Santiago do Chile, 7 anos depois. Estivemos lá em 2010, quando conhecemos o Deserto do Atacama. Foi das primeiras viagens que fiz no período que chamo de desibernação viajante, foi também um dos meus primeiros relatos no mochileiros.com. Naquela vez, ficamos na cidade 1,5 dia antes do Atacama e alguns outros dias depois. Dessa vez seria uma viagem para rever, reviver e conhecer outros cantos. Aproveitamos preços razoáveis (mas não promocionais) da Latam em se tratando de feriado, e fomos. Foi no feriado de 2 de novembro.
Chegamos, fizemos um câmbio rápido no embarque, já que todas as do desembarque estavam fechadas. Constatei que a diferença de se fazer câmbio nos aeroportos de Santiago e Buenos Aires é colossal. Em Buenos Aires (Banco de La Nacion) precisa preencher ficha, pegar dados do passaporte, notas de USD são recusadas por qualquer micro-mancha, etc. Perde-se muito tempo, forma-se uma longa fila, um horror. Em Santiago entreguei a nota e recebi o equivalente em pesos. Ponto final, simples assim. Sem filas. Questão de minutos. Mas o câmbio é naturalmente ruim, de modo que só vale trocar o necessário para chegar até a cidade.
Pegamos um taxi compartilhado para nosso hostel, o Bella. Deu 7.600 CHP pra cada. Era pra ter pego o taxi especial (para 2 pessoas acho que sai umas 20 pratas, um pouco mais caro que o taxi compartilhado), mas muquiranei. Fomos os últimos a ser deixados, mas foi bacana pra rodar de madrugada pela cidade. O hostel estava dominado por brasileiros, até na recepção. Como já era madrugada, nem saímos. Fomos dormir.
Dia 1, Quinta-feira
Fomos passear pelo Centro. Fomos rever Plaza de Armas, arredores, ruas, igrejas, Mercado, etc. Faltou rever o Museu de História e o de Arte Pré-Colombina. Aproveitamos para fazer câmbio na Augustinas, tem diversas casas e os câmbios variam quase nada. E o processo, mais uma vez, é colossalmente mais rápido que na Argentina. Ou melhor: é o mesmo processo que se tem quando se faz câmbio nas cuevas de Buenos Aires (que ainda existem, mesmo com o spread muito reduzido).
Catedral
La Moneda
Aproveitamos para dar uma esticada por outras áreas e acabamos passando do lado do Palácio Cousiño, que não estava no nosso roteiro. Vimos e entramos. Uma agradável visita pelo antigo casarão da família que produz o famoso vinho. Minhas viagens recentes andam tão menos planejadas que antes, que fui reler meu relato de 2010 depois desta viagem e vi que na ocasião não apenas o Palácio estava no meu roteiro como eu passei por lá e estava fechado! Agora, então, finalmente curtimos. As visitas são guiadas e saem de hora em hora. Mas há grande tolerância pra quem chega depois (junta-se ao grupo e depois o guia refaz a parte que faltou do passeio). Não pode fotografar dentro do Palácio.
Palácio Cousiño
Ainda aproveitamos para rever a agradável região Paris-Londres, onde nos hospedamos pela 1ª vez na cidade. De tarde fomos rever o Cerro Santa Lucia. O tempo fechou, mas felizmente não choveu. Muito interessante um morro como aquele encravado no meio da área urbana. Curtimos um bom tempo por lá.
Cerro Santa Lucia
Esticamos para o bairro Lastarria, onde nos deparamos com uma espetacular pintura estilo "trompe d'oeil" em um dos prédios. Linda demais, ficamos fascinados. Admiramos por um longo tempo aquela arte.
Pinturas impressionantes no estilo "trompe d'oeil" em um prédio no Bairro Lastarria
Aproveitamos que estávamos por lá e fomos no Museu de Artes Visuais. Acabou sendo uma visita rápida, o que estava exposto não nos atraiu muito.
Paramos num lugar para saborear um pisco sour, e então me dei conta de uma regra chata no Chile (que nem sempre os estabelecimentos seguem), em que não podem servir álcool sem alguma coisa para comer. Nem sempre quero comer e acabo obrigado e pedir algum petisco em função disso. Enfim, é a regra. Sugiro verificar antes com o local se é possível pedir apenas bebida.
Aproveitamos para ir num lugar recomendado de vinhos, Bocanariz, que foi excelente. Vc pede alguns queijos para saborear e combinar com os vinhos, que vc tbm pede em doses. Claro que pode pedir uma garrafa (tem dezenas!), mas acho que o barato é saborear diferentes tipos. Momento muito agradável. É meio esquema patrão.
Bocanariz
Nesse dia jantamos no Barandiaran, que eu tinha lido como recomendado. De fato, muito saboroso! Anos antes nós fomos em diversos restaurantes bacanas na cidade, e um deles era o Como Água para Chocolate, que agora já não era mais tão recomendado assim e com preços mais altos que os concorrentes. Depois da janta ficamos tomando saideiras nos arredores do Patio Bellavista, sempre agradável. Aquela região de Bellavista é sempre bacana para a noite.
Night no Bellavista
Dia 2, Sexta-feira.
Eu tinha agendado por e-mail uma visita à Vinícola Cousiño Macul. Em 2010 dispensei visitas a vinícolas. Em 2017, depois de uma penca de vezes no Vale dos Vinhedos, decidi experimentar ao menos uma. Fomos para lá de metrô + taxi (no que vc sai do metrô tem taxis esperando, mas pode pegar busum ou mesmo ir a pé, dá uns 2 ou 3 km). As visitas são caras, eu achei (mas está sempre cheio, sinal de que o preço não está alto). Na hora de escolher o tour, escolhi o mais caro. A diferença é na hora da prova, o tour pela área é o mesmo. Brasileiros são maioria expressiva entre visitantes, tanto que há tour em espanhol e em português. Mesmo no tour em espanhol, a maioria é de brasileiros. E o guia, escolado, já traduz automaticamente diversas palavras. Para quem já visitou Miolo ou Casa Valduga, o esquema é o mesmo. É bom, e as degustações no fim, combinando com queijos, é mesmo muito bacana. Mas uma visita está de bom tamanho para mim. Ao longo das nossas idas às vinícolas do Vale dos Vinhedos, passei a curtir cada vez mais as vinícolas menores, com atendimento mais personalizado (ainda que recentemente as pequenas estejam cada vez mais “profissionalizando” a visita). Aliás, um passeio que me pareceu ser uma ótima ideia pra fazer lá na Cousiño Macul é o de bicicleta!
Cousiño Macul
Na hora da volta fomos pegar o ônibus para nos deixar no metrô. Eu tinha indicação do número do busum a tomar (17 ou 57, não lembro agora). Chegou e entramos. E só aí que vimos que não tem como pagar dentro do ônibus, vc precisa comprar antes um cartão e carregá-lo. Fomos de calote involuntário. No final ainda fui falar com o motorista como que poderíamos fazer para pagar. E falou que teria de ir no metrô, comprar, voltar, etc. Ou seja, muito tempo, e ele já teria saído. Estava na boa. Que bom.
Pegamos o metrô e fomos até o Centro Artesanal Los Dominicos, que é um grande mercado de artesanato, mas num esquema “cidadezinha”. São lojinhas de artesãos locais, mas tem tbm exposições (havia uma de insetos que achamos do cacete) e restaurantes. Um lugar bacana para conhecer. Para quem quer comprar artesanato, um ótimo lugar.
Los Dominicos
De volta ao metrô, nossa ideia agora era conhecer a tal rua Alonso de Córdova, tida como a Oscar Freire local. Descemos num lugar errado (na verdade, a área “Oscar Freire” da rua não fica perto de metrô algum) e ainda pegamos uma rua errada. No fim das contas foi bacana: conhecemos o parque Araucano, que une o Parque João Paulo II até a Alonso de Cordova. Tinha uma feira gastronômica no meio do parque (mas com entrada paga, e o valor não era simbólico, então não entramos) e um lindo rosedal. Valeu a pena ter errado a saída!
Parque Araucano e seu belo rosedal
Ainda seguimos andando até a parte Oscar Freire, mas, embora seja interessante, não nos atraiu. Logo pegamos um taxi para conhecer o Sky Costanera. Não existia quando fomos na cidade em 2010, o céu estava azul, então esse era o dia. Fica num shopping e, lá dentro, acha-se facilmente a entrada. Quase não havia fila. O visual é mesmo um espetáculo! Vista ampla dos arredores, indicativos das coisas que vc pode ver (e tradução eventualmente errada para português...), além de uma parte externa, mas sem grande diferença para a parte fechada. Ficamos um bom tempo por lá, curtimos bastante.
Sky Costanera
Shoppings muito raramente fazem parte de qq programação nossa em viagem (exceto se for um lugar bacana a céu aberto, como o Asiatique em Bangkok, ou se for para usar o banheiro!), mas eu queria dar uma conferida nas lojas de equipamentos de montanha para ver os preços. Em 2010 comprei casaco, calça e mochila de marcas como North Face e Columbia (não os da linha shopping, mas os para montanha mesmo) e os uso até hoje. Foram seguramente dos melhores investimentos (caros) que já fiz na vida. Por outro lado, uma bota da Columbia que comprei numa promoção na Nova Zelândia não entregou o prometido: apesar de muito confortável, fez bico e deixou de ser impermeável. De modo que as botas da Columbia estavam, naquele shopping do Chile, novamente numa bela promoção, mas acabei não comprando por conta desse histórico. No fim das contas não comprei nada. Nem mesmo na Tattoo, que fica ali perto e que fui conferir também. Os preços, em geral, não me pareceram tão mais atrativos do que nas Decathlons da vida no Brasil. As opções, sim, são mais variadas.
Caída a tarde, fomos jantar no bairro Lastarria. Queria curtir o bairro de noite, achei o lugar muito bacana. Mas antes compramos um vinho para dar uma calibrada no hostel, depois saímos. Acabamos escolhendo o Tambo, famoso peruano com filiais pela cidade. Foi bom, mas o da noite anterior foi melhor.
Lastarria de noite
Dia 3, Sábado
Fomos para a região oeste da cidade. Queria conhecer o Museu da Memória. Não me lembrava se ele já existia em 2010, depois vi que não. Aproveitamos para passear um pouco novamente pela Quinta Normal.
Parque Quinta Normal
O Museu da Memória é excelente. Trata-se de um museu destinado a contar a história das vítimas da ditadura militar chilena dos anos 70. Conta desde o golpe em 1973 até o período em que o poder voltou às mãos civis. Milhares de pessoas foram torturadas e assassinadas e as histórias de diversas delas estão lá. Muito audiovisual. Fotos não são permitidas lá dentro.
Museu da Memória
Dali aproveitamos para fazer uma longa caminhada, começando pelo próprio bairro, que eu acho bem pitoresco. Primeira parada foi na simpática Plaza Yungay, com e bela, e deteriorada, Paróquia de San Saturnino. Depois fomos rever um lugar especial, o Boulevard Lavaud, sempre uma opção muito boa. Um restaurante-antiquário, talvez. O lugar é muito bacana, temos de ir um dia jantar lá. Tanto dessa como da vez anterior, apenas beliscamos alguma coisa (ceviche!). Dessa vez havia uma pequena exposição num andar de cima, que o simpático maitre nos convidou a conhecer.
Boulevard Laveaux
Seguimos andando pelo bairro, passamos pela tbm simpática Plaza Brasil e nos deparamos com uma pequena feira de ceramistas no bairro Concha y Toro. Tem uma região nesse bairro, justamente a região onde rolava essa feira, que era muito pitoresca. O tempo nublado reforçava essa sensação.
Bairro Concha y Toro
Demos um tempo por lá, e seguimos andando. Passamos em frente ao Museu de Solidariedade Salvador Allende -- em 2010 eu visitei, dessa vez pulamos. Cruzamos o Parque O’Higgins, que é grande, mas sem muitas atrações. Não me lembrava que já tinha passado por lá da outra vez que estive na cidade. Fomos andando até um mercado ao sul da cidade, que eu tinha lido erradamente (provavelmente não li direito) que era um mercado interessante de antiguidades. Chegando lá, era uma 25 de Março, ou um Saara. Cheio de gente, cheio de bugingangas mil. Voltamos correndo de lá, pegamos o metrô e descemos no centro novamente.
Estava rolando uma grande feira geek, ou coisa parecida, no Parque Bustamante. O nome oficial era Encontro Literário, Medieval e Fantástico Leyenda em Tierra Firme. Ficamos lá um tempo, curtindo as fantasias, as performances e etc. Bem legal. Ficaríamos mais, só que queríamos ir na La Chascona antes de fechar. Então escapamos no fim da tarde e lá fomos. Em 2010 eu não fui na La Cascona, mas fui na La Sebastiana, em Valparaíso. As casas do Neruda são muito legais. Queria gostar de ler Neruda, mas poesia não é minha praia.
Encontro Literário, Medieval e Fantástico Leyenda em Tierra Firme
Ainda fomos curtir uns piscos na happy hour do Patio Bellavista (e o melhor, sem precisar pedir petisco!) e, nos arredores do Patio, vimos uma galera local tocando um olodum bem bacana, na rua mesmo. Ficamos um tempo curtindo tbm.
Nesse dia novamente calibramos um vinho no quarto para depois sair. Fomos rever a badalada pizzaria Tiramisu, na Isidora Goyenechea, que tinha sido nossa última janta da outra vez e que tínhamos adorado. Continua muito boa (e muito cheia). Como chegamos ainda relativamente cedo, havia mesas. Quando saímos, havia fila de espera. O lugar é enorme, e os restaurantes nos arredores não estavam cheios. O sucesso prossegue, pelo visto.
Tiramisu
Voltamos para Bellavista para curtir nossa última noite.
Dia 4, Domingo
Era o dia de rever o Cerro San Cristobal. Fomos direto para lá, ficava próximo do hostel. Chegamos lá e já tinha fila para o trenzinho vertical. Afinal, era Domingo! E de sol, céu azul. Então decidimos subir a pé mesmo. Ótimo para o visual do alto. Aliás, tanto no Sky Costanera quanto no San Cristobal tivemos a sorte de estar céu azul. Viva São Pedro!
Subimos pela trilha. Muita gente subindo, correndo, pedalando. Galera curtindo o domingo de sol. Movimento parecido com a praia de Copa/Ipanema, ou Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio aos domingos.
Chegamos no alto e vimos que não havia fila para o teleférico, então achamos melhor curtir o passeio logo. Estava fechado quando estivemos lá anos antes. Ignoramos a parada do meio e descemos na outra base. Tinha um grupo de meninas fazendo espetáculo de dança (com direito a funk carioca!) na entrada do parque que estava divertido.
Teleférico
Fomos andando até o Parque das Esculturas, que beira o rio. Parque bacana, público, com diversas esculturas a céu aberto. Curtimos um tempo por lá.
Parque das Esculturas
Na volta que fomos curtir devidamente todo o visual do Cerro San Cristobal. Aliás, parece que tem muita trilha para explorar por todo aquele parque, mas que não curtimos dessa vez. Ficamos admirando a vista e tomando um mote con huesillos, pra tentar curtir uma de local.
Cerro San Cristobal
Nesse dia almoçamos (não haveria janta!) muito bem no Galindo, que fica numa esquina movimentada de Bellavista. Preços abaixo dos dias anteriores, pratos saborosos da culinária chilena. Depois ficamos curtindo as cervas da Kunstmann até dar a hora de ir para o aeroporto. Voltamos para o hostel, pegamos um uber (motorista era da Venezuela!) e voltamos.
E assim foi mais um feriado explorando (e revendo) algum canto da América do Sul!
Santiago do Chile, 7 anos depois. Estivemos lá em 2010, quando conhecemos o Deserto do Atacama. Foi das primeiras viagens que fiz no período que chamo de desibernação viajante, foi também um dos meus primeiros relatos no mochileiros.com. Naquela vez, ficamos na cidade 1,5 dia antes do Atacama e alguns outros dias depois. Dessa vez seria uma viagem para rever, reviver e conhecer outros cantos. Aproveitamos preços razoáveis (mas não promocionais) da Latam em se tratando de feriado, e fomos. Foi no feriado de 2 de novembro.
Chegamos, fizemos um câmbio rápido no embarque, já que todas as do desembarque estavam fechadas. Constatei que a diferença de se fazer câmbio nos aeroportos de Santiago e Buenos Aires é colossal. Em Buenos Aires (Banco de La Nacion) precisa preencher ficha, pegar dados do passaporte, notas de USD são recusadas por qualquer micro-mancha, etc. Perde-se muito tempo, forma-se uma longa fila, um horror. Em Santiago entreguei a nota e recebi o equivalente em pesos. Ponto final, simples assim. Sem filas. Questão de minutos. Mas o câmbio é naturalmente ruim, de modo que só vale trocar o necessário para chegar até a cidade.
Pegamos um taxi compartilhado para nosso hostel, o Bella. Deu 7.600 CHP pra cada. Era pra ter pego o taxi especial (para 2 pessoas acho que sai umas 20 pratas, um pouco mais caro que o taxi compartilhado), mas muquiranei. Fomos os últimos a ser deixados, mas foi bacana pra rodar de madrugada pela cidade. O hostel estava dominado por brasileiros, até na recepção. Como já era madrugada, nem saímos. Fomos dormir.
Dia 1, Quinta-feira
Fomos passear pelo Centro. Fomos rever Plaza de Armas, arredores, ruas, igrejas, Mercado, etc. Faltou rever o Museu de História e o de Arte Pré-Colombina. Aproveitamos para fazer câmbio na Augustinas, tem diversas casas e os câmbios variam quase nada. E o processo, mais uma vez, é colossalmente mais rápido que na Argentina. Ou melhor: é o mesmo processo que se tem quando se faz câmbio nas cuevas de Buenos Aires (que ainda existem, mesmo com o spread muito reduzido).
Catedral
La Moneda
Aproveitamos para dar uma esticada por outras áreas e acabamos passando do lado do Palácio Cousiño, que não estava no nosso roteiro. Vimos e entramos. Uma agradável visita pelo antigo casarão da família que produz o famoso vinho. Minhas viagens recentes andam tão menos planejadas que antes, que fui reler meu relato de 2010 depois desta viagem e vi que na ocasião não apenas o Palácio estava no meu roteiro como eu passei por lá e estava fechado! Agora, então, finalmente curtimos. As visitas são guiadas e saem de hora em hora. Mas há grande tolerância pra quem chega depois (junta-se ao grupo e depois o guia refaz a parte que faltou do passeio). Não pode fotografar dentro do Palácio.
Palácio Cousiño
Ainda aproveitamos para rever a agradável região Paris-Londres, onde nos hospedamos pela 1ª vez na cidade. De tarde fomos rever o Cerro Santa Lucia. O tempo fechou, mas felizmente não choveu. Muito interessante um morro como aquele encravado no meio da área urbana. Curtimos um bom tempo por lá.
Cerro Santa Lucia
Esticamos para o bairro Lastarria, onde nos deparamos com uma espetacular pintura estilo "trompe d'oeil" em um dos prédios. Linda demais, ficamos fascinados. Admiramos por um longo tempo aquela arte.
Pinturas impressionantes no estilo "trompe d'oeil" em um prédio no Bairro Lastarria
Aproveitamos que estávamos por lá e fomos no Museu de Artes Visuais. Acabou sendo uma visita rápida, o que estava exposto não nos atraiu muito.
Paramos num lugar para saborear um pisco sour, e então me dei conta de uma regra chata no Chile (que nem sempre os estabelecimentos seguem), em que não podem servir álcool sem alguma coisa para comer. Nem sempre quero comer e acabo obrigado e pedir algum petisco em função disso. Enfim, é a regra. Sugiro verificar antes com o local se é possível pedir apenas bebida.
Aproveitamos para ir num lugar recomendado de vinhos, Bocanariz, que foi excelente. Vc pede alguns queijos para saborear e combinar com os vinhos, que vc tbm pede em doses. Claro que pode pedir uma garrafa (tem dezenas!), mas acho que o barato é saborear diferentes tipos. Momento muito agradável. É meio esquema patrão.
Bocanariz
Nesse dia jantamos no Barandiaran, que eu tinha lido como recomendado. De fato, muito saboroso! Anos antes nós fomos em diversos restaurantes bacanas na cidade, e um deles era o Como Água para Chocolate, que agora já não era mais tão recomendado assim e com preços mais altos que os concorrentes. Depois da janta ficamos tomando saideiras nos arredores do Patio Bellavista, sempre agradável. Aquela região de Bellavista é sempre bacana para a noite.
Night no Bellavista
Dia 2, Sexta-feira.
Eu tinha agendado por e-mail uma visita à Vinícola Cousiño Macul. Em 2010 dispensei visitas a vinícolas. Em 2017, depois de uma penca de vezes no Vale dos Vinhedos, decidi experimentar ao menos uma. Fomos para lá de metrô + taxi (no que vc sai do metrô tem taxis esperando, mas pode pegar busum ou mesmo ir a pé, dá uns 2 ou 3 km). As visitas são caras, eu achei (mas está sempre cheio, sinal de que o preço não está alto). Na hora de escolher o tour, escolhi o mais caro. A diferença é na hora da prova, o tour pela área é o mesmo. Brasileiros são maioria expressiva entre visitantes, tanto que há tour em espanhol e em português. Mesmo no tour em espanhol, a maioria é de brasileiros. E o guia, escolado, já traduz automaticamente diversas palavras. Para quem já visitou Miolo ou Casa Valduga, o esquema é o mesmo. É bom, e as degustações no fim, combinando com queijos, é mesmo muito bacana. Mas uma visita está de bom tamanho para mim. Ao longo das nossas idas às vinícolas do Vale dos Vinhedos, passei a curtir cada vez mais as vinícolas menores, com atendimento mais personalizado (ainda que recentemente as pequenas estejam cada vez mais “profissionalizando” a visita). Aliás, um passeio que me pareceu ser uma ótima ideia pra fazer lá na Cousiño Macul é o de bicicleta!
Cousiño Macul
Na hora da volta fomos pegar o ônibus para nos deixar no metrô. Eu tinha indicação do número do busum a tomar (17 ou 57, não lembro agora). Chegou e entramos. E só aí que vimos que não tem como pagar dentro do ônibus, vc precisa comprar antes um cartão e carregá-lo. Fomos de calote involuntário. No final ainda fui falar com o motorista como que poderíamos fazer para pagar. E falou que teria de ir no metrô, comprar, voltar, etc. Ou seja, muito tempo, e ele já teria saído. Estava na boa. Que bom.
Pegamos o metrô e fomos até o Centro Artesanal Los Dominicos, que é um grande mercado de artesanato, mas num esquema “cidadezinha”. São lojinhas de artesãos locais, mas tem tbm exposições (havia uma de insetos que achamos do cacete) e restaurantes. Um lugar bacana para conhecer. Para quem quer comprar artesanato, um ótimo lugar.
Los Dominicos
De volta ao metrô, nossa ideia agora era conhecer a tal rua Alonso de Córdova, tida como a Oscar Freire local. Descemos num lugar errado (na verdade, a área “Oscar Freire” da rua não fica perto de metrô algum) e ainda pegamos uma rua errada. No fim das contas foi bacana: conhecemos o parque Araucano, que une o Parque João Paulo II até a Alonso de Cordova. Tinha uma feira gastronômica no meio do parque (mas com entrada paga, e o valor não era simbólico, então não entramos) e um lindo rosedal. Valeu a pena ter errado a saída!
Parque Araucano e seu belo rosedal
Ainda seguimos andando até a parte Oscar Freire, mas, embora seja interessante, não nos atraiu. Logo pegamos um taxi para conhecer o Sky Costanera. Não existia quando fomos na cidade em 2010, o céu estava azul, então esse era o dia. Fica num shopping e, lá dentro, acha-se facilmente a entrada. Quase não havia fila. O visual é mesmo um espetáculo! Vista ampla dos arredores, indicativos das coisas que vc pode ver (e tradução eventualmente errada para português...), além de uma parte externa, mas sem grande diferença para a parte fechada. Ficamos um bom tempo por lá, curtimos bastante.
Sky Costanera
Shoppings muito raramente fazem parte de qq programação nossa em viagem (exceto se for um lugar bacana a céu aberto, como o Asiatique em Bangkok, ou se for para usar o banheiro!), mas eu queria dar uma conferida nas lojas de equipamentos de montanha para ver os preços. Em 2010 comprei casaco, calça e mochila de marcas como North Face e Columbia (não os da linha shopping, mas os para montanha mesmo) e os uso até hoje. Foram seguramente dos melhores investimentos (caros) que já fiz na vida. Por outro lado, uma bota da Columbia que comprei numa promoção na Nova Zelândia não entregou o prometido: apesar de muito confortável, fez bico e deixou de ser impermeável. De modo que as botas da Columbia estavam, naquele shopping do Chile, novamente numa bela promoção, mas acabei não comprando por conta desse histórico. No fim das contas não comprei nada. Nem mesmo na Tattoo, que fica ali perto e que fui conferir também. Os preços, em geral, não me pareceram tão mais atrativos do que nas Decathlons da vida no Brasil. As opções, sim, são mais variadas.
Caída a tarde, fomos jantar no bairro Lastarria. Queria curtir o bairro de noite, achei o lugar muito bacana. Mas antes compramos um vinho para dar uma calibrada no hostel, depois saímos. Acabamos escolhendo o Tambo, famoso peruano com filiais pela cidade. Foi bom, mas o da noite anterior foi melhor.
Lastarria de noite
Dia 3, Sábado
Fomos para a região oeste da cidade. Queria conhecer o Museu da Memória. Não me lembrava se ele já existia em 2010, depois vi que não. Aproveitamos para passear um pouco novamente pela Quinta Normal.
Parque Quinta Normal
O Museu da Memória é excelente. Trata-se de um museu destinado a contar a história das vítimas da ditadura militar chilena dos anos 70. Conta desde o golpe em 1973 até o período em que o poder voltou às mãos civis. Milhares de pessoas foram torturadas e assassinadas e as histórias de diversas delas estão lá. Muito audiovisual. Fotos não são permitidas lá dentro.
Museu da Memória
Dali aproveitamos para fazer uma longa caminhada, começando pelo próprio bairro, que eu acho bem pitoresco. Primeira parada foi na simpática Plaza Yungay, com e bela, e deteriorada, Paróquia de San Saturnino. Depois fomos rever um lugar especial, o Boulevard Lavaud, sempre uma opção muito boa. Um restaurante-antiquário, talvez. O lugar é muito bacana, temos de ir um dia jantar lá. Tanto dessa como da vez anterior, apenas beliscamos alguma coisa (ceviche!). Dessa vez havia uma pequena exposição num andar de cima, que o simpático maitre nos convidou a conhecer.
Boulevard Laveaux
Seguimos andando pelo bairro, passamos pela tbm simpática Plaza Brasil e nos deparamos com uma pequena feira de ceramistas no bairro Concha y Toro. Tem uma região nesse bairro, justamente a região onde rolava essa feira, que era muito pitoresca. O tempo nublado reforçava essa sensação.
Bairro Concha y Toro
Demos um tempo por lá, e seguimos andando. Passamos em frente ao Museu de Solidariedade Salvador Allende -- em 2010 eu visitei, dessa vez pulamos. Cruzamos o Parque O’Higgins, que é grande, mas sem muitas atrações. Não me lembrava que já tinha passado por lá da outra vez que estive na cidade. Fomos andando até um mercado ao sul da cidade, que eu tinha lido erradamente (provavelmente não li direito) que era um mercado interessante de antiguidades. Chegando lá, era uma 25 de Março, ou um Saara. Cheio de gente, cheio de bugingangas mil. Voltamos correndo de lá, pegamos o metrô e descemos no centro novamente.
Estava rolando uma grande feira geek, ou coisa parecida, no Parque Bustamante. O nome oficial era Encontro Literário, Medieval e Fantástico Leyenda em Tierra Firme. Ficamos lá um tempo, curtindo as fantasias, as performances e etc. Bem legal. Ficaríamos mais, só que queríamos ir na La Chascona antes de fechar. Então escapamos no fim da tarde e lá fomos. Em 2010 eu não fui na La Cascona, mas fui na La Sebastiana, em Valparaíso. As casas do Neruda são muito legais. Queria gostar de ler Neruda, mas poesia não é minha praia.
Encontro Literário, Medieval e Fantástico Leyenda em Tierra Firme
Ainda fomos curtir uns piscos na happy hour do Patio Bellavista (e o melhor, sem precisar pedir petisco!) e, nos arredores do Patio, vimos uma galera local tocando um olodum bem bacana, na rua mesmo. Ficamos um tempo curtindo tbm.
Nesse dia novamente calibramos um vinho no quarto para depois sair. Fomos rever a badalada pizzaria Tiramisu, na Isidora Goyenechea, que tinha sido nossa última janta da outra vez e que tínhamos adorado. Continua muito boa (e muito cheia). Como chegamos ainda relativamente cedo, havia mesas. Quando saímos, havia fila de espera. O lugar é enorme, e os restaurantes nos arredores não estavam cheios. O sucesso prossegue, pelo visto.
Tiramisu
Voltamos para Bellavista para curtir nossa última noite.
Dia 4, Domingo
Era o dia de rever o Cerro San Cristobal. Fomos direto para lá, ficava próximo do hostel. Chegamos lá e já tinha fila para o trenzinho vertical. Afinal, era Domingo! E de sol, céu azul. Então decidimos subir a pé mesmo. Ótimo para o visual do alto. Aliás, tanto no Sky Costanera quanto no San Cristobal tivemos a sorte de estar céu azul. Viva São Pedro!
Subimos pela trilha. Muita gente subindo, correndo, pedalando. Galera curtindo o domingo de sol. Movimento parecido com a praia de Copa/Ipanema, ou Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio aos domingos.
Chegamos no alto e vimos que não havia fila para o teleférico, então achamos melhor curtir o passeio logo. Estava fechado quando estivemos lá anos antes. Ignoramos a parada do meio e descemos na outra base. Tinha um grupo de meninas fazendo espetáculo de dança (com direito a funk carioca!) na entrada do parque que estava divertido.
Teleférico
Fomos andando até o Parque das Esculturas, que beira o rio. Parque bacana, público, com diversas esculturas a céu aberto. Curtimos um tempo por lá.
Parque das Esculturas
Na volta que fomos curtir devidamente todo o visual do Cerro San Cristobal. Aliás, parece que tem muita trilha para explorar por todo aquele parque, mas que não curtimos dessa vez. Ficamos admirando a vista e tomando um mote con huesillos, pra tentar curtir uma de local.
Cerro San Cristobal
Nesse dia almoçamos (não haveria janta!) muito bem no Galindo, que fica numa esquina movimentada de Bellavista. Preços abaixo dos dias anteriores, pratos saborosos da culinária chilena. Depois ficamos curtindo as cervas da Kunstmann até dar a hora de ir para o aeroporto. Voltamos para o hostel, pegamos um uber (motorista era da Venezuela!) e voltamos.
E assim foi mais um feriado explorando (e revendo) algum canto da América do Sul!
[Fotos majoritariamente do Instagram da Katia]