"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Continuando o ciclo do Mochileiros.com (‘leia os roteiros e relatos, aprenda algo, ponha em prática e escreva o seu relato’) eis o meu relato, para auxiliar as próximas pessoas que resolverem se aventurar por essas partes do mundo. Enjoy!
Há muito tempo que queria conhecer o Peru, mas em razão das minhas férias pouco flexíveis e de pouca duração (entre outros fatores) eu acabava nem considerando esta possibilidade.
No entanto, graças a algumas mudanças no meu escritório, esse ano acabei recebendo mais dias de férias e num período fora do recesso forense (18/12 – 06/01), e minha namorada me incentivou a pensar na possibilidade de, finalmente, conhecer o Peru.
Pesquisei bastante aqui no Mochileiros.com e montei meu roteiro preliminar (que foi alterado diversas vezes até o dia do embarque): Lima – Ica – Nazca – Arequipa – Puno – Copacabana – Puno – Cusco – Lima.
A vantagem de pesquisar bastante foi que em raríssimas vezes fui surpreendido com as condições ou os preços de passeios/hospedagem/transportes e afins. Por outro lado, como pesquisei MUITO, também foram poucas as vezes em que fui realmente surpreendido com o formato das construções, com as informações dadas pelos guias e etc.
Algumas informações preliminares:
- Guarde muito bem aquele papelzinho da imigração. Apesar de ser uma informação aparentemente boba, vocês não tem noção de quantas pessoas eu vi suando porque haviam perdido o papel... (tá, é só pagar US$5,00 que você ganha outro, mas para quê pagar se você pode evitar isso com um pouco de zelo?!)
- Não se preocupe com a língua. Nunca fiz aula de espanhol. Apenas li 2 livros do Llosa em espanhol e baixei umas músicas (Bebe, Maná, Mar de Copas, Libido...) e boa. Pude me virar muito bem lá. Eles (em geral) falam bem devagar, e estão bem acostumados com turistas.
- Dinheiro: seja dólar ou soles, procure sempre pegar notas em excelentes condições. Eles são chatos... notas com rasgos (mesmo que imperceptíveis) ou manchas de qualquer natureza não costumam ser aceitas.
- Hospedagem: geralmente não é necessário reservar hospedagem (a menos que você esteja buscando um Hostel/hotel em especial, e este seja bem badalado, como aconteceu comigo em Cusco...) O que você deve, sim, fazer sempre é verificar se há água quente nos banheiros.
- Pechinche TUDO e SEMPRE.
- Pechinche mais um pouco.
- Quase tudo lá é negociável.
Vamos ao roteiro em si:
09.01 São Paulo – Lima.
Dizem que brasileiros deixam tudo para a última hora, mas esses nipo-brasileiros (minha namorada e meu sogro) deixam mais ainda! rs
Nosso voo sairia às 8h30, às 2h da manhã eles ainda estavam arrumando as malas!
6h50 – Check in feito (mala pesando 9,4kg).
O voo atrasou mais de uma hora na saída. Acabamos decolando apenas às 9h40. Às 11h10 (horário local, 3hs a menos do que aqui) pousamos no aeroporto internacional – que fica em Callao, não Lima.
Trocamos um pouco de dinheiro no Interbank do aeroporto. Lá eles cobram uma absurda taxa de S./3,00 para cada US$100,00 trocados, mas pelo menos as notas trocadas estavam em bom estado. (Cotação US$1,00 = S./2,73. Menos taxas, tributos e tudo mais, acaba que a cotação ficou em torno de 2,65 lá... bem ruim se comparado com os valores praticados nas ruas).
Apesar de muitas pessoas dizerem para pegarmos o táxi fora do aeroporto, na rua mesmo, não quisemos arriscar. Afinal, era a primeira hora em um país estranho, com uma língua que não dominávamos... enfim. Fomos ao balcão da Green Táxis e pagamos S./45,00 até Miraflores.
Ficamos no Peru Backpackers Guest house (Calle José Gonzales com Av. Larco, 3 quadras do LarcoMar – aquele shopping a céu aberto). Pegamos um quarto triplo, sem baño privado (mas não foi problema algum, pois os banheiros eram bem limpos e suficientes para o total de hóspedes) e com um ótimo desayuno continental. Pagamos S./33,00 por pessoa, por noite.
O pessoal do albergue é super atencioso (principalmente as meninas, Anali e Carla, se não me engano).
Deixamos nossas coisas no quarto, trocamos de roupa (estávamos morrendo de calor depois de quase 40 minutos no táxi e no trânsito da orla) e saímos para o reconhecimento padrão – anda 3 quadras pra baixo, 3 pra cima, 3 pra direita e esquerda... até estar familiarizado com o ambiente...rs.
O trânsito em Lima (e no Peru, em geral) é caótico. Nos cruzamentos, quem ousa, leva. Preferencial não existe na prática... e buzinas que não acabam mais. Ah, sinais verdes para pedestres nas faixas de pedestres não significam que os semáforos estão fechados para os carros! Quem entende?!
Fomos até o Larcomar e almoçamos no Otto Grill. Para começar a experiência peruana, mandamos ver nos pollos a lo pobre (com banana, batata e ovo fritos) e a famosa (mas não tão gostosa assim, na minha opinião) Inca Cola. Total: S./15,00.
Antes mesmo de começarmos a comer já sentimos que nos equivocamos ao trocar de roupa... apesar do sol, venta muito ali naquela região. E, como o shopping é aberto, passamos um certo frio na praça de alimentação.
Voltamos ao hostel, que era ali ao lado mesmo, trocamos as bermudas por calças e fomos para a rua novamente. Andamos até o Pq. Kennedy e acabamos fechando o Mirabus City Tour Noturno (S./60,00 por pessoa), saindo da praça às 19hs, percorrendo o centro histórico e o Circuito Mágico das Águas, parando no Sheraton Hotel para um refrigério e voltando ao Pq. Kennedy (ou Pq 7 de Junio) lá pras 22h30.
Tomei minha primeira cerveja peruana, a Cristal (8,00 a long neck... um preço meio que padrão para as long necks em Lima).
O Circuito Mágico das Águas é espetacular, e às 20h15 ocorre uma apresentação na fonte principal que é de arrepiar. É um show com lasers e hologramas, transformando as águas em uma tela de cinema gigante. Espetacular mesmo
Teria sido ainda melhor se meu sogro, que não fala lhufas de espanhol, não tivesse se perdido de nós.
Imagine só: segundo o guia, aproximadamente 35 mil pessoas visitam o parque todas as noites; é tudo escuro (para favorecer a iluminação das fontes); são muitas fontes... enfim, toca eu embromar no portunhol com o guia e explicar que havíamos perdido um membro do grupo. Na mesma hora um policial se aproximou, pediu o nome do meu sogro e o meu nome, tirou uma foto da foto do meu sogro que estava na câmera da Cris e saiu para procurá-lo (para ajudar, ele tinha deixado os docs. dele conosco).
Pedi para a Cris (minha namorada) seguir com o grupo eqto eu sairia caçando o Shigueo (seu pai), e, de tempos em tempos, eu voltaria até o grupo (já que, por ser mais alto que ela e que os peruanos, era mais fácil eu localizar a bandeirinha do nosso grupo).
Resumindo, encontramos ele a tempo de assistir ao final da apresentação na fonte principal.
10.01 Segunda-feira. Lima (nível do mar)
Levantamos, tomamos nosso desayuno e pedi algumas informações para a mocinha do hostel. Perguntei a ela também como poderia comprar passagens para Ica, já que lá não existia rodoviária ou Terrapuerto geral; cada empresa tem a sua garagem e os ônibus partem de lá.
No final, ela mesma comprou as passagens para nós, pela Cruz Del Sur (55,00).
Saímos para caminhar pelas redondezas – na medida do possível, pq minha namorada havia sofrido uma cirurgia vascular, que afetou o seu joelho direito, poucos dias antes de embarcarmos.
Fomos até o Pq Del Amor e o Faro de La Marina. O parque é muito bonito e muito bem cuidado (aliás, quase todos os parques e praças no Peru são bonitos e bem cuidados).
De lá, pegamos um táxi (6,00) até a Huaca Pucllana, ruínas da civilização Lima (400 d.C.) que são muito interessantes (se o seu guia for bom... o guia que pegamos era bom, mas a guia em inglês não parecia ser dos melhores não... eles começaram o passeio mais de meia hora depois da gente e acabaram antes). O ingresso na Huaca custa 10,00.
Mais um táxi (8,00) até o Hostel e fomos trocar $$. Fomos na Western Union, na Av. Larco. Pegamos uma cotação boa = 2,79, e sem taxas. Pausa para comprar lembrancinhas (sim, desde o 2º dia! rs Na Colômbia eu deixei para comprar tudo no final da viagem e acabei não comprando nada; dessa vez, não quis arriscar!).
Jantamos no LarcoMar novamente, no Tony Roma’s. O restaurante era bem arrumado, com uma linda vista para o pôr do sol no Pacífico. Provei a Pilsen Callao (7,00) e a Peroni (cerveja italiana, 10,00). O prato era um pouco mais caro, em torno dos 45,00, mas estava muito bom!
Essa noite, às 21h30 já estávamos no Hostel, acabados... pensamos em ficar por lá mesmo... mas não sabíamos ainda se teríamos outra chance de explorar a vida noturna em Lima, então fomos até Barrancos, o bairro boêmio. Táxi (12,00 a ida e 6,00 a volta... vai entender). Andamos na famosa (não sei exatamente pq) Puente de los Suspiros, fomos até o mirador (mirante) – a vista lá deve ser linda de dia, mas de noite é apenas um ‘malhodromo’ rs) e escolhemos um barzinho para sentar.
Provei o Pisco Sour (18,00) e a Cris tomou um suco doido lá (Primavera, 13,00). Na real, não achei graça no Pisco Sour... sou muito mais nossa caipirinha, com limões frescos e sem gosto e cheiro de ovo, mas eu tinha que experimentar, né.
11.01 Terça-Feira. Lima-Ica.
Passamos a manhã no centro histórico (Plaza San Martin, Plaza de Armas...). Fomos de Bus (1,00)... uma aventura naquele trânsito caótico. O motorista lia o jornal enquanto dirigia, fechava os outros ônibus e buzinava sem parar.
Depois um táxi até o hostel (7,00) e, de malas feitas, fomos ao Bembos (Mc Donald’s local) e provamos o Tacu-Tacu, uma espécie de ‘baião de dois’ peruano. (20,00 com refri).
Fizemos o check out e ‘voamos’ até o Terminal da Cruz Del Sur. 13h30 entramos no bus. 14h40 o serviço de bordo do bus serviu o almoço, com direito a sobremesa e tudo mais... se soubéssemos, não teríamos almoçado correndo antes do check out!
19hs – chegamos à Ica e pegamos um táxi (6,00) até a famosa Laguna Huacachina, um oásis em meio às dunas de areia.
Fizemos check in no Hostel Casa de Arena 1. (30,00 por pessoa, quarto triplo com banheiro e sem café da manhã). Reservamos o passeio para as Islas Ballestas na manhã seguinte, por 60,00.
Andamos pelas desertas ruas da Laguna e escolhemos um restaurante/bar na beira do lago (Bolepo Gourmet). Tomei minha primeira Cusqueña (620 ml, por 7,00). Tava tão quente e seco que matei a garrafa em 2 minutos! rs.
O legal desse bar é que eles fornecem pincéis atômicos para a galera registrar suas passagens nas paredes. Claro que tive de deixar um bom e velho (e pq não, incompreendido) ‘Carlos Adão’, em preto e verde, no cantinho da parede! Hehehe
12.01 Quarta-Feira. Ica – Paracas – Ica.
De dia, Huacachina tem outra aparência... muito mais bonita!
Às 6h50 a van nos pegou e nos levou até Paracas, onde pegaríamos a lancha (1,00) para as ilhas.
São 2hs de passeio, passando pelo Candelabro (desenho feito na Areia não se sabe quando, não se sabe como, e não se sabe por quê. Sabe-se apenas que aquela é a única parte da península - ou ilha, não lembro! - onde não bate vento e onde a tempestade de areia paracas não atinge, portanto, o desenho se mantém com o passar do tempo. Seu primeiro registro data de 1902) até chegar nas Ballestas.
Pingüins, Leões marinhos, cormorões, gaivotas, abutres, estrelas do mar, mariscos, caranguejos, e etc em quantidades assustadoras! São milhares, talvez milhões, deles. O cheiro de ‘titica’ é fortíssimo!
Nesse dia eu parei de reclamar do meu trabalho... no alto de uma das ilhas foi possível avistar um caboclo coletando todas aquelas fezes para a produção de adubos e fertilizantes (‘guano’). Por ano, 5 toneladas desse ‘Guano’ são exportadas mundo afora, diretamente da ilha.
Pausa para uma confissão: Sempre gostei muito de encontrar brasileiros no exterior... isso até viajar ao Peru. Não sei se é pq 70% das pessoas que vc encontra na rua por lá são brasileiras, mas acabei pegando um pouco de birra... Sei que não podemos generalizar, mas encontrei MUITOS farofeiros causando por lá... E em Paracas encontramos – pela primeira vez – um grupo de brasileiras que eu rotulei como adolescentes tardias (talvez recém-divorciadas, vai saber)... sabe aqueles adolescentes que só sabem falar gritando, que querem chamar a atenção a qualquer custo, que não tem o menor ‘simancol’ ou respeito pelos outros integrantes do grupo?! Pois é, se em um adolescente isso já é chato, imagine em um grupo de cinqüentonas!! Bom, cruzamos com elas em quase todas as cidades que visitamos!
Voltando ao relato, que é mais prazeroso e interessante:
10h – voltamos ao píer. Como a van só sairia às 11h e pouco, fomos comprar artesanatos e comer algo, já que não tinha café da manhã no hostel. Tomei duas Cusqueñas, inclusive uma Red Lager bem interessante (6,00 cada).
12h30 estávamos de volta ao Hostel. O plano era pegar, naquele mesmo dia, um bus até Nazca para, no dia seguinte, fazermos o sobrevoo das linhas. O motorista da van nos convenceu a ficar essa noite em Huacachina e partir apenas na manhã seguinte, já com o voo reservado para meio-dia. Ele ligou para o nosso hostel e pediu para a recepcionista reservar o voo e o transfer da garagem da empresa até o aeroporto. Fechamos em US$120,00 por pessoa (antes era metade desse preço, mas depois que um dos aviões caiu, matando alguns turistas, o governo fechou 4 das então 7 cias que faziam o sobrevoo, o que encareceu tudo).
Como tínhamos a tarde livre, fomos buscar o que fazer. Acabamos fechando o passeio de buggy+sandboarding no Hostel Rocha, por 40,00 + 3,60 de taxa de ingresso nas dunas. Fomos só nós 3 e o motorista. Valeu à pena. Até o Shigueo, de 61 anos, e a Cris, com o joelho ruim, entraram na dança.
No final do passeio, o buggy parou no alto de uma duna para apreciarmos o pôr do sol. Bem bacana.
Às 20hs teve um ‘churrasco’ no Hostel, por 20,00... participamos, mas foi bem meia boca. Saímos do churras e fomos dar outra volta na laguna. Já estava mais movimentada que na noite anterior. Resolvemos experimentar as Tejas (doces de chocolate recheados com doce de leite e uma infinidade de sabores – ameixa, nozes, pisco, laranja...). Muito boas... ah, que saudades! Hehehe
13/01 Quinta-Feira. Ica-Nazca (600m)-Arequipa (2.280m).
Acordamos cedo, fechamos a conta e pegamos um táxi (5,00) até a garagem da empresa de bus.
O taxista nos recomendou comprar em Ica mesmo as passagens de Nazca para Arequipa, e recomendou a empresa Cial, que apresentaria um serviço similar ao da Cruz Del Sur e pela metade do preço (essas recomendações são bem comuns por lá, e acredito que eles ganham comissão por isso. Em todo caso, muitas das vezes as ‘dicas’ são boas). Vi umas fotos dos bus e achei que valeria a pena. 80,00 o bus semi leito.
De lá, fomos para a garagem da Soyus, apesar de todo mundo recomendar para que fôssemos com outra companhia... mas a diferença era gritante: de 11,00 na Soyus para 35,00 nas demais, na passagem Ica-Nazca. Bom, a diferença de preço era justificada.
Ônibus velho, pessoas estranhas, vendedores ambulantes de tempos em tempos e o constante aviso de ‘NÃO DEIXEM SUAS MOCHILAS NOS BAGAGEIROS! RECOMENDA-SE VIAJAR ABRAÇADO À SUA MOCHILA TODO O TEMPO!’.
Como a viagem não era longa, e estava de dia, não tivemos maiores problemas, mas fica aí o alerta.
11h30 chegamos à rodoviária e o nosso táxi-transfer estava nos aguardando para nos levar ao aeroporto. Paramos antes na Cial para deixarmos nossas malas eqto faríamos o voo. Chegamos ao aeroporto e a mocinha do Hostel de Ica ligou para a mulher da agência de Nazca e pediu para falar comigo, para que eu dissesse a ela que o que foi combinado estava sendo cumprido. Achei legal a iniciativa e deu uma confiança a mais.
Pagamos a taxa do aeroporto (20,00) e aguardamos a nossa vez... o tempo foi passando, passando, passando... detalhe: depois de tanto ler aqui que não era bom comer antes do voo e etc, estávamos todos em jejum desde a noite anterior! Fui perguntar pra moça da agência qdo seria o nosso voo e aproveitei para perguntar se tínhamos mesmo q estar em jejum; ela disse que NÃO!! Disse que voar de estômago vazio é pior... qdo saltei de paraquedas já tinham me falado isso, mas como li muita gente falando para não comer, fiquei na dúvida né...rs
Bom, comemos uns salgadinhos e um chocolate e fomos voar. Achei que chacoalhasse mais... nem deu ‘barato’...rs Mas as linhas são bem legais. Deu pra ver direitinho.
Mais lembrancinhas, almoço e resolvemos ver como preencher a tarde até a hora do bus (22h). Resolvemos fazer o passeio ao Cemitério de Chauchilla, a 27km de Nazca (100,00 para os 3).
Às 16h30 a guia passou para nos pegar, junto com seu filho. Figura o moleque... não parou de falar um segundo! rs
Achei esse passeio um dos pontos altos da minha viagem. Simplesmente indescritível olhar para tudo aquilo e saber que não mudou praticamente nada em mais de 1000 anos! Tirando a pequena casa onde ficam duas múmias e a bilheteria, não há nenhuma construção nos arredores do cemitério até onde a vista alcança!
Demais.
A guia era muito boa e tirou todas as nossas dúvidas. Um fato interessante foi descobrir que em Nazca a média de chuvas no ano é de 30 minutos! Ela simplesmente não entendia qdo eu dizia que em São Paulo estava chovendo todos os dias há mais de uma semana...rs
Sucos e cervejas na pequena e bem organizada Plaza de armas e fomos para a Cial confirmar o horário de saída do bus. Lá fomos informados que não teríamos o serviço de jantar a bordo, como imaginávamos (o jantar é servido durante o trecho Ica-Nazca...Fail).
Voltamos correndo ao centro e engolimos uma pizza muito boa (22,00) em 3 minutos...
O que não gostei da Cial: ônibus sujo, embora novo; o ‘rodomoço’ estava c*gando e andando para o fato de que havia gente nas 3 poltronas que eu havia comprado. Tentei argumentar, outras pessoas argumentaram tb em meu favor, e nada... acabou que eu fui em um assento, minha namorada e o pai dela em outro; e o controle de bagagens é fraquíssimo.
14.01 Sexta-feira. Arequipa (2.280m)
8h20 – chegamos à Rodoviária de Arequipa. Não costumo dar bola para essas pessoas que oferecem passeios e hostels na rodoviária, mas resolvi confiar naquela mocinha.
Ela mostrou as fotos do hostel (Marlon’s House) e eu reconheci o café da manhã no terraço de algum relato que eu tinha lido por aqui. Acabamos fechando. Um quarto matrimonial (40,00) e um simples (25,00), banheiro privativo, com desayuno.
Taxi (6,00). Em Arequipa, pela primeira vez, nos alertaram a só pegar táxis indicados por eles e para não andar em determinadas ruas após às 17hs. Isso já tirou um pouco do meu sossego. Sou meio cismado com esse tipo de coisa.
Reservamos o passeio ao Cañón Del Colca para o dia seguinte (65,00) e fomos almoçar num Terraço na Plaza de Armas. Provei Filé de Alpaca pela primeira vez (gostei), camu camu, e um risoto de quínua. Estava muito bom. 2 Cusqueñas para arrematar. Total = 38,00.
A Cris e o Shigueo também pegaram pratos bem requintados e gostosos e o preço também foi esse. Valeu à pena.
Fomos trocar dólares. Em Arequipa não achamos um banco oficial ou uma Western Union para trocar dólar... apenas umas banquinhas mequetrefes que não inspiravam confiança. Escolhemos a que tinha mais cara de oficial e, em tese, mais segura, a ProEmpresa, e entramos.
Dessa vez, resolvemos trocar uma quantia considerável, já que dali para frente o ritmo seria punk até Cusco... o câmbio estava em 2,75.
Ao sairmos da oficina, passamos por um velhinho mal encarado falando ao celular. Ele olhou para nós e disse algo como ‘acabaram de sair da oficina’. Como eu disse, sou meio cismado, e já fiquei alerta. A diferença é que dessa vez a Cris tb suspeitou, e ela nunca desconfia das coisas que eu desconfio. Atravessamos a rua, e ao atravessarmos ouvimos o velho dizer ‘cruzaram a rua’. F*DEU!
Parênteses:
Acredito que, em regra, as cidades te oferecem tanto quanto você se permite receber.
Em Nazca, por exemplo, (e em Huacachina também) a 1ª imagem que tivemos não foi das melhores, mas em pouco tempo já nos sentíamos confortáveis, e, com o conforto, acabamos nos permitindo ousar mais, explorar mais, conversar com as pessoas, conhecer efetivamente o lugar.
Em Arequipa, no entanto, embora seja uma cidade mais bonita e limpa, desde o princípio não me senti muito à vontade.
Somando-se a isso, a atendente do hostel nos disse para evitar algumas ruas (que eram próximas ao nosso hostel à Plaza de Armas) e para evitar andar nas ruas após às 17hs.
Com isso, admito, passei a me sentir ainda menos à vontade.
Após o almoço, que estava muito bom, e com o belo visual da Plaza de Armas e dos vulcões ao fundo, eu estava começando a me permitir sentir um pouco mais confortável.
E então aconteceu aquilo na saída da casa de câmbio...
Como esse tipo de coisa é melhor não pagar para ver, fomos dar uma volta na Plaza de Armas para ‘despistar’ eventuais vagabundos... fizemos um caminho alternativo e mais longo para voltarmos ao hostel, mesmo com a perna da Cris doendo bastante... Táxi? Nem pensar, se a própria mulher do albergue disse para pedirmos o táxi direto pra ela, como íamos pedir um táxi qualquer na rua se já estávamos cismados?
Chegamos sãos e salvos ao albergue, mas é claro que eu desconfiei de toda e qualquer pessoa que cruzou o olhar comigo da praça até eu pisar no albergue. E noiado como sou, qualquer barulhinho no albergue e eu já levantava as antenas com o coração acelerado... sensação horrível.
Não tivemos nem mesmo vontade de sair para jantar, já que nas cercanias do albergue não havia um só bar/restaurante (ou qualquer comércio, em verdade).
Uma pena que esse episódio – mais o sentimento anterior – tenha feito com que eu não desfrutasse de tudo o que a Ciudad Blanca tinha a oferecer...
15.01 Sábado. Arequipa – Chivay (3.500 m)
Acordamos cedo, desauyno, check out, guardamos as malas no depósito e reservamos bus (Señor de los Milagros, 30,00) para Puno para o dia em que iríamos voltar do Colca.
Como chegaríamos em Puno de madrugada, reservamos tb o albergue da mesma rede (Marlon’s House), assim eles nos buscariam na rodoviária.
8h25 – Jesus nos Guia! Hehehe
Jesus, o guia do nosso grupo, passou para nos pegar no albergue e, de lá, paramos numa lojinha para comprar produtos de coca, afinal, de Arequipa até Chivay passaríamos pelo Mirador dos Vulcões, a 4.910m de altitude!!
Compramos folhas, balas e uma bebida à base de coca. Seguimos viagem... passamos por locais muito bonitos, na Reserva Nacional. Passamos por rebanhos de Vicuñas, Alpacas, Llamas, lagunas, vulcões, neve (lá no alto), cactos...
No mirador dos vulcões, só os fortes sobrevivem...rs Bastante gente passou mal, inclusive a Cris e o pai dela. Eu só tive uma leve dor de cabeça, que durou uns 5 minutos (ah, e teve um dia que tive umas dores estranhas nas articulações – joelhos e cotovelos).
A paisagem é linda! Aproveitei para usar um dos dois banheiros mais ‘altos’ da região... uma latrina com muros de pedra! rs
13h – chegamos à Chivay (quéchua para ‘lugar onde se faz amor’... e sabedoria indígena não se contradiz, não é mesmo? Então reservamos um quarto matrimonial e um simples...rsrsrs A hospedagem já estava no preço do passeio). Pagamos mais 35,00 de boleto turístico.
Almoçamos num Buffet livre, 22,00 por pessoa... comi como um porco! E sempre experimentando os pratos típicos. Não há lugar para ‘nojinho’ quando se tem o espírito mochileiro de verdade.
15h30 – frio do cão... nosso hotel não tinha água quente (e depois de um tempo, não tinha água alguma! rs), mas já sabíamos disso... então fomos para as termas de La Calera (10,00). Piscina com água quente (38/39º) e lá fora 10º... uma cusqueña na beira da piscina, pq ninguém é de ferro, e depois um banho quente.
17h30 – de volta ao hotel (Colca Mayo), fomos cochilar, pq o ritmo de viagem estava intenso.
19h30 passaram para nos pegar e fomos a um jantar com Peña (músicas e danças típicas). Gostei.
Fui chamado para encenar o ritual de sacrifício a La Pachamama e depois me chamaram para dançar... sorte que tinha tomado uma Arequipeña (8,00) e tava mais descontraído...rs (O jantar ficou 20,00.)
21h30 era hora de deitar, pq o dia seguinte seria loooonnngoooo...
16/01 Domingo. Chivay (3.500m) – Arequipa (2.280m) – Puno (3.800m)
Às 4h40 o pessoal do hotel começou a bater nas portas para acordar todo mundo. Tomamos café, fizemos o check out e 6h30 passaram para nos pegar no hotel.
7h uma parada em Yanque para artesanatos e fotos (com águias e llamas, para quem quisesse).
8h Estávamos na Cruz do Condor. O visual lá é de tirar o fôlego!
O Cañón Colca é o canyon mais profundo do mundo... sua parte mais profunda tem mais de 4 mil m. No mirador, ele tem uma média de 3.500m de profundidade.
Parênteses: Eu fui para lá ciente de que essa não é a época de avistar condores na região. O guia também explicou que nessa época do ano os casais estão em fase de procriação, então no máximo conseguiríamos ver um condor jovem (com menos de 8 anos, e que ainda não se reproduz), de coloração marrom.
Estávamos nós tirando fotos do vale qdo todos começaram a soltar interjeições de espanto (‘oohhh’, ‘aaahhhh’, ‘wowwww’ e coisas do tipo). Olhei para a esquerda e lá estava ele! Um Condor macho, adulto, igual aos que eu vi nas fotos, voando soberano, sem se incomodar conosco... ele voou sobre nossas cabeças por uns 5 minutos e depois se afastou. Ficamos lá por mais de 1h30 e ele não voltou.
Fiquei muito feliz em poder avistá-lo, pois estava convencido de que não seria possível... deve ter sido o sacrifício a La Pachamama que eu fiz na noite anterior! Hehehe.
Ah, o soroche (mal da altitude) pegou pra valer a Cris e o pai dela durante todo o tempo... só passou mesmo em Lima...rs
Depois, paramos num povoado (Maca, salvo engano) para umas fotos e provei o suco de Sancayo (2,00); o fruto ultraazedo do cacto (parece um figo da índia)! Puro é ruim, mas como suco é bom... e, segundo a vendedora, faz bem para o fígado, então mandei ver! rs
12h – almoço em Chivay. Buffet livre a 20,00.
Novamente, comi como um porco... um pouco de tudo... inclusive o temido Rocoto (pimenta nativa que muita gente disse para eu evitar). Eu comi sem saber o que era... achei delicioso! Quando fui repetir, perguntei pra garçonete o que era, e era Rocoto recheado com carne de alpaca e ovos... fiquei com receio de pegar outro e depois passar mal no bus até Puno!! Rsrs
Deveria ter pego outro, pq até agora eu to com aquela ‘lombriga’!! kkkkk
Provei tb a popular Chicha Morada (suco quente de milho roxo com cravo e canela... achei sem graça).
Voltamos à Arequipa, jantamos uma Pizza nos arredores da Plaza de Armas (Manolo’s – 56,00) e fomos para a rodoviária. 20h30 embarcamos no bus. Apesar de sermos os únicos turistas naquele ônibus, a viagem foi bem tranqüila.
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