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Olá viajante!

Bora viajar?

7 dias em Cusco - Trekking Salkantay + Montanha colorida

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Introdução

 

Oi, meu nome é Renan. Um careca de 36 anos de idade. Não sou aquele magro de 10 anos atrás, muito menos o mesmo condicionamento físico: tenho minha barriguinha um pouco mais saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas corridas de rua, faço minhas musculações. Posso dizer que sei correr bem e tenho um bom condicionamento físico. Sou um cara fresco pra comer, viciado em coquinha zero.

Essa introdução, apesar de chata, é necessária para você entender os perrengues que passarei a seguir.

 

Onde tudo começou

 

Meio para o final do ano de 2024. Uma atleta minha foi convidada para participar de uma competição e defender a seleção brasileira Nippon. O pai dela me convidou para ir assistir e topei. Ele ajudaria com meus gastos… então pedi ao meu chefe uns dias a mais para aproveitar o Peru. (eu sei, essa frase não caiu bem, engraçadinho hahaha). E a ideia estava feita. O que vou fazer? Conhecer Machu Picchu? Claro!.. fui pesquisando e pesquisando e foi aí que eu descobri: Trilha Salkantay. 4 ou 5 dias de trilha. Era isso! O preço estava nos R$2000,00. Era o que eu conseguiria pagar, no limite. Vi vídeos, achei sensacional, desafiador, topei.

 

Dia 0 – Cusco

 

Chego à noite em Cusco e vou para o Hostel onde minha esposa está. Durmo lá e… cá estamos no “dia 0”. A ideia desse dia era servir para aclimatação e conhecer o centro da cidade. Vamos andando, conversando… peço para ela andar mais devagar, estava um pouco sem ar (nada diferente para uma cidade a seus 3200 ou 3300 mts de altitude). Chegamos no centro, lindo. Igreja gigante ao mesmo tempo que possui as estátuas Incas.

Um monte de pessoas por ali, tentando me vender passeios, souvenirs, etc. Vamos andando para conhecer e bora pro mercadão. Comida barata, cheio de artesanatos (que eu particularmente adoro) e um monte de coisa legal. Após tudo isso, vamos até a agência KB Adventures, onde vamos fazer o Salkantay e lá eles dão um briefing dos próximos dias.

Voltamos ao hostel e arrumamos as coisas para o outro dia. Ansiedade a mil. Mas hora de descansar.

 

 

Dia 1 – Laguna Humantay

 

Antes do alarme tocar, meus olhos já estavam pregados. Sabia que era hora de acordar. Me levanto, pego minhas malas e espero a Valéria terminar de pegar as coisas dela. Eu estava pronto. Sabia que a maior aventura das minhas vidas ia se iniciar.

O que não sabia, claro, é que ao mesmo tempo que seria incrível, o sofrimento seria tão grande quanto.

A van chega na frente do Hostel, pontual. E aí começa a pegar todas as pessoas, nenhum brasileiro no grupo de 14 pessoas, tirando nós dois. O motorista continua a dirigir por 2 horas. Um pequeno medo começa ali, muita chuva, estradas desbarrancadas, com pedras no meio do trajeto, meio catastrófico. Tentava não pensar nisso, ia ser foda. “Ia? Ia sim! Pare com essas dúvidas”.

Paramos em um local para tomar café. Bem simples, pedimos um omelete e um suco. Enquanto não ficava pronto, tínhamos que preencher uma ficha com nome, nacionalidade, idade e profissão. Fomos os últimos a preencher e lógico, curiosos como somos, fomos ver dos outros integrantes do grupo. Todos gringos. Alemanha, Suécia, Noruega, Irlanda, Canadá, Alaska… cacete. Essa galera conhece o frio. Cadê os sulamericanos pobres dessa lista? E aí… vem a pior parte: IDADE. 18, 20… 22 no máximo. Um de 30 apenas… e nós dois: Valéria – 34 anos e Renan – 36 anos. Sim, pela primeira vez eu era o tiozinho do grupo. Tentei não ligar muito, idade é apenas um número, já diriam os mais otimistas. Mas esse número fez uma diferença da porra…

Entramos na van novamente. Mais 1h30m de direção e chegamos a Challacancha. 2 soles pra ir no banheiro, estava apertado. Melhor que dar vontade no meio da trilha, certo? Pegávamos os bastões e começamos a caminhar na estrada de terra, seguindo o guia.

“Nessa estrada aqui, nem vamos precisar dos bastões” – Falava para a Valéria. Mas o que descobri nessa viagem é que a língua PUNE. Claro que não precisava me punir tão rápido assim, hahaha, Segundos depois o guia aponta para o alto de um barranco (e que barranco!) e pede para o seguirem. E lá vamos nós, começar a subir aquele barrancão da desgraça. Após alguns metros, todos param ofegantes. “Cacete, isso vai ser sofrido” – pensava alto. Esqueci de mencionar, mas já estávamos a 3800 metros de altura. O que isso muda? TUDO. Acredite, TUDO meu amigo.

Continuamos a caminhar por aquele maldito barranco e chegamos lá em cima, em um caminho meio estranho. Pequeno, mas com um cano ao lado. Era reto, a caminhada saía fácil. Eu e a Valéria como bons tiozinhos do grupo, aproveitávamos para tirar foto de tudo. Piadinhas, risos, estava ótimo. Continuamos a caminhar até chegar a nosso acampamento base daquele dia (3900 mts de altura). Sem energia elétrica, sem banho, mas com privadas para o banheiro.

Esperamos pelo almoço. Primeiro, sempre vem a água quente e um cházinho da desgraça. Depois uma sopa aleatória. Eu que não suporto chás e sopas, era uma tortura. Mas tentava tomar, sabia que seria necessário para os próximos dias. E logo em seguida vem o almoço normal, algum frango, arroz e um misto de abacate e algumas coisas que não quis nem olhar. Deu pra deitar uns 20 minutos e … hora de ir a Laguna Humantay.

Deixei todas as coisas no alojamento, vou só com os bastões pra não precisar levar as mochilas. Começamos a subir, o cenário é bonito. Cheio de cavalos e uma PUTA de uma subida. Ao ir subindo, fui ficando sem ar. Cada passo era mais dificil que o anterior. Olhava para frente e para cima e logo era o último do grupo. “Tomar no cú… vou conseguir!”. Mas cada vez mais a galera se distanciava. Estava muito sofrido. Fui subindo, subindo e dando pequenas pausas para ver se o oxigênio entrava em meu pulmão. O que pareciam não se conversar muito nesse momento. Chegávamos a primeira casinha, o guia esperando e perguntando se eu estava bem.

“Estoi bien, apenas un tiquito cansado” – desde já, dá pra ver que meu espanhol ou portunhol não é meu forte. E nem minha capacidade de mentir, estava só a “capa do batman”. O grupo continuava avançando como se fosse uma matilha de cachorros doidos para pegar uma presa. E eu avançava na velocidade de uma tartaruga manca fazendo moonwalk. Cravava meus bastões no chão, olhava para cima e eu estava longe do pessoal. A bota afundava no meio das pedras, todas molhadas pelas chuvas e tropeçava, escorregava de leve. Mas continuava a avançar. O que mais me preocupava era: “Vou estar quase chegando e o guia vai me mandar voltar… isso vai ser muito frustrante”.

A próxima casinha chegou. Estou perto… perto de errar novamente. Faltava muito. Subida desgraçada! Quando virava a esquina e olhava, parece que tinha que subir tudo que já tinha subido. Mas eu que não ia desistir, já tava ali, pô. E após inúmeros passos, cheguei. Morto, ofegante. Respirando como se fosse um macaco véio com asma (e não sou?). Encostei em uma pedra e tomei meu tempo para descansar. Eu e a Valéria tiramos algumas fotos, apesar do tempo não estar dos melhores. Depois o guia falou que dava pra subir mais um pouco e ver ali de cima. Fomos. A famosa frase: o que é um peido para quem está cagado?

Tudo bonito, mas hora de descer. Na descida foi mais tranquilo pra mim, mas a Valéria sofreu. Reclamou de muita dor no joelho. A descida não terminava nunca. Preciso dizer que fomos os últimos novamente? Ia soltando umas piadas aqui e ali e tentando animar, mas não tava dando certo. Muito tempo depois, chegamos no acampamento.

“Happy Hour” – dizia o guia. E lá fomos, meio sem vontade. Tinha uma pipoquinha, comi. E depois… chá. Sopa. E uma jantinha. O pessoal adorou a comida. Eu sou fresco, queria só um arroz, carne e um ovinho com uma coquinha. Mas comi e fomos deitar. O aviso era pra tomar cuidado com a noite fria, que podia fazer negativo. Entramos dentro do saco de dormir e alugamos um cobertor. Nesse dia, vi a Valéria triste, querendo desistir. Eu que já estava querendo desistir ouvi isso e cortou meu coração. Que merda estávamos fazendo ali? Não somos mais jovens para isso. Fui dormir puto, nunca mais vou fazer uma merda dessas. Mas o próximo dia seria pior, 22km de caminhada (aproximadamente 12 horas). O guia já tinha nos dado a opção de contratar um cavalo para a subida. Não queria fazer isso de jeito nenhum. Não foi pra isso que eu vim, mas estava considerando o tempo todo.

Dormi. Parecia que dormi bastante e quando abri os olhos… 00h23. Até 4h30 tem chão. Vontade de ir no banheiro. Saio no meio daquela escuridão da desgraça com a lanterninha do celular e… a diarréia me mandou um olá. Essa cena se repetiu mais uma ou duas vezes durante essa madrugada. Maldita madrugada. O que tô fazendo aqui? Quero ir embora. 

 

(continua...)

Fotos:

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Igreja na praça central de Cusco

 

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Chafariz na praça principal de Cusco

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Mercadão de Cusco

 

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Valéria biscoitando na praça principal de Cusco

 

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Nosso alojamento no dia 1

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Laguna Humantay

 

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Alguns metros acima da Laguna Humantay

 

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Eu e a Valéria na Laguna Humantay

 

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Morrendo após chegar na Laguna Humantay

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18 horas atrás, Renpa disse:

Oi, meu nome é Renan. Um careca de 36 anos de idade. Não sou aquele magro de 10 anos atrás, muito menos o mesmo condicionamento físico: tenho minha barriguinha um pouco mais saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas corridas de rua, faço minhas musculações. Posso dizer que sei correr bem e tenho um bom condicionamento físico. Sou um cara fresco pra comer, viciado em coquinha zero.

Oi, meu nome é Juliana. Uma diabética tipo 1 atualmente acima do peso de 44 anos de idade. Não sou aquela moça magra de 10 anos atrás, muito menos o condicionamento físico: tenho barriguinha saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas fisioterapias, pilates, minhas musculações. Posso dizer que não aguento correr 5 minutos e tenho um condicionamento físico blé. Sou uma moça boa de garfo, viciada em coquinha zero (e vinho).

DITO ISSO queria dizer que já ri demais da sua história e que em menos de 3 meses tb estarei pelas trilhas altas do Perú e Bolívia, hahaha! Eu já fiz trilha acima de 3500 e 4000 e sei que é difícil demais, mas o que está por vir meu corpo ainda desconhece!

Continue!

Editado por Juliana Champi

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4 horas atrás, Juliana Champi disse:

Oi, meu nome é Juliana. Uma diabética tipo 1 atualmente acima do peso de 44 anos de idade. Não sou aquela moça magra de 10 anos atrás, muito menos o condicionamento físico: tenho barriguinha saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas fisioterapias, pilates, minhas musculações. Posso dizer que não aguento correr 5 minutos e tenho um condicionamento físico blé. Sou uma moça boa de garfo, viciada em coquinha zero.

DITO ISSO queria dizer que já ri demais da sua história e que em menos de 3 meses tb estarei pelas trilhas altas do Perú e Bolívia, hahaha! Eu já fiz trilha acima de 3500 e 4000 e sei que é difícil demais, mas o que está por vir meu corpo ainda desconhece!

Continue!

Eu estou no Peru e ainda estarei nessa data, me avisa quando venha e me comparta seu itinerário haha seria muito bom se eu pudesse encontrar vocês!! finalmente conhecer pessoalmente alguém daqui hehe

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3 horas atrás, Lucass7 disse:

Eu estou no Peru e ainda estarei nessa data, me avisa quando venha e me comparta seu itinerário haha seria muito bom se eu pudesse encontrar vocês!! finalmente conhecer pessoalmente alguém daqui hehe

que demais! vou te mandar nossas datas lá no insta! 😎

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Opa! Legal que estão gostando galera... assim que tiver um tempinho vou para o dia 2.

E apesar desse começo, nao é pra tirar a vontade de ninguem de fazer a trilha não. Foi sensacional kkkkkkk

Mas nem tudo são flores como o pessoal vende kkkk

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2 horas atrás, Davi Leichsenring disse:

Eu também vou em Maio. dia 19 eu já comprei a entrada pro Machu Picchu, mas em Cusco vou chegar lá pro dia 15 mais ou menos.

então dá pra combinarmos um pisco, estarei lá de 9 a 19 de maio! 15-16 é minha ida a MP!

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3 horas atrás, Juliana Champi disse:

então dá pra combinarmos um pisco, estarei lá de 9 a 19 de maio! 15-16 é minha ida a MP!

Opa, então está marcado! Quando eu chegar em Cusco te mando mensagem.

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(Continuando...)

 

Dia 2 - Salkantay Pass

 

Aahhhh! Nada como uma noite de sono regenerativa para renovar o humor e os ânimos, certo? Claro, se você tiver essa noite. O que não foi o meu caso.

Parecia que tinha dormido como uma pedra, me reviro todo e pego o celular que estava sendo carregado por um power bank: 00h13. Puta merda.

O pior, uma vontade de cagar enorme. Lá vou pegar meu celular, ligar a lanterninha e sair iluminando tudo e andando por aquele frio da desgraça de madrugada. O bom que nem cheguei a sentar no vaso, já estava tudo resolvido só de agachar. A diarréia me deu um "olá". Essa história se repetiu mais 3 vezes durante essa madrugada que não acabava nunca.

A Valéria, por sua vez, dormiu que nem um anjo e acordou bem melhor, sem mais vontade de desistir. A minha vontade de parar por ali tinha se tornado o famoso "sangue nos olhos". Vou terminar essa porra, custe o que custar.

 

COCA TEAAAAAAA, COCA TEAAAA!”. Eram 04h30. O guia batia de porta em porta levando chá de coca. Ruim que só uma desgraça. Mas vamos lá, respira fundo e manda pra dentro. Arrumamos as coisas no meio da escuridão e fomos tomar café da manhã. Os cavalos levariam alguma sacola nossa, enquanto nós levamos a mochila. Mas os cavalos só podem levar 5kg. Tudo bem, tinha pesado minha sacola e estava com 3kg, certo? Errado. Ao pesar minha sacola, estava com 8kg. A roupa molhada pesa… e como pesa! Então o outro cavalo aqui teve que levar os 3kg a mais. Sim, eu mesmo.

 

Começamos a andar as 05h30 da matina. Muita chuva, cheio de barro mas reto. Vamos seguindo firmes e fortes. Logo mais as subidas começam… e que subidas. Ao olhar para cima, não tinha fim. O pescoço doía e você não via o topo. Nem olhava. Tentava focar apenas em um caminho a curto prazo para subir no meio daquele monte de pedras que fosse menos exaustivo.

 

O ar faltava a cada passo, mas tentava pensar em uma música e seguia cantando ela na cabeça e seguindo para cima. A Valéria me acompanhava, com falta de ar também. Ô altitude que nos maltratou. Subíamos em zigue-zague. Passada após passada, pedra após pedra. Era enorme. Às vezes olhava para baixo e via o que eu já tinha caminhado, o que empolgava um pouco.

 

Paisagem? Nem dava para ver. Muita neblina. Estava em um silent hill. Só que na altitude. E bota altitude. Caminhava...caminhava, e… opa! Estou vendo o topo. Estamos chegando. “Bora amor, falta pouco! É ali em cima” – Falava empolgado. Quando estou chegando lá em cima ouço um estrondo enorme. “Poutz… raio aqui em cima, que perigoso” – pensava. Mas apesar da chuva não dar trégua, não tinha nenhum raio. Penso mais um pouco e então percebo o que estava acontecendo e pergunto ao guia: “Renê! És un avalanche?”. “Si. Avalanche de rocas”. Puta merda.

 

Fico olhando em direção a montanha Salkantay coberto pela neblina. O barulho permanece altíssimo. O guia segue de olho também. Mas não dava para ver nada. Em resumo… nada aconteceu. Mas e o cagaço? 

 

Lá em cima, fazemos um ritual para a Pacha Mama. Sensacional. Mas o frio judiava todos do grupo, principalmente os brasileiros tiozinhos aqui. Ou quer dizer… quase todos. A garota do Alaska estava de camisa. Calorzão né? Kkkk

 

Após o ritual, continuamos a descer na chuva. Das 10h30 até as 14h00 descendo e descendo. A cada passo a bota firmava e o pé deslizava. Ótimo para criar bolhas, certo? Certo. Nos próximos dias elas vão conversar comigo mais do que deviam. Paramos as 14h00. Eu sem fome nenhuma. A Valéria comendo bem. Minha cabeça estourando. Mal de altitude total. Masquei mais algumas balas de coca mas nada adiantava.

 

Devemos estar perto do acampamento” – falo para a Valéria. Mas o guia logo tira minhas esperanças: Mais umas 4 horas caminhando e chegaremos. Meu Deus.

 

Andávamos e andávamos… o pé e os joelhos pedindo socorro. E a paisagem ia mudando, sempre percorrendo ao lado de um rio. Após inúmeras descidas sem ver o fim, chegamos a uma ponte. Estávamos perto. Sorrimos, fazemos piadas, sobrevivemos a o pior dia.

 

Logo chegamos e somos recebidos bem pelo grupo, que comemora os tiozinhos chegando. Tem chuveiro, tem que alugar por alguns soles. Pago sem dó. O problema que apesar da água quente, a janela é um buraco na parede que chovia dentro. Era uma mistura de água quente com fria na cabeça. Mas, água quente e banho!

 

Lá tinha bebidas. Comprei uma coca zero. A coca zero mais feliz da minha vida. Até eu beber. Coca ruim da porra… olho a validade: vencida em novembro de 2024. (estamos em fevereiro de 2025). Mas… tomo. Vou fazer o quê?

 

Comprei um Pringles também que foi devorado em segundos por mim e pela Valéria. Jantamos com o grupo e fomos dormir. O pior dia tinha passado. Estávamos felizes por ter conseguido. Agora sem chance de desistir mais. O mal da altitude passava: eram 2800 mts agora. Tudo mais fácil, inclusive a respiração e a dor de cabeça.

 

Entramos nos nossos “Iglus” e...capotamos até o outro dia.

 

 

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Lá em cima - Salkantay Pass.

 

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4629 mts de altura. 

 

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Montanha Salkantay e seus avalanches escondidos.

 

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O grupo dos jovens nórdicos e os tiozinhos br's.

 

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Início da manhã - 05h30 com seu clima "agradável".

 

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Perto de chegar ao acampamento base do 2º dia.

 

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Paisagem modificada na descida.

 

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A felicidade da Valéria ao saber que estávamos chegando após 12h de caminhada.

 

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Acabado. Encharcado. Mas vivo (ou quase isso) no acampamento.

 

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Acampamento base do 2º dia.

  • 2 semanas depois...
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(Continuação...)

Dia 3 - Estrada para Machu Picchu

 

Dormimos que nem uma pedra. E finalmente me senti recuperado. A Valéria dormiu bem também. Tudo certo!

Hora do café da manhã. Mais... chá. Água quente... não aguento mais. Cadê uma coquinha gelada com a data de validade em dia?

Independente disso, tomamos nosso café, coloco minha bota que me incomoda mais que o normal. As bolhas do dia anterior apareceram e estão me enchendo o saco. Começamos a caminhada, agora sem altitude... que delícia. Hoje eu era o primeiro da turma. Puxava a fila, mesmo que ache que o pessoal estava mais devagar que o normal, não queria nem saber. Finalmente não era o último. No nível do mar mando eu! (nem estamos no nível do mar, hauahauahua).

Seguimos andando e... outra paisagem. O rio que corta tudo que andamos nos acompanha e muito verde. Lindo! O guia vai parando para dar algumas explicações breves sobre frutas e plantas da região. Alguns dos lugares que passávamos era bem perigoso. Deslizamentos de pedra que arrebentavam a estrada. O guia falava para passarmos rápido, de 3 em 3. Por sorte... nada aconteceu. (ufa!)

Chegamos a um local que faz café. O guia mostra como o café era feito e participamos do processo. Não achei nada muito legal, mas tudo bem. Provamos o café depois de feito. Ô café ruim da porra. Não que eu seja um fã de café, mas...

Almoçamos e então uma van nos levaria até a trilha base de Machu Picchu. Nos separamos da maioria do grupo, menos de duas pessoas que fariam o Salkantay de 4 dias também. Todos os outros fariam o Salkantay de 4 dias e iriam para as piscinas termais naquela tarde (ô inveja!). O guia nos dá um mapa de quem procurar e quem entregar as malas por aquela região. Loucura. Um mapa mal feito da porra, parecia que eu era o Indiana Jones tentando achar algum tesouro perdido.

Achamos o bar para deixar a mochila e... cadê o celular da Valéria? Pensamos, poderia estar na van. Ou pior... poderia ter caído quando ela foi pegar a capa de chuva. E isso mesmo que aconteceu. Ela volta correndo com o motorista da van e instantes depois surge a mulher, correndo no meio da chuva, mas dessa vez com o celular na mão.

Seguimos a trilha. Linda, mágica. Sempre andando ao lado do trilho do trem. No começo tem um fim e uma passagem subindo no meio das pedras? Será que era ali o caminho? E era mesmo. Fomos, voltamos na dúvida, achamos um guardinha e perguntamos. Subimos novamente e continuamos a caminhar. A trilha é sossegada, em linha reta, cheia de pedras. Mas meu pé estava judiadíssimo. Doía a cada passada. Quantas bolhas!

E lá vem o trem. Que foda. Paramos para assistir e continuamos andando. Logo mais vejo uma estátua de um urso e descubro que existem urso em Machu Picchu. Ele é preto e tem a cara branca. Que dahora. Não fazia ideia!

A placa aparece e vamos chegando a cidade. A cidade linda, cheia de estátuas, fodástica ao extremo. Chegamos no hostel às 18:32, o briefing seria as 18:30. Já entramos na reunião e logo em seguida o novo guia vai explicando o que devemos fazer no outro dia, nos dando os tickets de entrada para as ruínas.

Levanto a mão e pergunto: "E quem vai a pé?", lógico que inglês e tudo errado. Ele explicou beeeeeeem mais ou menos. Mas um grupo de gringos novos falou que sabia o caminho, nos convidando para ir juntos. Estava feito então> próximo dia nos encontrar as 04h30 na frente do hostel para irmos a pé. 

O grupo dali foi jantar mesmo, seguindo o guia. Nós estávamos imundos, mas fomos juntos... não tinha o que fazer. Comi bem, pedi outro prato de comida e voltamos ao hostel para dormir. É AMANHÃ!

 

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Paisagem mudou completamente! Floresta Amazônica.

 

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Vários deslizamentos de pedra e estradas destruídas.

 

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Mapa 100% confiável (?)

 

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Trilha para Machu Picchu

 

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Estátua dos ursos incas

 

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Eu e a Valéria ao lado do trem.

 

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Chegando na cidade de Machu Picchu

 

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A estátua foda! O condor representa o céu, a puma a terra e a cobra o mundo dos mortos.

 

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Hoje comi feliz. E A MINHA COQUINHA !

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Dia 4 - Ruínas de Machu Picchu

 

04h00 da manhã o despertador toca novamente. Virou rotina acordar tão cedo. Me levanto, vou ao banheiro que me lembra que comer demais também não faz bem. kkkkk Me troco enquanto a Valéria também faz o mesmo. Tudo certo até ir colocar a bota e... ela não entra. São tantas bolhas e tanto inchaço que meu pé desistiu de ser feliz.


"Descalço não dá, né?" - penso alto. Preciso arrumar uma solução. Como um bom "gambiarrista" que sou, encho meu pé de vaselina sólida (que havia trazido para assaduras) e coloco a meia, que também encho de vaselina sólida e... puff. O tênis entrou. Essa é definitivamente a última vez que vou conseguir calçar essa bota.

Ao pisar no chão, as bolhas e a pisada torta machuca. Mas já assisti filmes de zumbi o suficiente para poder andar torto e aguentar mais um dia. 04h30 estamos lá embaixo. Pegamos um saquinho com lanche e já como e tomo a água. Encontramos com o francês de 20 anos de idade que já rodou o mundo e os amigos dele que sabem o caminho. Vamos andando no meio da escuridão, batendo um papo, avisto um cachorro e brinco com ele. O doguinho começa a nos seguir da cidade de águas calientes.

Andamos e mal dava para ver alguma coisa na estrada. "Quem foi o fdp que comprou ingresso as 06h?". Chegamos em uma guarita e lá apresentamos os tickets para Machu Picchu. Ótimo, estamos no caminho certo. Após isso, começamos a subir as escadas. Só relembrando que dá pra fazer esse caminho de busão e ser feliz, ou a trilha das escadas. Degrau por degrau vamos subindo. E subindo...e subindo! NÃO PARA DE SUBIR NÃO?? Os tiozinhos aqui suando feito dois porcos de calor e a subida interminável. Dava para ver as montanhas lindas dali enquanto subíamos infinitamente. E sabe quem nos acompanhava? O doguinho. Nosso cão guia espiritual decidiu nos dar uma força.

Avisto o último lance de escadas... nem preciso dizer que os jovens Europeus já estavam lá em cima faz tempo né? Nos últimos degraus, um tiozinho vendendo bebida em isopor. "¿Tienes coca?" Não tinha. Mas tinha Sprite. Foi a melhor Sprite que já tomei na vida. Estava gelada. Que delícia. Nosso doguinho estava ali em cima. Ganha um carinho na cabeça e despede de nós na entrada de Machu Picchu. Damos o ingresso e entramos. Vamos subindo, curtindo o parque em meio aos meus passos cansados zumbísticos e chegamos até o ponto de tirar aquela foto clássica de Machu Picchu e... tudo nublado. SIM, TUDO NUBLADO NESSA PORRA.

Juro, não dava para ver 1cm de qualquer coisa. Tudo branco. Coloco a mochila no chão, a Valéria também. Não vamos sair daqui enquanto esse negócio não "DESNUBLAR". Tá achando o que Machu Picchu, nós somos lerdos mas somos ruins. Esperamos por um tempo, 1 hora talvez. Começa a limpar devagar e conseguimos começar a enxergar a cidade mágica. Linda. Parece vídeo game. Ou um filme do Indiana Jones.


Tiramos as fotos, curtimos lá. A Valéria curtindo mais que eu ainda. Eu estava com muita dor no pé. MUITA. Curtimos o tour lá em cima e chegou a hora de se despedir. Tudo bem, a jornada acabou... ou não. Temos que descer as escadas. "Nem fodendo". Não aguento dar mais nenhum passo. Compramos passagem do ônibus para descer 15 min. Que se dane, foi gostoso demais ir sentado naquele banco delicioso.

Almoçamos, esperamos a hora de voltar do nosso trem. O destino agora de trem era: Águas Calientes -> Ollantaytambo. Cerca de 2 horas. Depois pegávamos uma van até Cusco. Mais 2 horas. Voltamos ao nosso hostel, com nossas mochilas por lá. Mas no outro dia nos aguardava a Montanha Colorida (Vinicunca). Tínhamos conseguido comprar o passeio por 60 soles em uma agência pequena por lá. Será que era bom? Seilá. O que sei é que dormi as 4 horas da viagem. E ao chegar no hostel, a Valéria foi tomar banho. Eu que já estava de chinelo cai na cama tudo torto e fedido e dormi. A Valéria pediu comida pra gente. Me acordou. Juro que estava tão morto que foi a primeira vez que comi deitado na minha vida e dormi denovo.


A Valéria pergunta: "Amanhã você vai para a Montanha Colorida? Precisamos acordar as 03h30." A Van saia 04h30. Nessa hora estava tão cansado que nem sabia o que eu ia fazer. Estava pensando em não ir. "Quando acordar eu vejo". Minha maior preocupação? Os pés. Não conseguia dar mais nenhum passo. Quanto mais fazer uma outra ascensão de montanha.

Fim do dia 4.
Fedido e morto.

 

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Ruínas de Machu Picchu quando a névoa se dissipou. Misteriosa e foda!

 

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De Oz para o mundo!

 

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De Oz para o mundo! (novamente)

 

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Valéria e as ruínas.

 

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Eu e as ruínas.

 

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Ruínas e Huyana Picchu de outro ponto de vista.

 

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O caminho do ônibus e a trilha das escadas.

 

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Eu encarando o sr. Machu Picchu kkkkk

 

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