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relato Rio Branco - Cusco - trilha inca (18 dias - jan e fev/2013)

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Parti de São Paulo rumo ao infinito (ou quase isso, rumo ao Acre haha) no dia 24 de janeiro de 2013...

 

Dia 1 (24/01)

 

2 horas de voo até Brasília + 3 horas esperando no aeroporto + 3 horas de voo até Rio Branco.

 

Dia 2 (25/02)

 

Cheguei em Rio Branco 1h30 e já sabia que teria que esperar até às 5h pra poder pegar um ônibus e enfim ir pra algum hotel indicado pelo meu amigo, que custaria 20 reais, próximo à rodoviária. Não tinha wifi, não tinha ninguém, não tinha nada (a minha única certeza era que o Acre existia, aparentemente).

Conheci o Mauro (menino que trabalhava no balcão de informações da INFRAERO) e conversamos um pouco sobre a minha viagem, já que ele sonha em conhecer o Peru também, e ele me recomendou não me hospedar perto da rodoviária porque não havia mais nada por lá e se tornou um lugar extremamente perigoso, ainda mais pra mim, que estava sozinha. Começamos então a ligar pra hotéis pra encontrar o mais barato.

No meio da conversa, surgiu um comissário de bordo da TAM chamado Fábio, acreano viajante com sangue inca, cujo segundo trabalho é numa agencia de viagens do Peru. Ele me ajudou muuuuito! Fez um mapa, roteiros, deu várias dicas, contou histórias, até mesmo ofereceu a casa dele pra eu dormir caso não arranjasse um hotel. Até gostaria de ter aceitado o convite, mas eu, como paulistana desconfiada viajando à milhares de km longe de casa, fiquei com o pé atrás e recusei.

Era aproximadamente 4h e o Fábio teve que ir embora pra casa dele e eu voltei a conversar com o Mauro no balcão de informações, até que chegou outro comissário da TAM (muito boa gente, cujo nome eu não me lembro) e ao saber da minha situação me ofereceu carona até a cidade, onde havia um hotel barato!

Mesmo receosa e desconfiada, eu aceitei a carona e fui na cara e na coragem rumo ao desconhecido. Conversamos sobre política, músicas regionais e violência, realmente aquele cara era muito gente boa e me deixou na porta de um hotelzinho beeem feinho, com dois caras estranhos na porta (inclusive um me ofereceu drogas), mas não me importava muito com isso, eu só precisava dormir em um lugar barato.

No hotelzinho baratinho (que de barato não tinha nada), a dona quis me cobrar 40 reais por uma estadia de 12 horas, mas logo me indicou o hotel que havia lá perto por ser mais barato e haver café-da-manhã, inclusive me levou até o hotel, que ficava na mesma quadra.

No hotel JK, consegui diárias (completas de 24h) por 60 reais, e foi lá mesmo que eu capotei. Aliás, nem dormi quando cheguei pois estava quase na hora do café então esperei um pouco e fui comer.

Depois do café (e que café maravilhoso...) pude enfim capotar, mas nem dormi tanto assim para poder aproveitar o dia. Conheci a Gameleira, palácio Rio Branco e o mercado velho (que agora é novo) onde comi a “baixaria” – farelo de milho, carne, cheiro verde e tomate.

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casinhas na beira do rio Acre

 

Descansei um pouco depois do almoço e me preparei psicologicamente pro Sol quente quente quente quente do norte do Brasil, e fui corajosamente até o museu da borracha. Acho que andei uns 2 km com sensação de que foram 10, e chegando lá eu descobri que o museu estava fechado por conta do feriado “Dia do Evangélico”.

Voltei triste e fui pra gameleira esperar o pôr-do-sol. Foi naquela ponte que eu conheci o primeiro peruano da minha viagem, até combinamos de nos encontrar em Cusco, porém tive preguiça depois.

Uma dica pra quem vai pra Rio Branco: NEM REPELENTE SALVA! Se você quer passar o fim de tarde tranquilamente olhando pro rio Acre, apreciando a paisagem... Esqueça! Os mosquitos não vão deixar.

E não é qualquer mosquito não, os danadinhos se chamam-se Mucuim: eles te beliscam, deixam um bolinha de sangue e depois muita coceira.

Passei no mercado e depois fui dormir bem cedo (umas 21h) para recarregar as energias e acordar bem para pegar o ônibus no dia seguinte.

 

Dia 3 (26/01)

 

Acordei umas 8h e preparei as coisas pra pegar o ônibus rumo ao Peru às 10h30...

Ao meu lado no ônibus sentou-se logo um peruano de Lima (Augusto), que veio ao Brasil com a esposa para investir em Açai, ou alguma coisa do tipo. Passamos uns trechos do caminho conversando bastante sobre os incas, a cultura no Peru, etc. Pude absorver muita coisa boa e recebi muitas dicas para a viagem.

Descemos todos em Puerto Maldonado e nos despedimos depois de aproximadamente 8 horas de viagem. Esperei uma hora na rodoviária até pegar o ônibus até Cusco e fiz várias amizades com brasileiros nesse meio tempo (uma senhora que nasceu na Acre e veio visitar sua terra natal depois de uns 50 anos, que aproveitou pra conhecer o Peru; um garoto amazonense que iria participar de um concurso de moda em Arequipa; Elizanir do interior do Acre que ia visitar Lima, e inclusive me convidou pra conhecer a cidade dela).

Dentro do ônibus rumo à Cusco, conheci Fabrizzio, o meu amigo oficial peruano. Conversamos bastante sobre muitas coisas o caminho e assim que começamos a subir os Andes eu achei melhor dormir um pouco.

Uma dica: não olhe pra janela durante as horas de subida, pois pode dar muita tontura, muita gente no ônibus passou mal e eu acho que foi por isso. Fechei um olho e fiquei bem o caminho todo.

Um fato: Um dos poucos momentos em que eu olhei pela janela foi bem bonito, havia neve no caminho do ônibus, à poucos metros de mim.

 

Dia 4 (27/01)

 

Chegando em Cusco estava muito frrrrrrio e chovendo, e eu turistona estava de chinelo e casaquinho leve, e foi aí que o Fabrizzio salvou a minha vida me emprestando o casaco dele.

Não quis saber de muita coisa na chegada, peguei um taxi e fui direto pro hostel.

Eram 5h da manhã e o check-in do hostel só poderia ser feito às 14h. Dormi numa salinha de filmes, onde muita gente ia ver filme, eu parecia uma mendiga congelada haha.

Chegando no quarto, às 14h (amém) conheci a Meghan, uma canadense que estava viajando pela América do Sul, rumo ao México.

Fui logo encontrar o Fabrizzio para poder devolver o casaco dele, troquei meus dólares e fomos comer num restaurante chamado Don Pimiento, cujo Menu custava 8 soles e acompanhava uma entrada, uma sopa e um prato principal.

Experimentei Cebiche (com um anzol de brinde) e só quando terminei de comer eu descobri que é comido cru , tomei uma sopa de sei lá o que com batata (o básico do Peru) e arroz com salada de alguma coisa e carne.

Depois disso fomos fazer compras nos mercados da Av. del Sol, muy bueno chicooooos.

Voltei cedo pro hostel, descobri que havia brasileiros por lá também e arranjei um companheiro pra sair e tomar um vinho na Plaza de Armas, depois fomos pro pub irlandês do hostel e lá eu conheci algumas pessoas mas tive que ir dormir cedo porque estava extremamente cansada. Eram 23h e eu já sonhava com alpacas.

 

Dia 5 (28/01)

 

Acordei super mole, não tenho outra definição. Estava bem cansada e acredito ser culpa do soroche (mal de altura), então parti rumo ao café mais próximo para tomar o famoso chá de coca... O gosto não é nada de extraordinário, mas graças à essa belezinha eu pude finalmente respirar bem, depois de uns 18 anos.

Já que consegui respirar bem, resolvi desbravar a cidade de Cusco seguindo por uma rua bem comprida. Foi nessa rua que eu finalmente tive noção que estava longe de casa. A organização, os rostos, o idioma... Tudo diferente! Sinto que foi naquele momento em que eu pude captar a cultura local de Cusco, tive uma experiência antropológica profunda.

Ahhh, e foi nessa rua que eu encontrei um Menu num restaurante local só pra peruanos por 3,50 soles. Isso mesmo, comi bem por 3,50.

Depois fui pro hostel descansar e conheci o Chris, inglês que acabara de voltar da trilha Salkantay, conversamos bastanteeee sobre trilhas no Peru e fomos jantar no Don Pimiento, pois era o único restaurante perto que eu conhecia. Comi um spaghetti napolitano e sinto que não deveria ter experimentado ele, pois se tornou a refeição básica de todos os dias. Nos despedimos e eu fui dormir bem cedo...

Conclusões antropológicas desse dia:

- Os turistas são hipócritas em se concentrarem em áreas onde só existem mais turistas, deixando assim de conhecerem os verdadeiros aspectos culturais da cidade e aumentando a desigualdade entre centro x periferia.

- Engraxates são contratados como forma de lazer e status, existem banquinhas próprias onde a maioria dos homens que usam esse serviço os fazem lendo jornal.

- Quase todos leem muito jornal nas horas livres em praças.

- As crianças de Cusco brincam MUITO com balões.

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Dia 6 (29/01)

 

- trilha inca dia 1

Acordei aproximadamente 4h30, tomei meu último bom banho e arrumei as coisas para partir rumo ao Camino Inca, já que a guia da agência Inca Peru Travel estaria me esperando às 6h na recepção do hostel.

Fui pro pátio umas 5h30, conversei um pouco com uma chilena e um francês que faria um percurso semelhante porém de bike e, aproximadamente umas 6h15 a guia Maria Elena foi ao meu encontro no meu hostel.

Na van já estava o chefe dos porteadores (Augusto) e os outros dois integrantes do grupo, dois brasileiros geógrafos gaúchos (Duan e Heron). Não conversamos muito inicialmente, eu estava um pouco ruim do estômago e com preguiça matinal, então fui somente observando a paisagem e as montanhas se aproximarem. Foram aproximadamente 1 hora dentro da van até Ollantaytambo, onde tomamos um café da manhã animador e compramos as últimas coisas importantes pra trilha.

Rumo ao KM 82 o tempo não passava e a estrada ficava cada vez mais rente ao rio Urubamba, que estava bem bravo por sinal. Enfim chegamos no primeiro controle da trilha inca...

Depois de todos trâmites legais, cruzamos a ponte que iria batizar o inicio da nossa caminhada, peguei uma pedra inicialmente e guardei ela para concentrar as minhas energias no percurso, mas logo encontrei outra mais bonita e a levei comigo.

Começamos a caminhada e nos primeiros 20 segundos em uma leve elevação eu pensei:

O QUE EU TO FAZENDO AQUI? NÃO VOU AGUENTAR ISSO, JÁ ESTOU CANSADA COM ESSA SUBIDA, IMAGINA NO SEGUNDO DIA QUE DIZEM SER A PIOR???

Mas segui e o caminho se tornou tranquilo e bonito em suas partes planas. No inicio da trilha existem algumas casas e frequentemente cruza-se com os moradores desses pequenos poblados, e assim caminhamos, com uma subidinha por aproximadamente 1 hora até chegar no local do almoço.

Chegamos consideravelmente cedo no local da refeição então descansamos um pouco, depois tive uma surpresa na hora de comer: A COMIDA ERA DEMAIS! Eu li em alguns relatos, as pessoas reclamando que comiam melecas ou coisas bem ruins, porém o meu primeiro almoço foi bonito e muito gostoso (não lembro o que era, mas era delicioso). Logo no almoço eu perdi minha pedra inca.

Depois andamos mais, choveu por alguns segundos, vimos um sitio arqueológico aleatório e chegamos no acampamento antes de darmos conta. Foi tranquilíssimo! (Agora é fácil falar que foi tranquilo, mas fiquei bem cansada e até tive medo de não aguentar os dias seguintes, um pouco da culpa foi por eu tentar manter o mesmo ritmo dos outros do grupo, então me esforçava demais)

A vista do primeiro acampamento não é nada de surpreendente por isso conversei um pouco com os meninos, jantamos umas 17h30 e fomos dormir bem cedo (umas 19h). Tive dificuldades pra dormir pois senti muito frio, uns medos estranhos e tive sonhos ruins.

 

Dia 7 (30/01)

 

- trilha inca dia 2

Acordamos umas 5h30 para tomar o café cedo e começarmos a caminhada. Confesso que estava bem preocupada com o dia que se seguiria, pois li em vários relatos que este seria o pior devido à subida e à altitude. Estava num impasse acerca de contratar ou não um carregador pra levar minha mochila, mas cheguei à conclusão que devia tentar fazer isso sozinha, então fui.

A primeira subida já me mostrou que eu não seria capaz de fazer isso sozinha, então depois de muita luta subjetiva eu paguei um porteador pra levar minhas coisas no segundo dia, e realmente me senti um pouco fracassada por ser incapaz de fazer a trilha inteira por conta própria, mas infelizmente se não fosse assim, não seria. Pude enfim alcançar os garotos do grupo, já que havia me livrado de uns 6 kg de sobrepeso, mesmo assim fui sofrendo com falta de ar (só a folha de coca salva!).

No segundo dia passamos por diferentes tipo de vegetação, primeiro havia um caminho normal rente à montanha com vista para outras montanhas, meio úmido. Depois caminhamos ao lado de um riacho e lá a vegetação era bem úmida e era muito bom caminhar por ali, haviam escadas de pedra e na minha opinião facilitaram o caminho, seguimos assim até praticamente a última parada antes da subida final.

 

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trecho bem úmido ao lado do riacho no 2º dia

 

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escadas, escadas e escadas no segundo dia.

 

Na parada de descanso pudemos avistar o topo e pareceu ser bem tranquilo, mas só pareceu mesmo. Tive como base a montanha grande com um caminho que ficava pra trás, e a subida parecia não ter fim até o topo. Subimos, subimos, subimos, bem devagar. O ar ficava cada vez mais rarefeito e a cada 5 degraus já era necessário parar pra tomar fôlego, até era engraçado.

Em alguns momentos me via sozinha na trilha e podia contemplar a grandiosidade de tudo aquilo, o tamanho daquelas montanhas, nuvens, o som do vento e das águas, passarinhos, insetos, animaizinhos... Tudo estava em pura harmonia naquele momento. E eu me sentia parte daquilo, estava conectada!

 

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subida final

 

Chegando no topo (até que enfim) estava um vento muito gelado, e eu despreparada e sem mochila peguei emprestado um casaco do Duan, que estava muito quentinho!

Respirei fundo, olhei em volta e senti uma sensação de vitória por ter alcançado o ponto mais alto da trilha (4200 metros). Fiquei um pouco triste por não ter levado minha mochila, mas o importante é que eu estava lá!

 

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Ufa, no topo!

Começamos a descer e parecia que não ia ter fim também... Dessa vez os meninos foram bem na frente, enquanto eu fui tranquila admirando a paisagem e sentindo a energia daquele lugar. Tudo muito lindo, sem mais. O único problema foras as pedras desproporcionais e desniveladas, que faziam com que eu torcesse os pés e forçasse muito mais as pernas, portanto tive como resultado final muita tremedeira e dores nas coxas. Estava feliz!

Almoçamos muito bem ao chegar no acampamento, e depois tínhamos umas 3 horas pra descansar ou dormir. Os outros brasileiros e a guia foram dormir, enquanto eu reservei o tempo pra apreciar a paisagem do acampamento (a mais bonita de toda a trilha) e refletir um pouco sobre as coisas. Cada movimento das nuvens fazia com que a paisagem se modificasse, o sol refletia nas montanhas à frente e alguns picos nevados começaram a surgir. Senti que aquele momento foi um presente da natureza e que eu estava onde deveria estar, seguindo o rumo de tudo que é natural.

 

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visto do acampamento da 2ª noite

 

Aquelas horas em frente às montanhas me renderam reflexões e descobertas subjetivas muito profundas, só tenho à agradecer à natureza por tal momento grandioso e lindo!

Bem, fizemos o lanche da tarde em seguida, conversei com os garotos por aproximadamente uma hora e já estava na hora do jantar.

Dizem que a segunda noite é a mais fria, e podíamos constatar isso antes mesmo do jantar, por isso eu coloquei TODAS as roupas que havia levado (portanto 3 camisetas, 3 calças e 3 meias) e mesmo assim o frio estava bem forte.

Depois do jantar tomamos um chá bem quente, coloquei água quente no meu cantil para por dentro do saco de dormir e saímos da barraca-cozinha.

Ao sair de lá tive um surpresa linda, o céu estava cobeeeerto de estrelas! E as estrelas estavam gigantes, brilhantes, lindas! Foi o céu mais lindo que eu já vi na vida, só foi uma pena que não pude ficar contemplando-o por muito tempo por conta do forte frio que estava por lá, mas os poucos minutos já valeram pra marcar.

Entrei na minha barraca, fiz minha inspeção costumeira pra ver se não havia nenhum bicho e capotei! Tive uma noite boa e quentinha devido ao cantil com água quente no saco de dormir...

 

Dia 8 (31/01)

 

- trilha inca dia 3

Meu celular despertou às 5h da manhã para que eu pudesse arrumar minhas coisas e ser oficialmente acordada às 5h30. O sol já estava clareando as coisas e era possível ver as sombras do que havia por perto, eis a surpresa:

Havia uma lesma gigante grudada na lona da minha barraca!!! A bichinha estava do lado de fora, por baixo de outra capa protetora da barraca e estava subindo rumo ao mosquiteiro na parte superior, eu via ela se mexendo e deixando rastros molhados, argh!

Ouvi que os meninos do grupo haviam acordado e pedi pra eles me ajudarem a tirar o bicho, porque eu não tinha coragem de sair de lá. Pra piorar, eles não conseguiam ver nada por culpa da segunda capa, e acharam que eu estava LOUCA! Tive que sair da barraca e fiz tirarem tudo até encontrarem a tal lesma. Dito e feito, lá estava ela, preta com uns 15cm. Ufa, não estou louca!

Depois do meu mini-pânico tomamos um bom café da manhã e partimos pro dia mais longo da trilha inca, iriamos andar 15km e dessa vez eu iria carregar todo meu equipamento. Subimos uma montanhazinha bem cansativa e depois na descida eu travei!

Sério, eu ia devagar-quase-parando naquela escada, foi formando uma fila bem grande atrás de mim e precisei de ajuda da guia em um momento, que vergonha! A verdade é que eu tive muito medo de ser empurrada pela peso da minha mochila, ou me desequilibrar enquanto descia, e realmente era bem íngreme.

Descida, descida e descida é o resumo da primeira parte do terceiro dia, e um pouco antes de alcançar o acampamento passei por uma parte muito bonita com bastante vegetação, animais e tranquilidade. Fui sozinha por boa parte desse percurso, respirando e caminhando devagar pra absorver tudo!

Cheguei no acampamento enquanto os outros garotos estavam esperando há 1h30, sou bem lenta mesmo hahaha, mesmo assim tivemos que esperar uns 10 minutos pelo almoço e depois retomamos a caminhada. Subimos um pouco, andamos em trechos planos, descemos um pouco e assim por diante por umas duas horas, e boa parte do caminho foi feito na beira de precipícios e descidas íngremes, só foi uma pena o tempo estar nublado, impedindo-nos de ver a paisagem.

Não lembro ao certo em que momento começou mais descida, mas ela foi bem filha da puta! Muita pedra úmida pela garoa que começara a pouco, degraus desnivelados, tudo íngreme. Qualquer distração resultava em cair, com certeza! Depois de uns 40 minutos o caminho ficou plano e com várias curvas, mesmo assim as pedras não facilitavam as coisas. Não era permitido ser negligente, pois uma pisada em falso era queda montanha abaixo.

No caminho só havia uma coisa que me animava e confortava, e eu até comentei com a guia Maria Elena que em vários relatos haviam dicas sobre uma lanchonete que havia ali e oferecia banhos quentes por uns 5 soles: “Finalmente hoje eu vou poder tomar um banho (quente)”.

Então recebi praticamente uma facada no coração, a lanchonete havia fechado há uns 2 anos! Ou seja, sem banho quente! Como? Machu Picchu com cabelo ruim e grudenta? Não pode ser!

O grupo entrou em consenso e escolheu fazer o caminho mais curto até o acampamento (que de curto esse caminho não teve nada). Andei em zigue-zague por uns 40 minutos até dar de cara com a minha linda barraca, nem acreditei.

No acampamento do 3º dia há uma ducha GELADA, onde somente pessoas corajosas banham-se com águas de lagos localizados no topo das montanhas andinas. Não pensei duas vezes, fui tomar um banho gelado mesmo... Não foi fácil, mas saí de lá me sentindo a aventureira da floresta, praticamente um Christopher Mccandless (do filme Into the Wild). O banho me renovou e me fez muito bem, então depois disso fiquei observando a paisagem, pensando nas dificuldades e agradecendo à Pacha Mama por ter chegado até lá.

 

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acampamento do 3º dia

 

Durante o jantar, tivemos umas conversas bem esquisitas... A guia Maria Elena nos recomendou muita cautela para o último dia de trilha, pois passaríamos por lugares altos e fáceis de cair, ou seja, seria um trajeto bem perigoso. Em janeiro mesmo houve um acidente, onde uma menina caiu aproximadamente 300 metros e morreu, e lá é o lugar onde acontecem mais acidentes em toda trilha.

O jantar do terceiro dia foi bem emocionante também porque nos despedimos dos porteadores, que fariam outro caminho pela manhã para retornar de trem até Cusco. Fizemos pequenos discursos de agradecimento, demos um dinheirinho como retribuição de todas as coisas boas que eles fizeram, já que sem o trabalho deles (que chega a ser exploração) essa trilha não seria possível!

Enfim, nos despedimos e fomos dormir cedo em nossa última noite nas montanhas andinas... Tive uma noite difícil porque estava morrendo de medo de cair, de verdade! Estava convicta de que ia morrer, credo.

 

Dia 9 (01/02)

 

- trilha inca dia 4

Acordei 2h15 para ter tempo de arrumar minha coisas, já que o horário certo era 3h. Estava bem escuro, mas mesmo assim eu já podia ver a sombra de uma coisa ou outra e, baseada no trauma da noite anterior dei uma verificada ao redor da barraca, e adivinha:

Mais lesma! Dessa vez eram duas (uma grande e uma pequena que deslizava pra lá e pra cá) e já haviam alcançado o mosquiteiro! Fiquei em choque e decidi esperar quietinha os meninos acordarem na outra barraca. O tempo não passava...

Às 2h30 eu comecei a escutar vozes, e podia jurar que minha salvação estava à caminho, pensei logo que os meninos acordaram e estavam conversando, então gritei:

- “Meninos, vocês estão acordados?”

Um deles me respondeu com uma voz de quem estava quase dormindo: Não!

- “Tem mais lesma na minha barraca, e dessa vez são duas, me ajudem!”

E ninguém veio... Decidi esperar mais um pouco até às 3h para ver se eles levantavam e iam me ajudar, mas mandaram eu me virar sozinha.

Confesso que tive uns insights com consciência de quão frescurenta eu estava sendo, mas eu realmente tenho fobia de bichos gelados, e só consegui imagina-los caindo na minha cabeça enquanto eu saia da barraca. Pronto, comecei a chorar!

Fiquei travada dentro da barraca por um bom tempo até que o Duan abriu o zíper da minha barraca e mandou eu sair de lá, porque ele não estava vendo nenhuma lesma e tínhamos que tomar café, depois de umas 20 tentativas eu entreguei minha mochila pra ele, e fui correndo pra fora da barraca. Novamente as lesmas estavam escondidas por baixo da segunda capa e não era possível vê-las, e graças à Pacha Mama nenhuma caiu na minha cabeça!

Quando a guia saiu da barraca e me viu chorando ficou sem entender nada, e rimos à beça da situação durante o café-da-manhã ( e os meninos me zoaram por isso pelo resto da viagem e provavelmente pelo resto da minha vida)

Detalhe: ninguém nunca pode comprovar que haviam ali duas lesmas, mas eu vi, juro que vi!

Partimos do acampamento umas 3h30 ainda com as lanternas ligadas, pois estava tudo muito escuro, e ficamos esperando no último controle até 5h30 para começar a última caminhada rumo à Machu Picchu.

5h30: let’s go! Eu era a mais lenta do grupo e a guia sempre ia me acompanhando e íamos conversando. Acredito que todos os outros grupos me ultrapassaram, me sentia uma tartaruga, mas não tem problema. Hahah

Olhava bastante para o chão nesse dia, mas a vista das montanhas era muito bonita também. Nesse dia tive uma das paisagens mais inesquecíveis também, que foi o nascer do sol entre as montanhas, foi a coisa mais linda. Queria ter tirado uma foto mas não achei muito seguro...

Passamos por vários precipícios e zonas de deslizamentos bem grandes e perigosas, aliás, em uma dessas zonas de deslizamento eu achei que fosse cair... Havia pedrinhas muito pequenas que faziam o tênis rolar rumo ao desfiladeiro, era uma curva fechada e eu senti que a mochila ia me ajudar à despencar, e foi aí que eu encontrei uma pedra grande, agarrei-me a ela e me coloquei numa posição mais difícil de sair, até falei baixinho três vezes “eu vou cair”, mas fiquei agarrando a pedra até aparecer um guia e me dar a mão, com a maior tranquilidade.

Uma coisa bem triste foi que em dois pontos do caminho havia faixas amarelas de isolamento, e depois soube que esses foram os lugares onde morreram pessoas em janeiro.

Bom, passado esse trecho difícil, cheguei em uma escada bem íngreme de aproximadamente 20 metros, onde foi necessário escalar para alcançar o topo, mas foi tranquilo. Dos males esse foi o menor...

Alcançando o topo, já estava no Portal del Sol, uma construção inca cheia de significados e acontecimentos durante o solstício, onde já era possível avistar a cidade de Machu Picchu. Inicialmente havia uma nuvem, mas logo depois que eu cheguei o céu abriu e eu pude ver Machu Picchu bem pequenininha se mostrando pra mim, linda!

 

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Machu Picchu vista pelo Portal del Sol

 

Descemos por mais aproximadamente uma hora e chegamos na tal cidade inca, enquanto caminhava em meio aos turistas, cheia de equipamentos e cansaços, senti que deveria estar lá.

Senti que MERECI estar em Machu Picchu! Eu sofri, eu chorei, senti dor, cansaço, medo, vi as paisagens mais belas da minha vida, e tinha um objetivo final, e estava alcançado. Eu fui capaz, sabe? Foi uma sensação realmente boa.

Fui no banheiro trocar de roupa e passar uma maquiagem na cara pra sair bonita nas fotos (rs), deixei minha mochila com a guia, me despedi dos meninos do grupo (pois eles iriam voltar no dia seguinte) e fui explorar Machu Picchu. Foi tão óbvio que não vale a pena o relato, só foi legal porque fiz dois amigos argentinos!

 

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foto óbvia que todo turista tem que tirar na cidade inca

 

Descendo de Machu Picchu me despedi das montanhas que me proporcionaram lindas experiências, e fui encontrar novamente os chicos brasileños e a guia em um restaurante em Aguas Calientes, para a despedida oficial.

Enrolei um pouco na cidadezinha até que começou a chover. Depois de um dia lindo, uma trilha fantástica com muita sorte em relação a clima, não podia agradecer à natureza de outra forma a não ser tomando o melhor e mais merecido banho de chuva da minha vida.

Na volta, peguei o trem até Ollantaytambo e um ônibus até Cusco com o motorista mais louco do mundo, o cara até passava por umas ruas onde não cabiam ônibus e acelerava muito nas estradas peruanas, que medo!

Cheguei umas 23h, viva, na chuva e morrendo de frio em Cusco, fui logo pro meu hotel e só pude dormir umas 3h, que foi o horário em que acabou o barulho do bar do hotel, muito ruim.

 

Dia 10 (02/02)

 

Eram 6h da manhã quando eu acordei com uma dor MUITO forte na região do abdômen, realmente não sabia o que era. Virava de um lado à outro da cama e não conseguia dormir, até que decidi procurar uma farmácia. Andei umas 4 quadras até achar uma “botica”, mas disseram que não podiam me vender nenhum remédio sem receita, e que eu devia ir ao hospital.

Então fui ao hospital, que fica em outro distrito (Santiago), há umas 8 quadras do meu hostel...

Chegando lá eu pude notar como a saúde é precária no Peru, o hospital é meio sujo, tive que passar pelas camas de pessoas internadas para chegar à sala de aplicação de uma injeção, etc. A coisa boa é que é acessível à todos, já que uma consulta custa 10 soles (mais ou menos R$9,50).

Bem, fui examinada pelo médico e ele me pediu alguns exames e me receitou algumas injeções, só que eu tive que voltar pro hostel para pegar mais dinheiro pra pagar por tudo. Fui, voltei, fiz exame de sangue e a moça disse que eu teria que esperar duas horas até o resultado ficar pronto.

Voltei pro hostel, arrumei minhas coisas, saí de lá e arrumei outro hostel (que eu considerei melhor), a história é que eu estava descontente com o último quarto em que fui colocada, achei meio sujo e barulhento, então decidi arranjar outro lugar.

Passadas as duas horas eu peguei um taxi e voltei pro hospital, só que no caminho eu percebi que havia um festival de dança, e era bem pertinho do hospital...

Retirei o resultado do exame de sangue só que teria que esperar uma hora até o médico voltar ao atendimento, então aproveitei pra ir ao festival.

Era um tipo de carnaval, onde havia pessoas com trajes típicos e dançavam as danças tradicionais de cada região do Peru, uma curiosidade é que aquele era um evento direcionado para o povo daquele lugar, não era algo para turistas, e só haviam peruanos por lá. Creio que eu era a única turista!

 

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Foi um festival muito colorido, emocionante. Fiz logo amizade com uma senhora que estava ao meu lado e ela me explicava sobre as regiões e algumas coisas sobre cada microcultura peruana, ela estava emocionada pois a filha dela iria dançar ali.

Havia muitas vendedoras por ali, passavam no meio da plateia vendedoras de gelatina, melancias, sorvetes, amendoins, etc. Mulheres que, em um braço carregavam suas bandejas, com o outro seguravam o filho mais velho, enquanto o mais novo era carregado em suas costas, com ajuda de um pano colorido típico peruano.

Em um momento, duas senhoras com trajes típicos foram para o centro da “arena” e começaram a cantar canções tradicionais em Quíchuas (o idioma mais tradicional do Peru, ainda forte em regiões afastadas do campo), foi aí que um velhinho, que aparentava ter uns 80 anos, começou a chorar. Eu manteiga derretida que sou, comecei a chorar só de ver a emoção dele perante suas raízes.

Em meio à toda festa, os organizadores devem ter percebido que eu era turista e logo chegaram em mim com uma câmera e um microfone, que vergooonha! Me perguntaram de onde eu era e o que estava achando do festival, me enrolei toda no espanhol e depois pediram pra eu falar em português mesmo, acho que mandei bem na entrevista hahahha.

Mesmo depois de toda essa situação eles anunciaram no microfone, pra toda plateia, que lá havia uma turista brasileira, e pediram pra eu levantar a mão, puts!!!! Hahahah

Fiquei mais um pouco fazendo uma social de turista e logo tive que voltar ao hospital. Lá, o médico disse que estava tudo bem comigo, me passou uns comprimidos pra dor e tchau!

Passei a tarde me recuperando e descansando no meu hostel, pois à noite eu encontraria meus amigos argentinos de Machu Picchu e iriamos “bailar” muito...

Saí ao encontro do pessoal umas 22h e fiquei esperando por muito tempo, ninguém apareceu! Mas nesse meio tempo um indígena inteligentíssimo e outro cara sentaram do meu lado e começamos a conversar sobre antropologia, política e até um pouco de economia. Tivemos uma conversa bem agradável, mas tive que ir embora logo pois estava morrendo de frio ali. Cheguei no hostel e dormi.

 

Dia 11 (03/02)

 

Combinei com o meu amigo Fabrizzio de irmos ao mercado de Pisac, para que eu pudesse tirar fotos e comprar coisinhas...

Esperei aproximadamente uma hora (e ele também, nos desencontramos) na Plaza San Francisco e aproveitei para comer uma salada esquisita com queijo por 5,50 soles, em uma barraquinha com comida na própria praça. Comia a única refeição sem carne do local, foi difícil de encontra-la. Nessa barraquinha havia também o famoso Cuy (porquinho-da-índia), dava a maior dó.

Enquanto comia, o Fabrizzio havia me encontrado e logo em seguida fomos de carro até Pisac, porém eu não comprei muitas coisas, nem tirei fotos no mercado de lá. Logo em seguida ele quis me levar à um lago represado que fica no topo de umas montanhas. Então fomos! Tive medo pois passamos em vários pontos de deslizamento e havia começado a chover há pouco tempo.

No caminho para o lago demos carona pra um velhinho que estava indo para a casa dele com um saco gigante. Chegamos no lago, havia umas 3 casas por perto, só que estava muito frio e logo voltamos. Há poblados muito pequenos no caminho, de aproximadamente 3, 4 casas cada um...

 

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lago em cima das montanhas

 

Já em Pisac, passamos em frente à um clube e lá haviam alguns jogadores de futebol conversando, então Fabrizzio disse que eles eram de um time famoso do Peru. Paramos o carro e pedimos pra eles tirarem uma foto com o meu amigo, e depois disso o treinador deles estavam pedindo carona até o centro, e viemos com dois deles, sendo que um era jogador da seleção peruana. Foi uma situação inesperada e muito engraçada, e ao nos despedirmos tiramos uma foto com os jogadores.

 

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eu, os jogadores e meu amigo Fabrizzio

 

Voltamos pela estrada conversando sobre várias coisas e chegando em Cusco, meu amigo me deixou em frente ao meu hostel, depois disso passei o dia descansando.

Descobertas antropológicas do passeio:

- Quando alguém morre em alguma estrada peruana, é colocada uma cruz com o nome da pessoa no local do acidente.

- Quando alguém compra um carro novo, enfeita-o com flores e estaciona na frente de alguma igreja, por um dia (eu acho).

- Algumas ovelhas são pintadas com cores diferentes para que diferentes donos possam reconhecer quais lhes pertencem.

À noite encontrei com os meus amigos brasileiros da trilha e fomos beber bem em Cusco. Primeiro fomos no Ukuku’s onde havia um show de indígenas, que mandavam super bem... foi bem psicodélico. Depois ficamos o resto da noite no Mama Africa.

 

Dia 12 (04/02)

 

Acordei com um pouco de ressaca e fui visitar o museu inca. Logo depois do passeio eu fui comer no McDonalds (perdão, saí um pouco do vegetarianismo nessa viagem) e encontrei os meus amigos brasileiro por acaso lá mesmo, então passamos o dia zanzando por Cusco, pois eles não iam pra Puno à noite e não podiam voltar pro hotel. Andamos, tiramos fotos, comemos, tomamos café e nos despedimos umas 22h. Depois disso foi pro hostel dormir...

 

Dia 13 (05/02)

 

Acordei cedo (umas 7h) e fui encontrar na Plaza de Armas a guia que me levaria ao Valle Sagrado. Sentei-me ao lado de um chileno (Eduardo) e fizemos amizade no caminho.

O Valle Sagrado não foi nada de surpreendente, pra falar a verdade eu estava cansada de pedras incas e escadas por isso não foi tão especial, mas valeu o passeio.

A única história emocionante desse passeio foi durante o almoço em Ollantaytambo, pois eu não queria almoçar no restaurante em que o ônibus parou, então fui em busca de outro restaurante, porém não havia nada por perto e eu me distanciava cada vez mais do ônibus. Encontrei um mercadinho, comprei 3 pacotes bem pequenos de salgadinho, 1 chocolate, 1 inca kola e 2 chicletes (tudo por 5,50 soles e falam que o almoço no Valle Sagrado é bem caro rs) e voltei correndo, literalmente, para não perder o horário do ônibus. Cheguei em cima da hora marcada pela guia, sentei-me numa pedra em frente ao restaurante e fritei um pouco no sol por aproximadamente uns 30 minutos, mas foi uma experiência muito boa, praticamente uma aventura.

 

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a tal da Inca Kola

 

Em um dos sítios arqueológicos eu fiz amizade com um grupo que havia 1 alemão, 1 canadense e 1 australiano e eles me convidaram para sair com eles naquela noite.

O caminho de volta para Cusco é cheio de pueblos pequenos também, e via-se as pessoas trabalhando com grãos, em hortas, com animais, etc; e depois a paisagem se tornou repleta de plantações de batatas (que dão lindas flores).

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algumas casas de Chinchero com plantações de batata

Me despedi de Eduardo, combinei tudo com os outros meninos e fui me arrumar no meu hostel. Tive o maiooor problema com o chuveiro, estava o maior frio e a água não esquentava, tive que trocar de box duas vezes, a sorte é que não tinha ninguém por perto pra me ver quase-pelada. Não deu certo, tive que colocar a minha roupa, cheia de shampoo na cabeça e fui pra outro banheiro, e enfim pude tomar um banho quente. Sofri!

Fui pra Plaza de Armas esperar os meus novos amigos e nesse meio tempo dois chilenos sentaram-se ao meu lado, fizemos amizade e eles se tornaram novos membros do grupo.

Bebemos no Paddy’s e logo os 3 meninos que eu conheci na Valle Sagrado tiveram que ir embora pois iam cedo para Nazca no dia seguinte. Conclusão: só restou eu e os chilenos que eu conheci há pouco.

Importantíssimo: achamos um bar de rock! Milagre em Cusco! Rock! Musica boa! Ebaaa... Fica na calle procuradores, é possível achar o lugar pela música e o segurança vai te oferecer cocaína! Demais hahah

Mas logo saímos e fomos pro Ukuku’s... Aprendi a dançar Salsa (eu acho) e conheci muita gente da América do Sul, até fizemos um grupinho onde cada um iria dançar músicas tradicionais de seu país, e eu, como única brasileira paguei o pato e tive que sambar (naquelas né...).

 

 

 

Dia 14 (06/02)

 

Acordei com um só pensamento: Ressaca moral! Mas valeu a pena vai...

Tomei um cappuccino num café legal perto da Calle Matara, fiz umas compras e depois passei o dia à toa, simples assim.

À noite (minha última noite em Cusco), encontrei os meninos brasileiros que haviam voltado de Puno, fomos um pouco no Mama Africa e depois apresentei pra eles o lugar que tocava rock com cerveja barata, Foi uma noite muito agradável!

 

Dia 15 (07/02)

 

Meu dia se baseou em ressaca, chuva e tristeza. Tive que fazer check-out do hotel às 10h e fiquei dormindo no pátio, a situação estava precária... Depois combinei de encontrar o Fabrizzio para me despedir. Saí bem mais cedo, pois queria ir até a Calle “Amargura” e tirar uma foto lá, mas a subida me deixou com preguiça, então desisti no meio do caminho e fiquei na Plaza de Armas pensando na vida. Até que chegou um senhorzinho, de 79 anos, sentou-se ao meu lado e começamos a conversar.

Ele contou que morava perto do aeroporto e andava todos os dias por 3 horas até Cusco em busca de trabalho, mas ninguém o contratava porque ele quase não enxergava mais! No Peru não há aposentadoria e o monte de direitos que existe no Brasil, portanto a situação dos idosos é bem mais complicada...

Fiquei muito triste pela situação e o convidei para comer alguma coisa no McDonalds (me perdoem de novo pelo meu capitalismo), pois era o lugar mais perto dali. Comprei um lanche completo pra ele, mas ele só comeu a batata na hora e guardou o hambúrguer para comer no jantar, pois não tinha nada para comer em casa. Era muito bonitinha a forma que ele pegava batata e me explicava que no Peru aquilo se chamava “papa”. Acredito que foi a primeira vez dele no McDonalds e vi que ele ficou muito feliz por ter algo para comer, aquilo me tocou profundamente!

Saímos, ele me agradeceu e seguiu seu rumo, enquanto eu esperei um pouco por Fabrizzio, que se atrasou um pouquinho. Quando ele chegou no local combinado, me entregou um presente bem legal, tomamos um cappuccino e andamos um pouco pelo centro, mas tive que me despedir logo pois não estava muito bem por conta da ressaca (que estava bem forte nesse último dia).

Começou a chover bem na hora de eu ir embora, saí com minhas malas debaixo da chuva, pisei numa poça bem funda, fiz sinal pra uns 4 taxis mas nenhum parou, e finalmente encontrei um taxi livre. Parti rumo à rodoviária com uma única parada numa casa de câmbio pra trocar mais um pouquinho de soles.

A rodoviária de Cusco é uma bagunça, mas uma bagunça linda de se ver. Crianças correndo pra lá e pra cá com seus balões, senhoras com sacolas imensas com batatas, verduras, etc; carregadores passando rápido com caixas, pessoas andando pra lá e pra cá sem motivo. Uma loucura total.

Peguei o ônibus às 20h30 rumo à Puerto Maldonado, um menino de 17 anos se sentou do meu lado e eu puxei assunto somente nas montanhas, quando ofereci uma parte do meu saco de dormir, pois estava frio dentro do ônibus. Mas pra quê? O menino não parou de falar depois, pior que eu não entendia nada pela mistura do espanhol, sotaque, nariz entupido(?) voz esquisita(?). Sei lá o que foi, mas não entendia nada o que ele falava, e toda vez que eu fechava o olho para tentar dormir, ele começava a falar, arghhhh.

Uma dica para quem vai voltar de Cusco de ônibus: vai dormindo, não acorde em nenhum momento para não levar um susto! O ônibus desce de um jeito muito esquisito, acredito que ele se posicionava há uns 60º na descida, dá medo.

 

Dia 16 (08/02)

 

Dormi com o maior frio e acordei com o maior calor do mundo e tive uma madrugada bem agitada (pois a ADUANA parou o ôniubs pra revistar tudo umas 3x), chegamos em Puerto Maldonado umas 06h e eu decidi procurar um hotel para poder tomar banho e quem sabe dormir. Peguei um daqueles mototaxis e arranjei um hotel muito ruim por 15 soles, tomei um banho, dormi por duas horas e fui procurar um restaurante para almoçar às 9h. Foi difícil mas eu achei um lugar que não vendia carne, comi um spaghetti vegetariano na rua principal lá, perto da plaza de armas de Puerto Maldonado. Voltei logo pra rodoviária, pois o meu ônibus rumo à Rio Branco sairia 12h.

 

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meu meio de transporte em Puerto Maldonado

 

Antes de entrar no ônibus eu fiz amizade com um americano, (não sei como começou a conversa), Steve, professor aposentado de literatura inglesa que decidiu largar tudo e ir viajar, quero ser igual ele quando eu crescer...

Dei sorte, peguei um ótimo lugar e não havia ninguém do meu lado, ou seja pude dormir muito bem por boa parte do caminho...

Na alfandega do Brasil eu fiz amizade com o Moritz, alemão que mora em São Paulo e faz estágio no hospital das Clínicas, e chamei ele pra sentar do meu lado e irmos conversando no caminho.

O ônibus parou em uma churrascaria em Brasiléia, então eu e o Mo corremos para arranjar outro lugar mais barato pra comer. Encontramos um barzinho barato e comemos arroz com batata frita e tomamos coca-cola enfim gelada, uma delícia e gastamos 7,00 cada um.

Voltamos conversando e eu indiquei para ele o hotel que eu ia ficar, por ser bem barato e perto do centro.

Chegando em Rio Branco muita gente gostou da indicação e foi pro meu hotel, nos dividimos em 2 taxis (eu, um mineiro, o alemão Mo, o americano Steve e dois peruanos). Chegando lá praticamente lotamos o hotel e só havia restado um quarto, no qual eu tive que dividir com o meu novo amigo alemão abrasileirado. Tomei um banho e fui capotar enquanto ele saiu pra procurar alguma festa de carnaval em Rio Branco.

 

Dia 17 (09/02)

 

Acordei umas 8h30, tomei aquele café-da-manhã maravilhoso e acompanhei o Steve e Mo até a rodoviária (eles foram comprar passagens até Porto Velho) e depois iríamos conhecer o parque Chico Mendes.

Na rodoviária eu fui até o balcão de informações para saber como chegar no parque e a moça de lá respondeu: “Ah, é super perto daqui. Fica há uns 500 metros... só seguir reto na avenida e virar à direita”

Avisei os rapazes e decidimos seguir a pé até o parque...

Outra dica: Não acredite quando um acreano diz que um lugar é perto, não acredite nunca!

Andamos aproximadamente uns 3km debaixo de um sol de uns 40º e nada. Decidimos esperar o ônibus, porém descemos uns 3 minutos depois que entramos e enfim estávamos no parque.

Muito bonito lá, tem uma casinha com a história do Chico Mendes (na qual eu tive que traduzir tudo pro Steve. Ufa, foi difícil), vários macaquinhos fofos, aves, onças e bichinhos diferentes em geral. É meio triste ver animais presos daquela maneira, sendo que o lugar deles seria na floresta e na liberdade, mas não tenho muito o que fazer...

Fiquei impressionada com uma teia de aranha que havia entre umas árvores do parque, era tão grande que me prenderia fácil. Hahaha.

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Nada de tão importante aconteceu por lá, meu pé foi picado por uma formiga e senti dor por uns 2 minutos e frequentemente uns lagartos pequenos corriam na nossa frente. Foi bem legal!

 

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Voltamos bem cansados, paramos no mercado velho para comer uma “baixaria” e descansamos no hotel.

Durante a tarde eu fui passear pela Gameleira com o Mo e aproveitamos pra tomar uma cerveja na beira do Rio Acre e apreciar a paisagem, que lugar incrível!

Na hora que estávamos voltando para o hotel, um bloco de carnaval acabara de chegar na Gameleira, portanto voltamos e aproveitamos um pouco o carnaval do Rio (Branco). Marchinhas clássicas, bandinha pequena, pessoal animado com fantasias... foi lindo!

 

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Depois realmente tivemos que voltar ao hotel, me despedi do pessoal e parti pro aeroporto de busão. No terminal urbano fui mais ou menos evangelizada por uma moça, que começou a falar da bíblia ou algo assim, foi engraçado!

No caminho do aeroporto eu articulei uns planos para voltar pra Rio Branco, aproveitar o carnaval, arranjar um emprego e viver lá pra sempre. Mas não deu muito certo, infelizmente.

Depois foi triste, peguei o avião. Sinto que devia ter aproveitado mais Rio Branco, não conheci tudo o que queria ter conhecido e tinha muito mais coisas pra eu absorver de lá. Mesmo assim foi uma viagem mágica que me faz morrer de saudades. Atualmente tenho me aborrecido muito com a “civilização”, não vejo a hora de me organizar pra minha próxima viagem, sumir mais um pouquinho do mundo e surgir um pouquinho pra mim mesma! :)

 

 

Dicas de lugares:

Hotel em Rio Branco: JK (68) 3224 4780

Empresa de ônibus Rio Branco – Cusco: Movil Tour (68)3224 4971

1º Hostel em Cusco: Wild Rover http://www.wildroverhostels.com/" onclick="window.open(this.href);return false; (é muito bom, mas desista se o quarto for perto do bar)

2º Hostel em Cusco: Pirwa http://www.pirwahostelsperu.com/" onclick="window.open(this.href);return false; (gostei muito de lá, tem cara de hostel mesmo)

Restaurante legal: Don Pimiento, perto da Plaza San Francisco

Empresa da trilha Inca: Inca Peru Travel http://www.incaperutravel.com/index.pt.html" onclick="window.open(this.href);return false;

Empresa do Valle Sagrado: nem lembro, mas a Plaza de Armas tem um monte, e é possível conseguir por 20 soles.

Bar bom onde toca rock ao vivo: Calle Procuradores, perto da Plaza de Armas

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Olá...

 

Bem legal e esclarecedor o teu relato...Valeu por ele! Deixa eu te perguntar... quanto vc pagou pela trilha Inca? Reservou com antecedência?

Bjo,

Alexandra

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Oi Alexandra, que bom que você gostou! :)

Então, eu paguei 380 dolares e reservei pelo site http://brasildemochila.com.br/ (empresa brasileira que tem convênio com a agência peruana) com uns 3 meses de antecedência, mesmo assim não havia concorrência pra fazer a trilha, então eu poderia ter feito até uns 3 dias antes... Mas depende muito da época que você tá pensando em ir. Os meses de maio à outubro são beeem concorridos e a trilha sempre enche de gente, então é bom fazer com bastante antecedência também, creio que uns três meses é o recomendado! beijos

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Valeu Drezz! Tô indo em abril.. dia 4 chego em Rio Branco. Não tava querendo fechar a trilha com antecedência pq tô com muita vontade de fazer a Salkantay. Dae pensei em deixar pra decidir lá.

Ah... de novo, parabéns pelo relato. Deve ter sido uma viagem inesquecível.

Bjo

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Gostei muito do seu relato, e tem ajudado muito (@),

estou tentando ligar na Real Norte (AC) chama e ninguém atende desde sábado,

alguém sabe o valor dos onibus de Rio Branco até Cuzco ou ate maldonado e depois maldonado ate cuzco

 

Estarei indo dia 20 de março de Manaus - Rio Branco (avião) e depois so busão- cuzco - salkantay - MP

 

Abraços

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Gostei muito do seu relato, e tem ajudado muito (@),

estou tentando ligar na Real Norte (AC) chama e ninguém atende desde sábado,

alguém sabe o valor dos onibus de Rio Branco até Cuzco ou ate maldonado e depois maldonado ate cuzco

 

Estarei indo dia 20 de março de Manaus - Rio Branco (avião) e depois so busão- cuzco - salkantay - MP

 

Abraços

 

Olá,

 

Em meu relato de setembro 2012, cujo endereço se encontra na assinatura no pé da pg, tem valores e dicas desse trajeto.

 

Não tenho certeza, mais acho que a Movil Tuor suspendeu (temporariamente) esse ônibus no percurso Rio Branco X Cuzco, é bom obter maiores informações sobre isso.

 

Espero que ajude.

 

Maria Emília

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Gostei muito do seu relato, e tem ajudado muito (@),

estou tentando ligar na Real Norte (AC) chama e ninguém atende desde sábado,

alguém sabe o valor dos onibus de Rio Branco até Cuzco ou ate maldonado e depois maldonado ate cuzco

 

Estarei indo dia 20 de março de Manaus - Rio Branco (avião) e depois so busão- cuzco - salkantay - MP

 

Abraços

 

 

Então, a empresa que faz esse trajeto é a Movil Tour e o valor Rio Branco - Cusco (com a parada em Pto Maldonado) está 152 reais, ou estava há um mês atrás...

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Muito bom o seu relato, vi que comprou antes a trilha, mas quando estava lá percebeu se era muito mais barato comprar direto?

Parabens

Marcos

 

Não reparei nisso Marcos, mas provavelmente sai mais barato comprar diretamente pela agência da trilha, ao contrário do que eu fiz (ao contratar uma agência brasileira que me encaminharia pra agência certa). Existem muitas agências, muitas mesmo (principalmente na Plaza de Armas) que oferecem a trilha inca, e provavelmente consegue-se um preço melhor... Mesmo assim é arriscado comprar na hora devido à limitação de pessoas que podem fazer a trilha por dia. Então você corre o risco de não haver mais vaga...

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Muito Obrigado DREZZ e MARIA EMÍLIA

 

a ajuda de vcs esta facilitando muito meu planejamento, ...

não vejo a hora de embarcar, ...bjuss

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Parabéns menina!! Seu relato é direto e muito lindo e sensível. Gostei da maneira como você interage com todas as pessoas ao seu redor, emocionante. Sua experiência me deu uma luz imensa pois também vou fazer a viagem pelo Acre. Valeu pelas dicas de hospedagem e os toques sobre Rio Branco também, iria passar meio correndo por lá, mas suas palavras me animaram, também temos muito que descobrir no nosso país. Agora você acabou comigo quando relatou a passagem do senhorzinho que foi contigo ao Mac. Porém, a história das lesminhas me fizeram rir e repensar essa aventura de trilha e acampamento, hehehehe. Espero que em breve você embarque na sua próxima aventura. Abs

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Oi! Gostei muito do relato :)

 

Vou fazer esse trajeto via Acre (mas não vou fazer a trilha) e tenho algumas dúvidas, espero que vc se lembre e possa responder!

 

- Você comprou Rio Branco-Cusco pela Movil Tours, certo? Comprou na hora ou já tinha reservado antes?

- Achou a viagem Puerto Maldonado - Cusco perigosa (a estrada, o motorista etc)? Porque eu vi esse trecho de avião por 60 dólares, então queria saber se compensa ou de ônibus é tranquilo...

- Você levou essas roupas apropriadas (corta-vento, fleece, segunda pele etc) ou foi com roupas normais mesmo? Acha que precisa?

- Sobre o câmbio, vc trocou reais ou dólares? Quanto estava a cotação?

- A passagem de volta Cusco-Puerto Maldonado comprou no dia mesmo? A saída de PM a Rio Branco já está incluída ou compra separado quando chegar em PM?

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Parabéns menina!! Seu relato é direto e muito lindo e sensível. Gostei da maneira como você interage com todas as pessoas ao seu redor, emocionante. Sua experiência me deu uma luz imensa pois também vou fazer a viagem pelo Acre. Valeu pelas dicas de hospedagem e os toques sobre Rio Branco também, iria passar meio correndo por lá, mas suas palavras me animaram, também temos muito que descobrir no nosso país. Agora você acabou comigo quando relatou a passagem do senhorzinho que foi contigo ao Mac. Porém, a história das lesminhas me fizeram rir e repensar essa aventura de trilha e acampamento, hehehehe. Espero que em breve você embarque na sua próxima aventura. Abs

 

 

Poxa, muito obrigada! Fiquei feliz por ter te animado pra viajar também :)

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Oi! Gostei muito do relato :)

 

Vou fazer esse trajeto via Acre (mas não vou fazer a trilha) e tenho algumas dúvidas, espero que vc se lembre e possa responder!

 

- Você comprou Rio Branco-Cusco pela Movil Tours, certo? Comprou na hora ou já tinha reservado antes?

- Achou a viagem Puerto Maldonado - Cusco perigosa (a estrada, o motorista etc)? Porque eu vi esse trecho de avião por 60 dólares, então queria saber se compensa ou de ônibus é tranquilo...

- Você levou essas roupas apropriadas (corta-vento, fleece, segunda pele etc) ou foi com roupas normais mesmo? Acha que precisa?

- Sobre o câmbio, vc trocou reais ou dólares? Quanto estava a cotação?

- A passagem de volta Cusco-Puerto Maldonado comprou no dia mesmo? A saída de PM a Rio Branco já está incluída ou compra separado quando chegar em PM?

 

 

Oi Be, lembro sim haha, ó:

 

- Eu até reservei pelo telefone enquanto estava em São Paulo mas o vendedor da Movil Tours disse que não era necessário - e realmente não foi porque metade do ônibus estava vazio. Dá pra comprar na hora tranquilamente!

 

- O trajeto Puerto Maldonado/Cusco tem fama de ser perigoso e realmente há muita subida e curvas ali. Aliás, muita gente passou mal no ônibus devido ao mal de altura (soroche) e à quantidade de curvas que ônibus faz. Como ele passa pela parte bonita dos Andes de madrugada (e não dá pra ver nada) acho que compensa mais de ir avião pela rapidez, conforto e segurança. O ônibus só é bom pela economia.

 

- Nem roupa de frio eu levei, decidi deixar espaço livre na mala pra caber todas as roupas que eu ia comprar lá. Dessa forma eu me ferrei um pouco, lá faz bastante frio (à noite faz uns 13º) e olha que era verão... Se você for no inverno eu aconselho a levar todas essas roupas especiais pra temperaturas baixas...

 

- Quando o ônibus para na fronteira você será abordada por várias mulheres que fazem câmbio. Trocar o real na fronteira compensa (estava 1 real = 1,20 soles), já o dólar é melhor trocar em casas de câmbio de Cusco mesmo. Na Av. del Sol há vários lugares que trocam e a cotação estava muito boa porém eu não lembro agora. Como eu já estava com dólares desde SP, fiz o cambio maior em Cusco mesmo.

 

- Eu comprei a passagem de volta em Rio Branco mesmo, mas acredito que seja bem tranquilo de conseguir na rodoviária de Cusco no dia. Não se compra o bilhete direto pra Rio Branco, os caras da agência que fazem um esquema de "trecho" e incluem os dois bilhetes nesse valor de 152,00 (se não mudou desde janeiro), o ônibus vai até Pto Maldonado e de lá você pegará outro até Rio Branco. Só é importante lembrar que o trecho Rio Branco/Puerto Maldonado só é feito duas vezes por semana pela Movil Tours, então é importante você ligar lá e se informar sobre os dias...

 

Qualquer outra dúvida pode me chamar aqui de novo, espero que dê tudo certo na sua viagem :)

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    • Por GUILHERME TOSETTO
      Olá, meus amigos!!!!
      Segue agora mais um relato de viagem, desta vez à cidade de Ubatuba nos últimos dias 27 e 28 de Abril, em companhia dos amigos André Petroni, Eduardo (nickname Umpdy), Francisco Lopes, Débora e Osmar Franco.
      Estávamos combinando essa viagem havia algum tempo, mas nunca conseguíamos encaixar as datas convenientes a todos, mas eis que calhou de um fim de semana "vazio" pra galera e marcamos a viagem.
      Eu, Eduardo, Chicão e Débora saímos de São Paulo na sexta-feira à noite, por volta das 19:45 e chegamos em Ubatuba às 23 horas. O André e o Franco tiveram que trabalhar e só foram pra lá no sábado bem cedinho, de ônibus. Seguimos pela Dutra até São José dos Campos e de lá pegamos a rodovia dos Tamoios, que está em obras em diversos trechos. Quem for pegar essa estrada, deverá ficar bastante atento, não paenas às obras, mas principalmente às curvas, muito fechadas e perigosas.
      Lá chegando, fomos para o Tribo Hostel, onde já havíamos feito reservas para o final de semana. Como nesse final de semana estava acontecendo um campeonato mundial de surf em prancha curta (não lembro o nome exatamente), o hostel estava cheio e acabamos ficando num de seus anexos...



       
      Feito o check in, fomos para os quartos, ficando eu e o eduardo em um e o Chicão e a Débora em outro.
      Algumas observações sobre o quarto onde ficamos eu, o Eduardo e o Franco: o teto é baixo e tem ventilador instalado junto à luminária. Como o Du ficou na cama superior, qualquer movimento da perna pra fora da cama já chutaria a porra do ventilador, além de bater a cabela no teto num levantar mais brusco!!!! rsrsrsrs...isso sem falar que o Du trancou a porta do quarto... e ainda havia mais um hóspede no nosso quarto, que chegou de madrugada e ficou esbravejando e xingando do lado de fora, enquanto a atendente do hostel vinha com a outra chave pra abrir...como eu tava morto de cansaço da viagem, não ouvi nada disso!!!!rsrsrsrrs.
      No dia seguinte, sabadão, ficamos esperando o André e o Franco chegarem pra podermos ir à Ilha de Anchieta. Chegaram por volta das 11 horas, também fizeram o check in e fomos arrumar as tralhas pra ir à ilha. Combinamos com o Renato, dono de um barco para nos levar até lá e ir nos buscar no final da tarde. Algumas fotos da ida, da Ilha e do retorno...









       
      Na Ilha de Anchieta há algumas trilhas, como a do Saco Grande e a Praia do Sul. Ambas constam do passaporte Trilhas de SP. Lá também há um antigo presídio, que foi desativado em 1955, três anos após a rebelião de 1952. No local, ainda trabalha um antigo vigia da época em que o presídio ainda era ativo!!! O local lembra um campo de concentração, várias ruínas...
      A ilha em si tem praias muito bonitas e praticamente desertas, talvez pela época do ano não ser a chamada "alta temporada", mas, mesmo assim, são excelentes... água muito limpa, peixes nadando ao nosso redor, quando ficamos numa das piscinas naturais formadas pelas rochas na parte norte da ilha.









       
      Ficamos na ilha até cerca de 16:15, fizemos a trilha da Praia do Sul, que é muito light e voltamos pra Ubatuba.
      À noite, fomos jantar numa pizzaria próxima ao hostel, a Pizza da Nonna...local bem aprazível, simples e comida de bom sabor...voltamos ao hostel, onde fizeram um churrasquinho pra galera...nessa hora, o sr. André cometeu a gafe-mancada da noite: sentou-se em cima de uma caixa de isopor, que servia de "geladeira" pra cerva do povo...o resultado não poderia ser outro, em poucos segundos a caixa estourou completamente de fora a fora... pior foi o que o André falou:
      - "Pô, eu pensei que fosse um puff!!!!"
      O que teve foi um "crash" and "pof" do André caindo!!!!
      Nem os gringos que estavam jogando uma sinuquinha aguentaram e racharam o bico também...
      Mas, gafes e foras à parte, o fim de semana foi excelente!!! No domingo, fomos para a praia da Lagoinha, onde começamos a fazer a trilha das 7 praias, chegando, ao final à praia da Fortaleza. São mais de 10 km de caminhada, passando pelas praias que dão o nome à trilha, com vários níveis de dificuldade, mas com paisagens muito compensadoras em sua beleza...seguem mais algumas fotos...








       
      Levamos cerca de 3 horas e meia pra finalizarmos a trilha, considerando-se que paramos algumas vezes pra descanso, pra um lanche e pra banho numa das praias.
      A fim de ganharmos algum tempo pra voltar onde deixamos o carro, na praia da Lagoinha, resolvemos subir os 7 quilômetros da estrada entre a Fortaleza e a BR101 a pé...chegando lá, pegamos um ônibus de volta à praia da Lagoinha e voltamos ao hostel pra arrumar nossas coisas, tomar um banho e retornar a Sampa...antes disso, ainda deixei o Franco na rodoviária, pois, como estávamos em seis pessoas, não havia espaço suficiente pra todos dentro do carro...saímos de Ubatuba por volta das 18:45 e chegamos à capital às 22:45, um pouco mais demorado do que na ida, mas ainda paramos pra comer um lanche e as curvas em subida requerem menor velocidade e mais atenção.
       
      Realmente foi um fim-de-semana ótimo, em companhia de amigos muito bacanas, sempre dispostos a tudo, sem reclamações, todos de muito bom-humor, enfim ,foi bastante divertido...deixo vocês agora com mais algumas paisagens, agradecendo a atenção de você, que está lendo, e aos amigos que lá estiveram, proporcionando mais uma excelente viagem!!!! Abração, galera!!!!
      Ah, pessoal ,se esqueci de alguma coisa, por favor, complementem o relato...











    • Por Schumacher
      Preparativos
       
      Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA).
       
      Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo.
       
      Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb.
       
      Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis.
       

       
      1° dia
       
      No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade.
       

       
      De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes.
       

       
      Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles.
       

       
      Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação.
       

       
      Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro.
       
      Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas.
       

       
      Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão.
       

       
      Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão.
       

       
      No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h.
       
      À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim.
       
      2° dia
       
      Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante.
       

       
      Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque.
       
      Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação.
       

       
      No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional.
       

       
      O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso.
       

       
      Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos.
       

       
      Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira.
       
      Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso.
       
      3° dia
       
      Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente).
       

       
      Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas.
       

       
      Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia.
       
      Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada.
       

       
      Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena.
       

       
      Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos.
       
      Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário.
       

       
      Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto.
       
      Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 26 km.
       
      4° dia
       
      Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia.
       

       
      Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente.
       
      Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande.
       

       
      Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira.
       

       
      Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim!
       

       
      O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta.
       

       
      A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque.
       

       
      Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo!
       
      Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 23 km.
       
      5° dia
       
      Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas.
       
      Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa.
       

       
      Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando.
       

       
      E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém.
       

       
      Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W.
       

       
      Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano.
       

       
      Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo.
       
      Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini.
       
      Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros!
       
      6° dia
       
      Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque.
       
      Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro.
       
      No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos.
       

       
      Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos.
       

       
      De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno.
       
      Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água.
       

       
      As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol.
       

       
      Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada.
       

       
      Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro.
       
      7° dia
       
      Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo.
       
      Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite.
       

       
      Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes.
       

       
      Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos.
       

       
      Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores.
       

       
      Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera.
       

       
      Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá.
       

       
      Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo.
       
      À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta.
       

       
      Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles.
       
      8° dia
       
      Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque.
       
      Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados.
       

       
      Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata.
       
      Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar.
       

       
      A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento.
       

       
      Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando.
       

       
      Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente.
       
      No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática.
       
      9° dia
       
      Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio.
       
      Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada.
       
      Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle.
       

       
      No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro.
       
      USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho!
       

       
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