Quando começamos a pesquisar Ilha Grande para o ano novo, queríamos uma praia que não fosse Abraão para ficarmos um pouco mais longe da muvuca do feriado. Decidimos por Palmas por vários motivos, mas acho que a proximidade à Caxadaço foi um dos maiores, além do camping que parecia confortável e limpinho.
Como chegar:
Comecei a pesquisar as muitas maneiras de se chegar à ilha saindo do Rio, e como ficaríamos em Palmas, me concentrei na ida para Abraão, que era a praia mais próxima que eu sabia ser movimentada. Entre elas, destaco as seguintes:
Ônibus Costa Verde Rio > Mangaratiba + Barca CCR Mangaratiba > Abraão + Barco Abraão > Palmas ou Trilha Abraão > Palmas
Ônibus Costa Verde Rio > Conceição de Jacareí + Barco Conceição > Palmas
A primeira opção me parecia a melhor quando começamos a estudar a logística já que não sabíamos que existia barco direto para Palmas, e eu estava focada na barca, que é a travessia mais barata (R$ 15,00 p/ trecho). Na verdade, nem sei onde conseguir este barco direto para Palmas a não ser lá no cais de Conceição direto com os barqueiros, que a plenos pulmões se fazem notar bem facilmente. Mas, obviamente, a segunda opção é bem melhor, então já fica a primeira dica para quem for ficar em Palmas.
Onde ficar:
Fiz outro post aqui sobre toda nossa pesquisa de campings em Ilha Grande. Claro que não tem todos os lugares, mas já deve começar a ajudar quem quiser se hospedar por lá.
Dia 1: Rio / Conceição / Palmas
No fim das contas, compramos passagem com a Costa Verde para Conceição e o Glauco, gente boníssima do Camping Acorde, onde ficamos, nos buscou de barco no cais. Fizemos a travessia até a ilha em meia hora, mais ou menos, e já nos sentimos no paraíso ao pisar na areia da Praia Grande de Palmas. Castanheiras beiram toda a extensão da praia sombreando a areia para quem quer fugir do sol, com os poucos estabelecimentos esgueirando-se por trás delas.
Praia Grande de Palmas
Em frente ao Camping Acorde
Descemos com as mochilas do barco e nos dirigimos ao fundo da pousada, onde fica o espaço de camping, para montar a barraca. Compramos há pouco tempo uma Arpenaz 2 XL da Quechua e temos gostado bastante dela, é bem fácil de montar e aguenta bem a chuva. Depois da barraca montada, biquíni e tchibum. Não acreditei na temperatura da água, tão quentinha para o mar do Rio de Janeiro.
Com o mar estreado, fomos procurar dicas do que comer com a Jaque, também do camping e também gente boníssima. São basicamente três restaurantes na praia, o do meio, Morango de Palmas, onde de acordo com ela se deixa as calças, e os dois mais para a ponta com preços mais razoáveis (ambos com PF à R$ 25,00). Decidimos pelo Bar Palmas, o último da praia, e pedimos o PF de arroz, feijão, farofa, batata frita e peixe frito, muito gostoso por sinal, acompanhado de duas Itaipavas (R$ 10,00 de 600ml e R$ 15,00 o litrão). Até aí não estava achando os preços tão assim, réveillon em Ilha Grande, até comprarmos água. R$ 10,00 a garrafa de 1,5l. Mas beleza, é feriado e ainda vamos comprar muita água.
Bar Palmas
De noite fizemos um arroz com funghi pronto do Tio João meio sem gosto, mas foi legal para estrear a panelinha de camping também da Quechua que eu acabei de comprar. O céu super estrelado nos serviu de entretenimento até bater o sono.
Dia 2: Palmas / Caxadaço
A Praia do Caxadaço era o nosso maior objetivo nessa viagem, e queríamos muito chegar até lá pela trilha. Para quem não sabe, a trilha que vai até Caxadaço só é oficial até depois de Pouso, no caminho para a Praia de Santo Antonio. Depois deste pedaço a trilha se torna bem fechada, sem estar visível em alguns trechos e sem nenhuma sinalização oficial do parque. Encontramos pessoas que a fizeram sem GPS, e realmente não parecia impossível devido às várias fitinhas que marcam o caminho nas árvores, mas com certeza não parecia fácil.
Sabendo de tudo isso compramos um aplicativo chamado Wikiloc que funciona basicamente como um GPS para o celular, permitindo baixar trilhas já marcadas ou marcar a que você está fazendo. Baixamos duas trilhas para Caxadaço e o mapa do Rio de Janeiro para que pudéssemos usá-lo offline. Pegamos um barco de Palmas até Pouso (o que foi meio preguiçoso, já que essa trilha se faz em uns 30 minutos) e de lá começamos a trilha que leva à Lopes Mendes (T11).
Início da trilha
Nesta trilha vão ter duas bifurcações, a primeira que leva para Lopes Mendes ou Sto. Antonio, e a segunda que leva até Sto. Antonio ou Caxadaço. Nas duas deve-se seguir à direita, primeiramente para Sto. Antonio, e depois para Caxadaço. Começamos a marcar o tempo e a trilha no GPS a partir da segunda bifurcação, e dela levamos 2 horas certinho até Caxadaço. A trilha percorre trechos de mata bem fechada, subidas íngremes e descidas acentuadas, acompanhada sempre dos gritos dos bugios, como se anunciando a sua chegada. Caí de bunda duas vezes e me arranhei bastante no mato, mas nada que a água salgada não resolvesse depois.
Primeira bifurcação
Segunda bifurcação
A Praia do Caxadaço é como uma piscina natural de água cristalina escondida do mar por uma cerca de pedras e árvores bem altas. Chegamos à praia às 12:45 com o sol a pino, desejando um mergulho. Eu diria que o maior problema de Caxadaço não é chegar lá, e sim sair. A água quentinha, o som do mar e da mata, a calmaria da água, nada te ajuda a ir embora. Ficamos por lá, nadando e boiando, comemos uns biscoitinhos e às 15:30 decidimos que era a hora de voltar.
Caxadaço
Fizemos a volta novamente em 2 horas mesmo sofrendo um pouquinho no começo, já que a descida acentuada da ida vira uma subida fenomenal na volta. Chegamos em Pouso às 17:50 (20 minutos da bifurcação até a praia), compramos mais uma água de R$ 10,00 e esperamos o barco que nos levaria até Palmas.
Ao chegar lá, batemos mais um PF de peixe frito no Bar Palmas e encerramos o dia por aí.
Dia 3: Palmas
Hoje o plano era irmos até Abraão para conhecer a vila, que eu nunca tinha ido, mas o cansaço tomou conta e acabamos ficando por Palmas mesmo, tomando uma cervejinha e olhando o mar. Como era dia 31, achamos válido pegar leve para aguentarmos até meia noite. Consegui finalmente comprar gelo do barco do gelo e peguei um isopor emprestado com o camping para gelarmos o espumante até mais tarde. Fica a próxima dica, a Praia de Palmas não tem fornecimento de energia elétrica, cada lugar tem seu gerador que é ligado em determinados horários. Ou seja, nada de geladeira comunitária. O barco do gelo passa no cais da praia entre 09:00 e 10:00.
Em frente ao Bar Palmas
Depois de vários banhos de mar, meio PF (R$ 15,00) e de uma ducha, estendemos a canga debaixo de uma castanheira e aproveitamos para dar uma olhada no livro que levei do J. Bernardo sobre Ilha Grande, onde ele conta a história da ilha e detalha muito bem as trilhas para quem quiser fazê-las, oficiais ou não.
Já na janta rolou uma lasanha de panela que só deu meio certo, mas que ficou gostosa mesmo assim. Pegamos o espumante geladinho e sentamos na areia à espera dos fogos. Enquanto isso, a natureza já soltava os dela, com relâmpagos acendendo o céu de um lado ao outro. Meia noite bateu e dali pudemos ver a queima de fogos de Palmas, que foi maior do que eu imaginava, da Praia Brava, ao lado esquerdo, e do continente, de onde imaginávamos ser Mangaratiba e Conceição.
Dia 4: Palmas / Santo Antonio / Lopes Mendes
Depois do descanso de ontem, acordamos mais cedinho para aproveitar o dia. Como eu calculei mal as bisnaguinhas, nosso café da manhã só durou os dois primeiros dias e hoje fomos no barzinho ao lado para comer um queijo quente com guaraná.
Já alimentados, seguimos até o fim da praia de Palmas para pegar a trilha para Lopes Mendes, passando pela Praia do Pouso. De Palmas até Pouso demoramos por volta de 30 minutos em uma trilha bem marcada com algumas subidas e descidas. Cruzamos toda a praia na sombrinha das castanheiras até chegarmos à trilha de Lopes Mendes, a mesma que pegamos para a Caxadaço. A diferença desta vez foi na segunda bifurcação, que pegamos à esquerda para a Praia de Santo Antonio. Os bugios resolveram nos acompanhar, mais uma vez aos berros, assustando um grupo de meninas que estavam à nossa frente e quase trombaram conosco querendo voltar sem saber o que era tanto barulho. Leões, ursos e onças foram as sugestões.
Indicação para a trilha de Lopes Mendes em Palmas
Chegada em Pouso
Praia do Pouso
Depois de uma descida íngreme chegamos à Praia de Santo Antonio em 01h15 desde o início em Palmas. A praia é bem curtinha e bem aconchegante, com árvores sombreando um pedaço da areia fina e branca que segue até o mar, margeado por muitas pedras que beiram a água.
A água estava super quentinha, mesmo nesta praia que é virada para o oceano. Depois do banho de mar, descansamos à sombra das árvores para fugir do sol, que estava escaldante.
Chegando em Santo Antonio
Praia de Santo Antonio
Relaxados, juntamos tudo e pegamos a trilha de volta até Lopes Mendes onde levamos um susto e tivemos o maior privilégio de dar de cara com um bugio em uma árvore acima da trilha. Logo haviam 5 ao nosso redor e ficamos quietinhos, só observando, enquanto cada um atravessava de um lado ao outro da trilha seguindo exatamente o mesmo caminho do anterior.
Bugio atravessando a trilha
Lopes Mendes é uma praia imensa com 3km de extensão, também voltada para o oceano e point dos surfistas. Ela oferece sombra e água fresca (R$ 5,00 a água de 500ml) para os que cansaram do sol, e um mar um pouquinho mais revolto do que o das outras praias, mas que também dá um bom mergulho.
Lopes Mendes
Não nos demoramos muito por ali e pegamos a trilha de volta até Pouso, onde pegamos o barco de volta para Palmas para mais uma almo-janta. O céu começou a fechar e a chuva começou a cair no segundo em que colocamos os pés de volta ao camping, dando uma refrescada mais do que merecida. Curtimos um pouco a chuva depois do banho e nos recolhemos à barraca para uma noite um pouco mais fresquinha, mas sem o canto constante das cigarras dos outros dias.
Dia 5: Palmas / Praia Brava / Abraão / Mangaratiba
Último dia na ilha, decidimos tirar a manhã para conhecer a Praia Brava, que fica à esquerda da Praia de Palmas através de uma trilha de literalmente 5 minutos (contados no relógio).
Ainda em Palmas tomamos café no Morango de Palmas, onde para nossa surpresa não precisamos deixar as calças, e seguimos para a Praia Brava, que de brava não tem nada. Uma prainha bem pequena com uma pousada linda virada para o mar e ondas bem leves. De lá voltamos pela trilha e tomei um último banho de mar em frente ao camping. Depois disso foi desmontar a barraca, arrumar a mochila, tomar banho e partir para Abraão.
Praia Brava
Fechamos o barco para Abraão com o Alexandre no taxi boat ao lado do camping. Chegamos em Abraão mais ou menos na hora do almoço e fomos dar uma volta para procurar o que comer. Mesmo sendo segunda-feira, dia 2, a vila ainda estava lotada, com turistas zanzando para lá e para cá. A vila em si é muito maior do que eu pensava, com várias ruas para dentro da ilha e aproximadamente 2 mil habitantes.
Ruas de Abraão
Lojinha de bijuterias e tatuador
Restaurantes na beira da praia
Decidimos pular o PF por hoje e pedimos um bobó de camarão em um restaurante com ar condicionado. Já alimentados, seguimos até o centro de visitantes do parque para ver a maquete da ilha e esperar a barca. Para nossa sorte, esbarramos em um cara oferecendo uma escuna até Mangaratiba por 5 reais a mais que a barca, que já estava com uma fila gigantesca duas horas antes do horário. Fechamos com a escuna e nos despedimos de Ilha Grande.
Centro de visitantes
Dando tchau pro feriado
Definitivamente 5 dias não é nem de perto o bastante para conhecer o lugar, com suas 113 praias e incontáveis atrativos naturais. Para quem for, vale muito a pena dar uma pesquisada antes e decidir que pedacinho da ilha você quer conhecer, definir um ponto de partida onde se hospedar e explorar por lá. A ilha é realmente grande e passeios de barco mais longos podem sair caro. Mas o que fica mesmo da ilha é a vontade de voltar e explorar o que ficou faltando.
Preços:
Hospedagem Camping Acorde: R$ 90,00 a diária p/ pessoa
PF Bar Palmas: R$ 25,00
Meio PF Bar Palmas: R$ 15,00
Itaipava Bar Palmas: R$ 10,00 (600ml) e R$ 15,00 (1l)
Água: R$ 8-10,00 (1,5l) e R$ 5,00 (500ml)
Queijo quente Morango das Palmas: R$ 7,00
PF Abraão: R$ 22-35,00
Prato de peixe ou camarão em Abraão: R$ 90-110,00 p/ 2 pessoas
Quando começamos a pesquisar Ilha Grande para o ano novo, queríamos uma praia que não fosse Abraão para ficarmos um pouco mais longe da muvuca do feriado. Decidimos por Palmas por vários motivos, mas acho que a proximidade à Caxadaço foi um dos maiores, além do camping que parecia confortável e limpinho.
Como chegar:
Comecei a pesquisar as muitas maneiras de se chegar à ilha saindo do Rio, e como ficaríamos em Palmas, me concentrei na ida para Abraão, que era a praia mais próxima que eu sabia ser movimentada. Entre elas, destaco as seguintes:
Ônibus Costa Verde Rio > Mangaratiba + Barca CCR Mangaratiba > Abraão + Barco Abraão > Palmas ou Trilha Abraão > Palmas
Ônibus Costa Verde Rio > Conceição de Jacareí + Barco Conceição > Palmas
A primeira opção me parecia a melhor quando começamos a estudar a logística já que não sabíamos que existia barco direto para Palmas, e eu estava focada na barca, que é a travessia mais barata (R$ 15,00 p/ trecho). Na verdade, nem sei onde conseguir este barco direto para Palmas a não ser lá no cais de Conceição direto com os barqueiros, que a plenos pulmões se fazem notar bem facilmente. Mas, obviamente, a segunda opção é bem melhor, então já fica a primeira dica para quem for ficar em Palmas.
Onde ficar:
Fiz outro post aqui sobre toda nossa pesquisa de campings em Ilha Grande. Claro que não tem todos os lugares, mas já deve começar a ajudar quem quiser se hospedar por lá.
Dia 1: Rio / Conceição / Palmas
No fim das contas, compramos passagem com a Costa Verde para Conceição e o Glauco, gente boníssima do Camping Acorde, onde ficamos, nos buscou de barco no cais. Fizemos a travessia até a ilha em meia hora, mais ou menos, e já nos sentimos no paraíso ao pisar na areia da Praia Grande de Palmas. Castanheiras beiram toda a extensão da praia sombreando a areia para quem quer fugir do sol, com os poucos estabelecimentos esgueirando-se por trás delas.
Praia Grande de Palmas
Em frente ao Camping Acorde
Descemos com as mochilas do barco e nos dirigimos ao fundo da pousada, onde fica o espaço de camping, para montar a barraca. Compramos há pouco tempo uma Arpenaz 2 XL da Quechua e temos gostado bastante dela, é bem fácil de montar e aguenta bem a chuva. Depois da barraca montada, biquíni e tchibum. Não acreditei na temperatura da água, tão quentinha para o mar do Rio de Janeiro.
Com o mar estreado, fomos procurar dicas do que comer com a Jaque, também do camping e também gente boníssima. São basicamente três restaurantes na praia, o do meio, Morango de Palmas, onde de acordo com ela se deixa as calças, e os dois mais para a ponta com preços mais razoáveis (ambos com PF à R$ 25,00). Decidimos pelo Bar Palmas, o último da praia, e pedimos o PF de arroz, feijão, farofa, batata frita e peixe frito, muito gostoso por sinal, acompanhado de duas Itaipavas (R$ 10,00 de 600ml e R$ 15,00 o litrão). Até aí não estava achando os preços tão assim, réveillon em Ilha Grande, até comprarmos água. R$ 10,00 a garrafa de 1,5l. Mas beleza, é feriado e ainda vamos comprar muita água.
Bar Palmas
De noite fizemos um arroz com funghi pronto do Tio João meio sem gosto, mas foi legal para estrear a panelinha de camping também da Quechua que eu acabei de comprar. O céu super estrelado nos serviu de entretenimento até bater o sono.
Dia 2: Palmas / Caxadaço
A Praia do Caxadaço era o nosso maior objetivo nessa viagem, e queríamos muito chegar até lá pela trilha. Para quem não sabe, a trilha que vai até Caxadaço só é oficial até depois de Pouso, no caminho para a Praia de Santo Antonio. Depois deste pedaço a trilha se torna bem fechada, sem estar visível em alguns trechos e sem nenhuma sinalização oficial do parque. Encontramos pessoas que a fizeram sem GPS, e realmente não parecia impossível devido às várias fitinhas que marcam o caminho nas árvores, mas com certeza não parecia fácil.
Sabendo de tudo isso compramos um aplicativo chamado Wikiloc que funciona basicamente como um GPS para o celular, permitindo baixar trilhas já marcadas ou marcar a que você está fazendo. Baixamos duas trilhas para Caxadaço e o mapa do Rio de Janeiro para que pudéssemos usá-lo offline. Pegamos um barco de Palmas até Pouso (o que foi meio preguiçoso, já que essa trilha se faz em uns 30 minutos) e de lá começamos a trilha que leva à Lopes Mendes (T11).
Início da trilha
Nesta trilha vão ter duas bifurcações, a primeira que leva para Lopes Mendes ou Sto. Antonio, e a segunda que leva até Sto. Antonio ou Caxadaço. Nas duas deve-se seguir à direita, primeiramente para Sto. Antonio, e depois para Caxadaço. Começamos a marcar o tempo e a trilha no GPS a partir da segunda bifurcação, e dela levamos 2 horas certinho até Caxadaço. A trilha percorre trechos de mata bem fechada, subidas íngremes e descidas acentuadas, acompanhada sempre dos gritos dos bugios, como se anunciando a sua chegada. Caí de bunda duas vezes e me arranhei bastante no mato, mas nada que a água salgada não resolvesse depois.
Primeira bifurcação
Segunda bifurcação
A Praia do Caxadaço é como uma piscina natural de água cristalina escondida do mar por uma cerca de pedras e árvores bem altas. Chegamos à praia às 12:45 com o sol a pino, desejando um mergulho. Eu diria que o maior problema de Caxadaço não é chegar lá, e sim sair. A água quentinha, o som do mar e da mata, a calmaria da água, nada te ajuda a ir embora. Ficamos por lá, nadando e boiando, comemos uns biscoitinhos e às 15:30 decidimos que era a hora de voltar.
Caxadaço
Fizemos a volta novamente em 2 horas mesmo sofrendo um pouquinho no começo, já que a descida acentuada da ida vira uma subida fenomenal na volta. Chegamos em Pouso às 17:50 (20 minutos da bifurcação até a praia), compramos mais uma água de R$ 10,00 e esperamos o barco que nos levaria até Palmas.
Ao chegar lá, batemos mais um PF de peixe frito no Bar Palmas e encerramos o dia por aí.
Dia 3: Palmas
Hoje o plano era irmos até Abraão para conhecer a vila, que eu nunca tinha ido, mas o cansaço tomou conta e acabamos ficando por Palmas mesmo, tomando uma cervejinha e olhando o mar. Como era dia 31, achamos válido pegar leve para aguentarmos até meia noite. Consegui finalmente comprar gelo do barco do gelo e peguei um isopor emprestado com o camping para gelarmos o espumante até mais tarde. Fica a próxima dica, a Praia de Palmas não tem fornecimento de energia elétrica, cada lugar tem seu gerador que é ligado em determinados horários. Ou seja, nada de geladeira comunitária. O barco do gelo passa no cais da praia entre 09:00 e 10:00.
Em frente ao Bar Palmas
Depois de vários banhos de mar, meio PF (R$ 15,00) e de uma ducha, estendemos a canga debaixo de uma castanheira e aproveitamos para dar uma olhada no livro que levei do J. Bernardo sobre Ilha Grande, onde ele conta a história da ilha e detalha muito bem as trilhas para quem quiser fazê-las, oficiais ou não.
Já na janta rolou uma lasanha de panela que só deu meio certo, mas que ficou gostosa mesmo assim. Pegamos o espumante geladinho e sentamos na areia à espera dos fogos. Enquanto isso, a natureza já soltava os dela, com relâmpagos acendendo o céu de um lado ao outro. Meia noite bateu e dali pudemos ver a queima de fogos de Palmas, que foi maior do que eu imaginava, da Praia Brava, ao lado esquerdo, e do continente, de onde imaginávamos ser Mangaratiba e Conceição.
Dia 4: Palmas / Santo Antonio / Lopes Mendes
Depois do descanso de ontem, acordamos mais cedinho para aproveitar o dia. Como eu calculei mal as bisnaguinhas, nosso café da manhã só durou os dois primeiros dias e hoje fomos no barzinho ao lado para comer um queijo quente com guaraná.
Já alimentados, seguimos até o fim da praia de Palmas para pegar a trilha para Lopes Mendes, passando pela Praia do Pouso. De Palmas até Pouso demoramos por volta de 30 minutos em uma trilha bem marcada com algumas subidas e descidas. Cruzamos toda a praia na sombrinha das castanheiras até chegarmos à trilha de Lopes Mendes, a mesma que pegamos para a Caxadaço. A diferença desta vez foi na segunda bifurcação, que pegamos à esquerda para a Praia de Santo Antonio. Os bugios resolveram nos acompanhar, mais uma vez aos berros, assustando um grupo de meninas que estavam à nossa frente e quase trombaram conosco querendo voltar sem saber o que era tanto barulho. Leões, ursos e onças foram as sugestões.
Indicação para a trilha de Lopes Mendes em Palmas
Chegada em Pouso
Praia do Pouso
Depois de uma descida íngreme chegamos à Praia de Santo Antonio em 01h15 desde o início em Palmas. A praia é bem curtinha e bem aconchegante, com árvores sombreando um pedaço da areia fina e branca que segue até o mar, margeado por muitas pedras que beiram a água.
A água estava super quentinha, mesmo nesta praia que é virada para o oceano. Depois do banho de mar, descansamos à sombra das árvores para fugir do sol, que estava escaldante.
Chegando em Santo Antonio
Praia de Santo Antonio
Relaxados, juntamos tudo e pegamos a trilha de volta até Lopes Mendes onde levamos um susto e tivemos o maior privilégio de dar de cara com um bugio em uma árvore acima da trilha. Logo haviam 5 ao nosso redor e ficamos quietinhos, só observando, enquanto cada um atravessava de um lado ao outro da trilha seguindo exatamente o mesmo caminho do anterior.
Bugio atravessando a trilha
Lopes Mendes é uma praia imensa com 3km de extensão, também voltada para o oceano e point dos surfistas. Ela oferece sombra e água fresca (R$ 5,00 a água de 500ml) para os que cansaram do sol, e um mar um pouquinho mais revolto do que o das outras praias, mas que também dá um bom mergulho.
Lopes Mendes
Não nos demoramos muito por ali e pegamos a trilha de volta até Pouso, onde pegamos o barco de volta para Palmas para mais uma almo-janta. O céu começou a fechar e a chuva começou a cair no segundo em que colocamos os pés de volta ao camping, dando uma refrescada mais do que merecida. Curtimos um pouco a chuva depois do banho e nos recolhemos à barraca para uma noite um pouco mais fresquinha, mas sem o canto constante das cigarras dos outros dias.
Dia 5: Palmas / Praia Brava / Abraão / Mangaratiba
Último dia na ilha, decidimos tirar a manhã para conhecer a Praia Brava, que fica à esquerda da Praia de Palmas através de uma trilha de literalmente 5 minutos (contados no relógio).
Ainda em Palmas tomamos café no Morango de Palmas, onde para nossa surpresa não precisamos deixar as calças, e seguimos para a Praia Brava, que de brava não tem nada. Uma prainha bem pequena com uma pousada linda virada para o mar e ondas bem leves. De lá voltamos pela trilha e tomei um último banho de mar em frente ao camping. Depois disso foi desmontar a barraca, arrumar a mochila, tomar banho e partir para Abraão.
Praia Brava
Fechamos o barco para Abraão com o Alexandre no taxi boat ao lado do camping. Chegamos em Abraão mais ou menos na hora do almoço e fomos dar uma volta para procurar o que comer. Mesmo sendo segunda-feira, dia 2, a vila ainda estava lotada, com turistas zanzando para lá e para cá. A vila em si é muito maior do que eu pensava, com várias ruas para dentro da ilha e aproximadamente 2 mil habitantes.
Ruas de Abraão
Lojinha de bijuterias e tatuador
Restaurantes na beira da praia
Decidimos pular o PF por hoje e pedimos um bobó de camarão em um restaurante com ar condicionado. Já alimentados, seguimos até o centro de visitantes do parque para ver a maquete da ilha e esperar a barca. Para nossa sorte, esbarramos em um cara oferecendo uma escuna até Mangaratiba por 5 reais a mais que a barca, que já estava com uma fila gigantesca duas horas antes do horário. Fechamos com a escuna e nos despedimos de Ilha Grande.
Centro de visitantes
Dando tchau pro feriado
Definitivamente 5 dias não é nem de perto o bastante para conhecer o lugar, com suas 113 praias e incontáveis atrativos naturais. Para quem for, vale muito a pena dar uma pesquisada antes e decidir que pedacinho da ilha você quer conhecer, definir um ponto de partida onde se hospedar e explorar por lá. A ilha é realmente grande e passeios de barco mais longos podem sair caro. Mas o que fica mesmo da ilha é a vontade de voltar e explorar o que ficou faltando.
Preços:
Hospedagem Camping Acorde: R$ 90,00 a diária p/ pessoa
PF Bar Palmas: R$ 25,00
Meio PF Bar Palmas: R$ 15,00
Itaipava Bar Palmas: R$ 10,00 (600ml) e R$ 15,00 (1l)
Água: R$ 8-10,00 (1,5l) e R$ 5,00 (500ml)
Queijo quente Morango das Palmas: R$ 7,00
PF Abraão: R$ 22-35,00
Prato de peixe ou camarão em Abraão: R$ 90-110,00 p/ 2 pessoas
Barco Palmas > Pouso: R$ 10,00 p/ pessoa
Barco Palmas > Abraão: R$ 25,00 p/ pessoa
Barca Abraão > Mangaratiba: R$ 15,00 p/ pessoa
Escuna Abraão > Mangaratiba: R$ 20,00 p/ pessoa
Tempos:
Barco Conceição > Palmas: 30 minutos
Barco Palmas > Pouso: 5-10 minutos
Escuna Abraão > Mangaratiba: 1h30 minutos
Trilha Palmas > Pouso: 30 minutos
Trilha Pouso > Caxadaço: 2h20 minutos
Trilha Palmas > Caxadaço: 3 horas
Trilha Palmas > Santo Antonio: 1h15 minutos
Trilha Palmas > Praia Brava: 5 minutos
Trilha Palmas > Abraão: 1h30 minutos