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Olá viajante!

Bora viajar?

Relato de Viagem RTW / (Volta ao mundo)

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Oi pessoal,

 

Vou tentar colocar aqui um apanhado geral da minha trip RTW de pouco mais de um mês de duração que fiz nas minhas últimas férias. O roteiro ficou mais ou menos assim, tirando as conexões :

 

Brasilia – Paris – Londres – NY – Los Angeles – Tahiti – Sydney – Filipinas – Londres – Brasília

 

Sim, eu cruzei o Atlântico três vezes mas só a grana que economizei valeu o esforço. A propósito, a idéia inicial era viajar no sentido leste mas por causa de indisponibilidade de vôos na data que eu queria no trecho Tahiti – Los Angeles, acabou que tive que fazer a trip no sentido contrário.

 

O tempo foi curto mas como parte dos lugares eu já havia visitado antes, acho que tá valendo então tudo bem. Além do mais eu não sou gringo (e nem professor rsrs) e sendo assim, como a maioria dos mortais assalariados brasucas, tenho 30 dias de férias. Não vejo nenhum problema em revisitar lugares então eu consegui mesclar lugares novos com outros que já conhecia. Viajo para colecionar experiências e não bandeirinhas de países para colocar na mochila. Se fosse assim, poderia fazer uma viagem pela Europa passando por “trocentos” países em menos de um mês no estilo : “se hoje é quarta-feira, isso aqui deve ser Amsterdam”.

 

Por motivos de força maior (uma “bucha” no trabalho pouco antes das minhas férias que atrapalhou incrivelmente os meus planos), tive que fazer algumas alterações no roteiro original - que iria sair mais barato - mas mesmo assim acho que ficou legal afinal poderia ter sido pior : eu não ter feito a viagem.

 

A idéia desse relato é dar uma geral de como é uma trip RTW e que, apesar de muitos pensarem o contrário, não é nenhum bicho de sete cabeças, mas exige bastante planejamento, pesquisa e atitude, principalmente quando não tem muito tempo. E grana.

 

Estou pensando seriamente em preparar a próxima, aí sim vou poder provar que dá pra viajar pelo mundo gastando mais ou menos que uma viagem de mochila pelo continente europeu. Enquanto isso não acontece, fica esse relato para os interessados, espero que vocês curtam pois a intenção também é incentivar outras pessoas a fazerem o mesmo.

 

Boa viagem !

 

PRIMEIRA PARTE – EUROPA

 

Saí de Brasília (não sou funcionário público, afinal eu trabalho. Sem ofensa) voando TAP direto pra Europa. Até gostaria de ter ido via Sampa (minha cidade natal) para visitar familiares, porém a diferença de preço no ticket era bastante significativa. Além disso pra mim quanto menos vôos, melhor. O vôo em direção à Europa foi tranqüilo, avião novo da Airbus, serviço correto e tripulação atenciosa. Nem esquentei que tinha gente no meu assento - que era na janela - então fiquei no corredor mesmo, o que até prefiro em vôos longos. O mais engraçado foi na hora do jantar onde os comissários ofereciam “vaca ou frango”, o que provocou risadas nos passageiros brasucas. O comissário não se fêz de rogado e brincou “a vaca acabou, serve boi ?”, provocando novas risadas no pessoal. Assisti a um filme e passei o resto do tempo jogando tetris e ouvindo música no aparelho de entretenimento da aeronave, pena que de boa música mesmo só tinham umas duas então fiquei ouvindo elas praticamente o vôo inteiro. Apesar de eu ter assistido apenas um, os filmes até que davam pra encarar, por incrível que pareça. Como eu não consigo dormir em avião, ônibus, trem, bicicleta, skate, etc, passei a noite acordado.

 

Chegando no velho mundo, a imigração em Lisboa foi sussu e tinha até uma fila destinada apenas praqueles de língua portuguesa. Após passada a fácil e tranquila imigração e mais toda aquela encheção de saco com segurança que se repetiu “n” vezes durante a trip, fui pegar meu vôo para Paris - primeiro destino desta RTW - que partiria logo a seguir.

 

Chegando na Cidade Luz, apanhei um pouco para me entender com o metrô/trem e após uma série de baldeações consegui chegar no albergue, que ficava em Montmartre. Paris é simplesmente fantástica, tudo que falam dela é verdade, podem ir com as expectativas lá encima que serão superadas assim que você der a primeira caminhada na cidade, não é à toa que ela é destino favorito de muitas pessoas e ganhou mais um fã : EU.

 

Costumam aparecer aqueles papos de comparação entre Paris e Londres, querendo saber qual a melhor. Prefiro não fazer comparações porque são cidades diferentes então vou ficar encima do muro : empate técnico. As duas têm sua posição de destaque entre as capitais mais importantes do mundo e isso já vem há séculos. E vai continuar por muitos outros mais.

 

Deixei minhas coisas no albergue antes mesmo de fazer o check-in (lock-out time), arrumei um mapa e fui explorar a cidade. Passei os dias seguintes andando mais do que camelo em deserto e aproveitei bastante os dias longos de primavera. Me perdi várias vezes sendo que a última foi por umas 3 horas no final do dia e lá pros lados da Catedral de Notredame (chato, né ?). A outra “culpada” foi uma loira maravilhosa que estava voltando do trabalho e quase fêz eu perder a compostura... Aproveitando o gancho, além da arquitetura, beleza e do charme da cidade com seus cafés e boulevares, ainda tem as francesas !!! Mas isso eu já sabia porque sempre arrastei uma asa (e algo a mais) pra elas, loooonga história... Você pega uma brasileira gata, tira os 70% de frescura de sua composição, troca por charme e estilo e voilá tem uma francesa.

 

Me achei um tanto underdressed com meus panos de mochileiro e vi que realmente a moda pega pesado por lá, muita gente bem vestida e perfumada. E nada daquela moda spooky-fashion (inventei este termo agora...) que você vê principalmente em japoneses no exterior (lembrando que "os nossos japoneses são melhores do que os outros" ! Volto nisso no capítulo Sydney) e de gosto bastante duvidoso, uma mistura de Falcão com Marilyn Manson.

 

Champs Elysees “chove” gente bonita. Se não bastassem as francesas, ainda têm as turistas do mundo inteiro. Acabou que fiquei inspirado e comprei um perfume numa baita loja na Champs, mas isso eu ia fazer de qualquer jeito.

 

Não andei quase nada de metrô/trem, fiz apenas aeroporto-hostel e vice-versa e não me arrependi, Paris é muito bonita pra ficar enfurnado debaixo da terra. Como adoro caminhar e meu GPS interno simplesmente não existe, achei melhor me perder nas ruas mesmo e não no metrô.

 

Visitei pontos turísticos e outros nem tanto, mas tão belos quanto, mas isso não importa quando você está numa cidade como Paris porque pra qualquer lado que eu olhava era alucinante, subi na torre Eiffel, comi crepe, andei incontáveis quilômetros por dia explorando a cidade e quando estava cansado de tanto andar, utilizava o ônibus sem teto que ficava fazendo um tour pela cidade e aproveitei bastante o bilhete dava direito a 2 dias.

 

Fui embora de Paris triste, mas com a certeza de voltar afinal ela entrou na minha lista de cidades favoritas.

 

Próximo destino, Londres. Voei de Easyjet e entrei via aeroporto de Luton, imigração também tranqüila. De lá, ônibus e metrô para o hostel. A garota do hostel me respondeu errado um email que eu havia pedido indicações para chegar lá, não era para virar a esquerda no primeiro farol e sim a direita... Perguntei para um segurança de um hotel nas imediações, que chamou seu superior e me deu as coordenadas certas. Após fazer o check in, fui dar uma olhada na minha favorita Londres, o hostel ficava ao lado do Museu Natural (entrada franca) e a primeira parada foi lá. Já havia estado no país dos Beatles antes e o impacto é sempre o mesmo: “PQP, estou em Londres !!!” Eu estava com aquele travelcard que dá direito a um dia inteiro nos transportes públicos, naquela cidade eu não perco o metrô por nada e fiquei até íntimo dele, o que para um perdido por natureza e que se perde até em estacionamento de supermercado, é um marco impressionante. Falando nisso, se tiver alguma boa alma pra explicar como funciona os tickets econômicos, por favor me dêem uma luz (podem emendar e me falar como funciona o tal Orange não sei o que lá de Paris que eu também queria saber...)

 

Sei que em Londres tem um tal de Oyster Card, acho que tem que carregá-lo mas como não ia ficar muito tempo na cidade, não comprei. Como sou perdido por natureza, fiquei apenas no metrô sendo que o de Londres (o mais antigo do mundo, por sinal) é um mundo a parte : Mind the Gap !

 

Depois de ter dado uma olhada na vizinhança do hostel, peguei o metrô e me mandei pra Piccadily Circus. Saindo da estação do metrô, olhei ao redor e não pude segurar : “PQP, estou em Piccadilly Circus” !!! Muito irado, não tem pra ninguém, aquela cidade é demais !!! Eu tenho um amigo de lá (infelizmente nessa trip não deu pra visitá-lo) que não vê a hora de ir embora !! Dia desses vou propor uma troca, ele fica aqui no Brasil e eu me mando pra terra da Rainha...

 

O mais engraçado é que ele vive dizendo como estão quebrados (a crise atingiu o Reino Unido em cheio) e eu olhava pela janela do albergue e via uma fila de Land Rovers, BMW´s série 7, Aston Martins e afins. Quebrados ? Imagino se não estivessem.

 

Apesar de possuir um passe do metrô que me permitiria cruzar a cidade pra lá e pra cá, eu preferi explorar Londres do melhor jeito : à pé. Pra quem conhece, saí da região do Piccadilly Circus e fui andando até o Big Ben, prestando atenção em tudo ao redor sem esquecer da Trafalgar Square, obviamente, e também prestando atenção no trânsito maluco, ainda bem que eles escrevem no chão pra que lado olhar porque, vou te contar, risco de vida total, só perde pra Sydney e seus 5 segundos de farol verde para pedestre (até no Vietnam eu achei menos perigoso atravessar a rua), Parlamento, Westmister Abbey e depois me mandei pra Tower Bridge, via south-bank, passando pela London Eye, Tate Museum e por aí foi. Depois fiz o caminho inverso, tudo na caminhada. E olha que o metrô de Londres, como eu falei antes, é um mundo à parte. No tube dá pra ver o quanto a cidade é multicultural, vários povos, biotipos (e bota tipo nisso...), as constantes gatas, algumas do leste europeu com suas bochechas rosadas e pinta de boneca, vários idiomas diferentes dentre os quais, se você tiver sorte, escuta até o inglês britânico. rs

 

Deu pra perceber que as obras para as Olimpíadas estão a milhão, vários guindastes despontando aqui e ali no skyline da cidade.

 

A lamentar apenas a visão deprimente de uma garota segurando sua amiga bêbada que estava cambaleando. As duas muito bem vestidas, voltando do trabalho e aproveitando os escassos dias de sol para curtir uma happy hour nos vários pubs da região. Não só os gringos, mas as gringas também são verdadeiras esponjas e não sabem quando parar, proporcionando essas cenas lamentáveis. Se tem algo deprimente é mulher bêbada. Conheço bem o tipo quando o assunto é gringa...

 

No dia seguinte continuei meu tour pela cidade e fui visitar a região de Leicester Square, Covent Garden (que fica ali perto de Piccadilly) e imediações. Eu não curto muito esses artistas de rua mas os de Londres são muito legais, uns tipos muito bem sacados, vale a pena conferir. Os meus favoritos são o "homem invisível" e um cara que pinta o rosto de cachorro, mete a cabeça dentro de uma mala de transporte de animais e fica tirando sarro da galera, fingindo ser cachorro, o pior é que parece mesmo ! Simplesmente hilário. Esses lugares são próximos entre si então você vai andando, vê algo extraordinário (o que não falta na cidade ), vai até lá, avista outro monumento de cair o queixo e vai seguindo. Como eu não conheço muito a Europa acho que isso é normal praqueles lados. Tanto é que um inglês que dividiu comigo o dormitório no albergue em Paris e que, após perceber o quanto eu estava gostando da arquitetura, prédios, praças, monumentos, etc do lugar, me recomendou ir pra Roma. Tá anotado.

 

Aproveitei que era fim de semana e me mandei pra Camdem Market dá uma olhada na fauna humana, bem Londres mesmo. Na estação aconteceu um evento que mostra o quão multicultural é a cidade : uma local veio me pedir informações sobre como chegar em tal lugar e aí me apresentei que era apenas um visitante e não saberia informar, ela se desculpou e foi perguntar pra um grupo de espanholas um pouco adiante e que sabiam menos do que eu. Acho que ela tentou de novo com mais outra pessoa que, de novo, também era de fora ! Nisso, ela acabou desistindo.

 

Não acredito que uma cidade assim possa perder sua identidade, espero que não. Fiquei sabendo que o fotógrafo mais popular é peruano e a comida mais popular (típica ?) é indiana (ninguém é perfeito, né ? ). Londres tá batendo na casa dos 2.000 anos, já passou por muita coisa e a "Jovem Senhora" (ou seria o contrário ?) continua firme e forte, uma mistura de clássico, história e modernidade que dá gosto de ver. E aplaudir de pé ! "Bass in the place, London"

 

No metrô para Camdem entraram umas gatas inglesas e uma me chamou bastante a atenção, parecia brasileira : bonita, de mini-saia, belo par de pernas, pele branca, cabelos pretos e longos e um sotaque britânico que, de novo, quase fêz com que eu perdesse a compostura de novo...

 

Após alguns poucos dias curtindo Londres e suas infinitas atrações, deu pra ver que a cidade que estava bem alegre pelos benvindos dias de sol que a mudança de estação trouxe, era hora de me mandar pra Big Apple, mas isso fica pro próximo post.

 

 

Virunga / RTW 2009

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Fala moçada, tudo bem ?

 

Sim, eu sei que o relato está bem atrasado, mas não abandonado, então simbora porque ainda tem muita coisa por vir, continuem ligados.

 

Onde eu parei mesmo ? Ah tá, no café de manhã com a gringaiada...

 

Continuando...

 

Enquanto rolava o papo e os gringos tomavam café, o movimento nas imediações começava a ficar mais intenso à medida que chegavam mais pessoas, todo mundo ansioso para ter uma experiência única que é nadar com o gigante dos mares.

 

Depois de um tempo a tiazinha da agência - que por sinal era muito legal e competente – chegou, se juntou ao animado grupo e dedurou o apelido do americano; foi aí que eu descobri com quem o americano de rosto familiar parecia : Nicolas Cage, aquele ator todo enrolado com o fisco americano que fala como se tivesse uma batata quente na boca. “PQP, eu sabia que eu conhecia aquele rosto !”. Só não digo que eram gêmeos monozigóticos que foram separados no nascimento pois o cara ali era bem mais jovem, mas que eram idênticos, isso eram.

 

Obviamente eu não iria deixar aquilo passar batido então reclamei que eu preferia mil vezes que ali entre a gente estivesse um clone da, digamos assim, Megan Fox, Fergie, Milla Jovovich ou quem sabe uma Charlize Theron da vida e não o sósia do Nicolas Cage, sendo assim eu queria meu dinheiro de volta. Pra quê ? O sarro foi geral. Ainda bem que ao contrário do ator que é chato pracas o cara ali era muito gente boa então tava tudo certo.

 

O sol estava teimando em aparecer no céu encoberto pelas nuvens, o papo tava bom, a barriga tava cheia, mas não era pra isso que estávamos ali. Café da manhã encerrado era hora de pegar nossas coisas e irmos para o barco que durante as próximas horas iria nos levar para uma aventura que pouca gente fez ou conhece.

 

Fomos caminhando pela praia até acharmos nosso barco, que era uma embarcação típica das Filipinas conhecida como “banca”, que a grosso modo está para as Filipinas assim como os valentes long-tail boats estão para a Tailândia. É só ver a embarcação que a gente associa ela com o país, não tem erro, até corinthiano percebe.

 

Só que essas tais bancas geralmente são maiores, existem umas até confortáveis, e carregam mais gente e bagagem. Algumas não inspiram muita confiança (os long-tail boats também não) mas é só ligar o motor pra ver que o barco é valente.

 

Para ajudar no equilíbrio as bancas filipinas possuem uns suportes na lateral que algumas pessoas com imaginação fértil dizem que as deixam semelhantes às aranhas gigantes. Não sei se procede mas achei interessante a comparação, mas acho que quem chegou nessa conclusão se valeu bastante do teor alcoólico no sangue, mas deixa pra lá.

 

Todo mundo sabe que não sou muito adepto a fotografias, eu prefiro comprar cartões postais e nas raras oportunidades que viajo com câmera costumo tirar fotos do cotidiano, do dia a dia das pessoas e lugares mas dessa vez não rolou porque eu estava sem câmera. Me arrependi, mas para consertar o estrago e já de olho nas próximas trips eu já até encomendei uma câmera legal pra um amigo. Pra mim a qualidade da foto não depende da câmera mas sim da sensibilidade e competência do fotógrafo.

 

Enquanto eu não estréio a dita cuja e para facilitar o entendimento de algumas coisas, vou colocar umas fotos que foram escandalosamente surrupiadas da net e para testar, vamos começar pelas bancas filipinas.

 

Existem vários tipos de bancas, vamos dar uma olhada em algumas delas :

 

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Ok, eu sei que a diagramação ficou meio esquisita e eu nao levo o mínimo jeito com essas coisas mas por enquanto vai assim mesmo, lembrando que o médico disse para não contrariar...

 

Também tem umas embarcações minúsculas que seguem o mesmo conceito mas é apenas uma mini-canoa com o tal suporte. Durante o meu primeiro dia de buscas eu tive a oportunidade de presenciar alguns pescadores corajosos com suas mini-canoas no meio do mar e... “PQP esses caras são machos !”. Aquela coisa se muito tinha o tamanho de uma pessoa com estatura mediana e acho que eu nunca entraria (se bem que mesmo se eu quisesse eu não poderia porque não caberia, minhas pernas iriam ficar pra fora...) numa canoa minúscula e frágil daquelas nem que fosse para remar numa piscina, imagina no mar. Acho que até uma prancha de bodyboard (eufemismo para tampa de privada para pegar ondas) parecia mais confiável, putz !

 

Consegui achar uma similar na net, mas essa da foto está em condições infinitamente melhores das que eu vi enquanto estava no mar. Pra quem ainda não viu tem uma mini-banca azul calcinha que está na areia no canto inferior direito da foto :

 

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Embarcamos na banca diretamente da praia mesmo e fomos apresentados à tripulação de nativos que iriam nos guiar nas próximas horas, finalmente era hora de partir.

 

A tripulação era formada pelo “BIO”, que é a sigla para o pomposo Butanding interaction officer e que eu vou simplificar e chamar de guia, um spotter, que é o cara que sobe numa espécie de mastro, até agora não entendi como ele consegue, a quase dois metros de altura para ter uma visão melhor da água lá de cima e assim localizar o tubarão baleia com mais facilidade e o captain que, isso mesmo vocês acertaram, nada mais é do que o capitão do barco.

 

Abaixo uma olhada no spotter tentando avistar o Butanding lá de cima. Como eu disse, não me perguntem como o cara conseguia subir ali e ficar umas 3 ou 4 horas naquela posição, se bem que quando localizava o bicho ele não precisava mais ficar ali em cima do pau...no bom sentido, é claro.

 

20100210233020.JPG

 

A foto abaixo deve ser mais antiga, a banca não era tão desconfortável como essa aparenta ser e o spotter ficava na parte da frente do barco e não na parte de trás, como este aqui. Quer dizer, na verdade ele não ficava nem na frente e nem atrás mas em cima, porém mais uma vez tudo isso no bom sentido, é claro.

 

20100210233227.jpg

 

Uma vez instalados na esquisita e valente engenhoca flutuante (tô falando que os transportes nas Filipinas e na Ásia em geral valem um capítulo à parte) e já acelerando em direção ao horizonte, o guia foi nos passando informações sobre a atividade que estávamos prestes a fazer, como agir, a que distância ficar, enfatizou inúmeras vezes para NÃO TOCAR NO BICHO em hipótese alguma e se isso acontecer, além da bronca e do mico, a ordem é voltar para a praia (agradeci mentalmente por não ter corinthiano ali com a gente e nem funcionário público, salvo honrosas e raras exceções), nos explicou também que era pra tomarmos cuidado com a cauda do bicho, não bloquear a passagem dele por nada desse mundo, quanto tempo iria durar o passeio (o tempo estipulado fica entre três e quatro horas), em resumo, reforçou aquilo que já sabiamos previamente por ter assistido o tal vídeo no escritório de turismo ou ter pesquisado de antemão. Falou também sobre o animal, o que comia, o tamanho, o trabalho de preservação e um monte de coisas interessantes.

 

Aqui uma foto da placa pra ter uma idéia geral das regras :

 

20100213125223.JPG

 

Para sair da mesmice das dicas requentadas dos guias de viagens LP, eu aproveitei para perguntar diretamente para quem entende (um guia local) qual era a melhor época para ver os “butas” (se ligaram na intimidade ? ) e fiquei sabendo que a mesma já tinha passado há um bom tempo, tipo três meses (é sempre assim !!), mas aí com correntezas mais fortes e, creio eu, com um mar mais “picado”. Apesar da maioria já ter iniciado sua jornada nômade, se tivéssemos sorte poderíamos avistar alguns, mas quem ia decidir como sempre era a mãe natureza.

 

Esse tipo de interação com esta espécie de tubarão não é tão raro assim, já existem alguns lugares mundo afora inclusive não tão longe assim pra nós brasucas – o México - mas como eu não vou tirar um visto pra lá de novo – pelo menos por enquanto - essa opção está descartada.

 

A maioria dessas interações acontecem em lugares legais e afastados (em Djibouti eles aparecem às pencas e lá você pode ter como companheiros de aventura soldados do exército de países europeus atrás de de piratas somalis...) e outros nem tanto. Aproveitando o gancho do “outros nem tanto”, não posso segurar, apesar da infra-estrutura melhor por ser país de primeiro mundo, a Austrália é um deles.

 

A operação filipina é simples, nada daquela coisa hollywoodiana que tem na Austrália com suas lanchas potentes, holandesas saradas como guias e avião circulando pra cima e pra baixo para tentar achar o bicho. Uma vez localizado o alvo, eles passam um rádio para a equipe de terra, digo, de água e lá vai a lancha a milhão.

 

Mas mesmo com tanta logí$tica assim o negócio australiano não é infalível, afinal como eu já disse outras tantas vezes quem manda mesmo é a mãe-natureza. E olha que nem vou falar de certas mancadas como localizar tubarão errado. É sério, já aconteceu de pintar na área uma espécie diferente que dá as caras, digo, os dentes, na mesma região : o tubarão tigre.

 

Nossa, tem que tá muito bêbado porque eles são muito diferentes, mesmo vistos de cima, os formatos diferem muito, até corinthiano percebe. Guardadas as devidas proporções seria como confundir a Lady Gaga com a escrotinha e graças aos céus aposentada Sandy...meus ouvidos agradecem. Pois é, diferença é enorme mesmo (não falei que até corinthiano perceberia ?).

 

Apesar de que lá em cima visto de um avião neguinho deve ver muita coisa, inclusive tubarão errado. Aí a brincadeira muda de figura e vira uma verdadeira “operação Deus-nos-acuda” com neguinho voando duas vezes : do bote para o mar e do mar para o bote. E isso tudo praticamente no mesmo segundo.

 

E nem vou falar também o que pode acontecer enquanto você espera o barco vir te resgatar após a interação com o tubarão baleia. Já ouviram falar de gnu que se perdeu do bando durante a fabulosa migração nas planicies do Serenguetti ? Pois é, mais ou menos isso. Só que felizmente no caso ozzie tudo acaba bem, pelo menos até hoje e tomara que continue assim para sempre.

 

Também já disse que as águas ozzies são ricas em vida marinha, né ? Mesmo com tudo isso o lance é bem seguro, um ou outro susto mas quem está na chuva é pra se molhar e desconheço casos de acidentes ou fatalidades e tenho convicção que eles tomam todos os cuidados para que continue assim, mundo gringo no geral não costuma vacilar quando o assunto é segurança e ninguém quer matar a galinha de ovos de ouro (leia turismo) que atrai uma polpuda soma de dólares provenientes de turistas, Nova Zelândia que o diga.

 

Ainda na operação australiana, acho que aqueles que curtem o país com síndrome da Paris Hilton (lembram dela ? Da síndrome, não da herdeira) podem incluir essa atividade quando visitarem Ozzieland. Putz, as patricinhas-deslumbretes e os surfistas-merrequeiros-metidos-à-Kelly-Slaterdevem ter calafrios quando lêem isso...

 

Mas acho mesmo que o que pega fazer uma atividade dessas lá em Ozzieland é que sai muito caro, o lugar é afastado (normal para a Austrália), numa região desértica (idem) e longe pra dedéu. E a brincadeira custa os olhos da cara afinal é terra de gringo, isso pra não falar da possibilidade de passar todo o perrengue ($$$) e não ver nada. Mas isso também poderia acontecer comigo nas Filipinas.

 

Sabem de uma coisa ? Apesar de “relativamente” mais complicado de chegar e sem toda aquela infra-estrutura enlatada e cheia de regras eu prefiro essa aqui nas Filipinas, muito mais interativa com o povo local usando embarcação típica, fomentando o turismo na região num país com povo simples e hospitaleiro. Tá certo que uma holandesa sarada ia cair muito bem e acho que na alta temporada deve ter, mas não trabalhando como guia. Por outro lado pelo menos não tem tubarão tigre na área...

 

Outra coisa que também acho importante é que pelo menos aqui, nas Filipinas, a grana paga vai pra quem realmente precisa e não pra gringo playba. Como eu não sou gringo e nem expatriado, ganho a vida em reais e ao contrário de certos brasileiros que só sabem (ou fingem saber) que pobre existe apenas durante a época de Natal (gringo nunca ter visto pobreza de perto eu até dou um desconto agora brasileiro, por favor, é de lascar), eu fico feliz em ver meu suado dindim indo parar na mão de ex-pescadores, em vilarejos, gente humilde no geral, afinal eles merecem.

 

Dada a simplicidade das coisas e os perrengues aqui e acolá, é por essas e por outras que trips RTW não combinam muito com patricinhos e mauricinhas. Mais um entre zilhões de motivos para se jogar numa trip assim.

 

Segue o jogo,

 

Apesar de o tempo não ter ajudado muito pelo menos não estava fazendo frio, havia uma ameaça de chuva que felizmente não se confirmou então a navegação foi tranquila e deu pra conversar bastante. Foi aí que descobri que o ozzie não era bem ozzie, tipo assim, era um ozzie paraguaio. Na verdade o cara nasceu na África do Sul e sua familia se mudou para Ozzieland quando ele era pequeno para fugir do vergonhoso apartheid, da violência e dos conflitos que que assolavam aquele belo país na época.

 

Quem tinha grana, geralmente os brancos, se mandava para reconstruir a vida em países como Inglaterra e Australia e quem não tinha essa possibilidade, geralmente os negros, ficava e aguentava a bucha. É sempre assim mas como diria minha mãe : "quem pode mais chora menos".

 

O francês que morava nas "Filipa" era casado com uma filipina e tinha uma filha que iria passar as férias com os avós (o casal de idosos que estavam no barco com a gente) na França. Ele tinha uma empresa que mandava filipinos para trabalhar no exterior dentre outros negócios. Ele nos apresentou a seus pais e quando chegou na minha vez falou algo como "le brésilien en tour du monde".

 

Fiquei meio sem graça (eu sempre fico...mas não ruborizo), deixei escapar um sorriso amarelo e aproveitando que nesta mesma trip eu já havia passado por dois países de língua francesa - França e Polinésia Francesa – então aproveitei a chance e respondi sem sotaque : "Oui".

 

Pois é, eu ainda chego lá...

 

O passeio foi bem tranquilo e cobrimos vários quilômetros de mar acompanhados por uma brisa suave e muito de vez quando uma garoa refrescante. Vendo tudo dali do barco vi que apesar do lugar ser bonito não era bem o que eu tinha em mente quando a gente pensa em praias nas Filipinas, pois o país possui algumas das praias mais belas do mundo, tanto é que reza a lenda que algumas cenas do filme "a praia" foi rodado ali nas redondezas.

 

Não creio mas se fosse não iria fazer feio porque o que nao falta num país-arquipelago como esse é praia bonita mas aquelas ali, pelo menos pra brasuca, eram bonitas mas não eram nada demais. A cor do mar não era das mais bonitas e o visu era normalzinho. Claro que pra gringo aquilo ali era o paraíso porque pra eles qualquer coisa com matagal e mar é paraíso. Coitados.

 

Fui numa dessas que dancei uma vez, segui a dica de gringo sobre uma praia no Equador chamada Montanhitas bastante famosa pelo surf (eu já havia ouvido falar e ainda estava maturando a idéia se valia a pena ir ou não) e quando dei por mim fui praticamente de uma tacada só de Cuzco até a tal praia de buzun mesmo, descia num lugar e já embarcava no próximo buzun, uma viagem bem cansativa com direito a ir de um posto fronteiriço a outro com um taxista que era matador de aluguel nas horas vagas (acho que na tabela dele estava mil doletas) indo por um caminho bem isolado, ermo e afastado com a explicação de fugir do pedágio (ou provavemente da polícia, não sei) mas chegando são e salvo na fronteira do Peru com Equador, o que realmente interessa.

 

Depois de mais algumas trocas de ônibus finalmente cheguei na tal praia e quando eu deparei com o lugar tive aquela mesmíssima sensação de decepção quando consulto o meu saldo bancário : "PQP, só isso !?". Pois é, vai escutar dica de gringo sobre praias paradisíacas pra ver o que é bom pra tosse. Mas o lugar era até legal e tinha até uma boa vibe o que amenizou um pouco a decepção, ajudado por umas geladas cervezas equatorianas.

 

De volta às Filipinas...

 

Mas mesmo assim só pelo fato de estar ali nas Filipinas vasculhando as águas em busca do maior peixe dos oceanos pra mim já estava bom demais afinal eu estava de férias. Fomos um dos primeiros barcos a sair em busca dos Butandings naquele dia de final de temporada mas não tardaram de aparecer outros barcos fazendo o mesmo. Apesar de não gostar do crowd em situações assim eu prefiro ver pelo lado positivo afinal tem mais olhos procurando a mesma coisa. Nos safaris africanos são assim, principalmente em lugares como a absolutamente espetacular cratera de Ngorongoro (chamar ela de absolutamente espetacular é pouco mas enfim...) ou mesmo um Kruger Park da vida onde é só ver um monte de carros parados pra saber que tem algo rolando por ali.

 

No nosso caso, além de vasculhar o mar ficavamos de olho em outros barcos também porque quando um barco acha alguma coisa vira uma verdeira corrida maluca em direção ao alvo avistado. Quem chegar primeiro tem a preferência mas na prática não era bem assim, apesar do esforço de alguns em tentar manter a ordem no caos anunciado.

 

Incrivel como aquela manhã de domingo passou rápido mas infelizmente não avistamos nada, apesar de alguns falsos alertas. Um deles ocorreu meia hora depois de termos iniciado a procura mas infelizmente não se materializou no motivo por estarmos ali. O spotter viu alguma coisa, o "BIO" falou para ficarmos prontos e foi quando todo mundo colocou seu equipamento e nos sentamos na beirada do barco esperando o sinal para pularmos na água.

 

O capitão manobrou com destreza e aos berros de "go ! go ! go ! jump ! jump ! jump !" (não necessariamente nessa mesma ordem...) a galera se jogou na água e foi bolhas e nadadeiras pra tudo quanto é lado. Eu tentei pegar carona segurando no suporte do barco, ele me arrastou um pouco e a força foi tamanha que eu tive que soltar. Vacilo meu porque numa dessas poderia encontrar as pás do motor e aí a brincadeira acabaria ali mesmo mas obviamente eu vi antes que as hastes do suporte ficavam a uma distância consideravel do bote em si e além do mais, ao contrário dos long tail boats tailandeses, as pás do motor nessas bancas ficam próximas ao barco, bem abaixo deles.

 

Apesar da cor da água não ser das melhores a temperatura era. Aquilo ali tava tão bom que por momentos até esqueci o porquê eu estava ali. Nadei em direção aos meus companheiros de barco que fizeram um grupo ali perto e perguntei se algum deles havia visto alguma coisa. Ninguém viu nada mas o mergulho refrescante valeu a pena.

 

Enquanto o barco dava a volta para nos resgatar, fiquei testando o equipamento e tentei mergulhar alguns metros mas como não sou super homem então não desci dezenas de metros, não passei não sei quantos minutos sem respirar (sim, tô ligado no tal mammalian diving reflex kinda thing, evolução isso e aquilo ou alguém aí acredita na história do Adão e Eva ?), não fiquei em posição de lotus no leito do mar rezando três pai-nossos e duas ave-marias e ainda não cantei o hino nacional de trás pra frente, em inglês, para depois subir para a superficie afinal, como eu disse, não sou superman e nem tenho pulmão de aço.

 

Além disso, eu também não treino e nem tenho a técnica e um pulmão de uma Karol Meyer ou um Pipin Ferreira da vida, sendo assim, como uma pessoa normal (o médico disse para não contrariar) o máximo que consegui foi mergulhar alguns metros e voltar pra superficie quase engasgado por ficar rindo da minha pseudo-perfomance de freediver. Regra numero um : rir debaixo d´água com snorkel não dá certo mesmo... rsrs

 

Mas uma coisa eu sei, se quiser mesmo ir (e vou) nadar com baleias do tamanho de um submarino pesando algo entre 35-45 toneladas que comem até 2 toneladas de krill por dia e que ficam a poucos metros de profundidade dormindo com um olho só enquanto com o outro olho ficam vigiando sua cria brincalhona que sobe com tudo pra brincar com a galera, isso tudo num reinado fincado numa ilha remota do Pacifico Sul, vou ter que melhorar bastante. Mas eu chego lá, ô se chego... mas primeiro nada de ficar rindo embaixo d´água.

 

Mas o mergulho ali foi ótimo pra dar uma refrescada e tirar um pouco da ansiedade. Logo estávamos de volta ao barco com os ânimos renovados e continuamos nossa busca, mas cair na água mesmo foi só aquela vez. O tempo passou rapidamente enquanto ziguezagueávamos o mar em busca de uma sombra que se cristalizasse num tubarão baleia e após quatro divertidas horas de buscas era hora de voltar para praia. Paciência, valeu o passeio assim mesmo. Mãe natureza venceu.

 

O capitão tocou para a praia no exato momento em que o sol ameaçou sair detrás das nuvens (é sempre assim) e rapidamente estávamos de volta a praia. Assim que eu desci veio o cara do aluguel de equipamento, eu devolvi e seguimos em direção ao hotel bacana onde encontrei o pessoal nos quiosques. Conversamos um pouco e fomos todos menos os franceses para o escritório da mulher que ficava ali próximo buscar algumas coisas que estavam lá. Chegando lá, os gringos pagaram o pacote deles, conversamos mais um pouco e trocamos emails. Tudo no maior astral, todos ali sabiam que a temporada já estava praticamente finalizada então era questão de sorte. Pelo que vi ninguém chegou a avistar um Butanding naquela manhã, agora ensolarada, de domingo.

 

Um dos gringos chegou a comentar algo sobre uma visita para ver briga de galo (?!?!?), estava esperando uma ligação de umas garotas (opa !!!) mas acabou que não rolou. A mulher ofereceu um passeio para ver vagalume (?!?!?!) mas não me interessei e os gringos iam embora bem cedo na manhã seguinte então no final das contas foi cada um pro seu lado.

 

Aproveitando que o sol saiu e era hora do almoço, resolvi almoçar por ali mesmo no restaurante de hotel mas infelizmente o prato que eu queria (peixe) não tinha. "PQP, um marzão desse aí na frente e não tem peixe ! Realmente hoje o mar não tá pra peixe messssmo", pensei comigo mesmo. Nada de trocadilho dessa vez.

 

Resolvi arriscar e comer então no restaurante da minha acomodação mesmo mas antes fui tomar uma(s) gelada(s) filipina afinal ninguém é de ferro e acho que para conhecer um país a fundo é fundamental experimentarmos não só a cozinha como a qualidade da cevada fermentada. Saúde !

 

Enquanto estava lá, quem chegou ? O francês. Ele veio falar comigo que no dia seguinte iria tentar de novo afinal os pais dele estavam aí e como bom filho não queria que os velhos fossem embora decepcionados. De repente tive um lampejo de esperança porque eu ainda não tinha planos pro dia seguinte, com exceção de que iria embora no dia seguinte para o próximo destino, uma ilha bastante famosa ali mesmo nas Filipinas (eu falei que ainda tem muita coisa por vir, né ?), então quem sabe eu poderia tentar a sorte de novo ? O vôo era pouco depois da hora do almoço e pra falar a verdade eu não tinha a mínima idéia (até aí nenhuma novidade) como iria sair daquele fim do mundo pra pegar meu avião.

 

Além do mais estava pensando em tentar a sorte e ver se conseguia pelo menos dar uma olhada no tal Butanding pela manhã bem cedo mas teria que ser bem cedo (pensei que isso aqui fosse férias mas tudo bem...) mesmo porque transporte nessa parte do mundo não é muito confiável e perder o vôo nessa minha trip poderia ter consequências drásticas. Ok, exagerei um pouquinho mas a perna filipina da minha RTW foi encaixada cirurgicamente e perder vôos ali poderia me deixar vendido. E mal pago.

 

Pra ajudar ainda mais minha situação soube que os franceses iriam pegar o mesmo vôo que eu (beleza !) e obviamente teriam que sair cedo para dar tempo de chegar ao aeroporto em tempo hábil. Acho que bons ventos estavam soprando e quem sabe a sorte poderia estar ao meu lado também.

 

Não estava acreditando, seria muito bom fazer mais um passeio daqueles afinal eu estava ali pra isso e ainda por cima arrumar alguém pra dividar as despesas não só desse passeio mais cedo como o transporte para o aeroporto. Enquanto estava pensando o francês me disse que caso eu estivesse interessado poderia se juntar a ele e sua família. "PQP, fechadasso !" Pensei, mas não falei e nem demonstrei meu entusiasmo.

 

Óbvio que eu segurei a alegria comigo e nem demonstrei o quanto eu estava disposto. Como o cara era francês então é claro que eu dei um jeito de parecer o mais blasé possível, fiz algumas perguntas de praxe (pura embromation mesmo) e depois de um tempo pensando falei que topava.

 

O cara ficou feliz e combinamos os horários. Pra ficar melhor só faltava ficar com um preço mais acessivel e não ter que pagar tudo de novo. Como o cara era praticamente local, isso aconteceu então não faltava mais nada e fechamos o negócio ali mesmo. Voilá ! Ficamos isentos de pagar uma taxa não sei o que lá e pagaríamos apenas o aluguel do barco e sua tripulação. Essa taxa pagamos uma vez, apenas. Combinamos ainda que seria um passeio com saída mais cedo que o normal e assim que retornassemos era só pegar a tralha e se mandar pro aeroporto. Com o dindin economizado deu para pagar a van que fechamos apenas para nós. Nossa, tudo muito bom porque caso eu tivesse sozinho teria que alugar a van apenas para mim e ia me custar uma grana. Como estava fora de temporada precisaria de muita sorte para arrumar mais pessoas para dividir os custos.

 

Nos despedimos, terminei minha cerveja e fui embora radiante.

 

Chegando na minha acomodação, tomei um banho e fui almoçar mas infelizmente o prato que eu queria também não tinha, realmente o mar não estava para peixe mas nem me importei. Pedi outro prato qualquer, almocei bem e depois fui dar uma relaxada na praia que ficava ali em frente e que estava praticamente vazia. Dei um tempo por ali, nadei um pouco na água trépida e resolvi sair para dar um passeio e ver qual é que era da cidadezinha ali perto.

 

Tomei outro banho para tirar o sal do corpo, me troquei e fui dar uma de Rubinho na Fórmula 1, Wagner Love no Palmeiras, brasileiros nas Olimpíadas de Inverno (as olimpíadas dos ricos), brasileiros no rally Dakar (teve brasuca na edição desse ano com a síndrome do Rubinho. Também, foram dar um carro da melhor equipe pro cara e deu no que deu. Pareceu o Rubinho na Ferrari...), Lula na presidência, astronauta brasuca no espaço (o cara foi até o espaço, gastou mais de 20 milhões de dólares dos contribuintes pra fazer o quê ? Confirmar a pesquisa do feijão no algodão umedecido das aulas de ciências ! E hoje o cara mora nos States e tira a maior grana dando palestras...Falem-me em desperdício de dinheiro público jogado no espaço. Desculpem o trocadilho) e Robinho na seleção brasileira : resumindo, fui passear.

 

O resultado disso eu conto no próximo post, fiquem ligados. Ah, e a nova investida para avistar os Butandings afinal a jornada continua e como diz um trecho daquela música que diz assim : everything is gonna be alright. Bob Marley ? Não, Red Carpet na versão do Tiesto. Peguei vocês, heim !? :-P

 

Abraços e muito obrigado pela companhia !

 

Virunga

Editado por Visitante

  • 2 semanas depois...
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Meu caro Virungaaaa! E a volta ao mundo continuaaa!!

Q massa hein... Esse dia não deu, a mãe natureza vence mesmo, mas qm sabe no outro dia, né?! Ficarei no aguardo!!

Como sempre um ótimo relato, vc é 10 nesse quesito!!

Bjs e até mais!!

  • 2 semanas depois...
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Ahh! vc está me matando de curiosidade.

 

Plzzzz.... explica esse de bota anti-indiano direito... Tá, sei que vc já disse que uma bota de trekking, reforçada e talz.... mas o item anti-indiano vc não explicou...

 

Pq anti-indiano?

 

Ah! antes q eu esqueça.... vc já pensou em escrever um livro? nossa! vc consegue prender a atenção do leitor em seus relatos...

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Meu caro Virungaaaa! E a volta ao mundo continuaaa!!

Q massa hein... Esse dia não deu, a mãe natureza vence mesmo, mas qm sabe no outro dia, né?! Ficarei no aguardo!!

Como sempre um ótimo relato, vc é 10 nesse quesito!!

Bjs e até mais!!

Oi Thalitaaaaaaa !!

 

A viagem continua sim, inclusive preciso terminar o relato mas tá dificil, acho mais fácil dar outra volta ao mundo... rsrs

 

Pois é, a mãe natureza é que manda mas na outra tentativa ela deu aquela forcinha que eu precisava. Pode deixar q vou tentar caprichar no relato (e nas fotos) para passar pra vocês. Obrigado pelo dez, não sei se mereço tanto mas agradeço.

 

Bjs e valeu pela visita !

 

Virunga

 

 

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Ahh! vc está me matando de curiosidade.

 

Plzzzz.... explica esse de bota anti-indiano direito... Tá, sei que vc já disse que uma bota de trekking, reforçada e talz.... mas o item anti-indiano vc não explicou...

 

Pq anti-indiano?

 

Ah! antes q eu esqueça.... vc já pensou em escrever um livro? nossa! vc consegue prender a atenção do leitor em seus relatos...

Olá, seja muito benvinda !

 

Ainda na dúvida sobre a bota anti-indiano ? hahaha Ok, mais uma dica : você entendeu o sentido quando eu comentei algo sobre a "espada do Frodo" ? Então, essa bota funciona mais ou menos do mesmo jeito, um alerta e talz...

 

Na chegada no aeroporto em Londres, já no final da trip, ela quis se manifestar de novo mas aí é assunto pra alguns relatos mais pra frente... Fique ligada ! rs

 

Qto ao livro, quem sabe um dia ? Bem que eu até gostaria mas não sei se teria muita gente interessada, brasuca parece não se interessar muito por viagens volta ao mundo, o que é uma pena, não sabem o que estão perdendo.

 

Valeu pela visita,

 

Virunga

 

 

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Cara vc me inspirou bastante a viajar, comecei a ler seus relatos desde do inicio, acho muito massa. To planejando uma rtw por uns 8 meses daki uns 4 anos, tenho q juntar muito grana, eu sou servidor publico,kkk mas sou dos q ganham pouco...rss

Tenho viajado so pelo brasil q e muito caro mesmo, eu tenho encontrado pessoas de outros paises q acham o brasil um pais muito caro pra viajar, esse e um problema. Agora to planejando uma viagem pelo menos pra argentina aki pertin,rs mas ja vale, economizando nao se torna impossivel, ne nao?

Eu to louco pra saber mais ou menos quanto tu gastou,pena q vc nao conseguiu colocar os valores.

Pois to falando muita coisa aki, mas queria agradecer pq te me inspirado a fazer um rtw. vamos ver...

ah sou aki de bsb tb

falows, e continue passando suas dicas,

fui...

  • 2 semanas depois...
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Bom saber q o relato está inspirando alguém, era essa a intenção mesmo.

 

Brother, cuidado com esse lance de “ter que juntar muita grana”, se vc não for dessas pessoas que querem dar uma volta ao mundo de carro ou de veleiro e não liga muito para luxos e frescuras uma trip dessas pode ficar acessível, basta saber fazer. E outra, se ficar juntando grana e sonhando muito corre o risco de não partir, esse sim o maior risco de uma viagem, qualquer que seja ela.

 

É mais uma questão de alocação de recursos, disciplina para economizar e prioridades do que ter muita grana e se a gente for esperar ter toda a grana q precisamos (ou achamos q precisamos) para partir esse dia não chegará nunca. Apesar de trabalhosa, a preparação pode ser tranqüila afinal isso aqui é uma viagem de volta ao mundo e não uma ida pra guerra ou pra explorar um outro planeta.

 

Tem gente que morre com 4/5 mil doletas só no bilhete aéreo, isso fora os vôos avulsos e outros transportes como ônibus, trem, riquixá, camelo, elefante, bicicleta, etc e mesmo assim ainda comemora dizendo que foi um bom negócio. 8/10 mil reais numa trip volta ao mundo ou 8/10 mil reais apenas na passagem ? A escolha é sua. Se for pagar isso tem que ser aquele ticket dos sonhos e pé na jaca total com galápagos, kilimanjaro, muralha da china, ilhas fiji e o escambau, aí sim tá valendo o custo alto, caso contrário já começou comendo bola e mostrou que a lição de casa não foi bem feita.

 

Custa uma grana mas q trip para o exterior não custa ? Caro pra mim é essas trips de mochileiros-cvc em q torram 15/20 mil reais pra viajar pela Europa e ficam vendo tudo pela janela. Espero que eles pelo menos possuam câmeras com aquele dispositivo que permite tirar foto em movimento...

 

Atitude, cartão de crédito internacional, passaporte válido e escova de dentes já dão um bom adianto. Eu adicionaria bom senso e uma certa ambição também, aquela saudável. Ah, e a bota anti-indiano tbém, just in case...

 

Outra coisa, se for fazer mesmo (99% amarelam) faça direito. A escolha dos lugares é bastante pessoal e depende de “n” fatores mas se for encarar o desafio não se esqueça de incluir aqueles lugares que vc sempre sonhou mas nunca imaginou q seria possível visitar devido à distância e/ou o preço do ticket.

 

Tem gente q sai para uma trip dessas e fica 98,49% do tempo batendo cabeça num continente só, às vezes é um continente tão fácil q até funcionário público (oops, escapou ! Não leva a mal não !! rs ) ou corinthiano conseguem lidar sem problemas. Pra que comprar um ticket volta ao mundo e ficar rodando apenas a Europa ou, sei lá, os States ?

 

Uma das muitas coisas legais de uma trip assim é o choque cultural que dá quando nos deparamos com a diferença entre os lugares e continentes. Tudo bem que roteiro é algo muito pessoal mas fica o toque : pense grande !!

 

É bom tbém arranhar algum inglês para evitar micos desnecessários e se safar de certas saias justas, assim vai aproveitar e interagir muito mais, isso para não falar do contato com outras pessoas e as gatinhas gringas que por ventura cruzem o seu caminho, vc não vai querer ficar gaguejando ou empacado no the book is on the table na frente de uma deusa escandinava, vai ?

 

Como funcionário público creio que vc consiga tirar licença no trabalho (funcionário público trabalha ? Ah tá, provavelmente só os que ganham pouco, eu já imaginava. hehehe) então dá para aproveitar essa mamata e ficar numa situação semelhante à dos gringos e expatriados q saem para uma volta ao mundo e voltam com o emprego garantido mas, sei lá, gringo e expatriado não contam muito, tudo é muito mais fácil.

 

Em quatro anos muita coisa pode acontecer mas se a sua trip é um projeto de longo prazo e só para o ano da copa do mundo no Brasil, corra atrás e vá em frente.

 

Boa sorte e não desista porque o difícil é partir, depois tudo se ajeita.

 

Abraços,

 

  • 2 semanas depois...
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Salve Virungaa!

 

Olha só! Vc inspira certamente e falando assim, parece bem possível, hein?! Afinal, vc é prova de que o tão falado CHA (Conhecimento - Habilidade - Atitude) funciona! ::otemo:: Estou sempre por aqui no aguardo da continuação dessa jornada volta ao mundo!! ::cool:::'>

 

See you!

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Oi Thalitaaaaaa !

 

Parece possivel não, é sim !!!!!! rsrs Tanto é q tem uma boa chance de eu partir para mais uma dentro em breve, vamos ver. Se for preço para assalariado brasuca, tô dentro...

 

Aproveito para me desculpar não só pra vc mas para todos q acompanham o relato q ele continua atrasado mas, conforme prometido, podem deixar q vou terminar ele. O problema que tentou atrapalhar minhas férias/trip no ano passado voltou esse ano de novo pra tentar me complicar de novo mas consegui mandá-lo pra longe. Pra ajudar, as próximas férias estão aí e infelizmente não vou conseguir terminar esse relato antes delas mas tá tudo certo, ele tá parado mas não abandonado.

 

Valeu pela visita mais uma vez e fique de olho pq tem mais coisas por vir.

 

Bjs

 

Virunga

 

 

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Ah sim creio que o dificil e parti mesmo, eu so tenho pensando em viajar daki 4 anos por causa da facu, como eu faço arquitetura essa viagem vai me "render" muita coisa boa, tambem existe o fator que tenho bolsa, logo nao tenho como largar o curso, ou trancar.

mas vou começar aos poucos, to planejando fazer um mochilao pela america do sul, argentina, uruguai e chile, se der tempo quero ir para o peru tb, ja e um bom começo, ne?Rsss

 

como vc disse o dificil e sair pq vc sente muito medo, mas vamos la!!!!!!! a hora vai chegar rapidim...rs

falows

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