Antes de começar a postar, eu quis adiantar um pouco, para não ficar com aquelas paradas grandes nos posts e assim, acabei achando uma postagem muito legal do Davi Leichsenring feito há poucos dias. Ele colocou várias informações úteis sobre transporte, custo, etc... então vou tentar falar somente da parte turística em mais detalhes.
Os fóruns daqui do site já me ajudaram muito, tiraram dúvidas, me fizeram ter vontade de conhecer lugares que não tinha ido, voltar para outros que já conhecia mas na minha ultima viagem percebi que pouco se conhece e se fala sobre a Armênia ( fica no Cáucaso) Senti que minha contribuição poderia ser focada nesse destino...enfim...hora de tentar retribuir !
Sou descendente de armênios e estive lá há muitos anos atrás com minha irmã e um grupo de amigos. Éramos jovens e o país ainda era uma República Socialista. Só conseguimos entrar com autorização expressa e uma espécie de “ carta convite” do governo armênio e soviético.
O tempo passou e eu tinha muita vontade de voltar para a Armênia , agora um país livre e muito novo, menos de 30 anos , mas dessa vez queria ir com a minha filha e meu pai. Um primo e sua esposa acabaram se juntando ao grupo e lá fomos nós... Uma família descendentes de armênios, voando direto do Brasil !!!
Vou contextualizar um pouco abaixo, falando da história , geografia e curiosidades desse país tão desconhecido por todos...
Um pouco da História e o Genocídio
Na Armênia hoje vivem cerca de 3 milhões de habitantes, mas estima-se que há 8 milhões de armênios espalhados pelo mundo. O país fica no Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, uma região que a gente chama de fronteira da Europa com a Ásia (e também da Europa com o Oriente Médio). Com uma localização tão privilegiada, não é de se estranhar que ao longo dos séculos ela tenha sido invadida por diferentes povos. Pela Armênia passaram os romanos, os persas, os mongóis, os otomanos e mais recentemente os russos, dentre outros povos dominadores. Mas foi no início do século passado, há quase 104 anos, que a diáspora armênia ganhou mais força. Foi quando ocorreu o Genocídio Armênio.
Conta a história que durante um discurso aos comandantes do Exército Alemão dias antes de invadir a Polônia, Hitler teria dito o seguinte: “Afinal, quem fala hoje do extermínio dos armênios?” Verdade ou não, e apesar de o holocausto judeu não ter passado despercebido como ele esperava, a frase continua fazendo sentido. No dia 24 de abril de 2015 o início de um dos maiores genocídios do século passado completou 100 anos. O Genocídio Armênio é um tema praticamente ignorado pelos livros de História. E não só ignorado, mas também negado. A maioria dos países ainda hoje não reconhece o massacre de 1,5 milhão de armênios no que se acredita que tenha sido uma tentativa de exterminação do povo armênio pelos turcos.
A Turquia nega que o genocídio existiu, diz que os números são exagerados e que a morte dos armênios aconteceu em consequência da Primeira Guerra Mundial. Cerca de 20 países, como França, Chile, Uruguai e Suécia, além de diversas organizações internacionais, reconhecem o genocídio. O Brasil não. Nem os Estados Unidos. E os descendentes da diáspora armênia espalhados pelo mundo continuam lutando até hoje pelo reconhecimento do crime praticado contra seu povo.
A situação da Armênia não era fácil, já que ela estava espremida entre dois gigantes: os Impérios Otomano e Russo. Mas foi em 24 de abril de 1915, durante o governo do partido dos Jovens Turcos, que o maior massacre começou. Nessa data, cerca de 600 líderes armênios foram presos em Istambul e em seguida assassinados. A partir daí a perseguição ficou mais evidente. Vilarejos foram dizimados, pessoas foram torturadas, outras vendidas como escravas.
Mas a maior taxa de mortalidade aconteceu durante as deportações. Os armênios foram obrigados a abandonar suas cidades, com a desculpa do avanço das tropas inimigas, e muitos morreram durante a marcha, seja de fome, sede ou pelas violências a que eram submetidos.”
Para quem tiver curiosidade o filme “ A promessa”mostra um pouco o que foi isso e pode ser visto na Netflix
Ola a todos...
Antes de começar a postar, eu quis adiantar um pouco, para não ficar com aquelas paradas grandes nos posts e assim, acabei achando uma postagem muito legal do Davi Leichsenring feito há poucos dias. Ele colocou várias informações úteis sobre transporte, custo, etc... então vou tentar falar somente da parte turística em mais detalhes.
Link do post dele : https://www.mochileiros.com/topic/89290-cáucaso-geórgia-armênia-e-azerbaijão/?tab=comments#comment-799525
Agora sim, vou contar um pouco da minha...
Os fóruns daqui do site já me ajudaram muito, tiraram dúvidas, me fizeram ter vontade de conhecer lugares que não tinha ido, voltar para outros que já conhecia mas na minha ultima viagem percebi que pouco se conhece e se fala sobre a Armênia ( fica no Cáucaso) Senti que minha contribuição poderia ser focada nesse destino...enfim...hora de tentar retribuir !
Sou descendente de armênios e estive lá há muitos anos atrás com minha irmã e um grupo de amigos. Éramos jovens e o país ainda era uma República Socialista. Só conseguimos entrar com autorização expressa e uma espécie de “ carta convite” do governo armênio e soviético.
O tempo passou e eu tinha muita vontade de voltar para a Armênia , agora um país livre e muito novo, menos de 30 anos , mas dessa vez queria ir com a minha filha e meu pai. Um primo e sua esposa acabaram se juntando ao grupo e lá fomos nós... Uma família descendentes de armênios, voando direto do Brasil !!!
Vou contextualizar um pouco abaixo, falando da história , geografia e curiosidades desse país tão desconhecido por todos...
Um pouco da História e o Genocídio
Na Armênia hoje vivem cerca de 3 milhões de habitantes, mas estima-se que há 8 milhões de armênios espalhados pelo mundo. O país fica no Cáucaso, entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, uma região que a gente chama de fronteira da Europa com a Ásia (e também da Europa com o Oriente Médio). Com uma localização tão privilegiada, não é de se estranhar que ao longo dos séculos ela tenha sido invadida por diferentes povos. Pela Armênia passaram os romanos, os persas, os mongóis, os otomanos e mais recentemente os russos, dentre outros povos dominadores. Mas foi no início do século passado, há quase 104 anos, que a diáspora armênia ganhou mais força. Foi quando ocorreu o Genocídio Armênio.
Conta a história que durante um discurso aos comandantes do Exército Alemão dias antes de invadir a Polônia, Hitler teria dito o seguinte: “Afinal, quem fala hoje do extermínio dos armênios?” Verdade ou não, e apesar de o holocausto judeu não ter passado despercebido como ele esperava, a frase continua fazendo sentido. No dia 24 de abril de 2015 o início de um dos maiores genocídios do século passado completou 100 anos. O Genocídio Armênio é um tema praticamente ignorado pelos livros de História. E não só ignorado, mas também negado. A maioria dos países ainda hoje não reconhece o massacre de 1,5 milhão de armênios no que se acredita que tenha sido uma tentativa de exterminação do povo armênio pelos turcos.
A Turquia nega que o genocídio existiu, diz que os números são exagerados e que a morte dos armênios aconteceu em consequência da Primeira Guerra Mundial. Cerca de 20 países, como França, Chile, Uruguai e Suécia, além de diversas organizações internacionais, reconhecem o genocídio. O Brasil não. Nem os Estados Unidos. E os descendentes da diáspora armênia espalhados pelo mundo continuam lutando até hoje pelo reconhecimento do crime praticado contra seu povo.
A situação da Armênia não era fácil, já que ela estava espremida entre dois gigantes: os Impérios Otomano e Russo. Mas foi em 24 de abril de 1915, durante o governo do partido dos Jovens Turcos, que o maior massacre começou. Nessa data, cerca de 600 líderes armênios foram presos em Istambul e em seguida assassinados. A partir daí a perseguição ficou mais evidente. Vilarejos foram dizimados, pessoas foram torturadas, outras vendidas como escravas.
Mas a maior taxa de mortalidade aconteceu durante as deportações. Os armênios foram obrigados a abandonar suas cidades, com a desculpa do avanço das tropas inimigas, e muitos morreram durante a marcha, seja de fome, sede ou pelas violências a que eram submetidos.”
Para quem tiver curiosidade o filme “ A promessa” mostra um pouco o que foi isso e pode ser visto na Netflix