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  1. Em 2019, realizei a maior viagem da minha vida e agora, finalmente decidi compartilhar um pouco dela aqui espero que gostem! Capítulo 1: Preparação e França Em setembro de 2018, decidi largar a faculdade e juntar dinheiro para me jogar em uma aventura na Europa. Estava trabalhando em uma ONG de intercâmbio voluntário e fechei um pacote para passar 45 dias na Croácia por R$400 reais. Muito barato! Pelo menos tinha a hospedagem garantida. (Só vim saber exatamente onde ia dormir quando cheguei na Croácia, mas essa parte fica para outro momento) Tinha pouquíssimo tempo e pouquíssimo dinheiro (somente R$1000 guardados) pois planejava passar o ano novo em Paris (já que as passagens no inverno são mais baratas). Vendi praticamente TUDO o que eu tinha, roupas, livros, e vendia comida na rua (principalmente bolo vegano)! Contava a história de que estava indo realizar meu sonho de mochilar, e muitas pessoas me davam dinheiro sem nem pegar a fatia, para que eu vendesse para outra pessoa. Lembro-me de um dia em que ofereci o bolo para dois senhores em um restaurante chique: Um me deu uma nota de R$50 e outro, de R$20. Quase engasguei de surpresa hahaha 😅 depois de vender muito bolo, pastel e etc, consegui juntar R$2500, que somando com o que eu tinha guardado, foi o preço da passagem de ida e volta! Poderia ter pago bem mais barato se tivesse comprado com mais antecedência, então essa é a primeira dica: Se você for fazer na loucura que nem eu, presta atenção nas promoções e procure as datas mais baratas (usei o Skyscanner para isso) mas se você tem mais tempo, compre com antecedência, pois isso pode te fazer economizar uma boa grana! Outra dica: se você vai vender na rua para juntar grana e viajar, não seja seletivo. Eu era um pouco mais tímida, e só oferecia para pessoas que não estavam em grandes grupos e ainda era seletiva, escolhia na rua para quem ia oferecer. OFEREÇA PRA GERAL! HAHA Sério! Fiz vaquinha, continuei vendendo e tive também uma ajuda dos meus pais. Acabei indo com cerca de 800/900 euros (ou seja, eu iria me virar com uma média de 100 euros por mês). Na época, isso seria mais ou menos R$4000. Cheguei em Paris e nem podia acreditar que estava ali. Eu nunca nem havia saído do nordeste! Estava fazendo 7 graus, e eu estava com um agasalho de inverno. Porém quando eu digo inverno, é inverno nordestino, ou seja, não servia para quase nada me lasquei de frio, então outra dica: Não seja mão-de-vaca como eu fui na hora de investir em roupa de inverno. Porquê meu pensamento foi "São menos de três meses de frio, eu vou sobreviver". NÃO PENSEM ASSIM, PELO AMOR DA BICICLETINHA! Fiquei uma semana em Paris e dei um bate e volta em Versailles com uma amiga peruana que fiz através do Couchsurfing. Fui no museu do Louvre de graça (o Louvre é gratuito nos sábados à noite, na baixa temporada! Outro motivo de querer ir pra Paris no ano novo). Fui na Sacred Coeur, Notre Dame (não entrei porquê era pago) e bati bastante perna! Os franceses a quem pedi informação foram gentis e prestativos. O segredo é começar com "Bonjour/Bonsoir! Excusez-moi parlez-vous anglais?" (Bom dia/boa noite! Com licença, você fala inglês?) A ideia era pagar pelo transporte (e ainda paguei algumas vezes) mas os próprios parisienses me ensinaram como burlar o metrô 🤷‍♀️ quase não paguei transporte público nesse mochilão. Não estou dizendo que é certo, mas era a forma que eu tinha de economizar. Se você puder pagar, pague, pois se você for pego, paga uma multa de em média 100 euros! Duas vezes pedi informação sobre como comprar um ticket de metrô pois estava toda enrolada, nas duas vezes, as pessoas tentaram me explicar, mas resolveram pagar pra mim. Gentileza que você não espera! Fiquei na casa de duas pessoas do Couchsurfing. Me senti muito desconfortável na casa do meu primeiro host, era um francês que morava sozinho e era uma pessoa inconveniente, mas no da segunda, foi ótimo ❤️ uma paquistanesa super gente fina, que morava com o namorado francês e tinha um gatinho, o Pablito. Eles foram ótimos! A paquistanesa falava seis idiomas, incluindo português (se eu não soubesse que ela era do Paquistão, diria que era paulista pelo sotaque!) Maas, na noite de ano novo, acabei dormindo no hostel onde a minha amiga do Peru estava se hospedando. O metrô estava fechado (eram 3h da manhã) e eu teria que esperar até às 7h. Tinha uma cama vazia no quarto que ela estava: Ela parou um pouco, pensou e disse baixinho: "Fica aí até às 7h, antes de checarem os quartos para limpeza"! Dei um cochilo, às 7h acordei e meti o pé. Passei pela recepção sem olhar para trás, mas a pessoa que estava na recepção nem disse nada. Provavelmente é difícil saber quem é hóspede ou não em uma época tão festiva. Voltei para a casa do meu host com o c* na mão, pois quando cheguei na estação da zona que ele mora, eram 8h da manhã e ainda estava escuro - e não tinha ninguém na rua. Porém em um determinado momento passei por uma menina que estava andando e mexendo no celular tranquilamente e fiquei um pouco mais tranquila. A pessoa só faria isso em um lugar minimamente seguro, não é? Mas ainda fiquei em alerta até chegar na casa do meu host. Depois da França, peguei um voo para a Croácia (que estava incluso naqueles R$3500). Cheguei em Zagreb e peguei uma van até Rijeka, a cidade onde ficaria por 45 dias (acabei ficando 50 dias). 20190102_161214.mp4 20190103_132615.mp4
  2. Famosa pelo flamenco, tapas, futebol, Gaudi, festas e praias espetaculares, há uma infinidade de coisas para fazer na Espanha. Mas, além das praias, existem vários parques nacionais com cenários naturais únicos e montanhas dramáticas, incluindo vários picos com mais de 3.000 metros. Uma fusão de culturas conduzidas pela península da África, da Roma antiga e de diferentes religiões torna este caldeirão um dos países mais empolgantes para explorar na Europa. Vamos falar sobre o que NÃO fazer na Espanha primeiro Infelizmente, a Espanha também é famosa pela tradição da imperdoável “arte” das touradas. Há um grande movimento tentando conter essa atividade antiética na Espanha e, até o momento, os resultados são positivos. De acordo com a PETA, o número de touros mortos em touradas diminuiu 56% em 2019 em comparação com 10 anos antes. Agora, com a pandemia ao longo de 2020 e 2021, essas atividades tiveram um impacto ainda menor, pois os eventos sociais foram altamente restritos. No entanto, como turista, é tentador experimentar uma apresentação tradicional como esta, ou pelo menos visitar uma praça de touros fora do horário de apresentação. Afinal, é cultura! A dura verdade, porém, é que se você não quiser apoiar essa atividade, deve evitar completamente as praças de touros. Até que a praça de touros não seja completamente fechada para apresentações, há 100% de chance do seu dinheiro inocente ir direto para apoiar mais touradas. Felizmente, há muitas coisas éticas a fazer na Espanha para vivenciar sua rica cultura e você está prestes a descobrir muitas delas aqui! Continue lendo em: 14 Principais Atrações Culturais e Atividades p/ Fazer na Espanha
  3. Oi gente, não sei se pode esse tipo de postagem mas queria saber: Vocês já compraram algo no Civitatis? deu certo? Vi umas excursões baratas lá e fiquei meio desconfiado. Vocês recomendam?
  4. Olá pessoal, essa foi minha primeira viagem para o inesquecível Velho Continente, a Europa. E coloco aqui como foi a viagem e, principalmente, a preparação - meu amigo sempre me "cobrou" para que eu apresentasse para os outros o planejamento. Portugal e Espanha – Parte 1 – O Planejamento O planejamento dessa viagem começou em junho de 2017, com a emissão dos passaportes – era um sonho viajar para fora, assim como o é de milhões de pessoas. A ideia de Portugal, por óbvio, era a fama de ser um país desenvolvido barato e a conveniência do idioma. Mas, assim como é a nossa vida, o planejamento não foi tão lógico quanto deveria ser. Passaportes emitidos, era o momento de pesquisar o voo – um baita abacaxi! Não tinha ideia ainda de preços de voos e só encontrava a superiores a 4 mil reais – bateu o desespero. Como ia pagar 4 passagens a esse preço fora o que eu ia gastar lá e que eu ainda não tinha a menor ideia de quanto seria?! Ficava a percepção que a Europa era exclusivamente para a classe média alta e a nós, simples mortais, a América Latina era o sonho, com o limite máximo representados pelos Estados Unidos – e fui pesquisar os voos para visitar o Donald Trump. Estavam bem mais baratos que os da Europa e, mesmo com o custo da emissão do visto americano, ficava ainda viável. Me animei e já estava pesquisando sobre a Costa Leste Americana – entretanto essa diferença de preços de voos ainda me intrigava. Felizmente, eu estava errado (para alegria geral da família). Falei com um amigo meu que conhecia um colega de trabalho que tinha ido para a Europa – e descobri que ele tinha pago, anos antes, 1500 reais – me animei! Traçando novas formas de pesquisas, mesmo assim a passagem para Portugal (Lisboa ou Porto) ainda ficava mais de 4 mil reais – mas tinha encontrado para a Espanha (Madrid) por 2200 reais! (depois incidiu o IOF do cartão de crédito e subiu o preço para 2364 reais – governo brasileiro sempre atrapalhando) – e mala despachada inclusa. Passagens compradas em 1º de setembro, com o voo programada para 23 de novembro – era iniciada a contagem regressiva para a viagem dos sonhos. Só que tinha um problema: e agora? O que tinha de pesquisar? O que tinha de planejar? Qual era ordem de pesquisa (passeios, hotel, ônibus, carro, trem)? O que tinha de saber antes de chegar na Europa? Devo dizer que essa viagem foi, de longe, a mais difícil, por ser marinheiro de primeira viagem mas pelo que também conseguimos fazer. O primeiro ponto é que o desejo da viagem era Portugal, mas íamos descer na Espanha. Achei um simulador de viagens para a Europa (mas não só para ela) e simulei nele o deslocamento entre os dois países (ônibus, trem e avião). O avião, na versão mais barata de low-cost, apresentava um problema – mala despachada encarece [muito] a passagem e aquela eterna dúvida – e se o avião atrasa? Percebi que o avião ia trazer mais dor de cabeça do que benefícios e desisti. O ônibus, para um trajeto de 600 km, tinha por vários horários e preços competitivos – estava mais barato do que o ônibus que paguei de São Paulo – Rio de Janeiro no Carnaval. Já o trem custava um pouco mais de 100 reais por pessoa e meio lento – demorava 10 horas para percorrer as 2 cidades – saía no final da tarde de Madrid e chegava no começo da manhã para Lisboa (era evidente que servia para economizar 1 diária de hotel). As 2 opções, ônibus e trem, considerei válidas. Só que... Como primeira viagem para a Europa, a expectativa (muito bem recompensada) explode e tem a tendência natural de obter tudo quanto informação possível. E nessa procura de informações, vamos atrás de quem já teve a experiência. Um amigo do meu pai tinha alugado um carro e dirigido por alguns países europeus. E lá fui eu saber como era dirigir, como funcionava o aluguel, quais dificuldades encontradas. Até meu corretor de seguros me deu dicas – tinha viajado alguns meses antes e tinha feito roteiro semelhante (fui até visitá-lo na casa dele; coitado, devo tê-lo deixado doido com tanta pergunta – a gente tem de saber de TUDO!). Só que... como meus pais viram a praticidade e facilidade de alugar carro, foi decidido de fazer a viagem inteiramente de carro. Ou seja, todos os modais anteriormente pesquisados de deslocamento (ônibus, trem e avião) não seriam usados, mas perfazem conhecimento para demais viagens (nada pesquisado é inútil). Além de escritor desse texto, eu também teria que ser motorista. Apesar de dirigir ser simples e na Europa Ocidental eles costumam facilitar (na Espanha e Portugal eles aceitam a nossa Carteira Nacional de Habilitação), deve-se lembrar que está sob a jurisdição do país deles. Cabia, então, estudar as regras de direção europeias – e fui pesquisar as boas práticas de direção da Europa e, principalmente, a sinalização do continente, que alguns casos diferem bem da nossa (se você estuda para fazer a prova para obter a CNH, porque acha que não deveria estudar o de lá?). E nessas pesquisas encontrei um arquivo de recomendação práticas para motoristas portugueses (e para mim) para dirigir na Espanha e em Madrid. O arquivo dizia sobre velocidade, boas práticas, das rodovias, dos feriados na Espanha e da área de restrição em Madrid. Assim como em São Paulo temos a zona de rodízio veicular, em Madrid tem restrição – mas muito pior. Na área delimitada, ninguém pode dirigir, só moradores e eventuais pessoas cadastradas (ou acha que vai dirigir o carro na principal rua da cidade? – até pode, pagando a multa salgada). Fui pesquisar o aluguel de carros – e qual carro deveria escolher? E de qual empresa? O ato em si de alugar o carro é muito simples – alguns cliques de botão do computador, um cartão de crédito (sai mais barato pagar no cartão mesmo com o IOF do que pagar em dinheiro no balcão da empresa) e voilá! Mas, como diz o ditado “O diabo mora nos detalhes”, fui ver cada detalhe que podia representar um problema no aluguel. Existem algumas empresas de aluguel bem baratas, denominadas low-cost de locação. Mas considerei que se na aviação qualquer detalhe é justificativa para aumentar o preço, na locação de veículo não seria diferente – li relatos de que estas empresas fazem exames minuciosos sobre o veículo e qualquer motivo é razão para cobrança adicional (acho que essas empresas são para especialistas, consumidores “macacos velhos” – como primeiro aluguel não seria meu caso). Deste modo, fui pesquisar nas empresas tradicionais. Outro detalhe era se aceitava a viagem da Espanha para Portugal ou tinha que ficar delimitado no país (e podia “sair” mediante pagamento de taxa). E mais um era da quilometragem específica ou livre (achei melhor livre – vai saber por onde vai querer visitar). Ocorreu também de empresa que, apesar do governo espanhol admitir a CNH brasileira, só aceitava a Permissão Internacional para Dirigir. A locação em aeroportos é mais cara, porém como tinha descoberto que poderia ser feriado quando devolvesse o carro – e as lojas dentro da cidade trabalhariam em horário reduzido, preferi alugar no aeroporto. Escolhi um carro de 5 lugares, da categoria C, de quilometragem ilimitada, com porta-malas de capacidade para 3 malas grandes, para retirar e devolver no Aeroporto de Madrid-Barajas. No aluguel tem a opção de adicionais, como GPS, assistência, mas extremamente caros. No preço já estava incluso o seguro do veículo, mas com franquia elevada (de 1600 euros). Tinha a opção de deixar a franquia zerada, com o aumento correspondente no valor do aluguel (não escolhi, mas ainda não sei se o melhor é aceitar ou não – vai da escolha de cada um – mas é algo que pode fazer o preço da viagem aumentar muito). Mais caras também são as multas de trânsito – além de ter valor mais caro que o equivalente brasileiro, a locadora te cobra no cartão de crédito, junto com uma taxa de administração por te enviar a multa – por sorte, deu tudo certo; seguir a lei estritamente faz economizar centenas de euros. A locadora também cobra caso não devolva com o tanque cheio – o que fiz? Na véspera de devolver o carro, consultei no Google Maps e pelo Google Street View para encontrar o último posto antes do acesso ao aeroporto (deu certo; a funcionária da locadora não cobrou combustível extra). E as malas que a gente ia levar, como ia saber que caberiam no carro espanhol? Pegamos uma das malas e fomos testar no porta-malas do meu carro. As malas padronizadas de viagem, com rodas 360, é que servem perfeitamente nos carros. Levamos 1 mala de perfil diverso e quase que não coube no porta-malas do carro alugado. Muito se fala sobre o clima do destino de viagem, se é muito frio, chuvoso, quente, ensolarado. A passagem foi reservada para o final do outono na Península Ibérica, justamente quando mais chove – mas o quanto chove? Fui ver no Wikipédia a média pluviométrica em Lisboa em novembro e dezembro e comparei com a média de São Paulo – era o equivalente ao mês de outubro, que nem representa o período chuvoso da capital (se bem que, atualmente, o clima está longe de ficar na média...). E qual roupa levar? Lisboa tem o clima de São Paulo, simples assim. Mas outras áreas de Portugal e principalmente da Espanha podiam ser mais frias – mas levando as roupas mais grossas foi suficiente (mesmo pegando neve). Continuando o estudo para dirigir na Espanha, descobri que, assim como temos o Rodoanel e as marginais em São Paulo como anéis viários, em Madrid eles tem o de mesmo perfil – e melhorado. São a M-30, de perfil mais interno e urbano, M-40, M-45 e M-50, estas já com perfil de rodovias. É a M-40 o principal anel viário e de Madrid saem algumas rodovias radiais (denominadas pela letra R), que são pedagiadas. As rodovias na Espanha são denominadas pela letra A (autoestrada) e AP (autoestrada pedagiada). Parece irrelevante saber isso, mas as rodovias pedagiadas tem uma equivalente estrada (que pode ter qualidade inferior) e, com isso, consegui dirigir pela Espanha pegando somente um único trecho de pedágio (o GPS pode indicar vias sem pedágios, mas talvez indiquem vias urbanas). No caso do aluguel do carro no aeroporto, alugue sempre com a retirada pelo Terminal 1,2,3, pois para sair do Terminal 4, praticamente tem de passar pelo pedágio da rodovia radial – o que não acontece saindo pelos terminais mais antigos. O preço da gasolina (a95) na Espanha era mais barata (5,20 contra mais de 6 reais o litro à época em Portugal) – tive o cuidado de minimizar a necessidade de ir ao posto em Portugal. Em Portugal a questão não seria tão simples. Exista no país um sistema bem semelhante ao do Estado de São Paulo, de rodovias pedagiadas e outras não – essas eram denominadas de SCUT (Sem Custo ao Usuário de Tráfego), custeadas pelo governo português. Só que a crise de 2008 acabou com os recursos e estas foram concedidas – mas ao invés de colocarem pedágio da forma pela qual estamos acostumadas, estas SÓ aceitam pagamento eletrônico – sistema conhecido como Via Verde. E como faria para andar nessas rodovias? E como saber quais rodovias eram essas? Descobri que a tag de pedágio espanhola também era aceita para os de Portugal. Mandei um email para a locadora de veículos (com o auxílio do Google Translate) se eles forneciam a tag. Mas me responderam que não forneciam. Fui estudar o tal Via Verde – tranquilo para quem era ou estava com veículo de Portugal, mas péssimo para quem vinha de outro país europeu. Uma das opções era pegar uma tag num dos poucos postos e dar 25 euros de caução – pela rota que iríamos fazer, não seria possível devolver. O sistema é cruel para quem não o conhece: não há indicativo na rodovia de que a cobrança de forma eletrônica começará no trecho a frente (como aquelas placas de “último retorno antes do pedágio”). O pórtico de leitura da placa para cobrança está instalado na rodovia e se você não tem a tag ou não se preparou, é multado, após um prazo disponibilizado para pagamento nas agências de correios. Durante esse estudo, achei um arquivo da Infraestruturas de Portugal (espécie de agência reguladora), que mostrava quais eram as rodovias que aceitava o pagamento manual e quais era exclusivamente pelo sistema eletrônico – e tracei as rotas possíveis, sem passar pelos de eletrônico. Na região de Lisboa tem poucos desse modelo, o problema era na região de Porto – em Nazaré, descobri que é possível inserir créditos via SMS. Envia-se um SMS para o número da agência reguladora com o código de crédito comprado e o número da placa do carro (deu mais tranquilidade). Em Lisboa, também existe uma zona especial, mas é de restrição de veículos velhos poluidores – o que não devia ser nosso caso. Em Porto, nada achei, então considerei que não existia restrição. Fui pesquisar o hotel para ficar em Madrid, no último dia de estadia da viagem – considerei que, de carro, a versatilidade para procurar hotel é muito mais fácil, somada ao fato de que a época da viagem é de baixa temporada. Para variar, os hotéis que eram mostrados primeiro eram na área central de Madrid – o que não seria possível, já que nem dá para levar o carro até lá (fora a loucura de dirigir numa cidade – e país – que nada conhecia). O espantoso não era nem o valor do hotel em si, mas de ter visto hotel oferecendo garagem para o veículo por 120 reais!!! Desisti de ver hotel em Madrid e fui ver hotel em Lisboa, para ter uma cesta de opções – na verdade, na Grande Lisboa, já que a cidade cobrava um imposto sobre turistas que lá pernoitam, além da dificuldade de dirigir no centro de Lisboa. Não pretendia usar o carro para andar no centro de Lisboa. Então, como achar hotel? No Google Maps, selecionei a opção de transporte público (metrô) e procurava hotéis próximos – assim tinha a economia de ficar fora do centro (e de áreas turísticas caras) e a rapidez de deslocamento representado por trilhos (mas não encontrei um que me satisfizesse). O tempo urgia e restava pouco para a viagem, mas consegui pesquisar as atrações: mas o fiz num prazo curto e isso cobrou o seu preço. Recebi várias ideias de passeios e tive que tentar consolidar num roteiro (como dói numa primeira viagem ter que cortar o passeio), mas selecionei as obrigatórias na Espanha (San Lorenzo de El Escorial e Toledo, além de Madrid) e deixei em aberto em Portugal – conforme usássemos o carro, escolheríamos onde ir (estabelecemos 3 dias em Lisboa). Tinha comprado um guia com o mapa rodoviário de Portugal (não gosto de usar o celular) que serviu para encontrar as atrações durante a viagem. Mas uma boa “sacada” foi ter encontrado as 7 maravilhas de Portugal. Quem, senão o português, conhece melhor as maravilhas de Portugal? Foi um concurso que os portugueses elegeram suas atrações preferidas. E foi em cima delas que planejei parte do roteiro. Nessa pesquisa de passeios, sempre aparece a sugestão do citycard – no caso, do Lisboacard. Quando pesquisei, fiquei um pouco na dúvida sem compensava ou não – acabei acatando. Mas não achei que realmente valesse a pena. Portugal e Espanha – Parte 2 – A Viagem Dia 23/11 (1) O voo estava marcado para 18:45, mas a preparação começou muito antes disso. Afinal, era uma viagem de 15 dias e nada poderia faltar. As malas estavam todas prontas, mas creio que o nervosismo dessa primeira viagem imperava. Infelizmente existe preparação que realmente só pode ser feito no último dia. E isso consome um tempo precioso. Era a conferência de documentos (passaportes, cartão de crédito, CNH, seguro viagem impresso...), era verificar se a casa estava corretamente fechada – vai que deixa alguma luz acesa? São detalhes que ainda não encontrei uma forma de lidar com eles de forma mais “confortável”. Afinal, uma viagem internacional está muito longe de ser algo simples – mas não impossível (no entanto, com um pouco mais de prática a tensão vai diminuindo consideravelmente). Dirigi o carro e deixamos num estacionamento próximo ao aeroporto (calma que eu tinha um acordo – jamais pagaria os absurdos de estacionar o carro no aeroporto), mas posteriormente não creio que fosse uma boa ideia. Apesar de ter visto o trânsito no caminho e saído com antecedência, pode ocorrer problema, pois não se sabe se pode acontecer um acidente com o seu carro ou ele pifar no caminho – é difícil acontecer? Evidente que é; entretanto se isso acontecer vai dar uma baita dor de cabeça. Como eu moro relativamente próximo, chamar motorista de aplicativo fica ainda barato. Mas para quem mora na capital, o uso de transporte público é interessante. Afinal, este é lotado nos horários de pico – basta fazer o deslocamento nos horários de vale. Após passar pelo setor de passaporte, aguardamos o embarque. No avião, não havia filmes disponíveis em português, só em inglês e em chinês. Existem várias dicas sobre o que fazer no avião, mas, sinceramente, não acho que seja necessário. A não ser que realmente não consiga dormir, o tempo de comer as refeições que a companhia apresenta, junto com o sono, consomem a maior parte da duração do voo. Não há muita necessidade de pensar o que levar para fazer no avião, além de que pode refletir mais um pouco sobre o que vai fazer na viagem e, na volta, pode ver as fotos e vídeos feitos (nunca fiz, na realidade, mas é uma ideia interessante). A preocupação maior fica em levantar para fazer exercícios e evitar trombose, que pode afetar qualquer um. E, talvez, saber falar e ouvir em inglês para assistir aos filmes e falar com os nativos dos outros países. RESUMO Faça a CONFERÊNCIA de documentos, das malas, da casa e que mais for necessário, deixando tudo previamente planejado. Viajar pede mais tempo do que se imagina. EVITE de usar veículo próprio para ir ao aeroporto. Pode quebrar ou ocorrer acidente no caminho, mesmo saindo com antecedência – muito mais fácil de se esquivar se estiver em veículo alheio. Se não tiver dificuldades em DORMIR, não há necessidade de se preocupar em o que fazer no avião. Dia 24/11 (2) O avião se preparava para chegar ao Aeroporto de Madrid-Barajas e percebia que a temperatura externa subia bem devagar – sinal de que estava longe da primavera quente de São Paulo. O avião aterrissou e NÃO acessamos direto ao aeroporto. Descemos na pista para pegar o ônibus sob o clima gelado em Madrid – ainda bem que já estávamos com as roupas de frio. Pisando em solo europeu, me lembrei das imagens que o Papa João Paulo II beijava o chão em que chegava. Não fiz isso, mas a minha alegria era “divina”. Descemos do ônibus e fomos para a tal tão temida fila da imigração de Madrid. Tinha visto uns vídeos não muito promissores acerca da imigração espanhola. Só tinha a reserva do aluguel do carro, passaporte com todas as suas páginas sem carimbo de imigração, sem reserva de hotel, com o dinheiro no limite mínimo de despesa diária e o seguro viagem atendendo a carta Schengen (só que estava dentro da mala despachada que não estava comigo – primeira viagem é tensa), além da passagem de volta. Ali era o desafio final, onde todo o trabalho realizado podia afundar. Fomos nós juntos e apresentei os passaportes e o grupo (em inglês): sister, mother and dad. O Oficial pediu para ver meu pai que estava “escondido” atrás da gente. O que mais ele iria perguntar? Que desespero! Segurando um dos passaportes, ele levantou a mão direita e... carimbou! “Welcome”. Acabooooooooooouuuuuuuu. Mas feliz que Galvão Bueno na comemoração do Tetracampeonato, a Europa sorria para mim. Fomos pegar as malas na esteira e, empolgadíssimo, fomos à loja de locação do carro, depois de ir ao setor que trata de turismo – pura besteira; já sabia bem mais pelo que tinha pesquisado. Tinha fechado a locação do carro pela internet, com o cuidado de ter visto que eles aceitavam a CNH brasileira; que permitiam levar o carro para Portugal; que o carro alugado era de quilometragem ilimitada. Na loja, pediram minha CNH para tirar cópia e meu cartão de crédito para fazer bloquear um valor de caução (atente-se de ter cartão de crédito de limite alto). Nos deram a chave e informaram como chegar no estacionamento onde estava o carro. Chegamos ao estacionamento e tiramos fotos do carro (era uma recomendação que vi na internet para o caso de, se a locadora alegar que o carro foi riscado/batido, poder provar que isso foi feito anteriormente à locação). Após colocar as malas, previamente testadas em São Paulo (e quase que não couberam, por 1 delas não ter o tamanho padrão), entramos no carro e dirigi [bem lentamente] até se acostumar com o veículo. Saímos do aeroporto para acessar o anel viário de Madrid M-40, mas usei a alça errada e não consegui acessá-la. Mais uns minutos até conseguir chegar ao anel viário, mas fui pelo lado errado dela – tinha previsto ir pelo sentido horário para acessar um supermercado, fui pelo sentido anti-horário (mas já prevendo que erros acontecem, também tinha pesquisado outro supermercado caso o outro falhasse) – seria o caso de GPS? Não necessariamente, já que sabia onde estava indo; o erro foi meu de ter errado o acesso. No entanto, ao longo da viagem (e de outras), o uso de GPS foi importante, mas como meio auxiliar – é preciso ver antes os lugares para onde vai e como chegar. Fomos ao supermercado e, para minha surpresa, foi mais barato do que tinha imaginado (tinha pago R$ 4,01 por euro). Saindo do supermercado e descobrindo que é possível virar à direita mesmo com o farol vermelho, como nos Estados Unidos (após receber uma buzinada espanhola), fomos pela principal via para acessar Lisboa a partir de Madrid – a A-5, via sem pedágio e de excelente qualidade. Tendo a adrenalina baixado consideravelmente, percebi que o mostrador de combustível do painel de veículo não mudava. Já tinha percorrido muitos quilômetros. Será que estava quebrado? Parei num posto e apesar de ter visto inúmeros vídeos sobre como abastecer na Europa, deu aquele branco – a adrenalina ainda afetava. Por sorte, o funcionário da loja de conveniência foi solícito e me mostrou qual bomba usar – o da 95 plomo (gasolina) e como pagar – informar o número da bomba para o funcionário da loja (alguns postos já tem o próprio frentista, como no Brasil). Pedi para encher, mas só deu 15 litros. Depois percebi que o carro gastava quase nada de combustível – calculei em 19 km/l, isso dirigindo a 120 km/h – não sei se o carro era muito econômico, se a gasolina era muito boa ou ambos. Nosso primeiro passeio foi para a cidade de Cáceres, ainda na Espanha, sendo seu centro histórico classificado Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO – e entendi o porquê. É um dos conjuntos medievais mais preservados da Europa e, sendo o primeiro passeio turístico, ficou ainda mais impactante. É impressionante ver estruturas imensas erguidas a vários séculos, passeando pelas ruas erguidas inicialmente pelos romanos e posteriormente pelos sarracenos. Infelizmente, o dia se aproximava do fim e não deu para conhecer mais – tinha o acesso pago para a igreja (3 euros), mas como não sabíamos quanto ia gastar durante a viagem não entramos; mas o melhor é entrar e curtir (mas sempre com o cuidado com algumas roubadas, principalmente com cidades com forte vocação turística). Tinha estacionado o carro fora da área medieval de Cáceres e, diferentemente da sinalização rodoviária europeia, a sinalização urbana não é muito boa – tivemos que perguntar para uma espanhola qual o caminho para Mérida, rumo à Lisboa (olha aí a falta do GPS). Estacionar fora de área antiga é importante pois 2 motivos: é provável que seja proibido dirigir na área antiga (às vezes é exclusivo para moradores) e, se permitido, o estacionamento pode ser bem caro. Apesar do risco de parar o carro na rua, os próprios europeus recomendam que faça isso. Regularizado o caminho, dirigi rumo à Portugal e abastecemos o carro em Badajoz, última cidade espanhola e onde o combustível é mais barato. Acessando Portugal pela agora rodovia A6, era a hora de procurar o hotel. Como geralmente os hotéis em beira de rodovia são mais caros, entramos na via lateral que dá acesso às cidades para procurar hospedagem mais barata e, de quebra, se esquivar do pedágio. Surpreendentemente, as cidades onde paramos não apresentavam hotéis (uma portuguesa “indicou” um hotel que estava fechado havia anos – o detalhe que ela sabia que estava fechado). Conseguimos achar uma hospedagem em Borba. Esta hospedagem ficava na área de estacionamento pago da cidade, mas este nos cedia uma permissão para estacionar pondo um cartão no para-brisa do carro. Finalmente encontramos uma hospedagem e, de tão cansado, mal conseguia abrir os olhos para comer. Afinal, era o primeiro dia conquistado pelo trabalho de vários meses antes. RESUMO Não há motivo para pânico na IMIGRAÇÃO: é somente uma pequena entrevista ou nem isso; basta dar respostas objetivas ao que ele (se) perguntar. Dia 25/11 (3) Após passar a primeira noite em Portugal, pegamos o carro e fomos rumo à Lisboa. Na hospedagem não servia café-da-manhã (que eles denominam pequeno almoço e banheiro, de casa de banho). Após verificar que uma loja de conveniência na estrada ainda estava fechada, decidimos comer em Lisboa. Na saída de Borba para à rodovia, os carros passam por cabines – algumas para que tem o sistema de pedágio automático Via Verde ou para quem vai pagar em dinheiro ou cartão. Para quem vai pagar em dinheiro (como eu) a cabine libera um comprovante que indica em qual parte acessou à rodovia e para sair dela basta inserir na cabine correspondente, realizando o pagamento proporcional à quilometragem percorrida. Em Setúbal, a rodovia bifurcava: uma em direção à antiga Ponte 25 de Abril e outra em direção à Ponte Vasco da Gama. E agora? O pedágio da 25 de Abril era mais barato, mas escolhemos a outra ponte. Foi a sorte! A antiga ponte cai quase no centro histórico de Lisboa, junto de ônibus e bondes (estes chegam a andar na contramão). Não que seja difícil dirigir lá. É questão de costume. Mas como teria adquirido costume se acabara de chegar na Europa no dia anterior? A Ponte Vasco da Gama, por sua vez, além de ter uma bela visão do rio Tejo, era muito mais tranquila, com pouco trânsito e desembocava ao norte de Lisboa, longe do centro movimentado e apertado. A fome apertava e era a hora de tomar um café. Tinha planejado chegar em Lisboa no sábado no qual imaginava que seria mais fácil encontrar vaga para o carro na rua, bem como circular com ele pela cidade. Lego engano. Não encontrava vaga para o carro de jeito nenhum, mesmo afastado do centro. Eles colocavam carro até cima do canteiro central, algo mais difícil de ocorrer em São Paulo. Quando encontrei uma, era vaga para deficiente. Que saco! Indo cada vez mais longe, consegui achar uma vaga – no limite da área da zona azul, que não funciona no sábado (se no fim de semana é assim, imagina durante a semana). Pelo menos dirigir fora de zona histórico de Lisboa foi bem tranquilo – o problema é prestar atenção no volante e querer ver a cidade. Perto de onde estacionamos fomos para uma padaria tomar um café-da-manhã e ver o caminho para chegar à Amadora, terminal do metrô de Lisboa à época e que imaginava que teria uma tarifa mais barata. Portugal e Lisboa estavam (e ainda são) como destinos turísticos em voga e Lisboa cobra uma taxa de pernoite na cidade. Ficando mais afastado do centro da cidade (mas perto do metrô) evitava o pagamento da taxa, de estacionamento caro e teria a praticidade e rapidez do metrô. Só que o processo não foi tão simples assim e ficamos próximo à estação de trem Amadora, não de metrô, com o auxílio de um casal de idosos portugueses. Deixamos o carro no estacionamento do hotel (apesar do próprio funcionário falar para deixar o veículo na rua fora da zona azul) e fomos pegar o trem para chegar em Lisboa. Compramos o bilhete Viva Viagem (0,50 euros cada por pessoa) e descemos na estação Rossio, onde compramos o Lisboacard para 3 dias. Fomos para primeira atração mais próxima indicada no Lisboacard, o Mirante da Rua Augusta, além da própria Rua Augusta e a Praça do Comércio, com a visão sobre o Rio Tejo. Na Rua Augusta existem vários restaurantes, todos os que vi a 10 euros o prato – suspeitava que esse preço não condiz com a realidade. Na frente da Praça do Comércio, pegamos o bonde e fomos para Belém, para acessar o Mosteiro dos Jerônimos e a Torre de Belém. Porém, a ansiedade e o desconhecimento da primeira viagem começaram a cobrar seu preço e quando chegamos as atrações estavam fechando. Mesmo assim foi possível acessar a igreja do mosteiro, onde estão enterrados Luís de Camões e Vasco da Gama, além de outros célebres portugueses. E, claro, próximo deles fica o monumento Padrão dos Descobrimentos (só que o Lisboacard não concedia desconto para essa atração). Em Belém, não podia ser diferente, fomos numa padaria comer os famosos Pastéis de Belém. Vale muita a pena. Só tem de ter cuidado com os valores: enquanto numa padaria custava 0,99 euros o pastel, em um supermercado cobrava 6 pastéis por 0,95 euros. Eis algo simples que faz uma baita economia. Pegamos o bonde de volta só que o leitor do transporte não estava reconhecendo o Lisboacard. Fomos na estação Rossio e a funcionária não quis muito ajudar – seria um problema para nós resolvermos no dia seguinte, com o agravante que seria domingo e vários postos de atendimento do Lisboacard estariam fechados. Decidimos voltar para o hotel mesmo com o problema na leitura do cartão já que tínhamos a data da compra e o registro de início do uso do Lisboacard, caso algum fiscal passasse. Dia 26/11 (4) O primeiro ato do dia, após o café-da-manhã (este incluso no hotel) foi regularizar o Lisboacard. Tive que descobrir em qual lugar tinha de ir para arrumar o cartão num domingo (primeiro fui na Western Union, e me indicaram uma banca na frente da Praça Dom Pedro IV, onde consegui arrumar), o que fez perder um tempo precioso, mesmo saindo cedo. Regularizado os cartões, voltei ao hotel para irmos à Sintra e seus palácios. É um passeio para preparar bem a perna. Descendo na estação, fomos à pé até o Castelo dos Mouros (tinha vestígios milenar dos antigos habitantes) e depois ao Palácio da Pena (percebi que os antigos portugueses eram bem pequenos – a cama parecia de criança). Infelizmente, novamente por erro no planejamento (faltou o GPS) e agravado pela falha do Lisboacard, não deu tempo de conhecer o Palácio Nacional de Sintra e a Quinta da Regaleria. É possível fazer esse caminho por ônibus, mas tem de tomar o cuidado que ele não leva na porta da atração. Por exemplo, no caso do Palácio da Pena o ônibus de Sintra levava até o portão da bilheteria. Se quisesse chegar mais próximo, tinha de pegar outro ônibus interno (3 euros à época). Ou pode seguir por trilhas internas. Mas chegando cedo com planejamento é possível conhecer os 4 palácios tranquilamente. Dia 27/11 (5) Pegamos o trem, agora mais frequente por ser segunda-feira, para irmos até o Castelo de São Jorge. No caso, para acessar o castelo tem de pegar um ônibus na Praça Dom Pedro IV (conhecido pelos brasileiros como imperador D. Pedro I). Fortificação da cidade, possui uma vista incrível de Lisboa e seus arredores e, claro, de muita história portuguesa. Fora do castelo, voltamos a pegar o bonde rumo à Belém, para irmos ao Mosteiro e a Torre. E mais uma vez o planejamento incompleto cobrou o seu preço (pelo menos pela última vez) – era o dia em que eles estavam fechados! Apesar de eu ter o guia em mãos e constar tal informação, não tinha percebido. E agora, o que iria fazer? Os portugueses falam muito das belas vistas de Cascais, mas, com o guia em mãos [e aberto], encontramos o Palácio de Queluz, que estava aberto e ficava na estação seguinte à Amadora, onde era o nosso hotel. Ou seja, podia ter realizado um roteiro de passeios bem melhor na Grande Lisboa. Mas como primeira viagem para Europa enxergo que isso foi um aprendizado para entender como funciona o planejamento de uma viagem barata (é fácil falar agora – na hora dá uma raiva). Nas viagens seguintes esses erros não aconteceram ou o foram por motivo de força maior, o que as tornaram ainda mais divertidas. Pegamos o bonde de novo para voltar à Lisboa e acessamos o trem para descer dessa vez em Queluz-Belas, que dista 1 km do palácio. O Palácio de Queluz pertence ao grupo dos Parques de Sintra e é conhecida como a versão Versailles portuguesa (óbvio, nas suas devidas proporções), sendo a residência real durante os séculos XVIII e XIX. E, apesar de ser ainda mais próximo de Lisboa do que Sintra e ainda mais magnífica do que o Palácio da Pena, é praticamente vazia, com pouquíssimos turistas, bem diferente de Sintra. Saindo do palácio, fomos jantar numa padaria próxima à estação de trem, de preços mais baratos em comparação aos encontrados em Lisboa – é impressionante como a majoração de preços é proporcional ao fluxo turístico. Voltamos à Lisboa e andamos pela área central da Lisboa, aproveitando a última noite lisboeta. Fomos no elevador da calçada da Glória (na prática, um pega-turista, mas que estava incluso no Lisboacard; mas não o pegaria se tivesse que pagar avulso). O cansaço chegou e era hora de voltar ao hotel. Dia 28/11 (6) Último dia em Lisboa – e última tentativa para acessar o Mosteiro dos Jerônimo e a Torre de Belém. Pegamos o bonde e descemos em frente ao Mosteiro e tivemos nova surpresa: o Mosteiro estava FECHADO! F-E-C-H-A-D-O! Era um evento de Estado entre Portugal e a Suíça, e a solenidade estava sendo feito no mosteiro, bloqueando o acesso aos turistas – não acreditava no que via. Que ódio! Restava a nós conhecermos a Torre de Belém – e que maravilha. Construída durante a época de ouro portuguesa, serviu de [óbvio] como torre de observação, forte, posto alfandegário, prisão, farol e agora é umas das 7 maravilhas de Portugal. Seus acessos para os pavimentos superiores são meio apertados, mas isso não intimidou um casal que subiu com um carrinho de bebê pela torre (!!!). Fora da torre, nova surpresa: os suíços fora embora. Finalmente conseguiria conhecer o Mosteiro dos Jerônimos, outra maravilha portuguesa. Coincidentemente, a tal chuva forte característica de novembro resolveu aparecer e ficamos presos no mosteiro (melhor do que estar no meio da rua) e deu para conhecer e apreciar mais o complexo. Tendo conhecido o complexo (e a chuva diminuída), era o final do período de validade de Lisboacard e da nossa permanência em Lisboa. Pegamos o trem e retiramos o carro no hotel rumo ao norte de Portugal. Dessa vez a próximo destino seria Mafra, onde fica o convento homônimo. Apesar de não termos o GPS no carro, estava com o guia rodoviário de Portugal e a sinalização rodoviária é muito boa na União Europeia e conseguimos chegar ao município de Mafra tranquilamente, apesar da chuva que voltara. Só que a rodovia cortava a cidade ao meio. Tinha acesso para a cidade indo para a esquerda quanto à direita. E agora? De que lado fica o convento? Arrisquei para a direita – como já escrevi, a última “cobrança” da falta de planejamento foi em Lisboa – e acertei. Passamos a rotatória e lá estava o enorme Convento de Mafra. Só que pelo dia – dessa vez tinha visto no guia (e pela chuva) não seria possível visitar no dia e fomos procurar hotel – meio burrice, sem internet, mas Mafra não possui muitos hotéis; aliás, pouquíssimos. A chuva apertava; isso dificultava e “acelerava” a escolha do hotel mais próximo. Estava com tênis sem ser impermeável e era horrível ficar molhado (junto com as meias) no frio. Para evitar de ficar gripado, fechamos o hotel. Na verdade, ele não era caro – mas os hotéis e apartamentos que conseguimos reservar posteriormente mostrou que ele também não foi barato. Seu preço foi de 85 euros para 4 pessoas, com café-da-manhã e a conveniência de ser próximo ao convento e NÃO estar na área de zona azul da cidade (ele ficava no limite; um lado era na zona azul e outro não). Posteriormente, fomos ao supermercado comprar o “jantar”. Dia 29/11 (7) Depois de tomar o café-da-manhã, fomos a pé ao Convento de Mafra. Um dos finalistas das 7 maravilhas portuguesas, possui uma biblioteca maior do que a da Universidade de Coimbra, sendo protegida por... morcegos! Eles não permitem conhecer melhor a biblioteca, somente uma visão por umas das entradas; mesmo assim tem uma seção com a apresentação de alguns livros – é espantoso a riqueza de detalhes dos desenhos feitos séculos atrás (o que faz até sentido, numa época sem internet e grandes comunicações – havia tempo de sobra para fazer trabalhos perfeitos). Também tem uma área médica, arte barroca e uma área privativa da realeza para assistir a missa de uma janela do convento (a monarquia portuguesa tinha seus privilégios). De volta ao carro, agora já mais acostumado com o carro e com a direção da União Europeia, fomos a Óbidos, cidade que ainda resguarda uma enorme muralha no estilo medieval e um castelo restaurado que virou uma pousada de luxo. Estacionamos o carro no estacionamento com zona azul e percorremos pelas ruas da cidade. É um passeio muito interessante, mas preferi outros lugares desta viagem (sem contar que a área do castelo nem pode entrar – a entrada é permitida só por reserva na pousada...). Fora de Óbidos, tinha decido ir ao Mosteiro de Alcobaça, na cidade homônima (e umas das 7 maravilhas). Devido à proximidade, decidimos não usar a autoestrada – para conhecer um pouco mais do interior de Portugal e evitar o pedágio da autoestrada. Paramos o carro no estacionamento bem em frente ao mosteiro (com aquela eterna dificuldade para saber o tempo que ficaríamos no mosteiro para comprar o bilhete da zona azul). De Luís de Camões, “Inês é morta”, descobrimos que a Inês de Castro continua morta... e enterrada no mosteiro (sua tumba está meio “machucada”, mas não deixa de impressionar). A estrutura antiga do mosteiro me lembrou muito de algumas cenas do Castelo de Hogwarts, de Harry Potter. Fora de Alcobaça, tínhamos planejado ir à Fátima, mas em Lisboa o funcionário do hotel tinha indicado que seria melhor ir para Nazaré. Cidade de onde partiu Vasco da Gama, é famosa por suas ondas gigantes para os surfistas. Fomos para conhecer a cidade, mas caímos em algumas ruas estreitas e, sem GPS e com a parca sinalização urbana, não estava conseguindo sair – pedimos ajuda para um menino na cidade que, com sua bicicleta (como no filme do E.T.), nos guiou à nossa frente até chegar ao caminho para o centro da cidade (eis um caso que um aparente problema vira uma bonita história para contar sobre viagens). Dentro do carro, conhecemos um pouco do centro de Nazaré (sem indicação de restrição a eventuais motoristas de fora da cidade) e, claro, onde percebia que podia ser mais difícil dirigir (como a rua que trocava o asfalto pelas pedras antigas) eu manobrava para sair da área. A noite tinha chegado e tinha de encontrar a hospedagem – como? Na área central de Nazaré, mais próximo da praia, havia zona azul. Fui, então, para a área não abrangida pela zona azul – afinal, não é foco da viagem conhecer a praia de Portugal e, assim, evitaria o custo de pagar o estacionamento. No limite entre essas duas áreas, parei na frente de um pequeno mercado de bairro e perguntei para a portuguesa se ela conhecia uma hospedagem na região. Ela largou a vassoura, saiu do mercado, parou em frente à casa adjacente ao mercado e tirou uma chave – que sorte! Ela era a proprietária de um pequeno apartamento, a um custo de 60 euros, com quartos, sala e cozinha. Com essa conveniência da cozinha, fomos ao supermercado próximo da hospedagem para uma refeição mais completa, junto com os sempre presentes pastéis de Belém. A única “dificuldade” dessa hospedagem é que você deixa a chave dentro de uma caixa quando vai embora – caso esqueça algo ou feche o apartamento com a chave dentro, estará com um certo problema (mas nada que um pouco mais de atenção não dê um jeito). Dia 30/11 (8) No dia seguinte, ainda estava preocupado com os tais pedágios exclusivamente eletrônicos que eram próximos da região de Porto. E tendo estudado no dia anterior, percebi (só nesse dia) que existia a possibilidade de mandar um SMS com o código de crédito de pedágio comprado e a placa do carro. Fui comprar um chip de telefonia (€ 7,50 – e ainda teve mais utilidade posteriormente) e comprar os créditos na agência de Correios de Portugal – comprei o de valor mínimo (€ 5,00 mais taxa), já que, caso caísse em um deles, o valor cobrado por cada pórtico do pedágio eletrônico é relativamente baixo, sendo esse valor suficiente. Após o café-da-manhã, fomos à pequena igreja da área antiga de Nazaré – o Santuário de Nossa Senhora de Nazaré, que apesar de pequena tem seu charme. Foi em Nazaré (e à Santa) onde Vasco da Gama pediu proteção para suas viagens – o local deve ter uma força e tanto; funcionou bem para o Vasco, com a chegada dele à Índia em 1498. De Nazaré, voltamos para a auto-estrada rumo à cidade de Coimbra, que no passado já foi a capital portuguesa. Paramos próximo à Universidade de Coimbra (com o auxílio – finalmente – do GPS no celular) e conhecemos seu Jardim Botânico, seus estudantes com a capa preta no estilo dos alunos do Castelo de Hogwarts e a faculdade de Direito – tinha visto até uma pichação contra o governo brasileiro que vira no jornal no Brasil... Lógico, fomos a tal Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, porém cobrava o acesso (€ 10,00) e tendo visto a biblioteca no Convento de Mafra (que é maior, por sinal), achamos que não valeria o gasto – talvez, se não tivesse conhecido o de Mafra, teria entrado. Depois de passear pelos domínios da Universidade e conhecer os Aquedutos de São Sebastião (obra do reinado de Sebastião, que aproveitou os restos do primitivo aqueduto romano), decidimos o próximo passeio: a Sé de Coimbra, mas devido às ladeiras da cidade, resolvemos ir de carro. Só que ele fica na parte antiga da cidade e no caminho vi a placa de exclusivo aos moradores (e cadastrados) para utilizar a rua – e o pior que não conseguia retornar. POR SORTE (que só tive a certeza depois) esse acesso exclusivo era em determinadas horas do dia – e estávamos nela fora desses horários; caso contrário seria multa na certa. Só que, na hora, isso estraga o passeio, já que a possibilidade de pagar uma multa salgada estava na cabeça. Depois de “refazer” a cabeça (e desistido de ir à Sé de Coimbra), com a tarde acabando, andamos um pouco mais por Coimbra para finalizar o passeio, rumando à cidade de Porto. Já próximos de Porto, chegamos à parte final da autoestrada e, por consequência, a cabine de pedágio – que calcula a distância percorrida pelo veículo, inserindo o bilhete retirado quando acessa a autoestrada (nesse caso, o de Coimbra). Inseri o bilhete na máquina, que calculou a tarifa (€ 7,15). Comecei a colocar o dinheiro, com uma nota de 5 euros – e a máquina acusava que faltava ainda € 7,15. O QUÊÊÊÊÊÊÊ?!?! Fui logrado em 5 euros!! E agora? Existe na máquina como chamar um atendente remoto (ainda bem que em português) para explicar o caso – mas explicar numa terra distinta, mesmo que em português não é tão fácil assim. Iniciei a conversa com o atendente, à quem informei que tinha inserido os 5 euros na máquina que não foram reconhecidos e ele disse que seria avaliado a situação e pediu meus dados (posteriormente, recebi uma ligação e uma carta pedindo meus dados bancários da Europa para que fosse realizada a transferência – estou até agora tentando receber esse dinheiro...; pelo menos é uma história para contar e, mais importante, NUNCA coloque em máquinas notas de alto valor – deixe estas para situações de atendimento pessoal). Passado o causo do pedágio, chegamos em Porto e... onde iria parar? Era uma quinta-feira, véspera de feriado (1º de dezembro é o dia da Restauração da Independência) e a cidade, apesar de menor que outras cidades famosas, estava com um trânsito de saída de Carnaval em São Paulo (ainda bem que já tinha me acostumado ao volante). Evitei de entrar no centro da cidade e parei num posto de combustível para pesquisar hospedagem – já que é um horror encontrar vaga para parar/estacionar o carro na Europa, os postos servem para “quebrar esse galho”. Entrei no site de buscador de hospedagem e encontrei um apartamento por € 45, com vaga de garagem inclusa (posteriormente, verifiquei que o preço dele estava o dobro – deve ter derrubado naquele dia para encontrar um eventual cliente de última hora – para minha sorte). Com o endereço informado e com o GPS no celular, peguei o anel viário – e o trânsito – de Porto até o apartamento. Minha ideia era evitar pagar o IOF no cartão de crédito de 6,38% e dar em dinheiro ao proprietário, mas não foi o caso – tive que fazer pelo cartão; mas mesmo com IOF, compensou muito ter encontrado essa hospedagem. Dia 01/12 (9) Depois de tomarmos o café-da-manhã no apartamento e assinarmos os papéis de exigência do município para este tipo de hospedagem, pegamos o carro e dirigi (com o trânsito mais tranquilo por causa do feriado) por parte da cidade de Porto. Já esperto quanto a dificuldade de dirigir em áreas mais antigas (fora eventuais restrições) percorri com o carro perto da área central, mas fora dela. Cabia, agora, encontrar um estacionamento. O primeiro lugar encontrado tinha os preços para até 15 minutos; olhei a placa de valores e manobrei para sair – muito caro. Ainda na mesma quadra, perto da Câmara Municipal de Porto, encontrei numa rua sem saída um estacionamento com preços bem mais acessíveis. Deixamos o carro e fomos à pé pela cidade. A praça onde fica a Câmara Municipal de Porto (um belo prédio, por sinal) continha aqueles letreiros como em Amsterdã – e também o enxame de turistas para tirar foto; melhor partir para o próximo passeio. De lá, fomos à Livraria Lello, que [dizem] inspirou a J.K. Rowling para imaginar a escadaria da livraria Floreio e Borrões, no Beco Diagonal – apesar de tantos anos terem se passado desde a publicação do último livro, a fila para entrar ainda era grande. Próximos da livraria, ficam as Igreja do Carmo e Igreja dos Carmelitas Descalços (vale uma passada rápida pelo local – ou para quem não quer ir à livraria). Curiosamente, entre as 2 igrejas tem uma pequena portinha – uma minúscula casa, quase imperceptível (só descobri depois que tinha passado por Porto...). A fome apertava e buscamos o que comer. Na praça em frente às igrejas, um dos restaurantes tinha um painel, mostrando um almoço por € 3,00 – achei estranho, já que na Rua Augusta, em Lisboa, os restaurantes cobravam € 10,00. A diferença era gritante. Será que que tinha alguma taxa embutida, alguma pegadinha? Resolvemos arriscar. Pedimos três da refeição indicada no painel: arroz, feijão, peixe e algo mais de que não lembro. Minha irmã pediu macarrão a 4 queijos; esse mais caro, o cardápio mostrava a € 4,00. A fatura chegou: € 13,00 – sem nenhuma pegadinha ou taxa extra, foi um almoço mais barato do que muitas refeições disponíveis em São Paulo. A partir daí a minha suspeita se confirmou – esses preços de € 10,00 por refeição não condizem com a realidade; são, na verdade, preços para turistas endinheirados ou que não tem noção real de valores, ou, por exemplo, de lugares com alta incidência de escritórios, como a região da Berrini em São Paulo. Ou seja, para uma viagem a “preços normais”, compre comida em supermercados e/ou pesquise onde ficam os restaurantes e lanchonetes “alinhados” com o custo real da cidade. Abastecidos por uma boa e barata refeição, fomos à próxima atração lindeira: A Igreja dos Clérigos, patrimônio da UNESCO e um dos finalistas das 7 maravilhas de Portugal. De estrutura barroca, tem acesso [pago] à torre e ao museu. Mas como nossa estadia em Porto seria curta e a igreja, por si só, é muito bonita, o passeio já foi o suficiente. Fora da igreja, saímos da área alta da cidade ao Rio Douro, passeando pelas suas margens, com vista das pequenas casas (ornamentadas pelos azulejos portugueses), da ponte D. Luís e encontrei na região outro lugar de visita. Para variar, outra igreja: Igreja Monumental de São Francisco, de acesso pago e que não podia tirar foto (que saco!). Apesar de turistas não terem os apetrechos que o MI6 apresenta ao James Bond, percebia inúmeros turistas que estavam dando uma de agente secreto para tirar foto. Dentro da igreja existem impressionantes obras barrocas compostas por ouro (que, imagino, vindo do Brasil...). De lá, subimos a ladeira até a icônica estação São Bento, com as paredes enfeitadas com os azulejos portugueses (deu uma vontade de passear de trem, mas isso ficou para uma próxima vez). Perto da estação, fica a Sé do Porto, mas devido ao horário não seria possível conhecê-la – fora que seria mais uma igreja para conhecer no dia. Com o final da tarde, era o caso de procurar nova hospedagem. Os próximos ao centro, para variar, eram bem mais caros do que o apartamento que tinha encontrado no dia anterior. Pesquisei no celular novas hospedagens – e encontrei um hotel por 50 euros. Voltamos ao estacionamento e retiramos o veículo, após o pagamento de € 6,30 pelo período. Lembra de que percorri as ruas perto da área central, mas fora dela? Foi a sorte naquele dia. Era feriado nacional e os portugueses aproveitavam esse dia para se divertir no centro, se preparando para o Natal. E o trânsito na área estava insuportável, mas começava imediatamente após o acesso à rua de saída do estacionamento; ou seja, tinha conseguido parar próximo do centro e evitar o trânsito (no caminho de volta, via filas de carros parados semelhante em São Paulo quando chove...). Chegamos ao hotel e dessa vez consegui me esquivar do IOF do cartão de crédito – dessa vez o pagamento foi em dinheiro. O hotel tinha um convênio com estacionamento por € 5,00, mas o funcionário da hospedagem recomendava parar na rua, apesar da sinalização. Mas é melhor seguir as regras estritamente no exterior para evitar maiores prejuízos e deixamos no estacionamento. Dia 02/12 (10) O hotel não servia o pequeno almoço (o café-da-manhã), mas havia uma padaria logo à frente para isso e, novamente, tinha uma funcionária brasileira na área (mesmo morando muito tempo em Portugal, a ausência de sotaque é perceptível). De volta à estrada, fomos para a cidade de Guimarães – era por causa dela que a nossa existência, a do Brasil, a do Império Português era devida pois foi nela que Dom Afonso Henrique fundou Portugal, recebendo o título de Afonso I, primeiro rei português. Paramos o carro no estacionamento da principal atração da cidade, o Castelo de Guimarães. Apesar de pequeno perto dos outros castelos já conhecidos e um pouco destruído durante a passagem dos séculos, é muito divertido pois mostra a história de Portugal e a formação do Estado português, até de forma interativa. Próximo ao Castelo, fica outro denominado Paço dos Duques. Este castelo é de uma estrutura mais completa e ainda mais impressionante. Existem tapeçarias enormes pelo complexo que cobrem toda a parede, quartos fiéis à época medieval, além de armas e espadas da época – um ponto que me chamou a atenção é que as salas têm pé-direito alto, mas possuem (quando têm) janelas pequenas e no alto; além disso as portas e camas são perfeitas para os 7 anões da Branca de Neve (pelo jeito os homens medievais eram bem pequenos). Finalizado o passeio pelo Paço dos Duques, descemos para o centro de Guimarães que, apesar de pequena, é muito bonita, com seus traços da era medieval e da era moderna. Apesar da logística dessa viagem não permitir o pernoite na cidade, é um local que me hospedaria tranquilamente. A magia do lugar não encontrei em paralelo nenhum nem na Espanha, França, Inglaterra (que é minha paixão), Suíça ou Itália. Depois de conhecemos Guimarães (tem inclusive uma praça com placas em homenagem à fundação de Portugal – uma delas era do Sarney), era necessário irmos para a próxima cidade: Braga. Como era sábado e já tinha passado das 13 horas, era possível para na área mais central sem medo de zona azul (ou alguma multa). Na cidade, fomos ao Museu dos Biscaínhos, uma antiga casa portuguesa e seu jardim – era bem interessante como era a cozinha antiga, com o “fogão” no chão (haja coluna para abaixar e levantar...). De lá, andamos pelo centro e fomos conhecer a Sé de Braga, uma das inúmeras igrejas da área central da cidade, de acesso pago (depois de tanta igreja, nem lembro mais do que vi nela – ou, o que é mais provável, confunde com o que viu em outro lugar; mas todos os lugares vistos são bonitos, sem exceção). Queríamos comer um prato de bacalhau (afinal, estávamos em Portugal) mas o restaurante que vimos já estava fechado. A gente fica acostumado com tudo aberto em São Paulo mas não é assim que o comércio e serviços funcionam na maior parte do mundo. Restou, então, procurar a salvação dos turistas: o fast-food. Aproveitei a internet da lanchonete para procurar hospedagem, mas depois de chegarmos ao local descobrimos que se tratava de um hostel e perguntei o preço – se tivesse um preço competitivo (e conforto), OK. A resposta: € 14,00 por pessoa com banheiro compartilhado. Ou seja, não era OK. Ora, tinha pago por pessoa em Borba € 15,00; em Nazaré € 15,00; em Porto € 11,25. Esse preço não era competitivo (e nem sei se esse valor incluía café-da-manhã). Com a versatilidade do carro nas mãos, a solução era óbvia: sair de Braga e encontrar hospedagem em outra cidade. De volta à autoestrada, agora a noite, estávamos percorrendo o trecho final da viagem em território português, já que não havia mais cidade famosa turística em Portugal a ser conhecida. E qual cidade que iria parar? Não fazia a menor ideia, mas a dificuldade de encontrar hospedagem no primeiro dia de viagem na Europa mostrava que parar em cidade muito pequena não dá muito certo – fora que, se ficar muito tarde, é capaz de achar nada aberto – era uma corrida contra o tempo. Seguimos pela rodovia, cada vez mais para o norte, e cada vez mais frio: o painel do carro mostrava a temperatura externa (quando saímos de Madrid, marcava 17ºC). Em Braga, o carro marcava 8ºC. E na viagem pela rodovia, 7ºC, 6ºC, 5ºC, 4ºC... e aos 4ºC apareceu no painel o símbolo de gelo e um alerta em amarelo em espanhol – opa! Isso quer dizer o quê? Que pode ter gelo na pista? O carro não tem corrente para neve. O que ia fazer? Por óbvio, reduzi a velocidade dos 120 km/h e, por sorte, estávamos no lado de uma cidade de um tamanho considerável, Valença (não confunda com Valência, na Espanha). Coincidentemente, era justamente a última cidade portuguesa, limítrofe com a Espanha. Tinha passado o último pedágio em Portugal e entrei em um dos acessos da cidade. Como esperado, logo na entrada dessas cidades existem hospedagens para viajantes de estrada (como nós) e fui pesquisar os preços. Na Europa, percebi que quartos de hotel para 4 pessoas não são muito comuns como no Brasil – a hospedagem mais barata que encontrei só tinha quartos para 1, 2 ou 3 pessoas – mesmo pegando 2 quartos para nós quatro, o custo saiu a € 16,00 por pessoa com café-da-manhã. Problema da hospedagem resolvido. Mas e do carro? Mostrei aos funcionários do hotel (e, adivinha, um era brasileiro...) uma foto do painel do carro mostrando o alerta. Não era para se preocupar. Era apenas um alerta sobre eventual diminuição da pressão do ar nos pneus decorrente da queda de temperatura (depois perguntei ainda para o perito da família que confirmou que não teria problemas). Para completar a boa sorte na viagem, vi num jornal na hospedagem que o outono daquele ano estava sendo o mais seco nos últimos 50 anos na Península Ibérica – ruim para muitos, bom para turistas. Tranquilizado acerca do carro e tendo encontrado uma hospedagem confortável e barata, acabava enfim a viagem por Portugal. Vários meses de pesquisa e planejamento condensados em dias que ficarão para sempre na memória (e nesse blog). Dia 03/12 (11) Esse dia seria o oposto ao dia 24/11, já que teria 23 horas, decorrente da diferença de fuso entre Espanha e Portugal. No fim, foi fundamental ter saído de Braga na noite anterior e a hospedagem servir um café-da-manhã mais cedo do que a maioria para que pudéssemos realizar o passeio no dia a tempo, já que esta fechava até às 17 horas, como é de praxe no inverno europeu. Saímos da hospedagem e iniciamos o trecho de carro que seria o maior da viagem. Só que o para-brisa começou a embaçar, decorrente do frio de 2ºC daquela manhã. Mas isso não é novidade; todos os anos tem de acionar o desembaçador do carro durante o inverno (ou com chuva no forte no verão) em São Paulo. Pois bem, acionei o desembaçador... e nada mudou. O para-brisa estava cada vez mais embaçado e mal conseguia enxergar as placas na rodovia (até perdi o acesso da rodovia para Madrid pela A-52). Fui procurar um posto para poder parar o carro, enxergar e ainda aproveitar para abastecer (lembra que o preço do combustível na Espanha é mais barato do que em Portugal?). No posto pedi ajuda para conseguir limpar o para-brisa, só que só conseguia pensar em frases em inglês (clean the glass...). Mesmo assim, conseguiram entender e me mostraram a mágica: bastava ligar o desembaçador e o ar-quente. Viajar tem disso: passar por “humilhação” por atos triviais que desconhecemos. Agora com o carro abastecido e para-brisa limpo, estávamos prontos para percorrer centenas de quilômetros conhecendo as paisagens das regiões Oeste e Central da Espanha, passando inclusive pela cidade de Tordesilhas (onde foi feito o tratado que dividiu o mundo em favor da Espanha e Portugal). Ainda bem que tinha descoberto que o símbolo de alerta de gelo no painel não era preocupante, pois a temperatura caía ainda mais, apesar de cada vez ser mais tarde – chegou a 0ºC. E o símbolo não aparecia só no painel – também havia placas de trânsito na rodovia com o sinal (o que era uma de minhas preocupações da viagem, já que jamais tinha dirigido na neve – aliás, nunca sequer tinha visto). Seguimos pelo corredor rodoviário A-6, sem pedágios, mantido pelo governo espanhol. Em Adanero a rodovia bifurcava em duas para a mesma direção – a N-VI e AP-6. Só que, nesse trecho, a N-VI subia por montanhas e era cheia de curvas, enquanto a AP-6 manteria a qualidade de via, mas com o pedágio equivalente (bem caro, por sinal – enquanto em São Paulo o preço chega a R$ 0,27/km, na AP-6 chegava a R$ 1,00/km, com base no euro a 4,01 reais). Mas com carro alugado a economia resultante de usar vias mais perigosas é o que se pode definir de “economia porca” ou o “barato que sai caro” – melhor usar a via mais segura e deixar a outra para locais. O trajeto pela rodovia começava a subir as montanhas e somente ali percebemos que as “pedras” (ou “sal”) que vimos em outros pontos na lateral da rodovia desde a saída de Portugal tratava-se, na realidade, da neve que retiraram da estrada e jogaram para o lado. Jamais tinha visto e não é muito usual encontrar neve no começo de dezembro no caminho realizado pela viagem. Foi um bônus e tanto. Mas o melhor estaria por vir. A rodovia entrou num vale, na área da cidade de El Espinar. TODO forrado de neve, cercada por altas montanhas, com a rodovia serpenteando pelo vale, ao som de I Say A Little Prayer (dá para perceber que foi inesquecível). Uma das mais lindas paisagens que vi na vida, até reduzi a velocidade do carro para poder apreciar, mas não tinha local para estacionar – depois fui ver no Google Street View imagens do vale. Porém não estava tão bonita como eu tinha visto – acho que era a neve que fazia o lugar virar um espetáculo. Depois de alcançar o fundo do vale, a rodovia voltava a subir para furar uma das montanhas rumo à Madrid – mas nossa parada estava logo após a saída do túnel. Depois de ter pago o pedágio – dessa vez sem necessidade de pegar qualquer bilhete – cruzamos o túnel e saímos da rodovia para ir ao Valle de Los Caídos, onde fica a basílica de mesmo nome – criação decorrente da Guerra Civil Espanhola, estava no noticiário atual pois Francisco Franco estava enterrado na abadia. Alguns críticos alegavam que admiradores de Franco faziam peregrinação ao local em homenagem ao ex-líder da Espanha. Mas não fomos lá por peregrinação, e sim visitar como turistas o local. O local é um espetáculo. Apesar de ser uma obra moderna e com poucas peças de arte, do século XX, sua enorme estrutura e perfeitas estátuas traziam ao ambiente uma aparência de grandiosidade e respeito incomparável, sacramentada pela cruz de 150 metros! E, no nosso caso específico, a neve tinha chegado lá, conseguindo deixar o lugar mais perfeito ainda (reconheço, é um lugar que voltaria – com ou sem neve). Próximo ao vale, fica o Mosteiro de El Escorial, mas era tarde demais – já estaria fechando. Fora do vale, voltamos pela A-6, rumo à Toledo, que outrora foi capital de um dos reinos que agora pertencem ao Reino da Espanha. Acessamos o anel viário de Madrid (a M-40) e chamou a atenção o tamanho da Lua (percebi que aquelas imagens da Lua bem grande que aparecem nos jornais é vista no hemisfério norte. Jamais tinha visto daquele tamanho em São Paulo). Na M-40, aparecia o acesso à Toledo pela AP-41. Só que sabia que essa era a via mais moderna e pedagiada, criada para desafogar a via mais antiga, a A-42 ou Autovia de Toledo – de qualidade um pouco inferior, porém tranquila de dirigir (e pela quantidade de carros que haviam nela, não era só eu que queria economizar o dinheiro do pedágio). Depois de passar num supermercado na periferia de Madrid num dos acessos da A-42, chegamos à Toledo. Como a cidade é extremamente turística, a disponibilidade de leitos é enorme, mas parte deles é na parte histórica da cidade, inacessível de carro (fora que os que tinha visto eram meio caros...). Fomos procurar hospedagem na área mais moderna e encontramos um hostal (pensão em espanhol, que não vejo diferença prática para um hotel) no limite da entrada da cidade. Além de ter um bom preço (€ 55), ainda podia deixar o carro na frente da hospedagem sem custos – como a cidade é muito turística, várias ruas têm zona verde (o equivalente a zona azul daqui); mas o hostal ficava exatamente no limite fora da zona verde (existem outros estacionamentos livres em Toledo, mas de deixar na frente da hospedagem é mais difícil). Como percebi que o preço do hostal estava bom e sem custos para o veículo, fiz 2 diárias – menos uma hospedagem para procurar no dia seguinte e se preocupar (me surpreendeu que o funcionário do hotel conseguia falar menos inglês do que eu). Agora, restava preparar a comida que fora comprada no supermercado. Dia 04/12 (12) Era o dia disponibilizado integralmente à Toledo. Fora do hotel, saímos rumo à área antiga da cidade e aproveitamos para tomar um café-da-manhã numa padaria fora da área turística. A despeito do termômetro marcando -3ºC, estava tranquilo andar nas ruas – exceto do frio que subia pelo tênis em alguns lugares sombreados. Não é preciso se preocupar muito com um guia para andar pela cidade pois as hospedagens oferecem gratuitamente um mapa com as atrações. Toledo se assemelha a Veneza em alguns pontos: o melhor ato para um turista em ambas as cidades é se perder por suas ruelas (ou canais, no caso de Veneza); o preço de alguns bens ou serviços podem ser demasiadamente caros; existem inúmeros golpistas ou outros que só querem arrancar dinheiro de turistas. Só que isso só descobri após ter conhecido as 2 cidades e ter adquirido um pouco da experiência. Mas experiência a gente só ganha... experimentando. Estávamos na Plaza Zocodover vendo o mapa para encontrar o caminho para a próxima atração, quando um homem se aproximou, puxou um papo para fazer aquela amizade e indicou um local para que conhecêssemos, e ele se ofereceu como guia para mostrar o caminho – faltou malícia da nossa parte; só faltava ele cobrar por isso ou ser um assalto. Felizmente, o local era só uma loja de venda de joias em ouro (Toledo é famosa pela produção de espadas e trabalhos com ouro). Mas o homem não devia ser bom para reconhecer potenciais clientes – se conhece esse blog, capaz de passar bem longe da gente. Por sorte, apesar da perda de alguns minutos com esse “passeio” o qual não queríamos, voltamos para o foco que era conhecer a cidade. A mistura de arquitetura romana, sarracena e medieval torna a cidade uma visita obrigatória. Pesquisávamos no guia uma atração que achássemos interessante (fora os que eu tinha visto ainda no Brasil) e, assim, fomos à Puenta de Alcántara e Puenta San Martín, que permitem a travessia do Rio Tajo (isso mesmo, o rio Tejo de Lisboa passa por Toledo com a “mudança de letra”), andamos pelas muralhas da cidade e fomos para a primeira atração paga do dia: a Sinagoga de Santa Maria de La Blanca. Era a chance de conhecer uma sinagoga e ainda por cima, secular. Nos perdemos mais um pouco e chegamos ao Monasterio de San Juan de Los Reyes, que lembrava outros prédios antigos vistos em Portugal, mas não deixava de ser muito interessante – cada local de sua beleza intrínseca que não dá para comparar. Existem outras atrações na cidade, inclusive de graça, como as Cuevas de Hércules (mas estavam fechados no dia). Posteriormente, fomos à Iglesia de Santo Tomé, no qual pagamos € 3,00 cada um para ver a igreja e ver UMA pintura de El Greco (essa igreja foi cara... 48 reais para ver um quadro!! Tudo bem que é uma obra-prima de El Greco, mas o que não falta na Europa é obra-prima...). Caímos na pegadinha de passeio caro em Toledo. Depois da furada de pagar pelo “passeio relâmpago” (acho que não durou nem 5 minutos), ficamos mais reticentes em pagar pelas atrações e fomos em outras igrejas da cidade que possuíam acesso gratuito – e o que é pior, eram ainda maiores que a de Santo Tomé. Em Toledo, existe uma pulseira turística que permite acessar até 7 atrações da promoção por € 10,00. Contudo, repare que fomos somente a 3 atrações dessa promoção, a um custo total de € 9,00. Depois da experiência com o Lisboacard em Portugal, considerei que esse tipo de “ganho” podia não ser muito vantagem para nós. Pode até ser que você vá nas 7 atrações, mas que garante? Para turistas de primeiro, segundo e até terceira viagem é melhor ir com calma na compra de combos de ingressos. Essas “facilidades” podem custar caro... A tarde avançava e era preciso comer – mas todos os lugares que via o preço era de, pelo menos, € 10,00. Sabendo do preço que tínhamos pago pelo almoço em Porto (€ 3,00, lembra?), sabia que era preços para turistas. O que fazer? Solução: fast-food (não tem jeito. Para não gastar horrores com comida, vá no supermercado e leve comida na mochila e/ou vá no fast-food). Tem ainda a Catedral de Toledo, mas consideramos caro o acesso de € 10,00 por pessoa. Ora, tínhamos visto já muito mais igrejas durante a viagem e eram bem mais baratas (fora a raiva de ter pago € 3,00 para ver somente UM quadro). Pode ser que valesse a pena. Mas o que não falta na Europa é igreja e o melhor para “turistar” em Toledo é conhecer a cidade se perdendo por suas vielas. Depois de andar mais um pouco pelas ruas e vielas, o cansaço bateu – e a tarde já estava acabando. De volta ao hostal, fui pesquisar a hospedagem para o dia seguinte em Madrid. Apareceu um hotel por 140. Euros? Não, reais! (Era por € 32,00 para 4 pessoas). Dia 05/12 (13) Como tinha encontrado a hospedagem que ficava próxima ao centro de Madrid, o carro não seria mais necessário (apesar da reserva ser até o dia 06) e deveria devolvê-lo à locadora no aeroporto. Depois de tomar o café-da-manhã no hostal (não se iluda, não é barato – mas foi mais proveitoso do que pagar para ver UM quadro do El Greco), entrarmos no veículo para percorrer o trecho final rodoviário pelas A-42 e M-40 até o Aeroporto de Madrid-Barajas. Queria aproveitar a conveniência do carro e fomos ao supermercado que ficava próximo à M-40 (que era o supermercado que tinha planejado para ir na chegada à Europa), aproveitando que tínhamos espaço nas malas para despachar – geralmente esses supermercados na periferia são maiores e mais baratos do que os na área central da cidade. Fora do supermercado, tinha visto ainda no hostal onde era o último posto de combustível antes do aeroporto pelo Google Maps para minimizar eventual pagamento para completar combustível. De volta ao estacionamento da locadora no aeroporto, a funcionária apareceu e perguntou se queria que a vistoria fosse feita depois ou na minha presença. Pedi, óbvio, para fazer na hora (vai saber o que podiam alegar depois?). A funcionária olhou a lateral do carro, o ponteiro do combustível, mais 1 minuto e acabou. Eles me mandaram o comprovante de forma eletrônica por e-mail, simples assim. Bastava devolver a chave no guichê da locadora – e esperar alguma cobrança no cartão de crédito pela locadora por multa de trânsito ou outro motivo; mas considerando o intervalo entre a realização da viagem e a construção desse blog sem nenhuma “novidade”, devo considerar que o resultado da minha experiência ao volante pela União Europeia foi um sucesso. Encerrado o assunto do carro, fomos à estação de metrô do aeroporto. Assim como em Lisboa, tinha cometido o erro de não ter estudado direito o sistema de transporte público em Madrid – por sorte, fica um atendente do metrô para auxiliar os perdidos que saíram do avião para comprar o bilhete e, inclusive, mostrou a opção que era a mais barata para nós (mas isso não é motivo para não se preocupar. Entender e estudar o sistema de transporte no exterior é obrigatório). Embarcamos no metrô e descemos na estação Alonso Martinez. Tinha recebido a mensagem com o código para liberar a entrada e chegamos no hall do hotel. Sabe aqueles ambientes típicos de mafiosos, de salas de madeira escura e sofá preto? Era esse a imagem do hotel. Procuramos o atendente... cadê o atendente? O hotel era todo eletrônico, tinha de falar por um comunicador, como se fosse uma ligação por telefone – só que não em português. Haja paciência do atendente. Vai uns bons minutos até conseguirmos o código para o quarto e wi-fi. Resolvida a questão com Dom Corleone, deixamos as malas no quarto e mexemos no termostato para deixar o quarto mais quente. Como o hotel ficava próximo do centro histórico, não havia necessidade de pegar metrô – e lá fomos pelas ruas madrilenas até chegarmos até a região da Puerta del Sol, umas das praças mais famosas da capital espanhola. De lá, como não podia ser diferente, compramos churros (não, não era o Seu Madruga que estava vendendo) e chegamos ao Palácio Real de Madrid. É o maior palácio real da Europa. E estava com uma baita fila que não andava. Para não ficar parado em fila errada, fui ver o porquê. Era fila das pessoas que aguardavam o horário para entrada gratuita. Considerando o custo na época de € 10,00 por pessoa, valia muito a pena (tinha esquecido dessa entrada gratuita, já que são muitos detalhes para analisar para fazer a viagem – mas entrada gratuita pode ser furada, em casos de atrações que tenham atratividade excepcionais, como o Musée du Louvre ou Coliseu). Dentro do palácio não era permitido tirar foto – uma pena, pois descobri que eu amo passear pelas luxuosas salas reais. A opulência das salas, das paredes, das cadeiras, dos lustres, das mesas, das camas, dos vasos, do piso, dos carpetes, das cortinas, dos móveis, de TUDO é sem palavras. Ali era o retrato no século XX das monarquias absolutistas europeias, a mais pura ostentação. Se foi certo ou errado à época, não cabe a minha avaliação. Mas é lindo demais poder ver. Feito o passeio pelo palácio (e economizado pela entrada gratuita), fomos à Catedral de La Amuldena, que fica ao lado do palácio real. De entrada franca, é a principal igreja de Madrid – e mais uma para conhecermos e aproveitar para descansar. Fora da igreja, dirigimo-nos até a Plaza de España onde fica o monumento a Cervantes (mas estava em obras...). Dessa praça começa a Gran Vía, principal avenida de Madrid (uma versão da Avenida Paulista). Percorremos a avenida com dificuldade pelo excesso de pessoas até encontrar uma lanchonete. A área da avenida é composta por diversas lojas de departamento, como a famosa El Corte Inglês. Porém tinha um ponto da avenida que tinha um enxame de pessoas; depois percebemos que era justamente a loja que minha irmã [e vários brasileiros] procuram: Primark, loja de departamento realmente muito barata. E é na Gran Vía que fica a segunda maior loja do grupo no mundo, então já dá para imaginar o mar de pessoas que estavam no lugar (confesso que não conhecia a loja – e nem sua fama; mas vale a pena para roupas de inverno, mesmo com o euro a 6 reais). De volta ao hotel, abrimos a porta do quarto e fomos cobertos por uma lufada de ar quente – regulamos mal o termostato e o quarto ficou quente demais. Mesmo abrindo a janela e dormindo só com lençol, o quarto não esfriava – lição de viagem: não mexa em termostato que não conheça. Dia 06/12 (14) e 07/12 (15) Num dos documentos que tinha visto para dirigir pela Espanha, descobri que o dia 06/12 era feriado no país – e que alguns museus tinham entrada gratuita. Infelizmente, não era o caso do Museo Nacional del Prado, mas o Museo Nacional Reina Sofía sim. Com o termostato do quarto regularizado, deixamos nossas malas no hotel (tinha conseguido perguntar ao Dom Corleone pelo whatsapp se podia deixar as malas) e saímos pela cidade até o museu. Como é o caso de conhecer a cidade, não faz muito sentido pegar o metrô e fomos a pé, tendo em vista a conveniência do feriado, pois a cidade estava vazia [nesse horário]. Voltamos à Gran Vía, mas dessa vez fomos no sentido oposto ao palácio real e passamos pelo Edifício Metrópolis (“marca registrada” de Madrid) e chegamos à Puerta de Alcalá (versão espanhola do Arco do Triunfo). Seguimos pela Calle del Alfonso XII e chegamos ao Reina Sofía. É um museu de obras espanholas de artistas do século XX, mas descobrimos que a nossa preferência é por obras mais “clássicas”. Existem várias obras modernas que não nos encantava como as obras renascentistas que vimos na Itália – tinha até um quadro do Miró que apelidamos jocosamente de O Sapatinho de Miró, que era simplesmente um quadro com um sapato pintado [e o nome de seu pintor]. No museu fica a célebre obra Guernica, de Pablo Picasso. O quadro era vigiado por 2 seguranças e é enorme – porém não pagaria € 10,00 para ir ao museu. Pode ser que, para quem aprecia as várias artes, seja interessante – mas para um leigo como eu, o Palácio Real de Madrid foi bem mais interessante. Fora do museu, fomos tomar o café-da-manhã – e aproveitar para pegar o wi-fi na lanchonete. De lá, fomos para o Parque de El Retiro, um gigantesco parque urbano criado no século XVII para atender a nobreza espanhola e que agora serve à população e estrangeiros – possui, entre outros, o Palácio de Cristal, Palácio de Velázquez e o Monumento a Alfonso XII (para nós foi mais divertido ir ao parque do que o museu – questão de gosto). Do parque, voltamos para Gran Vía – havia mais produtos para conhecer na Primark. Só que o vazio da cidade na manhã foi trocado à tarde – a região estava lotada, e a loja muito mais. Depois de passear pela área, fomos numa pizzaria e escolhi pizza mediterrânea, composta por nozes (mesmo na Itália não encontrei essa pizza – recomendo muito). Voltamos ao hotel para pegar nossas malas até o prazo estipulado para retirada (19 hs). Embarcamos no metrô e voltamos ao aeroporto. Nosso voo era às 8 da manhã do dia seguinte, mas teríamos que nos apresentar à companhia aérea para despachar as malas pelo menos às 6 da manhã. Ora, mesmo escolhendo um hotel próximo ao aeroporto (que é difícil de encontrar barato), teríamos a preocupação em não perder o voo e, provavelmente, dormiríamos mal. Além disso, devido ao horário, seríamos obrigados a pegar táxi, aumentando o custo. Por isso, escolhemos dormir no aeroporto. Esse caso possibilitaria economizar na hospedagem e evitaria preocupação de perder o voo. Desconfortável? Óbvio que é. No entanto, a quantidade de pessoas que também foram dormir no aeroporto (um inclusive colocou um colchão para dormir) mostrava que não a ideia não era exclusiva. Dormir em aeroporto é tão comum que até existe um site (https://www.sleepinginairports.net/) para auxiliar os dorminhocos. Considero que existem uns pontos a serem ressalvados, como procurar dormir em grupo; deixar todo o dinheiro e passaporte dentro da pochete (evitar deixar nos bolsos); ter mais cuidado em aeroportos de países subdesenvolvidos. Como é uma ação muito cansativa, é melhor fazer quando pega o voo de regresso, já que o cansaço pode afetar a viagem – ou ter o risco de perder um dia inteiro no país de destino para se recompor. Chegando no aeroporto, era o caso de “passear” pelo complexo para esperar o tempo passar e aguardar até as 6 da manhã. Lógico que dormirmos mal, e perto das 6 fomos ao guichê da companhia aérea – e já tinha uma fila enorme. Apesar do voo ser diurno, o cansaço e a noite mal dormida ajudou em conseguir dormir na aeronave. A bafo de ar quente da primavera que veio no rosto quando saímos do avião conclamava: estava de volta. Fim de viagem. Mas fica aquele gostinho de quero mais...
  5. Relato Caminho Português de Santiago de Compostela Primeira vez escrevendo um relato de viagem, e como toda primeira vez tem que ser especial, esse relato é sobre uma viagem muito especial. A experiência mais incrível até hoje, difícil, intensa, enriquecedora. Desde a primeira vez que ouvi falar sobre o Caminho de Santiago eu quis percorrê-lo e foram mais ou menos seis anos até que esse sonho pudesse ser realizado. Eu sempre gostei de caminhar, me dá a sensação de liberdade. E neste caso não seria apenas caminhar, seria uma longa jornada passando por muitas cidades e pequenas vilas que eu desconhecia completamente ou apenas ouvira falar de seus nomes. Seria muito mais do que caminhar ou querer apenas alcançar um destino, afinal, se a intenção fosse apenas chegar existiam maneiras mais fáceis do que andar centenas de quilômetros a pé. Percorrer o Caminho de Santiago tem um significado muito particular para cada um de seus peregrinos, cada pessoa com quem encontramos pelo caminho tem uma história de vida, uma história com o caminho e um porque só seu de estar ali. O Caminho de Santiago de Compostela é uma das peregrinações mais conhecidas em todo o mundo. A peregrinação tem como destino final a cidade de Santiago de Compostela na região da Galícia na Espanha, onde por volta do ano 830 d.C. foi encontrado o túmulo do apóstolo Tiago. A noticia dessa descoberta foi levada ao rei Afonso II de Astúrias que viajou até o local da descoberta partindo da sede de seu reino. Chegando lá e após confirmar a descoberta mandou construir uma capela e tornou-se o primeiro peregrino oficial. Dessa forma surgiu um dos mais importantes centros de peregrinação cristã. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas têm percorrido os caminhos que levam a Santiago de Compostela em busca de reflexão, autoconhecimento e para professar a sua fé. Existem muitas rotas para se chegar até Santiago de Compostela e alguns pontos mais conhecidos e procurados para iniciar o percurso, porém na verdade cada um pode iniciar o seu caminho onde bem quiser. Após muita pesquisa, leitura sobre o caminho e planejamento., resolvi que dos muitos caminhos que levam a Santiago de Compostela iria percorrer o Caminho Português Central. O Caminho Português é a segunda rota mais utilizada para se chegar até Santiago de Compostela na Espanha, perdendo apenas para o famoso Caminho Francês, cujo percurso total tem aproximadamente 800 km e costuma ser feito de 30 a 40 dias passando por diversas regiões da Espanha. Ainda é um sonho caminhar esses 800 km, mas diversas razões me levaram a escolher para essa primeira vez o Caminho Português Central. A principal razão é que essa seria a minha primeira vez em uma experiência desse tipo, uma peregrinação que exige tantos dias de caminhada. Eu nunca tinha feito antes um trekking que durasse vários dias, por exemplo, então, mesmo não sendo uma pessoa sedentária eu não fazia idéia de como meu corpo reagiria a um esforço tão prolongado. Nos meses que antecederam a viagem me preparei fisicamente, fiz muitas trilhas em montanhas, caminhadas e musculação para fortalecer o corpo e isso tudo foi bem importante. Enquanto planejava me encantei pela idéia de caminhar pelo norte de Portugal e por parte da Galícia na Espanha e a viagem ia então tomando forma. Cada viajante faz seu próprio caminho. É o que se diz a respeito dos peregrinos. Oficialmente esse caminho inicia em Lisboa. Segundo muitos relatos não há muitos albergues peregrinos municipais entre o trecho Lisboa e Porto, por isso a grande maioria das pessoas opta por iniciar no Porto e foi o que decidi fazer também. Mas com certeza em outra oportunidade com mais tempo disponível gostaria de fazer esse Caminho iniciando em Lisboa. Partindo da Catedral da Sé no Porto até alcançar a Catedral de Santiago de Compostela foram 245 km de caminhada em 11 dias. Antes de detalhar cada etapa da minha peregrinação quero descrever um pouco os dias de viagem em Portugal que antecederam o seu inicio. Infelizmente não tenho uma planilha de gastos, pois sou péssima com isso. Em todas as viagens anoto os gastos nos primeiros dias e depois acabo deixando isso pra lá quando percebo que o dinheiro vai ser suficiente. (RS) Não vou detalhar muito essa parte da viagem, mas sim eu gostei bastante dessa etapa. Encantei-me com a hospitalidade dos portugueses desde o primeiro momento, a maioria com quem conversei demonstrou gostar dos brasileiros. Em Portugal tem muitos brasileiros também, nos restaurantes, hostel e em toda parte. A maioria bastante solicita com a recém chegada que era eu. Chegada em Portugal Não é toda hora que a gente pode fazer uma viagem à Europa em tempos de real tão desvalorizado, então antes de rumar a Santiago de Compostela a idéia era conhecer um pouco de Lisboa e Coimbra a ultima cidade a ser inclusa no roteiro. Cheguei a Lisboa no dia 13 de agosto no período da manhã. Vôos noturnos pra mim são bem cansativos, pois raramente consigo dormir, mas o vôo foi bem tranqüilo. Vôo da Cia aérea Azul, que saiu por um preço razoável após muitos dias de pesquisa (R$ 2850,00 aproximadamente ida e volta saindo de Viracopos para Lisboa e a volta do Porto para Lisboa). Ter comprado um vôo multitrip ( quando a ida e a volta são rotas diferentes, como nesse caso) foi ótimo para a logística da viagem, assim pude conhecer duas importantes cidades antes de fazer o caminho e no final não precisei voltar até Lisboa. A imigração em Lisboa foi bem tranquila, a funcionaria que me atendeu não perguntou nada sobre dinheiro ou seguro (embora o seguro seja obrigatório) me perguntou quanto tempo eu ficaria por lá e eu expliquei que faria o caminho e a moça me pareceu bem curiosa sobre isso. Em Lisboa é muito fácil se locomover com o transporte público, fui de metrô até o Brothers Hostel que já estava reservado. O hostel fica a poucos minutos de caminhada do centro e da Avenida Liberdade. Cheguei ao hostel por volta das 10 horas da manhã, o check-in seria somente às 15 horas, porém o local cobrava um valor por hora para deixar a mochila lá antes do check-in... Achei aquela recepção bem frustrante e claro, não paguei, fui dar uma volta pelas redondezas com meu mochilão nas costas. Fora isso a recepção do hostel nem sempre tinha pessoas que falassem português, apenas inglês, o quarto era um pouco apertado, o café da manhã era muito bom, tinha uma cozinha para esquentar comida e os banheiros estavam sempre limpos. Bom custo benefício. Apesar de bastante cansada, já nesse primeiro dia foi possível ver e me encantar com muita coisa. A famosa Praça do Comercio, os Arcos da Rua Augusta, o rio Tejo, que tanto me lembrou dos antigos poetas. A região central mais antiga é repleta de monumentos históricos e estatuas que homenageiem personagens importantes portugueses. Em agosto o verão europeu está no auge, nesses dias que passei por lá fez bastante calor, porém no fim da tarde sempre batia um vento gelado. É a alta temporada de férias dos europeus então havia turistas para todos os lados, pessoas com diferentes idiomas pelas ruas, restaurantes e praças. Apesar da cidade parecer bem cheia como a minha intenção não era pular de um ponto turístico a outro isso não foi um problema, mas a fila era notável em alguns locais. No segundo dia fui conhecer o bairro do Belém. Foi um dos lugares que mais gostei em Lisboa. Novamente usando o transporte público, metro e comboio (trem). Não fui a nenhuma atração paga e foi um dos dias mais proveitosos. Conheci o Padrão dos Descobrimentos, que com sua imponência homenageia os navegadores portugueses que desbravaram os mares ao longo da história. A famosa Torre de Belém que eu queria muito ver, em frente à torre tem um parque cujo nome não me lembro e seguindo em frente fica o museu do combatente. Após almoço no Café do Forte bem próximo a Torre de Belém, atravessando a avenida e caminhando um pouco fica o Centro Cultural do Belém e logo depois o Mosteiro dos Jerônimos, onde havia visitação gratuita, uma igreja imensa e muito bonita por dentro e por fora. Depois segui para um lugar bem tradicional onde foi inevitável pegar uma fila grande, Pastéis de Belém, o verdadeiro é feito nessa pastelaria, em todos os outros locais chamam de pastel de nata. Não é um lugar caro, cada pastel custa 1,15 euros. Comprei alguns e fui comer em outro parque bem pertinho dali com bastante sombra para descansar daquele calorão. Ainda no fim da tarde mais uma caminhada até o MAAT, Museu de arte, arquitetura e tecnologia, onde na área externa tem-se uma bonita vista do rio Tejo. Passei ainda pela Ponte 25 de Abril que liga a cidade de Lisboa com a cidade de Almada. Na ponte há uma visita guiada que eu queria ter feito, mas devido ao horário não foi possível. No dia seguinte fui conhecer outros bairros em Lisboa. Bairro Alto, Alto Chiado e Santa Maria Maior, no Bairro alto você pode chegar usando o elevador de Santa Justa, o tradicional bonde (eléctricos) ou apenas subir a ladeira que foi o que eu fiz. O almoço foi na Fabrica da Nata, uma pastelaria tradicional com preços acessíveis, além dos pastéis de nata que custa um euro, há diversas opções de sanduíches quentes ou frios e vinhos. Foi mais um dia batendo perna pela cidade. Encantei-me pelas paisagens na freguesia de Santa Maria Maior, onde fica o Castelo de São Jorge, À tarde, novamente na Baixa de Lisboa, resolvi provar o gelato na Amorino´s, na casquinha o gelato é servido em formato de flor. Dia seguinte parti para a cidade de Coimbra. Viagem de ônibus de quase duas horas que custou 14,50 euros (comprei a passagem no terminal de ônibus, mas comprando antecipadamente provavelmente sairia mais barato). Em Coimbra fiquei hospedada no NX Hostel que eu recomendo muito pela minha experiência lá. Todos os funcionários foram atenciosos e simpáticos. O hostel funciona em um antigo casarão reformado e as instalações não deixam a desejar em nada. O café da manhã tem muitas opções e é servido em uma área externa, local bem agradável para começar o dia. Fiquei em um quarto misto para 4 pessoas. O hostel fica na Praça da Republica e bem perto da Universidade. A famosa Universidade de Coimbra é a alma da cidade, uma das universidades mais importantes de Portugal e até do mundo é impensável ir a Coimbra e não visitar a Universidade. A visita é gratuita e pode-se circular por quase todos os complexos. Bem próximo dali fica o Jardim Botânico, um lugar enorme com inúmeras espécies de arvores e plantas. Coimbra é uma cidade grande com certo charme de cidade pequena. O centro histórico com suas ruas estreitas, a Catedral da Sé, O Seminário Maior onde se tem uma vista do alto da cidade e com certeza um passeio pela margem do rio Mondego não pode faltar. Coimbra foi a ultima cidade a ser incluída em meu roteiro. Não gosto da idéia de ficar pulando de cidade em cidade sem conhecer nada direito. Gosto de ter tempo para apreciar as coisas sem correria, andar e gastar mais tempo onde achar interessante. Por isso não parei em muitas cidades nesses dias antes do caminho e não me arrependo. Coimbra foi inclusa também por ser uma das mais importantes cidades no caminho entre Lisboa e a cidade do Porto, e a idéia era fazer um roteiro seguindo nessa direção. Foram dois dias ali e mais uma vez mochila nas costas, hora de partir para o Porto. A viagem de ônibus durou cerca de uma hora e custou 12,50 euros. Nessa primeira passagem pela cidade me hospedei no Alma Porto hostel, que fica a poucos minutos de caminhada do terminal de ônibus o que facilitou bastante a minha chegada. Afinal quem viaja de forma independente sempre tem aquela estranha sensação de chegar a um lugar novo e pensar “e agora pra onde vou?”. Nesse caso foi só caminhar algumas ruas. O hostel era também um grande e antigo casarão, com paredes de pedra, quartos grandes e espaçosos. Apenas o café da manhã era fraco, mas no geral um bom custo beneficio. E desde a chegada à cidade onde iniciaria minha peregrinação um misto de felicidade e ansiedade ia tomando conta de mim. Fiz o check-in no hostel me acomodei e fui em direção a Rua de Santa Catarina almoçar no Fabrica da Nata, além de já conhecer e gostar de lá não queria perder tempo procurando um lugar para comer. A Rua de Santa Catarina é uma importante região comercial, tem lojas, restaurantes shoppings e camelôs por toda sua extensão. Lembro que quando saí de Lisboa pensei em passar os próximos dias antes do caminho fazendo passeios mais pontuais, mas por mais que eu quisesse passar um tempo desacelerando antes de começar a peregrinar eu não conseguia. Não consegui não andar pra cima e pra baixo em Coimbra e tampouco consegui no Porto. Eu não esperava ver tudo em poucos dias, mas de qualquer forma era a minha primeira vez no velho continente, e em todos esses lugares por onde passei tinha a sensação de ter muita coisa para ser vista, muita coisa que valia a pena ser vista. Sempre gostei muito de história e em Portugal a história se mostra em toda parte, tudo é bastante antigo é um país que valoriza muito a sua história e como brasileira me identificava muito com essa história da qual estava conhecendo um pouco mais nessa viagem. Então tudo bem eu não desacelerei aproveitei o que foi possível desses dias no Porto enquanto tratava dos últimos preparativos para a minha grande jornada rumo a Galícia. Antes da viagem me disseram que o Porto tem uma atmosfera um pouco mágica e é verdade. No bairro da Ribeira às margens do Rio Douro, sentindo a brisa gelada do final de tarde eu tive essa mesma sensação sobre a cidade. Caminhei pelas estreitas ruas de paralelepípedo, algumas abarrotadas de turistas, fique impressionada com a estação São Bento, que de fora nem parecia uma estação de trem, visitei a torre dos Clérigos e o mercado Bolhão. Um dia antes do inicio do meu caminho era a hora dos últimos preparativos. Passei em um mercado perto do hostel e comprei algumas coisinhas pra comer durante o dia seguinte. Passei também em uma loja de produtos eletrônicos onde pedi pra darem uma olhada no meu celular que não estava carregando direito. Disseram-me que o problema era o cabo, então comprei outro cabo para carregar o celular e achei que o problema estava resolvido. Voltei ao hostel, deixei lá as coisas que havia comprado e parti em direção a Catedral da Sé. Tinha algumas dúvidas sobre o inicio do caminho então pretendia ir até o Centro de Acolhimento a Peregrinos do Caminho de Santiago, na Capela Nossa Senhora das Verdades que fica numa rua logo abaixo a Catedral, porém o local estava fechado. Fui então ao centro de informações turísticas onde uma funcionária muito solicita me deu um mapa do percurso do caminho na cidade do Porto e me explicou a diferença entre as setas que indicam o caminho central e as setas que indicam o caminho da Costa. Na verdade não teria como confundir os dois caminhos, mas só percebi depois. O caminho de Santiago é todo sinalizado por setas amarelas, então basicamente é só seguir na direção das setas até o próximo ponto de parada. Mas eu ainda não estava muito segura se seria realmente tão simples e se o caminho principalmente nessa região tão urbana seria bem sinalizado então com o mapa na mão resolvi seguir as primeiras setas do caminho para “estudar” esse inicio do percurso e confesso que me atrapalhei um pouco, num certo ponto a seta apontava para uma rua que teria que atravessar e depois eu não achava a outra seta. Claro, eu tinha o mapa, mas queria entender a lógica das setas. Não era mesmo difícil segui-las e fui treinando o percurso até chegar numa rua não muito longe da Catedral e que seguiria numa reta quase interminável e claro vi pelo mapa que dali era muito simples seguir. Em lugares que não conheço muito bem eu tenho a grande tendência de me perder e não tenho muito senso de direção, então um dos maiores medos que eu tinha era de me perder e acabar perdendo tempo indo na direção errada, mas verificando essa pequeno trecho do caminho eu me senti mais preparada para não cometer erros desse tipo. Faltava apenas comprar uma vieira de Santiago, uma concha com a cruz de Santiago que me disseram que eu encontraria na Torre dos Clérigos. Na verdade encontrei a vieira em uma loja de artigos religiosos quase em frente à torre que custou muito mais caro do que custa em qualquer outro lugar... Enfim, erros que a gente acaba cometendo em viagem, mas não pague mais do que 1 ou 1,50 euros por uma vieira. A vieira é um dos mais conhecidos símbolos do caminho de Santiago e eu queria sim tê-la na minha mochila no dia seguinte. Voltei cedo para o hostel naquela noite, deixei tudo o mais organizado possível para o dia seguinte e separei a roupa que ia usar. Eu raramente consigo dormir cedo, mas queria ao menos deitar cedo e descansar um pouco o corpo. Caminhando 1° dia. Do Porto até Vilarinho, 26,9km Acordei por volta das cinco e meia da manhã. Nunca fui fã de acordar cedo então já estava começando a superar um grande desafio. Como tinha deixado tudo organizado me arrumei bem rápido, tentando não fazer barulho e apenas com a luz de uma lanterna para não incomodar as outras pessoas do quarto. Em poucos minutos já estava na rua ainda com céu escuro, caminhando em direção a Catedral da Sé. Do hostel até a Catedral teria que caminhar mais ou menos 25 minutos e como queria ir por um caminho mais curto e diferente dos que tinha feito antes, pedi informação a um senhor na rua e o mesmo me disse que para ir a pé a catedral estava muito longe, mas me indicou o caminho de qualquer forma. Já que distancia não era um problema pra mim segui para o ponto zero da minha caminhada já com o dia amanhecendo. A imensa Catedral da Sé no Porto parece ainda mais imponente nas primeiras horas da manhã. Sem a multidão de turistas, o céu ainda adquirindo as cores daquele novo dia e naquele grande pátio em frente à catedral apenas algumas pessoas de mochila nas costas que tinham com certeza o mesmo destino que eu. Fiz ali uma oração, pedi a Deus para guiar meus passos no caminho. Sentei em um degrau, comi alguma coisa e tomei um suco. Logo em seguida comecei a seguir as setas amarelas. Como havia estudado esse primeiro trecho do caminho, não tive dificuldade. Caminhei firmemente, sem pressa, no meu ritmo. Quando o caminho chega à Rua de Cedofeita se estende numa reta quase sem fim e foi seguindo por ali que escutei o primeiro “Buen Camino” do meu caminho e aquilo encheu meu coração de alegria. Mais a frente, parei em um mercado para comprar água e me atrapalhei para voltar ao caminho certo... Nesse primeiro dia a paisagem é predominantemente urbana. Muitos carros, apenas ruas de asfalto e bairros industriais. Em alguns pontos mal havia acostamento para caminhar e era preciso tomar bastante cuidado com os carros. Ainda estava tudo bem diferente do caminho que imaginei. Apenas chegando a Moreira da Maia a paisagem urbana vai se distanciando dando lugar ao verde do interior. O calor era intenso, não havia muita sombra. No município de Araújo comecei a caminhar com o Ricardo, que é português e com quem conversei muito sobre muitas coisas. Fomos até a cidade de Vilarinho, onde nos hospedamos no albergue particular Casa de Laura por 12 euros (valor normalmente cobrado nos albergues particulares). O lugar era bem confortável e não havia muitas pessoas hospedadas lá. Após tomar um banho e lavar as roupas saímos para comer perto dali. Vilarinho é uma cidade bem pequena, não havia nada para fazer por ali. Como não estávamos cansados Ricardo e eu fomos até a praia de uber a poucos minutos dali. Um passeio bem inusitado e bem agradável. 2° dia. De Vilarinho a Barcelos 28,1km Acordei bem disposta, me alonguei como café da manhã, comi bolinhos que ainda tinha na mochila e pé na estrada novamente. A paisagem era completamente diferente do dia anterior e o caminho tomou outra forma. Muito verde, ruas de paralelepípedo, um rio bem tranqüilo que refletia a ponte sobre ele. O cenário ideal para caminhar e se conectar com o caminho e com você mesmo. Você pode escolher caminhar sozinho, mas sempre haverá no seu caminho boas companhias. A conversa sempre começa com um “buen camino”, a saudação oficial no caminho de Santiago e logo se tem um novo companheiro de jornada, ainda que seja apenas por algumas horas ou alguns quilômetros. Nessa manhã conheci um grupo de mulheres que estavam caminhando juntas desde a saída de seu albergue e me convidaram a caminhar junto com elas e claro, eu aceitei. Eram elas, Maria, de Portugal, Cecilie, uma jovem indonésia que mora na França e Katerine, uma senhora canadense. Conhecer pessoas tão diferentes de mim é certamente um dos presentes que o caminho nos oferece. Juntas nós quatro caminhamos alguns bons quilômetros naquele dia de baixo de um sol muito forte que parecia só piorar com o passar do dia. Cecilie eu na verdade já tinha visto no dia anterior em um café, andava rápido, estava sempre um pouco à frente, Maria foi com quem eu mais conversei, foi uma grande companheira nesse dia. Katerine, uma inspiração pra mim, estava fazendo o caminho aos 65 anos de idade, infelizmente não pode seguir conosco até o final naquele dia, pois estava bem cansada e precisou parar antes. Seguimos em frente, passando por plantações de milho, bosques, ruas de terra, ruas de asfalto, muitas igrejas e para minha felicidade vários campos de girassóis. Foram longos trechos sem sombra alguma, poucos lugares com água potável e depois do almoço foi ainda mais cansativo. Maria e eu paramos varias vezes para descansar. Cecilie sempre na frente até que a perdemos de vista. Levamos muitas horas até chegar a Barcelos. A cidade é bem turística, logo na entrada tem um enorme galo, um dos símbolos de Portugal. Infelizmente estava tão cansada que não consegui ver muita coisa da cidade. Chegando ao albergue Cidade de Barcelos, após um penoso dia o lugar estava lotado. A senhora responsável pelo local nos disse que só havia um pequeno quarto onde poderíamos dormir em colchões se não nos importássemos em dividir o lugar com uma garota que já estava lá. Não nos importamos e a garota era Cecilie que havia chegado um pouco antes. Nesse albergue não havia um valor específico para pagar, era só fazer uma doação com valor que pudesse pagar colocando o dinheiro em uma caixinha. Foi nesse dia que fiquei sem celular, pois meu aparelho quebrou. Não havia o que fazer sobre isso além de me conformar. Felizmente para tirar fotos tinha levado uma câmera e tinha um tablet então não fiquei completamente incomunicável. Maria teve muitas bolhas nos pés, teve que ir ao centro médico e infelizmente não iria seguir no caminho. O quartinho onde estávamos no albergue era bem abafado então para não passar tanto calor à noite pegamos nossos colchões e nossas coisas e aceitamos a sugestão da dona do local e dormimos na recepção do albergue. Simples assim, sem frescura, grata por mais um dia na jornada que eu havia escolhido. Na simplicidade você percebe que tem tudo àquilo que precisa. 3°dia De Barcelos até Portela de Tamel 10 km No caminho de Santiago nenhum dia é igual ao outro. A paisagem muda constantemente, o tipo de solo muda quase que a cada curva. Algumas pessoas você encontra varias vezes ao longo dos dias, outras caras novas vão surgindo. Com o passar dos dias o corpo vai sentindo o esforço prolongado também. Doem os pés, as pernas as costas... Às vezes alguma dor vai incomodar bastante. Tem dias em que é mais fácil se manter em movimento, em outros, você quer parar a todo instante. A única rotina consistia em acordar bem cedo, me arrumar, arrumar a mochila e partir. E ao chegar ao próximo local de descanso, tomar um banho, lavar a roupa e comer. Não dava pra fugir disso. Nesse terceiro dia Cecilie e eu seguimos juntas. Devido ao cansaço do dia anterior, fizemos uma das etapas em duas partes, caso contrario seria um percurso de quase 34 km e o calor estava fortíssimo. Não havia muitas opções de albergues antes de chegar a Ponte de Lima, então nesse dia o trajeto foi de apenas 10 km até Portela de Tamel, uma vila minúscula onde além do albergue havia uma igreja, um restaurante e mais nada. Por ter feito um trajeto mais curto que os outros dias foi relativamente mais fácil. Cecilie e eu conversamos bastante apesar do meu inglês não ser dos melhores. Nesse dia encontrei um casal de brasileiros, até então não havia encontrado ninguém do Brasil. Chegamos ao albergue por volta das 10 horas da manhã e o local só abria às 14 horas. Ficamos esperando abrir no restaurante em frente onde tomamos algumas cervejas. Não havia nada para fazer por ali então foi um dia de descanso. 4° Dia De Portela de Tamel até Ponte de Lima 23,7 km Mais um dia de lindas paisagens. O caminho te leva por bosques, trilhas, videiras. Provavelmente um dos dias mais bonitos em relação ao visual em todo o trajeto. A paisagem jamais te deixa entediado. Comecei o dia sozinha novamente. Em paz com meus pensamentos. Apreciando a minha companhia, com um longo caminho ainda pela frente, mas firme em cada passo. Ainda nas primeiras horas do dia conheci o Alberto, um italiano que me fez companhia durante todo esse dia. Alberto não falava muito bem inglês e eu também não, mas quando duas pessoas querem se comunicar elas dão um jeito de se entender e assim passamos o dia. Às vezes ele não me entendia e eu tinha que repetir alguma frase ou eu não o entendia e ele se esforçava pra me falar com outras palavras. Com o passar dos dias as suas pernas vão se acostumando com o esforço, mesmo assim ainda doem, principalmente quando você para por alguns minutos. Alberto às vezes caminhava junto comigo e às vezes eu acabava ficando para trás. Seguindo tranquilamente num percurso bastante agradável, com bastante sombra, cruzando pequenas vilas, trilhas em meio à natureza e nisso um sentimento de gratidão vai se intensificando. Gratidão por estar ali no caminho e tudo dar tão certo. Naquele dia já havia me acostumado bem a acordar tão cedo, pular da cama e em pouco tempo estar no meu caminho. Para muitas pessoas isso é simples, mas eu definitivamente não sou uma pessoa matinal, há anos trabalho no período da tarde, sempre tive o costume de dormir tarde, mas nessa jornada consegui transpor mais essa dificuldade e sim eu estava orgulhosa de cada pequena conquista durante todo o meu caminho. Eu que sempre me considerei muito distraída e avoada, aprendi a estar atenta. Por muitas vezes eu me perguntava se estava no caminho certo e quase sempre quando pensava isso logo via outra seta amarela para tirar minhas incertezas. Então logo eu pensava. Ok está tudo certo é só continuar seguindo, você está indo bem. Em muitos momentos eu sentia que o caminho é uma metáfora da vida. Na vida a gente às vezes fica confusa sem saber se está no lugar certo, no emprego certo, com as pessoas certas, a gente quase implora por um sinal, mas a falta de um sinal também pode indicar que estamos tomando o rumo errado. No caminho e na vida também. Nesse dia cheguei a Ponte de Lima por volta do meio dia. Quase não senti a caminhada, não senti o cansaço que geralmente sentia na chegada. Reencontrei o Alberto na ponte principal da cidade, ele já havia ido até o albergue público e como só abriria às 15 horas, procuramos um lugar para almoçar e tomar cerveja, porque aquele calor pedia uma cerveja gelada. Ponte de Lima é uma das cidades mais encantadoras desse caminho. Com certo ar medieval, construções muito antigas em paredes de pedra, banhada pelo rio Lima. Muitos peregrinos iniciam ali o seu caminho e a cidade estava também cheia de turistas. O albergue público ficava logo depois da ponte, em um edifício muito antigo como quase todos da cidade. No quarto onde fiquei havia uma varanda com uma linda vista da cidade e principalmente da ponte e do rio. O quarto era enorme com aproximadamente 30 camas, o único que não eram camas beliche e tinha um armário enorme para cada pessoa, um luxo para um albergue público. Foi ótimo ter chegado cedo à cidade, acabou sendo um dos dias mais proveitosos. Alberto e eu fomos passear no rio, tentei tomar sol, enquanto ele entrou na água que parecia gelada. É engraçado como em tão pouco tempo a gente se aproxima das pessoas que conhecemos em viagens a ponte de ter conversas tão sinceras e reflexivas sobre a vida, os planos, o futuro... Alberto é muito inteligente, mesmo sem falar inglês tão bem falava pelos cotovelos e naquela vibe boa praticamos um pouco de yóga. Saímos dali, novamente para sentar em um bar e tomar uma super bock, uma das cervejas mais tradicionais em Portugal. À noite jantamos junto com outros italianos e Alberto ia traduzindo a conversa toda para mim. 5° Dia de Ponte de Lima até Rubiães 17,9 km O caminho vai nos surpreendendo todo o tempo. No caminho português central não há muita dificuldade técnica, no geral basta ter disposição para caminhar bastante. Porém essa etapa foge bastante à regra. Nessa etapa temos muitas subidas por trilhas em meio à mata e muitas pedras nessas subidas. Foi de grande ajuda nesse trecho ter um bastão de caminhada. Mesmo onde só havia trilhas de pedras as setas amarelas estavam lá, mas é preciso ter mais atenção. Houve um momento em que quase segui errado e fui chamada de volta ao rumo certo pela Carie, australiana que conheci no primeiro dia e vira e mexe reencontrava. E esse foi o primeiro dia caminhando sozinha. No caminho nunca se está completamente só e nessa altura já havia muitas caras conhecidas com quem reencontrava frequentemente. Eu também já me tornara um rosto conhecido para muitos deles. Ainda que não pudesse me comunicar tão bem com todos devido principalmente as diferenças de idiomas, era como fazer parte de um grupo, andávamos quase no mesmo ritmo, parávamos nas mesmas cidades, dormíamos nos mesmos albergues e até no mesmo quarto que era sempre coletivo. Como mulher que frequentemente viaja sozinha, a minha principal preocupação é a segurança. Em nenhum momento em todo o caminho me senti insegura ou com medo. Obviamente estava sempre atenta, como brasileira, infelizmente a gente se acostuma com a sensação de que pode estar em risco em certos lugares ou situações, mas em todo meu percurso não houve nenhum momento que tivesse sentido algo assim, mesmo caminhando sozinha por muitos quilômetros. Havia muitas mulheres de todas as idades, também fazendo o caminho sozinhas. No Brasil ainda existe um grande tabu com relação a mulheres que viajam sozinhas. Entre europeus e em muitos países do mundo isso é completamente normal. Muita gente reage com estranheza quando digo que faço esse tipo de viagem sozinha, mas para mim isso já se tornou algo normal. Para mim é inconcebível não apreciar a minha própria companhia. Então estar ali caminhando sozinha, em paz, me parecia tão natural quanto respirar. Uma manhã de caminhada bem intensa, mesmo com calor e as subidas pesadas, o percurso praticamente todo teve a sombra dos bosques, o que no verão europeu é uma verdadeira benção. Chegando ao albergue de Rubiães faltava quase uma hora para o local abrir. Era um lugar no meio do nada. Bem em frente ao albergue havia um restaurante fechado. Cheguei a pensar que não haveria onde comer ali. Felizmente seguindo pela rodovia havia um restaurante e um pouco mais adiante um pequeno mercado. O albergue era bem agradável, com salas bem arejadas e até uma área externa com espreguiçadeiras e vista para as montanhas. Foi uma tarde tranquila com tempo de sobra para descansar. 6° Dia De Rubiães a Tuí 20 km Mais um dia cheio de grandes novidades nessa longa jornada. Deixando Rubiães para trás, caminhando entre bosques e trilhas, antes de encontrar um lugar para tomar o café da manhã encontrei com um peregrino alemão muito disposto a conversar e que me fez um milhão de perguntas. Felizmente ele parecia não se importar muito com meu inglês ainda mais travado devido à fome e o sono. A pergunta que um peregrino mais ouve é “Por que está fazendo o caminho?” E claro, o alemão me fez essa pergunta. Não há uma resposta única e exata para essa pergunta. Geralmente eu tentava simplificar a conversa dizendo que eu sempre quis fazê-lo. Mas havia muito mais do que isso. Aquele era o momento perfeito para fazer o caminho. Havia passado por algumas mudanças na vida, saí de um trabalho que já não me deixava feliz, me decepcionei com algumas pessoas. Não estava triste, deprimida, nem nada disso. Muito pelo contrario, eu me sentia leve, sentia que tinha tirado um peso das costas. Sentia-me rompendo com o que já não fazia sentido e fazer o caminho iria celebrar tudo isso. Era um momento para mim. Um momento de reflexão, e autoconhecimento. Uma forma de me afastar de tantas coisas e me aproximar de mim mesma. Desde o momento em que comprei as passagens uma semana depois de ser demitida eu me senti em paz. Não queria provar nada pra ninguém, era apenas eu sendo eu mesma, aquela que vai até o fim quando quer realizar algo. Eu queria apenas me re-conectar comigo mesma, restaurar a fé que eu sempre tive em mim, a minha coragem e a minha força pra continuar seguindo em frente. Quando contei que a viagem estava confirmada uma amiga me disse “essa viagem vai te re-equilibrar”. Não poderia estar mais certa. Não falei nada disso com o alemão, mas falei sobre planos para o futuro e desejos de mudança até chegarmos num local chamado São Bento da Porta Aberta, onde paramos para o café da manhã. Segui caminho envolta em meus pensamentos e me dei conta que naquele dia eu chegaria a Espanha e aquilo me deu um novo gás para caminhar. O clima estava mais ameno e isso sempre ajuda no caminhar. Estava tão animada que parecia que eu estava flutuando, principalmente depois que comecei a ouvir música. Mas não qualquer música, só as que me trouxessem energias positivas. Não era nada prático ouvir música com um tablet, mas era o que eu tinha depois que fiquei sem celular. Em algum ponto antes de chegar a Valença, um casal que estava passando de carro parou ao meu lado e me fez muitas perguntas sobre o caminho, quantos dias eu já havia caminhado, quantos quilômetros e coisas do tipo. Pareciam bastante interessados e curiosos. Me ofereceram uma garrafa de água e me desejaram felicidades no caminho. Já em Valença do Minho, ultima cidade portuguesa no caminho português, encontrei dois dos mais simpáticos amigos desta jornada, Paolo e seu pai Roberto ambos da Guatemala. Foi uma companhia muito agradável, sobretudo em um trecho tão emblemático no caminho, afinal adentraríamos em pouco tempo na sonhada região da Galícia na Espanha. Caminhamos sem pressa por Valença cuja parte histórica estava bem movimentada, havia muito comércio voltado ao turismo e um forte de onde se via o Rio Minho e a Ponte Internacional Tuí-Valença que separam os dois países. Vale à pena desviar-se um pouco do caminho para conhecer essa região de Valença. Paramos para uma cerveja no Fronteira, “ultimo bar português do Caminho de Santiago”. Atravessamos a Ponte Internacional Tuí-Valença e iniciamos uma nova etapa do caminho. Não mudava apenas a cidade dessa vez, agora seria outro idioma, já no país de destino, o fuso horário com uma hora a mais com relação ao horário de Portugal. Tuí é a ultima cidade para se iniciar o Caminho de Santiago nessa rota, já que para obter a compostela, o documento emitido na oficina de peregrinos que comprova que a pessoa percorreu o Caminho de Santiago, é preciso caminhar pelo menos 100 km (para quem faz o caminho de bicicleta é necessário ao menos 200 km). Em Tuí me senti na idade média. Com uma catedral românica, construções de muitos séculos atrás, ruas estreitas de pedra e suas ladeiras que desembocavam perto das margens do rio. Me senti privilegiada mais uma vez por estar no caminho e assim ter a chance de conhecer lugares tão peculiares que dificilmente eu visitaria se não o estivesse percorrendo. Era um domingo. Os dias de verão na Europa são longos, pois o sol se põe por volta das 21 horas. Então para quem está disposto a enfrentar as altas temperaturas é uma ótima época para fazer o caminho. Dá tempo de fazer o percurso do dia, descansar e conhecer as cidades antes de cair à noite. Após o almoço descansei em um parque na margem do rio, perambulei pelas ruazinhas da cidade, mandei mensagem para a família informando que já estava na Espanha. Sentei numa praça para tomar sorvete e pensar no quanto já havia percorrido do caminho e o quanto ainda faltava percorrer. 7° Dia De Tuí a O Porriño 15,6 km Acordei às 6 horas, dormi de novo e acordei uma hora depois, ainda confusa com o fuso horário diferente. Olhei em volta e vi que era a única pessoa ainda na cama. Tratei de pular de lá e me arrumar. Roberto quando me viu pronta para sair ficou impressionado com a minha rapidez. Encontrei um lugar para tomar café da manhã ainda antes de sair da região central da cidade. Logo depois encontrei com Franziska, uma jovem alemã que estava fazendo o caminho com a mãe e a tia e quase sempre nos encontrávamos-nos mesmos albergues. Nessa ultima etapa elas haviam pernoitado em Valença ao invés de Tuí. Nessa etapa já se observa um número muito maior de peregrinos, principalmente nos primeiros quilômetros, aos poucos com cada um no seu ritmo a pequena multidão vai se dispersando. Em Portugal o caminho sempre adentra em bosques, trilhas em meio à mata, estradas de terra ou de pedra. Quando havia alguma avenida ou rodovia, quase sempre você devia cruzá-la ou andar apenas alguns metros e já estaria novamente em meio à natureza. Mas essa primeira etapa já em solo espanhol se diferenciava bastante nesse sentido. Havia muitos trechos para percorrer em ruas de asfalto, ao lado de grandes veículos e nesses trechos em específico o caminho se torna um pouco maçante. Foi um percurso bem cansativo para mim. Além de caminhar em uma paisagem não tão convidativa em boa parte do trajeto, o calor estava cada vez mais intenso e eu senti nesse dia muita dor nas costas, provavelmente não havia arrumado as coisas muito bem na mochila. Sentia vontade de parar o tempo todo. Sentia certa inveja de algumas pessoas que carregavam mochilas minúsculas e pareciam estar passeando no bosque. Mas estas pessoas certamente haviam contratado o serviço que transporta bagagens até o próximo destino. O roteiro que eu estava seguindo no aplicativo Buen Camino indicava como próximo local de parada uma cidade chamada Mos, porém vi que seria outro lugar sem muita coisa para se ver ou fazer. Resolvi então adaptar essa parte do roteiro e decidi encerrar essa etapa um pouco antes de chegar a Mos, na cidade de O Porriño, além de aliviar um pouco o cansaço que foi grande nesse dia, simpatizei com a cidade assim que cheguei por lá. À tarde acabei encontrando novamente com Franziska, na avenida principal da cidade. Junto com sua mãe e sua tia tomamos uma cerveja ao estilo alemão. 8° Dia De O Porriño a Pontevedra 34,9 km A maior etapa desse meu caminho. E ficou ainda mais longa devido a ter encurtado a etapa do dia anterior. Poderia ter dividido essa etapa em duas parando em Redondela, mas isso renderia um dia a mais para chegar a Santiago. Além disso, o clima no período da manhã estava bem diferente dos dias anteriores, o céu muito cinza, temperatura ligeiramente mais baixa amenizando o calor. Não imaginei que seria tão difícil chegar a Pontevedra. Acordei às 7 horas, o que é bem tarde para quem teria tantos quilômetros pela frente. Me arrumei voltei ao caminho, parei num café na avenida principal da cidade e quando me pus novamente em marcha já eram 8 horas. Acabei perdendo muito tempo nessas primeiras horas da manhã. Claro, não poderia deixar de tomar café da manhã. Na maior parte do caminho se você não aproveitar e parar no primeiro café aberto para tomar café da manhã ou matar a fome durante o dia pode levar muito tempo e muitos quilômetros até encontrar outro lugar para comer ou comprar algo. Até chegar a Redondela foi razoavelmente tranqüilo, apesar das muitas descidas para testar os joelhos. No período da tarde ainda com muito chão pela frente viriam muitas subidas. Mas o caminho é bem interessante nesse trajeto, bosques, cidades, pontes, rios, trilhas de pedras, mata mais fechada, outro bosque, outra cidade, rodovias. Um caminho longo, mas, nada maçante como no dia anterior. Parei para almoçar em um local simples, porem com uma vista linda e um pouco escondida ao fundo e ao sair de lá o calor já era intenso. Estava aliviada, pois tinha andado um tempão com outro peregrino que parecia não desgrudar de mim, como demorei no almoço ele resolveu seguir na frente sozinho. Mais a frente, parei um pouco conversando com algumas garotas muito animadas, uma portuguesa e outra espanhola, essa ultima contou que havia caminhado 5 km a mais porque se perdeu... Como elas iriam ainda demorar por ali segui meu rumo novamente. Passei por uma auto-estrada onde tive que andar ao lado de enormes caminhões. Logo depois passei pela linda cidade de Pontesampaio, que parecia ter congelado no tempo. Ali, uma senhora estava em seu quintal enquanto eu passava em frente a sua casa, com muita vontade de conversar me falou sobre ter percorrido o caminho muitas vezes e contou da sua vida, perguntou se podia ajudar em algo. Andei depois por um bom tempo sem avistar mais ninguém e a animação foi se esvaindo. Ao menos tinha certeza do caminho, pois era bem demarcado e cheio de sobe e desce. Quando achei que já estava bem perto o mapa mostrava uma bifurcação onde entraria em um bosque ou iria pela auto-estrada. Fui pelo bosque, que mais parecia um labirinto sem fim. Embora o aplicativo indicasse que estava indo na direção certa a impressão que eu tinha era de andar em círculos. Ia margeando um pequeno fluxo de água quando encontrei um morador local que me disse que até o final daquele bosque seriam 2 km e pela auto-estrada seria mais rápido porem não havia acostamento. Eu não queria acreditar que ainda andaria tanto para sair daquele bosque infinito, mas não tinha o que fazer. No albergue publico em Pontevedra não havia mais vagas. Fui até outro albergue, o Aloxa Hostel que também não tinha mais vagas e o senhor na recepção me ajudou entrando em contato com outros dois albergues na cidade que também já estavam cheios. Ele me pediu para esperar e depois de atender outras pessoas que tinham feito reserva me disse que tinha uma cama, e perguntou se eu não me importaria de ficar no quarto junto com um grupo grande. Eu estava desde o inicio dormindo em albergues públicos então porque me importaria? Fiquei sim muito aliviada por ter um lugar para descansar, depois de tantas horas “na estrada”. Com certeza o senhor Pedro que me atendeu na recepção não tem idéia do quanto me ajudou naquele dia. Aquele foi o único momento em todo o caminho em que fiquei realmente preocupada. Se não tivesse conseguido ajuda lá talvez tivesse que ir a muitos outros lugares até conseguir um local para passar a noite ou gastar muito ficando em algum hotel. Ele me recomendou que eu fizesse reserva no meu próximo destino para não correr o risco de ter dificuldades com a hospedagem novamente, verifiquei as opções e ele ligou para mim e reservou. Me senti abençoada por ter encontrado tamanha ajuda no momento em que mais precisei. Senti naquilo tudo a magia do caminho. Eu não estaria abandonada no fim daquela jornada, eu teria um lugar para descansar, tomar um banho, lavar minhas roupas, enfim, cumprir meu ritual diário sempre que finalizava outra etapa. Eu senti o meu coração cheio de gratidão e a certeza de estar onde devia estar. Essa magia do caminho se manifesta das mais diferentes maneiras. Como nesse mesmo dia, quando eu caminhei quase 35 km e achei que não teria energia para mais nada além de dormir. Mas depois de tomar um banho e me alimentar eu me sentia renovada, eu me sentia leve novamente. E ainda fui presenteada naquele longo dia com outra cidade das mais encantadoras do caminho. Era como se todo o meu esforço fosse recompensado. Era mais uma vez o caminho como uma metáfora da vida. Naquele dia eu senti o caminho me ensinado que eu sempre tinha força para seguir em frente, por maiores que fossem as dificuldades. E os problemas que surgissem eu poderia contornar e eu precisava ter fé. Foi uma pena não ter tido muito tempo de conhecer direito a cidade de Pontevedra, pois a cidade é realmente encantadora. Com ruas de pedra, edifícios medievais, monumentos, praças e estreitas vielas, além da lindíssima Igreja da Virgem Peregrina À noite a cidade se torna ainda mais agradável. Muitos restaurantes, bares com mesas ao ar livre, uma combinação interessante entre a história tão viva em cada detalhe do centro histórico e a modernidade de uma pequena cidade turística. Andando por aquelas ruazinhas, já nem parecia que tinha caminhado mais do que nunca na minha vida. Me sentia relaxada, absorta por aquela cidade. Antes de voltar ao hostel, comprei um pedaço de pizza e um chá gelado, sentei na escada de uma igreja para comer e apreciar um pouco mais daquela noite. 9° Dia De Pontevedra a Caldas de Reis 21 km Saindo de Pontevedra, passando pela ultima vez por seu centro histórico, ainda dominada pelo sentimento de encantamento e gratidão por aquela cidade. Nos primeiros quilômetros o caminho me lembrava uma procissão, tamanha a quantidade de pessoas. Não foi uma etapa tão longa, mas para mim foi com certeza a mais sofrida. Talvez pelo esforço do dia anterior, meus pés doeram muito durante quase todo o trajeto. Cheguei a pensar que acabaria com bolhas, tão temidas por todos os peregrinos. Nunca senti tanto a sola dos meus pés. Para piorar a minha situação durante esse trajeto o caminho era em sua maior parte em estradas de terra com muitas pedras, grandes, pequenas, de todos os tipos, mas muitas pedras sob meus pés já cansados. Usei no caminho botas de trilha intensiva, que eram um tamanho maior que o meu e também meias específicas para trilhas e até aquele dia não tive problema algum com os pés. Por iisso acho que o problema não foi o calçado e sim o cansaço acumulado que não combinou com as pedras do meu caminho. Pela primeira vez eu tive que parar, sentar em um lugar qualquer, descalçar as botas e as meias e examinar a situação dos meus doloridos pés. Felizmente nenhum sinal de bolha e não houve bolha até o fim, mas aquela dor seguiu comigo. Em meio a esse sofrimento, me consolava o fato de ter feito uma reserva em um albergue particular, afinal seria uma preocupação a menos. Nas cidades mais próximas a Santiago era de se esperar que os albergues públicos ficassem logo sem vagas. Geralmente custam entre cinco e seis euros e os particulares custam normalmente o dobro disso, mas às vezes vale a pena gastar um pouco mais. Em Caldas de Reis fiquei no Albergue Timonel, que custou 10 euros. Fica logo na entrada da cidade próximo a ponte. Um lugar simples, porem do qual não tive do que reclamar. Dividi o quarto com apenas duas pessoas, uma jovem garota com sua mãe, que também eram peregrinas. Uma companhia bem tranquila. A cidade de Caldas de Reis é bem pequena e tranquila. Provavelmente se não fosse o fluxo constante de peregrinos, seria uma cidade muito pacata. Com uma ponte logo na entrada da cidade, como em quase todas as cidades da região, a cidade tem uma Fonte de água termal. Uma senhora que atendia em um restaurante em frente ao albergue me deu uma maçã e me recomendou que eu fosse até a fonte e ficasse com os pés na água por uns 30 minutos, disse que ajudaria a diminuir as dores das quais eu havia lhe falado. E lá fui eu meter os pés na água quente. Apesar de não haver muito a se fazer ou ver na cidade, dei umas voltas à tarde. O clima estava agradável. Voltei cedo para o albergue. Aproveitei que dessa vez teria um pouco mais de privacidade para descansar. 10° Dia De Caldas de Reis a Padrón 19,2 km Com os pés praticamente recuperados do dia anterior segui meu rumo. Sempre no meu ritmo, sem pressão, firme e forte. Após 10 dias a mochila nas costas já fazia parte de mim. Me acostumei a acordar bem cedo dia após dia e continuar em frente. Cada dia era único, cheio de surpresas. Cada dia trazia uma infinidade de paisagens que mudavam a cada curva. Queria ter fotografado tudo, cada vez que me deparava com algo novo, cada vez que a natureza me brindava com sua beleza de maneira diferente. Mas era importante manter-me caminhando. E foi o que eu fiz. E tentei guardar tudo aquilo em fotografias mentais, aquelas imagens que vem a cabeça e te trazem um sorriso ao rosto. Aquelas memórias que vem junto com a sensação de liberdade, sonho realizado e fé. Em determinado ponto daquela etapa parei em uma igreja, onde havia na parte de trás um cemitério vertical. Ali conheci uma simpática família de portugueses, mais adiante conheci alguns peregrinos que viviam nas Ilhas Tenerife. Eram pessoas de muitos lugares diferentes, historias e motivações diferentes e todos com um objetivo comum ali. Em Padrón parecia ser o meu dia de sorte. Não fiz reserva em albergue então fui direto ao albergue municipal. Chegando lá já havia uma fila grande, inclusive havia alguns brasileiros que eu tinha conhecido vários dias antes. Fiquei com a penúltima vaga do albergue para aquele dia, e como fui uma das ultimas a conseguir vaga, fiquei em um quarto menor, com apenas quatro camas e um banheiro exclusivo. Não parecia nada com um quarto de albergue publico, onde normalmente são dezenas de pessoas no mesmo ambiente. Mais uma vez tive sorte também com as companheiras de quarto, que nesse caso eram duas garotas portuguesas peregrinando juntas e no fim da tarde para minha surpresa depois de muitos dias Cecilie chegou para ficar com a ultima vaga no albergue. Quando saí para conhecer a cidade a mesma já estava em plena siesta ( horário no período da tarde em que os espanhóis tiram para descansar). Havia poucas pessoas na rua, alguns turistas ou peregrinos perdidos como eu. Padrón foi uma interessante surpresa após a tediosa Caldas de Reis. Com quase tudo fechado relaxei por um tempo no jardim botânico da cidade, visitei a igreja de Santiago de Padrón e descansei um pouco mais sob a sombra das arvores na margem do rio em mais um longuíssimo dia de verão espanhol. No fim da tarde a cidade pareceu se encher de vida novamente. Diversas ruas exclusivas para pedestres com mesas ao ar livre, muitos bares e restaurantes onde era servido o prato típico da cidade, Pimentos de padrón. A impressão que eu tive é que a cidade inspira certo entusiasmo ao peregrino, afinal chegar até ali significa ter superado muitos quilômetros, dificuldades, dores no corpo e todo tipo de imprevisto que possa ter surgido. Esse clima de ansiedade e animação era bem perceptível no albergue. Bastante gente reunida na cozinha até tarde, diferente do que costuma acontecer nos albergues, onde a ordem é o silencio e o respeito ao descanso de todos. Mas naquela noite observei uma agitação alegre e contagiante compartilhada por todos. Não poderia ser diferente afinal, estávamos muito perto do sonhado destino. 11° Dia de Padrón a Santiago de Compostela 24,5 km Acordei às 5 da manhã para iniciar a minha ultima etapa deste cainho. Acho que ninguém consegue dormir muito no ultimo dia. Tomei café da manhã bem perto do albergue, no café de D. Pepe que se despedia com abraços calorosos de cada peregrino que passava por lá. Saindo dali, caminhando pela primeira vez antes do sol nascer, conheci a Marta, uma portuguesa, muito querida que me fez companhia nesse dia. Eu estava há muitos dias sem falar muito português e quando comecei a conversar com a Marta parecia que estava falando sem parar. Falamos sobre viagens, sobre a vida e sobre o caminho. Ter a certeza da chegada mudou bastante o meu caminhar naquela manhã. Não sentia dores nas pernas ou nos pés. Não sentia o peso da mochila e não me incomodava com o calor. O dia foi amanhecendo calmamente enquanto seguia sem ver a hora passar. Mas ainda que anestesiada pela certeza da chegada, foi uma longa etapa. Eu me perguntava durante aqueles dias como seria a minha chegada e tive a sorte de ter nesse dia pessoas do bem e com boas energias dividindo comigo aquele momento. Em certo ponto da caminhada reencontrei a Márcia que fazia a peregrinação junto com seus pais e mora em Viana do Castelo, cidade próxima ao Porto. Estavam no mesmo albergue que eu no dia anterior. Contei a eles um pouco da minha história, de sair sozinha do Brasil e ir a Europa fazer o caminho de Santiago, que era um desejo antigo. Lembro que me disseram o quanto eu era corajosa por ter feito isso. Acho que realmente é preciso muita coragem para realizar um sonho. Não é fácil estar em um país estranho, percorrendo um caminho solitário durante tantos dias. Não é fácil tomar a decisão de fazer algo audacioso quando você está num momento de incertezas na vida. Então acho que fui bem corajosa. Foi pensando em tudo isso que as lágrimas vieram aos meus olhos quando já na cidade de Santiago de Compostela nos aproximávamos da catedral. A Praça do Obradoiro onde está situada a Catedral de Santiago de Compostela é certamente um lugar que reúne muitas emoções. Finalmente eu estava lá entre risos e lagrimas. Transbordando de alegria, fé e gratidão. É difícil descrever a sensação que tive naquela chegada, sem dizer muitas frases que seriam puro clichê ou que até parecessem obvias demais. Eu posso dizer que foi uma felicidade e uma realização imensa estar em Santiago de Compostela após um longo caminho. Estar ali era a recompensa pela minha coragem, pela minha determinação, por cada passo dado, cada dor que eu senti no meu corpo. Era a certeza de que Deus e o apóstolo Tiago me guiaram durante todo o meu caminho. A certeza de que a minha fé nos meus passos me levou até ali. Depois de curtir a chegada fomos até a oficina de atenção ao peregrino onde a espera era de pelo menos duas horas para apresentar a credencial com os devidos carimbos e receber a Compostela, atestando que a peregrinação foi concluída. São emitidos dois documentos, um deles com as informações de onde foi o inicio da peregrinação, qual rota foi feita e a quantidade de quilômetros e o outro documento que é opcional e de caráter religioso e todo escrito em latim. A Compostela custa 1,50 euros e ali também se pode comprar a vieira de Santiago e outras recordações da chegada. Em Santiago de Compostela No dia anterior havia feito reserva no albergue Sixtos no Caminho que para minha surpresa era de uma família de brasileiros. O albergue era excelente. Ambiente acolhedor, muito limpo e arejado. Cama bem confortável, tomada e lâmpada individual, além de uma cortininha para que cada um tenha um pouco de privacidade. A poucos minutos de caminhada da região central e também muito perto do terminal de ônibus, foi uma ótima escolha. Resolvi ficar dois dias na cidade. Depois de tantos dias eu merecia uma pequena pausa para conhecer um pouco da capital da Galícia. Uma das coisas interessantes nesses dois dias é que enquanto passeava pela cidade ia encontrando o tempo todo algum velho conhecido do caminho. Para todos os peregrinos, em especial aos católicos, um evento bem especial é assistir a missa do peregrino. O caminho todo é um até de fé e aquele era para mim um momento de agradecer por tantas bênçãos no meu caminho e na minha vida. A missa na época da minha peregrinação estava ocorrendo na igreja de São Francisco, que fica bem próxima a Praça de Obradoiro, devido às obras na catedral. Outro importante ritual é o abraço ao Apóstolo, a estátua românica que recebe os peregrinos está sobre a cripta que contém a urna com as relíquias do Apóstolo, este ritual simboliza o amável acolhimento do apóstolo após o esforço da peregrinação. Um lugar imperdível em minha opinião é o Museu das peregrinações e de Santiago, que conta com riqueza de detalhes a historia do caminho de Santiago através dos séculos, sua origem e as mudanças e transformações nos costumes dos peregrinos ao longo do tempo. É possível conhecer também a origem e o significado de cada um dos muitos símbolos do caminho. O museu apresenta também outras importantes rotas de peregrinação pelo mundo, Roma e Jerusalém, que junto com Santiago de Compostela formam as três grandes peregrinações Cristãs mais conhecidas. O museu é gratuito aos sábados à tarde, para minha sorte justamente quando eu estava lá e também aos domingos durante todo o dia. Outro ponto interessante na cidade, recomendado por uma moradora local, é o mercado de abastos, a segunda atração mais visitada na cidade, onde é possível comprar diversas iguarias da região e também se deliciar com a culinária local. A cidade é repleta de atrações para todos os gostos, igrejas, mosteiros, parques e museus. Acho que mais interessante do que ir de um ponto turístico a outro é se permitir explorar livremente a cidade, bater perna pelo centro histórico, relaxar sem compromisso. Sentar em um café ou em uma praça e observar o movimento da cidade. Escolhi fazer isso na tão emblemática Praça de Obradoiro, observar os grupos animados, tirando as mais criativas fotos, muitos peregrinos cansados tirando as mochilas das costas e descalçando as botas, algumas pessoas cantando e outras fazendo suas orações. A praça estava sempre cheia de gente durante todo o dia, formando uma egrégora de paz. Ao menos para mim o compromisso era cumprir a minha jornada. Feito isso, a idéia era apenas curtir os próximos dias, tanto em Santiago, quanto nas cidades que viriam depois. Inicialmente havia pensado em fazer a prolongação do caminho caminhando mais três dias até chegar a Finisterre e depois caminhar até Muxia, outra prolongação do caminho. Devido principalmente ao fato de ter poucos dias até a data da minha volta ao Brasil, resolvi manter os dois locais no roteiro, porém a prolongação do caminho ficaria para uma próxima ocasião. Finisterre A viagem de ônibus de Santiago até Finisterre dura pouco mais de uma hora. A cidade fica na região conhecida como Costa da Morte, na região costeira da Galícia. A região recebeu esse nome por causa dos muitos naufrágios ocorridos ao longo da costa rochosa e traiçoeira. Em Finisterre me hospedei no albergue Arasolis, que fica na rua com o mesmo nome. A cidade não tem terminal de ônibus, os mesmos param na rua principal onde fica também o guichê de venda de passagens. Após sair do ônibus é só entrar à direita e em poucos minutos encontrará o albergue. O proprietário do local recebe a todos de maneira muito amável e alegre, contando suas historias de vida e presenteando a todos com uma concha e um cartão postal da cidade e as meninas ganham também uma pulseira. Além disso, me deu ótimas dicas sobre o que fazer na cidade. O lugar tem uma cozinha de uso coletivo. Fica bem próximo á praia também. Fiquei dois dias na cidade, queria aproveitar a proximidade com o mar e relaxar. A principal atração da cidade é o Faro de Finisterre, o farol, onde termina o caminho para quem faz a prolongação do mesmo até a cidade de Finisterre. Ali fica o totem indicando o quilometro 0,0 para os peregrinos. O farol fica a três quilômetros do centro da cidade e para chegar é só seguir as indicações na cidade e depois seguir a estrada. Uma subida bem peculiar e bonita em minha opinião, do lado esquerdo avista-se o mar e em certo ponto do caminho tem uma estátua de um peregrino. Lá em cima tem também uma loja de suvenires e um restaurante que parecia ser bem caro. O farol do Cabo Finisterra, ainda ativo nos dias de hoje, é o farol localizado mais no oeste da Europa e tem grande importância para a navegação na região da Costa da Morte. Há uma tradição entre os peregrinos de prolongar o caminho até ali e queimar peças de roupa antes de regressarem as suas casas. Conforme me recomendou El gato, no albergue deixei para ir até lá ao anoitecer para poder ver o por do sol na encosta do Cabo e valeu muito à pena. Daquele ponto ver o sol se pondo no mar foi um espetáculo lindíssimo e até mesmo um privilégio para quem tem a chance de conhecer a cidade. É bom levar uma lanterna, pois na volta para a cidade, descendo a estrada a única luz vem dos poucos carros que passam por ali. No dia seguinte pela manhã caminhei até a praia de Langosteira, no outro extremo da cidade. Naquela manhã o vento era tão forte como eu só havia visto na Patagônia. Mesmo com a ventania a praia era muito bonita, as areias cheias de conchinhas e quase deserta a não ser pelos peregrinos que ali chegavam. À tarde, para minha surpresa, o tempo esquentou bastante, não havia nenhum sinal da ventania de algumas horas antes. Então aproveitei o clima favorável para tomar sol na pequena praia da Riveira. Conheci também o Museu da Pesca, bem próximo da praia, um museu pequeno, mas bem interessante que conta a história da pesca e da navegação na Costa da Morte. A cidade tem alguns cafés e restaurantes, e alguns destes especializados em peixes e frutos do mar. Um restaurante que eu gostei muito foi o Baleas, fui lá duas vezes, a especialidade são as massas, muito saborosas e os preços eram razoáveis. Outro restaurante muito bom e com atendimento acolhedor, o Frontera, em frente à parada de onibus, os dois locais tinham muitas opções vegetarianas, o que não era muito comum em algumas cidades por onde passei. Outro lugar com um visual incrível para apreciar o por do sol é a praia Mar de Fora. Cerca de quarenta minutos de caminhada do centro da cidade até lá, mas vale muito à pena. Muxia Outra cidade na Costa da Morte onde a fé e as tradições religiosas se ligam aos caminhos de Santiago é Muxia. Há cerca de 30 minutos de onibus saindo de Finistere, num caminho que deixou meu estomago embrulhado. Uma cidade pequena, porém muito simpática. O ultimo destino dessa empreitada pela Europa. Em Muxia me hospedei no albergue/hostel Bela Muxia. Mais uma vez a recepção foi excelente. Quando cheguei ao local ainda faltava uma hora para o horário de check-in, poderia esperar claro, mas comentei com o senhor na recepção que tinha ficado um pouco enjoada pela viagem de ônibus e o mesmo foi muito solicito comigo e me deixou ir para o quarto naquele mesmo instante. Além da ótima recepção o lugar era muito agradável, tinha uma cozinha bem grande e um lindo terraço com vista da cidade onde era possível avistar também o mar. Uma pena que fiquei somente um dia na cidade. A praia de A Cruz, indicação de um morador da cidade tem águas claras, mar calmo e um visual muito bonito. Passei horas ali aproveitando um dia lindo de muito sol. O principal ponto de interesse na cidade é o Santuário Virxe de La barca (Virgem da Barca) Segundo a lenda o apóstolo Tiago foi até Muxia, implorar a Deus que seus sermões tocassem as pessoas. Nesse momento então, a virgem teria aparecido a ele num barco de pedra puxado por anjos e lhe disse que voltasse a Jerusalém, pois a sua missão naquela terra havia terminado, Tiago retornou conforme a virgem lhe havia dito, porem havia plantado ali a semente da fé cristã que viria a florescer futuramente. Há também lendas sobre as pedras localizadas no rochedo de Muxia. As pedras teriam relação com o barco da virgem em sua aparição e também lendas sobre propriedades curativas. Ainda ali no rochedo, complementando de forma peculiar a paisagem o monumento “A Ferida”, dedicado aos voluntários que durante meses limparam as praias da Costa da Morte após um desastre que provocou o derramamento de óleo combustível naquela região. È uma das maiores esculturas de toda a Espanha, com mais de 11 metros de altura, é dividido em duas partes e simboliza a ruptura e o impacto que esse desastre causou a costa Galega. A obra pode ser vista de muito longe pelos bascos que se aproximam da costa. Ali no rochedo a vista do por do sol é belíssima. Infelizmente não fiquei para ver. Ainda faltava pelo menos duas horas para o sol se por quando voltei ao centro da cidade para meu ultimo jantar no meu restaurante favorito por ali.
  6. Entre os pratos mais emblemáticos da gastronomia espanhola está a Paella Valenciana, uma excelente opção para ser desfrutada à beira mar, com calor, família e amigos, tal como um verdadeiro valenciano faz. Como o seu próprio nome indica, é um prato proveniente da cidade de Valência. Já alguma vez provaste uma paella em Valência? Se sim, saberás que são estas as mais saborosas de toda a Espanha! Descobre como fazer paella valenciana no artigo abaixo: https://lavidaesmara.com/2020/07/13/como-fazer-paella-valenciana/
  7. O Oceanogràfic de Valência, situado na Cidade das Artes e das Ciências, é o maior aquário da Europa. Conhece-o em: https://lavidaesmara.com/2020/07/08/dia-oceanografic-valencia/
  8. Madrid é uma das cidades preferidas dos realizadores espanhóis e internacionais. Viaja connosco a Madrid em 10 filmes. https://lavidaesmara.com/2020/07/04/viagem-madrid-10-filmes/
  9. Sabias que La Rosaleda de El Retiro, na cidade de Madrid, tem mais de 4.000 roseiras? Conhece todos os segredos deste jardim aqui: https://lavidaesmara.com/2020/06/14/la-rosaleda-de-el-retiro/
  10. Partilhamos um artigo muito especial sobre Chewbacca que certamente irá deliciar os fãs da série Star Wars, criada por George Lucas. https://lavidaesmara.com/2020/06/18/star-wars-em-valencia-origens-de-chewbacca/
  11. Olá, aqui vai o relato de nossa viagem para Europa com um bebê de 1 ano. O fórum Mochileiros ajuda nossa família desde 2005, então me sinto quase na obrigação de contribuir de volta para a comunidade! Nossa aventura com bebê começou muito antes do embarque, com um minucioso planejamento, desde roteiro, vôos até escolher como faríamos com a alimentação dela, até marcar no mapa todos os hospitais pediátricos nas cidades que visitaríamos. O relato foi feito em parte no word, em parte em mensagens de whatsapp, e tem dois dias faltando, mas foi o que deu pra fazer!! Concluindo: não poderíamos ter feito escolha melhor do que a de viajar com nossa filha. O trabalho é árduo, mas o prazer é muito maior, e as lembranças ficarão em nossos corações pra sempre. Não tenham medo de viajar com seus filhos. Roteiro: Madri - Paris - Dijon - Avignon - Nice - Milão - Veneza - Lisboa. Total 28 dias. 07/09/2019 (sábado)- Madri (Victor) Voo Belém - Lisboa (que saiu 22:35 do dia 06/09) tranquilo. Maria Inês dormiu durante todo o trajeto. Dormi algumas vezes e Nem senti o tempo Passar. Chegamos em Lisboa às 10h locais. Fomos ao fraldário trocar a MI e depois procuramos o espaco familia. Era um playground e MI lanchou e brincou por bastante tempo. Tentamos comer algums coisa, mas nâo encontramos nada de interesssnte. Wendy acabou morrendo num sanduíche de queijo e tomate. O voo para Madri atrasou meia hora. Mas que bom que dura somente 50 minutos. Neste voo Mi não quis saber de dormir. Mas a Galinha Pintadinha salvou a pátria e a menina se aquietou. Em Madri, pegamos o ônibus expresso que vai do aeroporto atè a estaćão de trem Atocha ( meros 5 EUR). Ali tivemos que pegar metrô e haja subir e descer escadas carregando nosso malão de 25kg mais o carrinho da MI. Finalmente chegamos a nossa hospedagem. A anfitriã, Pilar, foi bem simpática e nos instruiu sobre a estadia em seu apto. Após nos acomodarmos, fomos ao Carrefour abastecer a casa para a semana. Compramos um jamón delicioso e uma tábua de queijos gouda trmperados (sabor pesto, molho de tomate e outro que não reconheci) que também estava muito boa. As 22h MI foi dormir junto com Wendy ( que reclamou de dor nas costas). 08/09/2019 (domingo)- Madri Saindo do aeroporto, pegamos o ônibus 203 que leva até a estação atocha. De lá, pegamos o metrô linha 1 até nossa estação : tirso molina, apenas 3 paradas. Fica numa praça, e de lá caminhamos pro apartamento. Chegamos em casa Maria estava com muito sono. Dei pêra e coloquei pra dormir. Nos ajeitamos pra sair pro supermercado. Maria acordou, mas continuava sonolenta. Vestimos, e saímos. Tem um Carrefour muito próximo, na praça. Tava lotado, eu estava muito muito cansada, Maria também.. tive que pensar rápido no que levar pra fazer comida no dia seguinte; café etc. Demoramos um pouco pq não conhecíamos o supermercado, pagamos e voltamos pra casa. Dei ovo frito com pão e queijo pra Maria, pq fiquei com medo de dar a comidinha que levei de casa. Victor ficou fazendo diário de gastos e de bordo. Depois dormiu. Maria estava inquieta, chorando toda hora... quando deu 6:30 ela acordou, tinha vazado pipi. Depois dormiu até 10h, direto sem chorar. Eu acordei 8h, Victor levantou desde cedo, fez comida da Maria e café da manhã. Depois arrumei as mochilas do dia, tomei banho, e aí acordamos a Maria Inês. Demos banho nela, dei o café, ela não quis comer muito. Arrumamos e saímos. Chegamos atrasados na missa em latim, sorte que tinha uma missa nova logo em seguida. Assistimos. Saímos andando da igreja pro Platea Market, onde demos o almoço dela e trocamos fralda de coco. Agora vamos almoçar. São 15:30. O platea market é um mercado moderno, novo; que foi construído num antigo teatro. Lá tem 3 andares, um com restaurantes internacionais, outro com bares de tapas e outro um restaurante com estrela Michelin. O Platea Market ( @plateamad ) é um mercado novo que fica num antigo teatro em Madri. Com esse nome, “mercado”, eu imaginava que era um mercado estilo feira de bairro, com os feirantes vendendo seu peixe etc! Nada a ver! Hahahaha. Na entrada, parecia que estávamos no lugar errado, pois a fachada parece uma galeria de lojas. Fomos entrando meio desconfiados, meio fugindo do sol, e voilà. Encontramos esses oasis. São 3 andares, um com restaurantes internacionais, outro com bares de tapas e outro um restaurante com estrela Michelin. Há varios pequenos shows de hora em hora, e isso também nos surpreendeu positivamente! Pra quem já estava confirmado em não assistir nenhum tango, as intervenções no meio do restaurante foram excelentes. Muito acessível, o local tem elevador, trocador e cadeirão pra bebê, basta pedir! Comemos tapas de bacalhau e uma sangria, no bar de tapas, e costelas de porco no restaurante. Estávamos sem muitas expectativas, e foi uma ótima surpresa. Muito acessível pra bebês, lá tem trocador e cadeirão pra bebê. Infelizmente na afobação, sentamos nos bares e tapas, não pedi cadeirao e dei o almoço dela na agonia, Com ela no meu colo, andando etc. Depois que ela almoçou, ficamos mais tranquilos e resolvemos ir pros restaurantes. Lá eu pedi o cadeirão, ela ficou sentada vendo galinha pintadinha enquanto nos comíamos. Quando terminei de comer dei banana pra ela. Depois do mercado, íamos continuar nosso passeio até a puerta do sol e plaza mayor. Ela começou a chorar, era sono. Fiz ela dormir, coloquei no carrinho, cobri com um pano pq estava muito sol. Fomos pela sombra, mas depois paramos pra tomar um frape, ela acordou, comeu pera, e continuamos. Tiramos foto nas praças, as igrejas que íamos visitar estavam fechadas, seguimos pra casa. Ela jantou, tomou banho, e agora está mamando pra dormir. 09/09/2019 - Madri Hoje acordamos 6:45, Victor levantou logo pra fazer o frango e o café da manhã e eu fiquei ainda fazendo a Maria esticar o sono. Tomei banho, dei o banho dela, dei o café, e tomei o meu. Nos arrumamos, e saímos de casa. Hoje optamos pegar ônibus pois é muito mais cômodo e rápido pra quem tem carrinho de bebê. O ponto fica na praça tirso Molina, bem próximo ao nosso apto. Logo o ônibus chegou, teve engarrafamento mas rápido chegamos ao parque del retiro. Entramos pela puerta Del anjo caído,paramos no parquinho pra Maria brincar e depois ela lanchou. Continuamos o passeio, paramos no palácio de cristal, depois no lago central. Maria ficou vendo os patos nadando no lago. Voltamos pra porta Del anjo caído e fomos pro museu reina sofia. Maria tirou a primeira soneca, no colo do papai. Já eram 12h, o sol começava a esquentar e queríamos um passeio protegido. Chegando lá, ela acordou, trocamos fralda e resolvi dar o almoço. Nós aproveitamos pra comer também. Fomos no café do museu, pedimos um brunch e dividimos. Vinha com: pão com ovo mole e jamon, pasteries, frutas, iogurte, suco de laranja e café com leite. Nesse café, pedi cadeirão pra bebês, e pedi um prato pra aquecer o almoço da nenem. Muito cômodo para famílias! Ela almoçou direitinho e foi uma paz. Visitamos as principais sala do museu, guernica, Dali e Miró. Depois fomos pro museu Del Prado. Lá, começamos pelas exposições temporárias: Fra angélico e vermeer, rembrandt e velasquez. Maria dormiu logo no fra angélico. Acordou no final da exposição seguinte. Demos lanche e trocamos fralda. Nos museus têm fraldário e e muito cômodo pra nós. Depois, fomos pra coleção principal. Vimos El greco, el bosco, velasquez, tintoreto, tiziano, Rafael, Rubens. . Infelizmente não deu tempo de ver goya nem caravaggio. Eram 18h e tínhamos que ir pra casa. Paramos no bar el gatos, comemos tapas de jamon com queso, bacalhau e sardinha, tomamos sangria. Maria comeu pêra. Depois seguimos pra casa. Mamãe wendy deu banho e jantar, enquanto papai victor foi ao supermercado. Tomei banho e em seguida coloquei nenem pra dormir. 10/09 - terça-feira Maria acordou 6:30. Tentamos esticar o sono e não conseguimos. Beleza, fui tomar banho, fiz o café dela. Victor foi trocar a fralda e tal. Na hora de comer ela não quis. Estava com sono! Victor pegou no colo e ela dormiu de novo.. e nós tbm kkkk Havia faltado energia. Estávamos no escuro. Acordamos de novo 9h, nos arrumamos (tínhamos tomado café cedo), aí ela acordou, comeu apenas ovo. Não quis abacate. Vestimos varias camadas nela, e saímos de casa 10h. Antes de sair, falei com a proprietária Pilar, que apenas ligou o disjuntor que tinha disparado. Depois descobrimos que não dá pra ligar varios aparelhos ao mesmo tempo. Estávamos com ar, fogão de indução e exaustor ligados. Primeiro Fomos na basílica de São Miguel depois no mercado de São Miguel. Ficam bem perto do nosso apto. No mercado, Não tinha mesas. O mercado é bem pequeno, com balcões com restaurantes, bares de tapas, cafés. Queríamos um local com mesas e cadeiras. Entramos num restaurante fora do mercado, já eram 11h. Pedimos um café brunch, cadeirão, maria Inês comeu banana. Saímos, comprei um croissant e dei pra ela comer. Ela gostou. Andamos até a igreja de san andres de gines, conseguimos entrar e visitar. depois seguimos pro mosteiro das descalzas, onde não pudemos entrar, só poderia com tour guiado as 13h. Continuamos pra igreja de san Antônio de lós Alemanes, passando pela gran via, a times square de Madri! A igreja é considerada a capela sistina de Madri. Muito bonita, cheia de afrescos. Cá estamos. Maria dormiu no caminho pra cá. Seguimos pela calle de pez e depois Calle de lós reyes, até chegar na Plaza de Espanha. Plaza de Espanha fechada para obras. Não pudemos entrar. Continuamos caminhando pro Palácio real de Madri. Lá, vimos a troca da guarda e tiramos foto. O sol estava forte, Maria acordou, resolvemos procurar um restaurante pois era hora do almoço dela. Vagueamos pela Ópera, até que decidimos entrar no La Traviata (rs). Menu del dia 13,95, dois pratos; sobremesa e bebidas. Pedimos lasanha, espaguete ao jamon e alho, que estavam deliciosos, e depois dois tipos de carne, que estavam ruins. Sangrias (uma com a comida e outra no final, vinho rosé. Mas o atendimento foi muito bom, garçons super simpáticos e prestativos. Nos deram cadeirão pra Maria Inês, levaram a comida dela pra esquentar e ainda lavaram o pote. Colocaram meu celular pra carregar. E me deram um copo de plástico pra levar a sangria que eu não sabia que estava inclusa no menu. Também conversamos bastante com uma inglesa simpática na mesa ao lado, encantada com a Maria Inês. 15h saímos do restaurante, voltamos pro palácio, mas antes paramos pra fotos e brincar no parquinho. Finalmente, lá chegando… fechado para evento oficial. Tiramos foto por fora do palácio, estava ventando muito e o tempo fechando, ia chover. Colocamos a capa de chuva do carrinho e entramos na catedral de la almudena, Maria mamou e dormiu (demorou, mas dormiu). Mais à frente, entramos na basílica de San Francisco el grande. Maria acordou, comeu banana. Saímos de lá, continuava ventando muito e com cara de chuva. Sentimos pingos. Paramos no supermercado pra comprar banana e queijo, e caminhamos de volta pra casa. Ficamos em dúvida se parávamos pra esperar o tempo melhorar, mas vi que estávamos bem perto de casa, então resolvi ir direto pra casa. Chegamos 18:30 em casa. Maria vai tomar banho e jantar. Amanhã vamos pra Toledo, espero que consigamos ajustar o fuso horário dela e acordar cedo pra sair cedo. Maria estava muito danada e agitada, o jantar demorou demais. Só foi dormir às 21h, de novo! Fizemos a comidinha de amanhã. Frango, arroz, lentilha, brócolis, batata e cenoura. 12/09/2019 - quinta-feira Acordamos 7:00, tomamos banho, recolhemos as últimas coisas, Maria acordou, trocamos a fralda e colocamos a roupa dela. Almoço e jantar, lanches na lancheira, saímos 8:15 de casa. Pegamos o metrô 8:24 e em 5 minutos chegamos em atocha. O ônibus do aeroporto tinha acabado de chegar, subimos e às 9:25 chegamos no Barajas. Despacho de malas, segurança, fomos pra área de embarque. Maria tinha comido banana no ônibus e agora comia pão com queijo, num café do aeroporto onde mamãe e papai também fizeram o desjejum. Depois, trocamos a fralda, tinha popô. Renovada, brincou no playground até que o portão de embarque foi anunciado. Seguimos pro embarque. Tudo é uma pernada... no embarque, tratamento vip 😁 sempre embarcamos antes de todo mundo, por causa da Maria Inês 🤣 Antes de decolar Maria dormiu. Porém acordou logo após a subida!!! Dormiu pouquíssimo. Passou o voo inteiro “no 12”. Chegamos no aeroporto charles de gaule às 14:15. Ainda no avião, ela fez um popô FEDERAL. tava podre demais. Não aguentávamos mais o _futum_. Assim que descemos da aeronave corremos pro fraldário. Impestou o local. Trocamos até a roupa pq vazou. Saindo de lá, pegamos a mala e maaaais uma pernada pra chegar no RER, trem de acesso à Paris. Compramos o ticket, entramos no trem. Em 20 minutos estávamos na estação Châtelet. Nos enrolamos pra descobrir que o mesmo ticket dava acesso ao metrô também. Trocamos então pra linha 14, rumo à estação olympiades. Lembrando que tuuuudo é longe. Até que enfim chegamos. Mais uma caminhada de 10 minutos até o nosso novo apartamento, que foi fácil de encontrar. O airbnb é de um quarto privado em um apartamento onde mora uma família. Quem nos recebeu foi a sra Anita, mãe da anfitria do airbnb. É indiana. A casa parece um Maracá de baiana KKKKKK tudo bem ajeitadinho, bem arrumadinho, com vasos de flores artificiais, paninhos, bibelôs, posters, uma infinidade de enfeites. O quarto tem uma cama de casal. Ela nos forneceu um Moisés de carrinho pra Maria dormir. O banheiro é separado da sala de banho. A sra Anita é muito simpática. Nos instalamos, tomamos banho e saímos pra conhecer a Bercy Village. Uma caminhada de 20 minutos;. Demos uma volta por lá olhando os restaurantes e decidimos entrar num que tinha comida francesa. Pedimos hambúrguer e carne com alligot. Uma delicia e nos empanturramos. Maria jantou sua comidinha. Tomamos sorvete na sorveteria Amori. Voltamos a pé, paramos no supermercado pra comprar mantimentos para amanhã. Chegamos em casa, Maria tomou banho, se arrumou e dormiu. Papai lavou o pijama de popô. Amanhã cozinharemos. Amanhã também haverá greve geral de transporte em Paris. Sexta feira 13 👻 13/09/2019 - sexta-feira Paris Fizemos hoje Museu do Louvre, Jardim das Tulhérias e Museu de l’Orangerie. Jantanos no Bistror des Victories, na região do Louvre, onde comemos um magret de canard excelente. A greve dos transportes não nos afetou, pois a linha de metrô próxima ao nosso apto é 100% automatizada. Infelizmente, algumas salas do Louvre estavam fechadas. No louvre, Maria Inês revezou entre carrinho, colo e andar. Fomos nas salas que mais nos interessavam, e fugimos da Gioconda. A fila é surreal de grande, ocupando vários andares do museu. Demos o almoço dela sentados num pufe entre as seções do museu. Durante o passeio, vimos diversos casais com bebês e crianças, bebezinhos quase recém nascidos, até crianças maiores. Quem vai com carrinho tem alguns perrenguinhos. Nem todas as salas são adaptadas e cada sala tem um tipo de adaptação diferente. Mas nada demais, super tranquilo. Aproveitamos o passeio, tiramos fotos. Saindo do museu, fomos almoçar num dos melhores restaurantes da viagem. Indicação de algum blog. Comemos canard e tomamos vinho. Neném jantou. Seguimos para nossa odisseia de volta pra casa. 14/09/2019 - sábado Paris Hoje acordamos 7h, tomamos banhos, nos arrumamos, demos o café da Maria e fizemos a comida dela. Saímos 9:45 de casa, rumo à notre dame. Paramos no caminho pra tomar café e croissant. Notre dame toda fechada para reforma. De lá fomos pra saint chapelle. Perrengue pra trocar fralda de cocô: não tinha trocador nem bancos nem cadeiras. Trocamos no carrinho. O banheiro era muito inacessível pra lavar o bumbum. Em seguida, saímos d ela é paramos na frente do panteão mas não entramos. Entramos no restaurante comptoir du pantheon pra dar o almoço da Maria e lanchar. Depois, seguimos pra igreja de Santo Eustáquio. Fez coco de novo. Trocamos no carrinho de novo, dessa vez lavei o bumbum na pia do banheiro da igreja. Partimos pro jardim de Luxemburgo. Lindo!! Maria fez piquenique com os amiguinhos franceses, penetrou num aniversário de 1 ano, tiramos muitas fotos, passeamos, vimos pôneis, mas ela não podia andar, depois tirou soneca. Já eram 18h, caminhamos uns 20 minutos até um restaura recomendado, chegando lá estava fechado. Mais 20 minutos pra chegar no outro. Valeu a pena, a costela estava deliciosa. Acompanhada de purê e tutano. Quando abri a vasilha do jantar da Maria ela espocou e saiu um gás de dentro. Estava borbulhando. Estragou!! Não sei como!! Provei e tava horrível, cuspi. Dei purê de batata,pão e banana. Chegamos tarde em casa. 15/09/2019 - domingo Passamos o dia em casa pois Maria Inês teve febre desde as 2h da madrugada. Ela dormiu bastante, de11:30 às 15h. E nós também. Acredito que todos estavam muito cansados. Não conseguimos ir à missa. Às 16:30 saímos para tentar almoçar/jantar. Comemos num restaurante na rue Tolbiac, Victor começou moules frites e eu um joelho de carneiro. Paramos na nossa boulangerie e compramos tartelete de chocolate com amêndoas. Deliciosa!!! A melhor tartelete da vida! Paramos no supermercado rapidinho e voltamos pra casa. A febre voltou. 16/09/2019- segunda-feira - Paris Passamos a madrugada inteira acordando pra verificar a febre. Ela tomou banho morno umas três vezes. Às 2h, com a febre espaçando em apenas 4/4h, contactos o seguro pelo WhatsApp. O médico só poderia vir em casa apos o amanhecer. E as clínicas particulares eram muito longe. Fui dormir 3h, acordei às 5h. Demos banho morno novamente, nos aprontamos e saímos de casa pra clínica. Chamei um Uber. Ele demorou uns 15 minutos. Tivemos que andar pra outra rua, pois na nossa não passava carro. Quando ele finalmente chegou disse que não poderia nos levar pois Maria não tinha cadeirinha de carro. Chorei pedindo que nos levasse e ele disse não. Fiquei puta da vida e amaldiçoei até a 5-a geração daquele indiano safado. Saímos andando procurando um táxi 7h da manhã em Paris. Paramos num café, perguntei e por sorte tinha um ponto perto da tartelete de ontem. Chegando lá, só o telefone e nenhum motorista. Telefonei. Não sei se fui atendida mas passou um táxi de luz verde e eu fiz sinal. Depois de toda essa confusão finamente conseguimos um táxi. Ele nos levou pro Hospital público pediátrico de Paris. deu 15 euros. Chegamos no hospital, entramos pro setor de pediatria. Não tinha filas. Uma técnica fez nosso cadastro, perguntou os sintomas, dados,. Tudo isso no francês inglês. Pediu a carteira de vacinação da Maria mas eu esqueci em belem. Após o rápido cadastro, ficamos esperando a triagem. Logo a enfermeira nos chamou, ela examinou a Maria, perguntou os sintomas. Pediu pra colher urina. Lá vem aquele saquinho de colher urina, de novo… eu já estava visualizando o que viria a acontecer. Maria estava há 12 horas sem fazer pipi. Não ia urinar, a enfermeira ia mandar hidratar, iríamos esperar em torno de 2 horas pra ela fazer xixi, fora o risco de vazar pra fora, como sempre acontece… na minha cabeça, iríamos passar o dia inteiro ali com a Maria. Graças a Deus eu estava errada. Em menos de 10 minutos Maria Inês fez um xixizão, que foi completamente aparado pelo saco coletor. Corri pra enfermeira, que pegou o saquinho e levou pra exame. Mais uma vez fui surpreendida. O exame é feito e dá o resultado imediatamente! Gente! Nada de esperar 1h30 pelo resultado!! Eu já tinha ouvido falar disso, uma amiga que mora na Suíça disse que a obstetra fazia o exame de sangue e urina dentro do consultório médico, nas consultas de rotina da gravidez. O resultado sai na hora. Enfim, exame de urina normal, infecção urinária descartada. Voltamos pra sala de espera, pra aguardar o médico. Esperamos um pouco, uns 20 minutos l, pois era troca de plantão. Até que chamaram. A médica Justine Zizi. No consultório, pediu pra tirar toda a roupa da Maria , exceto a fralda. Fez uma série de perguntas, e estranhou quando dissemos que ela tomava domperidona. Na França, só adultos tomam. Dissemos da alergia à dipirona pra enfermejra, e ela nem conhecia. Não é comercializada na França. Ela apalpou toda a Maria, olhou a pele, o ouvido (tirou muita cera do ouvido kkkk) até que chegou na garganta. Estava vermelha e irritada, nas palavras dela, com placas brancas. Disse que a febre era devido a isso. Ufa… encontramos o diagnóstico. Ela disse que era viral, e que não havia necessidade de antibióticos. Que a febre poderia durar até quarta-feira, e que se não passasse, deveríamos procurar o médico de novo. Fez um relatório do atendimento é uma receita de paracetamol e soro fisiológico pro nariz. Deu recomendações sobre alimentação: não dar muito quente e dar o paracetamol antes, coordenar com a febre. Saímos de lá mais tranquilos, satisfeitos com o atendimento público de saúde da França. Paramos num café pra comer e dar de comer pra nenem. O café ficava numa esquina próxima ao hospital, com cadeiras na calçada, e fomos atraídos pelo “menu dejeuner”, que incluía cafe, jus d’orange e un croissant, por preço módico muito inferior aos do centro da cidade. Com dificuldade entramos com o carrinho de bebê, nos acomodamos e fomos atendidos por uma garçonete espevitada. Assim que começamos a falar, ela nos perguntou se éramos portugueses… bem, sim, somos! Mas não! Somos brasileiros, de fato. Ela também era brasileira. Mas não ficamos de conversa, pois ela estava muito atarefada. Ao nosso lado, dois típicos operários franceses tomavam também seu café no balcão. Maria dormiu no meu colo e tomamos um café tranquilo. Saindo de lá, pesquisei no google e decidimos pegar um onibus pra casa. A linha 64 para na frente do hospital e nos deixa bem próximo de casa (lembrando que nossa rua é peatonal, não passam veículos. O ônibus era elétrico, ou seja, não fazia nenhum “pio”, super silencioso. Aquela tremedeira e aquele ronco do ônibus de belém? jamais. Além disso, as pessoas silenciosas. Caladas ou conversando bem baixinho. Um sonho, o paraíso para mim… Durante o percurso, sentei numa cadeira e Victor ficou em pé no local reservado para les poussettes com a Maria Inês que dormia no carrinho. Mais um carrinho subiu e se alojou do lado deles. Em seguida, outro. Um pouco mais na frente, mais um. E finalmente, hegou o 5º carrinho de bebê, este de gêmeos, que atravessou o ônibus sem cerimônia, dificultando um pouco a passagem. Eles que lutem! Mães e bebês têm preferência. Chegamos em casa tranquilamente, Maria acordou no meio do caminho. Temperatura segurou até umas 14h, começou a subir de novo. Demos banho. Baixou a febre. Voltou a subir, quando chegou em 38 demos o paracetamol, Às 15h. Agora 16h já suou e baixou a temp. Tínhamos encontro marcado com a fotógrafa Alexia na Torre Eiffel. Saímos pra ver a torre Eiffel e depois voltamos. Ela já estava melhor, sem febre... e já havíamos contratado uma fotógrafa. O ensaio foi legal, fomos nos soltando, ela vai instruindo que poses fazer. Nas fotos de casais, fica reparando nossos pertences e a bebê. Maria riu bastante no ensaio de fotos. Depois do Trocadero, fomos pro Carroussel, e lá Maria Inês conquistou um casal que fazia piquenique. Ganhou um balão! Voltamos pra casa, o metrô lotado, a viagem longa. Jantou e agora está dormindo. Chegamos na Torre Eiffel, demos “oi” e fomos embora. Muita expectativa, muita animação, felicidade e gratidão por estar em Paris com a minha família. E razões para voltar… de novo! 17/09/2019 - terça-feira - Paris - Dijon Acordamos cedo, catamos nossas coisas previamente arrumadas na noite anterior, fizemos uma revisão e nos despedimos da Anita, anfitriã do airbnb. Uma pessoa sui generis que depois copio a avaliação. Pegamos o trem para Dijon. Chegamos em dijon pontualmente às 11:58. A anfitriã do airbnb que alugamos não me respondia desde março, eu havia perguntado se poderia fazer o check in antes do horário previsto. Ainda no trem telefonei a ela, sem sucesso. Mandei mensagens no app do airbnb e nada. Resolvi pedir ajuda pro suporte da empresa. Eles entraram em contato com ela, e ela respondeu a eles que não poderia nos receber antes das 18h. Ocorre que, pra mim, ela respondeu dizendo que havia um problema de infestação de insetos no colchão da cama, e que por isso ela ia providenciar pra nós ficarmos hospedados no apartamento de amigos dela, próximo ao dela, que também eram anfitriões no airbnb. Isso cheirou a perrengue! Informei essa maracutaia dela pro suporte do app e disse que não estava confortável, pois enfim, eu não tinha segurança nem respaldo algum caso aceitasse ficar na casa de terceiros. O suporte cancelou a hospedagem, me deu um reembolso integral, e começou a me sugerir novas opções de hospedagem. Parênteses. Tudo isso rolando graças ao chip com internet que comprei em Lisboa, e ao mesmo tempo em que procurávamos um local pra guardar a nossa pequena mala de 25kg, depois um local pra comer, tirávamos fotos, dando almoço pra Maria, trocando fralda, depois saindo do restaurante sem eira nem beira nem o ramo da figueira, fomos pro jardim público zanzar à sombra das árvores fugindo do sol e esperando Deus providenciar um teto pra gente dormir. Voltando. Eu disse pro airbnb que não aceitaria local pior, nem pagaria mais por isso. Vai em cima vai embaixo, o suporte me mandava quartos muito afastados, ou um muito ruins, alguns não aceitavam a reserva pra tão em cima da hora. Até que uma aceitou. Olhei as fotos e não gostei, resolvi procurar por conta própria. Meu celular com 10% de bateria. Encontrei um loft inteiro no centro de dijon, mandei mensagem e o anfitrião respondeu na hora. Aceitou, o check poderia ser naquele momento mesmo. A essa altura já estávamos na catedral, e era muito perto do loft dele. Mandei pro suporte e eles confirmaram. Fiz a reserva. Fomos buscar as malas, voltamos pro loft, fizemos o check in com a mãe do anfitrião. Voilà. Graças a Deus encontramos um bom local pra ficar. Na verdade, excelente! Valor bem acima do que estávamos gastando e tudo por conta do Airbnb. Ufa! Agora sim eu estava tranquila. Que perrengue. A tensão estava me consumindo, planos B, C e D já prontos pra serem postos em execução. Ah. No meio disso tudo a primeira anfitriã ainda me ligou? Pediu mil desculpas e fez a oferta do quarto do amigo dela. Eu disse que tinha cancelado a reserva e pedi pra ela me mandar o link do anúncio do amigo. Ela nunca mandou. Não sei qual era a treta dela... mas to feliz em ter me livrado. Nos instalamos e saímos pra passear pelo centrinho de Dijon. 18/09/2019 - quarta-feira - Dijon Acordamos hoje às 7h, Maria Inês parece que já ajustou definitivamente o seu fuso horário. Depois de uma noite calorenta, ficamos de preguiça na cama até que resolvemos levantar pra tomar banho e nos arrumar. Victor foi na frente, depois Maria Inês e eu. Enquanto eu arrumava a pequena, ele fez o ovo do café da manhã. Tentei dar mas ela não quis comer. Resolvemos sair e dar a comidinha dela no mercado onde havíamos programado tomar café da manhã. Saímos de casa já 9h. Ruas desertas, lojas e cafés fechados. Parece que saímos cedo demais! Chegando no mercado, tudo fechado! Caminhões de abastecimento estavam manobrando na área externa, mas dentro do mercado não tinha naaada. Muito vento gelado, eu e Victor escolhemos as roupas erradas. Eu morta de frio. Mas a nenem estava bem protegida com camisa de mangas compridas, jaqueta moletom e casaco corta vento por cima. Tentei colocar a capa de chuva mas ela não deixa ficar. Arranca tudo. Saindo do mercado, o estômago urrando de fome... caça a um café com mesas e cadeiras. Todos fechados, a única coisa que encontrávamos eram boulangeries (padarias), que não tem mesas e assim dificulta muito o processo de dar comida pra Maria Inês. Até que encontramos uma boulangerie com duas mesinhas pequenas. Entramos. Pedi croissant pra Maria, que antes comeu 1/3 de banana e poucas colheres de ovo. Depois comeu um pedaço de croissant. Ela anda meio sem apetite. Resolvemos pegar um trem para Beaune, tínhamos lido que era uma cidadezinha próximo a dijon interessante de se conhecer e provar excelentes vinhos. Não havia mais muito o que fazer em dijon pois já tínhamos matado quase toda a programação (sem entrar nos museus). Pegamos o trem das 10:23, chegamos 11h em Beaune. A cidade é fofa, bem arrumadinha, pequena, muitas flores, casario antigo. Todo dia de quarta tem um mercado que funciona na praça de Halles. Fomos vagando pela cidade, vimos o antigo hospício da cidade, que é um museu e tem o telhado todo pintado e trabalhado em cores primárias, mas não entramos, fomos na catedral, e depois paramos nas informações pra pegar indicação de degustação de vinhos,mas não quisemos ir. Era meio longe. Já estava na hora da Maria Inês almoçar. Entramos num restaurante que parecia bom pq estava lotado. Pedimos a formule do dia. Meio sem graça, ficamos decepcionados pois estamos na capital gastronômica da França... Valeu a pena pra dar o almoço da Maria no cadeirão, trocar a fralda e saber que Beaune não vale a pena. Voltamos no trem às 14:26. Maria estava muito tola e chorona... trocamos a fralda no Change bébé da gare de dijon e resolvemos ir pro jardin de l’arquebuse, pra ela se distrair e brincar. Passeamos, ela viu os patos, brincou no playground, fez amiguinhos, o jardim tem roseiral, laguinho, muitas árvores e flores. Tudo dourado do outono. Depois lanchou, fomos no museu de arqueologia que fica lá mesmo, e ela dormiu no pepei. Aproveitamos que ela dormia e resolvemos ir ao museu de belas artes. No caminho, parei pra comer um kebab, tem muitas lojas aqui e eu fiquei com vontade. Depois de muito andar pelas ruas de dijon, Victor descobriu que estávamos indo pro caminho oposto... andaram andaram andaram andaram... 1 hora depois finalmente chegamos no museu de belas artes. À essa altura, Maria já estava acordada, chorando pedindo pepei e eu muito cansada e sugada. Não quis entrar no museu, fomos na igreja de São Miguel que fica ao lado. Ela mamou um pouco, mas logo em seguida quis ir pro chão andar e saçaricar. Pura tolice... ela tá demais. Saindo da igreja paramos num restaurante na place de la liberacion. Quis ficar dentro e não nas mesas de fora pq venta muito em dijon e eu já estava com frio. Eram 18:30, pedimos duas taças de vinho, cadeirão e demos o jantar. Ela comeu um pouco e começou a cuspir. Cansei. Resolvi apelar pra galinha... comeu o resto do jantar e os remédios assistindo a pintadinha. A tolice e o chororô não nos deixaram aproveitar direito o passeio de hoje. Voltamos pra casa, que é bem perto, dei uma arrumada na mala pra partir amanhã, procedimentos de dormir. Amanhã vamos no trem das 9:40 para Avignon. Esperava mais da capital da Borgonha, pensei que ia tomar uns vinhos alucinantes de incríveis aqui. 19/09/2019 - quinta-feira - Dijon/Avignon Acordamos, nos arrumamos, fizemos o café da Maria e saímos rumo à estação de trem. Nos despedidos do nosso maravilhoso flat com vista pra catedral de dijon e patrocinado pelo airbnb kkkk. Eu tinha esquecido como era bom viajar pra cidade pequena... enquanto em Madri e Paris nosso dia quase não rendia nada, mesmo que em Madri tivéssemos ficado muito próximo do centro, em Paris ficamos relativamente perto também, mas as distâncias fazem o dia mais corrido, mais agitado. São muitas atrações também, vontade de ver tudo; muita foto foto foto. Quando chegamos em dijon matamos quase todas as atrações logo na chegada. Pudemos passear sem pressa, olhando a cidade com mais atenção. A quantidade de turistas também é menor, tudo menos tumultuado. Enfim muito mais agradável. Sensação de férias mesmo. Fomos com calma pra estação de trem, compramos café da manhã na Paul (croissant e quiche e café com leite) nos dirigimos pra Voie de embarque. Logo o trem chegou, nos instalamos com uma pequena confusão. Vou explicar. Na plataforma (Voie) de embarque, por mais que os assentos sejam já marcados, não tem uma fila propriamente dita pra entrar no trem. Onde a porta do trem para, a galera se acumula e vai entrando. Pra conseguir lugar pra guardar a mala temos que ser os primeiros a entrar, igual como acontece no avião e as malas de mão. Logo que o trem chegou nos posicionamos bem na porta, seríamos os primeiros a entrar. Porém depois De uns 5 minutos parado e sem abrir as portas o trem se movimentou pra frente. Ficamos pra trás.. entramos muito depois, o local de guardar malas já estava cheio e não tinha nenhum buraco que coubesse a nossa modesta mala de 25kg. Victor foi empurrado pra dentro do trem com mala e cuia pela horda de franceses e turistas que entravam. Mas ninguém passava pq o corredor é estreito. Embolou tudo. Foram passando por cima. Quando folgou, voltamos pra entrada e ficamos contemplando o bagageiro cheio. Eu havia guardado um espaço com a mochila da Maria, mas não era grande o suficiente. Resolvemos rearrumar as malas dos outros pra caber a nossa. Um bom samaritano se compadeceu de nós e ajudou o Victor a carregar o maletão pra cima do bagageiro. Tudo certo. Todos rimos no final 😂 Sentamos, tomamos nosso café com a Maria hiperativa, depois coloquei no peito e ela dormiu. Passou a viagem toda dormindo. Aleluia!! 🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽🙌🏽 Chegamos em Lyon, desce tudo, estação lotadaaaaaa, não tinha nem espaço pra andar. Paramos no starbucks pra sentar e dar lanche dela. A hora passou rápido e já estava acontecendo o embarque. Corremos pra plataforma e entramos no trem que iria pra Avignon. Maria dessa vez foi acordada mas tudo tranquilo. A viagem foi rápida. Chegamos em Avignon gare TGV. Pegamos o trem pro centro da cidade. Chegando lá, tudo pequeno e fofinho. Fomos andando pro nosso airbnb, a estação central dá direto na rua principal de Avignon que finda na place de l’horloge que por sua vez leva rapidamente ao palácio dos papas e à catedral des doms. Chegamos no airbnb, o anfitrião nos esperava lá. Graças a Deus pq o apartamento fica no 1o andar, e a escada era em caracol super estreita e sem corrimão. 💀 Ele subiu com o nosso maletão, eu com a malinha (MI) e o Victor com o carrinho. O apto é pequeno, um cômodo só com sofá cama, pia, fogão, frigobar, e o banheiro. Muito funcional e até confortável, exceto pelo colchão que me deu dor nas costas. Mas tinha todas as amenidades necessárias. Deixamos as coisas, demos o almoço da Maria, e depois ela dormiu. Saímos com ela dormindo. Fomos direto pro palácio dos papas. Pegamos o pior caminho (obrigada Google maps 🙄). Uma rua toda de pedras muito difícil de andar com o carrinho. Ruelas muito estreitas, com turistas. Parece que de qualquer canto da cidade dá pra avistar o palácio dos papas. É um muro enorme desproporcional ao tamanho das ruelas. E MI seguia dormindo. Chegamos na praça, fotos fotos fotos depois ela acordou, mais fotos. Muitos turistas ali. Entramos no palácio às 17h. Ele fechava às 18h. Victor fará a descrição do local. Saímos e fomos pra catedral des doms que fica ao lado. Ela já estava fechada então continuamos o passeio pela escadaria da catedral que dá acesso ao morro des doms. Uma rampa leva até o topo de uma colina que tem uma vista linda da cidade, do Rio Rhone, e da ponte de Avignon. Maria tava muito enjoada e tola. Não conseguimos tirar Foto dela. Lá em cima também tem um lago com patinhos, cisnes eum café. Maria se distraiu com os patos. O sol estava lindo e o céu limpo. Demos sorte, pois no dia seguinte estava tudo nublado e a paisagem não tava bonita. Descemos e paramos no restaurante l’epicerie para jantar. O restaurante fica numa de muitas pracinhas que têm em Avignon, na frente da basílica de São Pedro. Maria não comeu direito, acho que já estava com sono. Como estava quente e sem vento, sentamos numa mesa exterior. Comemos rápido e fomos embora. Paramos no supermercado, que ficava tbm bem próximo de casa. Chegamos no apto, coloquei ela pra dormir e dormimos tbm. Deixamos pra cozinhar no dia seguinte. Como não conhecíamos a cidade, estávamos meio confusos e perdendo muito tempo olhando o gps. Depois percebemos que não tinha muito mistério a cidade e tudo era realmente muito próximo. 20/09/2019 - sexta - Avignon Acordamos, eu com dor nas costas, banho e papai foi fazer a comida. Arrumei a nenem, dei café da manhã. Saímos tarde, com ela dormindo. Seguimos pro Petit palais, museu ao lado do palácio do papas. Fomos por outro caminho mirabolante do Google maps kkkkkkkk. Aff. Mas serviu pra conhecer toda a cidade. Acabou que “buiamos” à beira do rhones e com uma vista pra ponte de Avignon. Fotos. Continuamos seguindo o mapa até o palácio. A entrada era gratuita uhul visitamos o museu que tinha pinturas italianas e renascentistas, de boticelli e algumas obras que ganharam do louvre, esculturas medievais, arquitetura romana. Era pequeno e um andar estava fechado. Depois voltamos pra praça do horologio, paramos num restaurante pra dar o almoço da nenem e tomar um vinho com queijos, fazer hora pra esperar o museu calvet abrir de novo (os museus fecham 13h e abrem as 14h). A praça do horologio tem muitos restaurantes e árvores, as mesas ficam no centro da praça cobertas por guarda sois e a sombra das árvores. Seguimos pro museu. Lá tinha brughel e bosch, uma salinha com 3 tumbas egípcias (o resto estava fechado), pinturas italianas e francesas, e até arte moderna. Saindo do museu pegamos um caminho pra sorveteria amorino, e descobrimos a 25 de março de Avignon. Kkkk La Braderie é um festival de liquidação de todas as lojas de Avignon, que colocam os produtos na calçada e dão descontos de até 80%. Voltamos pra catedral des doms, pra visitar por dentro. Achei super sem graça lá dentro. Não valeu a pena voltar pra lá. A nave principal é toda em branco e tem um altar redondo com poucos detalhes. Parece uma igreja anglicana. Saímos de lá e fomos atrás de um restaurante que estava marcado no planejamento. Chegando lá não gostamos, fomos procurar outro. Topamos com um restaurante corsa (da Córsega). Pedimos uma lasanha de brócolis e espinafre e um prato que era tipo um escondidinho de carne e salsicha de porco corsa. Acabou que a comida veio maravilhosa! O vinho era muito bom também. Demos comida pra Maria e comemos também. Ficamos pesquisando sobre a Córsega e descobrimos que é uma ilha que faz parte da França, e lá tem um movimento separatista e nacionalista. A decoração era toda referente à Córsega, cerveja Córsega, a charcuterie toda Córsega. E tinha cartazes de protesto contra a prisão de um revolucionário Corsa, que foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato do prefeito da Córsega. Nos demos conta que estávamos num restaurante nacionalista corsa, que provavelmente é lavagem de dinheiro do movimento revolucionário, já que só aceitam pagamento em espécie. Kkkkkkkkkkkk Chegamos em casa cedo, fizemos a comida, fechamos a mala, demos banho e colocamos a nenem pra dormir. Dormimos. Cansados! No dia seguinte partiríamos às 9:40 para Nice. 21/09/2019 - Avignon / Nice Saímos 8:40 de casa pra pegar o trem para Nice. Ainda não tínhamos comprado as passagens. O percurso pra gare de Avignon centre é curto, chegamos, compramos o bilhete na máquina, pois já estamos habituados. Compramos um café e croissants, e fomos pra plataforma de embarque. O trem chegou, entramos logo pra ter onde colocar as malas e pegar um bom lugar. Como íamos de TER, não há lugares marcados. Tudo tranquilo. Maria dormiu. Chegando em marseille ela acordou. Descemos pra fazer a conexão pra Nice. Paramos num café da gare pra dar lanche pra Maria. Logo em seguida fomos em busca de um banheiro pra troca-lá. A gare de marseille estava apinhada de gente, muito difícil transitar. É só tem um único banheiro. Estava lotado, inclusive o trocador de bebês. desistimos, fomos logo pro trem, pois apesar de ainda faltar 15 minutos pra partida, achei melhor ir logo. Chegando lá quase não tinham mais assentos “bons” mas conseguimos pegar um mais espaçoso. Trocamos fralda de cocô 💩 no banco do trem. Maria estava agitada, danada... ficou tirando o sapato, sentando levantando, chorando, querendo pegar no lixo, querendo fazer tudo o que não podia. Foi uma longa viagem (2:40) até Nice. No caminho, o trem passa varias vezes pela beira do oceano e a vista é bonita. Porém estava nublado. Chegando em Nice, saímos da gare em busca do ponto de ônibus. Rodamos um pouco depois parei no office de turisme. Descobri que o ônibus que queríamos pegar não existe mais. A estação d tram era a 10 minutos a pé. O apto ficava a30 minutos a pé Estava choviscando... decidimos pegar táxi. 15 euros até o airbnb. Chegamos e o anfitrião estava fazendo a faxina. Deixamos as malas e fomos procurar o que comer, e aproveitar pra passear na promenade des anglais. A avenida, que fica à beira mar, tem um calçadão espaçoso, duas vias para carros, ciclofaixa compartilhada com pedestres, e prédios neoclássicos. A cor do mar é impressionante... azul turquesa, mesmo com o céu nublado! Ficamos boquiabertos e caiu a ficha: estamos na côte d’azur! Muitos turistas também passeavam pela orla. Maria Inês, porém, estava tola e chorona, mas tinha que ficar dentro do carrinho por causa do chuvisco. Resolvemos entrar logo num restaurante qualquer, já que os “nossos” eram distante. Paramos no le cocodile, numa mesa com vista pro mar. Pedimos ostras e uma massa com frutos do mar. A massa não estava al dente, mas o sabor era bom. As ostras estavam boas, eu acho, não comi, só o Victor. Tomamos um vinho branco honesto. Maria continuava danada. Colocamos na galinha pra ela sossegar um pouco. Após comer, fomos ao supermercado e voltamos cedo pra casa. Ela jantou e 19;15 já foi dormir. Aproveitamos que estava cedo e descansados, fizemos a comida do dia seguinte, arrumei um pouco a mala, coloquei duas levas de roupa na máquina de lavar e estendi, arrumamos o apto. Fizemos seleção de fotos e dormirmos. A previsão do tempo no dia seguinte era chuva... 22/09/2019 - domingo - Nice Acordamos antes das 7:00, tomamos banho. Maria acordou só 8:00. Tomei café em casa, enquanto Victor dava a comida da nenem. Colocamos o macarrão e o brócolis no fogo. Ontem fizemos só picadinho. O airbnb é muito completo, parece que estamos em casa. Tem tudo! Nos arrumamos, pegamos comida e lanche, saímos 9:20 pra missa das 10h. Estava choviscando. Aff!!!!! Colocamos a capa de chuva no carrinho, ela odiou. Foi chorando no caminho todo. Eu com o paninho da mamãe na cabeça e um casaquinho. Andamos pela promenade des anglais até a igreja, que fica na Vielle Nice, uns 30 minutos. Mesmo com chuva, muitos turistas na rua, e muitos corredores fazendo corrida. Uns franceses bem magrelos e já na 3a idade, correndo na chuva kkkk casais de gordinhos. Casais judeus. Jovens. Todos correndo na chuva. O mar continuava azul turquesa. Ficamos besta de ver um pessoal tomando banho de praia, 9 da manhã com chuva 😂 mais à frente, estava tendo era uma competição municipal de natação, e haja francês nadando!! A chuva aumentou, andamos mais rápido ainda até que chegamos na igreja. Pensei que a Maria fosse dormir, mas nada. Passsou a missa toda perambulando e fazendo danação. No final da missa trocamos a fralda no banco da igreja pois estava feita cocô. Depois dei peito pra ver se dormia. Enquanto isso as luzes iam apagando mas algumas pessoas ainda estavam dentro da igreja. Entendi que a igreja ia fechar mas não me apressei pq ainda tinha gente. Eu queria fazer a Maria dormir e sair de lá com ela na adormecida, procurar um restaurante com calma, pra nos abrigarmos da chuva e dar o almoço. Uma velhota francesa me abordou dizendo que tínhamos que sair. Que ali não era berçário pra dar de mamar. 😡 Eu respondi “Pardon, mais ici c’est la maison de Dieu”. Continuei dando mamar, e sem pressa arrumei as coisas pra sairmos. Fiquei mt aborrecida. Saímos de lá com Maria berrando por estar presa no carrinho. Todos os restaurantes que havíamos selecionado no planejamento estavam fechados. Só abrem segunda ou terça. E os que estavam “abertos” , só abriam mesmo 12h. Que cidade estranha!!!!! Tamanho domingo e tudo fechado! Cidade lotada de turistas! Eu hein! Entramos na catedral, que era perto, dei mamar, nenem dormiu, procuramos com calma um resto no Google. Selecionamos um que dizia estar aberto. Chegando lá, fechado. Decidimos procurar pela rua mesmo. A Nice velha é muito fofa, ruelas estreitas quase todas de pedestres, casas , janelas e portas antigas, coloridinhas de cores pastel e algumas janelas mais forte. Muitas lojas e cafés e restaurantes, mas ficamos receosos de cair em armadilha pra turistas. Aqui claramente se vê a transição entre a França e a Itália. Tem muito da Itália, nos restaurantes principalmente. Paramos no Chez Theresa, pensávamos que era restaurante mas era lanchonete. Comemos aquela pizza de cebola e fomos pra outro. Escolhemos um que tinha boa avaliação no Google. Lá, o atendimento foi estranho e a comida sem graça e cara. a sensação de desapontamento aumentou ainda mais. Dia chuvoso, comida sem graça... Continuava chovendo, fomos pro museu massena. No caminho, passamos pelo jardim de albertier 1e, meio feioso e sem graça também. No museu A entrada era grátis HOJE em razão da Journée du patrimoine. Pelo menos isso. Acervo sem graça, nada demais. Os museus de avignon eram melhores. Saímos do museu e paramos num café pra dar lanche pra nenem. O café também meio ruim. Kkkk. Que zica! Decidimos ir em outro museu pois ainda chovia. No caminho, pela promenade des anglais, parou de chover e ficamos admirando a praia. Descemos, tiramos foto. Desistimos do museu. Passeamos, passeamos. Resolvemos parar num restaurante pra dar o jantar da nenem e tomar um vinho. Já estávamos perto de casa e paramos em um outro rest qualquer, pega turista, mas na beira mar. Quando entramos, o garçom anfipático nos deu uma mesa ruim. Pedi outra mesa, com vista pro mar. Ele negou e virou as costas. Agradeci e disse que o serviço ali era ruim, fomos embora. Eu hein. Andando pra casa, todos os bares e restaurantes estavam fechados. Chegamos cedo de novo, demos janta, nenem dormiu.. Espero que amanhã a zica vá embora, o sol saia, as nuvens Vão embora e consigamos comer uma comida gostosa em Nice!!! 23/09/2019 - segunda-feira - Nice Acordamos empolgados com o sol!! Nos arrumamos e saímos, sem tanta pressa pois o dia amanheceu um pouco nublado e o sol iria sair só após as 10h. Paramos no supermercado e num café pois mamãe wendy teve um “imprevisto feminino”. Chegamos na promenade des anglais... que lindo!!!! O mar estava ainda mais lindo com o sol!!! 😍😍😍 Paramos e tiramos muuuitas fotos. Depois descemos pra praia e maaais fotos. Mamãe e papai tiraram os sapatos e foram colocar os pés no mar mediterraneo. Água geladinha. As pedras da praia de Nice doem nos pés, Victor não curtiu essa parte. As pedras de mosqueiro são fichinha perto delas kkkkk pois em mosqueiro são alguns aglomerados de pedras, já em Nice é uma praia toda de pedras. Seguimos o passeio pela promenade rumo ao elevador do castelo, um elevador que leva ao topo de uma colina, mas o sol já estava quente demais. Entramos na old Nice pra caminhar à sombra. Pelo caminho, passamos pelo cours de saleya, uma espécie de feirinha ao ar livre. Restaurantes de um lado e de outro com lagostas, peixes e caranguejos expostos em aquários. Mas tinha cara de pega-turista. Aliás, deles tinham muitos. Maria dormiu sozinha sentada no carrinho. Fato inédito, e único, nunca mais aconteceu 😂 Chegando no elevador, subimos. A vista de lá é linda!!! Maaais fotos. Do mirante, avistamos toda a old Nice,igrejas, a promenade des anglais, até o hotel negresco. Demos uma volta pela colina; que tem árvores e um parque é um café no centro. Como Maria dormia, não brincou no parquinho. De lá de cima, em outro mirante, admiramos também o porto de Nice. Embarcações pequenas atracadas e cruzeiros mais distante, no mar. Descemos e já era hora do almoço. Ficamos em dúvida se entrávamos em um dos restaurantes do cours de Saleya ou se íamos para outro, marcado previamente nas nossas pesquisas. Hesitamos e eu decidi ir pra outro. Escolhemos certo. Fomos bater num restaurante italiano embrenhado pelas ruelas da old Nice. Comemos um spaguetti com camarão delicioso. Maria almoçou também. Saindo do restaurante, ficamos na indecisão sobre o que fazer no resto do dia. Ir a Mônaco? Ou villefranche-sur-mer? Ou um passeio de barco? O passeio era 18 euros por pessoa, Mônaco não estava nos empolgando muito... decidimos ir a villefranche, que tinha praia de areia. Colocamos o caminho no Google. Pegamos um ônibus e 20 minutos descemos numa parada no meio do nada kkkkkkkj Gente, o Google dá os piores caminhos. E olha que sou macaca-velha de Google. Eu tinha percebido que era cilada, mas deixei o Victor liderar. Ele anda estressadinho e não quis contrariá-lo. Fomos seguindo o caminho esquisito do Google. Entramos na propriedade do que parecia ser um hotel, uma estradinha de ladeira pequena que ia fazendo zigue-zague até a praia. Nenhuma viva alma... só nós. Fomos descendo até que chegamos no estacionamento da praia, que tinha umas mesas de piquenique. A praia logo abaixo, seguia a orla até uns prédios e o centro, estação de trem, mais afastados. Sentamos numa mesa sob as árvores, aproveitamos a brisa, a vista, e dei o lanche da Maria. Uvas. Caminhamos até chegarmos à parte principal da praia. Entramos num restaurante que ficava na faixa de areia, pra sentar e tomar um vinho olhando o mar. Tirei o sapato e levei a Maria pra pisar na areia e na água. Ela estava assustada com as ondas, chorou mas depois se acostumou. Tiramos fotos. Já era hora de voltar pra casa. Subimos uma escada e uma ladeira para chegar na estação de villefranche compramos o bilhete de trem, ficamos perdidos sem saber onde era a plataforma, se do lado direito ou esquerdo. Não tem placas, não tem funcionários. Fui perguntando e encontrei. Sentamos pra esperar o trem. Até que foi anunciado que o próximo trem tinha sido cancelado. O seguinte era dali a 15 minutos. Ok, esperamos. Quando o trem passou, estava lotadissimo. Apinhado de gente, muita gente. Turistas e franceses. Gente com aquele CECE azedo. Putz. Maria dormia no meu colo. Me espremi por la, sentei no degrau do trem. Ainda bem que a viagem era rápida. Chegamos em Nice na estação central, compramos logo a passagem pra Gênova. Saída às 8:01. Caminhamos até a promenade des anglais, paramos no hard rock café. Pedimos duas entradas, um camarão e um trio de mini hambúrgueres. Victor pediu errado os sabores do meu hambúrguer e vieram super apimentados. Pense numa mulher com raiva 🙄 Maria jantou na cadeirinha. Apreciamos o por do sol em Nice. Saímos do hardrock após detonar o tradicional brownie com sorvete. Chegamos em casa, arrumamos as coisas e dormimos. 24/09/2019 - Nice-Genova -Milão Acordamos 6h com despertador. Victor estava nervoso pois o trem sairia às 8:01 para Gênova, tínhamos que sair antes das 7h, e não sabíamos direito se íamos de ônibus, Taxi, Uber ou a pé. Mas eu já tinha pesquisado números de telefone de táxis em Nice pra pedir. Sabia que a pé não ia dar certo... íamos demorar muito e cansar muito. Ônibus também não tinha por perto. Ele tomou banho, depois eu, Maria já acordada. Fechamos a mala, tiramos o último lixo, guardamos a louça da noite anterior, tiramos a roupa de cama e banho - tudo orientações do anfitrião do airbnb. Telefonei pro Taxi (em francês, cof cof), que chegou em 5 minutos. Coloquei um casaco e sapatos na Maria, deixamos a chave de casa na mesa e fechamos a porta... não deu tempo de fazer revisão minuciosa. Espero não ter esquecido nada. O táxi já estava aguardando lá embaixo. Um rapaz simpático, conversou conosco perguntamos de onde vínhamos, e depois elogiou meu francês e perguntou onde eu havia aprendido. Cof cof. Descemos na gare de nice ville, fomos checar a televisão que dá as informações dos trens. Tudo ok. Nos acalmamos e fomos nos despedir da França tomando um café crème et croissants na Paul. Normalmente preferimos patisseries locais e artesanais, mas a paul tem o melhor croissant de todos. E olha que eu testei vários, comi croissant todo dia. Logo deu 7:30, a plataforma de embarque já estava disponível. Corremos pra lá, pra garantir lugar pra mala. Embarcamos. Maria Inês ficou espoletando entre as cadeiras, e nós abestados com a paisagem. A viagem inteira foi margeando o mar Mediterrâneo. Foi lindo! De vez em quando entrávamos num túnel ou passávamos por alguma cidade, mas a maior parte do trajeto foi na beira mar. Vimos praias, prainhas, casas bem defronte pro mar, pescadores. Très belle la côte d’azur!!!!! No trem os anúncios eram feitos em francês e em italiano. Acompanhamos pelo Google maps nossa localização, depois de cruzar a fronteira França - Itália, os avisos passaram a ser em italiano e depois francês. Maria cochilou 40 minutos, e logo acordou. Ainda no trem percebi que as mulheres italianas são mais “presença”. Não lembro de, na França, alguma mulher ter chamado minha atenção. No trem, as italianas não passaram despercebidas. Postura, trajes, cabelos, Acessorios. Elas são belas e imponentes! Resolvi me aprumar mais pra não ficar “por baixo”. Coloquei meu óculos escuro e arrumei o cabelo. Victor colocou a camisa pra dentro da calça. Maria tirou o pijama e trocou de roupa. Chegamos em Gênova com atraso de 20 minutos - coisa que nunca aconteceu na França. Guardamos a mala e saímos da estação passeando pela beira mar/zona portuária de Gênova. Os prédios e construções antigas, muitos camelôs na rua, estávamos numa parte meio esquisita da cidade. Meio suja e desleixada, muita gente estranha na rua. Logo chegamos no Porto Antico, passamos defronte ao aquário de Gênova. Entramos no centro histórico, encontramos uma igrejinha que o Victor visitou e eu não pois tinha uma escadaria e não quisemos fechar o carrinho. O restaurante era em próximo e tinha acabado de abrir. O menu dava direito a 2 pratos, vinho e água. Pedimos: massa ao molho pesto, massa com um camarão estranho italiano, um hambúrguer de peixe com salada e salada de lulas. O pesto estava muito bom, super suave e delicado. A massa de “camarão” também estava gostosa, Com bastante alho e azeite. Victor não curtiu muito. Os outros dois pratos eram sem graça, poderia ter ficado sem. Maria almoçou sua comidinha. Saindo do restaurante voltamos pela rua paralela à beira mar, pela sombra. Ainda na região Porto, varios boxes com lojinhas de comércio informal. O aspecto de sujeira e falta de segurança permaneciam. Nada disso vimos na França. Continuamos o caminho de volta pra estação de trem caçando um gelato e uma focacia. Na rua que pegamos tinham vários departamentos da universidade de Gênova. Vários prédios diferentes, antigos, um ao lado do outro, todos pertencentes à universidade. Passamos pelo campus de ciências sociais, departamento de direito público e processual e de jurisprudência, dentre outros. Encontramos o gelato e a foccacia de queijo recco no HB. Ambos deliciosos. Pedi gelato de 3 chocolates e de baunilha com cookies 😁 Chegamos na estação de trem às 14:50. Compramos o bilhete pra Milão no trem das 14:19, que estava 5 minutos atrasado. Fomos buscar a mala que estava no locker... quando chegamos lá, o local estava fechado!! Bateu o frio na barriga. Por sorte tinham polizeis no meio da estação. Fui na mesma hora falar com eles, pois não tinha informação turística na estação. Expliquei o ocorrido. Destacamos toda a brigada policial - 3 polícias e 2 das forças armadas. Chegando no local, já estava aberto. “Fumare!” A polizei me explicou. Ah tá!! O responsável pelo bagageiro tinha saído pra fumar.😬🤷🏽‍♀️ Resgatamos a mala, peruamos pela estação até encontrar o caminho pra plataforma, e o trem já 15 minutos atrasado. Depois mais atrasos e de 14:19 saímos apenas 14:40. Muita gente viajando pra Milão, o trem está lotado. Maria fez popô... depois de nos instalarmos nos assentos, trocamos a fralda no banco do trem. Coitado do chinês que viaja do nosso lado. Já passamos do Piemonte. As paisagens foram de Campos verdes e montanhas ao fundo. 26/09/2019 - quinta-feira - Milão Acordamos 7:15, com a Maria Inês. Ficamos de chamego na cama depois papai tomou coragem e foi pro banho. Mamãe Wendy levantou com a nenem e foi preparar o café da manhã. Tomamos café, nos arrumamos, e saímos. Colocamos o pé pra fora e surpresa. O que é isso? Chuva? Nublado? Era neblina. Olhei no Google pra confirmar. O dia estava todo fechado, mas não chovia. Ufa! Victor adorou. Estava gostoso, nem calor nem frio. 18 graus. Nossa primeira parada era bem próximo de casa. Castelo Sforzesco, primeiro o parque, depois o museu. O parque é meio sem graça, não tem nada demais. Algumas árvores, um lago bereré e sujo com uns patinhos, poucas flores. Mas chamou atenção o forte perfume que vinha delas. Acho que são primas do jasmim. Íamos caminhando entre elas e o aroma era perceptível. Entramos no castelo, compramos o bilhete sem filas, mas já era mais de 10h, então antes de ver o museu sentamos no café pra dar a merenda da nenem e tomar um capucco. Maria comeu uma tangerina inteira mais um pedaço de croissant do papai. Após o lanche, ficamos peruando parece lesos procurando a entrada do museu. Pergunta de lá e de cá, os italianos dando informações estranhas e nós sem saber italiano pior ainda. Até que descobrimos e começamos a visita. Maria mamou e dormiu logo no início. O museu também é sem graça... tem peças decorativas de igrejas antigas tipo colunas, esculturas, tapeçarias. A melhor parte é a sala del asse, uma sala que foi toda pintada de afrescos por Leonardo da Vinci. Ele morou em Milão, no ducado de Ludovico, il Moro. Foi contratado pelo duque pra fazer a decoração do castelo. Dentre outros trabalhos que ele fez, esse foi o mais importante. Ele começou a pintar a sala, mas a invasão do exército francês o interrompeu, ele foi embora e ficou inacabado. Os soldados passaram uma camada de um tipo de tinta branca por cima de tudo. Em 1860, aproximadamente, o afresco foi descoberto. Um artista foi chamado pra fazer o restauro. Já nos anos 1970, decidiram retirar o restauro, a camada de tinta branca, pra tentar alcançar o afresco original. Em 2013 passou por novo tratamento. O museu fez um vídeo interativo muito interessante pra explicar tudo isso. Terminamos a visita e seguimos pro 1o andar, para a pinacoteca. Também sem graça. Tinha uma exposição de móveis bereré também. Saímos do castelo umas 12:30, seguimos pra basílica de Santo Ambrosio, onde se encontra o corpo inicorrupto do santo. No caminho, procurávamos um café pra sentarmos e dar o almoço da Maria. Todos os pequenos restaurantes que encontrávamos estavam com filas e muito lotados. Estávamos numa área comercial, tinham muitos italianos de terno e gravata saindo pra almoçar. Paramos num café restaurante pequeno também com fila, mas com mesas lá dentro. Fechamos o carrinho, sentamos na minúscula mesa e eu fiquei na fila pra pedir. Pedimos dois pedaços de uma pizza quadrada. O italiano que aparentava ser o dono do estabelecimento fez sinal para eu me sentar e sair da fila, mandou eu pedir pro “ragazzo”. Me sentei, tirei as comidas da Maria e fui pro balcão esperar uma oportunidade, no meio da confusão, pra pedir que esquentasse no microondas. Ele me mandou sentar e esperar. Kkk fiquei em pé, sem entender direito o que ele dizia. Mas continuei em pé no balcão. Esperei pacientemente. desafogou um pouco, ele me deu um prato e esquentou o almoço da nenem. E nada do nosso pedido. Esperamos muito, até que o ragazzo (um garçom ) veio na nossa mesa, reiterei o pedido. Demorou mais ainda. Até que a comida chegou. Maria estava quase terminando de almoçar. Pelo que entendi, ele atende primeiro os pedidos pra levar e depois os pedidos nas mesas. 🤷🏽‍♀️ Saímos daquela confusão, chegamos na basílica, visitamos. Vi o esqueleto do santo! 💀 Voltamos pelo mesmo caminho e paramos em outra igreja, uma meio despintada, mas que é considerada a capela sistina de Milão. Muito bonita mesmo. Toda pintada com afrescos. De lá fomos pro cenáculo, não tínhamos ingresso (tentei comprar pelo telefone, ainda do Brasil, e nunca consegui. Não sei qual o macete pra conseguir esses ingressos, eles esgotam muito rápido) nem conseguimos comprar na hora. Não entramos. Visitamos a igreja ao lado, que tem uma obra do caravaggio. Li que naquele local originalmente tinha uma obra de tiziano, roubada e que hoje está no louvre. Fiquei me perguntando se não há nenhuma regra, acordo ou ética internacional sobre esses roubos, porque continuam nos museus em vez de serem devolvidos pros donos originais? Tentamos visitar a casa do Leonardo mas também estava com ingressos esgotados. Ficamos meio triste. Eram 16:40, Maria dormiu. Andamos de volta pra casa na esperança de parar num restaurante e tomar uma taça de vinho. Os outros pontos turísticos de interesse eram muito afastados e queríamos chegar cedo em casa pois amanhã é dia de deslocamento. Nos perdemos e quando nos achamos já tínhamos desistido do vinho. Viemos direto pra casa. Jantar, banho, arrumar mala, dormir. Amanhã vamos pra Veneza no trem das 8h. 27/09/2019 - sexta-feira - Milão / Veneza Acordamos atrasados. Em vez de 6h, só despertamos 7h. Tomamos banho apressados, guardamos pijama e necessaire, colocamos o sapato na pequena e saímos pra stazione Milano Centrale. Chegamos lá 8:36. O trem que queríamos pegar saiu 8:25. Tudo bem, ele custava só 20 euros mas levava 4 horas pra chegar em Veneza. Pagamos mais caro no trem das 9:45, o Frecciarossa que leva 2:26 pra fazer o mesmo trajeto. Enquanto esperávamos, tomamos café na estação. Capuccino e croissants. Maria comeu abacate, croissant e quis tomar capuccino conosco. Agora ela quer comer tudo o que comemos. Gelato, capuccino, massa. Tudo o que ela vê a gente comendo, abre a boca também pedindo pra comer. Daí a explicação daquela foto de boca aberta e o gelato. Assim que a plataforma foi informada, levantamos acampamento e seguimos pro embarque. No trem, estávamos em cadeiras separadas. Creio que por termos comprado a passagem em cima da hora, sobraram só lugares distantes um do outro. Pedi pro passageiro que ia ao lado do Victor pra trocar de lugar comigo. Ele disse não. Fiquei com raiva e comecei a bolar planos de vingança👿 Levantei da minha cadeira com a Maria e levei pra trocar, no colo do Victor. Infelizmente não tinha popô. Na fileira ao lado, uma família com uma filha e um filho, de 6 e 4 anos respectivamente. Maria, que adora fazer amigos, se animou e foi interagir. Fiquei em pé com ela, conversando com os pais e as crianças. A mãe, Eleonora, é tradutora italiano -inglês/russo. O pai Michele acho que é jornalista. As crianças, Niccolo Roberto e Martina. São de Bira, no sul da Itália. Martina adorou a nenem e ficou brincando com ela. No final, já estava protegendo a cabecinha da quina da mesa, dizendo “não” quando ela ia pegar algo do chão, levando pra passear e trazendo de volta kkkkk Eles iam pra um parque de diversões estilo Disney, que tem aqui próximo a Verona. No final, a despedida foi longa. Muitos “ciaos”, praccere em conhecere, beijos e abraços, e mais ciaos. Convites para ir a Bira e a Belem. Nossos amigos foram embora, Maria continuava elétrica. Resolvi colocar o iPad com galinha pintadinha. Troquei de lugar com o Victor, e sentei ao lado do italiano insensível que não quis trocar de lugar. Pelo que percebi, ele estava se preparando pra uma apresentação de power point, pois vi as impressões dos slides e ele lia e relia e falava sozinho. Coloquei a galinha pintadinha num volume baixo, pra quem estava longe. Ele começou a falar em voz alta e repetir as coisas pra si mesmo, como se esforçando pra manter a concentração. Ri sozinha. Minha vingança havia se completado. HUA HUA HUA. 😈 30 minutos depois, nenem se enjoou do iPad. Mamou e dormiu. Chegamos em Veneza, ela se acordou na saída do trem. Logo pegamos o trem seguinte para Spinea, cidade vizinha a mestre, onde estamos hospedados. A casa fica logo atrás da estação de trem. Quando descemos, pegamos o caminho errado e demos uma volta desnecessária. O Google da o endereço errado, o que eu já sabia. Ficamos vagando em busca do N. 33, até que achamos, de fato, atrás da estação. Percebemos que tínhamos andado demais, sem necessidade. Kkk A casa estava toda fechada, com correspondência acumulada na caixa de correio. Eu estou sem créditos no celular, sem internet. Tentei telefonar para a anfitriã mas escutei uma mensagem em Itáliano, não entendi o que dizia. Presumi que era uma mensagem avisando da falta de créditos e que a ligação não havia sido completada. Fiquei tentando decidir o que fazer, bolar os planos B, C e D... Um senhor de bicicleta chegou na casa ao lado, então o abordei perguntando se conhecia a pessoa que morava ali na casa 33. Ele não falava um pingo de inglês. Disse que o portão da garagem ficava sempre aberto, e que era estranho estar fechado. Perguntei se era a “Donna” Sonia que morava Ali; ele disse que sim. Me perguntou se eu havia telefonado, eu tentei explicar que meu telefone não funcionava. Ele pediu o numero, ia ligar do celular dele. Nessa hora, a tal Sonia me liga dizendo que chegaria em 5 a 10 minutos. Ufa!! Já estava tensa. Uns 15 a 20 minutos depois ela chegou, abriu a casa. O check in estava marcado pras 15h, e ainda eram 12:45. O quarto estava ainda desarrumado, outros hóspedes haviam desocupado recentemente. Ela disse que ia preparar o quarto, e que era pra esperarmos na sala. Deixei nossas tralhas no quarto, demos o almoço da Maria, trocamos fralda, e saímos no trem das 14:14. Nessa estação, spinea, o trem passa sempre aos 14 e aos 41 minutos de cada hora. Chegamos em Veneza, linda! Fomos logo tirando fotos, depois seguimos pro restaurante antico Gaffaro, onde jantamos também na nossa chegada em Veneza, em 2016. Fizemos o mesmo trajeto, vimos os mesmos locais e ficamos lembrando da nossa chegada em 2016, a noite, -2ºC. Achamos o restaurante, sentamos e pedimos a comida. Eu estava urrando de fome. Pedi carbonara e Victor, amatriciana. Maria novamente mostrou interesse na comida, bem enfaticamente na verdade, ela praticamente exigia comer também. Eu comia uma garfada e dava uma outra pra ela. Nos deliciamos num dos melhores almoços da viagem. Pedimos meio litro de prosecco da casa. Aproveitei pra dar o lanche da Maria, pois já eram 15:30. Saímos do restaurante de alma leve... Veneza está lotada, apinhada de turistas. Fomos caminhando com dificuldade pelas ruelas, em direção à praça de São Marcos. Tomamos gelato, o qual também foi dividido com a Maria Inês, que abria a boca e só fechava quando colocávamos a colher suja de sorvete na boca dela. “Uma pra mamãe, uma pro papai, uma pra nenem”. Tive que me esconder com o sorvete pra ela não pedir mais. Andamos, andamos, andamos até a praça. Chegando lá, mais turistas. Dificuldade em tirar fotos, de tanta gente. Fotos fotos fotos, Maria andou, perseguiu os pombos, caiu, levantou, chorou, fez popô. Fomos em busca do banheiro público pra trocá-la. Chegando lá, era pago, 1,50 euros. Não quis pagar, trocamos no carrinho mesmo. Dei peito e ela dormiu. Fomos em busca de um bar a vins. Encontramos, mas estava aberto só para jantar. Desistimos. Já eram 18:00, decidimos voltar pra estação Santa Lúcia e ir pra casa. Andamos de volta, desviando de turistas, chinas etc. paramos no supermercado, não tinha frango nem picadinho, nada de carne. Não encontramos outro super. Chegamos em Santa Lúcia as 19:15. Pegamos o trem das 19:40. Dei o jantar da nenem dentro do trem. Chegamos em casa, procedimentos de banho e dormir. Eu estava muito cansada da maratona. Pra passear com a Maria, temos que carregar o carrinho em todas as pontes. Minha mão ficou cheia de Calos e eu cansei demais. Não gostei... no dia seguinte vou levar o canguru. Os turistas são chatos, me incomoda demais. Em dezembro de 2016 a cidade estava vazia, transitável, apesar do frio de rachar. Agora é turista pra todo lado, eles são mal educados, não tem sensibilidade com os bebês nem com as famílias. 28/09/2019 - sábado - Veneza Hoje nosso dia começou todo enrolado, saímos atrasados de casa porque nos enrolamos fazendo a comida da nenem, o trem atrasou, enfrentramos uma fila enorme pra pegar o vaporeto pra Murano, com direito a “barraco” que quase chegou às vias de fato com um turista que, tentando atravessar a fila do vaporeto que cruzava toda a calçada, se aborreceu e empurrou o carrinho da neném (no sentido contrário ao das rodas, ou seja, com real risco de tê-lo derrubado com a criança sentada nele). Saí esbravejando atrás do cara, e tive que ser contida por outros turistas. Victor ficou parado na fila, segurando o carrinho e achando graça. Fiquei ensandecia e tremia de raiva.Enfim. Chegando em Murano, nos perdemos um do outro, depois nos encontramos, e andamos muito tempo pra encontrar a estação do vaporeto pra Burano, e quando encontramos, adivinha? Uma fila ainda maior. Depois de tanta tensão, seja pelo barraco com o velho, seja por ter me perdido do Victor, tudo isso sob um sol de lascar: Desistimos... voltamos tuuudo de novo pra Veneza. Chegamos exaustos e com a sensação de um dia perdido. Fomos almoçar no Chat Qui Rit, um bistrot sofisticado, caro, bom atendimento, comida conceitual, pouca, até gostosa mas não me convenceu. Mais sensação de derrota. Após o almoço, ainda no restaurante, eu decidi trocar a fralda da Maria Inês. Descobri que havia esquecido de colocar fraldas descartáveis na mochila. Desespero bateu de leve… Comecei a procurar uma farmácia por perto. Por providência divina, havia uma farmácia a 1 minuto de distância. Fui, comprei um pacote de fraldas quanse chorando de felicidade. Em Veneza tudo é distante, com muitos turistas, difícil de transitar. Já estava imaginando ter que andar muito pra encontrar essa fralda, e depois retornar ao restaurante, o transtorno que seria.. Veneza apinhada de gente, difícil de transitar entre os turistas, ainda mais com carrinho de bebê. Eu estava cansada, suada, com calor, insatisfeita com o dia e questionando minha escolha de vir a Veneza. Logo eu, que amo tanto a cidade... Decidimos levar a bebê pra brincar no giardino, andamos bastante, graças a Deus as pontes da margem a partir de St. Market têm rampas. Quando chegamos no jardim a bebê já tinha dormido. Ficamos descansando. Decidimos tomar uns drinks em alguma osteria pelo caminho. Estávamos, à essa altura, no bairro de Castello. A quantidade de turistas já havia diminuído significativamente 🙌🏽 pudemos caminhar com tranquilidade e calma, e a sensação boa de estar na “nossa” Veneza voltou. Sentamos num bar à beira do canal, pedimos bruschetas de bacalhau e marguerita e prosecco e aperol. Divino! Repetimos! Ficamos observando os casais que chegavam à beira do canal. Crianças no andar superior de uma casa estavam se fantasiando e vinham à janela acenar pros transeuntes. Fiquei acenando de volta. Ufa! As coisas começavam a dar certo, finalmente. O sol já tinha esfriado, quando saímos do bar demos de cara com ele, ali todo pomposo. O fim de tarde estava lindo e tivemos oportunidade de assistir ao pôr do sol de “camarote”, em Castello. Que presente! O pôr do sol foi um dos mais incríveis que já vi na vida e ficará na memória pra sempre. Fiz time lapse, muitas, muitas muuuuuuuuitas fotos. Voltamos à ferrovia de vaporetto e fomos admirando o show de cores no céu, após o anoitecer. Ele ia mudando de cor, de laranja para lilás. Gratidão 🙏🏽 29/09/2019 - domingo - Veneza e Pádua Último dia em Veneza! Acordamos, nos aprontamos, pegamos o trem de Spinea para Veneza. Iríamos assistir à missa Tridentina numa igreja defronte à estação Santa Lucia, na Chiesa de San Simeon Piccolo. Chegamos um pouco cedo para a missa, então resolvemos tomar café em algum lugar. Saímos procurando onde sentar, havia uns hóteis pequenos que serviam café nas mesas do lado de fora, mas achei os preços salgados demais. Seguimos andando meio sem rumo pelas redondezas, cruzamos uma ponte bem pequena e resolvemos parar num local que tinha preços melhores e ficava à beira do canal. Pedimos o tradicional café, suco de laranja e croissant. O croissant estava horrível, mas o café e suco de laranja, ótimos. Maria ficou zanzando por lá, revezávamos eu e Victor pra acompanhá-la. Pagamos e fomos pra missa. Pensei que ela iria dormir durante a celebração, mas não rolou. Ficou muito sapeca durante toda a missa e acabou cativando o casal que estava sentado no banco de trás. Após a missa, seguimos para a ponte de Rialto, onde iríamos realizar um último desejo em Veneza: almoçar à beira do canal. Escolhemos almoçar no mesmo restaurante que papai e mamãe haviam passado no ano anterior, “Al Buso”. Andamos muito, seguindo as placas amarelas que indicavam o caminho “per Rialto”, acompanhados de muitos turistas. Finalmente chegamos no restaurante. Conseguimos uma pequena e espremida mesa para duas pessoas, mais o espaço para o carrinho. Infelizmente a mesa não estava exatamente à beira do canal, ficamos separado dele por uma outra mesa, que logo vagou e foi ocupada por um casal de chinas. Mas tudo bem. A vista estava ótima, a comida saborosa, realizamos nosso desejo. Não pude deixar de me incomodar com a quantidade absurda de turistas que se amontoava ao redor do cordão de proteção que o restaurante coloca na calçada para delimitar seu espaço. Ocorre que ali ao lado, bem “rente” tem um popular ponto de tirar foto com a ponte. Mas tentei abstrair e me alegrar e aproveitar ao máximo aquela experiência. O garçom esquentou a comida da Maria Inês, ela comeu, depois eu comi. Meu prato estava super apimentado, depois pedi pra trocar com o Victor. Saindo de lá, fomos trocar fralda da Maria Inês. Paramos num dos banheiros públicos da cidade, e lá chegando havia um grande cartaz informando que menores de 6 anos não pagavam a entrada no banheiro. Pedi a entrada para a bebê, e a servente me cobrou 1,50 para a minha entrada. Expliquei que eu não iria usar o banheiro, somente a criança. Ela insistiu que eu deveria pagar. Eu respondi que não estava entendendo, pois o cartaz dizia que era grátis. Ela partiu pra ignorância. Começou a falar em italiano, perguntou se eu falava italiano, ao que respondi que não. Então começou a me dizer que eu se eu viajava para a Itália, deveria falar italiano. Não fiquei calada, respondi em português mesmo um monte de coisas. Desci, abri o carrinho e troquei a fralda lá na frente mesmo. Seguimos pra estação Santa Lucia, pegamos o trem para Padua, onde iriamos visitar a capela do Giotto. Na estação de Padua, bem pertinho, fomos ao banheiro trocar a fralda da nenem, não pagamos nada e depois o funcionário ainda me deixou usar o banheiro de graça. Andamos até a capela. A cidade estava muito diferente do que havíamos visto em dezembro! Passamos pela ponte, pelo parque, que estava todo dourado do outono. Chegando no museu, compramos o ingresso, tomamos um café, dei lanche pra Maria, assistimos a apresentação mutimídia que antecede a visita, depois fomos para a fila pra entrar na capela. A entrada é muito burocrática por conta da preservação dos afrescos. Lá dentro pudemos contemplar a riqueza e a singularidade das obras de Giotto. Ficamos embasbacados com a beleza e a histórioa do local. Tiramos fotos enquanto tentávamos conter a bebê que estava bastante danada. 15 minutos depois, nosso tempo terminou. Saímos do museu e fomos pro jardim. O sol estava se pondo, mais ou menos igual à nossa visita em 2016. Tentei reproduzir a mesma foto que fiz na época, agora no outono e já com um rebento no colo. O jardim estava animado, com barraquinhas de comida, música e várias famílias e jovens por ali. Sentamos, Maria Inês dormia. Victor foi buscar prosecco e pizza para nós. Nossa despedida da Itália não poderia ter sido melhor! Voltamos de trem para Spinea. Maria Inês jantou, dormiu, arrumamos nossas coisas pra viagem do dia seguinte, rumo à Lisboa. 30/09/2019 - segunda-feira - Veneza/Lisboa Acordamos cedo, pegamos nossas coisas e saímos sem tomar café. Maria tomou café no trem e nós no aeroporto, quando chegamos. Pegamos um trem para Mestre e de lá, depois de nos enrolar um pouquinho, pegamos o ônibus para o aeroporto. Estava meio ansiosa para a viagem de avião. Chegamos extremamente cedo e com muita antecedência no aeroporto Marco Polo. Sentamos num cafe, comemos e ficamos por ali. Depois, despachamos a bagagem, fizemos o check in e entramos no embarque. Pegamos o avião para Lisboa, lá chegamos, tentei colocar créditos no meu chip sem sucesso. Compramos um ticket de ida e volta da linha de ônibus do areo, que nos deixou bem perto do nosso airbnb em Lisboa. Nos acomodamos e resolvemos sair para jantar num restaurante que já havíamos pegado recomendação e tínhamos planejado ir em 2016, mas a visita foi frustrada por conta do nosso atraso de vôo na época. Era o restaurante Laurentina, o Rei do Bacalhau. Saimos de casa e fomos andando pela Av. Fontes Pereira de Melo rumo ao Parque Eduardo VII. Eu estava mole e febril. Tomei remédio. Paramos num café do parque para lanchar. Maria tomou suco de laranja e eu fiz amizades com duas mães que estavam ali no parque brincando com seus bebês. Seguimos pelo parque acima, tiramos fotos no monumento no topo da colina. Seguimos pela rota do google maps até o restaurante. Lá, pegamos uma mesa. Eu pedi um bacalhau cremoso e Victor um bacalhau com batata. Maria Inês jantou sua comidinha. Voltamos a pé por outro lado do parque, paramos no supermercado, compramos alguns mantimentos e fomos pra casa. Maria Inês dormiu no carrinho. Chegando em casa, transferi pra cama, tomei banho e dormi. Victor ficou cozinhando as refeições da Maria dos próximos dias. 01/10/2019 - terça-feira - Lisboa Acordamos, tomamos café, nos arrumaomos e saímos a pé pela Av. Pereira de Melo, chegamos ao monumento do Marquês de Pombal e seguimos na Av. da Liberdade. A avenida é larga, tem vias principais no meio e menores nas laterais. É toda encoberta com árvores e o calçadão de pedras, com banquinhos e coretos, além de lojas de grifes e marcas famosas. Lembra muito o estilo da praça da República. Chegamos no final da avenida, paramos pra comer pastel de nata, e seguimos passeio. Desembocamos na praça do Monumento dos Restauradores, depois pela praça DOm Pedro IV e finalmente na rua Augusta. Paramos novamente para mais um pastel de nata. No fim da rua Augusta tem o Arco da Augusta, que dá vista para a praça do Comércio e o Tejo. Não tiramos foto na praça nem no Tejo pois o sol já estava escaldante. Subimos uma íngreme ladeira para o Museu de Santo Antonio de Lisboa, e em seguida para a Catedral. Quando chegamos ao topo, demos lanche pra neném, num banco da praça, e descobrimos que ela havia feito popô. Na hora de trocar, adivinhem. Mais uma vez eu havia esquecido de colocar fraldas descartáveis na mochila. Tivemos que descer TUDO pra rua Augusta, onde tinha uma farmácia. Compramos a fralda, trocamos e subimos DE NOVO para o museu. Depois do almoço, descobrimos que tinha lá perto o elevador de Santa Justa, que teria poupado nosso sacrifício. Visitamos o museu de Sto Antonio, que é a casa onde ele nasceu, que enfatiza bastante como o Santo é na verdade de Lisboa e não de Padua. De lá, fomos pra Catedral. O ponto alto dela é… o alto! O andar superior da Catedral dá pra uma linda vista do Tejo. Saindo da Igreja, zanzamos muito em busca de um restaurante. Eu já estava urrando de fome. Maria estava dormindo. Paramos num boteco, pedi sopa pois já estava cansada das comidas de restaurante. Victor pediu ….. Maria acordou, comeu. De lá seguimos para o Castelo de São Jorge. Pegamos o elevador, caminhamos mais um pouco e lá chegamos. Mais uma vez nos aproveitamos, justamente, da prioridade da Maria, e logo entramos no castelo. Tiramos fotos, tomei sorvete, apreciamos a vista, seguimos visitando o castelo e terminamos tomando um café. Surpresa: no café tem vários pavões que sobrevoam e ficam pendurados nas árvores. Voltamos pelo elevador para a parte baixa e descemos pra praça do Comércio. O sol estava brando e tiramos fotos à beira do Tejo. Finalizamos o dia no Time Out Market, mercado da Ribeira. Um mercado moderno e novo, que reúne o melhor da gastronomia portuguesa e também internacional. Ele estava lotadíssimo, com dificuldade encontramos uma mesa. Demoramos muito na fila para pedir nossa comida, primeiro o Victor, depois eu, para não perder a vaga. Ele pediu.. e eu comi um hamburguer de uma das mais famosas hamburguerias de Lisboa. A comida estava deliciosa. Tomamos refrigerante e vinho branco. Demos também a janta da Maria Ines. De lá, pegamos um ônibus para casa. 02/10/2019 - quarta-feira - Lisboa Acordamos e decidimos tomar café numa padaria próximo de casa. Chegamos, comemos, o capuccino não é a mesma coisa que na Itália. Frustrante. Mas já sabíamos essa lição. Em Portugal, coma pastel de nata. Na Itália, tome capuccino. Na frança, coma croissant. Não tem erro. Houve um pequeno incidente na padaria. Deixei a neném “solta” para andar e brincar. Ela bateu a testa numa das mesas. Ia ficar tudo ok, se não fosse um casal que estava próximo e fez um escândalo. Ela chorou, eles ficavam gritando “cadê a mãe dessa criança?????????” e eu sentada observando a cena, decidindo o que ira fazer. Peguei a neném, acalmei. Tomamos nosso café. Saindo de lá, paramos de volta em casa pra passar uma pomada no dodoi e depois fomos pro ponto esperar o ônibus que nos levaria até Belém. Depois de uma looooooooooooooooooooonga viagem que serviu de city tour, chegamos em Belém. Descemos num ponto antes do destino final, paramos numa padaria para comer mais um pastel de nata, brincamos com a maria ines numa praça e depoois num parque que tinha no meio do caminho, até que chegamos no Mosteiro dos Jerônimos. Lá ficamos super perdidos, entramos numa fila sem saber que era só pra visitar a Catedral, depois tivemos que sair e comprar o ingresso do outro lado da rua, e depois votlar pra entrar no Mosteiro. A hora ja estava avançada e o sol de lascar. Visitamos o Mosteiro, dei lanche escondido e acobertada por uma das funcionárias, sentada no chão com a neném. Tiramos fotos, o sol realmente estava muito mas muito quente. Saímos de lá e fomos procurar algum lugar pra almoçar. Catei um wi-fi grátis e encontrei um restaurante ali próximo. As ruas estavam desertas o que deixou tudo meio estranho. No restaurante, que estava lotado, comemos e demos o almoço da neném. Saindo de lá, seguimos no sol para a torre de Belém. Eu estava com tanto desconforto pelo sol que desisti de ir na Torre. Victor foi sozinho e eu fiquei com a Maria Inês aos pés da ponte, na única sombra que havia no local. Dei de mamar e ela dormiu. Fiquei descansando até ele voltar. De lá, voltamos pro Mosteiro e pegamos o ônibus para o Oceanário. Muita gente faz o mesmo percurso, e o ônibus estava lotado. Fomos em pé. Maria dormindo a maior parte do trajeto. Depois de uma também longa viagem, chegamos ao Oceanário. Fizemos um pit stop no restaurante, demos o lanche da neném e começamos nossa visita. O Oceanário é muito legal! Vale muito a pena para adultos e crianças! Eu me encontei com os peixes e animais marinhos, e também a bebê aproveitou. Primeiro teve medo, mas depois foi se habituando. Fez amizade com um bebe francês. Terminamos o passeio e queríamos jantar por ali, que é uma região mais moderna de Lisboa. Seguimos para um shopping, rodamos por lá em vão, o shopping é péssimo e não achamos lugar nenhum para comer. Fiquei aborrecida com isso. Pegamos o metrô de volta, demos o jantar da neném já tarde. Pedimos KFC pelo iFood. Fiquei bastante aborrecida com Lisboa por causa disso. 03/10/2019 quinta-feira - Fátima Acordamos cedo para ir para Fátima. Eu queria desistir e ir ao zoológico, pois estava ainda empolgada com a vibe do oceanário. Mas Victor não deixou, insistiu em ir para Fátima. Tivemos certa dificuldade para encontrar a rodoviária e depois para comprar o ticket, pois não aceita cartão, só dinheiro. Conseguimos e embarcamos na viagem de 2h30. Chegamos lá, fomos direito pro Santuário. Estava na hora do almoço e resolvemos primeiro forrar o estômago, depois visitar. Pegamos indicação de restaurante em um blog, e resolvemos segui-la. Deu certo. A comida era saborosa e o atendimento foi fantástico, um garçom super simpático que nos deixou felizes. Depois de almoçar e dar o almoço da Maria, fomos pro Santuário. O sol estava muito forte. Visitamos a Igreja e a Capela onde houve a aparição. Em torno da Capela ficam bancos, ela é coberta, e sempre está tendo algum tipo de cerimônia ou celebração, ou adoração, ali. Na Igreja, tem os tumulos dos pastorinhos. Tudo meio modernoso, meio feioso… para quem não curte as coisas modernas. De lá, fomos na igreja nova que é pior ainda. Um auditório. Estava tendo missa e não entramos. Voltamos para a rodoviária e ficamos esperando o ônibus de volta pra Lisboa. Chegamos e íamos pra casa arrumar nossas coisas pra viagem do dia seguinte. Mas estava muito cedo… ainda no ôniubs, que tinha wifi gratis, começamos a procurar um rooftop bar em Lisboa e eis que encontramos o Limão Rooftop, que era num hotel bem próximo de casa, com avaliações boas. Resolvemos arriscar! Demoramos um pouco pra chegar porque tinha uma escada (Lisboa tem essas escadas estranhas), mas chegamos lá! Apesar de estar bem cedo, não tinha mais mesas e ficamos num sofá esperando. Enquanto isso, tomamos vinho verde, petiscamos uns peticos MARAVILHOSOS e Maria Inês ganhou um kit infantil para se divertir e se distrair. Tomamos várias taças de vinho e degustamos vários petiscos. Demos o jantar dela ali mesmo. No final, desistimos da mesa que vagou, pois já estávamos bem acomodados no nosso sofá, com a vista que queríamos. Foi um belo e excelente fechamento da nossa viagem. Tiramos fotos incríveis do por do sol com Lisboa ao fundo, e depois Lisboa à noite. Voltamos pra casa, colocamos a nenem pra dormir e arrumamos as coisas pra viagem do dia seguinte. 04/10/2019 - sexta-feira - Lisboa / Belém Preparativos finais para o retorno. Dei falta do iPad. Procuramos em todo lugar e nada. Resolvemos ir até o Rooftop da noite anterior. Eu estava bastante tensa. Chegando no hotel, o bar estava fechado. Informei o caso e a atendente prontamente voltou de lá com meu iPad. O vinho verde faz isso! Na volta pra casa, tomamos café no mesmo local do primeiro dia, que era uma delícia. Voltamos pra casa, juntamos nossas coisas, que deu um trabalho enorme, pois apesar de não ter comprado absolutamente NADA de souvenirs - exceto uns 5 sabonetes de lavanda - a mala parece que não queria mais fechar. Provavelmente a falta de organização. Pegamos o ônibus pro aeroporto, e na hora do check in, a atendentente de mau humor e rabugenta resolveu frescar com o peso da nossa mala. Tiramos algumas coisas até chegar a um peso aceitável - mas ainda superior ao que tínhamos comprado. Check in feito, resolvi me presentear com maquiagens da Inglot. Eu merecia. Victor ficou dando frutas pra nenem enquanto eu comprava. Seguimos pra imigração, controle, etc etc. Esperamos bastante pra embarcar. Fomos pro playground e trocar fralda da neném. Ali percebemos que estava quente… febre. Houve um estresse e tensão pois não conseguia encontrar o frasco de paracetamol dela. Depois de muito procurar e tentar manter a calma, consegui. Demos o remédio e ela ficou brincando. Almoçamos Mc Donalds, depois embarcamos finalmente. Durante a viagem, novos picos de febre. Foi medicada, porém não baixou e logo subiu de novo. Tivemos que fazer compressa morna com a ajuda da aeromoça, que depois deu a dica - que sabíamos mas tinhamos esquecido - de tirar as roupas dela para ajudar a febre baixar. Deu certo. Chegamos no Brasil com ela dormindo no canguru - foi acordada por gritos estridentes. Em casa, ficou brincando até mais tarde. Dormiu tarde e acordou no horário habitual: 6h. Um dos meus receios e insegurança era ela não se adaptar ao fuso. Quanto a isso não tivemos problema algum. Na ida, ela acordava tarde e isso não era problema. Na volta, acordou e dormiu normalmente no dia seguinte. Ah, a febre passou também no dia seguinte.
  12. A cidade andaluz celebra em 2019 o V Centenário da 1ª Volta ao Mundo. A 10 de agosto desse ano 329 marinheiros da cidade saíram para Sanlúcar de Barrameda, de onde a expedição partiria a 20 de setembro do mesmo ano. Tinham o objetivo de encontrar uma nova rota para a India que respeitasse o Tratado de Tordesilhas com Portugal. Não é por isso que visitámos Sevilha. Escolhemos a cidade porque fica a caminho do Caminito del Rey e, apesar de ser um destino repetido para ambos, já nenhum se recordava bem da cidade. Outrora foi uma cidade algo perigosa, suja, mas soube lavar-se da má fama e tornar-se uma atração para além da Feria de Abril, onde mulheres vestidas a rigor não faltam. A Raquel lembra-se do espaço abandonado onde foi a Expo’92 e do calor abrasador de julho. O Tiago lembra-se da vista do topo da Giralda e do parque de diversões Isla Mágica. A influência árabe é evidente, principalmente na arquitetura. Fernando III pode ter conquistado a cidade, mas felizmente não lhe conseguiu retirar o que os árabes construíram. Dessa época encontra-se a Giralda, o Alcazar e a igreja de são Marcos. Tem grandes influências na cidade de outros impérios e culturas, como a romana, visigoda, moura e judia. Torna-se uma grande cidade quando Colombo chega à américa, passando a ser o centro do comércio do império. Era aqui que se controlava o que vinha do novo continente e que se dirigiam as viagens. Mais tarde, quando os barcos deixam de navegar no rio Guadalquivir, começa a queda de Sevilha, perdendo estatuto para Cadiz. A cidade cheira a laranjas e flores de laranjeiras, cheira a sol e a bom tempo. Mas não vamos mentir, também cheira a cavalo, já que uma das atrações turísticas principais é o passeio de charrete. No entanto, todas as madrugadas entram em ação equipas que lavam as ruas da cidade para que Sevilha amanheça limpa e agradável. O que visitar: Bairro de Santa Cruz: os pátios e as ruas estreitas atraem turistas. Também é chamado de Judiaria, de onde noutros tempos os judeus foram expulsos e o bairro abandonado. Está cheio de casas com pátios interiores. Catedral de santa Maria da Sede: de influência árabe, é “só” a maior igreja gótica do mundo. Muitos vão-vos dizer que é a terceira maior catedral do mundo, pondo como 1º São Pedro de Roma e 2° São Paulo de Londres. Se todas as igrejas fossem reconhecidas pelo Vaticano como catedrais, a maior seria na Costa do Marfim e a basílica do Rio de Janeiro também entraria na lista, confundindo este podium. Fica aqui a Torre Giralda, a segunda torre mais alta da cidade, atrás da Torre de Sevilha, construída em 2015. Dica: visitar de manhã, assim que abre, e subir logo à Giralda para conseguir uns 10 minutos (mais) sozinhos no miradouro. Preço: 9€ e funciona das 11h às 17h de segunda-feira a sábado e das 14:30h às 18h aos domingos. Há visitas guiadas pela cobertura a 15€. La Giralda, antigo minarete da mesquita que deu origem à catedral. Vejam o Giraldillo (deusa Nike), no topo da torre, ou, mais próximo, a réplica que está na entrada da catedral. Tem 24 sinos e 110m de altura, percorridos numa subida em rampa com 17% de inclinação equivalente a 35 andares (mais 17 degraus) para chegar a uma das melhores vistas da cidade. Túmulo de Cristovão Colombo: veio de Cuba quando esta se tornou independente e é um dos pontos altos da visita à catedral. Temos pena de não se poder ver também de cima (fica a sugestão de umas escadinhas). Pátio de los Naranjos: não dissemos que a cidade cheirava a flor de laranjeira? Puerta del Perdon: a vistosa porta permite sair da catedral pelo pátio das laranjeiras. Real Alcázar: de estética mourisca, está construído sobre ruínas romanas. Os seus jardins foram cenário para Dorne na Guerra dos Tronos. A família real espanhola ainda fica aqui quando visita a cidade, sendo por isso o palácio mais antigo do mundo ainda em utilização. Para celebrar o V Centenário estão disponíveis visitas noturnas teatralizadas. Estas decorrem até 31 de outubro, às quintas e sextas, e também aos sábados, em julho e agosto. Os quartos da família real fazem parte de um bilhete à parte. Comprámos os bilhetes antes, por planearmos visitar num feriado (custaram mais 2€ por serem comprados online, o que achamos injusto). Dica: visitar à tarde (a partir das 16h tem menos fila). Preço: 11,50€ / visitas noturnas – 14€ / Quartos reais – 4,5€ Archivo General de Indias: se gostam de história e principalmente da época dos descobrimentos, guardam-se ali alguns documentos originais, como o Tratado de Tordesillas, assinado a 7 de junho de 1494. Comemoram-se os 525 anos da sua assinatura e esteve também exposto em Tordesillas, temporariamente. Entrada grátis, fecha às segundas-feiras. Real Fábrica de Tabacos: Sevilha caiu perante Cádis, mas manteve o comércio do tabaco durante muitos anos. Foi a primeira fábrica de tabaco da Europa, o aumento da procura fez com que se introduzisse a mulher na produção. Descobriu-se que eram menos exigentes no salário, e mais produtivas. As mãos mais pequenas enrolavam o tabaco mais rápido. A figura da cigarreira nasce assim, imortalizada na ópera Carmen. Na fachada a escultura de topo representa Fama. Existem alguns mitos urbanos associados à escultura. Hoje a antiga fábrica é a reitoria da universidade. Entrada grátis. Abre à sexta e sábado, para visitas guiadas, marcadas. Palacio San Telmo: vistoso, distingue-se bem ao chegar à Praça de Espanha. Começou por ser o Seminário e foi residência oficial dos Duques Montpensier. Tinha embarcadouro direto para o rio e chegava até ao que é hoje o Parque de María Luisa. Desde 1992 é a sede da Presidencia de la Junta de Andalucía. Entrada grátis. Abre às quintas, sábados e domingos, com reserva prévia. Parque de María Luisa: o verão é tórrido na cidade, então 34 hectares de parque verde ajudam a refrescar e a descansar à sombra. O parque, até ser doado, pertencia ao palácio San Telmo. Plaza de España: quando, em 1929, acontece a Exposição Ibero-americana, constrói-se esta praça emblemática. Gonzalez queria representar a metrópole a abraçar as ex-colónias. As quatro pontes sobre os canais onde é possível navegar de barco representam o reino. As bancadas em painéis de azulejo simbolizam as províncias espanholas e dão cor à praça. Todas as 46 províncias estão representadas (excepto Sevilha). Para os amantes de Star Wars, já foi cenário de um dos filmes. Formando uma praça em formato semi-circular, o edifício central une-se aos laterais, terminando em duas torres. Podem subir até ao primeiro andar de alguns dos edifícios e apreciar a vista das janelas. É imponente e um dos mais visitados pontos da cidade. Foi construído para ser o pavilhão de Espanha e hoje alberga os serviços de migração e mais alguns serviços públicos. Pertinho temos o Consulado Português, assustadoramente vazio quando ousámos entrar pelos portões. Passeios de barco: 6€ de barco a remo / 12€ a motor – 35 minutos Bairro Encarnácion Metropol Parasol: é a maior estrutura de madeira do mundo e forma algo que apenas conseguimos descrever como uma espécie de mega-cogumelo. Jürgen Mayer renovou a Plaza de la Encarnación com este projeto em 2011. O miradouro é visitável das 9:30 às 23h e custa 3€. Comprámos com antecedência, com direito a uma bebida, e escolhemos a horas da visita pelo pôr do sol. No bar de cima o vale de bebida só direito a 1€ de desconto, enquanto no bar do piso 0 passa a oferta. Fecha às 23h, por isso aconselhamos visitar durante a golden hour (subam perto das 20:30h no verão). Mas cuidado, pode ter fila. Também têm em baixo o Antiquarium, umas ruínas visitáveis até as 20:30h, por 2,10€ . Bairro Museo Museo de Bellas Artes de Sevilla: dos maiores do país, a seguir ao Prado, de Madrid. Fica num antigo convento, o Convento de la Merced Calzada. Custa 1,5€, mas é grátis para cidadãos da UE. Bairro Arenal Plaza del Cabildo: uma praça interior pouco conhecida, em formato semi-circular. Ao domingo de manhã forma-se o mercado dos selos, onde vagueiam e conversam os amantes da filatelia e da numismática. O edifício que dá forma à praça foi construído sobre as ruínas do Colégio de S. Miguel. Postigo del Aceite ou Arco del Postigo: acesso à cidade através das antigas muralhas da cidade. Rio Guadalquivir e Torre del Oro: a Torre del Oro foi construída em 1220 para proteger a cidade. Atualmente Museo da Armada, as visitas têm a duração de 20 minutos e custam 3€. Plaza Nueva: na praça localizava-se o antigo convento franciscano que estava em ruínas. Foi destruído em 1811 na época da ocupação francesa. Apesar de ter sido reconstruído acabou por ser desmantelado anos mais tarde. Ayuntamento: começa a ser habitual estarmos em Espanha nos feriados religiosos, desta vez foi o Corpus Christy, uma tradição belga importada que tivemos oportunidade de assistir no feriado. O edifício é renascentista, dos primeiros em Espanha, onde, tal como em Portugal, tudo chegava tarde. Com a chegada de D. Carlos I ao trono, educado em Flandres, atual Bélgica e Países Baixos, veio o estilo da época na europa. Depois, D. Carlos I, primeiro rei de espanha, casa-se em Sevilha com Isabel de Portugal, filha de D. Manuel. Então, temos um edifício neoclássico do lado da Plaza Nueva, renascentista na Plaza San Francisco e, para terminar, também moderno, como símbolo de que ficou por acabar devido à crise económica. Este rei D. Carlos é o mesmo do Mosteiro de Yuste, de que falámos aqui. Teatro Coliseu: construído em 1928 para a exposição Ibero-americana, serviu como teatro até 1955, passou a cinema, e agora é o Ministério da Economia. Tanto este edifício como o hotel Alfonso XIII recriam a arquitetura típica sevilhana antiga. Bairro de Triana e Puente de Triana: a casa mãe do flamenco. É um bairro na outra margem da cidade, a zona ideal para jantar, comer tapas ou beber um copo. Grandes casas de flamenco, menos turísticas, são aqui. Falamos de um bairro tipo Lapa no Brasil ou Alfama em Portugal. Saímos às 2h do bairro para regressarmos ao Airbnb, com máquina fotográfica em punho, e foi seguro (escondemos só o cartão de memória por precaução). Corral Herrera: Não sabemos se é visitável, ou seja, se as visitas são bem-vindas, porque continuam a ser casas privadas, mas em Triana há uns pátios de vizinhos. O edifício de vários apartamentos dava para um pátio central. Ali, vizinhos ficavam na palheta (jogar conversa fora) pela noite dentro, eram ajudados e celebravam juntos. Vive-se aqui um ambiente muito familiar, com festas, batismos e casamentos celebrados em comunidade. Este corral tem mais de 100 anos e foi todo renovado em 1994. Não haverá mais de 30 em Sevilha. Dizem que fazem grandes festas durante a Feria de Abril. Faz lembrar o que se conta dos bairros típicos de Lisboa e do Porto, e também aqui a população jovem quis recuperar o espírito e quer morar nestes locais, fazendo disparar os preços dos arrendamentos. Mais uma vez, uma coisa criada por vizinhos que viviam com dificuldades, agora tornou-se a moda, e a moda encarece as coisas. Bairro La Cartuja Isla Mágica: Para quem adora um bom parque de diversões, tem de ir aqui. A temática do parque é a história da cidade, dos descobrimentos espanhóis, o Novo Mundo e as lendas do El Dorado e da Fonte da Juventude. Tem graça, porque as atrações têm nome de locais que conhecemos na américa. Preço: Custa entre 14 e 32€ por adulto, dependendo do dia. Centro Andaluz de Arte Contemporáneo: fica no edifício do Monasteiro de la Cartuja de Santa Maria de las Cuevas. Aqui encontrou-se a imagem de uma virgem de 1248 e nasce o mosteiro. Cristovão Colombo esteve aqui “sepultado” durante 30 anos, depois do corpo ser trazido de Cuba, porque era assíduo frequentador do mosteiro. D. Filipe II também usou as instalações para retiro espiritual. Napoleão quando chega invade o mosteiro e utiliza-o como quartel. Os monges fogem para Portugal. De 1841 a 1982 foi uma fábrica de porcelana chinesa. Fecha às segundas. Não fomos por falta de tempo. Preço: Custa 1,8€ para ver o monumento e 3€ a visita total. Sábados das 11-21h e terças a sextas é grátis das 19 às 21h. Torre Sevilha: a torre de 180,5m destronou Giralda e é a torre mais alta de Sevilha, mas também da Andalucia. Vê-se bem junto às margens do rio ou de qualquer ponto mais alto, como Giralda ou Metropol. É um shopping e um hotel. Enclave Monumental San Isidoro del Campo: fica mais afastado da cidade. O mosteiro foi construído onde se pensa que foi sepultado o santo. Entrada grátis. Fecha à segunda-feira. Onde dormir: Hotel EME Catedral Hotel: se querem uma estadia central e especial é aqui. Tem piscina, rooftop, vista para a catedral e é vistoso por dentro. Preços variam entre 240 e 664€ nas datas em que procurámos. Vista de Giralda sobre o Hotel Eme Hotel Alfonso XIII: o hotel é provavelmente o mais bonito da cidade, é luxuoso e foi construído para a Exposição Ibero-americana. Agora pertence à cadeira Marriott. Foi neste hotel que se hospedaram embaixadores e os atores para as filmagens dos diversos filmes. Preços variam entre os 360 e os 1017€ nas mesmas datas que acima. Eurostars Torre Sevilla: ocupa os últimos 19 andares da torre, por isso tem uma vista previlegiada sobre a cidade. Preços variam entre os 268 e os 2298€ nas mesmas datas. Nós escolhemos um airbnb. Uma casa típica andaluza, com portões antigos de madeira. Um pátio interior. O pequeno-almoço apesar de ser industrializado é servido em loiça inglesa e talheres de prata. Marieta, descobrimos mais tarde, é uma estilista conhecida de trajes sevilhanos e já nos prometeu que nos prepara a rigor se quisermos voltar na altura da Feria de Abril. O problema destas casas é que não há suites e ouve-se quando alguém conversa perto dos quartos. Onde comer: Gelados: Bolas, há várias. Nós comprámos no mais perto da catedral. Aconselhamos la Medina (laranja, gengibre e canela) e o kitkat, que tem pedaços. Uma taça com dois sabores são 3,80€. Viemos comer o gelado na Plaza del Salvador, na escadaria da igreja, a apreciar o ambiente de rua. No centro histórico encontram várias opções: Mercado Lonja del Barranco: procurem por tapas e sangria. Senza: pareceu-nos o sítio da moda. O espaço é giríssimo, estava quase todo reservado, os funcionários são eficientes e dão-vos um shot no fim. Gastámos, com sobremesa partilhada, 40€. A sala interior é mais interessante. Taberna Manolo Cateca. Passámos à porta e pareceu-nos muito apelativo. António Romero Bodeguitas. Peçam nos montaditos piripi, peçam bochecha de porco, a mini hambúrguesa. Gastámos 20€. Atravessando a ponte de Triana, para irem atrás do flamenco encontram vários espaços como: Las Golondrinas. Aqui bebemos uma cerveja enquanto fazíamos tempo antes da abertura da Casa Anselma, as tapas têm bom ar. Cerveceria La Grande. Fica na rua principal de Triana (Calle San Jacinto), seguindo a ponte. Não tem um ar fancy ou fotografável, mas só tinha espanhóis na esplanada. A montra de marisco também nos pareceu bem. Devem comer tapas, nós não somos um bom exemplo porque nem sempre vamos para a comida típica. Cuidado com a rua junto à universidade. Come-se relativamente barato, mas vão ter sempre gente a tentar pedir-vos gorjeta em troca de performances. Não são obrigados a dar, mas a pressão é enorme e incomoda o almoço. Onde ver flamenco Várias sugestões surgem na internet, ir ao Museo del Baile Flamenco com os seus espetáculos pagos a 25€. Também surgem opções mais naturais, como La Carboneria, Academia de Baile Tronío e a Casa Anselma, em que só pagam o consumo. Sair à noite Junto à margem do rio encontram vários bares onde não faltam despedidas de solteiro e gente a desfrutar da noite amena sevilhana. O que estava mais cheio era o Pinzon. Atenção que a sexta feira é uma noite animada. Os espanhóis gostam de beber cerveja, tinto de verano ou sangria a porta dos bares, cervejarias mesmo em pé. Às vezes picam umas tapas, mas nem sempre. As espanholas levam o sair à noite como uma oportunidade para saírem produzidas. Saírem vestidos como backpackers vai-vos fazer destoar. https://365diasnomundo.com/2019/07/24/sevilha-espanha/
  13. A maior atração do local é o Desfiladero los Gaitanes, com 300m de profundidade e menos de 10m de largura. O rio Guadalhorce cruza o desfiladeiro e as pombas aproveitam-se da zona mais estreita para, sozinhas e a salvo de predadores, o povoarem. Já na zona mais larga habitam aves de rapina e outros animais. O turismo não surge no Caminito para contemplar o leito do rio, mas com um propósito profissional de manutenção. Este percurso, ao ser desativado mais tarde, foi-se deteriorando, e passou a ser procurado por aventureiros em busca de adrenalina. Rafael Benjumea Burín, nomeado conde de Guadalhorce pelo rei, criou o Salto Hidroelétrico del Chorro em 1903, aproveitando-se do percurso natural do rio em declive para produzir energia, como já se fazia no norte do país. O Salto del Gaitanejo e o Salto del Chorro pertenciam à Sociedade Hidroelétrica da região e era preciso um percurso que as unisse. O caminho foi construído de 1901 a 1905, a 100 metros sobre o rio, com 3km de comprimento de Ardales a El Chorro. Chamava-se Balconillos de los Gaitanes, pelas “varandas” presas às rochas, ainda hoje visíveis. Famílias inteiras utilizavam o caminho no seu dia a dia, este que já foi considerado o mais perigoso do mundo. O percurso atravessava o desfiladeiro próximo da linha de caminhos de ferro que une Málaga a Córdoba, bastante mais antiga. Mais tarde, em 1921, o rei Afonso XIII visitou o Pantano del Chorro (hoje Embalse Conde del Guadalhorce). Hoje ainda é possível ver o local onde o rei assinou a acta que declara o terminar da obra a 21 de maio de 1921, o Sillón del Rey. Apenas nos anos 50 o nome foi mudado para Caminito del Rey. O rei acabou por não fazer grande percurso (dizem), pedindo para regressar de comboio numa ponte que ainda hoje existe. Por isso o título deste artigo, que também se poderia chamar de Caminito que El Rey não percorreu. O percurso divide-se em vários momentos. São 2,9km em passadiços e 4,8km em trilha. A primeira parte é chegar até ao check-in onde encontram a entrada controlada por leitura de código de barras. Nesta fase, é só seguir a trilha e desfrutar. São 30 a 40 minutos a caminhar. A distância depende da entrada que utilizarem, podem ser 2,7km ou 1,5km, num percurso em floresta. Terminado o percurso inicial, chega-se à zona de check-in. Convém levar os bilhetes impressos, como dizemos no artigo de dicas. A cor dos capacetes indica se os visitantes estão em tour, em visita livre, se são guias ou funcionários do Caminito. Após o controle de entradas, o primeiro percurso é a chegada até aos passadiços. É preciso passar uns torniquetes e estamos no ponto 0. Vê-se a estação hidroelétrica desativada e o início do desfiladeiro, muito estreito. Pode-se ver-se pequenas zonas de erosão da rocha que formam cavidades (cambutas). Estamos nos primeiros passadiços construídos sobre os antigos. Passam-se dois canhões, a ponte do rei (para ele chegar ao comboio), que também era usada para descarregar material que chegava pela linha férrea, e chega-se ao miradouro das pedras planas. Para já, os passadiços terminam e aproveita-se para descansar e aprender sobre a fauna. A segunda parte é em terra firme. Estamos no Valle del Hoyo. O rio do silêncio corre brilhante e azul turquesa, cor conferida pelos minerais que o compõem. Há uma zona de descanso com sombra e bancos. Vêem a alfarrobeira e aprendem com o guia que a palavra quilate surge por pesar as pedras e metais preciosos com número equivalente de sementes da alfarroba, por estas serem muito constantes em “peso” (exemplo: um diamante de 24 quilates pesa o equivalente a 24 sementes). À esquerda estão as ruínas da Casa del Hoyo, abandonada nos anos 70. Aqui viveu uma família vários anos, de forma independente, pois o único acesso era o percurso. Nesta zona existe hoje um heliporto para evacuações de emergência. Vê-se o canal onde circulava a água, à direita, hoje vazio. Circulavam 10.000l/s (1/50 do caudal do rio tejo) num desnível de 100m, produzindo energia. Chega-se à comporta do canal e ao refúgio dos morcegos, que adoram o Caminito. Voltamos aos passadiços. Já se percorreram 2500m e, agora sim, estamos na parte mais interessante, o desfiladeiro está mais largo e a parede que tantos usaram para escalada está à nossa frente. Aqui encontra-se um memorial para o alpinista suíço que morreu em 2010, vê-se a linha de comboio, o caminho antigo, e abusa-se nas fotografias. Chega-se à varanda de vidro. É sempre importante seguir as regras. No máximo 3 pessoas, com o segurança 4. A vantagem da presença do segurança é ele tirar a fotografia. Não façam como vimos fazer, alguém achou que era giro pular em cima do vidro, para testar a resistência. É possível ver abutres no ar. Ouvir a natureza, ver a gama de cores que surgem à nossa frente. Na grande curva após a varanda de cristal encontram-se fósseis de amonite na rocha. Chegou a altura de trocar de lado. A última parte, com mais adrenalina, é a passagem na ponte suspensa de metal de 35m. Ao lado vêem a ponte antiga, onde agora corre água. Formam-se borboletas de água, ou gotas que caem e brilham com a luz. Há placas em memória dos que faleceram antes da reabilitação do percurso, a pedido dos familiares. Depois da ponte está a saída, ou entrada sul, também com torniquetes. Finalmente estamos do outro lado do desfiladeiro. Daqui vê-se a linha do comboio, o vale, o rio e a nova central hidroelétrica. Faltam 2100 metros em terra até chegar ao parque de estacionamento (estes já custam às articulações). À esquerda vê-se uma casa de três andares que era a residência de Rafael. Também se vê a Puente de la Josefona. Ao chegar ao ponto de saída devolvem-se os capacetes e já encontram casas de banho e cafés. Existe também a possibilidade de parar aqui o carro e seguir até Ardales de autocarro para começar o percurso (o inverso do que nós fizemos, que utilizámos o autocarro no fim do percurso). A paragem de autocarro é um pouco mais à frente. A trilha foi-se danificando com o tempo ao ponto de ficar perigosa, a parede de escalada atrai curiosos e morreram cinco pessoas entre 1993 e 2000. Em 1993, numa atividade do campo de férias, um aventureiro em 1999, caindo. Já em 2000, 3 jovens morreram ao utilizar um cabo de aço velho que rompeu e os entregou ao desfiladeiro. Nesse ano o acesso foi vedado. Continuou a ser utilizada à revelia e morreu um sexto jovem em 2010. Reabriu em 2015 com um percurso quase todo por cima do original, com guardas laterais e totalmente seguro. Há funcionários pelo percurso e um permanente no miradouro de vidro. No fim do caminho, ao regressar de autocarro, podem mergulhar no rio, refrescar a alma depois daquela vista estonteante. A casa que se vê na fotografia é a do Conde de Guadalhorce. É importante dizer que não é um trilho livre. O percurso só se pode fazer num sentido, de Ardales para El Chorro. São 7,7km e cerca de 2,5 horas para o completar. Como reservar os bilhetes: Reserva-se no site, muito intuitivo e funcional, tendo de escolher a data, hora e tipo de visita. Definem o número de visitantes e decidem se querem com ou sem bilhete de autocarro (1,55€). Preenchem os dados e tudo é enviado por e-mail. Visita guiada ou livre? Confessamos, escolhemos visita guiada porque era a única opção disponível para a data selecionada. Então, se fosse hoje, o que faríamos? Visita guiada Desvantagens: têm de andar ao ritmo do guia, mas acima de tudo, do grupo, que pode ir até às 40 pessoas. No site diz 25, não confere; apesar de terem auriculares e rádio para ouvirem as explicações do guia, muitas vezes, quando se aproximarem de outro grupo, vão passar a ouvir com interferência do grupo próximo (pode ser que tenha uma explicação mais interessante); vão-se sentir pressionados a avançar e terão mais dificuldades em tirar fotografias sem gente ao lado. Vantagens: ficam a saber a história, curiosidades e fauna e flora da trilha; há alguém que zela pela vossa segurança e que vos pode tirar fotografias; Preço – 18€ Visita livre Desvantagens: ninguém vos conta a história nem curiosidades; não recebem informações sobre a fauna e flora, a não ser que percebam do assunto não sabem o que estão a ver; vão perder pontos importantes que estão algo escondidos. Vantagens: o vosso ritmo, as vossas paragens; se sentirem que a trilha está demasiado concorrida é só acelerar ou abrandar o passo até ficarem afastados dos grupos. Preço – 10€ Como chegar até à entrada: Podem chegar de carro (aconselhamos), autocarro ou comboio. O comboio pára em El Chorro (acesso sul), mas podem ir de autocarro até Ardales. De Sevilha, a viagem demora quase 3 horas de comboio e custa 16€ (i/v). De Málaga, o percurso tem a duração de 1 hora e custa 5€ (i/v). De autocarro, é possível sair da Gare do Oriente em Lisboa e chegar a El Chorro trocando de rota (pelo menos) uma vez. A viagem fica cara (cerca de 100€). De carro será sempre mais confortável. Não sabemos se compensa, mas outra solução é voar até Sevilha ou Málaga e depois seguir de comboio. A entrada no percurso é feita pela zona norte, Ardales. É o habitual ponto de partida e/ou de chegada para o Caminito, onde os viajantes costumam ficar uma noite. Foi o sítio onde gastámos menos dinheiro em refeições (desde a viagem à américa latina). De Ardales até à entrada do Caminito são 15 minutos de carro. Há dois acessos à entrada, os dois identificados como Caminito del Rey. O primeiro fica junto ao parque de estacionamento (a 100-150m) e o Google Maps identifica como Túnel Largo (1,5km). O segundo fica junto ao Kiosko e está identificado como Túnel Pequeño (2,7km), apesar de o acesso ser bastante mais largo que o outro túnel. O caminho mais longo vai-vos dar a sensação que estão perdidos, mas não, é o percurso mais longo, mas também chega ao mesmo sítio. Tanto num como no outro é só seguir a identificação/sinalética. Túnel largo Vão identificar a entrada pelas placas, barreiras, casas de banho (banheiro) e máquinas de venda automática. Ninguém entra antes da hora do bilhete e sem receber um capacete. Quem tem visita guiada tem que esperar pelo guia e receber o rádio. O percurso: São duas horas e meia de percurso. Fácil, seguro, e com uma vista estonteante sobre o desfiladeiro Los Gaitanes. É constituído por passadiços, pontes e percurso em floresta. Os passadiços e as pontes são todos novos, construídos sobre ou próximos dos percursos originais, estes já muito danificados. Em El Chorro há casas de banho, cafés e a paragem de autocarro para regressar a Ardales. Há quem prefira deixar o carro aqui, ir de autocarro até Ardales e regressar de carro no fim do percurso. Nós gostamos da viagem de autocarro no fim, para descansar um bocadinho. Dicas: no verão a trilha é mais fresca de tarde, porque está à sombra. Nós fomos às 16h e estava ótimo; levar boas botas de caminhada, roupa confortável e água; não há casas de banho nem cafés durante o percurso; esqueçam os chapéus volumosos, a trilha é feita de capacete, optem por lenços ou golas; estacionem no parque, o autocarro de regresso deixa-vos lá; levem fato de banho no verão (há praias fluviais perto para antes ou após o percurso); crianças menores de 8 anos não entram, não tentem contornar o sistema, é pedida identificação com data de nascimento; nada de bastões de caminhada; atenção ao e-mail que vão receber com as regras, leiam-nas; os bilhetes devem ir impressos, no autocarro o motorista rasga a parte dele. Onde dormir em Ardales: Nós ficámos no apartamento Virgen de Villa Verde. Recomendamos, fomos recebidos com toda a simpatia e dicas. Nenhuma das dicas que a senhora nos deu sobre os restaurantes falhou. Onde comer em Ardales: No topo da Calle Fray Juán temos o bar Millan e o bar Paco, os dois super baratos. Millan é mais barato, vende cada tapa a 1€. Paco está aberto com um horário mais alargado. Nos dois locais são muito simpáticos e dão-vos boas dicas para as escolhas. https://365diasnomundo.com/2019/08/17/caminito-del-rey-dicas/
  14. Pessoal, segue breve relato de uma viagem que fiz mês passado para Madri, tudo surgiu muito de repente, estava sem ideia de onde iria passar as férias até que vi uma passagem "barata" da Air China, e comprei, com antecedência de somente uma semana. Tinha a missão de fazer a viagem mais econômica possível, por este motivo optei por deixar a gastronomia espanhola um pouco de lado, e também por estar indo sozinho não via muito sentido em ir jantar em um restaurante, qualquer fast food já me satisfazia. A meta era tudo por menos de 5 mil reais, mas extrapolei um pouco, os detalhes estão na planilha em anexo. Outro ponto é que como estava com cartão de crédito estourado era uma viagem quase que toda em dinheiro vivo, então levei um pouco acima do mínimo exigido para entrar na Espanha de acordo com meu período de viagem (810 euros), mas voltei com uma boa parte sem gastar. AÉREO: Air China (Passagem aérea ida e volta GRU/MAD = 509,98 USD = R$ 2.116,41) Não havia voado com ela antes, o avião é o moderno Boeing 787-9 (Dreamliner) aperto tradicional no assento de uma econômica, atendimento cordial, sem novidades. A única coisa que me chateou foi que não consegui fazer o check-in online em nenhuma ocasião, o que fez com que na ida tivesse que ir no corredor (amo janela). IMIGRAÇÃO: Aeroporto Barajas T1 ENTRADA: Desembarcamos na parte velha do aeroporto, onde ficam as low-cost. Pouquíssima fila. Na imigração foi bem tranquilo, me perguntaram apenas o motivo da viagem, o que fazia no Brasil, se conhecia alguém por lá, e pediu para ver o comprovante de hospedagem. Menos de 2 minutos e já estava indo buscar minha mala, que num golpe de sorte chegou a esteira no mesmo instante. O aeroporto é bem sinalizado, basta procurar pelas placas indicando o metrô (losango vermelho, esqueci de tirar foto) e prepare-se pra caminhar por uns 20 minutos, pq a estação fica perto do T2. Podia ter pegado o Shuttle entre terminais mas preferi caminhar pra conhecer o aeroporto, e também esticar as pernas depois de 9h35 de voo. SAÍDA: Logo após o controle de passagens já chega a fila para o raio X, e além do processo normal de aeroporto eles também verificam se sua mão não contém vestígios de drogas e explosivos, passando um pano úmido na palma e parte superior dela e colocando num detector de íons que rapidamente analisa (menos de 10 segundos) e dá o resultado. Depois carimbam a saída do país e você entra na área internacional (air-side). O duty free tem preços bem melhores que os daqui, aproveitei para comprar uns chocolates para a família. METRÔ [Do aeroporto para qualquer lugar no centro da cidade, Zona A = EUR 7,50 / Viagem única (sencillo) entre estações no centro = EUR 1,60] Usei muito pouco na viagem, fiz mais de 90% dos deslocamentos a pé. Os trechos que fiz de metrô foi apenas para sair do aeroporto até o Hostel, e depois de ficar gripado em 3 ocasiões (da estação Atocha para o Hostel, e ida e volta até o Santiago Bernabeu). Ao chegar na estação do metrô do T2 do aeroporto, vai enxergar várias máquinas onde é possível comprar bilhetes pagando com cartão de crédito (Tarjeta) ou dinheiro. Dá pra mudar para o idioma inglês e francês salvo engano, mas eu que não entendo nada de espanhol consegui me virar nesse idioma mesmo). Você basicamente insere o nome da estação de destino e já te aparece o preço na tela, só pagar com cartão ou colocar as notas/moedas na máquina. DICA: Quem for comprar em dinheiro igual eu, leve uma nota de 10 euros, pois o troco máximo das máquinas não é maior que 20 euros. O bilhete do metrô é um cartão (não precisa de fazer nenhum cadastro na máquina), importante que você guarde ele pra recarregar depois, caso queira fazer outras viagens.O metrô é bem interligado, mas prepare-se para fazer no mínimo 2 baldeações se quiser ir para a zona central). A viagem leva cerca de 40 minutos. UBER: HOSTEL > AEROPORTO (EUR 23,14 = BRL 109,14) Só usei Uber para sair do Hostel até o aeroporto devido o horário do voo ser muito cedo. A corrida foi lá pelas 4:30 da manhã. O trajeto durou uns 25 minutos. TREM Utilizei duas vezes os trens da Renfe, nos bate-e-volta a Toledo (30 minutos) e Córdoba (1h40). Ambos saem da Estação Atocha. Comprei as passagens em dinheiro no balcão de atendimento da empresa, já que infelizmente as máquinas de venda só aceitavam cartão de crédito. Dica: Quem for comprar a passagem para Toledo na hora vá bem cedo pois esgota rápido devido à quantidade de gente. Eu cheguei na estação era perto de 11h e peguei uma baita-fila, fui o último a conseguir ida e volta para o período da tarde daquele dia. Há controle de raio-X devido aos atentados de 2011, e os trens não são tão pontuais assim, porém a viagem é sempre rápida e confortável. Os assentos reclinam consideravelmente. ACOMODAÇÃO: Hostel Generator Madri (BRL 640,51 - 7 diárias) LOCALIZAÇÃO: Numa travessa da Gran Vía, MUITO perto de locais como Porta do Sol (10 minutos a pé) e Plaza Mayor (15 minutos a pé) INSTALAÇÕES: Muito boas, no térreo tem bar com uma tela enorme (sempre ligada em alguma partida), uma área com mesas onde são servidas algumas refeições e mais uma tela enorme, área de convívio com puffs, cadeiras, sala de jogos e máquinas automáticas de venda de água e doces. O que falta para ser nota 10 é somente uma Lavanderia. Possui 3 elevadores, e tem um rooftop, que me esqueci de ir. QUARTO: Fiquei em um quarto misto com 8 camas divididas em 4 beliches, cada uma conta com um gaveteiro próprio e numerado, bem grande até, mas que não dá pra colocar uma mala inteira dentro. Eu levei uma mala pequena (10kg) e deixava fora com um cadeado com segredo. Com um outro cadeado simples eu trancava meu gaveteiro, não tive nenhum problema com isso. As únicas coisas que me incomodaram eram o banheiro bem em frente às camas, (vejam nas fotos abaixo como é próximo, em uma porta fica o vaso e na outra o chuveiro) e ainda com a pia do lado externo, ou seja, escovar os dentes por exemplo se faz na frente de todo mundo!. Eu acabei tomando banho todos os dias em um banheiro que fica no corredor, assim não atrapalhava quem já estava dormindo.O outro ponto negativo é que a beliche não é indicada para quem tiver mais de 1,80m por conta de ser fechada, eu (1,84m) tive dificuldade em esticar toda a perna, tinha que subir o travesseiro. A beliche é bem firme, ou seja, não é qualquer movimento que faz que mexe ela, atrapalhando menos o colega de cima/baixo. Na cabeceira de cada tem uma tomada normal e outra USB, luz de leitura, cesto para guardar coisas e um espaço que também dá pra guardar uma garrafa de água por exemplo Dica: Na Espanha o padrão de tomada atende o Brasileiro, veja na foto acima como consegui plugar o carregador do meu celular sem nenhum adaptador PASSEIOS (VISÃO GERAL) Meu roteiro segue na planilha que anexei aqui, mas resumia-se basicamente a conhecer os principais pontos da cidade, e ir a alguns museus, coisa que gosto muito. Tive a sorte de durante a minha viagem ter o Dia Nacional dos Monumentos e Sítios (18/04) onde quase todos os museus estavam aberto de graça. Nesse dia entrei no Reina Sofia e no Museu Arqueológico Nacional sem pagar nada. Outra coisa importante é que andei muito a pé, a média por dia era de uns 6km, em Toledo foi mais de 10. Fui com tênis de corrida para não ganhar muitas bolhas. Infelizmente fiquei gripado na metade da viagem, isso atrapalhou um pouco o ânimo de andar, comprei pastilha pra garganta (EUR 9,20) e comprimido (acho que era uns 10 euros) mas não adiantou muita coisa. Vou descrever minhas impressões de alguns dos lugares pelos quais passei: Porta do Sol: Uma praça que não achei nada demais, mas que tem bastante gente. Plaza Mayor: Linda, viva e cheia de energia. Tem muitos bares em volta dela. Mercado de San Miguel: Muito pequeno, muito charmoso, e muito cheio, qualquer horário que vá. Você compra o que quer comer e depois tenta a sorte de achar um lugar nos balcões que ficam lá dentro. Eu levei bem uns 10 minutos até achar um banquinho pra sentar, mas depois de pouco tempo cedi para uma senhora e terminei de comer em pé mesmo. Os preços variam bastante, dependendo do que estiver a fim de comer, eu peguei duas empanadas (EUR 7,00) e um copo de cerveja (EUR 5,00). Achei caro. Palácio Real: Imponente, mas não me convenceu a entrar nele. Fiquei só olhando de fora mesmo, numa próxima talvez... Templo de Debod: Esse eu gostei mesmo, qualquer coisa relacionado ao Egito me capta instantaneamente. Fica no meio de um parque aberto, várias pessoas correndo, sentadas no gramado curtindo a tarde, um dos melhores lugares que conheci lá. A mancada foi ter esquecido de voltar lá para ver como é dentro dele (no dia dessa foto já tinha fechado) Plaza de España: Outro lugar legal, tem muita mulecada que fica por lá tbm...vale a foto da Estátua de Cervantes e suas criações (Don Quixote e Sancho Pança) Parque Retiro: Fui já era bem tarde mesmo, é gigantesco, chuto ser umas 2,5x maior que o Ibirapuera. Minha segunda mancada foi não ter voltado lá quando tinha mais luz do sol, vale a pena gastar metade de um dia inteiro só passeando entre os bosques, talvez arriscar andar de barco no Estanque. BALADA (Pubcrawl oferecido no Hostel todos os dias = EUR 15,00) Fui só uma vez, e meio de surpresa (já que não estava programando algo do tipo), tava conversando com um Inglês no bar do Hostel e chegou um cara que trabalhava lá e perguntou se queríamos ir. Topamos, embora fosse uma segunda feira. Juntou galera de dois Hostels e fomos em 2 bares (um se chamava Nomad, o outro não lembro) e um clube (F***ing Monday), esse tava lotado, os outros dois estavam bem fracos. O ritmo que toca é Reggaeton, como curto Metal nem precisa dizer o que achei da música, mas a experiência como um todo vale a pena, deu pra conversar com bastante gente (marroquino, americano, italiano, e brasileiro tbm). O esquema é bem simples, vai andando de um local até o outro, é tudo bem perto, e vc tem direito a um shot (chupito) de Tequilla em cada lugar e descontos em cerveja (acho que era 10 euros e cerveja a vontade). Nos dois bares a Tequilla era bem vagabunda, fazia efeito nenhum, só no clube que deu pra ver que era melhor (José Cuervo). Saí 5h30 da manhã, e não repeti mais porque cansa passar o dia inteiro andando e ainda ficar a noite toda em pé. O resultado foi que só acordei depois as 14h30 e perdi metade de um dia na cidade. Toledo: Lugar incrível, lembra muito as cidades medievais da Toscana, o esquema de explorar é inclusive o mesmo: se perder nas vielas da cidade entre uma atração e outra. CURTI: A Catedral Primada de Toledo, tem uma torre em estilo meio gótico, e uns trabalhos em gesso muito bacanas; as Termas Romanas, que é outro tema que curto, e que basicamente são restos de um sistema de água e banhos de uns 2.000 anos atrás, e as Cuevas de Hercules, tudo gratuito (na igreja não entrei em nenhum passeio, só dei uma breve olhada interna no lado gratuito de quem vai pra missa); as vistas da parte alta da cidade; o Alcazar de Toledo, que só vi de fora e a Ponte San Martín. NÃO CURTI: A Igreja Cristo Luz (EUR 3,00), muito pequena, tem sua história por ter influência arquitetônica da época que ficou sob domínio árabe, mas dá pra ver bastante de fora, inclusive o que achei mais legal, um trecho de uma estrada da Era Romana. Córdoba: Definitivamente foi o ponto alto da viagem para mim. E não era esperado, pois tinha planejado ir para Segóvia, pois estava relativamente caro a passagem de trem para lá, porém como já estava perto do final da viagem e vi que tinha economizado bastante, decidi ir. E definitivamente não me arrependo, pois me deu uma ideia de como é a Andaluzia. Muito fácil sair da estação de trem e entrar no centro histórico, dá uns 15 minutos a pé, por umas praças (Jardines de La Victoria) cheias de Tangerina nas árvores, muito bonito. Logo depois se avistam as muralhas da cidade e o interior te dá a sensação de estar em uma mistura de Portugal com Grécia, devido a coloração branca das casas, ao estilo arquitetônico que remete ao colonial e à decoração das varandas com flores. As ruas são bem apertadas, e estava tudo muito mais cheio por lá devido a ser Sexta-Feira santa, estava tendo uma procissão que passava por alguns pontos turísticos inclusive, e acabou atrapalhando um pouco pois terminava na Mezquita-Catedral e por isso o horário de visita estava reduzido. Como ia comprar o ingresso ali na hora e eu tinha chegado bem quando havia encerrado o primeiro período de visitação (até 11h) eu decidi ver todos os outros pontos da cidade e voltar pra lá às 13h30 (meia hora antes de iniciar o segundo período de visitação, das 14h às 16h). Deu certo e não peguei uma fila muito grande quando voltei. Impressionante ver a mistura de culturas que há nesse lugar, encontra-se vestígios da ocupação Romana, Visigoda, Árabe, tudo num lugar só. A ponte Romana é muito bonita, embora estivesse apinhada de gente, mas a cereja do bolo é a Mezquita (EUR 10,00), vale cada centavo e muito mais, é um lugar único, aquele cheiro de incenso típico de igrejas católicas mesclado com um mihrab (nicho de oração árabe). Indescritível. Depois que saí ia passar nos Jardins de Los Reyes mas tinha fechado mais cedo por causa do feriado. Sem dúvidas vale dedicar uns dois dias a essa cidade, numa viagem com foco na Andaluzia. Santiago Bernabéu (EUR 25,00): Imperdível para quem gosta de futebol, mesmo que pouco. O Tour te leva as arquibancadas superiores, a sala de troféus que é quase um museu, aos vestiários e ao nível do campo (mas você não entra no gramado, fica só na área técnica) e no banco de reservas. Um detalhe que me chamou a atenção é o Wi-fi gratuito do lugar que tem um alcance gigantesco, já da rua da pra acessar, com uma velocidade ótima. Museo do Prado (EUR 0,00): ENORME, muito interessante para quem gosta de pinturas das eras medieval e renascentista, mas se prepare para pegar uma fila gigantesca caso não tenha comprado o ingresso com antecedência, ou se quiser aproveitar o horário de visitação gratuita (das 18h até as 20h, todos os dias). Cheguei 17h30 e a fila já dobrava um quarteirão do museu, que é imenso, chuto que tinha umas 300-400 pessoas. Gostei bastante das Pinturas Negras de Goya. Tem guarda-volume gratuito. Museu Reina Sofia (EUR 0,00): ENORME, mas a menos que você curte arte moderna (não é meu caso) vai se entediar rapidamente. De novo fila, como era dia dos Monumentos a entrada era livre, e a fila grande. Lá dentro tem guarda volumes, você deposita uma moeda de 1 euro e pega ela de volta quando sair. Fiquei umas 3h30 lá dentro, tentando fazer a pena o ingresso gratuito, mas não achei nada que me interessasse além do quadro de Guernica (Pablo Picasso), um painel gigante que te faz pensar bastante sobre a temática da pintura. Museu Naval (EUR 3,00): Foi o único museu que paguei, pois eles "sugerem" uma doação de 3 euros para a manutenção das instalações, e como a abordagem é bem incisiva e feita pessoalmente (diferente dos museus americanos onde apenas fica uma caixa para depositar a doação) fica difícil não pagar. Tem uma coleção interessante de material que remete ao poderio da Marinha Espanhola, vale a visita. Museu Arqueológico Nacional (EUR 0,00): O que mais gostei, tem muita coisa para ver, conta toda a História da península, e tem um acervo muito grande de cada era, desde a pré-História, passando pela época de dominação Grega, Romana, Visigoda, Árabe até a Reconquista e Idade Contemporânea. Também não paguei nada por entrar no dia dos Monumentos, e não tinha tanta gente assim igual aos outros museus. Enfim, isso é só um pouco de tudo o que vi por lá. Definitivamente valeu a visita. ORÇAMENTO FÉRIAS.xlsx
  15. Olá, pessoal! Tudo bem? Estou com uma dúvida e vim aqui tentar a sorte. Viajei para a Espanha em dezembro para ficar 15 dias, mas conheci um boy e acabei ficando sete meses. Estávamos entrando com os papéis para fazermos uma pareja de hecho, mas por motivos pessoais precisei retornar ao Brasil. Na saída por Lisboa, o policial na imigração foi super simpático e apenas me perguntou se eu sabia que tinha passado do tempo permitido. Expliquei tudo e ele apenas carimbou o meu passaporte e me disse que eu teria dificuldade para retornar. Não recebi nenhuma multa, pelo menos ali naquela hora e até agora nada. Ele apenas carimbou com a data de saída. Fiz um Novo passaporte, pois o meu já estava com 4 meses para vencer. Já fazem mais de 3 meses que estou no Brasil e quero retornar. Mas estou com receio de ficar barrada. Alguém saberia me dizer se o consulado fornece informações sobre restrições, caso exista alguma no sistema? Pq me disseram que mesmo com um novo passaporte eles têm como verificar se estive legal na UE. Desde já agradeço a ajuda. Abs
  16. Boa tarde pessoal, Eu e e minha esposa vamos viajar ano que vem (ou primavera ou outono) e gostaríamos de conhecer Portugal e Espanha. Acontece que não gostamos muito de visitar museus e igrejas/catedrais (já fizemos muito isso eu outros países), nós gostamos mais de belas paisagens, pequenas cidades e boa gastronomia. Então pensei em pedir essa ajuda a vocês, que tanto já me ajudaram com dicas. Sei que esse é um pedido já batido aqui no site mas, gostaria de ter uma ideia pra poder montar um roteiro não convencional (Lisboa, porto, Madrid, Barcelona...) Gostaria de dicas de cidades e lugares que se enquadre nas características que citei acima: belas paisagens, pequenas cidades e boa gastronomia... Muito obrigado!!!😀
  17. Olá mochileiros! Fizemos mais uma viagem para o velho continente e desta vez, vou fazer diferente. Ao invés de colocar os relatos de custos e locais onde ficamos, primeiro vou deixar as imagens. Logo mais, conforme as perguntas, vou postando os relatos.
  18. Boa tarde, Vou para a Europa em Agosto ( saindo de SP dia 16/08) e gostaria de dicas sobre alguns lugares pra visitar e a quantidade de dias para cada local. A viagem será de 22 dias no total, e as cidades que pretendo visitar são: Dubrovnik, Hvar, Zagreb, Budapeste, Praga, Munique, Ibiza, Barcelona. O que recomendam na Áustria? Quais sugestões? Valeu galera!
  19. Farei um mês de intercâmbio em Barcelona e pretendo mochilar nas duas semanas seguintes (meu vôo de volta parte de lá também). Devo me aventurar pela Catalunha e sul da França ou Portugal e sul da Espanha?
  20. Acima de tudo, antes de saber o que fazer em Barcelona, entenda que estamos falando de uma cidade com personalidade própria. Acima de tudo é preciso saber que você estará visitando mais do que uma cidade da Espanha – Você esta visitando a capital da Catalunha! Portanto, o idioma aqui não é o castelhano, o prato típico não é a paella e muito menos é a terra da dança Flamenca. Sobretudo, na cabeça de grande parte dos catalães, você esta em um outro país. Bem vindo a louca Barcelona!! Então, vamos embarcar nessa viagem? Confira o conteúdo completo aqui: https://naviagemdeviajar.com.br/o-que-fazer-em-barcelona/
  21. Boa tarde pessoal, Eu e e minha esposa vamos viajar ano que vem (ou primavera ou outono) e gostaríamos de conhecer Portugal e Espanha. Acontece que não gostamos muito de visitar museus e igrejas/catedrais (já fizemos muito isso eu outros países), nós gostamos mais de belas paisagens, pequenas cidades e boa gastronomia. Então pensei em pedir essa ajuda a vocês, que tanto já me ajudaram com dicas. Sei que esse é um pedido já batido aqui no site mas, gostaria de ter uma ideia pra poder montar um roteiro não convencional (Lisboa, porto, Madrid, Barcelona...) Gostaria de dicas de cidades e lugares que se enquadre nas características que citei acima: belas paisagens, pequenas cidades e boa gastronomia... Muito obrigado!!!😀
  22. Boa noite pessoal, Pretendo fazer uma viagem para a Europa, mas estou com dúvida no roteiro, ao total da viagem, desde a saída até a volta ao Brasil irão ser 15 dias, estou querendo conhecer Madri, Barcelona e Paris, dedicando 3 dias inteiros para elas, sem contar os deslocamentos. Vendo posts aqui no blog mesmo, me surgiu a dúvida se é viável ou são poucos dias para cada cidade, será minha primeira vez a Europa e estou cheio de dúvidas, segue roteiro: Dia 01 - SP > Madri Dia 02 - Chegada em Madri Dia 03 - Madri Dia 04 - Madri Dia 05 - Madri Dia 06 - Madri > Barcelona Dia 07 - Barcelona Dia 08 - Barcelona Dia 09 - Barcelona Dia 10 - Barcelona > Paris Dia 11 - Paris Dia 12 - Paris Dia 13 - Paris Dia 14 - Paris > SP Agradeço a ajuda, obrigado! **Ainda não sei as datas de viagem, estou cotando para setembro/2019.
  23. Boa noite pessoal, Eu e e minha esposa vamos viajar ano que vem e gostaríamos de conhecer Portugal e Espanha. Acontece que não gostamos muito de visitar museus e igrejas/catedrais (já fizemos muito isso eu outros países), nós gostamos mais de belas paisagens, pequenas cidades e boa gastronomia. Então pensei em pedir essa ajuda a vocês, que tanto já me ajudaram com dicas. Sei que esse é um pedido já batido aqui no site mas, gostaria de ter uma ideia pra poder montar um roteiro não convencional (Lisboa, porto, Madrid, Barcelona...) Gostaria de dicas de cidades e lugares que se enquadre nas características que citei acima: belas paisagens, pequenas cidades e boa gastronomia... Obrigado pessoal e boa viajem a todos!!😀
  24. 📷 Post original com fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/roteiro-sevilha/ A Espanha fica tão pertinho de Portugal que já estávamos há um tempo ansiosos por cruzar essa fronteira ibérica! O destino escolhido para a primeira viagem aos vizinhos foi Sevilha, capital da Andaluzia, no sul da Espanha! Sem maiores expectativas, achei que seria só mais uma cidade fofinha, mas surpreendentemente, foi amor a primeira vista! O trajeto entre Lisboa e Sevilha demora (descontando as paradas) por volta de 4h30, com estradas boas e pedágios só em Portugal. E foi só chegar no centro histórico da cidade que já comecei a me empolgar com as ruelas estreitas e a arquitetura dos prédios. É bem complicado encontrar vagas nas ruas do centro, muitas são só para residentes e as que não são, raramente estão disponíveis. O jeito é mesmo estacionar um pouco mais afastado. Apesar de ser uma cidade bem segura, fomos orientados a tirar tudo do carro (tudo mesmo, até uma caneta ou uma moeda de 0,2€!) e deixar o porta-luvas aberto. Seria um sinal de “aqui não tem nada pra roubar”. Nós ficamos 4 dias (2 inteiros + os da ida e da volta). A ideia era em um deles fazer um bate-volta em Córdoba, mas gostamos tanto de Sevilha que decidimos curtir a cidade com calma! E com o calorão de agosto, foi a melhor opção, já que paradinhas para cervezas e helados se tornaram um tanto frequentes. Sevilha é uma cidade espanhola, mas sua essência é claramente árabe! Depois de ter passado pelo domínio de vários povos, especialmente os romanos, os mouros ocuparam a região e detiveram o poder por oito séculos, até serem expulsos pelo rei Fernando III, que cristianizou o território. Mas foi só sair do Airbnb onde estávamos hospedados e dar alguns passos em direção ao centro histórico que já começaram a aparecer os primeiros sinais do passado mouro de Sevilha. É especialmente no bairro de Santa Cruz, a antiga juderia, que se notam azulejos em coloridos padrões geométricos, casas e hotéis com pátios árabes e aromáticas lojas de temperos e ervas. É uma atmosfera diferente, e a maior vontade é de simplesmente andar sem rumo por suas tortuosas ruas. Inevitavelmente a gigantesca Catedral de Sevilha vai surgir por entre as callese plazas. É uma das maiores construções religiosas do mundo e sua versão, hoje católica, foi construída sobre uma antiga mesquita. Essa mistura do islã com o cristianismo ocidental fica evidente na torre anexa à igreja, a La Giralda, um dos cartões postais da cidade. E pra imergir de vez na herança muçulmana de Sevilha é só adentrar o complexo de jardim e palácios reais batizado de Real Alcazar. Na verdade há uma mistura de estilos arquitetônicos nos diversos ambientes que compõe o conjunto, mas as salas árabes, com todos aqueles detalhes do chão ao teto, arrancam os mais maravilhados suspiros! Os jardins também encantam, mas é preciso ter tempo para percorrê-los com a calma que merecem. É também dessa mistura de povos, entre eles árabes, judeus e ciganos, que surgiu, na região da Andaluzia, o mais tradicional estilo musical espanhol: o flamenco! Tanto a dança quanto o canto, acompanhado das batidas fortes das guitarras, são intensos, daquele tipo de experiência que arrepia os pelinhos do braço e faz o coração pulsar mais forte! Não dá pra descrever Sevilha sem falar do seu cartão postal, a Plaza de España! Criada pelo arquiteto Aníbal González para a Exposição Ibero-americana de 1929, ela pode até ser um ponto turístico fabricado, com seu canal artificial e charretes carregando turistas levemente desinteressados, mas é absolutamente deslumbrante! Ao longo do edifício semi-circular, diversos painéis de azulejos detalhadíssimos representam todas as províncias espanholas. Em seu interior tudo é ricamente ornamentado, das paredes à escadaria. Do piso superior tem-se uma dimensão mais ampla da praça, que inundada pelo dourado do fim do dia fica ainda mais mágica! A praça fica na verdade dentro do Parque de María Luisa, cheio de fontes e cantinhos aconchegantes para uma paradinha relax. Os Jardines de Murillotambém são uma opção agradável para estar em meio à natureza e à vida cotidiana dos Sevilhanos. Já às margens do Guadalquivir, a Torre del Oro é o ponto turístico, mas o mais gostoso mesmo é o caminho até lá, uma caminhada pelo Paseo de las Delicias,que pode incluir uma paradinha em um dos bares beira-rio. E se até agora tudo parece muito harmonioso, uma estranha e gigante estrutura de madeira bem no centro histórico quebra bruscamente os padrões. É o Metropol Parasol ou Las Setas (os cogumelos), de onde se tem uma vista 360º de Sevilha! O valor da entrada inclui um pequeno desconto na consumação do bar no topo. Não é uma má ideia terminar o dia brindando o pôr-do-sol com uma cerveja artesanal espanhola. A Espanha é o paraíso das tapas! Em Sevilha elas são geralmente baratas e bem servidas. Não há programa mais local do que escolher uma mesa pelas praças e calçadas para tapear, acompanhado de uma cerveja ou uma jarra de sangria. É particularmente bom para vegetarianos, já que há muitas boas opções sem carne (embora o jamón seja uma paixão nacional). Tive duas paixões gastronômicas que salivantemente recomendo: as tortillas de patata e o gaspacho. Sim, a ideia de uma sopa fria de tomate e outros vegetais parece no mínimo questionável, mas acredite, é maravilhoso! Sevilha é também muito conhecida pelas touradas, mas como essa é uma prática que eu abomino, não assisti à nenhuma e nem visitei a Plaza de Toros. Não sou do tipo que impõe meus princípios por aí, mas sugiro pesquisar um pouquinho sobre essa prática, que traz tanto sofrimento aos animais, antes de decidir financiá-la. Sevilha me conquistou! Por sua cultura, sua história, pela simpatia de seu povo e claro, pelo estômago! 📷 Post original com fotos aqui: http://www.queroirla.com.br/roteiro-sevilha/
  25. Ola Pessoal, eu e uma amiga vamos fazer uma viagem de carro na espanha. Queremos sair de Pamplona e seguir pelo litoral, indo de San Sebastian ate Santiago de Compostela. O total de horas, se fossemos de uma vez, seria 11 horas, mas queremos aproveitar as cidades e queria ajuda com os dias em casa. Sabemos que algumas da pra se fazer em poucas horas mas outras merecem mais. Se puderem me ajudar ficaria muito grata. Pamplona San Sebastian Zarautz Guernica Biscaya Bilbau Santander Gijon Ribadacela (ou Oviedo/Ponferrada, Lugo, Santiago tambem eh considerado) Lugo Santiago de Compostela Desde ja agradeco
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