Troca de informações e relatos de trilhas e travessias na região sudeste do Brasil. Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
#400589 por Sandro
09 Set 2009, 13:03
O Caminho do Peabiru, Trilha dos Tupiniquins, Trilha dos Goianases ou Caminho de Piaçagüera – Paranapiacaba / São Paulo.

Registros históricos datados a partir de 1528 dão conta de uma trilha que saia de São Vicente e percorrendo as margens do Rio Mogi chegava-se em Paranapiacaba de onde se alcançava o Planalto de Piratininga.
Os Tupis referiam-se a ela como “Peabirú”, o caminho indígena que ligava o Oceano Atlântico ao Pacífico.
Ao longo dos séculos muitos foram os nomes atribuídos a este caminho: Trilha dos Tupiniquins, dos Goianases, Caminho de Piaçagüera e mais recentemente Trilha do Rio Mogi e Trilha da Raiz da Serra.
As referências históricas indicam esta trilha como praticamente a primeira trilha ou caminho utilizado pelos europeus em São Paulo e por muito tempo o único meio de ligação entre o litoral e o altiplano paulista.

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Com texto em latim, este mapa da Capitania de São Vicente e Adjacências - 1553-1597 destaca as tribos indígenas da região - Carijós ao Sul, Tupinaquis de Cananéia a São Vicente, Muiramomis na região de Bertioga, Tamoios ao Nordeste e os caminhos dos Goianases e do padre Anchieta entre São Vicente e São Paulo de Piratininga.

Cartas jesuítas diziam que para se vencer “A Muralha” (apelido dado à Serra de Paranapiacaba) levavam-se dois dias subindo e para descer, um dia.
Segundo o historiador Eduardo Bueno em seu livro Capitães do Brasil, a trilha tinha início em São Vicente (Tumiaru, para os índios), de onde se saía em embarcações por um "lagamar de águas salobras" chamado de Morpion. Através dos rios, aportava-se no ancoradouro de Piaçagüera de Baixo, seguindo por uma área alagada em que atualmente se localiza a cidade de Cubatão, até a Piaçagüera de Cima, na raiz da Serra de Paranapiacaba. O trajeto seguia então pelo Rio Quilombo até o Vale do Rio Mogi prosseguindo pela Trilha dos Tupiniquins serra acima.
A Trilha dos Tupiniquins (mais tarde chamada de Trilha dos Goianases e Caminho de Piaçagüera) passava pelo território dos Tamoios, inimigos dos Tupiniquins e dos portugueses, o que veio a torná-la muito perigosa. Em virtude disso, em 1560 seria aberta pelo padre Anchieta uma nova trilha na serra. Mesmo assim essa via consistiu numa das principais ligações da vila de São Paulo de Piratininga com a Ilha de São Vicente durante o período colonial.

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A Trilha dos Tupiniquins e o Caminho do Padre Anchieta
Fonte: Livro Capitães do Brasil de Eduardo Bueno.

Por ela passaram Martim Affonso de Souza, João Ramalho, Tibiriçá, Piquerobi, Manoel da Nóbrega, José de Anchieta, Manuel de Paiva, e outros nomes da nossa história colonial.
Séculos mais tarde foram os ingleses que a utilizaram para construir a primeira ferrovia de São Paulo.
Hoje o Parque Estadual da Serra do Mar protege apenas um pequeno trecho da trilha original de mais de 500 anos, pois muito foi perdido devido à construção da ferrovia a partir de 1867.

Características da trilha hoje
É considerada a trilha mais longa de Paranapiacaba, com média de 8 horas de caminhada até Cubatão.
São 800 metros de desnível a serem vencidos em uma trilha com aproximadamente 12 km de percurso. Trechos de descidas íngremes e escorregadias, travessia de riachos, caminhada por dentro de leito pedregoso de rio e por estrada de terra.

Localização e acesso
Paranapiacaba está localizada na Região Sudeste do Município de Santo André, no limite entre o planalto paulista e a Serra do Mar, a cerca de 48 km de São Paulo.
A travessia é feita em três fases. O primeiro trecho é uma descida acentuada com cerca de 3 km por trilha na Mata Atlântica entrecortada por diversos riachos e com muita lama.
O segundo trecho com cerca de 5 km é feito pelo leito pedregoso do Rio Mogi, com pequenas quedas e diversas piscinas naturais de águas cristalinas ao longo do caminho.
O terceiro trecho de 3 Km é por uma estrada de terra e cascalho que liga a antiga estação Raiz da Serra até a portaria da COSIPA – Companhia Siderúrgica Paulista.
Um caminho histórico fascinante, emoldurado pela exuberância da Mata Atlântica.

Como ir
Agende essa trilha com um guia credenciado na AMA - Associação dos Monitores Ambientais de Paranapiacaba: (11) 4439 0155
Valor da diária do guia: Entre R$ 20,00 e R$ 25,00 por pessoa.

Pegue o trem Luz - Rio Grande da Serra na região central de São Paulo.
O percurso tem extensão de 37,2 Km com tempo aproximado de 54 minutos.
Valor do bilhete: R$ 2,55.
Veja aqui o itinerário desta linha.
Ao chegar na estação de Rio Grande da Serra compre um bilhete integrado para o ônibus que parte para Paranapiacaba e se informe onde fica o ponto de partida.
Os ônibus circulam de 2ª à 6ª de hora em hora (sempre nas meias-horas) e nos fins de semana e feriados de meia em meia hora, o percurso leva aproximadamente 20 minutos.
Valor do bilhete: R$ 3,55.

Fotografias realizadas em 13 de janeiro de 2008.

Últimos preparativos em frente a estação ferroviária de Rio Grande da Serra

Ponto de ônibus em Rio Grande da Serra onde pegamos o ônibus para Paranapiacaba

Grupo reunido com os guias em Paranapiacaba

Guia falando sobre Paranapiacaba

O acesso para a trilha é por ali

A trilha começa ao lado do Mirante do Vale do Rio Mogi

Mirante do Vale do Rio Mogi

Começo da trilha logo abaixo do Mirante do Vale do Rio Mogi

Linhas férreas “Cremalheira e Funicular” do outro lado do Vale do Rio Mogi

Pico do Morrão

Trilha dos Tupiniquins

Trilha dos Tupiniquins

Trilha dos Tupiniquins

Muitos riachos ao longo da trilha

Alguns trechos requerem muita atenção para se evitar acidentes

Alguns trechos requerem muita atenção para se evitar acidentes

Alguns trechos de mata densa

Trilha dos Tupiniquins

Helicônia
Gênero: Heliconia
Família: Heliconiaceae
Ordem: Zingiberales
Classe: Liliopsida
Divisão: Magnoliophyta

As helicônias são plantas de origem neotropical, mais precisamente da região noroeste da América do Sul. Originalmente incluído na família Musaceae (a família das bananeiras), o gênero Helicônia mais tarde passou a constituir a família Heliconiaceae, como único representante. O nome do gênero foi estabelecido por Lineu, em 1771, numa referência ao Monte Helicon, situado na região da Beócia, na Grécia, local onde, segundo a mitologia, residiam Apolo e suas Musas.
O gênero Helicônia é ainda muito pouco estudado e ainda é incerto o número de espécies existentes, ficando na faixa compreendida entre 150 a 250 espécies.
Seis espécies ocorrem nas Ilhas do Sul do Pacífico, Samoa e Indonésia. As demais estão distribuídas na América Tropical desde o sul do México até o norte de Santa Catarina, região sul do Brasil. As helicônias, conforme a espécie, ocorrem em altitudes que variam de 0 a 2.000m, embora poucas sejam aquelas restritas às regiões mais altas. Ocorrem predominantemente nas bordas das florestas e matas ciliares e nas clareiras ocupadas por vegetação pioneira. Desenvolvem-se em locais sombreados ou a pleno sol, de úmidos a levemente secos e em solos argilo-arenosos.
Aqui no Brasil, cerca de 40 espécies ocorrem naturalmente em nosso país e são conhecidas por vários nomes, conforme a região: bananeira-de-jardim, bananeirinha-de-jardim, bico-de-guará, falsa-ave-do-paraíso, caeté e paquevira, entre outros.
As helicônias são utilizadas como plantas de jardim ou flores de corte. Sua aceitação como flores de corte tem sido crescente, tanto no mercado nacional como internacional. As razões que favorecem sua aceitação pelo consumidor são a beleza e exoticidade das brácteas que envolvem e protegem as flores, muito vistosas, de intenso e exuberante colorido e, na maioria das vezes, com tonalidades contrastantes; além da rusticidade; da boa resistência ao transporte e da longa durabilidade após colheita.
Se a finalidade for o uso como flor de corte, as espécies mais indicadas para o cultivo são aquelas que apresentam inflorescências pequenas, leves, eretas, de grande durabilidade e com hastes florais de pequeno diâmetro, embora as inflorescências pendentes, apesar das dificuldades de embalagem, também apresentem um grande valor de mercado.
As helicônias são plantas herbáceas rizomatosas, que medem de 50 cm a 10 metros de altura, conforme a espécie. As folhas apresentam-se em vários tamanhos. As espécies possuem um rizoma subterrâneo que normalmente é usado na propagação. As inflorescências podem ser eretas ou pendentes, com as brácteas distribuídas no eixo num mesmo plano ou planos diferentes.
Uma única espécie, a H. reptans Abalo e Morales apresenta a inflorescência na posição horizontal, distendendo-se junto ao solo em seu desenvolvimento.
As flores da helicônia são apreciadas pelos beija-flores pois são ricas em néctar; o fruto, tipo baga, é de cor verde ou amarelo, quando imaturo, e azul escuro na maturação completa. Geralmente abriga uma a três sementes, com 1,5 cm de diâmetro.
Quanto à forma de reprodução, é interessante observar que as helicônias são consideradas geófitas, ou seja, se reproduzem não somente pelas suas sementes, mas também por seus órgãos subterrâneos especializados, cuja principal função é servir como fonte de reservas, nutrientes e água para o desenvolvimento sazonal e, assim, assegurar a sobrevivência das espécies.
O período de florescimento da planta varia de espécie para espécie e é afetado pelas condições climáticas. O pico de produção normalmente ocorre no início do verão, declina no outono e cessa no inverno, quando a temperatura média se aproxima de 10º.
As helicônias vêm apresentando crescente comercialização no mercado internacional em função do aumento da área de produção nos países da América Central e da América do Sul, o que proporciona uma maior oferta do produto e sua maior divulgação.
Os principais países produtores são Jamaica, Costa Rica, Estados Unidos (Hawaí e Flórida), Honduras, Porto Rico, Suriname e Venezuela. Existem também cultivos comerciais na Holanda, Alemanha, Dinamarca e Itália, mas sob condições protegidas. No Brasil, áreas de cultivo já são encontradas nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, com expansão para os Estados do Amazonas e Ceará.
Entre as espécies e híbridos mais comercializados como flores de corte, destacam-se: H. psittacorum, H. bihai, H. chartaceae, H. caribaea, H. wagneriana, H.stricta ,H. rostrata, H. farinosa.
Os principais países importadores são os Estados Unidos, a Holanda, a Alemanha, a Dinamarca, a Itália, a França e o Japão.
As inflorescências pendentes são mais valiosas no mercado, mas seu cultivo é mais difícil, a produção é menor e é alto o investimento em manuseio, embalagem e transporte.
As helicônias podem ser multiplicadas tanto por meio de sementes como por divisão de rizomas. As espécies de helicônias têm sobrevivido por centenas de anos graças à bem-sucedida relação de troca com seus agentes polinizadores (beija-flores e morcegos) e dispersores de sementes (roedores, pássaros e esquilos). A planta fornece a eles néctar rico em carboidratos e a polpa de seus frutos e, em troca, os polinizadores transferem o pólen e os dispersores distribuem as sementes.
Quando cultivadas fora do seu habitat natural, distantes dos polinizadores, muitas espécies podem não chegar a produzir sementes.

Prainha - Ponto em que alcançamos o Rio Mogi – (Primeiro trecho concluído)

Rio Mogi

Descendo o Rio Mogi

Descendo o Rio Mogi

Descendo o Rio Mogi

Descendo o Rio Mogi

Hedychium coronarium
A Hedychium coronarium é uma macrófita aquática nativa da região do Himalaia, na Ásia tropical considerada exótica e invasora fora do seu centro dispersor.
Ela ocorre nas Américas, introduzida, desde os Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, a espécie é muito comum em toda a zona litorânea.

Nomes comuns:
lírio-do-brejo / açucena / jasmim / mariazinha do brejo / gengibre branco / borboleta / napoleão / olímpia / lírio-branco / lágrima-de-moça / narciso / cardamomo-do-mato / escalda-mão / lágrima-de-vênus / lágrima-de-napoleão / borboleta-amarela / flôr-de-lis / jasmim-borboleta / white ginger (Inglês) / butterfly lilly (Inglês) / garland flower (Inglês).

A palavra Hedychium vem do grego e significa 'neve doce'. A palavra coronarium, do latim 'corona', significa 'coroa' (Kissmann & Groth, 1991). Trata-se de uma monocotiledônea da família Zingiberaceae, rizomatosa, de hábito herbáceo perene.
O lírio-do-brejo apresenta parte aérea organizada em caule simples cilíndrico, avermelhado na base, folhas lanceoladas de distribuição alternada (Kissmann & Groth, 1991), inflorescência em espiga, com brácteas imbricadas, flores com corolas brancas ou amarelo- pálidas e estaminódios petalóides (Kissmann & Groth, 1991; Macedo, 1997). A espécie apresenta tanto a reprodução sexuada, por formação de sementes, quanto a assexuada, pela produção de hastes aéreas a partir do rizoma (Tunison, 1991; Stone et al., 1992). Os polinizadores noturnos são as mariposas, em virtude da coloração branca e do aroma atrativo das flores (Endress, 1994).
Segundo Tunison (1991), fragmentos dos rizomas podem se dispersar pela água, através das bacias hidrográficas, e apresentar crescimento vegetativo em novas áreas. Os frutos maduros apresentam cor alaranjada, que contrasta com a cor vermelha do arilo das sementes (Kissmann & Groth, 1991). O desenvolvimento das sementes aparentemente depende do fator distribuição geográfica e altitude (Tunison, 1991; Stone et al., 1992).

Na construção do Sistema Funicular ligando Piaçagüera em Cubatão á Alto da Serra (Paranapiacaba) eram constantes os deslizamentos de terra sobre a via. O engenheiro chefe da obra Daniel Makison Fox experiente com esse tipo de problema na Europa mandou trazer da Ásia mudas da Hedychium coronarium para serem plantadas ao longo das encostas para darem fixação as terras. Foi assim então que a Hedychium coronarium passou a colonizar todo o vale do Rio Mogi.

Tibouchina mutabilis
Nome científico: Tibouchina mutabilis.
Nome popular: Manacá da serra.
Família: Melastomataceae.
Origem e ocorrência: Brasil, nativa na mata Atlântica desde o Rio de Janeiro até Santa Catarina.
Morfologia: Altura de 6 a 12 m, tronco de 20 a 30 cm de diâmetro. Folhas lanceoladas verde-escuro rígidas de 8-10 cm de comprimento por 3-4 cm de largura com nervuras longitudinais bem visíveis. Floresce no verão-outono, nas cores branco no inicio, ficando rosa e lilás escuro com o passar do tempo.
Ecologia: Planta perenifólia, heliófita e pioneira, característica da encosta úmida da Serra do Mar. É encontrada quase que exclusivamente na mata secundária, onde chega por vezes a constituir-se na espécie dominante.
Fenologia: Floresce durante os meses de dezembro-novembro. Os frutos amadurecem em fevereiro-março.
A planta é nativa do Brasil, Guianas e América Tropical. Comum nas áreas alteradas pelos homens, crescendo bem em capoeiras e capoeirões sendo incomuns nas matas mais desenvolvidas. Pertence ao mesmo gênero da Quaresmeira (Tibouchina granulosa) e da orelha-de-onça (Tibouchina holosericea).
É muito parecido com a Quaresmeira, mas é um pouco mais alto e o seu caule é mais liso. A maior dificuldade em diferenciar as duas árvores está nas folhas que são muito parecidas. Quanto as flores: As do Manacá nascem brancas e passam á rosa e lilás escuro ou roxas com seu amadurecimento ao passo que as da Quaresmeira nascem completamente roxas.
Suas flores de duas cores são decorrentes do amadurecimento diferencial das partes masculina e feminina, sendo as brancas, recém abertas, funcionalmente femininas (recebem pólen de fora) e as roxas ou lilases são as flores velhas, masculinas, liberando pólen. A característica das flores que mudam de cor deu origem ao nome da espécie: mutabilis, e a sua grande beleza originou o nome da espécie mais próxima: pulchra, bela em latim.
Esta característica também a faz muito ornamental, um verdadeiro espetáculo da natureza, sendo amplamente utilizada em paisagismo e também na arborização urbana.
Sua madeira tem baixa qualidade, sendo macia e muito apreciada por insetos comedores de madeira (xilófagos), notadamente cupins e larvas de besouros. Ainda assim, pode ser empregada para vigas e caibros para obras internas e esteios e moirões para lugares secos.
Suas sementes são minúsculas e podem ser levadas pelo vento.
Existe uma borboleta na Mata Atlântica, denominada cientificamente de Methona themisto, cuja lagarta se alimenta exclusivamente das folhas de manacá. Por isso mesmo, a borboleta recebe o nome popular de borboleta do manacá.


Manacá da Serra e Pedra do Pulo

Datura suaveolens
Nome científico: Datura suaveolens H. et B. ex Willd.
Família botânica: Solanaceae
Outros nomes populares: erva-do-diabo, trombeteira, trombeta-de-anjo, beladona, figueira-do-inferno, aguadeira, zabumba, saia branca.
Sinonímia botânica: Brugmansia suaveolens G. Don., Datura arborea L.

Arbusto perene, chegando até 3m de altura, de caule ramoso com lenticelas. Folhas alternas, curto-pecioladas, inteiras, ovado-oblongas, assimétricas na base, de margem inteira e levemente sinuada, de até 30cm de comprimento. Flores brancas a amarelo-creme, pendentes, ca. 30cm de comprimento, cálice tubular, pentâmero. Fruto capsular, indeiscente e fusiforme.
Originária da América do Sul e atualmente conhecida apenas como planta cultivada, a Datura suaveolens vem acompanhando o homem durante os diversos estágios da civilização (Schultes, 1979, apud Schenkel et al., 2001). Entre os índios americanos é, provavelmente, a espécie que há mais tempo tem sido utilizada por suas propriedades psicotrópicas (Lockwool, 1979, apud Schenkel et al., 2001). Encontra-se muito disseminada no Brasil, onde é cultivada em calçadas e jardins com propósitos ornamentais.
As atividades psicotrópicas desta espécie, bem como de todo o gênero, é resultante da presença de alcalóides tropânicos em todas as partes da planta. Estes são, muitas vezes, denominados alcalóides beladonados, devido às semelhanças que apresentam com o alcalóide atropina, encontrado na espécie Atropa belladonna, pertencente a esta mesma família.
Os alcalóides beladonados estão presentes em vários outros gêneros, e são os alcalóides vegetais mais bem conhecidos. As plantas que os contêm estão largamente distribuídas e ocupam importantes espaços na medicina de muitas culturas. Destas extraem-se principalmente a 1-hiosciamina, a atropina e a escopolamina (Norton, 1996). Na D. suaveolens, a escopolamina é predominante, seguida da hiosciamina. Entretanto, o teor destes alcalóides pode variar com a idade da planta, prevalecendo a escopolamina em plantas jovens e a hiosciamina em plantas mais velhas (Schenkel et al., 2001).
Os alcalóides tropânicos, em geral, são agentes anticolinérgicos. Inibem a ação da acetilcolina em efetores autônomos inervados pelos nervos pós-ganglionares colinérgicos, bem como na musculatura lisa, que é desprovida de inervação colinérgica (Gilman et al., 1980). A escopolamina tem grande ação no sistema nervoso central, enquanto a hiosciamina atua primariamente bloqueando receptores muscarínicos colinérgicos do sistema nervoso parassimpático (Norton, 1996).
As intoxicações podem ser acidentais, ocorrendo através da ingestão de folhas, flores e/ou frutos por crianças, ou pelo contato da seiva com os olhos durante a poda. Todavia, são mais freqüentes os casos relacionados ao uso da planta na preparação de chás com finalidades alucinógenas. Em ambos os casos de ingestão, o quadro clínico inicia-se rapidamente, começando com náuseas e vômitos pouco intensos. Logo a seguir surgem sintomas anticolinérgicos, caracterizados por pele quente, seca e avermelhada, secura das mucosas, principalmente bucal e ocular, taquicardia, midríase intensa, disúria, oligúria, distúrbios de comportamento, confusão mental e agitação psicomotora. O paciente passa repentinamente de uma atitude calma e passiva para grande agitação e agressividade, voltando subitamente à atitude anterior. As alucinações são freqüentes, principalmente as visuais, sendo pouco descritas as auditivas. Nos casos mais graves, após este período, o intoxicado começa a apresentar progressiva depressão neurológica, com torpor e coma profundo, distúrbios cardiovasculares, respiratórios e óbito. No caso do contato da seiva com os olhos, desenvolve-se midríase marcante, que pode ser confundida com desordem neurológica (Norton, 1996; Schvartsman, 1979; Scavone & Panizza, 1980).
Os sintomas podem ser, às vezes, confundidos com os da hidrofobia (raiva) e os da meningoencefalite. Os testes descritos a seguir são úteis para a confirmação do diagnóstico: Teste da Fenolftaleína – pingam-se gotas de urina do paciente em um papel de filtro embebido em fenolftaleína e deixa-se secar; coloca-se álcool sobre o papel e deixa-se secar novamente. A seguir, molha-se com água; o aparecimento de coloração vermelha é indicativo da presença de hiosciamina ou atropina. Teste de Geriard – em 5ml de urina do paciente pingam-se algumas gotas da mistura de cloreto de mercúrio 2% em solução alcólica 50%. A atropina dá uma coloração vermelha imediata, enquanto que a hiosciamina produz uma cor amarela que passa ao vermelho pelo aquecimento (Schvartsman, 1979).
Coremans et al. (1994) relatam que o principal tratamento é a proteção do paciente aos perigos que seu comportamento agressivo possa levá-lo, acompanhado de lavagem gástrica precoce e enérgica, utilizando-se sonda de calibre suficiente para a passagem de restos do vegetal. A lavagem pode ser feita com água ou de preferência com soluções de permanganato de potássio ou de ácido tânico 4%. A hipertemia deve ser tratada com medidas físicas (bolsas de gelo, compressas úmidas, etc), pois os analgésicos são geralmente ineficazes. Sedativos diazepínicos ou barbitúricos podem ser utilizados no controle da agitação psicomotora muito intensa. Seu emprego deve ser cauteloso, pois podem potencializar o estado depressivo que segue a agitação psicomotora (Schvartsman, 1979). Fenotiazinas são contra-indicados devido as suas propriedades anticolinérgicas. A fisiostigmina é um antídoto eficaz, porém é necessária muita cautela na sua administração. A dose da fisiostigmina para adultos é de 2mg por injeção intravenosa, podendo ser repetida a cada 15 minutos. A dose nunca deve exceder 4mg em meia hora (Coremans et al., 1994). Correções dos distúrbios hidrelitrolíticos e metabólicos, juntamente com assistência respiratória adequada, completam o tratamento.
O viciado que utiliza a Datura requer tratamento especializado por clínico e psiquiatra, semelhante ao realizado com consumidores de outras drogas.

Parada para descanso

Não consegui identificar essa espécie

Flora exuberante

Piscina natural

Hedychium coronarium
A Hedychium coronarium é uma macrófita aquática nativa da região do Himalaia, na Ásia tropical considerada exótica e invasora fora do seu centro dispersor.
Ela ocorre nas Américas, introduzida, desde os Estados Unidos até a Argentina. No Brasil, a espécie é muito comum em toda a zona litorânea.

Nomes comuns:
lírio-do-brejo / açucena / jasmim / mariazinha do brejo / gengibre branco / borboleta / napoleão / olímpia / lírio-branco / lágrima-de-moça / narciso / cardamomo-do-mato / escalda-mão / lágrima-de-vênus / lágrima-de-napoleão / borboleta-amarela / flôr-de-lis / jasmim-borboleta / white ginger (Inglês) / butterfly lilly (Inglês) / garland flower (Inglês).

A palavra Hedychium vem do grego e significa 'neve doce'. A palavra coronarium, do latim 'corona', significa 'coroa' (Kissmann & Groth, 1991). Trata-se de uma monocotiledônea da família Zingiberaceae, rizomatosa, de hábito herbáceo perene.
O lírio-do-brejo apresenta parte aérea organizada em caule simples cilíndrico, avermelhado na base, folhas lanceoladas de distribuição alternada (Kissmann & Groth, 1991), inflorescência em espiga, com brácteas imbricadas, flores com corolas brancas ou amarelo- pálidas e estaminódios petalóides (Kissmann & Groth, 1991; Macedo, 1997). A espécie apresenta tanto a reprodução sexuada, por formação de sementes, quanto a assexuada, pela produção de hastes aéreas a partir do rizoma (Tunison, 1991; Stone et al., 1992). Os polinizadores noturnos são as mariposas, em virtude da coloração branca e do aroma atrativo das flores (Endress, 1994).
Segundo Tunison (1991), fragmentos dos rizomas podem se dispersar pela água, através das bacias hidrográficas, e apresentar crescimento vegetativo em novas áreas. Os frutos maduros apresentam cor alaranjada, que contrasta com a cor vermelha do arilo das sementes (Kissmann & Groth, 1991). O desenvolvimento das sementes aparentemente depende do fator distribuição geográfica e altitude (Tunison, 1991; Stone et al., 1992).

Na construção do Sistema Funicular ligando Piaçagüera em Cubatão á Alto da Serra (Paranapiacaba) eram constantes os deslizamentos de terra sobre a via. O engenheiro chefe da obra Daniel Makison Fox experiente com esse tipo de problema na Europa mandou trazer da Ásia mudas da Hedychium coronarium para serem plantadas ao longo das encostas para darem fixação as terras. Foi assim então que a Hedychium coronarium passou a colonizar todo o vale do Rio Mogi.

Jana e Hedychium coronarium

Este rio provém da Cachoeira da Fumaça e deságua no Rio Mogi

Costus spiralis
Nome científico: Costus spiralis
Sinonímia: Costus cylindricus, Alpinia spiralis
Família: Zingiberaceae
Divisão: Angiospermae
Origem: América do Sul
Ciclo de vida: Perene

Nomes comuns: Cana-de-macaco, Canarana-do-brejo, Cana-do-brejo, Caatinga, Cana-branca, Jacuanga, Pacová, Jacuanga, Cana-do-mato, Jacuacanga, Paco-caatinga, Periná, Ubacaia, Ubacayá.

A Cana-de-Macaco é uma planta tropical de textura herbácea. Seus ramos são um tanto tortuosos e pouco ramificados. As folhas são dispostas em espiral e apresentam coloração verde-escura, com o lado inferior e as nervuras centrais mais claras. Também podem ser descritas como grandes espessas e muito brilhantes. As inflorescências são terminais e fusiformes, com brácteas de coloração vermelha ou verde e flores que podem ser róseas, brancas ou vermelhas. A floração se estende por todo o ano. Ela é rústica, mas requer bastante umidade e calor para o seu pleno desenvolvimento. Não é tolerante ao frio e às geadas.

Constituintes químicos: ácido oxálico, inulina, taninos, matérias pécticas.

Propriedades medicinais: antiinflamatória dos rins e bexiga, antilítica, antidiabética, anti-reumática, aperitiva, calmante das excitações nervosas e do coração, depurativa, diurética, diaforética, emenagoga, estomáquica, febrífuga, resolvente de tumores, sudorífera, tônica.

Indicações: afecções renais, albuminúria, arteriosclerose, catarro, pedras na bexiga e afecção da bexiga; cistite com dores e dificuldade de urinar, diabete, disúria, falta de regras, febre, gonorréia, hidropisia, inflamação dos rins, insuficiência cardíaca, leucorréia, micção sanguinolenta, picada de inseto, reumatismo, rins, sífilis, uretra.

Parte utilizada: colmo e folhas.

Contra-indicações / cuidados: evitar o uso prolongado, pois pode resultar no surgimento de urólitos (por ser rica em oxalato de cálcio).

Modo de usar:
- hastes: leucorréia, afecções renais;
- sumo fresco do colmo: disúria, hidropisia, arteriosclerose, albuminúria, insuficiência cardíaca, dores nefríticas, sífilis e gonorréia, picada de insetos e catarro;
- cataplasmas das folhas frescas e contusas: tumores;
- suco do caule: arteriosclerose, lavar feridas, excitações nervosas e do coração.

Costus spiralis

Astrocaryum vulgare
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Família: Arecaceae
Género: Astrocaryum
Espécie: A. vulgare

Sinonímia:
Astrocaryum awarra Vriese
Astrocaryum guianense Splig. ex Mart.
Astrocaryum segregatum Drupe
Astrocaryum tucuma Wallace
Astrocaryum tucumoides Drupe

Nomes comuns:
Brasil: Tucumã, Tucumã-do-Pará, Tucum, Tucum-bravo
Guiana Francesa: Aouara.
Suriname: Awarra.

Astrocaryum vulgare é uma palmeira de cultura pré-colombiana, de ampla distribuição, que ocorre com freqüência na Amazônia Oriental, onde está localizado um dos importantes centros de diversidade do gênero Astrocaryum (Lleras et al. 1983).
Nessa região, é utilizada de várias formas pela população rural e urbana de baixa renda, mas suas potencialidades econômicas estão centradas nas folhas, com a extração de fibras de alta resistência, e nos frutos, ricos em vitamina A, ácidos graxos saturados e glicerídeos trissaturados, podendo substituir o dendê e o babaçu na indústria de óleos (Villachica et al. 1996). Há registros afirmando que bastaria apenas um fruto dessa palmeira para suprir a dose diária de vitamina A necessária a uma pessoa (Lima et al. 1986).
Apesar de ser mencionada como uma das palmeiras importantes para a região Amazônica, poucos estudos têm sido realizados no sentido de contribuir para a sua domesticação (Lima et al. 1986; Moussa & Khan 1994; Villachica et al. 1996). O conhecimento sobre a biologia floral de qualquer espécie é primordial por subsidiar as etapas de melhoramento genético, de manejo e na domesticação da espécie, além de explicar as relações existentes entre as plantas e o ambiente em que vivem e por contribuir na interpretação de mecanismos relacionados à polinização.
Vale ressaltar que na literatura disponível, são raros os trabalhos que abordam a biologia reprodutiva de espécies do gênero Astrocaryum (Burquez et al. 1987; Küchmeister et al. 1998). Nesses trabalhos as espécies são relatadas como monóicas, protogínicas e polinizadas por coleópteros. Em outros gêneros de palmeiras tropicais onde estudos sobre a biologia reprodutiva têm sido realizados, a síndrome de cantarofilia tem sido freqüente na maioria deles, sendo em alguns casos bastante especializada, mas há também relatos da combinação de duas ou mais síndromes (Henry 1947; Essig 1971; Mora-Urpí & Solís 1980; Mora-Urpí 1983; Bullock 1981; Beach 1984; Henderson 1985; Anderson et al. 1988; Scariot et al. 1991; Jardim 1991). Em grande parte desses trabalhos, o odor tem sido enfatizado como o recurso floral responsável pela atração de coleópteros, sendo produzido pela termogênese das inflorescências.
Atualmente a Astrocaryum vulgare vem sendo utilizada como matriz oleaginosa na produção de biodiesel no norte do Brasil.

Comendo o fruto da Tucumã

Rio Mogi chegando em Cubatão

Rio Mogi em Cubatão

Pátio de containeres em Cubatão

Rio Mogi em Cubatão ao final da tarde

“A Muralha” ao fundo

A chuva está sempre presente na região

Sob a Rodovia Piaçagüera/Guarujá - (Segundo trecho concluído)

Sob a Rodovia Piaçagüera/Guarujá

Pátio Ferroviário de Piaçagüera - Cubatão

Pátio Ferroviário de Piaçagüera - Cubatão

Pátio Ferroviário de Piaçagüera e Rodovia Piaçagüera/Guarujá ao fundo

Ponto de ônibus ao lado da portaria da COSIPA - (Terceiro trecho concluído)


Como voltar para São Paulo
Ao lado da portaria da COSIPA existe um ponto de ônibus de onde saem ônibus para a Rodoviária de Santos de hora em hora com tempo de percurso aproximado de 20 minutos.
Valor do bilhete: Entre R$ 3,00 e R$ 5,00.
Da Rodoviária de Santos saem ônibus para o Terminal Jabaquara em São Paulo de hora em hora, com tempo médio de viagem de 1:30h.
Valor aproximado da passagem: R$ 16,50.



Pesquisa e fotografias: Sandro
Mapas: Jornal eletrônico Novo Milênio
Fotografia da COSIPA: Wikipédia – A enciclopédia livre
Editado pela última vez por Sandro em 30 Nov 2009, 22:36, em um total de 3 vezes.

#400964 por Jorge Soto
10 Set 2009, 17:00
enocs escreveu:Achei iradas as fotos.... mas eu queria saber se tem como fazer a trilha ao contrário, partindo de cubatão.

Abraço.


De dar até dá, mas so se vc conehcer a trilha de antemao pelo percurso normal, descendo a serra. Alem do mais, pra comecar de baixo sera barrado na fabrica dos containers ja de inicio..por isso é melhor descer a picada q subir. Pra sair da fabrica nao tem galho, mas pra entrar..
Em tempo: Essa é a trilha mais conhecida (pela facilidade) de Paranapiacaba, fora dos limites do Pq das Nascentes. Nao tem erro: só desce pela enorme picada (quase avenida) do lado do Mirante do Mogi, perto do estacionamento, e toca pra baixo! So falta farol, e se vc se perder la certamente deve precisar de bengala e cao-guia! Uma vez no rio basta acompanha-lo pelo leito ate dar na fabrica dos containers e pronto. É verdade q quem nao ta habituado a caminhar vai pastar no trecho do rio, mas nada q uns capotes nao resolvam.
Agora quero ver alguem se aventurar por uma variante dessa mesma trilha q, do trecho de rio, pega outra picada menos conhecida, "A Trilha do Padre", e sobe novamente pra vila. Ou tente descer o Mogi desde suas nascentes, ate pq aquele trecho final ate Cubatao é mamão-com-açucar de tao baba. Ao contrario de rasinho e manso, la em cima ele corre bem encachoeirado e furioso, cheio de enormes piscinoes, e com trechos q demandam lances de escalaminhada radicais e algum vara-mato. Idem Rio Quilombo. É coisa q poucos fazem..e nao sabem o programao q perdem.
#401083 por Augusto
11 Set 2009, 02:09
Sandro.
A muitos anos fiz varias trilhas ali naquela região.
Antes até daquela onda de roubos que aconteciam por lá.

Atualmente sei que nenhuma trilha se faz sem um guia.
Principalmente se estiver entrando pelo Parque das Nascentes.
E como essa trilha que vcs fizeram não passa por lá, queria saber se mesmo essa trilha é obrigatório o uso de guia?
Eles ficam ali no inicio da trilha para conferir se alguém está indo sem um?
Não falo de vc começar a trilha bem de manhazinha (para ninguém te ver), mas sim durante o dia mesmo.

Na minha opinião, o uso do guia deveria ser uma opção e não uma obrigatoriedade.
Deveria haver um termo de responsabilidade que o cidadão assinasse e acabou.
Quer fazer com um guia, blz. Se não quiser, é só assinar aqui e pronto.




Abcs
#401199 por Sandro
11 Set 2009, 16:22
enocs escreveu:Achei iradas as fotos.... mas eu queria saber se tem como fazer a trilha ao contrário, partindo de cubatão.

Abraço.

Sim, é possível.
A partir do ponto de ônibus ao lado da portaria da COSIPA atravesse o Pátio de Manobra Ferroviária Piaçagüera (Nunca tente passar quando tiver algum trem trafegando no pátio, caso contrário os guardas da MRS não deixam passar). Basta pedir licença, “trocar uma idéia” informando que irá fazer a trilha até Paranapiacaba pelo Rio Mogi.
Siga pela estrada de serviço passando por debaixo dos viadutos da Rodovia Piaçaguera/Guarujá e adiante cruze novamente a linha férrea seguindo até o final da estrada.

Imagem Imagem

Cruze novamente a linha férrea passando entre um velho galpão oficina próximo a antiga estação Raiz da Serra e uma subestação de transformação de energia (Lembre-se de não tentar atravessar se tiver algum trem se aproximando, peça licença e diga que vai fazer a trilha subindo a serra pelo Rio Mogi). Do outro lado da linha tem uma trilha que atravessa uns 40 metros de mato acabando no Rio Mogi.

Imagem Imagem

A partir daí é seguir 5 Km rio acima pelo seu leito até um ponto parecendo uma “prainha”. Nesse local surge na margem esquerda o trecho que ainda resta da antiga trilha indígena e que sobe a serra até o Mirante do Vale do Rio Mogi.

Abraço.
#401205 por Sandro
11 Set 2009, 16:37
Augusto escreveu:Sandro.
A muitos anos fiz varias trilhas ali naquela região.
Antes até daquela onda de roubos que aconteciam por lá.

Atualmente sei que nenhuma trilha se faz sem um guia.
Principalmente se estiver entrando pelo Parque das Nascentes.
E como essa trilha que vcs fizeram não passa por lá, queria saber se mesmo essa trilha é obrigatório o uso de guia?
Eles ficam ali no inicio da trilha para conferir se alguém está indo sem um?
Não falo de vc começar a trilha bem de manhazinha (para ninguém te ver), mas sim durante o dia mesmo.

Na minha opinião, o uso do guia deveria ser uma opção e não uma obrigatoriedade.
Deveria haver um termo de responsabilidade que o cidadão assinasse e acabou.
Quer fazer com um guia, blz. Se não quiser, é só assinar aqui e pronto.
Abcs

Augusto; só não é obrigatório o acompanhamento de um guia credenciado para fazer essa trilha, pois os órgãos ambientais responsáveis por fiscalizarem as áreas por onde ela percorre dizem que não têm efetivo suficiente.
Apesar dessa trilha não passar pelo Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba ela está dentro do Parque Estadual da Serra do Mar e passa pela Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba. Mas... Não fica ninguém vigiando lá no mirante, dá pra descer sem guia tranqüilo a qualquer hora.


Paranapiacaba também foi onde comecei a fazer trilhas e acampar, antes da criação do Parque Municipal em meados dos anos oitenta eu descia sempre lá pra Cachoeira da Pedra Lisa e Poço das Moças.
Outra trilha bacana pra se fazer fora da vila é a da Cachoeira da Fumaça começando lá pelo Dallanese Park.

Abraço. ::otemo::
#401220 por Augusto
11 Set 2009, 17:44
Cansei de fazer essa trilha da Pedra Lisa Sandro.

Já cheguei a descer a cachoeira pelas laterais, qdo nem existia aquela cerca de ferro que tá lá.
Só não pulei no Poço das Moças, mas vi muita gente pular daquela arvore. ::otemo:: ::otemo:: ::otemo:: ::otemo::
Bons tempos aqueles.

Depois começaram a ter alguns roubos na trilha e quem acampava ali perto da cachoeira lisa.
Aí nunca mais voltei.



Abcs
#401266 por Cris*Negrabela
11 Set 2009, 23:10
Bacana o relato, Sandro
Tá nos planos voltar a Paranpiacaba pra conhecer essa e outras trilhas (da ultima vez... bom...so conheci o bar da zilda! hehe)
#401385 por Jorge Soto
12 Set 2009, 17:22
Caro Enocs, já percorri essa trilha de todas as formas imaginaveis possiveis, e NUNCA consegui começá-la adentrando pela fabrica dos contâiners. É mais facil sair dela do q entrar, até pq não podem te obrigar a retornar pra vila pelo mato. Falo por experiencia propria. Entretanto, se conseguir essa improvavel proeza peço encarecidamente que faça a gentileza de prestar um favor aos foristas, partilhando detalhadamente esse exclusivo know-how de “xaveco-mágico” utilizado perante os guardinhas. Pois o dia em que bastar uma “conversinha camarada” pra adentrar em propridade particular, as empresas seguranca patrimonial perderão totalmente sua razao de ser. Ou quem sabe assim, alegando simples e laconicamente apenas “querer um autógrafo do Tony Ramos”, finalmente consiga adentrar nos rigorosos estúdios da Rede Globo..
#401444 por ogum777
12 Set 2009, 22:23
puts, me deu saudades do início da minha vida de trilheiro...

foi aí nesse caminho que, numa vez, numa única vez, minhas calças rasgaram forte nos joelhos (voltei de bermudas), meus coturnos soltaram as solas (um colega, não se sabe o pq, tinha levado um par de botas comander - hit na época - de reserva e eu usei aquilo pra voltar), e passei pelo rio com a mochila na cabeça pra não molhar e esqueci a carteira no bolso da calça.... hehehe, meu rg é torto desde então... ah, e minha mochila desmontou-se, tive que improvisar um saco estilo alpino com um saco plástico grosso e um pedaço de cordelete de sisal... aconteceu tudo no mesmo dia. acho que nesse dia eu aprendi o valor de uma calça de trekking, de botas decentes e de boas mochilas... hehehehe - coisa que até existia na época, mas não no brasil, isso era em 1985, 86....

só que naquela época o trem ia até paranapiacaba. eumorava em santo andré, pegava o bumba até a estação de trem - o eterno pronto de encontro - e de lá íamos direto até aprapiacaba. descíamos.

e lá embaixo, pegávamos carona nos trens que subiam a serra. nessa vez que deu tudo errado, pegamos o tem andando, correndo e pulando no vagão que tava com a porta aberta, no melhor estilo filme de faroeste. o trem nos deixava dentro da estação paranapiacaba, e, portanto, não tínhamos que pagar a passagem pra voltar até santo andré...

precisava fazer essa trilha de novo, da última vez faz mais de 20 anos! quem topar, que me dê um toque, pra fazer num sabadão....
#401548 por Fábio Borges
13 Set 2009, 14:40
Bateu uma vontade hehehe quem sabe num sabadão com previsão de sol eu faça essa trilhazinha... mas quero ir sem guia... será que dá? ou não irão deixar eu descer?

abraços ::otemo::
#402042 por Sandro
15 Set 2009, 12:30
Houve uma vez Ogum que eu desci a Tupiniquins até o Rio Mogi e subi por ele até a ponte da Cremalheira, passei sobre ela e subi por uma canaleta de drenagem de águas pluviais até as ruínas do quarto patamar do Sistema Funicular. Um dia de muita adrenalina, escoriações, hematomas e susto com um jararaca. ::otemo::

Atravessando a ponte do Sistema de Cremalheira.
Ao lado restos de ponte demolida do primeiro Sistema Funicular de 1867.

Ruínas do 4º Patamar do segundo Sistema Funicular construído em 1901.

Subindo para a Funicular. Abaixo ponte do Sistema de Cremalheira construído em 1974.

4ª Casa de Máquinas e ponte do Segundo Sistema Funicular de 1901.

A máquina a vapor do 4º Patamar do segundo Sistema Funicular construído em 1901.

O tempo implacável consome tudo, senhor soberano do universo restitui tudo ao nada.

Sobre a estrutura da ponte da "Grota Funda" do 2º Sistema Funicular ninguém ousou passar. Os trilhos pousam agora sobre dormentes apodrecidos que se desmancham sob nossos pés e as placas de ferro enferrujadas rangem e ameaçam se partir.

Ponte do Sistema de Cremalheira e o que sobrou da ponte do primeiro Sistema Funicular sobre a "Grota Funda".

Túnel do 4º Patamar do Sistema Funicular.

Minério de ferro descendo rumo ao Porto de Santos.

O tempo escureceu de repente.

Retornando pela antiga calçada de serviço da "São Paulo Railway Company Ltd."

Por entre algumas nuvens os raios do Sol tocam novamente o chão em alguns pontos da serra e do litoral.

Saibam mais sobre os Sistemas Funiculares e a história de Paranapiacaba aqui.
Abraços.
#408957 por edubisan
07 Out 2009, 09:10
Sandro, que espetacular suas fotos dessa trilha pelo funicular...

Paranapiacaba é 'quintal de casa', também vivi a fase áurea das trilhas do poço das moças, dallanese park e etc... Mas também vivi a fase ruim, na tão famosa trilha do assalto brilhantemente relatada pelo Jorge Soto! Mas infelizmente não tive a oportunidade de fazer essa "trilha" do funicular... Hoje em dia é possível passar por esses trilhos????


Quanto a trilha que dá nome a esse tópico, reitero que é bem simples, basta seguir o rio. Não precisa de guia, e no local dessa trilha não há fiscalização, é só se embrenhar no mato e descer sem parar.

Já desci 3 vezes por elas, todas a mais de 6 anos, e tenho me coçado de vontade de descer por lá, principalmente agora, que os comentários sobre assaltos diminuíram drasticamente...
#409129 por Sandro
07 Out 2009, 20:54
edubisan escreveu:Sandro, que espetacular suas fotos dessa trilha pelo funicular...
... Hoje em dia é possível passar por esses trilhos????

Possível é Edu...
Tenha em mente que a Funicular é área privatizada por concessão de uso pela MRS Logística e se os guardas te pegarem poderão lhe ocorrer duas coisas: Ou eles irão te extorquir uma grana pra te liberarem ou você poderá responder um processo por invasão de propriedade.
A Funicular é cheia de armadilhas em decorrência da deterioração estrutural, as pontes, túneis e Casas de máquinas estão desabando, existem fossos ocultos pela vegetação, além de ser habitat de aranha armadeira e algumas espécies de cobras venenosas, ou seja, um local bastante perigoso.
Se mesmo assim decidir ir não deixe que os maquinistas das locomotivas que passam lhe vejam, pois eles alertam pelo rádio os guardas que ficam numa cabine de vigia no alto da Cremalheira.

Abraço.

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