamado Compeed, muito bom para quem tem bolhas, mesmo assim o melhor ainda acho que é a agulha e linha.

* Empresa de ônibus que faz a maioria dos trajetos no Caminho: http://www.alsa.es

* Empresa aérea que faz voos domésticos na Espanha, barata, porém sua mochila tem que ter menos de 10kg e você tem que imprimir o bilhete antes: http://www.ryanair.com/pt - Útil para o trecho Santiago x Madrid

* Usei o cartão vtm feito através do http://www.cotacao.com.br (consultava o saldo por internet).

* Antes de subir os Pirineus, olhar a previsão do tempo é muito importante. Evite fazer esse trajeto sozinho, principalmente no inverno com neve.

* Os albergues municipais e alguns privados tem cozinhas, o que barateia muito seu Caminho. Antes de fazer as compras, sempre passe na cozinha, os peregrinos costumam deixar muitas coisas para os próximos. Assim como roupas e remédios. Não esqueça que você pode fazer isso também, exemplo deixe aquele pacote de cebolas ou molho que você teve que comprar e não usou todo.

* Durma com seu dinheiro e documentos dentro do saco de dormir.

* Refúgios com acolhida religiosa: Albergues do Caminho Francês, com acolhida religiosa (útil para o peregrino que vai com pouco dinheiro)

* Telefones celulares, esqueça-os ! Aproveite o caminho para desconectar do mundo ou desse vício moderno. A grande maioria dos refúgios tem internet ou telefone público (compre um cartão de ligação internacional).

* Sempre siga as setas amarelas, totens, a concha (vieira), postes de luz com símbolos da viera, placas nas estradas ou coladas nas calçadas e quando houver dúvida, descanse, sempre aparece algum peregrino

....depois continuo as dicas

 

Relatos (a maioria dos textos foram escritos no dia):

 

Pamplona: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/pamplona-es.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/pamplona-es.html

Pamplona/SJPP: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/saint-jean-de-piert-de-port-franca.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/saint-jean-de-piert-de-port-franca.html

1 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-1dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-1dia.html

2 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-2dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-2dia.html

3 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-3dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-3dia.html

4 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-4dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-4dia.html

5 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-5dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-5dia.html

6 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-6dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-6dia.html

7 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-7dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-7dia.html

8 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-8dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-8dia.html

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11 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-11dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-11dia.html

12 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-12dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-12dia.html

13 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-13dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-13dia.html

14 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-14dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-14dia.html

Madrid, parado por 5 dias: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/madrid-7-dias-parado.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/madrid-7-dias-parado.html

15 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-15dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-15dia.html

16 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-16dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-16dia.html

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31 dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-31dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/caminho-de-santiago-31dia.html

Santiago: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/santiago-de-compostela.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/santiago-de-compostela.html

Santiago a FInisterra 1dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-1dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-1dia.html

Santiago a FInisterra 2dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-2dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-2dia.html

Santiago a FInisterra 3dia: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-3dia.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/de-santiago-finisterra-3dia.html

Finisterra: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/finisterra-es.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/finisterra-es.html

O retorno: http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/o-retorno-do-caminho.html'>http://www.raffanocaminho.blogspot.com.br/2012/07/o-retorno-do-caminho.html

 

 

ARQUIVOS ÚTEIS

 

Lista de AlberguesManoel Brasilia ListAlberguesCSFrances2011.xls

 

Planilha do site urcamino que utilizei camino_itinerary (1).pdf

 

Etapas do Caminho com perfil de altitudes: Etapas caminho frances.pdf

 

planilha de custos e distancias.

*Obs: Na planilha de gastos está incluso compras de roupas em Madrid e lembrando que no Cebreiro me furtaram 300euros

 

obs: se precisar de uma dica ou tenha alguma dúvida, me pergunte !!

Caso tudo acima lhe tenha sido util e talvez queira contribuir para que eu possa retornar ao Caminho, só ajudar aqui http://www.vakinha.com.br/VaquinhaP.aspx?e=213615#

 

no+hay+camino.jpg

Roteiro - Raffa (www.raffanocaminho.blogspot.com.br).pdf

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Adorei o relato Raffa!!! Eu e mais duas amigas estamos pesquisando em sites sobre "el camino". Mas por questões financeiras, provavelmente faremos a rota de Portugal, que sai de Lisboa. Meu sonho e

Olá Rafael, estou tb lendo aos poucos seu relato, comprei minha passagem para 03/09/2018, pretendo chegar a Saint Jean por Paris e se tudo der certo chegarei até Muxia (quem sabe esticar para Algarve.

  • Membros de Honra

A seguir irei postar meus relatos diários, vou postar poucas fotos para não demorar muito para carregar.

 

E vamos lá

 

17/05/2012 - Pamplona > ST Jean Pied de Port (França)

caminosantiago+015.jpg

 

Hoje amanheci com dores por causa de uma gripe. Enrolei na cama, até umas 10h. Depois fui dar uma volta pelo centro de Pamplona.

 

Andei pela rua Estafeta por onde passam os bois na festa de san firmino. Depois voltei ao hostel onde fiz o almoço. Prato do dia macarrão carbonara com salada e almondegas. Fica muito mais barato comprar a comida no supermercado, tem um bem próximo daqui.

 

Por volta das 18h fui para a rodoviária para pegar o bus para Roncesvalles. Viagem de uma hora por vários povoados, caminho muito bonito. Na própria rodoviaria, na hora do embarque, me juntei a um grupo para pegar um táxi em Roncesvalles.

 

Chegando em Roncesvalles, parecia uma cena de filme. Povoado muito bonito, neblina, friozinho, peregrinos tomando vinhos e comendo nas mesas do restaurante. Em dois dias, serei eu. :)

 

Encostou um táxi e nos levou ate Saint Jean na França, tudo combinado na hora, éramos 8 peregrinos.

 

Em Saint Jean o primeiro perrengue, a Associação estava fechada e só abriria as 21:15. Andei por uns 40minutos atrás de um albergue e nada, resolvi voltar na frente da associação. Algumas pessoas do bus também se aglomeraram na porta. Conheci uma islandesa que estava fazendo o caminho ao contrário até o mar mediterrâneo. Enquanto todos estavam agasalhados, ela estava de short. Icegirl.

 

Fica a primeira dica, ao chegar em Saint Jean, procure a Accuueil de Pelerins (Acolhida de Pelegrinos), Rua de La Citadelle, 39. Aqui é importante passar, você receberá instruções sobre os Pirineus e tambem indicação de refúgios. Eu não tive sorte de reservar antes, tem um refugio na mesma rua que aceita reservas pela internet: http://www.espritduchemin.org/es

 

Assim que a associação abriu, apesar de ninguém falar espanhol, foram bem prestativos, tudo lotado, conseguiram uma casa para 10 pessoas, afastada 1km do centro, porém já estava no "caminho do Caminho". Tambem peguei uma mapa dos Pirineus e uma Vieira (concha), um breve texto sobre a Vieira:

 

"A Concha é o símbolo do peregrino e é bastante usada. Serve qualquer uma e pode ser pendurada em qualquer lugar. Você pode pendurar no pescoço, mas o mais comum é vê-las penduradas nas mochilas dos peregrinos que vão a pé ou nas bagagens dos peregrinos de bicicleta. Segundo as informações colhidas, a mesma significa proteção e busca de conhecimento e devemos devolve-la ao mar depois de completado o caminho, o que significa que o seu caminho só estará completo quando chegar a Finisterra, segundo alguns. Assim você agradece pela proteção e diz que o conhecimento adquirido não é seu e sim de todos, e que você o disponibiliza a todos.

Não faltara peregrinos que perguntará porque as conchas vieiras têm tanta significação jacobea. Muitas lendas, histórias e anedotas se contam sobre esse particular.

 

Uma outra versão esta ligada à chegada do corpo de Tiago trazido pelos seus discípulos Teodoro e Atanásio em um barco sem leme nem vela, guiados por um anjo à Vila de Arosa na atual Galicia.

 

No ano de 1532 apareceu a primeira narração sobre em suposto milagre que havia originado esse antiquíssimo costume. Segundo ela, um príncipe vinha cavalgando partindo de terras longínquas com o único objetivo de conhecer e orar frente a tumba do Apostolo Santiago quando sofreu um ataque de uma serpente. O seu cavalo começou a corcovear e pondo-se a galope correu com a sua montaria em direção ao mar. O animal arrojou-se à água com o seu cavalheiro, o príncipe a ponto de afogar encomendou sua alma a Santiago. Minutos depois, seu corpo emergiu das águas totalmente coberto de conchas de vieira. A partir desse momento os peregrinos a Santiago se identificaram com as conchas marinhas.

 

A origem verdadeira, sem embargo, parece derivar-se do fato que os peregrinos que regressavam de Finisterra - fim do mundo conhecido naquela época - deviam mostrar aos seus familiares e amigos, alguma prova ou símbolo que testemunhasse haver cumprido com êxito a sua peregrinação até Compostela. O mar era um grande desconhecido dos europeus habitantes da parte central, como eles sabiam que o Santo Sepulcro de Santiago se achava bem perto da costa, nada mais justo que os peregrinos, ao retornarem às suas casas, levasse uma concha como recordação.. Daí veio o costume de colherem uma concha junto ao mar de que se acercavam depois de haver orado junto a tumba do Apostolo. Anos depois, as conchas passaram a ser comercializadas em diversos locais do caminho, inclusive em frente a Catedral, fabricando-se como recordação em diversos materiais.

 

Dessa aventura marítima, nasce o mito que fez das conchas de vieira um dos símbolos dos peregrinos à Santiago de Compostela.. É assim que desde a Idade Média, a concha de vieira, posta no peito, se tornou a marca inequívoca que permitia o acesso às hospedarias." By Walter Jorge

 

O Mapa dos Pirineus era bastante descritiva:

http://www.aucoeurduchemin.org/spip/spip.php?article705

 

A casa era bem arrumada, alguns beliches e dois banheiros limpos. Fui dormir morrendo de fome (não tinha comido nada desde Pamplona) e sonhando com o desayuno.

 

Eu ainda não sei se volto para Saint Jean e começo o Caminho com tempo ruim, ou se perco uma parte da cidade para aproveitar os Pirineus com tempo bom. Amanhã quando acordar decido.

 

Acabei que tirei poucas fotos de Saint Jean, pensando que iria voltar amanhã.

 

Ansiedade a mil !

 

 

Gastos:

Compra no mercado: 5euros

Ligações: 3euros

Hostel hemingway: 19 Euros

Bus para Roncesvalles 6euros

Taxi Roncesvalles / sjjp: 10euros

Albergue e desayuno en SJPP: 18euros

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18/05/2012

St Jean Pied > Roncesvalles

 

Resolvi partir para o Camino.

A previsão de tempo amanhã é ruim, hoje está nublado e frio, porém não tem chuva.

 

Sai, sem lanche, só com o desayuno. Sai perto das 8h.

 

Para subir os Pirineus, a Associação lhe entrega um mapa detalhado, porém não recomendo para pessoas que não tem experiências em Trilhas ou Montanhas seguirem sozinhas. Se for inverno estiver nevando ou com neve nem pensar. A trilha com neblina já foi difícil visualizar.

Mapa desse trecho em Espanhol: http://www.aucoeurduchemin.org/spip/spip.php?article705

 

Nesse trecho, conheci o Vitor, um português que foi meu companheiro de Camino por um bom tempo. Foi um amigo que o Camino me deu. Ele estava caminhando de calça Jeans, toalha grande, meio perdido com as flechas, mas com o passar dos dias foi absorvendo tudo e com certeza aprendeu muito.

Tambem fiquei amigo de uma Mexicana e outra Espanhola que foram minhas companheiras em outros trechos do Camino.

 

Chegando ao cume dos Pirineus, havia muita neblina, ajudei um povo que estava perdido. Estava bem frio, depois começou a descida e o tempo foi abrindo. Deu uma esquentada.

 

Eu e o Vitor pegamos o trecho mais longo pelo bosque, porém é o mais bonito. As flechas nesse trecho são raras, por um instante achamos que estávamos perdidos.As únicas marcações, fui descobrir depois o significado, são duas linhas pintadas em arvores, uma branca e uma vermelha, conhecidas como GR (Grand Randonne ou Percursos Pedestres).

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Depois de andar 28km, subir mais de 1.100m, passar por dois povoados (Hunto e Orisson) um pouco de frio, muita neblina e gente do mundo todo cheguei em Roncesvalles as 14h.

 

Chegando no albergue em Roncesvalles tambem conheci a Trissia que é mineira e mora em Sampa. O albergue é muito organizado e limpo, eu diria 4 estrelas. Tem tudo. Cada dormitorio tem 4 camas numeradas, banho bem quente, maquinas de lavar, de comida. Show. Ja reservamos o jantar, depois da missa.

 

A missa é especialmente para Peregrinos, pessoas de todo mundo, católicos ou não prestam atenção e são abençoados pelos Padres. A Igreja é pequena e charmosa.

 

Depois fomos jantar no restaurante do local, mesas coletivas, pessoas do mundo todo. Na nossa mesa tinha outro português, um americano e um francês. Primeiro prato uma macarronada, o segundo um peixe e com direito a vinho, pão , agua e sobremesa.

 

Muito frioooooo ! De barriga cheia, um pouco com sono porcausa do fuso e não escutei nada, capotei na cama.

 

Observações by Raffa: Esse trecho você está muito ansioso, mas é importante ver a previsão do tempo antes de começar a subir os Pirineus, fiquei sabendo que no dia seguinte que eu parti um peregrino morreu porcausa do mau tempo. Você sente bastante o esforço físico e por isso, talvez ainda não esteja conectado ao Camino. Ainda não sabe o que fazer, se vai sozinho ou não, com certeza tem muitas coisas desnecessárias na sua mochila e que com os passar dos dias vai eliminar. Mas isso você vai aprendendo durante o Camino. Santiago está bem longe. LEMBRE-SE não faça essa trecho sozinho, se for, sempre tenha algum peregrino no seu campo de visão.

 

 

Gastos:

Albergue: 10

Lavar roupa: 1euro - compartido com mais dois

Jantar menu pergrino: 9euros

Coca + sanduiche: 3.20

Cafe: 1

 

Resumo da etapa (by Manoel Brasília)

Os trechos de aclive com maior dificuldade são de Huntto até o mirante, e do Alto da Cruz até Collado Bentartea e proximidades do Collado Lepoeder. O trecho em declive de maior dificuldade é o de Collado Lepoeder na direção do caminho de bosques a Roncesvalles. Muito cuidado na descida se o terreno estiver escorregadio por causa do mau tempo. No Collado Lepoeder existe a opção de descer por Alto de Ibañeta por pista asfaltada e descida mais suave. Os pontos relevantes da etapa são os aclives dos Pirineus, as belezas naturais, e a descida perigosa do bosque que leva a Roncesvalles.

 

o perfil dessa etapa

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Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151033835779812.455868.576754811&type=3

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19/05/2012

Segundo dia: Roncesvalles > Zubiri

 

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Hoje acordei cedo, combinei com o Vitor e a Trissia de partimos as 6:30. Fiz um desayuno nas maquinas expressas. Havia cozinha, porém não existe mercado no local. Daqui para frente vai ser assim todos os dias, pessoal levantando mais cedo do que você, barulhos de ziper de mochilas, sacolas plásticas, portas e pessoas cochichando.

 

Logo no começo uma chuva me faz parar para colocar as capas e me distanciei dos companheiros. O trajeto de Roncesvalles até Zubiri são 22km, passa pelos povoados de Espinal e Lintzoain e tem gente que segue mais 5km ate Larrasoana. A caminhada foi mais facil que ontem, porem, voce ainda sente muito porcausa do dia anterior e eu ainda mais porcausa da gripe. Assim que cheguei em Zubiri, fui ao albergue municipal, fiz check in, carimbei minha credencial e caiu uma tempestade de granizo. Sorte. Depois voltei para o final da trilha pra ver se encontrava o Vitor e a Trissia. Só encontrei o Vitor. Hoje tambem boa parte do caminho fiz sozinho e conversei um longo trecho com outro portugues, o Manoel (tinha que ser). Hoje fiz em 5h. Assim que me sentir melhor vou tentar caminhar mais, pelo menos para fugir da muvuca. O albergue nao tem wifi em compensaçao é mais barato, fui ao supemercado e com o dinheiro da janta e do cafe da manha, ficou mais barato que comer fora. Joguei cartas com uns espanhois, jantei e agora estou aqui escrevendo e esperando a hora de dormir. Falta duas horas e esta um blabla.

 

Não curti muito esse albergue.

 

Observações By Raffa: Você ainda está dolorido do primeiro dia, o friozinho ainda deixa você com preguiça de levantar da cama. Não tenha pressa, curta cada instante do Camino. Eu tive um pouco de pressa no começo e hoje me arrependo. Essa região é muito bonita, mesmo com chuva. Você já começa a pensar o que está fazendo no Camino, como serão os próximos dias....curta tudo isso :)

 

Gastos

Albergue: 6euros

Supermercado: 7euros

Refrigerante: 2euros

Desayuno: 5euros

 

 

Resumo da Etapa (By Manoel Brasília)

Roncesvalles a Zubiri (21,9 km)

Os trechos em aclive de maior dificuldade são de Espinal até Alto de Mezkiritz e de Lintzoain até Alto de Erro. O trecho em declive de maior dificuldade é o de Alto de Erro até as proximidades de Zubiri. As caminhadas entre grandes pedras exigem muito dos joelhos. Os pontos relevantes da etapa alguns frondosos bosques. As trilhas acidentadas foram melhoradas e os caminhos de brita fina acabaram com a maioria das dificuldades em caso de mau tempo.

 

Perfil desse trecho: Profile_Camino_Frances_002.gif

 

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20/05/2012 - Terceiro Dia:

Zubiri > Pamplona

 

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Hoje acordei as 5:30. Estava bem frio e um pouco escuro. Fiz meu cafe da manha e as 6:30 parti. No Camino todo, há flechas amarelas e totens, impossível se perder.

 

A trilha hoje foi a mais fácil até o momento e um visual muito bonito. Passei por campos de trigo, vales e a maior parte foi seguindo o rio Arga. Assim que fui se aproximando de Pamplona a chuva foi apertando. Achei melhor ficar mais uma vez em Pamplona. O albergue é cuidado por uma casal de alemaes muitos simpaticos (Poseborn) e pequeno, portanto bem aconchegante. Eu e a Trissia demos um vinho para o casal de hospitaleiros. Vitor, o portugues aproveirou as roupas que os peregrinos deixam nos albergues e trocou sua calça jeans por calças de tactel. Ele estava bem incomodado com os tênis molhados. Como usei perneira, estava tranquilo.

 

Depois do banho fui dar uma volta pela cidade, conheci muralhas fantasticas e a catedral entâo sem palavras. Como era tarde, a cozinha de varios restaurantes estavam fechadas. Acabei comendo kebab e voltei ao albergue, por volta das 23h ja estava dormindo. O tempo ruim não me animou tirar muitas fotos.

 

Observações By Raffa: Ao chegar em Pamplona, reserve um tempo para conhecer a parte interna das Muralhas, a Arena dos Touros e fique de bobeira na Plaza Central observando o movimento

Gastos

Albergue 8euros com desayuno

Lavar roupa: 2euros

Vinho: 3euros

Jantar: 9euros

 

Resumo da Etapa (By Manoel de Brasília)

Zubiri a Pamplona (22,5 Km)

Os trechos em aclive são suaves, e o declive mais acentuado na localidade de Arleta em direção a Villava. O caminho após Zubiri pela fábrica de cimento foi melhorado. Em Zabaldika um novo caminho alternativo foi criado, mas não está sinalizado como caminho de Santiago. Os pontos relevantes da etapa são as trilhas em áreas muito bonitas as margens do rio Arga, alguns bosques, a trilha em aclive de Zabaldika, e a passagem do caminho pelo centro urbano de Pamplona.

 

Perfil da etapa: Profile_Camino_Frances_003.gif

 

Fotos desse dia https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035437509812.456022.576754811&type=3

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21/05/2012 - Quarto dia:

Pamplona > Puente de La Reina

 

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Hoje acordei com uma musica que parecia que eu estava no céu.

O refugio alemão, além de ser confortável e os hospitaleiros simpáticos, hoje pela manhã colocaram música com um coral muito bonita

 

Mas o frio fez eu voltar a realidade, assim que levantei os mesmos procedimentos de todos os dias, vira uma rotina, tira segunda pele, poe a roupa da trilha, arruma a mochila e hoje o desayuno foi luxo, normalmente nao tem.

 

Começamos o caminho na chuva, atravessei Pamplona inteira. Assim que passa por Zariquiegui começa a subida do alto do Perdon, são mais ou menos 400m, porem a lama e o vento dificultam um pouco. Na subida, o visual é muito bonito, as helices da maquinas de energia éolica vão ficando maiores cada metro que subimos.

 

No alto do Perdão tem uma escultura bem famosa, numa delas esta escrito 'donde se cruza el camino del viento con el de las estrelas'. Depois é uma descida cheia de pedras e se chega ao povoado de Uterga. Essa parte desci rapidamente.

 

Logo depois o caminho continua a descer ate Puente de La Reina. Fiquei no albergue dos padres, bem mais cheio e roots do que o da noite anterior. Pela primeira vez tenho que sair com a camera, carteira e o tablet na pochete. Almocei com os espanhois.

 

Observações by Raffa:

Esse trecho tem uma subida grande, porém, quem já começou desde Saint Jean, vai estar mais preparado. O Alto do Perdão, paga seus pecados, se estiver chovendo, se prepare, muita lama. Se o tempo estiver aberto, parabéns, irá ver um lindo visual. Você começa a sentir menos o cansaço e consegue pensar mais no Camino, nos amigos e na vida.

 

Gastos

Albergue 4euros

Almoco 10euros

Coca 1euros

 

Resumo da Etapa - By Manoel de Brasília

Pamplona a Puente de La Reina (24,6 Km)

Os trechos de aclive com maior dificuldade são das proximidades do povoado de Zariquiegui até Alto del Perdón. Os trechos de declive de maior dificuldade são de Alto Del Perdón até as proximidades do povoado de Uterga. Os pontos relevantes da etapa são as trilhas nas proximidades de Alto del Perdón, e a descida para o povoado de Uterga através longo caminho de pedras soltas, em torno de dois quilômetros.

 

Perfil da etapa: Profile_Camino_Frances_004.gif

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035461589812.456029.576754811&type=3

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22/05/2012 - Quinto dia:

Puente de La Reina > Los Arcos

 

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Hoje acordei no susto com o barulho dos peregrinos. Fiz o desayuno rápido e sai quase por ultimo. Sai pensando em parar em Estella. O tempo foi melhorando durante o dia, o que alegrou a maioria.

 

Caminhei boa parte do caminho sozinho e só fui ver o Vitor e os espanhóis chegando em Estela.

 

A trilha ate a cidade é por meio de vales e plantações de trigo. Passeki por Cirauqui (tinha um carimbo dando sopa e carimbei minha credencial), Lorca, Villatuerta...

 

Chegando em Estella, achei que podia caminhar mais e a mexicana e espanhola que conheci em Saint Jean tambem estavam indo para Villamajor, resolvi embalar tambem. Antes paramos para fazer compras no supermercado e almoçar. O caminho para Villamayor é uma bela subida, no caminho passamos pela Fuente de Vino. É uma fonte que fica disposição dos Peregrinos, como passamos tarde, só estávamos nós 3, bebi com copo, com a mão, dei tchau para a camera e quase dormi ali.

 

E não é que esse vinho nos da uma força extra rsrsrs.

30km depois de Puente de la Reina, chegamos ao nosso destino, Villamayor,mas o albergue estava lotado e outro paroquial fechado. Tivemos que andar mais 12 ate Los Arcos.

 

Esse 12 km foram os mais longos até então. Eu costumo caminhar rápido para chegar no destino e aproveitar o dia, conhecer a região e descansar. Nesse dia, eram 16h e ainda estava caminhando. Infelizmente não fiz fotos depois de Villamayor tamanha a concentração para terminar esse trecho longo. Crianças não façam isso.

 

Com muita sorte pegamos as ultimas 3 camas. Só deu tempo de fazer comida, tomar banho e capotar. Isso eram 9h da tarde(tarde, porque o sol aqui se põe as 22:30). Meu recorde de caminhada. Foram 12h caminhando. Desmaiei.

 

Observações by Raffa: Peregrinos não façam como nós, andar 44km é bem cansativo. Só fizemos porque não tínhamos outra opção em Villamayor. Em Irache, preste atenção a bifurcação a esquerda que leva a Fuente del Vino.

 

Gastos

Albergue: 6euros

Alimentacao: 6euros

Coca 3euros

Cafe 1euros

 

 

Resumo das etapas - By Manoel de Brasília

 

Puente de La Reina a Estella (24,2 Km)

Os trechos de aclive de maior dificuldade são de Puente La Reina até ao povoado de Cirauqui, e na entrada do povoado de Lorca. Os trechos de declive são suaves e sem muita dificuldade. Os pontos relevantes da etapa são as trilhas na subida de Mañeru. As novas trilhas na saída de Puente de La Reina e a conclusão das obras da autovia acabou com as dificuldades existentes para chegar a Mañeru. Em Villatuerta prestar atenção na sinalização para sair do povoado.

 

Estella a Los Arcos (21,6 Km)

O trecho de aclive mais significativo vai da entrada do povoado de Azqueta até as proximidades do povoado de Villamayor de Monjardin. Os trechos de declives são suaves e sem muita dificuldade. Os pontos relevantes da etapa são: Ausência de bosques e lugares desérticos sem sombras. Longos caminhos de terra através vinhedos de Villamayor a Los Arcos. Não se esquecer de levar água e lanche!

 

Perfil da etapa :Profile_Camino_Frances_005.gif

 

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fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035482454812.456036.576754811&type=3

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23/05/2012 - Sexto Dia:

Los Arcos > Logroño

 

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Hoje pensei que ia acordar moído, mas aqui no caminho seu corpo se recupera em uma noite. Ou seria a força?

 

Todos os dias eu durmo entre as 10/11h da noite para apagar mesmo. Muitos dormem antes ou em duas vezes, nao acho legal, estou bem fazendo assim. Os que reclamam de roncos e insonia são o pessoal que dorme durante o dia e os mesmos não conhecem o lugar.

 

A trilha foi bem fácil, sai as 7 e passei praticamente quase todos que estavam no meu albergue e saíram mais cedos. O sol castigou, mas como caminhamos pela manha é suportável. Outra coisa que perturba um pouco são os mosquitinhos quando estamos passando pelas plantações, é um entrando no nariz, outro na boca, outros batendo nos olhos, são bem chatinhos.

 

Cheguei em Logrono fui ao albergue municipal e estava quase completo, uma fila imensa, um pessoal que nunca tinha visto. Umas americanas de chinelo, uma outra falando para o amigo que tinha ido de bus. Fiquei imaginandoo povo que estava la no albergue em Los Arcos e o quanto chegaria cansado aqui e um monte de chinelinhos estavam com suas vagas. Fazer o que nao eh?:-)devia ter uma regra nos albergues municipais. Fiz o check in por volta da uma da tarde, sai as compras, fiz o almoço e nem fiquei con vontade de passear ja que amanha quero esticar 30km e se não ter vaga? terei que andar mais 12km. Vamos torcer.

 

No começo fiquei com essa paranóia de ficar preocupado em chegar nos refugios municipais, mas sempre tem opção nos povoados. diferença normalmente são de 5 a 7 euros.

 

Boa noite

 

Gastos

Albergue: 7euros

Compras 6euros

Coca 3euros

 

Detalhe da etapa - By Manoel Brasília

Los Arcos a Logroño (28,8 Km)

O trecho de aclive mais significativo vai da saída do povoado de Torres Del Rio até a região de A Bargota. A região de Bargota está melhor sinalizada e as trilhas recuperadas. O trecho de declive mais significativo é após a região de A Bargota até as proximidades do entroncamento com a estrada N-111(2,4 km). Os pontos mais relevantes da etapa são as trilhas e pequenas subidas e descidas no trecho de Torres Del Rio até A Bargota. Na região de Pântano de Lãs Cañas próximo a Logroño existem duas sinalizações. Em frente ou à direita. A melhor opção é seguir em frente. Entrada na cidade de Logroño é demorada, mas bem sinalizada.

 

Perfil da etapa: http://images.raffasp.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/T-RnnAooCyAAAEqO5t41/Etapas%20caminho%20frances.pdf?key=raffasp:journal:53&nmid=580767816

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035515439812.456044.576754811&type=3

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24/05/2012 - Sétimo dia:

Logroño > Najera

 

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Hoje acordei 100%, tanto que acordei duas vezes antes do horário.

 

Sai de Logrono as 6:30. O percurso hoje foi mais em cidades, ruas e estradas, mesmo assim passei por grandes plantações de uva, igrejas e casas lindas. O sol castigou bastante, os gringos que começaram o caminho tarde chegaram todos vermelhos. Eu bem pouquinho, passei protetor duas vezes. Tambem fui o primeiro que chegou vindo de Logrono, por volta do meio dia.

 

Curti Najera, o albergue fica na margem de um rio bonito, fiquei altas horas esticado na grama. Fiz compras, almocei e fiquei de bobeira. Reencontrei o Vitor, conheci o Rodrigo, ja fez o caminho de monociclo e está no Guiness e tambem conheci a espanhola Ana. O sol e o rio estavam tão bom que tambem tomei uma cervejinha, alias santa cerveza:san miguel. O Rodrigo indicou o albergue do brasileiro Acacio e Orieta que esta a 38km daqui. Amanha o dia promete. Se fosse para escolher um lugar para ficar um dia mais, seria aqui.

 

Observações By Raffa: Logrono é muito bonita, vale a pena uma volta pela cidade. Najera é uma das minhas cidades prediletas do Camino, ficar simplesmente sentado e curtindo o dia ao beira de um rio, foi muito bom.

 

Gastos

Albergue gratis

Lavar roupa 1euro

Compras 9euro

Bebidas 4euros

 

Detalhes da etapa by Manoel de Brasília

 

Logroño a Nájera (30,1 Km)

Os trechos de aclives mais significativos são do Pantano La Grajera até Alto de La Grajera (2,4 km) e da região de Ventosa até Alto de San Antón (2,8 km). Os trechos de declive são suaves e sem muita dificuldade. Os pontos relevantes da etapa são a passagem pelo parque de La Grajera, e as trilhas com muitas pedras na região de Alto de San Antón. Na região de Alto de San Antón os peregrinos empilham pequenas pedras ao longo da trilha dando um bonito visual. Na região de Sotés duas opções: Passar em Ventosa ou seguir em frente ao Alto de San Anton. Melhor opção seguir em frente!

 

Perfil da etapa: http://images.raffasp.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/T-RnnAooCyAAAEqO5t41/Etapas%20caminho%20frances.pdf?key=raffasp:journal:53&nmid=580767816

 

Fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035540684812.456050.576754811&type=3

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25/05/2012 - Oitavo dia:

Najera > Villoria de La Rioja

 

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Foi a noite mais quente, dormi sem o saco de dormir e só fui acordar as 5 da manhã. Muita gente acordou cedo nesse dia, pois o sol castigou no dia anterior.

 

Sai do albergue eram 6h da manha. Começo foi uma subidinha que logo virou um caminho plano pelas plantações de uva. Por volta das 7h percebi que o sol estava nascendo e fiquei alguns minutos curtindo o momento. Muitos passam e nem reparam.

 

Depois segui sentido o albergue do Acacio, indicado pelo Rodrigo. O caminho foi paralelo a estrada e bem seco, o sol castigou. Eu e o portugues Vitor seguimos quase juntos ate Vilaroia de La Rioja.

 

No percurso conheci dois outros brasileiros, o Mario do RJ e o Gaucho de Floripa, o Marião foi meu companheiro de Camino nos dias seguintes.

 

Em Redecilia, fiz um pit stop com o Vitor e paramos para comer, nesse momento um cachorro pulou praticamente em cima de mim, estava brincando e ficamos ali alguns minutos um correndo atras do outro.

 

Quando chegamos no albergue, foi uma felicidades, muitos kms percorridos e o sol castigava. Nos sentimos em casa.

 

O Acacio, quem faz o caminho, tem que conhecer, é uma pessoa que viveu o caminho por nove anos, foi e voltou, ficou de hospitaleiro, morou em albergueis, recepcionou mais de 80 mil pessoas. Muitas experiências e que algumas coisas ele nem conta para que você tenha a sua.

 

Nesse dia o Vitor na conversa entre o Acacio, eu e ele, falou que estava quase sem dinheiro, Acácio disse que ele pode fazer o Camino com pouco dinheiro, precisa sempre pedir para o hospitaleiro e de preferencia ficar em refúgios paroquiais. Acácio devolveu os 5 euros do Vitor.

 

O albergue deles é pequeno o que faz voce conhecer as pessoas. Conheci a americana, Margarida, falava espanhol, pois morou na Argentina bem na epoca da ditadura. Conversamos sobre a ditadura no Brasil e surgiu um comentario sobre a influencia da CIA, ela chorou, fiquei sem palavras, como muita gente faz coisas erradas e levamos a fama?.

 

Bom o jantar foi sensacional, teve feijoada, cada um contou em sua lingua o porque estava fazendo o caminho e dormi a melhor noite de todas. Disparado o melhor refugio do Camino

 

Observações by Raffa: Sair cedo para ver o Sol nascer é uma experiencia fantástica. Sempre que houver uma montanha a frente, faça isso. Conhecer o Acácio e seu albergue foi uma experiência muito legal, aprendi muito sobre o Camino e interagi bastante com as pessoas que estão nessa jornada junto comigo. Muitos dizem que é melhor caminhar sozinho, eu discordo e concordo ao mesmo tempo. Tem horas que caminho sozinho, tem horas que estou acompanhado de pessoas fantásticas, como o Vitor por exemplo. Siga o Camino :)

 

Gastos

Albergue 5euros

Donativo e broche 12euros

 

 

Detalhe da etapa

Nájera a Viloria de La Rioja (36km) by Manoel Brasilia

O trecho de aclive mais significativo vai da região de Alessanco, após Azofra, até as proximidades do povoado de Cirueña (6,3 km). O trecho de declive mais significativo inicia na região do povoado de Cirueña até as proximidades de Santo Domingo de La Calzada(4,2 km). Os pontos relevantes da etapa são a ausência de bosques e lugares com sombras. Longos caminhos de terra através cultivos e vinhedos. Para o desespero do peregrino na altura do campo de golfe de Ciriñuela foram instalados vivendas de luxo, e o traçado foi alterado ao meio das construções. Atenção com a sinalização!

O trecho não apresenta grande variação de altitudes. A subida mais importante é o desvio a esquerda da estrada para passar em Viloria de Rioja. Alguns prosseguem pelo acostamento da estrada sem passar por Viloria de Rioja o que diminui o percurso em 1,2 km, e seguindo direto a Villamayor Del Rio. Os pontos mais relevantes da etapa são as longas caminhadas por andaderos, ao lado da estrada N-120, a passagem pelo povoado de Grañón onde está o famoso albergue da Iglesia San Juan Bautista aos cuidado do Padre Juan Ignácio, e as belas paisagens dos montes entre Grañón e Viloria de La Rioja.

 

Perfil da etapa: http://images.raffasp.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/T-RnnAooCyAAAEqO5t41/Etapas%20caminho%20frances.pdf?key=raffasp:journal:53&nmid=580767816

 

fotos desse dia: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.10151035563934812.456058.576754811&type=3

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    • Por rafael_santiago
      Lago Nesbøvatnet
      Início: Finse
      Final: Vassbygdi
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. A maior subida tem desnível de 419m.
      O Parque Nacional Hallingsskarvet é um parque pequeno ao norte do platô Hardangervidda, maior platô de montanha do norte da Europa. Ele se situa ao norte da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, próximo à estação de Finse, a cerca de 190km de Oslo e 120km de Bergen (em linha reta). 
      Nesse trekking eu percorri de sul a norte o parque e emendei com a caminhada do Cânion Aurlandsdalen, bastante famoso por lá pela incrível beleza.
      Para saber sobre trekking na Noruega sugiro a leitura da introdução do relato www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19.
      O problema do trekking na Noruega e na Escandinávia em geral é o alto índice de chuva. Eu tive três dias seguidos de sol nessa caminhada e isso foi uma grande sorte.
      REABASTECIMENTO DE COMIDA
      Não há supermercado nem em Finse, nem em Vassbygdi e em nenhum lugar desse percurso. Só há mercado em Ustaoset, alcançada de trem a partir de Finse, e em Aurland e Flåm, alcançadas de ônibus a partir de Vassbygdi. No caminho só há refúgios do tipo staffed (da DNT) e particulares, e eles não vendem comida para preparar (apenas guloseimas), mas servem café da manhã e jantar.
      ÁGUA POTÁVEL
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.

      Lagos parcialmente congelados mesmo no verão
      1º DIA - 01/08/19 - de Finse ao Refúgio Geiterygghytta
      Duração: 5h20 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1643m
      Menor altitude: 1219m
      Resumo: esse dia tem um desnível considerável de 419m de subida e depois de 424m de descida mas não é cansativo pois é bastante gradual
      No dia 29/07 eu interrompi a longa travessia do Parque Nacional Hardangervidda ao Parque Nacional Hallingsskarvet no 7º dia do percurso (relato em www.mochileiros.com/topic/89222-travessia-do-parque-nacional-hardangervidda-noruega-jul19) por causa da chuva que chegou e ainda duraria mais dois dias. Fui de trem para a cidade de Geilo, me hospedei no Hostel HI e esperei a melhora no tempo prevista no yr.no.
      Nesse dia, 01/08, voltei de trem a Finse e retomei a caminhada com tempo bom. Finalizada a etapa do Parque Nacional Hardangervidda, agora ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet.
      Embarquei em Geilo às 13h e desci na estação de Finse às 13h38. Altitude de 1228m. Cruzei a estrada de ferro e segui a placa de Geiteryggen após o portão de madeira. Subi pela rua principal de cascalho e segui a sinalização do T vermelho entrando numa trilha à direita, cerca de 300m depois da linha férrea. Subi a colina ao norte, passei pelo local onde acampei no dia 29 e parei por 13 minutos para contemplar a magnífica Geleira Hardangerjøkulen, a sexta maior da Noruega. Ao cruzar o primeiro riacho, às 14h20, estava entrando nos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Continuei no rumo norte, cruzei uma ponte suspensa e em seguida outro riacho pelas pedras às 14h43. Voltei a subir e a vegetação, que era só rasteira, some de vez, ficando só o terreno de pedras, mas sem dificuldade para caminhar. Às 15h32 começam a aparecer as manchas de neve que tenho de cruzar, com largura de 30m a 70m, mas sem problema de escorregar. A bota impermeável é importante nessa hora também.

      Cruzando campos de neve
      Às 15h57 alcancei o Refúgio Klemsbu, particular e trancado. Fiz uma pausa ali. Algumas pessoas que caminhavam sem mochila (e até com cachorro) tomaram ali uma trilha para o norte e subiram o Pico Sankt Pål. Eu continuei às 16h39 para nordeste (direita na bifurcação) e subi cruzando mais duas manchas de neve até atingir a maior altitude do dia (1643m, desnível positivo de 419m desde Finse). Ali há um campo de neve muito extenso mas felizmente não foi preciso cruzá-lo, está à esquerda do caminho. À direita surge um bonito lago com placas de gelo flutuando como icebergs. Inicia a descida. Cruzo mais uma mancha de neve e depois um riacho pelas pedras. Às 17h52 avisto o Lago Omnsvatnet. A trilha desce, cruza um riacho e se aproxima do lago, voltando a ter vegetação rasteira e depois capim, pasto para as ovelhas. Às 18h23 atravesso mais uma mancha de neve de uns 40m e às 19h outra de cerca de 60m.
      Às 19h21 alcanço um conjunto de lagos e passo a caminhar pelo seu lado direito. Cruzo pelas pedras um riacho que vem de uma bonita cachoeira despencando do paredão à direita. Às 19h55 avisto o refúgio na outra ponta do lago. Cruzo outro riacho às 20h14 e saio dos limites do Parque Nacional Hallingsskarvet. Alcanço o Refúgio Geiterygghytta às 20h32, numa altitude de 1230m. Esse refúgio é da DNT e do tipo staffed (com funcionários), não se pode cozinhar, não há comida para vender (só chocolates e biscoitos) e o anfitrião não me deixou nem usar o banheiro se não consumisse algo ou acampasse na área designada pagando NOK 100 (US$ 12,09)! Perguntei de acampamento livre (selvagem) e ele me mandou acampar longe, fora da visão do refúgio. Pelo que pude ver era um lugar muito bem arrumado, parecendo um hotel, e a presença de barracas espalhadas podia desagradar àquele público sofisticado. 
      Em frente a esse refúgio passa uma estrada de cascalho que começa na rodovia 50 muito próximo de um túnel. Como passa um ônibus nessa rodovia essa estradinha pode ser uma rota de fuga ou um início/final alternativo à caminhada. São 3,6km dali até a rodovia. Porém há pouquíssimos horários: um ônibus por dia (às 13h10) em direção a Flåm (oeste) e um ônibus por dia (às 9h40) em direção a Ål (leste) (horários de julho e agosto de 2019).
      Saí do refúgio às 20h42 e caminhei pela estrada de cascalho para a esquerda (noroeste) até sair da visão do refúgio. Começaram a aparecer as barracas dos alternativos, dos que preferem a liberdade ao conforto. Os melhores lugares, que eram perto da cachoeira à esquerda da estradinha, já estavam ocupados, então entrei na trilha de Østerbø, com placa, à direita, e subi até encontrar um lugar plano e um pouco afastado do caminho. Havia água corrente por perto. Altitude de 1252m.

      Lagos de montanha
      2º DIA - 02/08/19 - do Refúgio Geiterygghytta a Østerbø (ou quase)
      Duração: 5h30 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1395m
      Menor altitude: 1050m no acampamento do fim do dia
      Resumo: dia de vários sobe-e-desce mas sem desníveis significativos, sendo o maior deles de 320m de descida da maior altitude do dia (1395m) aos 1075m do Refúgio Steinbergdalen
      Deixei o local de acampamento às 11h41 e segui a trilha no rumo norte. Em 4 minutos cruzei um riacho pelas pedras. Às 12h11 o mapa do gps mostrava que eu estaria cruzando a rodovia 50 porém não havia rodovia nenhuma - havia sim, estava muitos metros abaixo de mim na forma de um extenso túnel! E com mais 9 minutos avistei a tal rodovia 50 bem abaixo à esquerda margeando um lago. Infelizmente a trilha vai se aproximar dela e esse dia não será dos mais bonitos e agradáveis. Às 12h40 sigo à esquerda numa bifurcação com placa apontando para o Refúgio Steinbergdalen; à direita se vai a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalshytta (refúgio). Cerca de 6 minutos depois cruzo um riacho mais largo pelas pedras e paro por 18 minutos.
      Às 13h16 atravesso uma ponte metálica sobre um bonito rio com pedras e, subindo, cruzo uma porteira feita de ripas de madeira. Subo mais e atinjo um mirante chamado Bollhoud às 13h37. Passo por bonitos e tranquilos lagos de montanha e às 13h57 cruzo um riacho. Às 14h26 atravesso outra ponte metálica e encontro uma placa com o nome do local: Breibakkao. O riacho que cruzei forma uma bonita cachoeira à minha esquerda. Às 14h44 parei por 30 minutos num bonito mirante chamado Driftaskar, de onde avisto o Refúgio Steinbergdalen (ou Steinbergdalshytta) perto do lago Vetlebotnvatnet e da famigerada rodovia 50. 
      Na descida cruzei um riacho por uma ponte de tábuas às 15h39. No portão na chegada ao refúgio há uma bifurcação em que à direita se vai também a Kongshelleren (refúgio) e Iungsdalen (refúgio). Entrei no Refúgio Steinbergdalen às 15h49 e ele é particular (não é da DNT), mas a anfitriã me deixou usar o banheiro sem pagar pois eu estava só de passagem. É uma casa bem típica norueguesa, de madeira com vegetação sobre o telhado para manter o isolamento térmico e a estabilidade da casa. É recomendável (ou obrigatório em alguns casos) tirar o calçado antes de entrar, a menos que o anfitrião diga o contrário. A rodovia 50 está a apenas 450m e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário.
      Saí às 16h04 pelo lado direito do refúgio e tomei uma trilha que subia a encosta à direita com placa de Østerbø. E como subiu!!! Não era uma subida íngreme, mas tinha muitas pedras e parecia não ter mais fim. A visão da rodovia 50 logo abaixo à esquerda tirava todo o clima de montanha e fez daquele trecho longo de subida um tédio. Na descida, ainda pela encosta, parei num riacho às 17h18. Às 18h05 atravessei a ponte de tábuas sobre outro riacho que despencava do paredão à direita em bonitas quedas. Começo a avistar a vila de Østerbø bem abaixo no vale. Desço mais e às 18h40 alcanço um grande campo com uma cachoeira grande ao fundo. Ali já comecei a pensar se valeria a pena ir até Østerbø (ainda 3,8km à frente) pois o local parecia mais urbanizado e eu poderia ter dificuldade para encontrar um lugar para camping selvagem. Cheguei a perguntar sobre isso a uma garota que vinha (sozinha) atrás de mim, mas ela não sabia como era Østerbø. Vi que ela e um casal pararam ali para acampar e resolvi parar também, apesar de muito cedo ainda. Havia água bem próximo dali, no Rio Grøna. Altitude de 1050m.

      Cânion Aurlandsdalen
      3º DIA - 03/08/19 - de Østerbø a Vassbygdi
      Duração: 6h50 (descontadas as paradas)
      Maior altitude: 1074m próximo ao acampamento
      Menor altitude: 89m em Vassbygdi
      Resumo: longa descida de 985m percorrendo o interior do Cânion Aurlandsdalen, famoso na Noruega pela grande beleza
      O trekking de hoje pode ser feito em forma de bate-e-volta de um dia a partir das cidades de Flåm ou Aurland, onde há campings e hotéis. Tomando o ônibus às 8h15 em Flåm ou 8h25 em Aurland se chega às 9h15 a Østerbø, um bom horário para iniciar a caminhada pois há ônibus à tarde para retornar a Flåm e Aurland (veja os horários nas informações adicionais).
      Comecei a caminhar às 8h21, cruzei a ponte de madeira sobre o Rio Grøna, desci até o vale do Rio Grøndalagrovi e o segui para a esquerda (oeste). Descendo, passei por uma casa vazia à minha direita e cruzei um portão de ferro. Atravessei uma mata e às 9h12 cheguei a uma estradinha de terra, onde fui para a direita. Aparecem as primeiras casas. Às 9h18 alcanço uma estrada de asfalto após uma cancela e sigo para a direita, continuando pela esquerda na bifurcação. A rodovia 50 está a apenas 120m à esquerda da cancela e é possível tomar o mesmo ônibus que liga Ål a Flåm se for necessário. Me mantive na estrada principal e cheguei aos refúgios de Østerbø às 9h28. São dois, um ao lado do outro. O primeiro é o Østerbø Fjellstove, particular, e o segundo é o Aurlandsdalen Turisthytte, pertencente à DNT e do tipo staffed. A tão esperada trilha do Cânion Aurlandsdalen começa no meio dos dois.
      Por ser um sábado havia dezenas de pessoas iniciando a trilha, e até um grupo de voluntários dando orientações. O caminho aponta para o norte ainda como uma estradinha de cascalho, que tomei às 9h50. Altitude de 833m. Numa curva de 180º para a esquerda cruzei a ponte sobre o Rio Langedøla e havia uma sinalização um pouco confusa. Não entrei na primeira trilha à direita com T vermelho pintado na pedra, continuei descendo a estradinha e entrei na trilha seguinte à direita também com T vermelho pintado, mas muito mais estreita que a primeira (aqui aparentemente os dois caminhos servem, o importante é se aproximar do lago e evitar as outras trilhas). Passei por mais uma casa à minha esquerda e comecei a contornar o bonito Lago Aurdalsvatnet pela margem norte e depois oeste. Aparece a primeira placa de marcação de distância, 18km para a frente (até Vassbygdi) e 1km para trás (desde os refúgios de Østerbø).

      Cânion Aurlandsdalen
      Quando deixo as margens do Lago Aurdalsvatnet no sentido oeste aparece um espaço plano e gramado ótimo para acampar. Até aí não havia visto nenhum lugar adequado para acampar e daí em diante apareceram bem poucos também pois o solo muitas vezes era de turfeira, fofo e úmido. A trilha percorre a mata exuberante, numa mudança significativa de ambiente em relação aos dois dias anteriores no alto da montanha. A placa de 17km se encontra sobre um portão de ferro e na descida seguinte a beleza de Aurlandsdalen começa a se mostrar. Um lindo lago bem abaixo espelha as montanhas verdejantes. A descida até a margem leste desse lago (Nesbøvatnet) foi por uma trilha íngreme beirando a ribanceira. 
      Aurlandsdalen é também uma trilha histórico-cultural e às 10h32 aparece a primeira placa com texto sobre a história e fotos antigas do lugar. Às 10h36 cruzei uma ponte de tábuas sobre um riacho e 2 minutos depois alcancei a casa Nesbø, às margens do Lago Nesbøvatnet, sede de uma fazenda do século 17. A trilha continua margeando o lago e às 10h49 alcanço uma bifurcação num local chamado Tirtesva. A trilha íngreme à direita sobe para outro caminho: Vassbygdi via Bjønnstigen, e uma placa alerta para o risco dessa rota já que cruza uma área de avalanches. Me mantive na trilha mais usada, que segue à esquerda, e uns 520m depois de Tirtesva cheguei a um bonito lago (uma extensão do Lago Nesbøvatnet). Parei para curtir o lugar e tomar água fresca do riacho ao lado. O gramado ali daria um bom local de acampamento também.
      Continuei às 11h19 e o lago se afunila num rio, que seguirei pela margem direita até o final do dia. Agora a sensação é de caminhar no fundo de um cânion mesmo, com a altas paredes se erguendo em ambos os lados. O rio e a vegetação das encostas ficam cada vez mais bonitos. Às 11h43 a trilha é um caminho estreito escavado no paredão de pura rocha. Um corrimão dá segurança nas partes mais estreitas (principalmente se houver neve). Às 11h52 surge abaixo o bonito Lago Vetiavatnet, o último grande lago dessa caminhada. 
      Às 12h05 alcancei uma bifurcação num lugar chamado Heimrebø. À esquerda se vai a Berdalen, que é um local a 370m dali na rodovia 50 onde passa o mesmo ônibus de Ål a Flåm. Segui à direita e a trilha faz uma grande curva embicando para o norte e se afastando muito da rodovia 50 (felizmente não mais visível após Østerbø). Às 12h47 vem da direita a rota Vassbygdi via Bjønnstigen, aquela iniciada em Tirtesva e que vem pelo alto. 
      Às 12h55 cheguei a um local com uma trilha saindo para a esquerda e uma movimentação de pessoas indo e vindo de lá - fui ver o que era. Caminhando cerca de 100m chega-se a Vetlahelvete, ou little hell cave, uma reentrância no paredão rochoso com um pequeno lago dentro e iluminação vindo da abertura no alto. Há um bonito mirante nas pedras mais altas do outro lado. Voltei à bifurcação, tomei um lanche e continuei descendo às 13h16. A marcação ali mostra que estou bem no meio do caminho: já percorri 9km e faltam 10km. Em 5 minutos tenho uma visão espetacular do cânion com o rio correndo lá embaixo e pessoas minúsculas ao longo da trilha bem ao lado do rio, ou seja, tinha uma descida bem grande pela frente. Às 13h24 parei para beber a água fresca de uma quedinha ao lado da trilha. Desci pela trilha em zigue-zague e às 13h46 já estava às margens do rio, onde algumas pessoas mergulhavam e logo saíam pois a água devia estar bem fria. 

      Fazenda Sinjarheim
      Às 14h08 uma nova bifurcação. À esquerda se vai a Stondalen, que é outro local na rodovia 50 onde passa o ônibus de Ål a Flåm, outra rota de fuga, porém essa bem longa (7km). Vou à direita e em 5 minutos avisto, pendurada na enorme encosta, a Fazenda Sinjarheim, principal ponto de parada nesse trekking. Cruzo uma ponte de madeira sobre o riacho que vem de uma imensa cachoeira despencando do paredão e às 14h30 chego à fazenda. Casas de madeira com vegetação sobre o telhado e anunciado apenas em norueguês (demonstrando que poucos estrangeiros passam por ali): "sal av kaffi og mjelkekaker - kom inn", "venda de café e bolo de leite - entre". Muita gente ali descansando e se recuperando do calor pois já estávamos a 591m de altitude e a temperatura havia aumentado com a descida e por causa do horário. Muito calor para os noruegueses pois para mim estava bem agradável. Saindo da fazenda às 14h51, a descida se tornou bastante íngreme e às 15h10 já estava próximo ao rio de novo. Após duas casas de madeira, num local chamado Almen, olhei para trás e o cenário era espetacular, com duas grandes cachoeiras brotando dos paredões, último cenário de tirar o fôlego desse trekking.
      Quando vi os horários de ônibus em Østerbø pensei em tomar o das 19h para Flåm, o último. Mas pelo avanço rápido que vinha fazendo após entrar na mata resolvi apertar um pouco o passo e ver se conseguia pegar o das 16h40. A descida terminou numa clareira às 16h03 e 8 minutos depois alcancei um final de estrada de cascalho, continuando em frente, sempre pela margem direita do rio. Estava apressado por causa do horário do ônibus mas não resistia a comer as framboesas próximas à cerca à direita da estradinha. Para trás me despeço dos grandes paredões do Cânion Aurlandsdalen. Continuando sempre em frente me aproximo das primeiras casas de Vassbygdi e finalmente chego ao ponto de ônibus, em frente a uma lanchonete, às 16h27, e estava lotado. Altitude de 89m. O ônibus apareceu no horário e somente uma parte daquele povo todo o tomou pois a maioria esperava o ônibus de volta a Østerbø, onde deixaram seus carros. A viagem a Flåm durou 30 minutos e percorreu o maravilhoso fiorde Aurlandsfjorden. Em Flåm acampei no Camping e Hostel HI.

      Cânion Aurlandsdalen
      Informações adicionais:
      . para saber os preços de hospedagem e refeições nos refúgios da DNT consulte os valores atualizados em english.dnt.no/routes-and-cabins. Para se tornar membro da DNT e ter descontos o valor da anuidade é NOK 695 (US$ 84), valor de 2019 para adultos de 27 a 67 anos.
      . Camping e Hostel HI em Flåm: NOK 160 (US$ 19,34) para uma barraca com uma pessoa. A ducha quente custa NOK 20 (US$ 2,42) a cada 6 minutos (funciona com moeda ou ficha comprada na recepção). O hostel estava lotado no início de agosto. Site www.hihostels.com.
      . mapa do parque com as trilhas e refúgios: ut.no/kart
      . a temperatura mínima durante a noite fora da barraca foi 7ºC
      . para planejar qualquer viagem de ônibus, trem ou barco na Noruega: en-tur.no (clique em Meny e selecione English)
      . ônibus de Vassbygdi a Aurland e Flåm: 10h20 (sáb e dom), 14h10 (diário), 16h25 (sáb e dom), 16h40 (diário), 19h (diário) (horários de julho e agosto de 2019)
      . trens na Noruega: www.vy.no/en
      . roteiro adaptado a partir das informações do guia Walking in Norway, de Connie Roos, Editora Cicerone
      Rafael Santiago
      agosto/2019
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
    • Por rafael_santiago
      Pico Hårteigen
      Início: Odda
      Final: Finse
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 1508m
      Menor altitude: 0m em Odda
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Alguns dias apresentam subidas e descidas mais longas. O único grande desnível é o do 1º dia (1445m).
      Hardangervidda é o maior platô de montanha do norte da Europa (vidde = platô). Nesse lugar tão singular foi criado em 1981 o Parque Nacional Hardangervidda, que é o maior da Noruega e refúgio de um dos maiores rebanhos de rena selvagem do mundo. O parque se situa ao sul da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, numa distância aproximada (em linha reta) de 180km de Oslo e 120km de Bergen. 
      Essa caminhada foi planejada para durar 10 dias, cobrindo, além do Hardangervidda, também o Parque Nacional Hallingsskarvet e o Cânion Aurlandsdalen, porém a chegada da chuva me fez interromper o percurso no 7º dia, quando ia entrar no Parque Nacional Hallingsskarvet. A previsão do yr.no acertou e choveu ainda mais dois dias. Retomei a caminhada no dia 01/08 (relato em www.mochileiros.com/topic/89261-travessia-do-parque-nacional-hallingsskarvet-e-cânion-aurlandsdalen-noruega-ago19).
      QUANDO IR
      A melhor época para o trekking nos parques da Noruega é o verão, com temperaturas mais agradáveis (não tão frio) e menos neve pelo caminho. Justamente nessa época os refúgios do tipo staffed permanecem abertos. No início de junho deve ainda haver neve do último inverno dificultando a caminhada. O guia Walking in Norway, de Connie Roos, sugere fazer a travessia do Parque Nacional Hardangervidda depois de 10 de julho.
      O problema do trekking na Noruega (e na Suécia) é o alto índice de chuva. Pelo menos para nós brasileiros, que não estamos acostumados a caminhar vários dias embaixo de chuva, porém para os noruegueses isso não tem a menor importância. Eles vão para a trilha com chuva ou sem chuva. Eu tive cinco dias seguidos de sol nesse trekking e isso foi uma tremenda sorte.
      Outro fator que dificulta o trekking por lá é a quantidade de pedras pelo caminho, às vezes são áreas extensas só de pedras, o que é bastante cansativo e obriga a caminhar com mais atenção para evitar uma queda ou torção. 

      Lago a 1194m de altitude no 6º dia de caminhada
      REFÚGIOS DE MONTANHA
      Em toda a Noruega, a DNT (Den Norske Turistforening = Associação Norueguesa de Trekking) (english.dnt.no) é a associação responsável pela manutenção das trilhas, pontes e refúgios de montanha. Os refúgios da DNT são de três tipos: self service, staffed ou no-service. Além dos refúgios da DNT há refúgios particulares.
      1. Nos refúgios self service (com guardião ou sem guardião) você pode utilizar a cozinha para preparar as refeições, comprar a comida disponível se não tiver a sua própria e dormir nos beliches em espaços compartilhados. Antes de sair deve deixar tudo em ordem (lavar, secar, arrumar tudo, varrer o chão) e preencher o formulário de despesas, depositando numa urna metálica. A tabela de preços da DNT está disponível em todos os refúgios. A conta será enviada para o seu e-mail tempos depois. Como regra, não aceitam pagamento em dinheiro ou cartão no momento da hospedagem/compra, mas há exceções. Visitas diurnas (day visit) para descansar, comer ou apenas se aquecer também devem ser pagas.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 390 (US$ 47,14) e o day visit até 18h custa NOK 90 (US$ 10,88). Após 18h a visita deve ser paga como uma hospedagem. Sim, tudo na Noruega é muito caro! Para outros preços consulte english.dnt.no/routes-and-cabins.
      Os refúgios self service podem ter guardião ou não na alta temporada. Eu conheci nove refúgios nesse trekking, apenas dois deles eram não-guardados. Nesses vale ainda mais a confiança de que o hóspede está pagando por tudo o que utilizou.
      A DNT tem uma chave (fornecida somente aos membros) que abre a porta dos refúgios não-guardados, mas nesse trekking eu não encontrei nenhum refúgio trancado.
      2. Os refúgios staffed (com funcionários) são hotéis de montanha. Neles você tem café da manhã e jantar disponíveis e não é permitido usar a cozinha. De comida para vender costumam ter apenas lanches de trilha básicos, como chocolates. Segundo o site da DNT (english.dnt.no/about-the-cabins) a maioria aceita cartão de débito e crédito.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 286 (US$ 34,57) em dormitório. Consulte english.dnt.no/routes-and-cabins para outros preços.
      3. Os refúgios no-service são do mesmo estilo dos self service porém não têm comida. Não cheguei a conhecer nenhum refúgio desse tipo nos trekkings que fiz na Noruega.
      Os refúgios particulares são também hotéis de montanha e têm tabelas próprias de preços.
      CAMPING SELVAGEM
      Para quem está com barraca, nos parques da Noruega vale mais ou menos a regra do "allemannsretten" ou direito de andar (ou direito de acesso), que diz que é permitido acampar em qualquer lugar a mais de 150m de uma casa, desde que não seja uma área cultivada ou haja uma placa de proibição. Digo 'mais ou menos' porque vi isso valer apenas nos refúgios self service; nos refúgios da DNT do tipo staffed eles pediam para acampar (gratuitamente) bem longe, fora da visão do refúgio. Acampar perto do refúgio DNT staffed custa NOK 100 (US$ 12,09) e dá direito de usar o banheiro e a sala de estar. Para mais informações sobre o "allemannsretten": www.visitnorway.com/plan-your-trip/travel-tips-a-z/right-of-access
      O uso do banheiro para quem está acampando (ou apenas de passagem) é livre nos refúgios self service e costuma ser cobrado nos refúgios DNT staffed e particulares (ou gratuito se consumir alguma coisa). Nos self service o banheiro é do tipo seco, uma casinha separada, com uma bancada e o assento sobre ela. Muitas vezes o assento e a tampa são de isopor e há uma outra tampa de madeira para colocar por cima. Costumam ter papel higiênico. Nos staffed é um banheiro normal e interno.
      ÁGUA POTÁVEL
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.
      REABASTECIMENTO DE COMIDA
      Durante esse trekking há duas formas de se reabastecer de comida:
      1. os refúgios da DNT do tipo self service têm um mercadinho (parece mais uma despensa) onde se pode comprar comida a preços ainda mais exorbitantes do que o habitual da Noruega (dobro ou triplo do preço da cidade). Há enlatados diversos (carne, almôndegas, frutas em calda e até espaguete), arroz, macarrão, sopa de envelope, purê de batata, biscoitos, pão sueco (não há pão de forma ou outro tipo), patê de fígado, chá, café instantâneo, aveia, leite em pó, geléia. 
      Tanto nos refúgios com guardião quanto nos não-guardados deve-se preencher o formulário de despesas e depositar numa urna metálica. A conta será enviada para o seu e-mail tempos depois. Como regra, não aceitam pagamento em dinheiro ou cartão no momento da compra, mas há exceções.
      2. na cidade de Fossli/Liseth me informaram que há um mercadinho no Garen Camping, mas eu teria que desviar 4km (ida e volta) do meu percurso e não fui até lá conferir
      Nas duas pontas do trekking:
      1. Odda tem três supermercados (Rema 1000, Spar e Extra)
      2. Finse não tem nenhum comércio. O supermercado mais próximo está na cidade de Ustaoset, a 38km, podendo ser alcançada de trem 4 vezes por dia no verão
    • Por Mari Galante
      Oi, pessoal! Alguém já fez o caminho de Santiago português do interior, que sai de Viseu?
      Quantos dias levou?
      Quais são as etapas?
      Onde dormiu e comeu?
      Desde já muito obrigada.
    • Por Wilson Iwazawa
      Prólogo
      Virou costume.
      Nas ocasiões sociais, volta e meia um amigo ou parente solta a frase: “E aí, qual sua próxima caminhada?”. Confesso que fico surpreso, pois fiz pouquíssimas trilhas até hoje. Inclusive não faz muito tempo eu ia de carro à padaria da rua de baixo. Porém, pelos caminhos sinuosos da vida, acabei me encontrando pelas trilhas afora. E nos últimos tempos a resposta para tal pergunta era: “vou caminhar em torno do Mont Blanc, cruzando as fronteiras da França, Itália e Suíça.”
      Fiquei ciente desta trilha através dos relatos do Elias, do portal Extremos. Antes de pesquisar mais detalhes, a primeira palavra que me vinha à cabeça relacionada ao Tour era “neve”. Ainda não a conhecia pessoalmente. Seria uma ótima oportunidade, somado ao desafio físico mais intenso que a trilha demandaria. Valeria a pena cruzar o oceano para isso.
      Iniciei então as pesquisas sobre o TMB. Destaco algumas informações interessantes:
      A trilha percorre cerca de 170 km (dependendo da rota e das variantes escolhidas, pode aumentar um pouco) em torno do Mont Blanc, atravessando 3 países: França, Itália e Suíça. O sentido pode ser horário e anti-horário, sendo o último o mais tradicional (e que eu optei). Não há um lugar oficial de início. Tradicionalmente a maioria das pessoas inicia em Les Houches. Optei por fazer o mesmo, apesar de vir pela Itália. Teoricamente seria mais prático iniciar por Courmayeur. Porém descobri que dessa forma, os últimos 4 ou 5 dias formariam a sequência mais dura do percurso. Iniciando por Les Houches, quebraria estes dias difíceis em 2 partes. A duração do Tour pode variar entre 8 e 12 dias, dependendo do preparo e disponibilidade de tempo. O período para se fazer a trilha é restrito ao verão (final de Junho até meados de Setembro) pois a neve e o mau tempo inviabilizam boa parte da rota no restante do ano. O inverno de 2018 na Europa fora rigoroso, então eu estava ciente de que poderiam haver algumas complicações na trilha por conta do degelo mais tardio em algumas rotas. Pode-se contratar agência com guia, autoguiada (sem o guia, mas com as hospedagens e orientações de rota providenciadas) ou seguir por conta própria, fazendo pessoalmente as reservas. Optei pela última opção, após descobrir que a trilha é bem sinalizada. Encaro o planejamento como uma parte interessante da aventura. As hospedagens variam entre hotéis e albergues nos vilarejos, e abrigos de montanhas nas partes mais isoladas. Muita gente segue acampando, porém é bom atentar que nem todo trecho possui permissão para camping. Voando do Brasil, as cidades mais práticas para se pousar são Genebra, Paris ou Milão. Fui por Milão pois faria um tour pela Itália após a caminhada.
    • Por MarceloBarce
      (relato em vídeo no fim do post)
      Na primavera desse ano, fui visitar a região de Trentino-Alto Àdige, para conhecer os Dolomiti, no norte da Itália.
      Me hospedei no Youth Hostel Bolzano, que era um dos únicos na região.

      Fiz 3 dias de trilhas, mas vou falar primeiro dessa travessia que eu registrei em foto e vídeo.
      No hostel, eu conheci 3 americanos que também tinham bastante experiência em trilhas, e fui com eles.

      Era primavera (4 de junho), um dia ensolarado com previsão de chuva para o fim da tarde, fazia uns 27 graus de temperatura.
      A chuva parecia inofensiva, mas se revelou uma tempestade assustadora no alto da montanha e deixou a temperatura NEGATIVA.
      Este foi um dos dias mais incríveis, bonitos e assustadores da minha vida.
      A ROTA DA TRAVESSIA

      Tomamos um ônibus circular de Bolzano para a bela cidade de Selva di Val Gardena, 1 hora de viagem ao preço de 5 EUROS, esse seria o único custo do passeio.

      PLANO A: pegaríamos o bondinho de ski Dantercepies (bandeirinha verde do mapa, abaixo do plano B) e a partir dali, daríamos uma volta no Monte Puez, um lugar com vistas incríveis, e desceríamos pelo vale de Valunga (trecho azul do mapa).
      PLANO B: começaríamos a trilha pelo final do Plano A, o vale Valunga, e ao chegar no ponto mais alto (o coraçãozinho do mapa), voltaríamos pelo mesmo caminho.
      EMERGÊNCIA: esta foi uma rota de fuga que precisamos tomar para fugir da tempestade

       
      RELATO
      O dia estava lindo, a previsão era de sol com nuvens para a tarde toda com uma garoa no fim da tarde.


      Infelizmente, o bondinho Dantercepies estava em manutenção, e por isso fomos seguir o plano B, começando pelo vale de Valunga, que começa nesta foto acima.
      Valunga é fantástico, se parece muito com o vale de Yosemite dos EUA. Inclusive, eu diria que esta rocha em primeiro plano da foto acima é parecida com o famoso "El Capitan".
      Já estive nos 2 parques nacionais para fazer esta comparação. Os americanos que estavam comigo concordaram, hahaha.
      O legal do Valunga é que não passa carros no meio.


      As vistas eram lindas em todos os sentidos.

      Enfim, começou a grande subida do fim do plano B, uma parte muito íngreme com bastante escalaminhada e alguns trechos de neve bem perigosos em que um escorregão poderia ser fatal.
      Mas fomos com calma e cuidado, e deu tudo certo.

      A vista dali era fantástica, mas já começava a dar sinais de chuva.

      Para nossa surpresa, quando chegamos no final da subida, que era uma passagem de montanha, avistamos uma tempestade assustadora que não era visível antes.
      Do lado de onde viemos, o clima estava razoável... mas do outro lado da montanha, as nuvens estavam bem escuras e já estava chovendo:

      PRESTE ATENÇÃO naquela cidadezinha no canto inferior direito da foto, este lugar se chama Colfosco e foi nossa salvação.
      Estávamos num lugar com pouca visibilidade dos arredores, subi num ponto mais alto antes que fosse tarde, para ver qual seria a direção mais segura para fugir da tempestade:

      Repare nas duas fotos acima que a chuva já havia mudado de lugar, use a montanha pontuda (monte Sassongher) como ponto de referência.
      Foi questão de 10 minutos para eu descer e a chuva pegar a gente.
      Daí pra frente, as coisas só pioraram.
      Nosso plano de voltar pelo mesmo caminho foi por água abaixo (literalmente), porque seria impossível descer aquele trecho íngreme de neve com chuva.
      Optamos por seguir a trilha do plano A até encontrar um dos abrigos de montanha da região, que estaria a mais ou menos 2 horas de distância.



      Porém, este plano também não deu certo.
      Começou uma tempestade de granizo muito forte com MUITOS RAIOS e nós tivemos que nos separar e abaixar, para diminuir a chance de tomar um raio.
      Estimamos que a temperatura baixou para -5 graus.
      A paisagem que antes estava verde e ensolarada, ficou cinzenta, coberta de neve e granizo.
      Estávamos todos com casacos corta-vento impermeáveis, bem protegidos, mas vestindo shorts, o que obviamente tornou a experiência bem fria, apesar de suportável (graças às jaquetas).
      O local era SUPER EXPOSTO, pois se tratava de um platô gigante. O melhor que podíamos fazer era tentar ficar numa parte menos alta.

      Na foto: eu em primeiro plano, Micky de jaqueta vermelha no fundo, Nathan de preto mais ao fundo, Elsa de preto no canto esquerdo da foto.
      Foi aí que traçamos a rota de emergência!
      Nós não voltaríamos mais para Val Gardena, porque as duas rotas (plano A e B) estavam extremamente perigosas, e eram os únicos caminhos de volta.
      A prioridade agora era encontrar um abrigo para salvar a nossa pele.

      Após a chuva diminuir, nós desceríamos para a cidade de Colfosco, que fica do outro lado da montanha e tem uma trilha quase plana cercada por montanhas, que era menos exposta aos raios, mas não menos desoladora.

      Tivemos que atravessar algumas cachoeiras de lama causadas pela chuva, mas não foi difícil e deu tudo certo:

      Esta descida pela rota de emergência durou aproximadamente 1 hora e meia, e apesar dos trovões assustadores e da garoa que não parava, essa rota passou segurança.
      Claramente, foi uma decisão sensata abrir mão de retornar a Val Gardena.
      Chegando em Colfosco, batemos na porta de uma casa que tinha luzes acesas e fomos recebidos por uma senhora MUITO hospitaleira que nos deu toalhas e preparou um chá para cada um.
      Rachamos um taxi para Bolzano, que saiu 30 euros por pessoa. Se não fosse isso, o passeio inteiro teria custado apenas 10 euros de ida e volta do ônibus. Ao fim, saiu 35 euros.
      Valeu a pena? Sim, hahahahahaha.

      Abaixo, o relato em vídeo, no meu canal, para vocês terem uma noção do que foi:
       

      Obrigado, espero que gostem.
      Qualquer dúvida, é só perguntar

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