"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Considerações Gerais:
Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.
Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
Informações Gerais
Não foi necessário visto para ir ao Uruguai. Não era necessário nem passaporte, mas como minha carteira de identidade tinha quase 30 anos, por segurança levei-o. A moeda do Uruguai era o peso uruguaio, que podia ser trocada por reais diretamente (sem necessidade de dólares ou euros) em muitos locais do Uruguai (Montevidéu, Punta del Este, Colônia do Sacramento, Chuy, etc.).
Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva de média intensidade e prolongada só peguei numa noite em Montevidéu e durante quase uma tarde toda em Colônia do Sacramento. As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 25 C ao longo do dia (algumas poucas vezes ficou bem abaixo disso). À noite, a temperatura caía até cerca de 17 C (algumas poucas vezes caiu bem mais, chegando talvez a perto de 10 C).
A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil, procurando até falar português, quando sabia
:'>. Eles gostam muito de mate (chimarrão). Boa parte carrega os copos e garrafas nas ruas para poder tomá-lo ao longo do dia.
As paisagens agradaram-me muito, principalmente das praias e do alto de montes ou locais elevados
. Não entrei muitas vezes no mar, pois a água estava um pouco fria, o que se fazia sentir principalmente no amanhecer e no entardecer. Havia algumas praias com muitas pedras, o que exigia cautela se fosse desejado entrar no mar, mas compunha uma paisagem que me pareceu muito bonita.
Tive alguns incômodos com cachorros que, ao contrário do que estou acostumado no Brasil, estranharam-me e ameaçaram atacar. Porém, ao mínimo gesto de ameaça, afastaram-se. De outro lado, houve outros que simpatizaram e queriam pular a todo momento.
Com um trânsito bem mais tranquilo que o de São Paulo, presenciei várias manobras que resultaram em discussões no trânsito ou freadas bruscas.
Achei o país muito saudável socialmente (muito mais do que o Brasil), apesar de ter visto algumas áreas pobres, principalmente no entorno de Montevidéu. Mesmo sem ter a força econômica brasileira, pareceu-me muito mais equilibrado. Como consequência, pareceu-me ser muito mais seguro.
Havia vários locais históricos bem preservados, principalmente em Colônia do Sacramento e Montevidéu.
Gastei na viagem R$ 1354,82, sendo R$ 82,25 com alimentação, R$ 445,89 com hospedagem, R$ 238,00 com transporte durante a viagem, R$ 6,15 com atrações, R$ 579,62 com passagens aéreas e taxas de embarque para ir e voltar a SP e R$ 2,91 com IOF. Sem contar o custo das passagens aéreas, das taxas de embarque e do IOF o gasto foi de R$ 772,29 (média de R$ 55,37 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico. Fiz todos os meus gastos no Uruguai em espécie, para evitar as taxas e impostos cobrados pelo uso de cartões.
A Viagem:
Minha viagem foi de SP (aeroporto de Guarulhos) a Montevidéu em 08/11/2014 pela Gol (http://www.voegol.com.br). O voo saía às 10:25 e chegava às 13:10 horas. A volta foi de Montevidéu a SP (Guarulhos) em 22/11/2014 pela Gol. O voo saía às 14:10 e chegava às 16:25. Paguei R$ 411,44 por ida e volta. Paguei R$ 73,94 pela taxa de embarque de ida e R$ 94,24 pela de volta usando cartão de crédito. Ao todo o preço foi de R$ 579,62.
Antes de sair do Brasil comprei US$ 300 para a viagem, com taxa de câmbio de R$ 2,72. Gastei R$ 816,00 de câmbio e mais R$ 3,10 de IOF. A taxa até que não foi ruim, mas teria sido melhor fazer a compra de pesos uruguaios diretamente com reais em Montevidéu. As taxas seriam semelhantes e não pagaria IOF (como diz a Jovem Pan - Brasil, o país dos impostos).
Havia levado algumas acerolas para não perder e me deixaram entrar com elas (teoricamente não era permitido, mas como eram poucas para consumo próprio, aceitaram).
No aeroporto fui até o centro de informações turísticas e obtive gratuitamente mapas e informações para toda a viagem. Fui muito bem atendido. O atendente conhecia bem o Brasil e até me perguntou se eu torcia para o Coritiba (estava usando uma camisa dele ganha de presente). Quando disse que era simpatizante do Santos e perguntei se ele conhecia, disse-me que claro que sim, era o time de Pelé e Neymar
:'>.
Cometi o erro de fazer câmbio no aeroporto. Diferentemente do Brasil, a taxa aqui não foi boa. Foi de 21,40 pesos uruguaios por dólar. Troquei US$ 200,00 do lado do centro de informações turísticas. O agente foi a Cambiox - Casa de Cambio S.A.
Peguei um ônibus urbano regular da empresa COPSA (http://www.copsa.com.uy) até Montevidéu por 45 pesos. No caminho o motorista deu freadas bruscas e chegou a estacionar depois de uma quase batida no trânsito.
Fiquei hospedado no Montevideo Hostel (http://www.montevideohostel.com.uy) por 3 noites. Paguei 300 pesos a diária por uma cama num dormitório (o preço tabelado era 350, mas como eu havia encontrado um outro local por 250, o dono fez-me desconto), com direito a café da manhã. Havia vários europeus (principalmente franceses) lá. Um dos funcionários era brasileiro. Fiz minhas refeições com compras no Supermercado Disco (http://www.disco.com.uy) e numa mercearia de chineses que ficava atrás da Sede da Presidência da República da Praça da Independência, gastando 87 pesos.
Para as atrações de Montevidéu veja http://www.tripadvisor.com.br/Attractions-g294323-Activities-Montevideo_Montevideo_Department.html,http://viajarpelomundo.com.br/principais-pontos-turisticos-de-montevideo-1/, http://www.descubrimontevideo.uy/br/, http://www.montevideu.org/ e http://www.welcomeuruguay.com/montevideo/index_p.html.
Os pontos de que mais gostei foram a Rambla (calçadão na orla)
, a vista dos mirantes da Intendência e da Torre de Telecomunicações
, as construções históricas e os parques. Quando estava andando pela Rambla à noite, cheguei a pensar que a iluminação de alguns navios que estavam juntos poderia ser uma cidade do outro lado do rio. A cidade pareceu-me calma, tranquila e relativamente segura, embora a Cidade Velha inspirasse certa cautela no domingo, pois tinha bem menos gente do que na 2.a feira. Quando fui visitar a Catedral uma mulher de uns 65 anos pediu-me esmola. Não tinha nenhum alimento e não costumo dar dinheiro, porém lembrei-me de um sujeito que havia feito uma campanha de doação de abraços (http://www.freehugscampaign.org) e resolvi tentar. Para minha surpresa a mulher recebeu muito bem o abraço e pareceu ficar feliz após ele
:'>. Logo em seguida, um fotógrafo que estava fazendo um trabalho sobre turistas pediu para tirar uma foto minha para acrescentar às suas outras.
Na noite da 2.a feira tomei chuva e a temperatura caiu (chegou a cerca de 15 C).
Na 3.a feira, 11/11 peguei o ônibus para Piriápolis. Fui pela empresa COT (http://www.cot.com.uy) pagando 168 pesos. Saí cerca de 10 hs e cheguei cerca de meio dia.
Em Piriápolis fiquei hospedado no Camping Piriápolis Futbol Club, em frente ao terminal rodoviário, por 200 pesos a diária, sem café da manhã. Fiz minhas refeições com compras no Supermercado Polakof & Cia (Cruzamento das ruas Simon del Pino e Misiones) e numa padaria próxima, gastando 102 pesos.
Para as atrações de Piriápolis veja http://www.destinopiriapolis.com, http://piriapolis.com, http://www.piriapolisportal.com.uy, http://www.uruguai.org/o-que-fazer-em-piriapolis. Gostei muito daqui. Os pontos de que mais gostei foram as vistas de cima dos montes, principalmente do Monte Pão de Açúcar
::otemo::, a imagem da Stella Maris - Virgem dos Pescadores
e a Rambla
:'>.
Assim que acabei de me hospedar dei uma volta na cidade para conhecer os principais pontos turísticos e depois fui caminhando pela estrada em direção ao Monte Pão de Açúcar (cerca de 7 Km). No caminho havia o Parque Municipal, uma Igreja Antiga e um Castelo Histórico. Chegando lá, o Monte ficava dentro de uma reserva de fauna nativa. Já havia passado um pouco do horário permitido para iniciar a subida (eram 16:20 e a permissão era até às 16 h), mas conversando com a guarda ela disse que eu poderia ir, mas que tomasse cuidado para não passar a noite lá em cima. Estimou em 1:30 h a subida, coisa que um casal no caminho confirmou. Antes de subir ainda fui rapidamente ao mirante da reserva. Acho que fiquei tão concentrado devido ao horário que subi em 45 minutos. Havia uma cruz de vários metros no topo, com uma escada no interior, que permitia subida e propiciava uma vista que me maravilhou, por ser global e sem obstáculos. Dava para ver águias e outras aves voando abaixo. Fiquei mais de uma hora no topo, entre a cruz e os outros lados do Monte, para poder apreciar toda a vista. Dava para ver a costa, as praias, as cidades de Piriápolis e Pão de Açúcar, áreas com a vegetação preservada e acho que até a cidade de Punta del Este ao longe. Na volta fui para o mirante da reserva, agora com mais calma, passei por uma pedra com pinturas rupestres e visitei a reserva. Retornei para Piriápolis ao anoitecer.
O camping em que fiquei hospedado era sede de um time de futebol. Quando estava voltando para jantar eles estavam acabando o treino. Encontrei com um dos jogadores que, ao saber que eu era de São Paulo, disse-me que ele era são-paulino por causa do "mito" Rogério Ceni. Deve ter-se decepcionado quando eu disse que eu não era.
Na 4.a feira, 12/11, fui subir em outros dois Montes, Touro e Santo Antônio, que também tinham vista que muito me agradou. Aproveitei e conheci outros pontos nas proximidades. No Monte do Touro, fui querer ir até alguns outros pontos de vista do platô e acabei cortando um pouco minhas mãos e braços, pois as trilhas acabaram no meio do caminho. No caminho para o Monte Santo Antônio havia uma imagem de Maria de que muito gostei. Era a Virgem dos Pescadores. Havia uma pequena entrada na estrada e uma escada até ela. Na volta do Monte, quando cheguei à imagem, decidi descer pela escada até a orla.
Às 17:15 peguei um ônibus urbano para Punta del este pela empresa COMM (http://www.coomcooperativa.com). Paguei 47 pesos e cheguei cerca de 18 hs.
Em Punta del Este fiquei hospedado no Hostel F&F (http://www.ffhostel.com). Paguei 200 pesos a diária por uma cama no dormitório, sem café da manhã. Fiz minhas refeições com compras no Supermercado Polakof & Cia (Av. Francia y Vaz Ferreira, PDA. 2). Gastei 106 pesos.
Para as atrações de Punta del Este veja http://www.welcomeuruguay.com/puntadeleste e http://www.puntadeleste.com/pt. Os pontos de que mais gostei foram dar a volta na Ponta pela Rambla (calçadão na orla)
, praias e obras de arte ou monumentos.
Após chegar e estar hospedado fui dar uma volta na orla. Já estava perto do entardecer, mas isso não me impediu de apreciar a vista a partir das passarelas de madeira e da plataforma que ia alguns metros mar adentro em frete ao Cassino Conrad. O pôr do sol atrás das ilhas a partir da plataforma foi uma imagem de que muito gostei
:'>.
Na 5.a feira, 13/11, fui dar uma volta na ponta pela orla. Fui parando para ver todos os pontos turísticos. Achei muito bela a vista do mar a partir dos vários pontos da orla
. Conforme a hora foi passando havia cada vez mais gente, caminhando, passeando, correndo, praticando esportes náuticos, etc. O padrão econômico aqui destoava um pouco do resto do país. Vi um "pequeno" iate a venda por 200 mil euros. No meio da tarde, após um rápido banho na piscina do hostel, fui pela primeira vez entrar no mar do Uruguai. Apesar de achar a água um pouco fria à primeira vista, acostumei-me logo e gostei. A Praia Mansa justificava o seu nome e era muito boa para nadar, boiar e relaxar. No fim do dia, depois de uma caminhada pelas areias da praia até a altura de Maldonado, voltei para ver o pôr do sol a partir de um banco próximo ao porto e iate clube. À noite, Arminda, uma moça de um casal de alemães ajudou-me a fazer macarrão no hostel e em troca eu lavei as louças deles.
Na 6.a feira de manhã, 14/11, após um passeio pela areia da Praia Brava e de ver as bandeiras dos países das Américas sendo colocadas e hastiadas numa praça em frente ao terminal, troquei mais 80 dólares à taxa de 23,90 pesos para cada dólar ao lado do terminal de ônibus, na Camvirey S.A. (http://cambionelson.com). Depois tomei um ônibus para Punta del Diablo. Ele saiu cerca de 11 hs e chegou cerca de 14 hs. Era da empresa COT (http://www.cot.com.uy) e paguei 326 pesos. Em parte da viagem fui ao lado de um militar uruguaio morador do Chuy, casado com uma brasileira, que me falou sobre o país, sua gente, a política, os costumes, a relação com os brasileiros e argentinos e a rivalidade no futebol.
Em Punta del Diablo fiquei hospeado no Hostel El Índio (https://www.facebook.com/elindio.hostel). Paguei 300 pesos a diária por uma cama no dormitório com café da manhã. Fiz minhas refeições com compras no Autoserviço Roka (http://www.portaldeldiablo.com.uy/es/servicios/super-la-roka), gastando 126 pesos. Adorei o pão de manteiga
, que passei a procurar em outros locais pelo resto da viagem.
Para as atrações de Punta del Diablo veja http://www.welcomeuruguay.com/puntadeldiablo, http://www.uruguai.org/atrativos-de-punta-del-diablo e http://www.viveruruguay.com/2013/10/destino-punta-del-diablo.html. Gostei muito deste local, com seu ar pacato interiorano, mas simultaneamente cosmopolita. Os pontos de que mais gostei foram a ponta de pedras próxima da vila
, o Parque Santa Tereza
e as praias.
Após estar hospedado fui passear pela vila e conhecer a estrutura de pedras que entrava em direção ao mar, que eu achei que era a origem do nome do local. Mas depois um dos atendentes do hostel disse-me que não, que a Punta de Diablo original era longe dali, mas que como muitos passaram a chamar aquele local por aquele nome, acabou ficando o nome. Achei muito belo o conjunto de pedras, o monumento sobre ele com a carta de Artigas a Bolívar e o mar arrebentando nas pedras com força. Depois disso fui rumo sul, admirando todas as outras estruturas de pedra e praias que encontrei no caminho. Após um banho de mar, apreciei o pôr do sol a partir de uma praia deserta
:'>.
À noite o pessoal do hostel fez uma espécie de churrascada e festa. Como eu não como carne, não participei da churrascada, mas depois fiquei cerca de 30 minutos na festa. Estavam cantando várias músicas, inclusive brasileiras (havia 2 mineiras hospedadas lá que estimulavam isso).
No sábado, 15/11, fui em direção ao Parque Santa Tereza (http://www.vivirocha.com.uy/parque-nacional-santa-teresa e http://mochilabrasil.uol.com.br/destinos/parque-nacional-santa-teresa-uruguai). Um dos pés do meu chinelo quebrou de manhã e eu achei que dava para ir com um pé só, pois o caminho era pela areia
. Foi cerca de 1:30 hs andando pela praia. Perto do início do parque havia um mirante para o mar, que tinha uma vista de que muito gostei. Quando cheguei à entrada do parque, percebi que teria que sair da praia e andar por estradas, caso desejasse conhecer as atrações. E foi o que fiz. Isso porém esfolou meu pé esquerdo e criou uma bolha na planta do pé
, que no próprio dia não doeu muito, mas nos dias seguintes fez com que eu sentisse algum incômodo quando andava descalço em locais em que a areia não era tão fofa.
Gostei muito do parque. Havia muitas atrações. Havia invernáculo e sombráculo (espécies de jardins botânicos), mirante, trilhas, lagoas, observatórios de aves, passarinheiros, simulação de vida no campo, monumentos, fortaleza, além da vegetação (mata) e das praias preservadas. Apesar de doer um pouco o pé quando tinha que andar em pedrinhas ou no asfalto, isso não comprometeu o passeio e o dia foi muito proveitoso. Todas as atrações eram gratuitas, exceto a Fortaleza, que custava 30 pesos. Achei que valeu a pena conhecê-la, por estar bem preservada, pela relevância na História da relação entre Portugal e Espanha e pela vista de cima de seus muros. No fim do dia, quando já ia para a praia para retornar, ao estar observando o Monumento do Homem a Cavalo, fui picado na pálpebra por um marimbondo, que se assustou com a minha visita próxima a sua casa. Ainda deu para tomar um banho de mar e apreciar o entardecer de cima do mesmo mirante em que havia estado na vinda.
À noite no hostel, fizeram novamente uma festa com uma peixada, porém desta vez um pouco menos agitada. Quando cheguei para ela, já tinha terminado.
No domingo, 16/11, fui com um argentino e um paraguaio que havia conhecido para o ponto de ônibus para ir para o Chuy. Eles estudavam em Porto Alegre e iriam seguir viagem. O cachorro do hostel acompanhou-nos. Ele me acompanhou nos três dias nas proximidades do hostel e pareceu sempre muito companheiro. Quando o ônibus chegou nós subimos e o cachorro ficou.
O ônibus saiu cerca de 9:30 hs e chegou cerca de 10:30 hs. A empresa era CYNSA (http://www.cynsa.com.uy) e paguei 80 pesos.
No Chuy fiquei hospedado no Hostel Etnico (http://www.etnicohostel.com.uy). Paguei 300 pesos a diária por uma cama no dormitório, com café da manhã (que achei o mais farto da viagem). O pessoal do hostel antecipou em meia hora o café da manhã para que eu e mais um hóspede pudéssemos tomá-lo antes de pegarmos o ônibus de manhã. Havia um outro hóspede de São Paulo recém chegado e pudemos conversar sobre nossas viagens. Fiz minhas refeições com compras no Supermercado Londres (http://www.torredelondres.com.br) do lado brasileiro do Chuí, gastando R$ 5,25.
Para as atrações do Chuy veja http://www.welcomeuruguay.com/chuy. O ponto de que mais gostei foi o Parque São Miguel, principalmente o mirante
e o forte.
Após andar pela Avenida Internacional, passear um pouco pelo Chuí brasileiro e me hospedar, fui andando pela estrada em direção ao Forte São Miguel (cerca de 9 Km). No caminho gostei da vegetação e, já próximo à entrada para o forte, encontrei uma lagoa com área de lazer. Logo a seguir havia uma ponte que propiciava uma bela vista da lagoa, do rio e da vegetação. Depois já era a entrada para o forte, que então descobri que ficava dentro de um parque. A entrada era gratuita. No parque fui visitar os Museus Crioulo e Indígena e depois segui a trilha que ia para o Monte Pontiagudo (Picudo). Foram cerca de 3 Km de uma paisagem rural e de vegetação preservada até chegar a uma pequena trilha para o topo. De lá de cima a vista muito me agradou, dando para enxergar grandes áreas de vegetação, do rio, da lagoa e de cidades ao longe. Depois caminhei para um outro monte próximo, mas não achei uma trilha para chegar até um ponto com vista tão boa quanto a anterior. De qualquer modo, a vista a partir do caminho também pareceu-me muito bela. No final do dia fui até o forte. Antes da visita porém, ainda fiz a trilha da Guarda Perdida, onde vi várias pinturas rupestres, em bom estado de conservação e também fui ver o campo santo, uma espécie de cemitério. No forte, chamou-me especial atenção a capela, pequena, simples, com uma imagem de São Miguel Arcanjo, padroeiro do exército uruguaio. Retornei no entardecer e pude apreciar o pôr do sol visto a partir da estrada.
Na 2.a feira, 17/11, tomei um ônibus para Castillos e lá tomei outro para Cabo Polônio, ambos da empresa Rutas del Sol (http://www.rutasdelsol.com.uy). O ônibus saiu cerca de 8 hs e chegou em Castillos cerca de 9:10 hs, custando 111 pesos. Em Castillos organizei minhas coisas e dei uma pequena volta na cidade. O ônibus local para Cabo Polônio saiu cerca de 11:10 hs e chegou cerca de 12 hs, custando 47 pesos. A chegada era na entrada do Parque Nacional de Cabo Polônio, onde havia algumas exposições que quis ver. A atendente explicou-me que até o povoado ainda havia mais 6,5 Km. Podia-se ir de veículo 4x4 ou a pé. Optei por ir a pé e não me arrependi. Pude passar por trilhas no meio do bosque e depois por dunas que permitiram uma vista da praia, da costa e do povoado de que muito gostei. Só lamentei ter que ir de tênis, pois estava sem um pé do chinelo e a areia estava muito quente.
Em Cabo Polônio fiquei no Hostel de Lo Marcelo (https://www.facebook.com/lodemarcelo.cabopolonio). Paguei 250 pesos a diária por uma cama no dormitório, onde fiquei só. Não havia café da manhã incluso. Fiz minha refeições com compras anteriores.
Para as atrações de Cabo Polônio veja http://www.seumochilao.com.br/cabo-polonio, http://www.uruguai.org/categoria/cabo-polonio e http://www.portaldelcabo.com.uy. Este foi um dos lugares de que mais gostei, com seu povoado isolado pelas condições de acesso, sua população tranquila e cosmopolita e todo seu ambiente natural, com dunas, florestas, praias e animais (lobos marinhos e aves). Os pontos de que mais gostei foram a vista do Monte Boa Vista
e do farol
e as praias.
Após hospedar-me fui ver os lobos marinhos a partir das pedras. Fiquei surpreso com a quantidade e a relativa proximidade. Fiquei algum tempo admirando seus comportamentos e como se divertiam no mar. Havia uma estudante de biologia nas pedras observando os lobos para fazer seu trabalho de formatura. Depois de dar a volta por trás do farol e ver todos os grupos de lobos da área rumei a pé em direção ao Monte da Boa Vista (cerca de 7 Km) pelo meio das dunas e vegetação. No caminho passei por várias dunas que achei muito belas e paralelamente propiciaram uma vista do povoado e da costa de que também gostei. Ainda antes de ir ao Boa Vista, fui a outro monte, mas sua vista, apesar de boa, era um pouco prejudicada por outros montes próximos. Ao subir no Monte Boa Vista achei a vista maravilhosa (http://uruguay360.com.uy/uruguay/rocha/cabo-polonio/cerro-de-la-buena-vista)
, englobando a costa, as florestas, as dunas, o mar e os povoados de Cabo Polônio e Valizas. Após bom tempo contemplando os diversos ângulos de visão, desci e retornei para o povoado pela praia. Pude apreciar o pôr do sol neste caminho de retorno e ver algumas dunas que não havia visto na ida.
Á noite, após jantar e conversar com a dona do hostel e 2 hóspedes que lá estavam, pude contemplar o céu estrelado
, que só se consegue ver em locais sem muita iluminação artificial. Também foi possível ver o farol em ação, com sua luz destacando-se em maio à escuridão.
Na 3.a feira, 18/11, fui pela manhã subir em algumas dunas em que não havia subido no dia anterior e admirar a costa, o mar, a floresta e as próprias dunas. Depois fui conhecer o farol, sua estrutura de engenharia e sua história. E também apreciar a vista do seu topo. Achei esta vista igualmente maravilhosa
, um pouco menos ampla do que a do Monte Boa Vista, porém bem próxima aos lobos marinhos, o que permitia uma visão global dos grupos e dos que estavam nadando. Além disso permitia uma vista bem próxima do povoado de Cabo Polônio e ainda possibilitava ver o mar, em sua amplidão. as florestas e as dunas um pouco mais longe. Paguei 20 pesos pela visita ao farol.
Depois da visita fui caminhar pelas praias em direção ao caminho de volta. Passei propositalmente da entrada da estrada de volta para usufruir um pouco mais das praias, pois ainda tinha tempo. A maioria das praias estava deserta. Tomei um banho de mar e comecei a retornar. No começo da estrada de areia de volta encontrei um pé de chinelo perdido, exatamente o que me faltava, porém num número bem abaixo. Mas naquela situação foi um grande achado e muito me ajudou pelo resto da viagem. Durante o caminho de volta ainda pude apreciar a vegetação. Cheguei no ponto de parada dos ônibus próximo às 15:30 hs. Cerca de 10 minutos depois chegou o ônibus para La Paloma, meu próximo destino. Paguei 95 pesos. Ele era da Rutas del Sol (http://www.rutasdelsol.com.uy). O ônibus chegou em La Paloma cerca de 17:00 hs.
Em La Paloma fiquei hospedado no Camping La Aguada (http://www.campinglaaguada.com) pagando 250 a diária, sem café da manhã. Fiz minha refeições com compras num autoserviço e no Supermercado Los Jardines (https://www.informes20.com/agenda-interior/109441-supermercado-los-jardines), gastando 141 pesos.
Para as atrações de La Paloma veja http://www.uruguai.org/atrativos-de-la-paloma, http://www.welcomeuruguay.com/lapaloma, http://www.ligalapaloma.com.uy e http://www.viajeauruguay.com/la-paloma. Os pontos de que mais gostei foram a lagoa
:'>, seu encontro com o mar e as praias.
Demorei um pouco para achar o local onde iria ficar, o que fez com que aproveitasse a paisagem enquanto procurava, mas não sobrasse tempo no final do dia para passear. Os cachorros de um dos homens que trabalhavam no camping queriam agradar-me e pulavam em mim e não queriam deixar-me ir.
Na 4.a feira, 19/11, fui caminhando pela praia até La Pedrera. Gostei bastante da vista das pedras a partir do Mirante de La Pedrera
. As praias também agradaram-me muito. Na volta, um cachorro implicou comigo e fez menção de me atacar. Ameacei-o com um gesto e ele se afastou, mas continuou nesta toada durante quase uma hora. Quando passei pelas praias do centro de La Paloma aproveitei para conhecer os pontos turísticos. Depois segui em frente rumo à Lagoa de Rocha, que ficava a cerca de 7 Km pela praia. Ao chegar lá passei pelo meio de uma vegetação baixa e fui tomar um banho de água doce. Apesar do banho ter sido gostoso, a lagoa estava muito rasa. Havia várias aves na lagoa, incluindo um bando de flamingos. Em seguida, voltei para uma estrada paralela à praia e à lagoa (no meio das duas) e fui até uma vila de pescadores próxima. Ali novamente fui nadar. Alguns cachorros também implicaram comigo, mas não chegaram a atacar. Decidi então ir até a junção da lagoa com o mar, que naquele momento estava separada por uma faixa de areia. No caminho vi uma gaivota perto das ondas, aparentemente machucada, porém batendo as asas no chão. A vista a partir do encontro da lagoa com o mar, principalmente de um pequeno morro depois de passá-lo agradou-me muito, pois abrangia a lagoa, o mar, as praias e a floresta. Depois de apreciá-la por um bom tempo decidi voltar pela praia. O vento era bem forte.
Após caminhar um pouco, tendo marcado o local onde havia visto a gaivota, encontrei-a ainda perto de onde as ondas estavam chegando. Resolvi tentar socorrê-la. Achei um pedaço de madeira (que parecia uma tábua de carne de cozinha) um pouco antes dela e o improvisei como maca. para minha surpresa a gaivota aceitou subir na madeira sem grande resistência. Parecia um pouco fraca. Coloquei-a de costas na tábua. Meus conhecimentos de biologia são zero e eu não sabia exatamente o que fazer. Pensei que era melhor procurar por ajuda do que simplesmente afastá-la das ondas e deixá-la ali. Disse para ela que seria seu pai por 2 horas, até achar um destino digno para ela. Impressionaram-me seus olhos negros, que pareciam pedir ajuda. Achei que ela não estava confortável e resolvi pô-la no chão e virá-la para ficar na posição tradicional de uma gaivota (com os pés no chão). Quando a pus no chão, tentou bater as asas e eu a estimulei para ver se conseguia voar, mas não conseguiu. Coloquei-a no chão mais algumas vezes para ver se voava, mas não teve sucesso, embora eu achasse que estava melhorando e quase conseguindo. Tentei deixá-la virada para suas companheiras de espécie, para ver se serviam de estímulo. Como as praias eram desertas, estava difícil achar alguém que pudesse me indicar quem poderia cuidar dela. Pensei então em levá-la ao alojamento da marinha que tinha visto na praia de La Paloma, pois geralmente em locais assim, os militares têm divisões que cuidam de animais encontrados. Por estar tentando encontrar alguém para cuidar dela acabei não tomando um banho de mar e perdi a hora para subir no farol. Após cerca de 1:30 hs andando, parei para fazer xixi, crente de que ela estava melhorando e talvez nem fosse preciso achar alguém para cuidar dela, pois conseguiria voar em breve. Deixei-a no chão e fiquei menos de um minuto fazendo xixi no mato. Quando voltei ela estava desfalecida. Tinha morrido! Como
?!?! Ela parecia estar melhorando. Tentei reanimá-la, mexi em seu peito, numa tentativa de massagem cardíaca, pus água em seu bico, mas seus olhos fecharam e ela estava completamente inerte. Talvez eu tenha feito algo errado no transporte, dada a minha falta de conhecimento no assunto. Talvez tivesse sido melhor tê-la deixado lá, apenas tirando-a do alcance das ondas, talvez o esforço tenha feito mal e ela não aguentou. Neste caso, não fui um pai muito bom. Não consegui dar o destino que pretendia para ela. Foi a primeira vez que um animal que eu fui socorrer morreu nas minhas mãos. Lembro-me até agora de seus olhos. Enfim, faz parte da vida. 
É muito raro eu me abater, mas este episódio conseguiu fazer isso. Voltei caminhando pela praia e ainda fiz um pequeno passeio no parque municipal de camping. Quando cheguei à noite no quarto encontrei um escorpião preto pequenino no chão. Este eu consegui por para fora sem matar. Realmente foi um dia complicado no relacionamento com os animais.
Na 5.a feira, 20/11, pude apreciar o amanhecer de dentro do camping, com o canto dos pássaros e o sol nascendo entre as árvores. Depois de me alimentar, fui para o ponto esperar o ônibus até Montevidéu. O ônibus da empresa COT (http://www.cot.com.uy) passou cerca de 8:10 e chegou cerca de 11:45. Paguei 378 pesos pela passagem. Em Montevidéu, antes de pegar o ônibus para Colônia do Sacramento, fui certificar-me de que haveria ônibus comuns no sábado para o aeroporto, onde pegá-los e qual era o preço. Depois voltei e peguei o ônibus da empresa Turil (http://www.turil.com.uy) para Colônia do Sacramento, pagando 294 pesos. O ônibus saiu cerca de 12:30 e chegou cerca de 15:10.
Assim que cheguei já comprei a passagem para o retorno, pois não podia correr o risco, dado que tinha o voo marcado. Paguei 299 pesos pela passagem até Montevidéu pela empresa Turil (http://www.turil.com.uy). Aproveitei a rodoviária e fui até o escritório de informações turísticas, onde um homem de cerca de 60 anos atendeu-me muito bem, inclusive falando português depois de saber que eu era brasileiro. Indicou-me onde ficavam os hostels e o camping.
Em Colônia do Sacramento fiquei hospedado no Hostel El Español (http://www.hostelelespaniol.com/pt), pagando 240 pesos a diária por uma cama no dormitório, com direito a café da manhã. Fiz minhas refeições com compras no Supermercado Super USA (Avenida General Flores, 334 - Centro), gastando 44 pesos.
Para as atrações de Colônia do Sacramento veja http://www.coloniadosacramento.com, http://www.welcomeuruguay.com/colonia, http://www.uruguaycolonia.com, http://mapadomundo.org/colonia-del-sacramento, http://coloniaturismo.com/index.php?lang=pt-BR e http://viagem.uol.com.br/guia/uruguai/montevideu/roteiros/conheca-colonia-do-sacramento-no-uruguai-pertinho-de-buenos-aires. Os pontos de que mais gostei foram as construções históricas preservadas
:'>, o Rio da Prata
e as praias.
Depois de hospedado fui caminhar pela Rambla (calçadão na orla), pois como havia visto a previsão de chuva para o dia seguinte em Montevidéu, imaginei que poderia chover em Colônia também, e que seria melhor fazer este programa ao ar livre enquanto o tempo estava bom. Caminhei até um pouco depois da praia urbana Os Verdes. No caminho aproveitei para nadar no Rio da Prata e admirar a vista a partir dos mirantes existentes. Na volta passei pela Praça de Touros (cuja estrutura geral pareceu-me preservada), Hipódromo, Estádio de Pelota Basca e Centro Politécnico do Cone Sul. Ainda pude admirar o pôr do sol e ver a luminosidade que a cidade de Buenos Aires provocava do outro lado do rio.
Na 6.a feira, 21/11, fui conhecer o Bairro Histórico. Gostei dele e o achei bem preservado. Optei por não conhecer os museus (o ingresso era 50 pesos para todos os museus - cerca de 8 ) para poder ver todos os pontos da cidade. Por volta de 13 hs, depois de acabar todos os pontos do Bairro Histórico, estava começando a chover e entrei na Galeria de Pintura Luzes e Sombras, nos fundos da Igreja, que me chamou atenção pelos quadros que pareciam retratar a própria cidade. Seu dono era Carlos Hernadez Ruiz, pintor com quem conversei por quase uma hora sobre o Uruguai, o povo, o futebol e pintura. Falou-me que seu estilo era predominantemente impressionismo mesclado com puntilismo (que eu não conhecia), comentou sobre suas viagens a Buenos Aires e como mudam as normas morais ao longo dos tempos, falou de Colônia e da história do futebol uruguaio, desde os primórdios, antes da 1.a Copa do Mundo, envolvendo o bicampeonato olímpico. Contou-me histórias sobre este período que eu não conhecia, obviamente falou do Maracanaço e de jogadores que se projetaram para o mundo após passagens em times de Colônia, como Diego Lugano, que eu também não sabia. Depois de sair de lá, fui a Feira de Artesanato, conheci mais alguns pontos ali no centro, passei no Centro Cultural Bastião de Carmen e depois fui rumo ao Parque Ferrando, passando pelos pontos de interesse do caminho. De lá fui para a Capela de São Benedito e depois fui até a Rambla para voltar para o centro, que mesmo com chuva, não deixava de estar muito bela. Devido à baixa visibilidade não subi no farol.
No sábado, 22/11, passei na padaria para gastar os 20 pesos que haviam sobrado com algo que servisse para o almoço (gastei 19) e depois tomei o ônibus para Montevidéu às 8:30. Cheguei em Montevidéu cerca de 11:15 hs e fui tomar o ônibus urbano da empresa COPSA (http://www.copsa.com.uy) para o aeroporto, pagando 45 pesos. Cheguei no aeroporto perto de 12:15, com bastante tempo para ir comer o meu almoço sentado numa cadeira de massagem reclinável com frente para a decolagem e ainda comprar uma bala de café com o 1 peso que me restava. No voo de volta deu para ver do alto parte do trecho por onde eu havia viajado passar em alguns minutos
:'>.