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Bora viajar?

BOLÍVIA E PERU (SETEMBRO/OUTUBRO 2014) - Meu primeiro mochilão: histórias, gastos, fotos e vídeos.

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E aí pessoal, beleza? Acabo de realizar meu primeiro mochilão, e escolhi Bolívia e Peru como primeiro destino, juntamente com meus amigos / casal Renan e Marina e vou contar pra vocês como foi minha primeira experiência de mochileiro.

Como era meu primeiro mochilão, não sabia nem por onde começar, então primeiramente veio a fase de decidir por onde passar e o que conhecer, e montar o roteiro não foi fácil, pois a única coisa que sabíamos era o dia que começaríamos e quando terminaríamos (leia-se começo e fim das férias do trampo), o difícil era saber quanto tempo em cada cidade, como se deslocar, onde dormir, quanto gastar com isso e aquilo, e um grande problema é que tanto a Bolívia quanto o Peru (mais até a Bolívia) são difíceis de conseguir alguma informação pela Internet sobre empresas de ônibus, horários e preços de atrações turísticas, locais para comer e até as informações de hospedagem são contraditórias, então comecei a pesquisar muito na Internet, e o Mochileiros foi a minha maior fonte de consulta para poder fazer essa trip. Li vários relatos, como o do Nogy, o dos mendigos machos, o da Tia Poly (uma parte perdi pois viajei dia 18/09), o do Ruy Ibarra, da Laís Barbalho, fora vários tópicos sobre assuntos específicos, fiz um milhão de perguntas (e todas sempre respondidas, obrigado a todos que colaboraram, não vou citar nomes para não cometer injustiças), anotei todas as dicas possíveis, e nada mais justo que dividir minhas experiências com as pessoas, dar dicas, informações, afinal tem muita gente que pretende fazer essa viagem e quem sabe eu possa ajudar alguém que tenha dúvidas assim como eu tive. ::otemo::

 

 

Resolvi fazer um pequeno vídeo com uma espécie de resumo do meu mochilão

 

 

 

A ideia surgiu antes da viagem e esse vídeo foi o que me inspirou, lógico que dá pra perceber que o meu é bem mais amador, mas o que vale é a intenção hehe

 

 

Nosso roteiro, após várias mudanças, cortes e acréscimos, inicialmente seria esse:

 

1º dia - São Paulo - Santa Cruz de La Sierra (vôo com escala em Assunção e chegando de madruga em SC)

2º dia - Santa Cruz - Cochabamba (conhecer a cidade e viajar de busão à noite chegando de manhã)

3º dia - Cochabamba - Sucre (conhecer a cidade e viajar de busão à noite chegando de manhã)

4º dia – Sucre (conhecer a cidade e dormir nela)

5º dia - Sucre - Potosí (viajar logo cedo, provavelmente de táxi ou busão de madrugada) e Potosí - Uyuni (conhecer a cidade, fazer Cerro Rico e viajar de busão à noite ou no final da tarde)

6º dia - Salar do Uyuni (chegar na noite anterior ou de madrugada e procurar passeio para 3 dias no Salar, contando com esse dia já)

7º dia - Salar do Uyuni

8º dia - Salar do Uyuni e depois La Paz (viajar para La Paz de noite)

9º dia - La Paz (conhecer a cidade e visitar Tiwanaki)

10º dia - La Paz (Chacaltaya e Vale de La Luna)

11º dia – La Paz – Copacabana (ir para a Ilha do Sol e dormir lá).

12º dia – Ilha do Sol - Copacabana - Puno - Arequipa (voltar para Copa, partir para Puno e já vazar direto para Arequipa)

13º dia – Arequipa (conhecer a cidade)

14º dia - Arequipa (Colca Canyon, tour de 1 dia)

15º dia - Arequipa - Cusco (conhece a cidade e viaja à noite para Cusco)

16º dia - Cusco

17º dia – Cusco – Águas Calientes

18º dia – Machu Picchu – Cusco

19º dia – Cusco

20º dia - Cusco - Lima (Vôo pela LAN)

21º dia - Lima (conhecer a cidade)

22º dia - Lima - Paracas (Islas Ballestas pela manhã) e depois Paracas – Lima

23º dia - Lima - São Paulo (Vôo pela LAN)

 

É claro que roteiro de mochileiros sempre sofre mudança e o nosso não é exceção.

 

PREPARAÇÃO E GASTOS PRÉ VIAGEM

 

Livro

 

Minhas pesquisas na Internet iam de vento em popa, mas faltava um livro ou algo do tipo para completar, até que um dia fui ao cinema num shopping em Santos, cidade onde trabalho, e na saída resolvi entrar numa Saraiva, pois queria fuçar se havia algo que me ajudasse com a viagem, e, jogado no meio de alguns guias e mapas, achei o livro que procurava (aliás, era filho único de mãe solteira), chamava “O Guia do Mochileiro: Um roteiro pela Bolívia e Peru”, da Alice Watson, o livro é muito bom, tem muitas dicas úteis, é bem escrito e a leitura é agradável, além disso o roteiro dela era bem parecido com o nosso (pelo menos, na parte da Bolívia), paguei 40 dilmas nele, ele é fácil de achar na Internet e quem tiver interesse pode comprar que é bom mesmo. Achei esse link aqui só pra vocês saberem qual é:

 

http://www.extra.com.br/livros/ViagensTurismo/ViagemAventura/O-Guia-do-Mochileiro-um-Roteiro-pela-Bolivia-e-Peru-Alice-Watson-1736563.html

 

Planilha de gastos

 

Para ajudar a calcular os gastos, peguei alguns modelos de planilhas aqui e fui adaptando, projetando valores, usando a técnica do “chuta pra mais” pra ter uma margem de manobra, afinal, pelo que li por aqui perrengue e imprevisto nunca falta. E vou dizer, ainda sim fizemos algumas cagadas financeiras que nos causaram um certo aperto durante a viagem, mas isso será contado mais adiante.

Não vou postar a planilha que fiz porque não a conclui com os valores finais, então com o passar dos dias, vou colocando os gastos que tive pra mais ou menos orientar vocês (digo mais ou menos que uma coisa ou outra posso ter esquecido de anotar).

 

Depois de um tempo, consegui finalizar a planilha e agora vou postar o link, pode não estar uma maravilha mas acho que dá pra ter uma ideia. Tem duas abas, na primeira uma planilha mais ampla e outra com os gastos mais detalhados, incluindo a média diária em cada moeda (a primeira ficou um pouco grande e tem que ficar rolando a barra, desculpem mas não deu pra fazer menor ::hãã2::). Tentei colocar o que lembrei de anotar, vocês podem estranhar alguns dias não ter gasto com alimentação, mas é que comprávamos muitas coisas nos mercados que duravam pra outros dia, e muitas vezes ou rachávamos a conta ou de nós pagava sozinho pra depois o outro pagar algo, então coloquei apenas o que eu gastei do meu dinheiro.

Se alguém tiver problema em visualizar, dá um toque que eu conserto a burrada. ::hahaha::

 

https://www.dropbox.com/s/arqhp7ax4wjsoz5/Roteiro_Bol%C3%ADvia_e_Peru_2.xls?dl=0

 

Hospedagens

 

A única hospedagem que garantimos com antecedência foi o Hostel Jodanga, em Santa Cruz, o resto fomos vendo na hora mesmo.

 

Machu Picchu

 

Outra coisa que garantimos com antecedência foram as entradas para Machu Picchu. Entramos no site do Governo Peruano e efetuamos a compra de MP e também de Waynapicchu, deu S/150,00 + uma taxa de S/6,50, que depois virou US$ 56,00 na fatura do cartão (mais US$ 3,60 de IOF :x )

O site é esse aqui:

 

http://www.machupicchu.gob.pe/

 

Equipamentos

 

Eu e meus amigos começamos a investir na compra de itens necessários para a viagem, comecei a ir muitas vezes na Decathlon que tem aqui na Praia Grande para pesquisar preços e avaliar os itens. O principal deles era a mochila. Após pesquisar muito na Internet sobre melhores marcas versus preços, inclusive aqui no Mochileiros, e acabei optando pela marca Quechua, que vende na Decathlon, e comprei uma mochila Forclaz 70l, igual essa do link:

 

http://www.decathlon.com.br/montanha---aventura/mochilas-38170/mochila-trecking/mochila-forclaz-70-quechua_164112?chosen=cinza

 

Posso dizer que ela foi jogada (sim, eu vi isso) :o em bagageiro de busão, de avião, foi pra cima e pra baixo, andou lotada de coisas e aguentou bem o tranco, eu recomendo. Fora que vem com 10 anos de garantia. Paguei R$299,00.

Compramos também meias de trekking, de frio, 2 blusas de frio (uma acabei nem usando), uma doleira e uma capa de chuva estilo poncho, que aliás foi muito útil em Machu Picchu.

Ia comprar uma blusa corta vento, mas acabei “herdando” do meu pai (que faleceu no final de agosto agora) uma jaqueta, que caiu como uma luva e realmente ela fez a diferença na viagem.

Outra coisa que ia comprar, mas acabei não comprando, por pura questão de economia (já havia gasto uma certa grana e preferi segurar um pouco), era uma bota boa. Eu me interessei, depois de muito pesquisar, na Forclaz 500 da Quechua, ela tava (e ainda está) custando R$ 299,00 na Decathlon. Acabei indo de tênis mesmo, mas confesso que teve situações nas quais me arrependi de não ter comprado a bota, principalmente em Machu Picchu, pois choveu muito e passei um puta perrengue pra descer Waynapicchu, mas isso relatarei mais adiante.

Além disso, comprei também foi uma câmera nova, pois a minha tinha ido pro saco. Mesma coisa, pesquisei vários modelos, e pelo custo benefício acabei comprando a Samsung WB350F, ela em média cuta uns 500 mangos, mas achei uma promoção na Ricardo Eletro por 360 reais em 3 vezes :D

 

http://www.samsung.com/br/consumer/cameras-camcorder/cameras/smart-compactas/EC-WB350FVMWBR

 

A câmera é excelente, não tenho do que reclamar, tem bastante recurso. Ah, e comprei também um bastão de selfie, achei no Mercado Livre por 40 pilas.

 

Passagens

 

Durante meses, ficamos monitorando os sites das empresas aéreas, da Decolar e do Melhores Destinos a fim de tentar obter um preço bom por elas, pois seriam três trechos de aéreo. Os preços eram bem salgados, fazíamos cálculos e analisávamos combinar voos de empresas diferentes, mas o mais em conta que achávamos girava em torno de 1500, 1600 reais. Mas resolvemos esperar mais, inclusive deixamos passar a Copa para ver se caia e funcionou. Um dia, entrei no site da TAM e pesquisei os três trechos e PARA A NOOOOOOOOSSAAAA ALEGRIIIIAAAA naquele dia estava saindo tudo, já com taxas e impostos, por míseros R$ 888,77. Compramos na hora e ainda deu pra dividir no cartão. Fuck Yeah!!!!!! :D:D:D

 

Seguro

 

Uma boa dica é sempre fazer um seguro de viagem, afinal a gente nunca sabe o que pode acontecer. Eu pesquisei bastante e no final acabei fazendo o da empresa Intermac, pois minha ex sogra trabalha em agência de turismo e quando fui para o Chile ela fez esse seguro pra mim, e como o preço estava bom, fiz ele mesmo. O do Renan e o da Marina foi o mais básico, de 140, eu fiz o intermediário, gastei 230 pilas, os valores de cobertura eram bem maiores, preferi não economizar nesse quesito.

 

Vacina

 

Outra providência foi tomar o raio da vacina de febre amarela, em Santos tinha um posto que emitia a carteirinha da ANVISA, foi só tomar a vacina e pegar a dita cuja.

Importante: é recomendável fazer o cadastro antecipado no site da ANVISA, isso agiliza e facilita o atendimento, pois caso não tenha o cadastro, seus dados pessoais terão que ser colhidos na hora para fazer o cadastro. E sim, conforme muitos disseram, também não fui cobrado pela carteirinha em parte alguma, nem nos aeroportos, mas é melhor tomar, vai que...

O link é esse aqui (precisa criar um cadastro no site)

 

http://www.anvisa.gov.br/viajante/

 

Dinheiro

 

O nosso maior problema era a grana. Conforme todos relatavam, era mais vantajoso levar dólar que real, e então resolvemos ir atrás das verdinhas, só que deixamos pra ver isso muito em cima da hora, e devido a corrida eleitoral, pegamos o pior momento pra comprar dólar. Na primeira vez que fui no meu banco me informar, estava 2.36, mais a caralhada de taxas que rolam. Isso foi numa sexta, na segunda já tava 2.41, e daí só subiu. No dia do embarque, ele chegou a 2.58 (sem contar as taxas) ::grr:: , e então decidimos levar real mesmo e seja o que Deus quiser. E, segundo minhas contas, no final até que valeu a pena, pois pelo preço que pagaríamos no dólar acabaria saindo mais caro ou pelo menos pau a pau.

Levei ao todo R$ 2600,00 (que virou R$ 2500,00, depois explico) e precisei fazer dois saques, um de 200 soles e outro de 100 soles (esse último, desnecessário).

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valeu cara....

mto bom teu relato.. quero fazer uma viagem bem parecida com a tua...

moro em sp capital e pretendo ir de avião campinas corumbá.. trem da morte, depois ir até Uyuni, fazer o tour, ir pra La paz, copacabana, arequipa, cuzco... e voltar de avião por lima

queria dar preferência ao trem sem que possível....

 

abração

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20 DE SETEMBRO - 3º Dia

Sucre - Potosí - Uyuni

 

 

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Hostel Travelers

 

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Nosso quarto

 

 

Depois de tomar aquela friagem e ainda uma bela ducha gelada, advinha quem acordei resfriado? :( E com um pouco de dor de cabeça, mas essa já credito um pouco as brejas que tomamos ontem (a Paceña é muito boa, mas um pouco forte).

Bom, levantamos não muito cedo mas também não muito tarde, tomamos um café da manhã com as coisas que compramos no mercado no dia anterior, arrumamos nossas coisas e pedimos para chamar um táxi. Não demourou muito e ele chegou, era um tremendo pau velho (padrão FIFA), a motorista era mulher e elas estava com as duas filhas no carro. Aliás, um adendo sobre os carros, tanto na Bolívia quanto no Peru, em todos os que vi, e fiz questão de reparar nisso, eles tem o hábito de colocar sobre todo o painel do carro uma espécie de tapete, é uma coisa muito estranha, mas é moda por aqueles lados.

Enfim, entramos no táxi e seguimos para a rodoviária, que era bem longe dali. De repente ela para o carro e diz que chegamos. Na boa, aquilo parecia tudo, menos uma rodoviária, tinha cara de um centro comercial com várias lojinhas fuleiras, que na verdade eram as agências das empresas de ônibus.

 

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Rodoviária de Sucre

 

Conforme relatei, nossa intenção era ir direto pra Uyuni, mas a única linha que tinha viagem pra lá era a 6 de Octubre, se não me falha a memória, e as saídas eram meio-dia, conforme disse o cara do hostel, mas justamente naquele dia não tinha ônibus pra lá, se não me engano era só de segunda. Tinha uma opção à noite, mas não iríamos esperar, então tivemos que comprar passagem para Potosí. Compramos o da empresa Alonso de Ibañez que saia 11h30, custou 20 evos, além da taxa de uso do terminal, uma taxa que em todas as rodoviárias tanto da Bolívia quanto do Peru tem que pagar a parte, é mixaria, na de Sucre custou 2,50 evos. Aguardamos na plataforma e quando o busão chegou, ele tinha uma aparência de velho, mas quando entramos vimos que era bom, nem parecia os ônibus que li em alguns relatos, aliás, nesse quesito até demos sorte na Bolívia.

 

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O busão rumo a Potosí

 

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Estrada para Potosí

 

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Rodoviária / inferno de Potosí

 

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Parece ou não um circo?

 

Conforme muitos relataram, a estrada de Sucre para Potosí era boa mesmo, bem asfaltada, você vai subindo as montanhas e o visual é espetacular. A viagem levou mais ou menos umas 3h30, chegamos em Potosí umas 15h15 mais ou menos, descemos na rodoviária nova, por fora ela parece uma mistura de circo com ginásio, mas por dentro é uma sucursal do inferno. Ao entrar, de cara já nos deparamos com a gritaria do povo:

 

La Paaaaaaaaaaaaz, La Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaz

Cochabaaaaambaaaa Cochaaaabaaaaambaaaaaaaaaaaaaaa

Saaantaaaa Cruuuuuuuuuuuuuz

Sucreeeeeeeeeeee, Sucreeeeeeeeeeeeeee (eleito por unanimidade a mais irritante de todas)

 

Imaginem o povo gritando isso em voz alta e ao mesmo tempo, ficamos por lá uns 15 ou 20 minutos e eu estava endoidando já, só queria uma metralhadora nessa hora. Aliás, uma metralhadora e um chá de coca. Durante o percurso, fiquei pensando sobre a tal da altitude, pois sabia que Potosí ficava a 4000 metros de altura e estava cabreiro, mas, inocentemente, eu puxava o ar e pensava: “Tô respirando normal!”. Descemos em Potosí e nada, tudo bem, perguntei aos meus amigos e eles também não sentiam nada. Entramos na rodoviária do inferno e tinha uma espécie de mezanino, e como no andar de baixo não achamos passagem pra Uyuni, subimos a escada e fomos lá para ver se tinha. Quando chegamos em cima eu simplesmente comecei a ver tudo balançando e minha cabeça rodou, fui rápido e me segurei na parede, por pouco não cai. Meus amigos me olharam e perguntaram se estava tudo bem, eu disse que estava tonto. O folego já era, parece que eu tinha acabado de disputar uma meia maratona, a sensação era ruim. Bem vindo a minha vida soroche! Meus amigos estavam bem aparentemente, só se cansaram um pouco da escada, mas nada demais.

Uns 2 minutos depois (ou menos) eu melhorei, continuamos a procurar e descobrimos que para ir pra Uyuni tínhamos que ir para o tal ex terminal, a antiga rodoviária da cidade.

Pedi informação para um funcionário e descobri que dava pra ir de busão ao invés de táxi, era só atravessar a rua, de cara já vimos um micro-ônibus com uma placa escrito “Ex Terminal”, pegamos ele, custou 1,50, bem mais barato que táxi, e seguimos por uns 10 ou 15 minutos até o lugar. O micro-ônibus parou e o motorista nos avisou que era ali, era um prédio bem feio por fora, e ao entrar, notamos que o esquema da gritaria era igual, só mudavam os destinos:

 

Cotagaitaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Tupizaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Vilaroooooooooooooooooooooooooon...

Uyuniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii seis e mediaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...

Uyuniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii ocho e mediaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

 

Aaaaaaahhhhhh diabo, vai gritar assim na cadeia! ::grr:: Eu mereço, e minha cabeça já sentindo o drama da altitude ::essa:: . O horário mais próximo que tinha era às 17h30 da empresa 11 de Octubre (eles tem uma paixão por colocar datas no nome das empresas) e como eram umas quinze pras cinco, sentamos e aguardamos. Precisei tomar uma aspirina, pois parecia que alguém tinha colocado a mão por trás dos meus olhos e tava massetando eles, e só eu estava mal, curiosamente o único que faz atividades físicas regulares em relação aos meus sedentários amigos. Mas como já me disseram, não há uma lógica pra altitude, cada pessoa reage de um jeito, e eu fui o contemplado.

Enquanto esperávamos, o Renan viu em uma barraquinha, que vendia muitas coisas, uns sacos com vários pães, pareciam bons, custava 5 pesos cada pacote, e vinha muitos pães, compensou muito. E sim, eram gostosos, como todos os pães que consumimos na Bolívia e no Peru.

Aquela rodoviária era realmente algo inimaginável, difícil elencar o que era mais estranho naquele lugar, o povo ou a rodoviária em si. O banheiro (que custava 1 boliviano para usar, mas na hora que fui o cara não me viu entrar hahahaha) certamente tá no TOP 5 de piores que vi na minha vida, o Renan, que é quase um viking, quase não conseguiu entrar (na verdade, ele queria fazer um “número dois”, mas nem o cocô dele merecia aquele banheiro).

O busão chegou, e na hora de embarcar, quase não acreditamos no que vimos: enquanto o povo ia despachando as suas malas e mochilas, duas cholas se aproximaram carregando um “pequeno e singelo” fogão industrial. WTF? Como assim? Imagina, você, lá de buenas, pondo sua mochila no bagageiro e chega duas doidas carregando, cada uma de um lado, um fogão industrial, que pelo tamanho, devia pesar toneladas. E durante toda a nossa viagem ainda teria a oportunidade de ver mais coisas que jamais serão “desvistas”.Sobre o ônibus, também era bem estranho por fora, como o de Sucre, mas igualmente confortável por dentro. A passagem custou 30 bolivianos e 1da taxa de embarque, que foi cobrada dentro do ônibus por uma funcionária do terminal. Aliás, não foi só do lado de fora que aconteceu algo estranho, afinal, uma coisa ruim sempre pode piorar. Já dentro do ônibus, ao meu lado (sim, atraio zica) sentou uma mulher com duas crianças: uma no colo, uma no corredor ao lado do marido dela. Ao cobrar a taxa de embarque, ela tinha a lista de passageiros e fez uma chamada, mas nem o marido e nem a segunda criança estavam na lista. A mulher simplesmente comprou a dela e de uma das filhas e enfiou a outra filha e o marido no busão, tipo promoção, pague um e leve dois hahahahaha. Discute dali, discute daqui, sei que no final acabaram ficando todos e o raio da mulher enfiou as duas crianças no banco, tornando minha viagem “muito confortável”, já que uma veio com a cabeça deitada no meu colo ( o que fez em determinado momento minha perna “dormir”) e a outra sentada ao lado da mãe, ou seja, sentamos quase que em três. Show tia, show! Ah, o marido veio sentado no corredor mesmo. Só faltava ele sentar também no mesmo banco!

 

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Busão para Uyuni

 

 

A viagem seguiu já com a noite caindo e, segundo o que havia me informado, duraria umas 6h, imaginamos chegar em Uyuni depois das 23h30. A estrada até era boa, mas era muito escura, sem iluminação nenhuma e era impossível ver algo pela janela, tava com um pouco de neblina, parecia que estavmos cruzando Silent Hill. Mesmo assim, o motorista fez várias paradas pelo caminho, e do meio do nada PUFFF...surgia alguém da escuridão e entrava no busão, parecia ônibus circular municipal, o pessoal foi se alojando no corredor, em pé ou até sentado. Às vezes alguém descia também, no mesmo esquema, o busão parava e PUFFF... a pessoa sumia come se fosse engulida por um buraco negro. De repente, em uma das paradas, o motorista simplesmente desceu e PUFFF..., sumiu no meio do breu. Cadê ele? Onde esse louco foi? Estavamos no meio do nada! Passaram uns 5 minutos e o povo foi ficando impaciente, um cara que tava atrás de mim começou a gritar:

 

Baaaaaaaamoooooo, baaaaaaaamoooooo, baaaamooooooooooooooooooooooooooo

 

Meu Deus, é hoje, o dia da gritaria! Ele fez isso umas 3 ou 4 vezes, até que do nada, PUFFF... o cara surgiu das trevas, entrou no busão com algo na mão e foi embora, mas ainda parou mais algumas vezes, e o tiozão sempre berrando: Baaaaaaamooooooooo, baaaaaamoooooo. Chegava a ser engraçado e acabamos adotando por toda a viagem o hábito de falar “Baaaaamooooooo” quando tínhamos que sair ou fazer algo, virou bordão.

Quando estavamos já na entrada de Uyuni, percebi que os vidros ficaram embaçados e quando fui passar a mão para desembaçar quase a congelei. Aquilo era sinal de que devia estar muito frio lá fora. Chegamos ao destino e, mesmo com tantas paradas, a viagem durou pouco mais de 4h, eram umas 21h40. Ao descermos do ônibus, notei o quanto estava frio, mesmo com blusa, calça e gorro, eu tremia de frio, só queria achar um lugar pra ficar, mas antes tivemos que enfrentar o apocalipse zumbi do povo oferecendo passeio para o Salar. A única coisa que eu dizia era “ Ahora no, ahora no”, dando uns dribles de futsal no povo. O pior é que o arrombado do motorista demorou para abrir o bagageiro do busão e nossas mochilas eram as últimas, nisso a maioria do pessoal já tinha vazado e ficamos só nós lá. Fezes! Assim que as pegamos, fomos atrás de um hostel que a Marina tinha pego, mas, pra variar, não achamos o endereço, e nem tinha viva alma pra dar informação àquela hora e naquele frio, então a primeira placa de hotel que vimos fomos atrás, e logo vimos a do Hotel Vieli, era uma placa bem grande e iluminada, bora pra lá mesmo. No caminho, vimos um relógio de rua que indicava que eram 20h30 e que estava 0ºC. Eita preula! ::Cold:: Tirei até foto.

Chegamos ao hotel gelados de frio, perguntamos se tinha quarto e o atendente disse sim, e custava 50 evos com três camas. Demorou, vai esse mesmo. Comentamos da temperatura e ele disse que aquele relógio estava errado (aliás, na Bolívia é normal os relógios de rua estarem sempre errados) e nos apontou para o dele, que marcava 21h55 e 12ºC. Menos mal, mas aí veio a surpresa: eram 12ºC negativos. ::Cold::::Cold::::Cold:: Taquipariu, deu até mais frio de saber aquilo.

Antes de ir ao quarto, pedi a senha do WiFi e, ao contrário de todos os lugares em que ficamos, ele não forneceu a senha, ele pediu o celular e colocou a senha. É mole! E pior, pedi se podia colocar na minha câmera também (ela tem WiFi), pois queira postar uma foto dela no Facebook. Ele pegou a câmera, colocou a senha (ou fingiu) e como não concetou ele disse: “A rede aqui é limitada, se tiver muita conexão, o sinal cai”. Porra, o cara tava miguelando o WiFi? É cada uma viu!

Agradeci e fui para o quarto, era espaçoso e confortável, tinha até TV. Fui tomar um banho (quente dessa vez, aliás, quase um “pela-porco”), comemos alguma coisa que tinhamos comprado (não lembro o que, mas devia ser lanche) e fomos dormir, pois pretendiamos acordar cedo pra procurar uma agência e fechar os três dias do Salar.

 

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Friiiiiooooooo

 

 

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Hotel Vieli

 

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Nosso quarto

 

Gastos do dia

 

Táxi hostel/rodoviária: b$ 4,00 por pessoa

Ônibus p/ Potosí: b$ 20,00

Taxa de embarque: b$ 2,50

Micro-ônibus p/ ex-terminal: b$ 1,50

Ônibus p/ Uyuni: b$ 30,00

Taxa de Embarque: b$ 1,00

Hotel Vieli: b$ 50,00

Pães na rodoviária: b$ 5,00

 

 

Continua...

  • 7 meses depois...
Postado
  • Membros

Quem dera estivesse EU indo na segunda-feira, saudades dessa trip...

 

Bons ventos, Rodrigo :arrow:

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Quem dera estivesse EU indo na segunda-feira, saudades dessa trip...

 

Bons ventos, Rodrigo :arrow:

 

 

Valeu brother!!

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Boa viagem Rodrigo, garanto que não se arrependerá, aquele lugar é muito da hora, como disse o Nogy, saudades de lá.

Sábado agora embarco pra Colômbia e espero que seja no mesmo nível.

  • 6 meses depois...
Postado
  • Membros

iai cara, blz?

vou agora em setembro/outubro e gostaria de saber quanto vc pagou o trecho Cusco / Lima?

abraços

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