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Olá viajante!

Bora viajar?

Mil Perrengues: Bolívia, Chile e Peru

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Fala galera da mochila!

 

Estou aqui mais uma vez, como forma de retribuição, para registrar nossa aventura. O roteiro é clássico e já conhecido de quase todos por aqui, mas nunca imaginaria que uma viagem dessas fosse tão marcante e tão imprevisível.

 

Iniciamos – eu e a Miriam (minha esposa) – no dia 12.03.2014 por Santa Cruz, depois Sucre, Potosi, Uyuni (Salar), San Pedro do Atacama, Arequipa, Cusco (Macchu Picchu), Copacabana e, por fim, La Paz.

 

Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente a TODOS do Mochileiros.com que me ajudaram a construir e realizar esta viagem, direta ou indiretamente, especialmente Sorrent, Mauro Brandão, Maria Emília, guto_okamoto (e os mendigos machos), Aletucs, camilalisboa e todos os demais que a minha memória traiu agora...Muito Obrigado!

 

Gastos

 

A primeira preocupação de qualquer mochileiro, além do roteiro, claro, é com a grana que irá investir. Posso dizer que conseguimos ser bem econômicos, principalmente com comida e hospedagem, fato que foi bem proveitoso ao final, restando uns dólares para o Free Shop e presentes aos amigos.

 

No total, gastamos cerca de R$ 4.500,00 (reais) para o casal, com tudo, hostel, comida, passeios, etc. Só não entrou nessa conta as passagens aéreas de ida e volta e um “plus” devido aos perrengues que explicarei mais tarde...

 

Levamos TUDO em dólares e foi a melhor coisa que fizemos. Não tivemos problema algum, sem preocupação com caixas eletrônicos, taxas de cartão de crédito e demais preocupações. O único risco – e bota risco nisso – era perder o dinheiro, mas levamos duas Money Belt que deram conta do recado, só tirávamos para tomar banho e olha lá!

 

A estratégia foi trocar reais por dólares aos poucos, aqui no Brasil. Íamos acompanhando a cotação e quando estava boa, ligávamos para três casas de câmbio e brigávamos pela melhor cotação, sempre dava certo e uma cobria o preço da outra.

 

Passagens: R$ 1.380,00 para os dois já com todas as taxas, voando Gol. O melhor preço foi no decolar.com, inclusive com mais opções de horário.

 

Reservas/Hospedagem

 

A única reserva que fizemos com antecedência foi para o Jodanga, hostel excelente de Santa Cruz, pois queríamos conhecê-lo e sabíamos que não voltaríamos tão cedo a Santa Cruz, quer dizer, pelo menos não imaginávamos o final SURPREENDENTE dessa viagem...Mas enfim, quem quiser dar uma olhada no Jodanga e já aproveitar para fazer aquela reserva esperta, entra lá no site deles: http://www.jodanga.com/

 

No mais, fomos desbravando as “ótimas” ::mmm: opções de hospedagem que a nossa querida América do Sul nos oferece, com exceção do Wild Rover, que realmente é muito bom, mas só tem em Arequipa, Cusco e La Paz, recomendadíssimo! Pela festa, pela bagunça, pelo conforto, pela higiene, pela comida, pela galera, etc., etc., etc., quem já ficou lá sabe do que estou falando...E mesmo para você, rapaz casado e sério e você, donzela comprometida, vale a pena. Como disse, fui com minha esposa e curtimos muito o lugar, não é só para pegação e bebedeira que o Wild Rover se presta, confiem em nós: http://www.wildroverhostels.com/

 

Obs. Se você for solteiro (a), então amigo (a), o Wild Rover é parada obrigatória. ::hahaha::

 

Perrengues

 

Meu Deus do céu! Só nesta trip aprendemos a lidar com quase todos os tipos de perrengues que uma viagem pode proporcionar. Terminamos com a sensação de missão cumprida, mesmo não conseguindo seguir boa parte do nosso roteiro, infelizmente, mas serviu como um grande aprendizado e um motivo para voltarmos, sem sombra de dúvida. Então, como todo bom mochileiro, prepara-se e curta o momento...

 

Certificado Internacional de Vacinação

 

Como a maioria que já postou relato por aqui, não nos foi solicitado este certificado em nenhum momento da viagem. No entanto, se você quiser garantir, o posto da ANVISA, no aeroporto de Guarulhos, fica no Terminal 2, ASA "C" - Desembarque, e você poderá retirá-lo na hora.

 

IMPORTANTE: Para a retirada do Certificado Internacional, primeiro deverá tomar a vacina em qualquer posto de saúde, é de graça e garantirá sua proteção contra a FEBRE AMARELA. Para agilizar as coisas caso queira retirar o certificado no mesmo dia do seu voo, como nós fizemos, antes de sair de casa, faça seu cadastro no site da ANVISA, pois sem ele não será possível a retirada no posto do aeroporto. Você até consegue fazer o cadastro na hora, eles têm um computador ligado à internet lá mesmo, mas a conexão é lenta e tem fila, o que poderá atrapalhar seus planos ou fazer com que se atrase para pegar o avião.

 

Então vamos lá!

 

12.03.2014 – São Paulo / Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

 

Voamos pela Gol, com saída do aeroporto de Guarulhos às 11h05 e chegada prevista em Santa Cruz às 13h10, tudo no horário e sem transtornos, aliás, essa primeira parte da trip foi bem tranquila, mal sabíamos o que vinha pela frente...

 

Chegando em Santa Cruz, logo trocamos 100 dólares no aeroporto mesmo, pois não tínhamos um boliviano sequer e sabíamos que iríamos precisar para o táxi até o Jodanga, pagamento da diária, lanche e uns itens de última hora.

 

Logo no avião já conhecemos o primeiro brasileiro! Um baiano gente fina que faz medicina em Santa Cruz, aliás, estudante brasileiro de medicina em Santa Cruz é como formiga, tem em todo canto!

 

As perguntas básicas aos brasileiros que chegam nessa cidade são: “Faz medicina?” e “Veio colocar silicone?” Hahahahaha.

 

Pois bem, já com todas as dicas do nosso amigo baiano que não é muito chegado em carnaval, chegamos à cidade mais brasileira da Bolívia. É incrível como Santa Cruz se parece com o Brasil, desde a fisionomia do povo, até o clima e a comida.

 

CURIOSIDADE: Ao sair do aeroporto, existe um sistema alfandegário e de segurança curioso. Ninguém, ninguém mesmo entende e eles não explicam. O lance é o seguinte, existe uma porta grande, tipo aquelas com detector de metais, com um botão. Você chega, aperta o botão e, se ficar verde: Liberado! Se ficar vermelho: Revistado! Hahahaha, mas isso é antes de passar pelo suposto detector de metais! WTF?! Como assim? É tipo um roda a roda do Silvio Santos! Pura sorte, nada mais que isso! E detalhe, NINGUÉM RECEBEU LUZ VERMELHA! Passaram umas trinta pessoas na nossa frente e não acendeu a luz vermelha nenhuma vez!

 

O trajeto até o Jodanga é bem tranquilo, um pouco distante, mas tranquilo. Este foi o único táxi que pegamos em Santa Cruz, carro velho, sem cinto, que engasgava e morria a cada 5 km. O taxista era bem fechado, só se soltou quando começamos a falar em português (eita povo simpático de meu Deus), perguntando sobre a Copa, economia, política...Puxar papo com o taxista sempre ajuda.

 

 

Chegando ao Jodanga, surpresa agradável. Hostel com clima caribenho, pessoal simpático, com piscina, bar, wi-fi, enfim, ótimo lugar. Ficamos num quarto para 10 pessoas (beliches), misto, com banheiro e chuveiro quente próprios. O locker fica fora do quarto, no corredor, mas é bem tranquilo, nos sentimos bem seguros lá.

 

Pedimos informações na recepção e já saímos para desbravar a Bolívia brasileira! De lá, caminhamos até um parque que fica bem perto do Hostel, lugar agradável e bem arborizado. Andamos mais um pouco até uma avenida, contornando esse parque e chegamos a um ponto de ônibus. Aí já sacamos como funciona o transporte público na Bolívia.

 

O lance é o seguinte: Não existe ponto de ônibus! Você fica parado numa esquina, numa rua qualquer onde costumam passar os “buses” e, ao avistá-lo, sai correndo atrás! Faz sinal! Mostra a camisa a Brasil! Vira estrelinha, dá um duplo twist carpado, Isso deve funcionar...Para vocês terem uma ideia, de táxi, do Jodanga até o centro, ficaria em torno de 80 BOB´s (bolivianos) ida e volta - pelo menos foi isso que uma brasileira gastou. Nós gastamos míseros 4 BOB´s, cerca de R$ 1,28 (cada passagem). Então, ao contrário da Angélica, Vá de ônibus!

 

Além da economia, é muito divertido. São micro-ônibus bem velhos, importados do Japão da década de 70 e sem segurança alguma. Eles andam com as portas abertas para facilitar a entrada e saída da galera, é sério, às vezes nem param, passam perto da calçada e o povo vai subindo, pagando o motorista, e se agarrando nas ferrugens para ficar em pé. Pra ajudar, como bom brasileiro, estava de chinelo e levei um mil, duzentos e dezessete pisões no dedão do pé direito, resultando, ao final, um saldo de -1 unha.

 

Enfim, chegamos ao centro de Santa Cruz, lugar agradável e meio caótico. A praça XXIV de Setembro é bonita e bem cuidada, com muitas crianças e pombas, as “palomitas”, terror da Miriam :cry: . Resolvemos comer no Burger King, que fica bem em frente a essa praça, num lugar bem legal, enorme e com cara de museu antropológico da minha cidade, hehe. Andamos bastante por todo o centro, já se adaptando novamente ao espanhol e ao povo boliviano. Entramos no mercado municipal, passeamos pela praça, tiramos algumas fotos e conhecemos a catedral, linda.

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De volta ao Hostel, compramos umas bobeiras numa mercearia próxima e aproveitamos para curtir o lugar. O pessoal é bem gente fina, mas tinham muitos, muitos israelenses que, apesar de simpáticos, se fechavam entre eles, numa espécie de panelinha israelita. Uma pena.

 

No mais, entramos no quarto e a Miriam foi perguntar em espanhol não sei o que a um cara com pinta de indiano, que respondeu em inglês e era brasileiro! Hahahaha. Logo uma outra veio berrando: Brasileiros! Aí sentamos na entrada do banheiro, uma espécie de vestiário e ficamos lá batendo papo. O “indiano” (Lucas, se não me engano) contou que estava viajando há três anos, já tinha rodado o mundo e estava voltando pra casa. A outra brasileira, uma figura, estava no fim da trip com um roteiro bem parecido ao nosso, o que foi bom para perguntarmos sobre o Salar e as condições climáticas em Uyuni, pois era Março e a chuva pega naquelas bandas...

 

Terminei a noite tomando coca-cola com Eno e Dramin, resultado do lanche que não caiu bem, droga. Falarei sobre a comida mais pra frente, mas já adianto que, mesmo para estômagos mais fortes, a culinária boliviana reserva algumas surpresas.

 

CURIOSIDADE: Se alguém te convidar para “ficar de bola” em sua casa, recuse! [ou não, vai saber]. Ficar de bola significa TODOS PELADOS pela casa, assistindo um filminho, comendo pipoca, dançando Macarena, de boa, sem roupa, só “de bola”...HAHAHHAhahahaha...História bizarra do indiano brasileiro com uns chilenos aí...

 

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

 

Cotação do dólar no aeroporto de Santa Cruz: US 1,00 a BOB 6,96.

Táxi aeroporto/Jodanga: BOB 70

Hostel Jodanga: BOB 80 (por noite, por pessoa).

Burguer King: BOB 40 (combo).

Água: BOB 12 (1 litro)

Coca-cola: BOB 7

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  • [...]   O FIM.   Entramos no carro, olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso sem dizer nada, mas pensamos a mesma coisa: “Olha só como essa viagem vai terminar...”   Eu, a Miriam e a “

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Fala sandromc, cara essa galera da América do Sul sabe fazer uma manifestação! HAHAHhahahaha... Só não queria ter acabado no hospital público de Cusco com uma pedrada na cabeça, só isso.

 

hlirajunior, nem me fale desses vendedores, foi um ponto fraco de Cusco, não conseguíamos nem tomar um sorvete que já nos cercavam... E esse lance de topar com o mesmo vendedor e ele tentar te convencer DE NOVO aconteceu muito também.

 

Pois é jessicahemk, as lembranças tornam até aquelas situações perigosas e desesperadoras em momentos engraçados, mas na hora...rs.

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[...]

 

25.03.2014 – Cusco / Águas Calientes

 

Acordamos cedo para pesquisar sobre Machu Picchu e dar mais um rolê por aí.

 

Como já relatei em posts anteriores, nossa grana estava escassa devido à compra da passagem aérea para sairmos de Arequipa, o que comprometeu não só a Salkantay, mas outros passeios que havíamos planejado. Isto porque estavam cobrando muito caro pelo boleto turístico em Cusco e ainda não sabíamos como estava a situação das estradas que ligam o Peru a Bolívia, já que iríamos a Copacabana em seguida. Então, o medo de precisarmos de mais dinheiro para pegar um voo de emergência a La Paz para, de lá, seguir a Copacabana ou mesmo voltar ao Brasil, nos fez ir logo a Machu Picchu (MC) e depois analisar se poderíamos ou teríamos condições financeiras para fazer os demais passeios que Cusco oferece.

 

Pois bem.

 

Existem inúmeras formas de se chegar a MC: de trem (caro pra burro); por meio de trilhas (Salkantay; Inca; Inca Jungle; etc.); combinação van + caminhada (ótimo custo x benefício) e por conta própria.

 

Sobre esta última forma, obtivemos informações (um tanto duvidosas) de um taxista que garantiu ser possível pegar um táxi até Santa Maria, depois de Santa Maria a Santa Tereza e em seguida uma van até a hidrelétrica. Possível é, o problema é que não existe garantia alguma que você conseguirá um lugar livre na van ou num táxi ou carro que te leve assim que chegar, tendo que, talvez, esperar horas ou combinar para o próximo dia. Mas... Financeiramente compensa sim, pois alguns trechos, como Cuzco x Santa Maria é possível fazer de ônibus por cerca de 20 a 30 soles. Também não terá um lugar reservado em Águas Calientes e isso pode ser um problema, pois geralmente se chega no final do dia e as acomodações são: a) simples com dignidade ou b) luxuosas e caras. Então, ficar vagando em busca de quarto, à noite, com frio, chuva e aquela umidade dos diabos, não será nada legal... No entanto, somos a favor de qualquer jeito, desde que consiga atingir seus objetivos... Se alguém aí já fez esse caminho alternativo e deu certo, por favor, comente para a galera!

 

Optamos, então, pelo trajeto de van até a hidrelétrica + caminhada da hidrelétrica até Águas Calientes e de lá subir a Machu Picchu. Estão inclusos no pacote: boleto de entrada em Macchu Picchu (podendo, também, incluir a subida a Wayna Picchu), almoço e janta (somente na ida), estadia em quartos duplos, café da manhã e guia.

Todas as agências que fomos ofereciam o mesmo pacote, com diferença significativa nos preços. Uma coisa é certa, NUNCA CONFIE NAS FOTOS! Não adianta eles te mostrarem foto do quarto, do hotel, da van... Na hora é outra coisa ou não é bem assim, vai da sorte.

 

DICA: Pesquise bastante e separe o nome de algumas agências com os melhores preços. Depois vá ao centro de informações turísticas, perto da praça principal em Cusco e se informe se a agência é cadastrada e possui autorização para a venda dos pacotes. Isso não garantirá que tudo sairá a mil maravilhas, mas se você for enganado ou tiver algum problema mais sério, terá como reclamar e pedir seu dinheiro – ou parte dele – de volta.

 

Fechamos em uma agência cadastrada e com preço justo, nem tão caro, nem tão barato a ponto de desconfiarmos, pois ninguém faz milagre, o preço do boleto de entrada é único, o hotel não é da agência, o guia muito menos, então eles trabalham com uma margem pequena de lucro, por isso, vai aquela máxima de sempre, de novo: Quando a esmola é demais...

 

A busca por agências nos tomou quase o dia todo, verdade, são muitas espalhadas pela cidade e você ainda tem que ficar desviando dos vendedores, poxa vida, isso é um saco, MESMO! :evil: Teve um carinha que até me convenceu a limpar as botas (e eu nem ligo pra isso), cobrou 1 sol e depois ficou arrumando rolo porque passou um produto que não sei o que e lustrou e catarrou na sola... Aí ficou pedindo 3 soles! Dei o que foi combinado e comecei a falar em português até que o figura espertinho se mandou.

 

Nesse meio tempo entre procurar agência, almoçar e jantar, tiramos algumas fotos legais e aproveitamos para conhecer cada canto de Cusco, subindo as ladeiras e entrando nos becos, acabou sendo uma espécie de walking tour sem guia, o que foi bem legal.

 

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Ao anoitecer, compramos a pipoca mais barata em relação ao peso que já vi na vida! É um MEGA pacote de pipoca por apenas 1 sol! Maravilha... Comemos umas besteiras e voltamos ao Hostel. Nesse dia não fomos ao bar e nem ficamos de papo até altas horas, pois o dia seguinte já estava reservado a uma das melhores experiências de nossas vidas: Machu Picchu.

 

O combinado era que a van passaria para nos pegar por volta das 7h...tisc... O relógio já batia quase 8h e nada! Já fulos com a agência e xingando Pacha Mama de tudo quanto é nome, toca o sino do Wild Rover e a van chega! AMOEBA!

 

Novamente, como sempre nessa Trip – apesar dos perrengues – a nossa galera da van era uma piada!

 

Chegamos e sentamos no fundão. Depois ficamos esperando horas uma galera de franceses que estavam no Locki. Os caras entram e se dividem, dois na frente e um no fundão. Com eles subiu mais um argentino e mais pra frente, mais argentinos.

 

Nem preciso falar que eu e a Miriam éramos os únicos brasileiros né? Então, fora a gente, a galera do fundão foi composta por 1 francês, três argentinos, eu e a Miriam.

 

Cara, demos muita risada e passamos muito tempo juntos nessa ida a MC, o que só aumentou a diversão e fez valer a pena cada sofrimento para chegarmos no lugar sagrado dos Incas.

 

Após as apresentações de praxe, descobrimos que dois dos argentinos já haviam morado no Brasil e entendiam bem o português, mas falavam um pouco enrolado. O francês estava, ainda, bêbado da noite anterior no Locki, o cara não conseguia nem ficar sentado, tombava de um lado a outro, bambeava pra frente e tomava um tipo de ENGOV a cada 3 minutos. ::xiu::

 

Estava tudo bem, tudo legal e nós estranhando que até agora nenhum perrengue havia dado as caras... Por pouco tempo...

 

Notamos que o motorista não parava de falar no celular e gritava um monte de palavrões. Depois começou a correr muito, mas muito mesmo pelas curvas até chegarmos próximo a Ollanta, aí, do nada, o cara vira e diz que A VAN ESTAVA SEM EMBREAGEM!!! Como assim? Ele corria e pegava todas as baguelas possíveis! Deixando a van no ponto morto por quase todo o trajeto até uma cidadezinha qualquer, deu MEDO... :shock:

 

Quando avistou uma biboca que eles acham que é uma mecânica, parou para tentar arrumar, pelo menos né... O duro é que a peça não foi trocada, fizeram uma gambiarra safada no carro e toca pros penhascos! HAHAHhahahaha.

 

“Resolvido” o “pequeno” problema, andamos mais um pouco e o motorista: “PUTA MADRE!”... De novo? Não, nada de mais, só estamos sem gasolina e os postos estão fechados por causa do PARO (!). PQP! VAMO NA BANGUELA DE NOVO que Machu Picchu tá longe gente!

 

Ele ficou ligando pra mulher (?) e depois para uns caras e falando que a gasolina não dava nem pra chegar na metade do caminho. Todos os postos de gasolina estavam fechados e com aquelas fitas zebradas em apoio ao PARO, a greve dos motoristas de ônibus e caminhão. Ficamos na expectativa, mas já desanimados por talvez termos que adiar a ida a MC por uma coisa tão idiota. Reclamamos com o motorista porque ele deveria ter abastecido a van no dia anterior, já que sairíamos cedo, mas não adiantava argumentar, estávamos sem gasolina e nada mudaria... Até que vimos uma luz no fim do túnel! Ou melhor, um tonel no fim da estrada! Uma menina de uns 12 anos tomava conta de um tonel de gasolina, sem tampa nem nada e com um líquido que diziam ser combustível ahahhahaha, só sei que enchemos a van daquele negócio e o motor funcionou! Todos alegres! Os argentinos cantando (eles gostam disso), os franceses xingando (eles gostam disso), nós dando risada e um casal quietinho, lá na frente, dando uns pegas, hehe.

 

Paramos num local qualquer no meio da estrada para irmos ao banheiro e comer alguma coisa, já que depois seria estrada e estrada até a hora do almoço.

 

Quando entramos de volta na van, já estávamos mais enturmados com os argentinos (o francês ainda dormia sob efeito de remédios e álcool) e os caras começaram a preparar um mate batizado com folhas de coca e sabe Deus mais o que, risos... A Miriam estava com um pouco de enjoo por causa das curvas na banguela e eu com dor de estômago. Não sei o que tinha naquele mate, só sei que SAROU TUDO! Hahahaha. Aí foi aquela festa do mate, discussões sobre as diferenças entre o mate argentino e o nosso chimarrão, o tererê e o chá gelado, mate com frutas, enfim, cultura pop rolando solta, rs... O motorista ligou o som e estava tocando Rock argentino! Foi uma curtição geral na van, os caras cantando (de novo) e a gente rindo (de novo) e o francês dormindo (de novo), passavam aquele copo de plástico ao melhor estilo caneca de merenda escolar e nós lá, dividindo as queimaduras no canto da boca e curtindo aquilo tudo...

 

Foi quando fechou o tempo. Começou a chover muito, com vento e árvores caindo na estrada.

 

Se fosse só isso, ok. O problema é que as estradas são péssimas, com curvas bem fechadas e penhascos pelos lados, uma manobra mal feita e bye, bye Bruno e Miriam.

No sufoco, chegamos na parada para o almoço. O lugar é simples, mas a comida muito boa, o problema é que é pouca. Achei sacanagem da agência porque eles dizem almoço incluso, não avisam que é UM PRATO de comida. E o pior é que não teve nem como pedir mais, mesmo pagando, pois fomos os últimos a chegar (lembra da embreagem e da falta de gasolina?) e os caras já estavam fechando o restaurante, não tinha mais comida. Então o jeito foi passar nas vendinhas e comprar umas pequenices, pois ainda faltava chão até a hidrelétrica.

 

De barriga pela metade, entramos na van e partimos para o pior trajeto. A chuva que havia parado, voltou e voltou forte. Para piorar, o caminho agora era de terra, com abismos dos dois lados, pontes improvisadas e diversos deslizamentos. Além disso, os carros, jipes, vans, ônibus e caminhões trafegam dos dois lados numa estrada estreita que só passa um por vez, então, de tempos em tempos, rolava um desafio entre os motoristas e vencia quem tinha menos medo... E A GENTE NÃO CONTA?!

 

Saca só:

 

 

Muitas horas depois, até o francês acordou e começaram os gritos de pânico e desespero, de verdade. Por diversas vezes o pneu da van rodou metade na estrada de terra, metade no abismo, foi inacreditável aquilo. Derrapamos, atolamos, ficamos parados esperando o morro acabar seu deslizamento... Olha, se você sofre do coração e tem uma grana a mais no bolso: VÁ DE TREM!

 

Finalmente chegamos na hidrelétrica agradecendo pelas nossas vidas e ansiosos por estarmos tão perto de Machu Picchu.

 

O caminho até Águas Calientes é tranquilo e bem bonito. Você anda cerca de 2 horas seguindo os trilhos do trem e vai dando tchauzinho ao povo que passa tirando fotos de você com aquela cara de “olha os malucos indo à pé na chuva!”.

 

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No decorrer do trajeto, a galera vai se dispersando, uns querendo correr, outros parando para tirar fotos e mais um tanto querendo curtir o momento, e essa era a nossa ideia. Um dos argentinos ficou conosco e fomos conversando sobre tudo. O cara era gente fina, mas meio “zen” demais, parava toda hora, abria os braços e ficava recebendo a energia do lugar, parecia aqueles personagens de desenho (animê) japonês HAHAHAhahahaha.

 

E de tanto parar para sugar a tal energia, quando nos demos conta já estava escurecendo! Um cara na hidrelétrica havia nos alertado para não perder a hora, pois escurece rápido naquela época do ano. Então apertamos o passo e fomos que fomos!

 

Encontramos uns retardatários e seguimos juntos até o último trecho, mas não teve jeito, os últimos 20 ou 30 minutos foram na escuridão! As lanternas fracas não iluminavam nada e já estávamos meio perdidos, pois havia uma bifurcação um pouco antes e não conseguimos ler o que estava escrito. Apostamos em nossos instintos e seguimos firmes: AVANTE MOCHILEIRO ZEN!

 

Até que avistamos a cidade, ufa! As luzes amarelas de Águas Calientes nos tranquilizaram e pudemos sentir, pela primeira vez, o ar do Pueblo de Machu Picchu.

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

Café em Cuzco: 13 soles

Lavanderia (5 kg): 15 soles

Ida a Machu Picchu: não tem preço! Tem sim: 125 dólares (van ida e volta; almoço; janta; café da manhã; 2 noites em hotel simples; boleto de entrada a MC e guia).

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Olá isabellacnf,

 

Infelizmente não elaboramos uma planilha com o nosso roteiro, sabíamos apenas os lugares que queríamos conhecer e fomos em frente. Como você deve ter percebido com base neste e em outros relatos, essa trip reserva muitas surpresas, não sendo possível prever EXATAMENTE o dia em que se chega e se sai de um determinado lugar, até porque deixamos rolar, se gostássemos mais de um lugar e menos de outro, nosso roteiro mudaria.

 

Mas, como base, planejamos o seguinte: São Paulo - Santa Cruz - Sucre - Potosi - Uyuni (Salar) - San Pedro do Atacama - Arequipa - Cusco (Machu Picchu) - Copacabana - La Paz - Santa Cruz - São Paulo.

 

Se tiver alguma dúvida, é só perguntar. ::cool:::'>

 

Até mais.

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25.03.2014 – Águas Calientes / Machu Picchu

 

Chegamos exaustos em Águas Calientes (AC) e fomos procurar nosso hostel. A cidade – na verdade é um povoado – é bem pequena, fácil de se virar e achar as coisas.

Encontramos nosso hostel em pouco tempo e estávamos loucos por um banho, comer alguma coisa e preparar tudo para o grande dia. Avistamos um dos caras que nos orientaram na hidrelétrica e fomos lá perguntar. Assinamos uma espécie de lista de chamada, recebemos as chaves do nosso quarto e fomos tomar um banho “quente”, porque chovia e fazia muito frio.

 

O quarto era simples, mas após as péssimas experiências até aqui, parecia um luxuoso quarto de hotel 5 estrelas. Tivemos problema só com o chuveiro, que não esquentava nem a pau, a Miriam foi reclamar e disseram que havia acabado o gás. Após alguns minutos de espera, trocaram e conseguimos tomar um banho morno pra frio, mas estava valendo, quem se importa com água quente aos pés de Machu Picchu?

 

Após o banho estava marcada uma reunião com todo o grupo para logo após a janta. Eu esqueci de explicar que, como em todos os demais casos e demais passeios, as agências juntam a galera e formam grupos para as vans, hostels, etc., por isso que não adianta pagar caro numa agência normal, pois você estará no mesmo barco de quem pagou mais barato...

 

Fomos lá para o restaurante do Hostel e encontramos o argentino que fez o caminho da hidrelétrica conosco. O cara pagou uma cerveja e ficamos vendo o jogo do Newell´s Old Boys, time argentino que ele torce. Foi legal conversar sobre as diferenças do futebol brasileiro e argentino, às veze penso que eles são até mais fanáticos que a gente, só que de um jeito diferente...

 

A janta estava ok. Nem tão boa, nem tão ruim. Sentamos na mesa de uma galera, tinha de tudo, chilenos, colombianos, argentinos, franceses, holandeses... Ficamos lá conversando em espanhol (todos falavam espanhol, incrível) e comentando sobre as expectativas do próximo dia. Rolou uma pequena zuação sobre o atendimento do lugar, porque eles queriam cobrar tudo, de papel higiênico a pano de chão! Poxa, quem paga para ter direito de usar um pano de chão no banheiro? Não pagamos! ::tchann::

 

Em seguida chegou um cara para explicar como seria o cronograma do dia seguinte e nos entregar os boletos de entrada a Machu Picchu. Foi estranho, parecia uma palestra. Ele se apresentou e falou um pouco sobre a cidade e a história de Águas Calientes. Depois explicou que cada um receberia seu boleto de entrada a MC e teríamos duas opções para a subida: a) Caminhando e subindo os MEGA degraus até a cidade perdida dos Incas, ou b) Pagar 25 dólares e subir no conforto do ônibus. Nem preciso falar que escolhemos subir a pé... Além de ser DE GRÁTIS ::hãã2:: , depois você poderá falar aos amigos e parentes que subiu aquela porra toda na sola da bota! HAHAHHhahhaha.

 

Ao recebermos nossos boletos: SURPRESA! Todos nossos dados estavam errados! Não batia nada, o sobrenome errado, o nº do passaporte errado, a nacionalidade errada, até o sexo errado (!). Fomos lá reclamar, já imaginando que seria mais um dos mil perrengues pra contar e o cara, na maior tranquilidade disse que era assim mesmo (?). Sei lá o que rola, só sei que ficamos com medo de sermos barrados na entrada de MC. Então pedimos aos demais para conferirem seus boletos e quase todos estavam errados também, hahahaha. Aí já combinamos que se desse merda, faríamos uma manifestação ao estilo “El Paro” na frente da “boleteria”, rs...

 

Após essa chateação, juntamos nossos hermanos argentinos e fomos comprar suprimentos, pois as coisas lá em cima são um absurdo de caras! Chega ao ponto de uma coca-cola custar 13 dólares! Um lanche simples, 30 dólares! É uma exploração, então resolvemos comprar pequenices para aguentar a caminhada forte e a expedição a Machu Picchu. Sempre quis escrever "expedição" numa frase ::otemo::

 

DICA: Junte uma galera e compre as coisas em pacotes para dividir depois, assim como em Uyuni, pois sai bem mais em conta e você não desperdiça nada.

 

Sobre as compras, uma das que foi mais útil (e gerou uma briga feia que conto mais tarde) foi pão com atum. Se você curte atum e pão andino, vale muito a pena, pois o pão caseiro em AC é muito barato e uma delícia, coisa de 2 soles por 3 pães, e o atum, por ser enlatado, não tem perigo de estragar, melhor do que levar queijo e outras coisas sensíveis ao tempo, pois o clima em MC á maluco, esfria, chove, abre o sol a cada 5 minutos. Não se esqueça de levar água, Gatorade e suco, pois você passa o dia todo andando e ainda tem a descida no final do dia, caso resolva ir à pé, como nós.

 

Demos mais um rolê pela cidade, tiramos umas fotos na chuva mesmo e fomos dormir, porque estava chegando a hora, Aêêê!!! Antes ainda tivemos que ouvir nosso amigo argentino xavecando (ainda usam esta palavra?) uma espanhola na janela do nosso quarto, sem sucesso... Argentino não tem a lábia de brasileiro...

 

26.03.2014 – Machu Picchu

 

Como resolvemos ir à pé, tivemos que acordar às 4h da manhã! ::hein:

 

Havíamos combinado com os argentinos de subirmos todos juntos, então acordamos às 4h, fomos tomar café (incluso) às 4h30 e partir às 5h. Tudo isso porque nosso guia estaria nos esperando às 7h30 na portão de entrada e disseram que levaríamos 2 horas para subir todas aquelas escadarias, então...

 

IMPORTANTE: Se você não tiver um guia incluso no pacote, vale muito a pena contratar um na entrada de MC, são vários e não cobram muito caro, sendo que você poderá juntar uma galera e dividir o valor. Digo isso porque considero essencial que você primeiro ouça as explicações do guia – que leva em torno de 1h30 – para depois sair desbravando as ruínas, senão parecerá tudo um monte de pedras e morros. Além do conhecimento histórico e das discussões acerca das inúmeras teorias sobre o lugar, de alienígenas (os nativos não gostam dessa teoria) a povos ultra evoluídos... Curtimos bastante esses momentos.

 

Pois bem.

 

Lá fomos nós andar feito lhamas (pois camelo é no Egito) e subir as escadarias sem fim. Iniciamos na estrada que liga AC à barragem do rio Urubamba e lá assinamos um papel. Nota: Toda vez que me obrigam a assinar um papel antes de ir a algum lugar, sei que estou correndo algum perigo... :?

 

Estava um breu! Muito escuro mesmo, com frio e umidade, pelo menos a chuva havia dado uma trégua e podíamos andar sem escorregar nas pedras. Dos quatro argentinos, havíamos criado um vínculo maior com um deles, aquele que suga a energia com o seu “Ki” hahahaha. Os demais também tinham outros assuntos bobymarleyros para resolver, se é que me entendem... E fomos lá, firmes!

 

A primeira parte é tranquila, você se engana pensando que será fácil e que seu condicionamento aeróbio e muscular está em dia... NÃO! NÃO SERÁ FÁCIL!

 

Evidente que alguns possuem maior condicionamento e outros estão sob efeito de drogas, digo, estão acostumados com isso, mas não pense que será moleza. Os degraus são irregulares e ENORMES (!), com terra, mato e pedrinhas soltas pulando no seu calcanhar e entrando na sua bota... No escuro então, tisc...

 

O lance aqui é TER FOCO! Fechar a cara e subir, subir, subir. Os argentinos brisados foram na frente feito loucos e disseram que nos esperariam lá em cima. O legal é que muito antes da metade da subida, havia um trecho com desabamento e estava um barro só, com galhos e pedras caindo, meio perigoso e muito alto para subir sem ajuda. E não é que os caras nos esperaram? Ficaram cerca de 20 minutos nos esperando só para dar a mão e nos ajudar a subir essa parte! Viu? Existe argentino gente boa! ::ahhhh::

 

Após 1 hora de subida, seus joelhos começam a ranger e você perde o fôlego. As costas doem e tudo o que você quer é chegar logo e apreciar a vista maravilhosa lá perto das nuvens. Percebi que a Miriam estava muito desgastada, parava a cada cinco degraus e não tinha muita força nas pernas... Resolvi bancar o sargento malvado e fui subindo na frente, dizendo: “Só até aquela árvore!”; “Só até aquela pedra!”; E assim fomos.

 

Lembram do francês bêbado da van? O cara encostou na Miriam e só andava quando ela andava, hahahaha. Ele estava muito podre! Só xingava tudo e todos, gritava que aquilo não era turismo e que estava pagando para sofrer, tudo com um cigarro no canto da boca! :lol: . Mas eu fui na frente motivando a Miriam e ela atrás motivando o francês, parecia cena daqueles filmes de motivação esportiva, como em “Duelo de Titãs”...

 

Olhamos para o relógio e faltavam 15 minutos para as 7h30, já havíamos subido, sem parar, por 2 horas e 15 minutos, sofrendo com o calor, com os pernilongos e o cansaço. Sabíamos que precisávamos chegar às 7h30 no portão principal ou perderíamos o guia e não queríamos isso. Olhei para a Miriam e disse que agora era para valer, comecei subindo muito forte, pulando degraus e rasgando os músculos das pernas, minha panturrilha queimava e minhas costas ardiam. Quando olho para cima, vejo a ponta de uma construção, achei que a Miriam estava longe e quando percebo ela estava colada em mim! Fiquei muito orgulhoso dela, de verdade. Era a única mulher em todo o caminho, muitas começaram e desistiram na metade, pegando o ônibus na estrada, mas ela não, seguiu firme e forte até o topo e ainda usou todas as suas forças para quase correr nos últimos 15 minutos... Parabéns! ::love::

 

Quando chegamos ao topo foi muito legal, os argentinos e alguns outros que conhecemos na subida estavam todos lá, sentados nos esperando. Nos aplaudiram e fizeram maior festa! Risos... Mesmo sabendo que não é um Everest e está longe de ser uma das subidas mais difíceis, gostamos pela atitude deles, que correram o risco de perder o guia só porque prometeram nos esperar. Valeu Hermanos!

 

Piso na fila de entrada e ouço uma menina gritando: Bruno Nogy! Miriam Nogy!

 

Aqui! Aqui! Era nossa guia, chegamos EXATAMENTE na hora! 7h30 horário de Machu Picchu!

 

Apresentamos nossos boletos e nem olharam para nossa cara, sem problema!

 

Fomos entrando e percorrendo aquele pequeno caminho coberto até a imensidão das ruínas... Era como se pisássemos nas fotos dos livros, foi incrível ver aquilo tudo com os próprios olhos, parecia um filme.

 

Continua [...]

 

Em Tempo: O francês ainda gritava, láááááááá de longe, alguns palavrões...

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Não desanima não Nogy... Tô louca para ler a parte de Machu Picchu! ::love::

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Olá Nogy....Seu Relato está muito bom e inspirador.......Não desanima não, preciso de suas valiosas dicas.....

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Olá Nogy!!

Já estou ansiosa pelo resto da história! Sua maneira de escrever é mto bacana!!

Parece que estamos viajando junto com vocês! Parabéns!

Vou fazer um roteiro parecido com uma amiga daqui a 3 semanas!! Já está batendo aquele frio na espinha!!

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[...]

 

26.03.2014 – Machu Picchu

 

Graças à injeção de ânimo da jessicahemk, do rafaelvma, do Christian_zZz e da mcarolgarcia, vamos continuar! Escrever relato dá trabalho gente, rs...

 

Nosso grupo foi dividido entre os que falavam/entendiam espanhol e os que falavam/entendiam inglês. Os que não sabiam nem espanhol, nem inglês, não entenderam nada mesmo e foram se enfiando em qualquer grupo.

 

A nossa guia era bem nova, mas sabia muito sobre o povo Inca. Estudou quéchua e fez diversos cursos de especialização em história andina. Era descendente do povo quéchua, que descobrimos era a maioria, pois somente a nobreza recebia o “status” de Inca e eram pouquíssimos, se concentrando entre Cusco e Machu Picchu, muito mais em Cusco.

 

A primeira dica é não se desanimar com o tempo. O clima em Machu Picchu é maluco, muda a cada cinco segundos e se você chegou cedo, certamente estará MUITO nublado, com frio e chuva fininha.

 

Como ficamos no grupo do espanhol, além de nós (únicos brasileiros, de novo), havia uma galera do Chile, um espanhol que ficou constrangido com as histórias de massacre de seu povo no passado, risos, e nossos Hermanos argentinos. Fomos a uma espécie de planície e ouvimos as primeiras teorias sobre o lugar, o motivo de sua construção, as estratégias de defesa contra os espanhóis, lugares sagrados, enfim, a guia era muito bem preparada, respondia as perguntas de bate pronto e estava sempre disposta a discutir sobre as teorias, lendas e histórias do lugar.

 

Após esse primeiro momento, a guia nos levou aos principais pontos de MP. Nessa hora, outros grupos também começam a exploração do lugar e alguns pontos ficam muito cheios, então sugiro que volte em alguns mais tarde, estarão todos livres e poderá apreciar cada pedacinho de pedra, cada vão, cada janela, além de poder tirar fotos a vontade. O legal disso é que em 1h30, mais ou menos, que é o tempo do guia, você já saberá o que é o que e tudo fará sentido quando for explorar sozinho por aí.

 

DICA: Sabe aquela foto clássica de Machu Picchu? Pois bem, não precisa subir Wayna Picchu para tirá-la, basta seguir até a “Porta do Sol”, que fica bem próxima à entrada. Pronto! Digo isso porque teve muita gente que comprou a subida a Wayna Picchu só porque achavam que a foto clássica é tirada de lá. Mas não, todos os guias disseram que é da porta do Sol. Claro que a subida, por si só, já vale a pena, além de se ter uma vista diferente, de muito alto, mas não se preocupe em não conseguir a tão sonhada foto só porque não irá subir a Wayna, ok?

 

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Ao final do tour guiado, já havíamos até criado um vínculo com nossa guia, rs... Não é tão rápido assim, mas estávamos tão impressionados com tudo aquilo que o tempo passou voando. Nos despedimos de todos e fomos, só eu e a Miriam, desbravar Machu Picchu!

 

Foi muito bom. Tínhamos o dia inteiro para andar pelas ruínas e não era nem 9h30 da manhã... Voltamos à entrada e partimos para nosso roteiro próprio, iniciando pela subida à Porta do Sol, claro, e depois seguimos para a ponte Inca, outro ponto muito interessante e pouco visitado. Não tem nada de especial essa ponte, mas o caminho até lá é agradabilíssimo, uma espécie de trilhazinha com sombra e pequenos obstáculos, passando por passarelas e penhascos até a ponte, de onde podemos seguir até certo ponto com a ajuda de uma corda. O restante do caminho é pelas montanhas e está inacessível, mas é possível se ter uma boa ideia de quão malucos os Incas eram... Andavam dezenas de quilômetros, todos os dias, sempre trabalhando ou se preparando para os conflitos, muito legal observar e ficar imaginando como era no passado.

 

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Essa primeira parte levou um bom tempo, mas foi bem aproveitado. Já era hora do almoço e paramos para apreciar nosso delicioso lanche de pão andino com atum, hehe.

 

Ao entrar em MP, você recebe um carimbo datado no boleto, sendo permitida a entrada e saída do local sempre que quiser, bastando apresentar este papel, o que facilita bem as coisas, já que os restaurantes (absurdos de caros) e banheiros, ficam do lado de fora.

 

Só pelo espirito esportivo, fomos ver os preços das coisas, isso no quiosque, porque no restaurante já imaginávamos... Para vocês terem uma ideia, uma coca-cola de 600 ml custava 13 dólares! Um lanche simples, pão, presunto e queijo, chegava a custar 30 dólares! Um exagero.

 

Então, descemos um pouquinho as escadarias e fomos até uma espécie de cabana de palha que fica na curvinha antes de se chegar ao topo. Foi perfeito! Sombra, tranquilidade e uma mureta para se sentar. Montamos nosso lanche de atum e almoçamos aos pés da cidade perdida, foi nosso segundo almoço diferente, o primeiro foi no deserto de sal :D

 

Barriga cheia, voltamos a MP para completar a segunda etapa. Seguimos para o outro lado e fomos andando bem devagar, redescobrindo os locais antes passados rapidamente. Ainda topamos com uma lhama ENORME, que seguiu tranquila seu caminho... Ainda tiramos uma horinha para descansar e somente observar, momento inesquecível, uma paz interior e um sentimento de gratidão por termos a chance de estar ali, naquele momento.

 

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Já quase ao final do dia, resolvemos ainda dar uma última olhada na pedra que simula a montanha, mas começou a chover e o tempo ficou nublado, snif... Nos abrigamos debaixo de um abrigo e acabamos conhecendo um casal de brasileiros. Eram do Ceará, se não me engano, e ficamos conversando um tempão até que a chuva desse uma trégua. Só para se ter uma ideia, aquela era a terceira chuva do dia, sendo que já havia feito muito Sol e depois esfriado repentinamente... Quando a água parou, fomos terminar o caminho para dar uma “volta olímpica em MP”, agora na companhia do casal. Tiramos mais fotos e conversamos sobres as pequenas diferenças entre as explicações de alguns lugares e ainda deu tempo de mostrarmos a eles um altar onde eram feitos sacrifícios de animais, com um desenho de condor na pedra e lugar para que o sangue escorresse, bizarro mas interessante.

 

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Voltamos à entrada para que o casal pudesse carimbar seus passaportes e nos despedimos com a promessa de tomar uma cerveja no Mama África, em Cusco.

 

DICA: Antigamente existia um guichê com um funcionário que ficava carimbando os passaportes dos turistas com aquela imagem clássica de Machu Picchu. Hoje é mais simples, basta ir a uma mesinha de plástico que fica na entrada e carimbar você mesmo seu passaporte, ao melhor estilo self service! Isso é bom, pois evita filas e garante que seu carimbo fique perfeito, pois você irá caprichar né?

 

Ao sair, sem vontade de ir embora, nos preparamos para a descida das escadarias até Águas Calientes. Arrumamos e tudo e o céu começou a desabar! Bateu aquela vontadinha de pegar o ônibus, mas fomos firmes e começamos a descida.

 

Confesso que foi bem mais fácil que a subida, mesmo com as pedras escorregadias e os joelhos pedindo socorro. A chuva atrapalhou bastante, mas conseguimos fazer na metade do tempo da subida.

 

Chegamos encharcados em AC e tudo o que queríamos era um bom banho e uma noite para comemorar a visita a uma das sete maravilhas do mundo!

 

O tempo havia melhorado um pouco e fomos andar pela cidade para procurar um lugar bacana para o jantar. Encontramos um restaurante italiano bem bonito e com lareira ao centro, fechou! Sentamos ao lado da lareira e fomos atendidos pelo próprio dono, cara muito gente fina, indicou cervejas artesanais, discutimos sobre a pizza italiana e a pizza paulistana, namoramos um pouco e pedimos uma pizza típica da Itália, com massa fininha e crocante. A sobremesa nos surpreendeu. Era uma torta de chocolate muito diferente, valeu a pena cada mordida. Um café para finalizar e as lembranças de Machu Picchu para nos fazer pegar no sono...

 

Na manhã seguinte, acordamos tranquilos, pois teríamos que chegar na hidrelétrica somente às 11h30, tempo suficiente para tomar um bom café da manhã, arrumar as coisas e começar a caminhada de volta.

 

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O grande problema foi ter que andar com as roupas ensopadas. A umidade em AC é ridícula, você não consegue secar nada, eu disse NADA! Não adianta pendurar, fazer redemoinho com a camiseta, prender nas costas e sair correndo contra o vento, NÃO SECA!

 

Para ajudar, começou a chover. Compramos uma capa de chuva safada e fomos lá.

 

DICA: Logo na contratação da ida a Machu Picchu, caso vá de van, poderá escolher entre uma ou duas noites em Águas Calientes. Se escolher ficar apenas 1 noite, ficará um pouco mais barato, mas irá prejudicar sua visita a Machu Picchu, pois no grande dia, terá que retornar a Águas Calientes por volta das 10h, para que dê tempo de chegar na hidrelétrica ao meio dia, ou seja, mesmo que você chegue em MP logo cedo, às 7h, terá apenas 2 horas para ver tudo, impossível... Mas se escolher 2 noites, como nós, poderá ficar o dia todo em Machu Picchu, dormir mais uma noite em AC e seguir tranquilo à hidrelétrica na manhã seguinte. Vale a pena.

 

Nunca imaginei que a melhor roupa seria a pior escolha. Explico: Como nossas roupas já estavam úmidas, tentei me proteger para que não ficasse muito molhado dentro da van, por horas, até chegarmos em Cusco. Pois bem, a estratégia foi colocar uma camiseta de secagem rápida e que não detém o suor, tipo aquelas de corrida, sabe? Depois um corta vento impermeável com sistema goretex, que também permite a transpiração e, por último, uma capa de chuva para não molhar. Resultado: Virei uma ESTUFA! Como estávamos caminhando num rápido bom e o tempo, apesar de chuvoso, não estava frio, transpirei pra caramba, o suor do corpo atravessou a camiseta, que atravessou o corta vento, bateu na capa de chuva safada de 2 pesos e voltou! Quando chegamos na cabana já na hidrelétrica, parecia que tinha tomado banho, estava pingando... A Miriam, que usou uma camiseta simples com um corta vento mais simples ainda, estava sequinha... Maldita tecnologia!

 

Aí foi nossa briga. Uma das poucas de tantos anos juntos. Descobrimos do que a fome é capaz...

 

Chegamos na cabaninha da alegria, uma gringaiada lá se secando, batendo papo e fazendo seu lanchinho. Opa, vamos aproveitar para lanchar também, já que durante o trajeto na van, certamente, não iríamos querer comer nada, pois não são as curvas de Santos, mas deixam a galera à deriva...

 

A Miriam tirou o único pão que tínhamos da mochila (graças a Deus que estava com ela, porque a minha mochila parecia que tinha feito nado sincronizado com os itens) e fomos montar nosso pãozinho com atum. Ela, sábia como sempre, disse para dividirmos por igual com o canivete. Eu, muito burro, falei que não precisava, bastava cada um ir dando uma mordida. Não sei se foi por preguiça ou meu subconsciente ativou meus instintos animais de sobrevivência, só sei que catei o pão e dei uma ABOCANHADA MONSTRO naquele pequeno, inocente e desprotegido pão andino... Quando olho para a Miriam, os olhinhos dela estavam cheios d´água, tadinha. Nem percebi, dentei feito um TUBARÃO BRANCO e não sobrou quase nada para ela...triste... :cry:

 

Ela começou a me xingar e eu também fiquei nervoso, os gringos olhavam espantados – decerto pensando: “brasileiros...” – e fomos discutindo até a van... Achei que ela iria pedir o divórcio, mas no final nos acalmamos e percebemos que a culpa foi da fome. Então, caso faça esse tour econômico a Machu Picchu, LEVE MAIS COMIDA!

 

Após esse momento “DR” culinário no estrangeiro, ficamos P com o cara da van. Demorou muito para chegar, estava chuviscando e não tínhamos nenhum abrigo. Umas galinhas vieram ciscar em nossos pés, uns cachorros a lamber nossas botas e um ataque aéreo de pernilongos. Com fome, cansados, com frio e loucos para chegar em Cusco, o cara apareceu cerca de 40 minutos depois, fez uma chamada que foi uam confusão e botou todo mundo dentro do carro.

 

A volta não foi muito diferente da ida, caminho perigoso e cansativo. A Miriam ficou bem enjoada e foi dormindo à base de Plasil. Eu fiquei num lugar péssimo que a cada curva me lançava no corredor, mas até que suportei bem. Lá pelas tantas houve um desmoronamento gigante e ficamos parados esperando os tratores retirarem a terra. A chuva só aumentava e o calor na van também, todo mundo cansado, ninguém conversava e foi um tédio. Ouvimos histórias de israelenses e desabafos de peruanos. Hora vai, hora vem, finalmente chegamos.

 

Mas... Como tudo tem que ser um pouco mais difícil pra gente, o cara nos largou numa praça qualquer, assim, simplesmente, sendo que o combinado era nos deixar em frente ao Wild Rover. Tentamos discutir, mas como já estávamos de saco cheio da viagem torturante, demos de ombros e fomos congelando até nosso hostel.

Quem chega de Machu Picchu parece astro de Rock, fazem uma roda e fica todo mundo te perguntando como foi, o que rolou, é até engraçado. Bebemos alguma coisa e ainda tiramos forças de não sei onde para pegar nosso pôster do PUB Irlandês mais alto do mundo, o “Paddys´s Irish Pub”.

 

Confesso que me decepcionei um pouco, pode ter sido o cansaço ou o fato de o lugar estar muito cheio e ser muito pequeno, não havia mesa vaga, nem cadeira. Sentamos no balcão mesmo e tomei uma caneca de GUINNESS, claro. Pegamos nosso suado pôster e fomos embora. Comemos mais um frango no KFC e voltamos ao WR, era hora de planejar a ida a Copacabana.

 

No dia seguinte, 27.03.2014, tínhamos ainda um dia em Cusco para andar, comprar alguns presentes e esperar até a noite para nosso ônibus com destino a Copacabana. E como mochileiro é sortudo, ainda tivemos a chance de participar de um CARNAVAL DE RUA! Ao estilo deles, claro. Foi muito legal, as bandinhas, as crianças e as coreografias, as roupas engraçadas... Poxa, ficamos felizes em nosso último dia em Cusco ainda presenciar esta festa, fechamos com chave de ouro.

 

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Continua [...]

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