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Boa tarde pessoal, 

Sou nova no fórum e tenho uma dúvida. 

Bom, estou planejando um mochilão pela Europa, de um ano. Sem destino muito bem definido, mas com possibilidade de inverno rigoroso.

Estou pesquisando uma botina bacana para o mochilão. A princípio, seria com fins urbanos apenas, porém pode surgir a possibilidade (remota, porém existente, de rolar uma trilha - quem sabe nos Pirineus).

Estou procurando algo que seja esteticamente bacana, e me agrada muito o modelo da Yellow Boot da Timberland

 https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1511548070-bota-timberland-original-yellow-boot-feminina-_JM

Gosto do modelo militar e encontrei similar na Macboot

https://www.macboot.com.br/produto/bota-milita-macbootr-cano-alto-lauryn-04-mostarda/

A dúvida é se esse tipo de bota atende para fins urbanos (e raras trilhas, não sei bem o que esperar). O modelo é impermeável e me agrada esteticamente. 

Se souberem de outros modelos e marcas que enquadrem nesses quesitos, agradeço a ajuda.

Abraços 

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Para uso urbano e alguma trilha esporádica que não envolva condições extremas de inverno, ambas as botas dão conta do recado muito bem, para os meses mais frios é só comprar umas meias de lã, que custam 20 euros o pacote de 3 pares em qualquer loja da C&A na Europa.

Só acho elas pesadas e quentes demais para você ficar usando no dia-a-dia fora do inverno, mesmo na Europa, costuma-se usar uma bota destas normalmente usar só nos 2 ou 3 meses mais frios do ano, a maioria das pessoas simplesmente acha elas muito pesadas para ficar usando no dia-a-dia dos meses mais quentes.

E pessoalmente, para uma viagem de 1 ano, eu não compraria uma bota destas no Brasil, para ficar carregando um peso inútil na mochila por vários meses, compraria uma bota de inverno no destino, só quando o inverno chegar.

Por falar em viagem de 1 ano, também repito o que o FCRO comentou, você tem passaporte europeu? Ou vai querer passar 9 meses se escondendo e fugindo das autoridades?

Brasileiros podem ficar no máximo 90 dias na Europa, depois tem que sair e ficar no mínimo 90 dias fora de lá antes de poder retornar.

E mesmo que for ficar só 90 dias, os policiais da imigração costumam quer saber quais os seus planos para este período, o que pretende ver e fazer, e se você chegar lá sem rumo, e sem um plano bem definido ou sem saber explicar direto o que pretende fazer lá por todo este tempo, você volta para o Brasil no mesmo dia.

Ou seja, antes de pensar em comprar botas para o inverno europeu, caso a sua intenção não seja for ficar ilegal, fugindo e se escondendo das autoridades o tempo todo, se informe antes das regras de permanência, quanto tempo pode ficar,  e do que você precisa para conseguir entrar na Europa, isto pode mudar completamente os seus planos, e as botas acabarem sendo completamente desnecessárias dependendo das mudanças que você fizer nos seus planos.

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  • 3 meses depois...
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Boa tarde pessoal!

Em 2018 tive uma experiência muito legal na minha viagem pela Europa e gostaria de compartilhar com vocês. Fui curtir o inverno europeu em pleno alto inverno (dezembro) e fiz um mochilão por vários países com neve. Quando comecei a planejar a viagem, me questionei muito sobre as roupas e calçados. Por um bom tempo fiquei na dúvida sobre comprar no Brasil ou lá fora. Depois de muita pesquisa (muita mesmo rsrs) decidi sair do Brasil com a mala pronta e quase todos os itens de inverno. Aqui vai algumas experiências positivas e negativas que tive:

- Comprar roupas de inverno no brasil ou lá fora: Vale a pena comprar aqui e ir protegido. O simples fato de você já dar um 'check' nas roupas e poder aproveitar a viagem sem se preocupar com isso já vale a decisão de comprar tudo por aqui mesmo. Sempre fiquei na dúvida se valeria a pena comprar aqui, mas depois de conhecer um pouco mais as marcas brasileiras, me surpreendi com a qualidade e daqui pra frente, consumo muito mais o produto produzido aqui na terra tupiniquim.

- Marcas de inverno: Eu não imaginava que aqui, no país das belíssimas praias e carnaval, tivéssemos ótimas marcas de inverno. Depois de muita pesquisa, escolhi a Fiero. A Fiero ( https://www.fieroshop.com.br/ )é uma marca 100% brasileira, eles são especialistas em inverno, frio e neve. Não perdem por NADA das marcas gringas ou europeias. Além da qualidade, você paga em real, parcela e comparado a qualidade e tipo de produto, os preços valem muito a pena.

- Produtos da Fiero que levei e indico:  Depois de muita pesquisa e de escolher a loja / marca que compraria os produtos, resolvi falar com eles para a escolha dos itens necessários. A minha lista eu incluí: um kit de segunda pele, blusa e calça. Optei pela opção Thermo Premium Original (blusa: https://www.fieroshop.com.br/masculino/vestuario/blusa-segunda-pele-termica , calça: https://www.fieroshop.com.br/masculino/vestuario/calca-segunda-pele-termica ), eles tem dois tipos, a Original e a Lite. A Lite é mais fina e se fosse hoje, teria comprado um kit de cada gramatura, pois a Original é para o frio intenso mesmo. Comprei um fleece Heat Keeper Original como camada intermediária ( optei por esse: https://www.fieroshop.com.br/fleece-azul-marinho-termico-meio-ziper-masculino/p ), um belíssimo casaco 3 em 1. Falando mais sobre esse casaco: Quando fui optar pelo casaco, queria o modelo Alaska (pois era bem mais em conta), mas depois de conversar com a Fiero, eles me indicaram o Polar Extreme, que nada mais é, do que 2 casacos acomplados e o Alaska é o casaco interno. Galera...sério..que casaco top! É incrível mesmo! Com esse casaco eu fiz snowboard, andei em dias com muita neve, temperaturas de -25°C e muito mais.. é um casaco de neve para a vida! O preço parece ser salgado, mas se colocar 'na ponta do lápis', vale muito a pena: https://www.fieroshop.com.br/casaco-masculino-para-neve-frio-extremo-polar-extreme/p . O último item que adquiri com eles foi a bota e escolhi a bota mais 'robusta' da marca. A bota All Winter Terrain é muito boa! Cheia de tecnologia, ela tem membrana impermeável, costura selada, o solado é top e o melhor: é 100% forrada em lã natural, vale a pena: https://www.fieroshop.com.br/bota-impermeavel-waterproof-all-winter-terrain-para-neve/p . Nesse link dá pra conferir todos os modelos de bota forrada para neve: https://www.fieroshop.com.br/botas-forradas-em-la-para-o-inverno-frio-neve . 

- Os acessórios: Aqui vai um ponto de atenção e que hoje, depois dessa experiência que tive, digo com total certeza: Vale a pena também levar gorro, luva e cachecol aqui do Brasil também. Eu optei por comprar lá esses produtos, mas ao descer do aeroporto, já me arrependi heheh. Vale a pena realmente ir 100% preparado, e reforço, a Fiero é uma marca muito boa, indico ela de coração (ah..e eles não estão me pagando nada para falar deles, tá? hehehe), indico pois realmente eles são ótimos e merecem o sucesso. 

Enfim, acho que é isso, espero contribuir com todos que desejam aproveitar o inverno europeu, frio ou neve. Façam as malas e boa viagem!

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    • Por StanlleySantos
      Primeiro de tudo, MAS MANO QUE FRIO DA PESTE É ESSE QUE FAZ NO SUL???!!! 
      Ok, provavelmente não é nada perto do uruguai, patagônias, ou a serra catarinense (que registrou temperaturas negativas nessas semanas fácil, fácil). Mas pra um nortista....
       
      Bom, o objetivo deste relato é passar infos atualizadas sobre muitos lugares, sejam eles conhecidos e relatados, ou não. Muitas atrações do estado passam batido, então creio que seja justo falar sobre o máximo de lugares, sem passar spoilers. A época escolhida para esta visita foi a primeira quinzena de agosto, junto com a namorada, até pq gostaria de conhecer um pouco do inverno gaúcho e ter uma programação a dois de respeito. Moro em Manaus, ou seja, com 25 graus os caboclos já estão passeando no centro com moletom achando que estão no filme do frozen   imagina pegando 1 grau em gramado!!!
      Costumo tentar economizar nas viagens, e como falam que Gramado, em particular, é um destino que arranca o couro da pessoa, em termos de gastos, quis ver se era tudo isso mesmo. Cada um Levou R$ 1.700,00 para duas semanas no estado, levei um cartão de crédito que não foi usado, e uma poupança de emergência de 500 mangos, que acabou sendo usada mais para comprar mimos para mim 

      Quando você mora numa cidade que não tem trem e viaja para uma que tem corre o risco de cometer esses retardos mentais aí
       
      Chegamos no dia 07/08 em POA, basicamente o dia foi reservado para conhecer as rotas de ônibus e planejar os próximos dias num apartamento reservado pelo Booking no partenon (bairro próximo do centro, bem guarnecido de ônibus, aliás, gostei do abastecimento da frota de ônibus da cidade, mesmo em horários de pico, dificilmente peguei buzu lotado). A passagem estava custando R$ 4,70, e POA conta com um trem a R$ 4,20 que parte do mercadão e faz a conexão com alguns distritos do interior, até Novo Hamburgo. Sim, Novo Hamburgo, a cidade dos calçados (atenção mochileiras!) Então segue a primeira dica do tio, quer conhecer Novo Hamburgo, economizar no transporte, e não quer ficar dependendo de Uber/ônibus? Um trem partindo do centro é uma opção a considerar. De trem vc faz a conexão aeroporto-centro tbm.
      O itinerário era conhecer algumas cidades do Estado e Fazer a famosa travessia da Ferrovia do Trigo, que liga Guaporé a Muçum. Antes eu soubesse que iria dar ruim.... depois eu explico essa marmota. Destinos definidos, andaríamos pela capital, curtindo alguns pontos. 
      No dia 08 resolvemos sair cedinho para conhecer o famoso parque farroupilha. O parque mais famoso (e bonito a meu ver), colado ao centro da cidade, também. Quem for se hospedar no centro, pode até ir andando. Falam da violência em Porto Alegre, e realmente, vejo que há um problema de marginalização e pobreza na metrópole (como toda grande cidade), mas, apesar dos inúmeros mendigos nas proximidades da rodoviária, não me senti inseguro andando pelo centro. A polícia se fazia presente, e muitas pessoas passeavam com seus cães de boinha (o povo se compromete bastante com a causa animal lá, vários cachorródromos, pouquíssimos cães de rua, pelo menos no centro e adjacências, e muitos cães agasalhados, a coisa mais engraçada do mundo )

      Le parque farroupilha no seu esplendor verde

      Aquela foto bem maneira e clássica no centrão

      Para quem é de uma fé do oriente, o parque conta com um mini-templo, com uma arte elaborada. 
      De lá seguimos para o Parque moinhos de vento (conhecido como Parcão), como o clima estava agradável, arriscamos ir também a pé. Existem patinetes e bicicletas para locação pelos aplicativos locais, então se você quer poupar um tempo indo de um lugar para outro, é uma boa.



      Para quem quer fazer a famosa foto declarando o amor à capital, um letreiro bem bonito fica no parcão.
      Deixamos de conhecer na ocasião os parques Germânia e o Província de Shiga, que dizem que possui uma influência oriental bem forte na ornamentação. Mas fica para a próxima viagem. Hora do almoço, fomos para o centro procurar um pouco de culinária porto alegrense. No caminho passamos pela Rua Gonçalo de Carvalho, que diz a lenda que é a rua mais bonita do Brasil (e algumas fontes dizem que foi eleita a mais bonita do mundo). Pessoalmente achei ela bem bonita e limpa, mas creio que é exagero.

      A tão comentada Gonçalo de Carvalho
      O gaúcho adora comer: isso é fato. E é um carnívoro por natureza. Além do tradicional churrasco, o povo é viciado em fast food (no dia que os gaúchos forem extintos da terra Mcdonalds entra em crise), com ênfase no famoso Xis, que nada mais é que uma versão "anabolizada" dos sanduíches tradicionais, sendo de duas a três vezes maior, e recheado de maionese  claro, é duas vezes mais caro que os sanduíches dos outros estados, mas vai por mim, enche que uma beleza. Xis coração (de frango) deles é uma coisa divina 😍  Agora para almoço, existem as famosas alaminutas, que basicamente é arroz, feijão preto, ovo mal passado, saladinha, batata frita e a proteína, que varia. No norte chamamos de PF (Prato Feito).
      GAÚCHO NÃO COME FARINHA!!! 🤬😱🤯 e pro amazonense, isso é quase um pecado  além do fato de quase não ter visto peixe nos restaurantes, outro vício do povo do norte. 

      A cara de felicidade da caboquinha que não tem farinha na comida

      Vai por mim, é assim mesmo, a cara de tristeza acima não é à toa
      Seguimos pelo centro, conhecemos o Mercadão municipal (o grande centro de comércio alimentício da cidade, parada mais que obrigatória para o visitante), e aqui já começa uma história engraçada: existe um costume de cunho religioso de deixar moedas no centro do mercadão, uma espécie de tributo ao Bará, que seria uma entidade da prosperidade da cultura afro-brasileira. Minha namorada, simplesmente olhou uma moedinha no chão e pegou na naturalidade. Eu, olhando as pessoas jogarem as moedas no meio, tive um pressentimento de que elas deveriam ficar lá (turista que acabou de chegar ne, besta, sem saber dos causos), mas a dita cuja guardou no bolso e fomos embora. Ao longo da viagem ela perdeu uma jaqueta jeans e seu saco de dormir , e na volta para POA, resolveu devolver o dobro do valor para se livrar de qualquer "azaração" 

      Le mercadão. Passe por aqui para comprar lembrancinhas ou ingredientes para um chimarrão ou churrasco

      O interior com o espaço de agradecimento à entidade guardiã no centro.
      O centro de POA não só tem uma variedade de lojas e lanches, como também reúne vários museus e espaços de cunho cultural e histórico. Para terminar o dia, visitamos: o museu de arte do Rio Grande do Sul, que na ocasião estava recebendo uma exposição em homenagem ao modernista Xico Stockinger, o museu do Comando Militar do Sul, com uma exposição histórica do arsenal utilizado pelas forças armadas ao longo da história mais recente, e a casa de cultura Mário Quintana, que não estava tendo nenhuma programação em particular, mas conhecer o espaço e algumas exposições valeu a visita.

      Casa de cultura Mário Quintana


      War.......War never changes
      O Museu do Gasômetro se encontrava fechado na ocasião (diz que desativado por tempo indeterminado), então o dia terminou com um pôr do sol gelado na Orla do Guaíba. Com a ventania que empurrava o frio até os ossos, deve ser o lugar mais frio da capital no inverno  uma tristeza saber que o lago do guaíba está poluído, é uma paisagem muito bonita para atividades ao ar livre, que me fez lembrar da boa e velha ponta negra, em Manaus.


      A orla é ponto obrigatório no final da tarde, para ver a vida gaúcha acontecendo, ou fazer um passeio, ou exercício.
      Dia 09-10: De POA para Torres.
      Decidimos que iríamos sair cedo no dia seguinte para a cidade de Torres, afinal, a praia mais bonita do estado está lá. Claro, parece loucura ir numa praia no inverno, mas Torres possui belas paisagens, e pontos interessantes a serem conhecidos, e acredito que valeu a visita de um dia e meio a essa pequena cidade. Recapitulando: Torres fica boa a partir do reveillón, pois o verão inicia geralmente no fim do ano, aí a cidade lota de gente. Mas em compensação no inverno você tem os parques e o litoral só para você e mais meia dúzia de visitantes  o que é mais a minha cara.
      Pegamos um blablacar baratinho (30 reais, quando você paga bem mais indo de ônibus), e chegamos ainda de manhã no litoral. Dica: o blablacar funciona muito bem no estado, dá para conseguir muita carona barata para cidades visitadas como pelotas, gramado, cambará, entre outros. 

      E cá estamos em Torres, que beleza!
      Chegamos na cidade e a primeira surpresa: nenhum camping aberto  E não, eu não tenho frescura em acampar no frio, eu tinha ciência de que pegaria um frio na ferrovia, então não me importaria de ficar em camping paracendo um mendigo que não tem money pro hotel. Papo vai, papo vem, nos recomendam a pousada martins, que é administrada pelo Sr. Paulo e Dona Eva, um casal simpático na melhor idade que nos acolheu como se fôssemos da família 😭 além dos quartinhos serem TDB, sério, recomendo a pousada, o tratamento cortês é um diferencial de lá. E ela fica próxima ao parque da guarita, então tem uma ótima localização também.
      Outro momento retardo mental: eu, pobre iludido, vendo a previsão do tempo esperava ver um solzinho em Torres e quem sabe poderia arriscar tomar um banho de mar gelado. O resultado foi esse:

      Alguma coisa ta me dizendo que não vou andar de sunga e calção nessa praia hoje....
      A neblina cobrindo o oceano e boa parte da cidade dava um ar desértico e de certa forma triste ao lugar, mas também dava um clima para sentar numa pedra, ouvir o mar e meditar, ou pensar na vida. Adorei passear com a namorada da praia da Cal até os pequenos molhes de pesca, no fim do estado. Mais uma vez, se você curte uma vibe mais calma, sem todo aquele barulho e multidão, a cidade acaba não sendo descartável, mesmo fora da temporada.

      Como nossos egos e arrogâncias são pequenininhas e frágeis perante a grande criação

      A cerração tomando a cidade, chega a ser linda. No fundo o letreiro de Torres
      Existe um lugar curioso nessa cidade, que é a ponte Pênsil. Veja só, uma ponte de madeira de algumas dezenas de metros, onde você pode ter o prazer de mudar de estado, de RS para SC  Curiosamente era sexta da carne num açougue em Passo de Torres (SC), então muita gente de Torres (RS) atravessava o estado para fazer fila no vizinho. É meio besta, mas engraçado de certa forma

      A fotografia foi tirada em RS, só para constar. Do lado de lá fica Passo de Torres.
      O dia seguinte seria para o retorno à capital, mas também seria para curtir o parque da guarita, e o sol favoreceu a visita. O frio estava bem ameno nesse dia, então deu pra sair de short e camiseta, engraçado como as pessoas agasalhadas às vezes olhavam para mim, como se eu fosse algum alienígena 👽

      Não duvido que esse cenário seja bastante usado para ensaios fotográficos ou pedidos de casamento 

      Uma das minhas fotos favoritas dessa viagem. Na encosta, vários pescadores
       
       

      Um pouco da vida local
      Ficamos até meio-dia, e fechei mais um blablacar de volta para POA pela parte da tarde. A ideia inicial era ficar mais um dia, mas acredito que vimos o que queríamos em Torres, fora que eu queria conhecer o famoso Brique da Redenção da capital, então a estadia em Torres foi bem curtinha, mas valeu cada segundo aproveitado. Conhecemos o litoral na cerração e no céu aberto, enchendo os olhos com belíssimas paisagens. 
       
      Dias 11-14: Lá vem a bendita frente fria.....e agora?
      De volta à capital, no domingo (11) começamos o dia indo para o parque farroupilha novamente, para vermos o famoso brique. E digo, se estiver na cidade, passe um domingo no parque, o brique é TRILEGAL!!!! Pois você encontra de tudo um pouco em termos de brechó, pessoalmente fiquei cativado pelas antiguidades que algumas banquinhas vendiam. Discos de vinil, louça antiga, brinquedos dos anos 90, colecionáveis, entre outros......nossa, tenho fé de que isso virará febre no país.
       
      Acredite, isso vai bem longe...


      Esse simpático artista é figura conhecida no Brique, a namorada curtiu a beça o espetáculo. 
      Uma dica que muito gaúcho passa para quem está no parque, e adianto logo, é passar na famosa lancheria do parque. O buffet livre tem uma ótima variedade de opções para encher o bucho, e os sucos deles são de polpa pura, a um preço mega justo, além das várias opções de carnes. Sério, não deixe de visitar.
      O centro fecha aos domingos, mas, muitas atrações ficam abertas, então decidimos visitar o Jardim Botânico. Localizado no bairro de mesmo nome, próximo à PUCRS, é fácil de chegar a partir do centro, mas é necessário ônibus/uber/bici. A entrada é bem em conta, e o jardim te dá a liberdade para andar por quase todas as instalações, divididas em seções, mostrando elementos da flora da região sul (e um pouco das demais regiões). O parque Conta com um museu natural com serpentário, que é bem bacana de visitar também. 

      Lindo o espaço. Como amazonense, é interessantíssimo conhecer algumas características de um bioma diferente da floresta amazônica.

       
      Dormimos cedo de noite, pois a segunda-feira seria o dia de pegar o ônibus bem cedinho para Guaporé. Passagem comprada e tudo mais.....
      ...Mas a vida é uma caixinha de surpresas ⛈️⛈️⛈️🌧️🌧️
      Segunda, 12 de agosto, 05 da manhã. Chuva forte, e mais chuva prevista para o início da semana devido a uma frente fria que estaria visitando o estado. Bem na data em que iríamos para Guaporé! 
      Segundo a previsão, só iria limpar lá para quarta. Uma coisa é subir o estado e pegar um frio e uma cerração num trecho de 50km. Não iríamos morrer de frio pq tínhamos os equips e roupa. Outra coisa é pegar chuva o dia inteiro no meio do nada e comprometer o avanço da travessia, que na melhor das hipóteses leva de dois a três dias  e para completar as reservas de hospedagem em Gramado já estavam pagas e não poderiam ser alteradas! Como era um risco ao qual não queria submeter a namorada, que é menos acostumada com perrengues do que eu, conversamos, tivemos um pouco de DR , e decidimos que o melhor seria não arriscar. Perderíamos as passagens (que custaram um braço) porque 1. o atendimento ao cliente da BENTO foi uma MERDA deixa a desejar, não recomendo, e 2. poderíamos ter solicitado o retorno dos valores se tivéssemos cancelado a viagem com 3 horas de antecedência do embarque (tecnicamente teríamos que bater na rodoviária às 3 da madrugada e torcer para ter alguém na hora que fizesse isso para a gente). Confesso que fiquei um pouco decepcionado com o serviço de coletivo intermunicipal do estado.
      Com isso a ferrovia miou, e precisaríamos mudar o roteiro para a semana. Significaria mais gastos (pois a travessia é 0800, salvo os alimentos e água comprados para o percurso em si), fora que tínhamos nas mochilas sacos de dormir + barraca que agora ocupavam um volume desnecessário  A segunda-feira foi praticamente perdida. Com isso, só restava encontrar um lugar para ficar, e ir atrás de lembrancinhas no centro de POA.....bom, será que nossa viagem estragou?

      Era o sentimento naquela segunda
      A terça-feira veio, então decidimos que iríamos conhecer alguma cidade das várias que existem para o turismo histórico. O estado possui uma herança das grandes colonizações, que já datam de dois séculos atrás (como referência, a colonização italiana em 1875), e cidades como Farroupilha, Garibaldi, Bento Gonçalves, ou Caxias do Sul se tornam opções interessantes. Escolhemos Caxias do Sul na quarta para sexta (14 a 16). Então, o que fazer em POA até lá?

       
      Como estava com uma vontade enorme de conhecer, fomos atrás, desta vez, do Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS. Localizado, obviamente, nas dependências da PUC, não tão longe do jardim botânico, a entrada custa R$ 40,00 (em AGO/19), mas com direito a meia entrada para estudante, e não posso deixar de elogiar o espaço! 3 andares de puro conhecimento, atividades lúdicas, e curiosidades! É o tipo de lugar onde excursões escolares são bem-sucedidas, pois é possível dar aulas de matemática, física, biologia, geografia e história nos vários setores do espaço, sem tornar a aula chata. Como licenciado em biologia, meio que me senti em casa 😍

      A primeira coisa que você bate o olho e pensa "quero brincar", quando entra no museu

      Lembra do desafio dos cubos da série 3%? Pois é, eu reprovei 

      Visitem o museu da PUCRS, e como diria o e.t. bilu, busquem conhecimento!!
      Passamos uma manhã e uma tarde no museu, é muita coisa para conhecer e interagir, você tira um dia inteiro somente para isso. Ah, existe também um planetário na cidade, que vale a visita para os que têm um interesse mínimo por astronomia, ou querem reviver aquela aulinha de ciências sobre o universo. Acabamos não visitando também.
      Dia 15: La Cittá pela terra da Uva
      No dia 14, conseguimos arrumar mais um blablacar para Caxias do Sul, esta localizada no coração da Serra gaúcha. Infelizmente o transporte saiu tarde, e não daria tempo de conhecer a cidade ainda na quarta. Algumas pessoas disseram que não valia a pena conhecer Caxias, por "ela ser industrial demais e quase não ter nada para se ver". Pessoalmente, não posso concordar com tais afirmações, pois Caxias possui roteiros histórico-culturais tanto no centro urbano quanto na zona rural (Rota dos Imigrantes, distrito de Criuva, Ana Rech), embora seja necessário um carro próprio para esses destinos. Então, o que fazer?
      Como dito, existe o roteiro "La Cittá", onde você tem acesso a vários pontos turísticos no centro urbano, e tem uma noção da história da colonização italiana nos vales da Serra Gaúcha. Seria isso que faríamos. 
      Antes de tudo, tomei conhecimento sobre um autêntico château brasileiro, o Castelo Lacave, uma fortaleza erguida em 1968 como um sonho de um uruguaio, teve sua propriedade passada entre famílias, e na atualidade funciona como vinícola, restaurante gourmet, ponto turístico e local para a realização de eventos. O tour guiado custa R$ 16,00 (AGO/19), e é falado sobre a história do lugar (nada que você não ache na internet, rs), incluindo uma degustação dos vinhos locais. Além do mais, ele foi todo decorado com uma temática medieval, o que torna a visita ainda mais imersiva.

      O modo de construção dos castelos com a união de blocos gigantes é uma coisa charmosa que inspira poder

      O legal da visita são algumas réplicas de esculturas conhecidas, como a "bocca della verittà", que arranca a mão de quem mente, entre algumas outras. Sem dúvidas o custo-benefício da visita é bem justo a meu ver.

      "Eu sou um tremendo partidão e isso é verdade!"
      Após essa visita, partimos para o centrão. No roteiro "La Città" conhecemos: o Monumento ao Imigrante, algumas catedrais, como a de São Pelegrino (a mais bonita da cidade, com uma arte sacra interna de emocionar), e a Paróquia Santa Teresa D'ávila, na praça Dante Alighieri, o Museu Municipal, onde você aprende sobre a colonização italiana, embora no monumento você também tem uma aula de história, o Museu Memorial dos ex-combatentes da FEB (Força Expedicionária Brasileira), onde você aprende um pouco sobre a participação do Brasil na segunda guerra (é, a cobra fumou), o Museu casa de pedra, que reproduz uma típica residência italiana do século passado, e o Pavilhão da festa da uva, onde estava rolando um rodeio de acesso 0800 no final do dia. Roteiro que pode ser feito em um dia inteiro. 

      Praça Dante Alighieri com a paróquia Santa Teresa

      Exposição da imigração italiana no museu municipal

      Catedral de São Pelegrino
      Sobre Caxias: cidade tranquila, mesmo sendo grande (a segunda mais populosa do estado e a maior da serra gaúcha), com muitas alternativas turísticas, e quase todas gratuitas! Para quem procura algo mais culto e histórico, e não quer gastar muito além do transporte e alimentação, acredito que a cidade seja um prato cheio. Mas para curtir tudo o que ela tem a oferecer, super recomendo um carro, próprio ou alugado. 
      Dias 16-20: A jóia da Serra Gaúcha, Gramado
      Os dias finais do mochilinho pelo estado seriam na grande atração capitalista do estado, Gramado  Tivemos a bendita sorte de arrumar um blablacar de Caxias para Gramado na manhã de sexta. Para isso é necessário descer a serra e subir novamente, com direito a enjôo para quem não for acostumado(a). Chegamos numa tarde ensolarada, e com aquela expectativa de dar de cara com uma geada matinal morrendo. Muita gente vai pra serra pra ver aquele clima europeu de frio, neblina e geada, e acontece uma coisa dessas . Mas a previsão do tempo mais uma vez estava alertando sobre outra frente fria, então seria bem possível que minhas preces fossem atendidas.

      Legendas são dispensáveis
      Ficamos em parte no Eleganz hostel & suites, como uma reserva de última hora (pois era para chegarmos em gramado somente no sábado), e super indico esse hostel. Atendimento de excelência, um ambiente SUPER chique, padrão hotel mesmo, com café da manhã TOP dos TOP, e camas confortáveis. A diária foi de na faixa de 80 reais para um casal, que está até bom para os padrões gramadenses. Faço questão de fazer essa recomendação.
      A tarde foi dedicada para conhecer um pouco da elegante cidade, com a educação dos motoristas, a ausência de semáforos, e a sensação de segurança nas ruas. Chega a ser difícil de acreditar ver tanta gente andando com os celulares na mão, bem arrumada, indo para cá e lá, sem preocupações. Visitamos o Museu de Chocolate da Lugano, que custou R$ 35,00 (AGO/19), com direito a desconto para estudante, deixo destacado isso porque 90% das atrações de gramado possuem desconto para estudantes, crianças pequenas, idosos, e não lembro mais quem, então você economiza HORRORES se você tiver aquela sua carteirinha estudantil de meia entrada, ou similar, atualizada, claro. Já anota a dica. Depois ficamos rodando pelo centro, que é super de boa para passear.

      Le rua torta, que passa 24 horas do dia com gente tirando foto, mas o que tem de mais, é só uma rua torta 

      Le paróquia São Pedro. Cartão-postal da cidade. 
      Terminamos o dia no lago Joaquina Rita Bier, com aquele pôr do sol digno de filme romântico. Agradecemos pelas coisas boas da viagem.

      Gramado e seu clima para romances
      O segundo dia foi dedicado ao Mini-Mundo, que a meu ver é uma atração obrigatória da cidade. Parece frescura, mas o lugar é mágico! Uma cidade-miniatura, que inclusive possui réplicas de prédios históricos do Brasil e do mundo. Não só o mundo minimizado é bonito e bem feito, como o tratamento recebido é digno de aplausos! Uma dica: pegue uma visita guiada com o Sr. Nelson, um verdadeiro P R O F I S S I O N A L que ama o que faz, nos ensinando alguns truques para tirar boas fotos, e divertindo o tour com suas piadas de gaúcho  O valor em AGO/19 era de R$ 42,00, também com direito a desconto.

      os gigantes na estrada em obras

      A riqueza dos detalhes gera fotos maravilindas
      O passeio no mini-mundo é uma atividade que toma uma manhã e um pedaço da tarde se a pessoa quer conhecer cada centímetro do parque, e melhor: o espaço está em constante expansão, ganhando novos personagens e estruturas. Será que um dia teremos um mini teatro amazonas?
      O final da tarde foi basicamente dedicado à compra de lembrancinhas, e a noite foi dedicada a um delicioso Fondue. O fondue, assim como o café colonial, a cuca, e o trudel, são especialidades de gramado que merecem ser experimentadas. Você gasta muito com isso? A resposta é: depende de onde você procura. Para você ter uma noção, a sequência do fondue varia entre os restaurantes, de 35,00 a 150,00. O café colonial, idem. Então uma pesquisa antecipada se faz necessária. Nosso café da manhã estava incluso nas nossas hospedagens, e como ficamos em locais com cozinha compartilhada, boa parte das refeições foram compradas no supermercado e feitas na panela, poupando também um senhor dinheiro. E sem arrependimento.
      Para minha alegria, na madrugada de domingo caiu uma senhora chuva, e com isso veio a cerração, que envolveu a cidade numa neblina maravilhosa para passear nas ruas da cidade e tirar boas fotos. Enfim, era pra isso que fui à Serra.
       


      Aquele clima padrão europeu, adoro!
      A namorada queria passar o dia dormindo nesse frio, enquanto isso eu tratei de conhecer Canela pela parte da manhã, embora a neblina tenha me impedido de ver muita coisa. A Icônica Catedral de Pedra infelizmente (ou felizmente, pois é uma visão igualmente espetacular) estava coberta pela neblina, então ficou difícil de observar seus detalhes.

      Que visão é essa cara!
      Pela parte da tarde, convenci a namorada a sair, e, entre tantas opções de museus, com suas modernidades e atrações, resolvemos conhecer um espaço mais alternativo. Então, conhecemos o segundo castelo da viagem, o Museu Medieval Castelo Saint George. Conhecer a história dessa edificação, e como o Senhor Gilberto Guzenski está dando o sangue para levantar bloco por bloco, e elaborando um trabalho SENSACIONAL na área da Heráldica, além da coleção de armas, entre elas algumas famosas, de fato inspira os corações dos fortes. Além da coleção de armas (algumas forjadas pelo próprio dono), e os souvenirs com temática medieval, você pode consultar as raízes de sua família com base no seu sobrenome. Quer descobrir se tem sangue azul ou de plebeu? Visite o Saint George. A entrada custa R$ 25,00 (AGO/19), com desconto apenas para anciões.

      Uma estrutura linda e imponente, e ainda em construção

       

      Stanlley dos Marinheiros dos Santos, primeiro de seu nome, O Viajante.
      Os último dois dias em Gramado foram dedicados para as atrações mais naturais, como o Lago Negro e o Parque do Caracol. O Lago negro fica perto do centro, embora necessite de um uber básico para chegar lá. Reza a lenda que ele tem esse nome porque em seu entorno foram plantadas árvores nativas da floresta negra. Possui um pedalinho, que achei caro, então não brinquei.

      O Lago negro nos dias ensolarados

      E o Lago Negro em dias de Neblina. Uma visão igualmente bela para quem está de passagem
       
      O parque do Caracol Se encontra afastado da cidade de Canela, Subindo a Serra mais um pouquinho. Existe uma linha de ônibus que vai para lá, mas é bem difícil de passar, tornando necessário o uso de carro próprio ou uber. Existe sinal de internet, então é possível voltar de aplicativo. O ingresso custou R$ 20,00 (com direito a meia entrada), e possui várias trilhas, com alguns espaços para o social. O ponto alto do passeio é a cascata do caracol. 



       
      E com isso concluía minha estadia no grandioso estado gaúcho, tchê!
       
      Agora as infos básicas:
      Gastos: Levei 1.700,00 + um cash guardado, como falei, e acabei usando o valor inteiro, mais um pouquinho da reserva. No final das contas, uns 2.000 reais muito bem gastos. Perdi um pouco por causa de ônibus, utensílios inúteis para camping, e compras pessoais, então diria que é um valor médio bom para duas semanas no estado. Me hospedei em hostels em todos os dias, pude comer durante o dia inteiro, e fiz minha própria refeição em alguns dias. É possível gastar menos? É possível, mas vai do perfil de cada um.
      Transporte: o estado é bem abastecido de estradas, e possui um sistema de ônibus que serve até bem (apesar de ter odiado o atendimento da rodoviária de POA). Alguns destinos são mais acessíveis que outros, mas como falei ao longo do relato, o Blablacar é uma opção muito barata e usada no estado, super recomendo. O uber nas cidades (mesmo em Gramado) é barato, se você estiver com pelo menos uma pessoa para rachar as despesas, se torna uma opção bem em conta. Em POA, tem ônibus, aluguel de patinete e bicicletas como meios de deslocamento.
      Hospedagem: 90% das minhas hospedagens foram reservadas pelo Booking.com, e os preços estavam agradáveis. No centro de POA era possível encontrar diárias de 30 reais ou 50 (por dupla). Mesmo em gramado pude encontrar ótimas opções, mas claro, é necessário reservar com antecedência em caso de viagem em alta temporada, por motivos óbvios.
      Custo das atrações: muitas atrações da capital são ao ar livre, e mesmo nos museus, não havia cobrança de ingresso, com exceção da PUC, e mesmo assim, tem o desconto para estudante. Em Caxias todas as atrações do roteiro "La Città" foram 0800, e a visita ao Castelo Lacave tem um valor justo. Os locais mais caros ficam em Gramado mesmo, e vai muito do que a pessoa procura. 
      Afinal, Gramado é uma cidade cara? - Sim, e não. antes que queira botar na cabeça que quer ostentar na cidade bonita, tenha em mente que é necessário pesquisa e autocontrole. Fazer a própria comida, de vez em quando, ou poupar o Uber quando pode se deslocar a pé pelo centro da cidade, são medidas que ajudam bastante no bolso. E como já disse, tenha sua carteirinha estudantil ou comprovante em mãos, ajuda bastante.
      Lugares para conhecer: cara, eu poderia fazer um relato inteiro só falando dos lugares que não visitei  Cambará, Novo Hamburgo, Farroupilha, Bento Gonçalves, Três Coroas (que descobri só no final da viagem que possui uma estrutura bacana para o rafting), Guaporé-Muçum, Pelotas, Rio Grande, todas estas cidades, e fora outras, possuem sua importância no estado, possuindo atrações, naturais, históricas, etc. Eu não canso de dizer que é um Estado Rico em termos de coisas para fazer.
      Melhor Época: depende do lugar que você quer conhecer. Por exemplo, Torres (praias) é melhor na época mais quente, que compreende o início do ano, enquanto que a Serra Gaúcha é bem visitada no inverno (meio do ano), e Gramado possui alguns períodos especiais (Natal, Páscoa, Festival de Cinema e Inverno). Pesquisar é bom, e se atentar ao clima, no caso de atrações e atividades ao ar livre (como foi no meu caso), faz uma diferença entre fazer uma atividade ou ficar no hotel chateado.
      Moro num estado quente e quero pegar frio, devo levar roupa pro frio no inverno? Cara, Porto Alegre tem tanto comércio de roupas para o frio, luvas, cachecol, gorros e jaquetas a preços populares, penso que nem vale a pena comprar uma roupa cara na sua cidade. Em POA também existe uma loja da Decathlon, onde vc pode comprar uma vestimenta de qualidade.
       
      Então é isso, gurizada! Conheçam essa baita região! 
       
    • Por Schumacher
      Dia 1
       
      Em janeiro de 2020, antes da pandemia assolar o mundo, parti para minha única viagem internacional no ano. Segui de ônibus de Floripa a Porto Alegre, embarcando no voo da Cabo Verde Airlines até a ilha do Sal (826 reais pela ida).
       
      A cia aérea deixou a desejar bastante, pois o avião não era grande, as telas de vídeo estavam desligadas, não havia tomadas, o jantar estava quase congelado e nem café da manhã foi servido.
       
      Dia 2
       
      Ao desembarcar às 6 e meia, tirei o visto ao custo de 3400+2500 escudos cabo-verdianos (110 escudos = 1 euro). Tive o azar de ir antes da isenção do visto começar a valer.
       
      Fui até a via principal em frente ao aeroporto e parei a primeira picape cheia de gente em direção à distante cidade de Santa Maria. Esse meio de transporte me custou apenas 100 escudos, enquanto que um táxi sairia por 15 euros!
       
      Deixei a mochila no quarto compartilhado do albergue Xamedu Sal, que fica na borda da parte menos subdesenvolvida da cidade, e saí a caminhar pela parte arenosa a leste. Duas noites nessa hospedagem me custaram 3469 escudos.
       

       
      Uma das praias mais famosas no mundo para a prática de kitesurfe fica ali, tamanho o vento. Contei uns 70 equipamentos no mar ao mesmo tempo! Uma pena que haja lixo por todo lado.
       

       
      Voltei atravessando a salina que ainda opera e que dá nome à ilha do Sal.
       
      Na virada pra tarde, almocei a tradicional cachupa (feijão, milho, ovo e alguma carne) por 3 euros no Café del Mar. Água de meio litro por 150 escudos, salgado.
       

       
      Em seguida, segui pela praia principal, onde fica um píer e a maioria dos turistas brancos. As construções são mais bonitas por aqui e há diversas lojas de souvenires.
       

       
      Caminhei uma eternidade entre resorts até a praia de Ponta Negra. Bem bonita.
       
      Na volta à rua Pedonal, me deliciei com sorvete italiano na Gira Mundo: 3 bolas por 350 escudos.
       
      Mais além, fui ao restaurante d'Angela degustar mariscos. Entre os disponíveis, pasmem, cracas (500 escudos)! E não era ruim, apenas difícil de comer. Um caneco de cerveja (250 escudos) acompanhou a refeição do final da tarde, quando o vento já começava a resfriar.
       

       
      Conheci uma sueco-brasileira (Janine) no albergue. Juntos e com mais duas francesas, fomos tomar uma no Buddy Bar, onde rolava som ao vivo. Peguei uma caipirinha de grogue, o destilado local, por 400 escudos.
       
      Por fim, comemos um kebab no Camara Camara, por 300 escudos.
       
      Dia 3
       
      Depois de pegar um bolo e um suco de baobá num mercadinho (quase sempre de posse chinesa), fui até a CV Bike, onde aluguei uma bicicleta decente por 16 euros a diária. Queria ter saído mais cedo, mas só consegui partir às 10 e meia.
       
      O começo é uma subida reta pelo asfalto, com vento lateral - e tudo seco à volta.
       
      Em Murdeira, há um condomínio bacana e uma praia linda. Vi uma águia-pescadora lá, enquanto admirava a vista das areias negras.
       

       
      Quase chegando ao aeroporto, desviei pela estrada de chão que passa pelo sertão até Palmeira. Foi um trecho complicado.
       
      Esse povoado é onde fica o porto da ilha. Almocei na Casa dos Pescadores uma cavala por 400 escudos e uma água de 1,5 l por 150.
       
      Atravessei as casinhas coloridas, antes de novamente pegar a estrada não asfaltada. Primeiro parei na baía azulada de Regona, antes do ponto mais distante que chegaria, Buracona. Por 3 euros, tive acesso ao olho azul (que já não estava mais azul devido à hora tardia), bem como atrações acessórias.
       

       
      Retornei por outro caminho, de areia quase fofa e pedras, até Terra Boa, o local de cultivo. Precisei passar por uma favela lotada de lixo pra atingir Espargos, a capital da ilha do Sal.
       

       
      Nem parei, prosseguindo pelo asfalto morro abaixo até Santa Maria, quase ininterruptamente, pois o sol já estava se pondo.
       
      Cheguei às 6 e meia, bem no horário em que a loja das bikes estava fechando.
       
      Também deu tempo de chegar no restaurante d'Angela antes do happy hour de frutos do mar acabar. Peguei o polvo (500 escudos).
       
      Depois do banho, me uni a uns colombianos e a outra brasileira (Andyara) para a janta no restaurante d'Fogo, onde comemos peixe por 350 escudos. Pedi uma cerveja grande; me trouxeram 1 litro por 350 escudos.
       
      Em seguida, curtimos brevemente no Ocean Bar, antes da balada fechar. A festa continuou no Buddy Bar, mas pela 1 e pouco, voltamos pra dormir.
       

       
      Dia 4
       
      Acordei tarde, só a tempo de pegar minhas coisas, almoçar um espaguete (3 euros) no Café del Mar e pegar um transporte coletivo Hiace (van) pro aeroporto, por 100 escudos. Só sai quando lota, mas esse foi rápido.
       
      Lá, esperei até o embarque atrasado com a Binter CV para a ilha de São Vicente. Por sorte, não precisei enfrentar a bruma seca, que é o vento carregado de areia do Saara que atinge as ilhas nessa época, e que fez um casal de brasileiros precisar aguardar 4 dias a mais pra deixar essa ilha!
       
      Já em São Vicente, desci e aguardei na via principal por um aluguer (outra forma de chamar as vans), mas como demorou a passar, negociei com um taxista que já levava outra pessoa para que eu pagasse 300 escudos - o preço normal seria 1000.
       
      Ingressei no Basic Hotel, que fica numa baita ladeira um pouco fora do centro. Uma suíte privativa saiu por 2170 escudos.
       
      No Fortim do Rei, em ruínas, aparentemente fica a melhor vista de Mindelo, a capital da ilha. Dá para se ver o centro de construções portuguesas, a marina e o porto, a praia da Laginha e as casas coloridas no morro.
       
      Desci com o sol já baixo em direção ao centro e beira-mar. Logo tomei uma batida de frutas num quiosque por 260 escudos. Tentei caminhar mais, mas não me senti muito seguro por lá, então depois de atravessar umas quadras, parei num restaurante para jantar. A pizza vegetariana no Cocktail saiu por 450 escudos + caneco de cerveja por 200 escudos.
       
      Subi o morro de volta pro hotel e lá permaneci.
       
      Dia 5
       
      Dei uma volta pelo centro durante a manhã, depois do pequeno almoço incluído no hotel. Ingressei no interessante Museu do Mar (200 escudos), que fica numa torre à beira-mar e conta a história marítima de São Vicente e Cabo Verde.
       

       
      Depois, almocei uma cachupa (280 escudos) no Dokas, ao lado do terminal de balsas.
       
      Enquanto aguardava a balsa pra ilha seguinte, relaxando na incrível praia da Laginha, um cara veio me incomodar pedindo dinheiro insistentemente, fato corriqueiro nesses meus dias em Cabo Verde…
       

       
      Subi na embarcação, que levou uma hora e custou 800 escudos por trecho. Balançou um bocado; uns quantos gorfaram.
       

       
      No desembarque na ilha montanhosa de Santo Antão, comprei uns pastéis baratíssimos (10 escudos cada!) de uma ambulante, e peguei um aluguer para Ribeira Grande (400 escudos). O trajeto longo pela costa é bem cênico.
       
      Enquanto o sol se punha, caminhei pelas vielas de Ribeira Grande, em busca do melhor mirante.
       
      Me hospedei no Residencial Luatur, onde uma suíte privada básica saiu por 4479 escudos para 2 noites. Jantei lá mesmo: lula com legumes (500 escudos) + suco natural de maracujá (150 escudos).
       
      Dia 6
       
      O café incluído estava bom. Depois dele, esperei até às 10 e meia pelo aluguer para Cruzinha (300 escudos). O trajeto até lá é bem bonito, mas levou uma hora e meia.
       
      Por formações de paleodunas, comecei então a trilha de 14 km até a Ponta do Sol. O caminho é sobre areia inicialmente e calçada de pedras na maior parte do tempo. Sempre acompanhado pelo mar à esquerda, montanhas à direita e vento por todos os lados, é trabalhoso pelas inúmeras subidas e descidas.
       

       
      Passei pelas vilas de Formiguinhas, Corvo e Fontainhas, mas somente nos dois últimos encontrei uma fonte abundante de água, já que estava no período seco. Ali também ficam terraços agrícolas.
       

       
      Ultrapassei uns quantos franceses, a nacionalidade estrangeira não-lusófona mais presente nas ilhas. Quatro horas e meia depois de começar, entrei na cidade de Ponta do Sol.
       
      Fui direto pro restaurante bem-conceituado Caleta de Sol. Lá me deliciei com um filé de peixe marinado grelhado (500 escudos).
       

       
      Em seguida, tomei um aluguer para Ribeira Grande (100 escudos). Como não havia o que fazer, fui pro hotel. Mais além, jantei uma pizza grande por 400 escudos.
       
      Dia 7
       
      O café da manhã demorou, mas tive que esperar até às 11 horas pelo aluguer para a Cova do Paúl, uma cratera vegetada onde eu começaria outra trilha. Duzentos e cinquenta escudos, uma hora e muitas paisagens cênicas depois, fui o último a deixar a van, sobre a cratera vulcânica.
       

       
      A reserva natural que a abrange é uma área importante, pois permanece verde mesmo durante a seca, ao contrário da maioria de Cabo Verde.
       

       
      Desci e contornei a cratera, onde há cultivos agrícolas. Após leve subida, veio um abismo em ziguezague, coberto de neblina.
       
      Um tempo depois essa dissipou, sendo possível ver os vilarejos abaixo. Ainda levei um tempo para atingi-los.
       

       
      Não havia aluguer algum na primeira vila após a trilha, então continuei descendo. Quando vi um ônibus com o letreiro do aluguer pendurado, o chamei. No entanto, era uma excursão privada de estudantes americanos. Apesar disso, me deram carona.
       
      Parei para almoçar com eles no Divin' Art em Ribeira Grande, um restaurante mais caro com música ao vivo - paguei mil contos num prato grande cheio de coisas + bebida + sobremesa. Com eles, também aproveitei a carona até o porto, onde pegamos a balsa de volta para São Vicente.
       

       
      Ao desembarcar, segui para o restaurante Caravelas, onde tomei uma cerveja tranquilamente (220 por 500 ml). Um tempo depois, comi um hambúrguer (250 escudos).
       
      Por fim, fiz o check-in no albergue Simabô Backpackers. Por um quarto privado, paguei 1745 escudos, só que o chuveiro gelado deixou a desejar. Fui dormir cedo.
       
      Dia 8
       
      Às 6 e meia já estava de pé, dividindo um táxi com o senhor mochileiro português Raul até o aeroporto (1000 no total). Voaria em breve até Praia, numa conexão até a ilha do Fogo. O custo para os dois voos foi de 62 libras esterlinas.
       

       
      No aeroporto de Praia há uma casa de câmbio que cobra a cotação oficial de 110 escudos por euro, menos uma comissão que fica em no máximo 5%. Uma opção interessante, já que os bancos e a maioria dos comércios cobra 10%.
       
      Como não passam coletivos ali, eu e o portuga rachamos um táxi de 700 escudos ( o preço normal era 1000).
       
      Caminhei um bocadinho pelo centro, um pouco mais movimentado que o das outras ilhas. Entre os pontos interessantes, entrei no museu etnológico (200 escudos).
       

       
      Em seguida, comi 3 salgados de frango (70 escudos cada) na pastelaria Vilu. A sobremesa foi na sorveteria Nhamii, onde 3 bolas artesanais saíram por 260 escudos.
       
      Desci a escadaria até o Mercado Sucupira, onde ficam as vans, mas só consegui um táxi de volta ao aeroporto, por 500 escudos.
       
      Aguardei algumas horas até o embarque a São Filipe, capital da ilha do Fogo. Enquanto aguardava, eis que surgiu no aeroporto o casal de colombianos (Daniel e Ângela) que conheci em Sal.
       
      Ao descer do voo de somente 25 minutos de duração, dividimos um táxi de 400 escudos até a hospedagem, que coincidentemente era a mesma!
       
      Saímos para dar uma volta na cidade, naquele fim de dia. A cidade é pequena mas bonitinha, bem colorida. Aproveitamos para comprar produtos locais: pão (15), queijo de cabra (100), chouriço (100) e vinho (800). Os dois primeiros foram comprados dentro da casa de uma senhora; já o terceiro, numa loja de eletrodomésticos/bar/mini-mercado!
       

       
      Jantei um prato de peixe delicioso na Casa Anilda e Albino por 600 escudos. Lá, um quarto duplo grande com pequeno-almoço saiu por 2217 escudos.
       
      Passamos o resto da noite conversando e tomando o vinho.
       
      Dia 9
       
      Café da manhã razoável. Após, nós 3 negociamos um táxi de ida, espera e volta para Chã das Caldeiras. O total foi de 7 mil escudos, mas como eu não retornaria com os colombianos, minha parte foi menor.
       
      O percurso levou quase uma hora e meia, passando por vilarejos e paisagens, até a entrada no Parque Natural do Fogo, quando primeiro avistamos o cone vulcânico principal, com 2829 metros acima do nível do mar. A estrada original foi soterrada pela lava vulcânica da erupção mais recente, em 2015!
       

       
      Enquanto os dois subiam no pico pequeno, cone formado nessa erupção, fiquei ao redor tirando fotos. Apesar da altitude de Chã das Caldeiras ser de 1800 metros, a temperatura durante o dia é quente, ao contrário da noite.
       
      Depois, vimos o vilarejo com as casas parcialmente cobertas pela lava, e as novas casas em construção. Numa dessas, compramos vinho (750 escudos).
       

       
      Em seguida, almoçamos na Casa de Marisa, a hospedagem e restaurante mais chique da cidade. Ali também são feitos passeios guiados, mas com preços bem salgados. O peixe de almoço me custou 900 escudos.
       

       
      Enquanto meus camaradas voltavam pra São Filipe, eu caminhei até o Parque Florestal de Monte Velha, mas não achei nada de mais lá.
       
      Depois do banho de chaleira, jantei os produtos típicos locais que eu havia comprado: pão, chouriço (linguiça), queijo de cabra e vinho.
       
      Sem internet na Casa de Ciza e Rose (3500 escudos para um quarto por 2 noites), fui dormir cedo.
       

       
      Dia 10
       
      Tomei o café da manhã bom, enquanto o dia amanhecia pelas 7 h. Logo mais, parti rumo ao vulcão.
       
      Comecei a caminhada a cerca de 1750 m de altitude, atravessando o trecho inicial entre vinhedos. Ao dobrar 90 graus para a direita, começou a subida pra valer. Havia dois possíveis trajetos de ida; escolhi o mais reto, mas acabou sendo a opção errada, pois ao chegar à parte mais inclinada tempos depois, fiquei sem ter pra onde ir, pois havia um trecho de areia negra fofa bem difícil de subir.
       
      Dessa forma, tive que me reorientar pro outro caminho. Naquela altura, foi preciso escalar rochas com as mãos, por mais um longo pedaço.
       

       
      Passei um trio de Cabo Verde que estava subindo e alguns europeus com guia descendo, para enfim chegar à borda da cratera, fétida de enxofre. Continuei até o topo do pico, a 2829 metros, onde cheguei cerca de 3 horas após o início.
       

       
      Para descer, escolhi o caminho menos usual e mais íngreme que vai em direção ao pico da última erupção. Só que essa parte foi dificultosa, pois além de forçar os joelhos, as pedras estavam soltas demais. Certa hora, decidi descer quase deslizando pela areia fofa, o que fez com que eu acelerasse o passo de uma vez.
       
      Na borda do tal pico inferior, onde o calor ainda era sentido, coletei umas rochas de enxofre e depois segui pela areia dura até Chã das Caldeiras, chegando apenas 6 horas depois de começar.
       
      Faminto e desidratado, tomei um litro de água e comi dois pratos cheios de comida da hospedagem, que estavam deliciosos (o melhor da viagem). Setecentos escudos para tal.
       

       
      Posteriormente, fiquei relaxando por ali. De jantar, apenas frutas.
       
      Dia 11
       
      Pelas 6 e meia o transporte coletivo bateu a porta. Hora de voltar pra São Filipe, por mil escudos.
       
      Ao chegar, fiquei vagando pelo centro para matar o tempo até meu voo do final da tarde para Praia. Antes de caminhar ao aeroporto, almocei no Sabor di Lena - o prato do dia custou apenas 250 escudos.
       
      Esperei então pelo voo. Ainda bem que todos os aeroportos que passei possuem wi-fi grátis. O voo custou 50,5 libras. Ao descer, peguei um táxi na rua até Achada Santo Antônio (700 escudos).
       
      A hospedagem para as 3 noites seguintes seria a Praiadise Hostel (5610 escudos para todo período). A recepção não foi tão boa, já que pedintes me abordaram com insistência, e me xingaram quando neguei a dar esmola.
       
      Procurei ao redor um lugar para jantar; acabei parando no bar Só Sabi, onde comi um prato de feijão por 400.
       

       
      Apesar dos muitos beliches, só havia eu e um senhor francês no dormitório, e ninguém na área comum, então fui dormir cedo.
       
      Dia 12
       
      Tomei o café da manhã incluído. Em seguida, atravessei o que parecia ser uma favela para pegar o coletivo até a Cidade Velha (apenas 80 escudos!). Essa foi a primeira capital de Cabo Verde e a primeira cidade fundada por europeus nos trópicos, em 1462.
       

       
      Caminhei lentamente por suas ruas de pedra, observando as construções que em conjunto são um Patrimônio da Humanidade. As mais emblemáticas são o pelourinho, a catedral, o convento de São Francisco e a fortaleza de São Filipe. Essa última fica no alto de um morro, com vista pra toda cidade, e tem detalhes no interior, que custa 500 escudos pela visita.
       

       
      Num restaurante na orla (Praça do Mar), ingeri um prato de frango por 600 escudos.
       
      Uns tempos depois, peguei a volta pro bairro Plateau (centro) de Praia. Acabei parando sem querer numa van de missionários brasileiros. Tive que me segurar para não dizer que sou ateu.
       
      Tomei aquele sorvete e segui a sugestão dos colegas colombianos: visitei o Museu Amílcar Cabral (200 escudos). Esse cara foi o responsável pela independência não só de Cabo Verde, como também Guiné-Bissau! E lá estava em carne e osso a viúva dele!
       

       
      Voltei caminhando à Achada Santo Antônio. Fui à Pizzaria Terrazza Itália, onde pedi uma de tomate e rúcula (800 escudos) e um caneco de chope (250 escudos). A boa aqui é chegar até às 17:30 h, pois várias pizzas custam 650 escudos.
       
      Depois disso, anoiteci no albergue.
       
      Dia 13
       
      Após o café, caminhei até a estação de coletivos do mercado Sucupira para pegar um até Tarrafal, extremo norte da ilha de Santiago. Demorou mais de uma hora para encher o veículo e uma e meia para chegar, por 500 escudos. Por muita coincidência, quem estava sentado esperando quando cheguei era Raul, o portuga.
       
      Descemos no campo de concentração, cujo apelido "carinhoso" é campo da morte lenta. Para lá foram enviados os portugueses que eram contra o regime fascista de Salazar, e também os estrangeiros que lutavam pela independência das colônias africanas. Paga-se 200 escudos para acessar o local.
       

       
      Caminhamos até o primeiro restaurante que vimos, onde tivemos um prato de peixe espinhento (chicharro) por 350 escudos.
       

       
      Em seguida, admiramos a orla, primeiro no ponto de mergulho Kingfisher, e depois na própria praia, ambos com um mar belo.
       

       
      Entramos na igreja da praça principal e regressamos ao final da tarde, passando pela bonita Serra da Malagueta ao pôr do sol.
       
      Jantei garoupa com legumes no Só Sabi (400 escudos), e me retirei ao albergue.
       
      Dia 14
       
      Consegui dividir um táxi com mais 2 pro aeroporto; ainda bem, pois não tinha mais dinheiro para pegá-lo sozinho.
       
      Com atraso, voei de SATA por quase 4 horas até Ponta Delgada, a capital do arquipélago dos Açores. O entretenimento se resumiu a uma revista, mas ao menos a refeição foi substancial.
       
      Ao descer, presenciei um estado atmosférico que eu não via desde que saí do Brasil: chuva!
       
      Nem precisei abrir a boca na imigração. Ao atravessá-la, comprei o bilhete de ônibus (ANC AeroBus) do aeroporto ao centro de Ponta Delgada (6,5 euros para ida e volta).
       
      Caminhei admirando as ruas que possuem construções no mesmo estilo das mais antigas de Florianópolis, pois os açorianos foram os que primeiro povoaram a Ilha da Magia.
       

       
      Jantei carne de porco alentejano por 6 euros no Café Trianon, ao lado da Igreja Matriz.
       
      Depois disso, passei mais uma hora e tanto caminhando aleatoriamente pelas vielas de pedra. A arquitetura dessa cidade é deveras interessante. E a noite é uma tranquilidade só.
       
      Passei a noite no albergue Bruma Hostel, cujo dono é um simpático mineiro. Dezoito euros por um lugar adequado e com café da manhã.
       
      Dia 15
       
      A refeição estava boa. Após ela, saí a vagar pelo centro histórico, agora podendo ver com mais detalhes as formas e cores preservadas das casas, igrejas, praças e edifícios governamentais.
       

       
      Almocei no Magia do Sabor. Durante a semana eles possuem um buffet por 7 euros, mas como era sábado, não rolou. Optei então por um prato de frango com salada e refri por 5,6 euros.
       
      Cheguei a uma conclusão: o português africano é fácil de entender, o de Portugal razoavelmente, mas o de São Miguel (Açores), impossível!
       
      Em sequência, peguei minha mochila e retornei ao aeroporto, para pegar a continuação do voo num turboélice da SATA para a ilha do Pico, com escala na ilha Terceira.
       
      Ao desembarcar, fui recepcionado pelo Terry Costa, diretor do Montanha Pico Festival, que me fez o convite para participar. Primeiro, me mostrou um pouco dos arredores, que são bem pouco desabitados, mas cheios de verde entre rochas vulcânicas.
       
      À noite, nos encontramos com os demais fotógrafos no Atlântico Teahouse, onde jantamos. Logo depois, visitamos a exposição onde estavam minhas fotos - foi bem bacana!
       

       
      Partimos enfim para uma expedição fotográfica noturna. Pena que o tempo não ajudou muito.
       
      Repousei numa casa separada para o evento, junto com Toma, um cineasta da Croácia, e Austeja, uma fotógrafa da Lituânia.
       
      Dia 16
       
      Pela manhã, só dei uma volta a pé entre a paisagem protegida das parreiras cultivadas em currais vulcânicos, um Patrimônio da Humanidade.
       
      Almocei com Terry e Toma na Pastelaria Linu na cidade de Madalena, onde tive uma massa por 7 euros.
       
      À continuação, fomos em direção à Montanha do Pico, que estava coberta de nuvens e vento. Paramos na Casa da Montanha, onde eu apresentei a minha história ao público que participava do festival. Foi recompensador para mim, pois nunca havia dado uma palestra a um público internacional e grande.
       
      Após o chá com bolachas, o grupo percorreu uma trilha com o diretor do parque, que compartilhou seu conhecimento sobre a geologia da montanha.
       

       
      Passei no hipermercado SolMar de Madalena no retorno, onde comprei os cafés da manhã e jantares dos dias seguintes.
       
      Comi vendo TV e depois fui dormir.
       
      Dia 17
       
      De manhã, fui com o Terry até Madalena, o maior povoado da ilha, para uma entrevista na Rádio Pico, a primeira de minha vida!
       

       
      Depois, comprei as passagens de barca para Faial, a 3,6 euros cada trecho.
       
      Fiquei passeando e fotografando os arredores até a hora do almoço. Esse foi no snack-bar Duas Maravilhas, um prato feito de 6 euros.
       
      Prossegui na orla em direção à Candelária, onde estava hospedado. Na altura de Criação Velho, fiquei surpreso com a paisagem das vinhas entre labirinto de rochas, combinada com um moinho e com a montanha que finalmente se revelava. Esse é um Patrimônio da Humanidade.
       

       
      Cheguei à casa já no final da tarde. Jantei e fiquei vendo TV. Enquanto isso, meus estranhos colegas de casa faziam um ritual espiritual com cacau.
       
      Dia 18
       
      Peguei o ônibus da manhã (único) até Madalena (1,10 euros - tarifa varia de acordo com a distância), onde tomei a balsa das 8:15 h para Faial. Travessia confortável de meia hora até a cidade de Horta.
       
      Na chegada, fui recebido com um arco-íris. O maior centro urbano de Faial é pequeno. Suas edificações baixas e coloridas são lindas. Além disso, já igrejas e um verde profundo nos campos atrás.
       

       
      Pedi um sandes (sanduíche) de atum (1,45 euros) num dos vários cafés, antes de prosseguir para a praia de Porto Pim. De areia mais clara que a típica vulcânica, ali ficava um forte, uma estação baleeira e os cabos submarinos de telecomunicação entre  Europa e América.
       

       
      Em um dos raros ônibus para fora de Horta, fui levado até a entrada do Vulcão dos Capelinhos, por 2,55 euros. Paguei outros 10 euros pelo ingresso no centro de interpretação. Esse local faz parte do geoparque dos Açores e possui uma história interessante, além da paisagem surreal.
       

       
      Até 1957, não havia nada além do farol que ali se encontra. Então, eis que surgiu no meio do mar um vulcão, que entrou em erupção continuamente por 13 meses, adicionando um bom pedaço de terra à ilha e provocando a emigração de quase metade dos seus habitantes.
       
      No meio da tarde, precisei voltar. Só que isso foi uma tarefa bem ingrata: sem autocarro (ônibus), fiquei mais de uma hora caminhando em direção à longínqua Horta até conseguir uma boleia que me deixou no aeroporto. De lá, peguei um táxi por 10 euros até a estação de balsa. Se não fizesse isso, ia acabar a perdendo…
       
      Preparei minhas coisas pro dia seguinte e fui dormir bem cedo.
       
      Dia 19
       
      Às 6 e 45 já estava de pé. Logo depois, peguei uma carona com um dos funcionários da Casa da Montanha, para ir até lá.
       
      Tive que pagar 20 euros de ingresso. Assim que o relógio bateu 8 e meia, iniciei a subida, sob frio e nuvens. Fui tirando as camadas conforme ascendia pelo fluxo de lava entre a vegetação verde arbustiva.
       
      Passei por uma das furnas, cones vulcânicos secundários. Horas depois, surgiu o sol. Continuei progredindo tranquilamente, ainda que o trajeto fosse íngreme.
       

       
      Sobre a camada de nuvens e encarando um vento considerável, cheguei à grandiosa cratera principal. Dali até o topo, chamado Piquinho, foi escalada com as mãos.
       

       
      Quatro horas depois de começar, cheguei ao ponto mais alto de Portugal, com 2351 m. A descida, por sua vez, levou pouco mais de 1 hora e meia. Só que meus tênis abriram um rasgo em ambas as solas.
       
      Com sorte, logo chegou uma dupla que me deu carona até Madalena. Lá fiquei à espera do ônibus para casa.
       
      À noite, tomei um vinho português e fiquei conversando com a colega.
       
      Dia 20
       
      Peguei uma carona até Cachorro (nomeado devido a uma formação rochosa em tal formato). De lá, continuei pelo litoral norte até Lajido, onde há um grande escorrimento de lava do tipo pahoehoe.
       

       
      Nesse povoado também fica a Casa dos Vulcões e o Centro de interpretação da paisagem da cultura da vinha da Ilha do Pico. Comprei o ingresso combinado de 8 euros, visitando primeiro o museu interativo que trata da geologia. Há até mesmo um simulador de terremoto.
       
      Como no inverno ambos museus fecham para almoço, tive que ficar aguardando até o segundo centro abrir. E não havia um estabelecimento sequer aberto em menos de 2 km para que eu pudesse comer.
       
      No estabelecimento seguinte, li sobre o processo de produção e da designação da área como patrimônio, além de provar um vinho licoroso da ilha.
       
      Após a visita curta, caminhei até o aeroporto, onde comi um salgado e peguei o ônibus para Madalena (0,95 euros). Lá, visitei mais um museu, o do vinho.
       
      Como o sistema estava fora do ar, pude ver de graça. Embora algumas informações fossem repetidas, em relação ao museu anterior, esse é mais completo - só não há a degustação. E pra completar, há um bosque de dragoeiros, árvore endêmica da Macaronésia.
       

       
      Esperei o Terry, que levou eu e Toma para jantar num lugar meio chique em São Roque - ainda bem que ele pagou, pois o jantar de polvo e etc que eu pedi na Casa Âncora custou 20 e muitos euros.
       
      Dia 21
       
      Fiz uma boquinha tranquilamente, indo em seguida à Galeria Costa, terreno onde ficam as obras de arte dos participantes do festival, em meio a jardins. Minha missão era a de fotografar de formas inusitadas.
       

       
      Missão cumprida, voltei à casa, preparei o almoço e aguardei a carona pro aeroporto. Voltei a Ponta Delgada com a SATA.
       
      Apenas passaria a noite lá. Dessa vez escolhi o albergue Azores Dreams, mais próximo, ao custo de 15 euros, incluso café da manhã.
       
      Dia 22
       
      A continuação do voo foi de manhã cedo para Funchal, na ilha da Madeira (os dois voos juntos custaram só 38,7 euros). Retirei o carro da empresa Surprice, que saiu de graça pra mim, reservando com pontos na EasyRentCars.
       
      As primeiras coisas notadas ao chegar são a quantidade de turistas estrangeiros, bem maior que Açores, e o número grande de túneis. Através de alguns desses, cheguei na Ponta de São Lourenço. Essa é uma área protegida onde fica uma trilha popular, donde se vê uma península rica em formações geológicas, e de vegetação diversa do resto da ilha.
       

       
      Passei 2 horas e meia caminhando ali. Na saída, peguei um sanduba (3 euros) num dos furgões, e parti pro interior da Madeira.
       
      Em meio à floresta Laurissilva, Patrimônio da Humanidade, subi até outra trilha: vereda dos balcões. Essa é bem fácil; leva até um mirante de onde se vê as florestas, os penhascos, algumas vilas e aves (só vi tentilhões e bis-bis).
       

       
      Já escurecia, então segui a Santana. Primeiro, comprei uns produtos típicos da Madeira no hipermercado Continente: vinho e bolo de mel de cana. Continuando, vi as casas típicas de colmo.
       
      Depois, tive certa dificuldade em achar um lugar pra jantar. Acabei tendo pizza (8,5 euros pela média) no estabelecimento Malta Gira.
       
      Para me hospedar, fiquei com uma casinha joia alugada pelo AirBnb, em Santana mesmo, por 107,5 reais.
       
      Dia 23
       
      Tomei meu iogurte com granola e piquei a mula. Primeira parada foi morro acima, no Parque Florestal de Queimadas, onde fazia 7 graus de temperatura.
       

       
      Visitei a casa típica de Santana mobiliada. Depois, caminhei um pouco nessa floresta Laurissilva, de verde infinitivo e água. O problema é que minhas meias ficaram encharcadas, graças aos buracos nos tênis.
       
      Em seguida, parada rápida nas ruínas de São Jorge (em reparos) e no miradouro da Vigia. Mesmo eu tendo comida no carro, precisava de alguma proteína salgada, então comi um tipo de sanduíche típico chamado "prego especial no bolo do caco", no Bar e restaurante Arco, por 4 euros. Vista pro mar.
       

       
      Continuei a contornar a ilha. Parada seguinte no miradouro Véu da Noiva - cascatas. Mais além, em Ribeira da Janela e em Porto Moniz. Esse último vilarejo possui uma orla turística, baseada em piscinas naturais.
       

       
      Cheguei a tempo de curtir o pôr do sol na Ponta do Pargo, o ponto mais a oeste da Madeira, onde fica um farol e minha hospedagem. Jantei no restaurante próprio, onde tive a sorte de ser servido por um chef e um garçom brasileiros, que me fizeram uma baita feijoada com caipirinha por 7 euros.
       

       
      Dormi no quarto privado do residencial, por 77 reais.
       
      Dia 24
       
      Não sabia que havia café da manhã, então acabei comendo o que eu havia comprado. Mesmo assim, os solícitos brasileiros me prepararam um rango pra levar, que eu acabei comendo à noite.
       
      Ao sair, tentei ver algo no mirante da Garganta do Diabo, mas havia apenas um filete de água. Sendo assim, segui em direção a Funchal.
       
      Fiz uma parada antes, em dois mirantes: Cabo Girão e Pico dos Barcelos.
       

       
      Em sequência, comprei uns artigos necessários, como os tênis, na Decathlon.
       
      Pra achar um lugar pra almoçar foi duro, pois às 15 h já não se servia mais. Por isso, acabei comprando num supermercado mesmo e comi no carro.
       
      Após, visitei o Jardim Botânico da Madeira (6 euros). Num declive, ficam jardins temáticos, alguns deles bem interessantes, como o das suculentas e o geométrico, além das plantas nativas da Madeira.
       

       
      Para o pôr do sol, me dirigi ao Cristo Rei, uma estátua a la Cristo Redentor, num mirante.
       
      Depois de lá, dei entrada na Quinta das Malvas, um casarão do século 19. Paguei 21,7 euros pela suíte privada, com café da manhã mas sem TV. Terminei meu vinho da Madeira, licoroso.
       
      Dia 25
       
      Deixei o carro na hospedagem, pois seria incômodo guiar nas vielas do centro, além de caro pra estacionar. Assim, desci a ladeira a pé.
       

       
      Há um bocado de construções antigas, como igrejas, palácios e fortes, bem como praças e museus. Na orla, dois transatlânticos alemães despejavam um monte de turistas europeus.
       

       
      Visitei dois dos museus. Um deles é dedicado ao madeirense mais famoso: Cristiano Ronaldo. Por 5 euros, se vê uma sala recheada de troféus de um dos melhores jogadores do mundo.
       
      O outro museu chama-se Madeira Story Centre. De uma forma bem didática, conta sobre a história e cultura da região.
       
      Entre esses museus, almocei o prato do dia com atum na Petisqueira Atlantic (5,5 euros).
       
      Passeei aleatoriamente por umas horas, apreciando a parte histórica. Por fim, peguei um ônibus (1,95 euros) de volta à hospedagem.
       
      Preparei minhas coisas, abasteci e devolvi o carro no aeroporto, para então aguardar o voo pra Lisboa pela easyJet (46,5 euros).
       
      Ao desembarcar, fui de metrô (50 centavos cartão + 1,5 euros passagem) até a hospedagem Urban Garden Hostel, onde passei duas noites num quarto compartilhado com café por um total de 25 euros.
       
      Dia 26
       
      Em seguida ao café da manhã meio fraco, andei até o museu de história natural e ciência. O ingresso combinado com o jardim botânico saiu por 6 euros. Achei divertida a parte interativa, sobretudo a seção de física. Já o jardim, esse não é tão interessante.
       

       
      Almocei no indiano Bengal Tandoori por 6,9 euros. A sobremesa foi na sorveteria Amorino (4 bolas por 4,7 euros), localizada no calçadão central da rua Augusta.
       
      Continuei a caminhar pelo centro histórico, cheio de turistas e edifícios interessantes. O que não gostei foi do fato de me tentarem vender drogas a todo momento.
       

       
      Terminei a caminhada com o sol se pondo na orla. Voltei ao albergue, onde esperei meu colega português Rodrigo, que levou a mim e sua namorada para jantar no restaurante A Obra. O prato de comida refinada com vinho saiu por 19 euros por pessoa. Ao menos, pudemos tomar a aguardente caseira à vontade.
       
      Continuamos a festa em duas baladas: a primeira, Crew Hassan, gratuita e cheio de estrangeiros, a segunda, Desterro, meio oculta e ao custo de 5 euros.
       
      Dia 27
       
      Acordei tarde. Fui até a estação final Cais do Sodré, onde tomei o trem até Belém (3,2 euros das passagens + outro cartão).
       
      Lá visitei o Museu Nacional de arqueologia e o Mosteiro dos Jerônimos (12 euros pelos dois). O museu possuía 3 exibições: Egípcios, Lusitânia romana e tesouros portugueses. Quanto ao mosteiro, ele lhe dá acesso ao claustro, ao andar superior da igreja e a uma linha do tempo.
       

       
      Ao sair de lá, a chuva estava forte. Como os restaurantes mais em conta estavam já fechados, fiquei com o Cais de Belém. Escolhi uma entremeada no carvão por 6,8 euros.
       
      Com a tarde chegando ao fim e eu molhado e com dores na coluna desde o dia anterior, regressei. Peguei minha mochila e toquei pro aeroporto.
       
      Às 21 h, fui de Vueling até Barcelona, onde passei a noite no aeroporto.
       
      Dia 28
       
      Sem dormir direito, de manhã fui de Norwegian até San Francisco, com conexão em Londres-Gatwick. O segundo voo foi de 10 horas e meia de duração, sem comida ou sequer água pra beber, já que era um voo de baixo custo. Ainda bem que levei.
       
      Tive aquela recepção nada amigável dos agentes de imigração, que me mandaram pra sala de interrogatório e me deram um chá de cadeira de quase 3 horas!
       
      Desgastado, peguei o trem (BART) até o centro de San Francisco, por 10,2 dólares. Se eu fosse usar mais esse transporte, valeria comprar um cartão Clipper (3 dólares), para usufruir de tarifas menores.
       
      Desci próximo à hospedagem Found Hotel, onde eu ficaria num quarto compartilhado por uns 125 reais a diária. Antes disso, porém, parei pra comer no Burger King (2 sanduíches por 6 dólares), o primeiro lugar aberto que vi. Parecia um manicômio aquilo…
       

       
      Dia 29
       
      Comecei o dia me assustando com a quantidade de sem-tetos e gente maluca no centro de San Francisco. Não lembro de ter visto igual em outro país de primeiro mundo!
       
      Comprei rango num mercado e saí a caminhar ao redor dos prédios altos. Parei na loja de roupas baratas Dress for Less, onde adquiri alguns itens, como tênis por 10 dólares.
       
      Almocei num Subway (30 cm por 8,1 dólares). Depois embarquei num ônibus para a área da ponte Golden Gate (4,5 dólares). Já havia estado aqui em 2011, mas essa vista ainda me deixa de boca aberta.
       

       
      Passei o resto da tarde por lá, entre a neblina que surgia e sumia constantemente. Antes de partir, entrei na Sports Basement, uma loja enorme de artigos esportivos.
       
      Retornei ao centro caminhando. Primeiro passei pelas casas bacanas em frente à marina. Em seguida, jantei biryani de frango (10,8 dólares) no indiano Naan Curry. Saí de lá explodindo e soprando fogo.
       
      Voltei o resto do caminho tortuoso e fui dormir.
       
      Dia 30
       
      O jetlag de 8 fusos bateu no meio da noite. Quando decidi sair da cama, conheci o centro cívico e depois peguei um ônibus até a Ocean Beach (3 dólares).
       
      No supermercado Safeway, comprei uma marmita por 7 dólares e comi na beira da praia, só que o vento estava desagradável.
       
      Assim, entrei de uma vez no Golden Gate Park. Esse parque municipal maior que o Central Park de NY é repleto de atrações esportivas e naturais. Passei muitas horas ali, caminhando e fotografando.
       

       
      Quando o final da tarde se aproximava, encontrei um casal de brasileiros, que me deram uma carona de volta. Fiquei no shopping Westfield Centre. Lá eu jantei frango teryaki (10,1 dólares) numa lanchonete chinesa, que tenta enganar com o nome Sarku Japan.
       
      Dia 31
       
      De manhã, fui no ponto retirar as diversas encomendas que havia feito com a Amazon. Foi um parto trazer todas aquelas caixas de volta ao hotel, 1,5 km distante. Consegui fazer tudo caber em duas mochilas, a tempo do check-out.
       
      Almocei comida coreana no quiosque Sorabol, no shopping. Escolhi bulgogi com kimchi, miojo, arroz e brócolis (10,8 dólares).
       
      Depois, fiquei zanzando pelos bairros a nordeste até escurecer. Passei pela Chinatown, pela rua sinuosa Lombard e pelos píers da orla, todas essas atrações imperdíveis.
       

       
      Jantei no chinês Panda Express (11,8 dólares). Então, parti pro aeroporto.
       
       
      Dia 32
       
      De madrugada, peguei o primeiro vôo do dia, pela Avianca, até San Salvador (El Salvador). Que bom que tive a fileira inteira livre pra mim, então pude dormir.
       
      O segundo foi para Lima (Peru), enquanto que o terceiro chegou em Guarulhos na manhã seguinte, para então retornar a Floripa. Fim!
       
      Curtiu o relato resumido? Então confere o completo desses e mais de outros 100 países em meu blog de viagem Rediscovering the World
    • Por Filipe O. Barros
      Opa pessoal, tranquilo?
      -Estou com uma viagem pré planejada para Bélgica em março 2021 (se as fronteiras já estiverem abertas), mas me aparecerem algumas dúvidas, como estou sempre tentando me informar atualizadamente
      -Bom, nunca mochilei na Europa antes, e, eu li em algum lugares algumas coisas obrigatórias, e gostaria de que alguém pudesse me esclarecer
      -seguro viagem, eu li que isso é obrigatorio para as viagens para a Bélgica.
      -passagem de ida x volta, bom eu estava em mente de comprar a penas a passagem de ida, e a de voltar comprar quando estivesse lá, pois além de sair mais em conta, eu poderia partir de qualquer cidade em que eu estivesse naquele momento, antes de esgotar meu tempo na área schegen.  Mas pelo que eu li, é necessário mostrar a passagem de volta também, há alguma forma de conseguir apenas a de ida?
      -hotel, como seria mochilagem roots, hotel não estaria incluso, seria barraca e trabalhos em troca de acomodação.
      -dinheiro, também li que, preciso provar que tenho dinheiro para pelo menos €95 por dia, bom, eu não teria isso, é realmente obrigatório? Como eu poderia escapar desta parte?
       
      Desde já, muito obrigado, e caso alguém possa me esclarecer minhas dúvidas, responda a este post, ou envie-me uma mensagem via Whatsapp (22) 99256-4330
    • Por felipeporto
      Oi gente!
      em Dezembro de 2021 eu vou passar 40 dias na Europa conhecendo o continente
      eu vou ficar:
      6 dias na espanha
      5 dias em portugal
      7 dias na frança
      6 dias na inglaterra
      3 dias na holanda
      6 dias na alemanha
      7 dias na italia
       Quanto vocês acham que eu devo levar (estimativa) pra passar esses dias por lá? 
      incluindo todos os custos (alimentação, hospedar em hostel, transporte, atrações, etc)
      (em portugal vou ficar em casa de família)
    • Por Roberto Tonellotto
      No mês de maio de 2018 viajei para a Itália com o objetivo de assistir a duas etapas do Giro d’Italia, uma das competições de ciclismo mais importante do mundo ao lado do Tour de France. Ao todo são 21 etapas. Nessa edição as três primeiras etapas foram em Israel antes de chegar na Sicília, já na Itália, e subir até o Norte e depois retornar ao Sul para a última disputa em Roma.
      Meu objetivo era assistir a 14ª etapa, com partida de San Vito Al Tagliamento com chegada no Monte Zoncolan. Assistir de perto uma final de etapa sobre o mítico Zoncolan na região do Friuli é o sonho de qualquer ciclista ou apreciador do esporte.  Considerada a montanha mais dura da Europa, com 10,2km e com ganho de elevação de 1.225 metros, torcedores do mundo todo disputam espaço ao longo de toda subida para ver de perto o sofrimento e a garra dos melhores ciclistas de estrada do mundo. Na tarde do dia 19 de maio eu e o amigo Tacio Puntel, que mora no país há 13 anos, estávamos estrategicamente colocados sobre a Montanha para assistir à chegada. Milhares de pessoas chegaram cedo ou até acamparam no local, onde a temperatura mínima naquela madrugada tinha ficado abaixo de zero. Mas tudo é festa. Ali ficou evidente para mim como a cultura do ciclismo é tão importante para a sociedade italiana e europeia. Mas para a alegria de alguns e a tristeza de outros quem ganha a etapa é o britânico Chris Froome (que se tornaria o campeão do Giro) seguido de perto por Simon Yates e em terceiro colocado o italiano Domenico Pozzovivo.
      No outro dia fomos até Villa Santina para assistir a passagem da 15ª etapa com 176km, que teve início em Tolmezzo e chegada em Sappada, também na região do Friuli. A passagem dos ciclistas ocorreu dentro da cidade. Sentados em um bar ao lado rua, podemos ver toda a estrutura envolvida para dar suporte as 22 equipes que somam quase 180 ciclistas. Ônibus, Vans, Carros de abastecimentos, motos, equipes de televisão, ambulâncias. Uma grande logística para um negócio milionário que percorreu mais de 3.571 mil quilômetros em terras israelenses e italianas.
      Mas nem só de assistir ao Giro se resumiu essa viagem. Após passar alguns meses planejando roteiros para pedalar na Itália, Áustria e Eslovênia, chegava a hora de pôr em prática. Narro a partir de agora alguns trechos de cicloturismo que realizei nos três países.
      Cleulis (Itália) –  Passo Monte Croce - Dellach (Áustria) – 70km.
      Acordei decidido que iria almoçar na Áustria. Para chegar até lá teria que enfrentar o Passo do Monte Croce Carnico, ao qual já tinha subido e tinha noção que não era muito difícil. O retorno porém, era uma incógnita. O dia estava bonito, a minha frente a espetacular Creta de Timau, a montanha de 2218m, me mostrava o caminho. Uma parada rápida para foto na capela de Santo Osvaldo e cruzo Timau, a última frazione antes de chegar à fronteira. A partir dali, só subida e curvas. Muitas curvas. Eram incontáveis os grupos de motociclistas, trailers e cicloturistas que desciam a montanha. A cada curva um novo panorama se abria. Placas indicavam a altitude, 900m, 1000m, 1200m, até alcançar os 1375m na fronteira Itália/Áustria. Depois, só alegria... Descida de 12km até Mauthen.
      Parada em Kotschach para foto e planejar o próximo passo. Viro à direita na 110 e o vale que se abre a minha frente (e que se estende por quase 80km até Villach) me faz recordar da Áustria dos cartões postais e filmes. Campos verdes infinitos e montanhas que ainda conservavam a neve do inverno. O que mais me impressionou foi o aroma. Um frescor no ar. Uma mistura de terra molhada com lenha verde recém cortada. Segui por esse vale até encontrar a primeira cidade, a segunda, a terceira. Resolvi que era hora de voltar. Encontro a Karnischer Radweg R3, uma ciclovia que acompanha um belo Rio de águas cristalinas. Chego novamente em Mauthen, compro um lanche reforçado e quando vejo já estou subindo os 12km em direção a Itália. Começa a chover faltando poucos quilômetros para a fronteira.
      Parada obrigatória no Gasthaus Plockenhaus. Tempo depois a chuva diminui e começo o último trato até a fronteira. Mais um túnel congelante. Pedalo forte para esquentar o corpo. Na fronteira, já aquecido, vou beber um café no Al Valico, no lado italiano. Como ainda tinha algum tempo até anoitecer e querendo aproveitar ao máximo a viagem, deixo a bicicleta no restaurante e parto rumo a um trekking montanha acima, rumo ao Pal Piccolo. O local foi cenário de um dos episódios mais sangrentos da Primeira Guerra Mundial e hoje abriga um museu a céu aberto, onde mantém em perfeito estado as trincheiras e equipamentos utilizados nas batalhas entre o Império Austro-Húngaro e Itália. Seria uma caminhada de 2km com quase 600m de subida. Logo comecei a ver alguns animais selvagens e neve.
      Nenhuma palavra pode descrever o que eu senti lá. É emocionante estar em um local de Guerra tão bem preservado a quase 2 mil metros de altitude. Ali as trincheiras ficam a menos de 30 metros umas das outras. A bateria da Gopro e do celular já tinha acabado. A minha também. Apenas uma foto registrou a chegada. Não demorei muito e comecei a descer. Depois de 40 minutos de descida até a fronteira, pego a bicicleta e desço em direção a Cleulis, sob chuva e vento forte.
      Grossglokner Alpine Road – Áustria – 30km
      O corpo cobrava o preço do esforço dos últimos pedais e do cansaço da longa viagem. O sábado amanheceu bonito na região da Carnia na Itália e fazia calor quando partimos rumo a Heiligenblut na Áustria. O contraste do verde das montanhas com alguns pontos de neve com o céu azul e a brisa leve nos lembravam que a primavera havia chegado e não iria demorar muito para o verão dar as caras. Por volta do meio dia chegamos a Heiligenblut. A partir dali eu seguiria pedalando. Rapidamente preparo a Mountain Bike, me visto, respiro fundo e começo a “escalar” os 15 quilômetros até o mirante do Grossglockner, a maior montanha da Áustria e a segunda da Europa, com 3797m de altitude. Os primeiros metros, com uma inclinação de 15% já demonstravam que o desafio seria vencido com paciência e força. O calor me surpreende, o Garmin marca 33 graus e uma altitude de 1295m, o que só aumenta o desconforto, que iria diminuir conforme ganharia altura. Pra quem já subiu a linha São Pedro, Cortado, Cerro Branco, Lajeado Sobradinho, Linha das Pedras ou Linha dos Pomeranos pode ter uma pequena ideia do que foi. Chegava na marca dos 11km de subida, na altitude de 2000 mil metros. Pausa para hidratação e para admirar a paisagem. Picos nevados, cachoeiras, mirantes, campos verdes. Impossível não ficar hipnotizado com tamanha beleza de uma das estradas alpinas mais bonitas do mundo. Depois de 2 horas e 15 minutos e algumas paradas para hidratação chegava a 2.369m com uma visão espetacular do Glaciar Pasterze com 8,5km de comprimento e do imponente Grossglockner. Depois de comprar alguns souvenires e comer um pouco, iniciei a descida que em alguns pontos era possível ultrapassar facilmente os 80km/h.
      Triglav - Kranjska Gora (Eslovênia) Tarvisio - Pontebba - Chiusaforte - Moggio Udinese (Itália)
      Parque Nacional Triglav, Eslovênia. Passava do meio dia quando inicio mais uma pedalada. O trajeto do dia seria quase todo em ciclovias através de vales. Segui até a fronteira em Ratece e dali até Tarvisio na Itália onde encontrei a ciclovia Alpe Adria que inicia em Salsburgo na Áustria e vai até Grado no litoral do mar Adriático. Feita sobre uma antiga ferrovia, asfaltada e bem sinalizada é considerada uma das mais bonitas da Europa. Diversos túneis, pontes, áreas para descanso e pontos para manutenção das bikes com ferramentas a disposição. Durante o dia cruzei por centenas de ciclistas e fui cumprimentado por japoneses, espanhóis, alemães, holandeses e claro, italianos.
      É um parque de diversão só para ciclistas. Um ponto de encontro de apaixonados por bicicleta de diferentes nacionalidades. Ali famílias pedalam tranquilamente, sem pressa. Mais do que uma atividade física, percorrer a Alpe Adria é uma viagem na história e nos valores culturais e ambientais do Friuli.
      A paisagem mudava constantemente, ao fim de cada túnel se abriam bosques selvagens, montanhas rochosas e rios com água em tons de azul. Parei na antiga estação de Chiusaforte que foi transformada em um bar para cicloturistas. Dessa cidade as famílias Linassi, De Bernardi e Pesamosca emigraram para a Quarta Colônia na década de 1880. Recarreguei as energias com café e cornetto e segui em frente encantado com a beleza do Rio Fella. Após alguns quilômetros, ao lado do Rio Tagliamento encontrei a cidade medieval fortificada de Venzone. Próximas paradas: Buia terra das famílias Tondo e Comoretto e a cidade de Gemona Del Friuli das famílias Copetti, Forgiarini, Baldissera, Londero, Brondani, Papis, Rizzi, Patat e tantas outras que dali saíram para colonizarem a região central do nosso Estado.
      Nos últimos quilômetros encontrei a belíssima planície friulana e Údine, Palmanova e Aquileia, a antiga cidade romana fundada em 181 a.C. que conserva vestígios arquitetônicos do Forum, do porto fluvial e os 760 metros quadrados de mosaico do século III na Basílica de Santa Maria Assunta.
      Já era tarde da noite quando cheguei em Grado. Degustei uma pizza e um bom vinho tocai friulano e adormeci ao som do Mar Adriático.
      Pendenze Pericolose
      Pendenze Pericolose é um hotel para ciclistas de estrada em Arta Terme. Estrategicamente localizado próximo das subidas mais desafiadoras da Europa como o Zoncolan e o Monte Crostis é também cenário para diversas competições esportivas. Foi ali que conheci seu idealizador, o romano Emiliano Cantagallo que deixou o emprego de Guarda do Papa para se dedicar inteiramente ao ciclismo e a hotelaria na região da Cárnia.
      Eu já acompanhava seus vídeos na internet com ciclistas profissionais em lugares incríveis onde ele demonstrava a paixão que sentia por aquela terra. Estando tão perto eu não poderia perder a oportunidade de ter essa experiência. Através dos amigos Tácio e Marindia Puntel o encontro foi marcado. No outro dia já estávamos na estrada, eu, Emiliano e Alessandra que também veio de Roma e estava hospedada no hotel. Fiquei espantado com seus níveis de condicionamento físico. Normal para quem faz por volta de 150km todos os dias. Nesse dia aliviaram para mim, seriam 100km e “apenas” duas montanhas.
      Foi um dia inesquecível, apesar do ritmo forte, conversamos muito. Emiliano contava sobre cada lugar: Sella Nevea, Tarvisio, Montasio... Falamos sobre o acaso da vida. Dois romanos e um brasileiro nas montanhas da Cárnia unidos por um esporte e com visões de mundo semelhantes. No meio do caminho, fizemos uma parada no Lago del Predil. Contemplamos o lago cercado por montanhas e nos abraçamos como velhos amigos.
      Foram mais de 500 quilômetros pedalados entre Áustria, Itália e Eslovênia durante a primavera do hemisfério norte. Foram 15 dias de imersão cultural, descobrindo e aprendendo. Permaneci a maior parte do tempo entre Arta Terme e Paluzza. Sentia-me em casa convivendo com pessoas que possuem uma ligação genealógica e afetiva com nossa região. Daquela área saíram as famílias Anater, Prodorutti, Puntel, Maieron, Dassi, Muser e Unfer. Se não fosse pela língua e pelas montanhas, diria que estava na Linha dos Pomeranos ou na Serraria Scheidt.  Na fração de Cleulis, em Paluzza, conheci as casas que foram de alguns emigrantes. Construções em sua maioria de dois pavimentos e que ainda se mantem intactas e bem cuidadas.
      Foi de Cleulis que iniciei mais uma pedalada, agora até o Lago Avostanis. Não fazia ideia do que ia encontrar quando parti às 7 horas de um domingo ensolarado e frio. Logo comecei a subir por uma estrada de terra que serpenteava a Floresta de Pramosio. Muitas curvas. Seriam mais de cinquenta nos dez quilômetros até o topo. A inclinação era absurda. A mata fechada permitia que apenas alguns raios de sol atingissem a estrada. Quanto mais alto, mais a temperatura diminuía e a paisagem se transformava. Parei em uma placa indicativa que mostrava em detalhes como a vegetação se dividia conforme a altitude. Assustei-me quando percebi que havia percorrido apenas um terço do caminho. O silêncio era quase total, ouvia apenas a minha respiração e o barulho do atrito dos pneus com o cascalho.  O ambiente, muito bem preservado, é lar de cervos e coelhos selvagens que saltavam de um lado para o outro. Na altitude de 1500 metros está a Malga Pramosio. Malga é uma espécie de estabelecimento alpino de verão, geralmente um restaurante ou bar com produtos típicos. Segui em frente. O caminho a parti dali só é possível ser feito a pé ou de bicicleta. Ainda havia muita neve em alguns pontos, o que exigia colocar a bicicleta nas costas e caminhar sobre o gelo ao lado de um precipício. Foi assim que cheguei a quase 2 mil metros de altitude no Lago Avostanis que ainda estava congelado. Foi o lugar mais bonito de toda a viagem, uma beleza que só se revela para aqueles dispostos a enfrentar a si mesmos e a respeitar o poder da natureza em sua forma bruta.
      Durante esse tempo pedalando por antigas estradas romanas, cidades medievais, atravessando fronteiras e exposto a uma diversidade de culturas e tentando me adaptar a cada uma delas, percebi uma coisa que mais me chamou atenção: o respeito. O respeito não só com o ciclista, mas com o ser humano em si. E o respeito se transformava em solidariedade, em empatia. Por diversas vezes, em bares e restaurantes principalmente no Friuli, recusavam-se que eu pagasse a conta. Não sofri qualquer tipo de preconceito por ser brasileiro ou por não ter sangue “puro” italiano. Havia apenas curiosidade e fascínio de ambas as partes.
      Foram tantos os detalhes que me chamaram atenção durante esses dias que são difíceis de enumerá-los. Desde beber água direto das fontes à beira da estrada até a generosidade daquele povo. É poder conhecer coisas assim quer torna o ciclismo tão especial. Não é apenas o lugar em si. Mas o modo que você o visita. As pessoas e as histórias que conheceu. O que você precisou fazer para chegar até ele e o quanto dele ficou em você quando foi embora.
       
































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