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Olá viajante!

Bora viajar?

7 dias em Cusco - Trekking Salkantay + Montanha colorida

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Introdução

 

Oi, meu nome é Renan. Um careca de 36 anos de idade. Não sou aquele magro de 10 anos atrás, muito menos o mesmo condicionamento físico: tenho minha barriguinha um pouco mais saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas corridas de rua, faço minhas musculações. Posso dizer que sei correr bem e tenho um bom condicionamento físico. Sou um cara fresco pra comer, viciado em coquinha zero.

Essa introdução, apesar de chata, é necessária para você entender os perrengues que passarei a seguir.

 

Onde tudo começou

 

Meio para o final do ano de 2024. Uma atleta minha foi convidada para participar de uma competição e defender a seleção brasileira Nippon. O pai dela me convidou para ir assistir e topei. Ele ajudaria com meus gastos… então pedi ao meu chefe uns dias a mais para aproveitar o Peru. (eu sei, essa frase não caiu bem, engraçadinho hahaha). E a ideia estava feita. O que vou fazer? Conhecer Machu Picchu? Claro!.. fui pesquisando e pesquisando e foi aí que eu descobri: Trilha Salkantay. 4 ou 5 dias de trilha. Era isso! O preço estava nos R$2000,00. Era o que eu conseguiria pagar, no limite. Vi vídeos, achei sensacional, desafiador, topei.

 

Dia 0 – Cusco

 

Chego à noite em Cusco e vou para o Hostel onde minha esposa está. Durmo lá e… cá estamos no “dia 0”. A ideia desse dia era servir para aclimatação e conhecer o centro da cidade. Vamos andando, conversando… peço para ela andar mais devagar, estava um pouco sem ar (nada diferente para uma cidade a seus 3200 ou 3300 mts de altitude). Chegamos no centro, lindo. Igreja gigante ao mesmo tempo que possui as estátuas Incas.

Um monte de pessoas por ali, tentando me vender passeios, souvenirs, etc. Vamos andando para conhecer e bora pro mercadão. Comida barata, cheio de artesanatos (que eu particularmente adoro) e um monte de coisa legal. Após tudo isso, vamos até a agência KB Adventures, onde vamos fazer o Salkantay e lá eles dão um briefing dos próximos dias.

Voltamos ao hostel e arrumamos as coisas para o outro dia. Ansiedade a mil. Mas hora de descansar.

 

 

Dia 1 – Laguna Humantay

 

Antes do alarme tocar, meus olhos já estavam pregados. Sabia que era hora de acordar. Me levanto, pego minhas malas e espero a Valéria terminar de pegar as coisas dela. Eu estava pronto. Sabia que a maior aventura das minhas vidas ia se iniciar.

O que não sabia, claro, é que ao mesmo tempo que seria incrível, o sofrimento seria tão grande quanto.

A van chega na frente do Hostel, pontual. E aí começa a pegar todas as pessoas, nenhum brasileiro no grupo de 14 pessoas, tirando nós dois. O motorista continua a dirigir por 2 horas. Um pequeno medo começa ali, muita chuva, estradas desbarrancadas, com pedras no meio do trajeto, meio catastrófico. Tentava não pensar nisso, ia ser foda. “Ia? Ia sim! Pare com essas dúvidas”.

Paramos em um local para tomar café. Bem simples, pedimos um omelete e um suco. Enquanto não ficava pronto, tínhamos que preencher uma ficha com nome, nacionalidade, idade e profissão. Fomos os últimos a preencher e lógico, curiosos como somos, fomos ver dos outros integrantes do grupo. Todos gringos. Alemanha, Suécia, Noruega, Irlanda, Canadá, Alaska… cacete. Essa galera conhece o frio. Cadê os sulamericanos pobres dessa lista? E aí… vem a pior parte: IDADE. 18, 20… 22 no máximo. Um de 30 apenas… e nós dois: Valéria – 34 anos e Renan – 36 anos. Sim, pela primeira vez eu era o tiozinho do grupo. Tentei não ligar muito, idade é apenas um número, já diriam os mais otimistas. Mas esse número fez uma diferença da porra…

Entramos na van novamente. Mais 1h30m de direção e chegamos a Challacancha. 2 soles pra ir no banheiro, estava apertado. Melhor que dar vontade no meio da trilha, certo? Pegávamos os bastões e começamos a caminhar na estrada de terra, seguindo o guia.

“Nessa estrada aqui, nem vamos precisar dos bastões” – Falava para a Valéria. Mas o que descobri nessa viagem é que a língua PUNE. Claro que não precisava me punir tão rápido assim, hahaha, Segundos depois o guia aponta para o alto de um barranco (e que barranco!) e pede para o seguirem. E lá vamos nós, começar a subir aquele barrancão da desgraça. Após alguns metros, todos param ofegantes. “Cacete, isso vai ser sofrido” – pensava alto. Esqueci de mencionar, mas já estávamos a 3800 metros de altura. O que isso muda? TUDO. Acredite, TUDO meu amigo.

Continuamos a caminhar por aquele maldito barranco e chegamos lá em cima, em um caminho meio estranho. Pequeno, mas com um cano ao lado. Era reto, a caminhada saía fácil. Eu e a Valéria como bons tiozinhos do grupo, aproveitávamos para tirar foto de tudo. Piadinhas, risos, estava ótimo. Continuamos a caminhar até chegar a nosso acampamento base daquele dia (3900 mts de altura). Sem energia elétrica, sem banho, mas com privadas para o banheiro.

Esperamos pelo almoço. Primeiro, sempre vem a água quente e um cházinho da desgraça. Depois uma sopa aleatória. Eu que não suporto chás e sopas, era uma tortura. Mas tentava tomar, sabia que seria necessário para os próximos dias. E logo em seguida vem o almoço normal, algum frango, arroz e um misto de abacate e algumas coisas que não quis nem olhar. Deu pra deitar uns 20 minutos e … hora de ir a Laguna Humantay.

Deixei todas as coisas no alojamento, vou só com os bastões pra não precisar levar as mochilas. Começamos a subir, o cenário é bonito. Cheio de cavalos e uma PUTA de uma subida. Ao ir subindo, fui ficando sem ar. Cada passo era mais dificil que o anterior. Olhava para frente e para cima e logo era o último do grupo. “Tomar no cú… vou conseguir!”. Mas cada vez mais a galera se distanciava. Estava muito sofrido. Fui subindo, subindo e dando pequenas pausas para ver se o oxigênio entrava em meu pulmão. O que pareciam não se conversar muito nesse momento. Chegávamos a primeira casinha, o guia esperando e perguntando se eu estava bem.

“Estoi bien, apenas un tiquito cansado” – desde já, dá pra ver que meu espanhol ou portunhol não é meu forte. E nem minha capacidade de mentir, estava só a “capa do batman”. O grupo continuava avançando como se fosse uma matilha de cachorros doidos para pegar uma presa. E eu avançava na velocidade de uma tartaruga manca fazendo moonwalk. Cravava meus bastões no chão, olhava para cima e eu estava longe do pessoal. A bota afundava no meio das pedras, todas molhadas pelas chuvas e tropeçava, escorregava de leve. Mas continuava a avançar. O que mais me preocupava era: “Vou estar quase chegando e o guia vai me mandar voltar… isso vai ser muito frustrante”.

A próxima casinha chegou. Estou perto… perto de errar novamente. Faltava muito. Subida desgraçada! Quando virava a esquina e olhava, parece que tinha que subir tudo que já tinha subido. Mas eu que não ia desistir, já tava ali, pô. E após inúmeros passos, cheguei. Morto, ofegante. Respirando como se fosse um macaco véio com asma (e não sou?). Encostei em uma pedra e tomei meu tempo para descansar. Eu e a Valéria tiramos algumas fotos, apesar do tempo não estar dos melhores. Depois o guia falou que dava pra subir mais um pouco e ver ali de cima. Fomos. A famosa frase: o que é um peido para quem está cagado?

Tudo bonito, mas hora de descer. Na descida foi mais tranquilo pra mim, mas a Valéria sofreu. Reclamou de muita dor no joelho. A descida não terminava nunca. Preciso dizer que fomos os últimos novamente? Ia soltando umas piadas aqui e ali e tentando animar, mas não tava dando certo. Muito tempo depois, chegamos no acampamento.

“Happy Hour” – dizia o guia. E lá fomos, meio sem vontade. Tinha uma pipoquinha, comi. E depois… chá. Sopa. E uma jantinha. O pessoal adorou a comida. Eu sou fresco, queria só um arroz, carne e um ovinho com uma coquinha. Mas comi e fomos deitar. O aviso era pra tomar cuidado com a noite fria, que podia fazer negativo. Entramos dentro do saco de dormir e alugamos um cobertor. Nesse dia, vi a Valéria triste, querendo desistir. Eu que já estava querendo desistir ouvi isso e cortou meu coração. Que merda estávamos fazendo ali? Não somos mais jovens para isso. Fui dormir puto, nunca mais vou fazer uma merda dessas. Mas o próximo dia seria pior, 22km de caminhada (aproximadamente 12 horas). O guia já tinha nos dado a opção de contratar um cavalo para a subida. Não queria fazer isso de jeito nenhum. Não foi pra isso que eu vim, mas estava considerando o tempo todo.

Dormi. Parecia que dormi bastante e quando abri os olhos… 00h23. Até 4h30 tem chão. Vontade de ir no banheiro. Saio no meio daquela escuridão da desgraça com a lanterninha do celular e… a diarréia me mandou um olá. Essa cena se repetiu mais uma ou duas vezes durante essa madrugada. Maldita madrugada. O que tô fazendo aqui? Quero ir embora. 

 

(continua...)

Fotos:

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Igreja na praça central de Cusco

 

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Chafariz na praça principal de Cusco

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Mercadão de Cusco

 

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Valéria biscoitando na praça principal de Cusco

 

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Nosso alojamento no dia 1

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Laguna Humantay

 

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Alguns metros acima da Laguna Humantay

 

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Eu e a Valéria na Laguna Humantay

 

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Morrendo após chegar na Laguna Humantay

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Dia 5 - Montanha Colorida (ou quase)

3h30. O despertador toca impiedosamente.

A Valéria levanta, animada. Eu, nem me mexo. Destruído, dilacerado. Sem chances de qualquer coisa.
"Acorda, Renan. Vamos!" Ela insiste diversas vezes. Eu não consigo. Desculpe, não vai ser hoje que farei esse passeio.

~ voltando um pouco no tempo, fechamos esse passeio por 60 soles cada um. Bem barato. Em uma agência chamada macchu pichu tours. Ou algo desse tipo. Um cara preço do plaza de armas ofereceu várias vezes. Até ficar barato assim. Eu desconfiado falei que ia depois e chequei na internet. Não é que a agência existia mesmo? Hahahha. Fomos e fechamos lá ~

04h00. A Valéria continua se trocando e arrumando as coisas. A Van passaria as 04h30. E esse dia tinhamos que deixar todas nossas coisas na recepção, porque de noite mudaríamos de hostel (não conseguimos fechar no mesmo hostel)

04h20. Acordo, puto da vida. Morto. Xingando tudo. "ATÉ PARECE QUE NÃO VOU IR NESSA PORRA!". Coloco o tênis e... opa! As bolhas não doem, vou conseguir andar.

04h30 estou pronto para o passeio. Seja o que Deus quiser. A Van passa e ficamos por 2 horas até parar em um lugar para tomar café da manhã. (o melhor dos passeios que tomamos até agora).
Depois mais 2 horas para chegar até a montanha colorida, carinhosamente chamada de Vinicunca.

Dormi 3h50 mais ou menos dessas 4 horas de viagem. Hahahaha.
Nenhum brasileiro também. Mas dessa vez, só gente da América do Sul, América Central e pessoas mais "velhas". Sabe o que quer dizer? Tô em casa.
Um monte de gente que se lascou na altitude como nós. GENTE COMO A GENTE! Hahahahha.

Só chuva no caminho, já imaginei que não veríamos nada. Quando descemos da Van, começo a andar e falo: "Não para de chover... ei! O que é isso, neve?" Sim. Estava nevando. Estou vendo neve e sentindo pela primeira vez na vida. QUE FODA!

Contínuamos a subir e fazemos amizade com a galera. Uma família de Porto Rico decide ir de quadriciclo. Eu e a Valéria vamos a pé. Junto conosco, um pessoal do Peru de Lima e um cara que fizemos amizade da Guatemala. Que apelidei de "Guate".
Vamos andando, cada vez com mais neve. Mas não tava frio não. Uns 8 graus. Perto daquela imensidão branca que estavamos vendo, estava ótimo.

Eu e meu tênis 100% confortável da decathlon de 180 reais erámos outra pessoa. Subia feliz, fazendo piadas, curtindo aquilo tudo. Mas... hoje foi a vez da Valéria passar mal. Estava cheia de dor de cabeça e falta de ar. Tadinha! Já eu, incrimente estava bem. Zero efeitos da altitude! Sem dor de cabeça, sem enjoô, sem diarréias. NADA! Subimos devagarzinho.

Eu dando meus escorregões mas não parava de subir. Chegamos finalmente no "falso cume" da montanha Vinicunca. E de colorida ela tinha só duas cores: Preto e branco. TOTALMENTE NEVADA! Mas foda do mesmo jeito!
5000 e pouquinho. Tiro foto com as lhamas lá em cima. Lá vende algumas bebidas e comidas pelos locais. O Guate compra e na hora de pagar coloca em uma pedra: o cachorro come na hora tudo. A Valéria carimba o passaporte e então olho pra cima. Tem o "cume verdadeiro". Eu quero ir lá!

"Será que tem 5000 aqui mesmo, amor? E se tiver 4999 metros? Vamos lá no cume!" A Valéria não quer ir. Está passando mal. Eu chamo o Guate pra ir. E aí é a vez da Valéria falar: "ATÉ PARECE QUE NÃO VOU NESSA PORRA!" Isso te lembra alguém hoje cedo? hahaha

Subimos ainda mais até chegar na placa de 5036 metros e ver TUDO NEVADO! Que foda. Chegou a hora de descer, vamos indo com calma e descendo, a Valéria vai melhorando. E a medida que descíamos, a neve ia derretendo e ficando tudo de outra cor. Muito bonito!

Voltamos as 4 horas novamente até Cusco e é óbvio que dormimos quase isso tudo denovo, de cansados. Nossa cara ficou toda queimada pela neve. Os raios solares refletem nela e se lascamos. Coisa de marinheiro de primeira viagem "nevada".

Chegamos ao hostel e capotamos. E nossa aventura chega ao fim... depois só coisas sem graça de esperar a hora de voltar pra casa e comemorar que estávamos vivos.

Espero que tenham gostado da nossa jornada!

 

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Café da manhã top!

 

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Lago em forma de coração e o gelo ao lado

 

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As lhamas enquanto subíamos a montanha

 

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Nós e a imensidão de gelo

 

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Montanha colorida (?)

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Eu e minhas amigas Lhamas!

 

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No topo da montanha Vinikunka! 5086 metros de altitude!

 

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Na descida, tudo descongelando.

Editado por Renpa

  • Silnei featured this tópico
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Em 24/03/2025 em 10:00, D FABIANO disse:

@Renpa Esse café da manhã estava incluso no tour ou pagava a parte?

Estava incluso! Foi top!
Só se quisesse comprar uma água ou refri por ali.

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Em 28/03/2025 em 14:04, willybuss disse:

Muito divertido o seu relato.

Opa... valeu! O importante é se divertir... mesmo com os perrengues kkk

 

Postado
  • Autor
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Em 28/03/2025 em 14:04, willybuss disse:

Muito divertido o seu relato.

Depois me conte como foi a sua viagem!

Postado
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Em 20/02/2025 em 02:11, Renpa disse:

Introdução

 

Oi, meu nome é Renan. Um careca de 36 anos de idade. Não sou aquele magro de 10 anos atrás, muito menos o mesmo condicionamento físico: tenho minha barriguinha um pouco mais saliente, apesar de não tomar cerveja. Faço minhas corridas de rua, faço minhas musculações. Posso dizer que sei correr bem e tenho um bom condicionamento físico. Sou um cara fresco pra comer, viciado em coquinha zero.

Essa introdução, apesar de chata, é necessária para você entender os perrengues que passarei a seguir.

 

Onde tudo começou

 

Meio para o final do ano de 2024. Uma atleta minha foi convidada para participar de uma competição e defender a seleção brasileira Nippon. O pai dela me convidou para ir assistir e topei. Ele ajudaria com meus gastos… então pedi ao meu chefe uns dias a mais para aproveitar o Peru. (eu sei, essa frase não caiu bem, engraçadinho hahaha). E a ideia estava feita. O que vou fazer? Conhecer Machu Picchu? Claro!.. fui pesquisando e pesquisando e foi aí que eu descobri: Trilha Salkantay. 4 ou 5 dias de trilha. Era isso! O preço estava nos R$2000,00. Era o que eu conseguiria pagar, no limite. Vi vídeos, achei sensacional, desafiador, topei.

 

Dia 0 – Cusco

 

Chego à noite em Cusco e vou para o Hostel onde minha esposa está. Durmo lá e… cá estamos no “dia 0”. A ideia desse dia era servir para aclimatação e conhecer o centro da cidade. Vamos andando, conversando… peço para ela andar mais devagar, estava um pouco sem ar (nada diferente para uma cidade a seus 3200 ou 3300 mts de altitude). Chegamos no centro, lindo. Igreja gigante ao mesmo tempo que possui as estátuas Incas.

Um monte de pessoas por ali, tentando me vender passeios, souvenirs, etc. Vamos andando para conhecer e bora pro mercadão. Comida barata, cheio de artesanatos (que eu particularmente adoro) e um monte de coisa legal. Após tudo isso, vamos até a agência KB Adventures, onde vamos fazer o Salkantay e lá eles dão um briefing dos próximos dias.

Voltamos ao hostel e arrumamos as coisas para o outro dia. Ansiedade a mil. Mas hora de descansar.

 

 

Dia 1 – Laguna Humantay

 

Antes do alarme tocar, meus olhos já estavam pregados. Sabia que era hora de acordar. Me levanto, pego minhas malas e espero a Valéria terminar de pegar as coisas dela. Eu estava pronto. Sabia que a maior aventura das minhas vidas ia se iniciar.

O que não sabia, claro, é que ao mesmo tempo que seria incrível, o sofrimento seria tão grande quanto.

A van chega na frente do Hostel, pontual. E aí começa a pegar todas as pessoas, nenhum brasileiro no grupo de 14 pessoas, tirando nós dois. O motorista continua a dirigir por 2 horas. Um pequeno medo começa ali, muita chuva, estradas desbarrancadas, com pedras no meio do trajeto, meio catastrófico. Tentava não pensar nisso, ia ser foda. “Ia? Ia sim! Pare com essas dúvidas”.

Paramos em um local para tomar café. Bem simples, pedimos um omelete e um suco. Enquanto não ficava pronto, tínhamos que preencher uma ficha com nome, nacionalidade, idade e profissão. Fomos os últimos a preencher e lógico, curiosos como somos, fomos ver dos outros integrantes do grupo. Todos gringos. Alemanha, Suécia, Noruega, Irlanda, Canadá, Alaska… cacete. Essa galera conhece o frio. Cadê os sulamericanos pobres dessa lista? E aí… vem a pior parte: IDADE. 18, 20… 22 no máximo. Um de 30 apenas… e nós dois: Valéria – 34 anos e Renan – 36 anos. Sim, pela primeira vez eu era o tiozinho do grupo. Tentei não ligar muito, idade é apenas um número, já diriam os mais otimistas. Mas esse número fez uma diferença da porra…

Entramos na van novamente. Mais 1h30m de direção e chegamos a Challacancha. 2 soles pra ir no banheiro, estava apertado. Melhor que dar vontade no meio da trilha, certo? Pegávamos os bastões e começamos a caminhar na estrada de terra, seguindo o guia.

“Nessa estrada aqui, nem vamos precisar dos bastões” – Falava para a Valéria. Mas o que descobri nessa viagem é que a língua PUNE. Claro que não precisava me punir tão rápido assim, hahaha, Segundos depois o guia aponta para o alto de um barranco (e que barranco!) e pede para o seguirem. E lá vamos nós, começar a subir aquele barrancão da desgraça. Após alguns metros, todos param ofegantes. “Cacete, isso vai ser sofrido” – pensava alto. Esqueci de mencionar, mas já estávamos a 3800 metros de altura. O que isso muda? TUDO. Acredite, TUDO meu amigo.

Continuamos a caminhar por aquele maldito barranco e chegamos lá em cima, em um caminho meio estranho. Pequeno, mas com um cano ao lado. Era reto, a caminhada saía fácil. Eu e a Valéria como bons tiozinhos do grupo, aproveitávamos para tirar foto de tudo. Piadinhas, risos, estava ótimo. Continuamos a caminhar até chegar a nosso acampamento base daquele dia (3900 mts de altura). Sem energia elétrica, sem banho, mas com privadas para o banheiro.

Esperamos pelo almoço. Primeiro, sempre vem a água quente e um cházinho da desgraça. Depois uma sopa aleatória. Eu que não suporto chás e sopas, era uma tortura. Mas tentava tomar, sabia que seria necessário para os próximos dias. E logo em seguida vem o almoço normal, algum frango, arroz e um misto de abacate e algumas coisas que não quis nem olhar. Deu pra deitar uns 20 minutos e … hora de ir a Laguna Humantay.

Deixei todas as coisas no alojamento, vou só com os bastões pra não precisar levar as mochilas. Começamos a subir, o cenário é bonito. Cheio de cavalos e uma PUTA de uma subida. Ao ir subindo, fui ficando sem ar. Cada passo era mais dificil que o anterior. Olhava para frente e para cima e logo era o último do grupo. “Tomar no cú… vou conseguir!”. Mas cada vez mais a galera se distanciava. Estava muito sofrido. Fui subindo, subindo e dando pequenas pausas para ver se o oxigênio entrava em meu pulmão. O que pareciam não se conversar muito nesse momento. Chegávamos a primeira casinha, o guia esperando e perguntando se eu estava bem.

“Estoi bien, apenas un tiquito cansado” – desde já, dá pra ver que meu espanhol ou portunhol não é meu forte. E nem minha capacidade de mentir, estava só a “capa do batman”. O grupo continuava avançando como se fosse uma matilha de cachorros doidos para pegar uma presa. E eu avançava na velocidade de uma tartaruga manca fazendo moonwalk. Cravava meus bastões no chão, olhava para cima e eu estava longe do pessoal. A bota afundava no meio das pedras, todas molhadas pelas chuvas e tropeçava, escorregava de leve. Mas continuava a avançar. O que mais me preocupava era: “Vou estar quase chegando e o guia vai me mandar voltar… isso vai ser muito frustrante”.

A próxima casinha chegou. Estou perto… perto de errar novamente. Faltava muito. Subida desgraçada! Quando virava a esquina e olhava, parece que tinha que subir tudo que já tinha subido. Mas eu que não ia desistir, já tava ali, pô. E após inúmeros passos, cheguei. Morto, ofegante. Respirando como se fosse um macaco véio com asma (e não sou?). Encostei em uma pedra e tomei meu tempo para descansar. Eu e a Valéria tiramos algumas fotos, apesar do tempo não estar dos melhores. Depois o guia falou que dava pra subir mais um pouco e ver ali de cima. Fomos. A famosa frase: o que é um peido para quem está cagado?

Tudo bonito, mas hora de descer. Na descida foi mais tranquilo pra mim, mas a Valéria sofreu. Reclamou de muita dor no joelho. A descida não terminava nunca. Preciso dizer que fomos os últimos novamente? Ia soltando umas piadas aqui e ali e tentando animar, mas não tava dando certo. Muito tempo depois, chegamos no acampamento.

“Happy Hour” – dizia o guia. E lá fomos, meio sem vontade. Tinha uma pipoquinha, comi. E depois… chá. Sopa. E uma jantinha. O pessoal adorou a comida. Eu sou fresco, queria só um arroz, carne e um ovinho com uma coquinha. Mas comi e fomos deitar. O aviso era pra tomar cuidado com a noite fria, que podia fazer negativo. Entramos dentro do saco de dormir e alugamos um cobertor. Nesse dia, vi a Valéria triste, querendo desistir. Eu que já estava querendo desistir ouvi isso e cortou meu coração. Que merda estávamos fazendo ali? Não somos mais jovens para isso. Fui dormir puto, nunca mais vou fazer uma merda dessas. Mas o próximo dia seria pior, 22km de caminhada (aproximadamente 12 horas). O guia já tinha nos dado a opção de contratar um cavalo para a subida. Não queria fazer isso de jeito nenhum. Não foi pra isso que eu vim, mas estava considerando o tempo todo.

Dormi. Parecia que dormi bastante e quando abri os olhos… 00h23. Até 4h30 tem chão. Vontade de ir no banheiro. Saio no meio daquela escuridão da desgraça com a lanterninha do celular e… a diarréia me mandou um olá. Essa cena se repetiu mais uma ou duas vezes durante essa madrugada. Maldita madrugada. O que tô fazendo aqui? Quero ir embora. 

 

(continua...)

Fotos:

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Igreja na praça central de Cusco

 

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Chafariz na praça principal de Cusco

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Mercadão de Cusco

 

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Valéria biscoitando na praça principal de Cusco

 

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Nosso alojamento no dia 1

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Laguna Humantay

 

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Alguns metros acima da Laguna Humantay

 

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Eu e a Valéria na Laguna Humantay

 

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Morrendo após chegar na Laguna Humantay

Muito engraçado seu relato

  • 2 semanas depois...
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Em 07/04/2025 em 11:29, Luiz.silva16 disse:

Muito engraçado seu relato

Valeu! Na hora, tinha momentos que só ficava pensando em ir embora kkk (nas piores horas passando mal)
Mas em todos outros momentos, era nas brincadeiras, zoeiras que tornavam tudo legal!

 

  • 2 meses depois...
  • 1 mês depois...

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