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  1. 1. FERNANDO DE NORONHA – 12 A 19/02/2019 Conhecer Fernando de Noronha sempre foi um sonho bem distante. Achávamos que um dia iriamos, mas que esse dia seria quando fossemos mais velhos e muito ricos! Ter a oportunidade de visitar a ilha, nos fez ver que tudo é possível e sonhos se realizam antes de estarmos 100% preparados. Só estávamos equivocados com o que imaginávamos da ilha, ela é incrivelmente mais bonita quando se está lá, sentindo a energia e o astral do lugar. As cores, as paisagens, os movimentos, as sensações, tudo vibra uma natureza exuberante e bela. Fernando de Noronha é muito mais do que os posts glamorosos de instagram que a gente vê quando pesquisa sobre a ilha. Na verdade encontramos um lugar simples na essência, aquela simplicidade bonita e autentica um lugar que te traz segurança, que as pessoas estão dispostas a ajudar umas as outras. Nos acostumamos com aquela paz, com aquela beleza e tranquilidade e acreditamos que a vida deveria ser assim em todos os lugares. Prazer, somos Karina Borges e Mario Medeiros. Abaixo dividimos nosso diário, roteiro, experiências destes 7 dias que passamos em Noronha. No final de cada dia também abrimos os custos que tivemos. Aproveite :) 2. Diário de Bordo DIA 1 – 12.02 Aterrissagem em Noronha às 14 horas! Aqui é 1h a mais que em Recife, que é 1h a menos que em Porto Alegre, e demoramos para entender que é a mesma hora. Ok, não importa a hora. De transfer com a Noronha Tour (cada pousada tem uma agencia que faz o transfer de graça) já rolaram algumas dicas com a guia e outros passageiros que recém tinham desembarcado. Neste papo decidimos não fazer o Ilha Tour com agencia, pois tínhamos vários dias e faríamos o nosso próprio tour! Na Pousada Bela Vista, foi só largar tudo e sair para a praia. Praia 1 – Praia do Cachorro Praia 2 – Praia do Meio Praia 3 – Praia da Conceição Todas as praias são lindas. A do Cachorro quase sem areia, com muitas pedras, vimos o povo pulando no Buraco do Galego, mas não fomos. Só uns mergulhos no rasinho e admirar a beleza. Seguimos para a praia do lado pela Trilha Costa Esmeralda: Praia do Meio. Onde entramos para um mergulho, mas haviam ondas altíssimas. Ficamos no rasinho, admiramos a Pedra do Pião. Menino Mario necessitava de um mergulho profundo então seguimos para a próxima praia. Praia da Conceição, onde o tão esperado mergulho aconteceu. O Morro do Pico é maravilhoso! Ficamos curtindo e aguardando o pôr do sol no Bar do Meio. Estava um pouco nublado mas foi lindo mesmo assim. Depois partimos atrás de comida e encontramos um restaurante junto à uma farmácia. Buffet por kilo, comida boa e preço honesto para o nosso padrão Noronha: R$100 para nós dois com 1,5l de água junto. Obrigado Restaurante da Mãezinha. DATA R$ O QUE 12/fev R$ 8,75 Uber ida aeroporto Porto Alegre 12/fev R$ 10,00 Água bar do meio 12/fev R$ 99,92 Janta self service Restaurante da Mãezinha DIA 2 – 13/02 Chove em Noronha! Acordamos e tomamos um super café da manhã, descansados e sem pressa. Ouvimos as histórias da “Lora”, uma figura que cuida da pousada, e tomamos um mate com outros gaúchos que estão na mesma pousada. Programa de Noronha na chuva: Visita ao Memorial Noronha – ao lado da Igreja na Vila dos Remédios. Conta toda a historia da Ilha, desde o descobrimento, todas as ocupações... Espaço simples e bem legal foi ótimo para saber onde estávamos. Saímos e subimos para o Forte Nossa Senhora dos Remédios. Linda a vista para as praias do Dia 1, Morro do Pico e toda Praia do Porto mais as ilhas secundárias. O Forte está em reforma, recuperação de toda a estrutura o que não atrapalhou em nada o passeio. Quando finalizamos, já parava de chover. Fomos no ICMBIO e Projeto Tamar, uns 20min de caminhada da nossa pousada. Pés quentes, chegamos no ICMBIO e estavam distribuindo as senhas para agendar as trilhas (acontece todo o dia às 15:30h). Às 16:30h o Tamar faz uma palestra explicando as trilhas e percursos, preocupações, fala sobre a ilha e a biodiversidade. Antes da palestra conseguimos comprar as carteirinhas de acesso as praias do Parque Nacional Marinho. Depois fomos conhecer a Praia Boldró, rolou um mergulho e logo voltamos para a estrada. Resolvemos esperar o ônibus, pois a subida até a pousada era longa! O ônibus escolar passou e nos deu uma carona, algo que acontece bastante por aqui. Jantamos no Xica da Silva, bem próximo a Pousada Bela Vista, e com uma comida muito boa! Dica: O Ilha Tour é um baita passeio se tu tiveres poucos dias ou quiser algo mais prático sem grandes caminhadas e esforços para rodar a ilha. DATA R$ O QUE 13/fev R$ 18,00 Água 5 litros 13/fev R$ 19,95 Frutas maçã e pera 13/fev R$ 212,00 2 ingressos Parque Marítimo 13/fev R$ 220,00 Janta Xica da Silva 13/fev R$ 14,00 2 heineken padaria DIA 3 – 14/02 Acordamos cedinho para ir a Praia do Sancho, esperamos o ônibus (que era para ser a cada 30min, mas demorou quase 1h). O ônibus nos deixou na estrada de chão que leva até o PIC Sancho-Golfinho. Estava bem embarrado e um amigo nos ofereceu carona. Chegamos lá, fomos direto ao Mirante 2 Irmãos. A vista é incrivelmente linda, mas deixamos as fotos para depois e voltamos à fila para descer à praia. Este ano implementaram horários de subida e descida para organizar o acesso a praia, 45min para a descida, depois 45min para subida. As escadas são entre as pedras, um local apertado e que dá um certo nervoso de imaginar ficar preso. Mas tudo certo! Apesar de um pouco mais demorada a nossa fila chegamos à praia é eleita a mais linda do Mundo. Titulo super merecido! Ficamos felizes de estar ali sem guia/passeio, pois assim curtimos a praia por horas! No ilha tour as pessoas ficam cerca de 45min e seguem para outra praia. Mergulhamos com máscara e pé de pato e vimos peixes lindos, arraia e até lula. Foi lindo esse primeiro contato com a vida marinha. Depois do Sancho seguimos para a próxima praia e por sorte conseguimos outra carona que nos levou até a Cacimba do Padre. Uma praia lindíssima e grande, com vista para a lateral dos Morros 2 Irmãos, aproveitamos e fizemos uma pequena trilha até a praia do lado: Baia dos Porcos. Apesar de ter bastante ondas, a maré estava baixa e conseguimos atravessar, em horários de maré alta não é possível fazer esta travessia pela praia. Esta praia é muito famosa vista de cima, do mirante dos Morros Dois Irmãos. Andamos pelas pedras e tomamos um banho em suas águas calmas e cristalinas. No entardecer fomos caminhando da Cacimba até a Praia do Bode e Praia do Americano, onde subimos por uma trilha para o Morro do Boldró. Ali a galera se reúne para ver o por do sol, tem um bar com música ao vivo e um super astral todo fim de tarde. Quando chegamos na pousada os gaúchos estavam fazendo um churrasco e nos convidaram para jantar. Achamos muito legal pois estavam hospedes e funcionários da pousada reunidos em uma grande mesa comunitária. Demos risada, conversamos e conhecemos um pouco mais da cultura local! Dica: O PIC são Postos de Informação e Controle de acesso as praias do Parque Nacional Marinho, os postos tem estrutura de banheiro, ducha, lojinha e bar. Aqui é um ótimo lugar para comprar água, eles vendem refil por um preço bem acessível, então leva tua squezze ou garrafinha – para evitar o uso de garrafas pet na Ilha. DATA R$ O QUE 14/fev R$ 10,00 Bus até Sancho 14/fev R$ 45,00 Açaí PIC golfinho 14/fev R$ 5,00 Água recarga PIC 14/fev R$ 10,00 Bus retorno por do sol 14/fev R$ 45,00 Janta: legumes churras 14/fev R$ 64,00 Cevas + coca churras DIA 4 – 15/02 Alugamos uma moto para fazer as praias do outro lado da ilha: o Mar de Fora. Fomos direto até a Baia Sueste. Esta praia é uma grande enseada com mar calmo e muita vida marinha. Ali tem algumas regras para preservação: área central é livre, esquerda proibido entrar na água e a direita só entra com colete. Tem muitos corais, é muita vida marinha! Alugamos os coletes no PIC e fomos flutuar pelo lado direito. Fomos longe, nadando, deslumbrados com peixes de todos os tipos, tamanhos e cores.... até que vimos uma tartaruga bem grande, 1 metro talvez. Ficamos um bom tempo parados, admirando a beleza, e ela nem bola pra nós, seguia de boa comendo suas algas no fundo do mar. Fizemos um lanche que levamos para a praia e fomos dar mais uma caminhada até o Mirante da Praia do Sueste e o Forte São Joaquim do Sueste. A vista era incrivelmente linda, os tons da água variavam de azul e verde turquesa. Percebemos então chegando ao tal forte, que mal tinham as ruínas da construção, mas a vista dali valeu a pena. Pegamos a moto e seguimos até a Ponta Caracas, onde a vista se estendia para o outro lado o outro lado da baia. Muitas piscinas naturais lá embaixo e mais uma vista sensacional. Dali seguimos para a Praia do Leão. É belíssima! Descemos e tomamos um belo banho de mar. Uma verdadeira piscina turquesa! Seguimos pegando a estrada de volta e aproveitamos para parar no Mirante dos Golfinhos, mesmo local da Praia do Sancho. Tem uma trilha bonita com vários mirantes bem altos para admirar a beleza do mar. Cerca de 1km de caminhada até chegar ao mirante, mas não enxergamos nenhum golfinho. Quer vê-los? Chegue as 6h da manhã que rola a contagem dos golfinhos que entram na baía diariamente. Aproveitando a moto, resolvemos ir até o porto tomar um chimarrão no fim de tarde! Não encontramos nenhum local para sentar, mas em uma pequena caminhada encontramos um quiosque atrás do posto de gasolina, onde havia uma bela vista da Enseada da Caiera. Jantamos no Empório São Miguel, comida boa e ótimo atendimento. Bem na frente da Praça Flamboyant. Dica: Levamos vários lanchinhos na bagagem, granola, aveia, nuts e íamos comprando frutas nos mercadinhos, assim íamos economizando e matando a fome durante o dia. DATA R$ O QUE 15/fev R$ 150,00 Aluguel moto 15/fev R$ 20,00 Alugueis coletes sueste 15/fev R$ 4,00 Refil água + passoquinha 15/fev R$ 136,40 Janta Empório São Jorge risotos DIA 5 – 16/02 Acordamos cedinho e fomos até a Air France fazer as fotos do Manifesto Orgânico (marca de moda orgânica da Kaka – merchan gratuito). Bem na ponta da ilha principal com vista para as ilhas secundárias, porto e morro do pico, o amanhecer estava lindo. Abastecemos a moto, deu um pouco mais de 1l de gasolina para todas as voltas que fizemos. Após devolver a moto, fomos a pé até a Praia da Conceição. Pegamos o acesso pela BR, foi bem mais longe do que ir pela Praia do Meio. Ficamos um bom tempo na praia, Mario estava dormindo e a Kaka desenhando uma mandala para Noronha. O mar já estava agitadíssimo, com swell entrando essa seria a realidade dos próximos dias. Fomos caminhando para retornar à pousada na marcha lenta, quase sem energia de tanto sol e mar. Caminhada pela estrada, Praia do Meio, Vila dos Remédios e muita força para subir toda a ladeira até a Praça Flamboyant e chegar na pousada. Renovada as energias fomos almoçar no Restaurante Flamboyant, desesperados de fome às 16hs. Comida bem boa. Sábado era dia de Cinema no Forte, e lá fomos nós às 19h assistir Os Normais. O lugar de noite ficou lindo, com esteiras, almofadas, cadeiras, muito astral para uma sessão de cine. Luis Fernando Guimarães estava na plateia e falou um pouco sobre como foi feito o filme em 2003. Achamos muito legal o projeto, uma ótima iniciativa cultural. Saindo do forte, passamos na Praça Flamboyant para jantar um crepe na Creperia Euforonha. Preço justo e bem saboroso. Voltamos para a pousada e ficamos de boa no quarto. Já bem a vontade, pelados na verdade, conversando e mexendo no celular. Escutamos uns barulhos no teto e em seguida uma gritaria: eram gatos! E a gata estava com certeza no cio. Os barulhos ficaram mais fortes e de repente o teto caiu. Literalmente o gato caiu do telhado. E que susto! O forro do teto caiu exatamente entre nós. E os gatos, que caíram juntos, corriam desesperados por todo o quarto! Nisso o Mario abriu a porta e tentou tirar os gatos (detalhe é que ele seguia pelado nessa confusão toda). Finalmente os gatos saíram, um pelo teto e o outro pela porta. Vestidos, saímos do quarto em busca de ajuda. Enquanto contávamos a situação para a galera da pousada, riamos muito! E eles apavorados com tudo o que tinha acontecido (e agradecendo por estarmos rindo e levando na boa essa situação). Troca de quarto e mais muitas risadas até dormirmos. Dica: Fica ligado nas programações culturais da ilha. No forte tem sessões de cinema e música, vale a pena conferir a agenda que fica nos cartazes na entrada. E certifique-se que o forro da sua pousada seja forte o suficiente, os gatos estão por tudo. DATA R$ O QUE 16/fev R$ 12,00 Gasolina moto 16/fev R$ 19,00 Água 5l + heineken 16/fev R$ 120,79 Almoço flamboyant 16/fev R$ 49,70 Janta crepe + heineken 13 DIA 6 – 17/2 Nos planos originais, domingo faríamos o passeio de barco a tarde, com direito a por do sol de dentro do mar. Mas como o mar estava agitado, devido ao nosso amigo swell, aguardávamos confirmação. No fim o passeio foi cancelado. Pela manhã, pós café descemos até a Praia do Cachorro para ir no Buraco do Galego. Quase não tinha praia, só pedras visíveis de tão grande que estava o mar. Ondas batiam forte nas pedras agitando o Buraco, ainda assim muita gente estava na fila para entrar pelo Buraco (vamos tentar parar de fazer esses trocadilhos). Esperamos de bobeira na praia, quando acalmou a fila fomos, mas o mar estava maior ainda e resolvemos não entrar. No fim foi besteira, logo depois chegou um guia e eles entraram mesmo assim. Até ponta de uma das pedras o guia deu, direto para dentro do Buraco. Esperamos acalmar o sol, almoçamos um litro de açaí no Açaí e Raiz Noronha, que é muito bom! Rumamos para a Cacimba do Padre. Na parada de ônibus, pedindo carona com cartaz e tudo! Mas nesse dia o bus veio antes da carona amiga. O bus deixa em uma estrada de chão perto da praia, mesmo assim tem uma boa caminhada até chegar lá – uns 15 ou 20 min. Chegamos na Cacimba e o evento Oi Hang Loose Pró Contest estava sendo montado. Muita gente e muitos surfistas no mar, aproveitando as grandes ondas. Está é uma das melhores praias para o surfe. Curtimos de boa, vendo as manobras legais no mar e quando estava próximo ao por do sol saímos para tentar uma carona de volta. Conseguimos até a Vila Boldró e dali seguimos a pé até a pousada (mais uns 15 min de caminhada). Banho, chimarrão e voltamos caminhando até a Vila Boldró, no Projeto Tamar. Havia uma palestra da Noronha com Grazi, uma historiadora local, que contou sobre a Vila dos Remédios e muitas curiosidades sobre a historia de Noronha. Muito legal, valeu a pena. Dali subimos de volta e fomos jantar no mesmo lugar do açaí, comida estilo lanche com um bom preço. Kaka comeu omelete e o Mario um sanduíche de peixe. Dica: Todos os dias as 20h tem uma palestra diferente no Projeto Tamar, vale a pena aproveitar. DATA R$ O QUE 17/fev R$ 55,00 Açaí 1 litro Açaí e Raiz 17/fev R$ 10,00 Bus 17/fev R$ 52,00 Janta omelete + sanduiche DIA 7 – 18/02 Dia do nosso agendamento de trilha! Havíamos agendado a Trilha do Atalaia curta, saímos cedo da pousada e caminhamos até a Vila dos Trinta, de onde saem as trilhas para o Atalaia e Ponta Caieras. Para entrar na piscina natural é obrigatório o uso de coletes, então alugamos ali mesmo no PIC. A trilha curta é bem tranquila, no máximo em 30min chegamos até a praia. Onde nos organizamos para começar a flutuação. Um guia nos passa as informações e contabiliza o tempo de permanência na piscina – são 30min. Haviam muitos tipos de corais e de bichos diferentesaviam muitos bixos diferentes, Haaahahahhshdh rfrffrf , principalmente filhotes. Entre eles vimos: linguado, moréia, peixe agulha e tubarão limão. Foi um lindo passeio. O mundo embaixo d’agua é deslumbrante e a flutuação é praticamente uma meditação. Depois da trilha, resolvemos aproveitar que estávamos perto e fomos até o Museu do Tubarão, fica próximo ao Porto. Ali também encontramos o Buraco da Raquel, uma pedra com um buraco no meio, que devido a maré baixa não estava tão deslumbrante assim. Aproveitamos para nos informar sobre os tubarões no museu e comer um lanche. Ao lado do Museu, subimos na Capela São José, com vista para a Enseada dos Tubarões, Ilhas Secundárias, mais algumas fotos e descemos para Praia do Porto. Tinham nos falado que ali existem muitos bichos fáceis de ver no mergulho, mas esse dia a água estava muito turva, com areia e muita alga flutuando. Foi até engraçado, olhando da praia via aquele mar azul, mas de dentro do mar era tudo nebuloso devia estar com baixa visibilidade devido ao swell. Ainda assim, tinha um filhote de tubarão bem na beira da praia, Noronha sempre surpreendendo. Conseguimos uma carona de buggy, alegria total até a Praça Flamboyant. A tarde faríamos o passeio de barco, mas mais uma vez foi cancelado devido as condições do mar. Sem barco, atacamos de moto. Alugamos novamente para curtimos a tarde, saímos para rodar a ilha e curtir outra tarde vendo surfe na Cacimba do Padre. Depois fomos outra vez no Morro do Boldró e curtimos um belo por do sol. Passamos pela pousada e voltamos ao Museu do Tubarão, toda a segunda feira às 20hs tem Yoga com a Silvinha Yoga Noronha. Essa segunda era especial da lua cheia e a prática foi ótima! Fisicamente já estávamos precisando de uns alongamentos, e com aquele cenário perfeito foi melhor ainda! Na beira do mar, com lua cheia, estrelas e uma meditação incrível. Aproveitamos para terminar aquela noite especial em um dos restaurantes clássicos da ilha: Restaurante Cacimba, na Vila dos Remédios. Eles tem uma área externa com mesinhas e almofadas no chão, super astral, comida muito boa. Um precinho mais salgado do que costumamos, mas merecido para o nosso último jantar. Dica: Passeio de barco é um dos tours mais requisitados da ilha, marque com antecedência principalmente se fores na época de mar agitado como nós fomos. DATA R$ O QUE 18/fev R$ 20,00 Coletes atalaia 18/fev R$ 11,35 Água + bolo de rolo mercado Vila dos Trinta 18/fev R$ 44,50 Almoço Museu dos Tubarões- burger veg + coxinha panicat 18/fev R$ 150,00 Aluguel moto 18/fev R$ 231,99 Janta restaurante Cacimba DIA 8 – 19/02 Acordamos antes das 5h para ver se ia acontecer o nosso passeio de Canoa Hawaiana, para nossa alegria estava confirmado. 5:30h estávamos no Porto, por perto das 6hs saímos na canoa com outros 3 casais. O mar estava bem mexido, a canoa balançava e tínhamos que remar mesmo. Todos juntos! De dentro da canoa vimos o sol nascer na ponta do Air France. Retomamos a remada e fomos em direção ao Porto, passando pela Vila dos Remédios, Praia do Cachorro, Pedra do Rugido do Leão, Morro de Fora, Praia do Meio até a Praia da Conceição. Ali tivemos uma pausa para banho. Mario mareou, havia comido um pouco antes de iniciar o passeio e alimentou os peixes em alto mar com overnight de aveia. Mais uma vez não vimos golfinhos no passeio, só teve o “gorfinho”. Com malas organizadas para nossa partida de tarde, seguimos para nossos últimos passeios e fomos visitar novamente: o Sueste e a Praia do Leão, uma passada breve para admirar e seguimos para um ponto que não tínhamos conhecido ainda, Vila Quixaba. Tem apenas uma igreja e uma casa, ponto histórico para ilha, mas não muito atrativo para turistas. Uma última olhada para admirar o Sancho e o Mirante 2 Irmãos, e depois nos despedimos do Morro do Boldró. O campeonato Oi Hang Losse havia começado neste dia e fomos mais uma vez na Praia da Cacimba do Padre dar uma olhada. Quase fomos atropelados por um buggy sem freio na descida da estrada até a praia! Dois gringos vinham dirigindo, o freio estragou quando tentaram parar e se jogaram para o barranco lateral, foi só susto, tudo certo! Despedida completa das praias que mais gostamos em Noronha, alegria no peito, sorriso no rosto, entregamos a moto e fomos arrumar as últimas coisas para partir. A Noronha Tour nos pegou e levou até o aeroporto, outra vez sem cobrar nada. Dica: Aproveite todos os dias, faça tudo o que seu coração mandar nesse paraíso. DATA R$ O QUE 19/fev R$ 320,00 Canoa hawaiana 19/fev R$ 1.920,00 Pousada Bela Vista 50% 19/fev R$ 28,00 Cevas Mario 19/fev R$ 95,94 Almoço Empório São Jorge 19/fev R$ 12,00 Gasolina moto 19/fev R$ 8,19 Uber retorno aero Porto Alegre Investimentos Pré Viagem: DATA R$ O QUE pré viagem R$ 1.920,00 Pousada Bela Vista 50% pré viagem R$ 2.600,00 Passagens - o Seu Consultor de Viagens pré viagem R$ 935,18 Taxa Noronha RESUMO DE INVESTIMENTOS: Rótulos de Linha Soma de R$ BEBIDA R$ 178,00 COMIDA R$ 1.115,14 PASSEIO R$ 320,00 POUSADA R$ 3.840,00 TAXA R$ 1.147,18 TRANSPORTE R$ 507,34 PASSAGEM R$ 2.600,00 Total geral R$ 9.707,66
  2. Saudações, pessoal viajante, admiradores e curiosos! Venho aqui deixar o meu primeiro relato no Mochileiros sobre o mochilão de carona na estrada que acabei de realizar com meu namorado, Manuh, para o Sul do Brasil e Uruguai. Ao todo, foram 21 dias na estrada, 25 caronas e 28 cidades, entre as quais vivemos experiências imprevisíveis, conhecemos pessoas maravilhosas e, claro, passamos pelos perrengues imprescindíveis de uma boa aventura, hehe. Nesse relato, contarei resumidamente nossa experiência com cada carona, dando dicas sobre como gastar pouco, sobre as diferenças que sentimos entre viajar assim dentro do Brasil e dentro do Uruguai e algumas considerações finais sobre o que funcionou e o que não funcionou. Viajar de carona é tudo de bom! Vamos lá! Desde o início, a ideia era fazer uma viagem extremamente baixo custo, pedindo carona na estrada o máximo possível e levando equipamento de camping (barraca, saco de dormir, fogareiro portátil com mini cartucho de gás para cozinhar, 1 pacote de arroz, 1 pacote de lentilha). Quanto a estadia, além de contarmos com a possibilidade de acampar nos lugares, utilizamos o aplicativo Couchsurfing (que, para quem não conhece, é uma rede de hospedagem solidária e de trocas culturais) e nos prontificamos a pedir abrigo previamente para conhecidos das cidades que faziam parte do nosso esboço de roteiro. Dessa forma, o objetivo foi destinar nossas economias unicamente para alimentação, transporte público dentro das cidades e, apenas em caso extraordinário, estadia. Ao todo, gastamos cerca de 650 reais cada um, sendo que, se estivéssemos com um espírito totalmente roots e se evitássemos alguns perrengues e confortos (confira a seguir), ainda seria possível reduzir bem esse número (até porque, sempre tem quem se aventure por aí zerado, não é?). Tentei incluir, ao longo do relato, anotações dos gastos que ainda me lembro. Então, decidimos ir rumo ao Sul e, como sempre flertamos com nosso querido vizinho Uruguai, quando começamos a planejar o mochilão, mais ou menos um mês antes de sairmos, fizemos um rascunho do roteiro, que foi: São Paulo-SP > Curitiba-PR > Florianópolis-SC > Porto Alegre - RS, Pelotas-RS, Chuy na fronteira, litoral do Uruguai e Montevideo como destino final. Agora, por que eu chamo o roteiro de "rascunho"? Quem escolhe viajar de carona sabe que não dá para criar um roteiro engessado e nem se apegar muito a uma idealização de rota, afinal, nunca se sabe o que exatamente vem pela frente em termos de opções de destino. Tendo isso em mente, guardamos esse plano de caminho principalmente para conhecermos os pontos de referência e um pouco das rodoviais no Sul do país e no Uruguai, mas nos mantivemos sempre abertos a alterações (que, diga-se de passagem, aconteceram mesmo). Quem nunca viajou de carona ou nunca leu relatos sobre esse jeito de viajar, acaba pensando que é coisa de maluco. "Arriscar a vida assim?! Você não tem medo?" Que nada! A verdade é que quem dá a carona tem o mesmo medo que quem pede a carona, por isso, construímos relações de confiança mútua e isso é super legal! Sempre digo que viajar pegando carona é muito, mas muito mais tranquilo do que parece, desde que tomemos algumas precauções básicas (tanto para a nossa segurança, quanto para facilitar a nossa vida no caminho). Esse foi o meu segundo mochilão pegando carona e muito do que aprendi sobre viajar assim está resumido nesse post aqui do Mochileiros e em outros blogs de viajantes aventureiros por aí, então, não entrarei em detalhes sobre o método em si, mas sim, sobre o que aconteceu no caminho. Basicamente, acrescento que evitamos sempre pegar carona de noite e a maioria delas foi com caminhoneiros muito gente fina! VID_20190718_090353.mp4 Por fim, o passo a passo da viagem: (dia 1) começamos no dia 11 de julho. Como somos de Campinas-SP, para chegar ao nosso ponto de partida oficial ainda pela manhã (para aumentar as chances de carona longa), a maneira mais prática foi pegar um Blablacar para São Paulo-SP saindo da rodoviária às 5h40 (20 reais). Chegando em São Paulo-SP, depois de um metrô para a rodoviária (4,30 reais), chegamos no Terminal Rodoviário Tietê (onde compramos um item muito importante do mochileiro caroneiro: canetão/pincel atômico). De lá, para sair da zona metropolitana, que inviabiliza conseguir carona, pegamos um ônibus para Juquitiba-SP (12 reais) e pedimos para descer no Posto 68, na BR 116, antes de Juquitiba. Postos de gasolina grandes, na rodovia, são sempre uma ótima pedida para pedir carona. Chegamos lá quase 11h, comemos alguma coisinha que levamos e pedimos papelão na conveniência para fazer uma plaquinha com o nome do próximo destino. (Carona 1, com seu Wanderlei) Carona 1: de Juquitiba-SP até Curitiba-PR - com seu Vanderlei, caminhoneiro. Pouco tempo depois de irmos até a saída do posto com nossa plaquinha, parou um caminhão para nós, o do seu Vanderlei. Seu Vanderlei é natural de Gaspar-SC e estava voltando para casa depois de ficar 35 dias na estrada, o máximo que já passou fora. O caminhoneiro, que estava cheio de saudade de casa e da família, nos falou sobre a distância e a solidão serem a parte difícil da profissão de caminhoneiro. Seu Vanderlei, que já viajou o país todo e gosta muito de viajar, nunca havia dado carona na estrada antes (e, coincidentemente, foi a primeira carona do Manuh também!). Nos deixou na saída de Curitiba, em São José dos Pinhais, onde pegamos 2 ônibus (5 reais + 4,50 reais) para o centro de Curitiba para chegarmos até a casa de um amigo que topou nos dar abrigo por duas noites! (em frente ao prédio histórico da UFPR, em Curitiba) (dia 3) Carona 2: de São José dos Pinhais-PR para Joinville-SC - com casal da Kombi. Depois de pernoitar duas noites em Curitiba-PR, cidade que amamos demais e onde a comida é muito barata, pegamos de manhãzinha um ônibus intermunicipal sentido São José dos Pinhais-PR para pararmos no Posto Tio Zico II, na BR 376, que o seu Vanderlei havia nos indicado de antemão para seguirmos pegando carona. No posto Tio Zico, nem tivemos tempo de pedir carona: enquanto eu estava no banheiro, um casal de idosos logo abordou o Manuh para nos oferecer carona em sua Kombi "motor home". Dona Iva e seu Luís, que estão aos poucos customizando sua kombi para viajar com mais conforto, se dirigiam para São Francisco do Sul-SC para procurar o filho hippie que parou de dar notícias havia uma semana. O casal, muito simpático, nos deixou em um posto grande na BR 101, onde seguimos viagem. (Dona Iva e seu Luís com a gente em frente a kombi) Carona 3: de Joinville-SC para Itajaí-SC - com ônibus do Grupo Explosão. Depois de almoçarmos petiscos que trouxemos de cada (castanhas e polenguinho), fizemos uma plaquinha para "Floripa" e fomos para a saída do posto pedir carona. Poucos minutos depois, parou para nós o ônibus da banda "Grupo Explosão" que, seguindo sentido Brusque-SC, poderiam nos deixar em Itajaí-SC. Aceitamos a carona e, por mais curioso que tenha sido pegar carona com a banda em turnê, fica o aviso para o caroneiro inexperiente que quer chegar à Floripa: parar em Itajaí vai te deixar i-lha-do! hahah A dificuldade é que, além de sermos deixados em um posto pequeno meio dentro da cidade, definitivamente, Itajaí não é um ponto de parada para quem está descendo para Floripa: outros caminhoneiros, com quem conversamos depois, disseram que, inclusive, evitam parar ali e perto de Floripa para evitar o trânsito da rodovia na região. Felizmente, conversando com um caminhoneiro de cada vez no posto em que paramos (e depois de um baita nervosismo vendo a noite chegar sem conseguirmos carona), achamos uma alma abençoada que aceitou nos dar carona para Balneário Camboriú-SC. Carona 4: de Itajaí-SC para Balneário Camboriú-SC - seu Paulo, caminhoneiro de mudanças. Já no fim da tarde, o seu. Paulo, que havia acabado de encontrar o irmão por coincidência no mesmo posto, topou nos levar a Camboriú. Nos contou que sempre faz o possível para ajudar os outros e já deu carona para outros viajantes. Nos contou que, certa vez, quando deu carona para uma moça chilena que viajava sozinha, ela havia lhe contado que os 3 últimos motoristas com os quais ela havia pego carona tentaram se engraçar com ela de alguma maneira e ele, ouvindo o relato da moça, fez de tudo para dizer que ela poderia ficar tranquila porque ele nunca faria nada a ela e, assim, rumo ao Rio de Janeiro, acabaram até pernoitando os dois na boleia do caminhão em uma relação de total confiança. Seu Paulo nos contou de sua noiva, com a qual namora a distância, e nos disse sobre o quão triste é o estereótipo que fazem dos caminhoneiros como homens que "tem várias mulheres", "que só querem saber de mulher" ou que "não se importam com família" e que não percebem o quanto esses trabalhadores, na verdade, tem uma vida sofrida. Carona 5: Balneário Camboriú-SC para Florianópolis-SC - Blablacar com Eloir. Chegamos no centro de Balneário Camboriú já muito no fim da tarde e, sem esperança de conseguir chegar a um posto de gasolina antes do anoitecer, avaliamos que o melhor custo benefício seria pegar um Blablacar para Florianópolis (20 reais), onde já tínhamos conhecidos esperando para nos receberem. Eloir é natural de Cascavel-PR e mora em Florianópolis, cidade que, segundo ele, não troca por nenhuma outra. Chegando na rodoviária de Floripa, pegamos dois ônibus para chegar a casa de nossos amigos (2x 4,40), no Campeche, onde pernoitamos por três noites para descansarmos da saga de caronas e conhecermos melhor o lugar, cheio de praias e belezas naturais. Ficamos chocados com o preço absurdo de todas as coisas e, ainda por cima, fora de temporada (ex: 1 pastel de queijo = 10 reais?!), mas, felizmente, estávamos bem equipados com nossos próprios alimentos. (fotos na praia do Campeche, Florianópolis) (dia 7) Carona 6: Palhoça-SC para pedágio na BR 101 - Gui, ex ator e diretor de teatro. Chegamos ao Posto Cambirela, na BR101, saída de Palhoça, depois de pegarmos dois ônibus saindo de Florianópolis (4,40 + 6,65 reais). No posto, fizemos nossa plaquinha de "Porto Alegre", quando Gui parou para nos oferecer carona. Gui estava indo ao seu sítio próximo a Paulo Lopes e contou que já viajou de carona pelo Brasil com sua antiga trupe de teatro - um de seus amigos, inclusive, ficou no Espírito Santo e nunca mais voltou. Contou que deixou o ofício para se "desurbanizar" e agora trabalha com a produção de brinquedos de madeira. Gui nos deixou em um pedágio, onde logo desistimos de ficar ao observarmos a ausência de acostamento para os carros/caminhões conseguirem parar em segurança. Assim, caminhamos um pouco mais de 2km e chegamos a um pequeno restaurante de beira de estrada. Carona 7: BR 101 (restaurante Três Barras) para Tubarão-SC - com Sandro, caminhoneiro. Sandro salvou a nossa pele no restaurante, de onde pensamos que seria quase impossível sairmos. Por sorte, ainda era hora do almoço e, apesar da plaquinha de "Porto Alegre", ficamos super gratos com a carona para Tubarão-SC. Sandro parou os estudos cedo e, por necessidade da família, trabalhou desde a infância com o seu pai na plantação de pinus. Os anos de trabalho pesado e precoce deixaram muitas marcas nos músculos de seu corpo. Sandro seguiria para Braço do Norte-SC e, apesar de nos ter dado a opção de seguirmos para a Serra Catarinense, decidimos continuar indo ao Sul e, assim, paramos em Tubarão-SC. (Carona 8, com Evandro) Carona 8: Tubarão-SC para Três Cachoeiras-RS - com seu Evandro, caminhoneiro. Paramos em Tubarão em um posto não muito grande na marginal da BR. Aparentemente, quanto mais ao Sul do país, menores são os postos de gasolina e é muito comum se localizarem na marginal da pista. Isso dificulta um pouco o processo de pedir carona, já que o fluxo do posto acaba sendo menor ou de moradores da própria cidade. Ficamos um tempo considerável tentando sair de Tubarão, falando com cada caminhoneiro que chegava, até que, já perto do fim da tarde, seu Evandro topa nos levar até Três Cachoeiras-RS. Lá, pernoitamos pela primeira vez em nossa barraca em um posto de gasolina bem grande e cheio de caminhoneiros, onde todos os frentistas foram extremamente solícitos e simpáticos. (dia 8 ) Carona 9: Três Cachoeiras-RS para Cachoeira do Sul-RS, com seu Roberto. Completando uma semana de viagem, chegou o momento de abandonarmos a plaquinha "Porto Alegre" e, enfim, alterarmos a rota planejada (como eu disse antes, era só o rascunho). Foi aí, também, que o universo começou a mostrar suas conexões cósmicas (os viajantes aventureiros entenderão do que se trata aqui). Acordamos bem cedo em Três Cachoeiras e logo partimos para a saída do posto, ainda com a antiga plaquinha. Momentos depois, um caminhão com um casal parou perto de nós: contaram que já haviam nos visto cerca de três vezes em outros pontos da estrada e que, portanto, decidiram finalmente parar para nos perguntarem o nosso destino. O casal seguia para oeste de porto alegre e, embora não tenham conseguido ajudar com a carona, pois não teriam como nos deixar em um ponto bom e seguro para seguirmos na estrada, nos ajudaram comentando sobre outras possíveis cidades de fronteira para entrar no Uruguai, como Santana do Livramento. Pouco depois, um outro caminhoneiro para e nos chama até seu caminhão, o seu Roberto. Seu Roberto passaria por Porto Alegre, no entanto, seguiria para Rosário do Sul, a cidade mais próxima da fronteira em Santana do Livramento, que nos havia sido apresentada pouquíssimo antes. Topamos, então, deixar PoA de lado e seguir para o destino final do seu Roberto, que tomou chimarrão conosco o trajeto todo e virou um grande amigo nosso! Ao pararmos para almoçar em Pantano Grande-RS, encontramos duas ciganas vendendo jaquetas de couro: umas delas, insistentemente, até mesmo ficou falando em ler o futuro do Manuh e, após esse encontro breve, o Manuh ficou meio atordoado com a forte presença das moças. Minutos depois, seu Roberto nos chamou para continuar viagem e nos comunicou que havia acabado de ser comunicado de uma alteração na sua rota e precisou nos deixar em Cachoeira do Sul-RS, no Posto Laranjeiras. Por um breve momento, o Manuh ficou encanadíssimo de ser mal olhado da cigana por ele não ter comprado a jaqueta, mas mal sabíamos o que aconteceria a seguir. (Carona 9, com seu Roberto) (Almoçando no caminhão do seu Roberto) Carona 10: Cachoeira do Sul-RS para Rosário do Sul-RS, com seu F, caminhoneiro medium. Por alguma razão, achei melhor ocultar o nome desse figura, que é realmente uma pessoa diferenciada em muitos sentidos. Poucos minutos depois de chegarmos ao Posto Laranjeiras, conversamos com seu F, que estava indo justamente para Rosário e topou nos levar, se não nos incomodássemos com a boleia um pouco apertada. Conversa vai, conversa vem, seu F. pergunta nossa religião e começamos a falar de espiritualidade quando ele diz ser espírita. Seu F. nos contou que é filho de pai indígena feiticeiro e cresceu junto de uma comunidade cigana da vizinhança, da qual conheceu a hierarquia. Seu F. nos explicou que é médium e é como um "receptor universal", que sente e percebe coisas quando olha nos olhos das pessoas. Além de nos contar histórias de coisas que já pressentiu, acabou nos dizendo uma série de coisas bastante pontuais e emocionantes sobre mim e sobre o Manuh, as quais, apesar de não revelar aqui, afirmo serem de uma precisão que deixa meu lado mais cético impressionado. Nos tornamos amigos e trocamos contato ao final da viagem, que, na verdade, sentimos como se fosse uma espécie de viagem astral. Seu F. disse que nos chamou até ele, o que é ainda mais curioso depois da série de combinações imprevistas que nos levaram a nos encontrarmos naquela tarde. Pernoitamos no posto em Rosário do Sul. (dia 9) Carona 11: Rosário do Sul-RS para Santana do Livramento-RS/Rivera-Uy, como sra. Janice e seu Jairo. Depois de um dia exaustivo, nos permitimos sair do modo roots e ter mais conforto, portanto, jantamos e tomamos café da manhã no posto (cerca de 40 reais para cada). Seguimos pela manhã de carona com um casal de Santa Maria-RS que ia até Santana. Disseram que pararam para nós não porque pensaram racionalmente, mas porque sentiram que precisavam ajudar. Nos deram a dica de não comprar comida do lado Uruguaio da fronteira porque é bem mais caro e logo isso ficou ba$tante evidente. Passamos o dia em Santana resolvendo questões mais "técnicas", como dar a entrada no Uruguai na aduana (nunca se esqueçam dessa parte), trocar o dinheiro por pesos e comprar chips uruguaios para o celular (um roubo no total de 40 reais cada, um gasto que eu preferiria ter evitado). Troquei 200 reais para pesos e a cotação estava 1 real = 9 pesos: você tem a falsa sensação de que seu dinheiro vale bastante mas, logo em seguida, descobre que tudo o que já te disseram sobre o Uruguai ser um país caríssimo era verdade. Passeamos em Santana/Rivera até o começo da noite, enquanto procurávamos lugar para ficar por ali: não encontramos hostels baratos, o albergue de Santana não estava aberto quando passamos por ele e ninguém nos respondia no Couchsurfing. Esse foi, talvez, o primeiro momento real de perrengue. Nossa próxima tentativa seria caminhar até o maior posto 24h na entrada da cidade, onde pediríamos para montar a barraca. Deixo aqui outra dica: sempre é uma opção, também, se apresentar e pedir abrigo para moradores locais - principalmente nas áreas mais periféricas da cidade -, no entanto, já havia anoitecido e não nos pareceu uma boa ideia naquela circunstância. Por sorte, quando estávamos já exaustos de andar sem rumo com as mochilas pesadas, uma alma bondosa aceitou nossa solicitação no Couchsurfing e, assim, ganhamos um abrigo e ótimos amigos: Emerson e Rodrigo, um casal incrível de Santana que usava o aplicativo pela primeira vez e pretende mochilar pela Europa em breve. (dia 10) Carona 12: Rivera-Uruguai para Tacuarembó-Uruguai, com Luís do grupo de rally de Tacuarembó. Depois de uma noite maravilhosa na casa dos anfitriões em Santana, pela manhã, Emerson nos deu carona até a saída de Rivera, onde paramos após uma grande rotatória para pedir carona com a plaquinha "Montevideo" na entrada da Ruta 5. Foi aí que, passados alguns minutos, conseguimos a carona mais amedrontadora da viagem: ao nosso lado, para uma caminhonete e o motorista diz que pode nos dar carona até Tacuarembó, mas que só tem lugar na caçamba. Lá fomos nós: nos segurando com as mochilas enormes na caçamba da caminhonete, tomando um vento desgraçado, enquanto o doido dirigia a uns 120km/h e ultrapassava todo mundo na pista. Acreditem ou não, meu maior medo na viagem toda foi sair voando daquela caçamba e me espatifar na estrada, o que, obviamente, não aconteceu. Na verdade, a sensação depois dessa carona foi uma adrenalina muito gostosa. Acontece que, em Tacuarembó, não tivemos a mesma sorte com caronas e, no início, não entendíamos o porque. A partir daqui, você saberá o que descobrimos, na prática, sobre como funciona viajar de carona no Uruguai. Em Tacuarembó, nos posicionamos em um posto de gasolina na saída da cidade para a continuação da Ruta 5 e esperamos alguém parar. Como todo caroneiro está sempre caçando pontos de redução de velocidade na rodovia, vale o comentário de que algo que ajuda a pedir carona nas Rutas uruguaias, por elas cortarem as cidades/pueblos no meio, é a existência de semáforos na própria rodovia, principalmente em rotatórias da entrada e saída, funcionando como pontos bons para pedir carona quando há acostamento. Esperamos alguma carona. Uma hora depois: nada. Começamos a nos questionar e lembramos que era sábado. Fica a dica para os caroneiros iniciantes: pedir carona é sempre mais fácil e rápido em dia de semana, pois o movimento das vias cai aos fins de semana e a maioria dos caminhoneiros fica parado para descarregar e carregar, só saindo novamente a partir de domingo de noite ou segunda-feira. Não é que não funcione viajar de carona nos fins de semana, apenas, pode ser mais demorado. Até aí, nada específico do Uruguai. Seguindo o conselho de dois moços uruguaios, decidimos caminhar até o próximo posto da Ruta 5, de onde costumam sair mais caminhões. Nos posicionamos nesse posto e, novamente, nada de carona. Não havia caminhoneiros saindo do posto e os carros que passavam indicavam estar entrando na própria cidade ou na próxima há poucos quilômetros. Caminhamos até um posto da Polícia Federal um pouco mais a frente. Conversando com os policiais - que foram extremamente hospitaleiros dizendo que poderíamos montar acampamento do lado do posto em segurança e, inclusive, usar o banheiro de lá - descobrimos que, apesar do movimento da Ruta estar baixo, não é muito maior nos dias de semana. Disseram, também, que não valeria a pena pegarmos carona para parar no meio da estrada nas próximas cidades já que, na verdade, elas são tão pequenas que não passam de "vilas" (e, aparentemente, a maioria das cidades do país se encaixa nessa descrição). Percebendo o quanto estávamos ilhados enquanto começava a anoitecer, achamos que seria inviável pedir carona de pueblo em pueblo (até por uma questão de tempo hábil para retornarmos ao Brasil) e, assim, julgamos que o mais prudente seria caminhar até a Rodoviária de Tacuarembó (cerca de 1h) e usar boa parte dos pesos que trocamos para pegar um ônibus da madrugada direto para Montevideo (448 pesos cada passagem + taxa por pessoa, algo como R$49,70). Assim fizemos e, partindo 00h15, chegamos as 5h em Montevideo. (dia 11) Ônibus Tacuarembó-Uruguai para Montevideo-Uruguai. Chegando em Montevideo, ainda antes de amanhecer, logo fomos informados de que não se pode passar muito tempo na rodoviária porque passam para conferir seu bilhete (se você não está de passagem, cai fora). Sendo assim, fomos ainda no escuro (literalmente) procurar um lugar barato para tomar café da manhã. Paramos em um local na praça em frente a rodoviária. Pedi duas empanadas, que nada mais são do que salgados assados de tamanho convencional (2x60 pesos, mais ou menos R$6,70 cada), e o Manuh pediu uma promoção de medialuna com café (100 pesos, aproximadamente R$11,10). Apesar de imaginarmos que não era um estabelecimento barato, por conta de sua localização, notamos depois que esses preços são a média da cidade. Agora já deu para ter uma noção do custo de vida, não? Mesmo preço de café da manhã em estabelecimento chique de São Paulo. Depois de comermos, saímos para explorar a cidade. Conhecemos várias praças, a feira de antiguidades da Ciudad Vieja (que indico fortemente) e quase toda Ciudad Vieja em si. Não tendo recebido respostas no Couchsurfing, decidimos procurar um Hostel mais em conta. Ficamos no Punto Berro Hostel, fechando a pernoite, depois de uma choradinha, por 300 pesos por pessoa no quarto compartilhado (algo como R$33,30). Compramos um vinho Faisan no mercado (150 pesos = R$16,70) e um pacote de lentilhas pequeno (200g por 37 pesos = R$4,10, mais do que pagamos por um de 500g no Brasil). Na manhã do dia seguinte, compramos duas medialunas (60 pesos cada = 2xR$6,70) e seguimos viagem. (dia 12) Pegamos um ônibus para um posto de gasolina grande na saída de Montevideo, na Ruta 8, e paramos lá com nossa plaquinha mais que otimista "Acegua o Chuy". Ainda não havíamos aprendido a lição sobre como pedir carona aos uruguaios. Uma hora depois: nada ainda. Todos os carros pareciam estar ficando pelas proximidades de Montevideo e não havia um ponto próximo mais a frente para pedirmos carona. "Será que pegar carona no Uruguai é tão difícil assim?" Lembrava-me de ter lido antes, em outros relatos de viagem, que pegar carona no Uruguai era fácil e que essa cultura era mais forte por lá do que no Brasil, no entanto, não somente não confirmamos isso, como percebemos, a medida que pedíamos informação para vários moradores locais e frentistas, que muitos deles são extremamente descrentes na viagem de carona e não parecem acostumados a ver mochileiros fazendo isso, diferente do que experimentamos no Brasil. É claro que muitas pessoas estranham a viagem de carona e sabemos disso, no entanto, enquanto no Brasil recebíamos incentivo de frentistas e de pessoas no caminho, no Uruguai, mesmo quando ajudavam com alguma informação, era comum acrescentarem algo como "creio que vai ser muito difícil, as pessoas tem medo de dar carona, mas podem até tentar, vai que...", opinião que não representa a realidade, mas sim, uma mentalidade. Continuamos esperando no posto, até que um moço veio até nós para avisar-nos que aquele ponto seria muito ruim para chegar até Montevideo porque, justo ali, fizeram um desvio de caminhões para reduzir o trânsito na Ruta. Nos contou que, em sua juventude, também precisou se locomover muito pedindo carona e que, por isso, sabia que depois da cidade de Pando, ainda na Ruta 8, conseguiríamos uma carona com muito mais facilidade. Sendo assim, pegamos ali mesmo um ônibus para Pando e, depois de atravessar essa cidade a pé, chegamos a uma rotatória na saída para a Ruta 8. Carona 13: Pando-Uruguai para mais a frente na Ruta 8 - com Hector, caminhoneiro. Depois de toda a dificuldade, aprendemos algo muito importante: parece muito mais fácil pegar carona no Uruguai com plaquinhas para destinos próximos, ainda que muito pequenos, porque não é comum que as pessoas viagem "longas" distâncias. Além de o combustível ser extremamente caro no país, nosso referencial de distâncias longas/pequenas é totalmente diferente do deles. Então, o que no início nos parecia perfeitamente factível e razoável, como tentar carona direto para Montevideo, para eles significa cruzar o país todo. Quando, por exemplo, eles falam de "150km" a frente, estão falando de um local distante e, para nós, soa o contrário. Não que seja impossível, afinal, há caminhões e empresas que fazem esses longos trajetos até a capital, mas é bem mais improvável do que ir pingando de cidade em cidade. Sendo assim, decidimos mudar nossa plaquinha para destinos mais realistas: "Minas o Treinta y Tres". Cinco minutos depois, Hector parou para nós, nos deixando alguns quilômetros adiante na rotatória de entroncamento para Atlântida. Dali caminhamos aproximadamente 3 km até chegar a um pedágio na Ruta. Paramos com nossa plaquinha no acostamento após o pedágio e, em poucos minutos, conseguimos nossa nova carona. (Carona 13, com Santiago) Carona 14: Pedágio Ruta 8 para rotatória na Ruta 8 - com Santiago, professor de dança. Um carro parou para nós: era Santiago, um moço muito animado que logo foi movendo os instrumentos de percussão que carregava consigo para o porta-malas, a fim de liberar espaço para nós no banco traseiro. Santiago nos ofereceu um pote cheio de flores de maconha, que plantou em sua casa, para o restante da viagem. Achamos a insistência do moço muito engraçada e até pensamos em aceitar, mas sabíamos que cruzaríamos a fronteira bem em breve. Além disso, ao contrário do que pensamos no início da viagem, nos mantivemos em estado de alerta o tempo todo e sequer nos sentimos a vontade para fumar no Uruguai. Santiago estava indo a Migues e nos deixou na rotatória para aquela saída da Ruta. Carona 15: rotatória na Ruta 8 para Minas-Uruguai - com Carlos, caminhoneiro. Logo que Santiago nos deixou na rotatória -que, aparentemente, não era um lugar tão bom assim para pedir carona, visto que os veículos não estavam reduzindo a velocidade -, avistamos, poucos metros adiante, um caminhoneiro parado no acostamento com seu caminhão. Antes mesmo de nos posicionarmos com nossa placa para continuar, o caminhoneiro nos chamou até ele. O Manuh correu para verificar o que era e, para nossa felicidade, ele nos ofereceu carona. Carlos estava indo a Minas e nos deixaria na entrada da cidade. Carlos havia parado no acostamento apenas para atender uma ligação, o que convergiu perfeitamente com o tempo em que chegamos lá com Santiago: viajar assim, de maneira imprevista, tem seus acontecimentos cósmicos mágicos. Carlos nos deixou em Minas, onde logo fomos procurar lugar para ficar. Como nem eu e nem o Manuh temos perfis verificados no Couchsurfing (o que é bem limitante, já que o aplicativo te dá somente direito de usar 10 solicitações de hospedagem por semana), não possuíamos mais solicitações para usar. Precisaríamos acampar e, assim, começamos a perguntar aos moradores locais onde havia um lugar relativamente seguro para armar nossa barraca. Nos indicaram um parque público aberto às margens de um rio, cortado por uma ponte. Ali, encontramos em seu lado mais arborizado um local aparentemente seguro para acampar, exceto pela placa em uma das árvores com os dizeres "prohibido acampar". Ficamos com medo de cometer uma infração e precisarmos pagar algum tipo de multa, por isso, antes de montar acampamento, ainda fomos caminhando até a delegacia no centro da cidade para pedir autorização à polícia. Explicamos a situação a um dos policiais, que foi muito bacana em nos compreender e dizer que fariam vista grossa. Compramos 10 alfajores de Minas por 110 pesos (mais ou menos R$1,20 cada). (Carona 16, com Javier) (dia 13) Carona 16: Minas-Uruguai para Aceguá (Uy/RS) - com Javier, caminhoneiro. Desmontamos acampamento ainda antes do dia amanhecer e consideramos que a melhor ideia para continuar com as caronas seria atravessar a cidade a pé para chegar em sua saída para a Ruta 8. Caminhamos por cerca de 1h30 e, quando finalmente chegamos a saída, nos deparamos com uma grande insegurança por causa do baixo movimento da Ruta. Além disso, estávamos congelando com o vento frio cortante daquela manhã. Mal conseguíamos ficar um momento sem luvas para olhar o mapa no celular. Estávamos já praticamente sem pesos para cogitar pegar algum ônibus dali para qualquer lugar. A saída era continuar pedindo carona e usar o que aprendemos sobre caronas no Uruguai ao longo do caminho. Fizemos uma nova plaquinha com as cidades próximas, "Treinta y Tres o Melo" e, mesmo desesperançosos, decidimos continuar ali por um tempo. Tentando nos fortalecer naquele momento, Manuh repetiu em voz alta o nosso mantra de caroneiros: "A carona certa virá na hora certa para o lugar certo". Eu, já com um tom de humor impaciente, retruquei que a hora certa era aquela mesma. Como num passe de mágica, nem um minuto depois, um caminhão encostou para nós. Era Javier, indo diretamente para o nosso sonhado destino "Acegua", na fronteira. Entramos as pressas no caminhão, eternamente gratos por sermos salvos por ele e, mais uma vez, por essas conexões do universo. Chegamos em Aceguá por volta das 17h, onde fizemos a saída do Uruguai na imigração e gastamos os últimos pesos em um mercadinho uruguaio antes de ir montar acampamento em um posto de gasolina na saída da cidade. Acontece que, em Aceguá, se iniciou o nosso momento de maior perrengue da viagem toda: enquanto montávamos nossa barraca no posto SIM, começou a chover cada vez mais forte, molhando todas as nossas coisas. O borracheiro do posto, que nos ajudou quando chegamos, sugeriu que dormíssemos em uma Ipanema abandonada ao invés de nos molharmos mais e passarmos mais frio na barraca. Assim fizemos. A Ipanema estava com os bancos abaixados, então, nos organizamos como possível com nossos sacos de dormir e mochilas lá dentro. Ao menos, tínhamos refrigerante e alfajores para amenizar o mau humor pós chuva. A pior coisa é passar frio estando molhado. (dormindo dentro da Ipanema abandonada, no Posto SIM de Aceguá-RS) (dia 14) Carona 17: Aceguá-RS para Bagé-RS - com seu Luís, caminhoneiro. Acordamos em Aceguá, com muito frio, ainda úmidos e ainda estava garoando. Não sabíamos como fazer para pegar carona com aquele tempo. Conversamos com os frentistas do posto, super hospitaleiros, que nos aconselharam a tentar pegar um ônibus para Bagé. O problema é que, como não parava de chover, mal conseguiríamos chegar ao ponto de ônibus a apenas alguns metros dali. Decidimos esperar no posto para ver se a chuva pararia. A decisão foi a mais acertada porque, pouco depois, um frentista nos avisou que um dos caminhoneiros que havia acabado de abastecer estava seguindo para Bagé. Nos prontificamos a falar com o caminhoneiro, seu Luís, que topou nos dar carona para lá numa boa. Pensamos que nossos pesadelos acabariam por aí, no entanto, também estava chovendo e muito frio em Bagé, por volta de 10ºC e uma sensação térmica de menos. A chuva não parava por nada. Paramos em mercadinho, de atendimento péssimo, para comprar uns pães franceses e frios de café da manhã/almoço/lanche da tarde. Pegamos um ônibus para o centro de Bagé e, de lá, também não conseguimos fazer muita coisa. Ainda não tínhamos solicitações disponíveis no Couchsurfing e não encontrávamos hostels na cidade olhando e ligando nos telefones do google. Caminhamos até um hotel próximo, que nos deu a indicação do hostel de preço mais acessível. Não havia carros do Uber disponíveis na cidade e, portanto, tivemos que comprar um guarda chuva (uma sombrinha pequena por 12 reais e os outros eram caríssimos) e ir caminhando para esse tal hostel por cerca de 40 minutos. Chegamos no Hostel da Campanha ensopados. Nossos casacos molhados, sapatos molhados e mochilas molhadas (inclusive, as roupas de dentro). Pegamos a acomodação mais barata, R$50 por pessoa, em um quarto com beliche para duas pessoas. Apesar do preço ainda meio salgado, pagar aquela estadia foi absolutamente necessária, caso contrário, precisaríamos bater de porta em porta ou morreríamos de hipotermia. Além disso, o Hostel da Campanha é de longe o melhor hostel que já fiquei na vida: além de incluir um café da manhã muito bom e com várias opções, é extremamente limpo, extremamente novo e confortável, fora o atendimento impecável de todos da recepção (estou reforçando essa parte porque quem viaja gastante pouco sabe como pode ser o frustrante pagar estadia para se deparar com um lugar precário). Como eu havia levado um rolo de fio de nylon, improvisamos varais por todo quarto e penduramos nossas coisas. (Varais no quarto do Hostel, em Bagé) (dia 15) Escolhemos, para a infelicidade do nosso bolso e para a alegria de nossos pertences pessoais, ficar mais uma noite no hostel. Isso porque não seria possível seguir viagem com as coisas todas molhadas, ainda mais com o tempo tão frio e chuvoso. De dia, pedimos indicação de uma lavanderia na recepção, para onde mandamos todas as nossas roupas. Aproveitamos um breve momento sem chuva durante a tarde para passear e, a noite, deixamos nossos sapatos secando em frente a lareira da sala. O gasto com a estadia no hostel poderia ter sido evitado, mas consideramos que existem situações emergenciais em que é realmente muito difícil não abrir mão de algumas economias para garantir nossa segurança e bem estar. Acabou sendo uma parada extremamente estratégica para nos recompormos e repararmos os danos do tempo chuvoso. (dia 16) Carona 18: do meio da cidade em Bagé-RS para saída de Bagé-RS, com Fabrício. Enquanto caminhávamos para a saída da cidade, Fabrício nos avistou e ofereceu carona para o posto de gasolina ao qual nos dirigíamos. Essa foi a carona mais curta de todas, menos de 4km, e a única que pegamos em zona urbana. Carona 19: Bagé-RS para Hulha Negra-RS, com Hosana. Desistimos de tentar carona no posto de gasolina, que não parecia ainda tão "na saída" para a rodovia. Caminhamos cerca de 1h até chegarmos, de fato, a BR 293, em uma rotatória. Estávamos com a plaquinha "São Gabriel", contudo, ao observarmos o movimento da rotatória, sentimos uma forte intuição de que teríamos mais êxito se pedíssemos no sentido contrário, para "Pelotas ou Porto Alegre" - e essa foi nossa nova plaquinha. Em menos de 10 minutos, Hosana parou para nós. Disse que não está acostumada a dar carona para mochileiros, mas que sempre ajuda os policiais que pedem carona. Hosana nos deixou na entrada de Hulha Negra, quilômetros a frente. (Carona 19, com Hosana) Carona 20: Hulha Negra-RS para Pinheiro Machado-RS, com sr. Paulo. Novamente, menos de 10 minutos depois, sr. Paulo, natural de Candiota-RS, nos salvou de passar frio na estrada e nos levou até a entrada de Pinheiro Machado. Viajamos juntos ao som de clássicos da música caipira enquanto observávamos as paisagens de campos. (Carona 20, com sr. Paulo) Carona 21: Pinheiro Machado-RS para Pelotas-RS, com Rose e Wal. Poucos minutos depois de esperarmos novamente no frio congelante, Rose e Wal nos ofereceram carona. Fomos tomando chimarrão e conversando sobre o que achamos das cidades que conhecemos ao longo da viagem. Conversamos bastante sobre como as cidades no sul e no Uruguai são, de modo geral, mais seguras que em São Paulo. Rose nos falou sobre a praça do Mercado Municipal de Pelotas e topamos parar por ali mesmo. Chegamos em Pelotas por volta das 15h e decidimos pernoitar por lá. Mais uma vez, começou a saga de procurar lugar para pousar, enquanto conhecíamos o mercado e prédios históricos dos arredores. Na praça em frente ao mercado, abordamos um moço com um violão nas costas para perguntar se poderia nos indicar um lugar barato para comer. O moço, chamado Marcelo, foi h extremamente hospitaleiro e nos acompanhou por um tempo em nossa busca e trocamos contato antes de nos despedirmos. Naquela noite, conseguimos abrigo na casa de uma amiga do Manuh, no bairro Porto. Por termos gostado muito da cidade, decidimos passar mais um dia em Pelotas. Convidamos Marcelo para uma volta pelo centro da cidade e acabamos, no fim das contas, pedindo abrigo para ele na casa de sua família. Depois de uma tour por Pelotas, guiados por Marcelo, almoçamos com sua família e fomos recebidos com carinho. Não deixamos de experimentar os doces de Pelotas e conhecer a bancada de discos do James na feira em frente ao Mercado Municipal. (Carona 21, com Rose e Wal) (dia 18) Carona 22: Blablacar de Pelotas-RS para Eldorado do Sul-RS, com Ezequiel. A escolha de pegar um Blablacar, a essa altura da viagem, foi bastante estratégica. O objetivo era chegar até o Posto SIM, na saída de Eldorado do Sul, para encontrarmos lá o nosso amigo caminhoneiro seu Roberto, o mesmo que conhecemos na carona de número 9. Combinamos com seu Roberto que nos encontraríamos lá por volta da hora do almoço, para que pudéssemos, então, seguir com ele até Jaraguá do Sul-SC. Carona 23: Eldorado do Sul-RS para Jaraguá do Sul-SC, com seu Roberto. De fato, conseguimos encontrar nosso amigo seu Roberto no posto e seguimos viajando juntos até por volta das 22h. Paramos em um posto de gasolina próximo a Florianópolis para pernoitarmos e partimos novamente por volta das 3h. Chegamos a entrada para Jaraguá por volta das 5h e esperamos em um posto de gasolina até o dia amanhecer. (dia 19) Carona 24:Jaraguá do Sul-SC para Curitiba-PR, com seu Alberí, caminhoneiro. No mesmo posto em que ficamos em Jaraguá, fizemos uma plaquinha para "Curitiba" e, coisa de meia hora depois, seu Alberí parou para nós. Seu Alberí, um caminhoneiro com 35 anos de estrada, nos contou vários histórias sobre subornos policiais no Rio de Janeiro, sobre o problema com bloqueios eletrônicos dos caminhões - que "só servem pra deixar caminhoneiro estressado e matar caminhoneiro", sobre seguradoras que querem traçar rotas para os caminhoneiros sem, ao menos, conhecerem o dia a dia deles nas rodovias. Seu Alberí nos deixou na entrada para São José dos Pinhais-PR, mesmo local onde paramos no início da viagem e, assim, pegamos os mesmos ônibus novamente para o centro de Curitiba. Almoçamos no buffet livre (R$11,50) e pernoitamos novamente na casa de nosso conhecido. No dia seguinte, preferimos continuar descansando em Curitiba, onde almoçamos novamente em outro buffet livre (R$7,50) e aproveitamos a companhia do pessoal da república. (dia 20) Carona 25: de São José dos Pinhais-PR para Taboão da Serra-SP, com seu Edimilson. Para sairmos de Curitiba, pegamos um ônibus intermunicipal de volta para São José. Fomos pedir carona em um posto grande recomendado pelo seu Alberí, "Posto Aldo Locatelli". No posto, tentamos carona na saída com a plaquinha "São Paulo ou Campinas", não obtendo sucesso por cerca de 1h. Fizemos uma pausa para comer na conveniência e usar o wifi. Na saída da conveniência, fomos abordados pelo seu Edimilson, que perguntou nosso destino e nos ofereceu carona até sua cidade, Taboão da Serra, limítrofe de São Paulo capital. Edimilson nos contou sobre várias viagens que fez pelo globo motivado pelo seu hobby: o mergulho. Nos contou sobre as melhores experiências e perrengues mergulhando, assim como sobre vários outros pontos turísticos, como as pirâmides no Egito. Em Taboão da Serra-SP, encerramos a viagem pegando um ônibus e um metrô para o nosso marco zero, São Paulo-SP. Lá, jantamos na rodoviária e pegamos um blablacar para nossa casa em Campinas-SP. No fim das contas, depois de contar um pouco dessa maravilhosa odisseia, deixo algumas considerações para quem se sente inspirado a procurar o mesmo tipo de aventura. Já ouvi dizer por aí que "pressa não combina com viajar de carona" e isso é verdade! É possível, sim, viajar durante poucos dias de carona - até mesmo para fazer só um bate-volta em um fim de semana-, porém, a verdade é que, se você tem dia prazo para "estar de volta", você acaba se sentindo mais pressionado pelas circunstâncias imprevisíveis da aventura. Hoje tenho a percepção de que viajar pedindo carona é mais confortável quando se tem tempo de sobra, ou indeterminado, para ficar na estrada e poder aproveitar mais dias nos lugares em que, de fato, se quer parar. Outra consideração é que viajar de carona e de maneira econômica te proporciona uma visão muito menos idealizada do que aquela adotada em uma viagem convencional: não se conhece os lugares pelo olhar de turista - até porque, é muito comum acabar desviando de rotas turísticas -, mas sim, pelo olhar das pessoas que vivem diariamente a realidade dos lugares e das rotas que os cercam. Antes de viajar de carona, leia sobre o passo a passo a se seguir e o memorize bem. Procure os melhores pontos do trajeto para pedir carona e mantenha o pensamento sempre positivo. Se atente, também, aos dias da semana. Algumas rotas, como rodovias com postos de gasolina grandes, facilitam mais do que outras, como pistas estreitas e pouco movimentas, contudo, sempre dá pra conseguir uma condução! Cada lugar tem uma cultura diferente e isso também afeta no processo de pedir/conseguir carona, como comentamos sobre a experiência no Uruguai, mas essa questão se resume apenas em entender as particularidades do ambiente. No caso de quem vai pedir carona no Uruguai, principalmente no interior do país, meu conselho é o de fazer plaquinhas com destinos próximos, ainda que pareçam distâncias pequenas, ou, mais prático ainda, se valer apenas do número da Ruta desejada (ex: Ruta 8). O movimento das vias é muito menor do que no Brasil, mas, como dito antes, isso não é sinônimo de não conseguir carona. Se estiver indo para o Sul, dê atenção especial aos postos de gasolina da rede SIM, que tem boa estrutura e costumam ser maiores e frequentados pelos caminhoneiros. Dito tudo isso, desejo boa viagem aos que se inspiraram! Aos que não se inspiraram, espero que tenham feito boa viagem, ao menos, durante a leitura. Até breve, mochileiros e curiosos!
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