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[...]   O FIM.   Entramos no carro, olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso sem dizer nada, mas pensamos a mesma coisa: “Olha só como essa viagem vai terminar...”   Eu, a Miriam e a “

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Fala sandromc, cara essa galera da América do Sul sabe fazer uma manifestação! HAHAHhahahaha... Só não queria ter acabado no hospital público de Cusco com uma pedrada na cabeça, só isso.

 

hlirajunior, nem me fale desses vendedores, foi um ponto fraco de Cusco, não conseguíamos nem tomar um sorvete que já nos cercavam... E esse lance de topar com o mesmo vendedor e ele tentar te convencer DE NOVO aconteceu muito também.

 

Pois é jessicahemk, as lembranças tornam até aquelas situações perigosas e desesperadoras em momentos engraçados, mas na hora...rs.

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[...]

 

25.03.2014 – Cusco / Águas Calientes

 

Acordamos cedo para pesquisar sobre Machu Picchu e dar mais um rolê por aí.

 

Como já relatei em posts anteriores, nossa grana estava escassa devido à compra da passagem aérea para sairmos de Arequipa, o que comprometeu não só a Salkantay, mas outros passeios que havíamos planejado. Isto porque estavam cobrando muito caro pelo boleto turístico em Cusco e ainda não sabíamos como estava a situação das estradas que ligam o Peru a Bolívia, já que iríamos a Copacabana em seguida. Então, o medo de precisarmos de mais dinheiro para pegar um voo de emergência a La Paz para, de lá, seguir a Copacabana ou mesmo voltar ao Brasil, nos fez ir logo a Machu Picchu (MC) e depois analisar se poderíamos ou teríamos condições financeiras para fazer os demais passeios que Cusco oferece.

 

Pois bem.

 

Existem inúmeras formas de se chegar a MC: de trem (caro pra burro); por meio de trilhas (Salkantay; Inca; Inca Jungle; etc.); combinação van + caminhada (ótimo custo x benefício) e por conta própria.

 

Sobre esta última forma, obtivemos informações (um tanto duvidosas) de um taxista que garantiu ser possível pegar um táxi até Santa Maria, depois de Santa Maria a Santa Tereza e em seguida uma van até a hidrelétrica. Possível é, o problema é que não existe garantia alguma que você conseguirá um lugar livre na van ou num táxi ou carro que te leve assim que chegar, tendo que, talvez, esperar horas ou combinar para o próximo dia. Mas... Financeiramente compensa sim, pois alguns trechos, como Cuzco x Santa Maria é possível fazer de ônibus por cerca de 20 a 30 soles. Também não terá um lugar reservado em Águas Calientes e isso pode ser um problema, pois geralmente se chega no final do dia e as acomodações são: a) simples com dignidade ou b) luxuosas e caras. Então, ficar vagando em busca de quarto, à noite, com frio, chuva e aquela umidade dos diabos, não será nada legal... No entanto, somos a favor de qualquer jeito, desde que consiga atingir seus objetivos... Se alguém aí já fez esse caminho alternativo e deu certo, por favor, comente para a galera!

 

Optamos, então, pelo trajeto de van até a hidrelétrica + caminhada da hidrelétrica até Águas Calientes e de lá subir a Machu Picchu. Estão inclusos no pacote: boleto de entrada em Macchu Picchu (podendo, também, incluir a subida a Wayna Picchu), almoço e janta (somente na ida), estadia em quartos duplos, café da manhã e guia.

Todas as agências que fomos ofereciam o mesmo pacote, com diferença significativa nos preços. Uma coisa é certa, NUNCA CONFIE NAS FOTOS! Não adianta eles te mostrarem foto do quarto, do hotel, da van... Na hora é outra coisa ou não é bem assim, vai da sorte.

 

DICA: Pesquise bastante e separe o nome de algumas agências com os melhores preços. Depois vá ao centro de informações turísticas, perto da praça principal em Cusco e se informe se a agência é cadastrada e possui autorização para a venda dos pacotes. Isso não garantirá que tudo sairá a mil maravilhas, mas se você for enganado ou tiver algum problema mais sério, terá como reclamar e pedir seu dinheiro – ou parte dele – de volta.

 

Fechamos em uma agência cadastrada e com preço justo, nem tão caro, nem tão barato a ponto de desconfiarmos, pois ninguém faz milagre, o preço do boleto de entrada é único, o hotel não é da agência, o guia muito menos, então eles trabalham com uma margem pequena de lucro, por isso, vai aquela máxima de sempre, de novo: Quando a esmola é demais...

 

A busca por agências nos tomou quase o dia todo, verdade, são muitas espalhadas pela cidade e você ainda tem que ficar desviando dos vendedores, poxa vida, isso é um saco, MESMO! :evil: Teve um carinha que até me convenceu a limpar as botas (e eu nem ligo pra isso), cobrou 1 sol e depois ficou arrumando rolo porque passou um produto que não sei o que e lustrou e catarrou na sola... Aí ficou pedindo 3 soles! Dei o que foi combinado e comecei a falar em português até que o figura espertinho se mandou.

 

Nesse meio tempo entre procurar agência, almoçar e jantar, tiramos algumas fotos legais e aproveitamos para conhecer cada canto de Cusco, subindo as ladeiras e entrando nos becos, acabou sendo uma espécie de walking tour sem guia, o que foi bem legal.

 

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Ao anoitecer, compramos a pipoca mais barata em relação ao peso que já vi na vida! É um MEGA pacote de pipoca por apenas 1 sol! Maravilha... Comemos umas besteiras e voltamos ao Hostel. Nesse dia não fomos ao bar e nem ficamos de papo até altas horas, pois o dia seguinte já estava reservado a uma das melhores experiências de nossas vidas: Machu Picchu.

 

O combinado era que a van passaria para nos pegar por volta das 7h...tisc... O relógio já batia quase 8h e nada! Já fulos com a agência e xingando Pacha Mama de tudo quanto é nome, toca o sino do Wild Rover e a van chega! AMOEBA!

 

Novamente, como sempre nessa Trip – apesar dos perrengues – a nossa galera da van era uma piada!

 

Chegamos e sentamos no fundão. Depois ficamos esperando horas uma galera de franceses que estavam no Locki. Os caras entram e se dividem, dois na frente e um no fundão. Com eles subiu mais um argentino e mais pra frente, mais argentinos.

 

Nem preciso falar que eu e a Miriam éramos os únicos brasileiros né? Então, fora a gente, a galera do fundão foi composta por 1 francês, três argentinos, eu e a Miriam.

 

Cara, demos muita risada e passamos muito tempo juntos nessa ida a MC, o que só aumentou a diversão e fez valer a pena cada sofrimento para chegarmos no lugar sagrado dos Incas.

 

Após as apresentações de praxe, descobrimos que dois dos argentinos já haviam morado no Brasil e entendiam bem o português, mas falavam um pouco enrolado. O francês estava, ainda, bêbado da noite anterior no Locki, o cara não conseguia nem ficar sentado, tombava de um lado a outro, bambeava pra frente e tomava um tipo de ENGOV a cada 3 minutos. ::xiu::

 

Estava tudo bem, tudo legal e nós estranhando que até agora nenhum perrengue havia dado as caras... Por pouco tempo...

 

Notamos que o motorista não parava de falar no celular e gritava um monte de palavrões. Depois começou a correr muito, mas muito mesmo pelas curvas até chegarmos próximo a Ollanta, aí, do nada, o cara vira e diz que A VAN ESTAVA SEM EMBREAGEM!!! Como assim? Ele corria e pegava todas as baguelas possíveis! Deixando a van no ponto morto por quase todo o trajeto até uma cidadezinha qualquer, deu MEDO... :shock:

 

Quando avistou uma biboca que eles acham que é uma mecânica, parou para tentar arrumar, pelo menos né... O duro é que a peça não foi trocada, fizeram uma gambiarra safada no carro e toca pros penhascos! HAHAHhahahaha.

 

“Resolvido” o “pequeno” problema, andamos mais um pouco e o motorista: “PUTA MADRE!”... De novo? Não, nada de mais, só estamos sem gasolina e os postos estão fechados por causa do PARO (!). PQP! VAMO NA BANGUELA DE NOVO que Machu Picchu tá longe gente!

 

Ele ficou ligando pra mulher (?) e depois para uns caras e falando que a gasolina não dava nem pra chegar na metade do caminho. Todos os postos de gasolina estavam fechados e com aquelas fitas zebradas em apoio ao PARO, a greve dos motoristas de ônibus e caminhão. Ficamos na expectativa, mas já desanimados por talvez termos que adiar a ida a MC por uma coisa tão idiota. Reclamamos com o motorista porque ele deveria ter abastecido a van no dia anterior, já que sairíamos cedo, mas não adiantava argumentar, estávamos sem gasolina e nada mudaria... Até que vimos uma luz no fim do túnel! Ou melhor, um tonel no fim da estrada! Uma menina de uns 12 anos tomava conta de um tonel de gasolina, sem tampa nem nada e com um líquido que diziam ser combustível ahahhahaha, só sei que enchemos a van daquele negócio e o motor funcionou! Todos alegres! Os argentinos cantando (eles gostam disso), os franceses xingando (eles gostam disso), nós dando risada e um casal quietinho, lá na frente, dando uns pegas, hehe.

 

Paramos num local qualquer no meio da estrada para irmos ao banheiro e comer alguma coisa, já que depois seria estrada e estrada até a hora do almoço.

 

Quando entramos de volta na van, já estávamos mais enturmados com os argentinos (o francês ainda dormia sob efeito de remédios e álcool) e os caras começaram a preparar um mate batizado com folhas de coca e sabe Deus mais o que, risos... A Miriam estava com um pouco de enjoo por causa das curvas na banguela e eu com dor de estômago. Não sei o que tinha naquele mate, só sei que SAROU TUDO! Hahahaha. Aí foi aquela festa do mate, discussões sobre as diferenças entre o mate argentino e o nosso chimarrão, o tererê e o chá gelado, mate com frutas, enfim, cultura pop rolando solta, rs... O motorista ligou o som e estava tocando Rock argentino! Foi uma curtição geral na van, os caras cantando (de novo) e a gente rindo (de novo) e o francês dormindo (de novo), passavam aquele copo de plástico ao melhor estilo caneca de merenda escolar e nós lá, dividindo as queimaduras no canto da boca e curtindo aquilo tudo...

 

Foi quando fechou o tempo. Começou a chover muito, com vento e árvores caindo na estrada.

 

Se fosse só isso, ok. O problema é que as estradas são péssimas, com curvas bem fechadas e penhascos pelos lados, uma manobra mal feita e bye, bye Bruno e Miriam.

No sufoco, chegamos na parada para o almoço. O lugar é simples, mas a comida muito boa, o problema é que é pouca. Achei sacanagem da agência porque eles dizem almoço incluso, não avisam que é UM PRATO de comida. E o pior é que não teve nem como pedir mais, mesmo pagando, pois fomos os últimos a chegar (lembra da embreagem e da falta de gasolina?) e os caras já estavam fechando o restaurante, não tinha mais comida. Então o jeito foi passar nas vendinhas e comprar umas pequenices, pois ainda faltava chão até a hidrelétrica.

 

De barriga pela metade, entramos na van e partimos para o pior trajeto. A chuva que havia parado, voltou e voltou forte. Para piorar, o caminho agora era de terra, com abismos dos dois lados, pontes improvisadas e diversos deslizamentos. Além disso, os carros, jipes, vans, ônibus e caminhões trafegam dos dois lados numa estrada estreita que só passa um por vez, então, de tempos em tempos, rolava um desafio entre os motoristas e vencia quem tinha menos medo... E A GENTE NÃO CONTA?!

 

Saca só:

 

 

Muitas horas depois, até o francês acordou e começaram os gritos de pânico e desespero, de verdade. Por diversas vezes o pneu da van rodou metade na estrada de terra, metade no abismo, foi inacreditável aquilo. Derrapamos, atolamos, ficamos parados esperando o morro acabar seu deslizamento... Olha, se você sofre do coração e tem uma grana a mais no bolso: VÁ DE TREM!

 

Finalmente chegamos na hidrelétrica agradecendo pelas nossas vidas e ansiosos por estarmos tão perto de Machu Picchu.

 

O caminho até Águas Calientes é tranquilo e bem bonito. Você anda cerca de 2 horas seguindo os trilhos do trem e vai dando tchauzinho ao povo que passa tirando fotos de você com aquela cara de “olha os malucos indo à pé na chuva!”.

 

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No decorrer do trajeto, a galera vai se dispersando, uns querendo correr, outros parando para tirar fotos e mais um tanto querendo curtir o momento, e essa era a nossa ideia. Um dos argentinos ficou conosco e fomos conversando sobre tudo. O cara era gente fina, mas meio “zen” demais, parava toda hora, abria os braços e ficava recebendo a energia do lugar, parecia aqueles personagens de desenho (animê) japonês HAHAHAhahahaha.

 

E de tanto parar para sugar a tal energia, quando nos demos conta já estava escurecendo! Um cara na hidrelétrica havia nos alertado para não perder a hora, pois escurece rápido naquela época do ano. Então apertamos o passo e fomos que fomos!

 

Encontramos uns retardatários e seguimos juntos até o último trecho, mas não teve jeito, os últimos 20 ou 30 minutos foram na escuridão! As lanternas fracas não iluminavam nada e já estávamos meio perdidos, pois havia uma bifurcação um pouco antes e não conseguimos ler o que estava escrito. Apostamos em nossos instintos e seguimos firmes: AVANTE MOCHILEIRO ZEN!

 

Até que avistamos a cidade, ufa! As luzes amarelas de Águas Calientes nos tranquilizaram e pudemos sentir, pela primeira vez, o ar do Pueblo de Machu Picchu.

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

Café em Cuzco: 13 soles

Lavanderia (5 kg): 15 soles

Ida a Machu Picchu: não tem preço! Tem sim: 125 dólares (van ida e volta; almoço; janta; café da manhã; 2 noites em hotel simples; boleto de entrada a MC e guia).

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Olá isabellacnf,

 

Infelizmente não elaboramos uma planilha com o nosso roteiro, sabíamos apenas os lugares que queríamos conhecer e fomos em frente. Como você deve ter percebido com base neste e em outros relatos, essa trip reserva muitas surpresas, não sendo possível prever EXATAMENTE o dia em que se chega e se sai de um determinado lugar, até porque deixamos rolar, se gostássemos mais de um lugar e menos de outro, nosso roteiro mudaria.

 

Mas, como base, planejamos o seguinte: São Paulo - Santa Cruz - Sucre - Potosi - Uyuni (Salar) - San Pedro do Atacama - Arequipa - Cusco (Machu Picchu) - Copacabana - La Paz - Santa Cruz - São Paulo.

 

Se tiver alguma dúvida, é só perguntar. ::cool:::'>

 

Até mais.

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[...]

 

25.03.2014 – Águas Calientes / Machu Picchu

 

Chegamos exaustos em Águas Calientes (AC) e fomos procurar nosso hostel. A cidade – na verdade é um povoado – é bem pequena, fácil de se virar e achar as coisas.

Encontramos nosso hostel em pouco tempo e estávamos loucos por um banho, comer alguma coisa e preparar tudo para o grande dia. Avistamos um dos caras que nos orientaram na hidrelétrica e fomos lá perguntar. Assinamos uma espécie de lista de chamada, recebemos as chaves do nosso quarto e fomos tomar um banho “quente”, porque chovia e fazia muito frio.

 

O quarto era simples, mas após as péssimas experiências até aqui, parecia um luxuoso quarto de hotel 5 estrelas. Tivemos problema só com o chuveiro, que não esquentava nem a pau, a Miriam foi reclamar e disseram que havia acabado o gás. Após alguns minutos de espera, trocaram e conseguimos tomar um banho morno pra frio, mas estava valendo, quem se importa com água quente aos pés de Machu Picchu?

 

Após o banho estava marcada uma reunião com todo o grupo para logo após a janta. Eu esqueci de explicar que, como em todos os demais casos e demais passeios, as agências juntam a galera e formam grupos para as vans, hostels, etc., por isso que não adianta pagar caro numa agência normal, pois você estará no mesmo barco de quem pagou mais barato...

 

Fomos lá para o restaurante do Hostel e encontramos o argentino que fez o caminho da hidrelétrica conosco. O cara pagou uma cerveja e ficamos vendo o jogo do Newell´s Old Boys, time argentino que ele torce. Foi legal conversar sobre as diferenças do futebol brasileiro e argentino, às veze penso que eles são até mais fanáticos que a gente, só que de um jeito diferente...

 

A janta estava ok. Nem tão boa, nem tão ruim. Sentamos na mesa de uma galera, tinha de tudo, chilenos, colombianos, argentinos, franceses, holandeses... Ficamos lá conversando em espanhol (todos falavam espanhol, incrível) e comentando sobre as expectativas do próximo dia. Rolou uma pequena zuação sobre o atendimento do lugar, porque eles queriam cobrar tudo, de papel higiênico a pano de chão! Poxa, quem paga para ter direito de usar um pano de chão no banheiro? Não pagamos! ::tchann::

 

Em seguida chegou um cara para explicar como seria o cronograma do dia seguinte e nos entregar os boletos de entrada a Machu Picchu. Foi estranho, parecia uma palestra. Ele se apresentou e falou um pouco sobre a cidade e a história de Águas Calientes. Depois explicou que cada um receberia seu boleto de entrada a MC e teríamos duas opções para a subida: a) Caminhando e subindo os MEGA degraus até a cidade perdida dos Incas, ou b) Pagar 25 dólares e subir no conforto do ônibus. Nem preciso falar que escolhemos subir a pé... Além de ser DE GRÁTIS ::hãã2:: , depois você poderá falar aos amigos e parentes que subiu aquela porra toda na sola da bota! HAHAHHhahhaha.

 

Ao recebermos nossos boletos: SURPRESA! Todos nossos dados estavam errados! Não batia nada, o sobrenome errado, o nº do passaporte errado, a nacionalidade errada, até o sexo errado (!). Fomos lá reclamar, já imaginando que seria mais um dos mil perrengues pra contar e o cara, na maior tranquilidade disse que era assim mesmo (?). Sei lá o que rola, só sei que ficamos com medo de sermos barrados na entrada de MC. Então pedimos aos demais para conferirem seus boletos e quase todos estavam errados também, hahahaha. Aí já combinamos que se desse merda, faríamos uma manifestação ao estilo “El Paro” na frente da “boleteria”, rs...

 

Após essa chateação, juntamos nossos hermanos argentinos e fomos comprar suprimentos, pois as coisas lá em cima são um absurdo de caras! Chega ao ponto de uma coca-cola custar 13 dólares! Um lanche simples, 30 dólares! É uma exploração, então resolvemos comprar pequenices para aguentar a caminhada forte e a expedição a Machu Picchu. Sempre quis escrever "expedição" numa frase ::otemo::

 

DICA: Junte uma galera e compre as coisas em pacotes para dividir depois, assim como em Uyuni, pois sai bem mais em conta e você não desperdiça nada.

 

Sobre as compras, uma das que foi mais útil (e gerou uma briga feia que conto mais tarde) foi pão com atum. Se você curte atum e pão andino, vale muito a pena, pois o pão caseiro em AC é muito barato e uma delícia, coisa de 2 soles por 3 pães, e o atum, por ser enlatado, não tem perigo de estragar, melhor do que levar queijo e outras coisas sensíveis ao tempo, pois o clima em MC á maluco, esfria, chove, abre o sol a cada 5 minutos. Não se esqueça de levar água, Gatorade e suco, pois você passa o dia todo andando e ainda tem a descida no final do dia, caso resolva ir à pé, como nós.

 

Demos mais um rolê pela cidade, tiramos umas fotos na chuva mesmo e fomos dormir, porque estava chegando a hora, Aêêê!!! Antes ainda tivemos que ouvir nosso amigo argentino xavecando (ainda usam esta palavra?) uma espanhola na janela do nosso quarto, sem sucesso... Argentino não tem a lábia de brasileiro...

 

26.03.2014 – Machu Picchu

 

Como resolvemos ir à pé, tivemos que acordar às 4h da manhã! ::hein:

 

Havíamos combinado com os argentinos de subirmos todos juntos, então acordamos às 4h, fomos tomar café (incluso) às 4h30 e partir às 5h. Tudo isso porque nosso guia estaria nos esperando às 7h30 na portão de entrada e disseram que levaríamos 2 horas para subir todas aquelas escadarias, então...

 

IMPORTANTE: Se você não tiver um guia incluso no pacote, vale muito a pena contratar um na entrada de MC, são vários e não cobram muito caro, sendo que você poderá juntar uma galera e dividir o valor. Digo isso porque considero essencial que você primeiro ouça as explicações do guia – que leva em torno de 1h30 – para depois sair desbravando as ruínas, senão parecerá tudo um monte de pedras e morros. Além do conhecimento histórico e das discussões acerca das inúmeras teorias sobre o lugar, de alienígenas (os nativos não gostam dessa teoria) a povos ultra evoluídos... Curtimos bastante esses momentos.

 

Pois bem.

 

Lá fomos nós andar feito lhamas (pois camelo é no Egito) e subir as escadarias sem fim. Iniciamos na estrada que liga AC à barragem do rio Urubamba e lá assinamos um papel. Nota: Toda vez que me obrigam a assinar um papel antes de ir a algum lugar, sei que estou correndo algum perigo... :?

 

Estava um breu! Muito escuro mesmo, com frio e umidade, pelo menos a chuva havia dado uma trégua e podíamos andar sem escorregar nas pedras. Dos quatro argentinos, havíamos criado um vínculo maior com um deles, aquele que suga a energia com o seu “Ki” hahahaha. Os demais também tinham outros assuntos bobymarleyros para resolver, se é que me entendem... E fomos lá, firmes!

 

A primeira parte é tranquila, você se engana pensando que será fácil e que seu condicionamento aeróbio e muscular está em dia... NÃO! NÃO SERÁ FÁCIL!

 

Evidente que alguns possuem maior condicionamento e outros estão sob efeito de drogas, digo, estão acostumados com isso, mas não pense que será moleza. Os degraus são irregulares e ENORMES (!), com terra, mato e pedrinhas soltas pulando no seu calcanhar e entrando na sua bota... No escuro então, tisc...

 

O lance aqui é TER FOCO! Fechar a cara e subir, subir, subir. Os argentinos brisados foram na frente feito loucos e disseram que nos esperariam lá em cima. O legal é que muito antes da metade da subida, havia um trecho com desabamento e estava um barro só, com galhos e pedras caindo, meio perigoso e muito alto para subir sem ajuda. E não é que os caras nos esperaram? Ficaram cerca de 20 minutos nos esperando só para dar a mão e nos ajudar a subir essa parte! Viu? Existe argentino gente boa! ::ahhhh::

 

Após 1 hora de subida, seus joelhos começam a ranger e você perde o fôlego. As costas doem e tudo o que você quer é chegar logo e apreciar a vista maravilhosa lá perto das nuvens. Percebi que a Miriam estava muito desgastada, parava a cada cinco degraus e não tinha muita força nas pernas... Resolvi bancar o sargento malvado e fui subindo na frente, dizendo: “Só até aquela árvore!”; “Só até aquela pedra!”; E assim fomos.

 

Lembram do francês bêbado da van? O cara encostou na Miriam e só andava quando ela andava, hahahaha. Ele estava muito podre! Só xingava tudo e todos, gritava que aquilo não era turismo e que estava pagando para sofrer, tudo com um cigarro no canto da boca! :lol: . Mas eu fui na frente motivando a Miriam e ela atrás motivando o francês, parecia cena daqueles filmes de motivação esportiva, como em “Duelo de Titãs”...

 

Olhamos para o relógio e faltavam 15 minutos para as 7h30, já havíamos subido, sem parar, por 2 horas e 15 minutos, sofrendo com o calor, com os pernilongos e o cansaço. Sabíamos que precisávamos chegar às 7h30 no portão principal ou perderíamos o guia e não queríamos isso. Olhei para a Miriam e disse que agora era para valer, comecei subindo muito forte, pulando degraus e rasgando os músculos das pernas, minha panturrilha queimava e minhas costas ardiam. Quando olho para cima, vejo a ponta de uma construção, achei que a Miriam estava longe e quando percebo ela estava colada em mim! Fiquei muito orgulhoso dela, de verdade. Era a única mulher em todo o caminho, muitas começaram e desistiram na metade, pegando o ônibus na estrada, mas ela não, seguiu firme e forte até o topo e ainda usou todas as suas forças para quase correr nos últimos 15 minutos... Parabéns! ::love::

 

Quando chegamos ao topo foi muito legal, os argentinos e alguns outros que conhecemos na subida estavam todos lá, sentados nos esperando. Nos aplaudiram e fizeram maior festa! Risos... Mesmo sabendo que não é um Everest e está longe de ser uma das subidas mais difíceis, gostamos pela atitude deles, que correram o risco de perder o guia só porque prometeram nos esperar. Valeu Hermanos!

 

Piso na fila de entrada e ouço uma menina gritando: Bruno Nogy! Miriam Nogy!

 

Aqui! Aqui! Era nossa guia, chegamos EXATAMENTE na hora! 7h30 horário de Machu Picchu!

 

Apresentamos nossos boletos e nem olharam para nossa cara, sem problema!

 

Fomos entrando e percorrendo aquele pequeno caminho coberto até a imensidão das ruínas... Era como se pisássemos nas fotos dos livros, foi incrível ver aquilo tudo com os próprios olhos, parecia um filme.

 

Continua [...]

 

Em Tempo: O francês ainda gritava, láááááááá de longe, alguns palavrões...

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