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Caminho do Peabiru, Trilha dos Tupiniquins, Goianases ou Caminho de Piaçagüera

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O Caminho do Peabiru, Trilha dos Tupiniquins, Trilha dos Goianases ou Caminho de Piaçagüera – Paranapiacaba / São Paulo.

Registros históricos datados a partir de 1528 dão conta de uma trilha que saia de São Vicente e percorrendo as margens do Rio Mogi chegava-se em Paranapiacaba de onde se alcançava o Planalto de Piratininga.

Os Tupis referiam-se a ela como “Peabirú”, o caminho indígena que ligava o Oceano Atlântico ao Pacífico.

Ao longo dos séculos muitos foram os nomes atribuídos a este caminho: Trilha dos Tupiniquins, dos Goianases, Caminho de Piaçagüera e mais recentemente Trilha do Rio Mogi e Trilha da Raiz da Serra.

As referências históricas indicam esta trilha como praticamente a primeira trilha ou caminho utilizado pelos europeus em São Paulo e por muito tempo o único meio de ligação entre o litoral e o altiplano paulista.

 

[align=center]20090909094211.jpg

Com texto em latim, este mapa da Capitania de São Vicente e Adjacências - 1553-1597 destaca as tribos indígenas da região - Carijós ao Sul, Tupinaquis de Cananéia a São Vicente, Muiramomis na região de Bertioga, Tamoios ao Nordeste e os caminhos dos Goianases e do padre Anchieta entre São Vicente e São Paulo de Piratininga.[/align]

Cartas jesuítas diziam que para se vencer “A Muralha” (apelido dado à Serra de Paranapiacaba) levavam-se dois dias subindo e para descer, um dia.

Segundo o historiador Eduardo Bueno em seu livro Capitães do Brasil, a trilha tinha início em São Vicente (Tumiaru, para os índios), de onde se saía em embarcações por um "lagamar de águas salobras" chamado de Morpion. Através dos rios, aportava-se no ancoradouro de Piaçagüera de Baixo, seguindo por uma área alagada em que atualmente se localiza a cidade de Cubatão, até a Piaçagüera de Cima, na raiz da Serra de Paranapiacaba. O trajeto seguia então pelo Rio Quilombo até o Vale do Rio Mogi prosseguindo pela Trilha dos Tupiniquins serra acima.

A Trilha dos Tupiniquins (mais tarde chamada de Trilha dos Goianases e Caminho de Piaçagüera) passava pelo território dos Tamoios, inimigos dos Tupiniquins e dos portugueses, o que veio a torná-la muito perigosa. Em virtude disso, em 1560 seria aberta pelo padre Anchieta uma nova trilha na serra. Mesmo assim essa via consistiu numa das principais ligações da vila de São Paulo de Piratininga com a Ilha de São Vicente durante o período colonial.

 

[align=center]20090909094503.jpg

A Trilha dos Tupiniquins e o Caminho do Padre Anchieta

Fonte: Livro Capitães do Brasil de Eduardo Bueno.[/align]

Por ela passaram Martim Affonso de Souza, João Ramalho, Tibiriçá, Piquerobi, Manoel da Nóbrega, José de Anchieta, Manuel de Paiva, e outros nomes da nossa história colonial.

Séculos mais tarde foram os ingleses que a utilizaram para construir a primeira ferrovia de São Paulo.

Hoje o Parque Estadual da Serra do Mar protege apenas um pequeno trecho da trilha original de mais de 500 anos, pois muito foi perdido devido à construção da ferrovia a partir de 1867.

 

Características da trilha hoje

É considerada a trilha mais longa de Paranapiacaba, com média de 8 horas de caminhada até Cubatão.

São 800 metros de desnível a serem vencidos em uma trilha com aproximadamente 12 km de percurso. Trechos de descidas íngremes e escorregadias, travessia de riachos, caminhada por dentro de leito pedregoso de rio e por estrada de terra.

 

Localização e acesso

Paranapiacaba está localizada na Região Sudeste do Município de Santo André, no limite entre o planalto paulista e a Serra do Mar, a cerca de 48 km de São Paulo.

A travessia é feita em três fases. O primeiro trecho é uma descida acentuada com cerca de 3 km por trilha na Mata Atlântica entrecortada por diversos riachos e com muita lama.

O segundo trecho com cerca de 5 km é feito pelo leito pedregoso do Rio Mogi, com pequenas quedas e diversas piscinas naturais de águas cristalinas ao longo do caminho.

O terceiro trecho de 3 Km é por uma estrada de terra e cascalho que liga a antiga estação Raiz da Serra até a portaria da COSIPA – Companhia Siderúrgica Paulista.

Um caminho histórico fascinante, emoldurado pela exuberância da Mata Atlântica.

 

Como ir

Agende essa trilha com um guia credenciado na AMA - Associação dos Monitores Ambientais de Paranapiacaba: (11) 4439 0155

Valor da diária do guia: Entre R$ 20,00 e R$ 25,00 por pessoa.

 

Pegue o trem Luz - Rio Grande da Serra na região central de São Paulo.

O percurso tem extensão de 37,2 Km com tempo aproximado de 54 minutos.

Valor do bilhete: R$ 2,55.

Veja aqui o itinerário desta linha.

Ao chegar na estação de Rio Grande da Serra compre um bilhete integrado para o ônibus que parte para Paranapiacaba e se informe onde fica o ponto de partida.

Os ônibus circulam de 2ª à 6ª de hora em hora (sempre nas meias-horas) e nos fins de semana e feriados de meia em meia hora, o percurso leva aproximadamente 20 minutos.

Valor do bilhete: R$ 3,55.

 

Fotografias realizadas em 13 de janeiro de 2008.

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/27/photos/90/500x500/3/03-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=9e8APF1X%2BBhXD4%2BV7KuWXg&nmid=77640346 500 375 ]Ponto de ônibus em Rio Grande da Serra onde pegamos o ônibus para Paranapiacaba[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/203/2-Guias-Paranapiacaba.jpg?et=ycbe6dPLh8CK8TmyTcmnxg&nmid=24813739 500 375 ]Grupo reunido com os guias em Paranapiacaba[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/201/1-Guia-Paranapiacaba.jpg?et=ow7cenpKKfsliFknAH%2C%2B8g&nmid=24813739 500 375 ]Guia falando sobre Paranapiacaba[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/25/photos/90/500x500/14/14-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=DEreRTvDfZpbX8Qp24DVdg&nmid=77640346 500 375 ]O acesso para a trilha é por ali[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/26/photos/90/500x500/16/16-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=o3IMauSM3LmdcZs6iQQrmg&nmid=77640346 500 375 ]A trilha começa ao lado do Mirante do Vale do Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/204/3-Mirante-do-Vale-do-Rio-Mogi.jpg?et=XPeYiOd85h7pQCROf2%2Csuw&nmid=24813739 500 375 ]Mirante do Vale do Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/26/photos/90/500x500/17/17-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=xPDD6TPj1dF9kRldmh%2BKZg&nmid=77640346 500 375 ]Começo da trilha logo abaixo do Mirante do Vale do Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/26/photos/90/500x500/22/22-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=pvo0r1v%2CtOB4WVSWu%2CKCcA&nmid=77640346 500 375 ]Linhas férreas “Cremalheira e Funicular” do outro lado do Vale do Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/26/photos/90/500x500/25/25-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=KMRYTHQPvVFe9TSSLIa5KA&nmid=77640346 500 375 ]Pico do Morrão[/picturethis]

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[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/26/photos/90/500x500/27/27-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=iXFsbsQFtmoIj2uycy8rHA&nmid=77640346 375 500 ]Trilha dos Tupiniquins[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/25/photos/90/500x500/30/30-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=9tiOsDu0JYNhyD6uCJNgOA&nmid=77640346 500 375 ]Muitos riachos ao longo da trilha[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/36/35-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=3wS%2CnKeN3kgh53Qz%2CIm3aw&nmid=77640346 500 375 ]Alguns trechos requerem muita atenção para se evitar acidentes[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/24/photos/90/500x500/35/34-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=UNQweKIlIq1FPa8XKCHxNQ&nmid=77640346 500 375 ]Alguns trechos requerem muita atenção para se evitar acidentes[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/24/photos/90/500x500/33/32-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=EZmG%2B8bVcR3UwW3SRr2Rsg&nmid=77640346 500 375 ]Alguns trechos de mata densa[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/24/photos/90/500x500/39/38-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=1v2NxSl9rLbWngfJRs7%2CCw&nmid=77640346 500 375 ]Trilha dos Tupiniquins[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/24/photos/90/500x500/43/42-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=t78JjZ%2C6ryT%2BX8%2BylJBavw&nmid=77640346 375 500 ]Helicônia[/picturethis][mostrar-esconder]Gênero: Heliconia

Família: Heliconiaceae

Ordem: Zingiberales

Classe: Liliopsida

Divisão: Magnoliophyta

 

As helicônias são plantas de origem neotropical, mais precisamente da região noroeste da América do Sul. Originalmente incluído na família Musaceae (a família das bananeiras), o gênero Helicônia mais tarde passou a constituir a família Heliconiaceae, como único representante. O nome do gênero foi estabelecido por Lineu, em 1771, numa referência ao Monte Helicon, situado na região da Beócia, na Grécia, local onde, segundo a mitologia, residiam Apolo e suas Musas.

O gênero Helicônia é ainda muito pouco estudado e ainda é incerto o número de espécies existentes, ficando na faixa compreendida entre 150 a 250 espécies.

Seis espécies ocorrem nas Ilhas do Sul do Pacífico, Samoa e Indonésia. As demais estão distribuídas na América Tropical desde o sul do México até o norte de Santa Catarina, região sul do Brasil. As helicônias, conforme a espécie, ocorrem em altitudes que variam de 0 a 2.000m, embora poucas sejam aquelas restritas às regiões mais altas. Ocorrem predominantemente nas bordas das florestas e matas ciliares e nas clareiras ocupadas por vegetação pioneira. Desenvolvem-se em locais sombreados ou a pleno sol, de úmidos a levemente secos e em solos argilo-arenosos.

Aqui no Brasil, cerca de 40 espécies ocorrem naturalmente em nosso país e são conhecidas por vários nomes, conforme a região: bananeira-de-jardim, bananeirinha-de-jardim, bico-de-guará, falsa-ave-do-paraíso, caeté e paquevira, entre outros.

As helicônias são utilizadas como plantas de jardim ou flores de corte. Sua aceitação como flores de corte tem sido crescente, tanto no mercado nacional como internacional. As razões que favorecem sua aceitação pelo consumidor são a beleza e exoticidade das brácteas que envolvem e protegem as flores, muito vistosas, de intenso e exuberante colorido e, na maioria das vezes, com tonalidades contrastantes; além da rusticidade; da boa resistência ao transporte e da longa durabilidade após colheita.

Se a finalidade for o uso como flor de corte, as espécies mais indicadas para o cultivo são aquelas que apresentam inflorescências pequenas, leves, eretas, de grande durabilidade e com hastes florais de pequeno diâmetro, embora as inflorescências pendentes, apesar das dificuldades de embalagem, também apresentem um grande valor de mercado.

As helicônias são plantas herbáceas rizomatosas, que medem de 50 cm a 10 metros de altura, conforme a espécie. As folhas apresentam-se em vários tamanhos. As espécies possuem um rizoma subterrâneo que normalmente é usado na propagação. As inflorescências podem ser eretas ou pendentes, com as brácteas distribuídas no eixo num mesmo plano ou planos diferentes.

Uma única espécie, a H. reptans Abalo e Morales apresenta a inflorescência na posição horizontal, distendendo-se junto ao solo em seu desenvolvimento.

As flores da helicônia são apreciadas pelos beija-flores pois são ricas em néctar; o fruto, tipo baga, é de cor verde ou amarelo, quando imaturo, e azul escuro na maturação completa. Geralmente abriga uma a três sementes, com 1,5 cm de diâmetro.

Quanto à forma de reprodução, é interessante observar que as helicônias são consideradas geófitas, ou seja, se reproduzem não somente pelas suas sementes, mas também por seus órgãos subterrâneos especializados, cuja principal função é servir como fonte de reservas, nutrientes e água para o desenvolvimento sazonal e, assim, assegurar a sobrevivência das espécies.

O período de florescimento da planta varia de espécie para espécie e é afetado pelas condições climáticas. O pico de produção normalmente ocorre no início do verão, declina no outono e cessa no inverno, quando a temperatura média se aproxima de 10º.

As helicônias vêm apresentando crescente comercialização no mercado internacional em função do aumento da área de produção nos países da América Central e da América do Sul, o que proporciona uma maior oferta do produto e sua maior divulgação.

Os principais países produtores são Jamaica, Costa Rica, Estados Unidos (Hawaí e Flórida), Honduras, Porto Rico, Suriname e Venezuela. Existem também cultivos comerciais na Holanda, Alemanha, Dinamarca e Itália, mas sob condições protegidas. No Brasil, áreas de cultivo já são encontradas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, com expansão para os Estados do Amazonas e Ceará.

Entre as espécies e híbridos mais comercializados como flores de corte, destacam-se: H. psittacorum, H. bihai, H. chartaceae, H. caribaea, H. wagneriana, H.stricta ,H. rostrata, H. farinosa.

Os principais países importadores são os Estados Unidos, a Holanda, a Alemanha, a Dinamarca, a Itália, a França e o Japão.

As inflorescências pendentes são mais valiosas no mercado, mas seu cultivo é mais difícil, a produção é menor e é alto o investimento em manuseio, embalagem e transporte.

As helicônias podem ser multiplicadas tanto por meio de sementes como por divisão de rizomas. As espécies de helicônias têm sobrevivido por centenas de anos graças à bem-sucedida relação de troca com seus agentes polinizadores (beija-flores e morcegos) e dispersores de sementes (roedores, pássaros e esquilos). A planta fornece a eles néctar rico em carboidratos e a polpa de seus frutos e, em troca, os polinizadores transferem o pólen e os dispersores distribuem as sementes.

Quando cultivadas fora do seu habitat natural, distantes dos polinizadores, muitas espécies podem não chegar a produzir sementes.[/mostrar-esconder]

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[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/24/photos/90/500x500/58/57-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=rbntvW7Dd6FKoSBBw3paAw&nmid=77640346 500 375 ]Descendo o Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/61/60-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=%2CP0S%2BL%2CKM%2CJJDbMn9%2BOBYw&nmid=77640346 500 375 ]Descendo o Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/63/62-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=t5M%2C2EEn0yjX4%2C%2BkuUKqkg&nmid=77640346 500 375 ]Hedychium coronarium[/picturethis][mostrar-esconder]A Hedychium coronarium é uma macrófita aquática nativa da região do Himalaia, na Ásia tropical considerada exótica e invasora fora do seu centro dispersor.

Ela ocorre nas Américas, introduzida, desde os Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, a espécie é muito comum em toda a zona litorânea.

 

Nomes comuns:

lírio-do-brejo / açucena / jasmim / mariazinha do brejo / gengibre branco / borboleta / napoleão / olímpia / lírio-branco / lágrima-de-moça / narciso / cardamomo-do-mato / escalda-mão / lágrima-de-vênus / lágrima-de-napoleão / borboleta-amarela / flôr-de-lis / jasmim-borboleta / white ginger (Inglês) / butterfly lilly (Inglês) / garland flower (Inglês).

 

A palavra Hedychium vem do grego e significa 'neve doce'. A palavra coronarium, do latim 'corona', significa 'coroa' (Kissmann & Groth, 1991). Trata-se de uma monocotiledônea da família Zingiberaceae, rizomatosa, de hábito herbáceo perene.

O lírio-do-brejo apresenta parte aérea organizada em caule simples cilíndrico, avermelhado na base, folhas lanceoladas de distribuição alternada (Kissmann & Groth, 1991), inflorescência em espiga, com brácteas imbricadas, flores com corolas brancas ou amarelo- pálidas e estaminódios petalóides (Kissmann & Groth, 1991; Macedo, 1997). A espécie apresenta tanto a reprodução sexuada, por formação de sementes, quanto a assexuada, pela produção de hastes aéreas a partir do rizoma (Tunison, 1991; Stone et al., 1992). Os polinizadores noturnos são as mariposas, em virtude da coloração branca e do aroma atrativo das flores (Endress, 1994).

Segundo Tunison (1991), fragmentos dos rizomas podem se dispersar pela água, através das bacias hidrográficas, e apresentar crescimento vegetativo em novas áreas. Os frutos maduros apresentam cor alaranjada, que contrasta com a cor vermelha do arilo das sementes (Kissmann & Groth, 1991). O desenvolvimento das sementes aparentemente depende do fator distribuição geográfica e altitude (Tunison, 1991; Stone et al., 1992).

 

Na construção do Sistema Funicular ligando Piaçagüera em Cubatão á Alto da Serra (Paranapiacaba) eram constantes os deslizamentos de terra sobre a via. O engenheiro chefe da obra Daniel Makison Fox experiente com esse tipo de problema na Europa mandou trazer da Ásia mudas da Hedychium coronarium para serem plantadas ao longo das encostas para darem fixação as terras. Foi assim então que a Hedychium coronarium passou a colonizar todo o vale do Rio Mogi.[/mostrar-esconder]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/27/photos/90/500x500/67/66-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=EbzKy0x8wsxSLXILmqoAvA&nmid=77640346 500 375 ]Tibouchina mutabilis[/picturethis][mostrar-esconder]Nome científico: Tibouchina mutabilis.

Nome popular: Manacá da serra.

Família: Melastomataceae.

Origem e ocorrência: Brasil, nativa na mata Atlântica desde o Rio de Janeiro até Santa Catarina.

Morfologia: Altura de 6 a 12 m, tronco de 20 a 30 cm de diâmetro. Folhas lanceoladas verde-escuro rígidas de 8-10 cm de comprimento por 3-4 cm de largura com nervuras longitudinais bem visíveis. Floresce no verão-outono, nas cores branco no inicio, ficando rosa e lilás escuro com o passar do tempo.

Ecologia: Planta perenifólia, heliófita e pioneira, característica da encosta úmida da Serra do Mar. É encontrada quase que exclusivamente na mata secundária, onde chega por vezes a constituir-se na espécie dominante.

Fenologia: Floresce durante os meses de dezembro-novembro. Os frutos amadurecem em fevereiro-março.

A planta é nativa do Brasil, Guianas e América Tropical. Comum nas áreas alteradas pelos homens, crescendo bem em capoeiras e capoeirões sendo incomuns nas matas mais desenvolvidas. Pertence ao mesmo gênero da Quaresmeira (Tibouchina granulosa) e da orelha-de-onça (Tibouchina holosericea).

É muito parecido com a Quaresmeira, mas é um pouco mais alto e o seu caule é mais liso. A maior dificuldade em diferenciar as duas árvores está nas folhas que são muito parecidas. Quanto as flores: As do Manacá nascem brancas e passam á rosa e lilás escuro ou roxas com seu amadurecimento ao passo que as da Quaresmeira nascem completamente roxas.

Suas flores de duas cores são decorrentes do amadurecimento diferencial das partes masculina e feminina, sendo as brancas, recém abertas, funcionalmente femininas (recebem pólen de fora) e as roxas ou lilases são as flores velhas, masculinas, liberando pólen. A característica das flores que mudam de cor deu origem ao nome da espécie: mutabilis, e a sua grande beleza originou o nome da espécie mais próxima: pulchra, bela em latim.

Esta característica também a faz muito ornamental, um verdadeiro espetáculo da natureza, sendo amplamente utilizada em paisagismo e também na arborização urbana.

Sua madeira tem baixa qualidade, sendo macia e muito apreciada por insetos comedores de madeira (xilófagos), notadamente cupins e larvas de besouros. Ainda assim, pode ser empregada para vigas e caibros para obras internas e esteios e moirões para lugares secos.

Suas sementes são minúsculas e podem ser levadas pelo vento.

Existe uma borboleta na Mata Atlântica, denominada cientificamente de Methona themisto, cuja lagarta se alimenta exclusivamente das folhas de manacá. Por isso mesmo, a borboleta recebe o nome popular de borboleta do manacá.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/2/photos/2/500x500/103/BorboletadoManaca.jpg?et=znW2ejkxOv9WQB%2B5f2SPiA&nmid=24813739 500 358 ][/picturethis][/mostrar-esconder]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/68/67-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=r%2CpSQXs%2BLJB%2C2S%2Ck7jmdNw&nmid=77640346 500 375 ]Manacá da Serra e Pedra do Pulo[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/71/70-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=v%2BnvlLL1LtsEd06EsuuUFg&nmid=77640346 500 375 ]Datura suaveolens[/picturethis][mostrar-esconder]Nome científico: Datura suaveolens H. et B. ex Willd.

Família botânica: Solanaceae

Outros nomes populares: erva-do-diabo, trombeteira, trombeta-de-anjo, beladona, figueira-do-inferno, aguadeira, zabumba, saia branca.

Sinonímia botânica: Brugmansia suaveolens G. Don., Datura arborea L.

 

Arbusto perene, chegando até 3m de altura, de caule ramoso com lenticelas. Folhas alternas, curto-pecioladas, inteiras, ovado-oblongas, assimétricas na base, de margem inteira e levemente sinuada, de até 30cm de comprimento. Flores brancas a amarelo-creme, pendentes, ca. 30cm de comprimento, cálice tubular, pentâmero. Fruto capsular, indeiscente e fusiforme.

Originária da América do Sul e atualmente conhecida apenas como planta cultivada, a Datura suaveolens vem acompanhando o homem durante os diversos estágios da civilização (Schultes, 1979, apud Schenkel et al., 2001). Entre os índios americanos é, provavelmente, a espécie que há mais tempo tem sido utilizada por suas propriedades psicotrópicas (Lockwool, 1979, apud Schenkel et al., 2001). Encontra-se muito disseminada no Brasil, onde é cultivada em calçadas e jardins com propósitos ornamentais.

As atividades psicotrópicas desta espécie, bem como de todo o gênero, é resultante da presença de alcalóides tropânicos em todas as partes da planta. Estes são, muitas vezes, denominados alcalóides beladonados, devido às semelhanças que apresentam com o alcalóide atropina, encontrado na espécie Atropa belladonna, pertencente a esta mesma família.

Os alcalóides beladonados estão presentes em vários outros gêneros, e são os alcalóides vegetais mais bem conhecidos. As plantas que os contêm estão largamente distribuídas e ocupam importantes espaços na medicina de muitas culturas. Destas extraem-se principalmente a 1-hiosciamina, a atropina e a escopolamina (Norton, 1996). Na D. suaveolens, a escopolamina é predominante, seguida da hiosciamina. Entretanto, o teor destes alcalóides pode variar com a idade da planta, prevalecendo a escopolamina em plantas jovens e a hiosciamina em plantas mais velhas (Schenkel et al., 2001).

Os alcalóides tropânicos, em geral, são agentes anticolinérgicos. Inibem a ação da acetilcolina em efetores autônomos inervados pelos nervos pós-ganglionares colinérgicos, bem como na musculatura lisa, que é desprovida de inervação colinérgica (Gilman et al., 1980). A escopolamina tem grande ação no sistema nervoso central, enquanto a hiosciamina atua primariamente bloqueando receptores muscarínicos colinérgicos do sistema nervoso parassimpático (Norton, 1996).

As intoxicações podem ser acidentais, ocorrendo através da ingestão de folhas, flores e/ou frutos por crianças, ou pelo contato da seiva com os olhos durante a poda. Todavia, são mais freqüentes os casos relacionados ao uso da planta na preparação de chás com finalidades alucinógenas. Em ambos os casos de ingestão, o quadro clínico inicia-se rapidamente, começando com náuseas e vômitos pouco intensos. Logo a seguir surgem sintomas anticolinérgicos, caracterizados por pele quente, seca e avermelhada, secura das mucosas, principalmente bucal e ocular, taquicardia, midríase intensa, disúria, oligúria, distúrbios de comportamento, confusão mental e agitação psicomotora. O paciente passa repentinamente de uma atitude calma e passiva para grande agitação e agressividade, voltando subitamente à atitude anterior. As alucinações são freqüentes, principalmente as visuais, sendo pouco descritas as auditivas. Nos casos mais graves, após este período, o intoxicado começa a apresentar progressiva depressão neurológica, com torpor e coma profundo, distúrbios cardiovasculares, respiratórios e óbito. No caso do contato da seiva com os olhos, desenvolve-se midríase marcante, que pode ser confundida com desordem neurológica (Norton, 1996; Schvartsman, 1979; Scavone & Panizza, 1980).

Os sintomas podem ser, às vezes, confundidos com os da hidrofobia (raiva) e os da meningoencefalite. Os testes descritos a seguir são úteis para a confirmação do diagnóstico: Teste da Fenolftaleína – pingam-se gotas de urina do paciente em um papel de filtro embebido em fenolftaleína e deixa-se secar; coloca-se álcool sobre o papel e deixa-se secar novamente. A seguir, molha-se com água; o aparecimento de coloração vermelha é indicativo da presença de hiosciamina ou atropina. Teste de Geriard – em 5ml de urina do paciente pingam-se algumas gotas da mistura de cloreto de mercúrio 2% em solução alcólica 50%. A atropina dá uma coloração vermelha imediata, enquanto que a hiosciamina produz uma cor amarela que passa ao vermelho pelo aquecimento (Schvartsman, 1979).

Coremans et al. (1994) relatam que o principal tratamento é a proteção do paciente aos perigos que seu comportamento agressivo possa levá-lo, acompanhado de lavagem gástrica precoce e enérgica, utilizando-se sonda de calibre suficiente para a passagem de restos do vegetal. A lavagem pode ser feita com água ou de preferência com soluções de permanganato de potássio ou de ácido tânico 4%. A hipertemia deve ser tratada com medidas físicas (bolsas de gelo, compressas úmidas, etc), pois os analgésicos são geralmente ineficazes. Sedativos diazepínicos ou barbitúricos podem ser utilizados no controle da agitação psicomotora muito intensa. Seu emprego deve ser cauteloso, pois podem potencializar o estado depressivo que segue a agitação psicomotora (Schvartsman, 1979). Fenotiazinas são contra-indicados devido as suas propriedades anticolinérgicas. A fisiostigmina é um antídoto eficaz, porém é necessária muita cautela na sua administração. A dose da fisiostigmina para adultos é de 2mg por injeção intravenosa, podendo ser repetida a cada 15 minutos. A dose nunca deve exceder 4mg em meia hora (Coremans et al., 1994). Correções dos distúrbios hidrelitrolíticos e metabólicos, juntamente com assistência respiratória adequada, completam o tratamento.

O viciado que utiliza a Datura requer tratamento especializado por clínico e psiquiatra, semelhante ao realizado com consumidores de outras drogas.[/mostrar-esconder]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/74/73-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=UZNu%2C3YP8ClVSFGeecCZ%2CQ&nmid=77640346 500 375 ]Parada para descanso[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/76/75-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=yqBmXppJ%2CL3mP7xV2rGnzA&nmid=77640346 500 375 ]Não consegui identificar essa espécie[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/77/76-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=BeTP8AvH2XtHv%2C1zrmVUsA&nmid=77640346 500 375 ]Flora exuberante[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/79/78-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=KO%2CJsHv%2BNEDRHYj8RN2T3A&nmid=77640346 500 375 ]Piscina natural[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/85/84-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=yO0m8clinXj6kT8P%2BiBbEw&nmid=77640346 500 375 ]Hedychium coronarium[/picturethis][mostrar-esconder]A Hedychium coronarium é uma macrófita aquática nativa da região do Himalaia, na Ásia tropical considerada exótica e invasora fora do seu centro dispersor.

Ela ocorre nas Américas, introduzida, desde os Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, a espécie é muito comum em toda a zona litorânea.

 

Nomes comuns:

lírio-do-brejo / açucena / jasmim / mariazinha do brejo / gengibre branco / borboleta / napoleão / olímpia / lírio-branco / lágrima-de-moça / narciso / cardamomo-do-mato / escalda-mão / lágrima-de-vênus / lágrima-de-napoleão / borboleta-amarela / flôr-de-lis / jasmim-borboleta / white ginger (Inglês) / butterfly lilly (Inglês) / garland flower (Inglês).

 

A palavra Hedychium vem do grego e significa 'neve doce'. A palavra coronarium, do latim 'corona', significa 'coroa' (Kissmann & Groth, 1991). Trata-se de uma monocotiledônea da família Zingiberaceae, rizomatosa, de hábito herbáceo perene.

O lírio-do-brejo apresenta parte aérea organizada em caule simples cilíndrico, avermelhado na base, folhas lanceoladas de distribuição alternada (Kissmann & Groth, 1991), inflorescência em espiga, com brácteas imbricadas, flores com corolas brancas ou amarelo- pálidas e estaminódios petalóides (Kissmann & Groth, 1991; Macedo, 1997). A espécie apresenta tanto a reprodução sexuada, por formação de sementes, quanto a assexuada, pela produção de hastes aéreas a partir do rizoma (Tunison, 1991; Stone et al., 1992). Os polinizadores noturnos são as mariposas, em virtude da coloração branca e do aroma atrativo das flores (Endress, 1994).

Segundo Tunison (1991), fragmentos dos rizomas podem se dispersar pela água, através das bacias hidrográficas, e apresentar crescimento vegetativo em novas áreas. Os frutos maduros apresentam cor alaranjada, que contrasta com a cor vermelha do arilo das sementes (Kissmann & Groth, 1991). O desenvolvimento das sementes aparentemente depende do fator distribuição geográfica e altitude (Tunison, 1991; Stone et al., 1992).

 

Na construção do Sistema Funicular ligando Piaçagüera em Cubatão á Alto da Serra (Paranapiacaba) eram constantes os deslizamentos de terra sobre a via. O engenheiro chefe da obra Daniel Makison Fox experiente com esse tipo de problema na Europa mandou trazer da Ásia mudas da Hedychium coronarium para serem plantadas ao longo das encostas para darem fixação as terras. Foi assim então que a Hedychium coronarium passou a colonizar todo o vale do Rio Mogi.[/mostrar-esconder]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/205/4-Jana.jpg?et=CaDQAHXFsDDkGVaIOj0%2CRQ&nmid=24813739 500 333 ]Jana e Hedychium coronarium[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/35/photos/90/500x500/87/86-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=3%2C6%2CSeYJrIB6A%2BAALb3V3Q&nmid=77640346 500 375 ]Este rio provém da Cachoeira da Fumaça e deságua no Rio Mogi[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/88/87-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=zmbEoMrGW3cnHyJt03GJMg&nmid=77640346 500 375 ]Costus spiralis[/picturethis][mostrar-esconder]Nome científico: Costus spiralis

Sinonímia: Costus cylindricus, Alpinia spiralis

Família: Zingiberaceae

Divisão: Angiospermae

Origem: América do Sul

Ciclo de vida: Perene

 

Nomes comuns: Cana-de-macaco, Canarana-do-brejo, Cana-do-brejo, Caatinga, Cana-branca, Jacuanga, Pacová, Jacuanga, Cana-do-mato, Jacuacanga, Paco-caatinga, Periná, Ubacaia, Ubacayá.

 

A Cana-de-Macaco é uma planta tropical de textura herbácea. Seus ramos são um tanto tortuosos e pouco ramificados. As folhas são dispostas em espiral e apresentam coloração verde-escura, com o lado inferior e as nervuras centrais mais claras. Também podem ser descritas como grandes espessas e muito brilhantes. As inflorescências são terminais e fusiformes, com brácteas de coloração vermelha ou verde e flores que podem ser róseas, brancas ou vermelhas. A floração se estende por todo o ano. Ela é rústica, mas requer bastante umidade e calor para o seu pleno desenvolvimento. Não é tolerante ao frio e às geadas.

 

Constituintes químicos: ácido oxálico, inulina, taninos, matérias pécticas.

 

Propriedades medicinais: antiinflamatória dos rins e bexiga, antilítica, antidiabética, anti-reumática, aperitiva, calmante das excitações nervosas e do coração, depurativa, diurética, diaforética, emenagoga, estomáquica, febrífuga, resolvente de tumores, sudorífera, tônica.

 

Indicações: afecções renais, albuminúria, arteriosclerose, catarro, pedras na bexiga e afecção da bexiga; cistite com dores e dificuldade de urinar, diabete, disúria, falta de regras, febre, gonorréia, hidropisia, inflamação dos rins, insuficiência cardíaca, leucorréia, micção sanguinolenta, picada de inseto, reumatismo, rins, sífilis, uretra.

 

Parte utilizada: colmo e folhas.

 

Contra-indicações / cuidados: evitar o uso prolongado, pois pode resultar no surgimento de urólitos (por ser rica em oxalato de cálcio).

 

Modo de usar:

- hastes: leucorréia, afecções renais;

- sumo fresco do colmo: disúria, hidropisia, arteriosclerose, albuminúria, insuficiência cardíaca, dores nefríticas, sífilis e gonorréia, picada de insetos e catarro;

- cataplasmas das folhas frescas e contusas: tumores;

- suco do caule: arteriosclerose, lavar feridas, excitações nervosas e do coração.[/mostrar-esconder]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/89/88-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=dlSIoJfM5pinq3B62erzOQ&nmid=77640346 500 375 ]Costus spiralis[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/206/photo-206.jpg?et=%2B5dDEj6ZYzGLw8fj4VJwNg&nmid=24813739 500 375 ]Astrocaryum vulgare[/picturethis][mostrar-esconder]Reino: Plantae

Divisão: Magnoliophyta

Classe: Liliopsida

Família: Arecaceae

Género: Astrocaryum

Espécie: A. vulgare

 

Sinonímia:

Astrocaryum awarra Vriese

Astrocaryum guianense Splig. ex Mart.

Astrocaryum segregatum Drupe

Astrocaryum tucuma Wallace

Astrocaryum tucumoides Drupe

 

Nomes comuns:

Brasil: Tucumã, Tucumã-do-Pará, Tucum, Tucum-bravo

Guiana Francesa: Aouara.

Suriname: Awarra.

 

Astrocaryum vulgare é uma palmeira de cultura pré-colombiana, de ampla distribuição, que ocorre com freqüência na Amazônia Oriental, onde está localizado um dos importantes centros de diversidade do gênero Astrocaryum (Lleras et al. 1983).

Nessa região, é utilizada de várias formas pela população rural e urbana de baixa renda, mas suas potencialidades econômicas estão centradas nas folhas, com a extração de fibras de alta resistência, e nos frutos, ricos em vitamina A, ácidos graxos saturados e glicerídeos trissaturados, podendo substituir o dendê e o babaçu na indústria de óleos (Villachica et al. 1996). Há registros afirmando que bastaria apenas um fruto dessa palmeira para suprir a dose diária de vitamina A necessária a uma pessoa (Lima et al. 1986).

Apesar de ser mencionada como uma das palmeiras importantes para a região Amazônica, poucos estudos têm sido realizados no sentido de contribuir para a sua domesticação (Lima et al. 1986; Moussa & Khan 1994; Villachica et al. 1996). O conhecimento sobre a biologia floral de qualquer espécie é primordial por subsidiar as etapas de melhoramento genético, de manejo e na domesticação da espécie, além de explicar as relações existentes entre as plantas e o ambiente em que vivem e por contribuir na interpretação de mecanismos relacionados à polinização.

Vale ressaltar que na literatura disponível, são raros os trabalhos que abordam a biologia reprodutiva de espécies do gênero Astrocaryum (Burquez et al. 1987; Küchmeister et al. 1998). Nesses trabalhos as espécies são relatadas como monóicas, protogínicas e polinizadas por coleópteros. Em outros gêneros de palmeiras tropicais onde estudos sobre a biologia reprodutiva têm sido realizados, a síndrome de cantarofilia tem sido freqüente na maioria deles, sendo em alguns casos bastante especializada, mas há também relatos da combinação de duas ou mais síndromes (Henry 1947; Essig 1971; Mora-Urpí & Solís 1980; Mora-Urpí 1983; Bullock 1981; Beach 1984; Henderson 1985; Anderson et al. 1988; Scariot et al. 1991; Jardim 1991). Em grande parte desses trabalhos, o odor tem sido enfatizado como o recurso floral responsável pela atração de coleópteros, sendo produzido pela termogênese das inflorescências.

Atualmente a Astrocaryum vulgare vem sendo utilizada como matriz oleaginosa na produção de biodiesel no norte do Brasil.[/mostrar-esconder]

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[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/91/90-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=8OiKpCabmPVAKeK9BFyEmQ&nmid=77640346 500 375 ]Rio Mogi chegando em Cubatão[/picturethis]

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[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/90/89-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=uGLYNsGXM2C2QscbMHHziw&nmid=77640346 500 375 ]Pátio de containeres em Cubatão[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/99/97-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=qP8IIFosv%2CBAMWssC%2CQCOA&nmid=77640346 500 375 ]Rio Mogi em Cubatão ao final da tarde[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/96/94-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=d4wEHXbHNQ4D1VZzVe0ZkA&nmid=77640346 500 375 ]“A Muralha” ao fundo[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/208/7-Chuva1.jpg?et=pPlo%2By7CwcUeX%2C9TJ%2BtfmQ&nmid=24813739 500 375 ]A chuva está sempre presente na região[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/209/photo-209.jpg?et=9N2v9KwhkCAD7u7DqgmeKA&nmid=24813739 500 375 ]Sob a Rodovia Piaçagüera/Guarujá - (Segundo trecho concluído)[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/210/photo-210.jpg?et=4pNTEYn3HHe5oQ20A5RAXA&nmid=24813739 500 375 ]Sob a Rodovia Piaçagüera/Guarujá[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/90/500x500/100/98-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=FZsazM3TJ51YAJj1Ks882A&nmid=77640346 500 375 ]Pátio Ferroviário de Piaçagüera - Cubatão[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/101/99-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=%2C6n2%2BlCr%2CjSvSm3vMlbWbA&nmid=77640346 500 375 ]Pátio Ferroviário de Piaçagüera - Cubatão[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/22/photos/90/500x500/92/100-Trilha-Raiz-da-Serra.JPG?et=c4SUcyh3qIqWf6mNAEb%2Bqg&nmid=77640346 500 375 ]Pátio Ferroviário de Piaçagüera e Rodovia Piaçagüera/Guarujá ao fundo[/picturethis]

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/1/photos/2/500x500/202/10-Ponto-de-onibus-COSIPA.jpg?et=WaHIEZkgx01IwvvpYN0utw&nmid=24813739 500 375 ]Ponto de ônibus ao lado da portaria da COSIPA - (Terceiro trecho concluído)[/picturethis]

 

Como voltar para São Paulo

Ao lado da portaria da COSIPA existe um ponto de ônibus de onde saem ônibus para a Rodoviária de Santos de hora em hora com tempo de percurso aproximado de 20 minutos.

Valor do bilhete: Entre R$ 3,00 e R$ 5,00.

Da Rodoviária de Santos saem ônibus para o Terminal Jabaquara em São Paulo de hora em hora, com tempo médio de viagem de 1:30h.

Valor aproximado da passagem: R$ 16,50.

 

20090909120844.jpg

Pesquisa e fotografias: Sandro

Mapas: Jornal eletrônico Novo Milênio

Fotografia da COSIPA: Wikipédia – A enciclopédia livre

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Houve uma vez Ogum que eu desci a Tupiniquins até o Rio Mogi e subi por ele até a ponte da Cremalheira, passei sobre ela e subi por uma canaleta de drenagem de águas pluviais até as ruínas do quarto patamar do Sistema Funicular. Um dia de muita adrenalina, escoriações, hematomas e susto com um jararaca. ::otemo::

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/7/photo-7.jpg?et=wOey6K2toFdLzPLXCF4%2CsA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Atravessando a ponte do Sistema de Cremalheira.

Ao lado restos de ponte demolida do primeiro Sistema Funicular de 1867.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/9/photos/33/500x500/6/photo-6.jpg?et=IMXvuRx96Wcb6i7V2q1nPQ&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Ruínas do 4º Patamar do segundo Sistema Funicular construído em 1901.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/9/09-Ponte-do-Sistema-de-Cremalheira-sobre-a-Grota-Funda.jpg?et=xyIYxo7STIrFMhy%2CzbIgag&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Subindo para a Funicular. Abaixo ponte do Sistema de Cremalheira construído em 1974.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/10/photo-10.jpg?et=g3v1cNOO4UsS9HLOU4HspA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]4ª Casa de Máquinas e ponte do Segundo Sistema Funicular de 1901.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/23/photos/33/500x500/13/photo-13.jpg?et=CKmzVf1Uh04Msy12KY9ZtA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]A máquina a vapor do 4º Patamar do segundo Sistema Funicular construído em 1901.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/9/photos/33/500x500/14/photo-14.jpg?et=XaKaLQ%2BkbaQhGmdVb%2BNGnA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]O tempo implacável consome tudo, senhor soberano do universo restitui tudo ao nada.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/19/photo-19.jpg?et=xhwnuHJRrLjV2Ixg%2B%2Bqdqg&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Sobre a estrutura da ponte da "Grota Funda" do 2º Sistema Funicular ninguém ousou passar. Os trilhos pousam agora sobre dormentes apodrecidos que se desmancham sob nossos pés e as placas de ferro enferrujadas rangem e ameaçam se partir.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/21/21-Ponte-do-Sistema-de-Cremalheira....jpg?et=VFEwbuiPZCKS2CMUoQfFwA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Ponte do Sistema de Cremalheira e o que sobrou da ponte do primeiro Sistema Funicular sobre a "Grota Funda".

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/22/photo-22.jpg?et=7bh%2Bt4c1D4BaFCHxXy7haw&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Túnel do 4º Patamar do Sistema Funicular.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/23/photo-23.jpg?et=LLlVxlIHmjz20%2BCtmCsxNw&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Minério de ferro descendo rumo ao Porto de Santos.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/24/photo-24.jpg?et=SMDdYKqMXBFyNuKCnCfZgA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]O tempo escureceu de repente.

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/25/photo-25.jpg?et=NvRFRt%2BYnfATUo934T6RpA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Retornando pela antiga calçada de serviço da "São Paulo Railway Company Ltd."

 

[picturethis=http://images.docemundodeilusoes.multiply.com/image/8/photos/33/500x500/29/photo-29.jpg?et=vZ1exzuBFPEJUKQ3qyG2ZA&nmid=41640430 500 375 ][/picturethis]Por entre algumas nuvens os raios do Sol tocam novamente o chão em alguns pontos da serra e do litoral.

 

Saibam mais sobre os Sistemas Funiculares e a história de Paranapiacaba aqui.

Abraços.

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Sandro, que espetacular suas fotos dessa trilha pelo funicular...

 

Paranapiacaba é 'quintal de casa', também vivi a fase áurea das trilhas do poço das moças, dallanese park e etc... Mas também vivi a fase ruim, na tão famosa trilha do assalto brilhantemente relatada pelo Jorge Soto! Mas infelizmente não tive a oportunidade de fazer essa "trilha" do funicular... Hoje em dia é possível passar por esses trilhos????

 

 

Quanto a trilha que dá nome a esse tópico, reitero que é bem simples, basta seguir o rio. Não precisa de guia, e no local dessa trilha não há fiscalização, é só se embrenhar no mato e descer sem parar.

 

Já desci 3 vezes por elas, todas a mais de 6 anos, e tenho me coçado de vontade de descer por lá, principalmente agora, que os comentários sobre assaltos diminuíram drasticamente...

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Mas dos relatos de assalto nunca ouvi sobre a trilha que desce o rio mogi, só das outras fora do perímetro, especialmente da que sai ali da Solvay. Ou estou errado?

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Sandro, que espetacular suas fotos dessa trilha pelo funicular...

... Hoje em dia é possível passar por esses trilhos????

Possível é Edu...

Tenha em mente que a Funicular é área privatizada por concessão de uso pela MRS Logística e se os guardas te pegarem poderão lhe ocorrer duas coisas: Ou eles irão te extorquir uma grana pra te liberarem ou você poderá responder um processo por invasão de propriedade.

A Funicular é cheia de armadilhas em decorrência da deterioração estrutural, as pontes, túneis e Casas de máquinas estão desabando, existem fossos ocultos pela vegetação, além de ser habitat de aranha armadeira e algumas espécies de cobras venenosas, ou seja, um local bastante perigoso.

Se mesmo assim decidir ir não deixe que os maquinistas das locomotivas que passam lhe vejam, pois eles alertam pelo rádio os guardas que ficam numa cabine de vigia no alto da Cremalheira.

 

Abraço.

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Mas dos relatos de assalto nunca ouvi sobre a trilha que desce o rio mogi, só das outras fora do perímetro, especialmente da que sai ali da Solvay. Ou estou errado?

Está certo Raulzito. Porém nos últimos dois anos não tenho ouvido, nem lido relatos de assaltos por lá.

 

::cool:::'>

  • 3 semanas depois...
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E aí pessoal!

 

Eu e meu colega Fábio descemos a serra nessa sábado, num espetacular dia de sol, com tempo super aberto, coisa difícil de pegar na serra do mar!! A visibilidade era absurda, do mirante do rio mogi podia-se claramente observar a baixada santista, e da trilha pude observar detalhes dos sistemas de trens que rasgam a serra...! Inclusive a ponte que o Sandro postou, vista de baixo, do meio da mata, um espetáculo!!!

 

Bom, não vou abrir novo relato, pois nós fomos num esquema "preparados para assalto" então nem levamos máquina fotográfica... :-(

 

A gente não fazia essa trilha há muito tempo, 6 anos, então foi tudo praticamente novidade. Deixa eu perguntar umas coisas aqui, pois boa parte da trilha achei que estava em outra trilha, ehhehe:

 

- Por quantas torres de alta tensão a trilha passa? Na minha cabeça eram umas 3 torres, depois na base de uma dela descia-se um barranco apoiando num cabo de aço preso na base de concreto, e depois em pouco tempo chegava-se no rio. Perdi a conta, mas passamos por umas 5. Esse trecho descida com o cabo de aço não tem mais, acho que abriram uma trilhinha contornando esse barranco... Confirma?

 

Nós demoramos 03:40 para alcançar a "prainha", isso porque descemos uma bifurcação a esquerda que levou numa cachoeira. Essa bifurcação fica bem ao lado de uma torre de alta tensão. A trilha principal, clara e batida segue pela encosta, enquanto essa trilha desce forte em direção ao rio. Acredito que esse não era o rio mogi. Nesse ponto, haviam várias picadas na mata descendo junto com o rio, imagino que esse seja um caminho mais 'roots' para alcançar o rio mogi mais abaixo... É isso mesmo? Nós preferimos voltar a trilha principal..

 

E essas outras bifurcações para a esquerda?? Levam aonde?

 

Eu não sei, na minha cabeça não demorava tanto o trecho de mata dessa trilha... Outra coisa, quando chegamos na prainha, a trilha saiu do lado direito do rio, sendo que existe uma trilha do lado esquerdo (que eu me lembrava muito bem!) !!! Peguei a trilha errada?? (para localização, pense que você está dentro do rio mogi, olhando no sentido da água).

 

Mais uma coisa da trilha, desde que você sai do mirante, claramente você desce a encosta direita de um vale. Só que em determinado momento, no fim do vale, a trilha toma a direita para alcançar a encosta direita de um novo vale, e na minha cabeça eu deveria descer a esquerda para alcançar o rio... Tá certo isso? Será que o fato de trilhar com grupos de mais de 20 pessoas não me deixava prestar atenção no passado??? hehehehehe

 

 

Da prainha até a cosipa fomos muito rápido, mesmo parando em quase todos os poços para mergulhar...

 

Outros pontos da trilha:

 

- Não havia mais nenhuma alma fazendo a trilha...

- De acordo com a frase acima, sem o menor problema com segurança...

- Cobras. Muitas. Passamos por 3 cobras pequenas, de uns 40cm. Uma outra quase me beijou quando subia um barranco, de uns 80cm. E uma, um dos momentos mais espetaculares da minha vida de trilheiro, preta e amarela, 1,50m , enorme, no meio da trilha, bem lenta tomando sol... Coisa belíssima e assustadora, ficamos uns 15 minutos olhando que nem bobos... Nunca tinha visto uma cobra tão grande em ambiente natural... sem palavras e sem fotos...

 

Na saída para a cosipa, muitos trens, mas sem guardinhas. Sossego, pegamos carona com um funcionário da MRS até o ponto de ônibus...

 

Uma pena o estado de conservação do prédio da raiz da serra... Prédio datado de mil oitocentos e noventa e pouco... totalmente abandonado... triste...

 

Abraço a todos!

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E aí pessoal!

 

Eu e meu colega Fábio descemos a serra nessa sábado, num espetacular dia de sol, com tempo super aberto, coisa difícil de pegar na serra do mar!! A visibilidade era absurda, do mirante do rio mogi podia-se claramente observar a baixada santista, e da trilha pude observar detalhes dos sistemas de trens que rasgam a serra...! Inclusive a ponte que o Sandro postou, vista de baixo, do meio da mata, um espetáculo!!!

 

Bom, não vou abrir novo relato, pois nós fomos num esquema "preparados para assalto" então nem levamos máquina fotográfica... :-(

 

A gente não fazia essa trilha há muito tempo, 6 anos, então foi tudo praticamente novidade. Deixa eu perguntar umas coisas aqui, pois boa parte da trilha achei que estava em outra trilha, ehhehe:

 

- Por quantas torres de alta tensão a trilha passa? Na minha cabeça eram umas 3 torres, depois na base de uma dela descia-se um barranco apoiando num cabo de aço preso na base de concreto, e depois em pouco tempo chegava-se no rio. Perdi a conta, mas passamos por umas 5. Esse trecho descida com o cabo de aço não tem mais, acho que abriram uma trilhinha contornando esse barranco... Confirma?

Exatamente Edu. É isso aí. ::otemo::

 

Nós demoramos 03:40 para alcançar a "prainha", isso porque descemos uma bifurcação a esquerda que levou numa cachoeira. Essa bifurcação fica bem ao lado de uma torre de alta tensão. A trilha principal, clara e batida segue pela encosta, enquanto essa trilha desce forte em direção ao rio. Acredito que esse não era o rio mogi. Nesse ponto, haviam várias picadas na mata descendo junto com o rio, imagino que esse seja um caminho mais 'roots' para alcançar o rio mogi mais abaixo... É isso mesmo? Nós preferimos voltar a trilha principal..

Essa trilha que você pegou na bifurcação é a Trilha do Poço Formoso a pequena cachoeira leva o nome do poço e o riacho é um dos afluentes do Mogi.

 

E essas outras bifurcações para a esquerda?? Levam aonde?

Acabam em riachos como o do Poço Formoso ou sobem até a linha Cremalheira.

 

Eu não sei, na minha cabeça não demorava tanto o trecho de mata dessa trilha... Outra coisa, quando chegamos na prainha, a trilha saiu do lado direito do rio, sendo que existe uma trilha do lado esquerdo (que eu me lembrava muito bem!) !!! Peguei a trilha errada?? (para localização, pense que você está dentro do rio mogi, olhando no sentido da água).

A trilha encontra o Rio Mogi pela margem direita no sentido em que o rio desce, a trilha do lado esquerdo deve ser uma das trilhas que os operários que construíram as linhas férreas utilizavam para descer até o rio para tomarem banho.

 

Mais uma coisa da trilha, desde que você sai do mirante, claramente você desce a encosta direita de um vale. Só que em determinado momento, no fim do vale, a trilha toma a direita para alcançar a encosta direita de um novo vale, e na minha cabeça eu deveria descer a esquerda para alcançar o rio... Tá certo isso? Será que o fato de trilhar com grupos de mais de 20 pessoas não me deixava prestar atenção no passado??? hehehehehe

Ta certo sim, você desceu certo.

 

Da prainha até a cosipa fomos muito rápido, mesmo parando em quase todos os poços para mergulhar...

 

Outros pontos da trilha:

 

- Não havia mais nenhuma alma fazendo a trilha...

- De acordo com a frase acima, sem o menor problema com segurança...

- Cobras. Muitas. Passamos por 3 cobras pequenas, de uns 40cm. Uma outra quase me beijou quando subia um barranco, de uns 80cm. E uma, um dos momentos mais espetaculares da minha vida de trilheiro, preta e amarela, 1,50m , enorme, no meio da trilha, bem lenta tomando sol... Coisa belíssima e assustadora, ficamos uns 15 minutos olhando que nem bobos... Nunca tinha visto uma cobra tão grande em ambiente natural... sem palavras e sem fotos...

Acredito que esta cobra preta e amarela que você viu tenha sido uma Caninana, mas pode ser também uma Cobra D’água que apesar de passar a maior parte do tempo na água precisa se expor ao Sol para regular seu metabolismo como todas as outras cobras.

Veja se o padrão de cores de uma dessas combina com a que você viu?

 

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Na saída para a cosipa, muitos trens, mas sem guardinhas. Sossego, pegamos carona com um funcionário da MRS até o ponto de ônibus...

Nos diga qual a linha de ônibus você pegou até a rodoviária de Santos e quanto está custando o bilhete e também qual ônibus você pegou para voltar pra São Paulo.

 

Uma pena o estado de conservação do prédio da raiz da serra... Prédio datado de mil oitocentos e noventa e pouco... totalmente abandonado... triste...

 

Abraço a todos!

Valeu Edu! ::otemo::

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Beleza Sandro, então a trilha é essa mesma...! Só alegria!

 

A cobra que eu vi é muito parecida com a da terceira foto... Caninana? Peçonhenta?

 

Então, da rodoviária pagamos R$2,00 do ônibus municipal de Cubatão. Descemos na avenida "9 de abril", e caminhamos umas 4 ou 5 quadras até a rodoviária de cubatão.

 

Lá, tem ônibus para São Paulo sim, mas como eu sou de Santo André peguei um Expresso Brasileiro, por 14,50. (é o mesmo valor para São Bernardo, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires)

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Beleza Sandro, então a trilha é essa mesma...! Só alegria!

 

A cobra que eu vi é muito parecida com a da terceira foto... Caninana? Peçonhenta?

Sim uma Caninana, as outras duas são Cobras D’água, uma “Helicops carinicaudus” e uma “Liophis miliaris” todas comuns na região. Imaginei logo que seria uma Caninana pelo seu espanto no tamanho, pois elas chegam fácil aos dois metros e meio, algumas até atingem três metros ao passo que as Cobras D’água crescem no máximo até um metro e vinte.

Mas todas são inofensivas a nós, por não inocularem veneno a primeira reação delas ao nos aproximarmos é fugirem, a Caninana só fica agressiva quando molestada ou acuada.

 

Então, da rodoviária pagamos R$2,00 do ônibus municipal de Cubatão. Descemos na avenida "9 de abril", e caminhamos umas 4 ou 5 quadras até a rodoviária de cubatão.

Beleza; da vez que eu desci peguei um ônibus na COSIPA direto para a rodoviária de Santos, mas esqueci de anotar a linha.

 

Lá, tem ônibus para São Paulo sim, mas como eu sou de Santo André peguei um Expresso Brasileiro, por 14,50. (é o mesmo valor para São Bernardo, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires)

Valeu Edu; abraço. ::cool:::'>

  • 1 mês depois...
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20091130234100.jpg

 

Peabiru é o nome pelo qual ficou conhecido, não só um caminho, mas toda uma extensa rede de trilhas que ligava a região dos Andes á costa do Atlântico (de Cuzco, no Peru até São Vicente no litoral paulista e Palhoça no litoral catarinense - passando pelo interior do Paraná).

Há mais de uma tradução para esta palavra assim como muitas hipóteses para sua origem, criadores e o verdadeiro significado desse caminho milenar que ultrapassava 3000 quilômetros, sendo 1200 dentro do território brasileiro.

Descrito desde o século 16 como possuindo cerca de “oito palmos de largura”, algo em torno de 1,40 metros, com uma profundidade de 40 centímetros e forrado por uma grama miúda e macia tão fechada que impedia o crescimento de qualquer outra espécie de vegetal mantendo a passagem sempre livre. O professor Moysés Bertoni, pesquisador da cultura dos índios Guaranis, afirma que a grama foi plantada apenas em alguns trechos, mas as sementes que grudavam nos pés e nas pernas dos viajantes acabaram estendendo o revestimento aos demais trechos.

A misteriosa e hoje quase desconhecida estrada serviu para os conquistadores europeus alcançarem a notável civilização Inca por terra, anos antes de Francisco Pizarro destruí-la quase completamente.

Uma das hipóteses sobre a construção do Peabiru supõe justamente que o caminho tenha sido uma tentativa de expansão do Império Inca, ou de alguma civilização pré-incaica, em tempos muito antigos na direção do Oceano Atlântico. Neste caso, a expressão original Pe-Biru significaria algo como Caminho para o Biru, nome pelo qual os Incas denominavam seu território.

O historiador Luiz Galdino, em seu livro “Peabiru – Os Incas no Brasil” fundamenta que os Peabirus testemunham antigas incursões com o propósito de estender o domínio incaico até onde nasce o Sol - as margens do Atlântico.

Como via de mão dupla, o Peabiru permitiu a chegada dos Guaranis aos Andes. Mesmo sem relações duradouras, as idas e vindas de Guaranis e Incas pelo caminho deixaram vestígios de uma certa influência cultural na astronomia (leitura e uso de manchas da Via Láctea), estatística (semelhança do ainhé, cordão de cipó Guarani com o guipu dos Incas), música (flauta de pã), armamento (semelhança da macaná, borduna Guarani com a maqana incaica), denominação de fauna e flora : sara (espiga, em Guarani; milho em Quêchua); cui (animal roedor, nos dois idiomas); jaguar (felino, nos dois idiomas); mandioca e ioca; iuca, suri (ema, nos dois idiomas).

 

Outra hipótese aponta na direção dos Guaranis ou povos antecessores, como os Itararés, na construção do Peabiru, entre os anos 1000 e 1300. O termo, então, poderia ser interpretado como Caminho para a Terra Sem Mal, e estas tribos, originárias do território onde hoje fica o Paraguai, teriam construído o Peabiru durante sua migração para o litoral sul do Brasil, em busca de um paraíso, a lendária “Yvy Marã Ey” Terra Sem Mal.

Uma terceira hipótese é que o Peabiru teria sido aberto por ninguém menos que São Tomé, o incrédulo apóstolo de Cristo. Sérgio Buarque de Holanda, um dos mais importantes historiadores brasileiros, diz que a comoção criada no século 16 pela descoberta de um Caminho de São Tomé por pouco não desbancou o célebre Caminho de Santiago de Compostela.

A passagem de Tomé pelo Novo Mundo foi mencionada por índios, padres, autoridades e colonos europeus no século 16. A versão corrente é que um homem branco, barbudo, teria chegado ao litoral brasileiro “andando sobre as águas”. Os indígenas brasileiros o chamavam de Sumé.

Em sua peregrinação, teria ido ao Paraguai, abrindo o Caminho. Ali foi visto e chamado de Pay Sumé. Saindo do Paraguai, a misteriosa figura teria continuado até os Andes. Os pré incas o chamaram de Kuniraya. Mais tarde, o personagem recebeu dos Incas o nome de Viracocha. Após um período no Peru, ele teria ido embora, também “andando sobre as águas”.

 

O trânsito intenso através do Peabiru chegou a ser proibido, em 1553, por Tomé de Souza. Segundo o então Governador Geral do Brasil, era preciso fechar o caminho milenar e punir quem por ali transitasse com a pena de morte, pois “a fácil comunicação entre a Vila de São Vicente com as colônias castelhanas causavam um grande prejuízo à Alfândega Brasileira, resultado do contrabando”.

Só muito tempo depois, algumas dessas trilhas foram aos poucos sendo reativadas.

Provavelmente é o caso do chamado Caminho Velho, que teria usado uma das antigas ramificações do Peabiru para ligar Paraty, no litoral sul do Rio de Janeiro às Minas Gerais. Com a descoberta de pedras e metais preciosos naquela região do interior do Brasil, o Caminho Velho foi calçado com pedras e passou a ser conhecido como Trilha do Ouro.

Hoje boa parte da Trilha do Ouro pode ser desfrutada em passeios turísticos a partir da cidade histórica de Paraty no litoral sul do Rio de Janeiro.

 

Ainda hoje, muitos consideram os resquícios do Peabiru como um caminho sagrado, próprio para peregrinações pelo interior do Brasil, a partir de vários pontos do litoral principalmente Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O Peabiru, também conhecido como “Caminho de Grama Amassada”, foi quase todo destruído pela intensa ocupação humana, restando pouquíssimos vestígios. Os mais importantes deles até o momento localizam-se em Pitanga no Paraná.

Nas margens do rio Três Barras e da baía da Babitonga (Joinvile - SC) começavam as ramificações do Peabiru conhecidas como Caminho Velho, Caminho de Três Barras, Caminho dos Ambrósios, Caminho de São Tomé, Caminho dos Jesuítas e Caminho de Monte Crista e se estendia por mais de duzentas léguas até à cidade de Cuzco no Peru. No Caminho de Monte Crista, que é apenas uma pequena parte da milenar trilha existem algumas obras de engenharia simplesmente admiráveis. A peculiar técnica de construção das canalizações d’água, como a da escadaria de pedra, faz lembrar as antigas obras de engenharia que se encontram na região andina, feitas por civilizações incas e pré-incaicas.

Ainda não é possível saber a rota exata do Caminho, mas, é possível traçar um roteiro aproximado.

O tronco paulista, que começava em São Vicente e Cananéia seguia a direção do Rio Tietê - município de Itu - Rio Paranapanema – Rio Itararé – nascente do Rio Ribeira do Iguape.

Entrando no Paraná percorria Doutor Ulisses – Cerro Azul – Castro – Tibagi – Reserva – Cândido de Abreu – Pitanga – Palmital – Guaraniaçu – Corbélia – Nova Aurora – Tupãssi – Assis Chateubriand – Palotina – Guaíra.

O tronco principal catarinense iniciava-se no Massiambu (Palhoça), seguindo por Florianópolis – litoral norte – Rio Itapocu – Guaramirim – São Bento – Mafra. Entrava no Paraná por Rio Negro – Campo do Tenente – Lapa – Porto Amazonas – Palmeira – Castro (trecho usado depois pelos tropeiros).

O Peabiru deixava o estado do Paraná por Guaíra. Havia outra passagem por Foz do Iguaçu – usada por Alvar Núñez Cabeza de Vaca em 1542.

O Peabiru então seguia ao norte até a Serra de Santa Luzia perto de Corumbá – Mato Grosso do Sul. Em Puerto Suarez penetrava na Bolívia, passava por Cochabamba – Sucre – Potosí. Nesses locais existiam caminhos Incas com várias opções para alcançar o Pacífico, as mais próximas eram Tacna, Montegua e Arequipa.

 

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O geógrafo Olavo Raul Quant, em seu livro “Peabiru – O Caminho Velho” esclarece que depois de os portugueses e espanhóis chegarem à América do Sul, o Peabiru foi trilhado pelos padres jesuítas, por viajantes que vinham da Espanha e não queriam passar pelo Rio da Prata. Registros documentais das épocas indicam que Aleixo Garcia, Alvar Núñez Cabeza de Vaca e Fernando de Tejo y Sanábria, fizeram suas expedições por esses mesmos caminhos.

O português Aleixo Garcia utilizando o Peabiru foi o primeiro europeu a fazer contato com os Incas e a penetrar o interior do Brasil e do Paraguai em busca de um acesso às riquezas desse povo, no ano de 1524 a partir do litoral de Santa Catarina e rumando para oeste seguindo o caminho traçado pelos índios, chegou à região de Assunção, no Paraguai. Depois de diversas peripécias e confrontos com inúmeras tribos uma pequena parte de sua expedição retornou com peças de ouro e prata tomadas dos Incas.

O trajeto percorrido por Aleixo Garcia iniciou-se em Florianópolis no oceano Atlântico e foi até Potosí na Bolívia, pegando depois as estradas dos Incas e indo terminar no oceano Pacífico. Ou seja, é um caminho transcontinental pré-colombiano.

O “Caminho do Aleixo” – talvez o mais importante de todos – não é na direção norte-sul e nem leste-oeste, mas sim “inclinado”. Ele vai aproximadamente de sudeste para noroeste.

Ao notar essa inclinação a primeira pergunta que se coloca é a seguinte: por que os primeiros índios escolheram essa direção ao abrir a trilha? E como eles se orientaram para percorrer esse caminho?

É espantoso constatar que os Guaranis de Florianópolis falaram para o Aleixo Garcia que conheciam Potosí nos Andes. Que sabiam como ir e como voltar. Isso tudo a pé, em 1524, mais de 2000 quilômetros em linha reta – naturalmente seguiam os acidentes naturais, rios e tudo o mais – mas a direção inicial/final era Sudeste - Noroeste.

Ao olhar para o céu, em condições propícias, vemos a Via Láctea, que é chamada pelos Guaranis de Caminho da Anta (Tapirapé), ou Morada dos Deuses.

É natural supor que o caminho da Terra Sem Mal, para eles era aquele caminho que estava lá em cima, no Céu. Que é o Caminho dos Deuses, dos espíritos, é a própria Via Láctea.

Não são só os nossos índios que viam assim. Pesquisando na História notamos que egípcios, os gregos, os indianos, todos viam a Via Láctea como um caminho. Os antigos nos falavam que havia um tesouro no fim e outro no começo do arco-íris. E a gente vivia sonhando em encontrar o começo e o fim dele. Fazendo uma comparação, os índios brasileiros e também os peruanos, queriam saber onde começava ou terminava o arco-íris celeste, ou seja, a Via Láctea.

Seguindo a Via Láctea, por terra, viam que o fim do Caminho ia dar no mar, no oceano Atlântico. E a Terra Sem Mal ficava “ali”, ou “lá”, em algum lugar. Por isso é que os índios foram à direção do mar. Por isso é que na maioria dos mitos indígenas, o profeta, o Sumé, vem do mar. Porque ele vem daquela ponta da Via Láctea à qual o índio não tem acesso.

Muito bem, pensa o índio, mas e do lado contrário do Caminho da Anta, o que existe? O índio não sabe. Então ele vai procurando na terra, seguindo a Via Láctea. E acaba chegando ao outro lado, que também não tem fim, chega num outro mar, o Oceano Pacífico.

Então a idéia básica é essa. O Caminho que nosso índio percorreu é aquele da Via Láctea, quando está mais alta no céu. E que é também, aproximadamente o caminho que liga as posições do nascer-do-sol no verão com o pôr-do-sol no inverno. Ou, Sudeste - Noroeste.

 

Segundo o historiador Eduardo Bueno, depois da jornada de Aleixo Garcia, o Peabiru se tornou um caminho bastante conhecido e muito percorrido. Por ele seguiria, em 1531, a malfadada expedição de Pero Lobo, um dos capitães de Martim Afonso de Sousa.

Também pelo Peabiru passaram Alvar Nuñes Cabeza de Vaca em 1541 e Ulrich Schmidel em 1553, jesuítas como Pedro Lozano e Ruiz de Montoya também o percorreram em suas missões de catequese aos Guaranis. Um século mais tarde, seria também pela via do Peabiru que Raposo Tavares e outros bandeirantes paulistas seguiriam para realizar seus devastadores ataques às missões do Guairá, no atual estado do Paraná.

Segundo Jaime Cortesão, foi pelo Peabiru que a civilização européia adentrou a oeste e subiu aos Andes. E para expressar a velocidade da penetração, basta assinalar que o gado, introduzido em 1502 em Cananéia, aparecia já em 1513 na Corte Incaica. Esta rapidez na disseminação de um elemento cultural prova quanto eram rápidas e ativas as comunicações através do continente.

Ainda no século XVI, o Peabiru foi o caminho usado para a fundação de Assunção, no Paraguai, para a criação de três ou quatro cidades espanholas no atual Estado do Paraná, para a implantação de 15 reduções jesuítas e até para a descoberta da maior mina de prata do mundo em Potosi, Bolívia.

Cortesão relata que, se julgamos tal caminho merecedor de tantas referências, é porque não somente foi o mais importante da face atlântica da América Latina, mas também o maior varadouro cultural e civilizador desta parte do mundo.

Depois de 1630, quando os bandeirantes entraram no Paraná e destruíram as cidades espanholas e as missões dos jesuítas, o Peabiru foi praticamente abandonado. O caminho ainda conseguiu retomar vida no século XIX, quando serviu, mais uma vez, para entrada de uma nova leva de homens brancos, os colonizadores pioneiros do interior do Paraná.

É notória a importância que o Caminho de Peabiru possui seja pelo traçado que cortava o continente, seja pelas personagens que por ele transitavam, pois é através dele que a verdadeira história e cultura de nossos antepassados são transmitidas nos dias de hoje, apesar da colonização européia que, utilizando do Peabiru adentrou na nossa região a fim de explorar o povo e a grandiosa riqueza natural aqui encontrada. O Peabiru é um caminho de importância inquestionável e deve ser resgatado para que as raízes do nosso povo sejam mantidas vivas entre o maior número de cidadãos e não apenas na memória de poucos estudiosos.

 

Trecho de 25 Km do Caminho do Paebiru descoberto em Palhoça - SC, que vai da Praia da Pinheira até a Enseada do Brito:

 

 

Livro: Peabiru - Os Incas no Brasil - Autor: Luíz Galdino

Livro: Peabiru - O Caminho Velho - Autor: Olavo Raul Quandt

Livro: Peaberu - O Sagrado Caminho de Thomé - Autor: Wille Bathke Junior

Livro: Sumé e Peabiru - Autor: Hernani Donato

Livro: Cabeza de Vaca e o Peabiru - Autor: Olavo Raul Quandt

- Trecho da palestra do astrônomo Germano Bruno Afonso, no 1º Encontro Nacional dos Estudiosos do Caminho do Peabiru, em Pitanga / PR, em novembro de 2003.

http://www.caminhodepeabiru.com.br

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