Ao longo dos anos venho vendo muitas pessoas repetindo como regra geral que o peso máximo de uma mochila carregada deve ser proporcional a 10% do peso de cada indivíduo.
Se pegarmos como exemplo uma pessoa que pesa 70 quilos pela regra ela não pode carregar mais que 7 quilos de peso bruto.
Considerando que muitas mochilas cargueiras a partir dos 60 litros pesam em torno de 2,5 quilos a carga a ser transportada por esta pessoa deve ficar por volta de 4,5 quilos de peso líquido.
Diante destes valores que acabam sendo muitas vezes pouco para a maioria dos viajantes, principalmente os que acampam eu me perguntei: Será mesmo que esta proporcionalidade de 10% deve servir como regra quando falamos de mochilas cargueiras?
Para responder esta dúvida eu precisei descobrir quem definiu esta proporção, quais os critérios adotados para se chegar nela e como foi executado os exames.
Minha busca se deu na leitura de vários artigos médicos relacionados à questão, onde quase não encontrei pesquisas realizadas em indivíduos adultos.
Grande parte dos estudos existentes teve como objetivo determinar o peso máximo que uma criança poderia carregar de material escolar sem ter sua saúde comprometida.
O peso máximo varia conforme os pesquisadores entre 7% e 20% do peso corporal, havendo um consenso maior para a proporção de 10%.
A Organização Mundial da Saúde sugere o máximo de 7% do peso da criança. Apesar disso, os trabalhos ainda são insuficientes e com amostras pequenas para estipularem os índices mais seguros.
Na verdade, existem muitas variáveis interpostas para se determinar o peso máximo, como distância percorrida, desenho da mochila, condicionamento físico da criança e sua maturidade esquelética. Um trabalho desenvolvido nos EUA, chamado Plano de Seleção Preventiva, usa a escala de dor de Borg da seguinte maneira: as crianças são submetidas a mochilas pré-pesadas a partir de 1 quilograma, aumentado-se de meio em meio quilograma. A primeira mochila que machucar, será a referência de peso da mochila ideal pra aquela criança. Retira-se então meio quilograma desta mochila referência encontrando-se o peso mais adequado.
Tendo obtido estas informações me senti capaz de responder de forma embasada a minha pergunta.
“Será mesmo que esta proporcionalidade de 10% deve servir como regra quando falamos de mochilas cargueiras?”
A minha resposta é não.
Considerando que as pesquisas referendadas pela Organização Mundial da Saúde e pela maioria dos estudos independentes tem como base o desenvolvimento corporal de crianças e adolescentes não pode servir como regra para indivíduos adultos que já possuem um desenvolvimento muscular e esquelético mais desenvolvido. Assim sendo os estudos que estipularam carga em torno de 20% foram seletivos com indivíduos mais maduros se aproximando de uma proporção condizente à realidade que estamos mais habituados carregar em nossos mochilões.
[col]|Considero também o fato dos estudos terem sido realizados com mochilas de duas alças para ombros apenas, ao passo que uma mochila cargueira quando corretamente ajustada ao corpo transfere para o quadril através da barrigueira até 70% do peso da carga, aliviando esse peso da coluna vertebral.
Por hora dou-me por satisfeito com essas avaliações, mas tendo em mente as implicações que o sobrepeso pode causar em várias partes do nosso corpo como ombros, pescoço, joelhos, pés e principalmente a coluna vertebral.
Os problemas que se apresentam de forma mais imediata decorrentes do uso de uma mochila muito pesada são as dores musculares, de nervos e tendões por esforço continuado ou lesão por esforço abrupto. Os que podem se apresentar na coluna vertebral surgirão lentamente em decorrência de deformação óssea tais como:
Hipercifose, que é o aumento da curvatura da região dorsal, mais facilmente percebido quando a pessoa está de lado, pois as costas ficam arqueadas, o tórax retraído e os ombros projetados para frente; a Hiperlordose, quando há o aumento anormal da curvatura lombar na região do quadril e a Escoliose, quando a coluna se desvia para o lado.[/col]
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Os mesmos estudos científicos também identificaram que um dos fatores que mais contribuem na produção de dor está no ato de colocar, retirar ou suspender a mochila. É preciso tomar cuidado nestas ações independente do peso, um mau jeito nas costas pode trazer consequências dolorosas comprometendo sua viagem. Para isso é importante treinar uma técnica correta para estas manobras.
Forma adequada para colocar e retirar a mochila
1 - Ponha-se de frente para a mochila antes de levantá-la.
2 - Posicione uma das pernas um pouco à frente da outra e flexione os joelhos.
3 - Suspenda a mochila do chão utilizando as duas mãos e a força dos músculos das pernas evitando curvar a coluna para frente ou para trás, desta forma o peso ficará distribuído em várias partes do corpo sem sobrecarregar apenas a coluna.
4 - Apóie primeiro a mochila sobre a coxa da perna que estiver à frente.
5 - Com cuidado, passe um dos braços por uma das alças e em seguida o outro braço pela outra alça.
Outra observação importante é que as dores nas costas podem ser produzidas não só por mochilas muito pesadas, mas também por aquelas mal feitas, mal ajustadas, mal arrumadas ou transportadas de forma inadequada.
Para finalizar: É recomendável sempre fazer exercícios de alongamento de pescoço, braços, costas e pernas antes de vestir sua cargueira e durante longos períodos de caminhada fazer intervalos de descanso retirando a mochila.
Para saber mais:
Pesquisa para doutorado muito interessante sobre o limite médio de carga recomendado para mochila baseado em fisiologia e psicofísica de Denise Helen Bauer para o Colégio de Engenharia da Universidade Estadual da Pennsylvania EUA: https://etda.libraries.psu.edu/paper/7927/3225
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Ao longo dos anos venho vendo muitas pessoas repetindo como regra geral que o peso máximo de uma mochila carregada deve ser proporcional a 10% do peso de cada indivíduo.
Se pegarmos como exemplo uma pessoa que pesa 70 quilos pela regra ela não pode carregar mais que 7 quilos de peso bruto.
Considerando que muitas mochilas cargueiras a partir dos 60 litros pesam em torno de 2,5 quilos a carga a ser transportada por esta pessoa deve ficar por volta de 4,5 quilos de peso líquido.
Diante destes valores que acabam sendo muitas vezes pouco para a maioria dos viajantes, principalmente os que acampam eu me perguntei: Será mesmo que esta proporcionalidade de 10% deve servir como regra quando falamos de mochilas cargueiras?
Para responder esta dúvida eu precisei descobrir quem definiu esta proporção, quais os critérios adotados para se chegar nela e como foi executado os exames.
Minha busca se deu na leitura de vários artigos médicos relacionados à questão, onde quase não encontrei pesquisas realizadas em indivíduos adultos.
Grande parte dos estudos existentes teve como objetivo determinar o peso máximo que uma criança poderia carregar de material escolar sem ter sua saúde comprometida.
O peso máximo varia conforme os pesquisadores entre 7% e 20% do peso corporal, havendo um consenso maior para a proporção de 10%.
A Organização Mundial da Saúde sugere o máximo de 7% do peso da criança. Apesar disso, os trabalhos ainda são insuficientes e com amostras pequenas para estipularem os índices mais seguros.
Na verdade, existem muitas variáveis interpostas para se determinar o peso máximo, como distância percorrida, desenho da mochila, condicionamento físico da criança e sua maturidade esquelética. Um trabalho desenvolvido nos EUA, chamado Plano de Seleção Preventiva, usa a escala de dor de Borg da seguinte maneira: as crianças são submetidas a mochilas pré-pesadas a partir de 1 quilograma, aumentado-se de meio em meio quilograma. A primeira mochila que machucar, será a referência de peso da mochila ideal pra aquela criança. Retira-se então meio quilograma desta mochila referência encontrando-se o peso mais adequado.
Tendo obtido estas informações me senti capaz de responder de forma embasada a minha pergunta.
“Será mesmo que esta proporcionalidade de 10% deve servir como regra quando falamos de mochilas cargueiras?”
A minha resposta é não.
Considerando que as pesquisas referendadas pela Organização Mundial da Saúde e pela maioria dos estudos independentes tem como base o desenvolvimento corporal de crianças e adolescentes não pode servir como regra para indivíduos adultos que já possuem um desenvolvimento muscular e esquelético mais desenvolvido. Assim sendo os estudos que estipularam carga em torno de 20% foram seletivos com indivíduos mais maduros se aproximando de uma proporção condizente à realidade que estamos mais habituados carregar em nossos mochilões.
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|Considero também o fato dos estudos terem sido realizados com mochilas de duas alças para ombros apenas, ao passo que uma mochila cargueira quando corretamente ajustada ao corpo transfere para o quadril através da barrigueira até 70% do peso da carga, aliviando esse peso da coluna vertebral.
Por hora dou-me por satisfeito com essas avaliações, mas tendo em mente as implicações que o sobrepeso pode causar em várias partes do nosso corpo como ombros, pescoço, joelhos, pés e principalmente a coluna vertebral.
Os problemas que se apresentam de forma mais imediata decorrentes do uso de uma mochila muito pesada são as dores musculares, de nervos e tendões por esforço continuado ou lesão por esforço abrupto. Os que podem se apresentar na coluna vertebral surgirão lentamente em decorrência de deformação óssea tais como:
Hipercifose, que é o aumento da curvatura da região dorsal, mais facilmente percebido quando a pessoa está de lado, pois as costas ficam arqueadas, o tórax retraído e os ombros projetados para frente; a Hiperlordose, quando há o aumento anormal da curvatura lombar na região do quadril e a Escoliose, quando a coluna se desvia para o lado.[/col]
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Os mesmos estudos científicos também identificaram que um dos fatores que mais contribuem na produção de dor está no ato de colocar, retirar ou suspender a mochila. É preciso tomar cuidado nestas ações independente do peso, um mau jeito nas costas pode trazer consequências dolorosas comprometendo sua viagem. Para isso é importante treinar uma técnica correta para estas manobras.
Forma adequada para colocar e retirar a mochila
1 - Ponha-se de frente para a mochila antes de levantá-la.
2 - Posicione uma das pernas um pouco à frente da outra e flexione os joelhos.
3 - Suspenda a mochila do chão utilizando as duas mãos e a força dos músculos das pernas evitando curvar a coluna para frente ou para trás, desta forma o peso ficará distribuído em várias partes do corpo sem sobrecarregar apenas a coluna.
4 - Apóie primeiro a mochila sobre a coxa da perna que estiver à frente.
5 - Com cuidado, passe um dos braços por uma das alças e em seguida o outro braço pela outra alça.
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Pronto! Agora pode inclinar o tronco um pouco para frente, ajustar a barrigueira e todo o conjunto procedendo como instruído no tópico "Ajustando a mochila": http://www.mochileiros.com/ajustando-a-mochila-t44380.html
Outra observação importante é que as dores nas costas podem ser produzidas não só por mochilas muito pesadas, mas também por aquelas mal feitas, mal ajustadas, mal arrumadas ou transportadas de forma inadequada.
Para finalizar: É recomendável sempre fazer exercícios de alongamento de pescoço, braços, costas e pernas antes de vestir sua cargueira e durante longos períodos de caminhada fazer intervalos de descanso retirando a mochila.
Para saber mais:
Pesquisa para doutorado muito interessante sobre o limite médio de carga recomendado para mochila baseado em fisiologia e psicofísica de Denise Helen Bauer para o Colégio de Engenharia da Universidade Estadual da Pennsylvania EUA: https://etda.libraries.psu.edu/paper/7927/3225