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Fabio Novais

Travessia Serra Fina 2014

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E para chegar ao topo e poder ver toda a maravilha a sua volta, deveríamos passar pelo inferno, e seus enviados, para fazer com que nosso ânimo se esgotasse e desistíssemos .

Pensei nisso, sim, vou desistir, não estou aguentando, mas ai você olha para cima e vê seu objetivo tão longe e perto ao mesmo tempo, que as energias chegam.

 

E eram Ana, Dema, Fabio, Frederico, Lena, Thiago, Pery, Ricardo.

 

“ o vento no rosto a cada topo conquistado é como se fosse o beijo da montanha te incentivando a continuar, e os bambus, capins, as subidas,” escalaminhadas” em rochas, terra, as dores, a sede e a falta de agua e muitos outros fatores, são os inimigos querendo fazer você desistir”. Thiago Oliveira

 

E la estava eu na rodoviária do Tietê, esperando os integrantes do grupo, que ate então so nos falávamos via Facebook e Whatsapp, e assim chegou Ana, Thiago, Ricardo (Sherpa), Dema e sua Lena.

Grupo SP reunidos, embarcamos e seguimos para Passa Quatro, onde iríamos encontrar com os cariocas Frederico (Ironman) e seu irmão Pery (Speed).

E chegando em Passa quatro, fizemos algumas fotos, enquanto Marquinhos Taxista não chegava, e a aventura já começou ai, como o combinado de levar o grupo de 8 pessoas em dois carros com 4, pois ele não encontrou outro taxista, então Marquinhos resolveu fazer duas viagens e os cariocas ainda não tinham chegado.

Na primeira levou Dema, Lena e Ana, ate a Toca do Lobo, e demora um século para nos buscar, pois no retorno seu pneu furou, nesse tempo os cariocas chegaram. Marquinhos chega em seguida. Eu, Thiago e Ricardo tomamos o rumo também para a toca do Lobo, o cariocas vão chegar muito tempo depois na Toca, pois terão que ir ate a casa de Marquinhos, para guardar o carro.

Iniciamos uma pequena caminhada da pousada Serra Fina ate a Toca do Lobo, quando chegamos montamos nossas barracas, fizemos a janta, e já era noite. Por volta da 1 da manha chegaram os cariocas.

 

Dia 1 – 18.10.2014 - Toca do Lobo a Morro da Asa

 

A meta agora era chegar a base da Pedra da Mina, para acampar e abastecer a agua.

Saindo da Toca do Lobo, abastecidos com agua, eu com Camelbak de 3L mais um cantil de 1L, os outros quase na mesma media de quantidade, começamos a jornada até o Capim Amarelo, que até ele, não tivemos imprevistos, apenas as dores nos pés e músculos que começaram a reclamar.

Entre subidas e descidas, fomos sempre presenteados com paisagens lindas e que estimulava seguir em frente.

O primeiro grande momento foi a chegada, ao Capim Amarelo, onde tivemos uma grande subida, cansativa e um sol cozinhando a galera, mas antes tivemos uma notícia que deixaria o grupo entristecido, Dema e sua esposa Lena, precisariam abortar a missão, por problemas com Lena, assim que passamos a crista clássica da Serra Fina e assim retornaram para a Toca do Lobo.

Ao chegarmos no Capim Amarelo, fizemos nossas fotos, nos comunicamos com Dema via radio (estávamos bem preparados quanto a isso, 4 radios nos apoiavam nessa situação).

O segundo grande momento ainda no Capim Amarelo, de repente, onde está a trilha ? GPS em ação, a trilha passa logo ali, outro GPS também indica a mesma coisa, mas onde está o acesso ? O precipío nos separa do objetivo, Frederico e Pery descem e descem atrás de da trilha, Thiago e eu descemos logo atrás, caminho maldito, estreito, escorregadio, pedregoso, em meio a bambus finos, e enfim chegamos ao fim da trilha e nada existe. Acabou. Entre comunicação via radio entre eu e Frederico, ele diz que encontrou um caminho que “Fabio com certeza é por aqui”, Ricardo e Ana que estavam no topo encontram outro caminho e vão ao encontro, eu, Thiago e Pery tomamos o caminho que Frederico desbravou, e assim encontramos o rumo de novo, depois de quase uma hora e meia.

Com a agua acabando, teríamos que chegar ao próximo ponto de agua, paramos para um breve descanso, onde eu e Thiago engolimos um miojo com bacon, para não perder muito tempo, e chegarmos o mais breve possível .

A missão, chegar o mais próximo possível da Pedra da Mina. E assim inicia o sobe e desce novamente.

Sinceramente eu já procurava um local para acampar, e iniciar no dia seguinte e alcançar o grupo, mas onde acampar ? não havia lugar e o jeito era seguir, seguir e seguir.

Em momentos a trilha ficava leve, reta, e de repente subidas, as vezes se tornava uma escalada, exaustiva.

De repente do alto, avistamos um grupo, acampado, longe, e teríamos que chegar pelo menos la, la tem agua, o sol esta baixo, como Pery disse, teríamos pelo menos uns 40 min de claridade. E assim seguimos, e mais descidas e uma breve subida, encontramos o delicioso ponto de agua... melhor que ganhar na Megasena, foi encontra lo.

Pois agora tínhamos agua para beber, cozinhar, diferente da situação há minutos atrás.

Abastecidos novamente, lanternas de cabeça na cabeça, claro, rsrsrssr, mochila nas costas, e vamos subir mais, ate o local de acampamento, Morro da Asa, chegamos com alguns minutos de caminhada, iluminados apenas pelas lanternas.

Barracas montadas, comida sendo feita, pés descansando, e depois de mais de 12 horas de caminhada, chegamos ao primeiro ponto.

 

Dia 2 – 19.10.2014 - Morro da Asa a Pico 3 Estados

 

Acordar, muitas vezes difícil quando estamos cansados, mas nesse lugar, é impossível querer dormir.

Sair da barraca e ver o que te espera, é espetacular, é um premio. Dormir dorme em casa!!!!

360° de maravilha, so estando la e sentido.

Café da manhã feito, no meu caso uma mistura de granola, sucrilhos, leite em pó, chocolate em pó, damascos, eram meu combustível matinal.

Levantamos o acampamento, e um novo abastecimento de agua, agua é tudo, e iniciamos a grande subida, as vezes subindo inclinações pesadas, as vezes paredões, preparo físico sendo exigido, força de vontade, que horas antes estavam no limite, mas hoje está um dia frio, ventando, não desgastante, o sol ainda não começou a nos fritar e a subida esta ótima.

Em direção a Pedra da Mina, literalmente o vento abanava, os guerreiros de lado pro outro.

Nesse dia, algo que me incomodava, mas piorou foi as dores nos dedos dos pé esquerdo, devido as descidas e freiadas constantes, mesmo com os bastões e botas bem atadas. As dores musculares foram resolvidas com Ibuprofeno, exagerado ou não, eram de 600mg.

Gargantas secas, eram aliviada com micro goles de agua e de repente la no alto, ainda sem perceber, ainda sem acreditar, chegamos....Pedra da Mina. Uhuuuuu !!!! ... Onde estão as dores? Essa é recompensa, não da pra explicar a sensação, quando perguntam qual a graça de subir pra depois descer uma montanha, simplesmente estando dentro da situação, naquele momento que você acha que não vai conseguir, naquele que você quer desistir, naquele que seu corpo esta exausto, e com muita luta atinge o objetivo. Faltava muito caminho ainda pra terminar, mas estávamos la, na Pedra da Mina, 2.798 metros.

Thiago que estava exausto, de repente estava correndo, programando o timer da câmera e correndo para a foto, Fredererico e Pery já estavam la quando chegamos, os dois são turbinados, Ricardo “sherpa” sorria, subia, descia, sorria, ajudava, sorria, voltava e seguia novamente e sorria....ele não cansa... Parabens grupo

Fotos, vídeos, assinatura do livro de cume, descanso, risadas, parabéns a todos, e vamos seguir meu povo, que o Pico 3 Estados ainda está longe ....

Logo após a descida da Pedra da Mina, o sol apareceu, fritando e nos derretendo, no Vale de Ruah, foi nosso vestiário, momento de tirar as roupas de frio, beber muita agua, um luxo beber agua de goles abundantes, pois ali abasteceríamos novamente, uma nova busca da trilha, GPS em ação, um sol raivoso sobre nós, e onde fomos parar? Dentro da agua, nos refrescando numa agua gelaaaaaaada, revigorante, tirando o sal da cara, da boca, relaxando os pés, e minutos depois estávamos na rota novamente.

Entre trilhas em capins altos, mais do que eu, o grupo vai se afundando em bambus novamente, meu deus,...

Entre micro goles de agua, um grande erro, como foi dito pelo Frederico, a maldição da mangueira do Camelbak, onde foram parar meus 3 litros de agua? Então eu deveria ter 1 Litro para menos no Camelbak. A caminhada ainda era muito grande e deveria ter em torno de 800 ml um pouco menos no cantil, mas o cantil não é de 1 Litro? Sim... Porem no meio dos bambus, possivelmente entre os enroscos o cantil foi aberto acidentalmente e vazou pelo menos uns 200ml. Pouquissima agua.

Frederico e Pery já estavam novamente, no local de descanso quando eu, Ana, Thiago e Ricardo chegaram, sem local de sombra, sol infernal, nesse momento, calculando a agua perdida do cantil mais a falta de agua do Camelbak, não fiz o almoço, para economizar agua. A agua perdida do cantil seria a quantidade exata.

Nesse momento surge do nada Paulo, um carioca, fazendo a travessia solo. E daí em diante se uniu ao grupo.

Então o negocio é continuar, seguir em frente, numa longa descida onde os cariocas “Ferraris” sumiram na frente eu, Ana, Thiago e Ricardo iriamos iniciar nossa longa subida, exaustiva, pra quem já esta cansada, com dores, e sede.

Num certo momento dessa subida, encontramos Paulo, foi quando ele forneceu uns 300 ml de agua pra desgrudar a garganta, e foram os 300ml tomados num gole como fazia muito tempo não fazia !!!

Como o descanso devidamente concluído, vamos em frente, sol forte, caminhada longa.

Horas se passaram, sol se despedindo, chegamos ao Pico 3 Estados, foi o tempo de montar a barraca e ver o sol de por, tirar algumas fotos do marco das divisas, fazer a janta, que com um rateio entre a galera elevei minha quantidade de agua. E já tinha para a janta, e 1 litro para o dia todo ate o próximo ponto de agua, mas isso seria depois de muitas horas de caminhada, então o racionamento de agua seria ao extremo.

Já deitado na barraca, com dores nos pés, fiz os curativos, enfaixei para imobiliza-lo, e evitar mais dores, foi quando Paulo fez o convite para jantar, em sua “residência” vizinha a minha rsrsrsr, como foi estranho andar de chinelo, leve, a galera toda entocada nas barracas, e todos atentos ao tempo que estava formando.

Estávamos fora de temporada de subida, e o tempo estava fechando, muitos raios, começaram a bombardear os cumes vizinhos, de dentro da barraca, parecia que estávamos numa sessão de fotos, seguido de fortes ventos, e de inicio uma leve chuva, que despencou por alguns minutos e parou, e manteve sempre uma chuva com vento e raios. E assim foi nossa noite no Pico 3 Estados.

 

Dia 3 – 20.10.2014 - Pico 3 Estados a rodovia

 

Com chuva foi como começou, tudo combinado para sair as 6 da manhã, porém acordei, e chuva caindo, sem barulho de movimentação pelo acampamento, voltei a dormir.

Duas horas depois Ana me chama, e diz que iremos aproveitar a trégua da chuva, e começamos a organizar as coisas para a descida.

Como não teremos mais subidas incríveis como preocupação, temos somente que pensar na agua.

O que mais incomodava nesse terceiro dia era somente alguns desníveis, que com o corpo dolorido, atrapalhavam, não havia sol que era ótimo, o que ajudou não perder muitos líquidos.

Já não tínhamos Frederico e Pery no campo de visão, estava eu, Ana, Thiago e Ricardo na retaguarda. Ana e Ricardo mostravam melhor performance, eu com dores nos dedos dos pés, agora não era somente no pé esquerdo, o pé direito sofreu com a compensação de peso, e Thiago com dores musculares, estávamos mais atrás poupando energia, porem levando mais tempo para chegar ao ponto de agua.

O GPS nesse momento não ajudava muito, como sistema era ótimo, mas ver onde estávamos e quanto faltava ate a agua era triste.

Foram horas administrando um cantil de agua, e de repente Ricardo encontra uma garrafa de dois litros, com pelo menos ¼ de agua “perdida” na trilha, na duvida da situação que se encontrava esse presente, não quis beber, Ana também não, Thiago passou a vez e eu bebi, sem cheiro, transparente, quem foi que deixou ali não iria fazer nada para “ferrar” a agua onde alguém iria estar morrendo de sede, por outro lado há quanto tempo essa agua esta confinada ali, no sol, não deveria ser muito, senão alguém na nossa frente teria achado,se fosse pra dar algo, daria em casa, naquele momento eu queria beber agua como gente grande, e virei aquela agua.

Horas depois desse ocorrido ainda estávamos andando e andando, GPS apontando o local de parada, mas ele não existia, a agua era para estar por ali, Thiago já estava sem, e eu com possíveis 100 ml somente, Ana e Ricardo já estavam distante e sem contato visual, num terreno quase plano, seria possível eles terem acelerado tanto? Ou estaríamos lento demais ?

De repente, ouvimos algo, vozes, só podiam ser eles, e era, o ponto de agua, e alguns fazendo a comida.

Chegamos, tiramos a mochila, peguei o caneco do cantil, o camelbek, fiz uma vala maior no fundo do fio de agua que passava entre as pedras, e consegui encher o cantil e o camelbek, uma agua marron, de barro, mas era o que tínhamos, e mesmo não sendo recomendado, antes de purificar a agua, bebemos litros. E nessa hora ficamos sabendo que Frederico tinha deixado aquela garrafa de agua la atrás, para nós.

Fizemos nosso almoço, descansamos e “bora” por esses corpos cansados ate a estrada.

Chegando numa bifurcação, que a localizei pelo GPS viramos a esquerda e estávamos no caminho , era so seguir por caminhos tranquilos, retas e com sombras, chão pedregoso, pedras soltas e sinais que ali passava ou passou veículos alguma vez.

Num momento, chegamos a uma fazendo, que logo pensamos ser o Pierre, pensamos ser porque o tracklog no GPS havia acabado quilômetros atrás.

Seguíamos nessa estrada de terra e pedra, sinuosa, com araucárias, ate chegar numa casa beira de estrada, onde um cachorro nos recebeu latindo, que alertou outros e virou uma matilha, e so faltava essa agora, cansados, com dores, sermos mordidos pelos cães !!!!

Mas ocorreu tudo bem, vontade até tiveram, mas ficaram com dó de nós, e seu dono um senhor na porta da casa disse que a estrada estava logo ali, uns 5 min ainda de caminhada, sinceramente não acreditei, vocês conhecem o cinco minuto de mineiro né? O logo ali de mineiro né? Meu deus deveria faltar uns 30 min ainda kkkkkk

Mas não é que ele estava certo, e chegamos na estrada, onde Ana e Ricardo já estavam jogados na grama, com o sorriso de vitória fizemos nossa comemoração, tínhamos terminado a travessia da Serra Fina.

Paulo já tinha sido levado por Marquinhos Taxista e voltaria resgatar nosso grupo.

 

E enquanto estávamos fazendo nossas fotos e descansando, aparecem dois cariocas, que pensávamos que já estivessem com Marquinhos Taxista e Paulo, eram Frederico e Pery, os mais rápidos do grupo como poderiam estar ali ainda ?

Na bifurcação que viramos a esquerda, eles foram a direita, gastando um imenso tempo de ida em sentido errado, e outro na volta até o ponto do erro.

Mas sendo assim, o grupo estava todo reunido para nossa foto comemorativa.

 

Serra Fina para alguns ela é difícil, para outros ela é fácil, pessoalmente, achei difícil, já fiz outras, e posso dizer que Serra Fina pode não ser a mais dificil do Brasil, como alguns dizem, mas é uma travessia que não permite erros, e o preço é alto por esse erro.

 

Parabéns a todos que participaram.

 

fotostiago22_zps375831eb.jpg

 

Na volta, já rumo a SP, onde Marquinhos nos levaria de Passa Quatro ao Terminal do Tietê em SP, pois já não havia mais ônibus e novamente seu preço foi muito bom, paramos em um restaurante beira de estrada, e pra nossa surpresa dos esfomeados, era Coma a Vontade por 14,90......depois de 3 dias passando com miojo, bacon e calabresa, imaginei o que foi ver aquela comida mineira nos chamando !!!!!

 

 

Agradecer ao Marquinhos Taxista, que desde o primeiro contato para nosso resgate foi muito atencioso, fez um ótimo trabalho, ótimo apoio, ótimo preço, cedeu sua casa, para guardar o veiculo dos cariocas, e hospitalidade para integrantes do grupo, e se preocupou com a segurança do Dema e Lena ao procura los quando estavam de volta a Toca do Lobo. Um abraço Marquinhos.

Contato 35 9113.1214

 

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