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Dia 1 - 09 de Dezembro de 2017

Chegamos no Aeroporto de Calama as 11:00 e pegamos um transfer para San Pedro do Atacama (Transvip). Caso você pague apenas um trecho, o valor é de 12.000 pesos. Pagando a ida e a volta, o valor passa a ser 20.000. O transfer te deixa na porta do hotel. 

Ficamos eu, meu pai e minha tia no Hotel Corvatsch. Ele funciona também como Hostel e possui ainda uma agência de viagens. O hotel fica super bem localizado, a equipe é maravilhosa e os quartos super confortáveis. Como chegamos cedo, 12:20, e o check-in era as 14:00, almoçamos no Sol Cor (ou algo parecido), na Rua Calamar. A comida é muito boa mas o serviço é demorado. Vale a pena quando a fome não é muita e o tempo não é curto. Entrada, prato principal e sobremesa custam 7.000 pesos.

Às 16:00 fizemos o passeio da Laguna Cesar. Fizemos pela agência do hotel com o motorista e guia Florêncio, que realmente entende da região e é muito simpático. Esse passeio permite mergulho nas lagoas de sal. A primeira delas é super pequena e você deve aguardar em uma fila gigante pela chuveirada. Preferimos pular esse banho e conversar com o guia sobre a região. Passamos depois por outros dois laguinhos, onde um deles também pode-se tomar banho, para irmos ao último, Tebinquicheque é belíssimo e onde permite-se passear apenas pela sua borda. No fim do passeio é servido um lanche com pisco (bebida típica do Chile). Paga-se pelo acesso aos lagos 17.000 pesos e o passeio saiu por 36.000. É importante lembrar de levar sempre uma garrafa de água, protetor e no caso de tomar banho, uma toalha. O retorno foi as 20:00.

A noite comemos uma empada do mercadinho em frente ao hotel. Que aliás, tem de tudo.

 

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Dia 02 - 10 de Dezembro de 2017

Logo cedo meu pai mediu a pressão e descobriu que estava 25/18. Corremos para o hospital da cidade, que fica vizinho a agência bancária na praça principal (5 minutos do hotel a pé) e fomos atendidos pelo enfermeiro. Depois de receber oxigênio, descobriu-se que meu pai estava com o mal da altitude e foi recomendado que ele voltasse imediatamente para Santiago. O que foi feito assim que sua pressão regularizou, na tarde do mesmo dia. 

Almoçamos, eu e minha tia, no hotel em frente ao nosso, no esquema de entrada, prato principal e sobremesa por 6.000 pesos. As 16:00, fomos fazer o passeio do Vale da Lua e da Morte. Como não sairia passeio de nossa agência, usamos a de uma agência ao lado da Sorveteria Babalu. Fomos em um ônibus com mais 15 pessoas e com guias bem novas que conheciam muito pouco da região. O passeio do Vale da Lua é lindo e inclui a subida ao mirante e a visita a Caverna de Sal (que leva em torno de 20, 30 minutos com trechos feitos com o auxílio da laterna do celular). Saindo de lá, passamos pelo Vale da Morte e fomos ver o pôr-do-sol no mirante Coyote. O passeio custou 38.000 pesos e a entrada no parque, 3.000. O passeio acaba as 20:00.

Jantamos no Sol Cal (ou algo parecido) um sanduíche e uma salada. Acho que por 4.000 pesos.

Não esquecer da água, protetor e de tênis confortável.

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Dia 03 - 11 de Dezembro de 2017

Depois de dois dias de andança, resolvermos passar o dia pela cidade. Conhecemos a igreja na praça da cidade com seu teto feito a partir de madeira de cacto, conhecemos o mercado de artesanato e fomos andar pelas ruas de San Pedro. Aproveitamos para trocar dinheiro na casa de câmbio, na mesma rua do centro turístico (Rua Toconao) e bater perna pela lojinhas espalhadas pelas poucas ruas. Almoçamos no Casa de Piedra, na Rua Caracoles, com menu com entrada e prato principal por 6.000 pesos. Tomamos sorvete na Sorveteria Babalu e fomos curtir a rua e os cachorros gigantescos da cidade. 

Jantamos no Blanco, um restaurante mais chique com pratos em torno de 9.000 pesos.

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Dia 04 - 12 de Dezembro de 2017

Acordamos cedo para fazermos o passeio para Pedras Rojas. Não fomos pela agência do hotel, mas lá mesmo organizaram uma van para irmos. Saímos as 7:00 com a guia Andrea (se não me engano). Ela é ex funcionária do hotel, fala inglês, espanhol e português, além de arriscar outras línguas. Entende MUITO da região e é extremamente simpática. A primeira parada do passeio é em uma cidade próxima, Toconao, onde conhecemos a pracinha e sua torre, e passamos em uma lojinha de artesanatos onde provamos pêssegos oferecidos pela dona e visitamos seu quintal com lhamas e pedras da região. De lá fomos conhecer o lago dos flamingos, onde fazemos uma caminhada de 20 minutos para ver os animais e depois tomarmos o café da manhã. 

Saindo dessa lago, passamos pelos campos de flores e fomos para Pedras Rojas. Essa foi, definitivamente, a vista mais bonita que já vi na vida. Paramos para caminhar pelas pedras e à beira do lago, para seguir viagem para as lagunas altiplânicas, onde almoçamos. Voltamos par caminhar por mais 20 minutos na primeira laguna e retornamos à estrada. Antes de retornar para San Pedro, paramos em um vilarejo para conhecer sua igreja, depois de passar por grandes cânions e suas belíssimas pedras resultantes de erupções vulcânicas. O passeio terminou as 19:00. Jantamos algum RO que tínhamos no quarto. São pagos dois parques no valor de 5.000 pesos cada um, e o passeio saiu por 80.000 pesos

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Dia 05 - 13 de Dezembro de 2017

O passeio hoje saiu às 5:30 da manhã. Fomos para o Gêiseres del Tatio e Vale dos cactos. Como saímos muito cedo, tivemos que sair bem agasalhada. Pegamos um frio de 7 graus que é essencial para observarmos o gêiseres, resultando da água a 85 graus, por causa do vulcão, que encontra o frio da superfície a 5, 7 graus. O passeio foi feito por uma agência que também não foi do hotel com um guia não muito preocupado em nos explicar o que víamos. Depois de olharmos vários gêiseres voltamos pra van onde tomamos nosso café da manhã. De lá passamos em outra região com outros deles, e onde, em algumas épocas do ano é possível tomar banho (segundo o guia, desde junho está proibido). 

Saímos de lá e passamos por um lago também com muitos patos e flamingos e em uma cidade bem pequena com uma igrejinha e um local onde servem churrasquinho de lhama. Por fim, antes de voltar para a cidade, passamos pelo vale dos cactos, que estão em um cânion lindíssimo. Novamente, o parque custa 5.000 pesos e o passeio custou 80.000 (mais o passeio do dia seguinte).

O passeio terminou as 13:00 e na volta da cidade almoçamos da Carmen, pertinho do nosso hotel. 

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Dia 06 - 14 de Dezembro

Último dia de deserto! Fomos pro Vale do Arco Íris com a agência do hotel. Saímos às 8:00 depois de tomar café da manhã no hotel. A estrada para o Vale está sendo reformada, então levamos mais do que a 1:30 programada para chegar na primeira parada, os petroglifos. O lugar é lindo é se paga 3.000 pesos para o seu acesso. É cheio de desenhos rupestres e você leva 20 minutos caminhando por entre os rabiscos. 

De lá fomos pro Vale, onde caminhamos por 30 minutos para então lancharmos. Por fim, passamos pelo rio e voltamos para a cidade. Almoçamos na Carmen e jantamos empanadas do mercadinho da frente do hotel novamente.

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Dia 07 - 15 de Dezembro

Às 6:00 a Transvip passou no hotel para nos levar ao aeroporto em Calama para voltarmos para Santiago.

 

DICAS:

- Nessa época do ano a temperatura varia de 8 a 29 graus. Quando o sol nasce, rapidamente a temperatura chega a 18 graus e no começo da noite fica por volta disso também.

- Como o sol é forte, sempre esteja com protetor solar e com garrafas de água.

- As caminhadas não exigem botas. Com um tênis confortável, você se vira.

- Como o frio não é grande, um moletom funciona. Nos gêiseres faz mais frio é é interessante levar um casaco mais forte, cachecol, luvas e gorro.

- O passeio das lagunas altiplânicas e dos gêiseres são em alta altitude (mais de 4.000 metros). É interessante fazer depois de alguns dias no deserto e durante a subida beba pequenos goles de água e se for o caso, tome chá de coca.

- No dia do passeio dos gêiseres, à tarde, é possível fazer o passeio das termas de puritama. Como eu não sou muito de mergulhos em lagos e lagoas, pulei o passeio, mas ouvi falar que vale muito à penas e não é duradouro.

- Um passeio clássico dessa viagem é o Salar de Tara. Como é próximo e muito parecido com o passei que já tinha feito no deserto da Bolívia em anos anteriores, preferimos não fazer.

- As festas são proibidas na cidade (é proibido dançar e beber sem fazer pedido de comida), mas acontecem em locais mais afastados e descobre-se no boca a boca.

- O câmbio é melhor em Santiago, então já leve seu dinheiro em pesos chilenos ou em dólar.

- Existem vários locais para aluguel de bicicletas. Para os que têm fôlego, é um passeio bem clássico também.

- Não consegui reserva para o passeio astronômico (http://www.almaobservatory.org/en/outreach/alma-observatory-public-visits/). É realmente científico, mas exige antecedência de 4 meses.

 

* Compramos a passagem de Santiago para Calama pela LATAM do Chile (bem mais barata que pela LATAM do Brasil) e custou 312,00 reais. O hotel para 3 pessoas custou 1.071,00 reais (por pessoa).

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Preciso de uma ajuda :-) Sei que algumas agências não funcionam no dia 24/12 e 25/12, mas gostaria de saber se nestas datas é possível visitar os locais de moto ou carro e pagar somente a entrada. Quero saber se ficam "abertos" para receber visitas de pessoas. Tem algum contato que pode nos informar sobre isso?

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    • Por guskow
      EXPEDIÇÃO 4x4 - Curitiba a Uyuni e Atacama via Jujuy e Paso Sico (15 dias em Novembro de 2018)
      Após ir de São Paulo a Fortaleza via Jalapão e Lençóis (relato aqui), foi vez de se inspirar neste blog e se aventurar de Toyota Bandeirante rumo a Bolivia, Chile e Argentina.

      Principais pontos: Argentina: Jujuy (Tilcara, Purmamarca, Humahuaca) e Cafayate. Bolívia: Salar do Uyuni e Chiguana, Deserto de Siloli, Reserva Eduardo Avaroa, Lagunas, Geiser Sol de la Mañana. Chile: San Pedro de Atacama e atrações Duração: 15 dias e 6.854 km, 700 L de diesel Veículo: Toyota Bandeirante 4x4 jipe curto, ano 2001, motor diesel 14B com Turbo (K16) e intercooler, pneus AT 32", jumelos conforto, A/C e DH, guincho Equipamentos: Pá, macaco hi-lift, esteira de desatolagem, 45L diesel adicionais em galões, bomba encher pneus, extenso kit de ferramentas e peças sobressalentes Viajantes: Gustavo e seus pais Eli e Joel (idades: 33, 60 e 62 anos, respectivamente) Navegação: Aplicativo “maps.me” com mapas offline e bookmarks previamente marcados Hospedagem: pousadas via booking.com, porém estávamos preparados para dormir no carro e de fato o fizemos 1 noite Fronteiras: Dionísio Cerqueira-SC (BRA) - Bernardo de Irigoyen (ARG); La Quicaca(ARG) - Villazón(BOL); Hito Cajon (BOL-CHI); Paso Sico (CHI-ARG) Obs: Viagem para 4x4 apenas, e requer pneus resistentes devido ao terreno e pedras. Usamos bastante creme labial e hidratante, protetor solar, e quantidade absurda de ÁGUA. Parte A –  Curitiba a Jujuy (2.128 km em dois dias)
      Dois dias de bastante estrada. Saímos cedo para cruzar o Paraná e pegar a fronteira de Dionísio Cerqueira-SC, que é menos movimentada que a de Foz, além de encurtar caminho para nós. Os procedimentos foram rápidos e feitos de dentro do carro. Carta Verde foi solicitada duas vezes no processo, acho que mudou uma regra e não rola mais fazer o seguro após cruzar para a Argentina. Após entrar, pediram para estacionarmos o carro e irmos fazer mais um trâmite em outro prédio, foi tranquilo. Saímos com carimbo em uns pequenos papéis (boletas) que depois nos pediram várias vezes em hotéis e fronteira.
      Já na Argentina, sacamos uns pesos em um caixa automático e avançamos até Posadas onde dormimos em um lugar excepcional chamado Irová Apart Hotel. Cruzamos o retão do Chaco em uma pegada de 1.200km que surpreendentemente não foi tediosa. Pelo contrário, achamos a paisagem agradável e o dia foi gostoso, acumulamos centenas de insetos no parabrisa e encontramos dois passarinhos atropelados: preso um na grade dianteira, e outro no guincho.
      Passamos por dezenas de barreiras policiais. Quase todas as vezes nos perguntavam origem e destino, e frequentemente nos paravam para pedir documentos e olhar o carro. Porém correu tudo bem. Vimos uma cobra grande morta na estrada, e outra viva que fez menção de “morder” nosso pneu. Vimos um tucano, muitas maritacas, e infinitos passarinhos. Estrada é ótima (com exceção de pequeno trecho no fim) e pouco movimentada. Dormimos em um apartamento em San Salvador de Jujuy, que é bastante urbana, desviando Salta pois nosso objetivo era avançar rumo a Bolívia.
      Parte B – Jujuy (ARG) e passagem para Bolívia
      Fomos a Purmamarca logo cedo. Além de simpaticíssima, a cidade é cercada por morros coloridos que propiciam vistas incríveis. Essa foto abaixo requer subir um mirante a pé por uns 20 minutos, valeu a pena. Há uma praça central com artesanato, e bastante fluxo de turistas.

      De lá fomos a Tilcara, onde almoçamos no centrinho na companhia de cães sarnentos e uma geladíssima cerveja – uma das poucas da viagem. Conhecemos as ruínas de Pucará de Tilcara que foram medianamente interessantes. Seguimos para Humahuaca, onde dormimos, e fomos conhecer a serra de Hornocal onde está o mirante das 14 cores.

      Esta estrada é bem íngreme e leva a 4.350m, nos propiciando os primeiros episódios de Soroche – mal da altitude. Nós sentimos basicamente perda de fôlego, que era facilmente resolvida com pausa + respiração profunda. A Toyota sobreaqueceu na subida da serra, exigindo que parássemos duas vezes. Na segunda parada, percebemos que o sistema de arrefecimento estava bem vazio e com pouco aditivo, o que assustou bastante pois havíamos completado o radiador com água pela manhã do mesmo dia. Na volta, o posto YPF tinha os aditivos (refrigerantes) que precisávamos para o radiador já que eu só carregava um litro no carro.

      Acordamos no dia 4 e encaramos 481km até a cidade de Uyuni, parando apenas na Duna Huancar (lagoa e duna interessante para visitar) e na fronteira em La Quiaca / Villazón onde a burocracia foi rápida, apesar da confusão com as diversas “janelinhas” onde deveríamos passar (inclusive acho que pulamos uma). Aqui tem o detalhe de pegar a declaração juradae tratar como um filho. Fizemos fotocópias dela e tiramos fotos de todos os celulares. Já saindo da imigração, um policial parou e ficou fazendo firula, aí pediu o equivalente a uns 20 reais por um carimbo... fui embora fingindo que nem escutei.
      Trocamos uns dólares e seguimos para a cidade de Uyuni, que é bastante seca e sem graça porém é o último lugar (semi-)civilizado pelos próximos 3 dias da viagem. Visitamos o cemitério de trens (sem graça) e ficamos em um baita hotel legal (Cristales Joyas de Sal) – nosso parceiro durante as crises noturnas de Soroche. Falando nisso, compramos uma garrafinha de oxigênio e umas pílulas aqui, que acabamos não usando. Enchemos o tanque naquele preço bacana para estrangeiros (8,8 versus 3,4 para locais) e ficamos prontos com 65+20+25 litros de diesel (isso é muito importante pois não há mais infra até San Pedro de Atacama, e maioria dos carros locais é a gasolina então precisa mesmo se garantir.
      Parte C – Salar do Uyuni e Chiguana
      Se ir pra Bolívia sem muito planejamento nem experiência já era uma baita cag*ada, partir para o Salar do Uyuni em um jipe antigo próprio, sem guia nenhum, levando os pais sexagenários para passar 3 dias isolados, sem infra e incomunicáveis era realmente o ápice da irresponsabilidade! 
      Tínhamos lido na internet o suficiente para saber que muita coisa poderia dar errado. Os relatos de perrengues homéricos e fatalidades são abundantes. Mas bah, o dia clareou e adentramos no Salar sem pensr muito, só com o frio na barriga. A euforia foi grande ao ser engolido por aquela imensidão branca! Chegamos nos monumentos (Dakar, Bandeiras, Palácio de Sal) cedo e já quebramos a regrinha de 10 fotos por dia que queríamos tentar respeitar como máximo. O solo estava bastante rígido como uma highway, e o track do GPS coincidia com marcações de pneus pelo trajeto. Paramos pra tirar fotos e vimos apenas um ou dois carros no horizonte durante toda a manhã.

      Dirigimos uns 65km rumo a ilha de Incahuasi (cactos gigantes), com a curiosidade de que a pequena ilha já era visível desde uns 25 km antes como se estivéssemos chegando! Visitar a ilha foi bem bacana, tanto pela infraestrutura impecável como pelo visual show do Salar, das demais ilhas, e dos antigos cactos gigantes. Muitas agências turísticas somente vem até aqui e retornam a Uyuni, porém nós seguiríamos por mais duas noites sem muita clareza do caminho então pegamos logo “a estrada” com a Toyotona, desta vez rumo extremo sul do Salar do Uyuni.

      Ao avistar “terra firme”, sentimos grande  alívio de que a tenebrosa e incerta fase da viagem estava prestes a ser vencida. Chegamos a dizer que o Salar não era tão macabro e que “dá pra vir de fusca tranquilamente”... mas é claro que mordemos a língua e os últimos 200 metros tinham atoleiros profundos que freavam a Toyota muito melhor que seu próprio freio e exigiram alguma perícia no 4x4 para sairmos ilesos do outro lado. Agora sim, em terreno firme, achamos uma sombrinha de pedra e cozinhamos um strogonoff pra comemorar!
      Próxima parada seria a noite para dormir no alojamento da Laguna Hedionda, para onde íamos seguindo um track do Wikiloc que passava por dentro um outro extenso Salar (de Chiguana), paralelamente a um trilho de trem. De fato, precisávamos cruzar o trilho mas ele estava em um morro muito alto, até que achamos um ponto onde os locais ajeitaram o morro para poder passar de carro. Cruzamos o trilho e voltamos pro track do Wikiloc, porém o terreno já não estava tão rígido e a Toyota ia dando o melhor de si de atoleiro em atoleiro, até que entramos em um trecho onde o sal simplesmente quebrava e dava lugar a um lodo super mole que foi freando, freando, freando até que freou completamente nossa pesada Bandeirante. Atolamos!

      Bom, nem deu tempo de lembrar daqueles relatos macabros de viajantes que passaram 3 dias atolados e isolados, morrendo de frio nas noites do deserto... pegamos a pá e começamos a tirar os toletes de barro que bloqueavam nossos diferenciais, jumelos, sapatas, etc. Coletamos uns pedaços rígidos de areia e fomos colocando junto aos pneus, além de pequenas tábuas que carregávamos conosco. Tudo parecia ok, “vamos tentar sair?” mas o jipe apenas patinava as 4 rodas de uma vez sem se mexer sequer 1 cm. Já passava das 17hs e logo cairia a gélida noite. Não havia a menor possibilidade de encontrar alguém por ali, e a cidade mais próxima estava a dezenas de quilômetros, então o jeito era continuar trabalhando sem dar menor atenção ao Soroche que provavelmente nos tentava assolar.
      Enquanto Seu Joel retirava meia tonelada de barro de baixo da Band, Dona Eli rodou o perímetro a pé e encontrou uma carcaça de pneu estourado que serviria para calçar uma das rodas traseiras. Na outra roda, usaríamos nossa esteira de desatolagem. Para levantar a traseira e desenterrar o diferencial, usamos o macaco Hi-lift.

      Baixamos o macaco e a situação parecia melhor: com as rodas traseiras agora apoiadas, havia menos coisas presas no barro. O terreno a frente já começava a ficar mais rígido, então bastava vencer uns 2 metros de atoleiro. Porém pouco conseguimos avançar, ainda patinavam as 4 rodas repletas de barro. Repetimos a operação. O pouco progresso, no entanto, já permitia andar um pouco de ré para pegar embalo, avançando uns centímetros a cada iteração. O incansável trabalho com a pá continuava abrindo espaço para o jipe se movimentar para frente, até que as 18 hs nós conseguimos sair do buraco! 

      Gritei um milhão de palavrões e xinguei muito “Cochabamba” (não sei da onde me surgiu essa palavra na hora) pra comemorar. Decidimos voltar para o outro lado do trilho e seguir no caminho mais seguro (e longo) que levaria a uma cidadezinha chamada Avaroa, e de lá iríamos no dia seguinte para as Lagunas. Ainda dirigimos pela parte traiçoeira novamente no caminho de volta, quaaaase atolando.
      Já que não dava mais pra chegar no alojamento em prazo razoável, pesquisei no maps.me e vi 4 hotéis perto de Alvaroa com boa avaliação. Chegamos lá as 19h15 e encontramos uma baita placa de "ADUANA": a bendita cidade com 4 hotéis ficava no Chile, aquilo era - inesperadamente - uma fronteira!
      Estávamos em um vilarejo Boliviano que basicamente só tinha os containers da imigração e aduana, mais nada. Era desolador pensar em passar a noite ali, resolvemos tentar a todo custo atravessar a fronteira apenas para dormir bem do outro lado e voltar na manhã seguinte. Bati no container e um oficial boliviano me confirmou que já estava tudo fechado. Chorei um pouco alegando que não tinha onde dormir, que ia fazer muito frio a noite, e que eu sabia que do outro lado haveria hotéis, e o oficial simpaticamente fez uma exceção e nos recebeu. Após cancelar nossa declaração juradae cancelar os papéis que ganhamos na fronteira de La Quiaca, ele carimbou os passaportes saindo da Bolivia e mandou seguir. Sucesso!!
      Quer dizer, mais ou menos. Andamos 3 km e nos deparamos com a imigração Chilena fechada. Bem fechada, aliás, pois lá já eram 20h30 no horário deles. Encontrei um moço da Interpol e outro chileno que disseram que não havia a menor possibilidade de entrarmos na cidade para dormir e que seríamos presos imediatamente se não retornássemos. Ou seja, ficamos largados entre os dois países em um verdadeiro limbo, no meio de uma noite que já estava esfriando muito rápido.
      Me arrependi profundamente de ter tentando cruzar para o Chile, pois agora estava sem declaração juradae ia ter que me explicar mil vezes pra conseguir retornar oficialmente para a Bolívia no outro dia, sendo que poderia simplesmente ter estacionado em qualquer lugar e dormido sem nada dessa loucura. Como não tinha nada a perder, voltei para os containers bolivianos tentar fazer imigração novamente no meio da noite. Me informaram que eu só ia poder voltar pra Bolívia depois de entrar no Chile, pois já tinha dado baixa da Bolívia.
      Só que no dia seguinte já não me adiantava nada entrar no Chile, pois o caminho continuava pela Bolívia. Sei lá qual foi o chororô que funcionou, mas o pessoal começou gentilmente a me ajudar... refizeram a declaração juradapra eu entrar de novo, mas só iam me dar quando eu apresentasse carimbo de entrada no passaporte. Isso era no outro container onde ninguém me atendia. Já estava muito frio e tarde, e algum dos caras da aduana foi gentil ao ponto de ir buscar o oficial de imigração no alojamento dele no meio da noite e convencer ele a fazer nossa papelada. Esse cara apareceu fora de controle querendo me matar, batendo na mesa e gritando loucamente comigo... mas acalmaram ele, – como num passe de mágica – desfizemos toda a cagada e voltamos a estaca zero!
      Eram umas 21hs quando voltei pro lado Boliviano, parei o carro atrás de uma mureta (pra parcialmente abrigar dos fortes ventos), e dormimos o três dentro da Toyota como se fosse o melhor hotel do mundo – e, naquela situação, era!!!

      Parte D – Lagunas, Deserto de Siloli, Reserva Andina Eduardo Avaroa
      Acordamos enrolados em todas nossas roupas, saco de dormir e cobertor de emergência. Temperatura era negativa, mas por alguma razão nós dávamos muita risada e fazíamos piada da situação. Bora seguir caminho, pois este dia era talvez o mais lindo da viagem: primeiro, as lindíssimas Lagunas Cañapa, Hedionda, Chiar Kkota, Honda.

      Então cruzar o deserto de Siloli por um trajeto espetacular, seguindo uns fios de água (as vezes congelados) com vistas de tirar o fôlego (ou seriam os 4.950 metros que atingimos nesse dia?), e chegar na esplêndida Laguna Colorada.

      Na Colorada, fizemos nosso almoço com uma vista indescritível e nos ajeitamos no pobríssimo alojamento. Para o banho, tínhamos que ficar pelados primeiro, aí gritar “listoooooo”para que o antipático senhor abrisse a água. Só o cup noodlesque cozinhamos no fogareiro salvou do frio que senti depois do banho gelado que o véio me concedeu!! Dia seguinte acordamos sem pressa e fomos conhecer os Geiser Sol de la Mañana, uma cena realmente de outro planeta:

      Toda água mineral que levamos para os 3 dias fora da civilização tinham acabado e estávamos usando pastilhas de Clorin para purificar o que íamos beber. Na rota para San Pedro de Atacama, ainda tomamos banho em piscina termal (Thermes de Polques) na laguna Chilviri e passamos pelas belas lagunas Blanca e Verde. Chegando a fronteira com o Chile, nova supresa: “a aduana boliviana foi embora naquela Hilux senhor, eles não voltam mais hoje. Você precisará ir a Pachaca a 70km (ou 170, não lembro) fazer documentação de saída do seu veículo então retornar aqui”. Esse foi o anti-climax total.. eram 13hs, já tínhamos usado nosso galão reserva de 25L, e aquelas estradas péssimas iam comer horas e horas. Decidimos ignorar o conselho e seguir para o próximo checkpoint boliviano, onde encontramos um casebre de imigração fechado para almoço.
      Como mágica, seu Joel enfiou a cara numa janela e viu alguém lá dentro que, muito gentilmente, nos atendeu e carimbou os passaportes. Partimos sem o processo aduaneiro, agora em rodovia extremamente bem asfaltada e sinalizada assim que o território virou chileno. No Chile, fomos tratados com muito profissionalismo nos procedimentos e verificaram bem o conteúdo das nossas bagagens (por segurança alimentar/agrícola). Pegamos então a descida incrível que vai do Hito Cajon até San Pedro do Atacama.
      Parte E – San Pedro de Atacama, Paso Sico, Cafayate-ARG
      Foi muito bom chegar em San Pedro do Atacama e comer uma boa refeição, tomar um bom banho, dormir em uma boa cama. Passamos 4 dias excelentes em SPA fazendo os passeios tradicionais que nem vou detalhar pois são bem documentados no site, mas reforço que gostamos muito das Lagunas Escondidas de Baltinache e achamos caríssimo o Geiser del Tatio (15000 pesos por pessoa). Por sina, preços no Atacama foram bem maiores que no restante da viagem. 
      Nosso retorno para Argentina foi pelo Paso Sico onde as paisagens são absolutamente incríveis! No caminho, estão as lagunas Miñique e Miscanti, de tirar o fôlego.

      O trâmite aduaneiro costumava ser feito em SPA antes de pegar estrada, porém informaram que agora se faz tudo no próprio Paso Sico. Aduana integrada (CHI/ARG) onde fomos bem tratados. Falaram que só passam uns 4 carros por dia ali. Estrada no lado argentino estava muito pior porém igualmente linda e interessante. Chegamos em San Antonio de los Cobres para dormir (cidade de pior custo benefício da viagem), e no dia seguinte pegamos a Ruta 40 rumo a Cafayate para passar uns dias de qualidade relaxando por lá.

      A Ruta 40 neste trecho é inteirinha de costelas de vaca e despenhadeiros. Paisagens surpreendentes que nos faziam parar fotografar de 10 em 10 minutos, mas ao final do dia os 380km de costela de vaca já tinham acabado com nosso humor (e quebrado um amortecedor dianteiro). Demos carona para 3 locais no pouco espaço que tínhamos, foi divertido! Fizemos uma feijoada Vapsa em uma sombra de árvore, vimos senhoras locais pastoreando ovelhas, chegamos a maior altitude da viagem (4.992m) e começamos a ver paisagens verdes após muito tempo de secura.

      Por fim, chegamos em Cafayate que foi um oásis de conforto perfeito por duas noites para concluir esta aventura. Preços excelente de acomodação e alimentação, pratos deliciosos, vinícolas abundantes, e um estilo muito charmoso. .

      Visitamos a quebrada e ainda pegamos uma bela cena por cima das nuvens no caminho para Tafi del Vale. Fizemos a volta em três pernas: Cafayate – Resistência – Pato Branco – Curitiba. 

      Fechamento
      Não tivemos nenhum problema de saúde nem mecânico, embora as condições do ambiente e da estrada sejam extremas, e por isso muito gratos. Mais fotos no instagram @botija4x4.
      Agradeço aos viajantes que deixam relatos inspiradores, em particular ao toyoteiro Guilherme Adolf cujas histórias foram o embrião dessas nossas expedições.
      Resumo dia-a-dia
        Origem
      Destino
      Kms
      Dia 1
      Curitiba
      Posadas
      923
      Dia 2
      Posadas
      San Salvador de Jujuy
      1205
      Dia 3
      San Salvador de Jujuy
      Humahuaca
      195
      Dia 4
      Humahuaca
      Uyuni
      481
      Dia 5
      Uyuni
      Avaroa (não há alojamento)
      272
      Dia 6
      Avaroa
      Laguna Colorada
      165
      Dia 7
      Laguna Colorada
      San Pedro de Atacama
      166
      Dia 8
      San Pedro de Atacama
      SPA
      146
      Dia 9
      SPA
      SPA
      212
      Dia 10
      SPA
      Santo Antônio de lós Cobres
      381
      Dia 11
      Santo Antônio de lós Cobres
      Cafayate
      312
      Dia 12
      Cafayate
      Cafayate
      130
      Dia 13
      Cafayate
      Resistência
      991
      Dia 14
      Resistência
      Pato Branco-PR
      801
      Dia 15
      Pato Branco-PR
      Curitiba
      475
          Total
      6854
       
       
       
    • Por Astrolábio Trip
      O Deserto do Atacama é o deserto mais alto e mais seco do mundo, mas com paisagens belas e  únicas. Não é a toa que é um dos destinos turísticos mais procurados por brasileiros.
              Como chegar:
            Voos até o Aeroporto de Santiago e de Santiago para o Aeroporto de Calama. De Calama é necessário contratar um tranfer que pode ser reservado pela internet ou direto no aeroporto.
              Quando ir:
             Dependendo da época do ano, você encontrará paisagens bem diferentes.
             A época de chuvas vai de Dezembro a Fevereiro. Sim, chove no deserto. Não tanto a ponto de estregar o passeio, mas ninguém controla a natureza, né?
             Inverno : Junho, Julho e Agosto com temperaturas em torno de 20°C durante o dia , porém a noite e de manhã cedo espere temperaturas por volta de 0°C ou até mesmo negativas.
             Nos demais meses a temperatura é mais amena e não há tanta variação térmica, o que torna esse período bem interessante para conhecer o Atacama.
              O que levar:
             Independente da estação do ano leve gorro, casaco ou fleece, cachecol, hidradante corporal, protetor solar, pomada Bepantol é essencial para os lábios, toalha e  óculos de sol. No verão dá para levar alguns shorts e camisetas para o dia. Se for inverno, capriche no casacos mais grossos, além de levar segunda pele,fleece, luvas, meias grossas e um corta vento.
             Como lidar com a altitude nos passeios: Mastigar folha de coca, chá de coca ou chachacoma. A folha da coca não é considerada droga e tampouco tem efeitos alucinógenos. Há também nas farmácias Soroche pills  para o mal da altitude. Descanse bem e evite bebidas alcoólicas em excesso. Você preciso de pelo menos 24 horas. para se aclimatar. Aproveite para conhecer a cidade de San Pedro de Atacama que é um charme.
       
              Moeda: pesos chilenos. Trocamos em São Pedro do Atacama mesmo, pois a cotação estava melhor que no aeroporto. As principais casas de câmbio ficam nas Ruas (calles) Toconao e Caracoles. Pesquise a melhor cotação antes de trocar seu dinheiro.
          Com quem fechamos os Tours: Fechamos os nossos passeios com a Deyd (www.instagram.com/deynoatacama) , que é uma brasileira super gente boa que mora em São Pedro do Atacama, e nos ajudou na escolha dos tours e preparou tudo da melhor maneira para nos receber. Ao entrar em contato com a Deyd, comente que você achou a indicação no Blog Astrolábio Trip e ganhe 5% de desconto. Pode enviar mensagem para ela pelo whatsapp +56 9 7993 2005 ou ligar também.
               O que fazer no Atacama :
      Valle de la Luna 
      Fica a 10km de São Pedro de onde visitaremos diferentes atrativos que se encontram no valle como o Anfiteatro, mina Victoria, Mirador, Três Marias, cavernas de sal e a pedra do Coyote.
      Entrada: 3 mil pesos
      Horário : 16:00 às 20:00h
      Valle de la Luna . crédito @deydnoatacama        Geysers del Tatio
             Esse é um dos passeios que mais exige dos visitantes. A saída do hotel é por volta de 4:30/5:00 da manhã quando as temperaturas ainda estão baixas ou até mesmo negativas, e ao chegar ao campo geotérmico alcança-se cerca de 4200 metros de altitude. E mesmo assim é uma das atrações mais procuradas por quem visita o Atacama.  O tour começa com uma caminhada para observar os diferentes tipos de gêiseres, fenômeno que só pode ser observado em 6 lugares do mundo e este é o terceiro maior. O tour inclui café da manhã . Dica: Não faça esse tour antes de estar aclimatado.
      Entrada : $7.000
      Horário: 04:30 às  13h
      Geysers del Tatio         Piedras Rojas e Laguna Altiplânicas
              O tour mais clássico e mais procurado no Atacama, ou seja, imperdível. É um tour de um dia inteiro passando por variadas altitudes no decorrer do passeio. Começamos visitando o  povoado de Toconao, Salar de Atacama, Laguna Chaxa , Reserva Nacional dos Flamingos  e seguimos para o povoado de Socaire , onde tomamos o café da manhã e mais tarde retornaríamos para o almoço. Depois de ver tantas paisagens lindas, paramos no Mirante de Piedras Rojas . Infelizmente, o acesso a Piedras Rojas está fechado desde janeiro/2018 e ainda não há previsão para reabrir. Visitamos a Laguna Tuyaito e logo depois as Lagunas Altiplânicas a 4200 metros de altitude. E pra finalizar o dia , uma parada em um trecho do antigo caminho Inca e em uma das latitudes do Trópico de Capricórnio. Fizemos esse maravilhoso tour e em breve teremos um post só para ele.
      Entradas : $5.500 ($2.500 – Reserva Nacional dos Flamigos e $3.000 – Lagunas Altiplânicas)
      Horário: 07h às 17h
        Vulcano          Termas de Puritama
             Esse tour é para relaxar e é excelente para combinar com algum outro que você já tenha feito pela manhã ou que fará à tarde. Há geralmente saídas nos dois turnos. Em Puritama, você disfruta das águas termais  (30°C) que vem dos vulcões e da cordilheira.
      Entrada : $15.000 fim de semana e manhãs durante a semana e $9.000 tardes durante a semana
      Horários: 09h às 14h ou 14h às 18h
      Termas de Puritama        Lagunas Escondidas
             São 7 lagoas localizadas no altiplano, de águas turquesas e com uma concentração de sal de ceraca , 7 vezes mais alta que a concentração do mar. Apenas 2 lagoas estão aptas para o banho, onde você não consegue afundar devido a alta concentração de sal.
      Entrada: $5.000
      Horário: 15h às 20h
      Lagunas Escondidas        Laguna Cejar
             Outro lugar ideal para descansar depois de um dia de muitos passeios. As saídas são por volta das 16h e você visitará a Laguna Cejar e los Ojos del Salar. Imagina poder se banhar flutuando nas águas salgadas e ainda poder observar o pôr do sol. Leve roupa de banho e um casaco para o retorno.
      Entrada: $17.000
      Horário: 16h às 20h
      Leia mais em https://astrolabiotrip.com/2018/12/02/o-que-fazer-no-atacama/
    • Por Amoni
      Pessoal, algm conseguiu  ou sabe como comprar o trecho Santiago-Calama pela Sky air lines ou Jet smart? Já tentei de tudo, sem parcelar, pelo site Atrapalo, colocando os valores em dólar...Não sei mais oq fazer, algm tem uma dica, solução que nao seja Latam Brasil?
      Obs: meu cartão já é lberado pra compras internacionais
    • Por filiperocha
      Fala galera!
       
      Eu e minha namorada acabamos e chegar do lugar mais incrível do mundo, mais conhecido como San Pedro de Atacama e, como aprendemos muita coisa aqui, nada mais justo que repassar pra vocês toda nossa viagem num relato cheio de informações atualizadas. Estivemos lá de 14 até 20 de outubro de 2016.
       
      As fotos (muitas) não postadas aqui estão no nosso instagram: @ofiliperocha e @maragbreves Se puderem dar uma moral lá, ficaremos gratos!
       
      Então, vamos lá! Acho que dividindo por tópicos fica mais organizado:
       
      Passagens aéreas
       
      Primeiramente, devo alertar que você NÃO DEVE COMPRAR o trecho Brasil - Calama antes de pesquisar bem outras alternativas. Óbvio que tem seus benefícios, como a obrigatoriedade de a cia área te alocar em outro voo caso perca a conexão por atraso no primeiro voo e etc, mas nem sempre compensa. No nosso caso, o trecho Rio - Calama pela LATAM sairia cerca de 600 reais mais caro do que comprar os trechos separados.
       
      Compramos as passagens em agosto e o trecho Rio-Santiago e Santiago - Rio saíram por 2 mil reais (para duas pessoas) em voos diretos!
       
      Sobre o trecho Santiago - Calama, comparamos os preços e decidimos comprar no site chileno da SKY AIRLINES
       
      ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE 1: Em todos os lugares que pesquisei, havia lido que para comprar as passagens no site da sky seria preciso enviar um e-mail mandando dados, uma burocracia só..Informo que conosco não foi preciso nada disso.
       
      Bastou entrar no site chileno da companhia (para isso entre no site da companhia: http://www.skyairline.cl/verChange.aspx e selecione o país como CHILE e o idioma espanhol. Caso não apareça a opção, entre no site da empresa, no canto esquerdo superior da tela clique no país que aparece, que a tela pra você mudar de país vai aparecer). Escolhidos os trechos, basta inserir o numero de um cartão internacional que a compra será feita na hora, sem e-mails e demais burocracias. Como documento coloquei meu passaporte e minha namorada a identidade dela. Interessante é que no e-mail eles não aceitaram um endereço brasileiro (.br), porém o hotmail fornece e-mail apenas ".com", o qual utilizamos sem maiores dificuldades.
       
      O trecho Santiago - Calama ida e volta saiu por 110 dólares já com as taxas, para duas pessoas ! 300 reais mais barato do que comprando no site chileno da Latam.
       
      ATUALIZAÇÃO IMPORTANTE 2: Os principais sites avaliadores de cias aéreas estão desatualizados quando falam da SKY. A companhia se tornou uma low cost e não possui serviço de bordo, apenas venda de alimentos e bebidas. Como o voo dura só 2 horas, não foi nada que me atrapalhasse.
       
      No que diz respeito à qualidade do serviço, os aviões são ótimos! Eu e minha namorada achamos inclusive mais confortável que o voo internacional operado pela LATAM.
       
      Partimos do Rio às 6:40 do dia 14/10 e chegamos em Santiago pouco antes das 11:30. Nosso voo para Calama partia apenas às 15:25. Achei importante deixar essa folga de tempo para passar pela imigração e se caso nosso voo tivesse atraso.
       
      Nesse meio tempo, aproveitei para:
       
      comprar um chip de internet no chile: No terceiro andar do aeroporto de Santiago, saindo do elevador basta ir na direção esquerda até uma loja chamada FOTOKINKA. Lá, adquiri um chip pré-pago da Movistar que vinha com 150mb de internet e 2.000 pesos de crédito. Ainda na loja, a moça me orientou a discar um número e gastar esse saldo em mais 200mb de internet. Por fim, pagamos 9 mil pesos pelo chip e ficamos com 350mb de internet móvel para a viagem toda. Essa quantidade eu diria que foi razoável (acabou no último dia, no aeroporto de Santiago). Compartilhava os dados com minha namorada e controlávamos o uso do 3G (não deixamos ligado o tempo todo). Vale dizer que a cobertura da Movistar é ótima em San Pedro e em quase todos os passeios.
       
      Chegada a hora, embarcamos rumo a Calama, num voo onde o visual é alucinante, parece que não vai ter aeroporto pra pousar e você se dá conta de que está no meio do NADA.
       
       
      Chegamos ao Chile!
       

       
      Vista na viagem para Calama:
       

       
       
      Transfer do aeroporto El Loa (Calama) até San Pedro
       
      Chegando em Calama após 2h de voo, você se depara com o modesto e bonito aeroporto de El Loa. Bagagens retiradas, é chegada a hora de ir pra San Pedro do Atacama, cidade base para conhecer o deserto! Para tanto, será necessário contratar um serviço de transfer ou ir de ônibus. Pela comodidade, ficamos com a primeira opção.
       
      Muito se fala na Licancabur, mas é bom deixar claro que ela não é a única empresa que faz o serviço. No primeiro andar do aeroporto de Calama, há diversos stands de empresas que fazem esse transporte, mas atenção: Na volta, chegamos a Calama perto das 7h e estavam todas fechadas, então se você vai chegar cedo, é bom reservar antes.
       
      Reservamos nosso transfer diretamente com o Hostel (assunto para o próximo tópico) e quando chegamos já estavam nos esperando no desembarque com uma placa. Seguimos viagem numa confortável minivan da Hyundai com ar condicionado e bancos de couro até a porta do Hostel. Digo isso não por ser fútil, mas por custo benefício mesmo: A Licancabur te cobra 20 mil pesos, te leva de ônibus e, pelo que sei, te deixa no centro de SPA cheio de malas. Esse transfer que pegamos te leva de carro, com no máximo mais umas 6 pessoas e te deixa na porta do hostel pelos mesmos 20 mil pesos por pessoa (ida e volta), já com horário marcado pra te pegarem na volta. Prometo que vou procurar o recibo que tem o nome da empresa e posto aqui.
       
      O melhor: o motorista Rodolfo ainda deu uma paradinha pra tirarmos uma fotos antes mesmo de chegar na vila! (prepare-se para o vento, às 18h30 o vento começa a pegar)
       
      Chegamos no deserto!

       
      Paradinha para fotos logo na chegada:

       
      Hostel:
       
      Pra nós, foi uma das escolhas mais difíceis. Como era nossa primeira viagem pra fora, passamos meses pesquisando onde ficar. Por fim, acabamos escolhendo o Hostel Mamatierra, número 1 de avaliações no TripAdvisor. Daria pra ficar num mais barato? Daria, mas não sei se compensaria, sinceramente.
       
      O hostel é sensacional ! A começar pela simpatia do cara que nos atendeu quando chegamos. Nos deu mapa de SPA, senha do Wifi, informações sobre a cidade e sobre os passeios. No último dia, quando minha namorada passou mal, nos ofereceu gratuitamente remédios para mal de altitude. Os demais funcionários também são super simpáticos, em especial um boliviano que vem pro Rio ano que vem passar o carnaval!
       
      Dentre os pontos relevantes do Hostel estão:
       
      1) Café da manhã: Salada de frutas, sucos, chá de coca (e outros), pão, presunto, queijo, sucrilhos, leite, café, chocolate, iogurte..dentre outras coisas que não me lembro. É bem completo para um hostel, não tenho do que reclamar. E se em SPA você sai quase todo dia antes do horário do café, aí está: Você avisa eles no dia anterior e eles deixam um saquinho de lanche com o seu nome e quarto na cozinha pra você levar pro passeio! O lanchinho inclui pão, suco de caixinha, iogurte ou bote com pêssego e barra de cereal!
       
      2) Água quente: Pegamos um quarto com banheiro privado e não nos faltou água quente, todos os dias, toda hora que precisávamos.
       
      3) Bebedouro na cozinha: Nosso gasto com água em pelo deserto foi de 2 mil pesos em 2 garrafas de 1,5L quando chegamos. Isto porque o Hostel possui um bebedouro na cozinha onde você pode encher suas garrafas a hora que quiser, o que te faz economizar uma boa grana no deserto, tendo em vista o consumo intenso de água!
       
      4) Mercadinho do lado: com água, vinhos, lanches, congelados, legumes, frutas e conservados em geral. Do lado mesmo, não não dá nem três passos.
       
      5) Wi-fi: ponto negativo. Não pegava no quarto de jeito nenhum (talvez pq ficamos afastados da recepção). Na área comum pegava ok, nada demais o sinal. Poderia ser melhor, mas quem vai pra SPA não pode exigir uma "modernidade" dessas no meio do deserto e de fato não fará falta, o que não falta é coisa pra fazer.
       
      6) Paredes de Adobe: que isolam a temperatura (e o wifi também hehe). Não passamos frio em momento algum. O quarto era quentinho demais, durante o dia fazia até calor dentro dele.
       
      Entrada do Hostel:

       
      Área comum:

       
      Cozinha:

       
       
      Ja já eu volto pra continuar contando!
    • Por Rezzende
      E aee galera mochileira!!!
      Vamos embarcar numa viagem sensacional, com paisagens incríveis e momentos inesquecíveis?
      Já sei que existem trocentos relatos sobre essa trip aqui. E esse relato não é diferente ou inovador, possivelmente pode ser apenas mais um... Mas esse é sob a minha ótica, com as minhas impressões, tentando transmitir as minhas sensações…
      Escrever um relato sempre vem com a intenção de ajudar os novos viajantes, assim como eu me alimentei muito de outros relatos pra fazer a minha. É uma retribuição a toda essa comunidade que me permitiu viver tudo isso. Além disso, eu uso os relatos como uma forma de registrar minha viagem, documentar como foram os meus dias, pra que daqui a uns anos eu volte aqui e relembre exatamente o que fiz naquele dia, viajar de novo na memória e não deixar que os detalhes desapareçam no tempo.
      Desde que conheci o Mochileiros.com em 2011, esse roteiro já me inspirava. Dentre os relatos que me fascinavam estava o do Sorrent em 2012, esse relato do @Sorrent é um dos clássicos desse site e os do Rodrigo e da Maryana que foram base e inspiração pra muita gente. Em vários momentos da viagem me senti vivenciando as coisas que eles escreveram.
       
      ROTEIRO
      Em junho/2015 eu fui junto com outros amigos pra Cusco. Como já tinha ido a um dos destinos desse clássico roteiro e também como pra fazer o roteiro completo com calma precisaria de quase 1 mês, ou seja, tirar minhas férias todas de uma vez e não poder dividi-las como sempre gosto de fazer, eu fui deixando esse roteiro de lado e indo pra outras bandas da América do Sul primeiro, até que enfim não consegui mais resistir e decidi fazer “meio roteiro clássico”. Amei muito Cusco, uma cidade incrível, uma vibe sem precedentes, quero muito voltar pra fazer a Salkantay ou a trilha Inca, as montanhas coloridas que em 2015 ainda não eram exploradas e conhecer Cusco do modo mochileiro, mas dessa vez, como já conhecia, decidi conhecer áreas novas. Resolvi também que dessa vez não faria Copacabana e La Paz e no futuro, voltando a Cusco, fecharia esse roteiro.
      Então fechei meu roteiro com Santa Cruz de la Sierra, Sucre, Uyuni, Atacama, Arequipa, Huacachina e Lima com 17 dias, de 10 a 26 de outubro de 2018.
       
      Outubro é uma boa época pra esse roteiro. Não é época de chuva em nenhum lugar e o frio no Salar já não é tão intenso.
       
      Fiz um seguro viagem pela Affinity que ficou em 160 reais. Graças a Deus não precisei usar, mas sempre façam. Quando fui pra Santiago em março me dei mal lá, tive que dar pontos no pé e o seguro foi essencial. Então sempre façam!!!🤙
       
      Fui com um mochilão Quechua de 70 litros que coube tudo e ainda sobrou espaço. Não vou dizer tudo que levei porque as necessidades individuais variam pra cada pessoa mas adianto que roupas de frio, segunda pele, casaco pesado, gorro e luvas são necessários no Salar assim como você vai usar roupas leves no Atacama e Huacachina. Levei também uma mochila pequena de ataque, muito útil na travessia do Salar e no Canyon del Colca, além de ir comigo nos ônibus e nos voos.
      Bom, vamos aos fatos 
       
      Quarta, 10 de outubro de 2018 🇧🇴
      Vai começar a brincadeira! Fui de ônibus, viajando a noite inteira, da minha cidade Conselheiro Lafaiete/MG pra São Paulo. Da rodoviária do Tietê pro aeroporto de Guarulhos fui de metrô por 4 reais e gastei cerca de uma hora. Comprei as passagens de ida pela Boa (Boliviana de Aviacion) pra Sucre que incluía uma escala longa em Santa Cruz de la Sierra, suficiente pra ir no centro fazer cambio, conhecer a praça e dormir por lá. Decolei de Guarulhos às 13:15 e cheguei em Santa Cruz às 15h (hora local). O voo pra Sucre era só no outro dia de manhã. Imigração tranquila, a moça me perguntou o que ia fazer, falei com ela meu roteiro e ela disse que era um lindo roteiro e ela tinha muita vontade de conhecer Uyuni. Passaporte carimbado, passei no raio-x das mochilas e saí. Não vi a tal luz que a galera aperta e se for verde passa ou se for vermelha revista a mala. Talvez não tenha isso mais. Também não me deram nenhum papelzinho de entrada na Bolívia.
      O cambio do aeroporto, sempre ruim, tava R$ 1=1,50 bolivianos. Troquei 50 reais só pros primeiros gastos. Com 75 bolivianos no bolso e tempo sobrando fui procurar um busão pro centro. Ele sai dali da porta do aeroporto mesmo e custa 6 bolivianos. É um microônibus apertadinho mas fui la pro fundão e me acomodei com minhas mochilas. Tinha lido que esse onibus vai pra um terminal no centro e de lá poderia pegar um táxi pro hostel, mas o motorista disse pra umas mulheres lá na frente que ele passaria num ponto que fica a 5 quadras da praça e como não tava um calor absurdo (leia-se os mais de 30 e tantos graus comuns em Santa Cruz) mas tava uns 25 a 27 graus e meio nublado, me animei a descer e ir andando. O aeroporto é longe do centro então foram uns 45 minutos de busão.
      Cheguei no hostel por volta de 16h. Tinha reservado o Nomad Hostel pela sua localização, ao lado da catedral, ponto mais central impossível  A diária era 65 bolivianos. Achei caro já que não ia nem poder tomar o café da manhã, mas compensava pela localização. O cara da recepção era brasileiro. A propósito Santa Cruz tem muitos brasileiros estudando lá e por isso tinha esperanças de bom cambio por ali. Do outro lado da praça estão várias casas de câmbio. Os valores variavam pouco ali, entre 1,75 a 1,77. Só pra informação, dólar tava a 6,93. Como imaginava que ali seria o melhor câmbio da Bolívia (e realmente foi) troquei 1000 reais, dando 1770 bolivianos, que pelas minhas contas seria o suficiente pro meu tempo na Bolívia. Dinheiro no bolso, fui dar um rolê na praça.
      Santa Cruz de la Sierra não tem muitos atrativos. Escolhi ficar lá uma noite apenas pra fazer câmbio e dizer que conheci a cidade. Porém não posso negar que a praça é bem bonita, muito arborizada e a catedral é linda. Dá pra subir no mirador da catedral, o ingresso é só 3 bolivianos e tem uma vista bem bacana da praça e da cidade.


      Saí do Brasil 2 dias depois do 1º turno e ia voltar na véspera do 2° turno, então tava feliz de ficar fora enquanto todo mundo discutia política. Pensam que consegui? 😛 Santa Cruz tava em polvorosa, logo logo começou a lotar a praça de gente pra manifestar. Há um tempo atrás a Bolívia votou um plebiscito pra saber se o Evo Morales poderia continuar concorrendo a reeleições. O NÃO ganhou com uma vantagem apertada. Só que agora o Evo quer concorrer de qualquer jeito, mesmo com o NÃO ganhando o plebiscito. Então tava todo mundo puto por lá, protestando contra a ditadura que segundo eles tá começando e exigindo que o resultado do NÃO seja respeitado. Tinha até uma turma acampada lá em greve de fome. Apesar de demonstrar ser um momento político tenso a manifestação tava bem pacífica com bandinhas e desfiles de escolas, tava bonito de ver. Fiquei um bom tempo ali refletindo sobre a situação política do nosso país e da América do Sul em geral. Como disse uma mulher com quem conversei, nossa America padece 😔
      Fui jantar, procurei um lugar mais ajeitadinho, primeiro que queria uma coisa mais bacana pra começar a viagem e depois que tava com um pé atrás com comida na Bolívia (depois relaxei 😄) e achei um restaurante especializado em comida chinesa chamado Chen Jianfan ali perto da praça e pedi um prato de frango cozido com vegetais, arroz, batata frita e suco de maracujá por 33 bolivianos (R$ 18,64).
      Satisfeito, fui pro hostel. Pedi um Paceña no bar do hostel pra entrar no clima. Tinha um grupo grande de amigos numa mesa, um casal de argentinos e só. Não tava um ambiente muito interativo. Já tinha viajado de busão toda noite anterior, ia levantar cedo no dia seguinte, fui dormir.
       
      Quinta, 11 de outubro de 2018 🇧🇴
      Levantei pouco antes de 7 da manhã, arrumei minhas coisas e saí. Cheguei na recepção e  porta fechada e sem recepção. E agora como eu saio daqui? Olho ao redor e ninguém. A porta era de blindex e estava fechada de chave e ainda tinha a porta da rua. Pensei uns minutos e vi que tinha um pino em cima. Abaixei o pino, forcei a porta pra dentro e consegui abrir. Só encostei ela de volta e deixei destrancada (claro) Agora era a da rua mas ela só tava encostada 😅 FUGI DO HOSTEL 😂 modo de dizer pois já tinha pago a diaria no checkin mas passei um perrenguinho ali
      Ao contrário de ontem, não tinha muito tempo sobrando então descartei o busão. Ainda com wifi na porta do hostel olhei Uber pro aeroporto e tava 109 bolivianos 😨 Então fui pra praça e fiquei esperando pra ver se passava um táxi. Logo o segundo que passou tava livre e o tiozinho cobrou 70bol. Ok, lá vamos 😕 No meio do caminho tinha uma escola, tinha uma escola no meio do caminho 😒 E por ser horário de inicio das aulas tava um transito do cão. O tiozinho ia costurando o transito e se fosse busão ia ficar garrado ali. Achei melhor estar de táxi mesmo. Quase 1 hora depois chegamos ao aeroporto. Na entrada do aeroporto tem um pedágio de 8bol que o taxista paga mas obviamente cobra de você, então, 78bol. É caro mas dá 44 reais, se fosse no Brasil um trecho longo desses jamais seria só esse preço. Despachei meu mochilão no guichê da Boa e tava em jejum ainda né. Tinha biscoitos na mochila de ataque mas não tinha café e eu sou desses viciados então tive que pegar um capuccino naquelas máquinas de expresso por 12bol (ai meu coração💔) mas com café estava vivo de novo 😆
      Entrei pro embarque e o voo era previsto pra 9:20 só que…fugi do hostel, fui de táxi pro aeroporto, pra que? Pra que? Pra mofar lá 😤 Santa Cruz tava nublado mas as noticias que chegavam é que chovia litros em Sucre. E pelo que entendi o aeroporto de Sucre não opera por instrumentos então tínhamos que esperar o tempo melhorar por lá. Dariam mais noticias as 10:20. OK. Sentei lá e fiquei observando o movimento. Num canto lá vi um casal conversando com um boliviano. O casal falava português. Depois que acabou o assunto com o boliviano eu fui lá puxar assunto. Eram Luana e Leonardo, casal carioca, militares da Marinha servindo em Corumbá, estavam indo também pra Sucre e Uyuni, depois La Paz e Cusco. Já tratei de combinarmos rachar um táxi em Sucre. Informaram nova previsão pro voo às 11:30 e enfim, com mais de 2 horas de atraso, partimos pra Sucre.
      No aeroporto de Sucre, um caso interessante. Tem um cara lá que fica conferindo o ticket da mala pra ver se é seu mesmo. Eu já tinha arrancado o da minha mochila, mas botei ela nas costas e saí de mansinho enquanto ele tentava se entender com um grupo de japacoreanos 😬 A sinalização no aeroporto também tem em espanhol, inglês e quéchua.
      Encontrei a Luana e o Leonardo e fomos atrás de um táxi. Já tinha lido que o preço era 60 bol. E era isso mesmo. O aeroporto de Sucre é longe da cidade, a uns 30 km. O bom de achar gente pra rachar é que saiu 20 bol pra cada. No caminho a Luana contou que tava apreensiva com a viagem pois tinha descoberto ha poucos dias que estava grávida de 6 semanas. Trocamos contato e o taxista passou primeiro no meu hostel.
      Fiquei no Kultur Berlin. Ótimo hostel, muito bom mesmo. Não lembro quanto paguei a diária mas fiz a reserva no Booking onde dizia 29 reais então paguei lá no check out uns 50 e poucos bolivianos. Hostel mais barato que o de Santa Cruz mas infinitamente melhor. Fui pro quarto que tinha 2 pavimentos, 2 beliches em baixo e 3 camas em cima. Tinha só um canadense lá, o Connor. Conversamos um pouquinho e saí pra bater perna. O hostel fica a 2 quadras da praça central de Sucre. Procurei um restaurante lá e pedi uma sopa de quinoa, prato bem grande, não lembro o preço mas não era caro.
      Ali na mesma praça tem a Casa de la Libertad, tida como o monumento histórico mais importante do país, onde foi proclamada a independência. Lá tem exposições com as fotos dos ex-presidentes, mobiliários, objetos das epocas coloniais e das batalhas de independência. A entrada custa 15bol e se você tiver passando com tempo por Sucre vale a pena.
      A praça 25 de Mayo é muito bacana. Ficar ali um tempinho observando a vida da cidade é muito bom. A catedral tava fechada. As construções ao redor são muito bonitas.

      Dali desci umas 3 quadras até o Parque Bolivar, outra praça bem arborizada e agradável, tem até uma miniatura da torre Eiffel pra galera subir. Descansei lá um pouquinho e voltei as 3 quadras pro centro saindo ao lado do Mercado Central. O mercado é mais de frutas, flores, comidas, frangos e carnes expostas, aquela salada visual que tanto impressiona a nós brasileiros. Passei no supermercado pra comprar uma água 2l por 4,20bol e encontrei uma loja dos famosos Chocolates Para Ti, que são vendidos no quilo. Tem amargo, tem em formato de dinossauro, tem vários. Não são lá muito baratinhos mas muito gostosos😋. Comprei pouco mais de 100gr e deu 31,50bol (R$ 18) Passei no hostel pra deixar as coisas e pegar uma blusa pois a tarde ia caindo e eu ia subir pro mirante.
      O mirante fica a umas 6 quadras do hostel, subindo. Cheguei lá pouco depois das 17h e apaixonei de cara. Tem uma escola ali e a aula tinha acabado e um monte de alunos estavam pela praça, conversando, jogando bola, misturados aos turistas que subiram pra ver o por do sol, um grupo de jovens sentados tocando violão, o ambiente ali era maravilhoso. Não teve lá um grande por do sol pois tinha umas nuvens, mas tava muito gostoso lá.

      Desci ao escurecer e quando cheguei no quarto do hostel tinha chegado um cara lá. Mandei um hola e ele respondeu o hola com aquele A comprido (holaaa) que denuncia de cara um brasileiro. Era o Fábio de São Paulo. Conheci um irmão de viagem. Mal imaginava naquele momento mas a gente seguiria juntos boa parte da viagem. Também tinha chegado no quarto a Daniela, uma boliviana de Santa Cruz. Tomamos banho e descemos pro restaurante do hostel, que tem um preço bem parecido com dos outros restaurantes da cidade, então comemos por ali. Comi sopa de entrada com spaguetti a bolonhesa e umas paceñas e piscos no happy hour depois. Enquanto isso tinham umas apresentações de danças folclóricas e os dançarinos eram do próprio staff do hostel, bem legal. Depois que acabaram as apresentações começou a boate do hostel na sala ao lado. Fomos pra lá e ficamos até parar a música lá pelas 2 da manhã. Detalhe que de hóspede só tinha a gente pois quando acabou todo mundo foi embora do hostel e só ficou nós 3 olhando um pra cara do outro 
       


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